Quando as imagens surgiram na tela e a pista estava molhada – para ser bonzinho – temi pelo pior.

Esperava uma prova equilibrada, ainda que com leve favoritismo aos carros de Ross Brawn, e pensei que a chuva atrapalharia.
A largada, ainda sob a égide do safety car reforçou esta má impressão. Achei até que não agüentaria assistir a corrida que se avizinhava monótona. Ameaçando até neutralizar as vantagens e desvantagens da diferença de combustível nos tanques.
Alonso e a Renault de Flávio Briattore resolveram mudar a estratégia e por mais gasolina, só que foram traídos pela largada em movimento. O que na prática resultou em que o asturiano largou dos boxes e na ultima posição.
Porém, quando o Mercedão prateado apagou suas luzes e se recolheu aos boxes, o que se apresentou diante de nossos olhos foi um show.
Show de Sebastian Vettel, que sob temporais e pistas quase impraticáveis é um verdadeiro imperador.
Tocada segura, firme, elegante e principalmente: rápida.
Não foi nenhuma vez sequer ameaçado em seu reinado na pista chinesa. Imperou de ponta a ponta (se não contarmos as paradas de boxe) pelos carros da Brawn e por seu companheiro de equipe Mark Webber.

Alias façamos um parêntese. Nesta prova choveu muito, e até onde saiba cangurus não são muito chegados à água, então excepcionalmente hoje, Webber será o ornitorrinco de treinos.
Vettel manteve a ponta e abriu. Atrás de si o ornitorrinco seguia firme como um fiel escudeiro.
1B e Button ficando um pouco mais para trás.
Então o inevitável acontece. 1B aparece na classificação atrás do inglês. Era questão de tempo, e que ninguém se engane se 1B se classificar algumas vezes na frente de Jenson. Era assim também na Ferrari e a história todo mundo aqui sabe como acaba. E vão argumentar que 1B erro a freada e passou reto na ultima curva do circuito, mas, insisto. Se não fosse ali seria nos boxes, ou mesmo em uma ordem do tipo: “Deixe passar pelo campeonato.”. Tem coisas que não mudam nunca.
A prova foi movimentadissima.
Enquanto esteve na pista, Felipe Massa fez uma corrida convincente e muito bonita, chegando a andar em quarto lugar. Devido a largar lá no fundão pode vir com quanta gasolina quisesse e se aproveitou disto, fazendo boas ultrapassagens. Mas foi traído por seu carro que apresentou segundo a equipe, um problema eletrônico.

Por falar em ultrapassagens, que foram muitas, devemos fazer menção honrosa a Lewis Hamilton. Ele contribuiu e muito para as estatísticas com várias ultrapassagens, ainda que a grande maioria sobre Kimi Raikonen.
Kimi, aliás, que só não foi ultrapassado pelo carro de segurança. Os outros todos passaram por ele.

Outro dado estatístico bem alimentado por Lewis foi o de rodadas e erros. Foram ao menos cinco.
Mais estatística? Nelsinho Piquet também contribuiu quebrando bicos e rodando sozinho. Assim o Piquet filho vai ter sua carreira na F1 abreviada. E pelo que tem mostrado não vai deixar saudades não... Briattore já deu sinais disto balançando a cabeça negativamente enquanto as câmeras o focalizavam.
Robert Kubica teve seu dia de Coulthard. Quase engatou seu carro na traseira da Toyota de Jarno Trulli. Fim de prova para o italiano, mas não para o polonês que ainda deu um jeito de aparecer com o carro completamente torto numa cena inusitada e inédita.
Louve-se a corrida maravilhosa do outro Sebastien, o Buemi, que conduziu sua Toro Rosso - a Red Bull paraguaia - até o fim, andando entre os pontuadores e terminando em oitavo. Este aos poucos mostra que é do ramo.
Ao fim a festa foi mesmo do alemãozinho das águas.

Em segundo seu companheiro ornitorrinco, seguido pelo primeiro piloto da Brawn.
A chuva, que parecia que novamente atrapalharia o espetáculo até ajudou. Mas para nossa sorte não vai chover no Bahrein. Porque se cair água lá no deserto ai teremos toda a certeza do mundo que a F1 mudou de vez.
Até o clima.