31 de mai de 2013

Monte sua banda (e morra de rir)

Para escolher o baterista.
-Eu mando o riff, o baixo entra pulsando, certo? – diz um dos guitarristas.
-Beleza... Posso slepar? – pergunta o baixista.
-Acho melhor não... – diz o outro guitarrista.
-Ok...  – concorda.
-E você, depois da pausa do riff faz “praco praco pum pish” e todo mundo entra junto.
-Mas eu não sei fazer “praco praco pum pish”... – diz o baterista.
-Faz qualquer merda então e não se preocupa. – sorri o baixista.

Escolha do cantor.
-Cara, canta mais baixo. – diz o guitarrista.
-Não consigo... – diz o vocalista.
-Tenta pelo menos... Canta mais baixo.
-Pô... Não dá. Abaixa ai no volume.
-Não cara... Canta um tom mais baixo.
-Um tom?
-É...
-Vai dar não... Não gosto.
-Você sabe o que é um tom?
-Sei...
-Então...
-Não gosto do Radiohead. Não vou imitar aquele cara...

Escolha do tecladista.
-Cara, quanto tempo faz que você toca teclado? – quis saber o baterista na audição.
-Faz muito tempo não... – responde.
-Quanto tempo? – insiste.
-Uns seis meses.
-Mas já gostava de teclado antes?
-Já, já...
-E quem é seu tecladista predileto?
-Hendrix.
-Mas ele é guitarrista.
-John Bonham.
-Baterista. Cê não conhece nenhum tecladista?
-Frank Aguiar...
-Cara, acho que você não vai ficar na banda não...

A escolha do guitarrista.
-Véi, é o seguinte. Eu faço a base. Você faz o solo, ok?
-Não cara, eu sei tocar guitarra, não sou agricultor...

Primeiro ensaio.
-Então... Na terceira vez que entrar o refrão, a gente para de tocar. Fica só a bateria. – diz o vocalista.
-E a gente faz o que? – questiona um dos guitarristas.
-Canta o refrão batendo palmas acima da cabeça. Fica bem legal. – devolve o cantor.
-Por mim está tudo bem! – concorda o segundo guitarrista.
-Curti! – diz o primeiro guitarrista.
-Beleza... Nesta hora eu não to tocando mesmo. – consente o tecladista.
-Cara... Eu não vou fazer esta parada não... – e todos se espantam com o baixista.
-Mas por quê? – querem saber todos quase ao mesmo tempo.
-Se eu tirar as mãos do baixo nunca mais acerto a levada...
A letra fala sobre ter tocado em uma banda... quem conhece sabe da história.

29 de mai de 2013

E para finalizar o assunto Mônaco: Conto de fadas

O menino não queria dormir de forma alguma e então o pai lhe disse que se fosse para a cama, lhe contaria uma história.
Animado, o moleque pediu um conto de fadas e o pai consentiu.

-Era uma vez um lindo reino com paisagens maravilhosas.
-Tinha rei?
-Tinha príncipe... E os antepassados deste príncipe sempre deixaram que cavaleiros de todas as outras nações participassem de um evento em suas terras.

-Como assim?
-Organizavam uma vez por ano, uma disputa nas terras deste príncipe para saber quem era o cavaleiro mais corajoso e destemido do mundo.
-Ah...
-E todos eles se reuniam nas ruas daquele reino e disputavam uma corrida nas ruas apertadas. Por muito tempo correram a pé, mas com o passar dos anos entraram em cena as bicicletas, depois os carros... E com o avanço da tecnologia chegaram até as maquinas mais rápidas do mundo.
-Sério?
-Sério. E muitas histórias bonitas se contam sobre estes embates. Sir Senna segurando Lord Mansell... Sir Schumacher fazendo horrores e até atravessando sua maquina de correr na pista para que ninguém mais passasse. Dizem que ele era o vilão...
-Só?
-Não... Também acidentes horríveis, recuperações milagrosas... Feitos fantásticos como o cavaleiro da vodca que – conta a lenda – ultrapassou seis carros em poucas voltas.
-E o que ganhava quem provava seu valor neste evento?
-Ah, eram chamados de reis... Embora isto fosse muito simbólico.
-E quem foi o maior rei?
-Quem mais ganhou?
-É!
-Sir Senna.
-Legal, mas... Papai...
-Oi.
-Esta história está meio capenga, falta alguma coisa.
-O que?
-Assim... Tem o príncipe, tem os cavaleiros, tem seus feitos, tem quem mais se mostrou valoroso... O vilão e até os que só fizeram porcarias lá... Mas e princesa? Não tem princesa nesta história?
-Ah filho, tem sim... Inclusive, ela ganhou a ultima edição deste evento... Agora dorme moleque!

28 de mai de 2013

Lado B do GP: Mônaco, o império dos lado B

Mônaco fez uma corrida de lados B bem projetados.
Começa que para ganhar, Nico teve que andar mais devagar.
Andar devagar é o lado B de uma corrida, não?

Grosjean, um lado B assumido, bateu em três treinos e na corrida.
Na mesma balada, Massa bateu no treino e na corrida de forma idêntica. 
Dois lados B de suas equipes.

Para ser piloto, geralmente tem que ter talento.
O lado B de piloto que tem talento é o piloto pagante.
Nesta situação, Sérgio Perez.
Tanto fez, tanto armou besteiras que acabou com a própria prova e quase detona a de Kimi.

A Marussia, que é um lado B de equipe, conseguiu fazer até Pastor Maldonado, outro lado B, sair reclamando.
Não sem razão.

E o lado B mais esquisito do dia.
Kimi, às vezes se passa por lado B – burocrático ou apático, como alguns lados B são – fez em suas ultimas voltas (após enrosco com Perez) nada mais, nada menos que seis ultrapassagens para terminar a prova em décimo lugar.
Alguém viu?
Se não fosse a ratificação do resultado, juro, esta sairia da categoria de lado B para a de “lenda urbana”.
E nada mais urbano que Mônaco, não?

26 de mai de 2013

F1 2013: Mônaco. A corrida em que não se correu.


Costuma-se dizer que Mônaco é a cereja do bolo da F1. 
É. 
Para o bem e para o mal.
O que se viu nesta edição da corrida foi exatamente para o mal. O anticlímax desta coisa de acelerar e fazer curva. 
Ninguém se preocupou em correr, e sim em andar devagar para economizar pneus.
Economizar. 

Indo contra tudo aquilo que se aprendeu e se tem como base para amar corridas de F1, a velocidade foi colocada de escanteio.
Não se vence corridas tendo o carro mais rápido, como deveria ser. Mas carros que gastam menos borracha.
E para gastar menos borracha, anda-se mais devagar.
Até quando?

Sendo assim, que importa quem ganhou?
Ganhou o cara que andou menos, que poupou mais.
Houve até quem arriscasse. Que tentasse algo em algum ponto.
Mas foi pouco.
Pouco até para Mônaco que, geralmente, já é um tanto aborrecida.
A bizarrice foi tanta, que as melhores ultrapassagens, das poucas que aconteceram, foram nos pontos mais lentos do circuito: no grampo da Loews e na Virage Antony Nogues, antes da reta de chegada.

Foi pouco, muito pouco.
Repito, até para os padrões de Mônaco.

23 de mai de 2013

E somos um bando de imbecis... Ao menos acham isto.


Com o aumento das ocorrências de violência no trânsito o governo federal por meio de seus técnicos que mais parecem estagiários criou a brilhante campanha: “Conte até dez”.
A campanha sugere que para não tomar atitudes impulsivas, o motorista conte até dez.
Resolve? Sei lá. Parece coisa da super nani...
Vamos dar um crédito à ideia e fingir que ela é realmente boa e aplicar a outra situação...

Sua esposa sente uma terrível dor nas costas que vai crescendo, crescendo até travar o movimento das pernas.
Lombalgia severa.
Com o auxilio luxuoso de bons amigos, vamos até o P.S. da cidade onde, claro, não há ortopedista.
1,2,3,4...

O médico, um clinico geral de origem sul americana atende.
Solicito, mas visivelmente enfadado.
Ouve a descrição do problema e saca de seu receituário. Beleza.
 Você se dirige a sala de medicação
A enfermeira chefe lê a receita e suspira.
“-Este não tem e este também não... Por favor, volta lá e vê se ele pode substituir.” – diz.
1.2.3.4.5.

Então, com o remédio substituído na bolsa de soro vêm as náuseas. Normal.
Avisada a enfermeira então você ouve: “-Não tem plasil e não tem dramim.”
Como faz?
“-Vomita no lixinho...”.
1.2.3.4.5.6.

Após duas horas no soro, você retorna ao consultório.
O médico já é outro, mas também importado.
-Melhorou? – pergunta ele.
-Do que estava, sim, mas...
-Melhorou? – ele insiste como quem quer apenas uma única resposta.
-Sim.
Assina alta e dispensa sem que as dores tenham sido diminuídas. Apenas a pressão arterial está mais baixa.
1,2,3,4,5,6,7.

Você vem para casa as três da madrugada e as dores não cessam você volta para o P.S. às seis da manhã e as filas estão grandes.
Você fica lá por um período de mais de seis horas, faz vários retornos ao consultório e só em uma delas o médico é o mesmo.
Outros medicamentos são receitados e também não estão disponíveis.
Então você se conecta na internet e lê que o governo estadual divulga números que comprovam a melhoria da saúde no estado.
1.2.3.4.5.6.7.8.9.10.11.12.13...
Um dia, tomara que seja logo, ninguém vai mais nos chamar de imbecis...


21 de mai de 2013

Marcelo Nova e os dias de loucura com Raul


Costumo dizer que não gosto de Raul Seixas.
Mais pelos seus fãs chatos (redundância) do que pela sua obra.
Também vale pelas “chupadas” que dava nas obras alheias (The Birds, Beatles, Dylan, Cash, etc, etc) e não creditava.
Nada tão ruim se pensarmos na atual produção musical brasileira...

Quando se foi, Raul não deixou herdeiros musicais.
Ninguém tem uma obra nem parecida com a sua.
O que chegou mais próximo, talvez por ser grande fã, foi Marcelo Nova que regravou canções do seu ídolo quando ainda estava em sua banda, o Camisa de Vênus, e escancarou ainda mais quando em carreira solo gravou junto com Raul o belo disco A Panela do Diabo.

Uma passagem interessante das gravações deste disco foi contada em uma entrevista dada por Marcelo Nova na divulgação.
A certa altura perguntaram:
-E como foram as seções de composição? Muita loucura? Você, Raul...
-Foi, foi... A gente compôs, arranjou, gravou... E toda tarde a esposa de Raulzito vinha com uma sopa pra gente.
-Sopa? Isto é código para que?
-Água, macarrão, legume...

20 de mai de 2013

Versos de pé quebrado (e ruins)


Em certos aspectos a stock é parecida com a F1.
Poucos, mas tem e não é só um.
Veja bem.
Piloto dominante, nas dua tem.
Cacá Bueno na stock e na F1 o Vettel.
Os dois correm pela Red Bull.
E em grande fase não está nenhum.

Ambos tem títulos seguidos e detratores sem razão.
Quem não gosta do Vettel diz que ele só ganha porque pilota um foguetão.
E o Cacá porque é filho do Galvão.
Nos dois casos: besteira de montão

Quer mais?
Na F1 tinha o Rubinho.
Na Stock agora tem...
Na F1 dizia-se que ele era bom na chuva, e andava mesmo bem.
Na stock quando choveu, ele fez cair o mundo.
Pena que quando faz isto, só consegue ser segundo...

17 de mai de 2013

A gente tenta não ser mau, a gente tenta...


Pois é...
A gente até que tenta ser boa pessoa, não ser maledicente, ser justo na medida do possível, mas não dá...
Vivem levantando bolas para a gente dê cortadas.
Sente só.

Pela manhã noticias dando conta de que o perna de pau inglês com o melhor marketing pessoal existente vai se aposentar.
David Beckham vai pendurar o meião.
Sim, porque as chuteiras ele já pendurou faz uns cinco anos. Se é que um dia usou.
Aliás, a Inglaterra é prodiga em esportistas meia boca supervalorizados.
É Beckham, Button...

Logo depois aparece a confirmação do reencontro da McLata com sua antiga fornecedora de motores dos bons tempos: Honda.
Tudo legal, se não fosse os motores o menor dos problemas da equipe.
Mas é melhor um Honda que um Cosworth, não?
Claro... Assim como é melhor um Renault que um Cosworth.
Veja o exemplo da Caterham, por exemplo...
Quando andava de Cosworth fechava o grid e agora que anda de Renault...
Tá bom. Péssimo exemplo.

Ainda na McLata, os rumores de que o patrocinador principal deixa de ser a Vodafone para ser a Claro, de propriedade da Telmex.
Já falam por ai da pintura nova que deve vir e tudo o mais...
Mas se a Claro fizer patrocínio como faz telefonia, a Mclata tá na roça.

Ai segue com um treco non sense total.
Golpe comunista 2014.
Não sei do que se trata e nem me interessa saber do que se trata.
Só pelo nome já é possível rir muito. E rir mais ainda.
Um povo criado a aveia Quaker, danoninho, que cultua a Apple, ouve sertanejo universitário falando em golpe comunista na internet.
Como diz um amigo meu muito sábio: o reino dos comunistas de pantufas.
E pantufas do Pluto.
Tem que ver quem é que anda colocando cachaça no cereal matinal desta molecada.
A gente tenta não ser mau, mas não dá...

16 de mai de 2013

Mentiras que o cérebro aceita como verdade quando estamos distraídos


A água do chuveiro não esfria drasticamente quando alguém apaga a luz do banheiro durante o banho.
Sempre que alguém está no box e outra pessoa entra no banheiro a tensão fica alta.
Então, se quem entrou apaga a luz ao sair é muito comum se ouvir um grito: “Aê! Faz isto não!”.
Obvio que a água não esfria, mas como explicar ao cérebro isto?
Não dá.
Apagou a luz, corpo fora da água do chuveiro.

Café na xícara está sempre quente.
Outra pegadinha do cérebro.
Pode notar: se o café está em uma xícara, mesmo frio, quem por ventura vai tomar dá sempre umas sopradinhas.

Outra mentirinha que o cérebro aceita com verdade quando estamos distraídos é a ruindade do carro da Mercedes.
Se parar para pensar, se os pneus polvilho azedo não fossem tão, tão, tão ruins o time alemão já teria vencido corridas e estaria brigando pela ponta do campeonato junto com os atuais lideres.

Mais uma?
Medo não é sinal de respeito e pequenas broncas veladas não surtem efeito.
Não é preciso uma bronca em altos brados para fazer com que alguém que esteja fazendo algum tipo de besteira repense...
Quer um exemplo? Bem pequeno?
Foi só Bernie Ecclestone, O Que Manda, soltar uma nota dizendo que os pneus de esperma seco eram “impróprios” para a F1 que os italianos soltaram uma também dizendo que vão rever sua “obra” para a corrida do Canadá.
Viu?
Medo é bom e conserva contratos.

15 de mai de 2013

E para encerrar o assunto Espanha


Na garagem da Mercedes

-Lewis, Nico... O que podemos dizer? Apenas nos desculpem. – diz Brawn.
-Sobre? – quis saber Lewis.
-Sobre o ritmo de corrida dos carros de vocês.
Silêncio.
-Mas vocês sabem – continua Ross Brawn – Temos um carro rápido, que anda quase imbatível em classificação.
-E daí? – indaga Nico.
-É... E daí? Quando chega na corrida vamos ficando para trás...
-Bom... Tendo um carro com potencial, que é o que demonstra as classificações, é mais fácil tentar arrumar o ritmo de corrida do que o contrário.
-Será? – insiste Nico.
-Neste ponto ele tem razão... – concorda Lewis – Já vivi isto nos tempos de McLaren.

Brawn ensaia um tímido sorriso.

-Mas ainda assim... – continua Nico – É constrangedor demais este negócio de ser comparado aos coelhos de maratona.
Lewis e Nico.
Lewis ri maldosamente.

-Veja bem... Não é tão ruim... Todos sabem que coelhos de maratona são ótimos atletas. Só que não são atletas maratonistas e sim de outras categorias... – tenta justificar Ross.
-Não adianta. Eu não curti. – e Rosberg sai batendo a porta.

Então, Ross se vira para Lewis, surpreso, e dispara.
-Tá ficando muito estrela... Nunca ganhou um título e está reclamando demais da situação. Eu esperava isto de você. Não dele.
-Mas esta situação de ser comparado a coelho de maratona, pelo menos para ele é realmente pior.
-Não entendi.
-Veja só... Quando alguém se refere a mim, Lewis Hamilton, como coelho de prova, o assunto morre ai.
-E?
-Já com o Nico não.
-Não?
-Não!
-Explica...
-É que começam a chamar ele de coelhinha da playboy...


Silêncio.

-Que imagem horrível! – dizem os dois ao mesmo tempo.




14 de mai de 2013

Lado B do GP: A F1 é uma banda acomodada com seu sucesso


Foi um GP lado B, sem duvida.
E lado B de daqueles que o lado A nem é primeiro lugar nas paradas.
Lançou o maxi single: “Largada” e no verso um monte de música que se não é ruim, também não é empolgante.
No mundo da música se diz que são faixas para encher linguiça.

Primeira faixa: “Mercedes”.
Sem culpa nenhuma dos instrumentistas – Lewis e Nico – a canção não teve ritmo.
Não segurou a onda do ótimo riff da classificação e chegou ao fim como uma modorrenta balada.
Nem romântica conseguiu ser.

Depois a faixa “Os pneus”.
 Complexa demais... Travou a velocidade e fez com que os músicos tocassem sempre por volta dos 60, 70 por cento de seu talento.
E ainda roubou um verso dos Engenheiros do Havaii (Quebra Cabeça, Novos Horizontes, 2007): “É pouco, é quase nada, mas é tudo que posso oferecer...”.

Chegamos então à faixa final: “Pastiche”
Faixa que lembra que um dia a banda foi realmente emocionante, relevante e corajosa.
Que tinha em seus músicos gente inquieta e ousada.
Hoje são cordeirinhos que fazem clichê e ainda assim vendem para caramba.

Mas tem gente que acha melhor um disco médio de uma banda conhecida que um sensacional de uma iniciante, a qual temos que garimpar bem para descobrir.
Chato...

12 de mai de 2013

F1 2013 Espanha: Coxinização (termo registrado e sujeito a cobrança de royalt)


O assunto acaba por ficar chato e batido, mas não tem como fugir dele: pneus.
Fica muito estranho ler e discutir corridas com base em paradas e não em velocidade.
Mudança dos tempos? Pode ser... Mas não sou obrigado a gostar. Sou?

Para alguns grandes prêmios é interessante ter esta opção para tentar dar alguma emoção – ainda que fake em termos – como na Espanha e quiçá na Hungria.
Mas e nas outras? E onde não havia este tipo de problema? Como é que fica?

Mas a corrida da Espanha foi emocionante, não?
Não!
Uma largada muito boa, um meio de corrida esfarrapado (ou esfarelado, fica por sua conta) e um fim chato.
Tão chato que os comentadores do twiter passaram a fazer piada com a narração imbecilizada de Galvão Bueno e esqueceram a pista.

Não se ultrapassou sem kers, não se ultrapassou sem vantagem de pneu novo sobre velho. Não houve tentativa de defesa.
É emoção isto?
Então é emocionante ficar em uma ponte sobre a Anhanguera vendo carros se ultrapassar.

Somando isto as punições sem sentido e temos uma categoria que vai se coxinizando (termo novo) a cada ano que passa.
E para o ano que vem promete ser o ápice.
Oremos...

Quanto ao vencedor, nada a dizer além de que foi justo.
Seu salto na largada foi impressionante.
Só precisamos descontar da quantidade de ultrapassagens (rárárá) dos três primeiros as que foram feitas sobre as Mercedes, que como já venho dizendo há algum tempo, são os coelhos de prova da F1.
Largam na frente e abrem caminho no meio da prova para quem vai realmente ganhar.

Para uma corrida na chatérrima pista espanhola, tá bom...
Vira a página.

10 de mai de 2013

Cruisin´


-Eu não deveria estar aqui.
-Todo mundo diz isto. Pode falar, sua hora tem quarenta e cinco minutos.
-Uma hora não tem sessenta minutos?
-Não de psicanalista.... Então é melhor falar.
-Eu não deveria estar aqui... Só porque não gosto de musica?
-Mas gostava. Estou errado?
-Até que não. Eu gostava, até estudava um pouco...
-O que houve então?
-Não sei...
-Vamos tentar descobrir... Disse que estudava?
-Sim...
-Que instrumento?
-Não, nenhum... Eu estudava história da música.
-Clássica?
-Pop.
-Antiga?
-Contemporânea
-Que interessante... E o que aprendeu?
-Muitas coisas... Aprendi que Elvis Presley, por exemplo, foi o responsável pela liberação do corpo. Que antes dele não se dançava.
-Não?
-Ao menos os brancos não...
-Continue...
-Descobri que foi Dylan que liberou a mente do ouvinte quando o fez pensar.
-Mesmo? Como?
-Interrogando o ouvinte: “How does it feel?”
-Interessante... O que mais descobriu?
-Que Marvin Gaye, por exemplo, fez política com um disco que também pode ser considerado altamente sensual, se você não ligar para as letras...
-What´s goin on?”
-Exato! O senhor conhece?
-Conheço, mas não estamos falando de mim e sim de você. Fale sobre sensualidade.
-Ah, não... O senhor não vai me pegar nesta, dizer que tudo é culpa do sexo.
-Ou da falta de...
-Da falta? Sério? Bem... Sobre sensualidade... Mas não era sobre música?
-Fale dos dois juntos.
-Aprendi que com uma música sensual, sinuosa, envolvente, tanto podemos ganhar quanto perder a pessoa em que se está interessado.
-Jura? Dê um exemplo.
-Cruisin´ do Smokey Robinson.
-Eu conheço, bela musica... Faz muita gente suspirar enquanto ouve ou dança.
-Sim... E faz a gente sair da pista andando de forma estranha, curvado...
-É... E sob os gritos de tarado... (diz pensativo)
-Como sabe? O senhor estava lá?
-Errr, não, não... Acabou seu tempo, pague e marque outra consulta para o mês que vem...

9 de mai de 2013

A pinga explica quase tudo...


Existem algumas frases que passaram para a história como símbolos de sabedoria e são repetidas de tempos em tempos seja para ratificar teses ou simplesmente mostrar erudição.
Algumas delas, se analisadas de forma mais superficial (que profundidade não é o forte aqui nesta página) soam mais como produto de bebedeira do que qualquer outra coisa.

Faça um pequeno esforço (grandes esforços também não são prioridade aqui) e tente imaginar as figuras que cunharam estas frases geniais e lapidares as dizendo com voz pastosa e aparência de trapo apoiados em um balcão de botequim ou no ombro de algum amigo que por ventura, não estivesse tão bêbado quanto.

Personagem: Voltaire. (pensador. Vulgo: desocupado).
Frase: “-Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte do direito de o dizer.”.

Diz que não tinha cara de cachaceiro?
Mais de bêbado que esta é complicado achar.
Voltaire, que era pseudônimo de um nome esquisito e que não passava a sensação de estar sóbrio deve ter dito esta enquanto era carregado de volta para casa, muito louco de absinto.
Então sua esposa, dona Abgail, abre a porta e diz: “-Mas é um imprestável mesmo...”.
Foi a deixa para o cara cunhar a genial frase que transforma antagonistas em oponentes que se respeitam...

Personagem: Winston Churchill (primeiro ministro inglês durante a segunda grande guerra)
Frase: “-Nada tenho a oferecer senão sangue, trabalho, suor e lágrimas.”.
Bebia e não escondia...
Churchill disse esta para dar animo ao povo inglês que havia sido bombardeado pelos alemães. Pediu que seu povo se mantivesse unido, forte e otimista quanto ao próprio destino. Conseguiu.
Mas é de se pensar se não soltou esta após alguns copos de uísque escocês legitimo e aqueles indefectíveis charutos que o acompanhavam.
“-Seu Churchill, a gente acredita no senhor, mas vamos ganhar alguma coisa? Uns trocados para reconstruir a vida?”.
O primeiro ministro deu mais um gole no uísque, uma baforada no charuto e mandou ver no discurso.
Após isto - e muitas outras coisas - os alemães se fu...

Personagem: Lewis Hamilton
Frase: “-Hoje Alonso e eu seriamos bons companheiros de equipe.”.
Só a pinga explica.
Esta, só uma bebedeira homérica e uma farra com gordinhas em um hotel para explicar.
E bota homérica nisto. Daquelas de acabar a cachaça e o cara tomar até o desodorante do banheiro.
Coloque os dois em uma mesma equipe, com um carro vencedor e se prepare para rir.
Porque palhaçada não vai faltar.

8 de mai de 2013

Nota do busão (faz tempo que não tem uma...)


Faz algum tempo que não publico uma nota do busão.
Sinceramente não tenho saudades de andar no coletivo todos os dias, mas quando é preciso... Lá vai

Estava sentado em um banco único, pouco a frente da catraca do cobrador e ao lado da porta de saída.
Em um dos pontos sobe ao coletivo um tipo conhecido daquela linha: Rubão.
Rubão é funcionário público e para ajudar no orçamento familiar, produz e entrega salgados nos bares da região.
Rubão entrou, pagou a passagem e na falta de um banco livre, sentou-se no degrau que dá acesso a porta de saída.
-Porra! Tô cansadão... Já fiz umas vinte entregas hoje. Olha só... Tô até sujo! – disse.
-Mas isto é bom, não é? – perguntei.
-Claro, não posso reclamar não...
E cessa a conversa.

Três pontos à frente entra uma senhora.
Olha para dentro do coletivo e decide não ficar antes da catraca. Talvez por pensar que fosse mais fácil arrumar um lugar para sentar depois de passar pelo cobrador.
Ao pagar a passagem dá uma rápida olhada no panorama e seus olhos caem nada mais nada menos que em Rubão.
Ela conta o troco que lhe é dado e separa dois reais.
-Rubão percebe o que está por acontecer e começa a falar em voz relativamente baixa.
-Não faz isto, não faz isto... Não faz...
Então a senhora chega bem perto e deposita na bandeja vazia que Rubão trazia sobre as pernas a nota de dois reais.
-Senhora, faz isto não... Eu não sou trabalhador e...
-Eu sei meu filho... – diz ela cortando – Não tá fácil para ninguém!
-A senhora não entendeu...
-Entendi sim... Não precisa ter vergonha não. – e puxa a cordinha solicitando a parada.
-Não...  – diz ele – A bandeja é do salgado que eu...
-Eu sei... Fica tranquilo... Pode usar o dinheiro para comprar o salgado se quiser... – e desce.

Sem poder fazer mais nada, Rubão guarda os dois reais na carteira, olha constrangido sem dizer mais nada.
Me levanto para descer e de passagem digo com um sorriso sacana: “-Estou sem trocado, me desculpe.”.
Já na calçada ouço um singelo e divertido: “-Vai se f... Ron... Vai se f...!”.

7 de mai de 2013

Cerveja e chocolate - Coitado de quem tem que aguentar a Bandeirantes...


Não se trata da corrida.
Pistas de rua – principalmente na Indy – são muito semelhantes.
Tanto plasticamente quanto em chatice.
Trata-se do evento em si...
Fora o regulamento estranho, ainda tem a localização do circuito, que não é fora de mão e até não tem problemas maiores para se chegar ou sair dele.
Mas é feio.
Mesmo para quem ama a cidade de São Paulo, fica difícil defender algo feito às margens do fedorento Tietê.
Com sol forte então...

Outra coisa que pega, e não é pouco, é a transmissão oficial do evento pela TV aberta.
Um monte de repórteres despreparados, mal informados e carregados no oba-oba, que fazem a todo o momento comparações com futebol.
O ufanismo graça e desgraça tudo.
Coalham a tela de “personalidades da casa”, entrevistam todos, famosos e infames, com perguntas tão obvias quanto: “de onde você vem?” e “para quem vai torcer” para terminar sempre com um pedido de exaltação para os pilotos brasileiros.
Não se sabe se é de propósito, mas procuram entrevistar os tipos mais toscos que encontram.
Sem contar o esforço titânico para dar a impressão de que tudo é um sucesso.
Desde a organização até a presença de público. O que, definitivamente não é.
O público, aliás, é um show – de horrores – a parte é composto aparentemente por gente que ou ganha os ingressos ou compra para ir ao evento apenas porque parece legal...
Dá a nítida impressão de que a venda foi um fracasso e o apelo patriótico funcionou.

Sem contar as ações promocionais como chamar o pole e o dono da volta mais rápida da corrida de “piloto sedex”, dar leite para o vencedor tomar na caixinha e outras besteiras que chegam a ser irritantes.
Por coincidência, o pole position tinha patrocínio de uma concorrente estrangeira do Sedex, a DHL, o mico foi ainda maior...

Enfim, melhor foi assistir a corrida tentando ignorar tudo isto, que no fim das contas os pilotos não têm culpa da tosquice.
Mas fica a certeza: muitos blogueiros da rede fariam melhor... Muito melhor.

6 de mai de 2013

Indy 300 em SP: Dia estranho, corrida estranha em um cenário estranho


O dia amanheceu estranho, muito estranho...
Tinha sol, mas não estava calor.
Olhando atentamente ainda era possível ver uma pálida lua no céu apesar do sol forte.
Na padaria não havia filas, o pão estava quente, o atendente estava de bom humor, os frios cortados em fatias finas e havia troco no caixa.
Na quitanda as verduras estavam realmente frescas e até o tomate estava barato.
No caminho nenhum cachorro me perseguiu ou latiu de dentro de seu quintal.
Um gato brincava em uma poça de água. Isto eu nunca tinha visto.
O almoço saiu na hora certa...
Não vieram testemunhas de Jeová a minha porta.
Cheguei a pensar que o mundo estava fora do prumo.
E devia estar... Eu mesmo me espantei quando me vi ansioso pela largada da tal SP Indy 300 da cerveja com chocolate.
Quer mais? Diziam que o cenário Marginal/RioTietê era lindo... Deus do céu!
Quando vi a classificação – com um monte de favoritos largando no fundão – tive a certeza de que estava realmente fora do prumo...

Mas ai apareceu Luciano do Valle e não acertou o nome de nenhum dos pilotos da Indy duas vezes seguidas.
Ufa! As coisas estavam voltando ao normal...
Tony Kanaan pilotando muito e chegando a ponta de forma merecida.
Não me espantei.
Um monte de manetas batendo o carro sozinhos e errando curvas adoidado.
Também dentro do esperado.
Uma porrada de bandeiras amarelas.
Idem...
Até a pane seca no carro do Tony Kanaan eu achei normal, afinal... Aquilo é Indy.

Só que ai a coisa degringolou de novo!
Um japonês vinha de trás e ultrapassava todo mundo, ganhava a ponta da corrida e aguentava heroicamente a pressão de um cara que tinha um carro nitidamente melhor e com mais botões de ultrapassagens para usar.
Um japonês? Numa categoria americana? Em uma corrida no Brasil? Tomando pressão?
E este cara era o Marco Andretti! Um puta manetão juramentado!
Ai vem um canadense e ultrapassa o manetão e também o japonês, este na última curva!
Enfim... As coisas voltaram ao normal de novo...
Não... Espera!
O cara que ganhou largou da última posição do grid?
Isto é emocionante, e emoção não é coisa da Indy...
Realmente... O mundo está fora do prumo...
Para ai que eu vou descer.

2 de mai de 2013

Um conto com muitos animais


-Pô, que bicho feio é este ai? – perguntou o Baixinho.
-Sei lá... Só sei que é um pássaro. – respondeu Dinei.
-E como sabe que é pássaro?
-Tem pena, passa a mão nele...
-Eu heim... Vai que este bicho morde.
-Não morde não...
-Como cê sabe?
-Pássaro não morde.. No máximo pode bicar... E olha eu to segurando ele e não me bicou ainda...
-Vamos levar ele pro professor de biologia pra ele dizer que pássaro é este.
-Acho que é um pombo... Olha as cores do bicho: branco e preto. É pombo.
-Muito grande pra ser pombo.

No caminho até a escola onde estudavam as duas antas levavam o pássaro debaixo do braço e ouviam gracejos dos mais velhos.
-Vai por em cima da geladeira?
-Cadê o outro pra formar o logo da Antarctica?
E os dois – obviamente - não entendiam.

Ao chegar à escola encontram o professor de biologia já de saída.
-Fessor.. Pera ai... Diz pra gente que tipo de pássaro é este aqui.
E mostram para o professor.
-Putz... Onde cês acharam ele? – perguntou o professor.
-Tava perdido na avenida da praia... – respondeu o Baixinho com o pássaro ainda debaixo do sovaco.
-Deve ter chegado aqui perdido em uma corrente marítima... Você deu alguma coisa para ele comer?
-Dei sim...  Salsicha.
-Cê é burro heim, Baixinho? Onde já se viu pombo comer salsicha? – tirou uma onda Dinei.
-Não é pombo sua besta... Já falei é muito grande pra ser pombo.
-Ele tem razão, Dinei. Não é pombo. É um pinguim.
- Que isto fessor... Pinguim tem um bicão – retrucou.
-Pqp! Às vezes me pergunto em que vocês estão prestando atenção quando estou dando aula... Este ai é o tucano Dinei!
-Tucano fessor? Gosto deste bicho não... É símbolo do Palmeiras... – Dinei era corintiano.
-Depois eu é que sou burro! – se indigna Baixinho – Aquilo é um porco, porra!
-E desde quando porco tem pena sua anta!
-Molecada... Deixa esta conversa de doido pra lá e me dêem o pinguim aqui pra eu levar pra onde possam cuidar dele.
O corintiano entrega o pássaro ao professor sob o olhar desconfiado do Baixinho.
-Vou levar para uma clinica veterinária... Salsicha, onde já se viu...

O professor põe o carro em movimento pensando onde é que estavam errando com a educação desta molecada. Liga o ar condicionado e coloca na potência máxima para que o pinguim se sinta ao menos um pouco melhor.
Na porta da escola as acusações de burrice mutua continuam.
De repente um pavão aparece caminhando pela rua e Dinei ao avistar este novo bicho se assusta
O pavão, impassível e tranqüilo abre a penagem da cauda em leque, exuberante.

-Pqp Baixinho! Olha aquilo!
-Carai! Que porra de galinha grande é aquela...