30 de nov de 2009

É, será e foi bonito de se ver

Tem coisas que realmente valem à pena ser vistas...
Uma delas é o Desafio das Estrelas que Felipe Massa vem promovendo há alguns anos e que sempre trás grandes nomes para pilotar os karts.

É bonito ver homens feitos, esportistas vencedores – que todos em maior ou menor escala são – brincando feito crianças e passando a imagem – real – de que estão se divertindo muito.

Também nós nos divertimos muito vendo aqueles carrinhos ultrapassando uns aos outros, dando pequenos totózinhos, andando de lado...
Melhor ainda foi matar a saudade de ver aquele capacete vermelho com as estrelas no cocuruto novamente. E ganhando.
Matar a saudade de vê-lo ultrapassando um monte de gente, inclusive aquele que ficou conhecido por ter sido o seu mais perfeito partner.
Confesso que me levantei e vibrei como nos velhos tempos...

Outra será ver é a corrida da Indy em São Paulo.
Não que eu torcesse para que a prova de abertura do ano que vem fosse em Sampa, mas fiquei feliz.
Vai afirmar a cidade como capital nacional do esporte a motor acumulando os maiores eventos da modalidade, faltando apenas uma etapa da Moto GP...
Uma pena aos outros estados, mas fazer o que? Dizem que o cavalo da sorte só passa encilhado uma única vez e é preciso reconhecer para montar...
A prefeitura da capital reconheceu a oportunidade e montou.

E vai servir também, se a corrida for definida como “de rua” mesmo, para que os paulistanos se lembrem que os carros podem rodar pelas ruas da cidade e não só ficar parados em imensas filas de congestionamento.
Problema mesmo será apenas se a CET (Companhia de Engenharia e Trafego) se movimentar – como sempre faz quando não é preciso - e acabar colocando de prontidão no dia da corrida, todos os seus agentes “marronzinhos” para fazer hora extra nas ruas e multar todo mundo por excesso de velocidade.
Sabe como é né?
Com a prefeitura nas mãos de Gilberto Kassab é sempre uma no cravo e outra na ferradura...

A ultima coisa bonita de se ver foi o Show do ACDC em São Paulo.
Rock and roll simples, cru, direto e divertido como tem que ser.


28 de nov de 2009

Cassetes, Queen, juventude enfim...

Esta história passa-se lá nos idos de 1986...

-Cara, cê precisa ouvir isto...
-Que é?
-Uma fita cassete que meu tio me emprestou, tem umas músicas muito loucas...
-Pô! Coloca ai então...
-Pode por você mesmo, eu vou pegar uma tubaína...

Muita gente hoje em dia não sabe, mas antigamente – tô ficando velho – gravávamos as nossas musicas prediletas em fitas cassete.
Quase como fazemos hoje com nossos MP3 players, mas ao invés de procurar na internet os arquivos para baixar, procurávamos nossos amigos que tinham os discos.
Ficava mais barato, mas muito mais barato que comprar o disco de vinil ou a sua versão em cassete oficial.
E como copiávamos...
Tenho um camarada que até hoje tem guardado em casa todos os álbuns dos Beatles gravados nestas fitinhas magnéticas, com as capinhas que ele mesmo bolava e fazia artesanalmente. Ali... Na raça, por que também não tínhamos computadores com programas que num clique e um copiar e colar faz tudo por nós...
Outros tempos.

-Véi... Já coloquei, mas ta demorando pra tocar... Tá com defeito ou o volume tá baixo?
-Que botão cê apertou?
-Bão... Para tocar a gente aperta o botão vermelho e o play, né?
-Não.
-Não?
-Não porra... Apertando os dois grava.
-Ih!
-Pqp! Cê apertou o botão errado!

Mais gente ainda não deve saber que tínhamos aqueles rádios com gravadores de fitas cassete... E que pra gravar alguma coisa do rádio bastava ligar o rádio e apertar o botão REC, que geralmente era vermelho e o botão play.
Porém se apertássemos esta combinação de botões com o rádio desligado, a fita que estivesse dentro era desgravada... Bem... Na verdade era gravado o silencio do aparelho por cima do que estivesse nela... -Vixe... Aperta o stop logo...
-Acho que não estragou...
-Vamos ver....
-Hum... Apagou toda a introdução da canção... Meu tio vai ter um treco!
-Nada... Eu tenho uma grana ai... A gente vai até o Museu do Disco no centro de São Paulo e compra o disco e grava de novo esta musica ai... Por cima.
-E a grana que ce tem dá?
-Se não der você completa, ou a gente racha logo e ficamos com o disco pra gente....
-Beleza!

Na manha seguinte "os figuras" ai do dialogo embarcam em um trem lotadissímo que passava pela cidade onde moravam às sete horas e seis minutos. Pontualmente atrasado, sempre.
Embarcaram vírgula, porque o sobrinho do dono da fita não conseguiu entrar no trem e ficou com cara de idiota na estação enquanto seu amigo, de dentro do trem lhe dava tchauzinho e ria.
O próximo trem só passaria as sete e quarenta e não se sabe por que cargas d´agua ele resolveu esperar para pega-lo.
E também não se saber por que cacete o outro resolveu descer na próxima estação e espera-lo. Não havia como se comunicarem, lembre-se... Celular ainda era coisa de ficção cientifica.
Mas encontraram-se na estação da Luz, que era também a estação final daquele trem.
Uma breve caminhada pelo centro e acham a loja Museu do Disco. Referencia em discos de rock e importados durante um bom tempo. -Cê tem disco do Queen? – pergunta o sobrinho do dono da fita.
-Qual deles? Eles têm um monte... A banda existe desde 1973.
-Nós também... – pensou o que apagou a fita.
-Ih... Então ferrou! – agora ele disse....
-Mas vocês querem alguma musica em especial? – pergunta o vendedor.
-Mais ou menos... – diz o sobrinho.
-E cês sabem cantar?
-Mais ou menos... – o que apagou, envergonhado.
-Então canta ai.... – o que o cara não faz por uma venda...
-Então vira de costas... – diz o sobrinho.
O cara então se vira e o os dois - da melhor maneira que podem - arremedam um canto solfejado de I want to break free, horrorosamente.
-Ah... Beleza... Eu tenho o disco sim... – e empurra nos dois um Greatest Hits, que foi lançado em 1981, dois anos antes portando de The Works que continha a musica apagada..Compram o disco, rachando a despesa e correm para casa. Ouvem de cabo a rabo e nada de encontrar a canção...
A sensação de ter sido ludibriado por um vendedor esperto só não foi maior por que o disco era sensacional!
O Queen havia fisgado os dois no ato e para sempre.

Esta semana fez dezoito anos que Freddie Mercury se foi, o primeiro grande astro de pop/rock a morrer de Aids, e com isto fazer com que os jovens começassem a olhar a epidemia da doença com mais seriedade.
Mas é sempre melhor lembrar a forma grandiosa e exagerada como viveu e trabalhou sempre a frente da banda ou em carreira solo. Lembrar o saudável ecletismo que colocava lado a lado nos discos do Queen: rocks pesado, balada, opera, jazz, musica árabe, folclore húngaro, vaudeville e o que mais viesse...
Tão eclético que anos depois deu margem a este vídeo com os Muppets...

E a fita apagada? Ficou do jeito que estava, afinal o tio do cara gostava mesmo era de João Mineiro e Marciano...

26 de nov de 2009

Comunicado da Mercedes GP

Este comunicado tem por destino fazer saber a todos os fãs de automobilismo e principalmente de F1 ao redor do mundo que as “Flechas de prata” voltaram.Sim...
A Mercedes, maior montadora de carros da Alemanha conta novamente com uma equipe própria de F1!
Como nos tempos gloriosos dos GP´s em que tínhamos nomes como: Bernd Rosemayer, Rudolph Caracciola dentre outros.

Houve quem visse em nossa parceria/sociedade com a Mclaren um oportunismo que sinceramente nunca tivemos.
Houve quem visse nossos esforços em nos manter competindo, apesar da crise, com desconfiança e até descaso.

Se lá estávamos é porque acreditávamos no trabalho da equipe de Woking, nos seus profissionais.
Desde o mais humilde funcionário da limpeza até o mais graduado dos engenheiros.
Do senhor Brian do café, até o Ron Dennis, que em seus piores dias fazia o nosso Norbert Haug servir o café no lugar do Brian... Coisas de inglês... Presume-se. A eles nossos melhores agradecimentos e claro: até logo, um abração!

Mas agora compramos a Brawn GP, que com o senhor Ross à frente fez bonito e tornou-se a primeira equipe estreante a ganhar os campeonatos de pilotos e construtores...
Alguns maldosos dirão: “-Também... Com aqueles carros que no inicio burlavam o regulamento!”.
E a história responderá: “-A esperteza esteve em ler e entender o regulamento.”.

E alguns outros, mais maldosos ainda dirão: “-Ganharam, apesar dos pilotos que tinham...”.
Para estes acho que a história não dará resposta alguma, criar-se-á um vácuo sobre este assunto... É que talvez estes tipos maldosos venham a ter razão...
Bem... O tempo dirá, e nós como não somos bestas nem nada, resolvemos não dar pano pra manga e nem margem ao azar: trocamos logo os dois.

Agradecemos ao senhor Rubens pelo trabalho que realizou enquanto funcionário da antiga Brawn, e mesmo não conseguindo nem o segundo lugar.
Pensando bem... Isto foi muito bom! Nos agradou deveras! Um piloto patrício nosso acabou vice-campeão.
Realmente temos muito a agradecer ao Rubens...

Jenson foi perfeito!
Ganhou o titulo com um inicio arrasador, e se portou como um verdadeiro piloto cerebral na segunda metade.
Obrigado Jenson, esperamos que você se adapte bem ao carro da Mclaren, queríamos que soubesse que foi o melhor que poderíamos fazer por você.
E desejamos que Lewis não avacalhe muito a relação...

E para terminar este comunicado gostaríamos de apresentar nossos pilotos.
Não é segredo que gostaríamos de fazer uma equipe genuinamente germânica e para isto contaremos com dois pilotos genuinamente alemães e cremos que ao menos um nome vai surpreender a todos.
O primeiro nem tanto... Já que desde o meio do ano passado ventilava-se a possibilidade dele vir a sentar-se em um dos nossos cockpits.
Nico Rosberg vem para trazer duas coisas a nossa equipe: a juventude e a confirmação que abandonamos os preconceitos e nos tornamos mais tolerantes.
E o outro - que nunca ousaríamos chamar de segundo - piloto, este sim... Multicampeão e adorado por toda a Alemanha, apesar de falhas, que como todo ser humano, também teve.
Senhores e senhoras fãs de automobilismo e principalmente de F1, com vocês: Oliver Kahn!Sem mais, nos despedimos prometendo competir com lealdade e alegria...
Fahren Mercedes, fahren!


E já está no ar mais uma edição da Rádio On Board onde passamos a limpo alguns dos acontecimentos desta pós temporada muito agitada.
Além do grande Felipe Maciel e eu, também esteve presente a esta edição o nosso ouvinte e camarada Santana, que atualiza o tuiter bacana que leva seu nome...
Ouçam ai...
Ah... O Fábio Campos? Sei lá... Explodiu!

25 de nov de 2009

Harvest moon

De pé, em baixo da janela de um sobrado, segurava o violão esperando alguma reação.
Não houve aplausos nem vaias e nem jogaram coisas neles.
Digo neles porque Anselmo não estava sozinho.
Junto dele estava Ron, parceiro nas reportagens malucas, segurando vassourinhas que usou à guisa de baquetas em uma pequena bateria muito usada para tocar jazz.
Tão pequena que parecia infantil... Naquela tarde, Coyote passou pelo hotel onde Ron morava em uma das transversais da Rua 45 com seu Studebacker. Ajudou a embarcar o kit de bateria e seguiram para fora do centro da cidade, para um bairro afastado onde todas as casas são – por força de contrato – iguais.

-Tem certeza de que é aqui? – pergunta Ron olhado para a janela da casa.
-Certeza, certeza eu não tenho... Mas o pior que pode acontecer é alguém xingar a gente.
-Ou jogar água; ou tomates; ou ovos; ou chamar a policia; ou sair atirando com uma espingarda; ou ainda...
-Já entendi... Pessimista.

Arrumam o pequeno kit da melhor forma possível levando em conta a irregularidade do terreno que é coberto de grama.
-Anselmo, cê sabe se tem cachorro?
-Não...
-Não sabe ou não tem?
-Não tenho certeza
-Não tem certeza de que não tem cachorro?
-É.
-Então tem a possibilidade de ter cachorro aqui?
-Ron... Relaxa... Se não tiver cachorro nesta casa, pensa bem... Deve ter em outra qualquer e como não tem cercas, muros ou grades separando os quintais, hora ou outra aparece um por aqui. Mas... Não sabia que você gostava tanto assim de cachorro.
-Não gosto.
-Então por que a preocupação?
-Tenho medo, pavor...
-Ah fica frio... Aqui os cachorros são bem cuidados... Não vão querer morder você não. Enjoados os bichos aqui.

Na duvida se era um elogio ou uma critica velada, Ron tratou de afinar os coros e azeitar os pedais de sua bateria. Retira do case as vassourinhas e testa o som.
Ao ar livre não poderia estar melhor... E nem pior.

Anselmo, trajando uma elegante roupa negra empunhava um violão Gibson, aparentemente do ano de 1928. Uma verdadeira raridade. Passara a tarde toda afinando o instrumento, não por grossura, mas por nervosismo.
De fato, tem aptidão e dom para as cordas e com isto afinar lhe é ato natural ao pegar o violão.

Ron faz a contagem...
-One, dois, three...
E a musica começa com os vocais de Anselmo:
-Come a litle bit closer/Hear what I have to say…



Ao fim, da janela à qual a serenata se destinava nenhum movimento, nem um acender de lâmpadas. Nada.
Das casas em volta sim.
-Não mora ninguém ai não... – diz uma senhora aparentando mais de cinquenta.
-Não? – pergunta Ron – Nem cachorro, né?
A mulher não responde.
-Anselmo... Tocamos à toa. Pensei que você soubesse onde morava a Dra. Remédios...
-Bem... Saber eu sei! Mas chegamos aqui não?.... Só não sei direito qual a casa.
-E porque escolheu esta em particular?
-Palpite.
-Ah tá...
-Mas não foi à toa não...
-Não?
-Não... Foi bom. Você saiu de casa, eu saí de casa e não fomos trabalhar... Esta senhora ai abriu sua janela, e sabe... Deve ter gostado. – e virando para a senhora da janela – A senhora gostou né?
-O que? – grita a velha com a mão em concha em torno da orelha.
-Tá explicado! É surda... – vaticina Ron.
Sob olhares silenciosos desmontam tudo, guardam no carro e se retiram. Ainda assim Anselmo tem um sorriso nos lábios ao dirigir de volta.

Na manhã seguinte, por sobre a mesa de Anselmo um pequeno envelope rosado e perfumado o esperava.
Dentro, em letra miúda um agradecimento pelo presente de aniversário tão sublime, assinado pela destinatária da serenata.
Anselmo mostra a Ron o envelope;
-Cara eu nem sabia que era aniversário da doutora... – se espanta Ron.
-E não era.
-Então?
-Era meu.
-Era seu? E ela sabia?
-Sabia...
-Agora que não entendi porcaria nenhuma.... O aniversário era seu, você dá o presente?
-É... O que tem?
-Ah! Nada... – diz cínico o repórter – E ela que nem morava onde estivemos tocando ainda assim ouviu? Como?
-Sei lá... Nem me preocupo com isto... Deixa eu curtir o momento. O que não tem explicação, explicado está.
-Tá certo... Feliz aniversário então, parceiro Anselmo Coyote... Atrasado, mas de coração.

Não vou entregar o dia, mas fica aqui minha pequena homenagem...

24 de nov de 2009

S.E.P. Sindrome do emputecimento progressivo

As causas, bem como as origens, são desconhecidas.
Porém não se engane, a Síndrome do Emputecimento Progressivo é real e afeta a todos - em maior ou menor escala - em algum período da vida.
Manifesta-se de forma completamente aleatória e sem avisos prévios.
Não há sintomas que facilitem sua identificação e só é possível detectar sua presença quando se manifesta. Então já é tarde demais. Salve-se quem puder.
Veja um exemplo:
Um suspeito de portar a síndrome, observado em seu cotidiano teve reações estranhas a fatos rotineiros.
Acompanhe.
Pela manhã o rapaz passa por um simpático vendedor de zona azul que lhe pergunta sempre a mesma coisa:
-Será que chove hoje?
E quase sempre a resposta é:
-É possível... O tempo anda meio louco.
Já sob a influencia da síndrome a resposta foi:
-E eu vou saber c**lho! Eu lá tenho cara de repórter do tempo?
Atitude que é vista apenas como falta de educação, mas demonstra o inicio do distúrbio de humor.
Tende-se a pensar que a grosserias se dão por conta de algum problema pessoal.
A falta de divulgação de informações sobre a síndrome gera reações e frases que só contribuem para a progressão do mal.
“-Deve ter dormido com a bunda descoberta...”.

Ao embarcar no transporte coletivo, o individuo tende sempre a fantasiar que o condutor está de marcação com ele. Costuma exteriorizar isto de forma pouco lisonjeira:
-Pqp, de novo ce parou o busão onde o degrau de embarque fica mais alto... Ce tá de sacanagem, quando não é isto é poça de água. Ce ta sempre querendo me ferrar!
Geralmente o condutor releva, como mandam os manuais de bom comportamento no exercício da função. Na pratica equivale a fingir que nem ouve.
Porém quando as reclamações passam a ser mais acintosas o profissional do volante geralmente acelera para logo em seguida frear bruscamente fazendo com que o individuo perca o equilíbrio.
-Pqp, ta pensando que tua mãe ta aqui dentro?
Há quem pense que rompantes como os do motorista sejam de vingança. Mas artigos publicados recentemente dizem que a SEP é altamente transmissível à curtas distancias e em pouco tempo de contato.
Geralmente o condutor também tem uma frase maldosa para a ocasião.
-A esposa deve ter dormido de calça jeans!

Ao descer do coletivo o ser sempre tem que disputar o espaço com pessoas que aguardam outro coletivo e quase sempre com alguns camelôs.
O que faz o desembarque do ônibus parecer um suplicio.
O ser salta do degrau; esbarra em uma ou duas pessoas; acerta a barraca de balas do camelo.
-Ca***ho! Só em país subdesenvolvido mesmo pra nego colocar barraca numa calçada onde mal cabem os pedestres...
E mais:
-P**ra! Não ta vendo que aqui é o espaço da porta de desembarque? Tão fazendo o que ai parados?
Geralmente os camelôs são os que respondem mais alto, claro, ignorando a causa do mau humor: -Tá de TPM , santa?

Antes de chegar ao escritório o sujeito ainda passa em uma lanchonete para um rápido desjejum. Já que ao sair de casa estava atrasado e não teve tempo para comer.
Já dentro do pequeno bar o sujeito ouve:
-Café preto?
E responde já completamente tomado pela síndrome:
-Se tiver branco, com pontinhos verdes ou rosados eu prefiro!
Os balconistas são daquela classe que nunca respondem em viva voz, mas com certeza fazem misérias com o café e o pãozinho na chapa do sujeito.
Adentra o escritório ouvindo perguntas do tipo: “-Já chegou?”. Que nem se digna a responder, apenas bufa.
Ao acomodar-se em sua mesa verifica a quantidade de processos pendentes e num ato mecânico apóia o rosto nas palmas das mãos.
Entra o chefe e nem lhe dá bom dia:
-Está atrasado?
-Estou, estou atrasado, com fome, dolorido e muito puto... Por quê?
O chefe acha melhor deixa a entidade quieta até se acalmar.
Mal sabe ele que daqui pra frente a tendência é só piorar...
E muito.
Porém esta síndrome não está descrita e nem é coberta por nenhum plano de saúde do mercado.
O que se for dito em voz alta perto do emputecido pode causar reações de conseqüências inimagináveis.
Gostou do texto?
NÃO? AH VÁ PRA...

23 de nov de 2009

Nem a Mercedes liga para o Button

Quando Nick Fry – que nunca foi lá muito sensato ou útil - foi à imprensa dizer que Button tinha sido “o traíra” por não ter aceito o que lhe foi oferecido, foi dizer o que a empresa lhe mandou dizer, dar uma desculpinha... Acabou mostrando mais do que queria mostrar... A Mercedes não correria o risco de admitir que dispensou o campeão do mundo para – no caso de - não ter um carro bom para o ano seguinte ter de responder a pergunta: “E se Button ainda estivesse lá?”
E também não queimaria o nome Jenson Button quando este está em alta, até por uma questão de gratidão, mas não o queria lá.

Jenson Button então foi bater às portas da Mclata e se oferecer para ficar com a vaga de Kovalainen.
Curiosamente por um salário menor do que tinha na antiga Brawn. E que até onde se sabe era menor do que o do finlandês de Woking.
Estranho...
O cara bate o pé por aumento de salário na equipe em que estava e pela qual foi campeão do mundo e de uma hora para outra aceita um contrato com menos dinheiro para correr em outra?
Faz sentido, né? Então dá declarações dizendo que aceitou menos grana para ter mais desafio.
Desafio? Que desafio?
Deixar um posto onde provavelmente – note-se: provavelmente – teria um carro vencedor e seria o primeiro piloto, com as maiores atenções pelo titulo que conquistou, para ir para outra equipe tão boa, ou melhor? Isto é desafio?
“-Ah, mas vai tentar bater o Hamilton...”
E por acaso, na Mercedes/Brawn ele não teria de tentar isto também?
Desafio seria ir correr pela Toro Rosso, nova Lotus.
Ou USF1.Me parece claro que a Mercedes já estava encaminhada na compra da Brawn desde a primeira metade do campeonato. Se não como explicar que mesmo se mostrando um carro vencedor e muito superior aos outros sua carroceria permanecesse com pouquíssimos patrocinadores? E a certa altura até a Virgin se mandou sem que Ross e sua turma mostrassem qualquer sinal de desespero ou pressa em ter novos patrocinadores.E me parece mais claro ainda que os alemães capitaneados por Norbert Haug não tinham intenção nenhuma de manter a dupla de pilotos da Brawn.
Tanto que deram um: “Até logo, um abração!” para Rubens e apenas para constar como represália, impediu Button de participar de ações promocionais pela nova equipe até o fim do ano.

Já a Maclata viu uma oportunidade muito boa de mostrar que a perda de um sócio poderoso como a Mercedes não lhe abalaria, como de fato abalou.
As negociações com Kimi foram empurradas com a barriga, alegando entraves nos detalhes até que a situação da montadora alemã se resolvesse. Como o resultado não foi dos melhores para a equipe de Woking, com considerável perda de dinheiro, Kimi foi descartado, por – evidentemente – ser muito caro agora. Button então caiu como uma luva.
Mais barato e ainda trazendo consigo o numero um para o bico do carro, no caso mantendo, e só trocando de piloto.
E o melhor, não incomoda seu garoto prodígio Lewis Hamilton.

Podem pensar o que quiser, podem achar que minha teoria é maluca ou de conspiração.
Podem até dizer que enlouqueci.
Mas para mim, Button foi sumariamente dispensado pelos alemães da Mercedes.
E este negócio de que foi buscar novos desafios soa tão verdadeira quando a história do político que larga o cargo no meio do mandato – qualquer que seja - para disputar outro e diz que foi por pura vocação cívica e vontade de ajudar o seu país.

Nem sei por que escrevi tudo isto...
No fundo ninguém liga pro Button mesmo.

20 de nov de 2009

Entrevista com Kimi Raikkonen

-Olá Kimi... Primeiro muito obrigado por conceder esta entrevista...
-Por nada, eu quero desmistificar algumas coisas falam sobre mim...
-É?
-Claro... Ce acha que eu gosto de ser visto como homem de gelo?
-Mas é uma referencia a seu temperamento frio, não?
-Quem dera... É mais uma maldade, tipo... Quando esquenta, ele derrete.
-Putz! Eu nunca tinha pensado nisto. Mas seria legal se fosse de gelo mesmo, né?
-Opa! Imagina só... Na minha mão a bebida nunca esquentaria...
-Tava falando do temperamento.
-Eu não ligo para isto. -Bem, o que você pensa do Alonso estar agora no seu carro?
-Sinceramente?
-Óbvio!
-Eu não ligo... Problema dele.
-Mas dizem que ele é um dos melhores...
-É... Claro. Veja este ano... A Ferrari era horrível, e eu ganhei uma corrida.
-E daí?
-A Renault era horrível e...
-Já entendi.

-O que deu errado com as negociações com a Mclaren?
-A imprensa brasileira atrapalhou.
-Como?
-O Whitmarsh pensou que o tal ano sabático queria dizer que eu iria correr só nos sábados...
-Hehehe, realmente, abusaram da expressão.
-É sim... Joga no google: “sabático” e vai aparecer em primeiro plano: “sites brasileiros de automobilismo”. E são todos jornalistas graduados, né?
-Graduado? Nem todos só um lá... Mas deixa barato.

-Vou dar alguns nomes e você me diz o que espera pro ano que vem.
-Certo.
-Kubica na Renault?
-Coitado.
-Barrichello na Williams?
-Coitada...
-Bruno Senna na Campos?
-Não sei.
-Button na Mclaren.
-Sei lá... O Lewis deve ter ficado feliz.
-Por quê?
-Ele não queria um companheiro de equipe forte...
-Mas o Jenson é campeão do mundo!
-Ah! Groo... Vá se ferrar! Você mesmo diz que ninguém liga para ele...
-Tá bom...

-Você tem planos para o ano que vem?
-Tenho.
-Pode contar?
-Claro... Primeiro vou para Tegucigalpa, vou tirar o Zelaya da embaixada brasileira no tapa. Depois venho para Brasília, para explicar para o meu colega de copo, aquele que usa a faixa presidencial, o que é “extradição”, assim ele entrega logo o Batisti para a Itália punir.
Também vou aproveitar para dizer para ele que o filme que fizeram sobre sua vida é uma bomba!
Depois vou procurar aqueles caras do A-Ha e entrar na banda. Melhor musica da Finlândia...
-Mas o A-Ha era norueguês e não finlandês...
-Amigo... Depois de umas doses de vodca você começa a achar que japonês, chinês, coreano, boliviano é tudo igual, não?
-É...
-Então... Com os nórdicos é igualzinho...
-E se nada disto der muito certo?
-Então vou pegar meu iate em Helsink e velejar até Valência. Tomar sol pelado nos dias da corrida por lá e coçar tanto o saco que ele vai ficar mais vermelho que o do Papai Noel.
-Mas... Para que?
-Para quando a Ferrari do Alonso passar e a câmera nos focalizar no mesmo plano eu me levanto e grito: Aqui ó! -Só?
-Não... Vou ficar mandando SMS pro Galvão Bueno também.. Igualzinho o Felipe Massa.
-Vai ajudar na transmissão?
-Não... Vou mandar ele calar a boca.
-Um ultimo recado?
-Sabático é o ca****o! Meu ano vai ser Ledzepellinico!

19 de nov de 2009

Conto de fadas moderno ou A Brawn borralheira.

A madrasta não permitiu que a princesa - que nem era tão bela assim - participasse do baile naquele ano.
A princesa - que não era bela - então viveu tempos de agonia e incerteza à espera de um milagre... Então uma fada madrinha, meio vesga e com cara de cearense aparece. Na verdade é um fado padrinho, ainda que isto soe como musica portuguesa...
Ele -o fado - já conhecia a princesa, que no fundo era até bem feinha, e prometeu que: se a madrasta lhe permitisse leva-la ao baile, faria dela uma princesa linda e desejada pelos príncipes...

A madrasta não duvidou da capacidade do fado padrinho (não parece coisa do Roberto Leal?), mas também não acreditou de pronto.
Até permitiu que ele levasse a horrorosinha ao baile, mas por sua conta e risco. Nem o nome da madrasta eles poderiam usar.
Só o antigo endereço.

O fado (o bate o pé, bate o pé, bate o pé) então deu um jeito e fez seu pequeno milagre particular. Deu a ela seu próprio nome e trocou seu coração por um de origem alemã.
Estrelado e prateado.
Mudou sua fisionomia, mas isto – infelizmente - não ajudou em nada já que a dita continuou feia que dói...
Mas principalmente: leu o regulamento do baile e viu que havia brechas nele.
Descobriu que ao invés de usar os trajes exigidos pela organização, poderia aparecer com algo inovador.
Foi o que fez e isto ajudou na mobilidade da manceba ao se locomover pela pista de dança.
No salão, ninguém dançava melhor que a protegida do fado vesgo.
A inveja e a maledicência cresciam a olhos vistos, porém nada podia ser feito já que a direção do baile deu sinal verde para a vestimenta da feiosa.

Ao fim do baile a promessa havia sido cumprida, muitos dos príncipes estavam de olho em sua protegida.
Porém coube ao mais belo príncipe dos últimos anos a honra de ficar com a princesa, e não foi só amigação não, como na maioria dos contos de fada.
Foi papel passado. Casamento no duro! Mudando até o nome e sobrenome da coisinha horrorosa, mas sem ter de mexer no coração que ela agora usava.
Afinal, aquela peça já pertencia mesmo ao príncipe... Especula-se que este casamento fará bem a ex princesa feia, que ao menos a parte estética poderá melhorar muito (já que pior era difícil de ficar...).
A parte financeira não se discute.

Só falta agora o príncipe lhe comprar algumas jóias para lhe adornar a coroa conquistada no baile deste ano.
Há quem diga que talvez um diamante finlandês lhe caísse muito bem, mesmo que junto com uma pedrinha de brilho indefinido vinda das terras do príncipe.
E quem há de duvidar desta combinação?
Por tudo que já aconteceu, eu próprio não duvidaria de mais nada... Mesmo!

18 de nov de 2009

Cartinha do Papai Noel a um piloto amigo nosso...

o carteiro!
Aquele grito fez com que o habitante da casa deixasse seu merecido descanso depois de um ano duro de trabalho e fosse até a caixa do correio.
Lá encontra de uma dezena de cartas, algumas contas, prospectos de pizzaria, a restituição do imposto de renda - segundo lote - e uma carta com remetente da Lapônia.

Entrou em seu escritório e sentou-se em sua escrivaninha. A principio estranhou, mas ainda assim resolveu abrir e ler o conteúdo:-Quando recebi sua carta no natal passado me comovi, não tinha como não me comover. Você se lembra?
Dizia que estava cansado... Que precisava de um bom ano para poder se aposentar. Que não era justo que depois de tantos anos de serviços prestados à causa deste esporte acabasse a carreira em um carro mequetrefe. Que só lhe deu alguns pontos por sorte.
Sorte – ou falta de - aliás, é outra coisa de que reclamou muito em sua carta.
Seus desejos me pareceram justos, para que você se lembre melhor vou listar alguns aqui.
(Bendito ctrl-c/ctrl-v...).


*Gostaria de ter mais um ano na carreira.
*Gostaria que este ano fosse muito melhor dos que eu já tive.
*Gostaria que a equipe que me contratasse disputasse o titulo.
*Gostaria de ser eu a disputar o titulo.
*Ah sim... Gostaria que meu companheiro fosse meia boca, pior que eu se possível... Não gostei de ser companheiro de equipe de gênio.
*Gostaria de ser unanimidade em meu país.

Eu fiquei realmente inclinado a lhe conceder estes presentes, afinal você tem sido um bom menino durante toda a sua longa carreira...

E assim o fiz:
Lhe dei mais um ano na carreira e o carro da sua equipe se mostrou a principio imbatível e assim sendo não havia como não disputar o titulo.
Lhe dei um companheiro de equipe que, até então, ninguém dava a mínima... Um completo Zé ninguém, que alguns – só para atazanar – viviam perguntando: "Quem?”.
E olha... Escolhi este companheiro de equipe à dedo viu? Porque no fundo, bem no fundo aquela sentença de um blogueiro ai de teu país era mais que verdadeira: Ninguém liga para o Button!
Nem eu! Já que por anos e anos ignorei as cartinhas dele.

Só não pude fazer com que você fosse unanimidade, mas achei que você não ficaria triste... Afinal nem Emerson, Piquet ou até mesmo Senna foram... Mas ainda assim lhe dei o Twiter para que se aproximasse mais de seu publico e mostrasse como você é legal...

Aproveitou?
Não! Pqp, não aproveitou!
Sabe quantos milhões de cartas eu recebo todo ano? E sabe quantas eu resolvo conceder os pedidos?
E o que foi que você fez?
Demorou uma vida para ganhar a primeira do ano.
A toda hora colocava a culpa no carro ou na equipe.
Só entrou realmente na disputa do titulo quando já estava praticamente perdido.
Perdeu para o companheiro de equipe... Aquele que ninguém dava à mínima e que acabou sendo o campeão do ano.
E o pior! Resolveu que vai ficar mais um ano, quebrando a promessa que tinha feito de se aposentar... (Pobre tio Frank! Acho que vou começar a ler com mais atenção às cartas dele...).

E parecia que caminhava para ter – senão a unanimidade – pelo menos a virada em termos de simpatia de uma grande parcela dos seus compatriotas, dando voz tanto a seus fãs quanto a seus desafetos...
Mas você tinha que borrar tudo com aquele processo desnecessário contra o Google e sua ferramenta orkut... Que tiro na água, heim?

Ok... Eu sei que o normal seria que você escrevesse para mim e não o contrário, mas quis saber, eu tinha de saber, o que foi que aconteceu?
Será que poderia me explicar?
Abraços:
Santa Claus, ou Papai Noel... Escolhe ai.

Então o destinatário daquela cartinha vinda da Lapônia esticou o braço e pegou – debaixo de uma pilha de livros de auto-ajuda – papéis para escrever a carta resposta:

-Querido Papai Noel...
Olha, eu sou só um brasileirinho....

17 de nov de 2009

Post it da F1

Descobri um aplicativo que gruda na tela do computador uma folhinha tipo post it...
Na descrição do negócio diz que é como um bloco para pequenos lembretes e eu achei uma maravilha!
Viciei.
Depois vi que também tem no meu celular e agora vivo colando “papelzinho” sobre um monte de assuntos, desde idéias para contos, até noticias que acho que deveria ler melhor mais tarde, para entender algumas das coisas que estão acontecendo na F1.
Às vezes, quase sempre, serve para as duas coisas...
Só tem um problema, às vezes anoto pela manhã e quando vou rever as notinhas, geralmente já a noite, não consigo recordar o porquê está escrito daquela forma... Tenho que ficar tentando adivinhar.

Este estava no PC da sala: F1 sem sapato.
Que coisa não?
Primeiro fiquei na duvida do porque tinha anotado aquilo... Depois me lembrei que não só os nicômicos que correm debandaram da F1, mas também os que fornecem pneus se foram.
Não é a primeira vez que uma fabrica de pneus deixa o circo, e não vai ser a ultima.
A diferença é que até agora não surgiu uma candidata sequer a ficar no lugar dos pneus que o Massa – com língua pgresa e tudo – fazia propaganda na TV.


Muito pelo contrário.
Grandes fabricantes de pneus já emitiram comunicados dizendo que não tem interesse.
Imaginei que era hora de lançar uma revolução: Já que vai acabar o reabastecimento, por que não acabar também com as trocas de pneus? Que tal um pneu que agüente a corrida toda? Que tal um pneu maciço? Igual as rodas dos velocípedes... Corrida de carro deveria ser coisa muito simples, o carro mais rápido ganha. O melhor piloto faz a diferença e pronto.

Este outro estava no tibuque: FIA Kill Bria, a vingança.
Olhei isto e fui procurar por novo filme de Tarantino, como só achava links a respeito de Inglorious bastards fiquei muito confuso... Até que caiu a ficha.
O Briatore disse que ia pedir revisão da pena de banimento baseado no fato – que ele sustenta – de que a FIA agiu por vingança. No caso, especificamente Bernie Ecclestone.
Mas engraçado... O cara que fez a cagada foi lá e confessou, jogou tudo no ventilador e pouco importa seus motivos. Logo é irreal dizer que não existiu o ato.
E se existiu então que diferença faz se foi vingança ou não?
Se a FIA aproveitou o ensejo para lhe dar um pé 44 na bunda que há de se fazer? Uniu o útil ao agradável e fez valer a máxima: os fins justificam os meios.
Sei que não é bem assim, mas no caso deste canalha, vale.

Agora o último e este estava no meu celular e foi o que me deu mais trabalho para decifrar: Essa moça está diferente.
Fiquei mais de quarenta minutos pensando que diabos eu quis dizer com aquilo...
Primeiro me veio Nico Rosberg a cabeça, procurei saber se já havia alguma noticia de onde ele iria correr ano que vem e nada.
Então tentei Trulli, para saber se aquele piti que ele deu aqui no Brasil tinha tido algum desdobramento a mais depois, claro, daquela coletiva em Abumdabe. Nada também.
Então fui procurar algo relacionado ao Adrian Sutil, afinal o Marcão do GP Séries sempre faz piadas a este respeito... De novo, nada.
Cansei e resolvi desistir, mas antes de desligar o laptop fui apagar o recadinho do celular e de passagem pela estante vi um CD do Chico Buarque e outro bilhetinho. Este de papel mesmo...
Era para lembrar de colocar na memória do celular a canção “Essa moça está diferente”, nada mais que isto...

Como a gente é maldoso, não?

16 de nov de 2009

Burning down the house

O cara acordou pela manhã e ligou para o “amigo”, queria saber se para aquele dia estaria tudo certo.Do outro lado da linha telefônica o “amigo” disse que tudo estava em ordem. Se encontrariam então na faculdade.
-Não vai esquecer de levar as camisinhas viu?
-Não esqueço, tesão! Sala três do curso de administração de empresas.
-Fechado...

Mais tarde, já quase à hora do almoço, um grupo de ativistas lésbicas se reúne para conversar sobre as “gostosas da facul”:
-Se dessem bola eu pegava!
-Pô! Sem duvida! As mina lá todas com aqueles corpão... Provocando...
-Benza Deus! Mas aí não é só você não, qualquer uma daqui pegava as patricinhas lá.
-É... Mas para este bando de galinhazinhas a gente é só um bando de sapatas...

Já no Campus, uma turma de mulheres feias se retorcia de inveja das mais bonitinhas que atraiam a atenção dos meninos.
-Bando de vacas...
-E não é? Pior que tudo que elas vestem acaba ficando bem. O que elas têm que nós não temos?

E na lanchonete dentro da instituição alguns alunos que gostam da alface do capeta comentam:
-Tá loco cara, mina nenhuma dá bola pra nóis ai...
-Pois é, vamos acender mais um ai...

Enquanto as patricinhas:
-Tem gente que não se enxerga, sabe que não é de nada, mas pensa que tá podendo...

Mais tarde todos eles vaiaram e ameaçaram bater em uma menina gordinha, até meio feia e brega, que ousou ir à aula com um vestido justo e curto, deixando à mostra partes de seu corpo e também umas gordurinhas.
Até a policia teve de aparecer para que a rolicinha pudesse deixar o prédio sem ser linchada.

A direção da faculdade, como na piada em que o homem encontra a esposa transando com outro no sofá de casa e resolve o problema jogando o móvel fora, expulsa a gordinha.

A imprensa cobre o episódio com sua parcela normal de sensacionalismo, repercutindo – não injustamente - o caso e a faculdade resolve reintegrar a gordinha ao seu quadro de alunos.

A gordinha por sua vez começa a aparecer em diversos veículos da imprensa numa exposição mais assim, digamos... Calculada, para tirar vantagem do imbróglio

Demorei um bocado para poder ordenar as idéias sobre este assunto, mas quanto mais penso mais me convenço de uma coisa: Como tem hipócrita e falso moralista na Uniban!

15 de nov de 2009

Maionese - epilogo.

Mal entram em casa e já abrem a primeira garrafa do vinho, um merlot, enquanto colocam as outras na geladeira para mais tarde.
O conteúdo da garrafa foi sorvido em pequenos goles, mas rapidamente enquanto cozinhavam as batatas.
Abriram a garrafa do riesling quase devidamente gelado enquanto cozinhavam as cenouras.

-Por que não cozinhamos as cenouras e batatas juntas?
-É... Verdade! Será que poderíamos ter posto os ovos juntos?
-Acho que sim... Com casca ou sem?
-Sei lá... Pode até ser, mas não teríamos desculpas aceitáveis pra tomar os vinhos.. (risos).
-Perfeitamente, mais uma taça deste vinho branco dos deuses.... Saúde!

Algum tempo depois os legumes estão cozidos, devidamente picados e misturados uns aos outros em uma travessa grande.
Então tem lugar o dialogo que abre este texto, e continua...

-Põe o creme de leite então... – ela recomenda.
-Agora está aqui... Mistura tudo. – ele acata.
-A maionese também...
-É... Põe logo... Cadê o cheiro verde?
-Ih esquecemos esta coisa... Se bem que nem sei o que é... Vou ver na sua geladeira... Hei! Quem mordeu esta cebola?
-Que cebola? Na geladeira só tinha uma maça velha...
-Não é maça... É uma cebola roxa!
-Por isto então estava com gosto ruim... Prova pra me dar razão...

E sob efeito dos vinhos ela também dá uma grande mordida na cebola.
A língua arde, lógico, e então ela toma mais um gole do vinho branco, no gargalo mesmo...

-Amor... Aqui diz que o cheiro verde é indispensável, pega alguma coisa verde ai na geladeira...
-Tem uma folha de couve...
-Serve... Tráz ai... E por favor, pica bem fininha...
-Tá...

Joga a couve picada dentro da mistura e aproveitam para abrir o vinho alemão de nome impronunciável.

-Aqui na receita ta falando para picar a salsicha tipo Viena e colocar na mistura... – ela lê.
-Nós não compramos salsicha nenhuma, mas na geladeira tem hambúrguer, é tudo carne moída mesmo... Pega lá, por favor... – diz ele com leve tom de embriagues na voz.

Ela vai até a geladeira e pega um hambúrguer congelado, o desembrulha e tenta cortar com uma tesoura, não consegue...
Como está congelado mesmo, ela o bate o hambúrguer na pia e ele se quebra em vários pedaços, dando idéia de quanto tempo já estava no congelador.
Tráz os cubinhos que ele prontamente joga dentro da travessa, congelado mesmo...

Já não há uma só gota do vinho alemão de nome impronunciável, ela então volta à geladeira e pega a garrafa do lambrusco para que ele abra.
Então ele segura a garrafa com a mão esquerda e com a direita gira a rolha para abrir o espumante.
Porém o vinho não está suficientemente gelado e estoura como champagne de fim de ano, caindo grande parte dentro da travessa com a maionese... Nenhum dos dois liga e acabam por terminar com o conteúdo da garrafa no gargalo mesmo.
Dormem, ou melhor: Desmaiam. No domingo o almoço transcorre de forma normal, nem aumentou e nem diminuiu o respeito familiar por ele.

A sua cabeça dói ligeiramente e ele sente um peso estranho no estomago.
O prato que trouxe permanece intocado até o fim da refeição, quando todos levantam da mesa.
Alguns vão ajudar na limpeza, outros vão jogar truco.

-Mãe, por que ninguém tocou na minha maionese?
-Vieram poucas mulheres, e como você sabe, elas vivem de dieta, nunca tocariam na maionese...
-E os homens?
-Ah... Em churrascos estes ai só querem saber da carne e da cerveja, todo o resto é sumariamente ignorado. Mas foi legal você trazer, mostrou que ao menos se importa...

Ao fim do domingo volta para casa com a travessa intacta da iguaria que levou, descobre que esqueceu de colocar as ervilhas na receita. Dá de ombros enquanto joga o conteúdo da travessa no lixo.

Na segunda feira de manhã leva o lixo para fora, e segundo os vizinhos até os cachorros da rua evitaram chegar perto de sua lixeira naquele dia.

14 de nov de 2009

Maionese - parte 1

-Vai por creme de leite? – pergunta ela.
-Acho que não, vê ai na receita... – ele diz.
-Legumes, creme de leite, cheiro verde e maionese! Tem sim...
-Maionese? Mas não estamos fazendo maionese? Como vamos por maionese se estamos fazendo uma?
-Olha amor, eu não sei... Tá aqui e é só isto... Faz ai.
-Cê vai comer né?
-Faz ai... Depois a gente vê.

A maionese era para o almoço do domingão.
Um churrasco familiar e esta seria sua contribuição.
-Cozinhar é como alquimia! - dizia sempre. Mas só sabia mesmo fazer miojo, e olha lá!
Cansou-se de ser olhado de viés nos almoços em família. Nunca levava nada.
Desta vez resolveu que contribuiria, nem que fosse com algo extremamente simples.

No sábado foi a uma livraria no centro da cidade e durante horas escolheu entre livros de culinária.
Volumes enormes e pequenas brochuras empilhadas à mesa que usou na loja junto à meia dezena de xícaras de café.
Não fumava, mas em compensação o cinzeiro estava atulhado de papeis de bala e chiclete e por fim acabou levando um livrinho que era quase um folheto: “Saladas”.
Levou-o para casa segurando como se sua vida dependesse disto.
A vida não, mas sua reputação nos almoços familiares sim!

Ao entrar em casa lembrou-se de que quase nunca tem nada em termos de legumes ou verduras na geladeira. Encontrou comida congelada com prazo de validade vencido; um hambúrguer suspeito; cervejas; uma folha de couve e uma cebola, que confundiu com uma maça e mordeu.
Antes que perguntem: Ele não tinha bebido –ainda - e em sua defesa é bom dizer que a cebola era roxa...

Melhor ir ao supermercado.
Ligou para a namorada e perguntou se ela poderia ir com ele.
Ela assentiu, mas já foi logo avisando: “-Não cozinho porra nenhuma!”.

Entraram no supermercado e como de praxe foram direto a seção de vinhos.
Um merlot; um lambrusco; um riesling e um vinho alemão de nome impronunciável e já se dirigiam ao caixa para ir embora.

-E a maionese? – lembra ela.
-Ih é mesmo, já estava esquecendo esta porcaria... Eu nem gosto de maionese. – ele reconhece.
-E vai fazer por quê?
-Por que me pareceu mais fácil...
-Justo...

Voltam às gôndolas e olham a lista, agora não mais que um papel amarfanhado no fundo do bolso dele.
-Cenouras e batatas? – diz ela.
-Cenouras e batatas! – responde ele.
-Ovos, azeitonas, cheiro verde...
-O que é este ultimo ai? Cheiro verde? Algum pó?
-Não... Depois a gente vê... Termina a lista ai... Azeitonas, ervilhas, creme de leite e maionese...
-Ervilhas?
-Ah vá! Não sabe o que são ervilhas?
-Sei sim... São iguais a azeitonas, mas pequenininhas e sem graça...
-Sem graça?
-É... Tenta comer elas com vinho...
Agora sim vão ao caixa para pagar e ir embora, mesmo esquecendo do cheiro verde.
Continua amanhã

13 de nov de 2009

1B, a censura branca e o contra ataque

1B ganhou os processos contra o Google, por conta e comunidades – que ele diz – que são ofensivas.
Ok! Aquelas que têm o singelo nome de “Odeio” isto ou aquilo realmente são desnecessárias, como também são os fakes, já que para dizer besteira e fazer papelão o nosso bravo 1B se vira muito bem sozinho...
Mas as que carregam na ironia fina e no bom humor como: “Rubens Barrichello pilota o orkut” ou “A pressa é inimiga do Rubinho” são legais. Sinceramente não entendo o cara.
Criou um perfil no –para mim odioso – Twiter e abriu (ops!) de um canal de contato direto com o público que serviu para minar – em parte – as idéias pré concebidas de quem assisti apenas o resumo das corridas e acha que entende da coisa toda.
Ponto para ele.

Agora vem com esta?
Isto cheira mais a cerceamento da liberdade de expressão e policiamento barato vindo de sua assessoria de marketing que deve ter se sentido muito mal em ver que a agência de propaganda que cuida da conta da cervejaria Itaipava usou apenas a imagem do Button em suas ações de propaganda, mesmo a corrida sendo aqui no Brasil.

Se nós, que acompanhamos o esporte com grande interesse e às vezes fazendo até sacrifícios de sono e outras coisas não pudermos dizer o que pensamos em comunidades ou fóruns então para que assistir?
Para que perder tempo tentando entender os meandros de uma coisa que a principio deveria ser extremamente fácil, com o melhor carro ganhando as corridas sem a necessidade de entender de detalhes de cronometragem, estratégias de paradas e pesos?

E se nós, que gostamos e entendemos minimamente – por que o negócio não é tão simples – de corridas resolvêssemos processar o 1B por propaganda enganosa?
Sim, claro, por que é o que ele vem fazendo desde 1994 quando, entrando na onda “galvânica” ou não, arrebanhou para si a “missão de ser o substituto de Senna no coração dos brasileiros”, esquecendo que ele era apenas o Rubinho e não mais que isto...

Abriríamos um processo por todas as vezes que ele disse que:

-Viria com a faca nos dentes.
-Na próxima seria diferente.
-Não desisto por que a maré um dia vira.
-Ainda dá para ser campeão.
-Vou contar tudo num livro.
-Sou só um brasileirinho (ou a variante “pequenito”) contra este mundão todo.
-Fui prejudicado.
-Este é o melhor momento da minha carreira.
-Ano que vem é meu.
-Foi problema no carro.
-Me sacanearam.
-Sou tão rápido quanto meu companheiro de equipe (não importa quem).
-Estou com muita energia positiva.
-E outras coisas que foram veiculadas sobre suas supostas qualidades – por ele ou não, já que também nunca desmentiu nada – ao longo dos anos etc, etc, etc...

Olha que as chances de ganharmos o processo são boas viu... Tem algum advogado na casa?

12 de nov de 2009

Um pouco de mentira inocente

A história me contada por um amigo de Minas Gerais, vou declinar de grafar aqui o nome a não ser, claro, que ele autorize.
Antes que eu me esqueça, devo dize que ele tem mania de aumentar um pouquinho as coisas em suas histórias, mas não muito.

Conta ele que em uma viagem de férias – sozinho - ao Pantanal Matogrossense para uma pescaria, após horas de tentativas sem nem sentir o anzol ser beliscado, resolveu fazer um pequeno churrasco.
Foi até o cercadinho onde – segundo ele – estariam os três bois que trouxe de sua fazenda para a ocasião... Para o caso de não pescar nada, entende?

Notou que só haviam dois bois confinados.
“-Mas o que é um boizinho?”. – disse ele, ainda tinha dois e iria fazer churrasco de um deles de qualquer forma...
E assim foi.
Lá pelas tantas, enfadado de tentar pescar e de estomago cheio com o “petisquinho”, pegou um pedaço de carne e iscou no anzol, só de farra. Atirou ao rio preso por uma linha grossa para pesca de peixes grandes.
Tomou um susto quando sentiu que com a carne no anzol – finalmente - fisgou algo, mas sentiu que a força que o bicho era desproporcional!
Tanto que começou a puxá-lo para dentro do rio, como se fosse ele o pescado.
Depois de muito se debater – em vão – acabou caindo dentro do rio e descobrindo que o que lhe puxara lá era nada mais, nada menos que uma enorme cobra Sucuri!
No susto, e no desespero, sacou do facão e cortou a cabeça da cobra, segundo ele, em um só golpe e descobriu surpreso – dentro da cobra – o boi que havia sumido.

Até ai não estranhei nada, até porque reza a lenda pantaneira que cobras Sucuris podem mesmo engolir pequenos bovinos, eu até disse isto a ele que retrucou dizendo que de boizinho o bicho tinha só o apelido...

Tudo bem... Conhecendo sua veia um pouco exagerada...
Mas ele continuou contando e disse que ao cortar a cobra, acertou também o bicho que estava dentro dela e isto fez com que o sangue jorrasse forte, tingindo de vermelho quase todo o rio atraindo um enorme, gigantesco cardume de piranhas.
Também não estranhei, já que é sabido que há mesmo piranhas no Pantanal e que o sangue as aguça o instinto e as atrai.
Só que ele disse que com o facão, e umas boas pernadas e porradas afastou todas, enquanto nadava para a margem do rio e ao chegar lá deu de cara com um enorme urso polar...Ai não agüentei... Tive de interromper a história e lhe chamar a atenção!
Afinal – como havia dito – sucuris e piranhas no Pantanal vá lá, é plausível, mas... Urso polar? Pode parar...

Então ele nem se fez de rogado, e nem perdeu o pique da história.
Olhou em meus olhos e continuou: “-E então rapaz! Foi ai que eu sai da água, peguei o urso pelas orelhinhas assim, bem forte e falei olhando nos olhos dele: Que é que cê tá fazendo aqui bicho feio?”.
Adapdtei este conto de uma lenda pantaneira contada por Almir Sater em seus shows, se alguém conhecer e tiver alguma correção, pode fazer, escrevi o conto apenas com as lembranças do "causo".

10 de nov de 2009

Jeito de corpo

Este texto é uma espécie de homenagem a um amigo muito querido, que me contou dia destes que vai ser papai de novo. Se ele autorizar, eu ponho o nome dele por aqui...

Então eles se descobriram grávidos, e de três meses.
No inicio ela estranhou a ausência das regras, mas no fundo dava graças a Deus por não ter aquele incomodo período.
No primeiro mês ela estranhou, mas: “-Tudo bem nunca fui muito regulada mesmo!”.
No segundo já achou melhor procurar um médico, mas não foi.
Os afazeres – muitos – do dia a dia e o trabalho consumiam quase todo o tempo, sobrando muito pouco dele para dar atenção ao filho e ao marido, que também andava atarefado com o novo negócio que montara e ao menos – graças a Deus – estava prosperando.
Já no terceiro mês a preocupação bateu à porta com força, sabe-se lá o que poderia ser se não fosse uma gravidez?

Fez o teste da farmácia - aquele do xixi – e o negócio reagiu positivamente.
Ele, cético que só, ainda tentou argumentar e chegou até sugerir que fizesse de novo.

-Mas já deu positivo uma vez. Por acaso não está feliz com a possibilidade?
-Claro, estou e muito contente. E você sabe que quero outro filho, sempre quis. Por isto que quero fazer o teste de novo... E se você... Ah não deixa pra lá!
-Fala! Se começou, agora termina.
-Não, nada... É besteira.
-Fala!
-Tá... E se você fizesse mais xixi, uma quantidade maior e tal...
-É tem razão... Era besteira.

Resolvem então procurar um médico, que pede logo o exame de sangue e constata.
-Parabéns, vocês estão grávidos!
Ela sorri, ele lacrimeja e logo depois desmaia.
O médico prescreve uma dieta para ela e anota ao fim da receita: “-Aplicar também a ele, sinto que este dará mais trabalho que a gestante.”.
Ela que até ali, mesmo com três meses de gravidez não havia sentido nada, nem um só enjôo, de repente foi uma torrente de mal estar. E então começaram as vontades, os desejos...

Em uma noite particularmente quente, ela o acordou. Nunca tinha percebido que ele dormia numa posição que lembrava aqueles desenhos egípcios estilizados com as mãos ao lado do corpo, uma para cima outra para baixo. Riu baixinho e sussurrou em seu ouvido:
-Amor, to com desejo...
Ele que já conhecia esta fase, da primeira gravidez, se pos em alerta...
-Mas relaxa, eu não quero comer nada, to com desejo de que você cante uma canção para mim...
Ele suspira aliviado, ao menos não terá de sair de casa para comprar nada.
-Que ce quer ouvir? Diz aqui pro seu Sinatra de olhos castanhos...
-“Jeito de corpo” do Caetano.

Ele sentou-se na cama confuso. Odiava Caetano e ela sabia disto.
-Ce tem certeza de que não prefere comer algo? Um caco de telha como da primeira vez?
-Não... Eu não comi telha.. – e faz biquinho ao qual ele não resiste. Promete que vai treinar um pouco e depois canta, só ela esperar um pouco.

No trabalho ele baixa a musica em seu PC e o coloca na memória do Iphone, salva a letra também e durante o dia todo fica cantando – bondade minha, claro – a canção.
Os sócios, que eram antigos colegas de trabalho e sabiam que ele não gostava de Caetano, riam e o chamavam de “Filha da Chiquita Bacana”, outra canção do baiano...
Ele dá de ombros, afinal não lhe custa fazer a vontade, e pelo sim pelo não, imagina se a criança nasce com cara de Caetano?

À noite, após o banho ele aproveita um momento a sós, já que o filho finalmente dormira e começa a cantar para satisfazer o desejo dela, que sentada em uma poltrona escuta sem prestar muita atenção.

-“Eu tô fazendo saber/Vou saber fazer tudo de que eu sou a fins/Logo eu cri que não crer era o vero crer/Hoje oro sobre patins...”.

-O que? – ela interrompe...
-O que, o que? – ele confuso...
-O que ele quis dizer com: “logo eu cri que não crer era o vero crer...”?
-Não sei, nunca estudei a letra a fundo, para te ser sincero eu nem decorei direito...
-Mas esta parte tá certa?
-Deve estar... Se o google não me trouxe a letra já errada... Deve estar...
-Tá! Continua.
-De onde parei?
-É pode ser...
E ele continua cantando e ela fazendo caretas de quem não entende nada. Até chegar ao verso: “... Sou celacanto do mar/Adolescendo o solar”.

-E este agora? Que diabos é um celacanto?
-Bem, se é do mar deve ser peixe...
-Mas “adolescendo o solar”?
-É... Deve ser... Sei lá. Vai ver que o Caetano tinha comido uma salada com o repolho do capeta... Nunca entendi muito bem as letras dele...
-É... Eu sei.... Termina ai...
E ele termina canção no verso: “é só um jeito de corpo, não precisa ninguém me acompanhar.” E aguarda nem que seja um único bater de palmas.

-Não gostou?
-Gostei... Mas sabe que não satisfez?
-Ah não... Vai dizer que agora cê quer ouvir outra? Tipo “Odara”?
-Não seu bobo... Eu to com vontade de comer algo... E não é telha viu...
-Tá... Depois deste mico “caetanático”, qualquer coisa...
-Eu quero comer a tampa do saleiro...

Ele espantado, olha o saleiro em cima da pia, uma peça de cerâmica em forma de abóbora e que tinha a tampa feita de barro cozido e sem pintura... Tal qual a telha que ela insistia em dizer que não havia comido...

9 de nov de 2009

Lira dos vinte anos

Vinte anos da queda do muro de Berlin...
Um das mais simbólicas e expressivas passagens do século passado completa vinte anos e isto pode gerar duas reações:
A) Puxa como o tempo passa!
B) C***io! Eu nem era nascido!

Em qualquer uma das duas, é claro, tem mais é que comemorar mesmo, afinal aquele monumento à tirania não servia apenas para separar a cidade de Berlin, a Alemanha ou mesmo a Europa em capitalista e comunista.
Servia para separar vidas e expor a intolerância daqueles que não conseguem aceitar que o diferente tem de existir para garantir o equilíbrio e que em casos de ideologia ninguém nunca vai ter razão.

Porém, graças a Jeová, Alah ou qualquer outro nome pelo qual se clame ao Criador, ao menos aquele símbolo pavoroso sumiu do mapa, deixando apenas a triste lembrança de sua existência e das atrocidades que ele representava.
E que ninguém esqueça, para que nunca mais se repita.

Porém um outro muro ainda não foi derrubado e nem dá mostras de que suas fundações um dia irão ceder.
E este é mais forte que qualquer muro de concreto.
Um muro que separa pessoas por cor, credo, opção sexual...
Como se a cor fosse mais importante que o caráter, como se por baixo da pele não fossemos todos nós vermelhos...
Como se chamar a Deus por outro nome o tornasse mais ou menos justo e bom.
Como se o fato do amor ser por pessoa do mesmo sexo, fizesse do sentimento algo feio e agressivo. E claro, como se isto importasse a alguém que não aos próprios envolvidos...
Estou falando de amor, não de promiscuidade, entenda-se.

Vamos aproveitar os vinte anos da queda do muro de Berlin e derrubar estes muros dentro de nós.
Os muros de intolerância, de preconceito, de radicalismo, de cinismo. Que nos impede de ter e proporcionar aos outros uma vida mais digna e com respeito ao próximo.
Que no fundo é só o que almejamos para nós mesmos...

6 de nov de 2009

Quando o stress fala mais alto III - O fitoterapico

Em outras duas ocasiões contei aqui sobre umas situações vividas com um personagem sem nome, sem rosto, com teimosia e temperamento forte e explosivo que vivia dias de cão nas histórias.
Dei a estes contos o titulo de “quando o stress fala mais alto um e dois”, Quem leu se lembra bem que ele transformou um serviço de atendimento ao cliente por telefone num suplicio e teve dificuldades monstruosas para conseguir fazer uma simples troca de um sifão da pia da cozinha.
Agora este personagem está de volta.
Continua sem rosto, sem nome e seus dias continuam desastrosos e ainda por cima anda com problemas circulatórios.

Nem é nada muito sério, mas causam desconforto como dores nos membros inferiores, dormências regulares, enfim...
No consultório médico ouviu a mesma conversa sobre perder peso, deixar de ser sedentário e praticar atividades físicas leves ao menos, já que sua silhueta desaconselhava qualquer esporte mais radical como futebol de fim de semana, por exemplo.
E sem demora: controlar o stress.
Já um tanto calejado com estas coisas pediu um remédio qualquer que ajudasse na circulação sanguínea e depois, quando já se sentisse um pouco melhor dos desconfortos todos, procuraria alguma atividade que lhe desse prazer em praticar.
Na verdade quando disse isto ao médico estava pensando em dominó, baralho e churrasco de fim de semana, mas obviamente não lhe passava pela cabeça dizer isto ao doutor. Ok! Então, de posse de uma receita fornecida e assinada pelo médico foi até uma farmácia para que lhe avisassem o pedido e qual não foi sua surpresa ao descobrir que o remédio receitado eram apenas alguns comprimidos fitoterápicos, ou seja, produzidos com extratos de vegetais.
Se o doutor queria que ele controlasse seu stress, então não estava ajudando em nada lhe receitando este tipo de medicamento já que era um alopata convicto.
Chegava a dizer que: “... se não tinha na composição ao menos um ou dois venenos então o remédio não servia para nada!”.
Pensou em voltar para reclamar, esbravejar, mas pensou no tal stress alto, nas dores nas pernas... “-Deixa para lá.”.
Melhor tomar aquelas porcarias mesmo e ver no que daria.

Entrou num boteco - um verdadeiro pé sujo - e pediu uma coca-cola.
Enquanto o balconista lavava com muito esforço um copo de requeijão, resolveu ler a bula dos tais comprimidos fitoterápicos.
Descobriu que em sua composição havia uma tal “erva de Santa Maria” também conhecida popularmente como “erva de bicho” – vai saber porque? – e que esta erva era muito indicada nos casos de prisão de ventre.
Não era seu caso, mas se o médico receitara depois de haver examinado tanto, devia servir.
O copo de requeijão finalmente ficou limpo, o que não adiantou nada, pois a garrafa de refrigerante estava completamente suja. Mesmo assim serviu-se do liquido negro e gaseificado e num único gole tomou mais de metade do conteúdo da garrafa, engolindo junto dois dos pequenos comprimidos rosados e até um tanto adocicados.
“-Se não fizer bem, mal é que não vai fazer!” – Pensou.
Enganadamente, pois fez mal sim! Talvez por um engano do comprimido ao começar a correr pelo organismo – poeticamente falando – ao invés de mexer com a circulação, foi direto atacar uma inexistente prisão de ventre.
Em questão de minutos o nosso pobre personagem virou um verdadeiro homem bomba.
Explodindo como traques ou morteiros a cada esforço.
Se é que me podem entender.
Ao menos eram apenas barulhentos.
De inicio, porque após o décimo terceiro ou décimo quinto começaram a fazer efeito de gás lacrimogêneo.
“-Melhor ir logo para casa.” – Pensou.
De compromisso tinha apenas que passar num supermercado e levar pães para o café da manha do dia seguinte.
Não queria ter de acordar cedo e enfrentar todo o frio que fazia na cidade apenas para ir à padaria mais próxima pela manha.
Resolveu então não deixar de passar no supermercado.
Ao passar pela entrada da loja notou que não estava muito cheia. Encaminhou-se então para o setor de padaria que era justamente onde havia mais pessoas.
No trajeto sentiu mais uma vez os efeitos do fitoterápico.
Não ia deixar o pânico tomar conta.
Calmamente prendeu o que queria sair de pronto e ainda teve tempo de pensar: “-Está um dia muito frio, logo não deve ter ninguém na seção de frios e congelados do supermercado. Vou até lá e me alivio sem que ninguém perceba, ou seja, atingido.”.A idéia era brilhante, ao menos para ele, claro, que se encaminhou para a seção desejada e lá fez o “serviço” certo de que ninguém estava por perto.
Ledo engano! Ao virar-se para voltar ao setor de padaria deparou-se de frente com duas senhoras que compravam frangos. Engoliu seco e pensou que elas poderiam não ter ouvido ou sentido nada.
Eis as reações:
Uma das senhoras jogou o frango de volta a gôndola e indagou a colega se por acaso aquele produto não estaria podre?
A outra senhora disse que talvez, mas o que lhe preocupava mesmo era o estrondo que ouvira. Será que estava vazando gás dos tubos de refrigeração da seção?
As duas saem rapidamente do local. E preocupadas.
Ele segura-se ao máximo para não rir, o que poderia provocar nova crise.
Enfim controla-se e finalmente apanha os pães para que possa ir embora.
No caminho da saída do supermercado vê as duas senhoras junto a um técnico de manutenção do mercado dirigindo-se a seção de frios e congelados a fim de descobrir se eram os tubos mesmo e se o frango estava realmente estragado...
Apressou o passo e sumiu na esquina antes de literalmente explodir em gargalhadas...

5 de nov de 2009

A fuga dos nicômicos (japoneses piadistas)

Estes japoneses são uns piadistas..
Vivem fazendo graça na F1, seja com equipes que não fazem nada de bom, apesar da grana que gastam, seja com pilotos – japoneses ou não – sem muita expressão, mas quando anunciam que vão parar de fazer papel de palhaços com o dinheiro de suas empresas, choram.
Não me causou estranheza ver a Toyota seguir os passos da Honda e abandonar o barco da F1.
Se olharmos bem, a situação é idêntica até: muita grana jogada no ralo e pouco ou nenhum resultado.
A culpa mais uma vez vai recair sobre a malfadada “crise econômica mundial” que, aliás, já deu uma abrandada, mas ao que parece não pros lados do país do sol nascente.

Vamos por ordem de saída.
Primeiro a Honda fechou sua equipe B, a Super Aguri, simpática equipe de fundo de quintal que contava com motores e ajuda financeira.
Quando a coisa apertou – de verdade – a Honda avisou que não injetaria mais um centavo na equipe de Aguri Suzuki e nem forneceria mais seus motores, que naquela época já eram umas verdadeiras bombas...
Ninguém quis comprar o espólio e nada restou à pequena equipe se não fechar as portas deixando de fora das corridas ao menos um bom nome: Takuma Sato.
Alonso agradece. Ao menos não tomaria mais ultrapassagens humilhantes como aquela do Sato no Canadá...

Depois a própria Honda anuncia que não ficará mais na F1.
Os motivos foram os mesmos alegados para fechar a Super Aguri, ou seja: os prejuízos com a “crise econômica mundial”.
Fato curioso e coincidente: após fechar a equipe B, os nicômicos desempregaram o 1B.
Para sorte de Jenson Button - e por que não dizer de Rubinho – Ross Brawn conseguiu convencer os executivos da marca a lhe cederem o comando da brincadeira.
Aproveitando a ótima estrutura de Brackley e um projeto que vinham desenvolvendo a quase um ano, Ross batiza o time com seu sobrenome e ganha os dois campeonatos, de pilotos e de construtores.
Reza a lenda que após verem a então nascente Brawn GP ganhar tudo, um monte de executivos da empresa foi procurar outra coisa para fazer na vida. Inclusive vender sushi com saquê nos autódromos do mundo...

Agora a Toyota surpreende - ou não - indo embora de forma abrupta deixando na mão ao menos dois pilotos: Kazuki Nakajima, que não fede e nem cheira e uma promessa do quilate de Kamui Kobayashi.
Glock e Trulli já haviam sido dispensados e não foram afetados por esta saída.
Mais uma vez a vilã foi a famigerada crise econômica seja isto verdade ou não.

O que não se fala muito é que nem a Honda e nem a Toyota tinham resultados expressivos quando resolveram sumir de cena.
Os nicômicos da Honda ao menos tiveram uma vitória enquanto os da Toyota...
Se bem que a Toyota teve apenas uns pilotos bem quadrados como: Ralf Schumacher, Jarno Trulli...
E a Honda, bem... Jaques Deusmelivre, 1B...

Pensando bem... Se equivalem e não vão fazer falta nenhuma mesmo.
A não ser pelo fato de que teremos menos gente de quem dar risada no ano que vem...


E já está no ar a Edição Pós Abundabe da Rádio Onboard.
E desta vez, Felipe Maciel e eu, contamos com a presença que muito nos honrou de Fábio Andrade, que editava o ótimo blog De olho na Formula 1, mas deu uma pausa para poder se dedicar aos estudos.
Fábio Campos mais uma vez faltou a gravação por motivos de viagem, porém há quem diga que ele já esta de emprego novo na blogosfera...

4 de nov de 2009

Drops variados

Não...
Não foi uma temporada atípica, pelo contrário. Foi tudo que muito fã de F1 pediu a Deus durante muito tempo.
Este ano tivemos o domínio total e irrestrito dos garageiros.
Você não leu mal não... Os garageiros mandaram na temporada como muitos de nós sempre quisemos que acontecesse. E nem por isto ficamos felizes e contentes, dá para entender?

A Williams anunciou sua dupla de pilotos para 2010.
Um é alemão, ganhou a GP2 de forma antecipada pela primeira vez na história da categoria.
Ganhou também na A1GP, F-BMW alemã, F3 Européia, F-Masters, carinhos de rolimã, Need For Speed, F1 Challenge e Super Mônaco GP...
Se não bastasse é também pupilo de Willi Webber, aquele que é empresário até hoje de certo alemão queixudo que - só de farra - ganhou este ano a corrida dos campeões disputada no estádio chinês “Ninho do Pássaro” junto com Sebastian Vettel. O outro é o Rubinho que... Que... É simpático e nunca fez mal a ninguém.

Viu como não existem diferenças entre os europeus e os brasileiros?
Kaká deixou o Milan e foi jogar no Real Madrid, então tem que ir jogar em Milão pelo seu novo time exatamente contra o antigo.
A torcida o aplaude e ao fim do jogo, em que ele até deu o passe para um gol tem seu nome aclamado pelas duas torcidas em uníssono...
Aqui também... O cara troca de clube e quando vai enfrentar o ex time recebe na jaca um monte de moedas, xingamentos, sua família recebe ameaças de sequestro e até morte...
Igualzinho!

Não deixem de votar no Oscar F1, nossa tradicional apuração dos melhores do ano na Formula 1. Como sempre as explicações e os indicados pela “academia” estão na Blogf-1, e a festa de entrega da estatueta será aqui no Blig Groo.
Leia o post do Felipe Maciel e vote aqui.

Este post é dedicado a Claude Lévi-Strauss, que não bastasse ser o maior antropólogo do século passado, ter estudado os trópicos ainda viveu cem anos. E segundo Caetano Veloso: "...detestou a Baía da Guanabara, pareceu-lhe uma boca banguela...”.

3 de nov de 2009

Ava(ca)liações Abundabianas ou abundabenses?

Encontrei o objeto de inspiração do Tilke para criar este circuito lindo com um bagulho de pista.


Olha que bateria linda... Numa destas eu ignoraria a corrida de boa....

Nem como autorama esta pista agradou...

-Pra que esta maconha?
-Sem isto, você aguentaria esta corrida?

Vettel: Venceu com sobras e com sorte.
Webber: Segundo lugar apertadinho.
Button: Terceiro lugar assanhando-se.

Um não Burro! Dois... você é vice.

Button: Um sou eu Vettel, seu burro!
Vettel: Se eu soubesse contar não seria piloto, seria engenheiro...

Hahahahahahahahahahahahaha! Nem vice!

-Ai, que saudades da Force India, do seu Malya...

-Sai daí Naomi, a gente quer fotografar mulher bonita e você ai atrapalhando...
-É como disse o Falcão, só serve pra peidar em festa mesmo...

Pela cor dos lenços na cabeça... Eis aí a Torcida Organizada do Rosberg.

Aí sim... Um avião!

Depois da largada, esta foi a única vez em que os carros estiveram realmente próximos...