28 de set de 2012

O dia em que a música morreu


Tudo é conjectura, tudo é suposição.
Mas tanto a carreira Buddy Holly quanto as de Richie Valens e Big Bopper talvez não fossem tão celebres se não tivessem sido abortadas ainda efervescendo.
Ok, claro que para muitos, inclusive mercadologicamente Richie Valens equivalesse a um Elvis hispânico. Pegou os caminhos do rock´n’roll e os temperou com as influências do folclore mexicano. Assim como o Rei levou a musica negra (rock era considerado race music, musica feita por negros e para negros, como o jazz dos anos 30) ao publico branco e racista dos Eua. Valens levou o rock´n´roll ao povo mexicano.
Mas do que tratarei aqui é de como o rock e o mundo mudaram após o dia 03/02/1959: O dia em que a musica morreu.

Suas músicas – de Buddy, Ritchie e Booper - eram dançantes e/ou românticas.
Valens tinha a questão latina, mas ainda assim era mais diversão que conscientização.
Então, quando o avião que viajavam bateu numa montanha devido a uma tempestade e tragicamente ceifou a vida dos três foi como se o rock and roll deixasse de ser divertido e simples.
No sentido de não ser mais uma musica descompromissada. Tivesse que ter outros propósitos além de divertir.

Da metade da década de sessenta para frente, o rock tomou ares intelectuais e sociais que ainda não tinha. Os Beatles foram divertidos até “Ruber soul” e não deixaram de ser depois, mas passaram à categoria dos ‘geniais’, assim como Dylan e todo o pessoal que participou de Woodstock em 1969. A geração Flower Power, que protestava contra guerras. Mas carecia de um elemento, lá dos primórdios, que dava ao rock seu sobrenome: o ‘and roll’.
O rock já não dançava mais.

A esta altura, 1971, Elvis já era ícone – vivo, mas ícone – Os Beatles já não estavam mais juntos. Os Stones, bem os Stones não contam, afinal até hoje seu rock diz muito mais a eles e ao estilo de vida que eles criaram do que sobre qualquer outra coisa do mundo.
Os Rolling Stones viveram sempre no planeta Stones.
E foi isto que percebeu 12 anos após o acidente de 03/02/1959 o cantor e compositor Don McLean.
Compôs então uma canção que chamava de volta o gingado para o rock, de forma cifrada e com uma letra com tantas ou mais citações e armadilhas que as obras de todos os citados juntos: American Pie.

Diz a lenda que o titulo da canção estava pintado na fuselagem do aeroplano, não achei confirmação. Mas como tudo na canção parece ser uma citação de algo, publique-se a lenda então.
As citações vão desde o disco “Book of love” dos The Monotones até o chamado “Verão do amor” de 1968 quando Allen Ginsberg, poeta beat, sugeriu que todos deveriam sair às ruas de San Francisco para gritar poemas e provocar terremotos.
Frases ambíguas que emulam tanto a John e Jaqueline Kennedy (Kings and Queens) quanto a Elvis Presley.
Faz referencia a Bob Dylan, quando cita o palhaço que “cantou para o rei e a rainha”.
Lembrando que Dylan compôs “Jokerman” – literalmente curinga, mas no sentido de palhaço.
E aponta que “nenhum anjo nasce no inferno” numa alusão clara ao episódio em que os Rolling Stones contrataram os Hells Angels para fazer a segurança num show em Altamont, onde um fã morreu espancado pelos “seguranças”.

Particularmente, penso que a canção não diz só sobre a cena musical. Mas diz muito sobre a perda da inocência dos jovens americanos. Marca o rito de passagem da adolescência para a vida adulta. Mas sem adolescência.
A guerra no Vietnã; a corrida espacial; o homem na lua e então vieram as mortes de Janis, Jimi e Jim. O assassinato de Kennedy.  O inicio da guerra fria e a corrida louca do relógio nuclear para bater a meia noite da humanidade e detonar o armagedom . Tudo junto e de uma vez só. A entrada nos anos 70 e seu pessimismo.
De volta ao âmbito havia o rock progressivo e suas musicas etéreas e longas que afastavam o publico dos artistas e que foram responsáveis diretas pelo aparecimento do punk rock e sua violência, por vezes gratuita.
Definitivamente o rock não dançava mais. E os jovens americanos não sonhavam mais.

Repostado pela mais pura falta de tempo... Desculpe,

27 de set de 2012

Das opções, a que já está com as mãos sujas


Jornal finlandês cravou Heikki Kovalainen na Ferrari em 2013.
Absurdo?
Talvez...
Embora o finlandês mais paraguaio da história da F1 (Keke, Kimi e Mika ao menos foram campeões quando tiveram grandes carros) venha fazendo sua melhor temporada desde que saiu da McLaren parece funcionar apenas com carros ruins.
Equação simples: K+Cr-E2= BT. (Kova+carro ruim-expectativa ao quadrado=bom trabalho)
Não parece ser o perfil do piloto Ferrari.
Mas para o posto de segundo piloto, o fiel escudeiro, como quando pilotou para o time de Woking, quem sabe?

Jornais mexicanos mencionaram interesse da Ferrari em Sério Perez.
Curiosamente, esta foi desmentida pelo próprio Luca de Montezemolo.
“-Ele ainda não está pronto.” – teria dito o supremo mandatário rosso.
Aqui vale dizer que a declaração poderia também ser um despiste.

Na Polônia muito se falou em Kubica, mas o mesmo disse que não para o ano que vem.
Não sabe se estará em condições de pilotar em alto nível.
Louvável.

Uma revista italiana fez uma enquete e até Barrichello foi citado.
Naquele momento a impressão que deu é que o desespero havia tomado conta dos tifosi.
A Scuderia, neste caso, não se manifestou.

Agora é a vez de um jornal suíço cravar a permanência de Massa para 2013.
De todas as especulações esta parece ser o mais provável fim para o caso.
Não que Felipe seja a última opção ou a melhor.
Mas é o que esta mais a mão no momento, sem traumas.
Não seria o piloto que com carro razoavelmente bom some como Kova e nem o novato que – possivelmente – com sede de mostrar trabalho, atrapalharia o reinado alonsiano a frente do time de Maranello.
Também não seria a incógnita de performance que pairaria com a possível contratação do polonês e muito menos o combo de resultados irregulares, desculpas esfarrapadas e insurgência às ordens de equipe (fail é verdade, que mesmo dando piti, sempre acatou tudo) do veterano boquirroto que correrá numa certa categoria tupiniquim até o fim do ano.

Massa seria o nome correto por já estar integrado à equipe e isto será fundamental para as próximas temporadas onde mudanças profundas na construção e motorização dos carros acontecerá.
Então é para o trabalho sujo?
Até é, mas alguém teria de fazê-lo, não? Então que seja alguém que já está com as mãos sujas mesmo.

26 de set de 2012

Profissões esquisitas: Nutricionista


Nunca vi uma criança quando perguntada o que vai ser quando crescer mandar na lata: nutricionista.
Não existe.
A criança que se torna nutricionista só pode ser por vingança.
O moleque cresce vendo a o povo comendo bolinhos, batata frita e outros quitutes, mas no seu prato só com beterraba, rabanetes, aboboras e outras comidas menos cotadas.
Só porque a mãe resolveu seguir os conselhos da nutricionista...
Fosse comigo também me encheria de raiva e juraria me vingar.
Nem que fosse fazendo outras crianças comer aquilo.

-Fígado é importante, tem ferro! – dizem os nutricionistas.
E daí? Não quero imãs grudando em mim!
E o gosto? Melhor seria então tomar uma sopa de pregos...

-Prato colorido chama a atenção... – é outra das frases de força.
Tá... Então coloca na frente de um ser humano normal uma travessa coberta só com o amarelo dourado das batatas fritas, dos torresmos com uma cerveja bem gelada e uma com o vermelhinho das beterrabas, o verdinho dos quiabos, pepinos, um suco bem amarelinho de jaca...
Vamos ver qual acaba primeiro.
E nem adianta desenhar palhacinho usando a comida.

Açúcar faz mal, sal é veneno, gordura mata, álcool destrói organismo, carne vermelha ajuda a apodrecer o colón... – advertem.
Mas porra, todos eles, com pouquíssimas exceções, foram criados comendo tudo isto ai...
E não morreram.

Nutricionista é tudo chato...

25 de set de 2012

Lado B do GP - Cingapura e a sorte do Alonso


-Precisamos de algo... – disse a Chapeuzinho.
-Sim, precisamos... – concordou o Coelho.
-Não podemos apenas ficar na dependência da chegada do caçador. – disse o cavalo do príncipe.
-Verdade! – concordaram os outros.
-Vai que ele se atrasa?  - questionou a menina do capote vermelho.
-Ou nem venha! – se assustou o Coelho.
-E nem podemos contar com meu dono, agora que despertou a Adormecida. – explicou o cavalo.

E todos baixaram a cabeça num sinal de que havia pouca esperança. Se o Lobo aparecesse, teriam mesmo que contar com a incerta chegada do Caçador para afugentá-lo.
Sabiam que por aqueles dias o Lobo havia entrado na casa dos Sete Cabritinhos e feito a festa.

-Vamos precisar de sorte! – disse a menina do chapéu encarnado.
-Sorte? – disse o coelho – Besteira... Dizem que pé de coelho dá sorte, e eu tenho dois... Nunca me ajudaram.
-Concordo com o Coelho – disse o Cavalo – Isto é superstição de humano... Que adora andar por ai com ferraduras pra dar sorte... Para mim só deram calos e escorregões no asfalto.

A menina tende a concordar com seus dois amigos, mas naquele momento a TV que estava ligada em um programa esportivo mostra o resumo do grande prêmio da Malásia de Formula 1.
Nele a vitória de Fernando Alonso é colocada como um grande golpe de sorte. Estar no lugar certo na hora certa... Sem contar a chuva torrencial que abrandou, mas não cessou de vez. E até mesmo o erro de um piloto novato ao tangenciar uma curva pareceu ser questão de sorte.

-Viu? Sorte existe... – disse a garotinha – Sorte existe sim, veja este Alonso ai!
-Verdade! – brilham os olhos do Cavalo – vamos até lá buscar um sapato dele!
-Sapato? Porra nenhuma! – disse o Coelho de olhos vermelhos demoníacos – Vamos lá arrancar os dois pés dele logo!

23 de set de 2012

F1 2012 - GP de Cingapura, luzes, câmeras e pouca ação


Prova chata, não tem jeito.
Bonita pelas luzes, bacana ver a roda gigante, mas chata.
Extremamente chata.
E para piorar, nos momentos de mais emoção, que foram pouquíssimos, ainda pairou o temor de punição que a investigação trás.
Por sorte – ou bom senso – não houve punição. Menos mal.
A melhor coisa da prova é a vista?

Interessante notar outro aspecto da prova.
Muito se fala na beleza de Cingapura, na modernidade da cidade, na pujança de suas construções faraônicas e grandiosas que demonstram o poderio econômico do lugar.
Ate aí, beleza!
Mas a corrida é noturna e a iluminação é tão forte que não se enxerga nem o público na arquibancada.
A impressão é de que não tem ninguém assistindo.

Enfim, é um espetáculo como a Broadway ou Disneylândia sem roteiro ou script.
E para finalizar: fogos de artifício.
Só faltou tocar Somewhere over the rainbow e ter Nico Rosberg vestido de princesa…
Outra visão de Cingapura

Na corrida, que terminou no limite de duas horas por conta dos safaty cars, pouca coisa aconteceu.
Massa e Bruno, Alonso e Pastor, Schumacher e Vergne.
Quebra de câmbio do Hamilton...
Aliás, esta quebra no carro do pateta da maquilata é daquelas que podem ser colocadas na conta da lua.
Que lua?
A lua que Alonso trás dentro da bunda...
Talento e muita sorte

Com um carro claramente inferior para esta corrida, viu sua vantagem se manter estável e confortável após o abandono de seu tão falado principal adversário.
Também contou com a sorte no estranhíssimo abandono hidráulico de Pastor Maldonado, que nem nos boxes perdeu a posição para o asturiano.

E a sorte do espanhol se fez presente até na vitória do alemãozinho da Red Bull, que mesmo tendo voltado à briga pelo título, não parece ter carro suficientemente bom para se manter nela até o fim.

A prova foi chata, mas o campeonato continua bom.
Agora sim pode estourar os fogos de artifício, uma das corridas mais chata do ano acabou.
Ainda tem Abumdabe, é verdade, mas para quem aguentou Cingapura...
Para animar um pouco...

21 de set de 2012

Tiny Dancer


Cameron Crowe é um diretor de cinema muito ligado à cultura pop musical, até por conta de ter trabalhando ainda jovem na revista Rolling Stone, uma das bíblias da cultura jovem norte americana.
Para eles escreveu sobre grandes bandas dos anos 60/70 como o Yes, Eagles, Led Zeppelin e entrevistou Bob Dylan, Neil Young, Eric Clapton entre outros.

Conta a história que quando tinha 18 anos, Cameron se infiltrou em uma turnê da Allman Brothers Band e escreveu sobre toda a equipe de apoio, com suas histórias off palco. Além da banda, claro.
Em sua última noite com o grupo, Gregg Allman pediu que fosse com ele para um quarto e levasse um documento de identificação para provar que não era policia. Então confiscou todas as fitas com entrevistas.
Dois dias mais tarde, a editora que cuidava do catalogo dos Allmans lhe telefonou avisando que devolveria todas as fitas.
A matéria foi a sua primeira a chegar à capa da Rolling Stone e, curiosamente, o líder da banda até hoje diz não se lembrar do episódio.

No ano 2000 - já reconhecido como grande cineasta - filmou Almost Famous, em que narra a história de um garoto de 15 anos que embarca – quase sem querer – com uma banda da qual era fã (o Stillwater) para entrevistá-los também para a Rolling Stone e que – da mesma forma que Cameron – tem seus escritos e fitas confiscados pela banda.
A diferença é que, mesmo sendo simpáticos ao jovem jornalista, o chamam de “o inimigo”.

Numa das melhores sequencias do filme, o jovem jornalista acompanha o guitarrista que, chapado, foge do hotel e acaba em uma festa com fãs em uma cidade pequena do interior dos EUA.
Quando o encontram, já pela manhã, o clima é tenso e dentro do ônibus da banda o silêncio chega a ser constrangedor, até que alguém começa a cantar Tiny Dancer, de Elton John...

19 de set de 2012

E o telefone rosso tocou novamente



-Alo?  Donde fala?
-Scuderia Ferrari... Qui fala Domenicalli.
-Posso falar com o Luca?
-Com quem?
-Luca...
-Ma che Luca, catzo?
-Quantos Luca tem em questa porcheria?
-Um monte... Tem o Luca da chapelaria; Luca do arquivo; Luca mecânico...
-O Luca que manda em questa bagaça.
-O signore Luca di Montezemolo?
-Isto! Questa bichona mesmo...
-O signore Luca Di Montezemolo non está, e non atende questo telefono...
-Non tá? Que pena... Posso deixar uno recado?
-Si.
-Diga ao avoccato que a melhor coisa que ele pode fazer é manter il pastel do Felipe Massa na equipe.
-Espera... Vou tomar nota... Pastel, Massa... Ok.
-Diga para ele que nostro bambin Alonso ficará muito feliz se ele fizer isto. Capiche?
-Capiche... Com quem falei?
-Flávio.
-Flavio de que?
-Como de que? Catzo! Flavio Briatore!
-Ok...

Mais tarde, quando Luca di Montezemolo, o todo poderoso da Scuderia Ferrari chega...

-Signore Luca, per favore.
-Si, Stefano...
-Tenho uno recado que recebi pelo telefone.
-Pode dizer.
-Uno tal Flavio Bria... Briatore, lembrei! Ligou e pediu para dar massa de pastel para o bambini do Alonso.
-Como é?
-Também estranhei signore, nem sabia que Alonso tinha um bambini...

18 de set de 2012

E Grosjean quer ajudar Kimi...



To: Lotus ( lotus@Lotusf1.com)
From: Romain Grosjean (rgrosjean_strikes_again@lotusf1.com)
Subjetc: Estou à disposição.

Olá Eric, estou mandando este e-mail para dizer que eu estou pronto para ajudar o Kimi a ser campeão.
Não vou medir esforços e nem por obstáculos para que o finlandês consiga ganhar o mundial deste ano e isto inclui: ceder a vitória na ultima volta, ceder posição intermediaria, ceder os ajustes do meu carro para acertar o dele, tirar pontos importantes dos adversários diretos, bloquear a passagem o máximo que puder para que Kimi consiga abrir vantagem suficiente na frente.
E se precisar, posso dar uma de Nelsinho também, basta alguém ai se fingir de Briatore.
Vamos lá, todos juntos pelo título do Kimi.
Abs.
Romain.


To: Grosjean (rgrosjean_strikes_again@lotusf1.com)
From: Lotus (lotus@lotusf1.com)
Subject: RE Estou à disposição.

Olá Romain.
Ficamos agradecidos pela sua disposição e empenho, mas para que Kimi ganhe o campeonato precisamos de um pouco mais que isto.
Primeiro: precisaríamos que o carro melhorasse muito.
Segundo: precisaríamos que o próprio Kimi estivesse acordado toda corrida.
Terceiro: precisaríamos de um milagre se fosse para contar que você liderasse uma corrida para que pudesse deixa-lo passar.
Quarto: precisaríamos que todos os outros pilotos fossem ruins o suficiente para não conseguir ultrapassar você. Mesmo em Mônaco duvido que segure alguém.
Quinto, não precisamos pedir que bata, né? Você já faz isto sem a gente pedir.

PS Por favor. Mude seu endereço de e-mail. Sabemos que a expressão “strikes again” quer dizer “ataca novamente”, mas deve lembrar que a palavra “strike” remete a derrubar todos os pinos do boliche, que foi o que você quase fez na largada em Spa. Se bem que... Pensando bem, “ataca novamente” pode ser entendido como “fará de novo”.
Melhor trocar mesmo, antes que a FIA lhe de uma punição preventiva ao ver este endereço de e-mail ai...

17 de set de 2012

Outra de barbearia


-Barbeiro é profissional de confiança, assim como mecânico e proctologista. E nem me venha com cabeleireiro, isto é coisa de viado. – dizia.
Mas naquele dia, Rubs saiu do trabalho com preguiça de se deslocar até o centro da cidade e resolveu cortar o cabelo em um misto de salão de barbeiro e loja de informática.
Nunca havia entrado lá, nem pelo corte nem pelos produtos de informática. Apenas via a placa que dizia: Corte seis reais... E passava batido.

-Boa tarde! Meu nome é Rafael, sou atendente/gerente/ proprietário da “Memória Ram Informática”, no que posso ajudá-lo?
-O barbeiro está?  - perguntou Rubs estanhando a recepção.
-Está, mas foi almoçar. Quer esperar?
-Demora?
-Não senhor, volta logo.
-Então espero...
-Enquanto espera, posso oferecer algo?
-Café? Água? Suco?
-Não senhor...
-O que então?
-A senha do wi-fi...
-Ah, sim... Aceito. É cobrado?
-Não senhor...
-Então, por favor... – Rubs já sacando seu smart phone e habilitando seu wi-fi – Qual a senha?
-O senhor vai ver algo inapropriado?
-Como o que?
-Pornografia, por exemplo.
-Não, mas se fosse?
-Nada, apenas pergunta protocolar...
-Ah tá...

O atendente/gerente/proprietário diz a senha, mas Rubs não consegue conectar. Tenta algumas vezes mais e acaba desistindo.
Então, por uma porta lateral, adentra ao salão o barbeiro.
Baixinho, quase anão, cabelos brancos e desgrenhados. Um jaleco impecavelmente branco e nos bolsos os pentes, a tesoura e uma navalha.
-Boa tarde. É o senhor que vai cortar o cabelo? – pergunta o barbeiro.
-Sim... – diz Rubs olhando para os lados certificando-se que era o único no recinto – além do atendente/gerente/proprietário – tornando a pergunta retórica.

O barbeiro vai até a cadeira que estava coberta com a capa de proteção dos clientes.
A visão é algo surreal. A cadeira é antiga, se calhar, dos anos 50.
Rubs senta-se e o barbeiro se aproxima com um caixote que é colocado ao lado da cadeira. Ele sobe no caixote e coloca a capa em Rubs que olha atônito.
Saca da tesoura e – em cima do caixote ainda – começa a cortar

-O senhor não quer abaixar um pouco a cadeira? – pergunta desconfiado.
-A cadeira não abaixa, e pode me chamar de Ansermo, com “r” mesmo... – sorri dando a certeza que Rubs apenas desconfiara.

O corte vai transcorrendo sem maiores problemas, com conversa amena sobre o quão antigo era o bairro.
De diferente, apenas que Rubs notara que a mão que segurava a tesoura tremia.
Para finalizar, claro, a navalha para acertar o “pé do cabelo”.
-O senhor está nervoso, senhor Ansermo?
-Não, eu sou muito experiente... O senhor fala pela tremedeira?
-É.
-Parkinson. – sorri. – Mas não se preocupe, a cada corte que eu por acidente faça em seu pescoço ou orelha, desconto cinquenta centavos...
Com o corte pela metade, Rubs não teve outro remédio senão confiar.
Pero no mucho, prendeu a respiração e – como se acreditasse – rezou até o fim dos procedimentos.

Em tempo, pagou os seis reais inteiros.
Não houve desconto.

14 de set de 2012

Dia de celebração


No dia 10 de dezembro de 2007 o ar estava carregado de nostalgia na cidade de Londres.
A maior banda de rock de todos os tempos se apresentaria ao vivo, após muito tempo, em homenagem à Ahmet Ertegun, fundador da Atlantic, gravadora pela qual haviam sido lançados e com o qual tiveram contrato até o criarem seu próprio selo – Swan Song Records – e lançar Phisical Grafitti (1975), o seu sexto álbum.
Um frisson tomou conta dos fãs por todo o mundo e as perguntas foram inevitáveis: quem seria o baterista? Disco novo? Turnê?
As respostas foram aparecendo antes, durante e depois do show arrasador: Jason Bonhan, filho de John “Bonzo” Bonhan estava nas baquetas. Eles não estavam voltando e não haveria um disco com canções inéditas, apenas novas coletâneas sob o padrão de qualidade zeppeliniano. E por último, não haveria turnê.
Quem viu ótimo! Quem perdeu adeus... Page, Plant e Paul-Jones nunca mais dividiram o palco os três ao mesmo tempo.

Mas eis que agora é anunciada para os cinemas “Celebration Day”, filme com a produção de Dick Carruters (que não tenho a mínima ideia de quem seja...) sobre aquele show.
A fita entra em cartaz no dia 17 de outubro próximo e deverá estrear simultaneamente em 1.500 cinemas de 40 países.
Uma chance de sentir, ainda que em parte, o que é estar de frente com um dos monstros sagrados do rock de verdade.
Chupa Coldplay, aqui é Led Zeppelin, porra!

13 de set de 2012

O que quer Lewis Hamilton?


E em Woking...

-Então Ron... Eu não abro mão do aumento.
-Você sabe que os tempos são duros?
-Mas eu mereço! Ou não?
-Merece... O que não quer dizer que possamos pagar.
-Não podem?
-Não... Estamos na correria para arrumar novos patrocinadores. Logo vamos ter que procurar também novos motores.
-Não íamos fazer nossos próprios motores?
-Íamos, mas a última coisa que resolvemos fazer por aqui mesmo deu problema.
-Foi?
-Foi.
-E o que era?
-Tô falando com ele agora...

-Tá, a gente pode negociar este aumento, mas tem outra coisa que quero.
-O que?
-Os troféus que eu ganhar.
-A gente te dá uma réplica.
-Não, eu quero os originais.
-Não... Estes são da equipe.
-Mas pô, Ron! Quando eu ganho uma corrida o troféu tem que ser meu! E tem mais: A equipe ganha um também, então pra que ficar com os dois?
-Não... Os troféus são da McLaren e não abrimos mão.
-Não pode ser. O troféu tem que pertencer ao piloto. Quero ver um carro vencer sem piloto.
-Não duvida não... Veja no caso da Williams.
-O que tem a Williams?
-Lembre-se que Jacques Villeneuve e até Pastor Maldonado ganharam corridas lá.
-E o que tem isto?
-Vai dizer que são pilotos que ganhariam corrida em outro time?
-Bom... Não. Mas eu sou diferente deles.
-Tá certo... Vamos fazer o seguinte. Se não é o carro que ganha corridas, ganhe uma sem carro e te damos o troféu.

-Tá bom Ron, mas a parte que cabe a meu empresário não dá pra abrir mão.
-Mas este quem tem que pagar é você, não eu.
-Mas dependo da grana que você me paga pra poder pagar a ele.
-Vamos pensar nisto... Mas por favor, da próxima vez tente arrumar um empresário, e não um gigolô.

Publicado antes no site Ultrapassagem.org

12 de set de 2012

Palavras


Ando com problemas com a língua portuguesa.
Não toda, mas algumas palavras.
Nada que tire o sono, mas aparece toda vez que me sento para começar a compor um texto.
A ideia vem e geralmente formato o texto na cabeça antes de passar para o computador, só que algumas palavras travam e eu começo a rir.
Geralmente jogo o texto fora...

Outro dia estava de boa escrevendo e me deparei na frase com a palavra: “afrodisíaco”.
Ok, eu sei que é substância capaz de despertar ou estimular apetite sexual e tal, mas... Porra!
Afrodisíaco tá uma bruta impressão de querer dizer: cidadão africano excitado.
Não me julgue e não me chame de burro, mas observe a palavra.
Afro Disíaco...  Sei lá.
Agora, de boa... Sendo um cidadão usando substância que estimula ou desperta o apetite sexual, e sendo afro...
É bom não ficar de costas.

Outra que me fez parar a frase e repensar o texto foi: “enfezado”.
Caraca! Um cara enfezado?
Jogaram fezes no cara? Por quê?

“Coitado”, esta foi de doer...
Chamaram um sujeito de coitado em algum lugar e eu fui fazer um texto sobre o assunto... Não prestou.
Logo me veio à cabeça o cara sendo realmente coitado. No sentido bíblico da coisa...
E um coito com o Afro Disiaco, ai não tem jeito, o cara iria acabar mesmo ficando todo enfezado.
Melhor voltar aos textos de F1 mesmo

11 de set de 2012

Lado B do GP: As asas da propaganda


Enquanto o mote promocional dos energéticos que estampam os carros - tanto da equipe A quando da Equipe B - diz que o produto dá asas, no sentido de alavancar sua performance nos esportes ou mesmo no dia a dia puro e simples, o que se viu na pista do templo sagrado de Monza foi bem o contrário.

Não... O produto não deixou de dar asas, não foi propaganda enganosa.
Mas as asas que deram aos carros da Red Bull, por exemplo, os fizeram se classificar mal, andar mal no domingo e nem terminar a prova!
Teve a velocidade final superior apenas aos carros da HRT, que – não é nada, não é nada... Não é nada mesmo.
Já no caso da Toro Rosso, que não é lá grande coisa mesmo, fizeram com que o carro de Jean-Eric Vergne até decolasse.
Red Bull dá asas até onde não precisa
Resumindo: nem toda asa que Red Bull dá presta...

E uma citação especial a Jerome D´Ambrosio, que mesmo não andando muito durante o ano com a Lotus, conseguiu não ser pior que Romain Grosjean.

9 de set de 2012

F1 2012: GP da Itália - Monza, sem mais


Se o nome do jogo é corrida e o objetivo é andar rápido, muito mais rápido que os outros, então Monza é o local por excelência para que a coisa se desenrole.
Uma corrida veloz como nenhuma outra
As retas, as curvas de alta e até as malditas chicanes do templo são emocionantes.
Tão emocionantes que deveria ter – assim como em Spa - ao menos umas três corridas por ano lá.
É com um prazer sem tamanho que esperamos por esta corrida e nem a vitória de um piloto mediano consegue empanar o brilho da prova.

E mesmo o primeiro colocado tendo sido o mimadinho de Ron Denis, o piloto mais meia boca a guiar um carro de ponta desde Jacques Deusmelivre (1B não conta, é horn concours), o grande vencedor do fim de semana foi Fernando Alonso.
Largando em décimo por conta de um problema no Q3 do sábado, foi passando, pedindo punição e contando com sua monstruosa sorte para que outros fossem quebrando. Incluindo adversários diretos na briga pelo título.
Sua vibração ao cruzar a linha em terceiro diz mais sobre a importância do resultado do que qualquer palavra.

Boa corrida também de Felipe Massa.
Fez o que tinha de fazer: andou forte, tirou ponto de adversários e abriu passagem quando necessário sem criar celeuma nenhuma.
O jogo de equipe foi mais que justificável e se isto vai ou não ajudar na renovação de contrato não se sabe, mas se repetir o desempenho deste fim de semana até o fim do campeonato a vaga é dele.
E claro, ótima prova do mexicano Sério Perez terminando em segundo lugar com sua Sauber  que, com aquele bico preto, parece estar sempre de luto.

Outro que teve uma evolução notável foi Pastor Maldonado.
Conseguiu fazer uma corrida inteirinha sem tomar nenhuma punição. Sem sequer ficar sob investigação.
Mas ao contrário do que se pode pensar, não foi o adesivo em seu capacete em que se lia: “Menos problemas, mais velocidade”.
Foi o chip que implantaram sob sua pele e que descarregava choques de 220v cada vez que detectava ausência de ondas cerebrais nas tomadas de decisões.
Falta aprimorar o sistema para que ele comece a mostrar mais resultados e não só menos problemas.
A sombra que se materializa para o título?
Enfim, a temporada não acabou, porém há apenas duas grandes pistas até o fim da temporada: Suzuka, que não tem dado boas corridas nos últimos anos e Interlagos.
Nas outras se espera apenas que a temporada nos brinde com a emoção que apresentou até agora.
Sem duvida nenhuma, esta é a melhor temporada dos últimos tempos.

6 de set de 2012

Tempo fique parado...


A banda já tinha até gravado seu primeiro disco, mas obtido sucesso apenas em sua própria pátria, o Canadá e quando seu primeiro single começou a tocar em uma rádio dos EUA, os telefones não paravam de tocar:
-Alô, escuta... Quando é que sai este disco novo do Led Zeppelin?
Pacientemente os atendentes diziam que não se tratava de outro disco da banda de Page e Plant, mas de um trio canadense chamado Rush.

Formando então pelos amigos de infância: Geddy Lee, baixo e vocal, Alex Lifenson na guitarra e John Rutsey na bateria, o grupo quis aproveitar este lampejo de popularidade no país vizinho e preparou uma turnê por lá.
O empresário, temendo pela saúde do baterista – que era diabético – sugeriu que o posto tivesse um novo ocupante.
Mesmo a contragosto os outros dois aceitaram a sugestão e foram atrás de outro baterista.
Neil Peart, que tinha fama de nerd foi o escolhido.

Chegou para sua primeira audição com seu kit dentro de um Ford Pinto e a impressão não foi das melhores.
Alex chegou a pensar que ele nem era legal o suficiente para estar na banda com eles, mas quando as baquetas começaram a castigar os couros a coisa mudou de figura radicalmente.
Era uma mistura de Keith Moon (the Who) com John Bonham (Led Zeppelin).
Técnica, fúria e velocidade unidas em um só instrumentista.

Porém, a fama de nerd se justificava.
Pouco falava, lia muitos e diversificados livros, o que chamou a atenção da dupla original.
-Olhe quantos livros ele lê! – disse Alex.
-E ouça só as palavras que ele usa pra falar com a gente... – devolveu Geddy.
-Ele deve ser capaz de escrever letras então! – chegaram ambos a conclusão e a partir de então, as letras ficaram a cargo do novato das baquetas.
Sábia decisão.
O que veio depois é história e pode ser conferida no documentário: Beyond Lighted Stage, de 2010 e que mostra um lado totalmente humano de uma banda que aparentemente não é humana.




5 de set de 2012

Enquanto isto na caixa de e-mails em Enstone



From: dont_leave_the_bone@bloodheart.com
To: LotusF1@LotusF1.com
Subject: Monza.

Olá.
Assistindo ao ultimo grande prêmio notei que vocês estão passando maus bocados com seu piloto numero dois, aquele meio feio e que não dirige nada...
Pois é, vi até que ele foi suspenso por uma corrida e não vai poder disputar o grande prêmio da Itália em Monza no próximo domingo. Uma pena já que o carro de vocês pode até se dar bem em um circuito de velocidade plena.

Então eu, movido pelo mais puro espírito esportivo – e sem interesse nenhum – quero lembrar a vocês que há um piloto com muita experiência e velocidade escondido em uma categoria sem muita expressão lá nos EUA que cairia como uma luva nesta vaga.
Inclusive, já venceu lá em Monza...
O cara ainda tem motivação de sobra e além de estar com a faca nos dentes sempre, está com o coração sangrando de saudades de pilotar um carro de F1.
Se quiserem, me respondam este e-mail que eu mando o contato dele para vocês.
Ok?

Cordiais saudações:
A. Nônimo


From: LotusF1@LotusF1.com
To: dont_leave_the_bone@bloodheart.com
Subject: RE Monza.

Não foi desta vez, de novo...
Na certa você também irá dizer que se este piloto ai chegar em quinto lugar vai sair falando que: “este ano é meu”, ou, “sinto que estou no meu melhor” e coisas do gênero... Não é?
Já confirmamos o Jerome d´Ambrosio para a corrida italiana. Tá certo que ele não é grande coisa, mas ainda assim... Deixa pra lá.

Rubens, não adianta trocar endereço de e-mail, colocamos todos os teus IP´s nas definições de vírus do Avast.
Desiste.

4 de set de 2012

Lado B do GP - Lapsos de memória


Após a pancada fortíssima proporcionada por Grosjean, Fernando Alonso foi ao centro médico e após ser liberado retornou aos boxes da Ferrari.

-Fernando, está tutto bene?
-Si, estoy bien...
-Que susto, non?
-Si... Uno gran susto.
-De que se lembra?
-No me lembro de mucha coisa... Só sei que domingo vamos correr na Bélgica.  Yo adoro Spa...
-Errr... Fernando, domingo vamos correr em Monza.
-No creo! Que dia é hoje? Onde estamos? Cadê o Briattore?
-Onde estou? Quem sou eu?
E nos boxes da Mercedes Vettel vai cumprimentar seu ídolo.

-Parabéns Michael! Trezentos GP’s!
-Obrigado, obrigado, mas é só mais uma corrida...
-Qual foi a sua corrida inesquecível?
-Ah, teve aquela que... Foi em... Eu fiz uma... Uma...
-Foram tantas né? Eu entendo, mas e o maior adversário?
-Ah... Com certeza foi o... O... Aquele...
-Pô... Ai não foram tantos assim.
-Não cara, não é questão de quantidade.
-É o que então?
-Na minha idade a memória já não ajuda mesmo... (e sorri amarelo)

2 de set de 2012

F1 2012 - GP da Bélgica: Spatacular!


Ainda que não a corrida não fosse maravilhosa como foi, dificilmente se criticaria o espetáculo em Spa.
Ultrapassagens em profusão, emoção, lances épicos, tensão e acidentes espetaculares.
E pensar que os dirigentes queriam que Spa revezasse com alguma pista francesa. Coitados...
Deveria era ter pelo menos três etapas lá por ano, sem o perigo de nenhuma delas ser chata.
O paraíso terrestre dos amantes da velocidade

Mas nem tudo são flores.
Uma corrida fantástica merecia um vencedor melhor.
O inglês vagalume que, na definição de Jaime Boueri, acende em uma corrida para ficar apagado em sete fez uma corrida sem sustos, de ponta a ponta sem ser ultrapassado nem na parada de boxes.
Conseguiu fazer de uma vitória em Spa parecer com uma qualquer no Bahrein ou Abumdabe: totalmente sem graça.
Se a pista separa homens de meninos, esqueceram-se de avisar ao Vagalume, ele continua menino. Vencer em Spa sem emoção vale muito menos.

Outra coisa que poderia ter estragado a prova – e não foi a pancada na largada – foram o excesso de lances sob investigação.
Repetindo a ideia acima: uma corrida em uma pista fantástica merecia comissários melhores.
E mais, se é para punir, que seja durante a prova e com os carros ainda na pista.
E os que abandonam já estão devidamente punidos.
Este negócio de “after race” é uma bobeira e chatice sem tamanho.
Grojeanada legitima

Outra coisa que destoou foi a gritaria por uma possível suspensão para Romain Grosjean e Pastor Maldonado.
Um por queimar a largada de forma bisonha (mas engraçada) e o outro por provocar – em linha reta! – um acidente plasticamente sensacional.
É fato que o piloto da Williams vem fazendo uma temporada deplorável, mesmo após ter vencido – com propriedade - sua primeira corrida. Mas tirar o cara de uma corrida por uma simples queimada de largada é forçar demais.
Quanto ao grosso piloto da Lotus, bem... Já se viu gente fazendo coisa bem pior...
Tá certo que foi em linha reta, mas até ai...
Coisa de corrida de carros.

Mas assim mesmo a corrida matou, dignamente, a fome de ver F1 após tanto tempo.
Não dava para esperar menos e a pista belga nunca faz menos.
Uma pintura 
Spatacular!