30 de mai de 2010

Turquia - Where do the children play?

Para o bem do esporte e de nossas emoções é bom que a Ferrari permaneça onde está: atrás de Red Bull e McLaren.
O que se viu, e que vai ser largamente criticado por um monte de gente, foi um show de competitividade e agressividade esportiva dentro das próprias equipes.
E o melhor? Pela ponta da corrida.
Enquanto isto os carros vermelhos se arrastavam em oitavo e décimo lugar num arremedo medonho e farsesco da famigerada expressão “tragam as crianças pra casa”, “até porque é só isto que vocês podem fazer”, a ponta da corrida mostrava um leque aberto de alternativas há muito não visto.

Webber, Lewis, Vettel e Button, nesta ordem, fizeram uma largada limpa, com o inglês de capacete amarelo sendo ultrapassado e ultrapassando logo em seguida o alemãozinho dos carros de boi vermelho e seguiram nesta ordem até a rodada obrigatória (coisa idiota!) de pitstops quando Vettel ganhou a posição de Hamilton e a diversão começou.

Vettel por algum tempo se preocupou em não dar chance para que Lewis o ultrapassasse novamente.
Lewis que – como de costume – era agressivo e não se preocupava em poupar pneus e atacava com vontade até sentir que não conseguiria nada daquela forma.
Button que corria com a cabeça mantinha todos em sua alça de mira e ainda conseguia economizar o equipamento.
Vettel então começa a diminuir a distância para o canguru e vai definitivamente para briga.Ao ver isto, Luca di Montezemolo teve ter pensado: “-Não vai prestar!”.
E realmente, do ponto de vista dos italianos não prestou, porém... Eles que se f.**, nós que assistimos as corridas para vermos algo emocionante adoramos.
Webber manteve sua linha e Vettel se ferrou:
-Alemãozinho, aqui não é Ferrari e nem eu sou o Massa! – deve ter pensado Webber.
O fato é que Vettel abandonou – irritado pra cacete, sem razão – e Weber teve o bico quebrado, caindo para terceiro.
Montezemolo deve ter sorrido de satisfação com sua teoria de que não se pode prejudicar a equipe com lutas fratricidas...
Já nós, pobres espectadores sorrimos em ver gente fazendo aquilo que é o motivo pelo qual assistimos corridas: disputando posição e criando emoção.E aos que argumentarem que o dono da Red Bull não pensa assim, que vai ter de arcar com o prejuízo, eu sou obrigado a discordar: a exposição da marca RED BULL por conta do acontecido vai ser tão grande e vai ser comentada por tanto tempo que vai até justificar a pancada.

Fim das emoções?
Nada, em mais uma disputa dentro da mesma equipe, Button que vinha sendo constantemente o mais rápido foi pra cima do Lewis, que pensou:
“-Ô... Aqui não é Ferrari, eu não sou o Massa e você não vá me dar uma de Vettel!”
A disputa foi bonita e limpa e favoreceu Hamilton, embora se tivesse dado Button também seria justo. Lá atrás as novatas (Hispânia, Virgin e Lótus) se arrastavam, as da série B (Sauber, Williams, Renault, Force Índia e Toro Rosso) faziam o que lhes era possível.

E para os chatos de plantão que vão criticar, dizer que foi excesso, que foi irresponsabilidade da parte dos pilotos de carros de boi vermelhos e da McLata, fica a resposta ao titulo deste post: É na pista que as crianças brincam.
E a gente adora isto..

Para quem não conhece, Yusuf Islam é o cantor inglês Cat Stevens, que se converteu ao islamismo.
Ok... Ele não é turco, mas alguém ai por acaso sabe de algum artista turco que preste? E pelo menos o nome engana né?

28 de mai de 2010

Feliz foi Adão...

-Despachante e corretora bom dia.
-Alô... Cês já estão trabalhando?
-Bem... Atendi ao telefone, então quer dizer que já estou aqui né?
-Não sei...
-Bom... Pois não?
Não eram nem nove horas da manhã ainda e o dia prometia. Já haviam sido feito oito processos para transferência de propriedade de veiculo e nada mais, nada menos que sete estavam errados. Dois telefonemas haviam sido enganos. Um foi trote e um outro era cobrança da telefônica por uma conta paga de seis meses atrás.
A luz dentro do aquário onde trabalhávamos - quem leu as outras crônicas sabe – é bem pouca, o que nos ajudava era um pouco da luz solar refletida no vidro canelado. Não que trabalhássemos nas trevas, mas se procurássemos bem nos cantos do imóvel acharíamos alguns morcegos parentes do Batman.
De repente a luz solar se foi. Não era eclipse, nem tampouco o céu escurecendo para uma tempestade.
O cheiro da fumaça de diesel impregna o ar e as roupas.
Na porta surge um sujeito baixinho, forte para caramba. Chapéu de boiadeiro, botas de cano longuíssimo, as mãos sujas de graxa ou algo que o valha.
Sua voz encheu o escritório como água, sem deixar espaço. Alta, grossa e aparentemente feliz:
-Feliz foi Adão, que não teve sogra e nem caminhão! Bom dia aí gente que trabalha...
-Bom dia... – Respondem todos entendendo agora o sumiço da luz do sol.
O caminhão tapara sua entrada ao bloquear nossa porta. Completamente.
-Eu trouxe o bruto ai para fazer a vistoria, vou passar ele pro nome da minha menina. Legado pra ela, não é? É tudo que tenho, e vai ser dela. Pra morrer, basta tá vivo não é?
-Quantos anos têm sua filha? Ela dirige caminhão? – Quis saber o chefe.
-Não... Ela é uma flor de delicadeza. Não conseguiria nem virar o volante do bruto, mas se eu morrer (já disse que pra morrer basta estar vivo) ela pode vender o caminhão mais facilmente.
O caminhão em questão era um Mercedes Benz L1313, azul, ano 1973, mas muito bem conservado.
A tarefa seria decalcar o numero do chassi para que fosse feita uma vistoria regular sobre ele. Saber se a numeração tinha ou não sido alterada.

Para quem não sabe, ou não conhece, a numeração de chassi neste modelo de caminhão fica na longarina, mas na ponta dela quase na junção com o para choque dianteiro. Embaixo do feixe de molas, com o acesso um tanto difícil.
É necessário abrir a tampa do motor e se esticar para dentro do cofre para alcançar a numeração, tarefa esta que coube ao menor de todos os funcionários. O único que estava desocupado.
Pela via normal ele não alcançou. Quase cai dentro do capô com os pés balançando para fora, mas percebe nesta manobra que se esterçassem as rodas dianteiras inteiramente para a esquerda seria possível alcançar a numeração entrando por baixo. Pelo vão da roda.
O local era apertado, mas era possível fazer.
O dono do caminhão se oferece para entrar naquele espaço dizendo que ali havia graxa e que o funcionário baixinho poderia se sujar.
Sugestão aceita.
O funcionário então dá a ele o bastão de grafite e um pedaço de fita adesiva tipo etiqueta para que ele faça o decalque e sobe até a cabine para esterçar as rodas.
Lá de baixo o caminhoneiro verifica que há pouca luz e que daquela forma não consegue encontrar a numeração gravada. Pede então para que mais uma vez se abra o capô do caminhão.
-Mas como abre?
-Tem uma correntinha ai em cima não tem?
Ele procurou e procurou. Olhou para todos os lados e só havia uma corrente que pendia do teto: “-Deve ser esta!” – pensou.
Puxou a corda com toda a força, afinal a tampa do motor de um caminhão deve ser pesada, ou não?
FUUUUÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!
O violento esporro da buzina atrai todos para fora do escritório a tempo de ver o dono do caminhão sair de baixo dele atordoado, com um corte no supercílio. Provavelmente por ter batido a cabeça no chassi.
-Desculpa aê! Foi sem querer, mas não tem outra cordinha...
-O que? Embaixo do painel...
-Eu puxei aquela que pende do teto, desculpa...
-Ahã? Debaixo do painel... Tá embaixo do painel...
-O que tá embaixo do painel?
O caminhoneiro não responde. Não ouvia mais nada. Se bobear nem sabia mais onde estava.
Feliz foi Adão, não teve sogra nem caminhão.
E nem precisou decalcar o chassi...

O texto acima foi publicado originalmente com a tag "cronicas do Nardo", quem quiser ver a série completa clique aaqui.

E está no ar a edição pré Turquia da Rádio on Board.
Desta feita apenas Felipe Maciel e eu comentamos assuntos pertinentes à corrida turca, já que Fábio Campos passou mau após comer oito churrascos gregos em Belo Horizonte.
Ouça ai...

27 de mai de 2010

Chegou a hora da Turquia

E agora é chegada a hora da F1 correr na Turquia que tem mais em comum com o Brasil do que imaginamos.
Para começar o país é uma espécie de Maranhão, eu explico...
Assim como nosso glorioso estado há duvidas sobre a real localização da Turquia em termos continentais.
Do Maranhão não se sabe se está no Norte ou Nordeste e, até o Sarney, que é o dono da bagaça, decidir ainda ficaremos na duvida.
Já da Turquia não sabe se é européia ou asiática. Stanbul Park fica nos dois continentes.
E nem é tão grande... O povo turco também é parecido com os nordestinos brasileiros.
Aqui no Brasil basta ter sotaque, trocar o “p” pelo “b”, gostar de comércio e comer quibe ou esfirra para ser chamado de turco.
Não importa se vem da Arábia Saudita, do Líbano, da Síria.
Para nós aqui é tudo turco, como acontece com os nordestinos que ao chegarem a São Paulo viram todos baianos, e no Rio de Janeiro: paraíbas.
Inclusive, tem uma loja em Franco da Rocha – ou tinha, já que faz tempo que não vou lá – quer vendia umas roupas, umas bugigangas e tal e era a “Loja do Brimo”.
O “brimo” - que se chama, ou chamava Khalid - era libanês e estava sempre à porta de sua “lujinha” pegando pelo braço o povo que parava para ver a vitrine.
“-Combra brima, tá barato, eu faz desconto!”.
E se o freguês quisesse negociar ele estava aberto à contra propostas.
Aceitava quase todos os argumentos e truques na negociação, até mesmo ser chamado de ladrão, porém, bastava colocar antes do “ladrão” a palavra “turco” para que ele encerrasse a venda e partisse para a ignorância xingando a mãe de seu interlocutor.

Assim como nós brasileiros temos nos argentinos nossos grandes rivais, o povo da Turquia também tem os seus: os gregos.
Agora se toleram, mas já foram inimigos figadais e travaram uma guerra sangrenta entre 1912 e 1922 por questões políticas que envolviam a independência da então recém criada Republica Turca.
Porém este foi apenas um dos detalhes que levou os dois países às vias de fato. Outro e muito mais forte foi o roubo da paternidade do melhor sanduíche turco por parte dos gregos, o kebab, que por aqui leva o singelo nome de: churrasco grego. Esta iguaria é feita por lá com carnes bovinas selecionadas, frango e – principalmente na Turquia – com carne de carneiro.
Aqui é produzida com retalhos de todas elas.
Se você quiser provar esta iguaria, e tiver coragem, claro, pode procurar nas ruas da capital paulista. É fácil de encontrar.
Mas atentem, os melhores estão onde aparentemente – e de fato – está mais sujo.
O que é vendido no Conjunto Nacional da Avenida Paulista, por exemplo, todo limpinho e não é tão gostoso, mas, o vendido na Estação da Luz é um desafio ao bom senso e a Vigilância Sanitária, mas é uma delicia.

26 de mai de 2010

Jokerman

O cara canta anasalado, quase fanho.
Sopra – e chupa – uma gaitinha que na maioria das vezes irrita muito mais que encanta com aquele som “chuimm, chuimm”.

Também foi o primeiro compositor a cantar – com sucesso – suas próprias criações.
Antes alguns até faziam isto, como Chuck Berry, porém suas musicas só faziam sucesso mesmo na voz de outros, com Elvis Presley, e só depois dele é que o panorama mudou.
Fez da canção de protesto sua marca assinada, era cantor folk.
Eletrificou seu som em prol da evolução de sua carreira para facilitar o entendimento da mensagem. Vaiado pelos puristas, agregou um sem numero de novos fãs ao redor do mundo.

Foi o primeiro a colocar uma canção de mais de seis minutos – Like a Rolling Stone - em primeiro lugar nas paradas americana e européia.
Também foi o primeiro a lançar um disco duplo. (Blonde on Blonde)
Fez álbuns de cunho religioso cristão, chegou mesmo a professar a fé católica em discos pouco inspirados com títulos como “Slow train coming”, “Saved” e “Shot of love”.
Mas com “Infidels” - disco que relata o fim de seu casamento - abandona a fé cristã e se volta a suas raízes judaicas. Coincidentemente, ou não, sua obra volta ter força e o álbum é considerado seu melhor em muitos anos.

Participou do projeto “We are the world”, mas é perdoável, afinal quem nunca fez uma coisa vergonhosa na vida?
Indicado ao Prêmio Nobel de literatura em 2008 disse ser honra demais a um velho rocker, mas com letras do calibre de “Blowing in the wind” ou “Jokerman”, não seria espanto e nem injustiça nenhuma se ganhasse.

E neste ultimo dia 24 completou sessenta e nove anos de idade, em plena atividade.
Feliz aniversário Robert Allen Zimmerman, ou simplesmente Bob Dylan, que além de tudo isto relatado aí em cima ainda criou aquela trapizonga que colocada nos ombros do musico sustenta a gaita à altura dos lábios... Seja lá o nome que aquilo tem.

Bob Dylan - Jokerman from isaias garde on Vimeo.

24 de mai de 2010

#9 dream

Deitados na cama e olhando para o teto, cansados, ela puxa assunto...-Cê já pensou na morte?
-Não... Foi ruim assim? Para você emendar um assunto tão... Tão... Funesto?
-Não... É que eu quis fugir do: “foi bom pra você?”.
-Tá legal... Mas quando quiser fugir, fala de algo mais alegre.
-Como o que?
-Sei lá... Futebol... Mas: “cê já pensou na morte”? Ai não dá... Ce fosse ter um segundo tempo, sinceramente já estaria comprometido o desempenho...
-Cê tem medo da morte?
-Não... Quer dizer, tenho... Ah sei lá... Devo ter. Muda de assunto.
-Tá... (silencio) Mas como você acha que é a morte? Tipo assim se fosse uma pessoa? Como cê acha?
-Ah quer saber?... Boa noite! – vira na cama e em poucos segundos ele está dormindo. Tão pesado que ronca.


-Boa noite!
-Boa noite? Mas você... Você é o...
-Meu “boa noite” não foi de início de conversa... Foi de fim...
-Cid Moreira! Você é o Cid Moreira! E me deu um "boa noite" igual àquele que você dá no fim do jornal nacional...
-Exatamente.
-Que legal... Quer dizer... Que lugar é este? E o que eu tô fazendo aqui?
-Aqui é o limbo... Você vai chegar ao céu em instantes...
-Limbo? Eu morri? Por isto o “boa noite”?
-Uhum...
-Então você é a morte?
-Não... Eu sou só o Cid Moreira... Agora entra. Boa noite...
Então ele ultrapassa um portão em forma de arco e se vê em um lugar muito azul... -Ai mané? Cadê suas asas? – pergunta alguém.
-Asas? Eu vou ter asas?
-Vai... Ai você vira anjo... Ou uma galinha. Vai saber... (ouvem-se risos)
-É que eu ainda to meio assustado com tudo isto...
-A gente tá ligado... É a primeira vez que cê morre né? (mais risos)
-Como assim... Então é verdade que a gente reencarna?
-Ó o cara... A gente não sabe não... Só estamos te zoando.
-Ah tá... Eu pensei que só tinha gente boa no céu...
-Magina... Espírito de porco é o que mais tem aqui... Nego é bonzinho o tempo todo lá embaixo, ai quando sobe mermão... Quer mais é zoar...
-Entendi... Aqui é o prêmio né? Por ter uma vida regrada e correta...
-Nada... Isto aqui é castigo... A gente se priva de coisas boas e acaba aqui onde tudo é azul, tudo é tranqüilo, não tem futebol, nem mulher pelada... Não tem cerveja cara! É um absurdo! Pra que ser bom se não tem nada pra se divertir depois de um período de, às vezes, mais de oitenta anos de virtude? Nem uma cervejinha? Isto não é o paraíso... Isto tá mais para Barra Funda...
-Ah, saquei... Fez trocadilho com dois bairros paulistanos né?
-Aê rapaziada... Burro o cara não é... (risos) O que não adianta muito... Tá aqui! (mais risos)
-Mas ai... O cara que me trouxe até aqui era o Cid Moreira... E ele disse que não era a morte... Como é a morte?
-Te lembra ai de algo ruim da tua vida... A pior coisa da tua vida.
-Pô... Sei lá... Falta de grana? O gerente do meu banco me cobrando os empréstimos...
-Ai... Então esta é a cara da morte pra você.
-Hum... E Jesus... Ele aparece aqui?
-Todo ano... Em junho. Aparece sim...
-Porque só em junho?
-Ele vem mostrar o que aconteceu... Reclamar que todo ano Deus o faz nascer em Dezembro e morrer por volta de Março ou Abril... Que nem pode ver a copa do mundo, quando tem...
-Sério? E vocês? Dizem o que?
-De proveitoso nada... Mas a gente aperreia ele também... Cantando.
-O que? O que vocês cantam?
-“Luiz! Respeita Januário, Luiz... Respeita Januário... Tudo pode ser famoso mais teu pai é mais tinhoso e com ele ninguém vai... Luiz, Luiz... Olha respeita os oito baixos do teu pai...”.
-Hahahaha... Muito bom... Hei? Eu quero fazer parte desta turma... Cês são legais...
-Ih cara... Aqui não dá... Cê tem que morrer para entrar aqui... Tem que ter asas...
-Mas eu morri... Eu ouvi o “o boa noite do Cid Moreira”...
-Mas não viu a cara do gerente do banco te cobrando...
-Do gerente? Não vi... Até porque eu sempre pago os empréstimo... E... Hei aonde cês vão... Hei... Hei... (eco).

-Acorda... Acorda...
-O que foi? Cadê os anjos sacanas?
-Anjos... Cê tava tendo um pesadelo.... Relaxa... Relaxa... Dorme...
-Tá... Tá... (e dorme de novo)
-Boa noite!
-Fátima Bernardes? Cadê o Cid Moreira?
-Hei mané... Cadê teu tridente?
-Uh! (...)

21 de mai de 2010

Maldades com o volante do 1B

Algumas pessoas criticaram Rubens Barrichello, o popular 1B, por ter atirado o volante para fora de seu Williams logo após ter sido o segundo piloto da equipe a bater o carro...
Todos os pilotos quando abandonam por pancada ou quebra fazem o mesmo: jogam o volante no chão, fora do carro, para depois pegar e repor no lugar. E isto em áreas de escape onde estão “seguros”, imagine então no meio de uma pista apertada e de frente para o tráfego?
Bem... É impossível sair do carro sem tirar o volante e o F1 não tem um porta luvas para que ele pudesse guardar o mesmo...
Mas o fato é que nosso glorioso 1B é um azarado, daqueles que no colégio era alvo de pombos...
Além de sua pancada ter sido em Mônaco, onde área de escape é mais raro que chuva no Atacama, ainda veio uma carroça da Hispânia e levou o bicho pra longe...
Ai nem tinha como recolocar mesmo.
Mas dos males o menor... Rubinho podia ter acertado o volante no Felipe Massa. Ainda falando do volante que ficou preso embaixo do carro de Karun Chandock.
A equipe Hispânia se apressou em ir aos boxes da Williams esclarecer as coisas e ouviu-se o seguinte dialogo:
-“Seu” Frank... A gente tirou o volante debaixo do carro do Karun, mas ele tá todo quebrado...
-Tudo bem... Foi uma fatalidade, ao menos não estragou o carro de vocês...
-É foi sim... Mas... A gente pode ficar com volante?
-Mas você não disse que tá todo quebrado?
-É... Tá sim...
-E para que quer então?
-É que mesmo quebrado, todo ferrado, todo funhanhado, atropelado e arrastado pelas ruas do principado... Ainda assim é melhor que o nosso... E depois este outro:
-Para que servia este botão?
-Não sei... Mas ce tem certeza que tinha um botão ai?
-Devia ter... Olha só, o Chandock passou por cima do volante... Mas ainda dá pra ver um monte de coisas dele... Olha aqui neste buraco... Tinha um seletor aqui, provavelmente para o rádio... Aqui um botão para a mistura do combustível, outro para a água... Aqui um outro para o mapeamento dos giros do motor...
-Como é que você sabe de tudo isto?
-Eu li em uma revista... Mas este grandão aqui do meio eu não sei para que servia... Se ao menos eles não tivessem estourados...
-E porque a gente não pergunta para o Rubinho... Ele é gente boa não vai se negar a falar pra gente para que servia este botãozão ai no meio.
-Boa... Vamos lá...
Algum tempo depois.
-Rubens... Por favor... A gente está com aquele volante que era seu e o Karun atropelou... Olha ele aqui...
-Ah... O Frank me contou que deu ele para vocês... E o que querem saber?
-A gente até já sabe para que eram os botões que ficavam aqui nestes buracos.. Mas e este grandão aqui? Era o que?
-Ah... Este ai é o encaixe na barra de direção... Vocês estão olhando as costas do volante e estes buracos ai era onde estavam alguns parafusos...

20 de mai de 2010

A volta do Gente Boa

-O fim dos tempos está chegando! – grita Jorge, pregador independente da Praça Caieiras, aqui em Franco da Rocha.
Jorge do Apocalipse, ou do póscalipso como o próprio diz, aparece de vez em quando na praça e faz suas homilias em cima de um dos bancos do local.
Chega como quem não quer nada, e quando todos se dão conta lá está ele aos brados imprecando contra tudo e todos. Não escolhe alvo e nem assunto, já xingou desde George W. Bush, até Paulo Coelho, só para citar dois que não tem nada em comum...

Desta feita apareceu na terça-feira por volta das três da tarde.
Passou pela banca de jornais, pela tia dos chocolates. Cruzou com o vendedor ambulante de pirulitos e cata-ventos para chegar a seu banco predileto, bem no centro da praça...

-O fim do mundo está chegando! E não são poucos os sinais...
No começo é como sempre... Ninguém dá a menor pelota, mas basta o primeiro espírito de porco parar e fingir prestar atenção para que um monte de gente realmente comece a prestar atenção naquilo.
E o espírito de porco da vez atende pelo singelo apelido de Gente Boa.Aquele mesmo que assiste as corridas de F1 nas Tv´s das Casas Bahia...
Gente Boa é um dos tantos desocupados que juntamente com alguns aposentados e os vendedores já citados fazem parte da fauna da Praça.

-As igrejas estão cheias de coisas erradas... Padres pedófilos, gays com um Papa condescendente... Pastores mercenários. – continua.
Gente Boa, anti-clerical ao extremo se anima e bate palmas...
-Governantes corruptos e descarados, usurários...
Xingar político sempre atraiu gente...
-E os sinais da natureza? São tantos e tão fortes que não deixam duvidas... Terremotos, maremotos, tempestades, vulcões... É o fim do mundo! É o póscalipso.
Nesta hora alguém, um tanto mais cético intervém:
-Mas isto ai não é sinal de nada... É a natureza agindo, são as falhas dos homens...
-Os sinais verdadeiros estão por vir! – grita outro já de pé no banco da frente, e prossegue – Falta consistência neste teu apregoado...
-Não falta nada... Você é que não enxerga. É cego e não admite...
Agora temos então uma contenda de pregadores...
-Tua pregação é inconsistente, faltam as bestas... Onde estão as bestas do apocalipse?

Nesta hora Gente Boa não se agüenta, sobe ele também em um banco, limpa o pigarro da garganta e começa...
-Ele não tá sendo inconsistente não! – e todos se viram para ele - As bestas estão ai... É Button campeão de F1... Rosberg na frente do Schumacher... Já são duas e no fim do ano, se Webber for campeão também, teremos as três da profecia... Ai é só esperar a chuva de enxofre e a visita do capetoso...
Jorge abaixa a cabeça. Desolado.
O outro pregador também... O povo todo vai se dispersando e em pouco tempo nem os camelôs estão mais por lá... Apenas a banca de jornal que por impossibilidades óbvias continuava no lugar, porém, sem vender mais nem uma bala sequer...

Para quem quiser saber mais sobre o grande Gente Boa, clique no link desta frase.


E já está no ar a edição de Mônaco da Rádio Onboard...
Desta vez um programa ressacado pela festança de Mônaco e tanto eu quanto Felipe Maciel achamos que era melhor convidar Ingryd Lamas, do Athena Grand Prix para deixar o programa mais bonito e mais charmoso... Ouve lá e dá sua opinião sobre a terceira besta do Apocalipse.

19 de mai de 2010

A F1 e o jogo da mentira



-Esta é a brincadeira da mentira onde três fazem a ação e um atrapalha... Quando este de fora dá a deixa: “mentira”, os outros três tem que mudar a ultima coisa que falaram. Entendido? Então os que vão brincar são: Fernando Alonso, Michael Schumacher e Jean Todt... O Groo dá as deixas, ok? Vamos até a platéia pegar um local... Você... Diz um local para se passar a ação.
-Errr, Mônaco?
-Sim... Mônaco... Mas fazendo o quê?
-Andando atrás do safety car...
-Então é isto... Mônaco e andando atrás do safety car.... Valendo!

FA: -Agora sim... Larguei em ultimo e vou chegar em sexto... Eu sou bom!
RG: -Mentira!
FA: -Agora sim... Larguei em ultimo e vou chegar em sexto... Eu sou sortudo!
RG: -Mentira!
FA: -Larguei em ultimo e vou chegar em sexto... Valeu Hulkemberg!

MS: -Bom esta safety car... Se tiver mais um relargada eu janta a espanhol...
FA: -Acho que este alemão tá com más intenções... Vou travar ele aqui...
RG: -Mentira!
FA: -Acho que este alemão tá com más intenções, vou me proteger...
RG: -Mentira!
FA: -Este alemão que se dane... A FIA me protege.

MS: -Opa... As boxes avisam que a safety car vai sair neste volta.. Vou me cuidar da Nico Rosberg...
RG: -Mentira!
MS: -As boxes avisaram que a safety car vai sair, se tiver tempo eu vai para cima...
RG: -Mentira!
MS: -Que se dane a tempo, eu vai passar a espanhol safada...

FA: - Ih... Onde vai o alemão?
RG: -Mentira!
FA: -Ih... O alemão vai me passar?
RG: -Mentira!
FA: -Fodeu, tomei uma invertida...

MS: -Desculpa ai Alonso...
RG:-Mentira!
MS:- Chuuupa Alonso!
JT: -Linda ultrapassagem Schumy!
RG: -Mentira.
JT: -Bonito, mas não vale, tá no regulamento...
RG: -Mentira!
JT: -Ei, no Alonso não?

FA: -Obrigado Jean, o alemão foi desonesto.
RG:-Mentira!
FA: -Obrigado Jean, o alemão me humilhou...
JT: -Só cumpri o regulamento.
RG: -Mentira!
JT: -É nóis mano...

18 de mai de 2010

Ava(ca)liações monegascas - puniram, mas as imagens não negam. Tomou!

Webber foi perfeito pela segunda corrida consecutiva. O fim do mundo está chegando?

Kubica é bom, tem sido ótimo, mas não dá pra dizer que é só braço. O carro da Renault está muito bem.

-Gente... Vamos tirar foto com o Topo Gigio
-Mas eu não sou o Topo Gigio...
-Desculpa... Qual dos sete anões o senhor é mesmo?

16 de mai de 2010

Mônaco é tenso, então precisamos relaxar: Chuuupa Alonso!

“-Mônaco é especial por que é tenso.” – eu disse isto no pré-race.
“-Os bons abrem caminho enquanto os manés dizem que é impossível ultrapassar” – também me recordo ter dito isto.
Levando a segunda frase em consideração podemos dizer que Alonso é bom, claro.
Não importa se os carrinhos de supermercado que ele ultrapassou efetivamente eram cinco segundos mais lentos ou se os pilotos facilitaram. Ele ultrapassou.
Mas... Se os bons abrem passagem e se Alonso por conta das coisas que relatei ai em cima é bom, Schumacher é o que?

Tudo isto para desembocar numa única frase: Chuuuuuuupa Alonso!

Mônaco não permite erros.
Já confiscou vitórias de gente grande como Emerson, Stewart, Prost, Senna, Mansell e Schumacher. E também pode ter tomado a vitória de Alonso, porém seu erro foi no treino e não nos deixa saber com certeza se ele ganharia ou não a corrida, mas entra na conta.
E se a pista do principado não perdoou gente deste calibre, porque haveria de perdoar Nico Hulkermberg e Rubens Barrichello?
Podem dar as desculpas que quiserem, mas nada vai apagar de suas carreiras que eles estamparam os guardrails mais tradicionais da história do automobilismo.
E o que dizer de Janson Button então? Que foi obrigado a abandonar por conta de um erro grotesco – digno da Ferrari – ao deixarem uma tampa de radiador sem ser retirada.
Tudo bem que a culpa não foi dele, mas...
Após uma largada surpreendentemente limpa, com todos os carros passando pela Saint Devote e – previsivelmente – Alonso largando dos boxes para evitar uma possível confusão na primeira curva, a coisa parecia ir para a normalidade, mas Nico Hulkemberg resolveu marcar de forma indelével na história sua primeira participação em Mônaco: estabacou-se dentro do túnel e provocou a entrada do primeiro safety car na pista.
Espertamente a Ferrari chamou seu Dick Vigarista para trocar pneus e tentar o pulo do gato – no caso do guaxinim que é visto com o safado da natureza – e recuperar o máximo de posições possíveis.

A troca de pneus recolocou ordem nas coisas.Mantendo os rápidos Red Bull à frente e colocando o surpreendente Kubica em terceiro. Felipe Massa em quarto e Lewis Hamilton em quinto. Ordem esta que seria respeitada até a bandeirada final.

Porém uma pancada do 1B - que até para porrar o carro em Mônaco é segundo, atrás de um alemão – trouxe novamente o safety car a pista.
O carro de segurança ainda voltaria mais duas vezes: uma após a impressionante barbeiragem de Trulli, que naquele momento tentava ser bom e abrir caminho, mas não passou de um manetão ao atropelar o carrinho de supermercado de Karun Chandock, e outra por uma surreal tampa de bueiro solta. No mais a corrida foi o que se espera de Mônaco, uma procissão tensa por não permitir erros e belíssima plasticamente.
Mas foi só isto? Acabou assim?
Não, não... Aquele safety car por conta da besteira do Trulli foi a cinco voltas do final, e como foi dito trouxe o safety car à pista. Na ultima volta ele se recolheu aos boxes e segundo o regulamento para que os carros não recebessem a bandeira quadriculada com o safety à frente.
O fato é que quando Webber recebeu a bandeirada a corrida estava liberada e aproveitando isto Michael Schumacher jantou espetacularmente o asturiano safado, cara de bulldog velho, e lhe tomou o sexto lugar.
É legal do ponto de vista do regulamento? Não sei. Talvez não.
Porém era o Alonso, e como reza o velho dito popular: todo castigo pra corno é pouco.

E não importa o que os comissários dizem, na pista que é onde importa, Alonso foi devidamente jantado de garfo e faca por um cara que alguns dizem acabado.... Tomaram?
Chuuuuuupa Alonso!

14 de mai de 2010

E se João gostasse de F1?


O chato...
Vinha andando sempre em quarto (vem, vem, vem)
Quando piloto prateado (quem? Quem? Quem?)
Foi parar de vez no muro. (no muro, no muro)

O outro...
Que ainda não é campeão (não, não, não)
Um pouco antes foi pros boxes (foi trocar pneu)
Pra não abandonar de vez. (tava em terceiro, terceiro, terceiro)

E no GP da Espanha o chato foi parar, (pra contrariar)
No pódio em segundo lugar...
Aquilo tudo pareceu um desacato.
Sorte pro chato existe muito mais que mato...
Enquanto seu companheiro vai andando lá atrás
Mas sem reclamar do carro (do carro, do carro)

A próxima.
Vai ser a corrida de Mônaco (a-per-ta-da)
Já estão rezando para chover (quem? Quem? Quem?)
Pra poder ter emoção (muito bem, muito bom...)
Eu acho
Que tá na hora de uma corrida boa
Em pista seca não mais em lagoa...
Ou é melhor ir ver GP de jet ski (jet ski, jet ski)

E das equipes lentas todos vão reclamar (para variar)
E as regras vão querer mudar...
Querem tirar da gente a zebra engraçada.
O chato atrás do indiano na largada.
E sua corrida acabar...
Antes da Saint Devote chegar (chegar, chegar, vai bater...)

E sem bossa nova, patos ou chatos (ai fica por sua conta) está no ar mais uma edição da Rádio On Board, desta vez sobre as expectativas de Mônaco.
Felipe Maciel, Fábio Campos e eu, em uma edição rápida, destilamos nossas opiniões e um pouquinho de veneno, claro...

12 de mai de 2010

Equipe brasileira prejudicada no Red Bull Air Race

A equipe brasileira Pigüin Voador teve sua flaying lap cancelada e sua inscrição impugnada no evento Red Bull Air Race por conta de problemas com um piloto e também com o motor de seu avião.
Viajaram para a cidade maravilhosa na sexta-feira - onde já se encontrava o avião aí da foto, pintado nas cores originais da Mclaren e batizado de MpOnboard 4/4 - os técnicos, dirigentes e bloqueiros Felipe Maciel, Marcelonso, Fábio Campos e Daniel Médice que juntos aguardavam chegada do também blogueiro e piloto Ron Groo para o sábado pela manhã.Já perto do horário da tomada de tempo e classificação oficial para a corrida do Domingo, Ron Groo ainda não havia chegado ao Rio.
O fato preocupou os outros quatro integrantes da equipe já que era ele quem deveria fazer os treinos e a flayng lap.
Felipe Maciel, Daniel Médice e Marcelonso então decidiram – democraticamente - que Campos iria pilotar a aeronave.
Logo o Fábio que tem 5 graus de miopia, stigmatismo e carta de motorista apenas D, o que mal lhe dá o direito de dirigir o carro da família. Fábio surpreendeu a todos e classificou a equipe Pingüim Voador em 4º lugar para a corrida.

A comemoração foi tão grande que até esqueceram da ausência de Groo.
Porém vinte minutos antes do inicio da corrida, fiscais do evento fizeram uma vistoria no hangar da equipe dos blogueiros e constatou que o avião havia sido mexido em sua parte mecânica: o motor - originalmente de um Fokker que pertenceu ao Red Baron, herói-aviador alemão da 1ª Guerra mundial e avô do patrocinador da equipe César Fittipaldi, ex-piloto de automobilismo - foi trocado por um motor Cosworth de segunda linha.
Os mesmos encontrados nos caros da Virgin, Hispânia, Lótus e na Williams de Rubens Barrichello.
Fato este que desclassificou a equipe, frustrando a todos.

No fim a vitória coube a um piloto visitante e Ron Groo só chegou ao Rio por volta das 21 horas do Domingo.
Perguntado sobre o motivo do atraso, Groo respondeu que veio de ônibus já que não tem coragem de entrar num avião.
Só não respondeu o porquê de batizar uma equipe aérea com o nome de uma ave que não voa. Agora já podem desconfiar do motivo... ·.

11 de mai de 2010

Ava(ca)liações espanholas - ô zóio gordo...

Chuva... Ah como você fez falta...

Esta piada do "ligadooor" foi genialmente feita e gentilmente cedida por Felipe Maciel! À ele todos os aplausos.





9 de mai de 2010

Espanha, chato como o Roupa Nova, mas...

Sabe aquelas situações em que você é obrigado a agüentar o que não gosta? Não?
Exemplo então: você pega carona com alguém para uma viagem mais ou menos longa e o cara vai ouvindo Roupa Nova no caminho... Aquele troço do: “Seguindo o trem azul”.

Não é o seu estilo de música, mas por educação, você não pede para trocar ou desligar. Você agüenta.
Outro exemplo: você é convidado para um jantar na casa de uma amigo e ele serve uma intragável paella. Você olha aquele prato de aparência duvidosa, engole seco e sorri: “-Que maravilha...”.

Assim são as corridas na Espanha para quem gosta e é viciado em F1.
A gente agüenta bravamente.
Corrida na Espanha é que nem disco do Roupa Nova, quando você pensa que vai empolgar vem outra balada cheia de açúcar e provoca um pouco de sono.
Mais?
Corrida na Espanha é tão chata que nem a chuva se digna a aparecer.
Mais ainda?
É tão chata que o chato do Alonso consegue empolgar sua torcida sem fazer uma ultrapassagem sequer e ganhar duas posições em golpes de absoluta sorte.

Uma largada onde Massa e Barrichello deram saltos impressionantes, mas nas posições de ponta nenhuma alteração importante.
Foi como na canção dos chatos ai em cima... Foram todos seguindo o trem azul do Mark Webber, que ironicamente é Red... Red Bull.

Ah! Mas teve coisa boa...
Teve... Claro! Corrida após três semanas é uma delas.
Também teve Michael Schumacher mostrando para o Jenson Button que mesmo estando velho, fora de forma, com um carro não tão bom ele ainda é o sete estrelas.-Quer passar Button? Enton vem!
Button ia e o alemão fechava a porta.
-Te enganei... Vem de novo.
E lá ia o inglês que – de novo – tomava uma fechada de porta.
-Hahahaha, te enganei de novo... Vem outrra vez...
-Ah não... Chega! Não vou mais... Cara chato...

Lá atrás teve uma reedição desta brincadeira com Nico Hulkemberg à frente do xará Nico Rosberg que durou algumas voltas.
Porém Hulke como bom cavalheiro sabe: primeiro as damas. E então Rosberg ultrapassou e foi embora. Educado o piloto da Williams...

E assim pela primeira vez no ano o sete estrelas ficou à frente do bibelô e com mais alguns metros de corrida teria dado uma volta em cima da Aldrey Hepburn alemã.
Sinal de que as coisas vão entrando nos eixos...

Outra coisa que chamou a atenção durante toda a prova é que os carros da Hispânia, Virgin e Lótus não respeitam as convenções de trânsito.
Toda hora, em quase todas as voltas era possível vê-los do lado esquerdo da pista, bem lentos abrindo ultrapassagem para alguém quando a regrinha sempre diz: carros mais lentos usem a pista da direita. E Vettel?
Falta ao alemãozinho uma grande decepção para amadurecer como Hamilton em 2007 perdendo o título nas duas ultimas corridas, ou Senna em 1988 batendo sozinho na entrada do túnel em Mônaco.
Ainda me parece que mesmo tendo um carro excepcional nas mãos o alemãozinho não consegue correr pensando no campeonato, apenas focado em vitórias.
Tanto que durante a procissão espanhola sue engenheiro pedia calma o tempo todo, já que na impossibilidade de chegar ao carro da frente e ultrapassar o terceiro lugar etária de bom tamanho...
Não que este ímpeto de procurar a vitória seja ruim, longe disto. Guardando as devidas proporções Senna era assim. Hamilton e Alonso, o cara de cão boxer velho também, mas sabiam e/ou aprenderam a valorizar os pontos na luta pelos títulos.
Só espero que o choque de realidade que ensine Vettel a ser piloto de campeonato e não apenas de corrida não cause traumas que lhe transforme em um piloto apenas burocrático, como era Raikkonen na Ferrari e Button em qualquer lugar...

No fim ganhou Webber que à bem da verdade dominou o fim de semana com garras de aço.Em segundo o largo Alonso que largou em quarto, em quarto ficou até herdar a posição de Vettel – que foi aos boxes – e Hamilton que foi ao muro após um furo no pneu.
Fechando o pódio Vettel tendo assim o menor dos prejuízos.
Que venha Mônaco, que pode até ser chato às vezes, mas é Mônaco, respeite-se a tradição.
Lá pelo menos não corremos o risco de topar de frente com uma maldita paella...