30 de dez de 2010

Fim de ano / Ano novo - Obrigado a todos

O ano vai chegando ao fim e eis que estou aqui para deixar a todos os amigos que fiz aqui neste espaço - não vou citar nomes porque graças a Deus são muitos - os votos de um ano novo maravilhoso, com tudo que este desejo pode conter: Paz, felicidade, prosperidade, harmonia, saúde...
E que venham também os problemas, por que não? O que seria da vida sem os desafios? São eles que nos movem.
É utopia pensar que em um ano inteiro não iremos ter nenhum percalço, mas que também venha junto sabedoria para sobrepujá-los e, novamente - no fim do ano - rir deles como se nada fossem.
Agora tiro uns dias de sossego, até o dia 3, pelo menos... Mas deixo aqui – como atestado da preguiça que o fim de ano sempre nos dá (hehehe) um conto publicado originalmente em 2008 e que fala das promessas de fim de ano que algumas pessoas sempre fazem, mas cumprir que é bom... Volto em 2011 e prometo que não mudo muita coisa por aqui. Se isto é bom ou ruim, vocês decidem.
Um FELIZ ANO NOVO a todos os meus amigos e leitores e como presente, ao fim do texto (e fora do contexto) o melhor clipe brasileiro do ano de 2010.
Saúde!

Sentados a uma mesa em um clube de jazz enfumaçado como se deve e com uma garrafa de uísque já pela metade um grupo conversava animadamente.
-Foi um ano bom!
-Sim foi. Não há duvidas.
-Mas e as promessas de fim de ano? As que fizemos no fim do ano passado? Alguém cumpriu?
-Eu cumpri em grande parte. Mas no fundo não me lembro da metade. Estava bêbado.
-Todos nós estávamos! Você até prometeu emagrecer...
-Prometi é?
-Hu-hum – fazem todos à mesa.
-Bem esta então eu não consegui... Mas também não fiquei careca, e isto eu me lembro que prometi.
-É prometer, prometeu, mas a gente sabe que não foi por vontade sua...
-Como não? E a quantidade enorme de xampus, cremes e coisas que fiz no cabelo este ano?
-É verdade. A gente até já estava te chamando de metro sexual...
-Metro sexual?
-É. Os mais bonzinhos... Os maldosos estavam te chamando de viado mesmo...
-Alguns até apontaram semelhanças entre você e o Nico Rosberg...
-Nico Rosberg? Pqp!
-Disseram também que você desenhava as sobrancelhas iguais ao Alonso.
-Ai não, olha o respeito... Mas e vocês? Cumpriram?
-Eu não... Não parei de fumar.
-E eu não parei de beber...
-E eu não deixei de ser um romântico incorrigível.
-Mas nunca coisa a gente concorda, foi ótimo acabarem com o trema!
-ÉÉÉÉÉÉÉÉ, se ferraram os dois pontinhos em cima do 'u'. - grita alguém.
-Eles eram iguais ao Button! - grita outro.
-Como assim? - alguém quis saber.
-Ninguém ligava pra eles mesmo!
-ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ - voltaram a gritar e então o relógio marcou meia noite...

Pois é... Cada um com seus defeitos e virtudes, cada qual do jeito que a vida fez. Que no ano que vêm estejamos todos juntos de novo. Para o bem, já que o mal a gente espera que não dê o ar da graça. E que além do fio condutor que nos liga a F1, mais afinidades surjam, sempre.
Com os que já tenho estes outros laços de amizade, que se prolonguem e se fortaleçam.
E como termina a história acima? Ora, por mais que eu goste de jazz e de clubes de jazz eles não são um bom lugar para romper o ano novo.
Todos eles: o gordinho; o fumante; o bebedor; o romântico e o viad... Digo... Metro sexual foram apreciar a queima de fogos e os shows na Avenida Paulista.
Abraçando a todos os conhecidos e desconhecidos que passavam em seu caminho. Como tem de ser nesta noite!

28 de dez de 2010

Voa?

-Tio, me ajuda com uma coisa?
-O que cê precisa?
-Eu quero escrever um e-mail. -Te ajudo sim... Mas, quer que eu escreva o e-mail pra você?
-É!
-Pra quem é?
-Pro Luan Santana.
-Quem?
-O Luan Santana, tio... O cantor que eu mais gosto!
-Mas não era do Reestart que você gostava?
-Era... Mas aquilo é muito ruim... Coisa de criança.
-Ah, e você com seus onze anos é muito adulta, né?
-Vai me ajudar ou não?
-E por que você mesmo não escreve?
-Quero que fique bom.
-Tá... O que quer que eu escreva?
-É assim... Tem uma promoção que pede para gente dizer no e-mail o que mais impressiona no show dele... Quem escrever o melhor texto ganha um dia junto com o Luan e ainda vai ver o show do palco! Não é o máximo?
-Bem... Pra quem gosta... Mas como posso te ajudar? Nunca vi este cara. Nem sei quem é.
-Eu mostro. O you tube tá cheio.
-Mas não devia ser o que você sente?
-Ah, tio... Mas eu sou fã... Vou escrever como fã e vai ficar igual a todas as outras fãs que entrarem na promoção, tipo: te acho lindo, você é demais, sua música é maravilhosa... E eu não quero isto. Então to pedindo sua ajuda, que tem outra visão e pode escrever algo diferente. Assim eu acho que tenho mais chance.
-Tá bom... Me mostra o vídeo do cara então...

A menina se senta em frente ao computador e com dois cliques já apresenta ao tio um vídeo em que o cantor voa sob a platéia pendurado em fios.
Ele nem presta atenção na música, horrorizado com a baixa qualidade artística da coisa.

-E ai tio, gostou?
-Precisa responder?
-Não precisa... Mas vai fazer?
-Vou...
-Tá, então vou abrir o e-mail, por o endereço pra onde vai e você escreve direto lá tá? Quando terminar pode enviar. Eu vou sair com a tia para ir ao mercado.
-Tá bom...

Então ele senta-se frente ao teclado e começa a redigir o e-mail.-Caro Luan Santana, ao ver seu vídeo – aquele em que você sobrevoa a platéia – fiquei impressionadíssimo. Nunca tinha visto nada parecido e o que mais me impressionou foi a quebra de paradigmas inserida na cena, afinal foi a primeira vez que vi um viado voar...

Até agora a menina não recebeu resposta....

24 de dez de 2010

Conto de natal - Desejos são desejos...

Sempre que ia passear na região do Parque Dom Pedro, em São Paulo, ficava encantado com os armazéns importadores de secos e molhados. Desde muito pequeno.
Os aromas, a variedade de produtos como azeitonas, azeites, vinhos, vinagres, queijos e principalmente: mortadelas.
Mas não de uma forma comum, encantavam mais pelo fato de estarem dependuradas no teto.
Passava por baixo das “bexigas” de mortadelas e peças de queijo provolone enormes sustentadas apenas por um cordãozinho. Porém o sentimento que tinha não era de medo. Não temia que uma das peças despencasse lá de cima e acertasse sua cabeça, mas um troço confuso. Queria agarrar uma das peças e arrancá-la. Sair correndo do armazém com a mortadela nas costas.
Óbvio que não precisava disto, nunca precisou.
Se pedisse quando criança, provavelmente, seu pai teria comprado uma delas e lhe daria de presente. Um presente não convencional, mas um presente.
E agora, depois de crescido, já formado e muito bem empregado, uma peça de mortadela que custa noventa reais não lhe seria problema comprar. O que queria era realizar aquele sonho louco de infância que nunca contou a ninguém.

Naquele natal teve a idéia que alguns chamarão de brilhante, outros de “coisa de jerico”: iria até um dos armazéns que costumava visitar quando criança e colocaria seu plano em prática.
-Boa tarde, posso ajudar?
-Pode sim, eu quero mortadela...
-Senhor, desculpe... Não vendemos fatiados.
-Não, não... Eu quero uma peça inteira.
-Ah sim... E qual?
-Pode ser desta aqui... – aponta com os dedos.
-Bologna ouro defumada... É uma ótima escolha... Vou pegar a faca para tirar ela daí.
-Olha não... Desculpa, mas eu quero arrancar do cordãozinho, e sair da loja com ela sem embrulhar.
-O senhor quer roubar a mortadela? É isto?
-Não... Eu vou pagar... Aliás, quanto custa?
-A peça toda? Noventa e seis reais... É um produto importado da Itália.
-Que bom... Que bom... Então... Eu vou pagar, mas quero eu mesmo arrancar ela daí e sair com a peça sem embrulhar.
-O freguês é quem manda.
-Aceita cartão?
-Claro, claro... Crédito ou débito?
-Débito. Aqui está.
O funcionário do armazém faz a operação e com um sorriso lhe aponta a peça de mortadela que agora pertence ao freguês.
-Só mais uma coisa... O senhor pode fingir que está distraído?
-Como?
-Fingir que está distraído... Assim, sei lá... De costas, olhando para a janela...
-Bem... Tá certo. Já começamos com a loucura, vamos até o final, não é?
Vira e se ocupa com a limpeza das garrafas de azeite extra-virgem em uma bancada mais afastada, mas não sem, de vez em quando, dar uma olhada no maluco.
Maluco, aliás, que tentava de todas as formas arrancar a mortadela de seu cordão sem sucesso. Puxava com calma, depois nervosamente, com fortes trancos e chegou até mesmo a se dependurar nela.
Mas nada... Continuava presa a seu forte barbante e pendurada ao teto.

-O senhor quer uma ajuda?
-Acho que vou precisar. Do que são feitos estes cordões? Aço?
-Não, não... Acho que é de algodão cru, mas não sei...
O homem estava abraçado à mortadela como um goleiro que encaixa uma bola.
-O que pode fazer?
-Bom, posso pegar uma faca e dar um talho no cordão. Não cortar ele todo, mas dar um trisco nele, assim acho que fica mais fácil de sair se o senhor puxar com força.
-Tá! Eu aceito.
E o funcionário pega sua faca e dá um pequeno corte no fio. O homem então põe as mãos na mortadela e ameaça puxar, mas se detém.
-O que foi? Tem que cortar mais?
-Não, acho que não... Mas... Queira se distrair por favor? – diz ele com um sorriso.
-Ah... Tá... Tá... Tenha um feliz natal e um próspero ano novo. – e se vira para continuar limpando as garrafas.
O homem se agarra à peça e força com seu peso todo para baixo, chegando mesmo a tirar os pés do chão e ficar dependurado junto com a mortadela até que por fim o cordão cede e o homem cai sentado no chão. Mas com a mortadela junto ao peito.
Então se levanta, desajeitado e dolorido, abraçado à peça e sai da loja como se fugisse.
Do outro lado do balcão o atendente sorri pensando que um dia morre, mas não vê tudo.

Ao chegar a seu carro, um bonito sedan importado, abre o porta malas e joga lá dentro sua aquisição. Seu presente de natal para si próprio.
Entra no carro onde lhe espera sua esposa e lha dá um grande abraço e um beijo.
-Amor, cê demorou... Todo este tempo para escolher uma mortadela?
-É que são tantas! – e sorri satisfeito.
-E que horror... Você esta cheirando a mortadela! Como foi que escolheu? Abraçando?
Ele não responde. Apenas sorri enquanto vai acelerando o carro pela Avenida. Senador Queiroz enfeitada para homenagear o bom velhinho.

À todos os amigos e leitores um Feliz Natal e toda a paz daquele a quem o natal é dedicado.
São os meus votos e de toda a família Groo.

22 de dez de 2010

F1 Popular

Noticias Populares, o popular NP, foi um jornal super-ultra-mega sensacionalista que circulou em São Paulo de 1963 até janeiro de 2001. Sua linha editorial era pautada no trinômio: sexo, violência e crime.
Diz a lenda que se o jornal fosse torcido assim que comprado em banca, pingava sangue.
A linguagem era popularesca e a mais direta possível.
Não raro encontrávamos em seus textos nomes no aumentativo dos personagens da reportagem. Quando não, apelidos.
Um clássico exemplo foi a cobertura – que durou semanas – do nascimento do “bebê diabo” em São Paulo. Durante o período em que a história ganhou a capa do diário o médico que fez o parto foi passando de – não me lembro o nome correto – Dr. Jorge, depois Jorge; Dr. Jorjão e por último Jorge do Capeta...

Este post – menos que uma homenagem – é uma tentativa de emular o que fazia o jornal ao abrir manchetes dar notícias, porém tendo como pano de fundo a F1... E claro, fica como homenagem também.

F1 Popular. “Di Grassi não é mais virgin”.
Lucão não conseguiu os resultados e agora D´ambrosio vai ser parceiro do Timo Glock.

“Monte diz: -Do jeito que tá, fica”.
O chefão da Ferrari diz que não vai fazer mudanças na direção da equipe. Montão está contente com os funcionários, mas advertiu: “-Quando forem fazer burradas, façam direito, afinal a gente roubou e ainda conseguiu perder...”.

“Nico afirma: -No Brawn eu vou de ré sem medo!”
O dublê de piloto e esquisito Nico Rosberg disse que confia em Ross Brawn quanto à evolução da Mercedes.
“-Ross é um fofo!” – teria dito o alegre rapaz.

“Ele não desiste! Pela milésima vez Barrica diz que acredita no título”.
Com a grana que o Pastor (Maldonado – piloto que aluga cadeira na Williams) vai trazer à equipe, Rubens Barrichello acredita que equipe poderá evoluir o carro a ponto de brigar pelo título de pilotos.
“-Ele só esqueceu que a grana do venezuelano não serve pra evoluir piloto, né?” – disse um popular blogueiro.

20 de dez de 2010

Entrevista com o viad... Digo... Luca Di Montezemolo

Um homem, um mito, uma força acima do bem e do mal...
Todas estas apresentações já foram usadas para descrever Luca Di Montezemolo, eu prefiro velho safado mauricinho e como ele não vai ler esta entrevista mesmo, é esta que vai ficar.
Luca Di Montezemolo: -Você é il Fabio Campos?
Ron Groo: -Não, eu sou o Ron Groo...
LDM: -Você escreve no Blogf-1 ou no Ultrapassagem?
RG: -Não, eu sou do Blig Groo, conhece?
LDM: Io no leio questas porcherias... Só os dois que falei.
RG: -Pera ai porra... Eu que entrevisto!
LDM: -Si, si... A delante. Non vai ficar bom, mas se você quer assim...

RG: -Como você reage aos comentários de que comanda uma máfia...
LDM: -Io no comando! Apenas sugiro.
RG: -Sei, sei... E ai de quem não acatar a sugestão, né?
LDM: -Manda quem pode, obedece... Bem...

RG: -Os novos rumos que a FIA quer dar a categoria fala em motores turbo para diminuir a emissão de poluentes e fazer da F1 uma categoria mais verde. O senhor é contra. Por quê?
LDM: -Porque io no gosto de verde, só de rosso.
RG: -Ah sei... O dólar não é vermelho...
LDM: -Mas a nota de quinhentos Euros é...

RG: -O senhor fala em um terceiro carro para as equipes quando todo mundo quer cortar custos e gastos, por quê? LDM: -Mas il terceiro carro não vai só gerar custo... As equipes podem alugar a vaga.
RG: -Mas não é ruim para a categoria? Afinal a fama é de que a F1 tem sempre os melhores pilotos e os pagantes não costumam ser lá estas coisas...
LDM: -Ma che! Já alugam vagas só com dois carros...
RG: -Não... Só as pequenas...
LDM: -Vou falar isto para o Frank Williams... Mas io no falei que quero para todas as equipes, io quero para a Ferrari.
RG: -Mas ai não iria ficar difícil?
LDM: -Difícil? Ma che?
RG: -Pedir para dois encostarem para o Alonso poder passar...
LDM: -Ah... Mas agora pode... Nostro bambini autorizou.

RG: -E no caso de haver mesmo um terceiro carro? Já pensou em quem poderia pilotar?
LDM: -Io no sei... Queria alguém que tivesse vontade de ganhar custe o que custar.
RG: -Como assim?
LDM: -Um cara que não tivesse escrúpulos, para quem só a vitória vale e não importa como fazer para vencer.
RG: -Vai ficar difícil... Alonso só tem um, graças a Deus...
LDM: -Verdade... Você sugeriria alguém?
RG: -Pode pegar qualquer um no congresso brasileiro....
LDM: -E eles são bons pilotos?
RG: -Não, mas são todos tão safados quanto o Alonso...

RG: -Uma pergunta que veio do Fábio Andrade...
LDM: -Fábio Campos?
RG: -Não... Andrade. Do Blogf-1. LDM: -Bom blog...
RG: -É... Ele pergunta por que o senhor contratou um cara que estava envolvido naquele caso de espionagem contra sua equipe?
LDM: -Io no contratei Stpney!
RG: -O Alonso...
LDM: -Ele non sabia de nada...
RG: -Ele nunca sabe.
LDM: -Il presidente de seu país também não e você gosta dele... Mas esta pergunta veio mesmo do Andrade?
RG: -Veio sim...
LDM: -Farabuto! – e virando o rosto – Guido, procura ai o tal Andrade e tem uma conversinha com ele...

RG: -O senhor quer deixar alguma mensagem para os brasileiros?
LDM: -Sim...
RG: -Então pode falar... LDM: -Bom era quando vocês tinham piloto na F1...
RG: -Epa! Mas nós ainda temos... Barrichello, Massa...
LDM: -Fala sério... Other countries are faster than you...

17 de dez de 2010

Noel, cem anos

Esta semana, por pura falta de sensibilidade deste que escreve, passou em branco o centenário de um gigante da nossa cultura. De um ícone, de um cânone do samba.
Precursor do que hoje chamamos de MPB: Noel Rosa.Dele pode se contar varias histórias.
Desde a famosa bronca na mãe em “Com que Roupa” até a polêmica com Wilson Batista que rendeu entre outras “Feitiço da Vila”.

Boêmio inveterado gastava tudo que ganhava com bebida e mulher, por isto vivia sempre a nenhum, como se dizia na época.
Com os poucos e minguados trocados que vinham das composições e da mãe, porém um dia lhe apareceu a chance de ganhar um dinheiro um tantinho melhor: uma excursão com Francisco Alves, Mario Reis e outros grandes nomes do samba pela Argentina e Uruguai.

Chico Alves - zeloso e perfeccionista - exige que a trupe toda se apresente pelos teatros afora com smoking completo, novo e principalmente: limpo.
Noel, que pouco ligava com a própria aparência apareceu ao primeiro show com um terno tipo Summer, mas todo amarrotado e sujo.
Chico então lhe deu um dinheiro e pediu para que comprasse um smoking.
Noel gastou a grana com suas ocupações prediletas, mas não se esqueceu das ordens disfarçadas de conselho do Rei da Voz...
Pegou um garçom compatriota que trabalhava por lá e lhe passou uma lábia. Conseguiu dele uma farda completa, mas como convém a um garçom: branca.

Como era de se esperar Francisco Alves estrilou, e por pouco não partiu para cima de Noel.
Convencido pelos amigos presentes que o fato poderia até ser bom para a imagem do grupo – três de preto e um de branco – deixou o fato passar, mas fez uma ressalva: “-Pelo menos mande engraxar estes sapatos, estão horríveis!”.
E para tanto, deu mais algum dinheiro para que fosse feito.

Novamente Noel gasta o dinheiro, mas usa de sua lábia para convencer o engraxate a lhe lustrar ao menos um dos pés.
Naquela noite sobe ao palco para um numero solo e se senta com violão em punho e pernas devidamente cruzadas.
Sob a luz do palco Francisco Alves vê o cantor e compositor impecável com seu terno branco e seu sapato brilhando.
Quando desce do palco Chico vê que apenas um dos sapatos está engraxado.
Cansado ele apenas pergunta: “-Mas porque não lustrou os dois?”.
E a surpreendente resposta o desconcertou a ponto de deixar o Rei da Voz sem ação.
“-Mas para que se o pé artista é só um...”.
A benção Noel!

15 de dez de 2010

Oscar F1 2010 - Fomos sabotados....

Pois é... Nós, Felipe Maciel e eu, iríamos fazer uma grande festa para divulgar os ganhadores da votação popular do Oscar F1 2010, mas gorou...
Mesmo guardando as informações a sete chaves, a Academia foi invadida pela CIA e o FBI que pensava que fôssemos parceiros das ações do Wikileaks...
Não só invadiram a Academia como também divulgaram todas as nossas premiações com comentários jocosos... Abaixo o que foi divulgado.
Sobre o melhor curta metragem de animação:

“-Mesmo sendo uma votação popular não podemos deixar de notar algumas coisas no resultado como, por exemplo, ter apenas dois concorrentes. Por fim, a vitória de Hamilton/Button na Turquia mostra que o povo não gosta de
Barrichello nem quando ele consegue ultrapassar o alemão.”.
Sobre os efeitos visuais:

“-É possível ver que a votação que levou à vitória Mark Webber,
neste quesito se deu não porque os outros tais efeitos não fossem
suficientemente bons, perigosos ou espetaculares, mas por que este efeito foi,
sem duvida nenhuma, o melhor acontecimento deste modorrento GP da Europa. Se
fossemos da FIA, riscaríamos Valencia do mapa da F1”.

Sobre o melhor roteiro.

“-Aqui temos outra vitória do australiano Mark Webber. Também
pudera! Vamos aos fatos. Os outros indicados eram Adrian Newey, que por mais
tempo que tenha demorado em fazer novamente um carro vencedor, sabe-se que é um
gênio. E gênios tardam, mas não falham e voltar à genialidade. E Michael
Schumacher, que nunca, em tempos algum de sua carreira teve um ano tão ruim, tão
desolador, tão esquecível. Há quem diga que só deram para ele o Oscar de melhor
roteiro porque com o prêmio se reconheceria o ano ruim do alemão sete vezes
campeão e o bom ano da alemã que pilota ao lado dele na Mercedes... Maldade. A menina é tão bonita...”.
Como se vê, o FBI e a CIA não são tão inteligentes assim, afinal nem conseguiram reconhecer que o companheiro de equipe do Schumacher não é uma mulher, embora faça um esforço danado para ser... Sobre o melhor figurino.

“-Impressionante como este premio foi estranho... Um carro prata, como os
milhares, milhões de carros prata que rodam pelas ruas do Brasil é brindado com
a estatueta.
Dar a McLaren, em detrimento das pinturas lindas da Renault e
da Lotus é no mínimo um conservadorismo medonho! Mas pelo menos não deu Ferrari,
já que o time italiano pinta os carros da mesma forma desde 1900.”.

Sobre o melhor piloto coadjuvante.

“-Premio dado como consolação, embora aqueles dois malucos da academia não
admitam isto. Os indicados nunca são daqueles que ganham corridas ou brigam pelo
título, mas faz um ano bom. Este ano tinha um japonês ousado, um alemão novato,
uma menina e um velho sem noção... No fim deu Robert Kubica,
que se não ganhou nenhuma corrida ou no mínimo fez tantas ultrapassagens como o
japonês, era daqueles que sempre se achava que ia fazer chover nos treinos e
corridas. Segundo fontes que temos na Renault, era consenso na equipe que ele
estava guiando melhor que o Alonso. Se é verdade a gente não sabe, mas que é
engraçado pensar assim e divulgar isto como se fosse verdade, é...”.
Viu? De novo os caras dizem que o Nico é uma menina... Assim ainda vão convencer o cara...

Sobre o melhor grande premio.

“-Se o GP da Coréia abriu uma nova possibilidade para o fim do campeonato,
e o GP da Austrália sempre é bom e uma festa, porque deu Bélgica como melhor
corrida? Seria o mesmo conservadorismo que deu um Oscar à Mclaren este ano? Não sabemos, mas de qualquer forma foi um dos maiores acertos deste ano, já que
nada, nenhum outro circuito tem o charme e a beleza de Spa... Corrida lá
é sempre boa.”.
Note neste comentário que o pessoal da inteligência americana pode não entender de corrida, mas entende de beleza! Só faltou citar Monza. Sobre o melhor diretor.
O mais interessante nesta categoria nem foi o vencedor, que foi – com justiça – Christian Horner, da Red Bull, mas o e-mail que eles capturaram na caixa de saída de Luca di Montezemolo, chefão da máfia vermelha. Segue:
De: Ilcapodetudicapi@mafiarossa.com.it
Para: mioscapachos@ferrari.com.it
“-Ma come non deu nostro bambini Domenicali? Seus incompetentes! Non andaram a mensagem ‘Domenicali is faster than you’ para os concorrentes por quê? Caspta!”
Sobre o melhor piloto.

“-Não tinha como dar outro, tinha que ser o alemão Vettel. Sua
concorrência era desastrosa: Um espanhol mafioso, um australiano burro que
quebrou a clavícula andando de bicicleta e um inglês suspeito... Logo tinha que
dar o que é melhor e acabou sendo o campeão da temporada.


A CIA e o FBI aprontar isto com nosso Oscar nem foi espanto, pior foi o que nós, que nem somos da Wikileaks, nem conhecemos o Assange, nem nada, descobrimos na caixa de entrada dos e-mails do nosso amigo Fábio Campos, segue:

De: USAinteligence@worldisour.com
Para: camposfabio@desaparecequandoprecisamos.com.br
Sua ajuda nos foi fundamental, embora não possamos ligar Ron Groo e Felipe
Maciel nem à Wikilieaks e nem à Al Qaeda, as investigações continuam. Fique
por lá, apareça quando puder e discorde sempre deles. Mais uma vez obrigado.
Ps. As passagens para Campinas não por nossa conta, mas não vá beber a água
de lá...
Lamentável...

13 de dez de 2010

Layla you've got me on my knees...

Quem disse que canções de amor têm de ser melosas?
Quem inventou isto nunca ouviu “Layla”.
A canção gravada no disco Derek and the Dominos de 1970 e que na realidade é o primeiro disco solo de Eric Clapton é uma ode ao amor não correspondido.

Após tocar com os Yardbirds, John Mayal´s Bluesbrakers, Cream e até – por pouco tempo -com o Blind Faith, Eric resolve se lançar solo e convida alguns colaboradores para ser seu time de apoio.
Diz a lenda, que após a primeira apresentação do grupo alguém perguntou a Eric qual seria o nome da banda.
-Eric and the Dynamos. – respondeu o guitarrista.
-Como? Derek and the Dominos?
-É, é... – e sai andando.
Se não era, ficou sendo.

E neste primeiro disco, Eric que sempre foi chegado a fazer de suas canções válvulas de escape para seus sentimentos, cunha uma das mais memoráveis canções de amor não correspondido da história: “Layla”. Feita para Patti Boyd que à época era esposa de George Harrison - um dos melhore amigos de Eric - que parecia preferir “Something” ao trabalho de Clapton, a canção passa longe de ser melosa.
Em grande parte por culpa – ou mérito – de Duane Allman, que convidado para uma participação especial no disco, pilotou sua slide guitar como se esta fosse um trem desgovernado. Resultando em um dos riffs mais famosos e devastadores do rock até desembocar no final da canção com um lindo solo em contrapondo o piano elegantemente sóbrio e angelical.

O já veterano produtor Tom Dowd, conhecido à época pelo mau humor e pela má vontade com que tratava os singles que produzia, após a sessão de gravação da musica, saiu dos estúdios dizendo: “-Esta porra é o melhor disco que fiz em dez anos!”.
Porém o reconhecimento de quem mais importava demorou um pouco a vir.
A canção só chegou a seu ponto mais alto nas paradas – quarto lugar – dez anos depois e Patti só levou seus belos olhos azuis para junto de Eric em 1979.

11 de dez de 2010

E liberaram o jogo de equipe...

Na residência de certo piloto brasileiro toca o telefone...-Alguém atende esta porra ai... Tem ninguém para atender ao telefone não? – resmunga – É por isto que eu gosto de ficar em Maranello e nem vir pra casa... Lá, se toca o telefone e eu vou atender, logo vem um e pede pra eu deixar o Fernando atender, aqui ninguém nem vai... – e quando finalmente atende, ouve.
-Alô? É da casa do Felipe Massa?
-É sim... Quem ta falando?
-Poxa, Felipe... Sou eu, Stefano...
-Domenicalli? Porra, Domenicalli... Tô de férias!
-Eu sei, eu sei... Mas precisava falar com você.
-Diga!
-Leu os jornais ou algum site hoje?
-Sobre?
-Sobre F1, né? Alguma outra coisa te interessa?
-Catho on line...
-Catho on line? Aquele site brasileiro de recolocação profissional?
-Isto... Mas deixa pra lá... Não li não... Por quê?
-Não viu nada sobre as resoluções da FIA quanto às regras do automobilismo e da F1 para 2011?
-Não... Não vi...
-Pois é... Agora vale.
-Agora vale o que?
-Agora vale o jogo de equipe.
-Vale?
-Vale! Tá lá no documento.
-Sem ressalvas?
-Tem uma! Que diz que se ferir a hombridade do esporte eles aplicarão o artigo 151c do código esportivo.
-E o que reza este artigo ai?
-Nada... Não reza... É um artigo totalmente ateu... Atira pra todo lado e para lado nenhum... Ou seja: o jogo de equipe tá liberadíssimo!
-Ah tá... E você me ligou, fez um interurbano, me atrapalhou a sagrada hora do banho só para me dizer isto? Não podia esperar ate a reapresentação da gente no ano que vem?
-Eu queria contar logo... E...
-E o que?
-Você disse que estava indo tomar banho?
-Sim... Mas “e” o que?
-Queria testar também.... Felipe, Fernando is dirtier than you... Confirm you receive this message?
-Como é que é?
-É isto mesmo… Deixa o Alonso ir tomar banho primeiro…
-Ah... Vá pra.... – pausa – Assim que ele terminar me avisa então...

E está no ar a edição número 101 da Rádio Onboard.
Neste programa discutimos sobre o nosso campeonato interno de palpites, que se deu inicio antes da temporada começar... Grandes revelações vindas de Felipe Maciel, Fábio Campos e eu.
Também falamos do Oscar F1 que você pode votar no Blogf-1 clicando aqui: Oscar F1.
Para ouvir o programa clique aqui: Rádio on Board is faster than you!

9 de dez de 2010

Reporter do trânsito em cidade pequena

No começo da manhã.
-Bom dia. Hoje é feriado em nossa cidade - dia da padroeira - mas nem por isto o trânsito melhora. Há pontos de lentidão em duas das principais avenidas da cidade – marginais esquerda e direita do Ribeirão Tiburcio - por conta de enormes procissões que seguem rumo à igreja matriz. Um dos três carroceiros da cidade reclamou a esta reportagem que ficar com o cavalo parado para a passagem dos fieis trás enormes prejuízos: "-A gente fica parado aqui e o cavalo vai comendo tudo que tem no embornal, o capim é difícil de achar e a aveia tá muito cara. Sem contar que quando fermenta dentro do embornal e o cavalo come, fica doidão..."
O prefeito não foi encontrado para explicar porque não há planos de trânsito alternativos...

Ao meio dia -Agora há um congestionamento monstro na avenida principal, bem como nas marginais esquerda e direita do Ribeirão Tiburcio. No momento há uma carroça na curva do bar do Pinduca com um eixo avariado e os três ônibus da cidade estão impedidos de passar. Um dos donos da cidade com seu Honda Civic buzina loucamente tentando fazer com que o cavalo remova a carroça. Infelizmente o burro não percebeu que o problema é mais grave e não é culpa do cavalo. E nem da anta que pilotava a carroça. Mais detalhes assim que conseguir atravessar o furdunço.

No começo da tarde
-E novamente temos problemas na Curva do bar do Pinduca. O ponto tem lentidão por conta de um dos três ônibus da cidade que quebrou por ali. Durante a tarde tivermos uma edição da parada gay da cidade e todos os três boiolas que participaram da manifestação fizeram performance na Avenida da Saudade sentido Cemitério/Centro. Um dos carros alegóricos das bibas - um Fiat Uno rosa - foi autuado por estar emitindo mais fumaça que o tolerável. Marrafinha (o nome do perobo é este mesmo) rodou a baiana e disse ao guarda que o multava que nas noites de sexta eles (os dois juntos) usam o mesmo carro fumacento na Avenida Marginal esquerda e nunca ninguém reclamou. De nada adiantou a revelação de que o guarda Jobson é freqüentador do boiolódromo, a multa foi lavrada assim mesmo.

No fim da tarde
-A volta pra casa do munícipe está relativamente tranqüila. O transito é pesado, mas flui bem nas duas marginais do Ribeirão Tiburcio. Outro ponto de lentidão corriqueiro também está com bom transito esta noite. A curva do bar do Pinduca está livre. Durante a tarde um protesto de comerciantes parou a Av. da Saudade sentido Centro/Cemitério. Os comerciantes queriam que os usuários de cavalo usassem sacos no fiofó dos animais para que não defequem pelo centro todo. Infelizmente os únicos usuários de cavalos – sem carroça – são a guarda municipal, que diluiu a manifestação com veemência e golpes (baixos) de cavalo.

De noite
-Esta noite o trânsito flui tranquilamente em suas principais vias. Trânsito livre nas marginais esquerda e direita do Ribeirão Tiburcio. A Av. da Saudade tem transito livre no sentido Cemitério/Centro, mas no inverso há uma pequena lentidão causada pelo funeral de um figurão local. A quem diga que ele era muito querido, porém outras más línguas dizem que quase todos os carros estão seguindo o cortejo para ter certeza de que vão mesmo enterrar o individuo. Curiosamente há um congestionamento de trens, mas isto não é da minha conta.Até amanha.

8 de dez de 2010

Coisas que irritam

Ninguém gosta de bandas de churrascaria, isto é fato. Sei por que já fui um músico de churrascaria.
Tolera-se.
E de muito mau-humor, diga-se, já que ao final da noite ainda se tem de pagar o maldito couvert artístico. -Garçom!
-Pois não?
-Que são estes vinte por cento aqui?
-Couvert artístico...
-Mas eu não comi couve nenhuma...
-Não senhor... Couvert... É a porcentagem que cabe a atração artística da casa...
-Mas eu não pedi atração artística nenhuma, e até onde pude perceber, de artístico este cantor ai não tem nada...
-Infelizmente senhor, é cobrado.
-Mas eu não pedi!
-Mas consumiu...
-É... Tá certo. Da próxima vez enfio o miolo do pão nos ouvidos, ai não consumo e quero ver você cobrar...
-Cobraremos pelo pão, senhor...
-Então não venho mais aqui...

E nem é só em churrascarias que temos os cantores, grupos, duplas.... Nas pizzarias também e com agravante... Às vezes é arriscado encontrar grupos de tarantela.
-Uma “mezzo margherita, mezzo quatro queijos”, por favor...
-Sim signore...
E entra o grupo:
Iane, iane, ianeianeiane...
Ou pior! Um cantor metido a napolitano cantando velhas canções do Pepino di Capri:
-Champagne, pra brinda uno encontro...
-Mas o que são estes vinte por cento aqui?
-Couvert artístico signore...
-Mas que couvert? Que artístico? O cara ficou ai cantando em italiano!
-Ele interpretou Pepino di Capri, signore...
-Piorou! Pizza com pepino é sacrilégio.
-Pepino di Capri é uno buono cantante napolitano...
-Que pena, porque se fosse um pepino mesmo eu o colocaria nos ouvidos e não ouviria esta tortura...
-Cobraríamos o pepino, signore.
-Não venho mais aqui...

Não ir mais a estes lugares é uma solução, claro, se você quiser se tornar um eremita sem vida social... Ou gastar horas procurando um estabelecimento que não tenha estes seres irritantes
Outra saída é convidar seus amigos, comprar carnes e cerveja e fazer aquele belo churrasco em casa....
A porcaria é que alguns açougues aderiram à moda e já colocam cantores em suas portas.-Me vê três quilos de picanha pra churrasco, por favor!
-E agoraaaaaa que faço eu da vida sem.... (Coxão mole R$11,00 a peça)... Você não me ensinou a ... (Alcatra R$15,00 o quilo)...
-Mas que merda é esta?
-Ah... É nosso crooner, ele chama o público para o açougue com as músicas e de quebra vende o CD dele... Cinco reais só.
-Ah é... Vai ver que é por isto que o açougue tá vazio... Só cinco? Me vê meio quilo então, pra eu levar pro meu cachorro.

6 de dez de 2010

O anuncio de Luca di Montezemolo

-Signoras e signores, io estou aqui para fazer il anuncio que tanto estão especulando nestes dias... Nom pode um uomo discreto como io dizer que vou declarar algo e já começam as especulaciones...

Pausa recheada de murmúrios.

-Falam que io vou me aposentar... No, io no vou aposentar nada! Veja il exemplo de Bernie Ecclestone. Quello vecchio farabuto tem 80 anni e ainda está lá... No vou dizer firme e forte porque ele andou tomando umas porradas ai e nem reagiu... Eu reagiria... Mandaria mios companheiros, tutti buona gente, pegar quem me bateu... Se bem que io non ia andar por ai sem guarda-costas... E o mio seria mais bonito que o Kevin Costner..

Pausa recheada de murmúrios de indignação.

-Dizem que vou comprar uno time de calccio no Brazile... Que absurdo! Io ia sair da minha querida Itália onde tem Juve, Roma, Lazio, Inter, Milan para ir ao Brazile comprar o que? Curintia? Ah para! Que absurdo! E tem mais... Uns russo loucos ai tentaram comprar quella porcheria e quase foram presos... E tem mais, por causa do Petrov io non gosto mais de russo...

Pausa recheada com murmúrios de aprovação.

-E eston dizendo que io vou entrar para política... Que io quero ser Primeiro Ministro della Itália. Non nego que seria legal... Ia ser muito bacana ouvir no sistema de alto falantes dello Palazio Grazzioli: “-Berlusconi, Montezemolo is faster than you!”. Mas no é verdade...

Pausa recheada de murmúrios de alivio...

-O que io vou mesmo fazer é retomar minha carreira de cantor! Que io abandonei no fim dos anos setenta para assumir minhas responsabilidades com la Casa di Maranello... Vou voltar a cantar, e para non esquecer que um dia io mandei e desmandei em tudo, vou atrás de quellos dois farabutos brazilianos que fizeram una porcheria de verson de minha musica! E para começar, io vou cantar aqui mesmo...



Pausa recheada de reprovação...

4 de dez de 2010

Cruisin´

-Eu não deveria estar aqui.
-Todo mundo diz isto. Pode falar, sua hora tem quarenta e cinco minutos.
-Uma hora não tem sessenta minutos?
-Não de psicanalista.... Então é melhor falar. -Eu não deveria estar aqui... Só porque não gosto de musica?
-Mas gostava. Estou errado?
-Até que não. Eu gostava, até estudava um pouco...
-O que houve então?
-Não sei...
-Vamos tentar descobrir... Disse que estudava?
-Sim...
-Que instrumento?
-Não, nenhum... Eu estudava história da música.
-Clássica?
-Pop.
-Antiga?
-Contemporânea
-Que interessante... E o que aprendeu?
-Muitas coisas... Aprendi que Elvis Presley, por exemplo, foi o responsável pela liberação do corpo. Que antes dele não se dançava.
-Não?
-Ao menos os brancos não...
-Continue...
-Descobri que foi Dylan que liberou a mente do ouvinte quando o fez pensar.
-Mesmo? Como?
-Interrogando o ouvinte: “How does it feel?”
-Interessante... O que mais descobriu?
-Que Marvin Gaye, por exemplo, fez política com um disco que também pode ser considerado altamente sensual, se você não ligar para as letras...
-What´s goin on?”
-Exato! O senhor conhece?
-Conheço, mas não estamos falando de mim e sim de você. Fale sobre sensualidade.
-Ah, não... O senhor não vai me pegar nesta, dizer que tudo é culpa do sexo.
-Ou da falta de...
-Da falta? Sério? Bem... Sobre sensualidade... Mas não era sobre música?
-Fale dos dois juntos.
-Aprendi que com uma música sensual, sinuosa, envolvente, tanto podemos ganhar quanto perder a pessoa em que se está interessado.
-Jura? Dê um exemplo.
-Cruisin´ do Smokey Robinson.
-Eu conheço, bela musica... Faz muita gente suspirar enquanto ouve ou dança.
-Sim... E faz a gente sair da pista andando de forma estranha, curvado...
-É... E sob os gritos de tarado... (diz pensativo)
-Como sabe? O senhor estava lá?
-Errr, não, não... Acabou seu tempo, pague e marque outra consulta para o mês que vem...

2 de dez de 2010

Schumacher? No fun...

Ele não precisava sair, mas saiu.
Então não precisava voltar, mas voltou...
Não se sabe ao certo nem o motivo da ida, muito menos o da volta, mas... Dá-lhe expectativa!
Afinal estava em uma equipe de nome, que vinha com estrutura e pessoal da última campeã.
No começo se achou que ele demoraria uma, duas ou três corridas para voltar a pegar a mão de pilotagem.
Normal, se pensar que estava há anos parado.
O campeonato começou e como se esperava, os resultados do companheiro de equipe foram ligeiramente melhores.
-Mas aguardem! – era a voz corrente.

Aguardamos e nada de melhoras então surgiu o termo “se divertindo” para descrever suas corridas.
Era: “esta se divertindo” para lá e para cá.
Quando tomava tempo do Rosberg.
Quando tentava jogar Felipe Massa para fora da pista no Canadá.
Quando foi punido em Mônaco por ultrapassar fora das regras.
Quando espremeu o 1B no muro em Budapeste e nem assim evitou a ultrapassagem. (Ele eu não sei, mas eu me diverti).
Quando tomou passão do Koba em Cingapura.
Quando tomou passão do Hamilton, Vettel, Webber, Petrov, Alonso, Massa e mais um monte de gente na China.
E principalmente, quando quase perde a cabeça – literalmente - no acidente com Vitantonio Liuzzi nas primeiras voltas do GP de Abumdabe.
Quem tiver outras diversões do alemão, deixe ai no comentário.

Mas e Schumacher? Ele disse algo a respeito? Não sei e não vi... Mas penso que se ele fosse dizer algo, pegaria mais três caras, formaria uma banda e tocaria na festa de entrega dos prêmios da FIA.
Só por diversão

Narrador: -E com vocês! Michael Schumacher and the Stooges!
Entra a banda.


-No fun, my babe, no fun… No fun to hang around, feeling that same old way. No fun to hang around, freaked out for another day. (Sem diversão, meu bem, sem diversão... Sem diversão em sair por ai, sentindo-se daquele mesmo jeito. Sem diversão em sair por ai... Zoado por mais um dia).

1 de dez de 2010

Uma foto curiosa

Grahan Hill e família. De um tempo onde ainda era possível ver as famílias dos pilotos nos pits.
Onde as mulheres, goste-se ou não, apareciam recatadas e vestidas de maneira sóbria.
E nem precisavam ser bonitas para estar lá...

Era uma época em que um campeão podia levar seu filho as corridas para que ele tomasse contato com a coisa e talvez se animasse a seguir carreira.
O pior que podia acontecer era o moleque querer ir para o meio da pista, ou entrar em um dos carros e querer sair dirigindo.
Para tanto Mr. Grahan Hill tinha a saída, embora o barulho dos motores atrapalhasse demais a comunicação:
-Coloca este moleque em uma mala... Pra ele não entrar na pista e nem nos carros...
-Que mala?
-O Damon... Põe ele na mala.
-O Damon é “mala”?
-É...
Embora não seja e nunca tenha sido um “mala” o sósia de Oswaldo Montenegro

Embora o perigo fosse infinitamente superior dentro das pistas - segundo Emerson Fittipaldi os carros não passavam de grandes banheiras lotadas de gasolina - os riscos do padock eram menores.
Não havia, por exemplo, um Alonso lá para dar mau exemplo pro garoto.