29 de out de 2010

Uma questão delicada?

Na região da Praça Princesa Isabel, no centro velho de São Paulo há uma estatua eqüestre de Duque de Caxias.
Garboso, o herói da guerra do Paraguai está montado em seu vistoso cavalo em pose de vitória: o cavalo trota enquanto o cavaleiro brande ao ar a espada.A obra é do nobre artista italiano Victor Brecheret e foi inaugurada em Vinte e Cinco de Agosto de Mil Novecentos e Sessenta. Tem a altura de um prédio de dez andares, contando claro, com o pedestal feito em granito.

Como todo monumento em toda metrópole, após um tempo ninguém dá a mínima importância. Passa-se por ele e nem se da conta de que está lá.
Se não estiver, muita gente nem vai notar.

Porém há um detalhe na estátua, que diga-se, sempre esteve lá, mas que nestes tempos de “politicamente correto” começou a incomodar um tipo de gente muito especial que, só com muito tempo ocioso - e pago com dinheiro público – se incomodaria: os nobres vereadores.

-O nobre colega há de convir que é uma indecência! – diz um situacionista.
-Até é, mas não é tanto assim... Afinal todo mundo tem um daqueles... – retruca um da oposição e assim vai adiante a discussão.
-Alto lá, senhor vereador! Todo mundo necas! Lembre-se o senhor que se trata de um cavalo de quase onze metros, logo o tamanho da indecência é muito maior que a que nós todos temos... A não ser que o nobre colega da oposição... Não é?
-O senhor está insinuando o que? Que eu tenho um daquele tamanho? Eu vou lhe dizer o que é que eu tenho que é daquele tamanho...
-Ordem... Ordem – pede o presidente da casa – Não é brigando aqui que os nobres senhores vão arrumar uma solução para o caso... Vamos dar a palavra ao nobre colega que trouxe o problema a esta casa. Com a palavra o nobre vereador Nico Cajaz...
-Bem, eu... Eu fico até com vergonha de dizer isto... Mas aquele enorme cú eqüino lá tem que sair... Eu fico imaginando minha mãe passando pela Avenida Rio Branco e olhando para cima... O quanto a minha mãezinha, dona Rosa Cajaz não ficaria chocada...-Mas o nobre colega tem a mesma opinião de sua mãe? Ou acha que toda a população tem a mesma opinião? Eu particularmente não tenho uma formada.
-O senhor já passou por lá?
-Não...
-Então nunca olhou debaixo da cauda erguida do cavalo do Caxias?
-Sinceramente não. O que tem demais lá?
-Uma protuberância saltada, como se o pobre do animal sofresse de hemorróidas!
-Olha... Mas é possível sim, viu – interrompe novamente o presidente da câmara, e prossegue – Diz aqui no livro dos monumentos que para a inauguração da estatua foi servido um lanche para os que trabalharam em sua confecção, lá no Liceu de Artes..
-Mas meu presidente? O que tem isto com o que estamos discutindo?
-Meu caro colega... Vai que neste lanche se serviu calabresa, vatapás ou outras comidas apimentadas quaisquer?
-Mas... Nobre presidente? O cavalo é de bronze! Dificilmente comeu um destes lanches?
-Dificilmente? – gritam todos os presentes em uníssono. – Mas tu é burro heim?
-Não o cavalo, sua cavalgadura, mas um dos operários que ajudaram a fazê-lo... Ai sentiu os resultados e resolveu expressar no cavalo...
-Mas o artista ia permitir isto? Vamos lembrar que é de Victor Brecheret!
-E por acaso, por ser artista, ele estava isento?
-De impostos?
-Não... De hemorróidas...

O fato é que não chegaram a nenhuma conclusão sobre o que fazer com a parte saltada da anatomia anal do cavalo. E como toda vez que isto acontece a voz popular é chamada a opinar e um plebiscito é convocado.
Sem maiores explicações a cédula de votação traz as seguintes opções:
1 – deixar lá como está.
2 – tirar a base de lima, já que é de bronze.
3 – trocar o rabo do cavalo, para que ele fique abaixado e assim encubra a vergonha.

Nas ruas, um jornalista que sem mais o que fazer se ocupou da história e entrevistava pessoas na rua.
-O que a senhora acha deste plebiscito?
-Uma besteira... Imagino que o imbecil que primeiro se ocupou desta coisa deva ser um desocupado... Acha que um cú de cavalo vai aborrecer quem vê um monumento destes?
-Muito obrigado... Qual seu nome, por favor?
-Rosa... Rosa Cajaz. Com “z” meu filho...

27 de out de 2010

Ary Barroso, apenas porque eu quero

Para estar no panteão das grandes personalidades deste país não precisava mais nada além de ter escrito “Aquarela do Brasil”, que inaugurou o gênero samba exaltação.Durante muito tempo houve uma corrente que gostaria de colocar esta composição como Hino Nacional não oficial, posição que deveria ocupar mesmo devido à beleza de seus versos:
Abre a cortina do passado/Tira a mãe preta do cerrado/Bota o rei congo no congado/Canta de novo o trovador/A merencória à luz da lua/Toda canção do seu amor/Quero ver essa dona caminhando/Pelos salões arrastando/O seu vestido rendado...

Há quem implique com o verso que diz: “este coqueiro que dá cocos”, dizendo que não poderia dar outra coisa, pura maledicência de quem não entende licença poética.
Porém fez mais, deixou frases e atitudes das mais marcantes e folclóricas. Para não dizer: engraçadas.
Grande compositor, grande comunicador, apresentava programas de rádio e narrava futebol.
Algumas de suas histórias:

Quando perguntava a seus calouros o que iriam cantar, ficava fulo da vida com a resposta:
-Eu vou cantar um sambinha ai...
-Sambinha o senhor (ou senhora) não canta, por acaso quando vem aqui para cantar um jazz, um fox strot põe no diminutivo?

Ficava muito bravo quando o calouro não sabia o nome do compositor da canção que ia interpretar. Ele como compositor tinha suas razões.
-Vai cantar o que?
-Vou cantar “Água de beber”.
-De quem? Minha filha.
-De Vinicius de Moraes... – disse ela esquecendo de citar Tom Jobim.
-Mas e o Tom? – gritava ele já espumando.
-O tom é dó maior, seu Ary. Quando apresentou Elza Soares pela primeira vez em seu programa, se espantou com as roupas extremamente grandes para o corpo da cantora. Roupas emprestadas já que Elza vinha de um meio muito pobre.
-De que planeta você veio, minha filha?
-Do planeta fome, seu Ary...

Outra cantora iniciante, para fazer um afago na fera resolveu cantar “Risque”, de seu repertorio.
Ao terminar perguntou a Ary o que ele tinha achado da interpretação.
-A senhorita assassinou minha música, se quiser mesmo me homenagear, nunca mais cante “Risque”.

Protestou publicamente sobre o excesso de improvisações da turma da bossa nova em suas canções, principalmente Wilson Simonal.
-No que escrevo não tem nem sabadás e nem doins.

Quando narrava jogos de seu amado Flamengo usava uma gaitinha que assoprava insistentemente quando o tento era a favor do rubro-negro, porém quando seu time do coração era atacado virava-se de costas para o campo e dizia: “-Não quero nem ver!” deixando sua audiência literalmente às cegas. Fora do foco artístico também aprontou das suas.
Certa feita- muito bêbado - insistiu que iria dirigir pelas ruas do Rio de Janeiro, e teve de ouvir de um colega: “-Você não está em condições de dirigir nem filme nacional!”.

Por estas e outras é que a memória de Ary Barroso tem que ser preservada e sempre que possível – ou não – divulgada.
A benção seu Ary!

26 de out de 2010

Os pesadelos de Alonso

Alonso, mesmo líder do campeonato não esta bem, anda tendo pesadelos e resolve procurar um psicólogo para se tratar. Não quer ter nenhum motivo para perder a concentração nas últimas provas. -Muito bem Fernando, deite-se ai no divã e pode me contar o que anda acontecendo.
-Bueno doutor... Tenho dormido mal, muito mal.
-Mesmo? O que lhe preocupa? Não está na liderança do campeonato agora?
-Sim, sim... Mas não é isto...
-São os motores? A Ferrari anda tendo que fazer rodízio de motor usado para que você não seja punido e nem fique a pé.
-Sim tem feito, mas não é isto que me preocupa também...
-Então são os carros da Red Bull, porque não vai ser sempre que os dois zeram em uma corrida e até podem voltar a vencer nas duas ultimas do ano, certo?
-Claro! Corridas de carro são assim mesmo, eles podem voltar a vencer as duas ultimas e eu ficar sem pontos em alguma, mas também não é isto que esta me tirando o sono.
-Então diga... O que é que vem te tirando o sono...
-São uns pesadelos... Basta dormir para que eles apareçam.
-E não tem nada com o que eu falei?
-Não... Não tem.. E o pior, não tem nenhum sentido.
-Bem... Pesadelo é a manifestação do subconsciente, me conte e eu digo a você se tem ou não sentido.

-Tá certo.. Na primeira noite sonhei que um cavalo corria atrás de mim...
-Um cavalo?
-É... Um cavalo, um grande cavalo.
-Da Ferrari?
-Não... Um pangaré mesmo...
-E o que ele queria?
-Então... Aí que digo que não tem sentido. O cavalo quer por todo o custo pegar um dos meus sapatos... -Ah! Tem mais?
-Sim, em outra noite um coelho tão grande como o cavalo vinha atrás de mim com uma serra elétrica e um chaveiro. -Serra elétrica e chaveiro... Interessante. Sabe o que ele pretendia fazer com isto?
-Pelo que eu entendi ele dizer...
-O coelho falava? – interrompe o médico.
-Sim!E o cavalo também! E como dizia, ele dizia que iria arrancar um dos meus pés para por no chaveiro.
-Impressionante! E algum dos dois conseguiu?
-Não... Mas tem mais... Noutra noite sonhei que era um saleiro e que todo mundo que me pegava jogava meu conteúdo por cima do ombro direito. -Rapaz... Vou te falar... Fica preocupado não. Estes sonhos - pode acreditar - não são pesadelos não... É apenas fruto do seu subconsciente dizendo que você é sortudo para caramba... Como se diz no popular: você é rabudo!
-Pois é... E o ultimo pesadelo é sobre exatamente sobre isto: rabo.
-Como assim?
-Eu sonho que tenho a bunda da Mulher Melancia e tem um negão quase me pegando já... O que faço? -Hum... O negão é analogia com os outros pilotos... Todos querem te pegar. Corre, se a sorte acabar vão te pegar.... Cê vai ver o que acontece... Corre.

24 de out de 2010

GP da Coréia, the good, the bad and the ugly.

Parafraseando aquele personagem de um humorístico televisivo: “-Tanta producion para absolutamiente nada!”.
Foi assim que me senti ao acordar às 3h45 da matina e me postar à frente da TV para assistir a corrida coreana.
A pista é ruim? A corrida tem tudo para ser eternamente uma procissão? Não sabíamos e não saberemos até a corrida do ano que vem. A chuva não deixou que tirássemos nossas conclusões sobre a pista em ritmo de corrida. Uma pena.

As primeiras três voltas sob domínio do safety e a interrupção foi providencial para que eu cochilasse e perdesse toda a matéria de como Jenson Button é gente boa, bacana, educado e recebeu uma condecoração da rainha da Inglaterra. Puro recheio de lingüiça temporal. Tanto que vi apenas as ultimas cenas e soube no ato do que se tratava. Se houve outras coisas neste tempo eu não tenho a mínima idéia.

Então a chuva arrefece e novamente a corrida se inicia, novamente com o safety na frente.
Ouvimos vários pilotos pelo rádio e de todos apenas Lewis Hamilton pede para que seja liberada a disputa.
E quando finalmente temos liberada a corrida, correr é a única coisa que ele não faz.
Lewis deu o maior blefe do fim de semana, pediu pra correr e não correu.Logo, se há algum culpado pelo infortúnio de Webber e Vettel, e da vitória sortuda de Alonso este é: Lewis Hamilton.

O safety vai embora e os três primeiros se mandam e apenas Nico consegue subir de posição em cima de Hamilton. Azar da bichona, pois quando Webber erra, roda e acaba com a própria corrida também o leva embora.

Ainda havia um apagado e sem graça Massa, que não fez absolutamente nada durante o fim de semana e não mereceu o terceiro lugar. Pífio, e ainda tem “gente” que diz que ele voltou!
Alonso escapa por pouco da manetada do canguru, era o principio da sorte.
Alonso não tem sorte de campeão como dizem alguns, ele é o campeão da sorte.Quando a Ferrari faz a lambança com a porca cômica e o faz perder a segunda posição para o piloto mentira do fim de semana o que acontece? Hamilton faz mais uma lambança e devolve a posição humildemente ao espanhol safado que só tem o trabalho de ir abrindo em relação a ele.

A corrida seguia monótona, tirando, claro, os safetys ocasionados por verdadeiras manetadas de pilotos no pelotão intermediário e do fundão.
Parecia que a fatura já estava fechada com Vettel assumindo a ponta da tabela de classificação...
Alguém lá em cima, ou lá em baixo deve gostar muito do espanhol safado, o motor – novo- do alemãozinho pós-adolescente estoura e joga a vitória e a liderança do campeonato em seu colo.Teve méritos na vitória? Não. Puro golpe de sorte. Com os dois Red Bull na pista seria no máximo terceiro colocado, mas... Fez um bom final de semana e por isto estava no lugar certo na hora certa.
Agora é agüentar os torcedores do Alonso me enchendo o saco. Democracia é isto. Chuuuuuuuupa Groo!
Ps. Não vai ter ava(ca)liação esta semana, a chuva já avacalhou tudo.

22 de out de 2010

Na Williams, agora vai!

Frank Williams, dono, mentor, idealizador e razão de (ainda) existir a equipe Williams reúne seu staff para boas novas. Estão presentes então os mecânicos, os engenheiros incluindo Sam Micheal, o sem noção, os pilotos Rubens Barrichello e Nico Hulkemberg, os sócios Patrick Head e Toto Wolff.
-Eu chamei todo mundo aqui porque quero dizer que já tenho a solução para alguns problemas da equipe para o ano que vem
-Mas de todos os problemas, chefe? – pergunta um Barrichelo desconfiado de que possa estar com o emprego ameaçado.
-Não sei se todos, meu caro Rubens, mas ao menos alguns e em parte... – responde o chefe.
-E o que seria? Adianta para a gente ai... – Sam Michel também preocupado.
-Bem, ele vem para ajudar na parte financeira e creia, tem resolvido este tipo e coisa por onde passa.
-Seria um economista, Frank?
-Não Patrick, não é um economista.
-Então é o FHC? Diz lá no Brasil que ele é o pai do Real...
-Nunca... Desta raça ai eu quero distância! – reponde Frank sem elucidar se é de políticos em geral ou de FHC.
-Mas por quê? Ele não fez o Real? – insiste Toto.
-Até fez, mas vai que ele vem para cá e começa a querer vender a equipe a preço de banana?
-Então diz Frank, por favor, o que foi que você arrumou ai? Patrocinadores? – pergunta Patrick já nervoso.
-Um Pastor! – diz Frank causando espanto geral.

-Mas Frank? Desde quando você virou religioso? – pergunta Head.
-Então agora não vou poder mais usar os serviços do Pai Tião? – pergunta Rubens.
-Eu vou ter que pagar dizimo? – quer saber um mecânico – Porque se tiver vou pedir um aumento no salário...
-Não... Não... Eu não virei religioso, e não precisa parar de pedir conselhos pro macumbeiro, embora eu ache dispensável... E não. Não vamos ter que pagar dizimo. Este é um pastor diferente.
-Diferente como? – quer saber Rubens.
-Ele não pede dinheiro, mas dá!
-Um pastor que dá dinheiro invés de pedir?- se espanta Patrick.
-Isto... E ele já está aqui para começar a pregar... -Hermanos, vámonos a fazer uno exorcismo... – diz Pastor chegando e já colocando as mãos sobre a cabeça de Nico Hulkemberg, sob os olhos aliviados de Barrichello.
-Retirarse de este lugar que no le pertence mas!

Os presentes incrédulos não sabem se olham para a figura careca que exorciza Nico ou para Frank que ri contente.
-Frank? Onde foi que você achou este mexicano? – quis saber Wolff.
-Não é mexicano... É venezuelano, e trás com ele a grana da PDVSA
-Dinheiro do Hugo Chavez? Não é perigoso ele querer controlar a F1? Em nome do socialismo bolivariano? – pergunta o politicamente antenado Wolff.
-Mas e daí? A gente pode até levar vantagem! – responde Frank.
-Como? – quer saber Head.
-Ele socializa tudo, diz que todos são iguais (uns mais iguais que os outros) e não há mais vencedores. Se não há mais vencedores também não há mais perdedores e sendo assim pouco importa se por falta de grana nosso carro for uma droga, estaremos bem mesmo assim... Bora, vamos todos mudar nossos uniformes para camisas vermelhas e pintar o carro com as cores da bandeira da Venezuela... Vámonos hombres!

21 de out de 2010

Oye como vá, Coréia?

E a F1 segue seu caminho rumo ao Oriente a passos vigorosos. Para ser mais coeso, segue em ritmo de volta de classificação...
Malásia, Abumdabe, China, Cingapura, Bahrein e agora Coréia. Sem contar o Japão, que está no calendário há bastante tempo, mas é no oriente.... Nada contra e nem a favor. Corridas chatas tanto podem ser no Oriente, no Ocidente ou em Marte, fazer o que? Hockenhein não é agora uma pista igualzinha as orientais mais bobas?
Talvez fique aquele ranço de que pistas melhores – ou mais tradicionais – pudessem ocupar um lugar no calendário: Áustria, Imola, Zolder, qualquer coisa na França, México, Laguna Seca, Indianápolis... A lista é grande.

Mas não é assim, as pistas são estas orientais mesmo e é com elas que a gente vai tentando se divertir.
Algumas até conseguem nos divertir: Malásia é legal, Japão, claro...
Cingapura trás um visual alucinante. E só.
A pista chinesa até tem umas curvas legais, apesar de parecer – e ser – pasteurizada demais.
Abumdabe vai para sua segunda corrida, vamos ver como se sai decidindo, de verdade, o campeonato.
Já o Bahrein... Podia sumir do mapa que ninguém iria dar conta. Ô pista besta, ô porcaria... E para piorar o visual lunar é tedioso... Por conta desta pista os tradicionalistas da F1 deveriam ir às ruas com cartazes e gritos de guerra: “Morte violenta ao Herman Tilke e a quem o contrata”.

Mas o objeto desta é a Coréia, o maior ponto de interrogação da F1 desde aquele GP nos EUA, em Las Vegas no ano de 1981, que graças a Deus nunca se repetiu...
Mas dizia das dúvidas sobre esta corrida.
A primeira e, penso eu, a mais importante é se vai ter corrida.
Apesar do OK da FIA e do aparente fim das obras, parece que o asfalto pode não agüentar o tranco e se desfazer sob os pneus dos bólidos ainda nos treinos livres de sexta-feira.
Por menos que isto a corrida canadense andou sob a mira quando o asfalto se desfez em um pequeno trecho da pista em 2008, para ser mais exato no hairpin, onde a velocidade quase não existe. E a pergunta que não quer calar é: E se acontece isto em um trecho de alta?

Porém são conjecturas... De certeza mesmo só temos que o traçado é feio – parece um ovo frito – e desestimulante com aqueles retões precedidos de um montão de curvinhas de terceira marcha. Expectativas? Melhor não ter nenhuma.
Ir com o espírito desarmado para frente da TV, dizer: “Oye Como vá?” e tentar aproveitar o que vier da Coréia, mesmo que o que vier seja apenas sono...

20 de out de 2010

Contos do Le Sanatéur - O restaurante coreano - epílogo

Lá encontram Le Felipon que já não estranha a presença dos dois em canto algum.
-Mas Ron, o Coyote disse que o telefonema foi anônimo, como você diz que foi o Iriarte que ligou?
-Comissário, me diz com sinceridade... Quem mais em toda Nova York liga para uma redação de jornal e diz: “-Yo tengo una noticia muy buena para ustedes!”?
-Tem razão...
-O que temos aqui? – pergunta o repórter.
-Um sujeito morto no salão, perto do balcão de saladas... O Coyote já está fotografando.
-Eu vou ver o que ele tem lá e o que posso apurar... Aliás, o que foi que o senhor apurou?
-Nada... Tudo muito insólito, dizem os presentes que ele de repente caiu morto. Ouviram um estampido, mas não há buraco de bala no corpo do homem e nem achamos qualquer sinal de tiro nas paredes ou nos móveis do restaurante...
-Ele estava comendo o que?
-Não perguntei... Não me pareceu importante... Mas pelo que disseram é a primeira vez que aparece aqui.
Nisto chega Coyote com a maquina em punho fotografando tudo que via.
-Comissário... Como não é importante? – diz o fotografo – Olha só o cardápio! Cachorro ensopado, espeto de escorpião, guisado de cobra... O mais normal aqui é a sopa de alga marinha com acelga... Credo.
-Bem... Passarinho que come pedra... Já sabem... Eu não comeria aqui nem que fosse o único restaurante da 45... Fiquem a vontade...
-Obrigado comissário, mas acho que vamos embora também... A história não é das melhores... Acho até que foi um enfarte que matou o infeliz. – diz Ron – Vamos embora Coyote?
-Vamos, vamos... Vou aproveitar e levar este pacote fedido aqui para fora.... Vou jogar este treco fora. – diz Ron.
-Faz bem... Dá uma força pro dono da birosca, com esta agitação não deve nem ter tido tempo para jogar o lixo fora... Você joga fora e ele não leva multa da vigilância sanitária. – completa o comissário se despedindo.
Ron pega o pacote com a ponta dos dedos e cara de nojo. O cheiro exalado pelo pacote é um misto de azedo e podre. Sai em direção à porta enquanto Coyote fotografa a cena.
-Ô Coyote, faz isto não...
-E perder a chance de te ver trabalhando de verdade? E de lixeiro ainda por cima? Nunca!

Antes de chegar a porta uma senhora coreana vem correndo e com um salto digno de Jack Chan se põe entre a porta e Ron. Em um golpe ainda mais rápido a idosa apanha das mãos de Ron – espantado – o pacote.
-Mas, mas... O que a senhora vai fazer com este lixo fedido?
-Lixo nada! Cheilo luim, mas comida boa... Lalga meu almoço! – diz a sexagenária.
Coyote, que mesmo espantado não deixa de clicar a cena, olha para a velha e para o morto, tendo agora idéia do que pode ter dado cabo de sua vida.
With a little help from my friends Anselmo Coyote e Marcão do GP Séries, thank you guys!

19 de out de 2010

Contos do Le Sanatéur - O restaurante coreano - pt 1

Passava pouco do meio dia quando o telefone da redação tocou.
De Rã, agora secretário do jornal atende e faz anotações em um bloco de papel e aguarda a chegada de um dos dois principais repórteres do periódico. Ron é o primeiro a chegar.
-Ô Ron, egou um elefonema aqui... Eu anotei udo...
Ron balança a cabeça afirmativamente para dizer que entendeu, embora não tivesse entendido nada.
-Tá bom... O Coyote tá chegando.
Coyote nem bem passa o umbral da porta e já é assediado por De Rã.
-Ô Coyote, u Ron disse pr´eu entregar isto aqui pr´ocê...
Coyote também sorri sem entender nada, mas sorri e apanha o papel das mãos do cearense fanho.
-Ron, por favor, decifra aqui o que este cara escreveu...
-Puxa... Difícil! Ele escreve exatamente como fala...
-Pois é... De quem foi a idéia de contratar este cara para secretário?
-Mar Céu L´onça, seu chefe...
-Foi minha a idéia mesmo! – diz o chefe entrando na redação – É mais barato tê-lo como funcionário do que pagar as gorjetas para cada vez que ele ligava para a redação dando uma possível noticia. Sem contar que na maioria das vezes não dava em nada. Ninguém entende o que ele fala!
-Ah é... Então lê aqui o que ele escreveu... – Ron estica o braço para lhe passar a anotação.
-Putz... Que língua é esta? – pergunta o chefe.
-Cearês fanho. – Responde Coyote.
-Ele escreve como fala? – pergunta o chefe incrédulo.
-Pois é... – diz Ron.
-Eu já ouvi falar de analfabeto útil, analfabeto parcial, mas, analfabeto oral é a primeira vez... O De Rã!
-Ois ão efe!
-Ta demitido. – e sai para sua sala.
-O que oi que eu iz? – pergunta o cearense.
-A resposta meu amigo, é o que você não fez. – diz Coyote deixando De Rã ainda mais confuso.
-O primário escolar... O primário escolar...

Mais tarde, após um telefonema anônimo - feito por um conhecido gringo - os dois vão parar no único restaurante coreano da Rua 45: o Sad Dog. Enquanto Ron observava a entrada do restaurante, Coyote comenta:
- Cara, você não acha irônico ter um canil ao lado deste restaurante?
- Irônico não, mas uma grande jogada comercial sim! Esse japa pesquisou bem onde colocar o restaurante.
- Não seria coreano?
- Oriental é tudo igual...
- Ok! Vamos entrar logo.
Continua

18 de out de 2010

Glauber Rocha

João Ubaldo Ribeiro, um dos maiores escritores de nosso idioma, conheceu Glauber Rocha nas locações para filmagem do clássico “Terra em Transe”.
Tornou-se amigo do cineasta de imediato, afinal duas cabeças tão brilhantes tinham mesmo que se afinar.
Em várias entrevistas Ubaldo tece grandes elogios ao amigo, tanto na parte profissional quanto na pessoal.
-Apenas uma mania sua me era muito desagradável... – dizia o escritor – -É a maldita mania dele de coçar os quibas (saco) e limpar a mão batendo em nossas costas...

Outra história curiosa e engraçada sobre Glauber dá conta do dia em que foi apresentado à maconha. Vale lembrar que nos anos sessenta as descobertas da juventude em relação às drogas eram vista de forma diferente.
Acreditava-se que alguns tipos de entorpecentes ajudavam no processo criativo e a maconha em especial alterava a percepção fazendo com que as cabeças mais iluminadas, se expostas a seus efeitos, criassem coisas fantásticas.
Assim, segundo a lenda, Dylan teria apresentado a diamba aos Beatles para que a revolução começasse.
Da mesma forma, Luiz Carlos Barreto, o Barretão, fotografo do filme “Terra em Transe” foi o Dylan de Glauber, apresentando ao cineasta “as maravilhas da canabis”.
Tendo João Ubaldo como testemunha, lhe ofereceu o cigarro com a “alface do capeta”, pediu-lhe para que o fumasse.
Glauber pegou o cigarro, acendeu e foi fumar atrás do set de filmagem...
Barretão, ansioso, dizia a Ubaldo que achava que coisas maravilhosas sairiam da cabeça de Glauber. Que livre de certas amarras por conta da maconha, a imaginação do cineasta ganharia asas.
-Que coisas maravilhosas sairão de lá, João? Que coisas sairão?
Minutos depois Glauber volta e encontra os dois ainda no mesmo lugar.
-E ai Glauber? Como foi? – pergunta o escritor se adiantando ao fotografo.
-Rapaz... – começa ele com os olhos perdidos no horizonte.
-O que aconteceu? Fale! – apressa o fotografo que não se agüentava mais.
-Bati uma punheta...

Uma pequena homenagem a Glauber Rocha, genial cineasta baiano que a quarenta e um anos atrás em seu filme “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” já previa que um dia a briga pelo poder seria feita entre iguais, ao menos na ruindade de suas propostas, separados apenas por um singelo lenço preso a boca.

16 de out de 2010

Diabo na Sé

Se para alguém que vem de outro município a cidade de São Paulo já assusta imagine então...
Natan então perdeu-se com a altura dos prédios, que de tão altos arranhavam o céu fazendo-o pensar que Deus era ali bastante adorado com todas aquelas construções tentando chegar perto de sua morada.

E mais, ele não vira nem um que crescesse para dentro da terra e que pudesse se chamado de "arranha-inferno". Constatou que aqui tudo é muito rápido. As pessoas nas ruas, os carros e até as informações parecem conter uma pressa infinita. Ele passa despercebido de todos que correm sem prestar atenção em nada.
O que há para se ver? Por onde começar? Andando em passos lentos pela Rua Quinze de Novembro, Natan vê uma aglomeração em forma de roda que tem em seu centro uma dupla de artistas. A platéia recém formada ria com as brincadeiras dos "cantadores de coco".
Chega então mais perto e põe-se a prestar atenção.

Os dois artistas/cantadores são nordestinos que apoiados em seus pandeiros cantam rimas improvisadas sobre qualquer assunto que lhes ocorrer no momento, incluindo ai uma dose cavalar de esculhambação sobre a audiência que na maioria das vezes aceita tudo com muito bom humor.
- Olhe Puéta, vamo cantá agora, mas nós num vai cantá de graça, que nem relógio trabalha de graça. E nós só vai pedir um Real de cada um, que não vai deixá ninguém mais pobre.
-É verdade Cantadô, e só quem for um corno é que vai embora por causa de um Real... – e virando-se para Natan - O senhor ai tá indo pra onde, hein? Vá embora não.
Todos riem menos Natan que fica vermelho, envergonhado, mas como a maioria das "vitimas" destas brincadeiras não responde.
-Se preocupe não cidadão, ser corno não é desvantagem não homem, podia ser pior, né Puéta?
-E não é Cantadô. Ele além de ser corno podia ainda ser viado, ai não tinha jeito.
Os dois artistas concordam balançando negativamente a cabeça enquanto mais risos ecoam:
-Pois então vamo cantá, pra quem deu e pra quem não deu também, né?
-Deu o que? - Pergunta afetando cara de assustado.
-Dinheiro, homem, rapaz! Mas quem quiser dar outra coisa né? Esteja à vontade.

Agora até Natan ri, e os dois começam a tocar os pandeiros e cantar uma rima de embolada combinando que um irá dizer o nome de uma fruta e o outro dirá em resposta 'eu tava comendo ela'.
-Tudo certo?
-Certo!.
-Então lá vai.
Natan observa tudo espantado, o ritmo ditado pelos pandeiros é frenético, as vozes carregadas do sotaque nordestino exalam um aroma de safadeza e a cantoria prossegue hipnotizando o publico. -Uma fruta de caju...
-Eu tava comendo ela.
-Uma fruta de abacate...
-Eu tava comendo ela.
-Uma fruta de caqui...
-Eu tava comendo ela.
-Uma fruta de jaca...
-Eu tava comendo ela.
-Eu vi sua irmã pelada...
-Eu tava comendo... Êêêêêêhhhh! Isso não seu pilantra...
A cantoria para e muitos risos explodem no ar.

-Eu? Pilantra? Eu sô é Cantadô!.
-É Cantadô? Mas já vem com putaria...
-Putaria não sinhô!
-Vem falar de minha irmã, vá falar de sua família, aquela mundiça.
-De minha família também não, oxe, falo então desse cidadão aqui. - e aponta o pandeiro para Natan, que neste momento para de rir.
-Mas ele de novo?
-É... É gente boa, gente fina e educada, e ainda vai me dar um Real.
Mesmo tendo chegado a pouco nesta terra, entende que 'Real' é a moeda corrente e num passe de magia - ou ato de bruxaria - enfiando a mão no bolso, tira uma nota e põe no pandeiro do artista que agradeceu.
-Visse Puéta, esse cidadão aqui com cara de bode...
-Corno?
-Corno! Mas me deu um Real não vai lhe fazê falta. - e virando-se para Natan - Vai?
Este confirma com um gesto negativo de cabeça e o artista então devolve:
-Então me dê outro ai, que é pr'eu dar pro Puéta ali, meu parceiro.
Os risos tomam conta de novo da cena e Natan vê uma chance de ir embora e deixar de ser motivo de riso, afinal chegou neste lugar a pouco e já foi transformado em palhaço.
Por precaução nem olha para traz enquanto os pandeiros recomeçam a batucada.Ele sobe a Rua Quinze de Novembro em direção a Praça da Sé pensando que ele até pode ter vindo do inferno, mas chegou num lugar quase tão caótico.

14 de out de 2010

Teu passado te condena...

Após o ultimo fiasco na corrida japonesa, o piloto brasileiro Felipe Massa retorna ao Brasil com a recomendação de Luca di Montezemolo para que procure ajuda.
-Que tipo de ajuda, signore? – quer saber.
-Qualquer uma cáspita! Procure um padre, um pastore, um guru, um pai de santo... Isto! Procure Pai Tião, tenho boas lembranças dele...
-Não... Da última vez que um piloto o procurou os resultados não foram muito bons...
-Deixa ver se adivinho... Era piloto brasileiro com carreira depois de Senna, certo?
-Sim... Mas...
-Nada de “mas”, nem Jesus daria jeito na carreira dos que vieram depois do Senna, capiche? Se non quer procurar il padre de santo, non procura, ma se vira. E acabe com questa má fase.

Atordoado e confuso Massa vem no avião pensando no que fazer. Não irá procurar pai de santo nem padre, porque como se sabe o Papa é alemão e a igreja deve estar do lado do Schumacher, se bem que o velho alemão não tem dado sorte. Ou então está do lado dos Nicos, ou do Sutil...
Até diz isto a Luca Digrassi, que também teve um fim de semana para esquecer, e ouve dele a resposta:
-Acho que não... A igreja não apóia o trabalho de idosos, nem apóia quem os maltrata como o Hulke vem fazendo com o Rubinho e não tolera homossexualismo...
-Então o que você sugere Lucas?
-Que tal terapia de regressão?
-Como é isto?
-Um psicólogo te hipnotiza e faz você voltar em suas vidas passadas...
-Mas eu quero ajuda para o futuro!
-Relaxa, achando o que tá errado no teu passado você pode ter a ajuda para consertar o futuro.

Convencido de que talvez seja uma boa, Felipe desembarca em São Paulo e começa a pesquisar sobre este tipo de serviço. Encontra um especialista no bairro do Brás: Doutor Anastásio.
Marca uma hora e não se atrasa.

-Bem, vou te hipnotizar e não se preocupe... Não dói. E você vai começar a contar coisas... Eu vou gravando e depois te mostro o resultado.
-Ok...
Então o doutor começa uma fala mansa levando o piloto a relaxar e por fim entra em transe.
-Onde você está Felipe? – pergunta ele.
-Estou em uma tenda... Um negócio esquisito... Meu cabelo é comprido e eu uso uma roupa esquisita. Meio fedida. Meu rosto está pintado e eu uso um cocar longo com várias penas...
-Você é o que exatamente? -Sou um índio Sioux norte americano.
-Que interessante... E tem alguma idéia de onde está?
-No deserto, em algum lugar no Texas... E estamos nos preparando para a guerra.
-Guerra?
-Sim, acho que sim... Ou seria uma briga contra cowboys desbravadores?
-Eu não sei... Pergunta para alguém ai.
-Não é o exercito, são apenas cowboys e eles estão atirando... Um deles tem uma sobrancelha enorme e grandes bochechas...
-Não seriam “sobrancelhas”? No plural?
-Não é uma só mesmo... Que toma conta do rosto todo... O safado atira nos próprios companheiros para poder matar mais índios... Engraçado.
-O que? Te acertou? -Sim... Mas curioso é que eu já sabia que isto ia acontecer.
-Sério?
-Sim... E os outros índios todos aqui tão dizendo a mesma coisa... Que já ia acontecer.
-Eu vou te acordar quando estalar o dedo... Um. Dois e pronto.

Massa acorda do transe e logo pergunta.
-E ai... O que tem no meu passado que está atrapalhando meu presente?
-Bom... Você foi índio norte americano na época da colonização...
-E daí?
-E daí que é previsível, né?
-Previsível o que?
-Veja bem... Quando tem índio em filme americano sobre a colonização o que acontece com ele?
-Se ferra, morre...
-É o que aconteceu com você... E é o que está acontecendo agora.
-Agora?
-Claro, quando Alonso entrou na equipe você voltou a ser índio americano, todo mundo sabia que você iria se ferrar no final.

12 de out de 2010

Ava(ca)liações japonesas ma non tropo...

Agora era a hora... Se os jornais japoneses fossem tão marketeiros e marrons quanto os espanhóis não demoraria muito para Kamui Kobayashi estar pilotando uma Ferrari.
Com o espanhol deu certo.
Tanto o Ás quando o Marca tanto insistiram em que o príncipe das astúcias já era piloto rosso que nem até a equipe mafiosa acreditou. E por um caminhão de dinheiro do Santander contratou o sobrancelha bochechudo.
Não que ele não tenha méritos, e no fundo, no fundo... Ele tem a cara da equipe mesmo.
Talvez por isto eu torça tanto contra os rossos...

Agora é à hora. Felipe Massa deu um show de como ajudar a equipe nesta corrida.
Nem se lamentou do fato de sair da prova na primeira curva.
A impressão que tive foi que ao sair do carro ele procurou o pit da Ferrari e mandou uma senhora banana.
“-Ajudar o Alonso e a equipe? Tirando pontos dos adversários? Tá bom eu faço.”
E começou tirando os dele próprio.

Foi de novo a hora. O que acontece na Renault afinal de contas?
Tem sempre um piloto soltando a roda durante as corridas.
Me lembro de pelo menos duas vezes com o Alonso e agora com o Kubica.
Seria a equipe francesa o time da roda frouxa?
Teria lugar ali para Nico Rosberg?

Vettel ganhou e voltou a sorrir... Grande coisa. Queria ver sorrir quando acertou o Button ou o Webber... Ai sim.
Na vitória é fácil... Até o Kimi sorria.

Montezemolo disse que vamos nos surpreender com o Massa nas últimas corridas. Mais?
Se lembrarmos do Felipe Massa de 2008 e compararmos com o deste ano já ficamos surpresos. Nunca vi tanta apatia em uma pessoa só.
Tá certo que no lugar dele faria o mesmo, ou pior... Destruiria um carro por treino e de preferência o do Alonso...

11 de out de 2010

Gp do Japão e os monstros da previsibilidade

Agora o Japão anda em paz, mas algum tempo atrás era um tal de aparecer monstros alienígenas por lá que não era mole.
Foram: Os Incas Venuzianos (?) que tanto atazanavam a vida do National Kid.
Passando pelos monstros do Ultramen e Ultraseven.
Goldar, um impressionante robô cabeludo que virava foguete e tinha família com filho e tudo.Os monstros de poluição criados pelo maléfico Doutor Gori e seu ajudante Karas que faziam Spectreman tremer na fantasia.Sem contar os vilões que tiravam o sono do Jaspion mais recentemente.
Eles apareciam, quebravam a cidade toda, derrubam prédios, estouravam represas, sujavam tudo e apavoravam a população, que esperava resignada a aparição dos heróis para dar uma lição nos monstros.
Legal que as lutas eram sempre divididas em duas partes distintas: Na primeira o monstro dava um coro no herói até este parecer que ia perder a parada, mas... Na segunda o herói renascia e devolvia a surra com juros e ainda por cima matava o monstro. A duvida era, com qual golpe ou arma o herói vai dar cabo do bicho?

De tudo isto, o que tem haver com a corrida em Suzuka deste fim de semana?
A previsibilidade.
Os monstros apareciam, faziam e aconteciam, mas previsivelmente tomariam um cacete no final.
Na corrida, desde os primeiros treinos livres até a – atrasada pela chuva – tomada oficial de tempo para formação do grid, a certeza de que a Red Bull ganharia a corrida era a mesma de que o Ultramen mataria o monstro. A duvida era: com qual carro?

No fim deu Vettel, que largou na pole, manteve a ponta e lá seguiu até o fim, só largando o osso para a troca de pneus. Webber que foi ultrapassado por Kubica e sua Renault que – não pela primeira vez, com Alonso quando corria lá, já aconteceram outras duas vezes que eu me lembro – simplesmente ficou sem uma roda e abandonou a corrida. Renault roda frouxa... A largada esquisitíssima mandou a corrida de Vitaly Petrov para o espaço ao tropeçar em Nico Hulkemberg, o Nico hétero... Pouco mais a frente foi a vez de Felipe Massa ser espremido na grama por Nico Rosberg, o Nico biba e atravessar a pista tirando Liuzzi da corrida.

Daí para frente era só esperar o herói matar o monstro e ir dormir.
Porém, vamos ser honestos, mesmo nos seriados mais trash tinha sempre um ou outro personagem secundário que ganhava a atenção da gente e preenchia o espaço entre a farra do monstro e a redenção do herói.
Se fizermos um paralelo com a corrida temos Kamui Kobayashi que mostrou que a empolgação em torno de sua permanência na F1 após os pequenos shows do ano passado não eram exagero.
Dêem um carro realmente competitivo para o cara e ele sai de coadjuvante para alter ego do herói. Ele vira o Ultramen, o Ultraseven e todos os outros juntos.
Ai então... Tremei monstros da previsibilidade...

Por fim, já é o segundo ano seguido em que a corrida japonesa causa mais expectativa do que realmente trás em emoção. Em um ano que até Singapura fez uma corrida emocionante era de se esperar que Suzuka fosse muito melhor do que foi.
Será que apesar da beleza e dificuldade do traçado, a pista está ultrapassada?

8 de out de 2010

Para começar a falar de Japão

A banda já estava estabelecida como um dos grandes nomes do hard rock/heavy metal na Inglaterra, com boas doses de reconhecimento também nos EUA, mas ainda faltava algo: a terra do sol nascente. Não se pode afirmar, mas parece que toda banda de rock só se sente realmente grande após tocar - e enlouquecer – os fãs do outro lado do planeta.
E assim, naquele longínquo 1972, mais precisamente no mês de agosto, o Deep Purple desembarcava pela primeira vez por lá, para uma série de quatro apresentaçoes em Tókio e Osaka. Duas em cada cidade.

Pela manhã do dia quinze a banda recebe no hotel alguns executivos da filial japonesa de sua gravadora que fazem um pedido até certo ponto simples: gravar as apresentações e lança-las em disco para os fãs locais.

Porém quando se tratava de Deep Purple e principalmente de sua prima dona guitarrista Ricthie Blackmore, nada era tão simples.
Em entrevista para o documentário Come Hell or High Water, Ian Gillan chega a dizer que Blackmore é tão insuportável que nem seu próprio cachorro gostava dele...
E sendo assim começam as implicações para que os shows sejam gravados.
Ritchie alega que um produto apenas para o Japão fomentaria a pirataria na Europa e na América.
A gravadora promete que dependendo da vendagem do disco, o lançaria também nestes mercados e conseguiu a aprovação do restante do grupo. Blackmore, porém, fez outra exigência: impõe que Martin Birch (hoje famoso produtor de bandas heavy, entre elas o Iron Maiden) fosse o coordenador da gravação.
Imposição aceita e parece que tudo está finalmente certo.
Tudo? Não... Primeiro um dos tambores da bateria de Ian Paice é destruído pelo caminhão de equipamento. Outro parecido mais próximo estava nos EUA.
A Ludwig, fabricante dos kits de bateria da qual era endorser, se prontificou a mandar outro de forma urgente e inacreditavelmente mandou!
Então é a vez do vocalista Ian Gillan fazer sua reclamação sobre a tal gravação.
Reclamação um tanto justa, diga-se.
Devido ao ritimo intenso de trabalho da banda, quase sem férias, sua garganta estava combalida e sofrendo de uma inflamação.
Faria os shows, mas não queria a gravação do disco por medo de não conseguir cantar bem o suficiente.
O bombeiro deste incêndio foi um improvável Ritchie Blackmore que surgiu com a fantástica idéia de que tocassem simplesmente o mais alto que pudessem, cobrindo assim algumas partes dos vocais de Gillan, que surpreendentemente aceitou!
E antes que tudo fosse dado como certo, Jon Lord resolveu fazer também sua exigência: nada de overdubs! Adição de partes ou correções na fita original, tudo tinha que sair conforme fosse gravado. Desesperada a gravadora deu seu OK e lá foram eles para shows em Osaka nos dias 15 e 16, e em Tókio nos dias 17 e 18.

Dos shows dos três primeiros dias surge um dos mais poderosos e impressionantes discos de rock de todos os tempos. Made in Japan trás a banda cuspindo fogo e tocando como nunca, apesar dos pesares. Até a garganta de Gillan ganha uma sobrevida e solta suas melhores notas.
Cada faixa do disco é um monolito sólido e com vida própria.
De Highway Star, que abre o disco com sua introdução nervosa que vai juntando instrumento por instrumento até explodir em cores e texturas de música clássica à serviço do rock pesado,


até Space Trukin com seus vinte e tantos minutos de duração, o ouvinte é envolvido por uma massa sonora bem definida, com cada instrumento conduzindo à um coletivo fantástico.
O próprio Paice disse em 1998 que aqueles números nunca foram tão bem executados, nem antes e nem depois de Made in Japan.
Que, aliás, virou clássico e foi vendido como água no deserto tanto no país de origem quanto nos mercados europeu e americano.

Eis minha sugestão para abrir os trabalhos para o GP do Japão de F1.

7 de out de 2010

Estilo Tiririca de ser

Ao obter o expressivo numero de um milhão, oitocentos e trinta mil votos, o palhaço – no bom sentido – Tiririca ganhou não apenas a vaga no Congresso Nacional ao lado de outros palhaços – no mau sentido. Ganhou também o status de segundo deputado mais bem votado da história, atrás apenas do finado Enéas “ejaculação precoce” Carneiro e, mais importante, o posto de palhaço mais amado do país. Tirando o trono de Bozo, Carequinha, Atchin, Espirro e do Mural de Brusque...
Não tente ver no fato um voto de protesto, que de protesto não tem nada. O brasileiro, com sua verve gaiata, metido a chipertu, adora um xiste, ainda que a vítima no final seja ele próprio. Assim já votou em Clodovil, Aguinaldo Timóteo, Macaco Tião e em um tempo mais remoto o rinoceronte Cacareco...
Com estes tipos geralmente quem perde é o país, que tem em suas casas legislativas gente capaz de fazer o que delas se espera, porém no caso do simpático cearense circense acabou ganhando algo. Não que seja bom isto, mas ganhou:
O estilo Tiririca de ser..
Claro,vamos ter que esperar a diplomação do homem para ver o efeito ganhar as ruas de vez, porque só assim teremos certeza de que deu certo.
Porém alguns resquícios de que há gente que aposta no estilo Tiririca para vencer na vida começam a aparecer aqui e acolá.

Na música vemos o fenômeno aparecer com força total e em sua parcela mais significativa: os adolescentes.
Sabe-se que se produz mais massificadamente musica para adolescentes. Seja rock, pagodinho mauricinho, sertanejo dito universitário, mas mais para universotário.
E se observar lá estão as calças coloridas, as camisas ridículas e a falta de conteúdo...Também na F1 o fenômeno, coloque o chapeuzinho ridículo e o bigodinho safado em Nico Rosberg e veja se ele não fica a cara do nobre deputado eleito?
Fica até com cara de macho, coisa que todo mundo - menos o povo do Mural de Brusque – achava impossível de acontecer...
Felipe Massa também!
Massa, aliás, já até correu com um macacão tiririca... Deus nos permita que não apareça nenhuma outra “novidade” destas nas próximas eleições, porque com o andar da carruagem pode a coisa ser bem pior que um palhaço... Bem pior...

E está no ar a edição pré Suzuka da Rádio OnBoard!
Fábio Campos, Felipe Maciel e eu discutimos bastante tudo que envolve a expectativa da corrida.
Neste link aqui: Brusque é a nova Campinas ou Pelotas...

5 de out de 2010

Carta aberta ao povo paulista

São Paulo é um estado surpreendente, tanto nos números quanto em sua incoerência.
Ambos são gigantes, abissais, colossais.
Caminhe pelas ruas da capital paulistana e pergunte:
-Você esta contente com a saúde no estado?
A resposta será um redondo não...
-Moço... Não tem médico, não tem leito... A gente fica nas filas, os doentes no corredor...
Caminhe mais um pouco, pelo ABCD, pelo interior ou até mesmo pelo litoral e inquira os passantes:
-E a segurança?
O povo dirá que não tem nenhuma...
Os especialistas dirão que a policia - tanto civil -quanto militar é mal aparelhada, mal treinada, mal paga (e muito mal paga) e por isto mesmo é das mais corruptas e violentas do país.
Continue caminhando... E a educação?
-Ai moço... Conheço gente que saiu do colégio publico no terceiro ano do colegial e não sabe nem interpretar um texto! O senhor acredita?
O pior que eu acredito... Conheço o sistema por dentro. Não se pode reprovar aluno para não cair o índice de aproveitamento escolar e assim não ter diminuição de uma verba chamada convenientemente de bônus...
E experimente perguntar de quem é a culpa disto tudo.

A resposta vai ser unânime...
-Do governo estadual! – é capaz até que digam em coro...
Só que, curiosamente, o governo estadual é exercido há dezesseis anos pelo mesmo partido, e - com raríssimas exceções de governos temporões em períodos pré-eleitorais e com reeleição a vista – pelos mesmos nomes.
Mario Covas é o primeiro, se reelege e vem a falecer deixando a vaga para Alkimim, que logo depois se elege por conta própria.
Então assume Serra que só larga o osso para concorrer a Presidência da Republica.
E agora quem é eleito para mais um mandato? Ele mesmo... Alkimim.
Completar-se-á vinte anos de governo psdbista quando ele terminar este mandato, podendo até se candidatar-se a mais um.
Logo não existe a mínima chance de mudança nas políticas de segurança, educação, saúde e nem na área social, já que diz o velho ditado que “em time que esta ganhando...”.

Mas eu pergunto, embora tenha certeza de que não vá obter resposta.
E de quem é a culpa disto tudo?
Portanto, cidadão paulista, eleitor paulista... Não reclame, a ferramenta para mudar sempre esteve em suas mãos. Se não sabe usar, aprenda.
Ou fuja para Paris, Roma, Singapura, só não reclame, pois a obra é toda sua...

4 de out de 2010

-Não... Não dá... Eu não posso mais. Não dá!
-Mas amor... Só por este detalhe? Que besteira... E o que sentíamos um pelo outro?
-Infelizmente... Acaba. Afinal tudo vem do respeito. E deste jeito não posso respeitar você!
-Por um detalhe tão pequeno?
-Todo detalhe é pequeno, se não fosse não seria detalhe...
-Tá... Tá... Mas até agora cê não sabia dele, e me amava... Em cinco minutos... Não pode.
-Pode. Claro que pode... Cê sabe bem... Odeio latinidade...
-Mas eu não sou assim... E se minha mãe não tivesse te contado, até agora cê não saberia...
-Mas contou... Aliás, você devia saber que eu agiria assim, já que me escondeu.
-Olha... Assim não dá... Eu sou o mesmo Henrique de sempre...
-Não é não.
-Sou sim...
-Não é não... Agora você é o Wilson Henrique... E isto faz diferença.
-Eu ainda troco este nome...
-Agora é tarde... Toda vez que eu ouvir seu nome eu vou lembrar: “-Quizás, quizás, quizás...”.
-Então... Não posso editar teu livro...
-Mas por quê? Tá mal escrito?
-Não, não... Longe disto... Tá muito bem amarrado...
-Então é meu nome artístico? Xavier Stronzo é ruim?
-Bom, não é... Mas tem coisa pior... Paulo Coelho, por exemplo...
-Mas ele vende muito...
-E o nome é ruim... Logo você pode se chamar Xavier Stronzo que tudo bem...
-Mas então por quê? Diz... Me dá um motivo.
-Bom... Sejamos francos... Apesar de bem escrito, parece que você não conhece bem o local onde ambientou a história.
-Bem, eu vi na internet... Estudei um pouco. Não é crime ambientar uma história em outro país. É?
-Não.. Não... É que... Isto acabou comprometendo o fim da história. O vilão...
-Ele não é mal o suficiente?
-Sim... Mas... A punição...
-Ah... Mas é o conceito da punição total... Ninguém pode dizer que ele não foi punido severamente sendo mastigado daquela forma pelo tubarão...
-Claro, claro... Mas no Texas?
-Você vai pro inferno!
-Ah não vou... Tenho certeza disto... O inferno nem existe!
-Ai é que você se engana... Meu caro.
-Me engano não... Inferno é conceito de punição, o fim da linha. Ele não existe.
-Existe!
-Existe nada... É igual ao Acre... Ninguém nunca viu!
-Então deixa eu te dar uma noticia...
-Diz...
-Sabe a rua em que moram meus pais?
-Sim...
-Oitava casa da rua?
-Sim.
-Os moradores são todos do Acre...
-Sério? Do Acre?
-É... E se tem gente do Acre é porque o Acre existe...
-Preocupante...
-Ué?
-Claro... Se você viu gente do Acre, e isto prova que o Acre existe. E se existe o Acre que é longe pra caramba, logo verá uns capetas por ai... E isto vai provar que o inferno também existe.
-E daí?
-Daí você vai para lá...