30 de abr de 2010

Elevador.


O elevador para no térreo do velho prédio sem garagem e abre as portas, por alguns segundos ninguém entra.
Porém quando as portas começam a se fechar uma mão as impede, o dono dela consegue então colocar-se dentro do elevador e apertar o botão de seu andar – o décimo – mais aliviado.
-Sobe? – grita Dona Geisa, do décimo primeiro.
-Claro, o prédio não tem subsolo... – diz ele e ri.
-Engraçadinho... Aperta ai décimo primeiro.
-Sobe! – grita um japonês – E eu não perguntei, eu afirmei!
-Tá certo Tadashi... – diz Samuel, o que primeiro entrou.
De repente metade dos funcionários da empresa aparece no saguão e ruma ao elevador.
Em menos tempo ainda estão todos dentro e pedindo para que alguém apertasse os botões relativos a seus andares. Todos acima do décimo.

Entre o nono e o décimo andar o elevador para com um solavanco e começa então um cruzamento de vários diálogos...
-Opa... Travou! – gritou alguém...
-Cadê o ascensorista? – perguntou outro.
-Que ascensorista, seu burro... Aqui não tem...
-Eêêêê! – gritam todos...
-Alguém ai aperta o botão de emergência, ou o sinal sonoro pra chamar o zelador...
-Que zelador sua anta! Aqui não é prédio residencial não... Chama o porteiro ai...
-Eu to apertando, mas não to ouvindo nada...
-Será que não é porque a campainha tá lá no térreo?
-Ah tá?
-Tá... Claro... Com quem eu to falando? Deve ser a loira do décimo andar...
-Aquela gostosa? Não... Ela não tá aqui não... Mas é gostosa, heim?
-Epa! A loira do décimo andar é minha esposa!
-Relaxa, ele elogiou. Disse que é gostosa...
-Isto é elogio?
-Claro que é! E ele mentiu?
-Bem... Não... Mas...
-Que “mas” o que? Ainda bem que ele não falou da cara dela... A mulher é um capeta!
-Hahahahahahah!
-Pode ser capeta... Mas eu pegava. – diz Tadashi, entrando na conversa...
-Eu também. – diz Samuel.
-Eu também... – diz outro.
-Eu idem... – diz mais um.
-Eu peguei...
-Pegou? Você?
-Quem pegou minha mulher ai? Diz se for homem...
-Olha... Não quero me meter não... Mas não vai dizer.
-Covarde?
-Não... É porque não é homem... É a Dona Geisa do décimo primeiro...
-Vixe... O sapatão pegou a mulher do cara...
-E quem não pegava...
-É!
-É...
-Bem... Se for pra casar eu não pegava não...
-Nem eu...
-Aê, vamos parar com este papo que tá constrangendo o marido da capeta gostosa do décimo andar...
Por alguns instantes o silêncio reina no elevador.
Silêncio este cortado por um som abafado...
-Putz!
-FDP... Tem nariz não, corno?
-Eu não fiz nada! – diz o marido da loira do décimo andar.
-Não tava falando especificamente com você...
-Calma gente... Vamos cheirar todos juntos para ver se acaba mais rápido!
Então a porta abre e todos saem mais que depressa, jurando não entrar mais quando estivesse acima da lotação.
Então a loira do décimo andar entra no elevador - de calça legging preta como se tivesse sido vestida a vácuo – e em poucos segundos quase todos estão de volta ao elevador, menos o marido e Dona Geisa...
-O senhor não vai entrar?
-Não... Sou casado com ela... E a senhora não vai entrar por que não lhe interessa né? Se fosse um saradão...
-Não, não... É que eu já peguei...
Tenhan todos um ótimo fim de semana.

29 de abr de 2010

Notinhas do recesso

F1 está em recesso e só fornece notinhas esquisitas como por exemplo:
Alonso continua sendo empresariado por seu amigo Briatore...
Ué... Óbvio! Um fedido procura o outro...
Me espantaria se lesse o contrário.
Algum tempo atrás, alguns jornais chegaram a colocar Robert Kubica no lugar de Felipe Massa e usando como argumento não as ótimas provas que o polonês vem fazendo com a carroça francesa da Renault (que este ano não é Horrivelnaut), mas o fato dele ser amigo de Don Alonso I, o vigarista.
Se Domenicalli tem o habito de ler e acreditar nos jornais, é melhor então por as barbas de molho... Afinal como está ai em cima, Flavio Briatore também é amigo dele.
Já imaginou o Torresmo de sunga vestindo o uniforme do cavalino rampante?

Alguns jornais já começam a publicar que o clima na Ferrari teria azedado entre Alonso e Massa.
Azedou quando anunciou que Alonso guiaria pela casa de Maranello.
Ou até antes, quando Massa mandou um “vá cagare” para o asturiano safado.
Mas o legal mesmo são as caras de paisagem apresentadas por Massa, Alonso e Domenicalli quando tocam neste assunto. Mudando o foco: Lucas Di Grassi disse que a erupção do islandês João Pedro (não, não é a tradução do nome, mas eu não sei grafar aquilo e não vou copiar e colar) atrapalhou a evolução do carro para o GP da Espanha... Olha... Eu não sei... Tá certo que aquela nuvem de fumaça atrapalhou um monte de vôos e tal... Mas... Sinceramente? O carro da Virgin não voa... Nem literalmente..
Acharam uma desculpa para estar tomando um pau da Lótus na confiabilidade e mesmo nas corridas. E que desculpinha esdrúxula heim?
Ainda se fosse o Barrichello dizendo isto...

E a ultima: Buemi pediu para trocar o chassi do seu carro, pois atribui a ele uma espécie de onda de má sorte. O que estaria fazendo com que seu companheiro de equipe pontuasse e ele não...
Eu ia comentar, mas... Pensando bem? Deixa pra lá...
Põe na conta do azar mesmo e ficamos desta forma, para não ter de evocar o barrichellismo novamente...

27 de abr de 2010

Notinha do busão

Como alguns sabem, eu já não uso mais ônibus para ir ao trabalho diariamente, já que trabalho em uma escola há menos de meia hora de casa, vou a pé mesmo, mas nem por isto vou abandonar as famigeradas notinhas que me acompanharam em todos estes três anos.
Algumas foram fatos, outras inventei, mas os personagens são todos reais.
Esta por exemplo foi um fato. Embora os envolvidos neguem....

Lembra do Zé Pequeno, o motorista da linha ‘Franco da Rocha-Francisco Morato’ que eu uso pra ir trabalhar?
É! Aquele mesmo que foi substituído um dia por uma tiazinha que saltava lombadas como rampas...

Pois é... Pela manhã, estava no ponto esperando o coletivo e quando surgiu no inicio da rua fiquei feliz em ver que quem o dirigia era novamente Zé, e ao mesmo tempo estranhei a forma com que ele vinha guiando.
Quase em zigue-zaque.
Quando entrei no ônibus e dei a minha tradicional saudação “Grande Zé Pequeno” ele sorriu com o canto dos lábios e nem esperou que eu e os outros passageiros sentássemos para arrancar violentamente.
“-Porra Zé... Que isto?”.
“Né nada não! Segura aí que to com pressa”.
Não estávamos atrasados, logo, não havia motivo pro Zé correr daquela forma.
Nas ruas mais estreitas a sensação de velocidade era enorme e nas mais largas ele ia ultrapassando outros ônibus, carros mais lentos e um monte de caminhão de gás.
Zé estava irreconhecível!

Aqui sou forçado a abrir um parêntese, breve.
Existem diferenças enormes entre ‘bar’ e ‘boteco’.
No primeiro nós vamos com a galera, geralmente tem uma decoração legal, uma banda tocando ao vivo, drinks coloridos...
Já no segundo a gente só vai quando está apertado no meio da rua e precisa usar o banheiro. A decoração é de azulejos encardidos e engordurados, tem forró ou sertanejo no radio que toca alto pra caramba e ovos coloridos...

E é do segundo tipo o “Bar dos Velhos” já no centro de Francisco Morato, encostado ao ponto onde desço.
Lá a decoração é (ou eram) de azulejos brancos com as bordas laranja.
O Piso é de cimento vermelho e o balcão tem um vidro que não vê limpeza já faz algum tempo. Remete aos botecos da década de 70 inicio dos anos 80 com pôsteres do Corinthians, onde com muito esforço pode-se reconhecer – embaixo da gordura – Rivellino, Sócrates, Biro-Biro, Wladimir e Zé Maria entre outros...
Na estufa temos umas porções de lingüiça calabresa frita. Mas com cara de que estão lá há semanas.
Fecho parênteses

Pois Zé Pequeno estava nos fazendo sentir saudades da tiazinha inimiga das lombadas. Ultrapassava filas de veículos... Andava em zigue-zague, buzinava e gesticulava em excesso.
Freou bruscamente umas três vezes, o que nos fez perguntar:
“-Amaral...” – que este é seu nome – “-,,,tá tudo bem?”.
Ele respondia que sim com um aceno de cabeça e tocava em frente.
Quando fez a ultima curva antes do ponto que desço, ele parou o ônibus.
Desceu correndo e entrou disparado no “Bar dos Velhos”.
Todos assustados correram para as janelas e acompanharam Zé Pequeno pedir uma daquelas lingüiças, mastigar e engolir muito rápido e depois pegar um copo de água com um comprimido e engolir também.
Voltou para o ônibus com cara de alivio.
Sentou-se ao volante e calmamente explicou:
“-É que estou com gastrite, tenho de tomar remédio e não pode ser de estomago vazio, né?”.
Ah! É, e nós nem desconfiamos como ele adquiriu esta gastrite, nem!

26 de abr de 2010

Galvão alternativo

Galvão Bueno não é unanimidade quando se fala em narração esportiva no Brasil.
Há quem não goste e há quem odeie... Tá bom... Também tem quem goste, mas não vamos contar o Cacá e o Popó, o que vai restringir este grupo a uns dois ou três não familiares.
Porém estes evitam - e muito - aparecer e dizer que gostam realmente do narrador global por medo de retaliações ou até mesmo da ação de algum hospital psiquiátrico que possa por ventura querer recuperá-lo como fugitivo... Vai saber!
Porém uma coisa é inegável: Galvão é versátil.
Ele pode estragar qualquer evento esportivo que narre.
A F1 ele consegue sem fazer força e futebol... Bem...

Agora proponho um exercício diferente...
Que tal imaginar Galvão Bueno fazendo outros tipos de narração que não os habituais F1 e Futebol?
Melhor ainda... Narrando coisas off esporte.

Enterro: -Olha ai... Agora depois de todo este caminho, depois de todo este percurso do velório até aqui, os caras vão deixar o caixão dentro da cova... Vão descendo... Ih... Entortou, vai descer a parte da cabeça do morto primeiro... Pode isto Arnaldo?
-A regra é clara, Galvão... Tem que descer por igual...

Casamento: -E lá vão eles, na ponta dos dedos... O Padre olha para ela, olha para ele... Ele disse alguma coisa? Vamos ouvir no rádio do noivo ai Burti... O que foi que ele disse?
-Ele disse “sim” Galvão...

Atropelamento em São Paulo: -Vai atravessar a rua bem na Oscar Freire... Ih! Agora complicou, não pode fazer isto, não é hora para brincar... Lá vem o ônibus... Ai não... Ai não... Atropelou... Foi fazer brincadeira ó no que deu... Depois vai por a culpa em quem? Em quem? Diz ai Falcão...
-Deu mole né, Galvão...
-Deu... Ninguém que chega até aqui chegou brincando... Agora tem que correr atrás do prejuízo.

Uma paquera: -O cara fica olhando... Telegrafando a intenção.. Assim ela pega a intenção dele no ar, não pega não Falcão?
-Pegar pega... Mas se o cara for bom mesmo não tem problema...
-Então vamos acompanhar, o cara deu um meio sorriso, voltou atrás na intenção de chegar junto. A moça olhou, sorriu... Ele entendeu... Partiu pra cima... Entrou em contato... Ih... Olha o contra ataque... É éééééé Traveco!

Corrida de homem pelado: -Pulou a janela, olha aí... O corno tá atrás, quase dois segundos... Ele vai chegar... Mas chegar é uma coisa, pegar é outra...

Parada GLBT: -E lá vão eles, todos alegres fazendo a festa... E eu acabo de receber um SMS torpedão do Nico Rosberg que tá em casa curtindo a parada... E vamos a mais uma participação do internauta. A pergunta vem de Gino Costa, de Campinas... E ele pergunta pro Falcão: Qual é o destaque?
-Olha Galvão... Esta eu vou pular viu...

-Haja coração!

24 de abr de 2010

Nomes

Escolher um nome para uma criança é coisa seríssima.
Um amigo nosso, por exemplo, não inventou e se deu muito bem... Tanto ele quanto a criança, que nasceu saudável e recebeu o singelo e bonito nome "Lorenzo".
Digam se o nosso amigo Marcelo “F1 à lo camba” Iriarte não foi muito bem na escolha?

Porém nem todo mundo tem bom senso e extrapola... Um nome estranho ou um nome fora de moda pode transformar a vida da criança em um verdadeiro inferno.
-Ih alá! O moleque se chama Gervásio! (Acho que não tem nome mais estranho e fora de moda que este...).
Ou até causar situações surreais e embaraçosas.
-Valdecir... Valdecir... Não tá ai na sala?
-Espera um minuto, foi no banheiro... – diz alguém
-Tá... Quando ela voltar pede para entrar no consultório...
Quando o médico - que preenchia algumas papeletas de cabeça baixa - ergue os olhos para a porta dá de cara com um sujeito de quase dois metros de altura e cem quilos...

Há alguns anos atrás a moda era estrangerizar os nomes, tanto que hoje temos milhares de Jenifers, Michaels, Brendons por ai.
E quase sempre com a pronuncia muito, mas muito prejudicada.
-Ô Jenerfí! Vem aqui menina... – é o que mais ouvimos pelas ruas da periferia de São Paulo, e posso apostar que pelas periferias de muitas cidades do país também.
E assim também o é com Michael, que vira Maicô e Brendon, que vira Brendão.

Costuma-se usar o nome de ídolos em voga à época.
Temos agora uma quantidade grande de Ronaldos, como tivemos uma boa batelada de Ayrtons tempos atrás.
Casos curiosos foram registrados, como aquele em que o pai queria registrar seu filho com o nome de Pelé.
-Pelé não pode...
-Não pode por quê?
-Por que Pelé não é nome... É apelido.
-E apelido não pode?
-Não...
-Mas alguém colocou o apelido nele, não foi?
Porém alguns nomes de ídolos que entram em desuso.
Rubens por exemplo não tem um novo registro desde 12/05/2002

Também tem os nomes totalmente esquisitos.
Conheço casos em que a criança vai realmente ter problemas se não arrumar um apelido urgente.
Já li relatos de crianças que receberam o nome de Umdoistresquatro da Silva, Umbelino e Gaudêncio... Pior não poderia ser.
Ou poderia?

Contam que um dia o cara chegou para fazer um cadastro qualquer e o atendente perguntou:
-Nome?
-Sasasamuel..
-Samuel?
-Sasasamuel...
-Ah, me desculpe... Não sabia que o senhor era gago... Desculpe...
-Eu não sou gago.
-Então não entendi!
-Eu não sou gago, mas o meu pai era... E filhadaputa era o cartorário que fez meu registro...

E estão no ar duas coisas...
A edição da RoB pós China, com a participação de Ingryd Lamas, que deixou o programa bem mais bonito e o Felipe Maciel, além de mim, claro!
E um novo banner, em comemoração aos três anos do Blig Groo, que eu, humildemente esqueci.
O aniversário foi no dia 19 de Março, como atesta este post do ano passado: Santa Madre.
O banner foi remodelado pelo jornalista e grande amigo Marcio Kohara, forista do FOVE e colunista do Best Cars, a ele os meus melhores agradecimentos, bem como a todos que fazem deste espaço o que ele é. OBRIGADO.

23 de abr de 2010

Quando bate o desespero.

-Eu preciza ir até lá mein friend...
-Mas Michael, isto é besteira...
-Eu já estar desesperrada Ross, ficar tomando tempo de uma bibelô? Non pode...
-Questão de tempo Michael, você ainda é o mesmo... Mais velho, mas o mesmo.
-Enton porque non consigo voltar a fazer grrandes corridas?
-Calma rapaz... É questão de tempo mesmo, eu sei... Tempo e trabalho. Não foi assim que você chegou onde chegou? Não foi assim que ganhou sete títulos? Trabalhando?
-Foi... Mas agorra é diferrente! Eu já ser o Michael Schumacher, e todo mundo esperra de mim no mínimo o incrrivel!
-Ah! Mas isto cê já esta proporcionando...
-Já?
-Já... Claro!
-Como?
-Não é incrível que um piloto sete vezes campeão do mundo, dono de uma penca de recordes fique sempre andando atrás de um moleque meia boca e que nem decidiu ainda se é menino ou menina?
-Bem... Se a pilota for boa, non?
-É... Se for bom não, mas estamos falando do Nico Rosberg... E ai é que se torna incrível...
-Bem... Se você estar falando...
-Então desistiu desta idéia ridícula?
-Acho que sim...
-Mas, afinal... Quem foi que te deu a idéia de ir procurar esta tal Madame Soraya?
-Se eu disser que foi a Rubinha você acrredita?
-Pior que acredito... Mas agora deixa esta besteira de “tudo sabe, tudo vê e tudo adivinha” e vai para o simulador treinar mais... Ou vai procurar o preparador físico... Cê que sabe...
-Estar certa Ross...
Então Michael Schumacher pega das mãos de Ross Brawn o panfleto que Rubens Barrichello havia lhe dado e amassa, jogando depois na sexta de lixo e virando-se para sair da sala...
Ross, com um sorriso constrangido pega o papel e lê ao desamassar: “Madame Soraya. Tudo sabe, tudo vê e tudo adivinha.” E mais abaixo, logo após o endereço e o numero do telefone viu o real motivo do alemão estar tão interessado em uma consulta com a charlatã: “trago seu amor de volta em três dias.”
E Ross sabia, não havia nada que Michael mais amasse que a velocidade, que parecia mesmo ter lhe abandonado.

Para quem quiser relembrar a primeira aparição de Madame Soraya fica aqui o Link: Como será o amanhã?

21 de abr de 2010

Vamos ajudar Nico a se firmar...

Nico anda mal, não é a coisa mais gloriosa da F1, porém poucos são...
Acontece que papi Keke, nas palavras dele próprio – que também não era lá grande coisa – anda preocupado.
Por mais que ele se arrisque pilotando um F1 – sem mostrar muito serviço, claro – os comentários são sempre no sentido de por em duvida algo de sua masculinidade...
Sensibilizado com o fato, resolvi listar algumas sugestões para que ele mostre um pouco mais de... Digamos... Masculinidade para que alguns maldosos parem de pegar no seu pé... E claro, para ele achar uma outra profissão para quando a F1, se tocar que ele não é bem do ramo...

Degustador de café na Colômbia. É isto mesmo... Café, e na Colômbia.
Ser degustador de vinhos é uma arte, mas é meio afrescalhado... O cidadão fica lá falando das notas amadeiradas, do sabor frutado e fundo de pinho... E quando gospe o liquido fora, o faz em um balde prateado...
Já o degustador de café Colombiano não... Ali é tosco... Toma os cafés todos sem açúcar, quente para caramba e ainda dão aquela cuspida grossa e toda escura no chão mesmo...
É nojento, mas é másculo...
O único senão é que dizem que este foi o primeiro emprego do Rick Martin... Logo não é um mundo assim tão macho quanto parece...

Pedreiro. Ficar com os braços e pernas sujas de cal e areia...
Erguer latas de concreto, usar desempenadeira e colher de pedreiro. Jeans velhos e camisetas e bonés de políticos locais...
O único problema seria o caso dele achar que iria gastar muito mais com cremes para cuidar das mãos maltratadas pelo cimento e condicionadores de cabelos para reparar as melenas.

Penso que ele não faria nenhuma das opções acima, claro...
Então para aliviar a carinha de menina que perdeu o pirulito seria bom ele deixar crescer um vistoso bigode, como aquele que o papi (palavras dele) usava...Se bem que... Né... Freddie Mercury usava um bigodão daqueles e ... Bem...
Deixa barato... Pior que está não vai ficar.
Se souber algo mais que ele poderia fazer para limpar a barra com o papai, deixa ai nos coments.

20 de abr de 2010

Ava(ca)liações chinesas - ô horario ruim viu...

Roda direita: -Vamos na frente, este cara está muito lento...
Roda esquerda: -Vam'bora então...

Button venceu, não foi espetacular, mas foi preciso. Ninguém liga para ele e assim ele vai chegando...

Lewis deu show, passou todo mundo (menos o Button) e mostrou que nem sempre vence a ousadia. O que é uma pena...

Nem com o mundo acabando literalmente a sua frente ele consegue vencer a corrida. E ainda dizem que o moleque é bom... Bom é o Sutil, o Nico é purpurina... Só brilha enquanto cai...

Schumacher: -Ai que saudades das motos... Lá eu ia mal e ninguém questionava se era a idade..

-Jenson, posso te beijar?
-Tá me estranhando? Não sou alemão e nem me chamo Nico... E tem mais: minha noiva ta olhando...

-Shumacher, foi culpa da nuvem de fumaça da Islandia?
-Rapaz... Não sei... Ela me passou também?

-Não... Eu não ultrapassei o Schumacher, mas se tivesse mais uma ou duas voltas... Ah, eu passava!


Jenson: -Lembra quando ele fez isto com você?
Lewis: -Lembro, mas comigo o buraco é mais embaixo... Fiz ele voltar pra Renault.

Alonso queimou a largada, mas andou bem... Não gosto dele, mas é um piloto sensacional.

Já o Nico também queima, não gosto dele e nem tem um lado bom na história...


E mais uma vez... A despeito do horário ruim para assistir, da desconfiança que um tilkódromo sempre trás a corrida foi ótima. E pelos motivos certos, afinal novamente os pilotos foram as estrelas.

19 de abr de 2010

GP da China - Chuva que salva do sono.

A corrida chinesa, além de encerrar a primeira fase do campeonato, trouxe outros fatos à superfície das discussões:
A) – A pista chinesa não é tão ruim quanto se pensa. Não fosse as enormes áreas de escape que deixam de punir os imprudentes, descuidados ou descontrolados com a saída da prova, talvez fosse a segunda melhor pista da Ásia. A primeira, claro, é Suzuka.
B) - Sob chuva qualquer corrida fica emocionante.
C) – Nunca, mas nunca mesmo é bom duvidar das capacidades da McLaren. Mesmo depois de se tornar alvo de brincadeiras e maldades (não minhas, que pena) no tuiter quando depois de empolgar no Q1 eQ2 não conseguiu nem a segunda fila. Ficando atrás do Dick Vigarista espanhol ( que foi brilhante) e do bibelô alemão.
D) – Em corrida Nico Rosberg é horrível e nem com o mundo acabando á sua frente como se o apocalipse houvesse chegado ele é capaz de ganhar uma prova. E desta vez só chegou à frente de sua posição de largada porque Alonso não investiu – e nem podia - o suficiente.
E-) O horário da corrida chinesa é um horror para nós brasileiros, tanto que este post da corrida só está indo ao ar na segunda feira!
A confusão estabelecida pela chuva fina que melecou a pista bagunçou toda a largada e um acidente quase que protocolar entre Liuzzi e Buemi, Kobayashi trouxe o safety car a pista.

E neste momento, em algum lugar da pista, alguém ultrapassava Schumacher.
Alonso que não cometia nenhuma irregularidade nas pistas há algum tempo (uns vinte minutos, acho) resolveu que ontem era dia de queimar a largada e com uma risadinha digna do personagem da Corrida Maluca largou antes de todo mundo.
Antes mesmo até de apagarem-se as luzes vermelhas!
Mas Charles Withing viu e o obrigou a um drive trhough.

E neste momento, em algum lugar da pista, alguém ultrapassava Schumacher.
Nico Rosberg assumiu a liderança, porém como diz a canção de Almir Guineto: “-Carreiro novo que não sabe carrear, o carro tomba e o boi fica no lugar.”.
Não segurou Jenson Button, perdeu nos boxes a posição para o infernal Hamilton e só não chegou na mesma posição em que largou porque Alonso teve os problemas já citados.
E se vierem aqui dizer que ele fez uma corrida fantástica é porque não viram a corrida do próprio Alonso, do Hamilton e até do Adrian Sutil... Nico quando muito fez o que devia. E sofrendo horrores.

E neste momento, em algum lugar da pista, alguém ultrapassava Schumacher.
Button parece ser comediante de uma piada só... Que funciona - claro - mas já está ficando previsível.
Ou para antes de todo mundo ou deixa para parar bem depois e assim garante boas posições e até vitórias.
Mas como disse, vem dando certo e sua forma de pilotagem suave, precisa e constante ajuda a poupar os pneus e isto tem lá seu charme.
Nico Rosberg podia aprender alguma coisa com ele, só que como digo há anos: ninguém liga para o Button e assim ele vai chegando e se mostra candidato sério a um bi campeonato.

E neste momento, em algum lugar da pista, alguém ultrapassava Schumacher.
Hamilton mais uma vez deu show, e se ficou sem pneus para atacar o companheiro de equipe no final é só um detalhe. Enquanto teve borracha foi impecável. Merecia, tanto quanto Button a vitória, porém desta vez, como na Austrália, o cérebro venceu a ousadia.

E neste momento, em algum lugar da pista, alguém ultrapassava Schumacher.

Por ultimo a manobra feita pelo Dick Vigarista espanhol em cima de Felipe Massa já no caminho dos boxes.
Sei que haverá quem brade que foi coisa suja, penso até que Felipe em seu intimo pense assim...
Mas como ele mesmo disse, errou uma curva e saiu mais lento, então aquilo, mesmo em um momento tão critico foi coisa de corrida. Mas garanto, se fosse o contrário, Alonso estaria chorando, esperneando, dizendo que trouxe sete décimos a equipe e que ninguém o valoriza...
Ali Massa perdeu o tempo da entrada nos boxes, perdeu o tempo em que Alonso ficou parado trocando seus pneus, o tempo que ele próprio ficou parado para a troca e o tempo de sua saída dos boxes.
Com isto ficou em nono lugar e caiu para sexto na tábua de classificação.

E isto porque naquele momento, em algum lugar da pista, Felipe Massa ultrapassava Schumacher...

16 de abr de 2010

Post piloto com Guru Vishmarya

Algum tempo atrás apareceu por aqui - por sugestão do ebozeiro oficial da F1 Pai Tião - um indiano maluco que fez algumas previsões e deu uns conselhos sobre as equipes que disputam o mundial deste ano.
Pois bem, o cara me contactou e propôs a criação de um quadro onde responderia perguntas que lhe forem enviadas por e-mail, ou mesmo pelos leitores do blog.
Fiquei de pensar e fui empurrando com a barriga uma resposta. Já faz um mês!
Eis que ele me manda por e-mail um arquivo com vários e-mails com perguntas e respostas para que eu escolhesse o que achasse melhor e publicar, apenas para testar reações.
Assim fiz e agora dêem aí suas opiniões...
-Que a deusa hindu dos saltos Dhayanedhosshantos os faça pular nas cadeiras! Aqui é o guru Vishmarya Rhodaabayana com conselhos para uma vida melhor... Procuro ainda um patrocinador para pagar o espaço neste blog, mas por enquanto que os deuses paguem o blogueiro... Vamos aqui ao primeiro e-mail que chegou ao meu endereço eletrônico: india-paraguaiasiatico@shiva.org
O e-mail vem de um leitor morador de Cabreuva, estado de São Paulo e seu nome será preservado, bem como todos os nomes de leitores que participarem do programa....

Pergunta: -Guru dos gurus... Eu queria saber se há uma receita para a felicidade plena?
J.P., Cabreuva/São Paulo.
Resposta: J.P, seu mala... Claro que existe uma receita para a felicidade plena, e é até simples... Agora contar para você? Nem pensar... Aí você conta para outro, que conta para outro e logo todo mundo está sabendo...

Pergunta: -Senhor Vishmarya, eu tenho uma duvida: sou muito calmo. Quase nada me tira a paz. Penso muito antes de falar, pesquiso mesmo. Só vou na certeza de algo. Sou dos que fazem a ação pela não ação... Sou zen? Ah, sim... Apenas não tenho o corpo magro dos sábios de tua região, sou meio redondo, se é que me entende...
T.R.C, Juiz de Fora/MG.
Resposta: -Meu caro mineiro... Você não precisa ser magro para ser sábio. Quem foi que te disse isto? Agora... Quanto a esta coisa de “ação pela não ação”... Bem... Isto é coisa de preguiçoso mesmo. E um conselho extra: se quiser tirar visto para entrar nos EUA, mude de cidade.

Pergunta: -Não tinha a quem perguntar isto... Ai um amigo me deu seu e-mail e me explicou como trabalha, por isto estou lhe contactando. Tenho um amigo que conheço desde que éramos crianças e sempre estivemos próximos. Descobrimos muito da vida juntos e agora ele arrumou uma namorada... Normal, mas eu comecei a sentir ciúmes... Caro guru: eu sou gay? Por favor não publique este e-mail...
DFC, Paranavaí/PR.
Resposta: -É sim... Você é gay e agora é tarde... Já publiquei.

Pergunta: -Consta em nosso cadastro que não houve pagamento da conta deste telefone nos últimos dois meses. Notificamos por meio deste e-mail o corte do serviço de telefonia, bem como o acesso à banda larga. Caso o pagamento já tenha sido efetuado queira entrar em contato conosco e informar o código de quitação bancária.
Telefônica.
Resposta: -Oxê... Será que o Ron Groo toparia publicar algumas coisas minhas agora que não tenho mais net em casa?

E já esta no ar a mais recente edição da Rádio Onboard, a pré China.
Felipe Maciel e Fábio Campos, junto comigo, claro, forjamos mais discussões acaloradas e bem humoradas sobre o nosso esporte prediléto.
Ouve lá, comenta aqui...

15 de abr de 2010

Yaksoba F1

Ingredientes:
Macarrão tipo lamén.
Brócolis.
Couve Flor.
Acelga.
Cenoura.
Tirinhas de frango.
Tirinhas de carne de porco.
Shoyu a gosto.

O lámen fica por conta do Alonso.
Desde que veio para a Ferrari tudo que é declaração sua repercute com força, mas isto veja bem... É imprescindível para a animação do espetáculo, assim como sem lamén não tem yaksoba. Agora o asturiano disse que o alemão sete estrelas é seríssimo candidato ao titulo.
Eu até concordaria se a Mercedes fosse um carrão daqueles, ou houvesse mostrado uma evolução gradual e consistente até aqui.
São apenas três gp´s - eu sei - mas, até a Renault mostrou evolução.
E tem mais... A equipe alemã tem um piloto só. O outro é bibelô...

Brócolis é bom, e aqui tem o patrocínio do próprio autódromo.
É gostosinho, mas só provando para saber se é bom. Olhando ninguém diz...

Couve flor é uma coisa esquisita.
Não é couve, não se come suas folhas.
E nem é realmente flor, já que ninguém oferece bouquets dela a outrem...
É ambígua. Tipo o Nico Rosberg.

Acelga vem da FIA, que passou a borracha na falcatrua do Torresmo de Sunga (que não entra na yaksoba) e me forçou a usar uma piada muito velha...A FIA é acelga e sulda.
Só não é muda por conta das besteiras que pronuncia de tempos em tempos... Como aquela das medalhas...

Cenoura?
Faz bem para a vista e concede certa crocancia ao prato. Mas por tratar-se de um legume de duplo sentido espero que vocês atribuam a algo ou alguém do circo...

As tirinhas de frango garantem a proteína, mas não o sabor.
Então temos um monte de equipes que são a mesma coisa... Toro Rosso, Force Índia e por que não dizer: Mercedes.

Já as tirinhas de carne de porco não tem proteína nenhuma, porém, garantem o sabor.
Olha a Mclaren ai!
E se não bastasse ainda tem o Hamilton, que vez por outra mostra como é espírito de porco.
Vide a briga com Raikkonen em Spa/08 com direito a um drible na ordem de devolver a posição e, mais recentemente com o Petrov na Malásia. Coloque o quanto quiser de shoyu e esperança de que seja uma boa corrida, mal não faz. E deixa a espera mais divertida...

14 de abr de 2010

Sinal Verde do GP da China - versão Groo

Quem se lembra daqueles programas que a RGT (rede globo de televisão em Galvanês) que no sábado anterior ao grande premio mostrava peculiaridades do país e da cidade onde seria a corrida. Sinal Verde era o nome do programinha...
Resolvi fazer um...



Ah! A China...
Onde mais teríamos um murão enorme como principal atração turística?
É a única edificação humana que pode ser vista do espaço. Provavelmente da estação espacial.
Imagina lá o astronauta, preso na estação há alguns meses, na seca... Doido pra ver uma mulher bonita e tal... Ai ele está lá em cima, tem uma visão panorâmica da Terra, podendo ver as praias mais bonitas e bem freqüentadas e o que ele vê?
Um muro.
Enorme, recheado de significados e história... Mas ainda assim: um muro.

Também se come muito bem na china... Espetinho de escorpião, formigas fritas, sopa de cachorro (não me pergunte como é feita, não tive coragem de ler a receita), omelete de larva do bicho da seda, morcego à caçarola...
Tem um vídeo no youtube que mostra um cidadão cozinhando e comendo tudo isto, mas não terminei de assistir.
Meu estomago ficou revoltado mesmo foi quando ele comeu quiabo...
Com tudo isto é de se ficar com os dois pés atrás quando dá aquela vontade de comer um bom yakisoba.
Ah... Tem também o frango xadrez, que é gostoso até... Mas, xadrez? É maldade com bichinho...
O supra sumo da comida aziática! Comeu, tem azia..

E a diversão?
Para quem tem uma cultura milenar tão festejada... Pô... Olha só o que tem agora.
Tem o Bruce Lee, ícone dos filmes de kung fu. O homem era o bicho! Dava pernadas em todo mundo, andava no ar, tinha uns golpes mortais. Brigava com cinco e nem se sujava...
Se bem que diferentemente do Steven Seagal e do Chuck Norris, de vez em quando – e só de vez em quando – ele tomava umas bordoadas. E até sangrava...
E tem também o Jackie Chan... Que faz uns filmes legais, engraçados e diz não usar doublé.
Ih... Acabo de ver na wikipedia... O Bruce Lee é americano... Nasceu em San Francisco e foi criado em Hong Kong... Portanto é chinês do Paraguai... Não conta.
Ficamos só com o Jackie Chan mesmo...
Mas só os dois primeiros Hora do Rush... O resto também é meio paraguaio...

E no esporte então?
Tem o gigante Yao Ming, que joga na NBA, bom de bola ele... Tem também o Ho Pin Tung, que por bem ou por mal é grande promessa chinesa do automobilismo.
Aquele em quem se deposita a esperança de um dia o GP Chinês fazer sentido, já que pelo publico - que não se interessa – não é.
Quem sabe com um piloto da casa eles não passem a ir mais ao autódromo?

Eu poderia citar mais coisas aqui, mas o Google parece pouco amistoso com a China. Seria talvez por conta da queda de braço que o governo chinês ganhou e fez com que o site de buscas fechasse seu escritório no país?

13 de abr de 2010

Efeito borracha

A semana do GP da China começa...
Corrida no fim de semana promete ser emocionante como as anteriores já que há – além da nova lufada de ar competitivo que a categoria recebe – a possibilidade de chuva.
O que se pararmos para pensar é bem vindo por tratar-se de um tilkódromo.
Logo fica valendo o ditado: um homem prevenido vale por dois. Pode ser que a F1 tenha realmente mudado e a corrida seja legal no seco, mas para o caso de não ser bem assim, uma chuva circunstancial pode dar jeito na coisa.

Mas mesmo assim algo vem incomodar quem gosta do esporte como um todo.
Ok... Não é esportivo e sim político, mas incomoda.
A FIA fez um acordo com o Torresmo de Sunga e com seu comparsa Patrício Simão e agora não há mais punidos na história da batida forjada em Singapura.Punidos de fato, já que de forma branca e velada Nelsinho Piquet ficou como o único grande culpado de um fato que a partir de agora passa oficialmente a não existir.

É o efeito borracha.
Tal qual aquela borrachada que apagou dez jogos do campeonato brasileiro de futebol de 2005, agora acontece o mesmo.
Oficialmente não há mais a batida forjada, nem as ordens vindas dos boxes. Muito menos o banimento dos mandantes da bagaça.
Tudo apagado.

Apenas a parte que cabe ao filho do tri campeão é que não foi apagada.
Quando daqui a cinqüenta anos se tocar no nome de Nelsinho vai se falar neste episódio, e vão ser mostrados vídeos e vai se ouvir o lapidar: “Sorry guys...”.
Embora eu ainda ache que o que o tirou da categoria não foi o escândalo, e sim a falta de resultados.
Tivesse ele um histórico melhor e estaria ainda ai, mas como foi só o que foi...
Enfim, esta parte da história parece ter sido escrita à caneta, e como disse Nando Reis na canção Frases mais azuis: “... e frases de caneta, você não pode apagar”.

12 de abr de 2010

Breakfast at Castanho´s

Há tempos planejava uma visita ao Castanho, uma das melhores vinícolas da região de Jundiaí e após conhecer o dono da adega, Mateus ficou ainda mais interessado.
-Vamos lá... Garanto que cê vai gostar! – diz ele a seu grande amigo Lucio.
-Como sabe que eu vou gostar? Se nem você provou as bebidas de lá ainda?
-Mas tenho indicação de que é bom... E tem mais. O dono de lá, o “seu” Castanho, - que eu conheci pessoalmente – é gente boa pra caramba...
-Quantas vezes cê conversou com ele?
-Só esta semana umas três ou quatro vezes...
-E desde quando cê o conhece?
-Bom... Conheci esta semana... Mas, vai por mim. Vale a pena.
-Bom... Beleza. Quando a gente vai?
-Que tal no sábado?
-À tarde?
-Não... Vamos de manhã mesmo. A gente toma café da manhã lá.
-E lá tem café?
-Hehehehe, não... Se é que você me entende. No sábado pela manhã se encontram na frente da casa de Mateus, que ao lado de seu vizinho – conhecido como Tungão – já mantinha o motor do carro ligado.
-Vamos de carro? – pergunta ele.
-Vamos, oras... Qual o problema? Vai dizer que lá não tem estacionamento?
-Tem, tem... Aliás, lá é como se fosse uma chácara... Mas eu to falando porque a gente vai provar os vinhos, as pingas, os licores... E não vamos provar um só ou só uma vez... Daí pra voltar já viu né?
-Calma Lucio... É por isto que estamos levando o Tungão...
-Mas o Tungão não bebe? Eu nem sabia que ele dirigia...
-Ele não dirige não... E bebe sim. Né Tungão?
Tungão não responde, apenas sorri seu sorriso desfalcado.
-Então não entendi... Se ele não dirige, e ainda por cima bebe. Qual a valia dele neste caso?
-Pô... É um especialista! Quem cê conhece que já tomou tanta cachaça quanto ele?
-É... Bem poucos...

Tungão era o boa praça do bairro. Ajudava onde era requisitado e quase nunca cobrava nada pelos serviços que ninguém gostava de fazer: carpia calçada, limpava terrenos ainda não construídos, pintava muros e outras pequenezas.
De boa família, tinha apenas dois defeitos: Gostar de uma birita e bater nas costas dos amigos após ter coçado os quibas... As partes baixas.

Subiram no jipinho moderno de propriedade Mateus e rumaram à região de Jundiaí, onde ficava a adega e vinícola do Castanho.
Ao chegarem lá encontraram o estabelecimento ainda fechado e uma placa: Expediente de segunda a sábado das 12 às 18hs..
-Cê sabia? – pergunta Lucio.
-Se eu soubesse, acha que eu vinha agora?
-Bom para alguém que quer tomar café da manha num alambique... Vai saber...
-Não é alambique, é adega... Vinícola...
Tungão apenas sorri seu sorriso vazio...

Esperam por quatro horas até a abertura do local sem conversar muito. O sono e a fome não deixam.
Mas ao meio dia em ponto “seu” Castanho abre – pelo lado de dentro – as portas da casa. Reconhece imediatamente Mateus, que o apresenta a Lucio e posteriormente a Tungão, que como de costume dá os tapinhas regulares às costas do proprietário da bodega.
-Este homem está bem? – pergunta Castanho a Mateus em particular...
-Tá sim... Ele é assim mesmo, quase não fala...
-Mas ele não tava coçando os...
-Não, não... Impressão sua.
Mas estava.
Ao entrarem, cada um ganha um copo plástico com o qual dão a volta no salão provando de todos os tonéis esquecendo-se por completo da história de que teriam de dirigir para voltar.
Tomaram ao menos duas vezes de cada um dos vinhos, licores e cachaças.
-Este é bom! – dizia Lucio.
-Concordo... – com um aceno de cabeça Mateus.
Tungão apenas sorria seu sorriso falho.
Ao chegarem ao ultimo tonel da segunda volta já diziam:
-Eshte não é tão bom...
-Não... É ruim...
Tungão já não sorria... Mas ainda coçava os quibas.

Na volta trazem cada um três garrafas do ultimo vinho. Um tinto ultra-doce considerado pelo próprio castanho como de baixa qualidade.
Tungão, abraçado a um pote de cebola em conserva dormia com um sorriso no rosto.
Ah sim... Voltaram de ônibus e perderam o ponto tendo que desembarcar apenas no final, nem se lembrando que haviam ido de carro.
O jipinho, guiado caridosamente pelo “seu” Castanho, que ao ver o estado deplorável em que se encontravam tratou de obter a maior quantidade de informação possível, chegou à casa de Mateus seis horas depois quando todas as garrafas trazidas de seu estabelecimento já estavam vazias.