30 de abr de 2009

Julgamento para inglês ver

-E por ter ferido o artigo 151c do Código Desportivo Internacional, sentenciamos a equipe McLaren F1 a exclusão total e irrevogável deste e dos próximos campeonatos de F1 vindouros. Decretando assim a extinção da equipe de Woking. Bem como a anulação de todos os campeonatos mundiais – tanto de pilotos quanto de construtores – ganho por ela em todos os tempos.
Um silêncio pesado recai sobre o tribunal. Bocas incrédulas se abrem sem emitir som. Alguns olhos marejam e ameaçam lacrimejar de imediato.
O que seria dos títulos de Prost, Senna, Emerson, Hakkinen e tantos outros?
Sem dúvida aquela é a punição mais pesada jamais dada a quem quer que fosse em qualquer esporte existente.

-Mentira! Ahá! Pegamos vocês... Enganamos todo mundo. – (hahahahaha) - Estão pensando que a gente iria excluir a McLaren da história dos Mundiais... Pegamos vocês!
Mas não vão escapar de punição. Mentir pra gente é coisa feia viu...

O alivio na sala é imediato e gigantesco. Não tanto quanto a indignação com a brincadeira de extremo mau gosto.

-E por ter ferido o artigo 151c do Código Desportivo Internacional, sentenciamos a equipe McLaren F1 a uma suspensão de três corridas a se cumprir já a partir do próximo grande premio.

Enfim tem-se a sensação de que se puniu com alguma justiça um ato realmente lamentável. Esportistas devem servir de exemplo. Bons exemplos.
E já há algum tempo o time prateado não vem sendo modelo de correção esportiva.
E quando todos já se levantam para sair do tribunal:

-Mentira de novo! (Ehhhhhhhh) Pegamos todo mundo outra vez. Nós somos terríveis mesmo! (hahahaha). Conosco ninguém podosco...(uhúúúú) Mas falando sério... A equipe McLaren está mesmo sendo punida com três GP´s de suspensão, mas a pena só vai ser aplicada de verdade se surgirem novas violações dos códigos esportivos nos próximos doze meses...
Está encerrada a seção!

A audiência do tribunal se levanta para ir embora completamente confusa.
O que pensar? O que dizer? O que escrever para seus leitores no dia seguinte?
A FIA vem passando a mão na cabeça da equipe de Woking desde o caso de espionagem há dois anos atrás quando excluiu a equipe do campeonato, mas manteve os pontos dos pilotos, como se estes disputassem as corridas a pé.
No fundo todos, presentes ao tribunal, ou acompanhando via internet o imbróglio ficou com uma sensação enorme de impunidade.
Foi um caso claro, claríssimo de punir sem penalizar.
Ou como diriam outros: "Dançar para não dançar".

E está no ar a novissíma edição da Rádio On Board, onde Felipe Maciel, the good; Fabio Campos, the bad e eu, the ugly, colocamos em pratos limpos, sem mentiras a corrida disputdada no Bahrein.

29 de abr de 2009

Enquanto isto ainda escondido no Bahrein...


-Alô? Com quem falo? É da sede do governo do Paraguai? Ótimo...
Gostaria de falar com o Fernando Lugo... Sei, eu sei que é o presidente e ele está ocupado, mas diz pra ele que é assunto de estado. Tá eu espero.

Alguns minutos se passam. Uma voz de barítono começa a falar, mas é logo interrompida.
-Eu pedi pra falar com o presidente Lugo, não com um assessor... Faz favor chama ele logo. Porque to falando baixo? É que não quero ser descoberto... Problema meu.. Chama o homem ai.

Mais alguns minutos se passam. -Alô? Lugo? Sim sou eu... Não vou falar meu nome em voz alta, mas você sabe quem é... Sabe sim... Até comprou um carro de nossa fábrica depois de eleito... Foi... Aquela F50 eu mesmo escolhi pra você... Então preciso de um favor seu... Preciso sair daqui e me esconder num lugar seguro... Quero asilo ai no teu país.

O presidente fala, mas logo é interrompido também.
-Como assim não pode me dar asilo político? Só porque não sou dirigente de partido, sindical ou o que o valha? Mas to correndo risco de vida po**a Me ajuda ai...

O presidente diz mais alguma coisa.
-Não vai dar... Mas e se eu disser que sou seu filho também? Pode dar certo, alguém sugeriu isto ao aposentado da Brawn e eu achei que seria viável... Não? Não tem como... Entendo. Temos a mesma idade, eu não poderia se passar por seu filho, né?

O presidente parece concordar. Ambos suspiram decepcionados.
-Já sei, não vai ter erro... Escuta... Não, escuta! E se eu aparecer ai no Paraguai chamar uma coletiva de imprensa e disser que tive um filho seu? Alô? Alô? Lugo? Presidente?
-Tu, tu. tu,tu,tu,tu...

28 de abr de 2009

Ava(ca)liações bareinitas - Run Domenicalli, run

Vitoria justa. Foi o mais regular durante toda a corrida e arriscou o que deu na largada.

-Io vo chutare la bunda de Domenicalli...

Ainda aposto neste moleque para levar o titulo. Correu pelos pontos hoje, pena que quem venceu está muito na frente dele. Mas tem muita corrida ainda.

Trulli é um caso a parte, quando pensamos que ele vai ele fica. Quando a gente não espera, ele bate o carro.

Kimi Heineken salvou (em parte) a corrida da Ferrari.

Mas nem assim deixou de constranger a torcida. Olha a alegria desta criança.

-Io vou chutare il saco de Domenicalli.

1B: - Pô moleque, eu sou mais velho que você!
Nelsinho: - E quase tão ruim quanto...

Vettel: - E ele ficou reclamando com o Piquetzinho? Não conseguiu ultrapassar?
Button: - Foi... Ele é a contribuição do Ross para que a F1 fique mais divertida...

1B: - Se eu ajeitar os óculos e o boné talvez não me reconheçam...
Comissária 1: - Ele não conseguiu passar o Nelsinho?
Comissária 2: - Ri baixo...

-Io vou matare o Domenicalli.

Da série: Mas que p... é esta?

-E depois vou demiti-lo! Farabuto!

-Tá certo que fui mal nas últimas corridas, mas até aí me confundir com o Nelsinho é maldade pô!

-Duvido que o Montezemolo me descubra disfarçado assim...
-Olha lá o Domenicalli!
-Sujou!

27 de abr de 2009

Bahrein, enfim uma corrida normal dentro da nova ordem

Justiça? Não...
Não é esta a palavra para definir a vitória de Jenson Button no GP do Bahrein, mas, se perguntarem se foi justa, aí sim.
Foi justa.
Ele não foi o melhor em nenhum treino do fim de semana, ficando atrás até da Williams de Nico Rosberg nos treinos de Sexta. E atrás das duas Toyotas no Sábado. Porém quando valia mesmo, foi perfeito. Justiça talvez fosse uma vitória de Vettel. Um monstro no treino oficial, que só ficou atrás dos surpreendentes carros japoneses por conta da estratégia de pouco peso.
Ou será que alguém em sã consciência pensou mesmo que Trulli e Glock repentinamente desabrocharam como pilotos espetaculares?
Óbvio que não. Como diz aquele velho ditado popular: Pau que nasce torto...
E para ratificar o dito ainda tem o 1B que foi exatamente igual ao que ele sempre faz.

A largada foi limpa, e pela primeira vez este ano tivemos uma corrida “normal”.
Isto se levarmos em conta a nova ordem estabelecida.
Timo Glock - mais leve – saltou a frente do companheiro de equipe e os dois abriram, mas, era uma vantagem efêmera.
O alemão parou na volta doze e logo na seguinte foi a vez do italiano.

Atrás dos factóides japoneses, Hamilton, que havia ultrapassado Vettel, chegou até a superar Jenson Button, mas antes mesmo de terminarem a primeira volta já estava de volta à quarta posição.
Quem largou mal mesmo -de novo- foi 1B, que juntamente com Kimi Heineken foram responsáveis diretos pela péssima prova de Felipe Massa. Os dois trapalhões sanduicharam Felipe. E um toque do companheiro de equipe – involuntário e sem chances de evitar, diga-se - quebrou uma das asas dianteiras da Ferrari numero três.
Massa teve que ir aos boxes trocar o bico e de lá voltou apenas para cumprir tabela pista do deserto. Terminou a corrida longe da zona de pontos e acaba aqui também sua participação neste relato. Ainda zerado na tabua de pontos.

Após a primeira bateria de reabastecimentos e troca de pneus a verdade da prova foi estabelecida.
Jenson tomou a ponta para não mais perder, seguido por Vettel, Trulli, Hamilton e outros menos cotados.

1B nos deu mais do mesmo. Não conseguiu alcançar o companheiro de equipe e nem fez jus a regularidade de seu carro. Chegou a ser o mais rápido na pista em algumas voltas, mas uma inexplicável parada de boxe adiantada tirou qualquer possibilidade de luta por pódio.
Alguns vão dizer que foi uma mudança de estratégia equivocada. Outros vão dizer que a Brawn começou a sacanear o brasileirinho.
Eu vou dizer apenas que este é o 1B que o mundo se acostumou a ver.
Digam se estou exagerando?
Sem contar a patética reclamação feita para a câmera on board quando não conseguia ultrapassar Nelsinho Piquet.
O que ele queria? Que Piquetzinho mostrasse respeito por um grosso mais velho que ele e abrisse passagem, cedendo assim uma ótima sétima posição? Vai pra casa 1B, envergonha mais a gente não. Deveria aproveitar a onda de filhos do presidente/ex padre lá do Paraguai e pedir reconhecimento. Assim passaria a ser piloto paraguaio e toda sua carreira até hoje passaria a fazer sentido.

No frigir dos ovos foi uma prova mediana.
Houve sim as emoções do inicio da prova e só.
Dos outros - quem diria - destaque negativo para as BMW e principalmente Robert Kubica que esteve irreconhecível.
Muito reconhecível estiveram minhas queridas Williams, ou seja, foram péssimas durante toda a corrida. Cabendo ao mais barricheliano dos japoneses, Kazuki Nakajima, a duvidosa honra de ser o único piloto a abandonar a prova.
Destaque também, e positivo, para a umpla de pilotos da Mclata. Lewis mostrou que ainda é o grande piloto de sempre e que a equipe reagiu.De qualquer forma, melhor para Jenson e sua equipe, que lideram com folga os campeonatos de pilotos e construtores.
Aos outros - leia-se Ferrari - resta trabalhar para que na perna européia que começa no próximo GP a diferença para os ponteiros diminua e o equilíbrio se estabeleça um pouco mais no campeonato.
A continuar assim Button leva o titulo logo, logo...
E isto seria péssimo para quem, como nós, amamos este esporte.
Que venha a Espanha, com sua pista meio monótona e suas paellas ultra perigosas.

25 de abr de 2009

A máfia ainda manda...

Sexta feira, noite no Bahrein.
Depois de rodar pela cidade dentro do porta malas de um carro, sempre com a cabeça coberta por um pano finalmente param.
Ele é retirado do automóvel, mas ainda com o capuz é levado para dentro de uma casa.
Sabe que é uma casa, pois sente a variação de temperatura.
Fora estava quente, afinal isto aqui ainda é um deserto, e repentinamente esfria. Chegando a uma temperatura mais européia” por assim dizer.
Caminham por um corredor extenso; sobem umas escadas e ele é colocado sentado em uma cadeira muito desconfortável.
-Bambini. Sabe por que veio aqui? Por que nostros rapazes foram te buscar?
-Não senhor. Não sei, e nem sei com quem estou falando...
-Sabe sim... Sabe sim...
E um cheiro de charuto cubano invade as narinas do seqüestrado. Isto o enche de pavor, pois agora tem idéia de quem é seu interlocutor.
Na verdade desconfiava, pelo sotaque forte napolitano e pela advertência que um de seus subordinados lhe trouxe. No bilhete estava escrito em dialeto: “Nostra paciência acabou”.

-Bambini... Último lugar nos treinos livres, somos piada até na Force Índia. Que me diz?
-Senhor...
-Babo! Chame-me de Babo... – corta o homem com charuto.
-Senhor Babo. Não foi nossa culpa estamos fazendo nosso melhor, mas as outras equipes estão muito adiantadas... O Difusor, os motores, o kers...
-Basta! Tirem o capuz dele.
Tiram o capuz e finalmente Domenicalli pode ter certeza de com quem falava.
-Amanhã é sábado, quero melhoras dos dois bambinis na pista. Principalmente nosso pequeno “oriundi brasiliano". O nórdico que se dane. Dá um picolé a ele. Entendido? Se não houver melhoras... Então acho melhor correr e ainda assim não vai escapar. E eu estarei no autódromo... Pessoalmente.

Sábado, tarde no Bahrein.
Ainda tremulo com a experiência da sexta à noite, Domenicalli incentiva os pilotos a irem cada vez melhor.
Força ao extremo sua equipe de técnicos, mecânicos e engenheiros.
A Ferrari ao menos consegue passar seus dois pilotos para p Q3.
Ele se sente aliviado, houve melhoras.
Quase esboça um sorriso quando sente vibrar um celular dentro do bolso. Celular este que ele nunca tinha visto até ali. E que com certeza não estava com ele antes da noite passada.
Ficou com medo de atender.
Na tela do telefone se lia: Babo.
Ele respira fundo e atente, afinal conseguiu passar os dois carros pro Q3 e aquilo deveria servir de algo.

-Alô! Fomos ao Q3!
-Mas atrás até das Toyotas? Acho melhor começar a correr...
A ligação é encerrada e Domenicalli respira fundo.
-Será que tem vôo para a Colômbia logo depois da corrida de amanha? – diz ele em voz alta.
-O quê? – quis saber um mecânico.
-Nada não... To pensando em voz alta...

24 de abr de 2009

A Razão Dá-se a Quem têm

Ah! Então o Supremo Tribunal Federal teve seu dia de tanque publico.
E as lavadeiras foram o presidente da corte Ministro Gilmar Mendes e o Ministro Joaquim Barbosa.


Como mostra o vídeo, o Ministro Gilmar Mendes recusou o pedido de Barbosa para que fossem dados mais detalhes sobre matéria relevante a previdência Estadual do Paraná.
Joaquim Barbosa acusou Gilmar Mendes de "destruir a credibilidade da justiça", e mais, disse que o presidente da corte não vai às ruas.
Gilmar defendeu-se dizendo que sim, estava nas ruas ouvindo o povo e foi rebatido de pronto: "Nas ruas não o senhor está na mídia".
Corrijam-me se eu estiver errado, mas, Gilmar Mendes não é aquele que mandou soltar o Daniel Dantas?
Não é aquele que deu ao Supremo as feições de balcãozinho de conveniência quando politicamente também concedeu Habeas Corpus para Celso Pitta e Nagi Nahas?
E o mais curioso é que os outros ministros da casa assinaram um documento de apoio ao Gilmar Mendes!
Entre eles o excelentíssimo Ministro Ricardo Lewandowiski, aquele que combinava voto por e-mail, lembram-se?
Será que estou tão errado assim em pensar que o Ministro Joaquim Barbosa está com a razão?
E foi por este motivo que o convidei para cantar um samba aqui comigo no Blig Groo.
Estou aqui com um tamborim na mão sincopando uma batida... Pode cantar senhor Ministro.

"-Existe muita tristeza, na rua da alegria.
Existe muita desordem, na rua da harmonia.
Analisando esta história, cada vez mais me embaraço.
Quanto mais longe do circo, mais eu encontro palhaço."


Que beleza senhor ministro, muito obrigado por sua presença cantando um samba tão bonito de Ismael Silva...

Discussão mais agradável tivemos nós da Rádio Onboard.
Neste programa, Fábio Campos, Felipe Maciel e eu passamos a limpo o GP da China.
Vale muito a pena ouvir. Vai lá.

Ps. O título desta postagem é uma homenagem aos gêniais Noel Rosa (o poeta da Vila Isabel) e a Ismael Silva.

23 de abr de 2009

No apê do Piquet

Ao chegar da academia, onde faz exercícios para enrijecer os glúteos, Nelson Ângelo Piquet se depara, em plena sala de seu apartamento de Mônaco, com uma pequena reunião familiar.
Distribuídos pelos confortáveis sofás de chenile vermelho estavam: Nelson Piquet, seu pai. Geraldo Piquet, irmão mais velho; Rodrigo Piquet e o caçula Pedro.
Em um laptop colocado em cima da mesa de centro a figura de Flávio Briattore se fazia presente. Usava o skype para participar via internet da reunião. Piquet pai toma a palavra:
-Nelsinho a gente precisa ter esta conversa... Você sabe bem o que representa o sobrenome de nossa família para o automobilismo brasileiro, não sabe?
-Sei sim, pai. Brasileiro e mundial...
-Então entende o porque desta pequena reunião?
–Não, o senhor sabe que não é problema só meu...
-Ah é sim! – corta Briattore com voz de robozinho, típico do skype. – Os equipamentos que a gente disponibiliza pra você e pro Fernando são os mesmos.
-Bem... Só você acredita nisto, mas vá lá que seja... – replica Piquetzão.

Segue-se uma pequena sessão de vídeos.
Um dos vídeos trás Sebastien Buemi pulando e socando o ar após marcar seu primeiro ponto:
"-Melhor que o Nelsinho eu sou!" – grita ele.
Em outro Bourdais aparece de cabeça baixa se lamentando:
"Deus do céu! Estou parecendo o Piquetzinho dirigindo".
E o ultimo, que mostra vários fiscais de pista chineses balançando negativamente à sua passagem:
"-É o Nakajima?".
"-Não, é um pouquinho pior...".


-Pô Ângelo... A gente tá passando vergonha! Os caras dizem lá na truck que o pai era "o cara" e você é "o cara**o". E ficam tirando onda que você quando se ferrar de vez na F1 vem pra truck. Só pra me envergonhar...
-Pô Geraldo, eu faço meu melhor!
-Tá pouco! – diz Rodrigo - Nem lá no kart o povo anda tão mal!
-Nelsinho, meu filho... Lembra daquela ultrapassagem que eu fiz no Senna lá na Hungria?
-Eu vi no youtube...
-E aquela em que o pai deu tchauzinho pro Mansell? Lembra?
-Vi esta também... O burrão tinha desligado o carro sem querer né?
-Foi... Foi... Muito engraçado! – todos riem juntos, até o Briattore.
-E quando ele socou o chileno? – ai a gargalhada é geral.

Quando se recompõem a reunião continua.
-Então mano! Não quer fazer igual não? – quis saber Geraldo.
-Não gosta de correr não, pô? – é a vez de Rodrigo.
-Ou vai ficar chorando igual ao aposentado da Brawn? – questiona Flávio Briattore
-Pô gente, eu gosto muito e quero fazer igual...
-Então aprende p**ra! – dizem todos ao mesmo tempo.
-Caramba! Não tem ninguém do meu lado não... Pedro? E você não diz nada?
-Pqp, cé é mó burro! Melhor voltar pro vídeo game mesmo...
Vamos ver o que ele vai fazer no Bahrein, poderá ser a sua ultima chance.

21 de abr de 2009

Leia este disco, ouça este livro

“-Eu sou Ambrósio, eu vivo no mundo comprando vendendo e trocando figura!” Oriundo de Pernambuco em 1992 logo foram associados a então nascente cena do mangue beat de Chico Science e Nação Zumbi ou Mundo Livre S/A.
Porém o grupo oferecia mais que o batuque de maracatu misturado a rock pesado, psicodélico e funkeado das citadas.

Era formado por: Siba: inicialmente guitarra, depois rabeca; Eder "O" Rocha: percussão; Helder Vasconcelos: guitarra e teclados, depois percussão e fole de oito baixos; Mazinho Lima: baixo e triângulo; Sérgio Cassiano: percussão e vocal e Mauricio Alves: percussão.
As levadas da banda, embora tenham também exibam intervenções elegantes de guitarras e algumas cores modernosas, são do mais puro cancioneiro regional: forró, maracatu, coco, baião, caboclinho e ciranda. Com letras inspiradas na tradição popular.
Lançam um primeiro disco homônimo em 1996 de forma independente.
Produzido por Lenine e Marcos Suzano, vende vinte mil copias e chama a atenção da gigante Sony Music que lança em 1998 aquele que seria seu grande trabalho: Fuá na casa de Cabral é uma obra atemporal e inclassificável. Não cabe em rótulos.

Embora algumas canções tenham sido lançadas originalmente no disco independente, aqui elas ganham novas cores e uma unidade que faz do álbum coeso e homogêneo.
É um disco, mas poderia ser um livro, um filme ou um tratado de sociologia.
Abre com uma quase vinheta. Trupé (queimar carvão) é de domínio publico e funciona como aquecimento e logo após a frase que abre este texto a festa começa.
Os cabôco nos transporta a terreiros de dança com poeira subindo e narra como foi dada o nome para a cidade de Olinda.

A canção que da titulo ao álbum é sensacional. Começa com Cabral chegando a nado no Brasil e já mandando abrir um forró para se divertir. Com direito a muita cachaça e no fim, a tradicional ressaca bate e nosso descobridor se diz arrependido do seu feito.




Sêmen tem seu andamento épico e letra longa que traduz à linguagem popular todos os escritos de Gilberto Freyre em Casa grande & Senzala:
Tantos povos se cruzam nessa terra/ Que o mais puro padrão é o mestiço/Deixe o mundo rodar que dá é nisso/A roleta dos genes nunca erra/Nasce tanto galego em pé-de-serra/E por isso eu jamais estranharei/Sertanejo com olhos de nissei/Cantador com suingue caribenho/Como posso saber de onde venho/Se a semente profunda eu não toquei?

O canto indígena Pareia dá mais uma pista das origens de seu som e faz a ponte para o maracatu nação de Esperança (na mata eu tenho) escrita quase em dialeto. Pontuada pelo grito guerreiro em coro: Arreiamá! Guerreia Aruba!Chama Maria e Pé de Calçada estão mais para o forró tradicional, embora levadas na rabeca e não na sanfona. Esta ultima consegue a proeza de trazer gênero para um contexto mais urbano:
Hoje eu faço em pé-de-calçada/No meio da zuada/pela contramão/Eu fui lá na mata e voltei pra cidade/De caboclo eu sei minha situação.
Luiz Gonzaga sorriria ao ouvir.

Usina (Tango no mango) trás a gostosa brincadeira de versos em subtração, no caso com os filhos que o personagem principal teve em um casamento com uma “véia”.

Se seu Zé Limeira Sambasse Maracatu homenageia com justiça o repentista/cordelista numa letra que o próprio assinaria.

Pedra de Fogo fecha a festa sob as bênçãos de Ariano Suassuna.
Ainda há a vinheta Maria Clara que remete as musicas dos antigos parques de diversão mambembes.

Ainda haveria um outro álbum de nome: O Terceiro Samba, ainda mais radical nas experimentações, porém pouco acrescentou.
Infelizmente a onda do famigerado “forró universitário” – rotulo mais idiota este – não fez marola suficiente para por a nau de Mestre Ambrosio de novo no mar.
Apenas para jogar dejetos na areia da musica nordestina com calypsos e outras coisas indignas de citação.
Arreiamá! Guerreia Aruba!

20 de abr de 2009

Ava(ca)liações chinesas - E choveu hein?


Vitória mais que merecida. O alemãozinho que sente as bolas pesadas (não me pergunte de quem) é 100%. Toda vez que largou na pole, venceu.

O ornitorrinco foi o fiel escudeiro perfeito. Seu segundo lugar também foi merecido.

Botton foi o terceiro. Suficiente para manter a ponta da tabela e a vantagem sobre 1B.

Preferiamos que fossem sombrinhas e não guarda chuvas. Mas tudo bem...

Aqui a prova que nem tudo é controlado pelo estado na China. Os sonhos são livres.



Alguém pode me dizer que p... é esta?


-Ah você veio?
-Sim... Quis ver com meus próprios olhos as c***das que vocês estão fazendo.
-Alô! Mãe, avisa ao pai que tá chovendo, eu tô na pole e vou ganhar. Sem dúvidas!

Kubica tentou engatar seu carro na Toyota de Trulli. Ainda bem que a corrida foi de madrugada.

Até ia colocar aqui umas fotos do Lewis ou do Kimi, mas um estava rodando e o outro sendo ultrapassado por um carrinho de sorvete, duas horas depois do fim da prova.
Já do 1B eu postei... É só olhar nas fotos do Button, ele está logo atrás.

Ah sim! Buemi fez uma belissíma corrida. Este é do ramo!

19 de abr de 2009

Águas chinesas não (re)movem meninos

Quando as imagens surgiram na tela e a pista estava molhada – para ser bonzinho – temi pelo pior. Esperava uma prova equilibrada, ainda que com leve favoritismo aos carros de Ross Brawn, e pensei que a chuva atrapalharia.
A largada, ainda sob a égide do safety car reforçou esta má impressão. Achei até que não agüentaria assistir a corrida que se avizinhava monótona. Ameaçando até neutralizar as vantagens e desvantagens da diferença de combustível nos tanques.
Alonso e a Renault de Flávio Briattore resolveram mudar a estratégia e por mais gasolina, só que foram traídos pela largada em movimento. O que na prática resultou em que o asturiano largou dos boxes e na ultima posição.

Porém, quando o Mercedão prateado apagou suas luzes e se recolheu aos boxes, o que se apresentou diante de nossos olhos foi um show.
Show de Sebastian Vettel, que sob temporais e pistas quase impraticáveis é um verdadeiro imperador.
Tocada segura, firme, elegante e principalmente: rápida.
Não foi nenhuma vez sequer ameaçado em seu reinado na pista chinesa. Imperou de ponta a ponta (se não contarmos as paradas de boxe) pelos carros da Brawn e por seu companheiro de equipe Mark Webber. Alias façamos um parêntese. Nesta prova choveu muito, e até onde saiba cangurus não são muito chegados à água, então excepcionalmente hoje, Webber será o ornitorrinco de treinos.
Vettel manteve a ponta e abriu. Atrás de si o ornitorrinco seguia firme como um fiel escudeiro.

1B e Button ficando um pouco mais para trás.
Então o inevitável acontece. 1B aparece na classificação atrás do inglês. Era questão de tempo, e que ninguém se engane se 1B se classificar algumas vezes na frente de Jenson. Era assim também na Ferrari e a história todo mundo aqui sabe como acaba. E vão argumentar que 1B erro a freada e passou reto na ultima curva do circuito, mas, insisto. Se não fosse ali seria nos boxes, ou mesmo em uma ordem do tipo: “Deixe passar pelo campeonato.”. Tem coisas que não mudam nunca.

A prova foi movimentadissima.
Enquanto esteve na pista, Felipe Massa fez uma corrida convincente e muito bonita, chegando a andar em quarto lugar. Devido a largar lá no fundão pode vir com quanta gasolina quisesse e se aproveitou disto, fazendo boas ultrapassagens. Mas foi traído por seu carro que apresentou segundo a equipe, um problema eletrônico. Por falar em ultrapassagens, que foram muitas, devemos fazer menção honrosa a Lewis Hamilton. Ele contribuiu e muito para as estatísticas com várias ultrapassagens, ainda que a grande maioria sobre Kimi Raikonen.
Kimi, aliás, que só não foi ultrapassado pelo carro de segurança. Os outros todos passaram por ele. Outro dado estatístico bem alimentado por Lewis foi o de rodadas e erros. Foram ao menos cinco.
Mais estatística? Nelsinho Piquet também contribuiu quebrando bicos e rodando sozinho. Assim o Piquet filho vai ter sua carreira na F1 abreviada. E pelo que tem mostrado não vai deixar saudades não... Briattore já deu sinais disto balançando a cabeça negativamente enquanto as câmeras o focalizavam.

Robert Kubica teve seu dia de Coulthard. Quase engatou seu carro na traseira da Toyota de Jarno Trulli. Fim de prova para o italiano, mas não para o polonês que ainda deu um jeito de aparecer com o carro completamente torto numa cena inusitada e inédita.
Louve-se a corrida maravilhosa do outro Sebastien, o Buemi, que conduziu sua Toro Rosso - a Red Bull paraguaia - até o fim, andando entre os pontuadores e terminando em oitavo. Este aos poucos mostra que é do ramo.

Ao fim a festa foi mesmo do alemãozinho das águas.Em segundo seu companheiro ornitorrinco, seguido pelo primeiro piloto da Brawn.
A chuva, que parecia que novamente atrapalharia o espetáculo até ajudou. Mas para nossa sorte não vai chover no Bahrein. Porque se cair água lá no deserto ai teremos toda a certeza do mundo que a F1 mudou de vez.
Até o clima.