31 de out de 2009

Onde andaria Takeo Fukui, diretor executivo da Honda F1?

No principal portão de entrada do circuito de Yas Marina em Abu Dhabi dois fãs esperam para tomarem seus lugares nas arquibancadas.
Devidamente munidos de câmeras fotográficas, binóculos e –claro – seus ingressos para os treinos e corrida, Coyote e Marcelo conversam animadamente.

-Lugar bonito este, heim? –diz Marcelo.
-E dizem que até bem pouco tempo atrás era um enorme deserto. – responde Coyote.
-O que não é a força da grana, não?
-Pois é... Já dizia Caetano...
-Pode crer, mas, mudando de assunto: tá com fome não?
-Agora que você falou... To sim. Vamos comer onde?
-Sei lá, andei vendo as comidas típicas aqui e não fiquei muito empolgado, pensei em comer um lanche qualquer, um “Jesus me chama”.
-Será que aqui tem “churrasco grego”?
-Não deve ter, mas mesmo que tivesse não seria muito legal...
-Por quê?
-Aqui é muito limpo!
-Não entendi...
-Simples, os melhores “churrascos grego” ficam onde o lugar é mais sujo... Quanto mais mosquinhas em volta, pode crer. Melhor o sabor do lanche.
-Cê tá zuando?
-De jeito nenhum.... O sabor do “grego” na Avenida Paulista, por exemplo, é completamente diferente daquele vendido na região da Estação da Luz... Nem se compara!
-E vai dizer que é pela limpeza do lugar?
-Sem duvida... Acompanha... Se o do conjunto Nacional na Paulista – por ser um lugar mais limpo – já tem um gosto diferente, meio... Sem graça, imagina o daqui com toda esta limpeza. Deve ser insípido!
-Bem, Coyote... Usando esta tua lógica doida ai... Seria mesmo. Mas aqui também tem lanchão na calçada... Olha ai um monte de barraquinha... Tem hot dog, tem pipoca... E olha lá! Tem até uma barraca de sushi!
-Que beleza! Adoro comida japonesa...
-Cê tem coragem?
-Claro... To com fome e aqui é tão limpo que é capaz do peixe ser mesmo fresco. Vamos lá?
-Vai você... Tô fora. Um instante depois e Coyote está na fila para comprar uma porção de sushi.
-Cê fala inglês? Do you speak english?
-Non plecisa! Eu entendo sua língua...
-É brasileiro?
-Non, non... Eu sou zaponês mesmo, né? Mas antes de vir tlabalhar aqui eu ela alto executivo de uma glande emplesa. Falo oito línguas...
-Que maravilha, que beleza! Isto que é globalização... Um alto executivo japonês, poliglota, que faliu e veio ser camelô de comida nos Emirados Árabes Unidos....
-Camelô non... Plofissional libelal!
-E como veio parar aqui vendendo sushi?
-Algumas decisões eladas, né?
-Ah tá, claro… Bem… Eu quero uma porção de sushi, e cê tem saquê?
-Tem non... Aqui é ploíbido vender bebida alcoólica, né? Mas tem ki-suco.
-Ki-suco?
-Pla baixar custo, né?
-Ah.... Então me vê ai uma porção de sushi com o ki-suco mesmo... Embora eu ache que está é mais uma decisão errada sua, mas.... Enquanto o japonês se afasta para preparar os peixes crus Marcelo se aproxima.
-Ei Coyote... Vem cá... Este japonês não me é estranho, não sei exatamente quem é, mas é conhecido...
-Desencana... Japonês é tudo igual.
-Não, não... Ele é conhecido mesmo... Acho que já sei quem é... Vamos fazer uns testes, me acompanha.
-Beleza...

E mudando o tom, Marcelo fala mais alto para que o japonês ouça a conversa:
-Cara! O que foi esta temporada, heim? Uma equipe que saiu daquele lixo que era a Honda ganhou os dois títulos, pilotos e construtores.
O japonês começa a prestar atenção na conversa enquanto fatia o peixe.
-Aposto que muito japonês da Honda foi demitido quando a Brawn começou a ganhar... - o japonês faz cara de contrariado - Principalmente aquele tal de Takeo Fukui! Aquele deve estar arrependido até o ultimo fio de cabelo... Vendo o sucesso do projeto que ele deixou pra lá...
E espetando a faca na tábua onde cortava o peixe com violência o japonês diz:
-Ah pala, né? Até palece que você nunca tomou uma decisão elada na vida! Como eu ia saber que o plojeto ela bom? Non tenho bola de clistal, né? E vão embola! Non tem sushi pla vocês aqui non... Assustados com a reação eles deixam a barraquinha em direção a entrada do circuito, depois da explosão do japonês, até a fome perderam...
-Não disse que eu conhecia ele de algum lugar... Diz Marcelo.
-Pqp... Conhecia mesmo...

E não perca neste sábado a Edição de Abumdabe da RoB Ao Vivo, com os comentários mais sagazes e pertinentes da intenet. Tá bom... Não é tanto, mas que é legal falar assim é!
À partir das seis da tarde estarei discotecando (DJ Ron é a mãe!) com o melhor - e o pior - da música e as oito da noite Felipe Maciel, eu e provavelmente um convidado começamos a falação!
Neste link aqui: RoB ao Vivo!

30 de out de 2009

Quando o stress fala mais alto II

Dia destes contei de um sujeito estressado com uma revendedora de cosméticos e com um treco lá... Um tal de ‘alargador de cútis’...
Pois bem, o sujeito voltou a ter problemas, mas, com outro objeto.

Era sábado e já passavam da seis da tarde quando um ‘pinga-pinga’ debaixo da pia da cozinha começou a enervar o cara.
Aquela ‘aguazinha’ escorrendo pelo piso tinha que parar.
Pegou a caixa de ferramentas e foi à cozinha para examinar o encanamento verificando que o vazamento vinha do sifão, para ser mais exato de uma rosca que prende o sifão a cuba da pia...
-Ah! Ta fácil, é só dar uma giradinha aqui... E... – crack! – Ai... Ferrou!
Quebrou a rosca! Agora sim...
O ‘pinga-pinga’ se transformou num fio de água mais forte e aquela ‘aguazinha’ agora era uma pequena poça.
-P.q.p! Mas... Se eu passar uma colazinha aqui? Vai ficar bom! Um super bonder aqui e... Ahá! Grudou!
Passou a cola na peça sem ao menos tirá-la do cano e colou a rosca também nos dedos dele.
Puxou e não saiu, puxou mais forte e de novo nada. Puxou com mais força ainda e arrancou dos dedos a pecinha quebrada, porém, com a força que usou e a falta de jeito e espaço, arrancou também o encaixe do sifão na pia.
O fio de água já era agora um jorro e a pequena poça era então uma grande poça.
Ao tentar recolocar o sifão quebrou a conexão dos canos e o que era um jorro virou uma enxurrada e o que já era uma grande poça virou então um pequeno lago.

Limpou e secou tudo, recolocou o encaixe na pia e a rosca no encaixe. Uns tabefes para encaixar direito e o teste para saber se não esta mais vazando.
Abre a torneira; tapa o ralo; enche a cuba da pia com água e destapa o ralo... E como num passe de mágica toda água que deveria descer pelo sifão escorre pelo chão da cozinha sujando tudo de novo.
Os nervos já a flor da pele. A única coisa a mão é uma chave de grifo que até agora não fora usada. Virou um taco de basebol em suas mãos, os golpes repetidos e fortes destruíram todo o sifão, peça por peça até que ele ficasse inutilizável.
Até que nem lembrasse mais, nem de longe, um sifão.

A respiração ofegante e um sorriso maníaco no canto dos lábios apontava que o stress ia diminuindo gradualmente. Só que agora percebeu ser realmente necessário comprar um outro sifão para a pia.
Mesmo já passando e muito das sete da noite e sabendo estarem fechadas todas as casas de material de construção, resolve sair e tentar comprar um.
No mínimo relaxaria com o passeio.
Distraído, não troca nem de camisa que, aliás, estava com um cheiro horrível da água suja que estava nos canos.
Sai fedendo e volta pior.

Como já era de se esperar não encontra nada, apenas bate perna.
Entra em casa, passa pela sala onde estavam seus filhos que já o olham com certo espanto divertido, passa pelo quarto onde está sua esposa.
Ela nem pergunta nada, já o conhece o suficiente para entender suas explosões de mau humor.
Na cozinha, que a esposa já havia arrumado, põe um balde para aparar a água da pia e vai tomar um banho.
Limpo e com roupas de dormir, relaxa.

No domingo pela manhã espera a esposa ir para a igreja e decide que vai consertar a pia custe o que custar.
Lembra que, perto de casa - um ou dois quarteirões à frente - existe uma casa velha abandonada e que imagina ele deva ter um sifão velho que vai quebrar o galho até segunda feira quando, enfim, poderá comprar um e fazer a substituição.Não é preciso dizer que é uma idéia de jerico, afinal se houver um sifão na casa, deve estar tão velho e quebrado quanto a própria.
Chega à casa e vê uma janela aberta, é por lá mesmo que vai entrar. Com um esforço considerável passa pela janela.
Procura a pia para tirar o sifão e nada percorrendo todos os cômodos e apenas no que devia ser o banheiro acha a peça.
Claro é menor, mas é só para ‘quebrar um galho’ mesmo...: "-Deve dar.".
Volta para o cômodo pelo qual havia entrado e descobre - espantado - que lá era a cozinha e que ao entrar pela janela saltara sobre a própria pia.
Os suores frios da noite passada voltam a aparecer, mas controla-se e espantosamente consegue tirar o sifão – todo torto, diga-se – da pia e se prepara para subir na mesma e sair pela mesma janela por onde entrou.
Com mais dificuldades ainda, consegue sair arranhando-se todo e para não sair pelo mesmo lado que entrara na casa - por não querer acusar-se do que tinha ido fazer lá – vai na direção contrária.
Descobre então que no comodo que seria a sala de estar da casa - e muito provavelmente sua entrada principal - não existiam batentes, muito menos uma porta.
Respirou fundo, tremendo, mas foi adiante.
Instalou o sifão surrupiado e todo torto debaixo da pia de sia casa.
Abriu a torneira e viu o ‘pinga-pinga’, igualzinho ao que dera origem a todo o imbróglio continuava. Mas tudo bem era apenas provisório.
Na segunda-feira a noite volta para casa com um sifão novo em folha.
Sanfonado! Ultimo tipo...
Sorri satisfeito, arranca todos os canos velhos e instala a peça nova... Primeiro na saída de água da parede; estica o cano sanfonado; faz a curva para contenção de odor e ‘rosqueia’ no ralo da pia.
Executa o teste padrão e... Ainda pinga...
Quando ja ia à busca da chave de grifo para ‘resolver’ o problema, sua esposa que até ali apenas assistira toma as rédeas da situação e - retirando a peça da pia - instala uma borrachinha de vedação que ficara esquecida em cima da mesa.
Agora não pinga mais, e de novo ela acha melhor não falar nada...

29 de out de 2009

Mademoseille

O saco já andava por transbordar por ter de tocar contrabaixo em bandas de churrascaria onde geralmente o público era mais preocupado com o ponto da picanha que com música.
Não era para isto que havia estudado e sentia que desperdiçava seu talento, sua vocação.

Afinal, aos que lá frequentam pouco importa se tem alguém tocando algo, se é rádio ou há silêncio no ambiente.
Para alguns, aliás, o silêncio seria a melhor pedida.

Mas então por que continuar? Qual o sentido em seguir?
Em seu íntimo pensava que um dia aquilo valeria a pena, e um dia finalmente valeu...

Ela adentrou o recinto trajando um vestido longo, em tons de vermelho degrade e com uma generosa abertura ao lado da perna esquerda que subia até a altura da coxa.

Sentou-se à terceira fileira de mesas, bem visível do palco e com ótima visão deste.
Acendeu um cigarro.
O estabelecimento ao que parece dava mais importância a satisfação do cliente que as leis anti fumo do estado. Ou seria apenas a ela permitida tal violação?
Hipnotizara a todos.
Alguns deixaram de comer, outros - aparvalhados com a visão - deixavam entrever em suas bocas abertas o que comiam. Ridículos...

Do palco, ele também não sabia quem era, nem seu nome, de onde vinha ou para onde iria após deixar a casa, mas era o que menos importava.

Depois de tocar as protocolares músicas sertanejas e algumas pérolas da MPB (“Por onde eu for quero ser seu par”) às quais ninguém prestou atenção, a banda resolveu descansar alguns minutos antes de continuar a ser ignorada.
Viu ali sua chance.
Largou o contrabaixo e pegou um violão de cordas de aço que era mais objeto cênico que instrumento propriamente dito.
Sentou-se em frente ao microfone e deu duas batidinhas em sua cápsula certificando-se de que estava ligado ainda.
Estava.
Seus companheiros de banda - já tão de saco cheio quanto ele – deram de ombros. Se não lhe bastava ser ignorado em grupo e queria então ser ignorado solo problema dele..
E foram ao bar.

Ele não disse uma só palavra, apenas tocou.
Com os olhos fixos em direção a sua mesa começou a cantar de forma intensa:

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
com seu salto agulhade couro de cascavel

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
Seus olhos brilham em brasa
debaixo do seu chapéu
eu não sei, eu fico perdido
eu fico cego com as cores do seu vestido

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
sua vida são flashes de um colorido carrossel
eu não sei, eu fico perdido
eu fico cego com as cores do seu vestido

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
você fugiu de mim
e se escondeu na torre Eiffel

Ao final não houve aplausos, um sequer.
Nem dela que, aliás, levantou-se sem comer ou beber nada, mas de passagem pelo palco deixou um olhar.
Aquele que dá a entender que captou a mensagem embora não saiba o que exatamente fará com ela, mas entendeu.
Ao passar pela porta e deixar o estabelecimento não olhou para trás, não houve sorriso, nem promessas, nada.
Mas ainda assim, quando a banda retornou ao pequeno palco para continuar a ser ignorada até o fim da noite, ele se sentiu bem.
Afinal, em seu íntimo ele sabia que um dia valeria a pena.
E finalmente valeu,
Pelo detalhe de um olhar, mas valeu. Está no ar a edição pré Abumdabe da Rádio Onboard.
Com a volta de Fábio Campos as discussões se acaloraram, Felipe Maciel e eu quase não conseguimos espaço no programa...
Brincadeiras à parte a corrida dos Emirados Árabes Unidos não empolgou nas conversas, mas o quadro e temas polêmicos sim. Ouça e dê sua opinião.

28 de out de 2009

Dois takes, um para pensar e outro para descontrair

Para pensar.
Saiu o relatório final sobre o acidente com o vôo 3054 da TAM no aeroporto de Congonhas em São Paulo.
O documento lista os motivos que contribuíram para a tragédia e nem um deles faz referência alguma ao comprimento da pista de pouso, pelo contrário, todos apontam para falhas: humanas, de treinamento e de manutenção da aeronave.
Me lembro bem de haver comentado em algum lugar que ninguém estava atentando ao fato de que o maior acidente aéreo neste aeroporto até ali, havia sido também com uma aeronave desta mesma companhia – um Fokker 100 em Outubro de 1996 que matou 99 pessoas.
Á época apurou-se que os problemas causadores do acidente eram exatamente os mesmos que agora surgem no relatório.
Por conta da comoção - em 96 - muito se falou no comprimento da pista, que era curta, cercada de prédios, em zona de alta densidade de habitação. Sem sequer mencionar que o problema poderia estar na aeronave, como se viu depois.
Em 2007 foram ditas as mesmas coisas e a opinião pública novamente – me perdoem o trocadilho - embarcou, chegando a pedir o fim das operações em Congonhas.
Como se o aeroporto que sempre recebeu pouso e decolagens destes aviões sem maiores problemas fosse o real e único culpado.

Minha pergunta é:
E agora? Como fica a questão da punição aos culpados?
Dois acidentes com os mesmos agentes causadores na mesma companhia aérea, é ou não sintomático?
Haverá uma investigação mais à fundo nos procedimentos de manutenção da empresa ou será que mais uma vez o tempo vai se encarregar de varrer tudo para baixo do tapete largo e felpudo do esquecimento?
Para descontrair
Presidente Lula recebeu uma banda de música para festejar seu aniversário e se divertiu com um trompete.
Eis aí uma sentença realmente verdadeira...
O presidente Lula divertiu-se horrores brincando com o trompete. Mas pela cara do verdadeiro dono do instrumento foi só o presidente que se divertiu mesmo...

27 de out de 2009

Tem coisas que não mudam nunca...

É estranho...
Amamos Peterson, Gilles, Stirling Moss e até Regazonni, que nunca ganharam nada. Mas sacaneamos Keke Rosberg, James Hunt, Alan Jones... Sinceramente não consigo entender, apesar de fazer também.
Por que será que todo campeão não tem a mesma medida?
Jenson Button é tão campeão quando Prost, Senna ou Schumacher? Ou só quanto Jaqques Villeneuve, Damon Hill ou Denny Hulme?
Esqueça a quantidade de títulos e cada um, mas pense em termos de haverem ganho um campeonato.
Teriam diferença?

Todos nós temos uma mania estranhíssima de comparar campeões e colocar em alguns o adjetivo de geniais e outros a pecha de medíocres.
Por quê?
Mas se cada campeonato tem uma história diferente, é justo que coloquemos todos no mesmo saco na hora de comparar?

Qual o demérito de Jenson Button em relação ao titulo ganho por Nigel Mansell, por exemplo?
Obvio, Nigel era um piloto mais chegado ao show que à regularidade e acabou sendo campeão com um carro que até seu chefe rotulou como “anti Mansell” de tão perfeito que era.
Mas não vejo ninguém dizendo que o inglês bigodudo era medíocre.

Geralmente fazemos isto em comparação com pilotos do passado e ai não tem jeito, outras eras, outros carros e até outras pistas. Assim fica injusto demais.
Temos o péssimo hábito de dizer sempre que o melhor - seja lá do que for - está no passado.
Seria por que às vezes as histórias escritas são mais empolgantes do que as que vemos acontecer...


O glacê das letras nos faz imaginar muito mais coisas do que a simples visão da cena e creio que será assim daqui a vinte anos quando algum moleque estiver falando sobre F1 com amigos e soltar a sentença: “-Bom mesmo era quando Button duelava com Vettel!”.
Vai saber... Para a gente hoje o Jenson é medíocre, certo?
Errado!
Medíocre, apesar de ter a mesma definição de mediano soa pejorativo. E a gente vai pejorar campeão?
Vamos!
O campeãozinho mais sem graça este Button heim?
Olha só o nível de adversários que teve?
Fósseis como Mark Webber, 1B e Jarno Trulli ou um moleque ainda inexperiente como o Vettel.
E os que prestavam como Kimi, Alonso, Hamilton ou Kubica nem carros competitivos tinham, sem contar Massa, que recebeu uma molada na jaca... E agora o campeão deste ano nem tem certeza de vai ter carro para defender o titulo que ganhou!
É como digo desde muito: Ninguém liga para o Button!
Campeão ou não.

26 de out de 2009

Nada de novo debaixo do sol

Naquela sexta feira o sol nasceu sobre Paris da mesma forma que no resto do mundo, nem mais nem menos luminoso. Na Champs Elisées os carros andavam lentos, engarrafando tudo como sempre.
Exatamente como acontece todos os dias nos Campos Elíseos paulistano.
O Arco do Triunfo continua tão belo quanto os Arcos da Lapa, ou até mesmo a Fontana di Trevi. Tudo claro, guardando as devidas proporções. Os parisienses andavam pelas ruas apressados, como todos os habitantes das grandes capitais. A vida tem rítmo frenético, quer na França, São Paulo, Londres ou NY.

Nos parques franceses os pássaros cantavam como todos os dias em que o sol dá o ar da graça.
Nunca ouvi falar de pássaros livres que cantassem em dias de chuva...

Dentro do aeroporto Charles De Gaulle, as lojas de conveniência vendem normalmente seus produtos, e todos os turistas de primeira vez – sem exceção – iam direto experimentar as baguetes com café. Exatamente como acontece todos os dias, sempre.

O Louvre continua imponente, maravilhoso, majestoso, como nunca deixou de ser.
E como tem sido desde o lançamento, milhares de pessoas circulam por suas galerias procurando os lugares descritos no best seller “Código Da Vinci”. Com tanto para ver por lá não consigo deixar de pensar o quanto são tolos...
Ou seja, tudo, mas tudo mesmo acontece naturalmente igual, como todos os dias nos últimos dez ou vinte anos...

Inclusive na FIA, que mudou para não mudar e como em todos os dias destes mesmo dez ou vinte anos Max Mosley continuará a mandar no esporte a motor mundial.Ainda que o rosto que agora aparecerá nos jornais de todo o mundo seja a de um francês baixinho muito assemelhado com certo rato – italiano – que frequentava as telas de televisão do mundo todo nos anos setenta...

O assunto pode parecer velho, mas não é.
Geralmente consigo formar opinião sobre estes fatos, mas visto que não conseguia também ser simpático ao candidato de oposição Ari Vatanen fiquei numa encrizilhada, mas e vocês, que acharam?

Aproveitem também para ouvir - se é que não ouviram ainda - a edição do GP do Brasil da Rádio On Board, onde Felipe Maciel e eu recebemos o amigo e jornalista Marcio Kohara para um bate papo sobre a corrida que definiu entre outras coisas o campeão do mundo e a má sorte do 1B.
Ah sim! E Fábio Campos nos traz as impressões e opiniões de quem esteve in loco vendo o espetáculo da velocidade.
Boa diversão e não deixe de opinar.

24 de out de 2009

Contos do Le Sanatéur, epílogo.

-Anselmo? O que o De Fran queria?
-Esqueci... Ce trocou de assunto... Eu esqueci.
-Faz uma força... Lembra ai.
-Não consigo. Eu não tenho memória fotográfica, por isto sou fotografo.
-Ah... Agora deu pra filosofar?
-Tem mais coisas entre a lente e o olho do que supõe sua vã filosofia...
-Vixe!

E virando para Leandrus:
-Ô russo... Chega!
-Mas Ron! Ainda estar no gênesis do assunto!
-Vai logo pro apocalipse.
-E enton eles non vem mais. – termina Leandrus.

-E ai? – tornando a falar com Anselmo.
-Não entendi porra nenhuma... Ô Leandrus... Faz o seguinte: a gente veio aqui pra fotografar... – diz Anselmo.
-Ou não! – corta Ron.
-... Um fantasma que nosso chefe e o concorrente cismaram que existe no seu hotel....
-Besteira, na maximo tem ratos aqui...
- Também acho, mas arruma um pra gente fotografar e fazer uma matéria que eu arrumo uma banda de jazz pro festival.
-Fechada! – E Leandrus sai depressa para cumprir sua parte no combinado.

-Anselmo, produzir fantasma falso e matéria tudo bem, mas onde ce vai arrumar uma banda de jazz?
-Ora Ron! Pra quem arruma boa aparência para cadáver... Arrumar uma banda de jazz é mole... Pega minha agenda e vamos dar umas telefonadas...
-Bem... Se você diz... Vamos então!
E na sala de Leandrus os dois tomam conta dos telefones por algumas horas...

-Alô! Quem fala? Anselmo? Sim... Aqui é a Dra. Remédios... Se eu sei tocar algum instrumento? Sei sim... Eu toco oboé. É Anselmo, oboé! Como assim? Proíbido pela convenção de Genebra? Anselmo, oboé é um instrumento lindo! Arma de destuição em massa? Ah vá Anselmo...

-Aloun! Si és Iriarte? Ron? Todo bien? Si io toco algun instrumento? Si io toco... Mas por quê? Ah... Claro, claro... Io participo, pero... Vá rolar pochoclios?

-Alon! É o De Sran salando... Ron... O que vofê quer eftas horas? Por quê não me ligou maif fedo? Tá... Fe eu toco alfuma oisa? Não. Mas eu pofo cantar! Como assim fe não tem tu fai tu mesmo?

De fato, após as, às vinte e duas horas daquele mesmo dia sobem ao palco do anfiteatro do Hotel Paradise a: “Continental Circus Jazz Band” que tem em seu line up Anselmo no trompete; Ron no trombone, Doutora Remédios na tuba; Lê Felipon na guitarra; Oliver na bateria; Iriarte no piano; De Rã no contrabaixo e De Fran cantando.
Todos constrangidos com a idéia de Anselmo, mas ainda assim mandam bem com uma letra improvisada sobre o suposto fantasma do Paradise.


The ghost of Stephen Foster at the hotel paradise
This is what I told him as I gazed into his eyes
Ships were made for sinking
Whiskey made for drinking
If we were made of celephane we'd all get stinking drunk much faster

O show é um sucesso, a platéia brinda a banda dando tiros para o alto.
Alguns dirão ser impossível já que eram analfabetos musicais e outros dirão que isto é free jazz, com cada um tocando uma música e assim fica fácil.
Mas ninguém tinha razão.
O que saiu dos instrumentos foi um legitimo dixieland, envolto em uma aura sobrenatural que muitos juram ter visto sobre o palco. Surpresos com os aplausos – e tiros em sua homenagem – Anselmo e Ron esquecem de fazer as fotos do fantasma que Leandrus trouxera e que na verdade era apenas seu gerente Montianele pintado e vestido de branco. E para coroar os fenômenos sem explicação da noite anterior, a edição de Le Sanatéur vai às bancas com a manchete: “Fantasma jazzista aprecia banda no Paradise”.
Espantosamente com foto e tudo...

Todas as fotos, exceto a do carro, são do genial Weegee.

23 de out de 2009

Contos do Le Sanatéur, pt 1

-Não existe!
-Eu não sei...
-Não existe!
-Eu não duvido...
-Poxa, isto é golpe, só pode ser.
-Se for, então vai lá e descobre, e faz o seguinte: Leva o Coyote com você e pede para ele fotografar tudo, fraudes, ectoplasmas, mulheres bonitas e mais o que ele quiser.

A conversa acima se passou dentro da sala de Mar Céu L´Onça, o editor chefe do periódico Le Sanatéur e envolveu além do próprio, o repórter Ron.
E o tema da conversa eram os frequentes boatos que davam conta da aparição de um suposto fantasma no prédio do Hotel Paradise, situado à Rua 45, e que o jornal concorrente, Kronbauers News, vinha cobrindo com ótimas histórias.

Cabe aqui uma pequena explicação:
Muitos foram os cadáveres encontrados dentro do Hotel Paradise desde sua fundação e o caso mais curioso e comovente foi o de um homem encontrado morto na suíte 545 e que tinha nas mãos a fotografia de uma mulher e uma garrafa de uísque barato, seu nome era Stephen Foster: musico; poeta e pintor. Reza a lenda que o funcionário que encontrou o corpo ouviu ecoar por todo o hotel a frase:
“-Ninguém pode destruir o coração de um homem sincero!”

E este era o ectoplasma que recentemente havia sido avistado no simpático e decadente Hotel Paradise e que Mar Céu L`onça queria a todo custo que seus principais repórteres fossem investigar.

-Aproveita que está tendo uma apresentação de jazz, e da uma sondada...
-Mas chefe... Se vai ter movimento lá é pouco provável que haja uma aparição, que repito, não existe!
-O que? Você acha que o fantasma não gosta de aglomeração? Por isto não aparece?
-Talvez ele não goste de jazz...

Ao sair da sala do editor Ron encontra Anselmo intrigado e pensativo.
-Que foi Anselmo? Que tá pegando?
-Nada, nada... Ah... Tomei a liberdade de atender ao telefone da sua mesa e estava aqui escrevendo o recado.
-E quem era?
-Um francês... Um tal de Difran... Mas tem um sotaque tão forte que eu não consegui distinguir de qual parte da França.
-Mas quem disse para você ele é francês?
-E não é?
-Não... É cearense... E também não é sotaque. Ele é fanho...
-Mas... Mas... E o nome Difran?
-Não é Di Fran... É: De Fran e é o seguinte... Ele saiu do Ceará para tentar ser jogador de futebol só que era muito ruim e então o treinador do time em que estava fazendo testes ficava gritando na beira do campo: “-Vai cú de frango!”. E ele não melhorava nem com os berros, então para encurtar o xingamento o cara fez uma contração nas palavras e acabou ficando De Fran, e sabe como é apelido... Se achar ruim pega. E ele achou péssimo até brigava.
-Eu também brigaria!
-Que nada! Pior era o irmão dele, que era tão ruim quanto ele jogando bola...
-E como era o apelido dele?
-De Rã...

Saíram do prédio do Le Sanatéur e embarcaram em um velho Studebacker que Anselmo acabara de adquirir, tinham como destino a velha Rua 45, onde o mundo circula. -Por que temos de ir de carro Anselmo? A Rua 45 é a dois quarteirões daqui...
-Mas eu queria mostrar o carro...
-Você quer mostrar esta lata velha para quem?
-Bem... Sei lá... Quer dirigir?
-Tem seguro esta bagaça?
-Cara... Não tem nem gasolina, quanto mais seguro... Vamos a pé mesmo.

Ao chegarem ao Paradise encontram o saguão repleto de punguistas, escroques, cafetões, vagabundos, informantes... Enfim, golpistas de toda a espécie que formavam a nata da Rua 45 e eram fãs de jazz e hospedes do velho hotel. Encontraram também o proprietário, Leandrus, um imigrante vindo da Chechênia, que segundo as más línguas era também envolvido em trafico de jujubas.

-E ai Leandrus? Como está a programação do festival para hoje? – quis saber Ron.
-Eu estar perdido, o banda não vem mais.
-Como assim não vem? Avisaram a eles que você não paga? – Anselmo provoca.
-Como assim eu não pagar? Eu demorar, mas pagar direitinho... O problema ser outra. O banda que abriria a festival de jazz do Hotel Paradise era a: “Traditional João Gilberto Jazz Band.”
-Como? Mas com este nome você ainda achou que viriam?
-Mas é claro, até receberam a cachê!
-E ao menos deram um motivo para não vir? –pergunta Ron.
- Na telegrama disseram que o acústica era ruim...
-E é? – quis saber Anselmo.
-Non... Nem tem acústica...
-Ah tá... – ao mesmo tempo Anselmo e Ron.

-Leandrus... Faz o seguinte... Conta pra gente desde o começo o que acontece por aqui...
-Estar bom Anselmo, mas... Desde a começo?
-Sim... Do inicio.

E Leandrus começa a contar a história realmente desde o inicio.

-Na principio non existia nada, e então Deus criou o terra e colocou nela... - e enquanto o chechêno vai contando sua história, Ron lembra-se que Anselmo não lhe deu o recado do cearense fanho.
Continua amanha...

22 de out de 2009

Notinha do busão

Estava sentado a dois bancos de distância do cobrador - que desde que disse que tem cara de retardado me olha com cara de poucos amigos - já que aqui ainda não há catracas eletrônicas em todos os ônibus.
No fundo acho bom, afinal mantém alguns empregos e acaba rendendo boas conversas entre o cobrador e alguns passageiros.
Esta foi uma delas:

- O Doni voltou! – diz o cobrador
- Doni... Doni? Qual Doni? – responde o passageiro que estava passando pela catraca.
- Poxa, já esqueceu? O Doni. Donizete... Da roda de samba!
- Donizete? E ainda do samba? Vixe, eu não vou lembrar mesmo. Eu sempre gostei de rock.
- É, eu sei que você era roqueiro, mas do Doni todo mundo lembra...
- De qual grupo ele era? Era amigo da gente?
- Era amigo sim, estudou com você se não me engano no ginásio. E você até apelidou o grupo dele com sua maldade característica: Estragasamba!
- Ah tá... O Estragasamba... Não tinha ninguém pior que eles... Mas, uma coisa, eu não me lembro do Doni no grupo. Tocava o que ele?
-Ah vá! Não se lembra da função do Doni?
- Hum... Deixa eu puxar pela memória aqui? Vamos ver... Tinha a Guaru no pandeiro.
- Isto!
- Tunga no violão...
- Grande Tunga! Baiano ele.
- Nego Boiça no cavaquinho.
- É o Boiça tocava demais, se fosse roqueiro seria o Steve Vai.
- Tinha mais... Tinha o Chavinho na timba. Lembra?
-Lembro sim... O único tocador de timba que usava partitura.
- É, e todo mundo cantava... Viu, não tinha o Doni.
- Pô tinha... E a função dele era importantíssima... Era ele que buscava a cerveja para animar a roda!

Desci com a sensação de que o tal Doni era uma espécie de 1B do grupo, garantia a diversão de quem trabalhava duro...

O próximo post é uma segunda parte daquele post: "Um trabalho bonito e bem feito" e eu gostaria de coloca-lo aqui, mas o texto ficou um pouco grande e gostaria de perguntar a vocês se seria melhor coloca-lo na íntegra ou quebra-lo em duas partes? Comente o texto acima e dê sua opinião, de uma força ai pra que este espaço seja cada vez melhor, ou pior sei lá... Depende do ponto de vista...
Brigado.

21 de out de 2009

Rock Band F1

Após a corrida, Felipe Massa convidou vários pilotos para um jantar em sua casa e entre eles, claro, estavam Rubens Barrichello e Jenson Button.
Sebastian Vettel chegou atrasado por conta de ter passado antes – com toda sua equipe de mecânicos – em um barbeiro próximo ao autódromo.

-Poxa Vettel! Demorou heim? – disse Massa.
-Eu perdi no “dois ou um” e acabei ficando por último para raspar a barba... E cê viu quantos mecânicos fizeram a mesma promessa que eu?
-Vi sim... Mas pelo menos você chegou... Trouxe?
-Opa! Claro... Tirei do meu motorhome, mas trouxe sim... Posso ligar lá?
-Claro! Vai lá. Alguém chamou o Alonso?
-Acho que não... - diz Vettel...
-Ainda bem, ufa!

Vettel atravessa a sala de estar da casa dos Massa com uma caixa enorme nas mãos, cumprimenta Barrichello e Button com o mesmo aceno de cabeça. Ainda está bravo.
Ajoelha-se em frente ao enorme aparelho de TV full HD e começa a desembrulhar o que trouxe.
De dentro da caixa saem fios, cabos e um XBox novinho, alguns cabos e um adaptador para mais controles.

-Vídeo game? – grita Button, sorrindo seu sorriso de recém campeão.
-Ah não... Vocês não vão jogar formula um né? Por hoje tá bom... – protesta Rubinho.
-É vídeo game sim... Mas não vamos jogar F1... esclarece Vettel.

Toca a campainha e quando Massa abre a porta entram de uma só vez Lewis Hamilton e Mark Webber rindo a toa com caixas de pizza nas mãos.
Logo atrás vem Kamui Kobayashi que por ser novato foi escalado para carregar a outra caixa, esta bem maior que a anterior.
Logo que a entrega a Vettel começa a sair de dentro dela guitarras e uma mini bateria que são rapidamente plugadas ao XBox.
-Tá ai gente! – diz Vettel – Vamos jogar Rock Band!
-Eeeeeeeeeeeeeeee! – Comemoram todos.

Logo, Vettel assume uma das guitarras deixando a outra para Lewis Hamilton.
A bateria é assumida por Kobayashi que não a largará até o fim da noite.
Webber fica chateado por não ter musicas do Elvis ou do Little Richard no jogo e não quer cantar.
Vettel canta canções dos Strokes e do White Stripes.
Lewis quer cantar Pussycat Dolls mas é desencorajado com uma sonora vaia.
Massa tenta, mas não consegue cantar nada e Button insiste em tocar apenas “We are the champions” do Queen a noite toda.

-E você Rubens? Não vai brincar? Poxa, desencana meu, ano que vem tem outro campeonato! – diz Massa batendo em suas costas.
O decano da F1 então se levanta e toma para si uma das guitarras e assume o microfone, vai até o menu do jogo e seleciona uma canção e a canta de forma tão sentida que todos percebem, mesmo sem olhar em seu rosto o que se passa em seu íntimo, acabando assim com a alegria da brincadeira:

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?
Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

20 de out de 2009

Ava(ca)liações brasileiras - Ces´t fini!

Webber: A bordo do melhor carro do fim de semana, foi perfeito.

A transferência para a Renault animou o narigudo. Ele sabe que ano que vem não passa nem perto de um pódio, então é melhor aproveitar agora.

Depois de aparecer na Globo comentando a música (?) da namorada o melhor que ele podia fazer era uma boa corrida. Foi o que fez.

É é é. O Massa é melhor que o Pelé!

Um presentinho para Vettel e sua equipe de mecânicos.

É uma merda mesmo quando as pessoas não se conhecem... Eu só sei quem é o Serra ai...

Kamui Kobayashi, o nome da corrida. Vou telefonar ao Tio Frank Williams e sugerir que ele esqueça esta história de contratar o Barrichello e se concentre em trazer este japonês, que seguramente é melhor que o que ele tem lá agora.

Este está paramentado para torcer pelo Alonso no ano que vem.

Dois nervosos e uma nervosa no fim da fila.

Precisa legenda?

18 de out de 2009

Internagos - It´s the end of the world (championship) and I fell fine.

Um Grande Prêmio do Brasil nunca é um evento de automobilismo apenas.
Para muitos – não estou incluso - é um a festa para mostrar o patriotismo e até por isto tem um clima diferenciado das demais corridas do ano – excluam-se os países onde a corrida acontece pela primeira vez – e tem sempre momentos e imagens diferenciadas.
Por isto abro este texto defendendo o arranjo feito para que Daniela Mercury cantasse o Hino Nacional.
Se lembrarmos bem, o Hino é uma canção civil e como tal pode ter arranjos modificados e adaptados para qualquer ritmo e estilo. Desde que haja respeito.
Este arranjo e esta interpretação mostraram muito respeito.
Eu que não gosto de Daniela Mercury e a música que ela representa sou obrigado a me render e dizer que ficou bonito, respeitoso e representou muito bem a cara deste povo que foi ao autódromo, que se não entende ulhufas de F1, ao menos entende muito de festa e de ser festeiro.
Ponto para a organização pela execução do Hino.
Uma largada caótica para alguns pilotos.
Kimi com a asa dianteira quebrada e após um toque tem de ir aos boxes.
A Toyota de Jarno Trulli e a Force Índia de Adrian Sutil se enroscam e os dois saem da corrida, tirando também Alonso Vigarista.
O acidente trás uma cena de discussão entre Sutil e Trulli que lembrou a briga entre Piquet e Elizeo Salazar.
Grosjean fez o que dele se esperava e saiu da pista sem ao menos completar uma volta.
Uma saída de boxes desastrosa de Kovalainen arrancando a mangueira de reabastecimento e espalhando gasolina no pitlane causando um susto sem precedentes em Kimi Raikonen, que por alguns instantes deve ter tido uma visão do que é o inferno.

Com tudo isto o safety car foi à pista e quando saiu o que se viu foi um Button possuído, ultrapassando todos os novatos possíveis com autoridade da experiência e de ser um postulante ao titulo.

Até chegar em Kamui Kobayashi, que mostrou que minha aposta de que ele é o melhor novato a estrear este ano não era vã e que pode vir a ser o melhor japonês a sentar a bunda em um F1. Com direito a X e tudo no S do Senna para cima do inglês da Brawn.
E mesmo depois de ultrapassado pelo inglês continuou dando seu show travando um duelo japonês com Kazuki.
Ainda teve tempo para dar uma linda invertida em Fisichella mostrando que alguém precisa contratar este japonês logo.

Aliás, Kazuki acabou mostrando porque é o filho preferido de Satoru ao dar um totózinho na traseira do japonês estreante, porém é ele próprio que se dá mal e sai da pista virando apenas passageiro do Williams até se chocar contra a proteção de pneus.
Após a primeira bateria de pitstops Button continua mandando muito bem, enquanto Barrichello perde posições para Webber e Kubica, ficando mais lento sendo atacado por um Hamilton leve e sem preocupação nenhuma que não fosse apenas a corrida.

Segue-se um período morno e as coisas voltam ao eixo do campeonato, que havia sido todo mexido com os treinos de sábado.
Ainda temos tempo para ver Lewis Hamilton ultrapassando Rubens na reta de chegada de forma absolutamente fácil.
Um pneu furado acaba levando o brasileiro aos boxes novamente de onde retorna em oitavo lugar.
E como disse no programa ao vivo: toda a euforia com o treino fantástico de Rubens no sábado era apenas a “visita da saúde” e a esperança de titulo que já estava meio que moribunda acaba por falecer a apenas sete voltas do fim da prova.

Webber vence a prova e trás atrás de si: Kubica, Hamilton, Vettel e Button, que assim conquista o título com uma prova de antecipação.
A fatura está liquidada para o campeonato - tanto de pilotos quanto de construtores - e agora muito provavelmente teremos um desfile de F1 em Abu Dhabi, que pelo que vi da pista em um vídeo com Bruno Senna pilotando poderemos chamar sem dúvidas de Abundabe.

16 de out de 2009

GP Brasil com dicas do Groo: pt 5 Alimentação

Ok, ok chegou então a vez da: Alimentação.

A etapa brasileira da F1 será neste fim de semana. Aqui um roteiro gastronômico para quem vai à corrida no domingo.

Milhares de turistas vêm à São Paulo e - como manda a etiqueta - quando se visita uma um lugar novo o melhor é se inteirar de sua cultura, costumes e principalmente da culinária, certo?
Certo mas... Em São Paulo é possível encontrar a culinária do mundo todo. Japão, Austrália, Europa. Do nordeste então... Vixe!Mas a culinária paulista? Se é que existe está escondida.
Fui procurá-la e não encontrei vestígios de sua existência, sinto muito. Então resolvi mandar aqui um roteiro de comidas rápidas paulistanas.
Como a própria F1! É muito difícil chegar ao autódromo de alguns pontos da cidade. Saindo da estação da Luz, por exemplo, de ônibus pode se demorar até uma hora e vinte, com trânsito bom!
Então pensamos que seria melhor comer perto da pista mesmo.

Não! Não dentro do autódromo, mas ali nas imediações... Hot-dog do Belchior. Na Avenida José Carlos Pace, temos o: DOGÃO MAGAVILHA, de propriedade de Belchior Lins.Neste quiosque dogueiro o simpático bigodudo nos serve hot-dogs sensacionais com combinações variadas e inusitadas. E a melhor das combinações é: Pão de dog, salsicha Pena-branca, purê de batata semi-pronto. Molhos mezza-boca e o principal: Batata-palha das lojas de um real.
Tudo sempre acompanhado de refrigerante de cola Dolly.

Dona Ingrid e sua pizza de formas perfeitas e chipadas. Já na Avenida Jangadeiro, temos uma pizzaria ambulante.
Trata-se de uma mini-van Towner (aquela peruinha que parece ter saído de um ovo kinder).
Ta, você vai dizer: “-Mas pizza é italiana! Não é paulista!”.
Concordo! Mas tem coisa mais paulista que comida italiana? Seja ela qual for?
E a pizza da Towner de Dona Ingrid tem algo que as outras não tem: um chip na massa que garante a crocância.
Alguns maledicentes dirão que o chip da crocância não passa de uma barata espetada na massa antes de assar, mas vai dar ouvido a maledicentes?
Acompanha uma tubaína.

O grande Rodrigo Lara, do Pé na tábua, colaborou com este artigo mandando o endereço de uma casa especialíssima, que fica situada à Avenida Rubens Montanaro de Borba s/n:
A CHOURIÇARIA ROSCONE. Há vinte anos na ativa vendendo o melhor chouriço do mundo.
Vamos declinar de apontar os ingredientes do petisco, afinal pode ser que alguém leia isto durante o almoço e não queremos ninguém adoentado durante o trabalho e principalmente durante o GP. Mas devo adiantar que Lara (que provou todos os tipos) passa bem. Não deve ir ao autódromo, mas passa bem...
Acompanha um sal-de-fruta Eno.

Sanduba de pernil.
Já na Praça Enzo Ferrari temos um dos lanches mais tradicionais das praças esportivas paulistanas: O Sanduíche de Pernil do SENHOR BARBOSA! Uma barraquinha simpática coberta com um encerado que um dia foi alaranjado.
A temperatura no local pode chegar - num dia quente - a pelo menos 48 graus.
O que somado à carne de porco engorduradinha; o vinagrete de repolho e a Fanta (uva ou laranja) garante que ninguém terá fome durante as horas da corrida. Nem depois.
Acompanha um rolo de papel Primavera, mas adianto: Tem um melhor no Pacaembu.

Escondinho, mas fácil de achar!
Para quem gosta de comida nordestina (e quem não gosta?) temos na Avenida Senador Teotônio Vilela a casa do norte CABRA BOM.Lá encontramos o melhor escondidinho de carne de sol com queijo de coalho do mundo! Pena só a quantidade mirrada servida. Apenas 400 gramas.
Acompanha macaxeira e aipim, que dirão alguns serem a mesma coisa... Entendido, hein?

Faça você mesmo o aroma.
Se você for mineiro e for levar um amigo francês à corrida, passe com ele antes na ROTISSERIE MUZAMBINHO na Praça Batista Botelho. Mostre a ele os maravilhosos queijo-minas. Diga a ele que nossos queijos não devem nada aos queijos franceses e se ele perguntar do aroma do queijo, não se faça de rogado PEIDE!

Grego? Turco? Paulista! Fechando o roteiro não poderia faltar o CHURRASCO GREGO, conhecido na Turquia como KEBAP...Engraçado, é turco, por que será que aqui virou grego?
Situado à Praça Moscou – só pra fixar o fundo internacionalista de nossa comida – é servido em pãozinho francês do dia anterior e com muito vinagrete de repolho.
Acompanha dois sucos de groselha, sem gosto e sem gelo. Apenas R$ 0.80. E é isto. Que a corrida seja muito melhor que a comida nos arredores da pista.
Espero sinceramente que alguém leve Fernando Alonso a pelo menos dois destes estabelecimentos...