28 de jun de 2012

Bichos que se parecem com seus donos: o burro do Hamilton


A repórter chegou à residência da família Hamilton nos arredores de Londres.
Haviam dito a ela que o bicho de estimação de Lewis Hamilton era bem pouco comum.
Diziam que o campeão mundial de F1 de 2008 tinha um burro a guisa de pet.

-Lewis, é verdade que você tem um burro em casa?
-Sim, o Donkey foi presente do meu pai quando eu ainda era garoto.

-Donkey?
-É o nome dele...
-E como surgiu a idéia de ter um burro como animal de estimação?
-Bom... Na verdade eu havia pedido um pônei.
-E a grana não dava para comprar o pônei?
-Dava.
-Então?
-Meu pai se confundiu...
-E ninguém falou nada quando viu o bicho?
-Só notamos a diferença quando ele cresceu.
-Ah! Claro, claro... Mas me diga. Ele faz algum truque?
-Claro! Donkey é ensinado. As vezes até parece que ele pensa!
-Sério?
-Sério!
-Muito bom.
-Sim... Ótimo. Garanto para você que esta matéria comigo e meu pet vai ser emblemática. Vai ratificar o título da série de longe.
-Não duvido. Não duvido... Mas vai lá! Pede pra ele fazer algum truque.
-Vou pedir, mas assim: Donkey é marrento, se acha o melhor burro do mundo e só vai fazer o truque depois que eu tiver uma conversinha mais particular com ele. Você se importa em dar licença pra gente um minutinho? Sabe como é... Neste negócio de adestramento tem que mostrar pros bichos quem tem o cérebro mais ativo, desenvolvido... Ai eles reconhecem e obedecem.
-Claro! Não me importo em sair não... – e a repórter se afasta o suficiente, mas fica observando Hamilton com o burro.

Lewis volta e meia ergue os braços, gira a cabeça, fica de quatro e dá saltinhos empinando o tronco, mas o burro nem se move. Fica parado observando seu dono com uma imensa expressão de tédio.
Algum tempo depois Lewis parece se cansar e deixa os braços caírem ao lado do corpo como se dissesse “desisto” e eis que Donkey começa a mover a cabeça em círculos e a ficar sobre as patas traseiras.
Em um ato contínuo Lewis faz o mesmo com a cabeça e volta a ficar de quatro, empinando o corpo vez em quando.

Neste momento chega a namorada cantora de Lewis Hamilton e a repórter se dirige a ela dizendo que o controle que Hamilton está tendo sobre o burro é impressionante.
Nicole observa a cena por alguns instantes de comenta.
-Não querida, agora quem está controlando é o Donkey e veja só como o burro obedece!

27 de jun de 2012

The end of the line


Quando se juntaram pela primeira vez foi para gravar uma canção “lado B” em um compacto extraído de seu álbum “Cloud Nine” no estúdio particular de Bob Dylan em Santa Mônica, mas os momentos passados junto de Roy Orbison, Tom Petty e o próprio Bob Dylan foram tão bons que fez com que George Harrison tivesse a idéia de tocar mais vezes com aqueles caras.
E foi o que fizeram.

Só que a idéia original era não ter que encarar o peso de levar a pecha de “supergrupo” que invariavelmente seria aplicada à esta reunião. Afinal, era um encontro de amigos querendo se divertir.
Entram em cena os pseudônimos e então George seria Nelson; Roy seria Lefty; Tom seria Charlie; Bob seria Lucky e para completar o time convidaram Jeff Lynne que adotou o nome Otis.
Como sobrenomes escolheram Wilbury que era uma expressão usada por George e Jeff na gravação do “Cloud Nine” em relação aos erros: “we’ll bury them in the mix” (nós os enterraremos na mixagem”).
Todos ajudaram na composição das canções e acabaram escolhendo o nome Travelling Wilburys para batizar o grupo e ainda em 1988 lançaram o primeiro disco homônimo.

O disco ganhou um Grammy e figura no posto 79 na lista dos melhores discos dos anos 80 da revista Rolling Stone.
“End of the line” que mesmo não sendo uma canção sobre despedida, o clipe acaba sendo uma homenagem a Roy Orbison que havia falecido poucos dias antes.
Sua presença no vídeo é marcada por sua guitarra que é colocada sob uma cadeira de balanço enquanto os outros tocam as suas e cantam a canção dentro de um vagão de trem.
Quando a voz de Lefty é ouvida as expressões nos rostos do restante do grupo ficam visivelmente emocionadas.

A morte de Orbison desestimulou temporariamente a continuidade do grupo que só voltaria em 1990 no segundo disco: Volume 3 (ironicamente, nunca houve um Volume 2) onde mantiveram os sobrenomes, mas adotaram outros nomes para cada um.
A ausência de Orbison também faz com que a grande maioria das musicas do segundo disco sejam de Bob Dylan e isto acaba fazendo com que o grupo acabe se dissolvendo, mas mantendo as amizades originais.

Com a morte de Harrison em novembro de 2001, acabam também as chances de que os Wilburys pudessem voltar a se reunir, mas a beleza desta reunião ficaria para sempre.

26 de jun de 2012

O lado B do GP: Europa 2012

Cem pontos de diferença!

São cem pontos entre Fernando Alonso e Felipe Massa.
Um é líder do campeonato e o outro décimo sexto.
Isto não teria tanta importância se não fosse os números redondos... Cem! 100! Uma centena! Um décimo de mil!
Se fossem transformados em quilômetros, estes pontos dariam para ir da capital paulista até a cidade de Campinas.
Se fossem biscoitos cream cracker, a quantidade de farelos seria “invarrivel”. (ouch!)
Se fossem políticos, era uma quadrilha.
Se fossem curintianos, um arrastão.
Mas como é pontuação entre Alonso e Massa, provavelmente acabará em demissão.
Então os “cem”, virarão “sem”.
Sem emprego no ano que vem...

Se ficar na frente ele passa por cima.
(na métrica de Pimpolho, do Art Popular)
O Koba é um cara bem legal.
Pena que não pode ver brazuca.
Pintou espaço ela já quer passar
Ele já quer passar
“-Sai logo da frente seus mané!”
Se o japa encostar então é bom ficar de olho!
Cuidado que este japa é zarolho...

With a little help from my friend Fábio Andrade. Thank you!

24 de jun de 2012

F1 2012 - GP da Europa: Valência surpreendente

Ano atípico na F1, não há como negar.
Não fosse pelos sete vencedores diferentes nas sete primeiras corridas, ao menos seria pelo fato de que o primeiro a repetir vitória no ano fosse justamente o que – dizem – tem o pior carro.
Questão de sorte? Talvez.
Talento? Com Certeza.
Com sorte, talento, emoção e justiça

Esta prova no porto valenciano conseguiu uma proeza que dificilmente vai ser igualada: foi emocionante como nunca tinha sido em edições anteriores. Do inicio ao final.
Para completar, um pódio apenas com campeões: o burocrático Kimi, que deve sua segunda posição ao Pastor Maldonado e Micael Suvaquer pela primeira vez desde que retornou a F1 relembrando o gosto de espocar champanhe ao fim de uma prova.

Aqui não se tem compromisso com o erro, este blog torcerá por Fernando Alonso na briga pelo título. Seria épico.
E a temporada parece-se um pouco com a do ano de 1983, quando havia um equilíbrio parecido e o mais talentoso (ou esperto, depende do ponto de vista) acabou campeão.

De resto, ficou uma prova marcada pelos crashs de Koba, que não foi punido, pelo contrário.
Se há culpa ou não, pouco importa. Não muda a cotação de moeda alguma, mas que é engraçado ver um piloto que vai até o extremo defendendo ou atacando alguém, ah é!

Assim como foi engraçado ver Hamilton ficando sem pneus, como é de se esperar dele sempre e tomar um passão de um Kimi que não se esforçaria para passar ninguém em condições mais ou menos normais.
Mais bacana ainda foi ver que Maldonado não afina e não esquece.
-Eu avisei que me vingaria!

Lembram daquela corrida em Mônaco quando ele foi tirado da prova pelo inglês sósia de uma jabuticaba?
Olha o troco ai... Demorou, mas não falhou.

Para os brasileiros, uma imagem emblemática.
Quando Alonso estava recebendo a bandeirada quadriculada, no mesmo enquadramento estava Felipe Massa. Mostrando que sim, o brasileiro nunca andou tão próximo ao espanhol.
Só que tomando uma volta...
Feio na foto, heim Massa?

Se ele teve azar, se foi tocado, se quebrou algo, tanto faz. O fim foi o mesmo de tantas outras corridas.
Não é pegar no pé, mas a troca de equipe ou até mesmo de categoria salvaria a carreira de Felipe Massa neste momento.
A continuar desta forma, barrichelará de forma sem retorno.
Até ultrapassado por uma Caterham ele foi. Se o sinal era amarelo agora então...

Campeonato fantástico, corrida fantástica!
E ainda tem gente que tenta, por toda forma, ser levado a sério dizendo que Nascar ou Indy é melhor que F1.
Coitados...

22 de jun de 2012

Valência: 8 em 8?


A torcida é grande, mas oito em oito é muito difícil que aconteça.
Até agora foram sete corridas com sete diferentes vencedores que em uma analise rasa, todos tiveram méritos.
 Nem que seja o mérito da pura sorte, como a vitória do Alonso na Malásia ou do erro dos outros, como Hamilton no Canadá.
Mas é bom por os pés no chão: dificilmente haverá um oitavo vencedor diferente em Valência e nem é pela chatice da pista.
O Bahrein é tão chato quanto (ou mais, já que a paisagem lá é ridícula) e sua corrida este ano até que foi bem aceitável
Mas pelo fato de que não sobram tantos candidatos assim em condições de vencer uma corrida.
A não ser que... Deixa para lá.

Mas falando dos prováveis candidatos, talvez o mais forte deles seja Micael Suvaquer, que é bom pacas, pilota uma bem nascida e motorizada Mercedes e ainda conta com o mago das estratégias Ross Brawn no pitwall.
Porém a onda de azar que o assola e quase tão grande quanto aquela que pairava sobre a cabeça de um companheiro de equipe que ele tinha. Se Hortência, aquela do basquete, fosse alemã, diria que as sete estrelas que ele tem foram todas parar na bunda...
Sobram então:
Kimi, que não parece estar se esforçando muito para ter a primeira vitória do retorno.
Grosjean que até se esforça, mas não parece do tipo que vai vencer fora de um time de ponta.
Bruno Senna que embora tenha o mesmo equipamento de Maldonado (que já venceu, sem sorte e sem erro dos outros) não está muito cotado a vencer.
E Felipe Massa que... Que... Err... Bom... O é o Felipe Massa e isto basta para ilustrar porque é tão pouco provável que vença.

Uma aposta para vencer a corrida no porto espanhol - com sorte ou não - é Fernando Alonso, que é um mala, mas pelo campeonato que vem fazendo com esta Ferrari xexelenta é capaz até de atrair simpatia...
Provavelmente, a melhor versão ao vivo deste petardo dos Stones, ouça e não vai se arrepender!

20 de jun de 2012

Quando os sujos se juntam

PT faz aliança com Paulo Maluf por conta de míseros 1minuto e 35segundos no horário eleitoral gratuito.
Malufão, aquele do “rouba, mas faz”, do “estupra, mas não mata”, dos trocentos processos por improbidade administrativa e que se sair do país o FBI garfa, vai emprestar sua fachada – e seu tempo - para a campanha à prefeitura de São Paulo do petista Fernando Haddad.
Em troca, claro, deve receber alguns secretariados...
Balão Mágico do inferno: "Somos amigos, amigos do alheio... 

A foto mostra o candidato petista, Paulo Maluf e o ex-presidente Lula aparecem confraternizando e marca de vez o fim da (pouca) credibilidade que o partido dos trabalhadores tinha e derruba por terra a hipocrisia de ser o mais ideológico, o mais correto, a grande opção anti tudo que Maluf representa.
Não que os outros partidos sejam piores que o PT, porém, agora sabemos que o PT é que não é melhor que nenhum deles.

De outro lado, o PSDB anda muito puto da cara com esta aliança... Não por ter diferenças com o partido da estrela vermelha ou julgar que uma aliança com uma figura tão nefasta seja prejudicial, mas por não ter feito eles a aliança primeiro.
Mas deles se espera isto e muito mais. Não são aliados do DEM afinal?
Deveriam, os dois partidos construir uma aliança com a IURD.
Teriam dois canais de TV a sua disposição e estaria completa a santíssima trindade da patifaria.
Este bem que poderia ser o simbolo da aliança

Se serve de algum consolo, Luiza Erundina, que um dia foi das fileiras do partido da estrela vermelha e era a provável candidata a vice de Haddad, ao saber da aliança deu no pé.
Porque alguém neste país tinha de demonstrar alguma dignidade...

Imagine ai as frases que Paulo Maluf pode dizer agora:
-Vote em Haddad, e se ele não for um bom prefeito, nunca mais vote em mim...
-Eu quando vi esta turma chegando, escondi a carteira e os bibelôs da sala... Mas nem precisava, agora estamos todos do mesmo lado.

Pobre São Paulo...
O lado negro da força...

19 de jun de 2012

Bichos que se parecem com seus donos: o gato do Kimi

O repórter chega à casa de Kimi Raikkonen para a entrevista e fica intrigado não com a expansividade e surpreendente falastrice do finlandês bebedor, mas com um gato que só aparece em cena quando o piloto vai até a geladeira.
E não são poucas às vezes em que ele abre o refrigerador durante a entrevista...

-Kimi... E este gato?
-Ah... É o Smirno. Está comigo há muito tempo...

Um gato rajado, dos mais vira latas possíveis.
Gordo, se move com uma lentidão enganadora, pois quando se abre a porta da geladeira aparece do nada como se materializado no ar gelado.
Cara de pidão e miado alto enquanto olha para dentro do eletrodoméstico.

-Deve gostar muito de você, te segue muito.
-Até que não... Aparece mais quando venho à cozinha.
-Por quê?
-Bom... Não é segredo que eu gosto de vodca, certo? Então tenho em meu refrigerador um monte daquelas ice, no lugar de garrafas de água, que eu acredito que deva fazer mal ao fígado... Um dia, quando fui até lá buscar uma para rebater a sede, por um motivo qualquer que não me lembro, uma das garrafinhas de vodca ice caiu e se quebrou espalhando o liquido pelo chão. Fiquei preocupado que alguém se machucasse com os cacos da garrafa e fui buscar algo pra recolher. Quando voltei, o Smirno estava lá, lambendo a vodca do chão e miando alto. E não adiantava tirar o bicho de lá... Ele voltava insistentemente. Lambeu tanto que até secou o chão.
Agora, toda vez que abro a geladeira ele aparece e fica na espreita, olhando como se quisesse derrubar a garrafa com os olhos... Esperando pra ver se cai outra garrafinha.
Smirno em ação, as garrafas chegam a tremer
-E você não tem medo que faça mal a ele?
-Na verdade, tenho medo de que ele qualquer dia pule em minha mão pra forçar a queda da garrafa...
-Sério? Por quê?
-Porque dizem que os bichos se parecem com seus donos... E olha, se eu fosse ele, juro que é o que eu faria.

Para Manu, do blog I love it loud, que gosta do Kimi e de gatos...

18 de jun de 2012

Um romance sobre a velocidade das mudanças

Não sou de assistir muito a TV. Dificilmente respondo positivamente quando alguém pergunta sobre ter visto este ou aquele programa, logo não sei recomendar nenhum.
Porém, me saltou aos sentidos saber que entrará no ar uma nova versão (re filmada) de Gabriela, texto sublime de um dos maiores escritores da língua portuguesa em todo o mundo: Jorge Amado.

O livro, concluído e lançado em 1958, teve entre junho (mês de lançamento) e dezembro do mesmo ano seis edições lançadas. Hoje já passa das oitenta e foi traduzido para dezenas de idiomas, já foi novela na extinta rede Tupi e filme com Marcelo Mastroianni imterpretando Nacib.
As primeiras tinham capa do artista Clóvis Graciano e ilustrações de nada menos que Di Cavalcante.

A história é um retorno ao ciclo do cacau na obra de Jorge, e se passa na cidade de Ilhéus que vive um momento de iminente progresso financeiro, mas que guarda costumes do tempo em que se faziam tocaias na luta pela posse das terras.
Narrativa graciosa do confronto entre o tradicionalismo dos coronéis contra as modernas idéias para a manutenção do progresso da zona cacaueira.
Têm seus pólos opostos no coronel Ramiro Bastos, líder político da cidade e Mundinho Falcão, jovem que vê na cidade uma chance de provar a sua família que não é um bom vivant e sim um homem com idéias próprias e de muito futuro.

Jorge mostra sua veia política numa critica velada e sutil à modernidade política das novas gerações quando em cena memorável coloca Amâncio Leal, um dos mais leais aliados de Ramiro Bastos – após a morte do coronel – frente a frente com Mundinho Falcão.
“-Seu Mundinho, esse tempo todo combati o senhor. Fui eu quem mandou tocar fogo no seu jornal (...). Fiz pelo compadre Ramiro, que me ajudou no tempo dos barulhos. Não porque não concordava com seu jeito de ver o mundo, mas pelo amigo que era. E o senhor sabe: amigo a gente não abandona. Tinha um homem preparado para lhe dar um tiro no momento em que Ramiro me pedisse.” – diz o coronel com toda calma e sinceridade.
“-Eu entendo. – diz Mundinho – Eu também combati vocês, mas não era inimigo. No fundo admirava o coronel (...). Também eu tinha um homem preparado para o senhor...” – mente o exportador com o sangue gelado pelo medo da revelação.

O entorno da história também é sensacional: crescente apaixonante dos sentimentos de Nacib, um sírio (-Turco é a mãe!) radicado na região e dono do tradicional bar Vesúvio por sua nova cozinheira Gabriela.
De como por amor e medo de perder a cozinheira que elevara seus lucros se casa passando pela experiência – frustrada – de ser um pigmalião moderno, tentando transformar uma criatura de compleição simples e nenhuma maldade em dama da sociedade ilheense.
O romance proibido entre o poeta Josué e Glória, concubina mantida por um coronel, que apesar de escondido é de conhecimento de todos e teme-se por outro final trágico como o caso de Sinhazinha Mendonça e o médico Osmundo. Assassinato passional que dá inicio ao livro e o fecha confirmando que os tempos realmente mudaram.

A novela que se inicia hoje parece – não posso garantir – que segue fielmente o texto de Jorge, ficando apenas a dúvida se vão esticar o caso amoroso de Sinhazinha Mendonça com o médico Osmundo pela trama.
Se for o caso, esqueça as restrições aos atores e acompanhe, porque vale muito à pena.

14 de jun de 2012

Uma mentirinha inocente...


A história me contada por um amigo de Minas Gerais, vou declinar de grafar aqui o nome a não ser, claro, que ele autorize.
Antes que eu me esqueça, devo dize que ele tem mania de aumentar um pouquinho as coisas em suas histórias, mas não muito.

Conta ele que em uma viagem de férias – sozinho - ao Pantanal Matogrossense para uma pescaria, após horas de tentativas sem nem sentir o anzol ser beliscado, resolveu fazer um pequeno churrasco.
Foi até o cercadinho onde – segundo ele – estariam os três bois que trouxe de sua fazenda para a ocasião... Para o caso de não pescar nada, entende?

Notou que só haviam dois bois confinados.
“-Mas o que é um boizinho?”. – disse ele, ainda tinha dois e iria fazer churrasco de um deles de qualquer forma...
E assim foi.
Lá pelas tantas, enfadado de tentar pescar e de estomago cheio com o “petisquinho”, pegou um pedaço de carne e iscou no anzol, só de farra. Atirou ao rio preso por uma linha grossa para pesca de peixes grandes.
Tomou um susto quando sentiu que com a carne no anzol – finalmente - fisgou algo, mas sentiu que a força que o bicho era desproporcional!
Tanto que começou a puxá-lo para dentro do rio, como se fosse ele o pescado.
Depois de muito se debater – em vão – acabou caindo dentro do rio e descobrindo que o que lhe puxara lá era nada mais, nada menos que uma enorme cobra Sucuri!
No susto, e no desespero, sacou do facão e cortou a cabeça da cobra, segundo ele, em um só golpe e descobriu surpreso – dentro da cobra – o boi que havia sumido.

Até ai não estranhei nada, até porque reza a lenda pantaneira que cobras Sucuris podem mesmo engolir pequenos bovinos, eu até disse isto a ele que retrucou dizendo que de boizinho o bicho tinha só o apelido...

Tudo bem... Conhecendo sua veia um pouco exagerada...
Mas ele continuou contando e disse que ao cortar a cobra, acertou também o bicho que estava dentro dela e isto fez com que o sangue jorrasse forte, tingindo de vermelho quase todo o rio atraindo um enorme, gigantesco cardume de piranhas.
Também não estranhei, já que é sabido que há mesmo piranhas no Pantanal e que o sangue as aguça o instinto e as atrai.
Só que ele disse que com o facão, e umas boas pernadas e porradas afastou todas, enquanto nadava para a margem do rio e ao chegar lá deu de cara com um enorme urso polar...

Ai não aguentei... Tive de interromper a história e lhe chamar a atenção!
Afinal – como havia dito – sucuris e piranhas no Pantanal vá lá, é plausível, mas... Urso polar? Pode parar...
-O Ron já contou esta história aqui uma vez.... Precisava repetir?
Então ele nem se fez de rogado, e nem perdeu o pique da história.
Olhou em meus olhos e continuou: “-E então rapaz! Foi ai que eu sai da água, peguei o urso pelas orelhinhas assim, bem forte e falei olhando nos olhos dele: Que é que cê tá fazendo aqui bicho feio?”.

O conto é uma adaptação de um causo pantaneiro, ouvi pela primeira vez em um show de Almir Sater.

13 de jun de 2012

Se Massa fizesse escola

Felipe Massa reconheceu que fez uma tremenda cagada no GP canadense.
Não que já não tivesse reconhecido suas cagadas antes, mas a coisa saiu com tamanha sinceridade e facilidade que é de se desconfiar – mesmo sem ter visto – que tratou-se de uma verdadeira disenteria
Se foi o caso, fica a dica: verificar a situação do saneamento ferrarista.
Por outro lado...
Seria interessante ver a mesma atitude em outros personagens da categoria.

Alonso: “-Estoy hacendo uno campeonato realmente muy bueno, pero necessito confessar: mi vitória fue una tremenda cagada...”
Este me lembrou alguém que não está mais na F1...

Hamilton: “-Estou fazendo várias cagadas este ano, porém, venci a primeira corrida em uma cagada monstruosa... Dos estrategistas da Red Bull e da Ferrari.”
Ditadores são uma cagada...

Ross Brawn: “-Schumacher continua o mesmo, ele não desaprendeu a pilotar... Porém a gente tem feito várias cagadas com o cara...”
Música, porque cagadas também são arte...

Mecânicos da McLaren: “-Estamos na liderança do mundial de pilotos, mas se não fossem nossas cagadas, achamos que estaria mais fácil ate...”
Ui

Jenson Button: “-Eu venci uma, e com propriedade, mas o resto deste ano tem sido uma imensa cagada...”
Este me lembrou alguém que ainda está...

Kimi Raikkonen: “-Cagada mesmo fez a Lotus, que apostou em mim pra liderar projeto...”

Porém, tem um personagem que não vai admitir cagada alguma, em tempo nenhum... Mas deu a seguinte declaração: “-É necessário uma intervenção drástica para reduzir os custos da F1, para o bem do futuro da categoria”
In cagada we trust!
Então fica a pergunta: quando será que foi a cagada do Luca?
Quando refutou a idéia de um corte nos gastos das equipes defendida por Mosley e Ecclestone, chegando até a liderar uma cisão que criaria uma nova categoria ou, nos gastos sem retorno – tanto esportivo como financeiro – do seu próprio time até chegar aqui?
A expressão já é uma cagada...

12 de jun de 2012

Lado B do GP - Canadá

Como não vi a corrida, fico com uma imagem dos treinos livres para fazer o Lado B deste GP.

The funk soul brother, check it out now, the funk soul brother...
Por que catzo alguém gasta uma grana considerável para fazer um implante capilar e depois raspa tudo?
Vindo de uma figura impar como Jacques Deusmelivre, a resposta poderia ser qualquer coisa sem sentido.
Porém desconfio que tenha sido para ficar levemente parecido com Fatboy Slim, que no fundo, é mais respeitado que o filho do Gilles.

11 de jun de 2012

F1 2012 - Canadá, o GP às escuras


Já sabia de antemão que não veria a corrida.
Na terça feira, ao checar a caixa de correios, encontrei uma correspondência da empresa de energia elétrica dando conta de que: “No dia 10/06/2012 estava programada uma manutenção preventiva, bem como troca de fios de alta tensão e alguns postes que se encontram dispostos de forma errada. Havendo portando a interrupção no fornecimento de energia elétrica no período das 9 horas da manhã até as 17 horas da tarde.
Nem bolei um plano B para não perder etapa da F1 no Canadá. Teria sido em vão.
E a única imagem que via na TV era o reflexo da sala...

A padaria do bairro também estaria às escuras, os conhecidos mais próximos também. Sair do bairro era a única solução cabível, porém, o frio de 14 graus não me encorajava a ir por este caminho...
Dá ultima vez em que por um motivo qualquer não estava em casa durante a transmissão de uma corrida – na casa de um amigo – também não consegui ver a prova, pois o camarada, mesmo sabendo que eu queria muito assistir, ficava mostrando trechos de filme no DVD e vez por outra comentando com certo orgulho que desde a morte de Senna jamais voltara a assistir F1.
Depois as pessoas não sabem o porquê da nossa repulsa a estas viúvas mal resolvidas e em luto eterno.

A energia voltou por volta das 16 horas e 50 minutos, a tempo de ver somente a entrega do troféu ao terceiro colocado que – óbvio! – para minha surpresa era Sérgio Perez, piloto da Sauber.
Com um pouco mais – já que não havia jeito – de paciência identifiquei Romain Grosjean ao lado de um exultante Lewis Hamilton, o grande vencedor da prova.
Pela alegria, tirou um peso das costas
De imediato senti que havia perdido uma parte da história da F1 moderna sendo escrita ao coroar o sétimo vencedor diferente na temporada, e que de quebra este vencedor se apoderara da ponta do campeonato.
Mas e Vettel? E Alonso? O que teria acontecido no meio da corrida?
E a Williams? Teriam pontuado?
De Jenson Button não me veio nem lembrança... Ninguém para o Button.
Nem eu.

Colocar aqui resultados ou uma analise da corrida feita através da leitura de textos na Internet seria pouco honesto.
Para quem lê os textos deste blog nos dias seguintes à corrida, indico o Pódium GP, os blogs GP Séries, do Marcos Antônio, Continental Circus, do grande Paulo “Speeder76” Alexandre e, claro, o Blog do Ico, do magistral Luis Fernando Ramos.
Tomara que a corrida tenha sido melhor que as grid girls
Eu mesmo só posso aguardar até Valência e ir esperando que em algum lugar haja a corrida em VT para assistir on line, apenas para constar, já que o mais bacana, que é o desenrolar ao vivo, já perdi mesmo.

8 de jun de 2012

Já embromou? Conta ai na música de sexta...


O cara ouve uma canção em algum lugar. Gosta, mas não consegue aprender a letra de primeira, lógico. Seja ela em inglês, português ou espanhol... Até japonês eu diria, mas acho que vamos ficar só com as três primeiras por serem mais comuns...
Então, mas ai a musica não sai do subconsciente dele, e mesmo não sabendo a letra toda, ele quer cantar. O que acontece?
A mente trata de preencher as lacunas do que não conseguiu decorar e então o resultado que acaba saindo pela boca do individuo é lastimável, sob todos os aspectos.

Um exemplo?
Tenho um camarada que vivia neste estado permanentemente. Um dia ouviu “Flores” dos Titãs, adorou, e começou a cantar.
A canção começa: “Olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho...”.
E ele cantava: “Obrei a pé e apressado, de ver nos meus olhos Esteves...”.
Sabe-se lá porque cargas dágua... Mas cantava.
Por que não corrigíamos dando a letra certa para ele? Oras! Porque assim era mais engraçado.

E quando a letra era em inglês? A presepada ficava pior.
Ob La Di, Ob La Da, do beatle Paul é uma canção inocente, bobinha, embora deliciosa.

A letra é fácil de decorar até para quem não fala inglês: “Desmond has a barrow in a market place..”.
Porém era muito comum ouvir alguns amigos cantando coisas semelhantes à: “O saco de cimento ficou com o Mané...”.
Eu juro que já ouvi isto...
Isto quando não enfiava na letra de qualquer outra canção a palavra “Geórgia” como na letra de “We are the world”, que fala da África, mas não de Geórgia.
Na versão dele era: “We are the world, we are the Georgia, we are the ones to make a better day, so let in Georgia…”

Mas tem em espanhol também…
A primeira vez que ele ouviu o Queen tocando a canção: “Las palabras de amor”, do disco esquisito Hot Space, ele não teve duvida: apontou aquela como a melhor canção do disco – que não é lá estas coisas – ficou martelando na nossa orelha durante dias.
Originalmente era: “Las palabras de amor. Let me hear the words of love. Despacito mi amor…”.
Mas a versão do sem noção era diferente. Trocava o termo “lentamente” por “dez passinhos”: “Las palabras de amor, let me hear the words of love, dez pacitos mi amor...”.

E você? Tem alguma letra que já deu uma embromada assim? Ou conhece alguém que faz?
Dá para descrever ai nos coments?

6 de jun de 2012

Solidariedade

Não se sabe se sensibilizado com a situação de Felipe Massa, idêntica a que passou no ano anterior na Williams, Rubens 1B decide mostrar solidariedade ao colega e lhe manda um e-mail.

De: Rubens (old_but_faster_but_rookie@KarroVeio.com)
Para: Felipe Massa (the_coil_fuckin_me@ferrari.it)
Assunto: Sem assunto

Grande Felipe! A vida pra nós brasileirinhos não é fácil mesmo... Ainda mais contra este mundão todo ai que é a Ferrari.
Somos dignos continuadores da tradição de Senna, Piquet e Emerson que estes carcamanos trataram mal...
Mas não é disto que quero falar.
Soube que você não pensa em procurar outra equipe na F1 caso não assine com a Ferrari procede isto?
Se procede, quero lhe dizer que sempre que uma porta se fecha, abre outra. Olha eu aqui fazendo sucesso na Indy?
Vem pra cá! Posso te garantir que aqui não tem nenhum Alonso.

E já que falei em portas que se abrem e se fecham... Se sair mesmo, ficaria chateado se eu me candidatasse a sua vaga?

Abs.

E a resposta chegou algumas horas depois...


De: Felipe Massa (the_coil_fuckin_me@ferrari.it)
Para: Aquele que não quer largar o osso (old_but_faster_but_rookie@KarroVeio.com)
Assunto: RE Sem assunto

Eu não me sinto continuador de nada, até porque nem título eu ganhei, mas...
Este lance de porta é verdade mesmo, podes crer, e quanto a ir para a Indy por não ter Alonso, bom...
Alonso nem tem, é verdade, em compensação o que tem de Narain, é uma grandeza!
Quanto a se candidatar a minha vaga, manda ver!
Só avisando que o Alonso continua... E daí? Para quem já escudou Schumacher, fazer o mesmo com o asturiano seria fichinha...

5 de jun de 2012

O futuro ao futuro pertence...


Então Felipe Massa não sabe o que fará da vida em 2013?
Uia...
Claro, longe de torcer contra o cara, não é meu piloto predileto e nem guia pela minha equipe do coração, mas... Faça-se justiça. Ele nunca prometeu nada e nem aceitou a bravata de que seria o substituto de A, B ou S.
Em recente declaração disse que há chances de permanecer na Ferrari, ou não...
E que caso não, prefere abandonar a F1.

Ok! Há vida no automobilismo fora da F1, não há duvida.
Desempregado o nanico não fica, mas, por favor: passe longe daquela coisa tipo várzea sobre rodas que é a atual Indy e da Nascar, categoria de velhos, gordos e gente que não sabe que é possível virar o volante para a direita.
Rubens: -Vem pra Indy, aqui não tem Alonso
Massa: -Mas tem um monte de Karthkeyan...
Mesquita pensando: -Golpe baixo, Felipe...
E nem venham com esta de que ele deveria voltar a entregar comida em Interlagos...
Além de ser um retrocesso – e quem anda para trás é caranguejo – A concorrência com os motoboys seria desleal.
Se ele apanha deste jeito do Alonso em algo que ele está acostumado a fazer, imagina o pau que ele tomaria dos manos das motos.

Guiar na DTM, se houver convite, é honroso. V8 Supercars australiana também...
Le Mans Series idem. Rallyes então! Ótimo… Só não vá kubicar...
Em último caso, Stock car não é nada ruim... É como arrumar um trampo perto de casa! Veja só...

Mas caso nada disto seja opção, me lembro dele fazendo comerciais...
Por que não de novo?
Só teria de escolher melhor o produto, já que quando fez o filme publicitário da Bridgestone, quase não conseguia pronunciar o nome da marca.
Nesta linha, melhor não escolher também trabalhos para a fabricante de cosméticos da Denim.
Não com aquela dicção.
Imagine ele soltando o mote da marca: “Denim, para o homem que não precisa fazer força para agradar!”
Imagino que teríamos a impressão de estar ouvindo: “Denim, para o homem que não precisa fazer força para c***r!”
Eu, pessoalmente, deixaria de comprar as colônias da marca.

Alguém se lembra de alguma outra coisa que ele fez e que poderia voltar a fazer? Coloque ai nos comentários.
Ah! Piloto de teste para qualidade de molas não vale...
Sacanagem.

4 de jun de 2012

Her Majesty

Sessenta anos de reinado de Elizabeth...
Como disseram os Beatles: Her majesty is a pretty nice girl but she doesn't have a lot do say.

Ao ler isto você pode pensar duas coisas básicas:
1- Como estou velho.
2- E daí?
Se o caso for o da primeira questão, sinto muito em lhe informar, mas mais velha esta ela.

Mas se o caso for o da segunda questão... Bom, ai muda de figura.
Aqui um pequeno apanhado de coisas que poderiam ter mudado (poderiam...) se a velha Beth - sonho de consumo de Mark Webber – não fosse a monarca suprema de todos os britânicos, aquele povo bonito pra cacete e que tem a comida mais gostosa deste mundo, só que ao contrário...


  • Em 1977, os Sex Pistols não teriam gravado o hino God save the Queen, e sim God save the King, o que – provavelmente – abrandaria um pouco a raiva e a falta de educação de Johnny Rotten e Steve Jones. Afinal, falar mal de mulher é mais fácil. Fosse um rei, estavam todos na masmorra de Westminster.
  • A banda mais legal de todos os tempos se chamaria King.
  • Por consequência todos fariam a associação infame com Freddie Mercury e diriam: “O Rei é Gay”.
  • Os Smiths teriam feito o clássico The King is dead e perderia a piada da capa ao grafar que a rainha estava morta e colocar uma foto do Alain Delon.

Outras coisas que aconteceriam se ela não fosse a rainha...

  • A Williams perderia o campeonato de pilotos de 1986 mesmo tendo o melhor carro disparado.
  • Mas teria ganho em 1987, com Piquet guiando.
  • Maradona teria feito um gol de mão contra a Inglaterra na copa do México em 1986.
  • A Argentinha teria armado uma quizumba com a Inglaterra por conta das Malvinas/Falkland.
  • Existiria um tipo sem graça chamado Mr. Bean, que se denominaria humorista e envergonharia o pessoal do Monty Python.
  • A Inglaterra, que inventou o futebol, teria enfrentado o Brasil em quatro copas do Mundo e nunca teria levado vantagem em nenhuma.

Mas espera ai...
Estas coisas realmente aconteceram! E com ela lá no trono e tudo!
Seria a rainha uma espécie de Jenson Button que estando lá ou não ninguém liga?

1 de jun de 2012

Ciranda da bailarina

Cheguei para visitar um amigo que não via já há algum tempo. Uns oito ou nove anos para ser um tantinho mais exato.
Nos reencontramos através de uma rede social destas que valem bilhões, embora para muita gente sirva apenas para perder tempo.
Ao ver sua foto – não tinha mudado tanto com o passar dos anos – enviei uma solicitação e não demorou para que fosse aceito e assim passamos a conversar com frequência.
Não tanta, mas para quem nem se via há tanto tempo, trocar algumas palavras uma ou duas vezes por semana já era um avanço de cem por cento.
Nestas conversas acabei descobrindo que nem morávamos tão longe e que assim como eu, ele havia casado e tinha filhos.
Marcamos de nos encontrar, mas ele não pode ir, acabou ligando em meu celular e pedindo para que eu fosse até sua casa, disse que era urgente. Então fui.

Ao tocar a campainha quase que imediatamente a porta se abre, recebo um abraço efusivo e ouço um: “-ainda bem que você pode vir!”
-O que houve? – pergunto.
-A Léia está passando mal, preciso correr com ela ao médico. – ele responde.
Léia era sua esposa, uma antiga conhecida dos tempos de escola. No meu caso claro, porque evidentemente era muito mais que isto para ele... Ela estava gestante. Sete meses.
-E quer que eu leve vocês?
-Deus me livre! Lembro da forma como você dirigia.
-Eu posso ter melhorado... – argumento.
-Não duvido, mas não tenho tempo para descobrir então, fico com a primeira impressão...
-E o que quer que eu faça?
-Tome conta do Rian pra gente. Você pode fazer isto?
-Quem é Rian?
-Nosso filho... O primeiro... Tem oito anos e é super fácil lidar com ele. Por favor, pode?
-Bom... Posso fazer isto sem problemas... Onde ele está?
-No quarto... Eu disse a ele que você é o tio Ron, ele ficou curioso.
-Sem problemas... – e abro um sorriso para tranqüilizar, o que, claro, pode ter efeito contrário...
-Tem leite na geladeira, sucrilhos na cozinha, DVDs infantis na sala... Eu preciso ir. Espero não demorar! – e sai apressado para o carro onde a esposa já o esperava.

A noite transcorre sem problemas. O pequeno é um doce.
Brincalhão, sorridente e muito inteligente. Assistimos Carros, da Disney e ele ficou com sono e pediu que cantasse algo para que dormisse.
Pedido atendido e o garoto dormiu o sono dos justos.
Vinte minutos mais tarde o casal está de volta, nada sério.
Conversamos por mais algum tempo e me despedi.

Eis que, outro dia, na mesma rede social, sou interpelado da seguinte forma:
-Ron, que foi que você cantou pro Rian?
-Eu? Nada de mais, por quê?
-É que agora, vira e mexe, o menino diz que vai ser bailarina...
-Bailarina? Mas por que você acha que tem algo a ver comigo isto?
-É que ele diz que a bailarina é limpinha... Não tem pereba, remela, unha encardida e nem dente com comida... Que foi o que o tio Ron cantou pra ele dormir...
-Putz...
-Putz? Mas isto nem é o pior...
-Tem mais?
-Tem... Ele toda hora pergunta para alguém diferente: “-O que é pentelho?”
-Putz!
-Putz? Ron... Me diz: Que porra foi que cê cantou pra ele?
-Putz...