29 de set de 2011

Mike Coughlan fala dos projetos da Williams

E nesta manhã a fábrica da Williams em Grove recebeu alguns novos funcionários - diretos e indiretos – e novos equipamentos. A chegada de Mike Coughlan ao time trouxe também uma nova filosofia como explica o próprio: “-Bem... Nós estamos trabalhando duro neste novo conceito e esperamos que os resultados já apareçam logo na primeira etapa do ano que vem.”.

Perguntado se o que espera na corrida australiana que abre o campeonato de 2012 é nada menos que a vitória, Coughlan respondeu: “-Vitória é um exercício insano de otimismo, e não somos loucos.”.

Até onde se pode averiguar, Coughlan espera que sua nova equipe só ande atrás dos bólidos da Red Bull, e ainda assim apenas na primeira metade do campeonato.
Mas em off confidenciou: “-Dependendo de quem seja o companheiro de equipe do Pastor Maldonado, este prazo para ultrapassar em performance os carros de Newey seja encurtado, e se Kimi estiver pilotando para nós, espero que antes da sexta ou sétima etapa ele já esteja à frente de Webber e brigando de igual para igual com Vettel pelas vitórias.”.

E ao ser questionado de onde vem tanta confiança respondeu:
“-É muito complicado fazer com que algo seja ou fique melhor que os originais de onde saíram com muita rapidez, mas agora temos maquinas e equipamentos capazes de produzir projetos tão bons quanto os da principal concorrente e – muito importante – gente capaz de operá-las sem se atrapalhar ou fazer besteira.”

Mike fez jogo duro e não quis revelar de forma alguma que equipamentos são estes ou quem seriam os profissionais, porém ao fazer citações breves a Nigell Stepney, como alguém que não soube usar o que tinha em mãos, assinar ordens de serviço das entregas de maquinas copiadoras da marca Xérox e receber várias ligações de alguém que ele chamava de “Mr. Rob Bull” acabou dando algumas pistas.

Mais importante acabou sendo a resposta a ultima pergunta feita por um repórter italiano que trabalha para um site brasileiro com um sotaque quase ininteligível chamado Máximo:
“-E senhor Coughlan, este projeto grandioso de erguer a Williams tem um nome?”
“-Yes, of course: Red CrtlC+CtrlV!”

28 de set de 2011

Recadinho do Nelson para o Felipe

Na madrugada de segunda feira após a corrida em Singapura, Felipe Massa chega ao hotel Fullerton, onde estava hospedado e vai checar a caixa de mensagens de voz de seu celular.
Entre declarações de amor da patroa, algumas cobranças de desempenho de amigos, mensagens de “boa sorte” antes da corrida e “bom trabalho” depois havia uma que chamou a atenção do piloto da Ferrari: -Alô! Sei que você não vai atender este celular ainda, deve estar naquelas reuniões chatas pra cacete depois de cada prova então vou deixar logo meu recado. Porra Felipe, sei que não somos muito próximos, mas eu precisava falar isto, se não eu não ia dormir direito e meu médico mandou que eu não perdesse sono... Lembra quando eu dei umas porradas no Salazar? Aquele chileno que devia dirigir caminhão na cordilheira dos Andes? Não vai me dizer que não sabe ou nunca viu porque tem de monte no youtube... Pois é... Ele me tirou de uma corrida que depois de uns tempos eu soube que nem ia ganhar mesmo e eu desci a porrada nele. Nem esperei ele tirar a porra do capacete, desci a mão. E olha que eu já era campeão do mundo não precisava provar mais nada pra ninguém. E o que dizer do Eliseo então? Era o que é hoje, um ninguém na F1, ou melhor, hoje é o cara que tomou porrada do Piquet! Não era. Nunca foi e nem que corresse por mais dez anos nunca seria um Lewis Hamilton. Então, quando o próprio Hamilton, campeão mundial, piloto queridinho entre 4 de 5 jornalistas especializados vem e te bota pra fora de uma corrida, no momento conturbado que cê tá vivendo o que você faz? Vai lá e soca ele até passar a raiva? Não! Dá um tapinha no braço e diz: “-good job!”... Porra cara, e nem foi a primeira vez que ele fez isto contigo... Vá cagare, como você mesmo disse de outra vez... Pqp Felipe! Perdeu a chance que tinha de se redimir... Quer saber? Você foi muito é bunda mole! Pronto, falei...

Massa sabe que verdades às vezes são duras e que têm de ser ditas, nem que seja atiradas na cara com tanta força...
E claro: lição de mestre, ainda que em um esporro, não é para se esquecer.
E nem apagar do celular.

27 de set de 2011

Singapura 2011 facts - Ava(ca)liações singapurianas

Singapura 2011 facts são mais maldades que fatos, mas vamos a eles como ava(ca)liaçãoes. Lembrando que as imagens tem pouco ou nada com os textos...

Definição mór de maldade: jogar uma moeda de cinco centavos na caneca do cego
para ele ouvir o tilintar e tirar uma nota de dez que dava sopa lá dentro.

A diferença entre as tocadas de Button e Hamilton reside no uso das lingeries de suas namoradas. As de Nicolle provavelmente são mais apertadas. O que explicaria a pressa de Hamilton em terminar logo a corrida.

Muitos comentaristas se apressaram em dizer que o toque de Hamilton em Massa foi acidente de corrida.
Só que de acidente em acidente de corrida, Hamilton já está fazendo frente à Satoru Nakajima como perigo sobre rodas. Logo logo, alcança o Coulthard em fim de carreira...

Após a prova, Massa interrompeu uma entrevista de Hamilton, que agia como se não tivesse feito nada demais e mandou um: “-Good job!” bem sarcástico e irônico.
Hamilton teve muita sorte de ser apenas Felipe Massa e não o Anderson Silva que lhe bateu no ombro...

Negrito
O “good job” seguido de tapinhas no braço de Lewis teve a mesma carga emocional do “vá cagare” para Felipe Massa.
Curiosidade? Nos dois lances ele é que se deu mal...

Vettel nem grita mais “good work guys” ao fim das provas, deixa um arquivo mp3 gravado para disparar quando cruza a linha.
Qualquer dia destes nem vai ganhar a prova, mas vamos ouvir isto da mesma forma. E nem to falando da corrida do Japão.

Nunca vi um jogo de equipe como o feito pela equipe Mercedes nesta corrida. Os dois pilotos – Rosberg e depois Schumacher – tentando tirar Sérgio Perez da corrida a todo custo.

E o mais legal é que o mexicano sobreviveu aos ataques, já o Schumacher...

Singapura foi a ultima chance de alguém tentar tirar o título de Sebastian Vettel, era só provocar um apagão no meio da corrida, mas onde está o Briattore quando se precisa dele?

Apagão mesmo, só o de Lewis Hamilton, mas deste é sempre esperado algo assim.

E por ultimo, um grande campeão não pode ser revelado a noite sempre. Já chega o ano passado... Tem que vir da terra do sol nascente de vez em quando.

25 de set de 2011

GP de Singapura - Big City Nights (e só...)

Era uma vez uma cidade que se separou de seu país e se tornou um estado.
Era uma vez uma cidade estado que prosperou a níveis até então nunca vistos no mundo.
Era uma vez uma prosperidade que atraiu os olhares do resto do mundo, mas não da forma como seus lideres queriam. Eles achavam pouco.

-Mas o que fazer para mostrar nosso poderio econômico de forma pacifica?
-Que tal trazer os carros mais rápidos do mundo para correr em nossas ruas? – disse alguém.
-Boa idéia, mas até lugares menos privilegiados do mundo tem ou já tiveram suas corridas com aqueles carros... África do Sul já teve um lembra? E os tempos lá naquela época nem eram tão prósperos quanto hoje...
-Verdade... E que tal se fizéssemos à noite?-De noite? Mas aqueles carros não têm farol...
-Ai é que nós inovaremos, iluminaremos tudo de forma nunca vista em espaços tão amplos, faremos história e provavelmente abriríamos precedentes...
-Beleza! Façamos...

E com a bênção de São Bernie, o santo das causas financeiras, surgiu um dos espetáculos plasticamente mais belos do automobilismo. Com a corrida noturna, a F1 ganhou outras cores, outros tons e um novo charme.
Se o espetáculo visual era bom, o mesmo não podia ser dito da parte desportiva.
Filas indianas intermináveis, corridas longuíssimas quase chegando ao limite de duas horas regulamentares da categoria. Foi necessário que houvesse uma grande fraude protagonizada por um jovem piloto brasileiro a mando de um velho carcamano italiano em prol de um conhecido sacana espanhol para que a corrida fosse realmente lembrada pelos fãs.
Daí em diante, todo ano ficava a expectativa de que algo acontecesse.
Mas no máximo víamos Schumacher tirando alguém da pista, Webber se enroscando com Hamilton e este ultimo ficando fora da prova...
Assim chega-se a 2011 e com o campeonato praticamente decidido em favor de Vettel e podendo ter seu ponto final nas ruas iluminadas da cidade estado de Cingapura.
Com a sua corrida por vezes muita chata, era um medo que todo verdadeiro fã de F1 tinha, ainda mais sabendo que a corrida seguinte será em um dos templos do automobilismo mundial: a sinuosa pista japonesa de Suzuka.

Vettel larga na pole e abre 8 segundos em sete voltas, some na frente, não sofre nem quando um safety car (legitimo) vem à pista.
Vence fácil, fica a um ponto de garantir o bi campeonato. Atrás dele uma corrida típica de Singapura: um segundo colocado fazendo brilhareco no finzinho, Hamilton fazendo cagada em alguma hora, safety car por barbeiragem, Massa sem muita vontade e alguns acidentes impressionantes.
De novidade mesmo, apenas a efetividade do DRS pela primeira vez na temporada.
Até aqui não tinha sido preponderante em nada em lugar algum.
Se aproveitando disto Lewis Hamilton fez um monte de ultrapassagens e chegou em quinto.
A corrida foi ruim? Não.
Surpreendentemente ficou no mesmo nível das outras corridas da temporada, o que está longe de ser ruim.
Que vem há Suzuka, que novamente vai coroar um campeão.
E com justiça, afinal Vettel está na mesma linhagem de gente muito importante que já levou o título correndo na terra do sol nascente.
Que se faça lá a luz natural, que em Singapura, não é convidada da festa.


23 de set de 2011

Rock in Rio - Decadence avec elegance

E nesta sexta feira começa a quarta edição nacional do Rock in Rio.
Nacional? É... Tivemos dois “Rock in Rio na Europa”, a saber: Lisboa e Madrid e o que isto tem haver com o “Rio” do nome do festival eu não sei, porém...
Muito se falou sobre e contra a escalação das atrações, da quantidade de “lixo” que vem, mas infelizmente o line up de cada edição diz apenas sobre o momento da musica no mundo. De como a coisa vai decaindo de qualidade através dos anos e das edições.

No primeiro Rock In Rio, no longínquo 1985, também vieram coisas horríveis como as GoGo´s, o B52, Nina Haggen. Para cada show do Queen, Yes, Scorpions, AC/DC que, aliás, eram dos anos 70, houve um do Al Jarreu, George Benson, James Taylor.
Não eram atrações ruins, mas não eram de rock propriamente dito.
A ala nacional, ainda pobre em grandes nomes de rock levou ao palco Alceu Valença, Moraes Moreira, Baby Consuelo e seu então marido Pepeu Gomes, Ney Matogrosso e até Ivan Lins, que convenhamos, a despeito de todo seu talento, nunca tocou rock na vida...
Do ainda claudicante rock brasileiro havia Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Erasmo Carlos, que sim, fazia e faz rock.
Tinha também “lixos” com a Blitz e Eduardo Dusek, mas era coisa da época e se entende suas escalações.

No segundo, 1991, as atrações não eram do mesmo nível, óbvio, mas a musica também não era mais a mesma. Guns´n´Roses no auge, Megadeth, Inxs, Santana, Judas Priest, Faith no More mostram que mesmo os grupos mais badalados não eram lá estas maravilhas...
O Megadeth fazia o mesmo som que o Metallica, porém o próprio grupo de James Hatfield era relativamente novidade, o que limpa a barra dos dois.
Guns – tirando o vocalista com voz de pato Donald - não lembra Led Zeppelin?
Judas Priest não encarna o que havia de mais clichê no heavy metal?
Faith No More, guardadas as proporções de peso a favor e de swing contra, não fazia a mesma mistura que Sly and Family Stone nos anos 60/70?
Inxs não é um pastiche de Stones com Doors e pop music barata?
E o Prince? O Pince que se foda, cara chato com musica chata.
Os “lixos” da vez vieram na forma de Dee Lite, Information Society, Debbie Gibbson, Happy Mondays, Lisa Stansfield... Coisas que hoje, graças a Deus, pouquíssima gente lembra que existiu.
Apesar de bons shows dos Titãs e dos Engenheiros do Hawai e Hanói Hanói e um desrespeitado Lobão a música brasileira mandou ao palco os mesmos Moraes, Pepeu, Alceu, da primeira edição. Junto de “porcarias” como Supla, Léo Jaime e Capital Inicial que vivia e viveu das sobras da obra de Renato Russo e hoje pensam que são – apesar de já terem cinquenta anos de idade – adolescentes cheios de espinhas.
Sem contar Inimigos do Rei, Laura Finokiaro, Vid e Sangue Azul e Serguei, que ninguém soube dizer de onde vieram e nem para onde foram.

No terceiro no não tão distante 2001 os shows maravilhosos do REM, Foo Fighters, Guns´n´Roses renovado e reestreando em palco e do eterno Neil Young conviveram com os “meia boca” total de Oasis, Red Hot Chilli Peppers. E ainda houve em uma só noite “aberrações” do porte de Aaron Carter (who?), Sandy e Junior, Five, Britney Spears e N´Sync. Coitado do bravo Moraes Moreira- de novo - a quem coube a abertura daquela noite.
A edição foi tão estranha que ironicamente Carlinhos Brown – vaiado e atingido por garrafas plásticas e copos de água – saltou no meio da platéia e apanhou, paradoxalmente, com uma placa onde se lia: paz.
Como se vê, cada edição representou o que havia na música à época, a decadência da própria música e do mercado, que dá voz e importância a coisas cada vez menos relevantes.

Assim também é nesta edição que aproxima.

Nesta linha de raciocínio entende-se que no lugar de Moraes, Alceu, Elba e Pepeu tenha-se Ivete Sangalo e Claudia Leite.
Só não se entende a posição de cada qual na grade de apresentação.
Como deixar lixos como o Capital Inicial no palco principal e mandar revelações como Marcelo Jeneci para um secundário?
Como colocar Sepultura neste mesmo palco secundário e deixar ilustres desconhecidos como Coheed and Cambria no principal?
E suprema heresia! Os Mutantes - que se existe rock brasileiro respeitado no mundo é por causa deles – tocando às duas da tarde no segundo palco enquanto Detonautas tocam no principal já à noite?
Decadência não tem jeito, mas montagem de grade deveria ter.

22 de set de 2011

Nevermind: 20 anos do disco que salvou o rock

O rock em 1991 andava meio chato, muita roupa justa de couro, muita cara de mal sem nenhum conteúdo, muita rebeldia de supermercado e muito cabelo cuidadosamente despenteado fixado com laquê.
Musicalmente, era um amontoado de clichês de heavy metal por vezes muito mal executados.
Com letras, embora berradas quase ao esganiçamento, eram coisinhas “românticas” cheias de “I love you”, “Don´t wanna miss you”, “Never say goodbye” e “Don´t give me alone”. Uma tremenda choradeira. Pouca coisa se salvava.
Entre os que conseguiam ser um pouco relevantes havia o Guns´n´roses, que mesmo abusando de alguns itens da descrição acima, ainda tinha alguma “credibilidade de rua”, tocava razoavelmente bem, injetava polêmica com alguns toscos preconceitos nas letras.

Era isto ou os odiosos grupos de dance music, boy bands e aqueles de sempre.
Os engrandecidos e mumificados do inicio dos 80 que nunca mostraram ter qualidade musical comprovada, apoiados em muita imagem e pouco som.Sem contar os dinossauros de sempre, que eram bons, mas: ou já não estavam na ativa ou não falavam mais a linguagem dos jovens e adolescentes.

E só para situar.
O adolescente dos anos 90 já não era mais o hippie desbundado dos anos 70, mas também não era o festeiro deslumbrado e meio bobo dos anos 80.
Ansiava por algo que tivesse a sua cara, seu jeito de pensar. Que entendesse e tivesse as mesmas necessidades de expressão.
Que aliasse e misturasse melodias assobiáveis com agressividade. Tratassem de suas pequenas certezas e principalmente: suas enormes dúvidas.

É neste contexto que, vindos de uma cidade fria e chuvosa como Seattle, um monte de moleques de classe média/baixa, instrumentos por vezes de segunda mão começam a tocar apenas para ter o que fazer com seu tempo livre, ocioso e de tédio.
Começam a fazer shows pela cidade subindo ao palco com as mesmas roupas que usavam para ir à padaria e sem nenhuma produção pomposa.
Logo começam a gravar discos com a mesma qualidade e quase a mesma pegada simples dos palcos.

Depois surgia – quase que do nada, mesmo sendo o segundo disco dos caras – Nevermind, com toneladas de peso, melodias infernais, vocais berrados como se não houvesse amanhã ou mesmo próxima faixa, devolvendo o rock aos jovens das ruas, aos caras simples com uma guitarra, pouca técnica e muita vontade de se divertir.


O que veio depois é história e todo mundo sabe como foi e o que aconteceu.
O Nirvana salvou o rock.

21 de set de 2011

O discurso de Dilma na Onu - as partes cortadas

(Voz – traduzida - no sistema de som) “-Senhoras e senhores, para abrir a assembléia geral da ONU, temos o prazer de receber a excelentíssima senhora presidente do Brasil: Dilma Rouseff”.
(Aplausos)
-Senhoras e senhores. Chefes de estado... É presidenta... Eu escolhi presidenta. E não presidente. Ofende o léxico? Até ofende, mas quem manda lá sou eu... Presidenta do país... (olhares confusos).

-Mas não vim aqui falar da forma em que meu cargo deve ou não ser chamado, coisas protocolares cabem ao protocolo que, aliás, não fez sua parte avisando isto ao locutor... Tá pensando que eu sou o Lula? Eu tenho barba por acaso? Eu uso Chanel 5 e não Velho Barreiro atrás da orelha... (aplausos moderados)

-O tempo é de crise, todos nós sabemos. A Grécia quer dar o calote e até meu amigo Obama aqui do lado já está tendo que apertar o cinto, (virando para Barack) na esperança de economizar uns trilhõezinhos né? Mas ainda assim a vida segue e alguns projetos não podem ser interrompidos. Há necessidade de enfrentar estes tempos com coragem. Coragem e um porrete pra bater nos gregos e uma calibre doze pra quem não aceitar o ajuste fiscal, né Obama? (aplausos incrédulos)

-Lá no meu país, por exemplo... Nem tudo são flores lá. Tenho uns aliados que lá que vou te contar viu... Não caçam ninguém por corporativismo, fazem uma cagada atrás da outra nos ministérios... Os que eu posso mando embora. Mas não adianta, vem outro e faz pior... Acho que vou mandar capar, assim assusta e ninguém faz mais merda. (alguns aplausos e algumas engolidas em seco)

-Meu antecessor, o Lula, cês devem lembrar dele... Não? É um que o Charles Nisz vive puxando o saco e endeusando... Então, ele me arrumou dois pepinos... Uma aliança com o PMDB, que em uma questão que só se pode dizer sim ou não, diz talvez, e me arruma uns ministros fuleiros, e a tal copa do mundo. Ô treco chato. Tanta coisa pra fazer no país e a gente fica ouvindo gritaria por obra de estádio atrasada. Aeroporto insuficiente, meio de transporte... E o tal Ricardo Teixeira achando que é o homem do ano. Pô Lula olha só o tamanho do cheque pré-datado que você me deixou? E nem sei se o caixa do país tem a grana pra cobrir,viu...
(olhares pasmos)
-Cês não sabem que é o Charles Nisz? Então... Lembram do polvo Paul na copa? Aquele que acertava tudo? O Charles é igual, mas ao contrário... Erra tudo e mais um pouco. (aplausos e uns "ahhhhh")

-E ainda tem aquele cara de areia mijada do Andrés Sanches, gerente, supervisor sei lá o que de um clube lá do Brasil, um tal de curintia.... Cês não sabem do que se trata, eu sei e entendo. Devem conhecer o Santos, o São Paulo, o Flamengo... Ele fica pra lá e pra cá falando que o estádio que vão construir pra ele não tem dinheiro público... Dinheiro de imposto é o que? E o pior, dinheiro de imposto que não vai entrar no cofre... Fosse por mim metia este cara na cadeia...
(aplausos fervorosos)

-Por ultimo, ainda bem que trocaram a camisa da seleção. Não agüentava mais aquela camisa de treino que eles estavam usando... De treino sim... Só colocaram uma faixa verde no peito para cobrir o patrocinador. Se bem que, com aquele monte de ator que tem na seleção, fingindo saber jogar, que sabe ser técnico e não batem nem pênalti – que até eu de salto alto sei fazer - e nem escalam direito, tá bom de mais. Eles que se danem e tenho dito! (aplausos de pé, com direito a assobios e gritos de gostosa).

-Obrigado, obrigado... Espero que esta assembléia geral seja boa, e claro: que o Rubinho se aposente logo. Ô cara chato! E vamos todos cantar juntos uma canção agora junto com um amigo meu...

20 de set de 2011

O encontro de Kimi e Rubens em Grove

Caminhando pelos corredores da fábrica da Williams, Rubens Barrichello encontra Kimi Raikkonen.

-Não acredito! Kimi Raikkonen em Grove?
-Olá Rubens.
-Que prazer! Que cê tá fazendo aqui?
-Vim olhar o carro...
-Hum... E você tem intenção de correr? Digo... Voltar?
-Eu sou piloto né?
-É, é... Mas então... Soube que a Red Bull te sondou.
-Foi.
-A Mclaren também, antes de fechar com o Button...
-É.
-E a Mercedes? Também?
-Ai não... Especulação.
-E você não queria?
-Estava ocupado.
-É cara, mas as coisas aqui na Williams estão bicudas... Cê nem sabe.
-É?
-É... O carro não se desenvolve, a grana não entra, os resultados não aparecem, as cobranças vem com força... Ce não tem idéia do inferno que acaba sendo. E o pior: a pressão em ter de dizer pra imprensa que o clima lá – apesar de tudo – ainda é bom.
-Bom Rubens... Carro não se desenvolve sozinho, dinheiro é consequencia de bons resultados e pressão tem em todo lugar.
-É verdade... Mas sabe como é... Eu até já disse, é melhor der um piloto novo e um experiente motivado que dois novatos... Sabe como é... É um erro não ter experiência no time, pra hora de passar o feeling do carro pros engenheiros e tal... A mesma coisa eu penso de ter dois experientes, não rende! Mesmo que um já tenha sido campeão do mundo e tal...
-Para Rubens, fica tranquilo. Vim aqui para ver o carro que a Williams está desenvolvendo junto com a Jaguar para Le Mans, nada com o time de F1 e principalmente, nada com tua vaga. Agora com licença e até mais. Rubens então para no meio do corredor e fica observando o finlandês sumir dentro de alguma sala. Respira fundo e solta um “-Ufa!” de alívio.
-Menos um na concorrência e este seria páreo duro...

19 de set de 2011

Desordem - Mil dias para a copa

Mil dias para a copa do mundo de 2014...
É o que se comemorou na ultima sexta feira (16/09).
Comemorou?
Comemorou o que, cara pálida?
Um pouco mais da metade das obras de infraestrutura está atrasada, parada ou nem começou.
Alguns estádios ainda não saíram da terraplanagem e em outros as obras começaram, mas pararam por diversos motivos, inclusive greve.
Os aeroportos, segundo algumas autoridades no assunto, mesmo começando as obras de ampliação agora e se fossem feitos a toque de caixa, só ficariam em condição de receber o fluxo de passageiros que se espera para o mundial no ano de 2016, dois anos após o apito que encerraria a grande final.
Bem, serviria ao menos para o inicio das olimpíadas...
Outras obras de transportes públicos importantes para a locomoção interna como metrô, ampliação de vias, rodovias e avenidas nem sequer foram votadas ainda.
Algumas como o metrô de Salvador, já até já foram aprovadas, mas de repente foi trocada pela construção de VLT´S (veículos leves sobre trilhos) com a desculpa de que seria mais simples de concluir, porém, como de hábito, estão paralisadas.

Os desmandos e absurdos vão se acumulando e são tratados pela grande imprensa – totalmente conivente por motivos financeiros – como coisas normais e, olha só, até necessárias.
Mudanças na lei de contratação para obras públicas são mudadas do dia para a noite, licitações esquisitas sem valores declarados vão sendo vencidas por uma turma bem conhecida de empreiteiros.
Isenções de impostos são concedidas a entidades privadas que - em um país sério – já teriam sido condenadas à falência ou no mínimo não teriam crédito nem para comprar em lojas de moveis populares, daquelas que para ter seu financiamento aprovado basta estar vivo e seus presidentes estariam na cadeia. Ao passo que é possível ler em qualquer jornal que se pensa em propor novos impostos para beneficiar a saúde pública, corroída por péssimos hospitais e com mão de obra (des)qualificada à ponto de em pleno século XXI crianças nascerem em corredores, portarias ou nos banheiros do próprio hospital por falta de atendimento.
E outras barbaridades. como falta de leitos, equipamentos quebrados ou sem operadores.
Será que ao invés de criar novos impostos, cobrar os já existentes de forma correta e repassa-los a áreas que realmente necessitam não seria mais producente e menos impopular?

Você prefere um bom hospital público com médicos e medicamentos ou um estádio de futebol?
Sem falar em educação e segurança.
Mas ainda assim se comemorou os tais mil dias para a abertura do evento. Em Pernambuco, por exemplo, inaugurou-se um enorme relógio que contará de forma regressiva os dias para a abertura do mundial.
E, para variar, algumas horas depois de inaugurado o treco, profeticamente ou com vergonha do enorme espírito de porco ufanista que impera, parou de funcionar.

15 de set de 2011

No escuro da noite...

E naquela noite em Grove duas figuras se aproveitavam da penumbra para confabular.
-Golpe de mestre! – diz um
-Sim, de mestre! – responde o outro.
E os dois riem aquele riso abafado, de quem quer conter, mas lhe é impossível.
-Precisamos agora mostrar que estamos felizes com a ida dele pra Woking...
-Sim, acho que uma declaração no site é de bom tom.
-Certo, só não podemos exagerar, mostra muita felicidade em vê-lo indo para lá.
-É, ficaria estranho a gente feliz por ver um funcionário “tão bom” indo para um concorrente...
Mais risos abafados.

-Agora, precisamos fazer algo em relação a Red Bull.
-Bem... Temos ainda o Barrichello, que tal uma troca pelo Vettel?
-A idéia é ótima, mas a grana que o Pastor trás não dá para tanto.
-Verdade...
Silêncio profundo.

-E a Ferrari? Eles estão ameaçando crescer, e tem o Alonso... Mesmo eliminando a Mclaren da disputa a gente não chegaria ao topo... Tem os malditos rossos.
-É...
Mais silêncio.
-Ah, relaxa... A Ferrari não vai dar muito trabalho não...
-Não?
-Nada! E nem precisamos mandar nada ou ninguém para lá para atrapalhar.
-Espera ai... Acabamos de concordar que eles ameaçam crescer, tem o Alonso e muita grana, e você me diz que não é pra se preocupar?
-Claro...
-Não vai me dizer que o Massa estraga tudo lá que é mentira, ele pode até estar mal, mas é um piloto de bom nível.
-Mas quem falou em Massa? Nada disto...
-Então?
-Eles tem o Domenicalli, lembra?
-Pô! Verdade! A chance de dar caca é monstruosa!
-E não é? Viva a Williams!
-Viva! Ainda falta se livrar do Barrichello e depois vamos pras cabeças!
-Exato. Pensa ai... Vai pensando...

14 de set de 2011

Dois pontos opostos

Dois tópicos que passaram da data, mas que forma alguma foram esquecidos. No sábado (10/09) a seleção brasileira masculina de basquete conseguiu a classificação para as Olimpíadas de Londres no ano que vem. Desde os jogos de Atlanta que o país não era representado neste esporte que já ganhou dois mundiais. O time, que cresceu de produção dentro da competição pré olímpica disputada em Mar del Plata, fez jogos memoráveis, chegando a bater o time da casa, campeão Olímpico em 2004.
Mais que a vaga, este time colocou o basquete novamente na ordem do dia, emplacando ao menos quatro hashtags sobre o assunto no twiter.

Com garra e superação o time nem sentiu falta de Nenê Hilário e Leandrinho, jogadores da milionária NBA, que alegando motivos pessoais não se apresentaram ao técnico Ruben Magnano e que, por justiça, deveriam ficar fora dos jogos ano que vem.

Ruben Magnano que, aliás, conseguiu a proeza de fazer do grupo um time de verdade com padrão e um jogo sólido. Só falta agora acabar com o excesso de arremessos para três pontos, mas não duvido que consiga ou que pelo menos aumente o aproveitamento.
E mesmo que a campanha em Londres não seja a dos sonhos, há de se louvar o feito, afinal, jogar basquete em alto nível – mesmo que em times estrangeiros – vindos de um país que só tem olhos para futebol não é pouca coisa.
London, here we go!

E no domingo, 11/09, completou-se dez anos dos atentados terroristas nos Estados Unidos.
A data marca o mais sombrio dos dias na história contemporânea. Além de nos lembrar o tamanho da estupidez humana em nome – supostamente - de religião também serve para mostrar aos imbecis (dos dois lados da história) que patrocinaram a atrocidade que todos os homens devem ser iguais apesar das diferenças.
Uma pena que estes imbecis – dos dois lados – não estejam interessados em entender.

13 de set de 2011

Ava(ca)liações italianas. Não era pra ter, mas...

A corrida foi ótima e dividiu os pilotos em três Monzas... Este é para:
Sebastian Vettel
Jenson Button
Fernando Alonso
Lewis Hamilton
Michael Schumacher
Bruno Senna

E este:
Felipe Massa
Alguersuari
Di Resta
Buemi
Maldonado
Petrov e Rosberg que não tiveram culpa nenhuma em nada.
Kovalainen, Trulli e Glock que terminaram a prova a apenas duas voltas do lider.
Perez e Kobayashi, que tiveram problemas no carro.

E este, claro:
Ricciardo, que chegou (chegou?) 14 voltas atrasado
Sutil, D´Ambrósio.
A besta do Webber e claro...
Rubens Barrichello que não contornava as duas Di Lesmo e sim as duas di lesma...

11 de set de 2011

GP da Itália - Felicidade é só questão de ser

Elogiar Monza? Para que? É chover no molhado de tão óbvio.
As retas e curvas ultravelozes fazem do circuito italiano o último templo dos motores da F1, e com todo respeito, para segurar o que os motores fazem só com braço muito bom.
E são estes braços que mostraram Vettel, Button, Alonso, Schumacher e até Hamilton, que duelou com Schumacher enquanto o alemão teve saco para brincar.
Quando foi avisado que a choradeira do piloto da Mclata já havia posto a FIA de prontidão, arrefeceu, deixou passar e foi brincar de outra coisa.

Pontos positivos:
A corrida em Monza da largada até a chegada.
Prova linda de Vettel que ultrapassou Alonso para ganhar a prova.
De Alonso que ultrapassou dois na largada para liderar.
De Schumacher que ultrapassou alguns para injuriar todos os torcedores do Hamilton.
Do Button que ultrapassou para mostrar como ao Hamilton como é que se faz.
Do Hamilton que ultrapassou Schumacher para não parecer muito tonto...
De Bruno Senna que ultrapassou para marcar os primeiros dois pontos na F1.

Pontos neutros.
A corrida morna de Felipe Massa que ainda assim merece defesa no acidente com Webber.
Do meu ponto de vista o canguru foi afoito e não deu bola para a máxima de que não se ganha corrida nas primeiras voltas, mas pode-se perde-las...
Poderia dar a mão ao 1B e ir pescar em Jundiaí e disputar quem pega menos peixe.
E a barbeiragem de Liuzzi que estragou sua própria corrida e mais as de Rosberg e Petrov.
Os outros... Bem... Fizeram o que deles se espera e só.
Monza não permite brilho para gente meia boca.

Grande corrida, digna de Monza.
O ultimo templo dos motores e dos braços na F1.


E a canção da corrida não podia ter outro título, porque Felicidade é ver corrida de F1 em Monza.

8 de set de 2011

Comédias da vida real na F1 - #4

O homem faz a pole no sábado e é o maior favorito à vitória no GP da Itália de 1988 no domingo, larga bem, mantém a ponta e segue firme.
Até ai nada demais, isto era quase - depois viria a ser verdadeiramente - rotina na carreira de Ayrton Senna.

Totalmente focado na prova para que não acontecesse o mesmo que em Mônaco alguns meses antes, quando por um vacilo, deixou escapar a vitória mais certa de toda sua vida.
Vinha então com mais de um minuto de vantagem para Alain Prost e aumentando alucinadamente o ritmo perdeu o controle do Mclata e porrou o bico do carro no guard rail bem na entrada do túnel.
Ao sair do carro, visivelmente irritado, olhava como se quisesse fuzilar alguém ou algo, quando o grande culpado era ele mesmo.
Depois, perguntado sobre o porquê de acelerar tanto com a corrida praticamente ganha respondeu: “-Queria por uma volta em cima do Prost...”.
Mas a verdade é que deste acidente emergiu um novo Senna. Amadurecido e com um nível de concentração que não permitiu nunca mais perder uma corrida por erro bobo.

Uma pena este amadurecimento forçado não contagiar também o francês Jean-Louis Schlesser, que pilotando uma Williams em substituição ao doente Nigel Mansell - na verdade o francês substituía Martin Brundle, que comprometido com outra categoria, não pode fazer sua segunda corrida no lugar do Leão - na volta 49 enxergou pelos retrovisores o carro vermelho e branco do brasileiro.
Respeitosamente puxou o seu para a esquerda, abrindo espaço para a ultrapassagem simples.
Schlesser era apenas o décimo primeiro colocado, não tinha intenção nenhuma e nem motivos para atrapalhar a passagem do líder, mas quando tomou a segunda perna da chicane, se atrapalhou todo, meteu a roda na zebra e perdeu o controle do carro acertando pelo meio a maclata de Senna que já o havia ultrapassado e contornado a segunda perna da chicane.
Com a pancada o carro de Senna ficou em travado em cima de uma das altíssimas zebras do autódromo de Monza, impossibilitado de voltar a pista.

Assim a vitória cai no colo de Gehard Berger, com Michele Alboreto em segundo, ambos da Ferrari que não fazia uma dobradinha no GP de casa desde 1979 quando Scheketer e Gilles, o Villeneuve que prestava mesmo sem título deram a alegria suprema aos tifosi da máfia de Maranello...

Curiosamente, Jean-Louis Schlesser, que por conta deste incidente foi taxado de barbeiro, roda presa, afoito e grosso, ganhou por dois anos consecutivos (1999 e 2000) o Rali Paris-Dakar, competição que para muitos, apenas pilotos de verdade vencem...
Outra curiosidade é que Berger viria a ser companheiro de Ayrton na Mclata e herdaria outra vitória do brasileiro em circunstancias diferentes e com ordem da equipe para que Senna lhe cedesse a vitória.
Ordens que, aliás, naquela época não eram tão comuns, caso contrário, provavelmente o austríaco Berger teria cedido – à contra gosto – o lugar mais alto do pódio ao italiano Alboreto.



6 de set de 2011

O jogo duplo de Pai Tião

A Grooquiliquis (braço blogueiro da uiquiliquis) rastreou uma conversa do maior pai de santo do país em relação a assuntos da F1 novamente... Parece que ele esteve fazendo um trabalho para abrir os caminhos de certa equipe...
Segue. -E ai, ele te procurou como eu previ?
-Sim, sim... Como te disse, toda vez que tá mal “das roda” ou em fim de contrato ele aparece
-E o que foi que ele pediu?
-Ajuda para renovação de contrato...
-Ué? Renovação de contrato? Mas ele não devia tratar disto comigo ou com o chefão diretamente?
-Deveria, mas cê sabe: atira pra tudo que é lado e quem não tem cão...
-Não entendi.
-Assim: não teve rendimento, não teve bom senso em ficar de boca fechada aí apela pra mim...
-E o senhor fez o que combinamos?
-Fiz... Mandei um trabalho pra ele fazer e usei um capitulo do grande livro!
-Qual livro e que capitulo?
-O livro do bruxo Pé de Uva, aquele capitulo que diz: “acreditam na nossa motivação, quando acreditamos que estamos motivados.”. -E este Pé de Uva é um grande bruxo?
-Médio... As equipes vencedoras que ele disse que formava não eram tão vencedoras assim, mas pra este seu piloto que me procurou tá bom de mais. Usar outra coisa seria gastar vela boa com péssimo defunto.
-Tá certo... Mas conta ai, se não for falta de ética, o que o senhor fez exatamente.
-Bom... Primeiro disse pra ele dar entrevistas se valorizando e tentando dar uma desvalorizada em qualquer um que pudesse ser adversário...
-Isto é do livro?
-É claro, uma bobeira destas só podia ser do livro...
-Ah, agora entendi o “melhor um experiente motivado que dois jovens endinheirados”.
-Hehehehe...
-E o tal trabalho?
-Hum... É algo pra não dar certo mesmo... Mandei fazer um despacho com: duas gotas de humildade do Romário, cabelos do alto da cabeça do José Serra, palavras de bom senso do Jair Bolsonaro e fotos de uma vitória do Nick Heidfeld na F1.
-Vixe... É... Realmente é pra não dar certo...
-E pra piorar, mandei instalar o despacho em uma encruzilhada no Eixo Monumental em Brasília...
-Ele não estranhou que você não cobrou?
-Não, nem um pouco.
-Então aqui está o que você pediu... Grato pela ajuda, sabia que procurar o senhor abriria os caminhos da equipe.

5 de set de 2011

Freddie Mercury, 65 anos

Hoje é aniversário de um dos maiores vocalistas que o rock já teve: Freddie Mercury completa 65 anos. Digo que completa por que apesar de não estar mais neste plano, está mais vivo que nunca.
Seja em sua obra solo e com o Queen relançada todo ano em novos formatos ou na enorme influência que ainda exerce sobre as novas gerações - quem já ouviu o cantor Mika, entende o que digo.
A parte de ter sido a primeira grande estrela do rock a sucumbir à AIDS, sua qualidade já lhe garantiria um lugar na eternidade da música.

Para celebrar a data, recomendo dois dos melhores discos não oficiais do Queen, onde é possível ter uma idéia muito clara da extensão do talento como cantor e compositor de Freddie: The Unobtable Royal Chronicle vol. I e II

Começamos pelo volume dois, o menos inspirado.Veja que até os “pirateiros” tem planejamento de marketing e lançaram um volume dois para seguir o êxito do primeiro....
Recheado de faixas extraídas de compactos americanos, geralmente são versões alongadas e bem parecidas com as lançadas nos discos originais.
Destaque mesmo apenas a versão muito diferente de ‘A kind of magic’, a eletrônica ‘A dozen roses for my darling’ e ‘Stealing’, esta uma espécie de impromptu, com letra alegrinha e instrumental esparso que termina num coda que desconstrói a faixa.
E tem também versões remixadas por Rick Rubin de ‘We will rock you’ e ‘We are the champions’ perfeitamente dispensáveis.

Já o volume um... É onde o tesouro se encontra.
Se você já tem os discos de carreira pode então passar batido pelas faixas mais conhecidas que estão em versões pouco diferentes, mas pare na faixa 5, ‘I go crazy’ é um rock faiscante que foi b-side de ‘Radio Ga ga’ e não coube no clima de The Works pela sua força e peso.
‘Under pressure’ em uma versão gravada nos estúdios da BBC londrina, não tem David Bowie e quase nada da original.

‘Soul Brother’ é outro b-side e a voz de Freddie vai derramando-se dos auto-falantes e inundando o ambiente. Se tivesse sido lançada em Hot Space, talvez o disco tivesse melhor sorte.
‘A human body’ traz Roger Taylor nos vocais é o lado b de ‘Play the game’, magistral.
O blues ‘See what a fool I’ve been’ foi o lado b de ‘Seven seas of rhye’ e mostra um Brian May cuspindo fogo com sua guitarra feita em casa, Mercury endiabrado como pouco se viu em uma canção das mais pungentes e lindas. Outra que salvaria o disco, no caso Queen II.
‘Mad the swine’ é provavelmente a primeira canção gravada pelo grupo no De Lane Lea studios e seria a primeira musica com temática religiosa da banda: "Hold your hands and praise the lord" - Diz a letra


Como não entrou no primeiro disco - Queen, 1973 - a primazia coube a ‘Jesus’ que fecha o álbum, ‘Mad...’ ficou inédita até 1991 quando foi finalmente editada oficialmente num EP com ‘Headlong’ do álbum Inuendo.
Também está neste pirata o compacto gravado por Freddie antes do primeiro disco do Queen, com o nome de Larry Lurex.
As canções são ‘Goin back’ de Carole King e ‘I can hear music’ de Phil Spector. Os instrumentos são tocados por Brian e Roger.

O Smile, grupo pré-Queen de Taylor e May gravou apenas compactos para o Mercado Americano e japonês e aqui estão todos eles. ‘Earth’, ‘Step on me’, ‘Blag’,April Lady’ e ‘Polar bear’. Boas canções, mas sem a força de Mercury nos vocais.
E cá entre nós, que grande jogada foi trocar este Staffel por Freddie!

2 de set de 2011

Massa e a equação Piquet

Nelson Piquet um dia disse que a determinação e a coragem de um piloto de F1 se modificam radicalmente após conseguir alguns milhões na conta bancaria, sofrer um grave acidente sobrevivendo bem o suficiente para voltar as pistas ou ter o primeiro filho. As três juntas então...
Era a equação Piquet: dinheiro + acidente + família crescendo = decisões diferentes e mais conservadoras.
O grande tri campeão tem certa razão, embora não seja possível realmente generalizar a informação.
Segundo ele, foi o que lhe aconteceu.

Felipe Massa, que vem sendo alvo de criticas de boa parte da torcida brasileira se encaixa - e alguns setores internacionais - no exemplo de Piquet com louvor, mas, não podemos dizer que é isto que o faz no momento não ter resultados expressivos.
Após o acidente/incidente com a mola no GP da Hungria em 2009 a performance de Massa entrou em uma curva descendente, é a voz corrente. Certo?
Não...
A linha começou a se direcionar para baixo antes do episodio.
Eis alguns números:

Antes do acidente:
2006 – 2 vitórias, 3 poles e 7 pódios
2007 – 3 vitórias, 6 poles e 10 pódios
2008 – 6 vitórias, 6 poles e 10 pódios
2009 – 0 vitórias, 0 poles e 1 pódio (em 9 corridas no ano)

Depois do Acidente:
2010 – 0 vitória, 0 pole e 5 pódios
2011 – 0 vitória, 0 pole e 0 pódio.

A temporada de 2008 foi o ápice de sua carreira até então, conseguindo seis vitórias e perdendo o campeonato de pilotos por apenas um ponto.
Coincidentemente, também foi o ultimo ano em que sua equipe, a Ferrari, produziu um carro realmente competitivo e em condições de brigar de igual para igual com os rivais.
O de 2009, a propósito, era bem ruim.

Desta forma se faz injusta uma comparação com o companheiro de equipe, Fernando Alonso, que – merecidamente – é tido como um dos melhores da geração que conviveu e sobreviveu ao fenômeno Schumacher.
Alonso, na equipe desde 2010, disputou o título em seu primeiro ano apoiado em falhas individuais e de equipe de seus adversários e em sua extraordinária capacidade de aglutinar a sua volta o time para que este renda além do que está sendo feito. E, claro, em seu talento decantado.
Não que o carro fosse ruim neste ano, mas era um carro com lampejos. Ia bem em algumas pistas e em outras – principalmente as da primeira metade do campeonato – era apenas a terceira força da corrida.

Massa sempre foi um piloto de razoável talento – e como o carro de 2009 - com lampejos geniais como em alguns lances do campeonato de 2008, mas nunca, em tempo algum, foi tido como um fora de série. Nem pela imprensa (séria e mais desinteressada da venda do produto F1) nem por si próprio. Aliás, nunca prometeu nada além de trabalho sério.
Massa é como alguns jogadores de futebol, mal comparando, que são chamados de “operários” e não “astros”, mas que vez por outra brilham.
Tudo depende do time que o rodeia no momento. E agora, do próprio momento em si, se o encaixarmos na equação de Piquet.

1 de set de 2011

Comédias da vida real na F1 - #3

Imagine a cena, que, aliás – infelizmente – tem sido comum no trânsito paulistano:
Um motorista vem mantendo sua via preferencial comboiado por outro com um carro um pouco mais barato.

Dirige com extremo cuidado olhando pelo retrovisor para que o motorista que vem atrás não se aproxime muito.
Não que tema ser ultrapassado, o que não teria problema algum, mas quer ao máximo evitar qualquer tipo de ocorrência que possa danificar seu automóvel e atrasar ou até impedir o restante de sua jornada.
Freia com todo o cuidado, contorna curvas de forma segura e firme quando, em uma curva mais acentuada que lhe exige uma freada mais forte de sua parte, não compartilhada ou não vista pelo motorista que o vinha seguindo.

A batida é inevitável e os danos, apesar de não ter gravidade, são visíveis e irreversíveis...

Então o motorista do carro mais caro desce do veiculo visivelmente alterado e mesmo diante dos pedidos de desculpa do outro condutor, ele avança de forma descontrolada e desconjuntada aplicando golpes desengonçados e quase caricatos.

É engraçado?
Evidente que não...
Mas é folclórico.
Viva Piquet! Saludos Salazar!

E depois de tal cena, ainda conta que tirou Salazar de dentro da Kombi que os levaria de volta aos boxes de Hockenheim e ainda roubou as chaves da mesma, deixando o motorista oficial do transporte para trás sem nem notar que lá dentro havia mais um monte de gente...