31 de dez de 2012

Crônica do último dia do ano


Todo 31 de dezembro é a mesma coisa...
A gente se reúne com familiares e amigos para ficar contando as horas do ano que está acabando e refletir sobre o que fizemos e o que deixamos de fazer.
Passamos também a limpo aquelas promessas que tínhamos feito no ultimo dia do ano anterior.

Aqui posso falar por mim.
Eu não fumo. Nunca fumei. E prometi que não começaria este ano e não comecei! Então? Ponto para mim?
Não parei de beber, tudo bem... Mas bebo tão pouco que nem parece que bebo... Posso contar o ponto?
Prometi emagrecer e isto eu consegui!
Não importa se foi forçado (alô infecção intestinal!), mas consegui.

Até aqui são três pontos em três promessas.

Também prometi levar uma vida mais saudável. Caminhar, comer mais legumes, mais frutas, menos refrigerantes...
Bom, não deu.
Passei a morar perto do trabalho, coisa de atravessar a rua.
Caminhar ficou sem chance.
Ah, caminhar para o trabalho não vale? Então lascou! Então nunca caminhei na vida...
Eu até tentei comer mais legumes. Sério...
Até coloquei algumas cenouras, alguns pepinos, beterrabas e rabanetes com alguns torresmos... Mas já viu né?
Torresmo a gente tem que comer ainda quentinho e o treco esfria muito rápido.
Então não dá para deixar de lado e focar nos legumes. Vai-se primeiro neles e quando nos damos conta, já estamos satisfeitos e os legumes ainda estão no prato.
Quanto a tomar menos refrigerante, bom... Já tentou acompanhar torresmo com água?
Não dá.
Cerveja sim... Mas lembre-se que prometi beber menos.
Não há melhor representação da vida que o círculo.
Então, em uma rápida e safada adaptação de um trecho da obra de Gessinger Filmes de guerra, canções de amor podemos dizer: “E chegamos ao fim do ano, chegamos quem diria, voltamos enfim ao inicio e nunca se é tão rápido quando se anda em círculos”.
 E sendo assim...
Prometo que: não vou fumar, vou beber ainda menos, vou ser mais saudável, vou por menos torresmo junto com os legumes, que tomarei refrigerantes diet ou light sei lá...
E espero que o circulo em que andamos nesta vida se feche em dezembro de 2013 para que eu possa voltar aqui e contar que talvez não tenha conseguido fazer nada do que prometi e assim como estou fazendo agora, prometer tudo de novo.
E claro, encontrar todos vocês novamente...
A todos um feliz ano novo.

24 de dez de 2012

Feliz Natal ai...


Não vou aqui desejar aquelas coisas de sempre para o natal.
Felicidade, paz, amor, fartura, serenidade, alegria e tudo o mais deveria ser tratado como direito básico de todo e qualquer ser humano.
Infelizmente não é.
Muito pelo contrário.
É um privilégio de poucos e grande parte não tem nenhum dos itens...
Espero que você que está lendo agora seja uma das exceções e tenha todos ou - ao menos - grande parte da lista.

Mas, se não vou desejar estas coisas tão normais à época, para que fazer este texto?
Bem...
Não vou desejar aquilo tudo, mas posso desejar coisas mais simples e que no fundo acabam por depender mais da gente do que se pensa.
Então vamos lá.
Quero desejar um natal sem:
Simone cantando versão do John Lennon
John Lennon cantando Happy Xmas (war is over)
Compra de natal na Rua 25 de Março, Saara ou outro mercado popular.
Papai Noel fedorento depois de passar o dia todo debaixo do sol.
Especial do Roberto Carlos (cada ano mais chato)
Presépio de qualquer espécie.
Aqueles corais desafinados que cantam (?) se balançando.
Ligações da LBV, IURD, PQP e outras picaretagens pedindo doação.
Cartão de natal do vereador eleito (no qual você não votou).

Enfim... Um Feliz natal a todos os amigos ai...


21 de dez de 2012

Crônica do fim do mundo


O mundo esta realmente acabando...
Sinais? Sim... Tem muitos.
Primeiro: não tem cerveja na geladeira. Como posso ter esquecido?
-Ah! Mas ai é falha sua. – pode dizer. Mas se o mundo não estivesse acabando, eu teria lembrado que acabaram as Stella Artois.
Quer mais? Não achei para comprar em supermercado nenhum...
Tinha Heineken, mas de barrilzinho custando cinquenta paus.
Porra! Cinquenta paus por cinco litros de cerveja? É ou não o fim do mundo?

Outro sinal?
Salame.
Não tinha salame no barzinho que frequento.
O cara me ofereceu provolone à milanesa.
Declinei.
Só eu sei como fica meu intestino quando como aquilo e não queria ser acusado de ter começado o apocalipse.

E você tá se perguntando ai se só isto serve de sinal para afirmar que o mundo está acabando. Não está?
Pois é... Não serve...
E você também deve estar rindo achando que eu confio em profecia maia.
Ai você se engana, não confio em maia nenhum... Basta lembrar que tem uns Maias no congresso, no senado... Tudo mentiroso.
E na rua que eu moro mesmo tem outro maia que mente para caramba...
Mente de tudo. Desde a altura até a opção sexual.
Mas o nome é verdadeiro.

Ainda tá duvidando?
Bom... Procure por sinais mais perto de você então.
Ligue o rádio e gire o botão de sintonia.
Se encontrar menos de cinco estações de rádio tocando funk, sertanejo, pagode ou falando do curintia pode ficar tranquilo, mas como sei que vai encontrar muito mais, então se prepare: a visita do capetoso é realmente iminente.

E por falar no capeta, preste atenção.
Os Maias – incluindo meu vizinho – não falam em anticristo em sua profecia, mas se olhar pros lados vai identificar um monte deles.
E não to falando daquele coreano gordinho que dança a eguinha pocotó não...  Longe disto.
Mas para muita gente, mas muita mesmo o “sem pele”,  “o que fede enxofre”, o “coisa ruim” e outros nomes está mais presente que nunca.
Como identificar?
Bem, algumas dicas: tem língua presa, não enxerga nada e só pode contar até nove...

E para terminar.
Verifique na folhinha ai... É dia vinte e um ainda e se olhar na sua conta corrente vai ver que já está no vermelho.
Pode até não ser o fim do mundo, mas que dá a sensação de que é, ah isto dá!

19 de dez de 2012

Balas acidas


Um que sai.
Norbert Haug deu tchauzinho à Mercedes.
Não espanta. Montadora é assim.
O investimento nos outdoors mais rápidos do mundo não dá o retorno esperado e eles vão à caça às bruxas.
Se no ano que vem a maré não mudar, mesmo com Lewis Hamilton por lá, não duvido que de tchau a categoria.

Um que desiste.
Já o japonês Kamui Kobayashi declarou que não estará na F1 em 2013.
Desistiu
Por desistir, entenda-se: não conseguiu grana.
Por um lado é uma pena, não teremos um japonês na categoria. E um japonês de razoável talento.
Por outro lado... Não tem outro lado.
Pelo menos não mandei grana para o “Kamui Esperança”

Um que fica.
Romain Grosjean foi oficialmente mantido na equipe Lotus.
Assim fecha-se uma porta para Bruno Senna.
O espantalho é rápido. Estabanado, mas rápido. E convenhamos: com ele no grid as largadas nunca serão previsíveis.

Um que chega.
Max Chilton vai pilotar para a Marussia
Assim fecha-se outra porta para Bruno Senna.
Só não sabemos se damos as boas vindas ou os pêsames por ir correr numa equipe como a Marussia.

Um que falou demais.
Christian Horner declarou que não renovaria com Massa levando em consideração o inicio de seu campeonato deste ano.
Horner é um cara legal, dirige uma equipe vencedora, mas é um mentiroso.
Disse que não renovaria com Massa, mas renovou com Webber que teve um inicio tão ruim quanto o de Felipe Massa e ainda tentou sabotar o título de Vettel no fim da temporada.

17 de dez de 2012

Crônica do dia chuvoso (após os dias quentes)


O calor não iria persistir para sempre afinal de contas e então, no último fim de semana da primavera, os quarenta graus de temperatura ambiente deram lugar a uma insistente chuva.
Em alguns momentos: forte. Com alguns raios e trovões.
E em outros branda. Uma garoa mesmo, daquelas de molhar bobo...

E foi numa destas horas de garoa que saí para fazer algumas compras de última hora.
Nada mais apropriado que ficar molhado pela garoa por precisar comprar coisas que poderia ter deixado para outra hora sem problema algum.
Mas como disse, a garoa era para molhar bobo e lá estava eu.
Mas não sozinho... Bobos devem ter alguma espécie de imã. Afinal, se atraem.
Debaixo do mesmo termômetro da prefeitura, aquele que marcava uns quarenta graus estava o papai Noel. O mesmo da outra história com os mesmos gorro, calça e casaco vermelhos, mas agora completamente encharcado.
E me reconheceu.

-Você não é o cara que ia me fotografar e fazer piadinha? – disse.
-Errrr... Sou. Mas não fiz não. – respondi com um meio sorriso provavelmente amarelado de vergonha.
-Não fez por quê? Eu não tinha autorizado?
-Até tinha... Mas achei sacanagem te zoar. Afinal você nem sabia se ia ser ou não pago.
-Mas fui. Além de pagar o mês que já havia trabalhado ainda me adiantou o mês seguinte.
-Quanto tempo faz que está fantasiado de papai Noel?
-Desde novembro. Vou ficar até o dia seis de janeiro.
-Sério?
-Sério, até já recebi pelo mês de dezembro, como te falei.
-Mas cê não acha estranho ver a figura do papai Noel andando por ai depois do dia 25?
-É... Estranho é, mas vou fazer o que?
-Muda a fantasia para uma de ano novo.
-Ano novo? E como seria?
-Ah, sei lá! Veste uma toga branca, calça umas sandálias de amarrar na canela, pinta o cabelo...
-E a barba?
-Tira ué... Não é falsa?
-Não... É minha mesmo.
-Então raspa. Até o próximo natal cresce de novo.

Um sujeito - aparentemente embriagado - que ouvia a conversa comentou meio que entre dentes, mas perfeitamente audível.
-Toga branca, sandália amarrada na canela e cabelo pintado... Sei não. Algo me diz que vai ser o ano novo mais viado da história.
-Como é? – perguntou o papai Noel molhado.
-Nada não... Tô pensando em voz alta que no horóscopo chinês 2013 é o ano do veado.
-É mesmo? – pergunto inocentemente.
-Se não é, estão querendo que seja... Ah estão...

13 de dez de 2012

Os peões da obra. (Mais uma crônica de um dia quente)


Desde que a companhia ferroviária resolveu trocar a estação da cidade de lugar (coisa de cem metros) – construindo uma novinha com modernas instalações a vida na cidade tinha se tornado um inferno.
Não bastasse o transtorno, o pó da demolição do casario que estava no lugar da nova estação, ainda tinha o barulho da obra e claro, os peões.
Sentados à hora do almoço por todos os cantos da nova estação, faziam às vezes de olhos, ouvidos e boca da obra.
Nada acontecia pelas imediações sem que eles soubessem e pior: comentassem.
A menina que é gerente da loja tomando um esculacho do namorado foi hit entre eles semanas atrás.
Hoje ela passa pela obra e não ouve os tradicionais assobios, mas um insistente e jocoso “cocóricó”.

Ao ouvir o sapateiro da rua reclamando que odiava o próprio apelido (o nome do homem é Baltazar, mas pelas costas todos o chamam de “cobra” que na verdade é uma simplificação para “engole cobra”) fizeram um simpático sambinha que é cantado toda vez que o indigitado aponta no inicio do quarteirão e só para quando dobra a última esquina: “-Cobra... Seu Baltazar cobra... Cobra o serviço que eu pedi/ Não é porque somos amigos que o senhor vai ter que engolir... Cobra, seu Baltazar cobra...”.

Nesta última semana o calor infernal que se abate sobre a cidade parece ter acirrado os ânimos. Houve até barraco.
O caso é que Batistão (que é prejudicado verticalmente) é casado com uma tremenda gostosona, - e por ser anão todos ficam melindrados ao dizer qualquer coisa à ele, o que não impede os comentários maldosos pelas costas.
O mais comum é quando passa o cotoco de gente de mãos dadas com o avião (abraçado não dá, a mulher teria dor nas costas) é: “-Macumba... Só pode ter sido macumba.”.
Outro comentário - que foi recebido com certa desconfiança pela comunidade local - foi exatamente do sapateiro Baltazar: “-Anão costuma ter bilau grande.”.
E quando os olhares se voltaram para o sapateiro: “-E o que dizem... Eu nunca vi... É o que dizem.” – tentava explicar ou consertar.
Mas o certo é que apesar das piadas ninguém podia dizer nada de concreto de Dinorah, a esposa do toco de amarrar jegue. Havia desconfianças, mas todos guardavam apenas para si. Alguns acreditavam sinceramente na devoção da gostosa pelo tampa de caçulinha.
 -É amor!– diziam – Só pode ser... O cara é feio, anão, pobre... Só pode ser amor. – diziam.

Mas quando Dinorah passava pela obra da estação os comentários não eram velados e cochichados, mas escancaradamente gritados.
“-Ô mulher econômica, até homem ela escolhe pela metade...” – ou – “-Vem ni mim (sic) que aqui não tem economia não...”.
Ela sorria... Talvez aquilo aumentasse sua autoestima ou... Vai saber?

Quando descobriu os gracejos, Batistão foi até o portão da obra e sem medir consequências chamou todo mundo pro pau.
“-Podem vir todos ai... Dou rabo de arraia em todo mundo!” – gritou.
Obviamente não desceu ninguém. Uma briga com alguém do local poderia despertar a ira em todos da comunidade e até acabar em demissão por justa causa. Além de – claro -saber que estavam errados.
“-Não vai descer ninguém é? Cambada de frouxo!” – disse vitorioso o piloto de autorama que girou nas solas dos sapatos e se encaminhou triunfante para o bar. Havia vencido a parada contra os maledicentes.
Pega então uma meia cerveja e volta para a porta do bar, com ares de superior.
Olha firmemente para o alto da futura nova estação e dá goles vigorosos em sua cerveja.
-Aê cambada de peão! Tão vendo esta cerveja aqui? É minha... Grita ai que é gostosa, que é econômica... Ainda assim vou tomar sozinho. Entenderam?
-É que é meia... – diz alguém em cima da obra sem se deixar identificar.
-Não entendi... – diz o anão.
-Você toma sozinho porque é meia cerveja.
-Não faz sentido. Cê acha que se fosse uma cerveja grande eu não tomaria sozinho?
-Não... Vai vendo. É como sua mulher.
-O que tem ela?
-Se fosse uma meia mulher, que nem você que é só meio homem, seria só tua...
Batistão até queria continuar a discussão, mas por azar (ou sorte) no começo da quarteirão aparece Baltazar e logo se ouve apenas o sambinha... “-Cobra... Seu Baltazar cobra... Cobra o serviço que eu pedi/ Não é porque somos amigos que o senhor vai ter que engolir... Cobra, seu Baltazar cobra...”

11 de dez de 2012

Pequenas maldades.


Pelas bandas dos EUA houve queima de  fogos.
Já na Stock a comemoração foi contida.
1B fechou com a categoria e vai correr a temporada toda.
-Já ficam nos zuando porque tem pista com trilho de trem, e ainda com o 1B seria muito complicado... – disseram na Indy.
-Comemoração pelo 1B? Não... Estamos festejando o quinto título do Cacá. – foi dito na Stock.
Só lembrando... Meddley não é uma empresa de genéricos? Tá explicado então... Vai ter um piloto genérico.

Por falar em Stock, venceu o melhor.
Não se desmerece ninguém que pilota por lá, mas a verdade é que Cacá Bueno é bom para caramba.
E para os azedos que o criticam apenas por ser filho do Galvão.
Chupa!
O cara é penta.

Webber disse outro dia ai que a Red Bull sabe que ele é capaz de superar Vettel.
Desculpe.
Hahahahahahahahaahahahahah, cof cof, hahahahahahhaa ihihihihiihi, ai ai...
Claro que sabe.
Ahahahahahahahahahahahahahahahahaha.

Uma agência ai cravou que Adrian Sutil é favorito para a vaga na Force Índia.
Curioso, não foi de lá que ele foi corrido para fora por dar com os cacos de uma taça ou garrafa na cara de alguém?
Ou o cara é um ás em perdoar ou é masoquista. Do tipo sado.
Se bem que o cara era da Renault né? Hum...
Então a viadagem é de outra categoria...

Jenson Button disse que está pronto para liderar a McLaren no ano que vem.
Hum...
Ele está pronto para liderar, mas o que é a liderança quando se anda em círculos?
E no caso dele um tanto pior, já que só vai ver liderança quando chover.
E ele vai ter de esperar que chova em todas as provas do ano.
Começo a solidarizar com aqueles que dizem que o time do Ron Dennis vai sentir falta do Hamilton.

Fora do automobilismo temos o Curintia indo pro Japão.
Bacana...
Alguns índices como os de furtos, roubos e vandalismo caíram um pouco no Brasil.
Já no Japão subiu.
Mas os caras se esforçaram. Até aprenderam japonês para a viagem.
No aeroporto em Tokio o que mais se ouvia era: “Ae Amareru, perderu, né?”.
Coitado do Japão, não bastassem os terremotos, os tsunamis...

10 de dez de 2012

Crônica de um dia quente


Reclamar do calor não refresca.
Se refrescasse, não se venderia sorvete, suco, água...
O calor tem suas vantagens e desvantagens como todo estado climático.
Não consigo me lembrar no momento de nenhuma vantagem, mas enfim...
Esta é uma crônica de um dia quente like a hell.

A prefeitura instalou nas duas praças centrais da cidade uns painéis eletrônicos.
Daqueles de led que mostram propagandas alternando com temperatura, sabe qual é?
Então... Mas o treco não foi bem regulado, ao menos a parte do termômetro e –desde sua instalação- aponta sistematicamente de quarenta graus para cima.
É certo que após sua instalação não houve dia ameno, mas quarenta e tra lá lá?
Em meu smartfone o máximo que apurei foram trinta e oito.
E no sol!

Olhava para o treco pensando no quanto aquilo é inútil e de repente me deparo com um vistoso e muito bem caracterizado Papai Noel.
Porra, se eu (de bermuda, camiseta branca e tênis) estava com calor, o que será que estava sentindo aquele homem?
Involuntariamente o fantasiado parou abaixo do indigitado painel.
A visão era surreal.
Um homem vestido com uma grossa jaqueta vermelha, sobre uma calça igualmente grossa e vermelha. Botas, luvas e um gorro tão inacreditável quanto todo o resto parado debaixo de um painel/termômetro marcando 43 graus.
Saco do telefone e me preparo para fotografar a cena.

-Vai fazer o que? Parceiro...
-Fotografar... É muito curioso ver você ai todo paramentado debaixo desta “lua”.
-Engraçado né?
-Curioso, eu diria.
-E esta foto serviria para que?
-Facebook, sei lá...
-E qual seria a legenda?
-Deixa ver... “Está com calor? Imagina este cara ai...”.
-Bom... Mas não vai fazer não.
-Não?
-Não... Acha que eu to fazendo isto porque gosto? Espírito natalino?
- Claro que não... Deve ser grana né?
-Obvio.
-Comercio local?
-Prefeitura...
-Então desculpa, mas não vai rolar, duvido que o prefeito que está saindo te pague. E o que vai entrar, menos ainda...
-Você não é o primeiro que diz isto. Estou fazendo papel de palhaço...
-É... Pode ser.
-Então vai, fotografa... E pública, mas dá o serviço completo, com nome e tudo. Quando faço papel de palhaço, vou até o fim.

7 de dez de 2012

Mortadela


Sempre que ia passear na região do Parque Dom Pedro, em São Paulo, ficava encantado com os armazéns importadores de secos e molhados. Desde muito pequeno.
Os aromas, a variedade de produtos como: azeitonas, azeites, vinhos, vinagres, queijos e principalmente: mortadelas.
Mas não de uma forma comum, encantavam mais pelo fato de estarem dependuradas no teto.
Passava por baixo das “bexigas” de mortadelas e peças de queijo provolone enormes sustentadas apenas por um cordãozinho.
Porém o sentimento que tinha não era de medo. Não temia que uma das peças despencasse lá de cima e acertasse sua cabeça, mas um troço confuso. Queria agarrar uma das peças e arrancá-la. Sair correndo do armazém com a mortadela nas costas.
Óbvio que não precisava disto, nunca precisou.
Se pedisse quando criança, provavelmente, seu pai teria comprado uma delas e lhe daria de presente. Um presente não convencional, mas um presente.
E agora, depois de crescido, já formado e muito bem empregado, uma peça de mortadela que custa noventa reais não lhe seria problema comprar. O que queria era realizar aquele sonho louco de infância que nunca contou a ninguém.

Naquele natal teve a ideia que alguns chamarão de brilhante, outros de “coisa de jerico”: iria até um dos armazéns que costumava visitar quando criança e colocaria seu plano em prática.
-Boa tarde, posso ajudar?
-Pode sim, eu quero mortadela...
-Senhor, desculpe... Não vendemos fatiados.
-Não, não... Eu quero uma peça inteira.
-Ah sim... E qual?
-Pode ser desta aqui... – aponta com os dedos.
-Bologna ouro defumada... É uma ótima escolha... Vou pegar a faca para tirar ela daí.
-Olha, não...  Desculpa, mas eu quero arrancar do cordãozinho e sair da loja com ela sem embrulhar.
-O senhor quer roubar a mortadela? É isto?
-Não... Eu vou pagar... Aliás, quanto custa?
-A peça toda? Noventa e seis reais... É um produto importado da Itália.
-Que bom... Que bom... Então... Eu vou pagar, mas quero eu mesmo arrancar ela daí e sair com a peça sem embrulhar.
-O freguês é quem manda.
-Aceita cartão?
-Claro, claro... Crédito ou débito?
-Débito. Aqui está.

O funcionário do armazém faz a operação e com um sorriso lhe aponta a peça de mortadela que agora pertence ao freguês.
-Só mais uma coisa... O senhor pode fingir que está distraído?
-Como?
-Fingir que está distraído... Assim, sei lá... De costas, olhando para a janela...
-Bem... Tá certo. Já começamos com a loucura, vamos até o final, não é?
Vira e se ocupa com a limpeza das garrafas de azeite extra-virgem em uma bancada mais afastada, mas não sem, de vez em quando, dar uma olhada no maluco.
Maluco, aliás, que tentava de todas as formas arrancar a mortadela de seu cordão sem sucesso.
Puxava com calma, depois nervosamente, com fortes trancos e chegou até mesmo a se dependurar nela.
Mas nada... Continuava presa a seu forte barbante e pendurada ao teto.

-O senhor quer uma ajuda?
-Acho que vou precisar. Do que são feitos estes cordões? Aço?
-Não, não... Acho que é de algodão cru, mas não sei...
O homem estava abraçado à mortadela como um goleiro que encaixa uma bola.
-O que pode fazer?
-Bom, posso pegar uma faca e dar um talho no cordão. Não cortar ele todo, mas dar um trisco nele, assim acho que fica mais fácil de sair se o senhor puxar com força.
-Tá! Eu aceito.
E o funcionário pega sua faca e dá um pequeno corte no fio. O homem então põe as mãos na mortadela e ameaça puxar, mas se detém.
-O que foi? Tem que cortar mais?
-Não, acho que não... Mas... Queira se distrair por favor? – diz ele com um sorriso.
-Ah... Tá... Tá... Tenha um feliz natal e um próspero ano novo. – e se vira para continuar limpando as garrafas.
O homem se agarra à peça e força com seu peso todo para baixo, chegando mesmo a tirar os pés do chão e ficar dependurado junto com a mortadela até que por fim o cordão cede e o homem cai sentado no chão. Mas com a mortadela junto ao peito.
Então se levanta, desajeitado e dolorido, abraçado à peça e sai da loja como se fugisse.
Do outro lado do balcão o atendente sorri pensando que um dia morre, mas não vê tudo.

Ao chegar a seu carro, um bonito sedan importado, abre o porta malas e joga lá dentro sua aquisição. Seu presente de natal para si próprio.
Entra no carro onde lhe espera sua esposa e lha dá um grande abraço e um beijo.
-Amor, cê demorou... Todo este tempo para escolher uma mortadela?
-É que são tantas! – e sorri satisfeito.
-E que horror... Você esta cheirando a mortadela! Como foi que escolheu? Abraçando?
Ele não responde.
Apenas sorri enquanto vai acelerando o carro pela Avenida. Senador Queiroz enfeitada para homenagear o bom velhinho.

5 de dez de 2012

Pilantropia: você ainda vai ajudar uma causa destas


Tem certas coisas que fogem ao bom senso, infelizmente.
Também na F1.
Então de repente Kamui Kobayashi se tornou unanimidade total na F1.
É o mais carismático, é um grande talento e tem um grande potencial etc, etc etc...
Ok.
Mas a chefe dele por N questões que não vem ao caso não acha.
Sua vaga foi vendida sem nenhum pudor a um cara que diz para quem quiser ouvir que não sabe se está preparado para pilotar um F1.
Fazer o que? Business antes do esporte.
C´est la vie.

Mas os fãs, aqueles que descobriram no japonês o ultimo panteão da F1 romântica ou sei lá o que, resolveu intervir (ou tentar) na ordem das coisas e criou um fundo de ajuda a Kamui Kobayashi.
E já arrecadaram uma ótima quantia segundo se lê por ai. Inclusive com doações vindas daqui do Brasil.
Diz-se que é para ajudar o primo distante do Paulinho (antigo perna de pau que jogou no Santos) a garantir uma vaga na F1 para 2013.
Vale a pena?

Sei lá... Mas assim.
É muito engraçado ver um povo adora malhar projetos como “Criança Esperança”, “Teleton” e outros se cotizando para mandar uma grana para um piloto.
Tá com grana sobrando? Quer jogar fora? Então...
Manda para a “Casa do Pequeno Ron Groo”, uma instituição pilantrópica que visa me ajudar a comprar uma Nikkon novinha.
Tenha paciência...

3 de dez de 2012

Em gomos


Algumas besteirinhas que sobraram a titulo de aspas.
Ai vão elas em gomos, como linguiça.

A Pirelli, uma das grandes responsáveis pela excelente temporada que a F1 teve em 2012 declarou que espera uma longa parceria com a categoria.
Fala em oito ou dez anos...
Isto é para aqueles que diziam que a fábrica de pneus não era capaz de fazer nada que durasse mais que uma corrida...


Luca di Montezemolo, sim... Aquele que manda, desmanda, morde e assopra na Ferrari cutucou o chefão Bernie Ecclestone em entrevista.
Até ai normal... Ele vive fazendo isto.
Mas desta vez ele foi contundente: “-Velhice é incompatível com certos papéis.” – declarou.
Pode parecer preconceituoso da parte do mauricinho rosso, mas não... Depois ele completou: “-Eu mesmo, quando for da idade do Bernie, deixarei de ser viado...”.
Explicado né?

A HRT acabou.
Os únicos que choraram o fim da nanica mais nanica da temporada foram aqueles que assistem Ghost, E o vento levou e o Segredo de Brockback Montain cem vezes e choram em todas.
 Dizem as más línguas (a minha, por exemplo) que foi a coisa mais rápida que a equipe já produziu em sua história: a tuitada que anunciou o fim.

Bruno Senna vai lançar uma coleção de roupas ou coisa que o valha.
Bruno não é mau piloto, também não é assim uma coca cola com limão geladinha...
Piada infame: será que as roupas combinam com Bottas, por exemplo?

E por fim, um off automobilismo.
Cafu foi o apresentador oficial da bola que será usada na copa das confederações, a cafusa.
Não, ela não é fabricada pela Cafu S.A., é apenas a junção das palavras: “carnaval”, “futebol” e “samba”.
Carnaval enquanto indústria (como o futebol), futebol ruim (como o carnaval) e samba da pior qualidade, tipo pagodinho de FM.
Mas depois de Fuleco, do Isentão doado para clube privado com dinheiro público, pé na bunda do Valcke, cota de ingresso para índio, elefante branco na Amazônia, não espantaria se fosse algo do gênero...
Perguntinha: ainda existem cafuzos em nossa população? E eles têm cota também?