30 de jul de 2010

Porque (infelizmente) a paixão não morre nunca

Semana corrida, aniversário, muito trabalho e pouca vontade de escrever sobre a atual F1.
Mas paixão é paixão, tanto pelas letras quanto pelas corridas. Coloco hoje um outro texto mais velho, porém pertinente ao momento de GP da Hungria.
Um texto de quando as corridas eram decididas na raça e na coragem de homens honrados. E não nas decisões de zé-manés sentados no pitwall acatando ordens de CEO´s de patrocinadores e pressão de gente mau-caráter.


A Kind of Magic
O sol sempre escaldante do mês de agosto fustiga a cabeça do jovem Mika.
Sentado em uma arquibancada bem no fim da reta de largada, já quase dentro da curva ‘um’. Vai assistir o GP da Hungria de formula um acompanhado de seu indefectível walkman e uma fita cassete do último álbum do Queen: ‘A kind of magic’. Será o primeiro GP de fórmula um daquele país. A pista é estreita, as freadas não são fortes e a única reta do circuito - onde Mika está instalado - não é grande o suficiente para que um motor se sobressaia à outro pela força de seus cavalos. Poucos teriam coragem – ou loucura - suficiente para tentar, em condições normais, uma ultrapassagem. Mika, entediado, já ouviu a fita cassete inteira ao menos umas três vezes. Não se preocupa muito com a corrida. Não há ídolos locais neste esporte, e ainda por cima a primeira fila é formada por dois representantes de um longínquo país: O Brasil. Mika entende pouco, quase nada de Fórmula um, está ali por ser exatamente o primeiro grande prêmio em seu país e isto já garante que será histórico. Os personagens – para Mika – são: Um carro preto com piloto de capacete amarelo na pole position e um carro de bico azul com um “6” pintado nele na segunda posição do grid. Mika assiste a largada e vê o carro preto pular na ponta enquanto o de bico azul perde a posição para outro carro de bico azul, este, porém enfeitado com um “5” vermelho.. O “5” vermelho não resiste às estocadas do numero “6”, e poucas voltas depois perde a segunda posição e o que se segue é uma perseguição monstruosa ao carro preto com piloto de capacete amarelo. Mika procura em seu programa da corrida onde estão os nomes e os números dos carros e identifica: Preto, capacete amarelo: Senna. Amarelo com bico azul e numero “6” branco: Piquet. Amarelo com bico azul e numero “5” vermelho: Mansell. Estes três e mais um francês narigudo de nome Alain Prost que pilotava um carro pintado em vermelho e branco são - segundo o programa da corrida - os quatro maiores pilotos em atividade neste ano. E tudo indica que o título de 1986 não escapará a um deles. Mas voltando a corrida que já vai pela décima terceira volta, o carro numero “6” ultrapassa o carro preto e abre uma pequena vantagem. Não suficiente para que continue em primeiro depois da parada para troca de pneus que todos são obrigados a fazer.
Logo o carro do piloto de capacete amarelo volta à primeira posição tendo em seu encalço novamente o bico azul numero “6”. Já na volta cinqüenta e quatro, meio que sem querer Mika levanta a cabeça e olha para a pista. Vê o carro de bico azul numero “6” ultrapassando de forma forçada o carro preto. O piloto pega o traçado de dentro, entre o carro a ser ultrapassado e o muro. Ele - Mika - se levanta na arquibancada e prende a respiração por alguns instantes. O carro numero “6” ultrapassa o carro preto, mas não consegue fazer a curva de forma correta. Perde o ponto de tangência e, completamente desequilibrado, perde novamente a posição para o piloto de capacete amarelo. Dentro do carro de bico azul numero “6” o piloto pensa: “-Pqp! Ele deve estar rindo muito de mim agora. Arrisquei à toa. Não vai ficar assim!”. Já de dentro do carro preto o piloto que realmente ria diz para si mesmo: “Aqui não farroupilha! Que não nasci para ser ultrapassado sem lutar... Vem de novo se for homem!”. Mika do alto da arquibancada pensa: ”-São loucos estes homens!”. Duas voltas se seguem sem que o piloto do carro numero “6” tente passar. Mika já se sente frustrado.
O piloto de capacete amarelo já se sente confiante o bastante para achar que não será mais incomodado. Já o piloto do carro “6” já não pensa mais. Age. Na mesma reta, no mesmo ponto ele investe. Mas desta vez põe o carro no lugar menos provável: O lado de fora.
Encaixotando o piloto do carro preto entre ele e o muro. Mika vê aquilo sem acreditar, sem respirar. O momento parecia suspenso. O carro numero “6” completa a ultrapassagem no último milímetro da pequena reta. Não tem como sustentar a posição. Não tem espaço para contornar a curva de maneira correta. O carro preto certamente vai tomar a posição novamente. Só que desta vez é diferente...
No walkman, Freddie Mercury canta com sua voz inconfundível... “It’s a kind of magic, magic... MAGIC “... O carro de bico azul e numero “6” retarda a freada até o limite do suportável, pra lá do “Deus me livre” e com um golpe no volante e extremo controle do carro ele desliza. Derrapa nas quatro rodas. Milímetros à frente do carro preto, que freia e se recolhe, humildemente...


“ -It’s a king of magic”. - Pensa Mika.
“-Oh! Meu Deus...” – Pensa Senna. ”-Sifú! Te peguei, ri agora!”. – Grita de dentro carro Nelson Piquet. Um silencio monstruoso no autódromo, coisa rara. Só se ouve os motores dos carros.
Tudo parecia nem existir, só a imagem dos dois carros no fim da reta. “-It’s a kind of magic...” Continua cantando Freddie Mercury. Mika se levanta e vai rumo à saída do autódromo. Já não importa quem vai ganhar a corrida. Seja qual for o resultado ao fim das 76 voltas, o grande vencedor daquela tarde foi o piloto do carro amarelo de bico azul e com um numero “6”. Foi uma espécie de magia...
E já está no ar a edição sobre a palhaçada vermelha na Alemanha da Rádio On board. Felipe Maciel, Fábio Campos e eu discutimos um bocado.E neste sábado tem RoB ao vivo, as oito da noite neste link: Time vermelho pilantra.

28 de jul de 2010

Armário

- Eu disse que não queria te ajudar a arrumar este guarda-roupa, não disse?
- Besteira, esta história de não querer lembrar do passado é conversa pra encobrir tua preguiça... - Não é... Juro! Vê por exemplo este boné dos Utah Jazz...
- Que é que tem? É só um boné bobo de um time de basquete dos Estados Unidos. Nem sei por que você comprou... Nem gosta de basquete.
- Comprei porque o ‘j’ de jazz era um saxofone, achei bonito e todo mundo sabe que adoro jazz.
- Foi verdade! E por que você parou de usar?
- Por conta da gozação...
- Como? Que gozação?
- Foi uma aporrinhação só, no futebol, nos churrascos, no bar era todo mundo perguntando: “Como é que você consegue juntar duas coisas tão ruins na mesma peça de roupa?”.
-Você só pode estar falando daquele ‘botton’ do Santos Futebol Clube...
- Ta vendo, até você!
- To brincando, não encana... Mas, o que é isto aqui?
- Isto o que?
- Não, nada não!
-Como ‘nada não’? Agora quero ver...
- Não!
- Ah vou sim, me dá aqui! Vixe! Uma fantasia de coelhinho? Aquela fantasia de coelhinho? Hahahahahahah.
- Não ria... Eu só comprei esta coisa para te fazer uma surpresa, queria que aquela noite fosse inesquecível.
-E foi! Acredite foi... Eu lá, tinha morrido com uma grana naquela suíte de motel, deitado na cama, com os braços algemados na cabeceira e você me aparece do banheiro pulando. Vestida de coelhinha e pulando... Hahahahaha (cof,cof), com focinho de coelhinho, orelhas e pompom no rabinho... Hahahaha (cof,gasp,cof)...
- Ah... Para! Eu acredito mesmo que foi inesquecível... Você até broxou!
- Errr... Vamos mudar de assunto.
- É vamos, assim a gente para de enrolar e arruma logo este armário...
- Ah não! Vamos para uma pizzaria...
- Não... Vamos arrumar isto agora.
-Tá. Já que insiste... E isto aqui é para jogar fora?
- Isto o que? É meu?
- É!
- Ta bom! Vai querer pizza de que? Vamos logo... Depois ponho tudo isto no lixo.

27 de jul de 2010

Anivesariante pode (quase) tudo

A convite dos amigos saiu para comemorar o aniversário dele.
-Trinta e sete anos, coisa estranha, inda ontem tinha quinze...
-Inda ontem? Conta outra... – diz um deles...
-É como sinto...
-Nem ferrando, com esta cara que cê tem, a impressão que se tem é que você teve quinze anos um dia... Mas há tanto tempo que é impossível definir o quanto...
E lá foram eles para um bar nas imediações do bairro onde moravam. Encontrariam os outros por lá. Entram no bar sorrindo, a noite promete ser divertida.
-Chegou!
-Opa! Chegou... Vamos saudar!
-Viadinho, viadinho, viadinho – irrompem em coro.
-Pô gente! Que isto... Hoje é aniversário do cara! – repreende um dos camaradas.
Os amigos, todos já sentados à mesa param o coro.
-Quantos anos mesmo? – pergunta um.
-Trinta e sete! – responde o aniversariante.
-Bicha velha, bicha velha, bicha velha... – novo coro.

Na roda, formada por amigos e amigas antigos e recentes não faltavam gracejos.
-Trinta e sete, hein?
-Pois é... Mas com corpinho de trinta e seis! – e sorri amarelo.
-Trinta e seis? Corpinho de Trinta e seis?
-É pô... – e já se preocupa com o desfecho.
-Só se for trinta e seis toneladas...
Gargalhadas.
-Trinta e seis toneladas tem a senhora sua mãe...
Mais gargalhadas e toca o celular do piadista.
-Alô? Mãe... É estamos aqui comemorando o aniversário... E ele disse que a senhora tem trinta e seis toneladas...
-Ô... Faz isto não... Dá aqui este telefone... Dá aqui.
-Ó mãe... O mal educado quer falar, dá os parabéns pra ele...
-Alô? Olha, eu não falei nada não... Viu!
(Voz no telefone)
-Não... Magina que eu ia falar um negócio destes...
(Voz no telefone)
-Minha avó? Não... Não...
(Voz no telefone)
-Tá... Obrigado, de coração... Obrigado pela lembrança.

O garçom se aproxima e dá os parabéns e serve uma batida.
-É por conta da casa! – e fica sorrindo como quem espera uma gorjeta.
-Obrigado!
-Ô, mão de vaca... Ele tá esperando uma gorjeta. – diz outro dos camaradas.
-Mas não era por conta da casa?
-A gorjeta também? Mas é mão de vaca mesmo...
-Bom, mas como é teu aniversário... Pede uma música pra banda ai...
-Posso pedir?
-Mas é claro... Capricha!
-Tá...
-Gente, obrigado por prestigiar nosso show! – diz o cantor da banda – Vocês são a nossa razão de existir, mas pó... Pedir pra tocar “De volta ao samba” também não né? Pede pra quem fez isto se tocar...
-Foi o aniversariante... – grita alguém.
-Então tá perdoado... Se sair ruim, desculpa ai. Vai como presente...



Não é sobre meu aniversário exatamente, mas é uma forma de agradecer a todos que me ligaram, deixaram mensagens em minhas redes sociais, no blog, e-mails e msn. A todos muito obrigado, de coração!

25 de jul de 2010

GP da Alemanha - A Ferrari é um câncer neste esporte.

Que Fernando Alonso é um grande filhadaputa todos sabem.
Que seu mau-caratismo é proporcional a seu talento também.
É culpado pela situação ridícula em que caiu o GP da Alemanha?
Sem duvida, mas o maior, ou a maior culpada é sem duvida a Ferrari.
Cravo sem o menor medo de errar: A FERRARI FAZ MAL A F1!

A Felipe Massa cabe o mesmo que sobrou a Rubens Barrichello, não se pode fazer um peso e duas medidas. Foi tão covarde quanto, tão submisso quanto. Só não vai ganhar o epíteto de 1B porque este já tem dono, mas vai ser lembrado também por ser uma vaca de presépio.
Neste dia ganhou a Ferrari, mas perdeu quem gosta de F1, quem gosta de esporte.
É por estas e outras que torço para que a equipe nunca esteja na ponta. Pois quando está, a possibilidade de competição é nula, é zero.

Diferente de quando a Mclaren ou a Red Bull está na frente e há disputas, há grandes cagadas também, porém este é o nome do jogo.
Já no time vermelho não. O histórico é grande, extenso e ganhou mais uma página hoje, das mais vergonhosas e ultrajantes.
Toda a história começando com o estranho: “-Isto é ridículo!”, e as mensagens no rádio dando a entender que Alonso era mais rápido, a tirada de pé de Felipe, passando pela conversa pós-corrida em que se pergunta – cinicamente – se Felipe perdeu uma marcha então foi um enorme engodo.
Ponto positivo para a FOM que escancarou tudo durante a transmissão e ponto negativo para a FIA, que mesmo tendo proibido atitudes destas, não tomou sequer uma providencia, nem sequer uma investigação.

No fim fica a frase lapidar do campeão mundial Niki Lauda: “-Vergonha!”.
Mas e a corrida?
A corrida que se foda, tudo perde o sentido quando acontece algo deste tipo.
É de se pensar se ainda é legal acompanhar um esporte onde as coisas acontecem desta forma.
E que fique bem claro. Não torço e nunca torci para Felipe Massa, muito menos para a Ferrari.
Na Williams isto nunca aconteceria.
E não vai ter ava(ca)liações desta vez... A corrida e o esporte já foram bastante avacalhados...

23 de jul de 2010

Sal grosso, Felipe Massa? Sei, sei...

-Pô... Desde aquele acidente na Hungria que eu não tenho mais sorte... Vou tomar banho de sal grosso. -Tomar banho de sal grosso?
-Ajuda...
-Ajuda? Quer dizer... Não depende do tamanho da zica? Qual o tamanho da sua?
-Deve ser grande... Primeiro foi o acidente com a mola do Rubinho...
-É... Foi uma coisa horrível mesmo... Mas foi fatalidade, não precisava de sal grosso.
-No máximo um sal de frutas então... O médico da F1 demorou um monte pra dar o aval pra minha volta.
-Sal refinado....
-O que?
-Sal refinado... Podia tomar banho com sal refinado mesmo...
-Mas não foi só isto. Logo começaram os testes da pré-temporada e eu sempre atrás do meu companheiro de equipe. Nunca era muito, coisa de centésimos de segundo. Mas tava atrás.
-Hum... Precisava de sal ai não... Talvez mais dedicação.
-Mais do que eu me dedico? Impossível. Acho que sou o mais “caxias” da equipe.
-Bom... Mas tem aquela coisa... O carro não é feito para o teu estilo de pilotar...
-O carro em que eu fui vice também não... Era pro estilo do Kimi...
-E qual o estilo do Kimi?
-Err... Hum... Sabe que não sei.... O que você acha?
-Acho que ele tem batido e rodado bastante lá nos ralies...
-É... Olhando por este lado, quem precisa de banho de sal é o Kimi...
-Nada... Ele tomou... E ao que parece deu certo.
-Deu?
-Deu... Ou você acha que ele gostaria de estar no teu lugar?
-Como assim...
-Bem Massa, eu vou explicar direito... Acha mesmo que o cara gostaria de estar sofrendo um bocado com um carro que sequer consegue gerar temperatura para aquecer os próprios pneus? Quando o carro do companheiro é o mesmo e não tem este problema?
-Mas ele não ligava para isto...
-Ah não? E porque acha que ele resolveu sair? Só pela grana ou pelo prazer de guiar nos ralies?
-E não foi?
-Não... Saiu para evitar a dor de cabeça que você está tendo... E tem mais... Cê acha que ele iria gostar e ficar quieto com aquela ultrapassagem no acesso aos boxes que você tomou? E os totózinhos por trás... E as atualizações para um carro só? E os seguidos ataques dos jornalecos espanhóis dizendo que você sente a pressão e que é invejoso e político demais?
-Ah... Sei lá...
-Acho que tua zica tem nome e sobrenome...
-Fernando Alonso?
-Sem duvidas...
-Tomo banho de sal grosso então? Pra me livrar da zica do Alonso?
-Nem perde tempo com isto... Nem que você se afogasse no Mar Morto!

E está no ar a mais nova edição da Rádio Onboard, pré-Alemanha.
Felipe Maciel
e eu contamos mais uma vez com o auxilio luxuoso de Eduardo Moreira, do Target HD. Ouça ai...E neste sábado, às oito da noite tem RoB ao Vivo, com o programa Pré Race.
Neste link - RoB ao Vivo!
Esperamos todo mundo lá... Até o Fabio Campos a gente espera por lá. Se ele vem são outros quinhentos...

22 de jul de 2010

Cinco desabafos.

-Ela dizia: “-Até nosso cachorro é mais inteligente que você!”. Aquilo sempre me incomodou. Um dia eu disse a ela: “-Você ainda vai ver que não sou burro como diz!”. Hoje esta ai a prova... O cachorro está lá esticado no quintal... Eu nunca lamberia o veneno na isca para matar ratos...
-Não sei o que houve... De repente ela estava lá, toda disponível, eu sabia que não ia conseguir resistir... Eu deixei de tirar a roupa dela com os olhos e passei a ação. Segurei forte e fui tirando peça por peça pensando: “-Vou te comer todinha...”. Por baixo de tudo era muito branquinha... Doce... Adoro bananas.
-Homem é tudo igual... Ficam na nossa cola, cantam... Prometem mundos e fundos. Mandam flores, dão presentes e falam coisas bonitas... Ai então a gente pede algo, coisa pequena... E eles falham... Porque será que estes trastes nunca conseguem abrir uma porcaria de um vidro de palmito?
-Eu estava segura. Estava confiante. As aulas foram sempre ótimas. Me sentia totalmente à vontade com o carro. Não tinha nenhuma parte de dirigir que eu não soubesse de cor e salteado. Entrar no carro – óbvio; colocar o cinto de segurança; verificar se o carro está em ponto morto; ajustar os espelhos de dentro e de fora; girar a chave; pisar na embreagem, engrenar a primeira e só então ir acelerando suavemente enquanto solto a embreagem... Pronto! Feito o milagre de por o carro em movimento... Agora, não tenho culpa se o idiota do instrutor não saiu da frente no dia da prova final... Babaca.
-Dizer que sou ignorante... Dizer isto só porque expressei minha opinião. Quem ele pensa que é? O dono da verdade? Só porque disse que Henry Ford é a mais importante personalidade da história. Disse que eu só acho isto porque não conheço Degas, Monet, Da Vinci, ou Bach, Bethoven... Idiota... Ele nem sabe que eu gosto de todos eles... Principalmente dos poemas...

21 de jul de 2010

I. U. T. - A F1 em cultos

-Senhores, senhoras, meus irmãos... Eu tenho uma grande noticia...
-Aleluia!
-Aqui na Igreja do Universo Total nós vamos matar o Capeta!
-Ô glória!
-Nós vamos afundar o Inimigo, vamos mandar o capeta para o inferno!
-Amém!
-Nós não temos medo dele, não temos o menor medo dele...
-Aleluia...
-E como vamos fazer isto?
-Como? Com orações?
-Não...
-Com campanhas?
-Não!
-Com despachos em encruzilhadas?
-Hum? O que disse irmão?
-Nada, nada...
-Nós vamos tirar o Cramulhão dos cultos!
-Vai ter mais exorcismo?
-Não... Nós vamos deixar de falar dele, não vamos mais citar ele... Vamos excluir ele de tudo! Posso ouvir um amém?
-Ó... Poderia... Mas a gente aqui da administração tem uma duvida, ô pastor...
-Pode falar irmão...
-Se a gente excluir o coisa ruim da nossa liturgia, se tirarmos o pé torto dos cultos e não for por meio de exorcismo... Como vamos ganhar uma grana?
-Bem... É... Hum... Bom... Err... A gente pode falar mal do Lula? Do Ricardo Teixeira? Do Zé Serra ou da Dilma? Posso ouvir um amém?
-Pqp!
Muda o culto...

-Irmãos e irmãs... Tenho uma grande notícia!
-Aleluia!
-Já sabemos como vamos fazer nossa humilde Igreja Mundial da Velocidade crescer...
-Ô glória!
-Vamos nos juntar a três nomes de peso, que fizeram fama e fortuna de outras iguais a nós...
-Amém!
-Vamos nos juntar ao Cramulhão, ao Exu e a Satanás...
-Como?
-É... Imagina só... Se a gente tá junto destes aí é sucesso garantido pra qualquer templo... O problema é o preço que eles cobram em termos de imagem, né?
-Mas isto não vai afastar os fiéis?
-Que nada... E ainda vai garantir uma exposição monstro para a gente na mídia... Posso ouvir um amém?
-Pqp!
Troque as situações acima pela ameaça de tirar Mônaco do calendário feita por Ecclestone e pela vontade de Jaques Deusmelivre em montar uma equipe com Briatore, Symonds e com o filho de Muamar al-Gaddafi e veja que cada qual reza para o que lhe convém...

20 de jul de 2010

As árvores alemãs

Enfim... Alemanha.
Vem chegando o fim de semana e com ele mais uma corrida na Alemanha.
Terra da Auto Union, do Caracciola, do Rosemeyer, da Mercedes, do Schumacher e mais recentemente do Vettel, do Sutil e do Rosberg, só para ver como as coisas vão se deteriorando...
E mesmo a F1 tendo apenas um campeão alemão após 1950 é impossível negar a importância que o país tem na história da categoria e do próprio automobilismo.
É muito difícil pensam em corridas de carros e não pensar em Alemanha.

Este ano o grande prêmio alemão será corrido em Hockenheim – ou no que sobrou dele - que já a Alemanha divide seus grandes prêmios regularmente e entre esta pista e Nurburgring.

Só que para mim vai faltar algo além das grandes retas do traçado antigo. Da velocidade plena, dos carros com pouca asa e dos pilotos com mais coragem...
Falta uma das marcas mais fortes em minha memória quando penso em uma corrida na Alemanha.

Faltam aquelas que fizeram a fama do “inferno verde” e que serviam de moldura para a velocidade plena nas infindáveis retas que cortavam Floresta Negra em Hockenheim.
Antes de o traçado ser tilkeado com as bênçãos dos ecologistas alemães, claro.

Faltam as árvores...

19 de jul de 2010

Brasil 2014? Tá logo alí...

Segunda feira não é dia de pensar, não pelo menos a sério.
Quem nunca acordou numa segunda pensando: “-Que m* podia ser sábado novamente.”.
Ou até Domingo, que até as seis da tarde é gostoso, mas depois dá um desespero...
Então vou propor uma discussão amena, uma coisa que quase não dá polêmica e não requer muito esforço e nem conhecimento para comentar: futebol.
Afinal, se quem joga não é conhecido por ser assim assumidade intelectuais e vez por outra soltam pérolas do quilate de: “foi indo, indo e acabou fondo.” – ou – “foi indo, indo e iu”, os aficcionados mais ferrenhos também não são. Tratando equipes como se fosse um ser único. Como se onze cabeças – mais a do técnico – pensassem de uma única forma e tivessem uma única personalidade. Não importando se mesmo que de jogo em jogo os nomes mudem.Pois bem, acabou a copa do mundo lá na terra do Mandela com a vitória de mi España querida, e agora se começa a pensar – porque o tempo voa e as obras são lentas – em 2014 aqui em terra brasílis.
E não só de futebol, estádios, transporte, rede hoteleira e segurança que é feita uma copa, tem também algumas coisas importantes que ninguém ainda se tocou que não temos.
Daqui a pouco chega 2014 e nem se pensou nisto ainda.
Mas aqui no BligGroo não... Aqui se pensa longe e aqui estão algumas das coisas que faltam para que a copa do mundo no Brasil seja um sucesso.
A imagem símbolo, o logotipo já temos... E pasmem: foi escolhido por Ivete Sangalo, Hans Donner, Oscar Niemeyer e - sério, não é piada - Paulo Coelho.
Um centenário, uma cantora de axé, um austríaco e um... Um... Aquele... Aquilo...
Tá explicado então... Não podia, apesar do Niemeyer, dar nada que prestasse.
Falta então:

Musica tema da copa.
Se na África do Sul tivemos o K`naan e seu “Wavin Flag”, embora a Fifa nos empurrasse goela abaixo aquela gostosa – e venezuelana – da Shakira cantando o tema do urso Fozzie, dos Muppets: “Waka waka”. (pode procurar no youtube, ele sempre dizia isto após uma piada ruim)
Aqui o que teremos? “Festa no apê”? Funk carioca? Axé com a Ivete Sangalo ou a versão loira dela, a Claudia Leite?
Fico imaginando o comercial daquele refrigerante de cola com o fundo musical: “Pererê não gosta de sorvete quente.” ou então “na terra do senhor não existe satanás, xô satanás”.

Festa de abertura:
Os países costumam fazer nas festas de abertura um apanhado de sua história e cultura.
O que vamos apresentar? Matança de índios? Corrupção dos homens públicos (faz tempo que tem, viu)? Ou o que?
Mas uma coisa é certa: vai ter escola de samba e mulher pelada. Nada identifica mais o país lá fora do que a tríade futebol, samba e mulher pelada.

Nome da bola: Todas as bolas de copa do mundo tiveram nomes próprios. “Tango”, “Tango Espana”, “Telstar”, “Questra”, “Etrusco”, “Tricolore”, “Fevernova” e a polêmica “Jabulani”. (pode ver mais aqui) Polêmica vazia, diga-se, já que se tentou colocar a culpa dos pés tortos dos atacantes na pobre bola. Oras! Se a regra diz em peso máximo e mínimo e calibragem máxima e mínima para as bolas oficiais, como é que se diz que a bola do maior evento de futebol do mundo tinha uma bola mais leve?
Mas o fato é que não temos o nome da bola do jogo aqui ainda.
Sugestões?
“Tico Tico no fubá”? “Sarneyzinha”? “Globola”? “Trombadinha”? Ah... Sugere ai...

O mascote:
Zakumi era simpático e me lembro que a copa de 82 teve uma laranja como símbolo, o Naranjito...
Aqui podemos ter: “Zóinho”, o traficante, “Ernesto”, o político honesto que é para ficar no campo do surreal, ou o “Saci-pererê” que traduz fielmente o estado do futebol da seleção na última copa? Sugerir "Bruninho" como sinônimo de futebol matador não vale...

E o torcedor pé frio para ir a todos os jogos?
Acho melhor ficarmos com o Zico, afinal – assim como Mick Jagger – talento ninguém vai negar que ele tem, mas sorte...
Bem... Fica com vocês, sugestões são bem vindas.

E está no ar a edição de Silverstone da Rádio Onboard.
Desta vez, Felipe Maciel e eu recebemos Fábio Andrade, que também é do Blogf-1 para as discussões sobre a corrida. O Fábio Campos estava em mi España querida comemorando o fim da copa, mas com uma camisa da Holanda...

16 de jul de 2010

O que aconteceria se Rubinho desse uma de Webber na Ferrari?

Conversando com o camarada Daniel Gomes, do Splash and Go, sobre as declarações de Mark Webber após a corrida de Silverstone ouvi dele a seguinte questão:
“-E se o Barrichello tivesse feito isto alguma vez?”
Achei a situação meio inverossímil, mas engraçada.
E então veio o seguinte diálogo.
-Porque não escrevemos sobre isto?
-Hum... Pode ser. Mas eu não escrevo análises como você.
-Faz do teu jeito... Faz uma crônica enquanto eu faço a análise e a gente publica ao mesmo tempo.
-Ok... Se for assim eu topo.
Aqui está o resultado e não poderia ser em cenário diferente: Áustria 2002.

Dentro de sua Ferrari, Rubens Barrichello rumava tranqüilo à vitória no GP da Áustria quando pelo rádio do carro vem a ordem: “-Deixe Michel passar, pelo campeonato.”.
Faltavam algumas voltas para o fim da prova e Rubens tem tempo de pensar se é hora de fazer o que quer a equipe.
-Novamente? – ele pensa...
Um filme passa por sua cabeça... E se fizer agora o que querem eles?
Diferente do ano anterior em que era apenas um pódio, e em terceiro terminou, cedendo o segundo posto para o alemão, desta vez é uma vitória.
Vitória, aliás, tão rara nestes tempos pós-Senna. Será que o perdoariam? Como reagiriam seus fãs no Brasil? E os fãs de automobilismo em geral? Será que entenderiam?
Acelerava o carro vermelho pelas retas e curvas da pista austríaca e pesando as possibilidades.

-Se eu entrego a posição – imagina - o Galvão vai ficar decepcionado em não narrar esta vitória... Se bem que acho que não é ele que está lá hoje... Deve ser o Cleber Machado. Mas isto é o de menos, imagina quantas coisas adversas eles já não devem ter narrado. Derrotas em copas do mundo... O Galvão até narrou o acidente do Senna. Acho que ficarão bem. Vou inverter...
E completa mais uma volta.

-Mas e o povo que discute F1 em fóruns da internet? E os caras que mantêm blogs? Acho que não posso entregar e não vou fazer, em respeito aos meus fãs... Em respeito a minha carreira mesmo... Não vou fazer!
E acelera mais.

Entram pela última volta e o rádio volta a cobrar a inversão das posições.
Rubens pensa na frase de Drummond: Vai ser gauche na vida.
E ele foi.
-Eu não vou inverter nada...
-Como não vai? Precisamos desta vitória para o numero 1!
-Ele que venha tentar pegar, se puder...
-Mas...
-Nem meio “mas”, está decidido. Vou vencer e dedicar a minha mãe.
E cruzou a linha de chegada a frente de Michael Schumacher.
-Nada mal para um segundo piloto, heim? –diz ele pelo rádio do carro.
-Que segundo piloto?
-Eu... Não sou segundo piloto?
-A partir de agora não... Temos outro pro seu lugar.
E esta história só veio à tona muitos anos depois, quando participa do quadro “Onde anda você?” de um programa esportivo qualquer...Confira a versão de Daniel Gomes que está no ar no ótimo Splash and Go!
A todos um bom final de semana...

15 de jul de 2010

O mistério do planeta

-Bicho, to com umas idéias aqui... – diz Moraes
-O que? É pra som? - pergunta Boca.
-É... Ouve isto... – e pega o violão.
-Hum...
A musica que sai das cordas é simples, soa calma.
-É interessante...
-Gosta?
-Não sei se gosto ou se não gosto, mas é novo. Pode desenvolver?
-Posso... To trabalhando nela há uns dias já...

-Moraes?
-Diga lá... Boca.
-Levei aquela tua musica... Aquela que me mostrou inda ontem pro Galvão ouvir..
-E o que ele disse?
-Não disse nada. Ele nunca diz... Mas ouviu com uma atenção fora do comum.
-Fora do comum?
-É... Fora do comum... Fechou o semblante, olhou fixo pro nada e ouviu.
-E quando terminou?
-Pediu pra tocar de novo, mas sabe como é... Não toco como você.

-Galvão, me diz uma coisa?
-O que Moraes?
-Soube que ouviu uma musica que estou fazendo ainda...
-É... Ouvi.
-E gostou?
-Gostei...
-Vai escrever a letra?
-Sim... E entrego a Boca quando estiver pronta.
-Mas me diga... Está boa?
-Falta algo. Não sei o que, mas falta algo...

-Boca? Tá com a letra do Galvão ai?
-Tô sim, Moraes, e o Jorginho já está a postos pra tocar a bateria...
-Posso tocar então?
-Pode... E Galvão, eu vou cantando aqui, qualquer coisa tu me corrige.
-Não tem porque, cante... Cante com o coração.

Moraes Moreira ao violão, Jorge Gomes na bateria, Dadi com o contra-baixo e Paulo Boca de Cantor soltando aos poucos a letra de Luiz Galvão...
Quando acaba, Moraes se vira para Galvão e pergunta: “-Tá bom?”.
-Falta algo ainda... – dispara ele, quando chega ao ensaio Pepeu.
-Fizeram uma musica nova sem mim? Como ficou...
E eles tocam novamente, mas, após a segunda metade da canção Galvão se vira para Pepeu que já empunhava seu instrumento – uma guitarra elétrica – e vaticina: “-Injete um pouco de tensão ai rapaz...”.
-Agora ficou bom! – disse o letrista.
-E como se chama a canção agora que está pronta? – pergunta Moraes.
-É um mistério.... (clique aqui pra ler a letra)

14 de jul de 2010

Ava(ca)liações britanicas - Tudo atrasado.

Por conta da final da copa do mundo, e principalmente pela falta de conexão com a internet na segunda feira, as ava(ca)liações deste gp saem atrasadas e reduzidas, sobrando um pequeno espaço também para celebrar o 13/07 que é o dia mundial do rock.
Como vêem, estou atrasado até com isto, parece que estou andando de Hispânia...
Bernie é turrão... Se marcasse a corrida para o fim de semana seguinte não teria concorrencia.

Webber foi corajoso e burro. Corajoso quando peitou Vettel pela ponta da corrida e burro quando peitou publicamente a equipe. Agora sim, coisas estranhas podem acontecer.
Lewis correu para o gasto, e o gasto é o segundo lugar que lhe mantém lider do campeonato.
Ana Hickman é sortuda.... Mas correu bem.

E agora Alonso? Sua punição demorou tanto quanto a do Hamilton na corrida passada.
E agora Montezemolo? Estão manipulando as corridas?
E Agora Ferrari? Dizer que avisou o cara para devolver a punição também não é mentira, como aquela da Mclata?

Felipe Barrichello ou Rubens Massa?

Puniram Bruno Senna, mas parece que quem saiu ganhando foi o próprio. O japonês é horrível.


Rock and roll é mais que música, é estado de espirito, é libertação. E neste (ontem, tô de Hispânia) 13/07, dia mundial do Rock nada melhor que se libertar e para isto vamos todos gritar juntos: SET ME FREE!

13 de jul de 2010

Vuvuzela, Mick Jagger, polvo Paul, erros de arbitragem e Pragmatismo: Copa 2010

Não se pode desmerecer o titulo espanhol.
Não há o que se falar quanto à legitimidade de sua campanha.Mas pode-se e deve-se comentar dois fatos referentes ao certame como um todo.
Foi uma copa com nível técnico muito fraco, e isto se refletiu na qualidade dos participantes de sua final.
O que tem Espanha e Holanda com isto? Nada. Azar o das outras seleções que: foram piores – e muito – que estas duas, ou, não souberam aproveitar sua chance de mostrar a superioridade, inclusive quando se depararam com as finalistas em algum momento.
Vejamos:
A Alemanha jogou um futebol de encher os olhos, mas pararam na Espanha porque a respeitou demais. Foi superior e não soube aproveitar sua chance. Na partida em si, não jogou nada e perdeu pelo placar mínimo.
A Holanda não pegou nada de extraordinário durante a copa toda.
Um Brasil em pânico no segundo tempo, um Uruguai valente e só. Que ainda por cima não contou com a benesse do arbitro que validou um gol em impedimento dos laranjas.
Erros de arbitragem, aliás, que foram muitos durante todo o campeonato, e muitos deles decisivos, mas...

Chegaram a final e fizeram um dos jogos mais feios de todo o campeonato.
Chutes tortos, pancadas a dar com o rodo, chances bisonhas de lado a lado e o outro fator determinante para o mau andamento geral da copa: uma arbitragem abaixo do razoável.
Repito, a Espanha e a Holanda nada têm a ver com isto e foram em frente.
O gol que deu o titulo ao time ibérico saiu de um erro de arbitragem que não deu um claro escanteio ao time holandês.
Não se sabe se do córner sairia o gol, mas que ele deveria ter sido marcado, ah deveria!

Mas... Acabou e agora a inteligentizia jornalística esportiva deste país louvará o futebol bonito da equipe campeã.
Esta mesma imprensa que crucificava Carlos Alberto Parreira em 1994, quando mesmo trazendo o caneco foi acusado de pragmático, de fomentar um futebol feio e de resultados.
Até hoje se diz que a frase principal de Parreira era: “-Um a zero é goleada”.
E eu, Ron Groo, sujeito que não entende porra nenhuma de futebol vos pergunto:
E qual a diferença daquele time do Parreira em 94 para este da Espanha em 2010?
Nenhuma.
Os times se equivalem, mas para os intrépidos e inteligentes jornalistas esportivos brasileiros que são conhecedores profundos do futebol, o Brasil de 94 ganhou jogando mal e não convenceu.
Mas a Espanha, tão pragmática e emperrada quanto aquele time, jogou muito bonito e convenceu o mundo. Com vários um a zero na campanha, diga-se.
Como disse: honra, glória e méritos ao novo campeão, mas há que se dizer certas verdades.
Foi uma copa feia futebolisticamente e com pouquíssimas emoções de verdade.
Nenhum destaque individual e muita decepção: Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo, que a mim nunca enganou, Rooney, Fernando Torres, França e Itália inteiras...
No fim ficaram o gosto de Paulistão 1990 - aquele que teve como finalistas Bragantino e Novorizontino, porque os grandes de verdade estavam mal preparados e ou foram arrogantes demais - a vuvuzela, Mick Jagger e o povo Paul. Para quem espera ansiosamente quatro anos para ver a festa, é muito pouco.

11 de jul de 2010

GP da Grã Bretanha - I can´t get no...( Pelo menos o Alonso)

Existem corridas que se desenham chatas, existem corridas que surpreendem pro bem e pro mau.
A expectativa em cima do Gp da Grã Bretanha era grande, havia duvidas sobre a funcionabilidade do novo trecho do circuito, se ia ou não favorecer ultrapassagens. Tinha também a configuração da largada com os dois carros de boi vermelhos – grande novidade! – dividindo a primeira fila e logo atrás uma das maiores rivalidades da F1 atual: Alonso e Hamilton dividindo a segunda fila.
Porém todas estas expectativas foram frustradas, porém não por conta da pista, ou de condições climáticas, mas pela superioridade de uma equipe em detrimento as outras.

A Red Bull dominou tudo de cabo a rabo.
Treinos, corrida, noticiário, sem dar chance a nada e nem a ninguém de ser o centro das atenções.
Foi pole, segundo e ainda protagonizou a discussão da etapa com a polemica da asa nova sendo passada de um para outro.
Aos outros restaram andar na sombra brigar com suas armas para se sobressaírem uns aos outros, mas sem em momento algum sequer incomodar Vettel e Webber.Com uma largada mista de coragem e irresponsabilidade Webber ganha a ponta da corrida e de quebra ainda força Vettel a errar – de novo – passando por fora da pista e estourando um pneu caindo para ultimo lugar e ficando alijado da disputa pela vitória e mesmo de uma sorte melhor na disputa do campeonato. Um pouco mais atrás Massa toca Alonso e tem o mesmo fim.
No caso de Vettel é trágico. Afinal, o alemãozinho disputa o titulo.
Já no caso de Massa é só mais uma pedra neste caminho cheio delas na temporada 2010.
Que tem de errado? Seria o carro? Então porque o do Alonso não dá estes xabus? Seria o próprio Massa? E se for? Tem conserto? A corrida ia se desenhando como definida até que Alonso tenta uma ultrapassagem sobre Robert Kubica.
Como era de se esperar o polonês primo do Loro José, vende caro e num momento de duvida o espanhol é obrigado – para não bater – a cortar caminho por fora da curva.
Ele alega ter sido espremido, o narigudo alega que ele forçou a situação. Os dois conversam com a equipe para saber o que fazer.
O fato é que depois houve várias situações iguais e no mesmo ponto e ninguém teve de cortar a curva por fora, nem para passar e nem para se manter...
A FIA decide, após a mesma demora ocorrida em Valência no caso Lewis/Safety car, punir Alonso com o um drive through, mas a esta altura o piloto da Renault já nem estava mais na prova.

Tudo estaria bem se neste exato momento não aparecesse um safety car de novo na parada para atrapalhar de vez a corrida do espanhol.
-Fernando, é para cumprir o drive após a saída do safety da pista, entendido? Depois...
Juro que depois deste aviso esperei por imprecações do tipo: “corrida manipulada”, “roubo”, “este povo só me f...”, “eu sou um espanholzinho contra este mundão todo”, mas nada... Não houve nada.
Ou ele aceitou na boa que fez caca ou houve censura a possíveis palavrões.
O safety entrou, juntou todo mundo, saiu e lá foi Alonso para a punição e quando voltou à pista estava longe da zona de pontuação. Se o F1 tivesse rádio ou cd player, provavelmente o espanhol estaria ouvindo sem parar a canção dos Stones: “I can´t get no, satisfaction”. Eu, claro, adorei!

No fim venceu a monotonia do boi vermelho do coala que voa, como era de se esperar, sem ser incomodado.Atrás a McLata de Hamilton que manteve a ponta do campeonato e a Mercedes da Ana Hickman.
Button que ganhou dez posições terminou em uma ótima quarta posição.

Agora resta ao Alonso torcer pela Fúria na final da copa do mundo. E torcer para que o juiz, que não é nenhum Nigel Mansell, não dê um drive trough em sua seleção. Mas se der, não vou negar... Vou adorar!

9 de jul de 2010

Paralelismos - Senna, Karl e Groucho

Karl Marx, aquele cara que escreveu – e provavelmente o único que entendeu – O capital disse um dia: “-A história acontece como tragédia e se repete como farsa.”.Criando um paralelismo com a F1 temos a confirmação de sua veracidade e a seguinte situação.
Em 1994, naquele domingo pela manhã um certo Senna largou para aquela que seria sua ultima corrida.
Após algumas voltas e uma relargada encontrou seu trágico destino no muro da curva Tamburello, em Imola.
E como Getúlio Vargas – só que sem a intenção – saiu da vida para entrar para a história.
Não que não tivesse lugar cativo nela, mas aquele acidente antecipou – provavelmente – em alguns anos o fato.
Fez-se a história por meio da tragédia e temos meio Karl Marx já.

Agora em 2010, às vésperas de uma corrida importante, que marcará a nova fase – e configuração – da pista, e porque não do autódromo de Silverstone, outro Senna encontra o fim de sua carreira na F1. Ou não...
Sem acidente, sem luto, mas também sem glória.
Também não teve uma Tamburello para lhe marcar a saída, ou melhor, teve um Collin Colles a guisa de curva fatal.
Fez-se a história por meio da farsa e agora também completa-se a frase de Marx.
E para completar o paralelismo, parafrasearemos novamente Getúlio, mas coerentemente em tom de farsa: saiu da mídia para possivelmente entrar no esquecimento.

Por outro lado a F1 não é a única forma de se viver e vencer no automobilismo. Há vida fora dela e Bruno Senna pode sim – porque não? – vir a ser um ídolo, não tão grande quanto o tio, em alguma categoria.
E que tal, para marcar uma possível virada de jogo, fazer para Bruno outro exercício de paralelismo com outra frase de um outro Marx, o Grouxo: “-Porque eu deveria me preocupar com a posteridade? Ela nunca fez nada por mim!”. E nem a F1...

8 de jul de 2010

Uma trilha sonora para Silverstone? Faça a sua.

Alguns períodos da história recente tiveram trilhas sonoras relevantes, tanto pelos momentos quanto pelas canções.
A sentença totalmente contrária também é verdadeira.
Os funerais de Tancredo, por exemplo, tiveram como fundo uma canção de Milton Nascimento.
Há sempre uma canção tema para grandes eventos.
Não que alguns precisem, mas é um charme a mais que ajuda a criar uma identidade e fixar bons momentos no inconsciente popular.
Quando se falar em Copa da África vai se lembrar de K´naan e seu Waving Flag.
Ainda que a FIFA tenha tentado enfiar goela abaixo uma cantora sul americana com uma risível canção de título Waka Waka.

Na F1 não tem disto não, as corridas se sucedem com intervalos relativamente pequenos e não requerem artifícios para serem lembradas ou esquecidas.
Não mais que as artificialidades que a gloriosa FIA inventa para tentar deixa-las mais atraentes e que vira e mexe se revelam tiros na água, quando não, nos próprios pés.
Mas que tal, na falta de assuntos realmente importantes, elegermos uma para a corrida de Silverstone?
É uma boa brincadeira, afinal a silly session vai ser das mais brandas dos últimos anos.
Vale lembrar que ano passado, a esta mesma época a temporada de boatos e notícias estava em alvoroço e até uma cisão entre FIA e FOTA foi anunciada, rachando a categoria em duas.
Este ano nem dança das cadeiras em equipes importantes vai ter...
Então vamos à canção tema, só pra dar uma arejada no ar parado da F1, meio que relegada em prol da copa do mundo.
Meu voto é para Street Fighting Man, dos Rolling Stones.
Simples…
Geralmente vista como uma canção de protesto é na verdade uma ode a diversão ainda que para isto tenha-se de recorrer a violência gratuita.
Não há um só verso em toda a canção que mostre um motivo para “brigar na rua”, “criar uma revolução”, “matar o rei e massacrar todos os seus servos” que não seja apenas e tão somente a chegada do verão.
E o que isto tem a ver com a corrida?
Mais simples ainda.
É o que eu espero que aconteça: uma corrida animada mesmo sem motivos.
Não que eles não existam: as brigas internas, externas como a de Alonso com Hamilton, a vontade da McLata de encostar de vez na equipe dos carros de boi vermelho, a FIArrari querendo mostrar que realmente evoluiu, etc., etc...
E vocês? Tem alguma em mente? E por quê? Deixa ai nos coments

7 de jul de 2010

Mademoiselle

O saco já andava por transbordar por ter de tocar contrabaixo em bandas de churrascaria onde geralmente o público era mais preocupado com o ponto da picanha que com música.
Não era para isto que havia estudado e sentia que desperdiçava seu talento, sua vocação.

Afinal, aos que lá frequentam pouco importa se tem alguém tocando algo, se é rádio ou há silêncio no ambiente.
Para alguns, aliás, o silêncio seria a melhor pedida.

Mas então por que continuar? Qual o sentido em seguir?
Em seu íntimo pensava que um dia aquilo valeria a pena, e um dia finalmente valeu...

Ela adentrou o recinto trajando um vestido longo, em tons de vermelho degrade e com uma generosa abertura ao lado da perna esquerda que subia até a altura da coxa.
Sentou-se à terceira fileira de mesas, bem visível do palco e com ótima visão deste.
Acendeu um cigarro. O estabelecimento ao que parece dava mais importância a satisfação do cliente que as leis anti fumo do estado. Ou seria apenas a ela permitida tal violação?
Hipnotizara a todos.
Alguns deixaram de comer, outros - aparvalhados com a visão - deixavam entrever em suas bocas abertas o que comiam. Ridículos...

Do palco, ele também não sabia quem era, nem seu nome, de onde vinha ou para onde iria após deixar a casa, mas era o que menos importava.

Depois de tocar as protocolares músicas sertanejas e algumas pérolas da MPB (“Por onde eu for quero ser seu par”) às quais ninguém prestou atenção, a banda resolveu descansar alguns minutos antes de continuar a ser ignorada.
Viu ali sua chance.
Largou o contrabaixo e pegou um violão de cordas de aço que era mais objeto cênico que instrumento propriamente dito.
Sentou-se em frente ao microfone e deu duas batidinhas em sua cápsula certificando-se de que estava ligado ainda.
Estava.
Seus companheiros de banda - já tão de saco cheio quanto ele – deram de ombros. Se não lhe bastava ser ignorado em grupo e queria então ser ignorado solo problema dele..
E foram ao bar.
Ele não disse uma só palavra, apenas tocou.
Com os olhos fixos em direção a sua mesa começou a cantar de forma intensa:

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
com seu salto agulhade couro de cascavel

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
Seus olhos brilham em brasadebaixo do seu chapéu
eu não sei, eu fico perdido
eu fico cego com as cores do seu vestido

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
sua vida são flashes de um colorido carrossel
eu não sei, eu fico perdido
eu fico cego com as cores do seu vestido

ma-ma-ma-mama-mademoiselle
você fugiu de mim
e se escondeu na torre Eiffel

Ao final não houve aplausos, um sequer.
Nem dela que, aliás, levantou-se sem comer ou beber nada, mas de passagem pelo palco deixou um olhar.
Aquele que dá a entender que captou a mensagem embora não saiba o que exatamente fará com ela, mas entendeu.
Ao passar pela porta e deixar o estabelecimento não olhou para trás, não houve sorriso, nem promessas, nada.
Mas ainda assim, quando a banda retornou ao pequeno palco para continuar a ser ignorada até o fim da noite, ele se sentiu bem.
Afinal, em seu íntimo ele sabia que um dia valeria a pena.
E finalmente valeu,
Pelo detalhe de um olhar, mas valeu.

5 de jul de 2010

Entrevista com Mick Jagger

Ron Groo: -Obrigado por atender meu pedido de entrevista, sou seu fã.
Mick Jagger: -Eu sei que é... Todo mundo é.
RG: -Sabia que nascemos no mesmo dia?
MJ: -Você não parece ter mais de cinqüenta anos!
RG: -Desculpe, me expressei mal. Fazemos aniversário no mesmo dia.
MJ: -Ah bom... Que susto.
RG: -Curiosidade minha... Quem era melhor? Beatles ou Stones?
MJ: -Beatles.
RG: -Por isto que acabou...

RG: -Eu não sabia que você gostava de esportes.
MJ: -Gosto sim... Fui esportista quando jovem.
RG: -Ah vá! Conta outra!
MJ: -Não acredita? Joguei futebol no colégio...
RG: -E porque parou? Foi o rock?
MJ: -Nada... Foi quando tornaram obrigatório o exame anti-dopping...
RG: -Ah... Claro.

RG: -Você causou furor na copa do mundo...
MJ: -Eu sempre causo. Todos me queriam nos jogos...
RG: -Verdade... Todo mundo queria que você torcesse pelo adversário...
MJ: -Intriga...
RG: -Não era não... Todas as seleções que você torceu foram sendo eliminadas... Uma a uma.
MJ: -Imagina... Nem ferrando... Lista ai.
RG: -Inglaterra, óbvio... Estados Unidos, Itália, Gana, Brasil e Argentina.
MJ –Mas eu não torci pela Argentina!
RG: - Não?
MJ: -Não... Estou livre das drogas faz bastante tempo. Não teria esta recaída.
RG: -É justo...
RG: -E fora o futebol? Que outros esportes você gosta?
MJ: -Gosto de basquete. Na ultima Olimpíada eu torci pelo time dos EUA.
RG: -Deu Argentina.
MJ: -Coincidência...
RG: -E o que mais? Você gosta de F1?
MJ: -Oh sim... Torcia muito pelo Rubinho contra o Schumacher.
RG: -Tá explicado.

RG: -E blogs? Você lê?
MJ: -Sim... Vários, inclusive em português.
RG:-Sério? Quais você lê? Vamos ver se é pé frio mesmo...
MJ: -Finish Lap, do GVilleneuve...
RG: -Não posta mais…
MJ: -De olho na F1, do Fábio Andrade...
RG: -Faliu, o escriba foi contratado pelo Blogf-1, não aparece lá não.
MJ: -Grid GP, do Fábio Campos...
RG: -Outro que foi extinto.
MJ: -E o Mondo Interativo, que era coletivo...
RG: -Ah, então foi você? Não sou mais seu fã...
MJ: -Quando sai minha entrevista em seu blog?
RG: -Não sei... Acho que nem vou postar, não precisa aparecer lá pra ler não... Quer deixar um ultimo recado?
MJ: -Avante Espanha! Avante Holanda...

E está no ar, com algum atraso, a edição de Valência da Rádio Onboard.
Desta vez apenas eu e Felipe Maciel comentamos o GP da cagüetagem. Até onde sabemos Fábio Campos sumiu depois que Mick Jagger disse que ele era o membro da "equipe on board" que ele mais gostava...

3 de jul de 2010

Talvez tenha faltado um Taioba na seleção

Gilberto era o meia esquerda titular do time de futebol Expedicionários de Franco da Rocha.
Reconhecido por todos, em toda região como verdadeiro craque, capaz de resolver partidas com uma ou duas jogadas. Especialmente em jogos contra o arquirrival dos Expedicionários: O terrível Real Mané.
Comparável apenas a Pelé no auge, não se sabe por que carga d´agua nunca foi aceito e nem aproveitado em time nenhum profissionalmente.
Alguns dizem que era seu mau gênio, outros dizem que foram as drogas, o álcool e a mulherada.
O pai dizia que ele era vagabundo mesmo.

O fato é que o time, o valoroso time dos Expedicionários de Franco da Rocha foi fazer uma excursão ao Uruguai na intenção de encaminhar algum jogador aos times de lá e também promover o nome da cidade no exterior. Não se sabe exatamente qual dos dois motivos era o mais premente.
Embarcaram em um ônibus e viajaram rumo ao país mais oriental da América do Sul.
Junto com o time também foi um jornalista, o J.P.
Formado pela fundação Casper Libero ainda não exercia a função regularmente, vivendo de free lances. Faria a função de assessor de imprensa.
Função esta que foi largamente desacreditada no embarque.
Ninguém acreditava que alguém, em sã consciência, teria olhos para um time de várzea de uma cidade desconhecida. Ainda que do Brasil.

Ao chegar ao Uruguai fizeram um tour.
Partindo da cidade de Rivera foram cruzando o país até chegar a capital Montevidéu.
Neste caminho, com exibições extraordinárias, quase “pelezisticas” de Gilberto foram destruindo todos os adversários de forma inapelável.
Placares elásticos e futebol arte.
Tanto que chamaram a atenção do temível Panãrol.
Ao chegarem à capital foram contatados pela diretoria do clube multi campeão Uruguaio querendo marcar um jogo que seria disputado no Estádio Centenário. Aquele mesmo que foi palco da decisão do primeiro mundial no distante ano de mil novecentos e trinta.
O dirigente dizia que queria provar a força daquele time que vinha assombrando o país e em vinte jogos não havia sido derrotado uma vez sequer. Com placares não menores que quatro gols de diferença.
Queriam ver também em ação o agora famoso em terras uruguaias Gilberto.
Festa na delegação francorrochense.
Todos celebravam não só a vitoriosa excursão como também o fato de que Gilberto agora seria devidamente valorizado. Correu-se até o boato na delegação de que os pais de Gilberto, ou os avós, eram uruguaios. O que facilitaria uma possível naturalização uruguaia para que ele pudesse integrar a celeste olímpica.

A noticia chegou até Franco da Rocha.
Os políticos locais fizeram discursos em praça publica em homenagem ao esquadrão alvi celeste; faixas foram postas nas ruas; foguetórios e missas foram rezadas.
Foi uma comoção sem igual.
Só que lá no Uruguai as coisas começaram a não ir tão bem.
Na noite anterior ao jogo contra o Penãrol o craque Gilberto aprontou das suas e simplesmente sumiu.
A delegação do “galo azul da comarca” – como era conhecido o Expedicionários – entrou em pânico, mas nem assim sequer pensaram em cancelar a partida.
Enquanto alguns membros da diretoria sairiam para procurar o paspalhão de uma ova, outra parte trataria de por o substituto imediato, Taioba, conhecido como “o possesso” em condições de jogar. Obvio que o modesto “possesso” não tinha sequer meio por cento do talento de Gilberto, mas: se não tem tu, vai tu mesmo.
A J.P. coube a tarefa de informar aos jornalistas que cobririam o jogo que o grande Gilberto não poderia jogar por estar fortemente lesionado. Uma lesão tão misteriosa que eles nem sabiam onde se encontrava.
Intimamente pensou: “-Não sabemos nem onde está a lesão e nem o viado do Gilberto!”.
Mas calou-se.
Perguntas foram lhe atiradas como pedras e de todas ia se esquivando, às vezes apenas com evasivas.
A mais comum delas era:
-Quiem substituirá el craque?
-O nosso tão bom e importante jogador: Taioba, “o possesso”.
-E como se escreve isto?
-E o que quer dizer “possesso”?
J.P. explicou uma, duas, três, dez vezes o que era e como se escrevia “possesso”. Já estava de saco cheio de repetir tantas vezes a mesma coisa.
Por fim se livrou de todos os jornalistas.
Todos não, um último e atrasado jornalista, de um pequeno periódico interiorano chegou esbaforido a sala onde se realizava a improvável coletiva.
Novamente fez a já tantas vezes respondida pergunta.
J.P., muito furibundo da vida, mas com um angelical e falso sorriso respondeu:
-Seguinte meu amigo, “possesso” quer dizer que ele vai chutar a bunda de todo mundo que falar castelhano e passar em sua frente e a grafia é complicada demais, põe ai na tua caderneta: “Taioba, o FDP do ca***ho!

Consta que o modesto periódico foi o único em todo o Uruguai que não noticiou a substituição do grande Gilberto.
Que, aliás, foi encontrado, três dias depois do jogo na fronteira com a Argentina, mais precisamente na cidade de Paysandu - depois de ter bebido, cheirado e brigado muito – dormindo agarrado com um travesti argentino.
Em tempo: O Penãrol venceu por oito a zero.

2 de jul de 2010

Quem tem medo dos holandeses?

Eles chegaram pelo mar e eram capitaneados por um tal Van Rosen que os locais da Ilha de Itaparica pensaram se tratar de uma mulher. -Rosen?
-É...
-Loiros de olhos azul e pele muito branca... E se chama Rosen?
-É...
-Eu como...
E quando ele disse “eu como” talvez não estivesse falando no sentido bíblico da coisa...
É que naqueles idos de 1600 e qualquer coisa era fato natural haver entre os cidadãos itapariquenses alguns que mantinham hábitos dos tempos da descoberta. Entre eles o canibalismo.

Mas Van Rosen - que não era loira - não sabia disto comandou seus navios -que eram quatro - repleto de valentes flamengos e boas armas em uma invasão violenta a formosa ilha da costa baiana.
Ao perceber os movimentos da pequena armada holandesa no sentido de aportar na ilha, os locais convocaram todos os homens capazes de lutar e confabularam sobre como se defender.
-Aqui não somos muitos não, no máximo uns cinqüenta inteiros, na flor da idade para a luta...
-Mas e os mais velhos?
-Contando os velhos somos oitenta.
-É pouco... Nos vasos de guerra dos gringos devem ter ao menos uns duzentos...
-Ou mais... E todos valentes.
-Como sabe que são valentes?
-Se são capitaneados por uma mulher é porque ela é valente e se sendo mulher ela é valente imagina os homens então?
-Faz sentido... Precisamos de algum reforço. Que tal os índios?
-Índio é preguiçoso, gosta é de cachaça... Não de briga, mas o que custa tentar?

E assim convocaram os índios para a briga com os holandeses.
Quando os soldados flamengos chegaram a cidade para efetuar a invasão encontraram o pequeno exército esfarrapado à espera.
Eram duzentos e cinqüenta e dois holandeses contra oitenta itapariquenses e mais noventa índios, que nem estavam lá muito sóbrios.
A batalha foi renhida e grandes feitos de valentia foram vistas de lado a lado.
Nota baixa para o comandante Van Rosen, que ao se ver encurralado pelos nativos gritou algo em seu idioma incompreensível e até os mais bravos dos seus bateram em retirada para a praia.
Na fuga, o comandante Van Rosen foi capturado.
-Mas este cabra não é mulher!
-Ao menos não parece, a não ser que na terra dele mulher tenha bigulim...
-Mas dá pra comer...
Ao ouvir esta sentença o holandês teve um mau pressentimento: comer deve ter o mesmo sentido tanto em português quanto na Holanda.
De olhos arregalados balançava a cabeça com as duas mãos protegendo os fundilhos...
E assim os invasores holandeses foram expulsos de Itaparica. Moral da história.
Se alguns nobres baianos e um punhado de índios deram conta de quase o dobro de holandeses, por que cargas d´agua nós iríamos temer estes manés lá na África do Sul sendo onze contra onze?

Editando as 14:39...
E eu avisei.. Eu não entendo p... nenhuma de futebol mesmo.