30 de out de 2011

GP da Índia - Good times in the bad times

A pista é realmente legal... Para tomada de tempo e formação de grid.
Para quem já estava sentindo falta de Istambul Park, ai está a sucessora: Buddh.
Seus sobes e desces, curvas de alta são desafiadores para uma volta lançada em busca do menor tempo, mas para disputa de posições em uma corrida ficou devendo. Assim como era na pista turca. Mas longe de decepcionar, afinal é um legitimo Tilke, e nas pistas desenhadas por ele a tônica é esta.
Ao menos, para nós brasileiros, o horário da corrida é algo de bom. Muito melhor que acordar às três e meia da madrugada para ver a mesma coisa na Coréia, por exemplo.

E se as características das pistas tilkeanas não mudaram, também não mudou o vencedor.
Sem oposição, sem ser atacado, sem se esforçar e com a volta mais rápida da corrida no ultimo giro, Vettel fez um grand chelem.
Ficou tão a vontade que transformou o circuito em Red Buddh.Se não mudaram as características e nem o vencedor, também não mudaram os trapalhões.
Mais uma vez Massa e Hamilton se enroscaram.
Só mudou o punido, desta vez foi Felipe quem tomou um “dirija dentro”.
Se foi justo ou não, merecido ou não, fica na interpretação de cada um.
O fato é que toda vez que se encontram pelas pistas do mundo, a tensão sobe e as atenções se voltam para os dois imediatamente.
É pouco para um campeão e um vice, mas é o que eles têm agora.
Para nós: diversão. Outra coisa que não mudou foi a apatia ou a inoperância de Webber. Ou seria incompetência?
Mesmo com o melhor carro da temporada o cara não consegue sequer ser o segundo colocado.
Assim o vice-campeonato do Button vai ser muito mais que merecido.Também não mudou a má fase da Williams, e nem a ruindade dos carros de fim de grid.
Não mudou nada além dos capacetes homenagem que alguns pilotos usaram, todos lindos.
E sabe... Isto até é muito bom!
Em um mês que em duas semanas perderam a vida dois pilotos, uma corrida mediana – chata até – mas que termina com todo mundo bem é muito bem vinda.
Salve a não mudança!


28 de out de 2011

Chuchu

-E então doutor? Tô muito estragado?
-É... – diz o médico olhando o resultado dos exames – Tá um pouco sim.
-Tem jeito de arrumar?
-Ter até tem... Vai precisar cortar algumas coisas e...
-Operação?
-Não... Cortar da alimentação, e incluir algumas outras... Uns remédios.
-Cortar o que?
-Cortar gorduras, frituras, doces e álcool, claro.
-E incluir o que?
-Mais frutas, legumes, algumas vitaminas e fazer um tratamento com remédios controlados.
-Hum... E isto vai me fazer viver cem anos?
-Não, mas te garanto. Se não fizer isto, não vai viver nem até os cinquenta.
-Trocar, digamos, cerveja por suco de melão? Batata frita por cenoura?
-Ou chuchu... Para escolher tem de monte.
-Chuchu não! Chuchu é a vingança de Deus contra a humanidade.
-Como assim?
-Quando Adão e Eva morderam a maçã, Deus ficou muito puto com eles e os expulsou do Paraíso, não foi?
-Foi... E onde entra o chuchu nisto.
-O que foi que eles encontraram pra comer fora do Paraíso?
-Chuchu?
-Exato! E aí começaram os problemas... Adão comia chuchu e não se sentia satisfeito, tinha crises existenciais - já que não havia cerveja ainda – logo começou a dar umas broxadas... Daí Eva, que não se importava em comer aquele treco que é só água, bagaço e casca muito do sem gosto, entrava em crise porque seu marido não dava mais no couro. Arrumou um caso com aquela serpente que deu a maçã pra ela e também foi expulsa do Éden junto com eles...
-Impressionante seu argumento para não comer chuchu! Tem mais?
-Tem... Emputecido, Caim - que também não gostava de chuchu - matou seu irmão Abel, que estava escondido comendo uma picanha no alho e...
-Tá bom... Chega... Aonde quer chegar com isto tudo?
-Então... Se for para que viver só até os cinquenta e não se pode nem comemorar as (poucas) coisas boas da vida com uma porção monstro de batata frita e cerveja, pra que me cuidar?
-O chato é saber que no fundo você tem razão... – diz o médico após pensar um pouco.
-Então?
-Sei lá... É um negócio complicado... Acho que daria uma boa base para discussão.
-Eu topo... Vamos pro Almeida´s tomar umas cervejas e falar sobre isto.
-Com batata frita?
-Não...
-Não?
-Com torresmo! Batata é para criança... Ou você prefere chuchu? Olha lá heim, vai que tua mulher conhece uma serpente qualquer ai....
-Fechado... Cerveja e uma porção monstro de torresmo.

27 de out de 2011

GP novo nos EUA, tinha que ter um motivo melhor...

-James!
-Sim, senhor Ecclestone.
-Entre em contato com nosso departamento de marketing e faça-o divulgar que teremos mais uma corrida nos Estados Unidos.
-Sim senhor... (e fica parado)
-Pode ir...
-Eu queria fazer uma pergunta, senhor. Posso?
-Bem, pode....
-A corrida será onde? Elkart Lake?
-Não... Pode ir agora. (mas ele não vai)
-Então será em Watkins Glen? Como era nas décadas de 60 e 70?
-Não James...
-Então seria naquela pista de Detroit? Onde Senna deu show? Ou Phoenix?
-Também não...
-Retornaremos a Indianápolis?
-Não.
-Ainda bem... O oval é maravilhoso, mas o circuito misto é a coisa mais medonha que já vi! Dá sempre a impressão de que o carro está lento.
-Mas nem é por isto... Agora pode ir.
-Então, me perdoe senhor, mas será que teremos finalmente uma corrida de F1 em Laguna Seca? Até me arrepiei agora! Fico aqui imaginando os carros descendo pela Corckscrew, aquilo sim é curva! Comparável com a Eau Rouge, Blanchimont, Parabólica, 130R...-James, vá fazer o que mandei...
-Desculpe senhor, é que não me contive.
-Pois é... Mas não vai ser lá também...
-Não?
-Não... Vamos fazer uma corrida de rua em Nova Jersey.
-Nova Jersey? Mais uma daquelas pistas que no desenho tem-se a impressão que a curva é quadrada? -Claro...
-Mas para que? Índia, Abu Dhabi, Singapura eu até entendo, ganhar publico novo ou dinheiro fácil... Mas esta ai... Ninguém nem liga para F1 nos EUA para ter logo duas corridas lá.
-Bom... É que o Bon Jovi – que é a melhor coisa vinda de lá - topou tocar de graça antes da corrida... Agora vá fazer o que mandei vai...
-Sim senhor... – e sai resmungando baixinho: -Que fizesse então em Nordschleif e levasse o Scorpions pra tocar... Velho safado...

25 de out de 2011

Expectativas do GP da Índia

Vem ai o GP da Índia de F1... Mais uma corrida em um local que nada tem com o automobilismo de competição.
Pensando bem, não tem quase nada com automobilismo em geral.

Por lá quase tudo é sagrado.
Vacas são sagradas e podem andar livremente pelas ruas sem serem importunadas.
Existem templos que veneram ratos, cultuam cachorros, santificam galinhas, idolatram burros e outros bichos.
Sem contar o Ganges, que é uma espécie de Tiête, que por ser sagrado, bóiam até corpos.
Claro que qualquer cultura deve ser respeitada, ainda mais com tantos anos de existência, mas que a gente pode achar esquisito, ah isto pode!
Quanto ao circuito em si, pouco se pode dizer.
Só o conhece quem o jogou no PS3, que, aliás, alguns pilotos disseram ter usado para conhecer algo sobre o traçado.
O que não deixa de ser curioso já que até outro dia a pista não estava pronta, mas no jogo de vídeo game já era possível procurar pontos de freada e aceleração desde o começo do ano.

As expectativas são as mais variadas...
Os indianos esperam que o circo vá embora logo.
Os promotores esperam lucrar muito.
Bernie Ecclestone espera que os impostos sejam diminuídos.
Os fãs de F1 esperam que a corrida seja boa, ou, na pior, acabe logo.
Vettel apenas espera outra corrida.
Alonso espera um GP divertido já que todo mundo parte do zero.
Hamilton espera que seu carro seja surpreendente.
Buttom espera por chuva. Que pare de chover no meio da prova. E que chova novamente
Massa espera ser competitivo um dia.
Webber espera que o ano acabe logo.
Schumacher não espera nada, mas não quer ver o Petrov atrás dele tão cedo.
Rosberg espera que num país de mente tão aberta e cheia de travestis, não peguem no pé dele.
Bruno Senna espera acabar com a má fase.
Os fãs da Williams esperam uma boa noticia.
E Rubens, bom... Rubens não espera, ele vai atrás... Nos dois sentidos.
Já foi se informar e disse que iria estudar um pouco o país para entender suas vibrações, cultura e espiritualidade.
Na verdade, o que ele quer saber é se na pirâmide de deuses indianos, a tartaruga ocupa um bom lugar.
Afinal, agora, além da (pouca) velocidade do bichinho, eles ainda têm em comum a longevidade...

24 de out de 2011

Elos de uma desagradável corrente de péssimas notícias

Nada sei sobre Simoncelli, como nada sabia sobre sua carreira, se era promissor ou não... E não vou ser hipócrita de tecer-lhe loas.
O fato é que em oito dias, o esporte a motor levou dois.
Vão procurar causas, motivos, culpados, aparecerão os anjos do apocalipse pregando que corrida é “uma imbecilidade”, um perigo desnecessário.
Ora! João Guimarães Rosa escreveu em seu livro Grande Sertões, veredas: “Viver é perigoso!”.
E se assim é, que pelo menos se viva com prazer...
Aposto com quem quiser – e ganho – que o motociclista tinha prazer no que fazia.
Na Líbia passaram o ditador para os domínios do cramulhão. Lá, provavelmente, vai encontrar o pessoal com o qual se parecia.
No vídeo, o homem que dizia ser amado pelo povo (segundo traduções de outros, já que eu não entendo xongas daquela língua – pede para que não atirem).
Os que ele matou ou mandou matar também devem ter feito o mesmo pedido.
O mais interessante, neste caso, é a vida imitando a arte.
Lembram do Baiano, de Tropa de Elite 1?
Pois é... Depois que o Bope o pegou seu pedido foi: “Na cara não, pra não estragar o velório...”.
Penso eu, sinceramente, que o tal Khadaff fez foi o mesmo pedido.
Ainda no Oriente Médio agora é só esperar quem vai ser o próximo ditador a cair e ser substituído.
Por lá troca-se o safado, mas o sistema de governo é sempre o mesmo.
Lembram quando derrubaram Hosni Mubarak no Egito? Diziam que o país iria entrar em uma era de democracia.
Pois bem, o exército assumiu o poder e até agora não se falou em eleições na terra dos Faraós.
Aqui em terra brasílis comemora-se que o estádio do curintia vai abrir a copa do mundo.
Sintomático, não?
Afinal para um evento que terá como maior marca a roubalheira desenfreada e o desrespeito às leis do país, nada melhor que sua festa de inauguração seja feita dentro de um dos símbolos máximos da sacanagem com a grana pública.
E que não me apareça aqui um qualquer dizendo que não há dinheiro público na construção do estádio!
Os impostos dos quais eles ficaram isentos para construir a bagaça poderiam muito bem ir para a saúde, que anda na UTI faz tempo...
Seja torcedor, mas não seja idiota.
A presidenta “segurou” o ministro dos Esportes no cargo.
Mesmo sendo alvo de acusações pesadíssimas de corrupção.
Direito dela? Pode ser... Mas e ai? Qual a diferença dele para o Palloci e para os outros que ela derrubou sem nem fazer cara (ainda mais) feia?
E nem tente aventar a inocência do cara, que de ingênuo aqui não se tem nem a cara...
E por fim, o marido da tal Wanessa-sei-lá-o-que disse que está processando o humorista Rafinha Bastos por este ter dito que comeria sua mulher... Comeria.
Beleza, mas vá lá e processe o tal Ja Rule, que este não ficou só na intenção não...
No fundo é só para recolocar na mídia uma tipinho que vivia à sobra do pai... Para o Bastos, fica o recorde de ter a intenção de trepada mais cara da história.




E espero, sinceramente, que não precise tratar mais de assuntos tristes e/ou revoltantes este ano...

21 de out de 2011

Contos do botequim - 8 - Certidão

Celão entra no bar do Canário com uma expressão mista de cansaço e frustração. Pede uma tubaína. -Tubaína? Ué, Celão? Tá doente?
-Não... To desempregado, e sabe como é... Desempregado tomar cerveja numa quarta às duas da tarde é meio esquisito... Não acha?
Canário não achava, mas cada qual sabe de sua ética.
-Ainda não arrumou nada? – pergunta o botequeiro.
-Nada, só enviando currículo, fazendo entrevista... Mas chamar que é bom, nada.
-Entendo... Tá vindo de alguma entrevista?
-Não, não... Do cartório.
-Cartório?
-É... Fui ver quanto fica pra fazer uma declaração de união estável, mas pelo preço que pediram no negócio, melhor casar...
-E pra que você precisa desta declaração?
-Pra poder ser incluído no plano de saúde da Josie...

Celão que era um negrão de quase dois metros de altura e pelo menos cem quilos, vivia maritalmente com Josie, uma cearense de um metro e meio, havia pelo menos sete anos, nunca sequer cogitaram formalizar nada. Diziam não crer em papeis, contratos. Só no amor.
Mas agora viam necessidade nos tais papeis.

-Se fossemos casados era só apresentar a cópia da certidão, mas como a gente não é... Entendeu? – explicou.
-Entendi... E o preço da tal declaração é alto? – quis saber Canário.
-É... Quase o mesmo do casamento, e o pior, ia precisar de uma por ano pra renovar o contrato com o plano de saúde. Melhor casar.
-Então casa!
-Agora? Estou desempregado poxa... Devia ter feito isto quando podia, mas como eu ia saber?
-É... – concorda canário servindo a tubaína – Mas acho que tem um jeito!
-Tem? – quis saber.
-Tem... Lembra do Andrade?
-O professor?
-É! Ele mesmo... Cê pode trocar uma idéia com ele. Ele é tio do dono do cartório, pode arrumar pra você o casamento na faixa, só apresentando uma declaração de pobreza. E cara, sem querer ofender, no momento, é a realidade, não? Não é vergonha nenhuma. A certidão sai logo, é igual as outras... No dia da cerimônia ninguém vai saber de nada, é como se fosse um casório no civil normal.
-Hum... Eu não tenho problemas em declarar pobreza não, não sou orgulhoso.
-Então... É só falar com o Andrade pô... Daqui a pouco ele ta aqui.
-Bom... Eu disse que não tenho orgulho e tal, mas sabe... O Andrade não vai muito com a minha cara... Na verdade, eu até mereço. Vendi um Uno pra ele, com a documentação toda ferrada... E depois dei uma sumida. Já encontrei com ele umas vezes e ele não falou nada, mas fico constrangido agora de pedir algo.
-Quer que eu fale com ele? Deixa seu telefone, eu conto o caso, tenho certeza que ele ajuda. Depois de te ligo e você vai lá ao cartório. Pode ser?
-Boa, pode sim. Eu vou ficar imensamente agradecido.
Celão paga a tubaína, aperta calorosamente a mão de Canário e sai, feliz da vida.
Alguns minutos depois Andrade chega acompanhado de Anízio, Márvio e Dito, o ex-prefeito.
Canário conta o caso e Andrade ouve atentamente, depois abre um sorriso e diz que tudo bem.
-Pode ligar pro Celão e mandar ele ir lá. Tá resolvido.
Canário então pega o telefone e liga para Celão, que ainda deve estar por perto, seria só fazer meia volta e ir ao cartório. Ao dar o recado, desliga o telefone diz.
-Que bom que você não guardou ressentimentos Andrade... O Celão tá precisando.
-É... Não guardei...
-Mas você não vai ligar lá?
-Vou, claro... Me empresta o telefone ai...
Canário estica o fio do aparelho e Andrade faz a ligação.
-Alô? Castro? Sou eu seu tio Andrade... Pois é. To te ligando pra te pedir um favor. Pode ser? (...) Não, não é pra mim, é para um amigo. (...) O Celão. Cê sabe quem é... (...) Pois é, ele precisa de um papel pra por nos documentos do plano de saúde, mas achou meio caro ai resolveu usar declaração de pobreza, manja? (...) É... União civil entre pessoas do mesmo sexo... Deixa pronto ai com aquela documentação dele que eu te levei quando ele me vendeu o Uno... (...) É... E o companheiro se chama José! (...) Sabia que podia contar com você... Brigado! – e desliga o telefone.
-Pronto! – diz sorrindo enquanto todos se olham sem acreditar.
-Ainda bem que tu não guarda rancor... – diz Canário.
-Não guardo mesmo... E pode tirar a mão deste telefone ai... Deixa ele ir lá tranquilo...


Quem quiser relembrar os outros contos do boteco pode clicar aqui => Boteco!

20 de out de 2011

VMB 2011 - A musica não para

Esta noite tem a festa do VMB (Vídeo Music Brasil) na MTV.
A festa é sempre legal com uns convidados e alguns shows bacanas.
Já teve o ex-baixista do Metallica, Jason Newsted, tocando com o Sepultura, encontros nacionais de peso e por ai vai...
No ultimo ano, com a votação aberta totalmente ao público o Reestart levou um monte de prêmios. Normal!
Grupo formado e direcionado a adolescentes que – em sua grande maioria – não tem muito que fazer da vida, entupiu o site da emissora.

A gritaria foi geral!
“-A musica no Brasil está morrendo!” era o que mais se ouvia, junto com uns: “-Não temos futuro mais, se um dia tivemos Titãs, Legião, Paralamas e Engenheiros, hoje só temos esta porcaria...”.
Besteira.
Ou melhor: preguiça.
Musica boa sempre houve e sempre haverá. Basta procurar.
Se não os papas da mídia não divulgam fazer o que?
Vá você mesmo atrás.

Este ano, com apenas cinco categorias abertas ao público e apenas uma relevante a musica brasileira - “hit do ano” - a coisa deve ficar um pouco mais séria e com menos cheiro e gosto de molecagem.
Em minha opinião, os grandes candidatos são Marcelo Jeneci e seu álbum: Feito pra acabar.
Um disco lírico e sensível como a muitos anos - mas muitos anos mesmo - não aparece nesta terra.
E o “inclassificável” Criolo, que une rap, jazz, MBP e o que mais vier sem a intenção de ser agradável, mas muito poético, com seu Nó na orelha.
A musica nunca esteve mais viva, vibrante e criativa.




"-É, é... justo é Deus, o homem não. Ouse me julgar, tente a sorte, fi..."

19 de out de 2011

Ava(ca)liações coreanas - tudo falso

Bem vindos às ava(ca)liações coreanas. O único páis do mundo que põe o cartaz de "bem vindo" na saida...

Na Coreia nada é o que parece: Este Senna não é o original.

E estes seios não são também... (e quem liga?)

Esta foto é de antes da corrida, esta placa foi muito cogitada para ser usada duante a prova e quer dizer: Hamilton (a bandeirinha amarela representa a cor do capacete) vem ai, Sai Correndo.

Massa: -Você é um sacana!
Alonso: -Por quê?
Massa: -Eu disse pro Livio Orichio que copio o que você faz.
Alonso: -E dai?
Massa: -Você disse no rádio: "-Eu desisto!" e agora já estão cobrando que eu faça o mesmo.

Button: -Hei, Truli! Por que você não imita o Alonso?
Trulli: -Ah, nem todo mundo pode ser bi campeão...
Button: -Tô dizendo em desistir...

Kova: -Um dia vou fazer tudo igual a você.
Lewis: -Vai bater no Massa toda corrida também?

18 de out de 2011

Wheldon: Feedback text for a dying driver

Domingo não teve lua, eu sei por que choveu, não fui olhar.
A luz que iluminou a noite veio da tela luminosa da TV que trazia imagens incríveis. Espetaculares....
Como incêndios ou lava sendo expelida de um vulcão.
E tão tristes quanto...

Todos têm consciência do risco que corre um piloto.
Eles também têm quando se sentam em seus carros.
Nós amamos isto, e eles não menos.
Fazem do risco seu meio de vida e nós nossa diversão.
Fazem aquilo que muitos de nós desejaríamos estar fazendo.
Quem de nós nunca sonhou e se imaginou contornando a Eau Rouge? A Parabólica? Vencer as 500 milhas de Indianápolis? Enfrentar um oval.
Ou menos... Apenas correr junto deles, seja na Europa, nos EUA ou na esquina.

Então, quando um se vai fazendo aquilo que a gente tanto gosta e deseja, é como se um pedaço de nós também fosse.
E pouco importa se foi um grande campeão ou um aspirante.
Óbvio que dói, mas sinceramente?
Não me choca.
Já chocou, sim... Mas agora não mais.
Não que espere uma ou mais mortes a cada fim de semana. Longe disto.
Não que não torça para que as normas e dispositivos de segurança cheguem à perfeição, só que sei também que isto é impossível.
E de nada agora adianta caçar bruxas, achar culpados.
Melhor seria aprender com os erros para que em um futuro bem próximo, não volte a acontecer.
Mas agora, muito além de qualquer coisa, o melhor seria aprender o silêncio.

16 de out de 2011

Gp da Coreia - Vai de Madureira

A Coréia está para a Ásia, assim como o Paraguai está para a América do Sul.
Ou não?
No bairro de comércio popular de São Paulo, mais precisamente na Rua 25 de Março, há uma quantidade enorme de produtos e lojinhas de coreanos.
Lá é possível encontrar produtos falsificados de toda espécie.
Relógios, calculadoras, vídeo games, óculos de sol e outras coisas.
A Coréia falsifica tantas coisas que conseguem copiar até produtos chineses... Vai entender.

Vejam só o grau de especialização que alcançaram: falsificaram até uma corrida de F1.
E conseguiram!
Não que a corrida tenha sido chata, não foi, como não são de todo ruins os produtos falsos. Quem não tem grana para comprar um Nintendo Wii leva um Wü.
Não pode comprar os controles Sony dualshock de PlayStation e apela para os da Sqmy duroshock. Quem não pode assistir um GP do Japão, assiste um da Coréia...

Neste embalo, largada limpa e Vettel ultrapassa um Hamilton que se mostrou inteiramente coreano durante a prova.
Não bateu em ninguém, disputou limpa – e lindamente – com Webber, que é o piloto coreano da Red Bull.
Levou vantagem e ficou em segundo, coreanamente já que a Coreia consegue ficar atrás da China como grandes falsificadores da Ásia.

A corrida foi tão coreana que pela primeira vez viu-se um piloto dizer que desistiu da disputa.
Alonso disse em alto e bom som no rádio para seu engenheiro que desistia de perseguir e tentar ultrapassar Button, o piloto coreano por excelência já que não corre, mas ganha corridas poupando equipamento.

No pelotão do fundo, o coreano Petrov destruiu a corrida de Michael Schumacher, que desde que voltou à categoria, tem tido atuações tão falsas quanto um tênis Nire.Bruno Senna conseguiu se coreanizar ficando atrás do 1B, que poupou pneus ainda no Q1 (WTF?) para tentar, como um bom comerciante coreano da 25 de Março, vende-los aos outros competidores durante a prova: “-Compla né? Pouco uso... Elam de um blasileilozinho contla este mundão todo...” – Sem sucesso.

No fim deu Vettel, o único que foi original durante a prova, fazendo o que fez durante o ano. Liderando com facilidade e ganhando com propriedade. E o troféu, falsificando o slogan da equipe do campeão, deu asas.
Ao menos era bonito. Como se viu: ruim não foi, mas também não foi aquela maravilha: bom para um GP da Coréia, ruim para um GP de F1.
Mas como diz a letra da canção: Quem não pode Nova York, vai de Madureira...


14 de out de 2011

Vijay Malya telefona para Frank Williams

E em Grove toca o telefone.

-Alô? Quem fala?
-Aqui é o Vijay, com quem eu to falando? -Vijay Malya? Dono da Force Índia?
-Um dos... Quem é que tá falando ai?
-É o Wolf!
-Que Wolf?
-O Toto Wolf, um dos donos da Williams.
-Ah tá... Então... O Frank ta ai?
-Tá sim... Mas não posso te ajudar?
-Eu quero falar sobre pilotos.
-Então pode falar comigo mesmo ué! Vai incomodar o Frank?
-Olha, desculpa, mas eu prefiro falar com o Frank. Nem com você, nem com o Head...
-Por que isto? A gente também é dono.
-Dona da Force Índia a tal Sahara também é! E a família Michiel Mol também, mas pergunta pra eles onde fica o pitlane e a melhor resposta vai ser: “na Espanha”. Por favor, chama o Frank ai.
Toto Wolf digita o ramal da sala de Frank pensando que estes indianos são todos loucos...

E em sua sala Frank Williams atende ao telefone ouve de Wolf:
-O Malya tá no telefone e quer falar sobre pilotos...
-Pode passar, não sei o que ele pode querer falar de pilotos comigo, mas... Vá lá.
Ouve-se o clic da transferência de chamada.

-Olá senhor Vijay, em que posso ser útil? – diz Frank Williams. -Frank Williams, meu ídolo... Eu quero falar sobre pilotos.
-Pois bem... Diga!
-Eu estou ligando, por que você deve saber que eu vendi uma parte da Force Índia pra um grupo e agora tenho uma grana sobrando.
-Ah! Vendeu? Que bom... Agora paga aqueles caras que queriam te tomar o motorhome.
-Isto é coisa do passado, vou usar a grana pra contratar um piloto e isto vai fazer com que a gente entre numa pequena briga ai...
-Você quer contratar o Raikkonen?
-Exato.
-Pô! Vai atravessar mesmo? Que falta de ética... Você está neste negócio há pouco tempo, não sabe que no principio, o automobilismo era coisa de gentleman? E gentleman não atravessa negócios uns dos outros.
(Silêncio)
-É, tá certo... Me desculpa então... Vou desistir.
-Obrigado... Mas pra não te deixar totalmente no prejuízo deixo você levar o Rubens. Ele está no melhor momento da carreira dele, nunca foi tão rápido e nem esteve em melhor momento para desenvolver e acertar os carros...
-Ah é? E porque tá abrindo mão dele?
-Sabe como é... Vem o Raikkonen, e o venezuelano tem a grana, logo...
-Entendi... Então tá, vou falar com ele. Obrigado.
-De nada... (e desliga o telefone.).

Alguns dias depois

-Frank, olha só o que o Rubens disse á um site no país dele! – diz Patrick Head mostrando seu tablet á Frank Williams.
-Deixa eu ver... Hum... Está negociando com equipes que podem lhe dar um bom carro pro ano que vem... Ótimo, ótimo... -Como assim ótimo Frank?
-Veja bem meu caro Head, quando mandamos o Sam Michael pra Mclaren a gente não comemorou que estava sabotando um adversário?
-Foi...
-Então... Se ele for mesmo pra onde eu to pensando que vai, sabotamos outro. E desta vez muito mais próximos de nós que o time de Woking...

Patrick Head deixa a sala sem entender nada.

13 de out de 2011

Ava(ca)liações japonesas: Depois do terremoto, tsunami e da radiação: Lewis Hamilton

Este povo ai estava cantando uma musica do Jorge Ben: "-Lewis Maravilha, nós fugimos de você"!

Amarelo dever ser a cor oficial dos crash man na F1. Este ai é Satoru Nakajima um antigo crash man dos tempos de Senna, repare que o carro é amarelo.
E este é o atual crash man da F1, que não por acaso, usa capacete amarelo? Coincidencia? Não... Aliás, olha a pose de Exterminador do Futuro do cara, dá até pra ouvir ele dizer: "-I´ll be back!"

Não se engane com o rosto risonho das nipônicas, no fundo estão apavoradas com a idéia de que Lewis Hamilton possa estar vindo por alí.

Engraçado ele estar autografando um quebra sol... Tanto pela palavra "quebra" que ultimamente está ligada a suas corridas em relação aos outros (principalmente Masssa) quanto ao fato de que ele deveria assinar era uma linha de airbags.

Não me pergunte o que significa este sinal, mas tente endender porque só o Lewis não o está fazendo...

Massa: -Smedley! O Hamilton está atrás de mim, o que faço?
Smedley: -Reza pra sair vivo...

11 de out de 2011

Renato Russo, 15 anos

Nós não tínhamos lá grande talento, mas éramos esforçados.
Cada qual no seu instrumento escolhido mais por conveniência do que por talento.
Os ensaios no quarto azul, apertado pela cama e pelo kit de bateria eram mais hilários principalmente quando a tentativa de tocar algo próprio era levado a sério.
Nunca dava em nada.
Talvez pela qualidade das letras que rimavam “João” com “caminhão” e versavam sobre as utilidades da boralina no tratamento do chulé...
Hoje sei que não serve para isto e nem para o fígado, como dizia sua embalagem. Não serve para nada...

Quando resolvíamos tocar as músicas que nos inspiraram a montar nossa própria banda era sempre algo da Legião Urbana.
Tanto por ser uma música simples, de acordes fáceis e batidas quase sempre retas, o que no meu caso era fundamental já que era o baterista, quanto pelas letras de Renato que desde sempre foi tido como o melhor letrista de sua geração. O poeta.

Tocávamos “Eduardo e Mônica”, “Quase sem querer”, “Índios” sem a parte do teclado como se estivéssemos cantando sobre nossas próprias vidas.
Como se a tristeza de letras como “Há tempos”, “Andréa Dória”, “Quando o sol...” e tantas outras fizessem parte de nossas vidas, uma turma de adolescentes de classe média que não tinham (ainda) motivo nenhum para serem tristes.

Mais próximos da realidade talvez fossem as letras “ingênuas” – nas palavras do próprio Renato – do terceiro disco.
A raiva adolescente ainda que bem colocada de “Que país é este?”, a rebeldia juvenil e metida a intelectualóide de “Conexão Amazônica”.
Até hoje penso que na época, pouquíssimos fãs da Legião realmente soubessem quem era Freud, Jung, Engels e Marx, mas era mais legal cantar isto e posar de culto que ficar gritando: “Aa uu” como os fãs dos Titãs.

Assim cresci e até aprendi tocar um pouco melhor, mas o principal foi acumular um pouco mais de bagagem - tanto cultural quanto de vida – para compreender os temas mais elaborados e complexos da obra de Renato nos discos seguintes.
As broncas políticas, o envolvimento com drogas, o pessimismo disfarçado de raiva e por fim a descoberta do fato que teria de encarar seu próprio inevitável e precoce fim.
Tratou publicamente de sua doença, a AIDS, de uma forma polida, velada e elegante, não jogando a culpa por tê-la adquirida – como fez Cazuza – na sociedade.
Tanto que só compreendeu-se “A tempestade ou o Livro dos dias” que é triste desde a capa azul até a ultima frase de seu encarte (“Um país se faz com livros e de gente dizendo adeus”) após sua morte.
Curiosamente, nunca quis tocar uma só faixa deste álbum nos ensaios que acabaram, mais tarde, se tornando apenas diversão sem a pretensão de ser algo um dia.

Agora entendo que Renato era poeta de si mesmo e grande parte das coisas que escreveu dizia sobre suas próprias condições, ainda que seus fãs conseguissem se enxergar e se encaixar em alguns aspectos de sua obra, o que não o desabona e em hipótese alguma empana seu brilho.

Hoje, quinze anos após sua morte conseguimos ver a real dimensão de seu trabalho, da beleza e força de seu legado que moldou toda uma geração de brasileiros, na qual, orgulhosamente me incluo.
Urbana legio omnia vincit!

9 de out de 2011

GP do Japão - Só os mortos não voltam atrás

Quando Chico Buarque, sob o pseudônimo de Julinho de Adelaide, começou a rascunhar o samba “Jorge Maravilha” rabiscou no papel: “-Nada como um dia após um outro dia...” e parou.
Segundo o próprio Chico, a frase veio antes da melodia e a letra demorou um pouco mais, mas a frase estava lá.
E foi com ela na cabeça que acordei na manhã do domingo após dormir algumas horas apenas.
E foi com ela que acabei por mudar meu conceito sobre a prova de F1 que rolou na madrugada.
Pouco antes de dormir havia falado com Felipe Maciel, editor do Podium GP, que não havia gostado da corrida, que havia achado morna, quase sem graça, agora já penso diferente... Foi uma corrida muito boa.

A impressão de ter visto Vettel correr com o regulamento no assento do carro se dissipou.
O alemão não venceu Button por que não quis vencer.
Foi porque não pode.
Apesar do amplo domínio da Red Bull durante o ano, em Suzuka a Mclaren esteve claramente superior e apenas o braço de Vettel explica sua pole position.
E Button, por mais que seu estilo “poupador” me desagrade – sempre digo: o nome do jogo é corrida e não poupança – pilotou com classe, estilo e determinação.
Pouco importa de levou a corrida nas paradas de boxes, olhando as voltas de cada um, num comparativo pobre, é possível projetar uma ultrapassagem. Talvez não simples e nem fácil, ou talvez de bandeja, já que apenas um ponto já bastava para Vettel, mas que Button ultrapassaria, me parece fato.

Até ai tudo OK, mas como explicar que entre Button e Vettel estava Alonso?
Pode-se aplicar duas visões:
Primeira: O terceiro lugar já era o bastante e seria desnecessário correr riscos em uma briga apenas pelo segundo, já que chegar em Button parecia impossível.
Segundo: Era Alonso que estava ali, um cara que mesmo com um carro ruim, está na briga pelo vice e levando muito a sério.

No fim, foi uma corrida com três vitoriosos:Button, de fato.
Alonso, por ter tirado mais uma vez leite de pedra.
Vettel que levou – merecidamente – o título.

Se você chegou até aqui deve estar pensando: “-Porra! O Groo falando bem do Button e do Alonso?”.
Pois é... Como no samba do Chico, o pai da menina não gosta dele, mas ela gosta.
Aqui é a mesma coisa... Eu não gosto dos caras, mas a história gosta...

6 de out de 2011

Notinha do busão especial: vingança é bom!

Há algum tempo não coloco aqui uma notinha do busão, até porque deixei de andar de ônibus já que trabalho na mesma cidade em que resido, e por sorte, não muito longe de casa.
Mas esta semana, por motivos especiais tive de usar um ônibus.
Não o de linha comum, mas um fretado pela prefeitura para que levássemos nossos alunos para que visitassem a exposição do projeto pedagógico deste ano.
Só para jogar uma luzinha explico que todo ano trabalhamos um tema fazendo com que as crianças desenvolvam pequenos trabalhos e tarefas relacionadas a ele.
Desta vez o tema foi: "Descobrindo e brincando com o mundo" e cada sala escolheu um país para mostrar seus brinquedos e brincadeiras originais.

Ocorre que, antes de entrar na Educação, como todos devem saber, eu trabalhei com documentação de automóveis por mais de vinte anos, e conheci gente de todo o tipo.
Clientes que iam desde os “gente boa” até os extremamente safados e caloteiros... Entre eles havia também os “apenas chatos”.
E é nesta categoria que se incluía Armindo...
Armindo era um cara extremamente pentelho. Dono de uma pequena frota de ônibus para frete, deixava os documentos atrasarem de propósito e quando eram apreendidos, corria até o escritório e exigia – sim, esta é a palavra – que tudo fosse regularizado o mais rápido possível. Ah sim, e queria sempre desconto ou parcelamento...
Quando aparecia na porta do escritório já sabíamos que teríamos um dia daqueles...
Armindo tinha um pormenor que nos fazia rir muito... Tinha voz fanha igual a do Pato Donald e um sotaque carregadíssimo, o que fazia com que fosse quase impossível entende-lo de primeira.
Nas internas - sem que ele soubesse - o chamávamos de: Armindo Quá Quá...
Era um dos clientes que mais me irritavam.

Pois bem, então chega à hora da partida para ir à exposição e o ônibus fretado pela prefeitura encosta à porta da escola.
Em fila quase ordenada as crianças saem e nós as conduzimos até o coletivo instalando-as com segurança em seus acentos. Quarenta e quatro exatamente... Duas salas.
E quando o motorista sobe ao busão para nos guiar até o local da exposição, surpresa: ninguém mais e ninguém menos que Armindo.
Ele me reconhece e me cumprimenta cordialmente com sua voz de pato Donald rouco do agreste e me trás de volta à memória os anos em que ele me torrava a paciência.

Então me posto no fundo do busão e começo a comandar a criançada pedindo para que cantassem e eles atendem prontamente, todos felizes.
Depois da primeira canção que ensaiamos: “-Motorista, motorista olha o poste! Olha o poste! Não é de borracha, não é de borracha, vai bater, vai bater” – na métrica de Frére Jacques, malignamente eu puxo o coro: “Armindo Quá Quá! Armindo Quá Quá” e absolutamente todos vão na onda, repetindo isto pelos próximos vinte minutos, que era o tempo do trajeto que faríamos.
O homem bufa, olha pelo espelho do busão querendo me fulminar...
Uma das professoras me pergunta baixinho quem era “Armindo Quá Quá” e eu digo que era “apenas” o motorista...
Ao descer as crianças passavam por seu acento e diziam: “Tchauzinho senhor Quá Quá” e eu internamente gargalhava...
Na volta, ao chegarmos ao ônibus, não sei por que cargas d´agua, o motorista era outro.
Então gargalhei de verdade...

5 de out de 2011

Vida besta

Deitados na cama olhando para o teto.
-Poderia ser melhor...
-É... Poderia. O que você acha que deu errado?
-Errado? Nada... Só acho que poderia ser melhor...
-Tudo bem... Da próxima vez eu vou me esforçar mais.
-Tá bom... E vê se não esquece de recortar o forro...
-Recortar o forro? Do que cê tá falando?
-Da pintura do teto, óbvio...
-Eu pensei que...
-Pensou o que?
-Nada não...

-Quando combinamos de ter um relacionamento aberto não esperava isto de você.
-Não sei por que ta reclamando... Cê sabia que isto poderia acontecer.
-Eu sei... Combinamos de não haver cobranças.
-Exato.
-Mas isto é demais... Difícil agüentar.
-Não sei por quê... Você também já chamou por outro nome que não o meu na cama...
-Foi, foi... Mas...
-Nada de “mas”... Lembra quando você gritou - eu disse gritou - o nome de um tal Pedro?
-Lembro sim... Mas...
-Mas nada... É a mesma situação.
-Não, não é... Eu gritar “Pedro” é normal. Agora, você sussurrar “Chicão” no meu ouvido é imperdoável... Tem desculpa pra isto...
Ele para, pensa, sorri amarelo e diz:
-Vai timão...
-Sabe, é bonito observar você ler o caderno de política na mesa do café da manhã...
-Hum...
-É interessante, eu sempre te admirei muito por sua inteligência, sua perspicácia...
-Hum...
-Quando disseram que a gente inverteria os papeis eu duvidei, Quando disseram que você era muito mais firme, que eu era mais emoção... Achei besteira... Mas o tempo mostra coisas não é?
-Hum...
-No começo eu tinha medo... Tinha medo de que dissessem que era você quem vestia as calças neste relacionamento... Mas hoje não... Hoje sei que nosso relacionamento é pautado em respeito ao espaço alheio e que você me amaria até se eu fosse cego ou inválido...
-Hum...
-Não é verdade? Você não me ama, mesmo eu não sendo tão inteligente e tão versado como você?
-Olha... Eu te amo de qualquer forma, mas amaria mais se você fosse mudo... Me deixa ler o jornal em paz...
-Olá senhora, bom dia!
-Bom dia... Olha eu estou um tanto ocupada, é hora de arrumar as crianças para a escola...
-Mas eu não vou levar muito tempo para oferecer meu produto à senhora...
-Bem... Eu estou com pouco tempo disponível e seria melhor que o senhor passasse mais tarde...
-Veja bem... A senhora tem problemas com baratas?
-Tenho sim... Que casa não tem baratas? Mas eu preciso mesmo entrar, por favor...
-É exatamente isto que venho oferecer: uma casa sem baratas. Meu produto mata as baratas por três meses!
-Mesmo? E depois? Elas ressuscitam?
-Já entendi... Volto quando a senhora tiver mais tempo...

4 de out de 2011

Polemica vazia. Era melhor criar outra...

Se a FOM, ao soltar o vídeo com o race edit do GP de Singapura, quis arrumar um factóide para tentar manter aceso o interesse pelo restante do campeonato errou feio...
Quem gosta de F1 vai assistir sem problemas e sem a necessidade de algo além da própria corrida.
Quem não gosta já não iria ver mesmo...
Só que tentar promover algo com Massa que desde o acidente com a mola – ou a chegada do Alonso à equipe, tanto faz – não consegue audiência nem em casa e Hamilton que a cada dia mais mostra que foi mau negócio a Mclaren o ter mantido na equipe e deixado Alonso ir embora, foi um tiro no pé. Quem lava a sério uma rivalidade inventada entre dois caras que estão seguramente tendo o pior ano de suas carreiras?
Claro que alguns ainda vão repercutir o vídeo tomando cada qual sua posição contra ou a favor desde ou daquele piloto, mas é o bastante para chamar a atenção? Dura dois dias uma polemica destas?

Ao pedir que Felipe Massa “destruísse” a corrida de Hamilton, é óbvio que o engenheiro não dizia literalmente.
E ainda que assim fosse, foi o Hamilton quem – querendo ou não - de uma forma ou de outra “destruiu” a corrida de Massa.
Mas de verdade, quem liga?
Os jornais ingleses? Claro...
Os fãs de Hamilton? Talvez.
Os de Massa? Duvido muito até que ainda existam.

Melhor seria se Bernie Ecclestone resolvesse jogar pesado e criasse um constrangimento diplomático entre dois países...
Chance teve! Afinal na mesma corrida da qual pinçaram esta besteira citada ai em cima, Nico Rosberg e Michael Schumacher, ambos alemães e pilotando carros também germânicos atacaram – aqui sim, literalmente – o mexicano Sérgio Perez.
Por sorte o mexicano conseguiu sobreviver na corrida, diferente do alemão mais velho...

O velho Ecclestone poderia explorar criando uma rivalidade entre Alemanha e México.
Dizer que um falou mal do chucrute e que o outro respondeu que guaca mole parece comida já mastigada. Um xingando Berlin e o outro revidando na Cidade do México...

-Mulher alemã é tudo feia! – diria Pérez.
-Pior são as mexicanas que são todas bigodudas! – responderia Schumacher.
-Bem, fale por você Schumy, eu adoro um bigode... – intromete-se Nico.

Pensando melhor, desta forma não daria certo também.