29 de dez de 2011

Tablet New Year: saiba usar que dá menos problema


-Olá, aqui quem fala é o cara que cria os tablets New Year... E antes que alguém possa levantar a hipótese, eu não sou o Steve Jobs.
Sei que não deveria estar me pronunciando ainda, afinal o novo lançamento só chega até vocês no dia 31, mas poxa...
As linhas telefônicas daqui de onde estou estão congestionadas, não consigo falar com nenhum dos meus colaboradores. Nem a internet aqui ta funcionando direito. Não dá para acessar a plataforma do modelo anterior ou ver nos fóruns especializados o que funcionou direito e o que não.
É nego fazendo pedido de aplicativo, que todo ano nesta época eles baixam e nunca usam. Exemplos? Veja só... Da linha: “No in the next year” tem alguns que sempre pedem pra atualizar a interface, mas pouquíssimos usam: No Smoke e No Drink principalmente. Tem gente que enquanto está carregando o aplicativo já acende um ou dá um gole em alguma coisa...
E a série: “Yes in the next year” também. Tem o “I will pay my dues” que sinceramente, nem sei pra que existe. Nego baixa e nem acessa depois.
Os aplicativos de perda de peso; melhora de forma física ou fim do sedentarismo ninguém aqui nem se dá ao trabalho de atualizar... Pra que? Nego acessa estes toda segunda, mas quando chega à quarta feira já não estão nem ai pra ele... Imagina então os que se põe para trabalhar apenas no inicio de cada ano?

E as reclamações sobre o modelo anterior que já está saindo de linha?
Os caras usam o negócio errado, deixa dar pau, faz downloads de sites pouco confiáveis e querem reclamar?
A empresa aqui vende os New Year, mas não faz troca e nem conserta. Usou errado, azar!
São criados e entregues novinhos, limpos, apenas com o sistema operacional e dividido em doze pastas para melhor organizar os conteúdos de vocês.
Ah sim... O sistema tem uns bugs, claro.
Algumas vezes o New Year vai tremer, vai soltar fumaça, vai fazer – muita – água. Alguns proprietários ficarão sem poder pegar o aparelho novo no próximo dezembro, mas ninguém disse - pode procurar no manual - que era 100 por cento seguro o uso do New Year. Entre nele por sua própria conta e risco.

Uma dica? Verifique bem o que vai por no seu New Year.
Veja a qualidade e a segurança da conexão antes de baixar alguma coisa.
Não desligue as atualizações automáticas, afinal, quem é que quer um New Year desatualizado?
E mesmo para os que acharam que o modelo que está saindo de circulação foi bom, fica a dica: tudo tem que evoluir, tudo tem que se atualizar. Até o que já era bom.
Verifique e proteja sua rede de amizades, seus contatos.
Fortaleça aqueles que acrescentam algo à sua vida e exclua aqueles que estão lá só fazendo número.
Desinstale tudo que for sem função e esvazie periodicamente a lixeira.
Compartilhe os bons programas, os apps de gargalhadas e os de tristezas também!
Afinal, tem coisas que ficam mais leves se você por em dois HD´s.
Não dá pra garantir que o New Year vá funcionar perfeitamente até a chegada do novo aparelho, mas que há boas chances não tem duvida.
Agora é só esperar o lançamento e curtir.
Vejo vocês em breve.

Coyotus
CEO da New Years technology ltd.

23 de dez de 2011

Xmas on Sanatéur - conto de natal 2011

Este é o já tradicional (?) conto de natal do Blog do Groo, desenvolvido sobre idéia original - e com a ajuda do amigo e parceiro Anselmo Coyote. A todos um feliz Natal repleto de paz, amor, alegria, união e amizades.


- Hoje? - disse Ron enquanto mordia um donut
- Hoje não... Agora! Antes que a nevasca piore, eu odeio neve. E chame o Coyote. – ordena Mar Céu L´Onça.
-Ih... Sei não. Ontem ele estava com uma loura e à esta hora nem deve ter acordado se é que dormiu. Vou sozinho, afinal é só uma caixinha com uma árvore.
- Não Ron... A árvore não está em uma caixa
- Por que não? Onde está?
- No mostruário. Montada e é a última da loja.
- Ah não! Aquela árvore de natal é muito pesada e desajeitada. Como aconteceu isso? Ficou pechinchando, né?
- Um pouco... E quando cheguei ao preço que queria só tinha uma e se não buscar até o meio dia o China vende pra outro.
- Você nem deu um sinal para segurar a árvore?
- Não. As folhas de cheque – assim como as das árvores desaparecem no inverno - acabaram e banco nessa época... – filosofa o chefe fazendo com que Ron engasgue e pense que a filosofia poética do chefe deve ser fruto do espírito de natal.
- Por que você não manda o De Rã?
-Porque pedi a ele que fosse comprar os enfeites...
-Vou telefonar para o Coyote... Mas porque você não gosta de neve?
-Gosto de coisas tropicais... Meu sonho é ir passar o natal no Brasil um dia...
Enquanto o chefe respondia, o fotografo entrava na sala.
- Precisa telefonar não, estou aqui... Que é que está pegando?
- Vamos à loja do China buscar uma árvore de natal – diz Ron com a boca cheia de açúcar do donut.
- Ué? Onde está o "boy"?
- Foi pegar as bolas do chefe. – reponde Ron, deixando Mar Céu L´Onça desconcertado.

Ron e Coyote se entreolham cúmplices e saem.
- Vamos tomar um cappuccino primeiro? - sugere Coyote já com os copos na mão.
- Claro... Assim me livro deste gosto de creme na boca. O chefe me ofereceu um donut, acho que estava velho...
- Ron... - diz Coyote com um tom mais ameno - Você ouviu falar na fila de sopa lá na Rua 32? Dizem que está dando a volta na Quinta Avenida.
- E daí? - diz Ron engolindo o liquido quente.
- É muita gente e esse ano tem muita criança. Eu estava pensando se não vale a pena tirar uma foto lá para a edição de natal.
- Foto triste. Não combina com a época.
- Aí é que está! Eu tive uma idéia.
- Qual?
- Alegrar a gurizada e fotografar.
- Mas, como?
- Ron, acorda. Aquela árvore vai ficar na redação o natal inteiro e ninguém vai nem notar... É o mesmo que não ter árvore nenhuma.
-E no que está pensando?
- Acabamos o expediente hoje e quando todos saírem, depois da nossa festinha, pegamos a árvore na redação, desmontamos e levamos pra fila. Montamos de novo e colocamos uma faixa desejando boas festas e eu tenho uma surpresa.
- O chefe não vai concordar. Afinal ele quer usar essa árvore pelo menos pelos próximos 10 anos.
-E ele precisa saber? Mas se você quiser podemos por outra no lugar e amanhã cedo, quando elei acordar de ressaca e nem vai notar a diferença. O importante é ter uma árvore lá... E tem mais... Ele não gosta de neve e se não gosta de neve também não deve ligar pro natal. Só deve estar fazendo tudo isto pelas aparências.
-Certo... Concordo... Vamos fazer o seguinte: executamos teu plano e depois que te ajudar a por a arvore na fila da sopa na Rua 32, eu vou até atrás de outra árvore e coloco na redação.
-Fechado! E assim se dá.
Coyote e Ron levam a árvore para a redação e com as bolas que De Rã trás, enfeitam.
Como esperado, a festa ao fim do expediente se dá de forma rápida, todos se vão para outros compromissos, incluindo o chefe.
Então os dois então retiram a árvore da redação e a colocam no banco traseiro do Studebacker de Coyote.
Na manhã de natal montam a árvore no inicio da fila na Rua 32, bem ao lado do balcão onde voluntários servem a sopa. Estendem uma faixa e logo aparecem dois caminhões repletos de pequenos presentes: bonecas para as meninas e bolas de baseball e basquete para os meninos.
-Era esta a minha surpresa... Conseguimos com negociantes próximos da Rua 45 estes brinquedos todos... Veja só a alegria da meninada! – diz Coyote com os olhos marejados.
-Sensacional Coyote, sensacional... Mas conseguimos é gente demais... Quem foram os outros? – quis saber Ron.
-Você.
-Eu?
-Sim... Eu disse aos comerciantes que tinha fotos comprometedoras de todos eles e que você faria um texto maldoso e envenenado para publicar na manhã de natal se eles não ajudassem...
-E você tinha?
-Não... Mas sabe como é... Na Rua 45 todo mundo tem culpa de algo. Sempre!
Os dois riem...
-E você? Como se virou com a árvore do L´Onça...
-Foi fácil... Lembrei que ele gosta de coisas tropicais.

E no mesmo momento na redação, Mar Céu L´Onça coça a cabeça olhando para uma bananeira enfeitada com bolas natalinas no centro de sua redação pensando: -Tenho a ligeira impressão de que ontem esta árvore era diferente...

21 de dez de 2011

Um conto politicamente incorreto

O ônibus estava vazio ao sair do ponto inicial, apenas um passageiro além do cobrador e da motorista.
Logo na primeira parada, apenas trezentos metros do ponto inicial, um sujeito dá o sinal para embarcar.
Não é comum que entre alguém naquele local, apenas bem mais à frente, mas como é sua obrigação, a motorista para o coletivo.
Ao embarcar o rapaz para na frente da catraca como quem vai tirar do bolso a carteira, mas ao invés de sacar o dinheiro anuncia um assalto. -Pô! Sangue bão... O busão acabou de sair do ponto inicial, primeira viagem... Não tem grana nem pro troco. – diz o cobrador.
-Que é que ta pegando ai, Coroinha? – pergunta a motorista.
-O sangue bão aqui disse que vai assaltar a gente Danuza... – e ri. Ela também.
-Do que cês tão rindo mano? O baguio é sério! Passa a grana. – insiste.
-Que grana Mané? Já disse que é a primeira viagem. Não tem.
-Acredita no Coroinha, sangue bão... Se ele disse é porque não tem.
-Dirige ai minha tia...
-Eu não sou tia de vagabundo! - e dá uma guinada no coletivo.

Então o único passageiro embarcado acorda com um sobressalto.
-Ô Danuza, cacete... Tá levando gado não, apesar de eu ser pequeno, não sou bezerro.
-Fica quieto ai rapaz, isto é um assalto. – diz o meliante.
-Assalto? Ô Coroinha! O cara ai quer levar o que? – e tanto o passageiro quanto o cobrador caem na risada.
-Cês não tão me levando à sério... Eu vou queimar todo mundo se não aparecer a grana.
-Que grana, ô manézão? Não te falei que não tem?
-Pô gente... Colabora... Acordei cedo pra cacete pra assaltar este busão, deve ter pelo menos o troco ai. Ou a grana que o cara ali pagou... Qualquer coisa.
A motorista, o cobrador e o passageiro gargalham.


-Seguinte... – diz Coroinha, o cobrador – Não tem grana nenhuma. O Nicão ali não paga passagem. Ele é deficiente, logo... Sacou, sangue?
-Deficiente do que porra? – se exalta o ladrão.
-Caralho! Tu é cego ou burro? Eu sou anão... – diz Nicão já fulo da vida.

-E desde quando anão é ser deficiente? No que te atrapalha além de não alcançar o bagageiro das conduções?
-Se eu te mostrar no que atrapalha você reconhece a deficiência e sai fora de boa? Grana cê já sabe que não tem mesmo...
O meliante pensa e decide aceitar a proposta.

-Eu não devia, mas vou te contar... E se rir vai tomar com a marmita que eu levo na cabeça. Danusa, para a porra do busão ai! - e ela encosta o coletivo no meio fio com duas rodas sobre a calçada.
-Então, vou contar uma vez só, por isto presta atenção... – e começa a contar – Tá vendo eu aqui de pé? Pois é, tenho os membros perfeitos, todos eles se você quer saber, mas tenho só 1m45 de altura. E ontem matei o trampo pra ir no motel.
-Com mulher normal? – pergunta o ladrão meio envergonhado.
-Como assim normal? Lógico que era normal ou eu tenho cara de quem sai com travesti caralho? – se irrita Nicão.
-Não, não... Eu quis dizer na altura... – desculpa ai baixinho.
-Bão... Não... Ela também é anã e é cinco centímetros menor que eu. Mas é lindinha... Toda bonitinha, parece uma boneca... Ai a gente foi lá... Escolhemos o motel pegamos o taxi e lá fomos nós.
-Tu foi em qual? – quis saber Danusa.
-No Camelot, aquele que parece um castelo.
-Tô ligada! Já fui com a Rose lá... O negócio é medieval mesmo, por fora e por dentro. Chão de pedra e tudo...
-Pois é... Ai que eu queria chegar... A gente desceu do taxi, entrou no castelo, pegamos a chave e quando chegamos no quarto e a porra da cama era tamanho e altura tipo medieval mesmo, daquelas enormes, altas pra caramba... Melou tudo.
-Como assim melou tudo? O que aconteceu? – ficou curioso o bandido.
-Amigo... Olha para mim e imagina uma menina ainda menor... Imaginou? Imagina ai a porra de uma cama alta pra caraio... Imaginou?
-Tá, mas e daí?
-Como e daí? Cê já viu quarto de motel ter escadinha pra subir na cama?
-Ixi... Mas não dava pra fazer no carpete mesmo?
-Que carpete? Cê é surdo? Não ouviu a Danusa falar que o chão é de pedra?
-E não rolou nada então?
-Rolou... Rolou que eu morri numa grana no motel, perdi o dia de trabalho, vou tomar um esculacho se não tiver uma boa desculpa pra ter faltado. E agora ainda tem um rosca-frouxa pedindo ajuda para assaltar o ônibus que eu estou... Convencido?
-É parceiro, foi uma situação bem ruim, heim?
-Pois é... Agora que reconheceu e sabe que não tem grana no busão, sai fora!
-Tá certo então, cotoco... Não vou mais assaltar o busão... Mas pode ir me dando a marmita e o relógio ai, se não, sem piada, a coisa vai ficar pequena pra você...

20 de dez de 2011

Três toques e fim de papo sobre F1

Com a F1 de férias, pouco anima escrever sobre.
Esta disputa por lugares em equipes sem muita expressão e até mesmo a vaga que resta na Williams são café pequeno.
A limada que a Toro deu em seus dois pilotos de uma só vez até surpreendeu, mas e daí?
Podem tirar Buemi, Alguersuari e por lá dois Vettel, que se o carro não for ao menos razoável não vai mudar nada.
E o que eu acho sobre o Vergne e o outro Zé que entrou lá?
Nada...
Nunca vi correr, mas se seguir a grande maioria dos pilotos que estão aportando na F1, não vão dar em nada. Posso até queimar a língua, mas a chance de não dar em nada é muito forte.
A verdade é que o excesso de gente comprando assento e a falta de testes está nivelando a coisa toda por baixo.
Tá certo que demora, mas quando Vettel, Alonso, Hamilton e Button saírem fora sobrará o que?
“-Ah, mas sempre chegam novos pilotos e sempre alguém se sobressai...”
Claro! À custa de carros maravilhosos, mas, se depender desta nova moçada ai para vermos alguém vencer de novo em Monza, sob chuva e pilotando uma pseudo carroça, sei não... Sei não.
Por outro lado... Bem não tem outro lado.

Ano que vem teremos apenas uma equipe Lotus, A outra que postulava o nome vai se transformar em Catherhan.
Se não melhorar – e muito – a piada já estará pronta.
Aquele treco verde nas pistas se arrastando pode, facilmente, ser chamada de “Catarrão”.
Nojento

E por último surgiu a noticia de que Adrian Sutil, aquele que foi limado da Force Índia tenta um contrato curto com a Williams, visando um futuro interesse da Ferrari.
Sei, sei...
A Ferrari já testou o Perez se não me engano, ficou de olho em Jules Bianchi após umas voltas com a rossa, pensa em Kubica para 2013 e agora quer o Sutil?
Quantos carros a casa mafiosa de Maranello vai ter no grid?
Tá certo que é silly season, mas tem limite... E nego ainda compra como supra-sumo de noticia...
E a manchete dizia: “Ferrari mira em Sutil, diz revista alemã”, mostrando que os alemães compreenderam o jeito espanhol para por o Alonso na equipe: “Noticie, sempre que possível, insista... Um dia cola.”

E este ano chega de F1.

19 de dez de 2011

Podem rir...

Pois é...
Não é segredo que eu seja torcedor do Santos Futebol Clube, embora de ao futebol o tratamento de - apenas – terceiro esporte predileto. Atrás, pela ordem, da F1 e do basquete.
E assim sendo não há como não fazer nem que seja um comentário sobre a disputa deste domingo entre o Santos e o Barcelona.
Disputa?
Entende-se por disputa quando há ao menos algum tipo de equilíbrio entre as partes. Não houve.
Uma rápida olhada nos números de posse de bola mostra o tamanho da sova, da surra, do massacre que o Santos Futebol Clube tomou.
Foram 73% de posse de bola do time catalão contra 27% do time santista.
E mais, dos vinte e sete, 20 foram batendo lateral ou dando reinicio no jogo após tomar gol.
O time de Messi e companhia deu mais de 800 passes, acertando ao menos 98% deles.
Marcava no campo santista não deixando a bola chegar com liberdade ao meio campo, quiçá ao ataque.

Culpados? Claro que tem.
Messi, Xavi, Iniesta, Pujol, Fabregas... Todos eles são extremamente culpados pela derrota santista.
Lição? Também...
Mas se aprenderão já são outros quinhentos.

Em nossa defesa (da torcida e não do time) pode-se alegar um monte de coisas: falta de agressividade, excesso de respeito, dia ruim entre outros.
Prefiro alegar pura e simplesmente a superioridade técnica e tática do adversário.

E para aqueles que torcem por outro time e cruzavam os dedos a cada ataque do time grená... Parabéns!
Como disse Assis Chateaubriand ao seu repórter David Nasser quando este comentou da cara de palermas dos estudantes presos no congresso da UNE em 1968:
“-Todo derrotado tem cara de palerma...”
E é esta cara que temos agora, todos os santistas.
Podem rir.

Ao menos o time foi até o Japão, ou em uma analogia mais simples: fomos até a churrascaria e saímos dela sem comer picanha.
Tem muitos ai, e um em especial, que nem conseguiram chegar ao ponto de ônibus para ir até a churrascaria...

16 de dez de 2011

Quando o stress fala mais alto V - Chuveiro

O dia tinha tudo para começar bem.
Após a chuva da noite anterior, um céu azul descortinava uma manhã igual às dos finais felizes em filmes água com açúcar. Porém, ao se dirigir ao banheiro para a higiene matinal percebe que a água da torneira está minguando.
Ainda com a boca cheia de espuma do creme dental, se dirige a pia da cozinha e tem a mesma impressão.

Volta ao banheiro e após fazer uso da bacia, despreocupadamente toca a descarga e se dirige ao chuveiro.
Termina de escovar os dentes em um banho rápido, apenas para despertar.
Sente a água do chuveiro diminuir também mas ainda assim não dá a devida importância.
Fecha o chuveiro e se troca para trabalhar.
Deixa um bilhete dizendo que provavelmente não há água no bairro, quiçá na cidade.
“-Economizem!” – é o que pede.

No fim da tarde, após um dia normal de trabalho retorna ao lar.
De passagem pelo registro, confere se o abastecimento já foi restabelecido.
Ao abrir a torneira, além do ar que normalmente se forma quando falta água, um jorro irregular confirma que se não está totalmente normalizado, não demora para o serviço voltar ao normal. Então sorri satisfeito.

Entra em casa e nota tudo relativamente calmo.
Não há louças sobre a pia, o que denota o uso da água da caixa.
“-Deve estar tudo certo.” – pensa.
Pega sua toalha, seu xampu anticaspa e parte para o revigorante banho de fim de expediente.
Entra no banheiro, tira a roupa e se posiciona embaixo do chuveiro, porém ao abri-lo...

O apocalipse tem início.
Uma fumaça densa com forte cheiro de borracha e plástico queimado toma conta do ambiente. Labaredas e faíscas caem de onde se esperava apenas água aquecida.
Há queda de energia, piscar de luzes e gritaria generalizada nos outros cômodos. O desarme do disjuntor deixa a casa às escuras.
Pálido de susto veste-se com as roupas pelo avesso e sai do banheiro.
Prefere não comentar nada, apenas pede calma.

Vai ao quarto e pega na gaveta de cuecas sua preciosa e única ferramenta: um grifo.
Volta ao banheiro e com o auxilio da chave retira o chuveiro. Na verdade não precisava do grifo, mas são tão poucas as chances de usá-lo que não resiste.
Sob os olhos do filho mais velho que apenas balançava a cabeça e estralava os lábios com aquele som característico de quem nega algo, desmonta o chuveiro e vê que a resistência está grudada nas paredes plásticas e as borrachas de vedação estão um tanto deformadas.
“-Dá pra consertar, é só desgrudar a resistência daqui e esticar um pouco mais as borrachas!” – diz – “-Tudo sob controle!”.O filho acha melhor não contrariar.

Após aproximadamente meia hora de briga, consegue livrar a resistência. Não sem quebrá-la em um pequeno pedaço: “-É só esticar um pouco mais...”
Volta ao banheiro e reinstala o chuveiro.
Abre a torneira e deixa que a água – ainda fria – encha o bojo. Só então põe a chave na posição “verão” e liga novamente.
E novamente a versão caseira do apocalipse, com direito outra vez ao fogo, faíscas e cheiro de enxofre. Só falta o cramulhão em pessoa.

Sob o olhar acusador de todos sai do banheiro e, ainda com a roupa vestida pelo avesso, sai em busca de uma loja de materiais de construção para comprar um novo chuveiro.
Pedindo apenas aos céus para que, desta vez, não tenha danificado toda a instalação elétrica da casa.
Na volta, instala o chuveiro novo, segue os procedimentos e tudo funciona a contento: “-Tudo sob controle!” – diz ele sob olhares desconfiados e com sessenta reais a menos no bolso.
“-Tudo sob controle...”

15 de dez de 2011

Robert Johnson

-Quem é o outro cara que está tocando com ele?
-Outro? Não... Ele está tocando sozinho, pode olhar aqui nos créditos da capa...
-Rapaz! Parece que tem dois tocando violão... Coisa do Demo...

O dialogo acima envolvia Keith Richards e Brian Jones.
Brian acabara de mostrar a Richards algumas das 29 gravações deixadas por Robert Johnson como legado. A história de sua vida poderia facilmente contada com um blues, desde a procura pelo pai que o abandonara ainda criança, as perdas pessoais – como a esposa que morreu em um parto – até o lendário envolvimento com o lado negro, tendo vendido a alma ao Capiroto em troca de uma habilidade incrível ao violão.

Para dois bluesman, Son House e Willie Brown, que conviviam com Johnson, ele era apenas um aprendiz promissor como tantos outros.
Em suas andanças a procura do pai, encontrou um tutor musical no mínimo curioso: Ike Zinnerman, um bluseiro que adorava ensaiar em cemitérios.
Fato é que Robert desapareceu por algum tempo e quando voltou a encontrar os amigos Son e Willie tocou blues de forma tão fantástica e mágica que a hipótese do pacto ganha força.
Johnson tocava como se quatro mãos estivessem sobre o instrumento, daí o estranhamento do Stone ao ouvir o disco.

Outra característica apontada como fruto do pacto era o poder de mesmo em uma sala lotada, com conversas paralelas à sua e mesmo aparentando não estar prestando atenção ao rádio, era capaz de no dia seguinte reproduzir nota por nota alguma canção que lhe houvesse chamado a atenção
Algumas de suas criações têm explicitamente o Coisa ruim como personagem principal: Me and devil blues, Hellhound on my trail, Preaching the blues (Up jumped the devil) entre outras que não trazem o Pé de Bode no título mas o citam em sua letra...

Morreu aos vinte e sete anos vitima, provavelmente, de um marido traído envenenado com uma garrafa de uísque que, segundo Sonny Boy Williamson, já havia chego a sua mesa aberta. E já era a segunda.
Sonny Boy contou também que mesmo passando muito mal devido à ação do veneno, Johnson ainda tocou e cantou a noite toda. Foi levado para a casa de um amigo e alguns dias depois morreu, oficialmente, de pneumonia.
Outra lenda a cerca do tal pacto é que enquanto agonizava, Robert teria chamado por um tal Tush Hogg, que ninguém sabe dizer quem era. Assim como não há registro do nome do desconhecido que o acudiu. Seriam a mesma pessoa?

Talvez soe leviano apontar este ou aquele artista como “pai” de um estilo musical historicamente tão rico quando o Blues, mas que Johnson ajudou a definir os rumos do estilo me parece inegável.
Bem como a influência sobre quase todos os roqueiros nos 60 e 70 tendo sido regravado por Eric Clapton, Stones, Hendrix, Doors entre outros.
A nevoa que costuma cobrir a história em seus primórdios parece não conseguir encobrir nem embaçar a imagem de Robert Johnson.
Seria coisa do Nefasto também?




13 de dez de 2011

A verdade sobre a escolha de Grosjean

E na sede da futura única Lotus, Eric Boullier reúne para uma conversa Kimi Raikkonen, piloto confirmado da equipe, Vitaly Petrov, Bruno Senna e Romain Grosjean que aspiram à outra vaga do time para 2012 para a conversa definitiva.
-Senhores... Convoquei esta reunião para comunicar a decisão do time sobre a segunda vaga para a disputa do mundial de 2012. Mas antes, gostaria muito de agradecer cada um de vocês pelos serviços prestados à equipe.
Vitaly Petrov: Por ter segurado a barra de ajudar a desenvolver o carro após o acidente de Kubica e do fiasco do Heidfeld.

Bruno Senna: Por ter entrado com a temporada pela metade e ainda assim conseguir ter feito bons treinos de classificação e algumas boas corridas. Ficar ou não com a vaga não dependeu de forma alguma de seu desempenho. Acredite.

Romain Grosjean: Por, por... Hum... Bem, deve ter um motivo para te agradecer, mas eu realmente não consigo pensar nele agora... A vocês nossos melhores agradecimentos.

Um silêncio pesado se abate sobre a sala. Os agradecimentos de Eric acabaram por soar como uma despedida.
Com exceção de Kimi Raikkonen, os outros se entre olham assustados e provavelmente pensam que outro piloto acabou por levar a vaga.
“-Seria Rubens Barrichello?” – é a pergunta que mesmo não pronunciada insiste em se fazer presente até que Eric Boullier retoma a palavra.

-Mas vim aqui para dizer quem vai ficar com a vaga, e não vou fugir à responsabilidade. A escolha foi um tantinho política, para agradar mesmo: Romain Grosjean!

Por ter nascido na frança e isto agrada a Renault, se naturalizado suíço que agrada os bancos pra quem a gente deve uma grana. Ganhou a GP2, que agrada aqueles que dizem que o campeão de lá tem que ter uma chance na F1.

Grosjean não se contém e solta um “-Yes!” bem alto e sai dançando pela sala todo desengonçado enquanto Boullier continua.

-E faz parte das obrigações de Romain como segundo piloto: ajudar Raikkonen quando necessário para obter uma melhor posição nas corridas, ceder o melhor equipamento e material humano ao finlandês, buscar sorvete e coca cola toda vez que lhe for solicitado, por a vodca para gelar abaixo de zero e anotar os telefones de todas as loiras peitudas que se mostrarem interessadas no Kimi em todos os GP´s da temporada que vem... E claro, se sobrar tempo, ajudar a desenvolver o carro e marcar pontos para a equipe.

Tanto o russo quanto o brasileiro deixam escapar um “-Ufa!” aliviado por não terem sido escolhidos para a vaga, enquanto o franco/suíço começa a pensar se não teria sido melhor ir procurar emprego em outra área de atuação.Espantalho em plantação de milho, por exemplo.

12 de dez de 2011

E ai, Webber?

Fernando Alonso, conhecido por ser um piloto marrento e auto-suficiente declarou dia destes que Sebastian Vettel só fez o que fez por estar pilotando o melhor carro da temporada.
Claro, vindo do “fódon de las Astúrias” da até para entender.
Aceitar não...

Logo depois foi a vez de Daniel Ricciardo, que é conhecido por ter um sobrenome com diversas pronuncias, dizer que é tão bom quanto Vettel, dando a entender que o único diferencial seria o carro.
Levando em consideração que pilotou uma HRT na temporada podemos até entender a declaração como uma tentativa de chamar a atenção para si. E apesar da força exagerada que empregou na empreitada, o tempo poderá dizer se sim ou não.
Aposta pessoal? Não.

Para fazer parte do grupo, Paul Di Resta - que é um desconhecido mesmo - também vai à imprensa e diz que Vettel só ganhou por que tem o melhor carro.
E mais: “-Se tivéssemos carros iguais, eu o venceria.” – afirmou.
Tem a seu favor o fato de ter batido Sebastian em uma disputa direta na F3 em 2006 com ambos pilotando para a Dallara Mercedes.

Bem... Este é o papel das oposições e não se pode esperar nada diferente.
Mas e Mark Webber?
Ele tinha – em tese – o mesmo carro que Vettel.
Talvez a sua opinião seja a mais importante de todas, já que diferente dos outros três teve a chance real de um embate head to head com Vettel e também não conseguiu nada.
Diz ai Webber, o que você acha desta história de todo mundo dizer que é igual ou melhor que Vettel e só não ganhou porque não tinha o mesmo carro?

9 de dez de 2011

Os esquecidos

Julio sempre cortou o cabelo na mesma barbearia, tanto que nem se lembra da última vez que fez o serviço em outro estabelecimento.
Não escolheu o lugar pela excelência do corte ou pelo preço, que nem era tão barato assim, mas por um motivo curiosíssimo: o silêncio.

Fabio era o barbeiro – “-Cabeleireiro é o ca****!”, dizia.
Decidiu abrir a barbearia após se aposentar da metalúrgica, seu primeiro e único emprego desde os quatorze anos.
-Vai abrir um salão de beleza, pai? – lhe perguntou um dos filhos.
-Barbearia! Salão de beleza é o c****! – respondeu.
-E você sabe algo sobre cortar cabelo? – quis saber a esposa.
-Eu cortava chapa de aço, cabelo vai ser mole! É só uma questão de ferramenta.
-Mas e as químicas? Tinturas, apliques e outras coisas que as mulheres usam? – indagou a filha.
-Só homem vai cortar cabelo lá... Ou sapatão. – e deu o assunto por encerrado
Sempre fora assim, um homem de poucas palavras.
-Melhor calar do que falar merda! – era o que dizia quando não queria conversar.
Julio apreciava isto.
Quando se sentou pela primeira vez à cadeira de Fábio, ouviu a protocolar pergunta: “-Como vai ser?” e respondeu: “-Em silêncio.”
Gostou da resposta e caprichou no serviço.
Deste dia em diante, nunca mais Julio foi a outro lugar, e nunca demorou mais de um mês para voltar. E também não ouviu mais a pergunta protocolar.
Acabou por esquecer como se explicava o corte que gosta. Dizia que confiava no trabalho e pronto.
O barbeiro por sua vez, achava aquilo uma espécie de elogio.
Ele sentava e o outro cortava. Fábio então pegava o espelho, mostrava a parte de trás e recebia um aceno positivo de cabeça.
Era a deixa para que Julio pagasse o corte e fosse embora com um aperto de mãos e um sorriso.
E assim transcorreram-se os meses, os anos, as décadas... Já se contavam então duas. Vinte anos cortando o cabelo no mesmo lugar, da mesma forma.

Porém o tempo é implacável e a idade começa a cobrar seus tributos ao barbeiro.
Não treme e nem perdeu a força nas mãos, mas a memória, bem... Esta não é mais a mesma.
A teimosia era a mesma da juventude, e claro, teimava em ainda ser lacônico.
-Quem fala demais dá bom dia à cavalo. – dizia e completava – E corre o risco do bicho responder e iniciar uma conversa.
Recusava-se a ir ao médico. A família suspeitava dos primeiros sintomas de Alzheimer.
E nem assim ele parava de trabalhar: “-Um dia vai dar merda!” – disse a esposa.
-Quando der, eu paro. – respondeu.

Um dia, Julio entrou na barbearia e se sentou à cadeira.
Fábio lhe colocou a capa sobre a roupa, empunhou tesoura e pente. Parou atrás do cliente. Estático e mudo.
Julio estranhou sua demora em começar a cortar, mas também nada disse. E assim ficaram por pelo menos trinta minutos até que, pela primeira vez naqueles vinte anos, Fábio entabulou uma conversa.
-Julio, pode se levantar, por favor.
-Ué, mas por quê?
-Prometi a minha esposa que o dia que desse algum problema com um corte de cabelo, eu fecharia a barbearia. E eu não quero parar de trabalhar.
-E o que tenho eu com isto? Onde me encaixo?
-Sempre me diz que não se lembra mais como explicar o corte que quer, estou mentindo?
-Não...
-Pois é... Também não lembro mais como cortar seu cabelo, então é melhor nem arriscar.

Um muito obrigado ao amigo Anselmo Coyote, que leu antes e corrigiu idéias.

8 de dez de 2011

Um conselheiro de luxo para Frank Williams

E na sede da Williams em Grove...

-Rubens... Chamei você aqui para a gente ter uma conversa...
-Pois não senhor Frank, eu estou às ordens.
-Obrigado, Rubens... Sabe... É sobre a segunda vaga de titular no time para 2012.
-O senhor já decidiu? – e sorri preocupado.
-Ainda não... Estou com sérias duvidas.
-Ah... – e solta um longo suspiro de alívio por ver que a porta não se fechou.
-Você sabe o quanto a equipe é importante para mim. Muito mais que para o Toto, ou até mesmo para o Head, e sinceramente eu não queria que a escolha se desse apenas pelo fator financeiro... Já chega o Maldonado.
Rubens não concorda verbalmente, mas...

-Então – prossegue Frank – Eu tenho sérios motivos para gostar de todos os candidatos. Você pela experiência e motivação...
-Sim, eu estou sempre muito motivado! – corta o piloto brasileiro.
-Sei, sei... Sutil fez um ano muito bom também...
-Mas sou mais experiente que ele, eu acho que...
-Rubens... – é a vez de Frank cortar o piloto – Não tem ninguém mais experiente que você... Pro bem e pro mal... Mas eu dizia que tanto você quanto ele prometem trazer algum tipo de ajuda financeira, que você bem sabe, vai ser de muita ajuda já que o povo do Catar não vai mais por dinheiro aqui...
-Entendo, mas o que quer saber? Minha opinião? Não seria justo, eu diria que o melhor sou eu. E com ele? O senhor já teve esta conversa?
-Já sim... E ele disse que só eu poderia decidir. Foi tão integro quanto você, mas não me deu nenhuma idéia alternativa... Você tem alguma?

Rubens pensa um pouco e se lembra de algo que leu na biografia de Paulinho da Viola, e sabendo que o músico é antes de tudo um patriota e provavelmente lhe será favorável resolve tentar uma cartada.

-Senhor Frank... Liga pro Paulinho da Viola.
-Quem?
-Paulinho da Viola, um artista sensacional da música popular brasileira e que é uma espécie de consultor para seus pares. Ele sempre teve muito bom senso.
-Sério? Dá um exemplo...
-O senhor conhece o Caetano Veloso?
-Sim... Vi ele em Londres em 1968 se não me engano... Depois fiquei fã.
-Pois é, quando ele compôs a musica tema do movimento que ele lançou...
-Tropicália?
-Esta... Ele antes de grava a canção mostrou pro Paulinho e este disse a ele: “-Não sei se gosto ou se não gosto, mas é integro. Se eu fosse você, gravaria...” E Caetano gravou. Deu no que deu...
-Interessante...
-E tem mais: quando Lobão – sabe quem é? – resolveu gravar uns sambas, também mostrou para o Paulinho. E depois de ter a benção do sambista, o Lobão gravou e fez muito sucesso...
-Muito bem, Rubens... Vou pedir à secretária que descubra o número de telefone dele e vou ligar sim. Obrigado.

Mais tarde Frank, de posse do número, faz ele mesmo a ligação.

-Alô?
-Paulinho da Viola?
-Sim, ele mesmo! Quem fala?
-Paulinho, aqui é o Frank Williams, da Williams F1 Team e eu queria...
-Mas quanta honra! Sir Frank Williams ligando para este humilde sambista! Antes de o senhor dizer algo eu queria falar uma coisa...
-Pois não?
-Como guiou o tal Adrian Sutil este ano heim? O senhor não acha que cairia bem para o time no ano que vem?

7 de dez de 2011

Projeto Renault: ajude a escolher o segundo piloto



From: Eric Boulier (theboss@lotus.com)
Subject: Decisão difícil.
To: Ron Groo (ron_groo@bestlap.com)

Hello Ron!
A Lotus está fazendo uma pesquisa para conseguir – dentro do possível – ser mais justa e pró ativa na escolha dos pilotos para a equipe. Sempre pensando no melhor para nossos fãs, obviamente.
Como você deve saber, escolhemos Kimi Raikkonen para encabeçar o projeto, mas temos duvidas sobre quem escolher para a segunda vaga.
Como você deve saber também, os concorrentes são:

Romain Grosjean, suíço: Velho conhecido nosso e em quem – eu particularmente – depositamos grandes esperanças num futuro. Já teve seus méritos no time.

Vitaly Petrov, russo: Atualmente é um dos pilotos da casa. Nada de extraordinário, porém conseguiu segurar o grande Alonso por mais de meio grande premio, fazendo o nosso antigo piloto perder um título. Também tem a seu favor duas outras coisas importantes: dinheiro de patrocínio russo e a possibilidade de atrair mídia para a equipe com um possível GP em seu país. Vale lembrar que Ecclestone já sinalizou com uma corrida em Moscow.

E por fim: Bruno Senna, brasileiro: Tem todo o respaldo que o sobrenome dá. O que pode facilitar na captação de patrocínios. Tem também o fato de ter feito muitas corridas conosco este ano tendo nos deixado muito satisfeitos com seu desempenho em várias delas. Sem contar que pode nos abrir várias portas em seu país natal, onde um carro preto e dourado com capacete amarelo tem significado especial.

Enviamos este email para pessoas nos três países de origem dos pilotos e vamos levar em conta as respostas para a escolha, portanto: esperamos a sua. Ou nos aponte outra forma de escolher.

Sem mais
Eric Boulier.
From: Ron Groo (ron_groo@bestlap.com)
Subject: RE Decisão dificil.
To: Eric Boulier (theboss@lotus.com)

Me senti honrado… Mas vamos lá.
Escolher Kimi foi legal, se o comprometimento dele com seu projeto for igual ao ultimo ano que correu... Eu vou gostar muito.

Mérito do Grosjean que me lembre? Ah sim... Imitou o Nelsinho e bateu o carro em Singapura. No mais, é sósia do Louco da turma da Mônica. Procure no Google.

Petrov segurou sim o Alonso em Abundabe, naquela pista, até eu. Até você, se me permite, segurava o Schumacher em boa forma. Legal em escolher ele seria apenas para ver em seu macacão o nome de uma vodca russa, enquanto no do Kimi seria de uma finlandesa... Ai põe etanol brasileiro no tanque do carro e troca o nome para Pinga´s Team.

Já o Senna sobrinho é uma possibilidade mais real, de dar caca.
Afinal ele trás a grana do Eike Batista que nem tem mais onde enfiar (ou lavar) dinheiro. Só que é assim, se o mafioso, digo, empresário brasileiro se encher, corta a verba e ai já viu...

Realmente é difícil escolher...
Põe qualquer um dos três, ou melhor... Faz o teste do fubá... O que aparecer com a rodela maior, fica. Ou sai... De acordo com a sua preferência Problema seu, eu quero mais é que vocês se danem...

Ron Groo.
GO Williams, GO!

6 de dez de 2011

Da forma que sempre quis

Imagina ai...
O cara sai da faculdade faltando poucas horas para que seu time entrasse em campo para enfrentar nada mais, nada menos que o Corinthians em pleno Pacaembu.
Detalhe: não se tratava de time do coração e sim o clube pelo qual ele jogava como profissional.

Toma um taxi e consegue chegar exatos vinte minutos antes da partida ser iniciada. Não conhecia o estádio direito e não sabia onde ficava o vestiário destinado aos visitantes.
Os seguranças de trabalho no dia olharam de alto a baixo aquela figura magra, descabelada e toda vestida de branco dizendo que era jogador do time visitante e que vinha direto da faculdade de medicina.
-Olha... A gente não sabe se deixa você entrar não... Assim todo de branco, vai saber se você não é pai de santo e está aqui pra fazer trabalho contra o timão?

Então, na casa do sem jeito, ele vai até a bilheteria e compra um ingresso, adentra o estádio e atravessa toda a arquibancada onde estava a fiel corinthiana para chegar ao vestiário de seu Botafogo de Ribeirão Preto que ficava em baixo do tobogã.

Conseguiu chegar a tempo, se vestir e ir para o jogo.
Até marcou um gol, mas não conseguiu impedir a derrota por 4 a 1.
Tempos depois, era titular do próprio Corinthians e de lá ganhou o mundo...
Esta é só uma das histórias do doutor Sócrates que um dia disse: “-Quero morrer em um domingo e com o Corinthians campeão.”
E assim foi.
Uma cabeça pensante em um meio onde imperam cabeças vazias.

5 de dez de 2011

Eu entrei na maquina do tempo

Enquanto batuco este texto meus ouvidos buzinam, minha voz falha gritantemente e minhas pernas doem, mas estou absurdamente feliz.
Houve um tempo em que me deslocava quilômetros em horários bem ingratos para seguir meus heróis da adolescência.
Heróis cujos superpoderes eram “apenas” os de dominar instrumentos musicais e palavras com a maestria e energia de gigantes.
Às vezes nem pareciam humanos...

Titãs, Legião, Engenheiros e os Paralamas formavam um quarteto mais importante e – ao menos para mim – muito mais relevante que os ídolos mais comuns da moçada de minha idade com quem me relacionava.
Não que eu não gostasse de futebol ou outros esportes, mas as respostas aos meus anseios e duvidas assim como o conforto às tristezas - que adolescente fica triste às pampas, por tudo e por nada - e os grandes momentos de desafogo vinham da música, destes quatro ícones principalmente.
Mais do que isto, falando francamente, ajudaram a formar a consciência política – já que os próprios teimam em não fazer – e porque não dizer: o caráter de uma geração.

O tempo se encarregou de amenizar e por fim extinguir o “sofrimento” adolescente e trazer à tona preocupações mais reais, menos fúteis e muito mais difíceis de soterrar com acordes, solos e letras.
Isto também faz com que nos afastemos gradualmente dos primeiros heróis. Não o suficiente para esquecê-los, mas o bastante para deixar de segui-los como antes.

Porém, quando eles (os heróis) vêm até o quintal de casa é impossível não se lembrar daqueles tempos, não voltar, ainda que por poucas horas, a ser o mesmo adolescente, ter algumas das mesmas sensações e principalmente: é difícil não ir até eles como antes.
Ainda que o corpo seja e reaja de forma diferente.

Como o meu agora depois de estar por pouco mais de uma hora e meia, junto com alguns poucos, mas bons amigos, frente a frente com o ultimo baluarte da geração oitenta do rock brasileiro, gritar, cantar, pular e mover o corpo num simulacro – olhando de fora - bizarro de dança, me sinto muito mais leve.
Como se a idade e o dia a dia se tornassem um pouco mais leves. Ou como se eu ainda tivesse aquela força meio descontrolada da adolescência

Valeu Paralamas!
Por enfileirar canções que emocionavam e emocionam, lavavam e ainda lavam a alma, vingava e ainda nos vinga contra governos e cidades que apresentam suas armas e nos mostrava que o espanto está sempre nos olhos de quem vê um grande monstro se criando.
E parafraseando uma das únicas canções das quais senti falta (a outra foi Trac-Trac):
“-O bom de viver é estar vivo, ter irmãos, ter amigos...”
E velhos heróis para nos lembrar que se já não somos tão jovens, ainda não morremos.


2 de dez de 2011

One two three four... Hey, ho, let´s go!

Em 1977 quando alguns gigantes ainda passeavam pelo planeta, uma turma que não estava nem um pouco encantada com "contos de oceanos topográficos", dar boas vindas às maquinas, porcos que voavam e outras coisas pouco divertidas, resolveu que era hora de retomar o controle.

De posse de guitarras, baixos e baterias se enfurnaram em garagens ou estúdios baratos para produzir algo que fosse divertido e simples. Nada de ter de pensar muito para entender e gostar.
Sem contar o fato de estarem comprando discos – por muitas vezes duplos – com faixas cada vez mais longas e por consequência, em menor numero.
Assim quem aguenta?

Só havia um problema: não sabiam tocar muito bem.
Mas e daí? A idéia não era se divertir?
Primeiro tentaram tocar algumas covers, mas não se saíram muito bem.
O baixista não conseguia cantar e tocar ao mesmo tempo, o guitarrista só sabia alguns acordes básicos e o baterista apenas uma levada seca. Perdia-se quando era necessário fazer uma virada, um repique ou até mesmo atacar o set de pratos.
Melhor partir para as composições próprias.

Um amigo resolveu ajudar e em uma audição colocou o baterista para cantar, o baixista apenas para fazer backing vocal e o guitarrista sem obrigação nenhuma além de dar ritmo às canções. Nenhum solo.
Para a bateria testaram exaustivamente por vários dias um monte de gente.
Quando aparecia alguém este amigo se sentava no kit e mostrava como queria a levada.
Como nenhum dos testados correspondeu, a solução foi ele próprio se titularizar nas baquetas.
Assim ficava: Joey na voz, Dee Dee no contrabaixo, Johnny na guitarra e o amigo Tommy na bateria.
Faltava um nome para a banda, logo pensaram em homenagear um ídolo em comum de todos eles e decidiram por Paul McCartney e lembraram que quando vinha aos EUA, Paul costumava se registrar nos hotéis com o nome “Paul Ramon” para fugir do assédio.
Fechou! Seriam então os Ramones!
E adotaram todos eles o sobrenome Ramone.

Até resolveram o problema de não serem lá muito bons instrumentistas. Não muito, é verdade, mas o importante é que assim mesmo, nada é mais divertido que um som feito por eles.



1 de dez de 2011

E no padock de Interlagos...

E alguns minutos antes da largada para o Grande Premio do Brasil, o todo poderoso da FOM e dono da F1 Bernie Ecclestone encontra Rubens 1B. -Hei rapaz, vem cá.
-Pois não senhor Ecclestone.
-Então rapaz... Não pense você que eu sou insensível e que não estou ligando para esta sua situação indefinida na minha competição.
-Sério?
-Claro que sim... Afinal cedeu vários anos de sua vida à causa da F1 e do meu bolso.
-Que isto, eu fiz por amor ao automobilismo, às corridas, ao Brasil e...
-Tá, tá... Eu acredito em tudo isto. Já ouvi antes e acredito. Sinceramente.
-Então... Eu fico muito grato.
-Não precisa... – e vai saindo.
-Mas senhor Ecclestone, só uma coisa, onde eu vou correr?
-Não se preocupe, vai estar num carro rápido. Prometo.
-Mas, me dá uma dica, por favor...
-Não... Estes jovens são uns curiosos mesmo...
-Por favor... Uma dica só!
-Tá bom, uma só... Você vai estar em um carro muito rápido.
-Sério? – e abre um sorriso enorme.
-E eu sou homem de mentir?
-Até é, mas... Diz mais alguma coisa.
-Tá... Você vai estar na frente de todo mundo diversas vezes durante o ano.
-Mesmo? – e o sorriso, além de grande, fica luminoso.
-Mesmo, mas agora deixa ir.
-Deixo, mas só mais uma coisinha, diz qualquer coisinha...
-Tá... Seu carro vai ter motor Mercedes. Está bom assim?
-Nossa! Motor Mercedes; carro muito rápido; à frente de todos algumas vezes... Tem o perfil do projeto da Force Inda para 2012! Eu vou estar no Force Índia? É isto? - já esta além do sorriso luminoso e enorme, pulando feito criança.
-Não rapaz, eu sou poderoso, mas ainda não posso escolher piloto para as equipes ainda... Você vai é pilotar o safety car mesmo...