31 de jan de 2011

Faxina

-Era um monstro...
-Não exagera. Era apenas uma barata. -Mas era uma barata monstro, cascuda e voadora.
-Não sou especialista em barata, mas acho que todas voam.
-Eu não sei e não quero saber, mas o baratossauro que me atacou voava.
-Baratossauro? Putz...
-Não ri... Vai lá e mata o bicho...
-Onde está?
-Entrou na dispensa...
-Olha só.... Eu não sabia...
-Que baratas podem entrar na dispensa?
-Não... Que tínhamos uma dispensa em casa.
-Deixa de graça, vai lá e mata o bicho.
-Tá bom...
(se dirige a dispensa)
-Mas vamos combinar heim? Isto aqui é um paraíso pras baratas...
-Como assim?
-Tá tudo bagunçado... Tem saquinho de supermercado até no teto! E cadê os mantimentos? Cê não disse que aqui era uma dispensa.
-E é... Mas não do tipo que se guarda comida... Ai tem as caixas dos eletrodomésticos, ferramentas, embalagens...
-Tem ferramenta aqui?
-Tem...
-Onde?
-Tira algumas sacolinhas das prateleiras que você acha.
-Pra que guardar este monte de sacolinhas? Isto é lixo.
-Não é lixo não... É pra exatamente jogar lixo fora.
-Poxa! Se a gente produzir a quantidade de lixo necessária pra encher este monte de saquinhos...
-Não perde o foco! Mata o bicho...
-Vou matar, até já achei um grifo aqui.
-Vai matar a barata com grifo?
-Vou! Mas só porque não achei a morsa... Agora. Sem brincadeira, melhor mesmo é jogar fora este monte de coisa inútil que tem aqui e fazer uma limpeza mais a fundo.
-Que seja, mas primeiro mata o monstro...
-Então... Barata é bicho que gosta deste tipo de lugar, se a gente fizer uma limpeza ela vai embora, morre... Sei lá. Vou fazer isto... Onde estão os produtos de limpeza?
-Aí mesmo, embaixo, na ultima prateleira.
-Achei! Me dá um balde com um pouquinho de água e põe no lixo este monte de saquinho... (pausa) Obrigado. Vou misturar aqui... Tem desinfetantes, removedores de gordura, cloro, pinhos de um monte de marca, cloro, água sanitária, desentupidores de pia... Achei um litro de vodca... Por que ela está aqui? Não importa vou misturar também...
Meia hora depois
-E ai... Limpou lá?
-Limpei... E organizei tudo.
-E a barata?
-Morreram.
-No plural? Tinham muitas?
-Tinha sim...
-Mas eu não ouvi você batendo nelas.
-Não precisou... Joguei a mistura no chão e antes mesmo que eu pudesse espalhar com um pano elas começaram a cair...
-E o que você fez com elas?
-Nada...
-Como nada?
-Não precisou... Elas derreteram... Aliás, lembrei porque a vodca esta lá...

28 de jan de 2011

O que realmente interessa

-Senhoras e senhores nosso palestrante: Niki Lauda!
(Aplausos) -Boa noite... Quando me convidaram a fazer esta palestra eu fiquei pensando no que falaria. No que falar? Que posso eu passar as novas gerações de pilotos? E as respostas não vinham de pronto. Porém eu não desisti de pensar sobre o assunto e resolvi falar sobre aquilo que me fez ser o que sou hoje e provavelmente a única coisa que realmente entendo: F1.
(aplausos)

-Muitos aqui dizem que eu era um piloto muito bom, outros dizem que eu era um piloto sensacional, eu digo apenas que era um piloto que venceu. Sim venci.
(Aplausos)

-Sim, venci nas pistas sendo campeão antes do acidente; venci na vida sobrevivendo ao acidente. Venci sendo campeão após o acidente. E venci quando não quis ser campeão em prol da segurança, naquele famoso episódio de Fuji. E eu disse naquela ocasião: “-Sou pago para correr e não para me matar!”. Ou coisa parecida.
(aplausos)

-Sei que não sou o mais simpático dos mortais, e nem tenho a intenção de ser. Minha imagem, minha aparência não é agradável a ponto de ser um homem simpático. Não nego. Mas nego aos maledicentes que dizem que eu só entendia de automobilismo pilotando. Que quando abria a boca para algum comentário ou para emitir minha singela opinião. Tudo balela! Tanto que fui contratado como comentarista de F1 na TV...
(Aplausos)

-Posso falar que venci nisto também... E mesmo daquela vez em que disse que os F1 modernos podiam ser pilotados até por macacos adestrados eu não me enganei... Veja o caso do Webber... Não é um macaco, é bem verdade, mas pilota tão mal quanto. E se naquela ocasião eu não provei minha tese é porque além de ter ouvido os conselhos de uma pessoa que queria me derrubar, ainda tinha o fator idade. Que pesa viu... Vide Michael Schumacher tomando surra de um... Uma... Um... Deixa pra lá.
(Aplausos).

-Alguém quer fazer alguma pergunta?
(dois rapazes se levantam na terceira fila)
-Senhor Lauda... Eu e meu amigo aqui queremos saber se o senhor vai falar como arranjar patrocínio? É que soubemos que o senhor trocou a cor do boné que usa porque arrumou outro patrocinador...
-Mas rapazes, isto não é importante...
-Pra gente – eu e meu amigo aqui – é. Precisamos saber qual o segredo de arrumar patrocínio.
-Bem, eu não vou falar sobre isto não... -Então vamos embora... Levanta ai Bruno... Ele vai ficar ai se gabando e não vai falar o que a gente precisa saber.
-É isto ai Lucas... Vamos embora. Que perda de tempo....
-É... E tempo é grana.

27 de jan de 2011

Contos do botequim - 4 - Virado à paulista

Era exatamente meio dia e o boteco do Canário estava lotado naquela segunda feira.
Na semana anterior Canário havia começado a servir almoço e como se sabe, almoço em boteco paulista é em via de regra da seguinte forma:

Segunda – Virado à paulista.
Terça – Dobradinha
Quarta – Feijoada.
Quinta – Macarronada com frango.
Sexta – Peixe ao molho.
E para todos os dias, caso o freguês não quisesse o prato do dia havia bife com fritas, filé de frango ou o indefectível picadinho.

Os freqüentadores de praxe estavam presentes, mesmo morando perto resolveram que nas primeiras semanas almoçariam no Canário para fazer “numero” nas mesas e atrair novos comensais. Desde que, claro, Canário fizesse um sensível desconto nos pratos durante aqueles dias.
E então lá estavam quase todos: Andrade, o professor aposentado; Dito, o ex-prefeito; Marvio o desocupado fiscal da natureza; Anízio e Derico.
Refestelavam-se todos, uns com o prato do dia – um apetitoso virado – e outros, como Dito, com um filé de frango grelhado: “-Para não aumentar o colesterol!” – dizia, quando entra um sujeito que ao que parecia, estava ali pela primeira vez, de passagem pela cidade a trabalho.

Entrou, sentou-se e em pouco tempo foi atendido por Fubequinha, garoto contratado por Canário para ajudar na hora do almoço.
-Pois não?
-Me trás um refrigerante diet gelado e o prato do dia... – diz ele com sotaque mineiro carregado.
-Refrigerante diet gelado não tem...
-Então trás um quente e gelo no copo.
-Não tem refrigerante diet.
-Uai... Então trás um comum mesmo... E o que é o prato do dia mesmo?
-Virado à paulista...
-Virado?
-É.
-À paulista?
-É....
-Não quero não... O que tem de opção?
-Picadinho ou file de frango.
-Só?
-Só... Mas o virado está gostoso.
-Quero não... Dá ultima vez que vi alguém pedindo um “trem” destes em outro bar, o balconista que era “mei esquisitim” virou de costas mostrando o traseiro e disse: “Ô loco, mano!”
Os tradicionais freqüentadores do boteco não conseguiram conter o riso.

-Mas então eu vou ter que ir comer em outro lugar, uai... Eu não quero comer frango não e “picadim” já viu né... Brigado assim mesmo...
Se levanta, pega sua pasta e se retira.

Naquela mesma tarde Andrade volta ao Canário para dizer que viu o mineiro comendo no bar “Recanto Gastronômico”, que apesar do nome pomposo, serve exatamente a mesma coisa...
-Exatamente não! – diria Andrade.
-Como não? – pergunta Canário.
-Lá ele estava almoçando um senhor “Tutu de Feijão”, com bisteca fritinha, ovo estrelado, couve, lingüiças e claro, o feijãozinho...
-E não é a mesma coisa? – indaga o botequeiro.
-Tecnicamente não... Tem o nome de “Tutu de feijão”.
-Com todo respeito mestre... Vá à...
Outros contos do botequim aqui: Açougue, Funerárias e Tarde normal.

26 de jan de 2011

Moustache

-Alô?
-Alô! Fernando?
-Sim, soy yo... Quien habla?
-A-di-vi-nha...
-Yo no sei, pela voz penso que és Selena Rodriguez...
-Nã – ão... Tenta de novo.
-Hum... Lá voz no me és estranã... Seria uma amiga de mi mujer?
-Não... Nem de sua mulher, nem de ninguém...
-No és amiga? És inimiga entonces?
-Não, Fernando... Não sou mulher.
-Ah vá... No és sério... Entonces és um... Transformista?
-Transformista?
-Si, si... Uno eufemismo para viadon...
-Para... Não é nada disto e você não sabe brincar... Sou eu o Nico.
-Nico? Que quieres, la vaga de Felipe? Já és de Kubica, quando ele quiser.
-Eu nem sabia que estava aberta a vaga do Felipe!
-Bueno, ai quien está falando és usted, no me comprometa com la vaga del Felipe, se está abierta ou no...
-Maldoso.... Não era isto... É que eu queria um conselho seu.
-Claro, yo soy el mejor! Lo gran piloto del mondo, el fódon... Como diz os manos de Brasil: “yo soy el bão”! Puede hablar...
-Então... Eu estou cansado das brincadeirinhas que fazem com meu nome: Nico biba pra lá, Nico menina pra cá... Can-sei! Até minha namorada os maldosos dizem que é factóide.
-Factóide? No és mujer? Yo no sabia que havia trocado de nome.
-O que trocou de nome...
-Travesti... Yo no sabia que ahora se chamava “travesti” de “factóide”.
-Não seu bobo, não é nada disto... É assim... Algo criado para desviar a atenção...
-Ah si... Claro que yo sabia... Mas no me enrola, que quieres saber?
-Eu vi suas ultimas fotos e tenho notado que belo e másculo bigodão você está usando.
-Obrigado.
-Deixa você com cara de Dick Vigarista, mas deixa mais másculo, mais belo também...
-Nico... Menos, si? Menos... Habla logo.
-Eu queria saber se eu deixar crescer um belo bigodão, eu também vou parecer assim... Um machão? -Bien Nico... Em mi ficou bueno, és verdade, pero... Yo soy fódon... Ahora, em ti yo já so sei bien... Acho que no vai ficar bueno...
-Não? Mas bigode não dá uma aparência máscula? Tipo Charles Bronson?
-Si, si... Em alguns rostos si... Bronson e yo somos exemplos... Pero em tu caso.. Sei no... Acho que vai ficar mais assim para...
-Keke, meu pai? Vou ficar a cara do papi Keke?
-No, no... Yo ia dizer Freddie Mercury...

24 de jan de 2011

Sampa no walkman em três takes

A cidade tem problemas - como toda cidade tem- mas também tem aquilo que de mais bonito uma cidade pode ter. Acima de belezas naturais, de belezas arquitetônicas, São Paulo tem a beleza humana, que mesmo escondida sob toneladas de concreto e asfalto é muito, mas muito visível.
Feliz aniversário São Paulo, minha cidade.


Na Freguesia do Ó, um casamento em dia de chuva...
Janeiro sempre chove muito em São Paulo e a frente da igreja está alagada.
Córregos que cortam a região teimam em retomar partes do terreno.
O lixo jogado nas ruas indiscriminadamente ajuda muito, e não é a cidade que joga o lixo lá... É?
Na porta da igreja o casal de noivos olha desolado o panorama.
Demorarão um pouco mais para poder aproveitar a lua de mel. Com a chuva e o alagamento a festa já era mesmo...
Um dos padrinhos sorri quando vê um caminhão e um trator se aproximar da entrada da igreja.
-Um presente! Chamei um caminhão e um trator para tirar vocês daqui...
-Sem pensar duas vezes sobem na pá do trator e vão sãos e secos, até a caçamba do caminhão, único veiculo capaz de se locomover com alguma segurança nas ruas alagadas.
Se alguém ainda não sabe, a Liberdade é o bairro onde se concentra a colônia japonesa em São Paulo. Quase todos os estabelecimentos são de descendentes nipônicos. Bares, mercados, restaurantes. Lojas etc.
Como fome, depois de penar a manhã toda atrás de um emprego, senta-se ao balcão de um destes botecos e é atendido por um jovem japonês.
-Tem café?
-Tem sim...
-Um café puro pra mim, por favor...
É servido.
-Já tem açúcar?
-Já....
-Tem coxinha?
-Não...
-Tem kibe, bolinho de carne, bolovo? Pastel?
-Não... Acabou.
-Que que é este negócio ai na estufa?
-Tempurá.
-Hum... Bonito. É frito?
-É sim...
-Me dá um...
É servido.
-Hum... É bom! Que isto no meio?
-Legumes... Tempurá é uma fritada de legumes, falando a grosso modo.
Ao mesmo tempo, no fundo do bar dois velhos riam muito, e falavam em japonês.
-Cê fala japonês?
-Não muito...
-Mas entende?
-Só um pouco.
-Do que eles estão rindo tanto...
-Deixa eu ouvir o que dizem ai falo do que estão rindo...
Os dois velhinhos continuam a falar e rir contagiando o desempregado.
-Estão falando de você...
-De mim?
-Estão dizendo que nunca viram ninguém comer tempurá com café... E estão perguntando se você faz o mesmo com sushi...

Acostumado a almoçar nos diversos restaurantes existentes no Bom Retiro, não havia um só que não conhecesse.
Desde o bar do Clovis e seus contra filé com fritas gigantescos até o Buraco da Sara, onde se come o melhor da comida kosher de São Paulo.
Mas nunca, em tempo algum sentiu vontade de comer no restaurante coreano do Liu Kim, o Happy dog. Dizem que coreanos comem cachorro e daí a servi-los no almoço é um pulo...
Mas naquele dia exatamente não conseguiu chegar a tempo para comer em nenhum lugar que não fosse o Happy.
Como o que não tem remédio, remediado está entrou no simpático estabelecimento coreano.
Com surpresa percebeu que a casa era do tipo self service, e que a comida servida não tinha nada de exótico.
Foi muito bem atendido e se fartou.
Na saída passou no caixa para acertar a conta, no balcão um saquinho de papel exalava um odor fortíssimo.
-Tinha de ter algo estranho... – pensou – Olha onde deixaram o saquinho com lixo.
Pagou a conta e de passagem pegou o saquinho para jogar fora.
-Hei! Pala, pala... Minha comida! – veio gritando uma senhora do fundo do bar...
Parou para ver o que acontecia e percebeu que a gritaria era com ele.
A velhinha coreana o alcançou antes que pudesse por o saquinho dentro de uma lata de lixo.
-Não joga fola não... Cheilo luim, mas comida boa...

21 de jan de 2011

Em gomos

Vai longe a briga entre Lotus Car e Lotus Renault, para ser mais exato vai à justiça em Londres. Porém, seja qual for o vencedor da contenda não haverá ganhadores, só perdedores.
Eu que já quis que os malaios ficassem com o nome que usaram na temporada passada, hoje encaro de forma um tanto diferente: nenhum deles é Chapman e mesmo comprando suas empresas não devem ter direito as glórias passadas.
É como se alguém que nunca foi comunicador comprasse as empresas do Grupo Silvio Santos e quisesse ser o próprio apresentando um Show de Calouros.
Mas de qualquer forma sempre há a possibilidade de haver um acordo e no fim termos duas equipes com o mesmo nome: Team Lorotus e Lorotus Renault... Como lembra o grande Claudemir Freire do site Ultrapassagem.
Loroteiro no imbróglio não falta.
Interessante o movimento da nova fornecedora de pneus da F1, Pirelli, quando todos, no mundo inteiro esperam que seus pneus sejam bons para correr o que fazem eles?
Anunciam que farão pneus que aumentam o numero de pit stops.
Genial! Vamos mudar o nome da bagaça de “Corrida” para “Parada” de F1.
Lucas di Grassi concedeu uma entrevista onde criticou a influência do dinheiro na F1.
Como é que é? Então ele acha que o dinheiro deveria ter menos influência?
Sabe, vou concordar com ele... E vou criticar as companhias de água, luz, telefone, o senhorio do aluguel... Eles são muito influenciados pelo dinheiro...
“-Ah, mas ele tá falando do dinheiro que pilotos pagantes trazem para ficar com os acentos nas equipes pequenas e médias...”.
Pode ser... Mas é o jogo e sempre foi assim, esporte é na pista, do lado de fora é negócio, business.
O piloto de equipe pequena tem que trazer algo para o time além de um possível “talento”. Quando não é dinheiro vivo é patrocínio.
E nem adianta vir chorar e dizer que o sobrenome não o ajudou.
Bruno tem o sobrenome mais forte na F1 – depois de Ecclestone, claro – e está na mesma pindaíba.
E se pensar mesmo desta forma – grana valer menos e sobrenome – pode dar um jeito matando dois coelhos com uma chave de roda só: troca o sobrenome para Di Grátis.
Bem legais as imagens dos testes de pneus em Abumdabi.
Reparei que um caminhão joga água na pista para simular chuva antes da passagem do bólido pilotado por Pedro de La Roda Presa.
Pronto... Acharam um jeito de deixar a corrida por lá mais interessante, ao invés de safety car, colocasse na frente dos F1 um water truck...
Se bem que nem assim, penso eu, vá melhorar aquela merda...

20 de jan de 2011

Di Grassi no A tarde é Sua

E agora, com vocês: Sonia Abrão e o programa A tarde é sua!
-Boa tarde... Hoje vamos receber aqui um motorista de F1...
-Desculpa dona Sonia... Mas não é motorista. É piloto.
-E piloto não dirige?
-Dirige, mas...
-E quem dirige não é motorista?
-É... Mas...
-Então é isto mesmo... Eu estou aqui com o motorista de F1 Lucas Di Grassi.
(Aplausos)
-Então, senhor Lucas, o senhor tem um desabafo a fazer?
-É dona Sonia... Eu...
-Mas antes um histórico do nosso personagem...

(Entra um vídeo com musica melodramática e brega)
(voz no vídeo) -Lucas Di Grassi é piloto desde tenra idade. Passou pelas categorias de acesso, pilotou triciclos e totoquinhas antes de debutar no kart. Depois correu em categorias nacionais, fez racha nas ruas, foi pra Europa, vendeu balas nos sinais de Londres até ser descoberto por um olheiro de uma equipe da GP2 que o levou para correr lá. Batalhador como todo brasileiro, ele mostra que tem talento e vence corridas. É convidado a ser piloto de testes da Renault, mas infelizmente não havia mais tantos testes na F1 e ele teve de fazer jus a seu salário servindo cafezinho para Fernando Alonso e Flavio Briatore, sem reclamar. Um dia, enfim seu talento parece ser realmente reconhecido e ele é contratado pela equipe Virgim, de propriedade de um milionário que ainda não morreu e por isto não lembramos o nome... Era a redenção do menino brasileiro que tanto lutou, porém o carro não era muito bom, na verdade não passava de um Chevette metido a besta e nosso Lucas não pode mostrar seu real valor. Agora, com a equipe tendo sido vendida a um grupo de empresários russos encabeçados por Kia Jorabichian, aquele que derrubou o Corinthians para a segunda divisão, Lucas perde sua vaga para um piloto belga que nem vale a pena citar o nome... Mas ele é brasileiro e não vai desistir nunca...

(acaba o vídeo com imagens sentimentais do piloto) -Muito bonito o vídeo Lucas, gostou?
-Bem... Sim, mas... Eu não vendi balas e nem o time foi comprado pelo Kia, mas...
-Então é isto... Lucas também disse que não teve sorte na categoria porque também não tem um sobrenome famoso e nem padrinhos fortes... Uma pena não é?
-Eu queria falar... Este negócio de sobrenome... Sabe como é... Eu não disse...
-Um minuto... – e falando com a produção – Tem gente no telefone? Querendo mandar mensagens de apoio ao Lucas? Olha só como o povo brasileiro é bonzinho... Olha só como é solidário... Pode por no ar, produção. Pode por...

(voz no telefone) –Lucas, sou eu o Bruno... Vai se ferrar... Ta ai reclamando? Meu sobrenome só não é maior que o do Ecclestone e eu também to sem equipe... Vai se ferrar...

-Bruno... Eu não disse... Foi a Sonia que falou... E.
-Tem mais um no telefone? – diz Sonia Abrão interrompendo o piloto – Pode por no ar.

(Voz no telefone) – E ai Lucas... Sou eu, o Nelsinho... Sonia Abrão é fim de carreira, heim? Ai... Vem pra Nascar cara... Eu to aqui e ninguém nem liga pro fato de eu ser um Piquet, vem pra cá porra...
-Pô! Nelson, é que eu queria ficar na F1 mesmo e...
-Como é que é produção? – diz ela de novo interrompendo – Tem oferta de emprego? Como é solidário o povo brasileiro.... Que lindo isto. Pode por no ar...

(voz no telefone) -Ô rapaz... Vem trabalhar com a gente, somos da entregadora F1, temos vagas em nossas Kombis, nas nossas Vans... Cê pode até pilotar umas motos se você quiser... Pode vir aqui tem vaga pra você...

-Olha ai, Lucas, que bom... Desempregado cê não fica... Queria agradecer sua presença no programa e desejar boa sorte....
-Mas Sonia, eu queria dize que não é bem assim....
-Isto... Conte com a gente Lucas, e agora vamos falar do Cogumelo do Sol, do Shake Diet e da Tek Pix... Logo depois dos comerciais.

19 de jan de 2011

Between the Buttons

-Olha, tem muito botão ai...
-Tá reclamando de que? Eu trabalhei com pilotos que tinham que tirar a mão do volante pra trocar marcha, e você fica ai reclamando de uns botões no volante?
-Pô, mas pensa bem... Tem botão pra mistura de combustível, rádio, asa traseira, mapeamento do motor.... Bebida isotônica... E mais um sem numero deles. Eu acho que não vou decorar todos.
-Para Felipe! Vai decorar sim...
-Não sei... Até o Fernando andou reclamando da quantidade de botão.
-Eu sei... Ele reclamou sim... Você é o terceiro a reclamar.
-Terceiro? Espera ai. Se o Fernando foi o primeiro e eu sou o terceiro? Quem foi que reclamou em segundo?
-O ego do Alonso.... Ele ocupa dois carros aqui na Ferrari.-Mas falando sério, eu não vou decorar todos mesmo não. Me dá uma relação dos mais importantes, por favor.
-Tá certo Felipe, tá certo. Anota ai então... Além das borboletas de marcha atrás do volante... Claro.
-Pode falar os outros.
-Botão 1, no centro do volante: rádio.
-Certo.
-Botão três: liquido isotônico, para quem passa quase duas horas dentro do carro é importante.
-Certo, certo...
-Botão 8, logo acima do rádio: mapeamento dos giros do motor.
-Mudou de lugar?
-Sim... Agora botão 12, ant-stall, pra não dar xabú na largada, também chamado de botão anti-Rubinho.
-Já tinha isto no tempo dele?
-Tinha... E o Ross Brawn levou o botão pros volantes dos carros dele também.
-Bom pelo visto não funciona então?
-Ora? Por quê?
-Porque mesmo tendo o botão ele sempre fazia caquinha nas largadas.
-Verdade... Vai ver que é por isto que o Frank Williams não quis por o botão no volante dele...
-Bem... Tem mais algum? Que seja realmente importante?
-Tem, claro... O botão “A”, logo abaixo do botão de isotônico.
-Hum... É o único que tem letra, deve ser importante mesmo. Pra que serve?
-E “A” de Alemanha, quando o Alonso estiver atrás de você, tem que apertar pro carro ir mais devagar e ele te passar sem ficar reclamando no rádio.
-Cê tá brincando?
-Não, não... É sério, mas acho que você não vai usar ele este ano, ou vai usar muito pouco.
-Mesmo? Cê acredita em mim pra este ano?
-Não, não... Não é isto. É que a gente aqui da equipe acha que cê não vai andar na frente dele nenhuma vez durante o ano todo... Sabe como é... A não ser que seja retardatário, mas ai uma bandeira azul dá jeito e você não vai precisar apertar do botão de qualquer forma...

18 de jan de 2011

E em Madonna Di Campglio...

-Ola és FernandoAlonso, non és?
-Si, el mejor piloto, el dono de lá fiesta... e faz pose para os fotógrafos que se aproximam.
-Io ganhei il campionati de motovelocidade algumas vezes...
-Io sei...
-Agora estou pio feliz, pilotarei para a Ducatti..
-Bueno, muy bueno.
-É sempre assim questa festa em inicio dell´ano qui in Ferrari?
-Si, si, pero... usted está atrapalhando o trabajo de los fotógrafos... Eles querem me clicar...
-Sinto muito....
-Por nada... Com licença.
Valentino se fasta um pouco e com eles os fotógrafos... Alonso estranha.
-Hei! Onde vão ustedes? Estoy acá...
-Desculpe senhor Alonso, mas como vimos sua reação lá em Portugal, quando tentaram te fotografar, então não queremos incomodar... Pode ficar ai tranqüilo
-Pero, yo estoy tranquijo, puede clicar! Mira, lo derecho é mi mejor lado!
-Não, não.. Pode ficar a vontade... Pediram pra gente não incomodar demais os pilotos..
-Pero estabam a me clicar ahora mismo...
-Não... Estávamos fotografando o Valentino... Ele é a estrela da festa.
-Valentino? Il mecânico del Massa? És brincadeira no és?
-Mecânico? Não... Valentino Rossi, aquele rapaz com cara de menino que estava aqui falando com você...
-Valentino Rossi? Ele estava acá?
-Sim... Até falou com você...
-Bien, no está más... Podem clicar-me...
-Não, melhor não... Aliás, acho que só vamos fotografar você de novo depois que lavar o rosto. Tá cheio de sujeira nele... Parece até que tentou deixar uma barba..

Os repórteres se afastam e Alonso agora procura por Valentino.
-Entonces tu és Valentino...
-Sim, solo io.
-Usted disse ter ganho lo campeonato de motos algunas vezes?
-Si, io ganhei quando era 500cc e depois MotoGP seis vezes. Sendo que cinco seguidas... e depois mais duas vezes. E isto sem contar quando se chamava 500cc.
-Ah entonces é como eu?
-Non, non... Como il Schumacher, eu diria...

Alonso fica melindrado com a resposta.
-Bueno, yo digo que se usted usasse quatro rodas ao invés de duas, yo ganava de usted.
-Si, si... Como no... E io digo que com tuas quatro patas, você também ganha...
-Ah, vá crescer...
-Si, e você vá lavar il rosto... Está todo sujo...

17 de jan de 2011

Em defesa de Pastor Maldonado

Já tem gente demais falando bobeira demais sobre algo tão simples quanto somar dois mais dois.
“-Houve um road show da Williams na Venezuelasó para agradar Hugo Chavez.”
E daí? Quem paga a conta não tem direito de ver ao menos um pedaço do show?
Por acaso a alonsomania não enchia os cofres da FIA quando se “inventou” o desfile de F1 em Valência?

“-Tinha logotipo da PDVSA no carro da Williams neste road show.”.
É... Tinha um. E de novo: e daí? Quem paga a conta não pode estampar sua marca?
E vai continuar tendo, já que a empresa agora é patrocinadora oficial do time.

“-O dinheiro da PDVSA pertence ao povo venezuelano.”
Sim, claro... Assim como o dinheiro da Petrobrás pertence ao povo brasileiro e ainda assim vai para o caixa do Flamengo. “-Pastor Maldonado só esta lá por que traz grana.”
Ué? Tem algo errado nisto? Agüentamos por vários anos um japonês que não sabia a diferença entre freio e acelerador apenas para poder usar uns motores muito meia boca que tio Frank não pensou duas vezes para trocar pelos sofríveis Cosworth, que à bem da verdade, evoluíram em um ano o que os Toyota não conseguiram em três!

“-Pastor Maldonado não é grande coisa e nem digno de sentar num carro da Williams.”
E Pizzonia era? Ralf Schumacher era? Gene algum dia foi?
E Pastor foi campeão da GP2, é bom lembrar.

“-Ah, mas só foi campeão porque tinha o melhor carro...”.
E Jacques Villeneuve? Damon Hill? E Keke Rosberg? E por mais que eu goste dele, e Nigel Mansel?

“-Mas o Pastor correu na GP2 por anos até ser campeão, demorou muito!”
Jenson Button não?

O fato é que ele trás o que a equipe precisa: dinheiro.
Não é um total inepto como muitos pensam. Pode não ser um Vettel, mas está muito longe de ser um Trulli ou um indiano destes que vão pilotar a Hispânia.
Por conta da grana que trás, e ninguém duvide disto, Rubens fará mais uma temporada na F1, porque sem ela, o time de Grove estaria em péssimos lençóis financeiros ao ir perdendo seus principais patrocinadores.
E por ultimo, se muitos festejaram a chegada de um piloto em fim de carreira, que nunca ganhou nada, porque não dar ao menos um crédito a um que, ao menos, vai trazer alivio financeiro?
E quem sabe, assim como Rubens, ele não surpreende e faz um bom trabalho?
A nós torcedores não custa absolutamente nada acreditar, pelo contrário.
Habemus Pastor, aleluia!

14 de jan de 2011

Simple man

Poderia escrever hoje sobre o tal Wroom, aquele evento cheio de frescura e ostentação dos mafiosos rossos.
Mas não to afim...
Poderia dizer aqui que Massa deu uma senhora barrichelada na entrevista dizendo que está pronto e que vai pra cima de todo mundo este ano.
E também que acredito – tal qual Massa - que a temporada passada tenha ficado para trás, no passado.
Sim, claro... Tão para trás quando o próprio ficou na Alemanha.

Poderia falar que neste ano quem brilhou no evento foi mesmo Valentino Rossi.
O multi-campeão das motos ofuscou até a prima dona espanhola.
Poderia sugerir maldosamente que Il Dottore tomasse cuidado, ofuscar o chiliquento espanhol costuma dar azar... O engenheiro ferrarista das estratégias que o diga...

Ou até escrever que o Dentuço Gaúcho só assinou com o Flamengo porque lá vai ter boa vida. Noitadas cariocas, times meia boca pelo caminho no campeonato estadual e times apenas razoáveis na Copa do Brasil.
Por que iria ele assumir compromissos que exigiriam o mínimo de foco quando pode reerguer o nome batendo em bêbados do calibre de Olaria, Boa Vista, Duque de Caxias, Artsul?
E depois, quando seu nome estiver novamente na ordem do dia, incensado como o “genial destruidor” (?) de defesas adversárias, cotado para voltar a seleção, ele volta para Europa.

Poderia até dar umas alfinetadas no Governador do Estado que em visita à Franco da Rocha – não mais a Paris paulistana, mas sim Veneza – reclamou das ocupações irregulares de terrenos.
Mas não reclamou do fornecimento de água encanada, luz elétrica e telefonia nestes terrenos ocupados irregularmente... Serviços estes que, quando não são do Estado, estão lá com as bênçãos do mesmo.

Poderia, mas não quero... Hoje é sexta, dia de ser apenas um simple man e curtir um bom rock do sul dos EUA

13 de jan de 2011

Franco da Rocha, 12/01/2011

Choveu, não tanto quanto havia chovido na noite anterior já que desta vez minha sala não amanheceu molhada das goteiras do teto. A sensação de estar ilhado, mesmo sem ter visto nada ainda na TV era enorme.
A movimentação de carros em minha rua era anormal para aquele horário.
Helicópteros no céu idem.

Ao ligar a TV a comprovação.
O que no dia anterior – terça – era apenas uma das muitas enchentes de verão, daquelas que inunda o centro da cidade, mas no fim do dia já era passado, se tornou um evento, uma calamidade.
Há anos um alagamento não era tão grande e nem tão demorado.
Cenas dignas de filmes catástrofe tão a gosto de Hollywood eram comuns.
Ônibus e carros submersos, gente ilhada, lojas e casas tomadas pela água.

Os funcionários da prefeitura haviam sido avisados que não haveria expediente na quarta-feira. Mas não se tratava de premonição e sim de um aviso velado de que as comportas da represa seriam abertas por questão de segurança.
Sem querer, o supremo mandatário municipal criou o “alagamento consciente” ao dizer que: “-As comportas serão abertas, mas será com responsabilidade...”.
E assim foi.

A chuva veio novamente – ainda que não tão forte, como já disse – e as comportas foram abertas. Se totalmente ou apenas em parte não se sabe, mas o resultado foi um dos dias mais estranhos da vida da cidade.
Virou prato do dia e os repórteres das emissoras de TV pintaram e bordaram com perguntas do tipo: “-Sempre que chove enche assim?”.
E recebeu a seguinte resposta: “-Nunca vi encher quando tem sol...”.
Como que para vingar o repórter, a chuva não caiu até o fim da tarde, mas ainda assim a água continuou a subir.
Carros de som da prefeitura pediam para que os munícipes evitassem ficar no centro da cidade, já que a previsão era de que houvesse novas liberações de volume d´água, como de fato aconteceu.

Moro a menos de 600 metros de toda a ação citada, mas em local alto.
Não quis tirar fotos. Gente melhor e mais gabaritada fez.
Postei varias em meu facebook e penso que a única que ilustra este texto basta
Mas tenho que dizer: quando as águas baixarem os prejuízos serão contados e quem tiver algo a ser restituído, seja por seguro ou indenização, será. A cidade será limpa e a vida vai seguir da forma com a qual já nos acostumamos a ver por tantos anos.
Como se nada tivesse acontecido.
Desolador...

12 de jan de 2011

E, pela primeira vez, o segundo vai na frente

-Mas eu?
-É... Você.
-Tem certeza? Eu mesmo? Euzinho?
-É Rubens, você mesmo.
-Puxa, é a primeira vez eu isto acontece em quase vinte anos de carreira... To muito feliz.
-Não vai chorar, vai? -Não, mas devia...
-Que isto Rubens, você merece.
-Obrigado senhor Frank, obrigado.
-Eu sei que o tempo que você passou na Ferrari foi difícil...
-Foi, foi...
-Também sei que deve ter sido muito chato perder pro... Pro... Como era mesmo o nome daquele cara com quem você correu na Brawn?
-Button?
-Isto, isto... O Jesus Button...
-É Jenson. Jenson Button. Poxa senhor Frank... Ele correu pela Williams e o senhor nem lembra o nome dele?
-Ah Rubens! Isto não é defeito só meu... Basta dar uma voltinha pelo parque temático da Ferrari pra ver...
-Ver o que?
-Tem razão, melhor dizer: “pra não ver” já que não tem menção nenhuma a você por lá...
-Precisava lembrar?
-Tá certo... Mas no meu caso, dá um desconto... Afinal: ninguém liga pro Button mesmo...
-Tá... Tudo bem... Mas mesmo assim obrigado por deixar eu ser o primeiro a testar o carro de 2011.
-É o mínimo que poderíamos fazer... O mínimo... Agora, quando chegar o dia você senta no carro e faz ele render tudo o que puder. De bom ou de ruim. Certo?
-Certo chefe, eu vou fazer isto.
-Bravo, Rubens, bravo!
-Por que eu sinto! Sabe? Aqui dentro eu sinto... Este ano é meu.
-Também não vamos exagerar... Pés no chão, pés no chão.
-Tudo bem, mas que eu sinto eu sinto. Agora me dá licença que eu vou me preparar psicologicamente.
-Vai lá...

Quando Rubens deixa a sala, Patrick Head que assistia a cena toma a palavra.-Tem certeza, Frank?
-De que?
-De que é uma boa dar o carro novo para o Rubens e não pro Pastor? Afinal quem trás a grana pra equipe é o venezuelano.
-Por isto mesmo...
-Não entendi.
-Ora... Elementar, meu caro Head. Se o carro der um problema qualquer e acontecer um acidente...
-Ah... Entendi... Protegendo os negócios, né? Como sempre.
-Exato... E tem mais: com a sorte que tem o Barrichello, todos os problemas que o carro possa ter no ano, na mão dele vão aparecer logo de cara. No primeiro contato.

11 de jan de 2011

Seguindo a tradição

E no fim do show...
-É... Ela canta bem... Mas ainda não gosto das cantoras desta geração.
-Ela não é “desta” geração... Se você estiver falando de gagas, britneis, beyonces da vida.
-É desta geração que eu falava sim... E como você pode dizer que ela não é?
-Na faixa etaria, sim... Mas qualitativamente, nunca!
-Como assim?
-Você esta aqui e está vendo o show... Não basta?
-Como assim?
-Quantos backing vocals tinham no palco?
-Dois...
-E eles faziam o que?
-Cantavam as frases de apoio...
-Igual a quem?
-Hum... As backing vocals da Aretha Franklin nos tempos áureos?
-Exato.
-E quantos dançarinos fazendo coreografias metidas a sensuais, mas que na verdade são ridículas você viu?
-Nenhum... Vale a dancinha esquisita dos backings?
-Detalhe...
-Mas vou te falar... A voz dela já foi melhor... A droga e o álcool acabou com ela.
-Sério? Cê pensa assim?
-E não é?
-Acho que não... Faz sentido quando se entende o que ela esta cantando... Ela é da mesma escola que já nos deu Billie Holiday, Etta James, Janis Joplin...
-Da auto destruição?
-Também... Mas lembre-se que a Etta sobreviveu.
-É... E do que mais então?
-Das vozes que amadureceram com os excessos, ganharam charme sem perder aquilo que as difere das outras de sua época.
-O que?
-A alma.... Mas ela esta voltando ao palco... Agora vamos ouvir o bis....

10 de jan de 2011

A vingança do piloto brasileiro

E nos escritórios da Yellow Cab em Nova York.
-Olha, seu currículo é bom, mas não sei... Dirigir em Nova Iorque é algo bem difícil...
-Eu estou disposto a tentar.
-Tem certeza? De onde o senhor diz que é mesmo?
-Sou nascido em São Paulo, cidade grande, com muitos problemas de trânsito também....
-Pois é... Eu sei, andei lendo sobre... Mas aqui não cita sua atual residência.
-Mônaco. Oficialmente eu moro em Mônaco, mas sabe com é... Eu viajo muito.
-Nasceu em São Paulo, mora em Mônaco... E dirige nas duas cidades?
-Sim, sim... E muito bem. Nunca sofri acidentes e você sabe como é: o trânsito de São Paulo é quase tão caótico quando o daqui. Se não for mais! E Mônaco, se comparado ao tamanho das duas cidades é um vilarejo, mas com um trânsito tão pesado quanto.
-Mas profissionalmente? O senhor já dirigiu profissionalmente nestas cidades?
-Já, já... Tanto em São Paulo quanto em Mônaco.
-Mas tem algo que não bate... Se o senhor mora em Mônaco é porque tem certo nível financeiro. Estou errado?
-Não... Está certo. Venho de uma família que tem posses, mas gosto de trabalhar.
-Não sei... Ainda não sei...
-Olha, não vai se arrepender... Dirigi muito bem no meu ultimo emprego e olha que os carros que eu dirigi por lá nem eram tão bons quanto os seus. E tem mais... Trabalho de graça. Se precisar, até pago para trabalhar.
-Tá bom... Me convenceu. Vou ficar com seu currículo e assim que abrir uma vaga ela é sua.
-Abrir uma vaga? Não... Não posso esperar não...
-Mas não tenho a vaga agora! Os quadros estão todos completos.
-Manda alguém embora.
-Como?
-É... Manda alguém embora. Olha só a economia: mão vai gastar comigo e ainda vai ganhar algum...
-Mas quem eu mandaria embora?
-Cê tem ai um livro de registro dos seus empregados?
-Tenho... Tá aqui, pode olhar.
-Hum... Este aqui. Pode dispensar este aqui: Rajani Abayat. É indiano, né? -Tudo bem... Então vai ser ele mesmo. Só me diz uma coisa, por que perguntou se é indiano? Quase todos aqui são...
-Nada não... Só uma vingancinha pessoal... Foi um indiano que tirou meu ultimo emprego...
-Ok! Seja bem vindo à frota de táxi novaiorquino Yellow Cab! Mister? Deixa eu ler no seu currículo de novo...
-Senna. Bruno Senna, the cab driver!

8 de jan de 2011

RC e a fase black

Antes de ser o “Rei” e enveredar por fáceis baladas românticas e temas de pouca importância a musica de Roberto Carlos era algo muito relevante.
Aberto a influencias diversas e ‘antenado’ com o que acontecia no mundo, ao contrário do RC de hoje que vive trancado em seu mundo.
Ao abandonar temas clássicos do rock´n´roll: Carros, garotas e rimas simplistas do tipo “mim/assim/enfim” o cantor se tornava então um artista inquieto e criativo musicalmente, não que elas melhorassem muito – as letras – mas começavam a ter temas mais adultos e arranjos menos quadrados... Iam à direção do soul e funk americanos.

“Soul” é o rotulo que foi dado a musica negra dos EUA para encampar as canções e criações de uma safra genial de compositores e cantores como Al Green, Marvin Gaye, Aretha Franklin em sua fase fora do gospel, James Brown e outros papas do balanço.
RC e seu amigo Erasmo Carlos, o tremendão, ouviam muito isto no fim dos sixisties e resolveram que também fariam aquele tipo de musica.
A guinada rumo a musica negra norte-americana da época – ‘soul music’ mais lenta e o ‘funk’, mais balançado e rápido - começa em 1969.

O disco deste ano, “O inimitável” que é um dos poucos discos de RC a ter um titulo e não apenas seu nome na capa marca o inicio da ‘fase black’ do homem.
Baladões confessionais, arranjos calcados em contrabaixo e bateria que realmente conduziam a melodia eram a tônica do álbum. A revolução estava a caminho...

No mesmo ano ele lança um disco tremendamente violento, como nunca havia feito e nem voltou a fazer em momento algum de sua carreira. Na capa que leva só seu nome ele aparece sentando na praia, pensativo.
“As flores do jardim de nossa casa” que pasmem, não é uma canção de amor, mas sim um desabafo emocionado sobre a doença de seu filho.
E até as canções mais ‘românticas’ soavam violentas como “Sua estupidez”:
‘Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo/Meu bem/Use a inteligência uma vez só/Quantos idiotas vivem só”.
Emblemática é a versão de “Não vou Ficar” de Tim Maia.

Em 1970 põe novamente apenas seu nome na capa e lança um disco um tanto pessimista.
As canções soam mais ‘adultas’ e temas como “O astronauta” mostram alguma preocupação social.
Sua fixação em musica negra continua e além do soul desesperado e desesperador de “120, 150,200 km por hora” tem também “Jesus Cristo” que hoje é vista como marco de seu rito religioso, mas que foi feita com intenções nada sacras.
Segundo Erasmo, foi decalcada nas musicas da opera rock ‘Aquarius’ e que eles nem sabiam o que era musica gospel naquele tempo.

Em 1971 seu long-play (palavra velha esta né?) traz aquele que é considerada sua obra prima: “Detalhes”, mas é nas musicas mais balançadas que se nota que seu namoro com o funk se tornou um caso sério.
“Todos estão surdos” tem uma levada que contagia qualquer um e de novo tem tinturas religiosas (gospel) e junto com “Eu só tenho um caminho” fecham esta fase de sua carreira.
Uma curiosidade sobre este álbum é que ele trás talvez sua única ‘subversão’ política na homenagem em que faz a Caetano Veloso, que à época estava exilado em Londres, expulso do País pelo governo militar: “Você olha tudo e nada/Lhe faz ficar contente/Você só deseja agora/Voltar pra sua gente”.
Outra pequena maldade neste LP é descobrir que RC também podia ser ‘safado’ e não apenas um homem que sabe o que é o amor, mas que também sabe o que é uma pequena sacanagem...: “Se eu agi assim/Foi somente pra saber/Se existi por aí/Alguem melhor do que você”.
O futuro “Rei” confessa em “Você não sabe o que vai perder” que traiu!
Os discos que vieram depois marcam o acomodamento e até a retração de sua verve criativa. Para muitos é o começo de sua decadencia apoiada em muito sucesso e um fã clube extraordinariamente grande.
Tornou-se rei, porém perdeu a majestade criativa.

7 de jan de 2011

Pequenas maldades cotidianas

Dizem que ao tentar entrar na sede da equipe, Kova e Trulli, o elo perdido, foram barrados.
Tentaram explicar que eram pilotos da equipe e que queriam trabalhar.
Só depois de serem informados que ali era a Lotus Renault e que eles estavam no lugar errado é que tomaram o caminho da equipe correta.
Porém, quando o mesmo aconteceu na equipe malaia da Lotus, os funcionários não queriam de forma alguma deixar Kubica e Petrov irem embora.

Já sobre equipe rossa dos infernos, dizem que a saída de Chris Dyer para a promoção de Pat Fry no comando da estratégia da equipe não foi coisa do Neymar... Digo... Do Alonso.
E que também não teve nada haver com o fiasco abumdabeano de 2010, mas sim uma questão de facilitar os trocadilhos.
Com este novo chefe de estratégia é mais fácil fazer uma PatFryria... (putz) Se bem que assumir cargo de estrategista do Alonso e do Massa esta mais é para Frytura... (putz putz)

Saindo da F1. Um tablóide inglês mostrou uma foto do Ronaldo Fenômeno em férias e diz que ele deveria tomar cuidado com os navios baleeiros.
Ora! Como inglês é maldoso... Que absurdo!
O Fenômeno está apenas e tão somente cinco quilos acima do peso... De um elefante africano macho adulto.

5 de jan de 2011

Reunião da GPDA?

E em um hotel na Alemanha...
-Lewis você por aqui também?
-Pois é... Fomos chamados aqui para esta reunião com urgência... Nem pensei em não vir.
-Chamados?
-É... O Sutil veio comigo...
-Opa Trulli! Beleza?
-Beleza Adrian... Vocês sabem o motivo desta reunião?
-Nem... Deve ser coisa da GPDA.
-Não... Não é não! – diz Rubens chegando à sala.
-Opa, Rubens! A gente pesou que fosse uma reunião da GPDA.
-Não, Lewis, eu na convoquei nada... E nem meu vice-presidente.
-O Massa também não? Cê tem certeza?
-Tenho sim Jarno...
-E como pode ter tanta certeza?
-Ora, O Alonso não disse que ele podia convocar... Logo: não foi ele.
-É... Tem razão...
-Mas quem, então chamou a gente aqui?

A duvida permanecia no ar, e mesmo chegando o atual campeão mundial e seu companheiro de equipe, os pilotos da Renault: Kubica e Petrov, Kovalainen, chegando bem devagar.
Então chega Michael Schumacher...

-Ola, quem foi o idiota que convocou esta reunião?
-Pô! Michael... A gente tava aqui se perguntando a mesma coisa... – diz alguém.
-E a que conclusão chegaram?

O silêncio dá a resposta que o alemão esperava.

-Mas então... Vamos começar logo isto? – diz Hamilton.
-Não, não... Fui eu quem chamou vocês aqui, mas ainda falta gente... – Nico Rosberg faz sua entrada triunfal...
-Quem? – pergunta um perplexo Schumacher.
-Além – claro – dos nossos colegas que não estão com o emprego garantido em suas equipes, também faltam os três pilotos da Ferrari.
-Três? – pergunta Barrichello.
-É! Não é? Conta comigo... Primeiro Fernando, segundo Alonso e depois vem o Massa.
(silencio constrangedor)
-Pô gente... Era só brincadeirinha... Mas olha ai... Olha os dois chegando ai...
-Bueno, bamos logo com esta reunion... Tengo muy à fazer... No és Felipe?
-É...
-Mas diz logo, moleque, o que cê quer? É algo sobre as regras da F1 deste ano? – O “sete estrelas” perde a paciência.
-Não, Shummy...
-É algo sobre segurança nos carros? – diz Rubens.
-Nã-não...
-É algo sobre marketing? – pergunta Lewis.
-Nãããããão....
-Então fala luego, porra! – Alonso e sua habitual simpatia.
-Tá bom, tá bom... Eu queria só fazer um suspense...
-Então fala logo, por favor... – Trulli pede, com a experiência e educação que só a idade dá.
-É que eu queria vender Avon pra vocês... Tem colônia, perfume, desodorante...

Um a um, os convidados para a reunião vão se retirando da sala. Alguns xingam, outros apenas balançam negativamente a cabeça...
Alguém, não é possível precisar quem, grita “boiola” ao sair da sala.
Apenas Alonso fica...

-Mas que gente... Todos uns preconceituosos... Só você ficou Fernando... E pela sua simpatia quando chegou acho que vai me xingar também, né?
-No, no... Que és esto... És claro que yo no gostei de vir até acá em las férias, pero... Já que estoy aqui... Tienes algo para arrumar mis sobrancelhas?

3 de jan de 2011

Enter F1 - Ano novo. Vida nova?

Ano novo. Vida nova.
É o que diz o velho ditado, porém, o cidadão que cunhou a frase tão usada em fim de ano definitivamente não conhecia o povo que habita a F1 e o automobilismo em geral..
Vejamos:


Para as bandas do time de Maranello, Montezemolo - outra vez - critica decisões da FIA (Fernando International Aid) certas ou não.
E de novo é o primeiro a falar criticando os motores que serão usados em... 2013! Adiantado ele não?
De novo fala em nova categoria e de novo vai ficar tudo do jeito que está.

A Lotus – uma das duas lá – confirmou Trulli e Kova como pilotos. E ainda se diz séria e herdeira da Lotus do Chapman.
Mas o mais impressionante foi a declaração de Jarno Trulli: “-A Lotus vai levar um tempo até chegar ao topo.”.
E não é? Com ele e com o Kova pilotando vai demorar muito tempo pra chegar ao topo. E quando chegar os outros já terão saído de lá há tempos.Não entendeu? O topo da corrida no Bahrein, por exemplo, a Lotus só chegará lá quando as outras equipes já estiverem disputando o GP da China, mais ou menos...
Depois que confirmou os pilotos, ao meno comigo, perdeu a aura de equipe séria.

Kimi Raikkonen, que ficou num volta ou não volta durante o ano de 2010 afirmou que melhorou como piloto de rali. Bão... É, né?
Por mais que eu goste do cara fica difícil imaginar que piorasse. Afinal... Bem... Deixa pra lá.

Rubens Barrichello – sempre ele – declara ser movido pela paixão, o que deixemos claro: ninguém duvida. Quer mais?
Mais uma vez descartou aposentadoria.
Mais ainda?
Diz que o título deste ano é possível e que ele acredita neste sonho. Assim tem sido desde 1993.
Alguém tinha de acreditar não?

Viu? Nem tudo é novo no ano novo.