5 de dez de 2008

Aroeira - Honda vive dias de Super Aguri


Não faz muito tempo e o assunto era a saída da Super Aguri causada pela Honda, agora...
Esta é uma visão pessoal dos motivos que levaram a montadora japonesa se retirar da maior categoria do automobilismo mundial, e como tal pode conter erros de julgamento e falhas na argumentação já que acompanho – como muitos de meus pares – à distancia e não tenho contato com pessoas ligadas a equipe diretamente.
Porém não posso deixar de enxergar desta forma.
Desde que os dirigentes da F1 começaram o movimento no sentido de deixar a categoria ser dominada majoritariamente pelas grandes montadoras em detrimento das equipes, digamos, puramente esportivas, já espera por algo desta natureza.
Mesmo mantendo departamentos profissionais voltados ao "esporte" é óbvio que este não era e nem nunca foi a prioridade das majors de carros pelo mundo. E sim a parte de marketing e merchandising.
Explico.
Com exposição garantida em zilhões de aparelhos de TV; jornais; revistas e computadores ligados a grande rede ao redor do mundo todo, a F1 garante uma propaganda relativamente fácil e com audiência cativa e certeira sendo assim a melhor vitrine possível para as montadoras .
E para a Honda não é diferente. Ainda que o mercado alvo da empresa seja o seja o norte-americano que não acompanha com tanto interesse a F1.
A partir do momento em que os resultados ‘esportivos’ começam a ser negativos, os resultados ‘comerciais’ podem declinar na mesma proporção. Parece ter sido o que ocorreu com a montadora japonesa.
Um orçamento gigantesco para obter resultados pífios nas duas ultimas temporadas queimando assim uma importante válvula de distribuição de sua imagem.
E claro, a propalada crise financeira mundial tem sua parte de culpa nesta retirada da Honda das pistas de F1, porém não penso ser a causa mais forte.
Assim fosse também se retirariam do mundial de moto velocidade e não mais forneceriam os motores para a Indy ou participariam de qualquer categoria auto esportiva que requeresse as quantidades industriais de dinheiro que fatalmente requerem. E mais, não teria a equipe escolhido correr por dois anos seguidos sem patrocinadores em sua carenagem, exibindo apenas o nome de seu ‘programa ecológico’.
Esta saída da equipe japonesa não teria maiores conseqüências se o grid da categoria fosse aberto a mais carros e equipes não pertencentes a montadoras, mas com a saída da montadora japonesa teremos apenas oito equipes na temporada do ano que vem, um grid muito murcho para o gigantismo que a categoria ostenta
E o pior, pode ter aberto precedentes para que outras montadoras batam em retirada também.
Parece que o buraco aberto por Max e Bernie, finalmente começou a engoli-los.
Como diria Geraldo Vandré em 'Aroeira', uma de suas canções:
"-É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar".

12 comentários:

pehnatabua disse...

Como disse no Pé, acho que a questão esportiva é um mero detalhe disso tudo. Veja quanto a Honda investe na Indy e na MotoGP. Aliás, digo mais: compare a Indy e a MotoGP com a F-1. É um investimento colossal em uma categoria que, por mais que renda exposição da marca, não traz nada além disso. A falta de resultados é conseqüência e não causa. A Honda, ao meu ver, se torna, com esse ocaso melancólico, um grande exemplo do que acontece quando alguém entra no mundo das corridas, de cabeça, mas sem planejamento.

Abraços
R. Lara

guardrailf1.com disse...

CItando justamente a divisao da Honda na MotoGp, ou até mesmo a da F-Indy, nota-se que o problema era a divisao "F1".

Nao tinham amor ao que faziam, e essa besteira de "Earth Dreams"...pfff. A equipe indo pro buraco e eles "sonhando"...

Faltou um pouco de tudo aí nessa equipe...Os resultados sao consequência.

Felipão disse...

É que essa crise pegou os caras de surpresa mesmo...

Essa parceria com a Petrobras apontava pra isso... Eram sinais que não mais aguentariam a baboseira sozinhos...

E esse erro de correr sem patrocinadores, determinou uma equipe totalmente dependente da montadora, sem uma mentalidade de auto sustentabilidade...

Uma pena que isso tudo esteja acontecendo...

Alexandre Ribeiro disse...

Caro Groo, the wanderer:

Só nos resta dizer SAYONARA, HONDA... Até nunca mais, pelo menos em se tratando de equipe própria. Se voltar a fornecer propulsores quem sabe nós a aceitamos de volta, né? Hehehe. Mas como construtores, pelo amor de Deus que nunca volte... Ou volte, pelo menos teremos bons motivos para risadas.

Marcos Antônio Filho disse...

Acho que Honda pegou a ofme com a vontade de comer. Muito dinheiro gasto,poucos resultados, pouco retorno.Dúvido que alguém do alto escalão daquela empresa seja apaixonadopor corridas,são todos formados por administração que nem devem saber dirigir,pois sempre tem um motorista ao seu dispor.Tb espero que a Honda não volte mais

Ingryd Lamas disse...

Concordo em quase tudo!! Só acho q a crise foi sim fator decisivo para bater em retirada, acho q não fizeram os mesmo com "as motos" pq lá, eles tem resultados, enquanto na F1...
Essa história de correr sem patrocinios foi suicidio, sempre disse, e desde o começo muita gente dizia o mesmo. que fizessem uma campanha ecologicamente correta, mas consciente, procurassem empresas que tivessem também tal responsabilidade
foi uma atitude egocentrica e como quase todas as atitudes dessa "laia", veio por terra...

Ótimo texto!
Parabens!

Hugo Becker disse...

Exatamente, caro Ron... foi mais ou menos o que disse em meu blog e você comentou, "a criatura engolindo os criadores"...

Eu fico triste não pela equipe, uma das mais antipáticas e bizarras da história, especialmente pela grandeza que tentou impor sem sucesso, e pelo que fez com a pobre BAR, que era uma equipe simpática e rápida em seus dois últimos anos de vida.

Fico triste é por ver no que se transformou o esporte que mais gosto. Eu pressinto que mais equipes ainda vão sair antes do início da temporada, ou talvez até durante a temporada... a Fórmula-1 deixou de ser esporte há muito tempo, para virar um mercadão de interesses... e isso é realmente triste... por que parece que não existe mais paixão no esporte, a não ser para aqueles babacas de torcidas organizadas que justificam suas irracionalidades com a famosa "paixão" pelo time...

Guilherme (RJ) disse...

Não seria também a notícia de que a Force Índia receber suporte da gigante McLaren uma conseqüência para a retirada da Honda da F1???

Você tocou num ponto muito importante, senão o maior de todos: visibilidade da marca.

Atualmente a Honda faz uma propaganda negativa colocando seus carros na rabeira do pelotão, sem boas perspectivas futuras e, pra piorar, apareceu o apoio da McLaren a Force Índia, o que empurraria a equipe japonesa pra última posição definitivamente.

Nos EUA houve a junção das duas categorias, Indy + ChampCar.

Será que poderá acontecer algo parecido com a F1 futuramente?

Abraços!

Ingryd Lamas disse...

auhuhauhauha obrigada!
sobre arte, é questao de perspectiva, eu por exemplo, nao conseguiria viver sem, mesmo.
ao passo q tambem nao conseguiria viver sem meus amados carros
acho q compartilho da sua visao tb, mas então, se não fossem, renoir, van gogh e ford, nao teriamos chegado aqui :D pelo menos eu não

sobre a honda, eu concordo, mas eu acho q se ela tivesse resultados, talvez nao precisasse sair, já que assim teria algum retorno, e nao só mais um gasto milionario e que no fim, nao estava levando a nada!!!


abraços

kimi_cris disse...

Isto está complicado para os lados da Honda.

Grande Abraço!

Kimi_Cris

Pezzolo disse...

é, acabou pra honda na f1!

Ron Groo disse...

Como disse no Pé, Rodrigo, discordamos nos textos, mas não posso deixar de concordar com sua visão.

Priscila, alguns amigos meus disseram outra palavra: Arrogancia. A honda teve o fim que mereceu. Pena que foi num momento tão inoportuno.

Não acredito que a parceria com a Petrobrás tenha sido sintoma de algo Felipão. Alguem tinha de fornecer o combustível né?

É Ribeiro e nem é a primeira vez que falham como equipe né?

Nem na Honda e nem em nenhuma outra montadora né Marcão, apenas busines...

Oi Ingrid, obrigado por ter vindo ao meu blog. A crise é ruim para todos. E nenhuma montadora tem lucro na F1, que aliás sorve dinheiro como ninguém. Mas respeito sua visão e adorei seu blog. Volte sempre.

Concordo contigo Hugo, em tudo que disse aqui e no seu blog.

Não vejo como juntar a F1 com nada Guilherme, mas seu comentário faz todo sentido. Valeu!

Agora não ta mais Kimi-Cris, hehehehe.

E se não fosse o numero minguado de carros inscritos agora na F1Pezolo, eu achava é pouco pra Honda agora.