31 de mar de 2011

Contos do botequim - 6 - O sambista húngaro, pt 1

Canário acabara de chegar ao bar em companhia de Andrade que – aposentado - não tinha nada melhor para fazer.
Logo atrás entra pela porta ainda recém aberta Derico, o fiscal da natureza.
Esbaforido, o rapaz não consegue dizer de pronto a noticia que trazia.
-Canário, dá um copo de água pra ele antes que ele tenha uma sincope.
-Mineral? - pergunta o botequeiro.
-Nada, dá de torneira mesmo... – devolve o professor aposentado.

Derico ao ouvir a conversa arregala os olhos como quem se sente ultrajado.
-Nem mineral e nem de torneira, cês tão querendo me matar?
Agora quem arregala os olhos são os dois.
-Me dá ou uma cerveja. Água faz mal.
-Como assim faz mal? – pergunta Andrade.
-Eu posso ficar doente. – é a resposta.
-Fica doente nada... Ninguém fica doente tomando água. E você tem uma saúde de ferro!
-Por isto mesmo, Canário... A saúde é de ferro, cê me dá água pra tomar o que acontece? Enferruja... Esquece a cerveja e me dá logo uma cachaça.

Canário então pega uma garrafa qualquer de água ardente
-Que isto Canário! Quer me matar mesmo, né?
-Cê não pediu cachaça? – pergunta já se irritando.
-Cachaça, claro... Salinas, envelhecida quatro anos em barril de carvalho, não esta “três bombeiros” ai.
Mesmo contrariado o dono do bar serve uma cachaça mineira da cidade de Salinas.
-Mas agora conta o que você veio dizer. – pressiona Andrade.
-Ah! É... Quase que esqueço. Ele voltou.
-Quem? Voltou de onde? – quis saber Andrade.
-Camargo! O Camargo está de volta ao Brasil.
-E onde ele estava? – Pergunta Canário.
-Na Hungria, foi pra lá convidado para fazer algumas apresentações.
-Ora veja... Eu nem sabia que ele cantava. – diz Andrade.
-Pois é canta! Eu o encontrei agora a pouco e a tarde ele diz que vai estar aqui. - e entorna de uma só vez o copo com a nobre pinga.

A noticia se espalha e naquela tarde toda a turma se reúne no Canário´s para aguardar a chegada de Camargo.
Estão lá, entre outros, Andrade, Derico, Dito, Anízio, Pedro Marvio e Lucas tomando cervejas, comendo azeitonas e falando alto, mas todos se calam quando Camargo adentra o recinto.
-Boa tarde, pararam por quê?
-Opa, Camargo! – cumprimenta Andrade – Não vamos ser cínicos não... Estamos todos aqui pra saber esta história de você ter ido cantar na Hungria...
-Pois é meu caro professor... Fui mostrar minha arte lá nas Europa! – e virando para o Canário – Me dá uma água tônica light.
-Light não tem... – diz Canário
-Então me dá uma comum.
Canário serve água de torneira, Camargo toma.
-Canário! Porra... Água de torneira? Eu pedi tônica!
-Tônica é a marca da torneira... Agora conta pra gente ai que não aguentamos de curiosidade.

Continua

30 de mar de 2011

A sabedoria russa de Vitaly Petrov

E nos boxes da Renault acontecia uma reunião pouco antes da corrida.
-Heidfeld?
-Sim, senhor Eric. -Quero que você entre na pista e faça o seguinte: acelere tudo que puder nas primeiras voltas. Faça uso do kers apenas se for ultrapassar, economize. Quero que cuide de seu equipamento e que esteja ao menos seis posições à frente de sua posição de largada no primeiro pitstop. Não abuse da asa móvel para não sofrermos punição.

-Senhor Eric, me parece um tanto difícil. Mas pelo bem da equipe eu vou tentar...
-Ok Nick! Kubica ficaria satisfeito em ouvir isto...

E virando-se para Vitaly Petrov que calçava as luvas após limpar o capacete.
-Posso passar para você as instruções da estratégia?
-Poder pode... Mas posso contar uma história antes?
-Errr, pode... Claro. Desde que não demore.
-É rápido.
-Então vai...
E todos os funcionários presentes começam a prestar atenção ao que o russo iria dizer. Inclusive Nick Heidfeld.

-Quando, lá nos anos cinquenta, começou a se falar na possibilidade de mandar uma espaçonave tripulada ao espaço os norte-americanos logo começaram a fazer pesquisas e mais pesquisas para criar uma caneta que escrevesse em condições de gravidade zero. Gastou muitos milhares de dólares na confecção dos modelos, depois mais um monte de dinheiro nos testes em simuladores de gravidade zero em aviões gigantescos e nada da caneta funcionar. Não escrevia porque a tinta não descia. Os russos fizeram diferente... Foram ao espaço levando um simples lápis...

Eric Boulier e toda a equipe Renault ouviam atentos, mas sem entender absolutamente nada.

-Sim Vitaly, mas o que tem haver isto com a corrida ou com a estratégia? – pergunta Boulier.
-Tudo... responde ele.
-Pode explicar?
-Claro...
-Então?
-Sou russo, vou fazer o mais simples... Vou entrar lá e acelerar... Só isto.

29 de mar de 2011

Ava(ca)liações austrálianas - A primeira vez de um homem

Ah Austrália... Sempre lindo por lá...

Este avião decolou no sábado, logo após a seção de classificação e levava o pessoal da Hispânia para casa. Não se sabe se chegou ao destino.

E eles voltaram! A F1 Voltou! Na foto acima é possivel ver: Alonso; 1B; Nico Rosberg; A Maclaren; O Jenson Burton e até a Hispânia... Fica a cargo de vocês encontrar quem é quem.

Se for assim sempre, Vettel, a coisa fica chata. Perdoe se em algumas vezes torcermos contra você. É pelo bem da nossa diversão.


Lewis e a Maclata estavam escondendo o ouro durante a pré temporada... Que ele é bom a gente sabia, mas o carro a gente tinha duvida. Não temos mais.

Petrov comemorando. Ganhou sua primeira tigela para fazer saladas...

Depois desta foto eles iniciaram uma coreografia e cantaram: "-Io soy rebelde, cuando no sigo a los demas..."

Ah Maldonado... Quebrar uma coisa tão linda? Assim o dinheiro do Chavez não vai dar pra ficar até o fim do ano não...


Depois de meia hora chegaram os outros competidores...

"-Alô, boxes... Me diz onde está o Massa?
"-Atrás de você, Alonso... E muito."
"-Então tá certo."

Espetacular ultrapassagem em uma... Marussia... Rubens lamentou que a Hispânia não estivesse na pista para que ele também fizesse uma manobra espetacular sobre ela...

Parabéns Petrov, agora tenta ir se acostumando. Vê se aparece mais vezes...

27 de mar de 2011

GP da Austrália: Blue is in and red is out

Tem coisas que não mudam nunca.
O prazer de assistir uma corrida na Austrália? Não muda nunca.
A beleza do circuito Albert Park? Não muda nunca.
Aquele soninho que bate no meio das provas de madrugada? Até muda...
Com a idade pesando nas costas ele fica maior. Mas em um aspecto geral, não muda.
A ansiedade de sempre para a abertura de mundial também não muda nunca.
E foi ela - junto às obrigações gostosas da RoB ao vivo - que me manteve aceso até a largada. Depois apelei para coisas saudáveis como cachorro quente com café... Mas não vem ao caso. O grid apesar do quase um segundo de vantagem imposto por Vettel a Lewis Hamilton prometia, afinal – ao menos nominalmente – estavam lá os grandes favoritos a vitória.
Só que o que era promessa de emoção se mostrou mais uma promessa de político com o alemãozinho dos bois vermelhos sumindo na ponta e só sendo encontrado de novo quando a bandeira quadriculada foi agitada.
Em outras palavras, sobrou na pista.
Foi de uma autoridade irritante e até certo ponto perigosa por que se for assim durante todo o campeonato... Melhor nem pensar... Só alguns pontos que é bom destacar, até porque fazer resumo da corrida a esta altura é chato. Todo mundo fez o seu e as coisas realmente não mudam de um resumo para outro, mas vamos lá:

Massa fez uma largada muito boa, ganhando posições e até ultrapassando Alonso.
Mas ao que parece depois foi lembrado de que não podia fazer isto e voltou a ser o Massa dos últimos tempos.

1B fez uma largada tipicamente sua: para trás.
Depois tentou nos enganar fazendo um monte de ultrapassagens – em pilotos não muito difíceis. Então pensamos que: “-Olha o Rubens em dia de Kobayashi!”.
Só que um tempinho muito curto depois, bateu o carro mudando nosso pensamento para: “-Ah não, ele está em dia de japonês sim, mas em dia de Kazuki Nakajima...”.
E pra finalizar, abandonou a prova faltando dez voltas para o fim colocando a culpa nos pneus... Grande Barrichello! Está correto: A culpa é dele, então ele põe em quem quiser...
Viu como tem mais coisas que não mudam nunca?

De novidade, fora besteiras como kers, asa traseira móvel, zona de ultrapassagem tivemos um russo no pódio. Ao menos nesta corrida Vitaly Petrov assumiu para si o posto de substituto do polonês, deixando Heidfeld literalmente com as barbas de molho.E ao fim das cinquenta e oito voltas reencontramos Vettel, seguido de Lewis, o surpreendente Petrov e por Fernando Alonso, que com um carro claramente inferior contou mais uma vez com sua regularidade e – claro – com a sorte para terminar em quarto lugar.

Pior mesmo foi Webber que em frente à sua torcida, com um dos melhores carros do grid ficou apenas em quinto lugar sendo chamado por parte dos australianos de “One B”.

Destaque também para o ótimo oitavo posto de Sergio Perez, estreante que pretende fazer o povo mexicano esquecer do Ligeirinho como ser mais rápido do país.

E pra terminar uma coisa nova, ao menos em textos sobre corridas aqui no BligGroo: Trilha sonora.



A desta prova fica por conta do Jets Overhead com Blue is Red, que em certo momento da letra diz: “-Blue is in and red is out!”. Não lembra o atual momento de Red Bull e Ferrari?

26 de mar de 2011

GP da Austrália : a origem

A Austrália tem um vasto histórico quando se fala de automobilismo.
Além das empolgantes corridas de F1, há também categorias locais muito interessantes como, por exemplo, a V8 Supercars que, vira e mexe, tem pilotos seus pilotando os F1 em eventos promocionais e vice e versa...

Porém, como vimos em outro texto, tudo – desde alimentos até a fauna – na Austrália tudo é muito peculiar e seu automobilismo não poderia deixar de ser.

Eis aqui uma prova da extinta Animals in Race Car
As provas consistiam em corridas em mini ovais.
Carros com side cars andavam junto com motos por mais de quatro horas seguidas.

Junto ao piloto ia um bicho de estimação, geralmente um cão, gato ou canguru. Nunca um coala que é meio preguiçoso...

Estas provas serviram de inspiração ao desenho Speed Racer, que levava um macaquinho chamado Zequinha no banco traseiro do Match 5.


Com a evolução da categoria e a entrada de novas equipes, os pequenos animais foram sendo trocados por bichos cada vez maiores para, como as “zonas de ultrapassagem” de hoje em dia, dar mais emoção as provas.

A categoria foi extinta após a prova em que foi tirada esta foto.
Os pneus que este carro usava não duravam muito, assim como os da temporada que vai começar e em uma das milhares de paradas de box o leão comeu o piloto...

Publicado originalmente no Podium GP

25 de mar de 2011

Curso rápido sobre a Austrália

Semana de GP é sempre bom darmos uma geral no país que vai receber a corrida e desta vez é ainda mais especial, já que é o GP da Austrália e por conta do cancelamento do desfile bahrenita a corrida volta a abrir a brincadeira. A Austrália é um país sui generis.
Começa que é longe para cacete e é tão continental quanto o Brasil.
Uma de suas cidades mais conhecidas é a linda: Sidney. Assim como o Brasil tem o Rio de Janeiro. Porém a capital é Camberra, que, igual nossa Brasília, ninguém fora do país sabe que existe.

Tem uma culinária completamente estranha.
Um dos principais pratos lá é a Meat Pies, que são umas tortinhas assadas com carne moída.E você pode dizer agora: “-Ah Groo, vá se ferrar... Isto ai não passa de esfiha!”.
Pode ser... Mas por acaso você já comeu esfiha sabor canguru? E crocodilo?
O legal é que as esfihas deles são regulamentadas por lei.
É... Por lei! Cada esfiha não pode ter menos que vinte e cinco por cento de carne. Se não o bicho pega...

Eles têm lá uma pasta à base de trigo para passar no pão chamada Vegemite.Segundo consta, o treco é salgado pacas e um tanto amargo também.
Na falta, pode-se passar no pão maionese estragada que o sabor é o mesmo.
E provavelmente o piriri também.

O australiano também não abre mão de comer coisas esquisitas com pão.
Desde batatas fritas até feijão doce. Crianças levam para a escola sanduíches de pão com macarronada dentro...
E nunca, mas nunca ofereça a um australiano uma vitamina de abacate. É capaz de vomitarem em você, afinal, onde já se viu abacate com açúcar... Tem que ser salgado, com azeite e pimenta.
É estranho que o ar seja considerado puro por lá....

A fauna é um caso a parte.
Além do canguru, e do simpático ornitorrinco, há também o Diabo da Tasmânia (se é da Tasmânia, que diabos ele faz na Austrália?) e o coala. Coala é um marsupial erroneamente classificado como urso por alguns. Mas que aqui no Brasil passaria fácil por bicho preguiça.
Alimenta-se de eucalipto, o que lhe confere um cheiro natural bem agradável.
Também não é ruim pisar em cocô de coala... Pelo contrário... Se o pisante tiver chulé, pode até ajudar a disfarçar... O coala é um dos principais motivos para que os ambientalistas sejam contra a F1 naquele país.
É que um dos principais motivos de morte do coala é o stress, e convenhamos, é um stress todo ano a expectativa de que o Rubinho se aposente e nada... Ele continua lá enchendo o saco de todo mundo... Até dos coalas.
Há também o Dingo, que é um tipo de cachorro selvagem que – este sim - por ser extremamente carnívoro fede.
Bernie Eclestone e Fernando Alonso têm um cada...

No campo da música um monte de coisas boas.
Poucos sabem mas o Ac/Dc é de lá. O Midinight Oil e os esquisitos do Men at Work também...

Estes ultimos alias foram responsaveis por apresentar ao mundo o Didgeridoo.Um bambuzão medonho que é ancestral da Vuvuzela e é tão chato quanto. O treco é tocado pelos aborigenes. Os aborigenes são nada mais, nada menos que os nativos australianos que tem uma cultura protegida por lei e cheia de características bem próprias, não encontráveis em nenhuma outra cultura...
Se bem que, aqui em São Paulo também tem aborigenes...Mas os de lá tem a vantagem de não ir aos estádios e ficar gritando: “-Aqui tem um bando de loucos...”.

Viu como não é só de Jack Brabhan, Allan Jones, Vern Schuppan e até no Webber que se pode falar quando se pensa em Austrália?

24 de mar de 2011

Liz

Não sou hipócrita. Nunca vi um filme dela.
Nem os cult e nem os arrasa bilheteira.
Nunca li um livro sobre sua vida e nem mesmo assisti documentários.
E logo agora em que ela se vai não vou ficar aqui louvando seu talento ou comentando suas passagens, sejam elas trágicas, cômicas, românticas ou que for.
Não...
Não é meu estilo
Então o que posso dizer sobre Liz Taylor?
Simples... Ela tinha os olhos mais bonitos que já vi.
Uma nuvem cobre o céu
Uma sombra envolve o seu olhar
Você olha ao seu redor
E acha melhor parar de olhar
São olhos iguais aos seus
Iguais ao céu ao seu redor
São olhos iguais aos seus
O que faz as pessoas parecerem tão iguais?
Por que razão essa igualdade se desfaz?
Qual é a razão desse disfarce no olhar
?

23 de mar de 2011

Multidão, o termômetro

Nada mais exato para saber a relevância de uma informação que a reação de uma multidão.
Então imagine ai que a sua frente está uma multidão.
Daquelas que é impossível até de fazer uma estimativa. Em termos leigos: uma ca*****da de gente.
E que eles estão sendo informados agora das seguintes noticias. A Hispânia perde funcionários, culpa a crise e pode ir à falência.
Pode-se entrever nos olhares um ar de certo: “-Conta uma novidade agora!”.

Diretor da Ferrari diz que Massa tem de acompanhar o ritmo de Alonso.
Agora as fisionomias se enchem daquela indignação nacionalista.
Sem se esforçar muito ouvimos: “-Mas ele acompanha! E nem ultrapassa...”.

Vettel propõe greve de pilotos e cita quantidade de botões no volante.
Agora o que se vê estampado nos rostos é a revolta.
“-E se o cambio ainda fosse uma alavanca?” – grita alguém.

Chandok é anunciado como reserva na Lotus.
Risos, gargalhadas. Gente perdendo o fôlego de tanto rir.
Alguém, reunindo as últimas forças ainda diz: “-Tá no nível do resto da equipe.”.

Rubens Barrichello reclama pelo twiter que não consegue sair da Argentina e diz que assim fica difícil chegar à Austrália.
Silencio. Todos parecem estar suspensos.
Alguém grita: “-E há chances mesmo que ele não vá?”.
Outro responde: “-Sim!”. Então há cantos e danças. Pessoas se abraçam. Rojões são soltos no ar.
Minutos depois vem a noticia:

Também pelo Twiter Rubens diz que tudo está normalizado e que ele já está indo para o GP.
Frustração, tristeza, desanimo. “-Alegria de pobre dura pouco mesmo...” – diz outro, muito chateado.

22 de mar de 2011

Antes era pior... 7

Mais um capitulo da série e desta vez voltando ao KERS.
Se agora é complicado entender o funcionamento do dispositivo, é só recorrer a sua segunda versão que tudo fica mais fácil.
Como se vê na foto, o KERS faz uma espécie de super alimentação do motor para ganhar uns cavalos a mais.
Agora esta carga vem em forma de energia elétrica proveniente das freadas, mas antes a super alimentação dos cavalos a mais do motor vinham de forma mais tradicional.
E claro, era necessário parar nos boxes...

21 de mar de 2011

O fim de semana da família Obama

Barack Obama acordou pela manhã na sexta feira e disse para sua esposa Michelle
-Querida, estou cansado de hambúrguer com batata frita e coca cola... Vamos comer fora?
-Sim, claro... Posso escolher o lugar desta vez?
-Of course...
Então ela pega um mapa e com os olhos fechados aponta a esmo.
-Aqui... É o Brasil!
-Ah, não, Brasil não... Eu não gosto de guaca mole...
-Você disse que eu podia escolher.
-Tá bom, tá bom... Vou mandar calibrar os pneus do Air Force One... Saímos de casa às nove da noite... Arruma as crianças. Então pontualmente no horário o avião presidencial decola rumo a capital brasileira que o GPS presidencial insistia em dizer que é Buenos Aires.
Às sete da manhã o avião pousa em solo brasileiro.
-Viu como o país é legal? – diz Obama ao piloto – Nem tivemos problemas para estacionar e nem apareceram flanelinhas...

Ao descer do avião é recepcionado por uma pequena comitiva. Por não saber de quem é quem, Obama acha melhor não dar gorjeta.
Embarcam em um enorme Cadillac blindado, Obama pensa em se oferecer para dirigir, mas desiste. Vai que pensam que ele é chauffeur...

Ao chegar ao Palácio do Planalto é recebido pela presidente Dilma que elogia a elegância da primeira dama americana.
-Pena que não posso elogiar seu marido! – sorri o manda chuva estadunidense pensando na reciprocidade das relações comerciais...

No almoço estavam presentes além de Dilma e - claro, o casal Obama e Michelle - Lula e FHC.
-Quem são? - perguntou Michelle à Obama, entre dentes.
-Os ex. - responde ele discretamente.
-Os dois? – se espanta.
-Pois é... Isto que é democracia, não? E são de partidos diferentes até...
-Democracia nada... Isto é promiscuidade isto sim...
Na saída, já familiarizado com os costumes da terra Obama dá três beijinhos em Dilma.
-É pra casar? – pergunta ela.
-Não, já sou casado. – e pensa -. Nem que estivesse bêbado...

De volta a base aérea, Obama finalmente dá gorjeia a pessoa que o levou até o avião: era o ministro das relações exteriores.

Ao estacionar o Air Force One no Rio, Obama ordena ao piloto que proteja o avião:
-Liga o alarme, o car sistem e não esquece a trava carneiro. Aqui é Rio mano!
Na Cidade Maravilhosa cancela discurso que faria na Cinelândia após saber que Neguinho da Beija Flor seria o mestre de cerimônia. Queria evitar ter de ouvir: “-Olha o Neguinho dos EUA ai gente!”.
No discurso dentro do Teatro Municipal ele finalmente fala:
“-E citando um grande estadista brasileiro que discursou em meu país eu digo: “Love, love, love”“.



Mais tarde vai até a Cidade de Deus e é ovacionado pelos moradores.
-Oô, oô Obama é melhor que o Eto´o! Obama é melhor que o Eto´o!
Ao que ele acenando e sorrido responde:
-Obama o ca****o, eu sou Zé Pequeno, porra!

Antes de ir embora, já dentro do avião ele se lamenta:
-Belo país... Mas fiquei frustrado, perdemos o carnaval por duas semanas e nem sequer vi um Fla/Flu... Só não fui a São Paulo porque não gostei de saber que eles me acham parecido com o Jorge Henrique e me recuso a dizer que também faço parte do bando de loucos... Da próxima vez eu escolho quando e onde vamos passar o fim de semana...

18 de mar de 2011

Voze femininas - ou - Porque não gosto de Shakira

Há um hype na imprensa por conta da visita da gritante colombiana Shakira ao Brasil.
Com um show igual aos de onze entre dez cantoras da atualidade – rebola junto com cem bailarinos no palco enquanto finge que canta – difere de Madonna pela idade e de Lady Gaga pela falta do visual alienígena.
Sua voz não é uma unanimidade: alguns acham insuperável e outros acham insuportável.
Estou no segundo grupo, afinal aprendi a gostar de vozes femininas através de cantoras incontestáveis e sendo assim, não há como sequer simpatizar com estas farsas...

Vamos começar com a diva maior do Jazz: Billie Holiday.
Teve uma carreira errática e marcada por excessos de droga, amores ruins.
A infância pobre e carregada de preconceito – como era de praxe aos negros de sua época – moldou a voz clara, límpida e sofrida.
Sobre o preconceito ela trata em “Strange Fruit”, uma canção até certo ponto considerada menor em sua extensa lista.
Gravou standards da canção americana (I love you Porggy , Aprill in Paris, As time goes by, etc…), blues (The lady sing the blues, Strange fruit, Stormy blues), jazz (Stormy wheater, Sophisticated lady,) e pop (Blue Moon, Night and Day, Smoke gets in your eyes, Summertime, aquela mesmo de Janis Joplin) com a mesma categoria e elegância. Costumo dizer que até quem não sabe patavina de inglês entende quando Lady Day canta sobre o amor.


Na mesma linha vem Ella Fitzgerald, que além de ter uma das vozes mais lindas e potentes da música sem perder a suavidade ainda se aventurou em terrenos perigos a cantoras de sua estirpe.
Fez versões extremamente polidas e pessoais de clássicos do rock (Hey Jude dos Beatles, Sunshine of your love do Cream).
Porém foi com os clássicos do Jazz que se consagrou: A night in Tunísia, All that jazz, Mack, the knife...


Quando o jazz e o blues ficaram pequenos – se isto pode ser possível – surgiram cantoras vindas das igrejas com um misto dos estilos citados e mais: gospel.
Estava criado o soul e com ele surge sua primeira dama: Aretha Franklin.
Ainda que tenha cometido pecados pequenos ao se vestir de diva pop, sua obra é repleta de pérolas imortais: Natural Woman, Respect, Chain of fools, Say a little prayer.
No gospel: Son of a preacher man, A change is gonna come, People get ready.
E versões magistrais como a de Jump Jack flash dos Stones.


Com história de vida tão conturbada quando a de Billie Holiday – registrada no filme Cadillac Records - Etta James é a bad girl do soul.
Suas canções são interpretadas de forma pessoal e passional dando a impressão que todas foram escritas para ela.
Spoonful, Tell Mama, At Last, Hoochie coochie girl, I’d rather go blind são de tirar o folego.


Katharine Whalen
é a voz feminina do combo Squirrel Nut Zippers, especializado em swinging jazz, e standards.
A voz delicada é responsável por pequenas pérolas como Pince Nez, It all depends, My drag, Danny Diamond, e a soberba Low down man.
Sua versão para o clássico da Disney: Under the sea é simplesmente uma delicia.


E no Brasil, claro, Elis Regina, que na falta de palavras corretas para exprimir o tamanho da admiração fica apenas o vídeo.

17 de mar de 2011

Expectativas dos pilotos para a Austrália

O que espera cada um dos pilotos para a primeira prova da temporada?
Não é um exercício difícil de se fazer se levarmos em conta que a primeira vista todos esperam, no mínimo, terminar a prova. Se possível nos pontos...
Mas é só? Não!... Vejamos:
Sebastian Vettel: “-Espero começar o ano como terminei o anterior: ganhando.”.
Mark Webber: “-Espero que o ano comece tão bom como foi o ano passado pra mim...”.
Lewis Hamilton: “-Tomara que o carro me deixe mostrar o quanto sou bom!”.
Jenson Button “-Tomara que eu possa mostrar o quanto o carro é bom.”.
Fernando Alonso: “-Tomara que aquele Petrov não esteja na minha frente.”.
Felipe Massa: “-Espero não estar na frente daquele Alonso.”.
Nick Heidfeld: “-Sei que é chato, mas inda bem que o Kubica se machucou, eu estava desempregado...”.
Vitaly Petrov: “-Sei que é chato, mas ainda bem que o Kubica se machucou se não era eu que estava desempregado.”.
Michael Schumacher: “-Boa oportunidade pra achar dentro de mim “o cara” que já fui.”.
Rico Rosberg: “-Boa oportunidade pra achar um cara pra mim...”.
Rubens Barrichello: “-Este ano é meu, ninguém pega!”.
Pastor Maldonado: “-Este ano é meu, já tá pago!”.
Adrian Sutil: “-Eu gosto da Austrália... Ah o Crocodilo Dundee...”.
Paul di Resta: “-Sei que na Índia o crocodilo é sagrado, mas não to entendendo a fixação.”.
Kamui Kobayashi: “-Tanto faz se é na Austrália ou no Bahrein, eu ultrapasso mesmo...”.
Sérgio Perez: “-Preferia que fosse no Bahrein, lá ninguém me ultrapassaria. Mesmo.”.
Sebastien Buemi: “-Vou me dar bem. O carro é bom e meu companheiro é um Zé ruela.”.
Jaime Alguersuari: “-Vou me dar bem. O carro é bom e meu companheiro é um Zé ruela.”.
Jarno Trulli: “-É ruim ser o ultimo italiano da F1, mas poderia ser pior: eu poderia ser O Liuzzi e estar na Hispânia!”
Heikki Kovalainen: “-É ruim ser o ultimo finlandês da F1, mas poderia ser pior: eu poderia ser o Trulli...”.
Vitantonio Liuzzi e Narain Indiano: “-Seria bom estar na F1 este ano...”
Timo Glock e Jerome D´Ambrosio: “-E nós concordamos com os caras da Hispânia, mas pelo menos nosso carro tem um amortecedor...”.

16 de mar de 2011

Antes era pior... 6

Dando continuidade a série que diz que antes era pior temos o botão de hidratação.
Hoje o piloto aperta um botãozinho e recebe por um canudo seu isotônico, água, vodca...
Mas antes era terrivelmente diferente...
Ele passava pelos boxes e erguia o braço esquerdo mostrando com os dedos o que queria:
Um dedo era: água.
Dois dedos: suco.
Três: cachaça.
O punho cerrado era champanhe, afinal ele tinha ganho a corrida...
E só o dedo do meio era sinal que a equipe estava querendo algo que ele não podia fazer.
Então, quando dava o sinal, na volta seguinte vinha alguém até o pit wall e jogava o pedido para dentro do carro, como prova a foto...

Publicado originalmente no Pódium GP

15 de mar de 2011

O ínicio da lenda

E naquele momento Deus começou a pensar o universo. Imaginou então uma vastidão espacial com muitas estrelas que emanassem luz e muitos outros corpos celestes sem luz própria.
Colocou uns nas órbitas dos outros e dividiu tudo em galáxias, sistemas solares e constelações.
Em alguns, não muitos, criou atmosferas e deu condições para o surgimento da vida, a qual Ele também criou...

Fez todos os seres vivos e os distribuiu por água, ar e terra e foi dando os nomes a cada coisa criada.
Pedra, cachorro, pássaro, pulgas... Tudo em seu lugar e um lugar para tudo.
Nada foi esquecido, nada foi ignorado.

Trabalhou por seis dias consecutivos sem descanso e na ultima hora do sexto dia criou uma forma de colocar tudo em funcionamento.
Criou então um sistema em que uma explosão empurraria toda sua obra pela vastidão infinita de forma que tudo chegasse a seu lugar e tudo ficasse preenchido com suas obras.
Criou um mecanismo para acionar a explosão dotada de um pequeno botão em uma caixa que, sem uma idéia melhor, chamou de “big bang”. Já cansado, mas com a intenção de só descansar no dia seguinte, Deus chamou Hebe Camargo e pediu:
“-Por favor, segura o “big bang” para mim enquanto vou tomar uma água?”.
Ao que ela respondeu: “-Esta coisinha fofinha? Esta gracinha? Claro que seguro, e vou até dar um selinho!”
E beijou o dispositivo com tanta força e vontade que a enorme explosão se deu criando tudo que hoje se conhece e o que ainda não conhecemos...

Sem outra opção, Deus sentou-se e declarou: “-Que comece agora o sétimo dia....” e descasou.

Pode-se não gostar de Hebe, mas que é bom vê-la trabalhando e com saúde, é!
E pra quem não gosta – como eu – é só não assistir e deixar que quem goste se delicie.