30 de set de 2009

Para se proteger - Alonso na Ferrari

E em uma agência do Banco Santander... -Bom dia no que posso ajudá-lo?
-Io quero fazer uno... Má come chama quele negócio que se a vaca for pro brejo a gente ganha uns troco?
-Seguro?
-Si, si... Seguro... Como é que faz uno?
-Simples... A gente preenche uma proposta, submete a aprovação da companhia e se tudo correr bem a fazemos um contrato. O senhor recebe uma apólice como comprovante do seguro.
-Bom! Enton vamos fazer logo questa tal de proposta.
-Eu vou fazer umas perguntas simples para o senhor, vou preenchendo aqui a ficha com o perfil do segurado, ok?
-Si.

-Nome.
-Mio nome?
-O seguro é pessoal?
-Non, non... É para o negócio da famiglia que io represento.
-Ah! Um seguro empresarial?
-Pode ser...
-Bem e qual o nome da empresa?
-Ferrari.
-Como? – engasga o atendente.
-Má che? Ferrari cáspita! Non pode?
-Pode, pode... Só me assustei... O seguro é para a empresa toda?
-Non... Só para a scuderia de formula uno.
-E o senhor veio procurar logo o banco Santander? Quanta honra!
-Na verdade io vim procurar questo banco maledeto por duas razões...
-Pode dizer.
-Primeira: Son nostros patrocinadores: enton com certeza vai ficar mais barato.
-Bem... Podemos tentar claro! Depois de passar a ficha com o perfil... E o outro motivo?
-É que por causa de vocês nós aceitamos ter quelo Alonso como piloto.
-Mas ele é um dos melhores pilotos da turma atual, o melhor pós Schumacher, duas vezes campeão do mundo...
-Tá certo! Io sei... Mas é uno encrenqueiro...
-Desenvolve...
-Lembra quando ele estava na Renault? A prima vez?
-Sim, claro, ganhou os dois títulos.
-Com os carros daquele jeito né? Cheio de coisinha eletrônica e tal...
-Ninguém nunca provou!
-E precisava? Só cego que non via! E depois ele foi para a equipe rival prateada, lembra?
-Sim lembro...
-Quando ele estava lá foi um quiproquó dos infernos que ele e o outro bocudo lá arrumaram e acabou que a equipe foi punida, tomou multa, quase foi expulsa e o chefe de equipe deles foi assim... Digamos... Aposentado... Ai voltou para a Renault... Mais uma vez se meteu em uno vespeiro e deu no que deu! Equipe punida, ameaçada de expulsão e o chefe de equipe questa vez non escapou... – e faz com a mão o gesto de quem é degolado.
-Mas ele não sabia de nada!
-É o que ele diz né? Por isto io quero fazer questo seguro. Se ele aprontar alguma, ao menos estou amparado...

O atendente, mesmo a contra gosto preenche a ficha perfil e transmite à seguradora do banco a proposta de seguro.
Alguns minutos depois o correio eletrônico retorna com a seguinte mensagem:
“SEGURO NEGADO. MOTIVO: COM ALONSO NA EQUIPE O RISCO DELA SER ENVOLVIDA EM ALGUM ESCANDALO É ENORME, NÃO COMPENSA PARA A EMPRESA.”
Stefano Domenicali então respira fundo e pensa: “-Será que o resultado vai compensar o risco? Melhor procurar outra seguradora....”.

29 de set de 2009

I puchuclio!

Mark Young é grande fá de certo piloto brasileiro e foi ao circuito de Cingapura assistir a corrida que segundo ele, marcaria a virada deste piloto para cima de um inglês meia boca...
-É agora! Meu preferido vai pontuar e o inglês não! A diferença vai cair a um nível que pode ser completamente anulado na próxima corrida...
Disse ele ainda no Q2 do treino de classificação quando o inglês nem sequer se classificou para a superpole.

Era todo sorriso e nem sequer esquentou quando o brasileiro acertou o muro tentando tirar o melhor de seu equipamento. Coisa de quem não desiste nunca.

Então Mark passa o domingo ansioso para ir ver a corrida mesmo contra a opinião de todos seus amigos de que esta recuperação de fim de campeonato era fogo de palha...
-Não vai dar em nada, é muito ponto e pouco tempo...
-Mas o Raikkonen fez!
-Mas o Raikkonen tinha ajuda do Massa contra os dois Mclaren e neste caso é pau a pau... Com mesmo equipamento e pilotos que se equivalem...
Mark ia reclamar quando um amigo completa quase a queima roupa.
-Se equivalem na ruindade!

Chega à noite e Mark ruma para o circuito ocupando seu lugar na arquibancada logo a frente da saída dos boxes.
Vê as primeiras passagens e ri com satisfação em ver seu piloto à frente do rival e com dois carros entre eles.

E chega o momento do segundo pit stop, se sair na frente desconta mais dois pontos e isto é melhor que nada.
O brasileiro faz sua segunda parada antes do inglês o que deixa o deixa logicamente para trás, mas ele vai poder tirar isto quando o outro fizer sua segunda parada também.

Só que ele vê por um dos telões que o brasileiro para e não consegue voltar na frente.
Começa a ficar cabreiro...
Então vê que os freios do inglês soltam uma fumaça preta constantemente: sinal de problemas.
E nem assim o brasileiro encosta para passar e tentar tirar mais um ponto ao menos.
Nada...
Então o menino se levanta de seu acento, com uma bandeirinha com os dizeres: “I belive” e com o numero 23 aponta para o carro branco e amarelo marca texto com a logomarca da Virgin e grita:
“I Puchuclio!”

Mais tarde o brasileiro diz a imprensa que seu motor apagou e por isto não conseguiu uma diferença que o mantivesse na frente.
Todos desconfiaram e gritaram em uníssono: “I puchucliero!”

Não entendeu? Veja o vídeo até o final....

28 de set de 2009

Ava(ca)liações noturnas (não sei o que usar...)

-Aí o picareta! Cê vai pro inferno de tanto passar artista para trás...
-Yes... I can!

Lewis foi muito bem todo o fim de semana e mereceu vencer.
-Como foi vencer a noite. Lewis?
-Foi legal... E o Kova nem precisou bater!

Glock foi a melhor surpresa do fim de semana.
-Eu gostei muito, foi um segundo lugar mais foi honesto... Aqui é Toyota rapaz!

Alonso...
-Que papo e este eu não sabia de nada... E desta vez? O Romain nem me ajudou!
-E ano passado?
-O que aconteceu ano passado?

-Senhores... E quanto ao aquecimento global, ou o pré sal brasileiro?
Silencio Constrangedor...

Lewis: -Glock, cê é novo aqui, deixa eu te ensinar o que fazer com a champagne...
Glock: -Não precisa! Já aprendi com o Kimi.

-Vjay, eu sou que nem seus carros, de dia sou maravilhosa mas a noite...
-Hare baba! Então é um travesti?
Reporter alí atrás: -E mais um caso de falsidade na F1...

27 de set de 2009

Cingapura: Because the night belongs to us


Because the night belongs to lovers. Because the night belongs to us...
Por que a noite pertence a nós... Amantes da velocidade e da beleza.
Esta era a sensação vendo a corrida, que foi monótona é verdade, mas como espetáculo foi sensacional...

Louvamos algumas pistas por sua tradição, por sua história.
Lembramos dos grandes pegas entre feras do passado, alguns distantes outros nem tanto e por isto as adoramos.
Outras - como Mônaco – têm seu glamour e sua importância inconteste, apesar de muitas de suas corridas serem apenas uma grande fila indiana sem maiores emoções.
Mas quem pensaria em tirar a pista do principado do campeonato?

Com isto em vista começo a enxergar a corrida de Cingapura desta forma.
O espetáculo plástico proporcionado por esta pista é algo de tirar o fôlego. A beleza de algumas tomadas de câmera, o trabalho de iluminação e até os bumpers que espalham faíscas nas retas impressionam.
Arrisco-me a dizer – não sem uma boa chance de errar - pois tudo na F1 é volúvel – Cingapura veio para ficar!
E se outras corridas noturnas, em outra parte qualquer surgirem, terão esta como parâmetro.
Resumindo: apesar da falta de competitividade em pista, eu adorei tudo nestes dois anos.

E assim sendo à corrida, que é o que mais interessa...
Uma largada para lá de limpa, com um Hamilton fazendo dele o que se esperava: mantendo a ponta. Uma bela largada do Dick Vigarista mais mal informado da F1 e um salto bonito de 1B, conseguindo na largada ir para a zona de pontos e mantendo uma distancia de dois carros entre ele e seu principal adversário na luta pelo título.
Infelizmente sua estratégia não era das melhores e...
E nada... Que se dane ele, bem feito. (Hahahahahahahahahahahaha, Gasp, cof, cof).

Como dizia... Pista suja, extremamente suja, com folhas e poeira e uma saída de boxes que achei muito ruim, apesar de ter sido remodelada.
Tanto que num erro estranho a corrida – até então ótima – de Neto Rosberg foi completamente estragada. Escorregou, passou por cima da zebra e voltou ao caminho certo, mas não escapou de uma punição que o jogou bem para trás.
E como desgraça pouca é bobagem ainda tentou uma troca de estratégia, que não deu resultado.
Uma pena... Era a melhor chance de vermos um piloto da Williams no pódio, fica para a próxima, que torcedor da Williams não desiste nunca. Ou quase já que no caso do japonês eu desisti quando soube que ele ia pilotar para a equipe de Groove.
Corrida fantástica fez o alemão da Toyota com um segundo lugar muito mais que merecido, logo a frente do filho preferido de Briatore e de Sebastiam Vettel, que, assim como seu companheiro Webber e Jenson Button, tiveram problemas. O que nos mostra mais uma característica da pista: judia dos freios. A vitória de Hamilton, tida como certa desde a classificação e ameaçada – mas só um pouquinho – pelo piloto da Red Bull se confirmou e foi de certa forma a redenção após a rodada infantil no solo sagrado de Monza.
E agora teremos a volta de uma das mais fantásticas – se não a melhor – pista de todo o Oriente: Suzuka.
Uma pista de verdade, para pilotos de verdade e com corrida de verdade.

25 de set de 2009

Um trabalho bonito e bem feito

-Anselmo... Pega o Ron e vai cobrir um homícidio na Rua 45, coisa simples... Um cidadão não pagou divida de jogo e a máfia cobrou "daquele jeito"...
Anselmo, Ron e Mar Céu L´Onça.

O editor – Mar Céu L´Onça - confiava muito no trabalho da dupla, que já havia sido indicada ao premio Pullitzer por duas vezes.
Só não ganharam por que uma outra dupla de fotógrafos do concorrente jogou sujo. Enquanto um fazia o trabalho pesado e se estourava todo para conseguir resultados o outro ficava com os louros da vitória, e o pior: depois dizia não saber de nada... E assim paparam os dois prêmios a que nossos heróis foram indicados, até que um dia se desentenderam e foram descobertos... Mas esta é uma outra história.

Rumaram então para a Rua 45 não sem antes passar pelos cinemas da boca do lixo colher informações sobre o morto.
Entraram sem pagar pelo bilhete no cine Cahiers du Cinema, que antes fora um luxuoso palácio. Suas cortinas de tafetá grená, hoje carcomidas de traças, testemunharam exibições em avant-premiére dos filmes de Fellini ou Bergman, mas que hoje apresenta apenas comédias românticas americanas ambientadas na Inglaterra.

Enquanto Ron procurava seus informantes tradicionais, Anselmo se divertia pegando pipoca dos saquinhos de namorados desavisados.
Ele aproveitava enquanto o casal trocava beijos apaixonados, daqueles de encolher dos dedos dos pés...

-Hoje não tem ninguém aqui Anselmo... Que ce ta fazendo? – pergunta Ron.
-Comendo pipoca doce... Quer? – responde oferecendo as pipocas na palma da mão.
-Não, não... Mas nós não paramos em nenhum pipoqueiro, onde foi que arrumou?
-Poxa Ron... Estamos em um cinema, quer lugar melhor para pipoca?
-Eu to dizendo que não vi você comprar a pipoca... Só isto.
-E não comprei... É cortesia.
-De quem?
-Daquele casal ali... – e aponta com a lente da câmera, aproveitando e disparando outra foto sem se denunciar, dizendo: "– Essa é para meu acervo, trabalho autoral."
Casal do qual Anselmo pegou a pipoca.

Depois de procurar um pouco encontram Iriarte, um gringo que freqüenta o Cahiers desde sempre. Tudo vê e tudo sabe.
Figura onipresente em todos os assuntos da cidade.
-Conta pra gente o que você sabe Iriarte... – diz Ron
-Pero, io no sei de nada! – responde o gringo.
-Sabe sim... Conta pra gente, se você não disser nada vamos tomar este seu silencio como uma confissão de culpa... – deixa no ar Anselmo.
-Que es isso? Nem de brincadeira hã? Só sei que o defunto era jogador viciado. E azarado já que voltava pra casa só com la roupa del corpo!
-E sabe quem pode ter feito isto? – Ron quis saber mais.
-Pode ter sido muita gente... Mas exatamente io no sei...
-Tá valendo... Brigado, vamos pra cena do crime... Anselmo acerta com o Iriarte aí...
Anselmo então enfia a mão no bolso da calça e põe sobre as mãos espalmadas de Iriarte o seu conteúdo: um saco de pipoca doce esquecida por outro casal qualquer.

O bom amigo Iriarte.

Já na cena do crime os dois são parados pelo comissário Le Felipon e seu adjunto Oliver que os advertem: A cena era feia até para um jornal popular como o Le Sanatéur – onde os dois trabalhavam.
-Tem problema não comissário... O Anselmo é o melhor fotografo do mundo, nas lentes dele qualquer tragédia vira obra de arte! Até um defunto caloteiro. – Ron assegura.
-Está certo... Mas não há mais nada a investigar, já prendemos o assassino e ele já entregou o mandante.
-Foi crime de jogo né?
-Foi sim Ron... Quem te contou?
-Um pássaro... Que canta em portunhol... – entregou Anselmo.

Ao entrarem na sala onde jazia o corpo, Ron não se conteve e cantou “De frente pro crime” de João Bosco e Aldir Blanc: “-Ta lá um corpo estendido no chão...”.
Anselmo ameaça começar uma batucada na bateria do flash mas para. Ron também - melhor respeitar o presunto.

-Mas Anselmo, o comissário tinha razão... O cara tá muito mal... Veja só estas olheiras! E esta papada? Porra, um cara não iria querer aparecer assim na capa de um jornal nem depois de morto!
-Tem razão Ron! Principalmente depois de morto, que não pode se defender ou dar desculpa né?
-Pois é... Vamos dar um jeito aí...

Nisto entra no recinto a médica legista, atrasada como convém a todo bom médico legista, afinal, ele sempre descobre a doença, mas infelizmente, tarde demais.
Dra. Remédios cumprimenta os repórteres e diz que o trânsito estava horrível, no que os dois concordam, apesar de terem chegado até o local andando. Ela também...

-Foi assassinato por envenenamento! – diz ela
-Não... Foi um tiro no peito... Olha ali o buraco. – aponta Anselmo para o peito do morto.
-Sim, mas a bala estava envenenada! – retruca a doutora, que não gosta de ser contrariada.
-Ah! Claro... - concordam juntos, para não irritar a doutora.
-Mudando de assunto... A senhora tem aí um daqueles estojos de maquiagem? – quis saber Ron.
-Tenho! Mas para que?
-Precisamos para dar uma melhorada no aspecto do cadáver... Sabe como é... O Le Sanatéur tem certo nível... Não fica bem apresentar um defunto tão mequetrefe, tão reles...
Ela empresta o estojo aos dois e deixa a sala, com mais dúvidas do que quando chegou.
Anselmo e Ron fazem um trabalho perfeito com os pós, cremes hidratantes para pele e cabelos e um surpreendente creme de lifting facial que conferiu ao desencarnado até um sorriso.
Sumiram as olheiras, as rugas e até um bom pedaço da calvície que insistia em aparecer.
No dia seguinte a edição do jornal sai com uma foto enorme estampando a primeira pagina e ilustrando a manchete. “Morreu Bonito: gastava dinheiro que era para pagar a máfia com tratamento estético.”
E assim foram os dois indicados de novo ao Pullitzer.
Agora vai!
Texto feito com enorme ajuda de Anselmo Coyote, inclusive na escolha das fotos de Weegee.

E não perca neste sábado mais um programa da Rob Ao vivo com as ultimas noticias e comentários antes da corrida de Cingapura.
À partir das 4 da tarde o melhor da música e as oito da noite entramos ao vivo com o programa.
Neste link: http://robaovivo.listen2myradio.com/
Não perca!

24 de set de 2009

The Royal Chronicle I e II

Quando Elvis entrou nos estúdios da Sun Records e gravou um disco para sua mãe ele não estava inventando o gênero rock´n´roll. Este já tinha sido inventado por cantores e músicos que aceleraram o blues para além do rhythm and blues.
Little Richard e Chuck Barry já faziam estragos na cabeça da molecada com ele, porém eram negros e isto ainda era um empecilho para que fossem aceitos no grande mercado branco – e racista - americano.
O que Elvis acabou criando foi o produto rock and roll.
Pela primeira vez o gênero foi embalado e devidamente vendido a toda a população – branca - dos EUA e um pouco depois para o mundo.
Então já não era apenas a musica que sustentava as vendas dos artistas de rock, que agora já não atendia apenas por rock´n´roll, mas sim cultura pop.
Além da musica e da imagem, claro, havia a necessidade de gerar mais subprodutos para manter o interesse sobre os artistas.

Assim foi com Elvis; Beatles; Stones; James Brown; Led Zeppelin e até com Michael Jackson.
E o que fazer para continuar atraindo os olhares dos compradores para seus produtos? Mais e melhores discos? Seria bom, mas nem sempre é possível.
Por vezes os produtos oficiais são um tanto chatos e frustrantes, afastando o possível comprador e encalhando nas prateleiras.
Exemplos?
Quem em sã consciência diria que a trilha sonora de Yellow Submarine é um grande disco? Beatlemaniacos fanáticos não valem.
Será que alguém tem a coragem de dizer que os álbuns de canções natalinas de Elvis são imperdíveis? Duvido.
E o Presence do Led Zeppelin? Um balde de água fria.

E o que fazer para preencher a lacuna deixada por estes produtos não tão bons?
Um mercado negro, meio que de mentirinha!
Então tome subprodutos e criam-se lendas já que a produção era pequena e a distribuição cuidadosamente planejada para parecer coisa não oficial.
Criou-se então uma coisa chamada ‘oficial bootleg’ ou seja: “discos quase piratas” com versões alternativas e/ou com sobras de estúdios para este tal mercado.
Todas as gravações geram estes itens em maior ou menor quantidade e qualidade, e isto acaba determinando seu valor, importância e, claro, mantendo o artista sob as luzes.
Um dos mais celebres talvez seja The Get Back journal, com as gravações originais do álbum Let it Be do quarteto de Liverpool.

Mas o que isto tem a ver o titulo deste texto?
Fácil, são os dois ‘oficial bootlegs’ mais famosos do Queen, meu preferido.
Por quê?
Porque dão uma geral nos lados B de compactos, musicas que ficaram de fora das gravações originais e canções da fase pré-Queen de seus integrantes.
Então temos as famosas (?) gravações de Freddie como Larry Lurex e do Smile – grupo de May e Taylor com um certo Tim Staffel.

Começamos pelo Volume dois, o mais fraco. Veja que estes “pirateiros” tem planejamento de marketing e lançam até volume dois para garimpar uns trocos na cola do êxito do primeiro.... Mas vamos ao disco.Recheado com versões extraídas de compactos estendidos americanos e ingleses – E.P. – geralmente são versões alongadas e muito parecidas com as lançadas nos discos originais. Destaque mesmo apenas a versão muito diferente de ‘A kind of magic’; a eletrônica ‘A dozen roses for my darling’ e ‘Stealing’, esta uma espécie de impromptu, com letra alegrinha e instrumental esparso. Termina num coda que desconstrói a faixa.
Mas é pouco, se comprar não garanto satisfação e muito menos seu dinheiro de volta.

Já o Volume um... É onde o tesouro se encontra.Se você já tem os discos de carreira pode então passar batido pelas faixas mais conhecidas que estão em versões que pouco acrescentam, mas pare na faixa cinco: ‘I go crazy’ é um rock faiscante que foi b-side de ‘Radio Ga ga’ e não coube no clima de The Works - de 1985 - por sua força e peso.
‘Under pressure’ é uma versão gravada nos estúdios da BBC londrina, não tem David Bowie e quase nada da original.

‘Soul Brother’ é outro b-side e a voz de Freddie vai derramando-se dos auto-falantes e inundando o ambiente. Se tivesse sido lançada em Hot Space, de 82, talvez o disco tivesse melhor sorte.
‘A human body’ traz Roger Taylor nos vocais é o lado b de ‘Play the game’, magistral!
O blues - sim um blues – ‘See what a fool I’ve been’ foi o lado b de ‘Seven seas of rhye’. Mostra um Brian May cuspindo fogo com sua guitarra feita em casa. Um Mercury endiabrado como pouco se viu em uma canção das mais pungentes e lindas. Outra que salvaria o disco, no caso Queen II, de 1974
‘Mad the swine’ é provavelmente a primeira canção gravada pelo grupo no De Lane Lea Studios e seria a primeira musica com temática religiosa da banda: “Hold your hands and praise the Lord”... Diz a letra.
Como não entrou no disco Queen, de 1973 a primazia coube a ‘Jesus’ que fecha o álbum
‘Mad...’ ficou inédita até 1991 quando foi finalmente editada oficialmente num EP com ‘Headlong’ do álbum Inuendo.

Também está neste pirata o compacto gravado por Freddie antes do primeiro disco do Queen, com o nome de Larry Lurex. As canções são ‘Goin back’ de Carole King e ‘I can hear music’ de Phil Spector. Os instrumentos são tocados por Brian e Roger.
O Smile, grupo pré-Queen de Taylor e May gravou apenas compactos para o mercado americano e japonês e aqui estão todos eles. ‘Earth’; ‘Step on me’; ‘Blag’; ‘April Lady’ e ‘Polar bear’. Todas boas canções, mas sem a força de Mercury nos vocais, o Smile jamais chegaria a um décimo do sucesso do Queen. E cá entre nós que grande jogada foi trocar este Staffel por Freddie!
Tudo devidamente embalado com a aura de “pirata ma non tropo” e posto no mercado para atrair mais afccionados e disfarçar o gosto ruim de lançamentos menos inspirados.
É bom para a indústria e artistas e ainda melhor para nós.


Nossa rádio ainda não tem musica, mas quando tiver vai ser com a qualidade e importância do Queen e seus contemporâneos.
No momento o que temos é a mais nova edição da Rádio on Board, comigo e com Felipe Maciel, dando uma geral sobre os ultimos acontecimentos nefastos da F1 e também falando da próxima corrida, que será noturna - ao menos em Singapura - e sempre nos dá boas imagens, ainda que esta seja só a segunda da história... Ouve lá, comenta ai...

23 de set de 2009

Dois takes nada educados

Take one... Três estudantes de enfermagem estavam conversando dentro de um trem.
Uma delas era um pouco fortinha... Mais... Mais... Tá certo! Dane-se o politicamente correto! Era gorda pra ca**io e falava pelos cotovelos.
Com uma voz irritante não parava de tagarelar e dar palpite sobre o que quer que fosse posto à baila nas conversas que a circundava.
E creiam era circundar mesmo, nada de figura de linguagem aqui.Ao chegar a determinada estação as três levantam-se e uma delas, a mais magrinha, repara que a calça da gorda está suja à altura da coxa. Respingada de água provavelmente de uma poça atropelada por um carro.
-Pqp, tá tudo sujo! – gritou a magrinha.
-Ai que ódio! A calça branquinha.... E vocês? Também se sujaram? – pergunta a rolicinha
-Nós não...
-Por que só eu?

A frente das três um cidadão de meia idade, cara de enfado e aparentemente muito cansado observava a cena. Parecia trabalhar em construção civil.
Provavelmente não iria dizer nada, mas quando terminou sua ultima frase, a balofinha ficou-o encarando, como se pedisse sua opinião. Ainda que assim não fosse.

-Talvez seja por que em termos de área construída, a senhorita tenha mais que o dobro das suas duas amigas juntas... - disse ele com a cara mais simpática do mundo.

Quem sabe ela respondesse algo, se não tivesse ficado temporariamente fora do ar até ser puxada para fora do trem pelas amigas, que nem pareceram fazer força.


Take two. Entrou na casa da amiga e o cachorro dela já se aproximou dando saltos.
-Segura ele... Segura ele! – nervosa.
-Não se preocupa, ele não morde.
-Todo cachorro morde... - mais nervosa
-O Luci não!
-Luci? Um dog alemão com nome de Luci? É fêmea? – ainda mais nervosa
-Não... É macho, o nome é diminutivo de Lúcifer, mas é só um nome ele é bobão... Ai, gostou e você!
Neste momento o cachorro está cheirando a amiga de alto a baixo, e em partes digamos assim, nada convencionais.

-Mas ele ta me cheirando, tira ele daqui... Tira ele daqui! – se desesperando.
-Calma... Ele só está fazendo isto porque sentiu o cheiro do seu cachorro...
-Pqp! Eu não tenho cachorro, ca**aio! E mesmo que tivesse se acha que eu ia ter o cheiro dele na minha b****a ou na minha b***a? Tira ele daqui! – em pânico.
A dona da casa tira o cachorro mais que depressa antes que fosse necessário dar a amiga um Gardenal, ou ao cachorro uma camisinha...

22 de set de 2009

Pior é ser burro

[mode cinismo on]
Então ele foi banido... Ora, ora quem diria...
Ninguém no sistema solar poderia adivinhar este desfecho – tão rápido - para caso da “batida pero no mucho” nas ruas escuras – embora ultra bem iluminadas – de Cingapura.

Um cidadão tão honesto, tão brioso e tão inteligente... Imagina!
Onde é que alguém poderia supor que ele usasse componentes eletrônicos ilegais em seus carros?
Intriga...

Só porque as Benetton conseguiam largadas noventa por cento mais eficientes com um controle de largada qualquer e uma aderência para lá de eficiente com um tal de amortecedor de massa.
Vai culpar o cara disto?

E aquela história de ter tirado filtros do equipamento de reabastecimento?
Aquilo é um absurdo sem tamanho!
-Ah! Mas pegou fogo no carro do Jos Verstapen!
Mas poxa, com um piloto destes que carro não pegaria fogo?
De vergonha mesmo...
O carro lá, todo bem construído e vem um Verstapen da vida para pilotar... Tem que pegar fogo mesmo.
Até caminhão pipa, cheio de água pegaria fogo. Não se pode culpar o homem disto.
Um cara com um bom senso acima de qualquer suspeita.
Mas o pior é imaginar que possa ter arquitetado esta coisa de batida premeditada...
[mode cinismo off]

Quem viu aquelas fotos em que ele aparece de sunga de crochê (que me recuso a reproduzir aqui) sabe disto.
Parecia um torresmo de sunga, mas... Esqueçam esta história...
Aquelas imagens dão calafrios, engulhos...

Isto tudo que citei nem é tão grave, por estas coisinhas eu não excluiria Flavio Briatore da F1, mas pelo fato dele ter sido burro o suficiente pra ser pego.
Não vou nem mandar um tradicional: “Ah... Vá cagare!” por que ele já fez isto o bastante.

Agora sua carreira na F1 está morta e enterrada e só posso desejar que a terra lhe seja leve sobre o tumulo.
Tão leve quanto deva ser o Pão de Açúcar – com bondinho e tudo.

21 de set de 2009

Notinha do busão (inédita, elas voltaram!)

Mal embarco e sou saudado pelo Amaral com entusiasmo.
Voltei trabalhar, e por coincidência pego o mesmo horário de ônibus do antigo emprego e como esperava, lá estava o Amaral com sua indefectível cara de Zé Pequeno ao volante do coletivo.
Segundo ele eu estava fazendo falta entre seus passageiros, neste momento claro, os outros reclamaram.
Muitos já eram velhos conhecidos, outros começaram a embarcar no ônibus depois que eu parei, mas Zé se encarregou de falar de mim para todos.
Com uma boa dose de exagero, claro!

Disse que eu retratava situações do dia a dia com um humor acido.
Uma senhora – das novas passageiras – ergueu a voz e perguntou se a história do Amaral correndo com o ônibus e parando de repente em um boteco para comer uma linguiça frita e assim poder tomar um remédio para gastrite era verdade.
-É sim, mas ele não correu não... E se me lembro bem ele comeu um pão com manteiga. Não foi Amaral?
-Foi, mas você escreveu que era lingüiça... Ai ficou assim mesmo, ninguém acredita que foi pão.

Zé se sentou e ligou o ônibus, fechou as portas e saiu. Não sem antes me convidar a sentar em um dos bancos de idoso que ficam próximos ao motorista. Disse que em minha reestréia não pagaria passagem, e começou a falar:

-Sabe Groo, algumas coisas não mudam nunca! Já outras...
-O que houve Amaral?
-Nada, nada... Vou te mostrar umas coisas novas que apareceram nesta linha...
-Mostra ai...

Antes de cruzarmos a primeira travessa do caminho um senhor negro, aparentando muito mais idade do que talvez tivesse, emparelha com o ônibus.
É um trecho lento, em que geralmente há muitos carros e um farol se encarrega de parar tudo de vez a cada dois ou três minutos.

-Tá vendo este ai correndo Groo?
-Tô...
-Todo dia é a mesma coisa, ele emparelha com o ônibus e se eu acelero, ele acelera e quando eu paro ele continua. Quando paro de vez no farol ele corre e fica olhando para trás como quem diz: Ahá não alcança mais!
-E você o que pensa?
-Eu dou esta alegria pra ele, pensa bem... Com esta cara de velho subnutrido que ele tem, estes cambitos finos ce acha que ele chega na frente em uma corrida com quem quer que seja?
-Sei lá...
-Eu acho que não, quanto mais com um ônibus...

Dou uma risadinha da lógica – ou da falta – de sua resposta e pergunto se ele o conhece.
Ele diz que não, mas o povo do busão já deu a ele um apelido, e quando eu pergunto qual ele diz pra galera dar um salve pro corredor que naquele momento vai passando pelo coletivo que para no farol.
E a turma toda atende em uníssono:
-Aeeeeee Zé Bolt!

O cara sorri satisfeito e eu olho para o Amaral intrigado:
-Zé Bolt?
-É uai... Corredor a pé famoso no momento quem é?
-É... Tá certo... Usain Bolt...
-Então... Como não sabemos o nome dele vai ficar Zé Bolt mesmo.
-E se ele estivesse dirigindo um carro, Amaral?
Zé nem começa a responder e é cortado por um dos passageiros:
-Na velocidade que ele vai é batata responder! – e enfiando a cabeça pela da janela – Ai ô Badoer!

Ao descer do busão ouço de muita gente: Seja vem vindo!
Finalmente me sinto vivo de novo...

Going home, running home
Down to gasoline alley where i started from
Going home, and i'm running home
Down to gasoline alley where i was born

19 de set de 2009

Neblina, urina, senhoras... (Conto)

A neblina – densa - dava uma sensação esquisita de proteção.
Os três estavam envoltos no nevoeiro conversando desde a meia noite e agora já passava das duas e meia da madrugada..

Estavam nas ruas da cidade desde o inicio da noite, passando de bar em bar e conferindo o que rolava em cada um deles.
Passaram por rodas de samba muito meia boca; apresentação de uma big band de jazz e um monte de bandinhas de covers rock´n´roll.

Tudo era festa naqueles tempos, eles eram jovens, o mais velho – Rodrigo - estava com 21 anos, embora o tamanho do corpo apontasse uma falsa impressão de muito mais.
E os outros dois não ficavam atrás...
Silvio, o mais novo - tinha dezenove - era o maior deles todos.
Alto, corpulento, mas muito gentil nos modos e nas palavras, sempre.
Bruno, o do meio com vinte anos, dificilmente saia de casa, era muito tímido.
Rodrigo ao saber que desta vez o amigo também iria com eles para a noitada, comentou com Silvio que era capaz de acontecer alguma coisa diferente: “-Ele vai? Vixe! Vai ocorrer uma tragédia qualquer!”.

Talvez não fosse para tanto, mas realmente não era comum que Bruno ficasse fora de casa após as nove da noite e nunca se entendeu por que...
Enfim, foram e nada de anormal ocorreu até a volta quando já cansados da peregrinação pelos bares resolveram voltar para casa.

O caminho, obrigatoriamente, passava primeiro à frente da casa de Bruno, e lá se deixaram ficar conversando.
Animados e com uma quantidade considerável de refrigerantes no estomago - só para sublinhar como os três eram “coxinhas” – a bexiga urinária alguma hora daria sinais de existência e esta hora se manifestou primeiro em Silvio.

-Acho que vou tirar a água do joelho...
-Mas logo na frente da minha casa? Pelo menos atravessa a rua pô!
-Ih... Frescalhou? Eu sempre mijei aqui porra?
-Mas vai mijar do outro lado hoje...
-Tá... Com esta neblina toda eu faria até no meio da rua...

Rodrigo - como é comum tanto aos que mijam como aos que bocejam - de repente sente a mesma vontade irrefreável de urinar.
Logo Bruno também se junta a eles e num instante estão os três do outro lado da rua, encobertos pela neblina inocentemente... Mijando.

-Numa hora destas que se pensa que a vida é simples né.... Maior sossego...
-Tranquilidade... Né Brunão?
-Sei não... Do jeito que a gente é, é bem capaz de aparecer um monte de gente ai agora mesmo...

Os protestos de “agourento”, “medroso” e outras palavras menos elogiosas iam se perdendo entre risadas quando...

Vou tentar explicar o que houve na visão dos três, já que o que aconteceu de verdade é um tanto monótono:
De repente a neblina se dissipou, uma lua cheia muito redonda e excessivamente brilhante se fez presente iluminando a cena como se fosse o sol.
Do lado esquerdo da rua surge um grupo de pelo menos vinte senhoras evangélicas vindas de uma vigília em seu templo. Ao mesmo tempo em que do lado esquerdo uma fila de carros com faróis de milha e buzinaço completando o serviço que a luz já fazia.
Os rostos assustados e os olhos arregalados mostravam que ao menos indignadas as senhoras haviam ficado - ficará a cargo de vocês interpretarem com o que, e desde já digo que a maldade neste caso é permitida – e correram para o mesmo lado de onde haviam vindo..
Os rapazes ainda mais assustados se atrapalham todos ao tentar cortar os jato e guardar os utensílios, fazendo assim aquele chamado serviço porco. Coitadas das mães que teriam de lavar aqueles jeans...
Atravessam a rua novamente, curiosamente já envolvida pela neblina que afinal nunca os havia deixado e abrem o portão ficando assim dentro da propriedade da família de Bruno.
E aqui volto ao que realmente aconteceu...

Algumas risadas nervosas entre eles, e um nervosismo nem um pouco engraçado dentro da casa.
A mãe de Bruno - assustada com os barulhos em seu portão - chega à janela para espirar o que ocorre e – mais uma vez por culpa da neblina – não reconhece o filho e os dois amigos.
Sem perder tempo pega o telefone e liga para a policia que não tarda a chegar.
As luzes do carro da PM iluminam os três que conversavam calmamente e eles claro, se assustam!

-Os três ai... Devagar! Vão saindo daí e se encostando no muro aqui fora... Deixem as mãos onde a gente possa ver!
Mesmo sem entender nada eles obedecem, nem são loucos de questionar homens armados àquela hora da madrugada.

Com o peito encostado ao muro os três são revistados e o policial militar chega a estranhar o fato dos três estarem úmidos na região pélvica, mas acha melhor não dizer nada para depois não ser acusado dentro da viatura de apalpar os revistados com outras intenções...
Outro policial se encarrega de checar as carteiras de identidade enquanto um terceiro vai até a porta da casa conversa com a senhora que os chamou.
Ela vem até o portão ver exatamente do que se tratava, já que o PM havia dito que um dos três disse que morava na casa e por isto estavam do lado de dentro dos muros.

Ela os reconhece de imediato, agradece aos policiais, que devolvem os documentos pedindo a todos um pouco mais de cuidado e zelo ao requerer os serviços da policia militar.
E quando voltam à viatura para enfim retornarem a ronda – ou as cervejas dirão os maldosos, que a maldade ainda está liberada nas interpretações – tudo parece resolvido.

Os rapazes vão se despedindo enquanto a mãe de Bruno se recolhe e ao se afastarem ouvem novamente:

-Vocês três ai... Mãos no muro e pernas abertas...
Junto com os novos policiais militares estão algumas das senhoras lá do inicio da confusão.

-São estes ai sim... São eles que ficaram se exibindo pra gente...
-Mas seu guarda... – diz Rodrigo
-Senhor policial rapaz... – corrige o PM.
-Então... A gente não tava se exibindo... A gente estava mijando, que culpa temos se elas apareceram?
-Mijando?
-É... Inocentemente! Tanto que quando elas começaram a gritar a gente teve maior trabalho pra cortar o jato e... Bem o senhor sabe...
-Ah... Sei... E vocês têm como provar?

Então os três, ao mesmo tempo erguem as camisetas e mostram a mancha escura à esquerda do zíper...

-Sargento... Tudo resolvido. A gente não pode fazer nada... Vou liberar os meninos e o senhor libera as senhoras ai...
-Tem certeza? Não dá pra enquadrar eles em nada?
-Só se for falta de higiene pessoal... E acho que isto nem é crime...
E virando para os três...
-E vão pra casa tomar um banho e trocar de roupa... Molecada nojenta....

Mais que depressa os três se despedem e somem naquela neblina densa pensando: “-Eis aí a tal tragédia...”.

18 de set de 2009

De pedras, resultados, fins e meios

Era uma vez uma empreiteira chamada Horrivelnault que ganhou uma concessão para construir uma auto estrada: a Don Fernando I em Cingapura. Para isto chamaram seu mestre de obras Joaquim Safatore e o chefe de engenharia Patrício Simão que fizeram os planos e todas as plantas, croquis e maquetes da obra.

Imaginaram auto estrada de sete ou oito vias, que era para ficar igual ou maior que a Schumacher Autobahn, da Alemanha.
Todas bem pavimentadas, bem sinalizadas e quem sabe, com bom retorno vindo dos pedágios.

Então foram a campo junto com toda sua equipe para começar a construção e acabaram por se deparar com uma enorme pedra - considerada histórica - conhecida como “Pedra da ética”, bem por onde passariam com as maquinas, paralisando todo o serviço.

Preparavam-se para explodir a pedra e continuar com os trabalhos quando receberam a visita de um representante do ministério do meio ambiente com documentos onde se podia ler a lei que proibia que se explodissem pedras daquele tamanho e importância em zona urbana.

-Ora pois? Se não é possível se remover a pedra como e que nós vamos construir a auto via? – Falou Joaquim.
-Pois é, disse-o bem! Como poderemos fazer o trabalho? – completou Patrício.

-Eu não disse que não podem remover... Só disse que não pode explodir, se tirarem ela daí sem quebrá-la pode continuar a obra... – disse o representante do ministério com uma piscadela cúmplice.
Ao ir embora deixou o texto da lei nas mãos dos dois.
Então eles leram, e leram, leram e leram mais uma vez, procuraram brechas jurídicas de todas as formas e por fim repararam em uma única clausula que lhes podia ser favorável.

Lá dizia que a pedra poderia ser quebrada por acidente e se assim fosse, então não seriam aplicadas as sanções cabíveis.
Mas como provocar um acidente que quebraria a pedra toda, mas sem parecer armação?

Então resolveram chamar um de seus peões Manoelson Jr. e lhe passaram a missão.
-Gajo, tu tens que ir lá e fazer este pequeno serviço para nós... Tu vais quebrar apenas uma lasquinha da pedra. Entendeste? Apenas uma lasquinha... Disse Flavio.

E lá foi Manoelson Jr. fazer o trabalho com apenas uma talhadeira e um martelo para tirar uma lasquinha de uma pedra enorme, de mais de uma tonelada.
-Mas por que tu escolheste o Manoelson? – quis saber Patrício.
-É que ele é incapaz de fazer algo certo, estamos a mais e um ano e meio mandando-o fazer a coisa certa e ele nunca faz! Quem sabe se mandarmos fazer algo errado... Entendeste? - respondeu Joaquim piscando e recebendo de volta um sorriso de aprovação.

Manoelson então colocou a talhadeira na pedra e com o martelo desferiu um golpe.O que era para tirar apenas uma lasquinha da pedra acabou por pulverizar a pedra toda, um trabalho mais perfeito do que se fosse feito com dinamite!

No dia seguinte aparece o representante do ministério e fica incrédulo com o que vê.
Convida Manoelson a explicar o acidente que destruiu a pedra totalmente, e ouve dele que foi idéia de seus chefes.

A empresa então é ameaçada da perda da concessão e para se livrar do processo demite os dois chefes imediatos de Manoelson, que também foi demitido.

O curioso é que a auto estrada Don Fernando I ficou pronta e ninguém nunca a contestou.
Sinal de que no fim das contas os fins justificam os meios, ainda que se quebrem pedras históricas e rolem algumas cabeças...

E está no ar mais uma edição da Rádio Onboard, com o melhor do GP de Monza; o quadro jogo rápido e a presença de Felipe Midea, que novamente substitui Fabio Campos, que pelo que sabemos virou monge trapista no Tibet.
Como sempre Felipe Maciel e eu levamos a rádio até vocês, espero que curtam e comentem.

17 de set de 2009

Mafiosos, gangster e caricaturas

Que Briatore era gangster todos sabiam, só o que ninguém nunca atentou é que ele era um gangster de filme de comédia, sátira, caricatura.
Tudo que ele fez foi descoberto, ou quase... Vai saber no que mais ele poderia estar envolvido, não é?
Basta lembrar que ele era o chefe de Michael Schumacher no titulo que ganhou em 94 com um acidente suspeitíssimo envolvendo Damon Hill, não por acaso rival direto na luta pelo caneco.

Desde usar testa de ferro para conseguir motores Renault para a Benetton, que se não é errado ao menos é pouco ético; colocar equipamentos eletrônicos proibidos nos carros e até burlar sistemas de segurança para reabastecimento. O que causou um incêndio enorme no padock tendo como ponto de partida o carro de Jos Verstapen.
Tudo foi descoberto, tudo foi esclarecido.
Algumas falcatruas foram punidas brandamente outras nem isto.

Agora este caso com o Twitinho também descoberto.
É ou não um gangster trapalhão...
Ou muito burro!
Por outro lado há gangsteres mais bem sucedidos na F1.
Tudo apenas suposição, apesar de alguns jornalistas graduados e laureados apostarem firme na hipótese de que tudo que aconteceu nos últimos tempos faz parte de um plano urdido pelo chefão da FIA (Fernando International Aid) para vingar-se dos mafiosos rivais que armaram para cima dele.
Tentaram e até conseguiram minar-lhe o poder por meio de uma matéria feita em um tablóide inglês que de tão surrada que nem vale a pena rememorar.


Segundo estes nobres jornalistas, Max Mosley até prometeu se afastar do poder, mas não sem antes conseguir a cabeça dos que tentaram contestar sua força.
Estaria por trás da decisão de Ron Dennis em se aposentar - não antes de ganhar mais um título mundial e assim sair por cima – e agora aproveitou a onda para surfar na vingança novamente e conseguir a cabeça de Flavio Briatore.
Chegou até mesmo a oferecer a delação premiada ao Pat Symonds para que a única cabeça que rolasse fosse a do capo italiano.

Eis ai a diferença entre os dois tipos nefastos: a eficiência.
Enquanto um arruma encrencas que não consegue esconder, o outro se traveste de vingador e na surdina vai derrubando quem o humilhou.

Se eu acredito nesta hipótese?
Não faz diferença...
Como naquele comercial que dizia que nada era importante, apenas o prazo sem juros de seu cheque especial, aqui o que importa é que ao menos um pulha já está fora, e não é o Ron Dennis.

Vamos lá irmãos, todos se dando as mãos e dizendo: Glória!

16 de set de 2009

A volta e o alvo

A VOLTA
Houve uma época em que se tornou imagem comum ver um genial maluco jogando seu chapéu para o céu quando um de seus pilotos cruzava a linha de chegada vencendo uma corrida, claro pilotando uma de suas criações revolucionarias.
De tão genial este maluco acabou por se tornar lenda e legenda no automobilismo.

Seu nome e o da sua equipe – a Lótus - se tornaram sinônimos de vitórias, aliado a outros nomes do porte de Jochen Rindt, Grahan Hill, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti e principalmente: Jim Clark.
Que para muitos é o maior piloto que já se sentou em um carro de corrida e pode ser considerado o maior parceiro de Collin Chapman, o gênio em questão. A equipe sobreviveu com alguma dignidade após a morte de seu dono por um tempo.
Ainda passaram por suas fileiras gente do calibre de Nigel Mansell, Mika Hakkinen, Nelson Piquet em fim de carreira e outro tido como melhor do mundo: Ayrton Senna. Em minha opinião, modesta... As carreiras de Jim Clark e de Ayrton Senna se equivalem, apesar de ambos terem pilotado em épocas distintas. Cada qual foi maravilhoso em seu tempo, quando guiar um F1 era mais que dar voltas em fila indiana e se contentar em fazer voltas rápidas para ganhar tempo na estratégia de parada de boxes... Era coisa para homens e não meninos.

Por este e outros motivos vejo com certa reserva a volta do nome Lótus à F1, nada mais vai lembrar a equipe responsável por todas as rupturas na forma de se projetar e construir um bólido de corridas.
Nada mais – só o nome mesmo – vai lembrar que um dia Collin Chapman era o cérebro por trás de tudo.

Para ficar completo o revival sinistro, deveriam também por um malaio para jogar ao alto seu chapéu, turbante ou seja lá o que tiver sobre a cabeça quando um de seus carros cruzar a linha de chegada e não for em ultimo, claro...
O ALVO
Agora ficou claro, o alvo era Flavio Briattore, e pelo jeito não era só alvo dos Piquet, pai e coisa.
A FIA (Fernando International Aid) aventou a possibilidade de estender o beneficio da delação premiada a Pat Symonds para que este conte o que sabe da patacoada de Cingapura.

Oras! Até onde sabemos as chances de que Pat seja um dos pais da coisa (não do coisa, que este é o Nelsão) são enormes.
Ou pelo menos tão grandes quanto as de Safatore...
E ai... Ele conta e vira dedo duro?
Então teríamos três alcagüetes juntos na mesma história: Nelsinho, Symonds e Fernandito, ou será que todos se esqueceram que ele foi beneficiado pela mesma caguetagem progetida no caso da espionagem da Mclata?


Mas vai vendo, este negocio de deduragem rende bem... Fernandito vai acabar mesmo guiando uma rossa - mesmo depois de espiona-la -, enquanto Nelsinho pode estar no grid ano que vem apesar de tudo e quem sabe não sobra a Symonds ficar como único chefe no pit wall da Horrivelnaut?
Alguém ai se habilita a caguetar alguma coisa nos comentários?
Editando:
A FIA (Fernando International Aid) conseguiu o que queria, a Renault degolou Flavio Safatore e Pat Symonds. Amanha uma analise sobre as forças ocultas da F1, quem ganhou e quem perdeu
.

15 de set de 2009

Notinha do busão...

Há alguns meses não via o Amaral, vulgo Zé Pequeno.

Para quem não se lembra ele é o motorista da linha de ônibus que eu usava todos os dias para ir trabalhar.
Nos encontramos no supermercado e ficamos rindo das coisas que aconteciam no interior daquele ônibus.


Fiquei com saudades e resolvi rpublicar novamente uma das mais surreais que presenciei.
Aos que leram, matem a saudade junto comigo e aos que não leram vai servir para ter uma idéia do que acontecia...
Boa leitura!
"-O cachorro não pode embarcar não!" – disse Zé Pequeno ao ver aquele homem de óculos escuros e um cachorro parado em frente à porta dianteira de seu ônibus.


O homem sequer esboçou protesto, ficou impassível e calado diante da porta.
O cachorro idem.
Alguém lá do fundo do ônibus - uma mulher provavelmente - observava a situação pela janela e levantou a voz em auxilio ao homem:
"-Não tá vendo que é cego? Olha o cachorro!".

Zé então olhou para seu cobrador, um moleque novo e com cara de estúpido, como quem procura consentimento.
O moleque dá de ombros. O problema não era dele.
Então Zé pede para que o homem embarque e ainda o ajuda a sentar-se naquele banco de um só assento que fica quase ao lado da cadeira do motorista.
O cão se deita aos pés do cidadão e ali permanece.
Zé vai devagar, tomando excessivo cuidado. Não deixa que o coletivo balance muito nas curvas, reduzindo além do normal.
Alguém lá do fundo então grita:
"-Ô Zé! P*rr*, é cego, mas não ta grávido não c*ralh*! Acelera esta estrovenga ai!".

Zé então volta a rodar perto da velocidade normal.
Alguns minutos depois o homem se levanta e vai até ele, gesticula um pouco e Zé entende, para o ônibus no próximo ponto, defronte a uma banca de jornal.
O homem desce e Zé fica esperando que outros passageiros embarquem.

Curiosamente o homem de óculos escuros fica diante da banca de jornal como quem olha manchetes.
De repente tira os óculos e chega mais perto de um exemplar da Folha que estava exposto, saca o dinheiro e compra o jornal.
Zé indignado levanta-se, vai até a porta e grita com o homem:
"-Ô... Que isto? Não é cego?".
E o homem responde:
"-O cachorro é!"

Um silêncio sepulcral, que domina o coletivo até o ponto final, quebrado apenas pelo ronco do motor.
Alguns juram que ouviram Zé Pequeno rosnar varias vezes...

14 de set de 2009

Ava(ca)liações Italianas - Quem perde sai

Este Tchauzinho é para Webber e Vettel, que sairam da briga pelo título: Quem perde sai.

Quem perde sai/Fica só quem sabe jogar/Cada um que saiba de si/Pague e desocupe o lugar
Não quero aqui te chamar de otário/Mas você já tá fora desse páreo/E o que é hilário,você já perdeu sua mansão.

-Como está se sentindo?
-Estranho... Nunca aconteceu tantas vezes num ano só... Não que eu me lembre.

-Como se sente?
-O Barrichello....

-Como se sente?
-Não sei... Tem mais champagne?

-Como se sente?
-Um estupido...

Uma visão do inferno...

-Você sabia que o 1B ainda pode ser campeão?
-Hahahahaha, fla sério... É verdade isto? Gente....

Tradução da faixa: Kubica, mas de novo?

-Você acha que o Rubinho ainda pode ser campeão?
-Claro, também acho o mesmo do Badoer, hahahaha. Por que cê não tá rindo?


-Eu dedico esta vitória a estas meninas que são caixas do Santander lá em Franco da Rocha.

Vitórias as vezes fazem mal... Olha ai o ataque epléptico.


-Vjay, se o Rubinho for campeão ele pode se jogar no Ganges pra agradecer?
-Poder até pode, mas acho que o rio devolveria...