30 de jun de 2009

Devaneios sobre o artista que se foi


-Não to entendendo o que estão querendo fazer com a morte deste rapaz ai...
-Que rapaz? O MJ?
-É... Este ai mesmo... Tentam nos empurrar goela abaixo uma genialidade que não consigo enxergar.
-O cara era um pop star, talvez o ultimo pop star vivo.
-Não agora...
-É... Agora ele não é mais o ultimo pop star vivo...
-Ainda acho que o McCartney é maior que ele, sempre foi...

-Nada... Só por que o cara era um beatle?
-Não! Obra por obra a do velho Macca é mais, digamos... Substanciosa né?
-Não acho... O MJ tinha aqueles vídeos clipes legais... Tem aquele com os monstros; aquele das gangues; tem também aquela outra em que ele fica mudando de cara e de cor...
-Cê lembra das musicas?
-Não. Só dos clipes.
-Ah... Claro.

-Mas o que importa é que agora que ele morreu vai virar ícone.
-Do que?
-Ah cara... Do funk.
-Este lugar já tem dono: James Brown.
-Então do soul...
-Que tal Marvin Gaye ou Otis Reding. Até mesmo o Al Green.
-Da musica pop então?
-Nada... Musica pop todas são. Com exceção dos eruditos né? Então não dá pra dizer que existe ícone em um negócio tão multifacetado.
-Como assim?
-Tudo é pop. Pop vem de popular. E rock é popular, funk é popular, soul é popular, jazz é popular... Tá vendo? Entendeu?

-É má vontade com o cara... Ce não gostava.
-É... Não gostava e não vou gostar agora que morreu. Sempre achei sua musica sem sal. Ou eram falsamente épicas ou verdadeiramente chatas. Se for para falar de black music prefiro os que citei antes.

-Ah, mas ele dançava pra caramba! Você não pode negar isto.
-É não posso, mas você também não vai poder negar que não se vê a dança quando se põe o disco ou o CD para ouvir. Ou seja, minha tese de que sua música não se sustenta sem as imagens é forte.

-E os shows? Todo aquele aparato tecnológico, as pirotecnias, as coreografias e tal...
-Ah cara... Nem ia falar, mas tudo isto me parecia muleta para desviar a atenção da fraqueza do que realmente importa em um show que é a música. E ainda podemos por na conta do defunto todos os tipos intragáveis que se apresentam com musicas ridículas e muita pompa em shows megalômanos e vazios. Gente que sobe ao palco para fazer playback com uma corriola de dançarinos, explosões, luzes e nenhuma canção realmente boa de verdade. Se não fosse MJ estaríamos livres de porcarias como Madonna, Britnei, milhares de cantores de pseudo rithm´n blues ou de baladas mela cuecas tipo Bob Brown, Coolio, Rick Martin...

-Tá legal... Já entendi. Na tua opinião não tinha nada que preste na obra dele.
-Os primeiros dois minutos da introdução de “Billie Jean”. Em minha concepção ele foi o primeiro artista a entender que era possível vender musica ruim com clipes bem feitos.
-Que seja... Ainda assim eu gosto muito.
-Que bom... Afinal o que seria do branco se todos gostassem do amarelo né?


28 de jun de 2009

Um conto funesto

Ah! A morte...
Mão pesada que tudo perdoa e a todos iguala, para o bem e para o mal dependendo do ponto de vista.
Para ela não há jeito.

Para a corriola de puxa sacos o morto era um semi-deus.
-Grande homem!
-Bom coração!
-Generoso...
-Diz que era bom marido, bom pai...

Para o valhacouto de desafetos era um mequetrefe de marca maior.
-Pulha.
-Canalha! Mão de vaca...
-Até a mãe dele o odiava.
-Ouvi dizer até que era viado...

E os indiferentes.
-Bem... Morreu que há de se fazer.
-Que vá em paz. Ou não.
-Já contei a vocês aquela piada do defunto que não aceitava que morreu?
-Não... Conta ai!

Os grupos cochichavam entre si sem, no entanto ouvirem um ao outro.

O fato é que Miguel tinha morrido devido a um enfarte naquela noite, mas foi encontrado em condições muito estranhas: nu na casinha do cachorro às duas e vinte da manhã.

Estes detalhes chegaram, para o espanto de todos, aos jornais que os presentes a seu velório já haviam lido.
Embora não comentassem, olhavam para o caixão com um grande ponto de interrogação sobre suas cabeças: "-Na casinha do cachorro? E pelado?".

Quem contou aos jornais e por quê?

A principio os únicos que sabiam era sua esposa; a empregada da casa, que foi quem o encontrou lá; seu filho, que foi o que o tirou de lá e claro: o cachorro que, óbvio, morava lá.
Embora este nunca conte nada a ninguém.

Já os outros...
Sua mulher o traía, há muito tempo e com muita gente.
Porém era apenas o troco...
O odiava, talvez não o quisesse morto.
Realmente não queria, mas já que morreu... Que se danasse!

Seu filho só vinha para casa uma vez por ano, não tinham contato e nem relação de pai e filho.
Desde moleque só o chamava pelo nome e às vezes de coroa.
Tanto fazia se morto ou vivo desde que ainda houvesse dinheiro em sua carteira.

A empregada era apenas isto mesmo, e como se sabe dificilmente uma empregada guarda segredo sobre as coisas dos patrões. Nem que seja para ter o que falar em rodas de fofoca entre domesticas.
Com ele morto talvez não ficasse na casa.
Que seja, vida que segue – a dela, claro! – arrumaria outro emprego.

Até onde se sabe era mesmo um sem vergonha, safado, mas nunca foi zoófilo e ao que se sabe seu cachorro também não gostava dele.
Curiosamente era o único que aparentava alguma tristeza.
Não balançava o rabo.

De onde se encontra - não se sabe se céu ou inferno - olhava tudo com certo desprezo.
O mesmo desprezo que tinha por todos em vida: puxa sacos, desafetos, familiares, indiferentes e até o cachorro.
E mais, além de dividas e alguns bens que com certeza não as pagarão, deixa a dúvida: Porque nu e na casinha do cachorro?

Ah a morte...
Que tudo perdoa e a todos iguala, para o bem e para o mal.
Depende do ponto de vista.
Para ela não há jeito.
E pelo visto, nem respostas...

25 de jun de 2009

Dois lados

Parece que acabou.
O impasse e a ameaça de cisão na F1 acabaram e não com uma pizza como muita gente pensou, mas com uma vitória das montadoras.
Como foi veiculada, a associação de equipes - FOTA - resolveu se inscrever e participar do campeonato do ano que vem depois que Max Mosley desistiu da reeleição.

Isto é bom, mas é pouco creio eu.
O fato das montadoras conseguirem que o dirigente se afaste por meio de ameaças abre um precedente perigoso.

Este desfecho tira o poder da mão de um dirigente centralizador para colocá-lo nas mãos de uma associação que ao que parece defende os interesses das montadoras.
E como disse o próprio Max, montadoras entram e saem da categoria ao sabor das variações do mercado e de acordo com seus departamentos de marketing.
E seja lá qual for o nome que apareça nas próximas eleições da FIA, a tendência é de que esteja alinhado com a FOTA, logo... O perigo por hora se afasta, mas não está de todo descartado.

-Max, devo empacotar suas coisas e limpar suas gavetas.
-Não Jhonie, ainda não... O que aconteceu com o “senhor” antes de meu nome...
-Obrigado por finalmente acertar o meu... Mas vou jogar fora, junto com um monte de idéias de jerico suas que por ventura sobrarem aqui.
-Como assim Jhonie?
-Não foi uma pergunta, foi uma afirmação... Recebi ordens, em italiano, de que eu limpasse suas gavetas.
-Entendo. Então me deixe retirar algumas coisas daqui... Vou levar comigo este projeto de teto orçamentário... Kers obrigatório, fim do reabastecimento...
-É melhor levar mesmo estas coisas embora consigo Max. Não teriam mesmo utilidade para o novo presidente que virá.
-Tudo bem... Eu sei quando estou derrotado. Só espero que a “era das montadoras” que vem ai não signifique também trocar você meu caro Jhonie, por um funcionário que tenha MBA e outras qualificações.
-Trocar um reles secretário por alguém com MBA? Seria ridículo!
-Não se esqueça que são empresas, que visam lucro, tanto ou mais do que eu visava... E o custo benefício seria maior, entende?
-E o que quer dizer com isto?
-Que a palavra circo poderá se tornar definitivamente o termo apropriado para a F1
-Despeito.
-Tem certeza? Lembre-se que os egos que me derrubaram são tão grandes ou maiores que o meu...


É necessário criar mecanismos que assegurem a permanência das equipes e que proteja os interesses do esporte.
Bem como uma maior alternância de poder na federação de automobilismo.
Uma regulamentação que limite as reeleições e os poderes, tanto do presidente da FIA como das Associações de equipes.
E claro, dê uma parcela deste poder de decisão para uma associação de pilotos, que no fundo são quem fazem os espetáculos de verdade.

Ou vamos ter mais episódios lamentáveis como estes em que numa semana apresentam o fim do mundo e logo depois apresentam o produto deste apocalipse como um novo paraíso.
Com a boa noticia de que a serpente foi trocada por outro bicho qualquer...

E está no ar a edição pós GP da Rádio Onboard.
Falamos também sobre a crise que encheu o saco do mundo do automobilismo, mas também sobre coisas boas como o GP da Inglaterra, ou da Grã Bretanha - como queiram.
Novamente estmos juntos: Felipe Maciel , o Adriano Imperador; eu, o Kleber Pereira e Fábio Campos, o Richarlyson, damos uma panorâmica toda especial sobre o fim de semana de corrida.
Ouve ai.

23 de jun de 2009

Street fighting man

Acordou naquela manhã e pensou: “-Mais um dia diferente...”.
E não era retórica.
Em vinte e cinco anos de vida nunca tinha visto nada parecido com aquilo.
Seus pais disseram que a revolução islâmica tinha salvado o país de um alinhamento com o ocidente decadente.
E agora via o regime que governava seu país cometendo os mesmos pecados que qualquer governo opressor do ocidente comete.

Quando chegara em casa, na noite anterior, nem viu onde caiu para dormir tamanho o cansaço.
Trocara apenas a camisa por uma menos suja e saia de novo às ruas, sem nem fazer uma refeição decente.
A história esta se fazendo diante de seus olhos e da lente de sua maquina fotográfica digital. Quem vai se importar com o estado de suas roupas?
O que importa, e muito, é o estado de suas almas.
A grandeza que lhes invade o espírito.
O sentimento de liberdade que não lhes é possível – ao menos por enquanto – e um gosto amargo de injustiça e arbitrariedade que precisa ser corrigido.
Ele sai às ruas, fotografando tudo: Pessoas com adereços verdes – assim como ele - em apoio ao reformista Houssein Mousavi. Contrários também.

Fotografou o corpo sem vida de Neda Agha-Soltan, que reconheceu ter estado junto a ele no dia anterior, quando foram duramente reprimidos pelas forças oficiais.
Sem esforço, lembrou-se de ter lido num lugar qualquer, talvez a wikipedia quando a internet não era tão censurada quanto hoje, que um jovem na Tchecoslováquia ateara fogo ao próprio corpo em 1968 durante protestos na famosa “Primavera de Praga”.
Comparou os dois casos e entendeu estar nascendo ali um ícone destes novos tempos.
O primeiro mártir destes protestos, a face publica da “primavera de Teerã”.
Fez uma prece e depois voltou fotografar tudo o que via.

Mais tarde usaria as fotos para revelar ao mundo o que o governo dos Aiatolás tentava esconder. Curiosamente usando uma ferramenta criada no tal ocidente decadente: O Twitter, que ninguém explica até agora como ainda não foi bloqueado pelas autoridades.
Ele já sabia, e nós agora passamos a entender que os protestos iranianos têm menos compromisso com o esclarecimento das fraudes que reelegeram Ahmadinejad, o louco, embora este tenha sido o estopim, e mais com o desejo de liberdade de um povo.
Agora acordado e atento para o mal de viver sob um estado que teima em misturar política – interna e externa - com religião.

Talvez ele só se recinta de não ter uma trilha sonora para este momento, e ai entramos nós que lemos o que de Teerã nos mandam estes neo street fighting man. Que nos chocamos com as imagens e nos emocionamos com a coragem deles.
No fundo mesmo, nós invejamos nunca ter tomado uma atitude ao menos parecida em defesa de nossos próprios interesses.
E se não podemos oferecer ajuda, mão de obra para a nova revolução iraniana, ao menos ofereçamos a eles uma música.
Que como disse Wilson Simonal um dia: “-Com uma canção também se luta irmão.”.
Rolling Stones - Street Fighting Man

22 de jun de 2009

Ava(ca)liações britanicas - Se foi a ultima, foi com classe

Vettel: Foi perfeito! Fez hat-trick e venceu no seco como se esperava. Viva Vettel!

Webber: O canguru fez uma corrida segura e hoje não tinha como parar o alemãozinho. Bela prova.

1B: Ah? Mas este da foto não é o 1B? E que diferença faz?

-Nós queremos que Silverstone fique no calendário.

Vettel: -Cara, não esperava te ver em terceiro...
1B: -Esperava me ver em segundo né?
Vettel: -Não... Esperava ver o Button, você eu nem esperava em lugar nenhum!

Vettel: -Chegamos na frente de um carro da Brawn!
Webber: -Mas era o 1B...
Vettel: -É... Ai não vale.

-Eu quero que Silverstone fique no calendário!

Lewis: -E se eu ganhar vou leiloar este capacete e dar a grana para um orfanato...
Reporteres todos juntos: -Coitados dos orfãos, vão ficar sem dinheiro então...


Estes ai achavam que iam ver uma vitória brasileira, mas foram alertados que estavam na Inglaterra e não na Africa do Sul. Ficaram decepcionados. Mas ai alguém lembrou que tinha brasileiro largando na primeira fila. E quando iam se entusiasmar alguém gritou: "-Mas é o 1B!" e eles murcharam de novo.
Ao fim da prova nego dizia: "-Deviamos ter ido pra Africa ver o Kaká..."

Para curar a "dor nas costas"... Sei.


-E nós queremos é que o 1B se dane!

-Eu só me f... nesta m...!

21 de jun de 2009

Em pista seca finalmente. Viva Vettel!

Monza, Shangai e Silverstone.
Vamos dar um desconto pela etapa chinesa e nos concentrarmos nas duas que sobram. Como vence bem este alemãozinho... Mas a F1 atual vive uma era de incertezas e sendo assim também não sabemos mais se ano que vem vai ter Silverstone no calendário, ou vamos para a soporífera Doningthon.
Se sair mesmo então Vettel fez história e conseguiu a última vitória no berço da F1.
Caso contrário esqueça a frase acima e sinta-se feliz por poder ver mais corridas de F1 por lá.

Mas às favas as elucubrações para o futuro o importante aqui é o presente, e este nos mostra que a Red Bull – ao menos na Inglaterra – não só alcançou como também superou os carros de Ross Brown.

A pole de Vettel é a prova mais cabal disto e não se engane em ver 1B a frente de Mark Webber: O canguru só não beliscou a segunda posição com boas chances de brigar pela posição de honra por que foi atrapalhado por Kimi Heineken.
Tanto que chegou a ser grosseiro dizendo que o finlandês parecia ter bebido vodca ou estar dormindo.
Mark meu camarada, os únicos que podem fazer este tipo de comentários somos nós blogueiros. Por quê? Oras... Por acaso vamos ia pilotar seus carros?
Bem... Nós iríamos, ao menos alguns de nós... Mas não deixam e então não se meta em nossa seara. A largada foi sem sustos: Vettel manteve a posição assim como 1B e o canguru.
Lá atrás as Ferrari de Massa e do homem que bebeu vodca deram um grande salto ganhando cada um três posições.

Massa, por ter largado com mais peso que Kimi, conseguiu ganhar muitas posições com as paradas de boxes.
O que me faz perguntar: Foi só isto ou Kimi está muito mais bunda mole que nunca? Afinal chegou só em oitavo.
Muito pouco em relação ao companheiro de equipe.Belos pegas entre Hamilton e Alonso fizeram os ingleses se levantar das arquibancadas e aplaudirem como se vissem a briga pela ponta.
Bonito isto. E mostra que ainda existe esportividade dentro das pistas, mostrando que vale ultrapassar o adversário sempre. Nem que não valha pontos, apenas pelo prazer de superar um adversário. Outro bom momento foi Nick Heidfeld segurando Alonso e, segundo seu engenheiro via rádio, com problemas no carro devido a perda de um pedaço da asa dianteira.
Confesso não ter visto.

Uma decepção, ou não, tratando-se de Nakajima, foi o desempenho da Williams.
Nico fez melhor, chegou em quinto, mas ainda assim fiquei decepcionado.
Sim sou exigente, mas também sou realista e insisto: Nenhum dos dois é piloto para a equipe de Frank. Mas como é o que temos...

Sem muito peso e importância foi o abandono de Kovalainen, não fosse o fato de ter levado consigo Sebatien Bourdais. Que já não bastava ter seu lugar ameaçado pelos maus resultados ainda conta com o tremendo azar de destruir o bico do carro no carro do finlandês cover quando este teve um pneu furado.
Estes foram os únicos abandonos da prova.

Ao fim ficou mesmo a imagem de um Vettel vencedor pela primeira vez em pista seca, em grande estilo e de ponta a ponta.
O moleque é bom e espero que todos aqueles que o malharam ao fim da corrida turca revejam seus conceitos Afinal... Ele pode ter feito história!

19 de jun de 2009

Gente Boa e a despedida (triste) de Silverstone

Já disseram tudo que havia para ser dito sobre o “racha” entre FIA e FOTA.
Disseram até que vem ai a “Copa João Havelange de carros de Formula” (esta fui eu), para quem se lembra do campeonato brasileiro de futebol do ano 2000.
Agora o estopim chegou ao fim e a bomba explodiu.
E só o tempo, este “compositor de destinos e senhor de todos os ritmos” (valeu Caetano!) vai mostrar quem estava e se existia uma razão para estes acontecimentos tão insólitos.

Mas insólito mesmo foi o que fez o Gente Boa.
Gente Boa, para quem não se lembra, é um morador de rua aqui de Franco da Rocha que adora F1.
E como sempre dorme em frente às Casas Bahia, e estas não fecham aos domingos, nunca perdeu uma corrida.

Só que para este fim de semana ele soube - por um vendedor - que o gerente francorrochense da rede, excepcionalmente, não abriria a loja.
Balanço talvez, ou quem sabe dedetização. Não importa.
O que importa é que não haveria expediente e sendo assim os televisores do mostruário estariam desligados.
Pela primeira vez em muito tempo Gente Boa não assistiria um GP, e logo o de despedida de Silverstone. -Isto não é possível... Preciso fazer alguma coisa!
-Que foi Gente Boa? Que tá pegando?
-As Casas Bahia não vão abrir domingo.
-E ai?
-E ai que eu não vou poder ver o último grande premio em Silverstone.
-Ué... Vai assistir em frente às lojas Cem!
-Não... Nunca!
-Por quê?
-E quebrar uma tradição de décadas?
-É... Se é assim...
-Cê ta com o celular aí?
-Tô.
-Empresta?
- Errr... Claro!

Gente Boa entra na loja, conversa com o vendedor, possivelmente o mesmo que havia lhe dado a dica, esboça um sorriso e volta.
Tem nas mãos o telefone da matriz da rede. Que fica em Santo André ou São Caetano.

-Tem crédito?
-Tem quinze reais...
-Milagre...
-Cê nem celular tem, tá falando do que?

Ele disca, se arruma o mais dignamente possível e até emposta a voz e pede gentilmente:

-Senhorita eu gostaria de falar com o senhor Klein... Samuel Klein.
-O Sr. Samuel Klein não se encontra e não atende ligações...
-Senhorita, por favor. Aqui quem fala é um colaborador do Sr. Klein.
-Ah sim e vai me dizer que quando ele o encontra também o cumprimenta dizendo: “-E ai gente boa!”?
-Exatamente... Ele diz exatamente isto...

Gente boa se referia à única vez em que Samuel Klein, dono da rede de lojas Casas Bahia veio a Franco. Para a inauguração de sua primeira loja na região.

-Por favor, é que esqueci o numero do celular dele...

Na duvida se o homem falava ou não sério a atendente resolveu passar a ligação e o próprio Samuel atende em sua sala. -Aloun? Samuel falando...
-Ô “seu” Samuel, aqui é o Gente Boa, de Franco da Rocha...

Ele me olhou como se desaprovasse o fato de eu estar ouvindo sua conversa telefônica.
E mesmo o telefone sendo meu, acabei me sentindo desconfortável por estar ouvindo. Deixei o cara mais a vontade. Ele terminou a ligação, piscou cúmplice e sorriu.
Depois de vinte minutos uma placa apareceu na porta da loja convidando para a venda de saldos com portas abertas para os próximos três domingos. Incluído este fim de semana em que vamos ver o GP da Inglaterra se despedindo de Silverstone e talvez da F1...

E em uma consulta rápida no saldo de meus créditos vejo que ainda me sobraram quatro reais...
Gente boa este Gente Boa... (Fdp...)

18 de jun de 2009

A força das palavras ou "Os empata Fota"

Algumas relações acabam ou ficam para sempre estremecidas apenas porque uma das partes proferiu uma palavra.
Nem sempre era uma palavra feia ou de baixo calão.
Por vezes era apenas por que a parte que se sentiu ofendida não entendeu a palavra.

-Amor, eu acho esta sua família é estupenda!
-O que?
-Estupenda!
-É a sua! Todos eles... E acabou... Toma aqui este anel e some da minha frente...
-Mas amor...
Por vezes uma palavra mal colocada causou estragos irreparáveis e desembocaram em acontecimentos que se tornaram históricos como daquela vez na casa da Dinda:

-Pedro... A Tereza faz uma moqueca alagoana muito gostosa!
-Como é que é Fernando?
-A Tereza.... Sua esposa... Muito gostosa mesmo!

Depois deste dialogo Pedro procurou a revista Veja e jogou lama no ventilador.
Caiu a casa para Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias e mais um porrilhão de gente.
O País entrou em uma onda de protestos; criou-se a figura do cara pintada e um tempo depois alçamos o “caçador de marajás” alagoano à condição de “Nixon dos trópicos”, já que tal qual o supremo mandatário americano, ele é o único caso de um presidente que sofreu impeachment aqui em terra brasilis. O uso do adjetivo "desonesto" seria indício de que a relação poderia ter apodrecido de vez e a não ser que o povo da FOTA não tivesse sangue nas veias - ou se reconhecessem mesmo desonestos – seria motivo para declarar uma guerra da secessão.
Com a diferença de que para os EUA a guerra criou um país mais forte e para o automobilismo poderia ter criado duas categorias mais fracas.

E mesmo que hoje ou amanhã as partes envolvidas cheguem a um acordo, apertem as mãos e dêem-se tapinhas nas costas com aqueles sorrisos de “não foi nada”, ficará aquele ranço miserável de que um esporte acompanhado por milhões em todo o mundo e que põe em risco a vida dos que o praticam não é gerido por gente séria.
Nem de um lado e nem de outro.

Os interesses são diversos e o esporte, bem... Este que se f...

17 de jun de 2009

Se a F1 é só política...

Então a F1 é só política agora?
Então toma esta.

O senador pelo Amapá, José Sarney (mas o bigodudo não é do Maranhão?) se defendeu das criticas que vem sofrendo pela onda de escândalos pela qual a casa que ele preside vem passando.

A última...
Pensando bem, “última” não é um termo apropriado, que isto é ilusão.
Infelizmente nunca vamos ter um “último” escândalo nos governos, sejam eles de que partido e de qual orientação política forem.
Não é uma questão mais de homens ruins de esquerda ou de direita. É só de homens ruins.
Temos bons políticos, mas a quantidade em comparação com os maus chega a ser cruel... Estão perdendo.
E feio!

A mais recente - agora sim um bom termo - é o caso dos tais “atos secretos do Senado”.
Sarney é suspeito de autorizar atos secretos na Mesa Diretora do Senado para uma série de contratações, inclusive de parentes, conforme reportagens publicadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo".
Segundo estas reportagens um levantamento feito por técnicos do Senado, a pedido da Primeira Secretária da casa detectou ao menos trezentas decisões que não foram publicadas. Muitas delas adotadas há mais de dez anos e foram usadas para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar os próprios salários.
Coisa pouca... Besteira...

Com um discurso contundente, ameaçador e do tipo: “-Tá fedendo, mas não fui só eu que peidei.”.
O ex-presidente da Republica e atual presidente do Senado se defendeu e prometeu ele mesmo punir com rigor.



Agora eu ponho fé.
Agora vai.

E a gente reclamando da hipocrisia da Fia e da Fota....

15 de jun de 2009

Rubens e São Jorge (O retorno de Pai Tião, de novo)

Interessante que mesmo no centro de Londres é possível encontrar um terreiro de candomblé e Rubens, acompanhado de Felipe Massa, resolveu que se isto não ajudar, ao menos mal não vai fazer.
Ao entrar no recinto se depararam com muita gente disposta em roda.
Alguns sons de batuque e cantorias.
Os dois se aproximam do centro da roda para verificar o santo da noite. Quando tiveram a confirmação de que era noite de São Jorge sorriram confiantes.

-Não tem erro Felipe, eu desta vez ganho a corrida... Com a proteção de São Jorge, Ogum... Agora eu ganho a corrida da Inglaterra... Silverstone vai se despedir da F1 com uma vitória minha!
-Sei não Rubens. Eu tenho minhas crenças, tenho minhas superstições, meus rituais, mas não misturo com meu trabalho não... Se eu bater o carro a culpa e minha. Qualquer outro problema é culpa do Domenicalli.
-Eu sei Felipe, mas eu preciso tentar algo... Qualquer coisa... Vamos lá falar com o cara.
-Olha cara, eu até te acompanhei até aqui, mas falar com o cara ce vai sozinho...
-Vai dizer que você tá com medo?
-Não, não... Mas não se esqueça de que eu trabalho para a Ferrari, e até pai de santo particular eles têm...
-O Pai Tião? Mas ele foi demitido, estava trabalhando para a Mclaren no ano passado.
-Eu sei... Estava brincando. Agora nem sei onde ele está trabalhando e como disse não misturo uma coisa com outra... Mas vai lá, aproveita que São Jorge ou Saint George, como dizem os ingleses, além de ser padroeiro do Corinthians é também protetor da Inglaterra...
-É... Isto mesmo! E minha equipe é inglesa... Agora vai Felipe, agora não tem como dar errado...
-Bom cara, vai lá, eu fico por aqui. Quando sair me acha ai na Picadilly Circus.
-Ok.

Os batuques se elevam e no centro da roda o pai de santo observa as danças, recebe as oferendas e sorri.
Rubens chega de mansinho e toca o ombro do homem paramentado.
-Mister father of saint...
-Rubinho? - diz o homem enquanto vira-se para encarar o piloto.
-You know me?
-Mas é claro que eu know você… Não tá me reconhecendo?
-Hum... Não...
-Pai Tião pô! Já trabalhei na Ferrari e na Mclaren... Mas agora estou aqui fazendo um freelancer.
-Hum... Bem... Se está de freela então tá certo. Eu vim pedir uma ajudazinha aqui pro São Jorge...
-Pedir pro santo? O que? Nun vai dize que vai pedir pra ganhar a corrida em Silverstone?
-Bem... Era... Por quê?
-Bom... Ele costuma se meter nestas coisas...
-Mas espera ai... Ele tá sempre ajudando o timão, e eu sou corintiano...
-Bem, ce que sabe vai lá e faz sua oferta e tenta...

Então Rubens vai ao centro dançando com passos ritmados, imitando alguém que rema.
Oferece seu capacete e um cântico:
- Tem fé que Jorge é de ajudar, a todo Brasileiro. Brasileiro guerreiro. São Jorge cavaleiro da flor. São Jorge protetor, protetor, protetor.

Então Pai Tião finalmente recebe o santo guerreiro e põe-se falar com Rubens.
-Olá Rubens Barrichello.
-O senhor me conhece...
-Conheço, eu conheço tudo e todos, mas cavaleiro da flor é a pqp!
-Não tenho culpa não... A letra é do Jorge Ben...
-Eu conheço! Acontece que quando ele canta soa bem e sem contar que ele cantou primeiro. – disse com certa ironia na voz enfatizando o "primeiro"...
-Bem... Desculpa. Mas eu queria pedir uma ajudinha ai. Eu quero ganhar a corrida em Silverstone. O senhor sabe, é a ultima corrida de F1 lá e eu preciso ganhar uma pelo menos este ano. Então que seja na casa da minha equipe né? Pra fazer bonito...
-Ah Rubens... Infelizmente eu não vou poder te ajudar...
-Por que não? O senhor não é protetor dos guerreiros?
-Sim, sou.
-Eu sou guerreiro, tô nesta guerra da F1 há mais tempo que todo mundo lá.
O santo olha consternado e tenta argumentar, Rubens não deixa.
-O senhor não é protetor do Corinthians? Eu sou corintiano...
-Rubens... Eu... – E é cortado novamente...
-O senhor protege os brasileiros e eu sou um brasileirinho...
-Não é isto Rubens, entenda... Eu até posso dar uma forcinha pra sua equipe, afinal Ross também é meu devoto e ele é inglês, e como você sabe sou padroeiro da Inglaterra... Desculpe-me, e tem mais uma coisa...
Rubens ouve atentamente e quando o santo acaba de falar o espanto em seu rosto dá lugar a uma resignação a qual ele já vem se acostumando nos últimos anos.

Na saída reencontra Felipe Massa que comia fish and chips em um legitimo boteco londrino.
-E ai Rubens, conseguir falar com o santo?
-Uh hum... Ele até me conhecia
-E ele te atendeu?
-Não.
-Ele disse que estava ocupado com outras coisas?
-Também...
-Ele disse que não se mete em esportes? E que a principio é padroeiro da Inglaterra e não só do timão?
-Também...
-Também? E o que mais ele disse?
-Disse que o Jenson passou por aqui primeiro que eu... Chegou antes.
-Ah, normal!
-O que?
-Nada, nada... – Se engasga Massa com a própria maldade.
Quem quiser saber mais ou ler os outros textos do macumbeiro oficial da F1, ai estão os links.

13 de jun de 2009

A cidade depois do viaduto (mais um trecho)

Clandestino
As estradas não se cruzam porque o caminho é um só!
Ira! in Clandestino

Ninguém tem culpa de ser pobre, obvio!
E não se pode escolher por quem se apaixona.
Mais obvio ainda!

Havia por estas épocas uma série de festinhas que eram chamadas de ‘baile pró-formatura’ que serviam para um monte de coisas, menos para este fim.
Era nestas festinhas que se paquerava, ou melhor, onde se namorava.
Porque paquerar mesmo era na escola.
Tinha aquela coisa; conheciam as menininhas no colégio, jogavam aquelas conversas furadas e no fim de semana, quase sempre, apareciam estas festinhas e então convidavam as meninas pra irem juntos.
Quando a coisa tinha fundo, quando elas estavam mesmo a fim aceitavam e era o olimpo.
Na maioria das vezes a resposta era não.

Tinha gente, como o Sandro, que invertia a historia. Era ele a ser convidado pelas meninas.
Na única vez em Reinaldo convidou alguém a coisa toda deu errado.
Começou um namorinho numa quarta-feira, na sexta-feira convidou a garota para o baile que seria no sábado. Ela aceitou, ele sai pulando e batendo os calcanhares. Desta vez não ia ficar sozinho na festa...

O baile desta vez era na casa de um pessoal de posses, gente de sobrenome forte em Franco da Rocha.
Esta familia (que eu vou chamar de Martins para resguardar) era dona de algumas lojas de sapatos na cidade, e a filha deles estudava no mesmo período que os quatro - curiosamente, apesar da grana, numa escola publica.
Chamava-se Carmem.

Pois bem, Carmem junto com algumas outras amigas organizou tudo.
Telefonaram para os meninos convidando.
Foram chamados os caras considerados bonitinhos (Alandes Nico, Marcelo Dentinho, Sandro, óbvio), e também os que não eram tão bonitinhos, mas eram amigos dos bonitinhos (Ivan, Jorge, o moderno, Joel, Reinaldo).

Neste período Jorge, o moderno namorava, às escondidas, uma garota de nome Andréia.
E tinha de ser escondido mesmo.
A menina era filha de uma senhora nordestina dona de uma lojinha de roupas na mesma rua em que ficava a escola.
Tinha mania de se achar rica.
Era remediada e olhe lá!
Achava-se no topo da pirâmide social por freqüentar a casa dos Martins.

Era uma pessoa que hoje seria chamada de nojenta, de metida no mínimo e para ser educado!
E só porque Jorge era um duro, órfão, que cuidava do boteco deixado pelo pai a duras penas, ela julgava que Jorge não estava à altura de sua filha, que, diga-se de passagem, não era lá um primor de beleza.

Era baixinha, atarracada, uma morena bem comum.
Cabelos alisados e um imponente buço.
É a meninha tinha bigodes...
E então por tudo isto que descrevi é que o namoro tinha de ser secreto mesmo...
E chegou o sábado, o dia todo Reinaldo esperou pela festa ansioso, ia ser a primeira vez que iria chegar acompanhado a um baile, tudo combinado, tudo acertado.
Passaria na casa da namoradinha por volta das seis da tarde e não se atrasou um minuto sequer.
Desceu a rua na companhia do Ivan e, só que em vez da menina quem estava lá no ponto de encontro era a avó dela.

A velha quando o viu soltou a matilha de cachorros inteira foi simpática em não falar mal da mãe do cara, mas de resto...:
–Vagabundo, sem vergonha, seu safado, fica longe da minha neta, cachorro, eu devia quebrar a vassoura em você, pilantra.
Era nestes termos, e o Ivan meio que rindo meio que se escondendo foi indo embora e tratou de tirar o Reinaldo dali.
Depois de ter sido passado por uma descompostura daquelas sem nem argumentar foi pra festa convencido pelo camarada que seria melhor.
Chateado, mas foi.

Chegaram e tinha uma rodinha formada na porta da sala dos Martins, no centro da roda: Jorge.
Em volta dele toda a turma em silencio enquanto a mãe da anfitriã soltava um discurso sobre classes.
Uma conversa mole que só quem não queria é que não via ser de encomenda da mãe da namoradinha dele - Andréia.
Afinal não ficaria bem ele mesmo dizer algo em casa de outras pessoas, ainda que fosse de pessoas amigas.
Todos ouviam calados e, quando Reinaldo e Ivan chegaram o papo já ia pela metade.
Ficaram horrorizados imaginando o que já tinha sido dito:
-Então! – dizia ela – As pessoas devem ter consciência do seu lugar, por que quando ultrapassamos certos limites, sabe! Aquelas fronteiras entre o que somos e o que os outros são, nos tornamos pessoas medíocres. Eu acho que só podemos realmente viver em paz se cada qual viver no seu meio. Têm coisas que não se misturam, feito água e óleo...

Ela falava e procurava ver em volta se estavam todos prestando atenção procurando a aprovação da sua pequena platéia:
-Mesmo que a gente saiba que todos aqui ainda são muito novos e que provavelmente (assim espero), pensarão como eu num futuro, quando vocês tiverem seus filhos e alguns de vocês amealharem algum patrimônio e tiverem lá suas carreiras.

Aquilo foi deixando Reinaldo puto da vida. A mulher estava acabando com o cara (Jorge).
Dando uma aula de preconceito, usando um vocabulário rebuscado só para tentar humilhar ainda mais. Como se estivesse dizendo ‘alem de tudo sou culta e você não’.

E ninguém falava nada. ouviam calados. Podiam até não concordar, mas calavam.
Reinaldo foi ficando vermelho, tinha passado por algo semelhante à questão de meia hora, ainda que por motivo diferente já que a avó de sua namoradinha só não queria que ela se envolvesse com alguém, fosse quem fosse.
Ela já havia tido problemas com a filha, que era mãe solteira e morria de medo que acontecesse o mesmo com a neta.

Aproveitando uma brecha que ela deu, começando a falar sobre o que cada um queria ser o que iria estudar, carreiras e tal ele soltou:
-Dinheiro e posição social algumas vezes independem de estudo...
-Não! O estudo é a base para se ter dinheiro e posição...
E ele insistiu que não.

Ela bateu o pé e quando ele sentiu que os olhos estavam sobre si e não mais sobre o Jorge mandou na lata.
-Afinal o que o Sr. Martins estudou para ser o que é hoje...
-Ele trabalhou duro estudou administração num curso técnico!
-Que nada! E desde quando é preciso estudar administração pra ser bicheiro?
A mulher ficou pálida. Sua filha dela fez cara de choro.
A mãe da tal Andréia correu e se escondeu dentro da casa.
Silencio.
Ela ainda argumentou dizendo que o Sr. Martins era dono de lojas de sapato.
-Que isto, meu chefe lá da farmácia onde trabalho me manda quase todo dia ir fazer uma fézinha lá no chalé de jogo do bicho que funciona nos fundos da loja de sapatos do centro. É só fachada! As lojas estão sempre vazias! A mim ninguém engana não! Moral, sei! Água e óleo, tá bom.

O Sr. Martins que tava lá na sala dele tomando um uisquezinho engasgou, cuspiu a bebida no carpete.
A rodinha explodiu em gargalhadas e Reinaldo nunca mais foi convidado para as festas na casa dos Martins.
E pra nenhuma outra casa.

Não que fosse grande amigo do Jorge. Não era mesmo.
O que irritava profundamente era a forma velada com que a Sra. Martins punha para fora a certeza que tinha de serem ela, e o circulo de amigos da familia muito, mas muito superiores a todo o resto.
Uma conversinha furada de lugar na sociedade.

Oras se ali eram uns duros, também ainda eram adolescentes em idade escolar e as famílias nem tinham posses mesmo.
Claro que alguns estavam em melhor situação financeira que os outros como é normal em qualquer sociedade, mas a forma com que ela se expressava ofendia aos outros colegas ainda que eles ficassem quietos.
Talvez se a mãe da bigodudinha tivesse chamado o cara de canto ou mesmo para o centro da festa e tivesse dito na cara dele o que pensava, sem meias palavras e sem usar interlocutor - como a avó da namoradinha do Reinaldo fez - nada disso teria sido preciso.
Seria um problema deles, mas escancarar o preconceito que ela tinha do cara - que era mesmo pobre - e fazer com que engolissem isto achando que era normal, generalizando foi demais.

Por esta época ainda achava-se que existia a tal ‘igualdade’ entre todos os homens. Independente da cor, grana, classe social, crença.
Talvez fossem ingênuos demais para notar que estes pequenos acontecimentos eram corriqueiros e aquela frase do Geraldo Vandré: ‘Somos todos iguais, braços dados ou não’, era só licença poética mesmo.
Reinaldo acabou mostranto aos outros que não se deve deixar que ninguém os aponte o dedo pelo que sãos.
Sejam lá o que forem.

11 de jun de 2009

Vamos dizer o que pensamos, sem rodeios

Se tem uma coisa que me chateia, mas me chateia muito é fotografia velha.
Nas que preenchem os meus álbuns todas, mas todas mesmo estou com cara de desnutrido. Não que eu seja um ‘touro’ de forte, mas sei que não tenho aquela aparência de quem acabou de chegar de Biafra.

Olhando as fotos de uma amiga minha fiquei até comovido.
Não que ela estivesse feia, mas as roupas da época e o seu penteado eram realmente hilários:
Um blazerzinho sobre uma saia... Um cabelão tipo bolo de noiva e eu não resisti:
“-Tava homenageando sua avó aqui?”.
A resposta veio a caráter: “-Não. Eu estava era imitando sua mãe!”.
Não tem quem resista a fazer um comentario maldoso de vez em quando.
Aquela amiga que estava gestante da ultima vez que a você viu, mas que já deu a luz e não perdeu alguns quilinhos adquiridos durante a gestação.
Quando você reencontra certamente pensa em dizer:
“-Ué? Não nasceu ainda ou você está grávida de novo?”.
Mas não diz porque isto deve doer até na alma do ego... Mesmo sendo verdade.

Tenho um amigo que é maldoso até a raiz.
Outro dia estávamos todos em um bar e alguém trouxe uma amiga nova para a roda.
Ele a olhou e emendou de bate - pronto:
“-Caraca tem um nariz na mesa! E olha tem uma mulher grudada nele!”.
A gente riu, mas depois ficou com a consciência meio pesadinha.

Mas lá no fundo quando alguém solta uma maldade destas geralmente reflete o que nós mesmos estávamos pensando e nunca teríamos coragem de falar.
Eis aí a ditadura do ‘politicamente correto’.
Eufemismo demais ficar dourando pílula.

Não poder dizer que ‘gordo’ é gordo. Chamar de ‘careca’ de “aeroporto de mosquito”, narigudo de Cyrano de Bergerac...
É a vitória da dissimulação.
Que tem demais usar os adjetivos corretos -se bem que as vezes maldosos - para cada caso?
Oras! Se for gordo que mal tem chamar de gordo? Se for magro demais não vejo problemas em dizer: “-Ae ô bat-fino!”. – Ou até – “-Aí pau de virar tripa!”.
Não concordam?
Ou acham que tudo depende do grau de amizade que você tem com o individuo?

Como não tenho grau nenhum de amizade nem com o pessoal da FIA e nem da FOTA, e nem gosto de ser “politicamente correto” vou dar meu recado logo:
Ae seus “veio” pé na cova, cambada de fpd, vamos terminar esta briguinha de viado ai, este “só dou se você der primeiro” e chegar a um acordo. Porque aqui do lado de fora da briga, todo mundo sabe que este acordo mais dia menos dia vai aparecer pronto.
E se concentrar no mundial do ano que vem, para que não seja como o deste ano e acabe antes do meio da temporada.
Se concentrar em carro na pista, que é o que a gente gosta.

E é sem a ditatura do "politicamente correto", mas se concentrando em carros na pista é que orgulhosamente apresento mais uma edição da Radio OnBoard.
Falamos tudo sobre o Gp da Turquia, sem rodeios ou meias palavras.
Felipe Maciel, o Lion; eu, o Pantro e Fabio Campos, a Cheetara não deixamos nada escapar ao olho de Thundera.

Ouça ai. Thundercats Oh!

10 de jun de 2009

E a FIA recuou...

Recuou?
Eu tenho lá minhas duvidas e não são poucas.
Os velhinhos da fuzarca disseram que se sentam à mesa com a FOTA para redigir o regulamento para 2010.

Ótimo, a FIA dá os meios, mas são as equipes que fazem o espetáculo.
Mecânicos, pilotos, engenheiros e por que não? Até a besta do Domenicalli.

Porém, e tem que ter um sempre, o dirigente só aceita a “parceria” com os times na confecção do regulamento depois que as equipes se inscreverem incondicionalmente para o ano que vem.
Notem bem: "depois".

Primeiro se inscrevem sob o regulamento da forma em que está. Com teto, auditor, regulamento duplo e o escambau, para só depois alterarem o que as equipes não estiverem de acordo.
O que me incomoda é exatamente este “depois”...
Por que só “depois”?

Ah quem diga - como meu amigo Felipe Maciel - que Max quer ter agora a certeza de quem fica ou não na categoria, para só então saber como vai agir.
Eu estou propenso a pensar que lá vem mais golpe:

-Johnson meu filho, faça uma carta e envie as equipes dizendo que aceitamos mudar o regulamento...
-Senhores, é Jhonie... E devo escrever a eles que os senhores se arrependem de serem turrões?
-Não...
-Devo escrever então que os senhores falaram sem pensar quando disseram que há sessenta anos fazem as regras e que isto continuaria sendo assim?
-Não...
-Então devo dizer que os senhores retiram o que disseram sobre a Ferrari não fazer falta?
-Também não...
-Então o que devo dizer?
-Diga que se eles quiserem me dar o voto de confiança e se inscreverem incondicionalmente, e grifa ai: incondicionalmente, eu aceito rever o regulamento.
-Que maravilha... Então eles se inscrevem sob este regulamento que ai está e os senhores aceitam, junto com eles, reverem o regulamento já para 2010?
-Isto... Finalmente o Jhonie entendeu... A gente revê o regulamento em 2010.
-“Em” ou “para”?
-Jonatas
-Johnie senhores... Pois não?
-Escreva a porcaria da carta e só. Cada um que faça suas interpretações. Não foi assim com o tal do “difusor” no regulamento deste ano? Depois a gente vê como é que fica...

9 de jun de 2009

Não valeu grande coisa, mas foi lindo

Tem horas em realmente não faz sentido... Acordar cedo; agüentar narrador mala; corridas por vezes monótonas; gente chata que vive perguntando como agüentamos assistir “aquilo”.
Tem vezes que é realmente difícil não dar razão aos detratores da F1 moderna.
Ainda mais agora, onde a política da categoria se impõe muito mais que as próprias corridas.
Nos entristece.
Mas quando vemos um piloto criticado - muitas vezes com toda razão – lutando com arrojo e determinação e coragem.
Melhor ainda quando a manobra é feita para cima de um piloto incensado pela mídia.
Se ele foi campeão mundial então melhor.
E não importa se está numa má fase e com carro ruim: Lewis Hamilton não desaprendeu.
Como quando, e guardem as devidas proporções - por favor, que a intenção aqui não é comparar pilotos ou carreiras – Senna, em 1984, na subida do Cassino em Mônaco, com uma carroça e sob chuva, ultrapassou o monstro sagrado Lauda como se este estivesse parado.
Nelson Ângelo Piquet, com a carroça da Renault, ultrapassou numa seqüência de curvas alternadas o campeão mundial, que também guiava uma carroça, diga-se.
Ali prendi a respiração, e sei que muitos também o fizeram.
E não valia nada.
É nestas horas que tudo passa a fazer sentido.
Até agüentar a politicagem...

8 de jun de 2009

Ava(ca)liações turcas - 1B é ruim, kebab nem tanto

Kebab é o nosso tradicional "churrasco grego" só que feito com carne de primeira.
Curioso! Um dos principais quitutes da Turquia é na verdade grego.
E o piloto brasileiro melhor colocado no campeonato é paraguaio...

Button foi novamente irritantemente perfeito, não erra nunca? Tenho até medo do tamanho da caca que vai dar no dia que ele errar...

-No começo ninguém acreditava em mim, agora já me respeitam mais...
-Quem, sua mãe?
-Não... A sua!
Pois é! Webber deixou de ser leão de treinos e já merece mais atenção. Pode até ter sua primeira vitória este ano.

Vettel, o favoritismo parece incomodar, porém este moleque ainda vai dar muito trabalho. Erros todo mundo comete e o dele não foi nada de gritante. Ainda deve uma grande corrida em pista seca. Mas sem duvida, é um piloto muito promissor.

-Rubens finalmente foi o primeiro heim?
-Não... Eu nem terminei...
-Então! Foi o primeiro a não terminar uma corrida com um Brawn GP...
-Poxa... Ponto pra mim então...
-Mas foi o segundo a abandonar a corrida turca, o primeiro foi o Fisichella.
-Eu só me f... nesta m...!

-Jenson Button? To procurando aqui, mas ta muito longe...

-Finalmente chegou na frente de uma Brawn hein filho?
-Pô pai, que bom que reconheceu...
-Não reconheci nada moleque, o carro em questão nem terminou a corrida!

-Mostraram sua namorada na TV!
-É mesmo? Mostra ai pra eu ver se sei quem é a menina que eles arrumaram...

-I feel good...
E Branw tá rindo à toa, vai ter o piloto campeão e ganhar o mundial de construtores:

Corrida na Turquia é sempre bonita...