27 de fev de 2010

Sun...

Ela entrou no ônibus e teve problemas com seu cartão de vale transporte. A catraca eletrônica não conseguia fazer a leitura.
Sente falta de um cobrador nestas horas.
O único lugar vago era ao lado de um cara que estava sempre no ônibus naquele horário. E sempre de fones nos ouvidos.
Estranho notar como de uns tempos para cá tantas pessoas usam fones. Sejam em modernos aparelhos de leitura de arquivos MP3 ou telefones celulares.
Penso que a maioria nem está ouvindo música ou notícias... Apenas usam os fones para evitar que alguém puxe conversa.
Assim também pensava ela, que era a exceção à regra e nunca usava os seus.
Sentou-se ao lado do rapaz que se encolheu todo, abriu seu livro e tentou se concentrar na leitura. Coisa difícil para quem gosta de ver o que passa pela janela do coletivo.
E ela gosta.

Ele, que aos poucos relaxa, batendo os pés enquanto ouve as músicas..
Na tela de seu aparelhinho vez por outra aparece o nome de alguma canção, noutras aparece apenas: artista desconhecido.
Em uma destas aparições ela – que por acaso – ou não - olhava a tela – lê: Velvet Underground.
-Do que se trata? – pergunta ela
-Ahn? – diz ele.
-O que é Velvet Underground – ela insiste sem notar que ele não tirara os fones.
-Não sei... É melhor perguntar a outra pessoa... – diz ainda sem entender nada.
Então ela faz sinal para que tire ao menos um dos fones, ele sorri amarelo com a gafe que acaba de entender que cometeu...
-Me desculpe, fico tanto tempo com os fones que às vezes esqueço deles...
-Estão desligados? – pergunta ela...
-Não, não... Estão sempre ligados... Tem sempre musica na minha cabeça! – e sorri.
-Que legal... Te vejo sempre no ônibus... E realmente, está sempre com os fones. -
-Eu também te vejo... Todos os dias. – diz ele quase em um sussurro.
-O que?
-Ah.. Nada... Mas, cê tinha me perguntado algo? – disfarçando e retomando o fio.
-Ah... É... Eu vi escrito ai na tela do seu celular: Velvet Underground. Do que cê trata?
-Ah... É uma banda de rock... Das antigas, anos sessenta. – explica.
-Como os Beatles, ou os Rolling Stones? Meu pai ouve muito estes dois...
-Não, não... Mais sujos. Mais agressivos e claro, obscuros.
-Ah... Que interessante! Posso ouvir?
-Pode sim... – e oferece os fones enquanto põe a faixa no ponto novamente.
Na tela do aparelho aparece uma banana com a assinatura de Andy Warhol e ele explica que é a capa do disco de onde a faixa foi tirada e que foi produzida pelo artista plástico.
-Warhol eu conheço... Pintou uma Marylin Monroe super pop! Um pouquinho de artes plásticas eu conheço... Qual o titulo da canção?
-"Who loves the sun"...


-Legal... Ouvir falar em sol... Tem tantos dias que só chove aqui em Sampa, né?
-É... Foi por isto que fiz uma seleção apenas com musicas que tem sol no titulo ou tem a ver com ele...
-Mesmo? Que legal... Pena que não tem funcionado né? – e sorri.
-Quem disse? Olha aí... Hoje já não está chovendo – aponta ele para a janela do coletivo.
-Verdade... O busão tá lento por que é sempre assim e não por conta da chuva né?
-É... Se bem que não to ligando pra lentidão hoje não...
-Como?
-Nada, nada... – e sorri.
-Deixa eu ver o que mais cê colocou ai pra chamar o astro rei?
-Claro... – e busca na memória do aparelho a lista de musicas recém adicionadas...
-Então... Começa com: “Here comes the sun” e “Sun King”, dos Beatles, passa pelo Velvet e segue: “Let the sunshine in” do musical Hair; “Fat old sun”, Pink Floyd; “Lazy old Sun”, dos Kinks ; “Don’t let the sun go down on me”, com o Elton John e mais um monte… Acho que tem mais de um giga só de musica de sol…
-Legal demais! Posso ir ouvindo com você?
Os olhos dele brilham.
-Pode, claro... – agora lhe oferece apenas um dos fones.
Ela aceita e a principio ficavam sentados de forma ereta no banco, sem sequer se tocarem, mas a lista era realmente grande e os dias chuvosos ainda duraram algum tempo.
-Esta é especialmente para você! – e tocou “You are the sunshine of my life”.
Hoje ainda dividem os fones, com a diferença que agora ela apóia a cabeça em seu ombro.


E já está no ar mais uma edição da Rádio On Board, desta vez discutindo REGULAMENTOS.
Sempre com a ancoragem de Felipe Maciel e minha modesta participação.
Como sugerido na edição passada Fábio NAP Campos acertou o muro na curva 12 e abriu passagem para o grande Eduardo Moreira, do TargetHD, que nos honrou mais uma vez com sua presença.
Logo após a barbeiragem Fábio ligou para a redação da rádio e soltou a perola: sorry guys.

25 de fev de 2010

Três apitos para a F1

Não me espanta o ocorrido na Campos Meta.
Mandar o dono e fundador da equipe ir catar coquinho para salvar o time é bem coisa de espanhol mesmo.
Como naquela frase creditada a eles: “Hay gobierno? Soy contra!”
Penso que Felipe Massa devia adotar o lema acima para si este ano.
Como me parece que o chorão das Astúrias será o governador do povo rosso este ano...
Alias, também penso que o símbolo da Ferrari deveria ser mudado de: Cavalino Rampante para: Cavalino que dá coices.
Ano passado em um comunicado em seu site a casa de Maranello alfinetou a Williams lembrando que a equipe do Sir Frank não ganha um campeonato faz tempo.
Como se isto fizesse diferença para quem gosta do time de Groove...
Agora emite outro petardo, desta vez adjetivando as equipes novatas de “abutres” “vassalos” entre outras coisas...

Ano passado, quando soltou o comunicado imbecilizado sobre o time mais garagista da F1 detectei certa tentativa de desviar o foco dos refletores que apontavam para a pior temporada da equipe em muitos anos: acidente tirando piloto da temporada, substitutos que beiravam o ridículo – o Badoer não beirou não, foi mesmo – quebra de contrato vergonhoso com um campeão mundial.

E agora?
Será que querem desviar de algo também?
Ou seria apenas uma reação publica ao fato da FIA dar passe de entrada as equipes novatas – e pobretonas - para que em uma futura crise com a FOTA elas alinhassem com a entidade que rege a categoria?

Ou seria apenas um mise-en-scéne para que não digam no futuro que Jean Todt – enquanto presidente da Federação - nunca foi molestado pelos rossos quando ele começar a dar razão às coisas que a equipe pleitear?

Nunca achei a Ferrari a mais ética das equipes, e com o cidadão que lá aportou agora penso que tudo é possível.
Até não acontecer nada...
Vem ai o grande (?) piloto russo Vitaly Petrov – ou Pedro Vitamina, abrasileirando a coisa – na Renault.
Segundo o Marcão do GP Séries ele é filho do Ivan Drago, aquele cara que matou o Apolo Doutrinador e depois tomou um coro do Rocky Balboa.
Eu discordo... O cara é um dos atletas olímpicos da Rússia.
Só que das Olimpíadas de verão, que são menos difundidas.
Fazia parte de dois times olímpicos: Gelo à vodca e Descida de montanha sem esquis e de pileque.
Sendo que na primeira modalidade o grande (?) Pedrinho era sempre batido pelos atletas finlandeses.
Reza a lenda que os nórdicos conseguem acertar o gelo no copo de vodca a cento e oitenta e três metros de distância, e depois acerta a boca no copo a mesma distancia num salto só.
Vendo isto o grande (?) Pedrinho dava um grande grito com a interjeição de espanto: “Scavurska!”.
Que diferente da tradução que o grande Marcão deu (“arre égua”) pode significar: “agora f.**eu!”.
Embora alguns digam que após ter chorado para seu pai arrumar a grana pra que ficasse com a vaga na Renault as coisas se esclareceram e a tradução correta do “scavurska” seria: “to passada papi”, fazendo assim com que o russo entrasse para o time do Nico e do Sutil.
Vai saber...

23 de fev de 2010

USF1 -

Eu acreditava nos americanos... Torcia por eles.
Escrevi aqui, acho, ou em outro lugar que a USF1 tinha tudo para ser a mais forte das novatas.Destacava o senso de disciplina, as realizações no campo automobilístico e até a organização de seus campeonatos.
Levando tudo isto em conta, achava que a aventura de ter uma equipe estadunidense seria até certo ponto fácil.
Não disse que seria competitiva, não disse que seria vencedora, mas achava – realmente- que seria a primeira equipe novata a apresentar carro.

Tá certo... Confesso.
Achei interessante, mesmo que pouco viável que tivesse apenas pilotos dos Eua...
Até torci por isto.
Seria legal ver aqueles caras que até sabem correr, mas não sabem fazer curvas e mandam muito mal em circuitos mistos.
Confesso também que não acreditei quando disseram que pensavam no 1B para piloto.
E que fiquei decepcionado quando anunciaram que iam ter um piloto inexpressivo da argentina, e pior, iria tirar dele – na verdade do governo e por conseqüência do empobrecido povo argentino – uma grana preta.
Achei aquilo uma coisa muito feia... Tomar dinheiro dos mais bobos...
Logo eles, os americanos que mesmo descontando a crise financeira mundial que varreu o globo no ano passado ainda são tão abastados... Ou abestados...
Se bem que muita gente vai dizer que este é o modus operandi americano por excelência.
E agora este impasse todo, esta duvida toda...

Tá aí... Disse.
Torcia por eles. Torcia pelo sucesso da equipe.
Torcia para que ao menos eles estivessem no grid. Mas agora...
Agora li que até a FIA andou sugerindo coisas para os manda chuva de lá.
Desde a fusão com outra equipe qualquer – que agora não pode ser mais a Campos – até tirar um ano, como dirão os entendidos e os copistas “sabático”.
Agora, posto tudo isto eu já começo a torcer para que USF1 tenha outras opções para este ano como:
Se tornar uma metalúrgica e produzir peças para reposição para Mustangs.
Ou filial do Mcdonalds e tentar vender big mac na porta dos autódromos.
Até retifica de canhão de guerra, para consertar os que ficarem enguiçados no Iraque...
Só que infelizmente minhas torcidas andam tendo resultados meio pífios nesta questão.
E vocês?
Tem alguma expectativa ou torcida no caso destes americanos?

22 de fev de 2010

O Exu espanhol (Pai Tião na Campos Meta)

-Alo? Pai Tião?
-Sim! Quem fala? -É o Senna...
-Senna? Ué? – e tapando o fone – Alguém ai deixou o link de contato com os mortos aberto no computador?
-Não! Por quê? – diz um dos ajudantes do ebozeiro.
-É que o Senna ta aqui no telefone...
-Alô... Mas é o Senna mesmo? Por acaso o Villeneuve tá ai perto?
-Sou eu sim... Mas o Villeneuve não tá aqui não... Aliás, eu nem sabia que a Campos estava conversando com o Jaques...
-Jaques? Acho que não estamos falando da mesma pessoa... Eu to falando do Gilles.
-Então acho que o senhor está me confundindo... Eu sou Senna, mas sou o Bruno.-Bruno? – e tapando novamente o fone – Relaxa gente... Por um momento achei que tinha conseguido contato com o além mesmo...
-E por acaso cê tá pensando que é o Speeder? Que manda as cartinhas pros pilotos que já foram?- grita o mesmo ajudante.
Pai Tião faz um gesto obsceno para o funcionário e volta-se ao telefone.
-Mas então Bruno... No que posso ajudar? Quer um despacho eletrônico para garantir a vaga?
-É... Não... Quer dizer, quase isto! Será que o senhor pode vir até aqui na Espanha e visitar a sede da Campos Meta?
-Bem... Posso. Estou na Índia mesmo...
-Mas... Tá fazendo o que ai?
-Tentando receber um trabalho que fiz pro Vjay Malya, lá na Bélgica ano passado...

Dois dias depois chega à porta da sede da Campos Meta o Exu-movel da “Pai Tião Despachos Ltda.” e o sensitivo é recebido por Bruno Senna e alguns funcionários da equipe: mecânicos, engenheiros e alguns burocratas. -Olá... O senhor é o Pai Tião? – diz Bruno Senna apertando a mão do macumbeiro.
-Sim, sou eu... Mas me diga: como chegou até minha empresa?
-Falei primeiro com o Felipe Massa, ele disse que o senhor trabalhou para a Ferrari...
-É verdade... E em segundo lugar você falou com o Barrichello, né?
-Fantástico Pai Tião! O senhor adivinhou! É mesmo muito bom...
-Acredite... Esta nem conta como adivinhação viu! Mas me diz o que está acontecendo?
-Olha... As coisas aqui não andam bem. Tá tudo dando para trás. Quando a equipe foi anunciada todo mundo – inclusive eu – pensou que era a mais séria das novatas... E olha só o que acontece agora, só os americanos parecem estar em pior situação que a gente...
-Entendi... Ce acha que estão de olho gordo na tua equipe, que enterraram sapo no terreiro da Campos Meta? E quer que eu faça um trabalho pra abrir os caminhos?
-Isto... Eu quero saber se é possível?
-Deixa comigo... Agora sai e leva todo mundo com você.

Bruno Senna sai da sede da equipe e leva consigo todos os funcionários.
Lá dentro é armada uma tenda e com a ajuda de seus funcionários Pai Tião liga seus computadores.
Um batuque é ouvido em quase toda a região. Raios e trovões vindos de pesadas nuvens negras são vistos e ouvidos sobre o prédio.
E tão rápido quanto surgiu, a tempestade some e o sol volta a brilhar.
Um dos ajudantes sai e avisa que tudo está terminado, já podem voltar.

-Pronto, está feito. Limpei tudo de ruim que tinha. Tudo que tava atrapalhando, atrasando, eu tirei... Depois mando a conta. – diz o macumbeiro cibernético.
-Tirou tudo mesmo? Tinha o que? Sapos? Bonecos de vodu? – quis saber o primeiro sobrinho.
-Nada... Só uma entidade mesmo. E deixei amarrada. Bem amarrado no fundo do prédio. – diz enquanto entra no Exu-móvel para ir embora.
Então todos correm para ver o que era que o pai de santo deixou amarrado e quando chegam onde está a tal entidade não conseguem conter a surpresa.
-Mas... Este ai é o Adrian Campos? – diz um engenheiro.-Bem... Mas se o Pai Tião falou... Joga este cara na rua, rápido... – diz outro.
-Ih... Não sei não... Mas acho que vai acabar sobrando pra mim também – lamenta Senna, o primeiro sobrinho.

Para quem quiser relembrar a trajetória do macumbeiro internético fica aqui os links.
A origem do Pai Tião.
O Sapo de Hungaroring.
O novo emprego do pai de santo.
Previsões da temporada 08.
A Mclaren e o 23 de Abril.
Previsões da temporada 09.

Pai Tião é originalmente uma criação de Felipe Midea, o Felipão do Blogsport. Eu só peguei emprestado e continuei a usá-lo.

18 de fev de 2010

Vento do Monte Fuji

O atual dono é André Nishimura, nissei, mas todos o chamam apenas de Naka, em alusão ao legendário piloto japonês que foi companheiro do Senna na Lótus.
Recebeu dos pais - Sr. Shinzo e Sra. Akeiko – a pastelaria na Rua Dr. Hamilton Prado em Franco da Rocha, São Paulo. Toda a fauna – e até a flora francorrochense, que os delicados também gostam de pastel – freqüenta a pastelaria que tem o sugestivo nome de “Vento do Monte Fuji” – dizem que é este o recheio do pastel - e ninguém nunca estranhou o humor peculiar do fundador da casa e nem os funcionários.
Quando começou a freqüentar a pastelaria seus pais já tinham dois: Alemão, um negro de dois metros de altura e mais de cem quilos e Violeta, uma anã que servia as mesas sempre na ponta dos pés.
Naka nunca pensou em expandir os negócios, afinal a pequena pastelaria é referencia na cidade. Também nunca fritou um pastel em sua vida.

Após a morte do pai, aos setenta e dois e tantos anos, André ficou responsável pelo estabelecimento.
Aportou à caixa registradora e pediu a sua mãe que ficasse em casa, ou fosse curtir os bailes da terceira idade tão comuns na região.
Dona Akeiko, que era dez anos mais nova que o marido adorou a idéia, agora todos os dias faz ioga, tai-chi-chuan, aulas de origami e longas partidas de War, aquele jogo de tabuleiro que simula uma guerra mundial. -Eu “quelo” é invadir os EUA! – dizia sempre a simpática senhora que não se furtava a mostrar o dedo a quem criticava seus gostos...

Nos primeiros dias após sua morte, todos sentiram falta do Sr. Shinzo e até hoje contam histórias dele passadas por lá. Com saudades, mas sem tristeza.
Como da vez em que uma menina, muito bonitinha - mas arrogante pacas - pediu um suco de laranja. Violeta anotou o pedido em um post it e colou no vidro em frente à cozinha onde Alemão prontamente espremeu o suco de quatro laranjas que serviu em um copo longo, com canudinho.
Ao receber o suco em sua mesinha, a bonitinha provou e foi logo reclamando que estava sem gelo.
Alemão apenas olhou a cena enquanto fritava mais alguns pedidos.
Violeta entrou atrás do balcão, onde se tornava invisível.
Sr. Shinzo, como cabe a um dono de estabelecimento, ouviu a queixa, e mesmo não gostando de como ela reclamou foi resolver a situação.
-Que acontece?
-Eu pedi um suco de laranja e veio sem gelo.
Sr. Shinzo então colocou um dedo dentro do suco e confirmou: -É... Tá sem gelo mesmo, né?
-Isso tá sem gelo... Foi o que eu disse...
-Deixa ver pedido... – e olha o post it – Aqui diz: Suco de “lalanja”. Nada de gelo.
-Mas como assim? Eu pedi suco de laranja! E veio sem gelo!
-Exato né? Aqui diz: suco “lalanja”. Nada de gelo... Tá certo pedido, né?
-Não, não tá. O suco tá sem gelo.
-Isto! Suco “lalanja”. Nada de gelo. Satisfação em servir, mais de vinte anos.. né?
-Japonês louco... – a arrogantezinha sai da pastelaria deixando sobre a mesa uma nota de cinco reais.
-Viu... Shinzo sempre atende bem... Tão bem que ela pagou cinco “leais” e suco só custava dois...

Depois de rirem um pouco com outras histórias mudaram o foco para André.
-Pô Naka! Teu pai era terrível... Ce é monótono.. – diz alguém.
-Cada um, cada um... – responde.
Então chega um amigo – Lucas - e faz seu pedido...
-Naka, seu pastel... Manda o Alemão fritar um de queijo com salame pra mim...
-O Alemão... Frita um queijo pro salame aqui...
-Salame? Eu?
-É... Carne velha com pintas brancas, muito sal e nenhuma vitamina...
-Japa viado... hehehe. Ce soube do Basilinho?
-Filho do Basílio? – perguntou Lua, um velho careca.
-É... Enfartou... – confirmou.
-Não diga... Quando? – Quis saber outro cliente.
-Ante ontem... À noite. Tá lá no “Juquinha” agora... Todo entubado.

“Juquinha” é o modo carinhoso ao qual se referem os da terra ao Complexo Hospitalar do Juqueri e ao ouvirem sobre o Basilinho, muito querido de todos, embora poucos ousassem admitir isto.

-Mas ele se cuidava... Fazia caminhada, tomava cerveja sem álcool.. – dizia Lucas enquanto pegava a bandeja com o pastel que Violeta lhe entregava com os braços esticados ao máximo.
Sentou-se rente ao balcão mesmo e já havia dado boas mordidas em seu pastel quando Naka finalmente resolveu se pronunciar.
-Tomara que fique bem logo o Basilinho...
-Boa japa – dizem quase todos – Tomara mesmo.
-Ele é um bom amigo e um grande freguês... Sempre pedia dois destes ai que o Lucas tá comendo... Sempre...

Lucas dá uma engasgada sob olhar de todos em volta que não seguram o riso...
Agora André já não é assim tão monótono... Está ficando terrível também.

16 de fev de 2010

Pássaros

-Pô, que bicho feio é este ai? – perguntou o Baixinho.
-Sei lá... Só sei que é um pássaro. – respondeu Dinei.
-E como sabe que é pássaro?
-Tem pena, passa a mão nele...
-Eu heim... Vai que este bicho morde.
-Não morde não...
-Como cê sabe?
-Pássaro não morde... No máximo pode bicar, e olha eu to segurando faz tempo e não me bicou ainda...
-Vamos levar ele pro professor de biologia pra ele dizer que pássaro é este.
-Acho que é um pombo... Olhas cores do bicho: Branco e preto. É pombo.
-Muito grande pra ser pombo.

No caminho até a escola onde estudavam as duas antas levavam o pássaro debaixo do braço e ouviam gracejos dos mais velhos.
-Vai por em cima da geladeira?
-Cadê o outro pra formar o logo da Antarctica? E os dois não entendiam...

Ao chegar à escola encontram o professor de biologia já de saída.
-Fessor... Pera ai, diz pra gente: Que pássaro é este aqui?
E mostram para o professor.
-Putz... Onde cês acharam ele? – perguntou o professor.
-Tava perdido na avenida da praia... – respondeu o Baixinho com o pássaro ainda debaixo do sovaco.
-Deve ter chegado aqui perdido em uma corrente marítima... Você deu alguma coisa para ele comer?
-Dei sim... Salsicha.
-Cê é burro heim, baixinho? Onde já se viu pombo comer salsicha? – tirou uma onda Dinei.
-Não é pombo sua besta... Já falei é muito grande pra ser pombo.
-Ele tem razão, Dinei. Não é pombo. É um pingüim.
-Que isto fessor... Pingüim tem um bicão – retrucou.
-Pqp! Às vezes me pergunto em que vocês estão prestando atenção quando estou dando aula... Este ai é o tucano Dinei!
-Tucano fessor? Gosto deste bicho não... É símbolo do Palmeiras... – Dinei era corintiano.
-Depois eu é que sou burro! – se indigna Baixinho – Aquilo é um porco, porra!
-E desde quando porco tem pena sua anta!
-Molecada... Deixa esta conversa de doido pra lá e me dêem o pingüim aqui pra eu levar pra onde possam cuidar dele.
O corintiano entrega o pássaro ao professor sob o olhar desconfiado do Baixinho.
-Vou levar para uma clinica veterinária... Salsicha, onde já se viu?

O professor sai com o carro pensando onde é que estavam errando com a educação desta molecada... Liga o ar condicionado do carro e coloca na potência máxima para que o pingüim se sinta ao menos um pouco melhor.
Na porta da escola as acusações de burrice mutua continuam.
De repente um pavão aparece caminhando pela rua e Dinei ao avistar este novo bicho se assusta.
O pavão, impassível e tranqüilo abre a penagem da cauda em leque, exuberante. -Pqp Baixinho! Olha aquilo!
-Carai! Que porra de galinha grande é aquela...

11 de fev de 2010

Enquanto isto na Campos Meta...

-Por favor, gostaríamos de falar com o Sr. Adrian Campos.
-E quem devo anunciar?
-Diga que somos da Trust Inc e gostaríamos de falar sobre patrocínio.
-Ok, um minuto, por favor...
A recepcionista faz uma ligação pelo interfone e ao desligar informa:
-O Sr. Campos vai receber os senhores na sala de reunião, queira me seguir, por favor.
-Pois não.
Entram por um corredor estreito e chegam a uma sala muito simples, com apenas poucos moveis e um computador devidamente desligado para poupar energia.-Hola que tal? –diz Adrian observando os dois homens que entram em sua sala, um loiro e um japonês.
-Não... Nós não gostamos disso não... – responde um dos homens.
-No te gustas de que?
-Hola, aqui é todo mundo hétero... – e caem na gargalhada...
-És uno brincalhão heim? – sorri Campos, mesmo constrangido.
-Sim, sim... – e continuam rindo.
-Mas mi secretaria disse que queriam falar sobre patrocínios? – mudou o rumo da conversa.
-É verdade... O senhor tem uma equipe de F1 não tem? – pergunta o japonês.
-Si, si...
-E contratou o Bruno Senna não foi? – continua o loiro.
-Si, és verdad... Eu achei que contratando ele o sobrenome atrairia mais patrocínios...
-Bem... Pelo visto não deu certo. – conclui o japonês.
-Ainda no, Pero...
-Pero nada... Seu problemas se acabaram-se! – diz o loiro.
-Como assim?
-Nós somos da Trust Inc e temos uma proposta para você...
-Proposta?
-Sim! Você estampa nossa marca em seus carros e bancamos a temporada para você! –continua o loiro.
-Mas isto é muy bueno! E de que és tua empresa?
-Produtos para banheiro... – esclarece o japonês.
-E não é qualquer produto não... São produtos que prometem deixar o vaso sanitário pelo menos vinte segundos mais rápido.
-E disto que preciso! - diz Adrian.
-Não, não... é para usar no banheiro e não no carro. – ri o japonês.
-Yo estava falando de la grana...
-É o seguinte... Estamparemos algumas frases na carenagem do carro e tudo certo.
-Mas que frases?
-Tipo: “Trust Inc deixa a m... mais rápida!” – mostra o loiro em um cartaz.
-Mas ai podem pensar que estão falando da equipe, dizendo que a equipe é uma m...
-A idéia e esta! – e caem na gargalhada os dois...
-Bem... Yo preciso do dinheiro... Onde assino.
-Aqui, e aqui... – aponta o japonês em um contrato.
Adrian assina e no mesmo momento a porta se abre e entram dançarinas de biquíni, alguns anões e homens segurando câmeras de filmagem. -Ahá! – grita o japonês – Pegadinha do Mallandro!
-Salci Fu fu! – grita o loiro...
-Você acabou de participar do “Topa tudo por dinheiro!”.


E está no ar a edição dos novos carros da Rádio Onboard.
Sempre com boas discussões e muito humor, Felipe Maciel e eu recebemos um convidado especial: Fábio Campos...
Tá eu sei que ele é titular, mas aparece com tanta frequencia que a gente esquece disto.
Ouve ai...

10 de fev de 2010

A falta que a beleza faz...

Para Pena Branca, que foi encontrar o Xavantinho...
A papeleta fixada no quadro de avisos do supermercado dizia: precisamos de um violonista.
Muitos apareceram com seus instrumentos e uma fila se formou à frente da casa que o grupo usava para ensaiar.
Muitos foram testados.
-Quanto tempo cê toca? – perguntou um deles.
-Faz tempo... – respondeu o candidato.
-Toca ai pra gente então. – pediu o outro.
-Ce quer ouvir o que? – quis saber o violonista.
-Fica a vontade... – disseram os dois.
-Bom... Sendo esta uma audiência com dois jovens, vou tocar um rock...
E tocou bem – diga-se de passagem – mas os dois examinadores pareciam incomodados.
-Valeu... Seu nome é? – perguntou um deles.
E o candidato disse o nome ainda que ninguém prestasse atenção.
-Vamos testar mais alguns e decidir. A gente te liga... – disse o outro.
O rapaz pegou seu violão e saiu. Nem percebeu que nenhum dos dois havia lhe pedido um numero de telefone que fosse.
-Não é este... – disse um deles.
-Não emocionou, faltou algo. – disse o outro.
E assim foram sendo ouvidos, um a um, todos os vinte que apareceram.
Um melhor que outro. Cada qual mais técnico e preciso em seus estilos.
-Algo ainda não tá bom... Vamos tomar umas pingas no bar. – disse um deles.
-Para clarear as idéias e a urina... – disse o outro.
E foram os dois ao boteco mais próximo.
-Vai levar o violão? – perguntou um deles.
-Vou... Não existe companheiro melhor para uma pinga num boteco. – respondeu o outro.

Ao entrarem no bar, que todos ali conheciam como “venda”, o vendeiro logo destampou uma garrafa com ervas dentro e serviu dela para os dois, que tomaram suas doses em um só trago.
À porta da venda um senhor que estava sentado fumando um cigarro sossegadamente ergue os olhos.
-É uma viola isto que ocê tem ai? - perguntou.
-É um primo.... Um violão. – lhe sorriu um deles.
-Eu posso toca? – lhe sorriu de volta o homem que fumava. E o sorriso foi tão sincero e agradável que o outro lhe cedeu o violão.
Ao pegar sopesou o instrumento, pousou sobre o joelho e suavemente tangeu as cordas enchendo o ar, o ambiente de uma luz que não se vê sempre. Uma luz resplandecente que muitos chamam simplesmente de beleza.
E cantou:

A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai

Ao terminar, após haver encantado todos em volta devolveu o violão ao outro.
-Viola boa... Brigado. – e levantou-se indo embora.
-Um destes não nos aparece. – disse um deles.
-Um destes não aparece sempre, um a cada cem anos se muito! – disse o outro.
Tomaram uma dose a mais cada e voltaram para a lida, que infelizmente prossegue.

9 de fev de 2010

Carnaval e F1 - pt 4

E voltando ao ritmo normal vamos continuar com a série sobre o carnaval.

Vamos tratar agora das agremiações carnavalescas.
Carnaval não é só escola de samba paulista ou as ainda mais badaladas escolas cariocas.
Assim como a F1 não tem só equipe tradicional.
Tem outras estrelas na festa.
Existem também os blocos, os cordões e os "pé sujo"...
Vê como não há diferença para a categoria máxima do automobilismo?

Na categoria de Escolas de Samba temos a divisão entre paulistas e cariocas, que dizem há uma diferença gritante... Só não sei onde e nem em que...
Estação Primeira de Mangueira, Salgueiro, Beija Flor de Nilópolis ou as co-irmãs de São Paulo, Rosas de Ouro, Vai-Vai... Acho todas iguais, entra uma, sai outra e para mim é como se fosse a mesma.
Não vejo diferença nem nas tais “passarelas do samba” de cada estado.
É o mesmo ticabumticabumticabum, pracapracapraca, ticabumpracabum...
Mas os especialistas - e creia, existem - enxergam diferenças abissais e esperam destas grandes shows, inovações, emoção.

Assim também é com a Mclaren, Ferrari, Mercedes e até bem pouco tempo atrás a Williams.
Até na igualdade entre os carros, pode procurar as fotos dos carros deste ano...
Se não fossem as cores diferentes era capaz de estarmos vendo sempre o mesmo carro.
E no caso da Mclata e da Mercedes ainda podemos ter esta sensação, que será ampliada quando certo locutor gritar: “-E lá vem o Schumacher!”.
E o comentarista consertar: “-Não... Este ai é o Button...”. Fossem estas equipes escolas de samba correríamos o risco de ter os seguintes enredos para este ano:
Ferrari: Cornucópia: Se fizeram bem, a gente faz igual. A importância da cópia no ato da criação.
McLaren: 2010: Quando o numero dois andou na frente do um.
Williams: Um só coração, uma só emoção. Um piloto só para a temporada.

Já equipes como Red Bull, a Renault, Sauber, são blocos.
É certo que alguns blocos têm mais história que muita escola de samba do grupo 1, mas aqui a comparação é pertinente.
A Renault inclusive poderia fazer um carnaval com o tema:
Operação plástica: Do passado para o presente. Nossa cara mudou, mas a ruindade é a mesma.

Force Índia, Toro Rosso são os cordões... Tipo “Bacalhau do Batata”, “Vai quem quer”, “Nóis num liga” e outras coisas do gênero. E os tais de pé sujos ficariam por conta da Nueva Lotus, Campos Meta (que nome horrível, assim não tem quem ponha grana no projeto mesmo) e Virgin.
Algumas até tem um pouco de seriedade, mas as outras...

Faltou a UsF1 né?
Mas esta equipe é igualzinha aos trios elétricos na Bahia, aparecendo ou não tem festa do mesmo jeito...

8 de fev de 2010

F1Champion - O jogo, por Ciro Bottini

Então você ainda usa um PC com monitor de tubo? “-Ah... Ainda!”
Ou é em um PC moderno, mas de uso coletivo em casa?
Daqueles que a gente tem que marcar horário pra poder democratizar o uso?
“-É destes mesmos, com tela flatron, mas todo mundo em casa usa...”.
Chato é que depois vem sempre um ver no histórico se além de ler paginas sobre F1 você também vai assistir Red Tube e afins...
“-Verdade... O PC acaba tendo um montão de donos nestas horas...”.

E se não bastasse ainda pegam vírus no PC e quando você passa o antivírus e acha uns trojans provenientes de sites especializados em travestis.
Ai então não tem dono nenhum já que ninguém se responsabiliza. Nem pelo trojan e nem pelo conteúdo da pagina de onde ele veio...

Que tal então ter o seu próprio netbook? Um Accer Aspire One?
“-Seria bom, mas é caro!”
Claro, o preço ainda é uma barreira a se considerar, porém é possível ter um por apenas vinte reais. Me pergunte como!
“-Como?”
Trata-se do jogo que deu um upgrade no tradicional bolão: F1Champion.

Neste endereço você vai encontrar todas as informações e a ficha de inscrição e também a lista de blogs e pessoas que estão apoiando a idéia. E também os patrocinadores! Como a Acerte Informática que cedeu o pequeno computador.
“-Mas é claro que o netbook é só pro vencedor né?”
É... Mas os melhores colocados também ganharão prêmios que vão desde Mp4 players até livros sobre F1.
Vale a pena participar, visite a página, faça sua inscrição e bom jogo!
“-Eu vou ganhar!”
Vai sim... Esta promoção tem o dedão Bottini de qualidade!

Agora sério, O Blog do Groo não abriria este espaço s não fosse algo realmente sério e com uma retaguarda tão boa quanto a que faz parte deste jogo: Blogf-1; Continental Circus; Guard Rail; Sávio Machado; TargetHD; Velocidade da Babi Frazin; GP Expert,; Corrida F1 e a Rádio Onboard!.

Participe!

5 de fev de 2010

Carnaval e F1 - pt 3

Ta aí um negócio bom do carnaval que eu tinha me esquecido: as antigas marchinhas.
Musiquinhas feitas apenas a visita da corte da Momolândia com letras ingênuas, bobinhas, mas feitas desta forma de propósito. Sem intenção alguma de ser considerada como musica séria.
Tanto que logo após o carnaval elas sumiam das rádios, só reaparecendo no ano seguinte, isto se não aparecesse uma melhor.
Geralmente aparecia.
Hoje nos bailes ditos “da saudade” as marchinhas são obrigatórias.
Dizem que fazem parte da memória de um carnaval dos bons tempos.
Então vamos associar algumas delas com a F1.

Nico Rosberg: Eu sou a filha da Chiquita bacana Nunca entro em cana porque sou família demais... Puxei à mamãe, não caio em armadilha ... E distribuo banana com os animais Na minha ilha, iê, iê, iê que maravilha, iê, iê, iê Eu transo todas sem perder o tom
E a quadrilha toda grita iê, iê, iê Viva a filha da Chiquita iê,iê, iê Entrei pra "Women’s Liberation Front"

Kimi Raikkonen:Há quem diga que eu dormi de touca/Que eu perdi a boca/ que eu fugi da briga/Que eu caí do galho e que não vi saída/Que eu morri de medo quando o pau quebrou/Há quem diga que eu não sei de nada/Que eu não sou de nada e não peço desculpas/Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira/E que Durango Kid quase me pegou/Eu quero é botar meu bloco na rua/Brincar, botar pra gemer/Eu quero é botar meu bloco na rua/Gingar, pra dar e vender.

Pilotos finlandeses em geral:
Chegou a turma do funil/Todo mundo bebe/Mas ninguém dorme no ponto/Aí, aí, ninguém dorme no ponto/Nós é que bebemos e eles que ficam tontos

Sebasitian Vettel: Tomara que chova,Três dias sem parar,
De promessa eu ando cheio,/Quando eu conto/A minha vida/Ninguém quer acreditar.

Aliás, em matéria de marchinha o 1B é o que mais se assemelha: a uma marchinha lenta.
Quem souber mais marchinhas que possam ser identificadas com a F1 deixe ai nos coments.

4 de fev de 2010

Carnaval e F1 - pt 2

Então vamos tentar ver semelhanças nos folguedos do reinado de sua excelência Momo com o universo dinâmico da F1.

No carnaval temos - como já disse - os bailes de nomes esdrúxulos...
Também temos na F1 coisas sem sentido, ou alguém ainda acha que por o nome em uma equipe de Toro Rosso, ou Red Bull é normal?
Por acaso existem touros vermelhos? O Alonso com uniforme da Ferrari não vale...
E por acaso, os bois chifrudos que existem são animais rápidos o suficiente para que sejam associados com carros de corrida? Ah tá... É por conta da bebida energética... Aquela em que a propaganda diz que te dá asas...
Sendo o boi um bicho que não voa, fica no mínimo estranho dizer que aquela porcaria dá asas a alguém.
Se for pra associar então que fosse: “... te dá chifres!”.
Hum... Pensando bem esta estratégia faria as latinhas encalharem nos mercados...

E a alegria pasteurizada do carnaval na televisão?
Já viram que quando as câmeras focalizam um grupo de foliões, integrantes de alas de alguma escola de samba eles estão sempre sorrindo como se fossem naquele momento as pessoas mais felizes do mundo?
Pois é... Mas segundos antes da câmera ser ligada todo mundo está com cara de desanimo e chateado.
Então a luz vermelha do equipamento de gravação acende e como em um passe de mágica pipocam sorrisos, nego cantando, dançando... Homem levando passadas de mão na bunda e achando ótimo. Sem contar os travestis...
Na F1 por vezes é igualzinho...
Preste atenção em corridas como a da Malásia, Valência, Bahrein, China ou em qualquer outro tilkódromo que vai ver cenas iguaizinhas.
E tem Abumdabe, o circuito travesti, que a gente pensa que é legal mas no fim... Espectadores bocejando, assistindo voltas e mais voltas sem ação de verdade, mas basta as câmeras da transmissão oficial focar as arquibancadas pra nego pular e sorrir como se vissem uma nova batalha de Dijon.

E folião sem noção?
Como tem nego que se excede na babaquice...
Cara que se fantasia das coisas mais estúpidas do mundo. De lixeiras a páginas de computador.. Já vi um maluco com uma fantasia de página do orkut em cima de um carro alegórico.
O bom é que democratiza o sonho... Camelô se fantasia de médico, engenheiro fantasiado de jogador de futebol... Homem fantasiado de mulher... Ou de homem mesmo...
Na F1 é igual... Tem uns caras que se fantasiam de piloto e até entram em carros...
Ou alguém acha realmente que Jaques Deusmelivre, Jaime Alguersuari, Kovalainen, Luca Badoer, Pedro De La Rosca entre outros são pilotos de verdade? Amanha vamos adaptar umas marchinhas antigas para o contexto da F1.

3 de fev de 2010

Carnaval e F1 - pt 1

Vai chegando o carnaval e quem, como eu, não curte muito o período do reinado de Momo vai ficando de saco cheio de ver e ouvir coisas relacionadas.
Aquelas letras rocambolescas, cheia de palavras que a maioria dos foliões nem sabem que existe até serem grafadas em um samba enredo. Sambas enredo que, aliás, geralmente tem nomes enormes com subtítulos que mais complicam que explicam: “Antares: quando o reinado de Ulu Bunga decretou que a excrementização do povo se daria por vias duvidosas da ufanização do lugarejo ugandês de Umbongo!”.

E se achou que o nome é longo é porque ainda não viu a lista de compositores que vem logo abaixo do titulo: composto por Mano Deca/ Pedro Preto/ Zico da Colina/ Beto sem Braço/ Tucão das Candongas/ Fábio Campos/ Juvenal Tico Tico/ Pedro Branco e Marquinhos PQP.
Com tanta gente assim é de se imaginar que cada um escreveu uma palavra da letra... Sem contar as que se repetem, claro.

Quem liga a TV nesta época geralmente se depara com cenas mais comuns que enchente em São Paulo, Rubinho reclamando.
Mulheres pulando como se o chão estivesse quente e afetando um sorriso tão verdadeiro como notas de três reais.
Aquele cara de camisa listrada na horizontal, um chapéu palhinha na cabeça, calça e sapato branco roda um pandeiro na ponta dos dedos com a boca aberta.
Então vem uma passista, aquela do chão quente, e rebola abaixando até quase encostar o traseiro no chão.
Não sem antes quase acerta-lo na cara do infeliz do pandeiro. Outra coisa muito comum são os bailes de salão com cobertura por alguma rede trash de TV.
É uma fauna diversa em bailes com nomes sugestivos como: “noite no Havaí”, “festa do Caribe”, “folia em Buenos Aires”...
Pqp! Quem em sã consciência acha que uma noite no Havaí ou Caribe com aquelas praias paradisíacas e elegantes festas a luz da Lua, com frutas tropicais e temperatura agradável é igual a ficar em um salão quente pra caramba, sem ar condicionado, com um barulho dos infernos nos ouvidos e correndo o risco de levar uma mão na bunda a qualquer momento?
Faltou falar do “folia em Buenos Aires”, mas esta deixa... Afinal é pra lá que a gente queria mandar toda esta palhaçada mesmo.

Ah... E tem também o baile do “Gala Gay”... É... Mas este ai não tem nada de fantasia não... Nego vai lá é pra se soltar mesmo.
Vem com esta de que é folia, é festa e coloca um vestido, uma peruca...
Passa um batom, põe um sutiã com enchimento, uma meia calça, arruma um negão pra arrochar e... Deixa pra lá... Falando assim até parece que sou totalmente antipático aos folguedos de Momo. Não é bem assim... Eu gosto de algumas coisas como.... Como... O... E tem também....
É. Não tem nada mesmo.
Mas a gente pode - já que pra fugir destas visões do inferno teríamos que sair do país - tentar adaptar para algo que a gente goste.
Amanhã vamos tentar colocar estas aberrações no contexto da F1, quem sabe fica um pouco mais simpático.

2 de fev de 2010

Ava(ca)liações de pré temporada

-Bonito carro heim Rubinho?
-Lindo... Pena que não é o meu...
-E cadê o seu?
-Lá em baixo, na ultima foto.

-Sai daí Jenson...
-Você não mandou sorrir?
-Tava falando com o carro, ele é mais espontâneo que você...

-Seu Alonso, pra que servem estes furos aqui no alto do capacete?
-Não enche moleque...

-Ai eu disse pra ele... Ce entra na curva acelerando... E continua. É muro na certa.
-Ele fez direitinho... Hahahaha.
-E prejudicou um monte de trouxa, hahahaha.
-Ai, já não achei graça.
-Que ce achou do casco Bernie?
-É bonito, mas para que são estes dois furos em cima....

-É este o carro, Rubinho?
-No começo não, mas no fim do ano eu vou dizer que era...

1 de fev de 2010

Notinha do busão - F1

-E ai Groo! Faz tempo que não pega meu ônibus... Tá tudo bem?
-Fala Amaral! Beleza? Ce tinha mudado de linha.
-É, tinha... Mas e ai? Como estão as coisas? Animado pro começo do mundial?
-Até to... Apesar de algumas coisas que ainda não ficaram bem resolvidas...
-Tipo o que?
-Ah, muita coisa... Algumas equipes ainda nem tem carro... A equipe dos americanos, por exemplo, é uma interrogação.
-Não foram eles que apresentaram um argentino como piloto?
-É... Foram eles mesmos. Daí cê já começa a ver o nível dos caras...
-Larga de ser preconceituoso Groo... Tem muita coisa boa na Argentina.
-Tem sim... Bife de chorizzo com cerveja... -E no automobilismo? Não tem o Fangio, Reutemman...
-Pqp, Amaral! Quanto tempo faz isto?
-É... Faz tempo mesmo... Vamos ficar com o bife e com a cerveja mesmo... -E cê viu os carros que já foram lançados?

-Vi sim... Gostei da Renault...
-Sério Groo? Passou dois anos falando que o carro era horrível e agora elogia?
-Ah... Mas este ano acertaram ao menos na combinação de cores, né?-Fato. Não tem nada feio ali... Cores, bico, asa traseira... Até os macacões dos pilotos são bonitos... -Mas como assim Amaral? Não tem nada feio na Renault?
-Não vem não... Você mesmo falou que achou o carro bonito...
-O carro, as cores... Mas daí a dizer que tudo é bonito vai distância, heim?
-E o que tem feio lá?
-O Kubica o Petrov....

-E a Ferrari? Gostou?
-Não... Copiar uma Red Bull e pintar de vermelho eu acho muito pouco para uma equipe com o histórico da Ferrari. E tem mais, quem garante que o que funcionou bem ano passado vai ser bom este ano?
-É pode ser... Mas dizem que o Alonso gostou...
-Mas é claro... Tudo que lembrar Toro, e ainda por cima vermelho ele vai gostar.
-E o Rubinho na Williams em Groo? Quebrou tuas pernas...-Quem disse?
-Ué... Cê vive atazanando o cara, nem o nome dele você escreve, fica pondo “1B” toda vez...
-Se ele ganhar, mérito do carro. Se perder, culpa dele...
-E se o companheiro dele o... O... Como é o nome do cara?
-Hulkenberg, o melhor Nico da F1..
-Isto! E se ele ganhar?
-Aí tá tudo normal... Alemão na frente do “1B” é sinal de normalidade...