31 de jan de 2013

E no escritório de Ecclestone toca o telefone...


-Sr. Ecclestone. Telefone para o senhor.
-Quem é? Se for o Ron Dennis diz que eu morri. Só pra ver ele feliz.
-Não senhor. Não é Ron Dennis.
-Deve ser o Lucca... Diz para ele que estou ocupado com papeis da aposentadoria, eu adoro dar esperança para este povo.
-Também não é o presidente da Ferrari, senhor.
-Mas quem é então?
-Diz ser representante de uma tal Scorpion, senhor.
-Ok, pode passar então, vamos ver quem é e o que quer.
-Pois não.

-Alô? Quem fala?
-Senhor Bernie?
-Sim.
-Eu sou Klaus Maine, representante da Scopion e queria saber sobre a possibilidade de inscrever minha equipe no campeonato deste ano, usando o que sobrou da HRT?
-Klaus Maine? Você é de outra área não?
-Fui, mas estou meio ausente do meu meio... Se quiser referencias peça para o Richard Branson, aquele que era dono da Virgin...
-Bem, não precisa... Até porque pedir referencia para aquele lá... Bom...
-E então? Podemos negociar?
-Negociar é algo que eu gosto muito, mas não vai dar... Veja bem. Os prazos...
-É... Eu sei. O prazo final acabou em novembro do ano passado.
-Pois é... E ainda tem mais. Se já andando há algum tempo na F1 os carros da HRT já eram uma bomba, imagine se eu deixo vocês entrarem assim, de uma hora para outra, como não ia ser o carro?
-E se déssemos garantias de que o carro seria ao menos razoável?
-Não dá... O problema foi o atraso. A lentidão em entrar em contato.
-Atraso?
-Sim.
-Lentidão?
-É.
-Tá certo, já tinham me falado estas mesmas palavras outro dia, quando fui sondar um piloto.
-Sério? E quem seria este piloto para quem usaram estas palavras?
-Barrichello.
-Faz sentido... Muito sentido...

30 de jan de 2013

E se os botões do volante da Lotus criassem moda?


A brincadeira da Lotus mostrando um volante de F1 com botões personalizados para Kimi Raikkonen foi – de longe – a melhor coisa no netshow que apresentou o carro.
Botões como: ice cream, tweet, like, open gate e até a piada infame onde o botão (Button) leva o nome de Jenson foram sensacionais.
Mas e nas outras equipes? Se fossem brincar assim (ou não brincar sei lá...) quais botões apareceriam nos volantes?
Um pouco de imaginação ou forçada de barra:

Ferrari

Massa – Open passage for Alonso.
E o carro diminuiria automaticamente a velocidade e sairia do traçado.

Alonso – Luck.
Ele aperta e os carros que estão à frente começam a ter problemas, batem sozinhos, perdem cinco posições no grid... E por ai vai.

Mercedes.

Nico – Jaça.
Só pode ser apertado quando termina a corrida. Ele tira o capacete, a balaclava e aperta o botão. Então o cabeleireiro do Silvio Santos aparece e deixa o cabelo dele impecável.
Se bem que desconfio que já tenha, nunca vi o cara despenteado.

Hamilton – Por questões de segurança não haverá botões no volante do Lewis. Por conta deles ele já perdeu um título em 2007, tuitou dados de telemetria (errados) e – tudo bem que não foi ele que apertou o botão, mas... - apareceu em fotos com umas barangas pela internet afora...

McLaren

Jenson Button – Dança da Chuva.
A corrida pode ser até no Bahrein, mas se ele apertar, automaticamente índios da tribo sioux começam a dançar e chove. Só assim ele consegue boas performances.

Sérgio Perez – Pés no chão.
Toda vez que ele começasse a se achar melhor piloto do que é seu engenheiro entraria no rádio e recomendaria que ele apertasse o botão. Então uma voz surgiria dentro de seu capacete dizendo: “-Lembre-se que você é apenas o Perez e não o Vettel, o Alonso ou o Ayrton Senna...”.

Se tiverem mais, coloquem ai nos coments.

29 de jan de 2013

Lançamento do E21 com entrevista de Eric Boulier


Agora sim a temporada de F1 2013 realmente começou.
O primeiro carro novo foi apresentado: o E21.
Novo?
Tecnicamente sim... A “olhos nus” talvez não seja possível ver além dos detalhes em vermelho em sua pintura.
Asas, escapamentos e outras importantes perfumarias, como bem disse o parceiro Felipe Maciel no twiter, podem e vão mudar até o inicio da temporada em Melbourne.
Mas uma coisa realmente incomodou: o maldito bico quebrado ou de ornitorrinco.
Aquele treco feio ainda esta lá.

Mas o BligGroo, num furo de reportagem conseguiu uma entrevista com Eric Boulier, o manda chuva da equipe minutos antes do inicio da apresentação do carro, que foi exibida em um canal do youtube.
Vamos à entrevista.

Ron Groo: -Sr. Boulier, o carro parece que mudou muito pouco?
Eric Boullier: -Mudou bastante. Agora tem os detalhes em vermelho.
RG: -Mas no geral...
EB (interrompendo): -Cê acha que nós vamos mostrar tudo? E ainda sendo os primeiros para todo mundo copiar?
RG: -Tá certo, mas... Deixa para lá. Foi uma bela apresentação.
EB: -Obrigado. Aprendemos com a Ferrari.
RG: -Com a Ferrari? O que?
EB: -Aprendemos a copiar os outros...
RG: -O que vocês copiaram? E de quem?
EB: -Copiamos a Mclaren.
RG: -No que? Não to entendendo...
EB: -Presta atenção... Copiamos a McLaren apresentando o mesmo carro, como eles estão fazendo a quatro ou cinco anos já...

RG: -E como está a expectativa dentro da equipe?
EB: -Ótima!
RG: -O que disse Kimi Raikkonen?
EB: -Que está animado como sempre!
RG: -E o Grosjean?
EB: -Disse que vai arrebentar! Agora com licença que eu preciso apresentar o carro.

RG (logo após o pano ser retirado e o carro apresentado): -É, parece que as coisas não mudaram nada mesmo... Carro feio, Kimi animado e Grosjean prometendo arrebentar... Enfim, ao menos se depender da Lotus a temporada deste ano vai repetir a do ano passado, para o bem e para o mal.

28 de jan de 2013

Bizarrices promocionais 2 (a nova leva...)


A respeito dos filmes comerciais ruins ou até mesmo idiotas na programação das TV´s chegam mais alguns exemplares.

A começar pelo que ele quer vender: UFC, a chamada promocional para o canal direcionado apenas a este tipo de “esporte” é de uma bizarrice só...
Começa que chamar de esporte é forçar um pouco a barra.
Depois, comparar ao boxe é forçar ainda mais já que na chamada “nobre arte” e “doce ciência dos punhos fechados” ainda havia certo respeito ao cavalheirismo: não se batia no oponente deitado, não se chutava o saco, não se batia na nuca e por ai vai...
Cenas da pancadaria vão se sobrepondo com uma trilha grandiloquente e um narrador vai tentando afirmar algo que não da para precisar se é beleza da luta ou a coragem dos lutadores.
Como se houvesse beleza em selvageria e coragem não fosse algo também comum aos ignorantes.
Não bastasse ainda solta a pérola: “-Aqui, vence quem derrota seus oponentes...”.
Sério? Mesmo? Jura? Pqp! Caralho! Agora fomos realmente surpreendidos.
Parei de ver ai...

Pior foi o comercial seguinte de um programa completo para emagrecimento.
Pílulas, gel, faixas, complementos alimentares tipo shake, sopas, programa de exercícios físicos e o cacete a quatro.
Tudo estaria nos conformes, se o filme não fosse totalmente protagonizado por pessoas extremamente magras.
Será que tudo aquilo funciona com gordos ou só com o biótipo das estrelas do comercial?

 

25 de jan de 2013

São Paulo: 459 anos


Se para alguém que vem de outro município a cidade de São Paulo já assusta imagine então...
Natan então perdeu-se com a altura dos prédios, que de tão altos arranhavam o céu fazendo-o pensar que Deus era ali bastante adorado com todas aquelas construções tentando chegar perto de sua morada.

E mais, ele não vira nem um que crescesse para dentro da terra e que pudesse se chamado de 'arranha-inferno'.
Constatou que aqui tudo é muito rápido. As pessoas nas ruas, os carros e até as informações parecem conter uma pressa infinita. Ele passa despercebido de todos que correm sem prestar atenção em nada.

O que há para se ver? Por onde começar?
Andando em passos lentos pela Rua Quinze de Novembro, Natan vê uma aglomeração em forma de roda que tem em seu centro uma dupla de artistas.
A platéia recém formada ria com as brincadeiras dos "cantadores de coco".
Chega então mais perto e põe-se a prestar atenção.

Os dois artistas/cantadores são nordestinos que apoiados em seus pandeiros cantam rimas improvisadas sobre qualquer assunto que lhes ocorrer no momento, incluindo ai uma dose cavalar de esculhambação sobre a audiência que na maioria das vezes aceita tudo com muito bom humor.
"- Olhe Puéta, vamo cantá agora, mas nós num vai cantá de graça, que nem relógio trabalha de graça. E nós só vai pedir um Real de cada um, que não vai deixá ninguém mais pobre”.
"-É verdade Cantadô, e só quem for um corno é que vai embora por causa de um Real..." – e virando-se para Natan - "-O senhor ai tá indo pra onde, hein? Vá embora não”.

Todos riem menos Natan que fica vermelho, envergonhado, mas como a maioria das 'vitimas' destas brincadeiras não responde.
"-Se preocupe não cidadão, ser corno não é desvantagem não homem, podia ser pior, né Puéta?" "-E não é Cantadô. Ele além de ser corno podia ainda ser viado, ai não tinha jeito”.
Os dois artistas concordam balançando negativamente a cabeça enquanto mais risos ecoam:
"-Pois então vamo cantá, pra quem deu e pra quem não deu também, né?"
"- Deu o que????" - Pergunta afetando cara de assustado.
"-Dinheiro, homem, rapaz! Mas quem quiser dar outra coisa né? Esteja à vontade”.

Agora até Natan ri, e os dois começam a tocar os pandeiros e cantar uma rima de embolada combinando que um irá dizer o nome de uma fruta e o outro dirá em resposta 'eu tava comendo ela'.
"-Tudo certo??”
 “-Certo!”.
"-Então lá vai”.

Natan observa tudo espantado, o ritmo ditado pelos pandeiros é frenético, as vozes carregadas do sotaque nordestino exalam um aroma de safadeza e a cantoria prossegue hipnotizando o publico.
"-Uma fruta de caju...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Uma fruta de abacate...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Uma fruta de caqui...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Uma fruta de jaca...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Eu vi sua irmã pelada...”.
"-Eu tava comendo... êêêêêhhhh! Isso não seu pilantra..."
A cantoria para e muitos risos explodem no ar.

"-Eu? Pilantra? Eu sô é Cantadô!”.
“-É Cantadô? Mas já vem com putaria...”
 “-Putaria não sinhô!”
 “-Vem falar de minha irmã, vá falar de sua família, aquela mundiça”.
"-De minha família também não, oxe, falo então desse cidadão aqui”. - e aponta o pandeiro para Natan, que neste momento para de rir.
"-Mas ele de novo?”
 “-É... É gente boa, gente fina e educada, e ainda vai me dar um Real”.

Mesmo tendo chegado a pouco nesta terra, entende que 'Real' é a moeda corrente e num passe de magia - ou ato de bruxaria - enfiando a mão no bolso, tira uma nota e põe no pandeiro do artista que agradeceu.
"-Visse Puéta, esse cidadão aqui com cara de bode...”.
"-Corno?”
 “-Corno! Mas me deu um Real não vai lhe fazê falta”. - e virando-se para Natan - "-Vai?”.
Este confirma com um gesto negativo de cabeça e o artista então devolve:
“-Então me dê outro ai, que é pr'eu dar pro Puéta ali, meu parceiro”.

Os risos tomam conta de novo da cena e Natan vê uma chance de ir embora e deixar de ser motivo de riso, afinal chegou neste lugar a pouco e já foi transformado em palhaço.
Por precaução nem olha para traz enquanto os pandeiros recomeçam a batucada.
Ele sobe a Rua Quinze de Novembro em direção a Praça da Sé pensando que ele até pode ter vindo do inferno, mas chegou num lugar quase tão caótico.

23 de jan de 2013

E quando Lewis Hamilton chegou a Mercedes...


Levemente inspirado em Charles Dickens.

Lewis Hamilton chega à sede da equipe Mercedes onde – a partir de agora – começara uma nova etapa de sua carreira.
Convidado a passear pelo pequeno museu da marca, onde estão os carros de competição de varias épocas.
Absorto em seus pensamentos, Lewis nem percebe quando é deixado no grande salão do museu.

Porém o piloto não está sozinho e sente a presença de alguém e vira-se para ver quem é.
Vestido com macacão de pano, uma touca de couro a guisa de capacete e óculos presos ao rosto por uma tira de pano. Está sujo de graxa.
-Olá Lewis, tudo bem?
-Quem é você?
-Sou o espirito da Mercedes passada.
-Como? Espirito da Mercedes passada?
-Sim, eu sou o fantasma que simboliza a época em que Rudolf Caracciola, Hans Stuck e até Fangio venciam GP´s com as flechas prateadas...
-E o que você quer comigo?
-Mostrar o que você vai representar. Seja bem vindo...

Antes que Hamilton pudesse dizer algo, o espirito some.
E antes que Lewis pudesse sorrir, outro aparece e está trajando um moderno macacão de competição e um capacete moderno.
-Lewis Hamilton!
-Este é meu nome, e você? Quem é?
-Eu represento o espirito da Mercedes presente.
-Presente? Mas o presente da Mercedes sou eu!
-Em tese... Na verdade a Mercedes presente é representada por quem já dirigiu os carros, Michael Schumacher, Nico Rosberg, o pessoal da DTM... A eles e ao que eles já fizeram que você representará. Seja bem vindo.
E some.

Já escolado nos contos de Charles Dickens, Lewis já se prepara para o espirito da Mercedes futura, e espera que ele tenha sua aparência.
Porém, uma forma avantajada, gorda mesmo, trajando uma camisa de tergal azul, óculos escuros e um bigode sob o nariz.
-Quem é você? – pergunta o confuso novo piloto da equipe da estrela.
-Meu nome é João José Ribeiro, mas pode me chamar de Jãosé.
-E o que é você?
-Ah sim, sou o espirito da Mercedes futura, e vim te saudar.
-E o que você representa?
-Bom, como pode ver, sou motorista de ônibus.
-E?
-E é o que você vai acabar virando, já que desde que voltou a F1, os melhores carros que a empresa fez foram os busão (sic)...  Seja bem vindo e lembre-se: só deixe os passageiros falar com você o estritamente necessário...

22 de jan de 2013

Flamengo alemão?


Sigam ai meu raciocínio (torto)...

A Mercedes é uma gigante no mundo das quatro rodas, certo?
Mas desde que voltou ao circo da F1 obteve resultados modestíssimos, certo?
Tirando a vitória de Nico Rosberg, o resto é resto. Muito pouco para uma equipe e uma empresa com o nome e a tradição que a empresa alemã tem. Estou errado?

Eis que, num golpe de marketing daqueles bem poderesos, contrataram Michael Schumacher tirando o sete estrelas da aposentadoria.
O homem sentou-se na carroça prateada e... Nada!
Passou mais vergonha que qualquer outra coisa, sendo batido até mesmo por um companheiro de equipe mediano.

Então o que faz o time de Stutgart?
Abre mão, para não dizer manda embora o alemão supercampeão e trás para suas fileiras Lewis Hamilton.
Claro, pode dar certo, mas pode também ser apenas outro golpe de marketing, afinal, se o carro não for bom... Não é?
Ai, para não ficar apenas na ideia de que o problema era só o piloto, abre mão também do homem que mandava no pitwall Norberg Haug e trás Toto Wolf, um mercenáriozinho que tem ações na Williams e tentou fazer em Groove um cabidezinho de emprego dando vaga a um protegido e uma parente.
E agora o time alemão mira em um diretor técnico da McLata: Paddy Lowe.
Tudo isto pode, claro, dar certo ou não, dependendo da conjunção dos fatores sorte, grana, tempo e paciência dos executivos para que o trabalho possa ser feito.

Agora, fazendo um esforçozinho e adicionando uma pequena maldade, não dá para comparar esta situação da Mercedes com o Flamengo?
Contrata um monte de gente, alguns com mais nome que talento, e o time nunca engrena de verdade...
Com a diferença, claro, é que a Mercedes ao menos não fica devendo para o pessoal quando estes saem ou são demitidos...

21 de jan de 2013

Curtas na F1


Na Marussia.
-Chega! Aqui não fico mais! Onde já se viu?
-Vai sair mesmo?
-Vou!
-Pensa bem...
-Tá decidido. Não fico. Eu já decidi campeonato mundial, eu sou Timo Glock.
-Decidiu?
-Ué? Já... Ajudei o Hamilton em 2008.
-Ah tá... É. Então está decidido. Vai sair mesmo?
-Vou.
-Tá bom... Então não se esquece de levar o lixo para fora...


Na Ferrari.
-Yo sinto que De La Rosa és uma gran contratacion... Pero necessitamos mais.
-Mais o que, Alonso?
-Contrataciones mais importantes. Técnicos.
-Ah bom... Estava pensando que você estava dizendo isto por conta da idade dele.
-No, desde que sejam técnicos, no importam que sejam velhos.
-Então contrata o Zagallo.

PS. Esta é minha postagem numero 1000, haja besteira para escrever tanto... obrigado a todos que fazem deste blog algo possível. 

18 de jan de 2013

Samba progressivo


Legitima expressão da cultura nacional, o samba já produziu tantas quantas pérolas qualquer outro estilo musical. Uma delas – pasmem – é algo que se aproxima de um dos marcos do rock progressivo: o disco conceitual.
A grosso modo, discos conceituais são aqueles em que o conjunto das musicas formam e contam uma história ou passam uma ideia. Dark side of the moon e The Wall do Pink Floyd; The lamb lies down on Broadway do Gênesis; Tommy do The Who entre tantos outros são exemplos – às vezes bons outras tenebrosos – desta vertente.
Notou que são todos de rock? Pois bem, apresento agora um de samba. Samba e com S maiúsculo.
E o autor da proeza é Jorge Ben, muito antes de ser Ben Jor ou voltar a ser Ben...

Jorge já definiu seu som como a batida de uma escola de samba em retirada.e quando perguntado se o que faz é samba-rock (sic) ele responde que é simplesmente musica. E quando pedem para que dê um nome ele diz: “-É sacundim sacundem...”.
Em 1974, no século passado, portanto, fez aquele que pode ser considerado o mais estranho e belo disco de sua carreira: A tabua de esmeraldas.
Curioso, estudioso e entusiasta da alquimia, Jorge construiu neste disco uma aula sobre o tema, homenageando seus cânones e passando suas principais idéias.
Os trabalhos são abertos com Jorge brincando com uma de suas backing vocal, provavelmente Evinha do trio Esperança, dizendo: “-Tem que dançar, dançando” ao que ela responde: “-E tem que gravar, gravando.”.
É a senha para o violão de Jorge marcar o inicio de Os alquimistas estão chegando, uma ode ao trabalho dos cientistas descrevendo seus laboratórios, utensílios e o próprio trabalho enfim embalado em um samba poderoso.
É a alquimia dando o ar da graça transmutando ciência em ouro para dançar...

Na seqüência vem o Homem da gravata florida que ao contrário do que se pode pensar, também é uma homenagem a um nobre desta ciência: Paracelso, o criador da homeopatia e da chamada “agricultura celestial” que é plantar e colher ervas de acordo com o favorecimento planetário. Como licença poética Jorge transformou a echarpe colorida usada por Paracelso ao longo da vida em uma “linda gravata colorida”.

Errare humanun est é o que mais se aproxima de um “samba progressivo” cheio de efeitos e citando “Eram desuses astronautas?”, livro do suíço Erich Von Daniken de muito sucesso na época e que defendia sermos fruto do cruzamento de seres extraterrenos com espécies primatas... O tema é horrível, mas o samba é sensacional.

Menina mulher da pele preta é uma ode a miscigenação (alquimia?) com o agora poeta Jorge cantando sobre uma linda mulher de pele preta e olhos azuis que não o deixam dormir sossegado. O suingue da canção é de enlouquecer.

Eu vou torcer lança uma energia positiva e contagiante tirada dos valores incutidos no hinduismo. Esta canção faz cantar junto até quem não gosta do Gato Barbieri ou não torce pelo Mengão.

Magnólia volta ao tema da agricultura celestial e volta a citar Paracelso que dizia ser a magnólia a primeira flor a surgir em nosso planeta.

A próxima faixa é uma das únicas que não evocam temas místicos ou científicos, é um descanso conceitual, uma pausa para respirar e se apaixonar: Minha teimosia é uma arma para te conquistar foi um dos grandes sucessos radiofônicos do disco e tem um contraponto sensacional no coro masculino que acompanha a voz de Jorge.  Os Golden Boys arrasam

Zumbi trata do tema da escravidão vista pelo lado do escravizado, mas passa longe do revanchismo ou do rancor que o tema geralmente evoca. Há alegria e exaltação pela figura de Zumbi dos Palmares e uma gratidão que se orgulha de sermos a maior nação negra fora da África, o que faz da nossa musica – junto com a dos EUA - uma das mais ricas do planeta.

Brother é um gospel que não faria feio em qualquer igreja americana. “-Jesus Christ is my lord, is my friend”.
Embalada pelo violão e as batidas dos pés do cantor para marcar ritmo. Serve também como forma de afastar a alquimia – na visão popular brasileira – das ciências ocultas e liga-la a uma ação evolutiva da luz, não das trevas.

O que pode parecer apenas uma piada engraçadinha O namorado da viúva é na verdade uma homenagem ao alquimista mor Nicolas Flamel, que teve a “coragem” de se casar com Perrenele, uma viúva muito rica – e segundo a canção, boazuda – que já havia enterrado três maridos. A musica é um dos pontos altos da obra.
Aliás, são de Flamel também as ilustrações que compõe a capa do disco e estão incrustadas na cripta onde descansam os restos mortais do alquimista na igreja dos Santos Inocentes em Paris.

Hermes Trismegisto e sua celeste tábua de esmeraldas é uma homenagem a Toth, sumo sacerdote da comunidade Khen, que teria se salvado do afundamento de Atlântida e teria sido confiado a ele a guarda da Tábua de Esmeraldas que contem a sabedoria de todas as eras.
Em tempo: Trismegisto quer dizer “três vezes grande”.

Cinco Minutos, que parece – só parece – uma cena do cotidiano de um desencontro em que a amada se recusa e esperar por mais cinco minutos o seu par e na verdade uma mensagem do autor que frisa “você não sabe quanto valem cinco minutos” lançando luz sobre o valor do tempo para a realização da obra de cada um.
Jorge voltaria a falar de alquimia em pelo menos mais dois discos posteriores, os ótimos: Solta o Pavão e África Brasil, mas pedra fundamental (e filosofal – para não sair do tema) é este Tábua de Esmeraldas.
Na medida para quem - assim como eu - gosta de samba, mas não suporta carnaval.

17 de jan de 2013

De como De La Rosa foi parar na Ferrari


E naquela noite, em uma vídeo conferencia pelo skype...

-Ok guys, quem fica com ele? – perguntou o inglês.
-Você! – dizem os outros três.
-No, não tem lugar para ele here...
-Como no? Usted puede decir que és uma equipo de inclusion...
-Inclusão? Como assim?
-Fácil... Eu achar que a espanhol estar com o razon. - opina o alemão.
-Gracias!
-But... Ainda no consigo entender... Como assim de inclusão?
-Usted no és burro. pensa uno poquito: lá já tiene uno homossexual, está a chegar um negro, só falta uno idoso...

-No way, leva ele para seu team, para fazer companhia ao outro velho que tem lá... – diz o inglês sem sorrir da piada.
-És una possibilidade... – pondera o espanhol sorrindo em direção ao alemão.
-Nein, nein, nein... Minha equipe vende um produto que idoso não pode ficar bebendo... Imagina ele e o Webber com a cabeça cheia e tentando me impedir de ganhar corrida. Nein.

O silêncio reina...

-O mais simples seria ele ir parra a seu equipe. – diz o alemão para o espanhol.
-Por quê? – quis saber.
-Como assim por quê? – se indigna o alemão.
-He´s right... Afinal ele é seu compatriota. – diz o inglês.
-Esto no és motivo suficiente... Tem que haver outra solucion...

Quando no canto das telas sobe o avatar do brasileiro indicando que ele está on line. Logo é adicionado a conversa.
Assim que fica a par do assunto, já vai logo opinando:
-Resovam no joquempo, afinal são três mesmo... Eu fico de juiz.
Todos concordam.
-Virem de costas para os monitores ai, não quero ninguém roubando. – diz ele e continua – No três. Um, dois... Três!

E todos mostram as mãos para a webcam.
-Tijeras! – diz Alonso.
-Stone! – diz Hamilton
-Stein. – diz Vettel.
-Bom, a stone e o stein vencem a tijeras... – pondera Massa – Alonso fica com Pedro De La Rosa... Só espero que ele não entre no meu lugar antes do fim do ano...

15 de jan de 2013

A vingança de Bruno


-Olha, seu currículo é bom, mas não sei...  Dirigir em Nova Iorque é algo bem difícil...
-Eu estou disposto a tentar.
-Tem certeza? De onde o senhor diz que é mesmo?
-Sou nascido em São Paulo, cidade grande, com muitos problemas de trânsito também....
-Pois é... Eu sei, andei lendo sobre... Mas aqui não cita sua atual residência.
-Mônaco. Oficialmente eu moro em Mônaco, mas sabe com é... Eu viajo muito.
-Nasceu em São Paulo, mora em Mônaco... E dirige nas duas cidades?
-Sim, sim... E muito bem. Nunca sofri acidentes e você sabe como é: o trânsito de São Paulo é quase tão caótico quando o daqui. Se não for mais! E Mônaco, se comparado ao tamanho das duas cidades é um vilarejo, mas com um trânsito tão pesado quanto.
-Mas profissionalmente? O senhor já dirigiu profissionalmente nestas cidades?
-Já, já... Tanto em São Paulo quanto em Mônaco.
-Mas tem algo que não bate... Se o senhor mora em Mônaco é porque tem certo nível financeiro. Estou errado?
-Não... Está certo. Venho de uma família que tem posses, mas gosto de trabalhar.
-Não sei... Ainda não sei...
-Olha, não vai se arrepender... Dirigi muito bem no meu ultimo emprego e olha que os carros que eu dirigi por lá nem eram tão bons quanto os seus. E tem mais... Trabalho de graça. Se precisar, até pago para trabalhar.
-Tá bom... Me convenceu. Vou ficar com seu currículo e assim que abrir uma vaga ela é sua.
-Abrir uma vaga? Não... Não posso esperar não...
-Mas não tenho a vaga agora! Os quadros estão todos completos.
-Manda alguém embora.
-Como?
-É... Manda alguém embora. Olha só a economia: mão vai gastar comigo e ainda vai ganhar algum...
-Mas quem eu mandaria embora?
-Cê tem ai um livro de registro dos seus empregados?
-Tenho... Tá aqui, pode olhar.
-Hum... Este aqui. Pode dispensar este aqui: Mika Vatanem. É finlandês né?
-Tudo bem... Então vai ser ele mesmo. Só me diz uma coisa, por que perguntou se é finlandês  Ele é o único de lá que dirige taxis aqui...
-Nada não... Só uma vingancinha pessoal... Foi um finlandês que tirou meu último emprego...
-Ok! Seja bem vindo à frota de táxi novaiorquino Yellow Cab! Mister? Deixa eu ler no seu currículo de novo...
-Senna. Bruno Senna, the cab driver!

14 de jan de 2013

Bizarrices promocionais


Filmes comerciais são (ao menos na TV aberta) a melhor parte da programação. Para o bem e para o mal.
Alguns como aquele que apresentava crianças com a síndrome de down brincando em um parque de diversões sob a trilha sonora do Radiohead (Fake Plastic Trees) são verdadeiras obras de arte.

Em contra partida, há alguns que parecem terem sido feitos pelo cunhado esperto do dono da empresa.
Exemplo clássico? Qualquer propaganda dos refrigerantes Dolly, mas ai não vale... O produto em si já é uma coisa extremamente suspeita e não teria filme promocional que lhe emprestasse alguma dignidade. Sendo assim: está de bom tamanho.
Porém há um que tem tudo para se tornar um clássico da bizarrice promocional e o produto é até sério: os sabonetes antbacterianos da marca Lifebuoy.

Para começar, nunca entendi a grafia da marca, mas até ai vamos deixar como licença poética para não complicar mais.
O filme em questão é mais ou menos o seguinte:
O cenário sugere uma festa em uma escola, duas mães adentram uma sala que aparentemente é um consultório médico com suas crianças. Notou que há um consultório em uma escola e funcionando em um dia de festa?
A sugestão fica ainda mais forte quando as vozes de alguns figurantes são ouvidas dizendo: “-Ih! Vão perder a feirinha”.
Fez sentido até aqui? Não? Então se prepare porque a coisa piora.

Ao entrar na sala o médico sequer olha para as crianças e logo vaticina: “-Infecção na pele e infecção intestinal.”.
Um verdadeiro Dr. House no diagnóstico, mas espere. Ele ainda continua.
“-São duas infecções diferentes, mas as duas podem vir do mesmo lugar!”.
Diante da incredulidade das mães, o médico continua: “-Das mãos!”.

Ok, não é novidade e nem espanta a informação de que mãos sujas realmente podem causar infecções tanto nas mãos quando internamente, mas acompanhe a seguir...
“-Uma forma de tratar as infecções rapidamente e com segurança é usando o sabonete Lifebuoy!” – diz o médico entregando aos garotos duas barras do sabonete e os fazendo lavar as mãos.
Como que por milagre, os dois garotos saem para aproveitar a feirinha escolar saltitantes.
Mas como assim?
Um entra com a pele avermelhada e coçando, lava-se com sabão e melhora. Pode parecer estranho, mas é o procedimento. Pode-se duvidar da rapidez dos resultados, porém, fica ai na conta da tal licença poética que usaram para a grafia da marca.
Mas e o outro? Ele não estava com infecção intestinal?
Primeiramente nem devia estar na festa da escola já que os sintomas do que ele tinha são diarreia e vomito.
O médico mandou que ele apenas lavasse as mãos, não lhe deu sequer um Dramim ou um Imosec para cortar os sintomas. Chego a ficar na duvida se o moleque mordeu um pedaço do sabonete, mas...

E você? Qual comercial lhe desperta ardentemente a vontade de não comprar um produto nunca mais na sua vida?

10 de jan de 2013

Art


Não sabia nada da mãe, nunca viu sequer uma foto.
O pai os abandonara antes mesmo do nascimento do garoto.
Na verdade o casamento só aconteceu por que ela engravidou, mas ainda no dia da cerimônia ele achou um jeito de pular fora da vida de casado.
Algumas quadras depois de sair da igreja disse que iria comprar charutos, fugiu pela porta dos fundos da mercearia que tinha entrado.
Cinco meses depois do parto ela faleceu, muito provavelmente de tristeza.

O menino foi criado pelo melhor amigo da mãe, já que o pai – um mulato – o rejeitara com o incrível argumento de que a pele do filho era mais escura que a sua própria...
Na casa onde foi criado havia um piano onde o menino aprendeu a dedilhar sozinho, de ouvido.

Casou-se aos quatorze anos e aos quinze já era pai.
Para sustentar a família em plena crise econômica de 1929 teve de arranjar um segundo emprego – o primeiro era em uma mineradora de carvão – e então formou uma big band para tocar em um clube local em Pittsbugh: o Ritz.
Durante dois anos encarou uma jornada dupla: até as dezessete na mina de carvão e das vinte e três até o amanhecer tocava piano.

Porém quando a direção da casa resolveu trazer um show de Nova York, cujas partituras seriam executadas pela banda e o já então rapaz teve de admitir que não sabia ler música.
Nem teve tempo de argumentar que poderia aprender em pouco tempo, um pianista bem mais novo ocupou o lugar.
O moleque já tinha ouvido uma gravação com as músicas do show e graças a uma memória fantástica tocou as partes de piano tão bem que ninguém notou que ele também não sabia ler as tais partituras.
Seu nome? Erroll Garner, que pouco tempo depois veio a ser conhecido como um dos mais originais pianistas de jazz.

Irritado por ver seu emprego indo para o ralo, o nosso personagem reclamou, afinal vinha dirigindo aquela banda havia dois anos!
E então o dono do clube – que vivia com um trinta e oito enfiado na cintura – o colocou contra a parede:
-Cê vai continuar trabalhando aqui? – disse enquanto rolava o charuto de um canto à outro da boca.
-Eu quero... – disse o nosso herói.
-Então vai tocar bateria! – disparou.
O rapaz ainda tentou reclamar, mas ao ver a expressão no rosto do patrão entendeu que se quisesse manter o emprego – e os dentes – era melhor ir se sentar à banqueta e tocar da melhor maneira possível àqueles tambores.
E assim Art Blakey, durante as seis décadas seguintes de sua vida, fez com que os fãs jamais lamentassem o fato dele nunca mais ter voltado ao piano.


8 de jan de 2013

Enter 2013 (contos) - Como é que é?


Então o cara telefona no meio da tarde para dizer que comprou um cachorro.
-Legal! E que raça é?
-Bichon Friseé.



A banda vai tocar em um bar e o alemão com cara de Dolph Lundgren que os contratou os recebe na porta vestido de Marilyn Monroe.
-Vocês tocam sertanejo né?



Seis reais no bolso e o único lanche – além do churrasco grego – por este preço é um pão com o que parece ser um pão com um bife à milanesa besuntado com um polenguinho.
-Ah! Você quer o “criaturas da areia”...



Os dois se encontram após mais de sete meses sem se ver.
-Tudo em paz?
-Mais ou menos... Perdi minha mãe faz pouco.
-Eu vi no facebook. Até curti o post...




Depois de uma caminhada de sete quilômetros o cara para em um bar.
-Cara, que calor... Por favor, caminhei sete quilômetros e preciso reidratar.
-Quer um isotônico?
-Não... Dá uma coca cola gelada com limão e um prato de salame.
O atendente olha espantado.
-O que foi? Ah... Pesado né? Faz o seguinte então: trás uma cerveja bem gelada e mortadela cortada em cubinhos com limão...

7 de jan de 2013

Enter 2013 (F1) : Ecclestone


Alguns estão esfregando as mãos e sorrindo com a possibilidade de Bernie Ecclestone se afastar do comando da F1.
Beleza... E o que vem depois?

Ecclestone elevou uma categoria – que mesmo sendo muito legal, era apenas um bando de garagistas e entusiastas ávidos por enriquecer – em um espetáculo mundial.
Ele costuma dizer que não acha graça na organização das copas do mundo ou olimpíadas já que ele próprio tem que organizar um evento tão grande quando a cada quinze dias.
Esta mentindo ele:

Bernie tem sim diversos defeitos e a forma com que rege e consegue as coisas são um tanto cinzas.
Muito se fala em corrupção, chantagem, falcatruas diversas enfim...
Mas procurem um, apenas um que tenha um posto aproximado ao que tem o velho.
Existem santos?
E dizer que Bernie apenas usa a F1 como forma de ganhar ainda mais dinheiro é fácil, afinal, todo mundo trabalha apenas por amor ao que faz. Não é assim?

Também o acusam de não gostar de corridas.
Tanto gosta que as manteve vivas.
Se as tirou de seu berço natal (Europa) foi porque o interesse nas corridas por lá talvez estivesse se esvaindo.
Se não do público, dos organizadores.
Tirou provas de países que não puderam ou não quiseram modernizar seus autódromos.
Acha errado?
Quantos Sennas, Villeneuves, Petersons e outros mais teriam que morrer para se entender isto?

As corridas em pistas sem tradição podem até não ter o mesmo charme e por vezes nem público tão grande assim, mas o que a velha raposa tira dos organizadores em termos financeiros compensa isto. E acredite: ninguém perde.
Desde os organizadores, que pagam altas cifras, mas tem retorno (licito ou não) garantido, a categoria, as equipes, Incluindo velhos desafetos como Ron Dennis e Montezemolo, que tem na vida um único objetivo: serem eles próprios o próximo Ecclestone.

Outra reclamação constante é de que Bernie não gosta dos fãs de corrida, dos expectadores.
Ok...
Eles, os fãs, reclamam das pistas do Tilke, da artificialidade das asas móveis, dos pneus de farinha, das regras que mudam durante a temporada e até dos horários, mas...
Não perdeu uma só prova da temporada e ainda aplaudiu de pé a competitividade. Louvou a temporada passada como uma das melhores de todos os tempos.

Temo que sem a mão forte que segura todos os rabos presos da categoria (repito, não existem santos) a F1 vai aos poucos regredir, atender apenas os interesses de um ou dois e por fim se tornar algo banal que vive de um passado de glorias e sem nenhuma perspectiva de futuro.