31 de jan de 2009

Musicas estranhas, letras esquisitas

Como todos sabem, literatura é uma de minhas paixões e considero – estando eu certo ou não - que letra de música também é literatura.
Afinal literatura é: A arte de compor escritos artísticos; o exercício da eloqüência e da poesia; conjunto de produções literárias de um país ou de uma época. Logo...
Mas nem todo letrista pode ser considerado um literato, a senteça contrária também é verdadeira, mas tem quem se sinta.
Tem quem pense que é poeta e que é maior que Drumonnd, Vinícius, Quintana...
Encontrei algumas letras e fui me espantando com a coleção de passagens estranhas e divertidas. Tanto pelas construções e erros quanto pela sonoridade que ganham na melodia e o inusitado do que querem dizer.

Capa do disco da plebe.

Um exemplo clássico do caso de má construção da métrica é a canção: “Até Quando esperar” da Plebe Rude que num certo trecho diz: ‘Não é nossa culpa, nascemos já com uma bênÇÂO . Transferindo a tônica para a silaba “ção” dando uma solução para a métrica, mas escangalhando a gramática.



Em primeiro plano, Catulo de Paula.
Um outro exemplo divertido está numa canção de Catulo de Paula - compositor cearense dos mais sérios - que nos brinda com “Cowboy do Ceará” onde tira um sarro do anglicismo praticado em quase todo o nordeste.
Usando expressões aprendidas num curso com período de “três mês” dá exemplos mostrando como se faz uma declaração de amor na língua de Bob Dylan: ‘ Primeiro chega à mocinha/Pergunta as horas ao caubói/Ele diz: “são five o'clock”/E com pose de herói/Diz: “my girl, my chesterfield/Luck strike e life boy’.


Falcão, gênio da raça.
Um dos campeões – de propósito ou não – é o cearense Falcão, velho amigo aqui do espaço. Dele vem a pérola “O amor que antes de ser já era”.
Com a ajuda de Tarcisio Matos ele conta como fez para esquecer a amada que tanta dor de cabeça lhe dera: “Mas eu vim embora, e você/Não passa de um ponto preto/Posto por uma mosca/No meu pensamento/E eu vim contando jumento na estrada/Pra lhe esquecer ‘.


Raimundo Soldado: E o plural que se f...
Mas o verso esquisito campeão é sem duvida do compositor maranhense Raimundo Soldado, que na melhor das intenções, posando de poeta e tudo – ele queria mesmo ser levado a sério – compôs um dos versos mais estranhos, engraçados e errados que se tem noticia na canção "Não tem jeito que de jeito".
A canção fala de um cidadão que foi deixado pela cara metade, mas se conforma: “Não tem jeito que dê jeito/Pra você viver comigo/De hoje em diante/Nós vamos ser/Um simples amigo.”.
Profundo... E o plural que se exploda...

Convido todos a deixarem aqui suas contribuições, com versos engraçados, mal construídos e/ou curiosos. Só peço que não sejam versos de funk-baixaria carioca, pagode “mauriçola” e estes forrós de duplo sentido que fazem de nossos ouvidos verdadeiros penicos.
Que aí não é engraçado. É indigência mental mesmo.

29 de jan de 2009

F1 2009 - Previsões de Pai Tião

Desempregado.
Mesmo depois da campanha vitoriosa da equipe de Woking ano passado e apesar de ser o pai de santo preferido de nove entre nove equipes da F1, Pai Tião foi dispensado da McLaren.

Pai Tião, o mito

Logo após Ron Dennis comunicar que estava se afastando da direção esportiva da equipe,
Martin Whitmarsh disse não precisar mais dos serviços de um pai de santo, alegando que Lewis Hamilton parece estar mais centrado e menos estabanado.
O sensitivo prefere dizer que foi demitido por conta da crise mundial financeira.
-Quem foi que disse que a crise não chegou na Mclaren? – Disse ele.
O ebozeiro afirmou estar estudando varias propostas inclusive de outras categorias e que a que mais o indigna veio de Hélio Castronneves.
-Alguém, talvez o Fabio Campos (do Grid GP), tem que dizer a mizinfio Castronneves que eu sou pai de santo e não advogado!
Sobre a saída da Honda afirmou já ter previsto isto a muito tempo.
-Desde que foi criada, zinfios japoneses fazem bons motores, mas é só olhar os Civic para perceber que eles não entendem nada de carro.

Civic da Honda

Aproveitando o encontro com o filibusteiro (alguém ai acha o significado desta palavra por favor) pedi que fizesse algumas previsões para esta temporada, ei-las aqui.
Sobre a Ferrari:
-Domenicalli e seus comandados vão continuar fazendo lambança. O homem que apaga as luzes do pirulito eletrônico vai acabar levando a culpa. Felipe Massa vai ser o primeiro piloto e Kimi Raikkonen ganhará uma nova função: vai ser o barman oficial de Maranello.
Sobre a Mclaren:
-Vai ter um ano difícil. Também... Com um piloto só!
-Ron Dennis vai continuar mandando, mesmo afastado. E os esporros vão ser via celular, msn e no blog.
Sobre a BMW:
-O narigudinho polonês não vai ter concorrência dentro da equipe.
-Nick Haidfeld vai assinar contrato de patrocínio com a Gillete.
-A equipe vai ser a terceira força, até desistir do carro deste ano e se concentrar no do ano que vem. O que deve acontecer mais ou menos antes de Mônaco.
Sobre a Williams:
-O japonês e a bich... Digo, o alemão vão fazer boas corridas, nada mais, nada menos.
-Kazuki, uma hora ou outra vai acabar nos fazendo lembrar de seu pai. Nico não.
Sobre a Red Bull:
-Vettel vai continuar sentindo o peso das bolas, mas por favor não me perguntem de quem...
Sobre a Toro Rosso:
-Sebastien Buemi vai ser confundido com Robert Kubica, embora a confusão desapareça quando os dois estão na pista. Mesmo com carros identicos.

Sebastien Buemi

Existe um futuro para a Honda?
-NÃO! Nem que volte para a categoria.
E o Button?
-Quem?
O Rubinho?
-Vai para outra categoria: a dos aposentados, fazer dupla com o David Couthard.


E o Couthard?
-Foi jogar bingo.

Para quem quiser ler as intevernções anteriores de Pai Tião na F1.

A origem de Pai Tião: Agora Vai.

O sapo de Hungaroring.

O novo emprego do pai de santo.

Previsões da temporada 08.

A Mclaren e o 23 de Abril.

28 de jan de 2009

De saida? Então põe o lixo na calçada por favor...

Renault e Toyota ameaçam deixar a F1 em 2010.
Curioso não?
Há quanto tempo a Renault deixou de ser uma equipe vencedora?
E a Toyota quando é que vai ser?
Esqueça os triunfos da equipe francesa ano passado. Foram casuais apesar do enorme talento do asturiano chorão e metrossexual (na nova ortografia).
E diga-se, o ultimo acerto da equipe dos carros horrorosos foi a contratação do ‘sobrancelha’.
Andar atrás no grid é uma péssima forma de marketing e este ano com menos carros, não ganhar corrida pode ser considerado fracasso.
Explico meu ponto de vista.
Ferrari e Mclaren - apesar das novas regras e dos carros de comportamento ainda desconhecido - não deixarão de ser as equipes da ponta e da ponta. Com estas provavelmente não haverá luta direta.
A BMW é a que parece ter feito melhores investimentos, melhores pesquisas e – à exceção de Alonso – o melhor piloto: Robert ‘nose’ Kubica.
Talvez pau a pau com Sebastian Vettel.
Então o que sobra?
Williams que é um time na acepção da palavra e tem um orçamento reduzido faz tempo. Infelizmente parece não ter carros, pilotos e grana suficiente para continuar evoluindo durante a temporada.
A Red Bull que mesmo contando com Vettel é uma incógnita maior que o próprio campeonato e sua equipe “rubinho”: a Toro Rosso, que sem Vettel e Berger dificilmente sairá da sombra da RBR.
E a Force Índia, notória por fechar o grid. Ainda que este ano conte com suporte da Mclata e sua co-proprietária Mercedes.
Como se vê não há muitas glorias vencer esta turma, aliás, é obrigação.
Logo, como equipes oficiais de grandes montadoras a posição que Renault e Toyota ocupariam é equivalente ao fundo do grid. Isto se por acaso não tomarem uma surra de uma das pequenas citadas.
Tendo isso em vista o departamento financeiro das montadoras apertam o de marketing para que este traga melhores resultados em seus investimentos. Que não são poucos e nem baixos.
E a única forma de pressionar seria a ameaça de se retirar, para assim tentar fazer com que as equipes tirem leite de pedra ou sensibilizar Ecclestone e Mosley a dividir em fatias maiores o montante de dinheiro que lucra com o campeonato.
Mas parece que nem um dos dois matusaléns que mandam na categoria parece disposto a sequer colocar esta possibilidade em pauta.
Penso que Bernie e Max já têm algum plano para evitar que a sua galinha dos ovos de ouro morra de inanição. E nem estão preocupados com a possível saída desta ou daquela equipe. Vide o caso da Honda.
Então... Dá-lhe pressão! E para disfarçar a culpa é claro, fica por conta da crise financeira mundial.
Desde Max e Bernie até o mais leigo dos espectadores sabia que ao abrir, ou melhor, escancarar as portas da categoria às montadoras o risco de esvaziamento seria grande. É o que esta acontecendo.
Mas não vai acabar com a F1.

E já está no ar a novissíma edição da Rádio Onboard. Desta vez Felipe Maciel, Fabio Campos e eu passamos em revista os lançamentos dos carros para este ano. Confira clicando no selo da rádio ai na barra lateral, e cada vez que mudar o video-trailer será sinal de que tem nova edição no ar. E aproveite para se cadastrar na comunidade do Orkut da Rádio, participe.
Confira, é só clicar e depois comentar.

26 de jan de 2009

São Paulo, 455 anos.

Todos reconhecendo o belo como belo, eis o feio.
Todos reconhecendo o bem como bem, eis o mal.

Quando Lao Tsé cunhou esta frase ainda não havia a cidade de São Paulo, mas se existisse provavelmente o sábio estaria morando nela. No bairro oriental da Liberdade e com casa de negócios na região da Rua 25 de Março, lá bem pertinho do Mercado Municipal. Muito provavelmente também seria torcedor do Corinthians ou do Palmeiras. Então nas tardes de Domingo iria se divertir assistindo ao futebol. No simpático Pacaembu, templo do futebol paulista por onde desfilaram sua arte, glória e elegância nomes como o "tigre" Friedenreich; Baltazar, o "cabecinha de ouro"; o "divino" Ademir da Guia; o "príncipe" Enéas e o "rei" Pelé. Só para colocar um de cada grande time. Se não gostasse de futebol ainda teria um monte de outros esportes para ir ver.
E em um fim de semana por ano, a cidade se transforma na capital mundial da velocidade, afinal tem a melhor pista do país.
O sábio chinês também iria se divertir muito nas feirinhas de artesanato da Praça da Republica. Ou se exercitar, se gostasse, claro, no Parque do Ibirapuera.Lao poderia ficar sabendo, por exemplo, da prisão de um conterrâneo quase homônimo seu, acusado de contrabando e suborno em qualquer dos jornais diários centenários encontráveis em qualquer banca ou revistaria da enorme cidade. E são muitas, são milhares quiçá milhões! Que a gente desta megalópole necessita de informação. Como se sabe, informação é poder.
Gastronomicamente, Tsé não teria do que reclamar. Aqui tem restaurante com comida típica de todo lugar. Dá longínqua China, terra do sábio, até as comidas "come e corre" dos Estados Unidos da América.
E para quase tudo isso teria de passar pela Estação Sé do metrô. Tudo passa por lá. Quer procurar paz para o espírito? Não interessa a religião, aqui tem ao menos um templo dela. E sabe o melhor? Convivem todos na mais perfeita harmonia e paz, como se tivessem descoberto aqui que o nome pelo qual se invoca Deus pouco importa. Ele é o mesmo para todos.
Violência? Tem sim oras! E me aponte onde não tem? E não é maior e nem menor que em lugar algum. Infelizmente, violência também é igual para todos. Como Deus.
Se quisesse festejar, nosso sábio teria endereço certo: a Avenida Paulista com toda sua história e importância na vida financeira do País e que, quem diria, adora uma festa.
Como se vê São Paulo é única e são muitas.
É para cada um nos seu particularmente. E para todos sem distinção.
É para mim a melhor, é a minha cidade ainda que nela não more e nem trabalhe hoje.
É para quem ainda teima e dizer que é feia, que é cinza, que é má, vamos recorrer a Lao Tsé de novo, mas desta vez invertendo-lhe a genial sentença:

Todos reconhecendo o feio como feio, eis o belo.
Todos reconhecendo o mal como mal, eis o bem!

Parabéns São Paulo, ainda que atrasado de um dia, pois que tirei a data de teu aniversário para revê-la e porque não: redescobri-la.

23 de jan de 2009

O Dia em que a musica morreu, ou quase isto

Nem se trata de ser ou não a melhor musica de Gilberto Gil. Sua obra é muito vasta para ser definida em uma só canção ou disco.
Eis aqui a continuação do texto “The day the music died”.
Não, não estou louco. Gil não morreu e nem a canção marcou inicio ou fim de nada. Apenas tem o mesmo numero ou mais de citações de um período quanto “American pie” de Don Mclean. Com a vantagem de não ter ficado tão emblemática quanto a canção do americano em sua carreira.
Gil teve vida depois desta canção, já Mclean...
O texto anterior dizia do fim da ingenuidade dos jovens americanos, que muitos associam ao acidente que matou os três jovens rockers. Mclean captou as mudanças que vieram nos anos seguintes ao acontecido e fez sua obra prima.
Já no Brasil não tivemos um acontecimento nem parecido. A juventude brasileira e sua musica, não caminha sobre mortes, mas evoluções.
Não houve uma morte de artista, seja ele qual for ou de qual gênero seja capaz de mudar a cabeça ou opinião da juventude brasileira.
Não foi a morte de Chico Alves que detonou a bossa nova. E nem o passamento de alguém da turma do banquinho e violão que fez nascer a tropicália. Muito menos a morte um de seus fundadores e arquétipos artísticos, o poeta Torquato Neto, que pos fim a ela e fez a gênese do BRrock de Blitz, RPM, Legião, Titãs, Paralamas e afins.
Foram ciclos de evolução normais, esperados e desejados.
Simples...
Não foi a explosão da Tropicália que detonou o fim da “inocência” no Brasil. Assim mesmo entre aspas, mas a prisão de Caetano e Gil e seu posterior exílio.
Eis aqui o evento!
-Ah, mas antes já tinha gente dando bordoada no regime de exceção!
É tinha... Mas foram exatamente dois que ainda não tinham dado as tais bordoadas que pagaram o pato.
Esqueça Geraldo Vandré.
Em seu livro Verdade Tropical, um catatau narcisista e auto mastubatório, Caetano, que é ou era desafeto de Vandré conta o porquê de ele ter escolhido o arranjo voz e violão para a canção ‘Pra não dizer que não falei das flores (caminhando)’ Puro golpe mercadológico. Vandré apostava que depois do sucesso de Chico ele seria o próximo grande astro da MPB. E achava que a turma da banana, como era conhecida a Tropicália estava atrapalhando seus planos com tanta exposição e estridencia.


Caetano e Gil – os tropicalistas mais populares e lideres do movimento – queriam apenas a revolução estética artística. Queriam mesclar a o pop mundial com a cultura brasileira à qual pertenciam. Queriam levar a sua musica ao mesmo nível do que estava sendo feito nos EUA e na Europa.
Só que com o que produziam até então estava ficando difícil. Tudo era como uma cópia mal feita e sem peso. Caetano chegou a dizer que achava seu primeiro disco datado e fraco. Era necessário procurar outros caminhos para aproximar os dois universos. O brasileiro e o pop então em voga.
Nasce ai a Tropicália.
As ações de marketing cultural deste movimento chocavam a tradicional família brasileira provavelmente até mais que suas musicas.
Episódios em seus programas de televisão como encenar a Santa Ceia dando a Gil o papel de Jesus Cristo ou Caetano cantar ‘Boas Festas’ de Assis Valente (“... Ou então felicidade é brinquedo que não tem”) ode a depressão natalina. E em pleno natal! Com uma arma apontada para a própria cabeça trazia enxurradas de cartas com críticas à sede da emissora que transmitia o programa. E isto ajudava os censores do governo e detratores da juventude em geral a criar o mito de que a Tropicália queria destruir tanto o regime militar como a instituição da família.
Gil sentia que havia muita nitroglicerina no ar. Caetano ria.
Curiosamente o episódio que os levou a prisão e depois ao exílio nem existiu.
Relatado em depoimento na policia pelo radialista Randal Juliano, sem ter visto diga-se, Caetano e Gil teriam cantado versos provocadores na métrica do Hino Nacional e cuspido na Bandeira em um show na boate Sucata. Foi o que bastou para que os milicos os prendessem por três meses e só os libertassem depois de concordarem em deixar o país.
Aqui está o dia em que a musica morreu no Brasil?
Não. Mas quando desapareceram os juvenis e provocadores artistas que eram então Gil e Caetano.
Se para Caetano o exílio foi doloroso demais, para Gil foi menos intenso em sua dor e mais proveitoso no que tange a decolagem de sua carreira.
Ficou perto dos ícones pop aos quais queria emular: Hendrix, Zeppelin, McCartney entre outros. Pode tocar com vários músicos importantes da época, e assim aflorar seu lado band leeder, fora algumas mudanças pessoais que transformaram completamente sua forma de compor.
Gil voltou do exílio outro homem. Mais antenado com a realidade do país e por que não dizer, do mundo.
Aqui está o evento tão importante quando o ‘dia em que a musica morreu’ nos EUA, porque depois da volta de Caetano e Gil do exílio os dois passaram a ser parâmetros para todo e qualquer musico que quisesse ter importância. A adição definitiva das guitarras elétricas, a incorporação definitiva do rock and roll como ferramenta - e não linguagem - dentro de seus trabalhos sem que isto os fizesse perder a raiz brasileira.
E a canção ícone? Afinal eu havia perguntado se haveria uma.
Em minha opinião é ‘Refazenda’, do álbum homônimo de 1975.
Por todos os elementos já citados e pela alusão total em sua letra ao regime que o tinha expulsado do país alguns anos antes em versos simples e quase bucólicos, mas que são muito carregados de significado político.
A semente estava plantada, o que veio depois é consequência...


Discover Gilberto Gil!

Se quiser conferir e acompanhar a letra, aqui.

22 de jan de 2009

Imprevisto, aqui me tens de regresso...

O imprevisto voltou!
Ao menos é a impressão que se tem ao ler os relatos dos testes livres realizados na terra do Speeder e do Roberto Leal.
Tivemos de tudo: Problemas técnicos na Mclata de Lewis Hamilton, provavelmente provenientes daquela engenhoca que atende pelo nome de kers. Principio de incêndio na Toyota de Timo Glock. Burn Toyota, burn.
E até o Horrivelnault de Nelsinho Piquet acabou voltando para a garagem em cima de um caminhão de resgate.
E acreditem, esta volta do imprevisto e quem sabe das quebras em corridas será muito bem vindo.
Problemas mecânicos ocorrem desde a primeira corrida realizada fazendo parte delas tanto quanto a gasolina, os pneus, os pilotos, os acidentes do David Culthard e a choradeira do Rubinho, ainda que para isto tenhamos perdido também uma equipe no grid.
Bem, este ano nos livramos do Coulthard e ao que parece até agora também do Barrica, só falta nos livrarmos da confiabilidade excessiva dos carros.
Nos últimos anos, os carros tem sido de uma confiabilidade irritante. Tanto que não consigo me lembrar – alguém ai consegue? – da ultima quebra de um Mercedão prateado.
A Ferrari teve problemas com motores estourando na ultima temporada, mas o determinante para que perdessem o campeonato foram mais os erro da equipe (alô, alô Domenicalli!) do que as quebras.
Ainda é cedo, e estes testes servem exatamente para isto: procurar forçar os carros para que os defeitos apareçam e sejam consertados a tempo de estrearem bem na Austrália. Mas temos esperanças ainda de que nem tudo seja corrigido, tanto para a abertura quanto para o decorrer do campeonato.
Vamos aguardar o lançamento e os testes com os carros que ainda faltam e aguardar ansiosamente pela prova australiana, onde além de uma corrida quase sempre emocionante teremos este ano também um desfile de feiura. Ou não dependendo dos olhos de quem vê.
A temporada promete!

21 de jan de 2009

Ô ô, Obama é melhor que o Etô (texto sério)

Foi um dia histórico? Sim.
Para toda a humanidade? Talvez.
O fato de um negro assumir a presidência de um país, mesmo sendo os E.U.A deveria ser menos importante do que saber se ele é de bem, honesto, digno, sincero e bem intencionado.
Se tiver estas qualidades e mais inteligência; bom senso; capacidade de administrar; ser capaz de manter o dialogo nacional e internacional em níveis altos e prósperos então ele poderia até ser verde ou azul calcinha que não faria diferença alguma.
Mas a verdade é que as palavras de Barack Hussein Obama ditas em vinte minutos de discurso ontem à frente de cerca de dois milhões de pessoas foi um discurso para americanos. E o 'oba oba' da imprensa mundial que acabou por contagiar os povos do mundo tem um ‘q’ de exagero. Preste atenção nestes trechos:
"-Nossa economia está bastante enfraquecida em conseqüência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns."
"-(Nossos desafios) não serão vencidos facilmente, mas saiba disso América: eles serão vencidos."
"-Nós permaneceremos a mais próspera e poderosa nação da Terra."
"-Para todos os povos e governos; Saibam que a América é amiga de cada nação e de cada homem que procure um futuro de paz e dignidade"
E o trecho mais contundente:
"-Não vamos pedir desculpas por nosso modo de vida, nem vamos vacilar em sua defesa e, para aqueles que procurarem avançar em seus objetivos produzindo terror e matando inocentes, diremos a eles que nosso espirito é mais forte e não pode ser quebrado. Ele não poderão prevalecer e nós os derrotaremos.".
Vejo nestes trechos o claro recado de que Obama foi eleito pelos americanos para governar para os americanos. Como não poderia ser diferente.
Então encaremos o momento com esperanças sim, mas com reservas. Afinal Obama foi eleito para tentar resolver os problemas dos E.U.A e, mesmo estando todos os outros povos com seus problemas atrelados em maior ou menor grau, não é ele ou nenhum outro governante que não os próprios de cada nação que os resolverão.
Assistimos uma pagina da história sendo escrita? Sim.
Mas agora é melhor que comecemos a escrever outra.
A nossa própria.

Ps. para quem quiser ler o discurso na integra: Discurso.

20 de jan de 2009

O belo e a aberração, por Barack Obama

O presidente eleito Barack Obama acaba de tomar posse no Capitólio.
Agora era hora de falar a nação. Todos esperam por isto.
A carga de esperança que vem atrelada ao novo governo é imensa.
O povo americano aguarda o desenrolar dos acontecimentos e mais ansiosamente ainda o primeiro discurso como presidente de fato.
Obama assina o livro de posse. Recebe a faixa presidencial. É saudado e aplaudido. Finalmente vai ao púlpito para falar ao mundo.
Sim, porque o mundo estará de olho nele a partir de agora.
Silencio. Todos olham fixamente, seja para a figura de Barack – para quem esta lá – ou para as telas de t.v.ao redor do mundo.
Ele vai falar:
-Americanos, fui eleito por esta nação para dizer sempre a verdade. A verdade vai nos libertar. A liberdade vai nos manter unidos. A união nos fortalecerá. E fortes continuaremos ditando os rumos do mundo.
Mesmo preocupado com o futuro, eu digo, é dia de festejar.
Festejar sim, americanos. Festejar que Frank Williams finalmente mostrou ao mundo como se faz um carro de F1!
Que linhas! Que soluções aerodinâmicas. E o kers da Williams? Que maravilha! É o único totalmente mecânico.
E que importa se as cores não são definitivas... O carro será lindo de qualquer forma.
Mas americanos! Não devemos nos esquecer de rezar!
Vamos rezar para que o Nico Rosberg e o filho do Nakajima não estraguem aquela beleza toda com suas barbeiragens... E que se o carro for mesmo tão vencedor como aparenta. Que eles não atrapalhem... Apenas guiem, como fez Damon Hill e Villeneuve, o Jaqques.
Já a Renault... Ai, ai, ai...
Há de se louvar a coerência destes espanhóis malucos... O carro é coerentemente feio.
É ridículo em todos os aspectos. Do bico quadradão... Aliás, alguém sabe me dizer se o projetista daquela joça é aficcionado no David Coulthard? O carro é a semelhança, cuspida e escarrada do escocês.
E as cores então? Pqp, pra ficar um carro alegórico perfeito e desfilar na Unidos do Cabuçu do Rio de Janeiro só faltou uma parte da cor daquela camisa verde limão do Palmeiras e a faixa do Vasco da Gama...
Ah sim... O capacete do Alonso ficou bonito, mas quem vai ver o capacete dentro daquele caleidoscópio sobre rodas?
É isto que tinha para dizer a vocês, americanos. Meus irmãos... Vamos ao futuro! Que a Max e Bernie pertencem...


O povo americano aplaudiu por quinze minutos ininterruptos e o mundo inteiro ficou de alma lavada!

18 de jan de 2009

Saturday night fever.

Segue-se o relato do encontro do pessoal do Forum Velocidade ( Fove) ao qual eu deveria ter participado, mas...

E foi um encontro memorável!
Já eram mais de seis da tarde quanto toca meu celular: -Alô! -Ron?
-Isto, quem fala?
-É o Buck?
-Fala vagabundo... Que manda?
-Cê vem né?
-Num vou... Tá chovendo, é muito ruim sair daqui quando tá chovendo.
A voz no tel muda.
-Ron? É o Felipe... Vem mano, vai ser mó bom. O Diogo tá chegando...
-Pô Felipe, não dá. Tá chovendo muito.
-Mas e se parar de chover? Eu tenho uns manos aí da região se parar de chover eu vou saber... Se parar de chover cê vem né?
-Vou. Se parar de chover eu vou.
Não parou... Mas 45 minutos depois o celular toca de novo.
-Ron?
-Eu! Quem fala?
-É o Diogo... Cê não vai vir... Cê é maior furão!

Diogo (DFS), e Felipe.

-Eu avisei que se estivesse chovendo eu não ia. E não parou de chover.
-Poxa, quando eu saí do Jabaquara tava maior chuva. Agora já parou. Tá saindo até sol!
Detalhe: Eram mais de sete da noite. Não sei onde ele arrumou sol. Deve ser a marca da cerveja...
-Poxa cara, não dá. É muito ruim sair daqui de Franco quando chove.
-Furão, cê é furão...
Felipe pega o telefone de novo e eu falo: -Poxa cara...
-Poxa nada, vem ai cara... O Gilles disse que está vindo...
-Tá bom. To indo. Mas me espera que eu vou demorar...
-Quanto tempo?
-Uma hora ainda, acho.
-Uma hora? Caralho ce tá em Campinas?
-Não, mas estou perto. Estou ao lado de Jundiaí...
-Tá bom...
Tomo banho, me troco. A Val, minhas esposa, também se arruma e saímos. Ao chegar à estação o trem demora a chegar. Quando chega leva 30 minutos para percorrer o trajeto de três estações que normalmente levaria 12 ou quinze minutos. Como alguns sabem eu passo mal em ambientes fechados. Estava quase morrendo. Desembarco e vou à busca de um ônibus que me leve ao menos até o bairro da Lapa, de onde sei que partem outros ônibus com destino à Av. Paulista, onde se localiza o bar do encontro. Toca o telefone, já reconheço o numero: -Fala Buck!
-Ô Ron, cê vai demorar?
-Não, já estou no ônibus.
-E quanto tempo demora?
-Uns quarenta minutos.
-Quarenta minutos? Ai minha bunda... Cê disse isto há quarenta minutos atrás!
-Eu avisei que morava longe e que demorava...
Desligo o telefone e consigo embarcar num coletivo com destino a Lapa. Mas o mesmo vai pela Via Anhanguera, o que corresponde a dizer que é o dobro da distância que levaria. Eu que já estava passando mal, fico bem pior. Meu humor vai pro saco. Ao desembarcar na Lapa tenho de correr ao shopping para procurar um banheiro. O telefone toca de novo: -Ron!
-Fala Buck...
-Vai demorar?
-Vou sim... Eu avisei que ia demorar.
-Putz... O Diogo (Dfs) já foi embora e eu vou ter de ir também. Poxa moro em São Jose dos Campos...
-Meu vai... Eu vou demorar muito pra chegar ai.
-Tá bom... Então eu vou... Abraço e fica pra próxima.
Mais cinquenta minutos depois e eu já perdi todo e qualquer resquício de bom humor. Minha esposa vendo que estou passando muito mais que mal me convence a pegar um ônibus e voltar pra casa. Já que os trens que seriam muito mais rápidos estavam com dificuldades de trafego. Esperamos mais vinte até que o ônibus chegue. Embarco e me sento. Começa novamente o calvário.
Toca de novo o telefone: -Ron! Onde cê tá meu? Assim eu não vou poder esperar pra te ver...
-Pqp. Cê não disse que tava indo embora?
-Agora tô...
-Tá bom. Vai com Deus e desculpa ai, mas eu avisei que morava longe...
-Tá bom. Pera ai que o Felipe quer falar com você.
-Ron? Tem uns camaradas aqui que querem saber como está a situação, se tem água nas ruas.
-É. Em alguns lugares ai estão cheios sim. O Transito tá meio complicado em alguns pontos. Pra onde eles vão?
-Alguns vão pra zona Leste outros pra zona oeste...
-É tá ruim...
-Faz o seguinte, vai pra casa cara. Se não vai ficar ruim pra você voltar também depois.
-Tá legal Felipe... Tô indo então... Valeu!
Eu acabei chegando a minha casa depois da uma da manhã, cansado, molhado e sem me divertir. Passando mal até. Este foi o histórico do encontro que perdi, ou melhor, que participei apenas pelo celular enquanto estava preso dentro de conduções. A todos meus pedidos de desculpas, mas eu avisei que morava longe e que quando chovia era ruim de sair de casa...


Felipe, Daniel (Buck, de azul) e Charles Nisz (Gilles).

16 de jan de 2009

Dois tempos

1º tempo
Um dia ele ganha.
Não importa quantas vezes briguem com ele e nem quantas vezes consigam vencê-lo. Um dia ele vai ganhar.
O natural do avião é cair. Os que chegam no destino é que são a exceção, mesmo que as estatísticas digam o contrário.
E quando o avião ganha geralmente é de forma definitiva.
Aviões são particularmente uma idéia de jerico.
Um cilindro de aço muito, mas muito mais pesado que o ar. Com as asas cheias de combustível e que funciona com motores a explosão e turbinas.
Não pode dar certo. Tenho total e irrestrita desconfiança de que só voam porque ninguém ainda conseguiu convence-los de que não podem. De que não é possível. E temo o dia em que todas as aeronaves tomarem consciência disto nunca mais decolarão, ou cairão como chuva.
Porém o ocorrido em Nova Yorque foi algo memorável, fantástico e porque não usar uma palavra surrada por toda a imprensa mundial desde então: miraculoso!
Uma conjunção de fatores interligados – sorte, sangue frio, condições favoráveis e mais sorte – fizeram com que o piloto/comandante da U.S. Airways, Chelsey Sullenberger se tornasse o mais novo herói norte americano.
E seu feito não é pouca coisa não!.
Pousar um avião de grande porte dentro das águas de um rio no perímetro urbano de uma das maiores cidades do mundo, com relativa segurança a ponto de não haver um só ferido é realmente fantástico.
Os passageiros saíram de dentro do avião ficando de pé sobre as asas à espera do socorro que não tardou chegar.
Nas fotos que foram veiculadas tem-se a impressão de que podem andar sob as águas, tal qual um bando de modernos messias.
Por isto prefiro manter meus pés bem fixos ao chão. E se preciso for viajar, não abro mão de manter a bunda num acento de ônibus.

2º tempo
Agora sim começou a temporada de 2009 de Formula 1.
Com o lançamento oficial do McLaren MP4-24 que veio se juntar ao Ferrari F60 e trambolho da Toyota já se desenha o campeonato.

Duas grandes forças e uma coadjuvante que promete – faz tempo! – incomodar os lideres.
A nota baixa é que Ron Dennis não mais comandará o time de Woking no pitwall.
Segundo ele próprio, se concentrará no trabalho burocrático.
Até quando aguentará? O futuro dirá.
Que venham os testes e as corridas, que já estamos prontos.
E com uma bruta saudade do ronco dos motores....

14 de jan de 2009

Notinha do busão - Expectativas do Zé Pequeno para F1 2009

Ao embarcar no coletivo pilotado pelo velho amigo Zé Pequeno fui logo sendo inquirido sobre o que achei da nova Ferrari, a F60.
-Putz, Amaral, eu não achei nada não. Ele ainda vai ter uma porrada de testes até a estréia na Austrália e provavelmente vão mudar algumas coisas ainda. Mas não achei feio e nem bonito.
Zé Pequeno me olhou com um ar de decepção.
-Eu achei que cê ia detonar os novos bigodes e aerofólios...
-Nem dá... Todos vão usar e vão ser mais ou menos parecidos.
Zé, que ainda não tinha posto o ônibus em movimento virou-se no banco do motorista e continuou falando. Ainda havia gente entrando no coletivo e o cobrador não conseguia fazer a fila andar com velocidade. Mas andava.
-Este ano tem um monte de novidade né? – Continuou ele.
-É... No regulamento técnico principalmente. Esportivamente acho que não mudou nada.
-Lembra 94 quando também mudaram um monte de coisas. Foi uma loucura... Piloto morto, mutreta daquele louco que era chefe da Benetton...
-Briatore, hoje ele é chefe na Renault.
-Então, este ai... Ele está ainda ai né?
-Está... Se vem forte é difícil saber. Com tanta mudança a gente espera que pelo menos uma boa surpresa apareça ai...
-Quem sabe aquele alemãozinho que disse que quando acelerava sentia o peso das bolas?
-O Vettel né? Ele trocou de equipe. Também acho que ele pode ir bem. Mas no fundo espero que a Williams seja esta surpresa.
A fila ia diminuindo e os passageiros que não participavam da conversa iam se irritando.
-Mas Groo, cê não acha que vão dar um jeito de fazer mutreta com as coisas aerodinâmicas que mandaram tirar dos carros? Aquele retrovisor...
-Não sei... Pode ser. Esperto tem em todo lugar né? Quanto mais na F1.
Zé ia abrir a boca para perguntar ou dizer mais alguma coisa quando um passageiro do fundão interrompeu.
-Ai o projeto de Lewis Hamilton, mistura de Zé Pequeno com tartaruga ninja. Põe esta porcaria em movimento logo e trata de andar que nem o Schumacher pra tirar o atraso que você e este gordinho ai arrumaram...
Amaral no melhor estilo Zé Pequeno tentou responder algo, mas foi logo cortado...
-Porra, a gente não pode nem conversar...
E o reclamão:
-E anda logo, se não vai acabar que nem o Rubinho, sem carro.
Com tão bons argumentos Zé engoliu em seco e acelerou.
O passageiro indignado ainda tentou puxar conversa comigo perguntando se alguém ia mesmo comprar a Honda, mas eu não ia ser demitido se respondesse a ele.
-Não sei porra! Compra um jornal ou vai ler os blogs da internet c***lho!

12 de jan de 2009

Uns iguais aos outros

Faz-se necessário que alguém com influência e bom senso lembre ao governo de Israel que não faz tanto tempo assim existiu um sujeito louco, com bigodinho ridículo que promoveu a maior caça a um povo que este planeta já viu. Matando milhões deles covardemente, e os que não estavam presos em campos de concentração ou mortos organizavam-se em guerrilhas para tentar resistir.
Faz-se necessário, pois parecem ter esquecido da dor, do horror e da tristeza por qual seu povo passou.
E do sentimento que este fato trouxe ao mundo tão logo foi divulgado.
Esqueceram, ou não aprenderam nada com tudo aquilo.
Por uma Palestina livre e soberana.
Que assim também Israel terá paz...

Titãs - Uns iguais aos outros

Os homens são todos iguais
Ingleses, indianos
Africanos contra africanos
Aos humildes o reino dos céus
Ao povo alemão e ao de Israel
Putas, ladrões e aidéticos
Católicos e evangélicos
Todos os homens são iguais
Brancos, pretos e orientais
Todos são filhos de Deus
Os pretos são os judeus
Cristãos e protestantes
Kaiowas contra xavantes
Árabes, turcos e iraquianos
São iguais os seres humanos
São uns iguais aos outros,
Americanos contra latinos
Já nascem mortos os nordestinos
Os retirantes e os jagunços
O sertão é do tamanho do mundo
Dessa vida nada se leva
Nesse mundo se ajoelha e se reza
Não importa que língua se fala
Aquilo que une é o que separa
Não julgue pra não ser julgado
Os pobres são pobres-coitados
São todos iguais no fundo, no fundo
As mulheres são os pretos do mundo
Tanto faz a cor que se herda
Seja feita a tua vontade no céu como na terra
Gays, lésbicas-homosexuais
Todos os homens são iguais
São uns iguais aos outros,

Ps. Ja tinha gente demais falando da nova Ferrari.

10 de jan de 2009

A terceira

As crônicas do Nardo.



Feliz foi Adão...



-Despachante e corretora bom dia.
-Alô... Cês já estão aí?
-Bem... Atendi ao telefone, então quer dizer que já estou aqui né?
-Não sei...
-Bom... Pois não?
Não eram nem nove horas da manhã ainda e o dia prometia. Já haviam sido feito oito processos para transferência de propriedade de veiculo e nada mais, nada menos que sete estavam errados. Dois telefonemas haviam sido enganos. Um foi trote e um outro era cobrança da telefônica por uma conta paga de seis meses atrás.
A luz dentro do aquário onde trabalhávamos - quem leu as outras crônicas sabe – é bem pouca, o que nos ajudava era um pouco da luz solar refletida no vidro canelado. Não que trabalhássemos nas trevas, mas se procurássemos bem nos cantos do imóvel acharíamos alguns morcegos parentes do Batman.
De repente a luz solar se foi. Não era eclipse, nem tampouco o céu escurecendo para uma tempestade.
O cheiro da fumaça de diesel impregna o ar e as roupas.
Na porta surge um sujeito baixinho, forte para caramba. Chapéu de boiadeiro, botas de cano longuíssimo, as mãos sujas de graxa ou algo que o valha.
Sua voz encheu o escritório como água, sem deixar espaço. Alta, grossa e aparentemente feliz:
-Feliz foi Adão, que não teve sogra e nem caminhão! Bom dia aí gente que trabalha...
-Bom dia... – Respondem todos entendendo agora o sumiço da luz do sol.
O caminhão tapara sua entrada ao bloquear nossa porta. Completamente.
-Eu trouxe o bruto ai para fazer a vistoria, vou passar ele pro nome da minha menina. Legado pra ela, não é? É tudo que tenho, e vai ser dela. Pra morrer, basta tá vivo não é?
-Quantos anos têm sua filha? Ela dirige caminhão? – Quis saber o chefe.
-Não... Ela é uma flor de delicadeza. Não conseguiria nem virar o volante do bruto, mas se eu morrer (já disse que pra morrer basta estar vivo) ela pode vender o caminhão mais facilmente.
O caminhão em questão era um Mercedes Benz L1313, azul, ano 1973, mas muito bem conservado.
A tarefa seria decalcar o numero do chassi para que fosse feita uma vistoria regular sobre ele. Saber se a numeração tinha ou não sido alterada.
Para quem não sabe, ou não conhece, a numeração de chassi neste modelo de caminhão fica na longarina, mas na ponta dela quase na junção com o para choque dianteiro. Embaixo do feixe de molas, com o acesso um tanto difícil.
É necessário abrir a tampa do motor e se esticar para dentro do cofre para alcançar a numeração, tarefa esta que coube ao menor de todos os funcionários. O único que estava desocupado.
Pela via normal ele não alcançou. Quase cai dentro do capô com os pés balançando para fora, mas percebe nesta manobra que se esterçassem as rodas dianteiras inteiramente para a esquerda seria possível alcançar a numeração entrando por baixo. Pelo vão da roda.
O local era apertado, mas era possível fazer.
O dono do caminhão se oferece para entrar naquele espaço dizendo que ali havia graxa e que o funcionário baixinho poderia se sujar.
Sugestão aceita.
O funcionário então dá a ele o bastão de grafite e um pedaço de fita adesiva tipo etiqueta para que ele faça o decalque e sobe até a cabine para esterçar as rodas.
Lá de baixo o caminhoneiro verifica que há pouca luz e que daquela forma não consegue encontrar a numeração gravada. Pede então para que mais uma vez se abra o capô do caminhão.
-Mas como abre?
-Tem uma correntinha ai em cima não tem?
Ele procurou e procurou. Olhou para todos os lados e só havia uma corrente que pendia do teto: “-Deve ser esta!” – pensou.
Puxou a corda com toda a força, afinal a tampa do motor de um caminhão deve ser pesada, ou não?
FUUUUÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!
O violento esporro da buzina atrai todos para fora do escritório a tempo de ver o dono do caminhão sair de baixo dele atordoado, com um corte no supercílio. Provavelmente por ter batido a cabeça no chassi.
-Desculpa aê! Foi sem querer, mas não tem outra cordinha...
-O que? Embaixo do painel...
-Eu puxei aquela que pende do teto, desculpa...
-Ahã? Debaixo do painel... Tá embaixo do painel...
-O que tá embaixo do painel?
O caminhoneiro não responde. Não ouvia mais nada. Se bobear nem sabia mais onde estava.
Feliz foi Adão, não teve sogra nem caminhão. E nem precisou decalcar o chassi...

7 de jan de 2009

The day the music died.







Tudo é conjectura. Tudo é suposição.
Mas tanto a carreira Buddy Holly quanto as de Richie Valens e Big Bopper talvez não fossem tão celebres se não tivessem sido abortadas ainda efervescendo.
Ok, claro que para muitos, inclusive mercadologicamente Richie Valens equivalesse a um Elvis hispânico. Pegou os caminhos do rock´n’roll e os temperou com as influências do folclore mexicano. Assim como o Rei levou a musica negra (rock era considerado race music, musica feita por negros e para negros, como o jazz dos anos 30) ao publico branco e racista dos Eua. Valens levou o rock´n´roll ao povo mexicano.
Mas do que tratarei aqui é de como o rock e o mundo mudaram após o dia 03/02/1959. O dia em que a musica morreu.
Suas músicas – de Buddy, Ritchie e Booper - eram dançantes e/ou românticas. Valens tinha a questão latina, mas ainda assim era mais diversão que conscientização.
Então, quando o avião que viajavam bateu numa montanha devido a uma tempestade e tragicamente ceifou a vida dos três foi como se o rock and roll deixasse de ser divertido e simples. No sentido de não ser mais uma musica descompromissada. Tivesse que ter outros propósitos além de divertir.
Da metade da década de sessenta para frente, o rock tomou ares intelectuais e sociais que ainda não tinha. Os Beatles foram divertidos até “Ruber soul” (alô Alessandra Alves) e não deixaram de ser depois, mas passaram à categoria dos ‘geniais’, assim como Dylan e todo o pessoal que participou de Woodstock em 1969. A geração Flower Power, que protestava contra guerras. Mas carecia de um elemento, lá dos primórdios, que dava ao rock seu sobrenome: o ‘and roll’.
O rock já não dançava mais.
A esta altura, 1971, Elvis já era ícone – vivo, mas ícone – Os Beatles já não estavam mais juntos. Os Stones, bem os Stones não contam, afinal até hoje seu rock diz muito mais a eles e ao estilo de vida que eles criaram do que sobre qualquer outra coisa do mundo. Os Rolling Stones viveram sempre no planeta Stones.
E foi isto que percebeu 12 anos após o acidente de 03/02/1959 o cantor e compositor Don McLean.
Compôs então uma canção que chamava de volta o gingado para o rock, de forma cifrada e com uma letra com tantas ou mais citações e armadilhas que as obras de todos os citados juntos: American Pie.
Diz a lenda que o titulo da canção estava pintado na fuselagem do aeroplano, não achei confirmação. Mas como tudo na canção parece ser uma citação de algo, publique-se a lenda então.
As citações vão desde o disco “Book of love” dos The Monotones até o chamado “Verão do amor” de 1968 quando Allen Ginsberg, poeta beat, sugeriu que todos deveriam sair às ruas de San Francisco para gritar poemas e provocar terremotos.
Frases ambíguas que emulam tanto a John e Jaqueline Kennedy (Kings and Queens) quanto a Elvis Presley.
Faz referencia a Bob Dylan, quando cita o palhaço que “cantou para o rei e a rainha”. Lembrando que Dylan compôs “Jokerman” – literalmente palhaço.
E aponta que “nenhum anjo nasce no inferno” numa alusão clara ao episódio em que os Rolling Stones contrataram os Hells Angels para fazer a segurança num show em Altamont. Onde um fã morreu espancado pelos “seguranças”.
Particularmente, penso que a canção não diz só sobre a cena musical. Mas diz muito sobre a perda da inocência dos jovens americanos. Marca o rito de passagem da adolescência para a vida adulta. Mas sem adolescência.
A guerra no Vietnã; a corrida espacial; o homem na lua e então vieram as mortes de Janis, Jimi e Jim. O assassinato de Kennedy. O inicio da guerra fria e a corrida louca do relógio nuclear para bater a meia noite da humanidade e detonar o armagedom . Tudo junto e de uma vez só. A entrada nos anos 70 e seu pessimismo.
De volta ao âmbito havia o rock progressivo e suas musicas etéreas e longas que afastavam o publico dos artistas e que foram responsáveis diretas pelo aparecimento do punk rock e sua violência, por vezes gratuita.
Definitivamente o rock não dançava mais. E os jovens americanos não sonhavam mais.
E no Brasil... Tivemos algo parecido? A tropicália? Seria então o exílio de Caetano e Gil equivalente ao dia em que a música morreu? E que canção seria emblemática deste período? Alguém se habilita? Ainda volto ao assunto.

5 de jan de 2009

Grooniadas F1 de inicio de ano - Coisas estranhas

Os sinos do vaticano badalaram.
Por alguns minutos Iraquianos e Americanos não se atacaram.
Os italianos que discutiam enquanto comiam seu macarrão tradicional deram vivas.
Houve confraternização entre diversos povos ao redor da terra.
O povo fã de automobilismo ficou feliz, afinal Ralf Schumacher se aposentou.
O estranho é que só ele pensava que ainda estava em atividade.
O resto do mundo tinha certeza de que ele já tinha pendurado o capacete. Há muito tempo...
Agora o Dakar fica bem pertinho do deserto do Atacama.
É possível ir a Paris passando por Santiago e Buenos Aires.
E no fim do ano o nosso Rally dos Sertões será em Roma.
Só para equilibrar as coisas.
O jornal espanhol “AS” já colocou Fernando Alonso ao menos vinte vezes no cockpit da Ferrari.
Agora colocou também o Vettel junto.
Deve ser muito difícil para o periódico espanhol ficar noticiando: “Alonso faz corrida maravilhosa e chega em quinto!”.
Ou então: “Todos quebram, Alonso vence!”.
Cansaram e agora querem melhorar as manchetes de F1. Nem que seja na marra e no boato. Um dia conseguem.

Bernie Ecclestone sugeriu a Jenson Button que tirasse um ano sabático.
Que coisa estranha. Ele está tendo estes anos sabáticos desde que venceu o Gp da Hungria de 2006.

3 de jan de 2009

Não inflói, nem contribói

A língua é uma das maiores riquezas de um povo, o mais profundo indicador de sua identidade.
Somos brasileiros e falamos Português.
É uma língua difícil – tão difícil quanto bela, diga-se – e é a sexta língua mais falada no mundo. Com diferenças profundas entre os diversos povos que a usam. E não é só questão de sotaque, não...
Diferente nas expressões, no uso de muitas palavras e sintaxes. E assim o é também naqueles países africanos que também foram colonizados por Portugal e por conseqüência também falam e escrevem em um idioma parecido com o nosso, mas muito mais assemelhado com o que se fala e escreve em Portugal. Parecido.
Não fomos consultados, mas e daí? Quase nunca somos e em assuntos de maior relevância até...
Não quiseram saber nossa opinião como se não fossemos os maiores interessados no assunto.
Mas... Por quê desta reforma ortográfica?
Para dar uma homogeneizada na forma como se escreve.
Mas, se for para isto porque não os enquadra-los na língua tal e qual os brasileiros escrevem? Já que a fala é diversa até mesmo dentro do Brasil sendo este um predicado comum a qualquer idioma em qualquer parte do mundo.
Aí então é que esta o ponto...
Tanto o Inglês quando o Espanhol e Árabe são falados de diferentes formas ao redor do mundo, mas escreve-se praticamente igual.
As novas regras ortográficas vão facilitar aos habitantes de Guiné Bissau; Angola; São Tomé e Príncipe; Moçambique; Cabo Verde e Timor Leste, além de Portugal, claro a escrever de forma uniforme dando uma simplificada nas regras de hifenização e acentuação em alguns casos. Além claro defenestrar o trema que como já disse por aqui, é mais ou menos como o Jenson Button: Ninguém liga pra ele mesmo...
Particularmente, vou continuar acentuando onde a reforma diz que não se deve mais, vou procurar entender e aprender a nova hifenização, esta sim influi plasticamente na escrita e vou mandar o trema à PQP...
Penso que esta reforma é para esta geração que esta sendo alfabetizada agora.
Apesar de que nós também vamos ter de nos ‘reformar ortograficamente’ – mas natural e gradualmente.
Toda mudança leva tempo para ser absorvida, mas é e não adianta se rebelar ou tentar criar nichos de resistência.
Pode-se até não gostar como eu não gostei por preguiça ou acomodamento, afinal ninguém gosta de mudar hábitos há tanto já aprendidos e adquiridos.
Outros nem acharam a coisa tão digna de polêmica, como o escritor e acadêmico João Ubaldo Ribeiro que para ilustrar usou uma expressão oriunda da Ilha de Itaparica: “-Não inflói nem contribói!”.
Mas não tem mais nada a se fazer, a reforma já esta em vigor e sem a opinião dos verdadeiros donos da língua, nós, o povo que a falamos, a escrevemos – mal muitas vezes – e a construímos grande e forte dia a dia.
Porém, que seja a ultima reforma, afinal como disse o escritor Milton Hatoum: “... Que não se invente outra reforma daqui a dez anos. Que de reforma em reforma, vamos acabar falando francês...”.