30 de jun de 2013

F1 2013 - Grã Bretanha - A borracha da discórdia ataca novamente

Não... Não foi a corrida do ano.
Também não foi cem por cento ruim, mas foi emocionante a seu modo.
E mais uma vez, as grandes estrelas da festa foram?
Os pneus, claro.
Relaxe... Na foto eles não estouram
Primeiro pela nota baixa.
Era um tal de estourar pneu traseiro que não tinha tamanho.
Estouravam mais fácil que balão de festa... Hamilton, Massa, Vergne, Perez...  Alguns de pneus macios e outros de pneu duro, o que mostrou claramente que o problema é do pneu e não da opção escolhida.
Pela primeira vez foi lida nas redes sociais a palavra “vergonha” em relação aos pneus de esperma seco da Pirelli.
Sintoma de que a instabilidade criada artificialmente pela empresa já deu no saco.

Não que o problema tenha sido sanado, mas quando os estouros rarearam começou a rotina das ultrapassagens dos pneus novos sobre os gastos.
Ou dos que tinham coragem de arriscar sobre os que queriam evitar que o próprio pneu dechapasse.
Foi nesta batida que Webber quase levou a prova nas ultimas cinco voltas.
Também foi assim que Alonso fez das suas e conseguiu o terceiro lugar.
E quer mais? Foi assim que Kimi deixou de disputar a vitória.
Sem pneu para avançar, muito por conta da equipe que lhe ofereceu uma estratégia tão furada quanto os pneus Pirelli.

De tudo, ainda sobra as corridas de recuperação de Massa e Hamilton, os primeiros afetados pela catástrofe de borracha.
Um era o pole e líder, o outro tinha feito a melhor largada do ano e estava em sua melhor apresentação.
Pode por na conta da Pirelli agora um pouco de seus infernos pessoais.
Quer pior? Hamilton ainda viu seu companheiro de equipe vencer a segunda no ano.

Quer mais para culpar a borracha?
As duas vitórias da Mercedes vieram após os “testes secretos” de Barcelona.
E Ross Brawn, o rei do drible (nos regulamentos da FIA) ainda disse que a equipe não tirou a mínima vantagem.
Imagina se tivesse tirado...

E para finalizar, o único que não pode reclamar dos pneus também não sorriu.
Ou será que o que quebrou na caixa de câmbio do Vettel também tem algum componente de borracha pireliana?
Melhor parar por aqui...

28 de jun de 2013

Mark Webber? So long, farewell, good bye

-Oi...
-Oi... E ai tem algo pronto?
-Não, não tem... Infelizmente não tem.
-Mas poxa!
-Poxa nada... Espera o homem morrer primeiro.
-Poxa, quantas vezes vou ter que lhe dizer que grandes homens com idade avançada tem necrológios prontos sempre?
-Você já disse, já repetiu... Mas não concordo.
-Mas é como funciona! Veja bem... Oscar Niemeyer já tinha o dele pronto há anos!
-Mas o homem tinha cento e porrada de idade também...
-Tá... Concordo. Mas ainda assim, não vou fazer um necrológio para o Mandela com ele ainda vivo. Sei que ele está mal, que tem idade avançada, mas não vou fazer é macabro.
-Cara, pensa bem... Deixa te contar outra história.
-Ok, conta.
-Quando Cazuza agonizava publicamente em decorrência da AIDS, todos os veículos da época prepararam lindos artigos sobre a vida do exagerado, ninguém pensou se aquilo era macabro ou deixava de ser. Quando finalmente ele se foi, todas as publicações tinha ótimos e lindos textos sobre ele.
-Hum... Sei.
-Sabe?
-Sei... E sei também que enquanto ele agonizava em decorrência da AIDS e todos preparavam lindos textos “passed away” sobre ele, Raul Seixas morreu.
-E daí?
-E daí que foi uma puta correria para juntar meia dúzia de palavras sobre a vida e a obra do cara. Obra esta que estava ali, pau a pau com a do poeta da língua presa. As publicações lançaram textos mequetrefes, bem aquém do que merecia o baiano roqueiro e ficou por isto mesmo. Para mim tem que aguardar.
-Aguardar o que?
-Não sei... O que pode acontecer antes que Mandela se vá em definitivo.
-Tá certo... Então por favor, escreve sobre outra coisa para tapar o buraco que vai ficar sem o texto sobre o líder sul africano.
-Ok... O que tem ai para que eu use de mote?
-Webber está de saída da F1 para pilotar para a Porsche...
-Pqp! Cê ganhou, eu escrevo sobre o Mandela, quantos toques quer?

26 de jun de 2013

Semana de GP da Grã Bretanha

Neste fim de semana tem a corrida em Silverstone, Inglaterra. Uma das mais tradicionais corridas da F1.
Tanto que foi lá que se correu a primeira etapa do primeiro campeonato mundial da categoria.

Hoje nem é das mais empolgantes, infelizmente.
Apesar de ainda ser um circuito de alta, as mudanças – pontuais – através do tempo foram deixando o circuito um tanto mais “comum” se é que se pode dizer isto.
Trocar o local de largada foi o que mais doeu.
Era lindo ver os carros partir rugindo e disputando espaço – todos embolados – e ter de enfrentar a Copse.
Porém o país parece viver só do passado.
Tão anacrônico quanto ter uma rainha em pleno século XXI que não manda nada, mas demanda gastos absurdos para manutenção de seu reinado e ainda assim é respeitada por boa parte da população.
E segue.

O país é tido com o inventor do futebol.
Sem os jogadores de outros países, seus times são uma piada de mau gosto. Isto sem falar na seleção que ganhou uma única vez a copa do mundo e daquele jeito...
Tem como expoente máximo nos últimos anos um tal David Beckham, que como jogador de futebol é um bom garoto propaganda.

O humor por lá é considerado patrimônio nacional.
Dizem que o sense of humour britânico é o melhor do mundo.
Monty Python é um exemplo. Irônico, inteligente e realmente engraçado.
Apesar de atual, também é coisa do passado.
Hoje o que tem é Mr. Bean... Particularmente não creio em humor sem palavras.

Outro patrimônio inglês é a cultura pop.
Muito mais da metade dos grandes músicos e grupos do século XX é inglesa.
E até para rapinar a cultura negra dos americanos eles eram os melhores: vide Jimmy Page e outros grandes bluesman brancos...

E voltando a F1.
Sempre houve grandes equipes inglesas sendo que a maioria era de garagistas e ainda assim inovadores e vencedores...
A maior delas (foda-se a Mclaren) é a Williams que completa na corrida britânica a incrível marca de seiscentos grandes prêmios.
Tudo bem, assim como tudo na Inglaterra, as glórias da equipe de Grove estão no passado, com um ou outro brilho isolado mais recentemente.
Mas a coisa está ruim mesmo é no que tange ao material humano, nos pilotos...
Se no passado a coisa já era meio escura tendo como maiores expoentes pilotos vindos de países que fazem parte do Reino Unido, mas não nascidos propriamente na Inglaterra, ainda dava para salvar John Surtees, Nigel Mansell, Graham Hill e Stirling Moss.
Hoje o que sobrou foi Lewis Hamilton.
Ah, tem o Button também, mas, de verdade: quem liga para o Button?

24 de jun de 2013

Aprovaram a "cura gay" e a cura para imbecis, vem quando?

O país pegando fogo, por vezes literalmente, e vem um enrustido se preocupar o que o individuo faz com a própria bunda entre quatro paredes...

E o pior: quer que a tal “cura” seja feita pelo SUS!
Logo o SUS que de tão bem aparelhado, tão bem servido de recursos, com médicos satisfeitos e bem pagos não cura nem resfriado.
Corre o risco de acontecer o seguinte.

-Valdecir Soares. – chama o médico de dentro de seu consultório no pronto socorro.
-Dá licença?
-Pode entrar. O que acontece?
-Estou sentindo o corpo mole, tenho tido febre e dores nas costas e nas pernas.
-Faz tempo?
-Uns quatro dias.
-Já teve isto antes?
-Não.
-O senhor é casado?
-Não.
-Hum...
-É virose, doutor?
-Não, é viadagem.
-Como?
-Não sei, às vezes come, às vezes dá... Mas assim. Vou receitar amoxicilina, ibuprofeno se tiver febre...
-Mas...
-Não, não adianta perguntar que não damos atestado, no máximo declaração de horas...

O cara sai do consultório e liga para o trabalho.
-Oi... Vou chegar atrasado, estou no pronto socorro.
-O que você tem?
-O médico disse que eu estou gay, mas não deu atestado. Já já chego ai...
-Precisa vir não... Relaxa. Fica em casa até melhorar, depois a gente vê o que faz.

Depois de desligar o telefone, o dono da empresa vira-se para seu sócio.
-O médico disse que ele tá gay.
-Então você fez bem em deixar ele em casa... Vai que é contagioso.
-Pode crer.

21 de jun de 2013

Porque - apesar de tudo - beleza ainda é fundamental

Há quem não goste da banda exatamente por achar que lhe falta um rosto de verdade.
Claro, o rosto há, mas é preciso estar familiarizado com coisas como anime, mangás, HQs para entender realmente a proposta do Gorilazz.

Damon Albarn, líder do Blur, juntamente com Jamie Hewlett - um dos responsáveis pela HQ Tank Girl (nunca li...) - são os responsáveis pela criação da banda virtual.
Bem calcada na eletrônica e com ecos do britipop do qual Albarn é egresso.
Junto aos dois, um combo de músicos convidados que se revezam nos instrumentos e que já contaram com gente do Clash.
Apesar de ter vendido mais de quinze milhões de discos, se ouvia muito a reclamação de que faltava alma, sentimentos.

Outro dia, zapeando pelo youtube, encontrei um vídeo dos músicos por trás do grupo tocando nos estúdios da BBC Radio 1.
A canção originalmente também é uma balada, porém é sustentada por camadas de teclados e sintetizadores que – se não tiram a sua beleza – a deixam muito etérea e um tanto distante.
Esta versão, a da rádio, transborda intimismo e deixa bem latente a melancolia que dá título e de que fala a canção.
Para quem queria alma e sentimento... Ta aí.

19 de jun de 2013

Para descontrair (mas não muito)

E de nada adiantou... 
Coulthard estava sozinho e contra uma multidão que vinha para cima dele rugindo. 
Reparem na posição de ataque do exército do mal pintado de vermelho...
David protestou para que democratizassem as vitórias em Mônaco, mas não obteve exito.
Venceu lá quando foi pilotar pela McLaren que, não é nada, não é nada... Não é nada mesmo. Só outra casa do mal...


18 de jun de 2013

#ogiganteacordou

A ação violenta da semana anterior serviu como catalisador e acabou atraindo muito mais gente para as ruas.
Estimaram sessenta e cinco mil nas ruas de São Paulo.
Todos em ordem, em paz... Vigiados de perto pela PM, mas não houve sequer uma arruaça.
A certa altura, os manifestantes se sentaram em meio a Avenida Berrini e aplaudiram os policiais que aplaudiram de volta.
Largo da Batata, São Paulo

No Rio alguns especialistas chegaram a falar em cem mil.
Todos pacificamente caminhando.
Alguns - não se sabem quem, de onde ou o porquê - queimaram um carro da Assembleia Legislativa.
Provavelmente vandalismo puro, simples e destoante do espírito da noite.
Rio de Janeiro

Em Brasília, estudantes e trabalhadores tomaram o prédio do Congresso nacional, subindo e descendo a rampa do prédio que mais simboliza o poder no país.
Houve tensão, mas não repressão.
Provavelmente a imagem mais sintomática e bonita de todo o movimento.
Congresso Nacional, Brasília

A nota baixa fica por conta de Minas Gerais.
Enquanto entrevistado pela TV, comandante da PM mineira dizia que seu contingente estaria recuando para que os manifestantes pudessem avançar.
-Até o Mineirão? – perguntou o repórter.
-Até o perímetro de segurança estabelecido pela FIFA. – respondeu.
Pela FIFA? Quem comanda a policia é Joseph Blatter?
Tiros, bombas, muita borrachada e repressão. Há relatos de um morto e de vários feridos.
Além dos manifestantes populares, ainda estavam no local os professores estaduais e a Policia Civil, também em greve no estado.
Belo Horizonte, Minas Gerais

Casos que representam fielmente a hashtag usada no twiter e facebook e ilustra o momento: #ogiganteacordou.
Verdade.
O povo parece ter tomado consciência de que pode exigir seus direitos. Sejam eles quais forem e quantos forem.
E se quiserem tudo de uma vez.
Ainda que isto dê a falsa impressão de falta de foco.
#ogiganteacordou

Curiosamente, quem sempre soube o que falar se calou.
Não se leu uma nota sequer dos prefeitos, governadores e nem da Presidência da República.
Será que ouviram e leram que as manifestações foram apartidárias?
Será que entenderam o recado de que um povo unido se governa sem partido?
Será que o meme da internet que diz que o povo acordando, o pesadelo dos políticos começa?
Será que finalmente entenderam que não é só por conta dos vinte centavos?
Tomara.
É tempo de mudanças, isto – felizmente – não se pode negar.
Vamos ajudar nesta mudança.
Todos!

17 de jun de 2013

Street fighting man - ou - A hora e a vez de ir pras ruas

Um cara é abordado em frente ao portão do prédio onde mora.
O bandido, provavelmente um menor, tira o celular do cara (que não reage) e ainda assim é assassinado.
Outro cidadão é assaltado dentro de seu estabelecimento comercial, não reage e é morto com um tiro no peito.
Mais um? Bandidos tiram o dinheiro – duzentos reais – de um homem.
Este ajoelhado, novamente sem reagir recebe os disparos no rosto. Também morre.
Para esta raça não há policia militar suficiente, mas para reprimir manifestação pacifica o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin destaca um PM para cada cinco manifestantes.

De outro lado, estádios são construídos superando em bilhões os orçamentos originais.
Sem contar com o superfaturamento.
Alguns em lugares que não há tradição de futebol e nem futebol profissional. Verdadeiros elefantes brancos.
As obras de infraestrutura prometidas não passaram de maquiagem – mal feita – e saíram pelo preço das obras prometidas.
Curiosamente, esta grana apareceu sem esforço nos cofres públicos para financiar as festas, mas quando o assunto é aumento do salário mínimo ou revisão das pensões e aposentadorias ela não existe.

Educação? Para que?
Povo sem educação é mais fácil de engambelar, não?

E saúde então?
Melhorar o sistema é besteira. Afinal, encaixe para consultas ou tratamento em hospitais públicos é sempre uma ótima moeda de troca para vereadores, deputados...
Sem eles, meses de espera ou o fim do problema via morte do doente.
O que chegar primeiro.

E há quem pense – ainda - que é pelos R$0,20 (centavos).
Até era, mas agora não é mais.
É por direitos.
Direitos básicos que são sonegados e empurrados com a barriga por anos e anos apoiados na inércia da população.
Só que agora – e eu quero acreditar nisto – o “gigante pela própria natureza” que está “deitado eternamente em berço esplendido” finalmente está despertando, se levantando. E se os protestos parecem não ter foco, de tantas reivindicações, pode colocar na conta da quantidade de cafajestadas que aguentou calado (e engambelado) por tanto tempo.
Que se levante e como um Godzilla e passe por cima desta corja.

13 de jun de 2013

Conto para o dia de ontem

Estela e Walter estavam casados há mais de dez anos, mas ainda se diziam namorados, eternamente.
Os parentes e amigos disseram - direta e indiretamente – que ela enterraria sua vida, sua carreira para cuidar dele. Iria dentro em pouco se formar em comunicação social.
E mesmo que ela argumentasse que ele não tinha nenhum problema - além do óbvio - que ele era independente.
Não adiantava, ainda assim torciam o nariz.
Casou-se sob olhares desconfiados, quase de pena, porém foi feliz desde então.
Sempre soube que não seria fácil, mas o que nesta vida é?
Com o tempo a desconfiança foi cessando e todos viram que aparentemente a vida seguia em boa ordem para Estela.
As mudanças foram poucas e a maioria delas vistas apenas dentro de sua casa, algumas adaptações normais e necessárias como deixar as coisas sempre nos mesmos lugares, para evitar que ele tivesse de memorizar tudo outra vez.
Assim, suas coisas de uso pessoal sempre estavam nos locais pré-determinados: sabonetes, escova de dentes, perfumes, creme de barba, roupas... E de preferência separados dos dela, para evitar que na pressa ele saísse vestindo uma blusinha dela por engano.

É que Walter era cego. Desde o nascimento.
Cego, mas nunca acomodado, nunca se ouviu dele uma queixa sequer...
Aprendeu braile, cursou tudo que lhe foi possível e se formou em direito.
Não exerceu por muito tempo, ganhou algum dinheiro com boas causas trabalhistas e com ele realizou um antigo sonho: uma cafeteria literária.
Lá era possível apreciar os melhores cafés expressos e ainda se informar com jornais, nacionais de diversos países diferentes. Livros, revistas variadas e ultimamente trabalhava na expansão dos serviços com uma rede wireless de alta velocidade para quem quisesse trazer seu laptop à cafeteria.
-Informação é tudo, e ela agora está toda na internet. – dizia.
-Como você sabe? Cê nunca viu? – perguntavam alguns gaiatos.
-Ver não vi, que tava ocupado com tua mãe – respondia. – Mas li que já existem equipamentos que permitem que nós, os deficientes visuais, possamos usar a internet como qualquer outro. E com o tempo, até isto vai ter aqui na cafeteria.
Ninguém duvidava que uma hora ou outra aparecesse por lá os tais equipamentos.

Acontece que naquele dia o clima dentro da cafeteria não estava muito bom.
Um silêncio incomodo permeava o ambiente e a cara de poucos amigos de Estela – que cuidava do caixa – não deixava duvidas: haviam se desentendido por algum motivo.
Walter tentava puxar assunto, mas recebia de volta apenas grunhidos guturais e frases lacônicas.
E o publico usuário do estabelecimento apenas assistia as cenas.

-Amor, tava estranho... Meu creme dental estava fazendo espuma demais, com um sabor esquisito. Mentolado, mas esquisito...
-Hunpf... É?
-E também meu desodorante...  Eu apertei o frasco e em vez daquela sensação de uma nuvem nas axilas eu senti um jatinho de água fininho... E os sovacos ficaram grudentos...
-Hein... Jura?
-Também não entendi o que aconteceu com minhas cuecas... Algumas estavam apertadas pra caramba e outras pareciam só ter uma tirinha na bunda... Demorei um bocado para achar uma que ficasse menos estranha no corpo, mas ainda assim tive a impressão de que era rendada...
-Hum!
-E os sapatos... Estes eu tenho certeza de que você se enganou, eu não tenho nenhum chinelo de dedos com a sola tão fininha quanto as que estavam em meu armário... E com florzinha nas tiras então?
-Tá certo Walter... Tá certo...  Eu mexi mesmo nas tuas coisas... Coloquei teu creme de barba no lugar da pasta de dentes, o liquido anti-chulé no lugar do seu desodorante e inverti as nossas gavetas de roupas intimas...  E pelo que to vendo... Você ficou com preguiça de procurar teus chinelos e veio com as minhas rasteirinhas mesmo...
-Mas... Mas... Amor? Por que fez isto?
A esta altura todos os clientes que já estavam na cafeteria prestavam atenção no dialogo.
-Pra você nunca mais na cama apertar aquele travesseiro anatômico e dizer que estou flácida e cheia de estrias...
-Mas amor... Eu não vi!
-Milagre, meu caro... Seria se tivesse visto.

12 de jun de 2013

Noticias relevantes sem importância nenhuma

Primeira.

Durante Jornada da Juventude, também conhecida como visita do Papa Hermano I ao Brasil, cidade do Rio de Janeiro terá quatro dias de feriado.
Trabalhar para que?
O mais legal?
Ateus, evangélicos e afins agradecerão ao pontífice os quatro dias de vagabundagem.

Segunda.

Cantora (hahahahahahaha) da banda calipiso, a cabra gritante Joelma anuncia o fim do grupo,
Ela vai se divorciar?
A pergunta procede, afinal, a banda toda era formada por ela e o marido e um toca fitas...
Além de anunciar o fim das atividades do grupo, ainda mandou na lata que vai se tornar cantora gospel.
Não tem nada ruim que a religião não consiga tornar ainda pior.
Ao ouvir tais declarações, um monte de gente boa fez facepalm e disse: “-Ai meu Deus...”
Deus, ao ouvir também fez facepalm e mandou: “-Ai meu Eu...”.

Terceira.
com estas matérias, tinha que fechar mesmo...
Grupo Abril anuncia a “descontinuação” (palavra embucetada para dizer que vão fechar) de algumas revistas e que seu canal de TV – a MTV - só ficará no ar até Dezembro e apenas com reprises.
Um cheiro forte de falência no ar...
Entre as revistas estão idiotices como Capricho e Contigo.
Vão tarde.
Outro título que deixará de circular é a Playboy.
O povo que ainda “lia” a edição brasileira da revista do coelhinho é um pessoal um pouco mais, digamos assim, abastado.
Sendo assim, também era um povo mais conectado e sabe-se que na grande rede mulheres peladas aparecem até quando não queremos ver.
Elas vêm em links atrelados, spams, pop-ups.
O ruim é que não dá pra fingir que está lendo um artigo interessante quando se é pego vendo estes links...
Pensando bem, também não dava para fingir isto lendo a Playboy.
Não tinha artigos interessantes lá já faz muito, mas muito tempo...

11 de jun de 2013

Lado B do GP - Canadá, a corrida do porém

Depois de bater na classificação, de forma louvável tentando melhorar seu tempo, conseguiu ultrapassar oito carros durante a corrida e chegar no maravilhoso oitavo lugar, porém...
Coloque sete ultrapassagens na conta do DRS e... Não.
Deixa pra lá.
Massa foi só o lado B mesmo.

Valteri Bottas largou em terceiro!
Não vou esconder que vibrei, porém...

Mas quando vi que antes da décima volta ele já estava de volta à realidade da Williams neste ano não me decepcionei.
Dizem que é melhor amar e perder que nunca ter amado, logo...
Melhor largar em terceiro de vez em quando que nunca ter largado.
Go Williams, go!

A Lotus é um time legal.
Contratou Kimi Raikkonen e está dando condições para que o finlandês bebedor faça história: vinte e quatro corridas na zona de pontos.
É bem diferente do recorde de permanência ou de gp´s disputados, que no fundo não passa de prêmios à mediocridade, porém...

A equipe está abaixo do anda merecendo o cara.
Na verdade, fazendo um esforço sobre humano para lhe dar as mínimas condições de brilhar.
Falta grana, falta desenvolvimento...
E olha que o time tem um piloto só.

E por último o time inglês mais famoso da F1.
Mclata tem títulos, tem um piloto campeão do mundo e tem história (para o bem e para o mal) e atrai a atenção sempre, porém...

Este ano o carro é horrível, horrível e horrível.
Na única corrida do ano onde a máxima “melhores carros se sobressaem” os caras conseguiram ficar só em décimo segundo e décimo terceiro.
E olha que o piloto que ficou em décimo segundo foi o tonto do Sérgio Perez que um monte de gente (boa e ruim) já andou chamando de idiota.
Se fosse o Button começava a pensar em parar de correr.
Mas... E quem liga para o Button?

10 de jun de 2013

F1 2013 - Canadá: uma verdade inconveniente

Curiosamente não se pode reclamar dos pneus de esperma seco da Pirelli nesta edição da corrida canadense. Ponto bom.
Mas...
Houve um momento em que achei estar vendo F-Indy de oval, tal a facilidade de se ultrapassar nas áreas de DRS.
Não que seja a favor da asa que abre e fecha deixando a ultrapassagem algo tão banal quando virar o volante na curva, mas ainda assim é mais aceitável que a porcaria do pneu que não permite que o piloto tire do carro tudo que ele pode dar.

A corrida do Canadá mostrou um pouco de verdade que foi impossível ver em outras provas.
Se infelizmente Vettel se arrancou na frente e ninguém mais o viu, paciência.
Viu-se também a boa forma de Alonso brigando pelo pódio, a ruindade de Felipe Massa que nos seus melhores momentos brigou pelos fantásticos sétimos e sextos lugares.
Pode-se ver também que a Lotus não é esta maravilha toda, apesar de Kimi – o único piloto da equipe – ter feito a corrida toda com apenas uma parada.
E também deu para ter a exata ideia do quanto o tal teste privado da Mercedes fez bem ao carro.
Se não fosse o problema do DRS – ao menos Lewis disse que tinha – Alonso teria penado para ganhar o (merecido) segundo lugar.

No fim acabou sendo uma corrida boa, agradável de ver e fácil de ler.
Sem as invencionices e artificialidades – além do DRS que, se melhor organizado seu uso vai equivaler ao push to pass de outras equipes – ganhou o melhor carro com um dos melhores pilotos.
E Vettel ganha um belo ralador de queijo com design da Ferrari
Mas corrida de carro deveria ser sempre assim mesmo: uns imbecis fazem seus carros para ver com outros imbecis quem é o mais rápido. Disse rápido e não mais economizador seja lá do que for...
Chorem, mordam-se, mas o carro dos imbecis da Red Bull é mais rápido.
Só não digo para correrem atrás porque nas próximas corridas, provavelmente, o pneus de sêmen seco voltarão a dar as cartas.
Triste perspectiva.

7 de jun de 2013

Entre Nous

O baterista original, John Rutsey, tinha se afastado por problemas de saúde e o agente da banda então sugeriu que fizessem audições para encontrar um novo titular para as baquetas do grupo.

Atendendo a uma solicitação, Neil Peart coloca seu kit no carro – um Ford Pinto, se não me engano – e segue para a tal audição.
Impressiona instantaneamente tanto Geddy Lee quanto Alex Lifeson que ainda assim, não dão o braço a torcer.
-Não queríamos demonstrar o quanto estávamos impressionados. – disse Lee um tempo depois.
Tratam o cara com certa frieza chamando-o simplesmente de “novato”.
-Para protegê-lo... – revelou Alex.

Conversam sobre bandas, músicas, filosofia, política...  A fluência verbal de Neil vai cativando os dois.
Perguntam sobre quase tudo, e sobre quase tudo ele tem algo a dizer. Uma opinião...
-Olha só! Quantas palavras diferentes que ele usa! – espanta-se Alex.
- Deve ter lido uma porção de livros! – comenta Geddy.
-Acho que é bom ficarmos com ele...  – fala o guitarrista.
-Tanta cultura assim, ele deve saber fazer boas letras. – concorda o baixista.
E assim Neil Peart entra oficialmente para o Rush.

Recentemente, abatido por tragédias pessoais, Neil resolveu cruzar o continente americano em cima de uma moto.
Os outros integrantes do grupo, solidarizados com sua dor não se opuseram.
O importante é que ele ficasse bem.
A única condição era que mandasse noticias, afinal, mesmo com todos os anos juntos ele ainda era o novato.
-Continuamos querendo protegê-lo...

6 de jun de 2013

Academia de corridas da Caterham - ou - Escolinha de pilotos do Tio Tony

E começa a coletiva de lançamento do programa de jovens pilotos da Caterham.

Tony Fernandes: -Boa noite, sou Tony Fernandes e estou aqui para lançar nosso novo projeto para jovens promessas do automobilismo. Visamos com isto descobrir e apoiar pilotos talentosos para que um dia – quem sabe – possam ser pilotos de F1. Perguntas?

Repórter: -Senhor Tony, o senhor quer fazer algo nos mesmos moldes do que a McLaren fez com Lewis Hamilton?
TF: -Não... Nosso plano é melhor. Não queremos criar apenas um Hamilton. Queremos mais.

R: -O senhor acha que há mais pilotos como Lewis Hamilton para serem descobertos e lapidados?
TF: -Mas vocês insistem não? Por que tem que ser outro Lewis Hamilton?

R: -Tá certo... Então pretende algo como o que faz a Red Bull? Criar uma equipe satélite e colocar pilotos para fazer uma espécie de vestibular e se for bem promovê-lo a equipe principal?
TF: -Não... Isto é dispendioso demais. E sinceramente? Não vão descobrir outro Vettel.

R: -Então seria como na Ferrari?
TF: -Também não.

R: -Mas poxa? Não é igual a nenhum dos projetos que já existem. Como vai ser então?
TF: -É o seguinte...  Nós fomos ao Brasil e verificamos que por lá o esporte que mais rende dinheiro não é o futebol, mas a venda de jogador de futebol.
Os times disputam entre si quem vende mais caro os jogadores que saem – ou não – de suas bases. Para isto espalham olheiros e criam um monte de “escolhinhas” de futebol pelo interior do país. Cobram para que os meninos façam testes por lá e quase sempre aprovam um bando de filhinhos de papai mimados e que não jogam porra nenhuma, mas que os pais podem pagar as mensalidades – que não são baratas – que sustentam o esquema e – em um grande golpe de sorte – algum craque de verdade que por acaso surja por lá.
Então resolvemos que vamos fazer o mesmo. Vamos cobrar uma grana legal para que uns caras que acham que tem talento pensem que são talentosos e assim vamos tocando nossa equipe. Queremos descobrir assim mais uns Maldonados, Sérgios Perez... Grana alta, fácil e exposição garantida. Pelo bem ou pelo mal...

R: -E se aparecer um cara de talento de verdade? Vai ser usado na Caterham?
TF: -Não... A gente pede para ele ir atrás de patrocínio e coloca ele como piloto pagante em uma equipe igual a da gente ou menor cobrando uma pequena porcentagem do que ele conseguir captar.

R: -Mas isto não é um tanto antiético?
TF: -Então, não deve ser... Como disse no Brasil é comum. Tanto que trouxemos de lá a pessoa que vai gerir tudo isto ele tem um monte de escolhinhas por lá.

R: -Escolhinhas de pilotagem? É algum piloto?
TF: -Não...É o Marcelinho Carioca...

5 de jun de 2013

Antes era pior... 13 - Comerciais

Há quem hoje reclame das ações publicitárias dos pilotos.
Felipe Massa vendendo pneus sem conseguir pronunciar a marca direito por problemas claros de dicção.
Webber vendendo leite, outro vendendo xampu anticaspa... E por ai vai.

Antes era pior. Creia.
Os pilotos faziam seus merchans, claro.
Mas a maioria das campanhas usavam apenas imagens e lógico, as pinturas dos carros.
Já se viu propaganda até de funerária nos carros. (Grande Arturo Merzario!).
E casos em que carros viravam autenticas colchas de retalho...
Não me lembro bem se foi a Toleman que vendeu espaços para comerciantes locais em um GP, mas houve um caso assim.
E o mais famoso, talvez, sejam os carros da Forti Corsi, que mais pareciam folhetos promocionais do supermercado de um dos donos, o Abílio Diniz, que, aliás, era pai de um dos pilotos da equipe, o Pedro Paulo Diniz. Um dos piores motoristas brasileiros a dirigir um carro (quase) de fórmula.

Porém o caso aqui é mais complexo.
A Denim, por anos patrocinou equipes, pilotos e tinha comerciais inseridos até na transmissão brasileira da F1.
Porém, com um filmete de péssima qualidade.
Além da tradicional “desodorantada” do modelo havia também uma voz feminina (fanha) que dizia uma frase da forma mais embolada possível: “Denim, para o homem que não precisa fazer força para agradar.”.

O filme era de tão péssima qualidade que eu, em minha adolescência (onde tudo parece ser um tanto escatológico) ouvia: “Denim, para o homem que não precisa fazer força para cagar.”.

Não é necessário dizer que até hoje não compro nada desta marca.

4 de jun de 2013

Da série: Por que não me surpreendo? - Mercedes diz que pode sair da F1

Interessante a Mercedes dar a entender que poderia deixar a categoria em função das acusações que pesam contra Bernie Ecclestone.
Se isto fosse sério mesmo, com a quantidade de acusações contra o velhinho da fuzarca, a equipe nem teria entrado na categoria...
Mais legal ainda é dizer isto logo após ser denunciada por ter feito testes privados.
Tipo: Se ferragem a gente, saímos e botamos a culpa no Ecclestone...

Agora... Qual seria a punição contra a equipe no caso dos testes?
Vão tirar a vitória do Nico? O que tem menos culpa?
Tirar pontos da equipe?
Vai fazer uma diferença...

Se fosse aqui no Brasil a Mercedes poderia deixar que tirassem a vitória do Nico e depois ir à público e usar a estratégia mais usada por estas bandas: sair gritando que é preconceito.
Poderiam até não devolver a vitória para o rapaz, mas iam atrair a atenção da mídia e juntar um monte de artistas dizendo: “-Vitória para o Nico, e a FIA não nos representa...”.

3 de jun de 2013

Sashimi de bagre

Canário... Arruma alguma coisa pra gente comer ai! Pra acompanhar a cerveja... – grita Dito, o ex-prefeito.
-Cuidado... O último que pediu desta forma pro Canário quase casa com ele... – ri Andrade, o professor aposentado.
-Eu ouvi! Eu ouvi... Vão à merda! – protesta Canário que desde que os dois chegaram ao bar não saiu da cozinha nem para cumprimentá-los.
-O que tem o botequeiro hoje?  - prossegue Andrade - Nem veio aqui pegar na nossa e balançar...
-Ô Andrade! Eu ouvi esta também...
-Na nossa mão pô... Seu botequeiro mente suja... Que sua cozinha era suja a gente sabia, mas a mente?
-Suja? Tem certeza? – se espanta Dito - Quando eu era prefeito o bar nunca foi nem notificado pela vigilância sanitária... Eu sempre achei que era por ser limpo.
-Deve ser porque tudo na sua administração era suspeito... – grita Canário.
-Porra, Canário! Quem tá te zuando é o Andrade...

Risos abafados dão lugar ao silêncio por alguns instantes até que Dito, realmente preocupado cochicha com Andrade.
-A cozinha é realmente suja?
-Não... Estava brincando... Mas a mente dele é.
-Sério?
-Pqp, Dito! Eu estava brincando...  O Canário é gente boa. – e voltando a falar com o dono do botequim – Ô Canário! Que cê ta fazendo que ainda não veio aqui falar com a gente?
-Tô fazendo sashimi! – devolve Canário com outro grito.

Andrade e Dito se entreolham confusos, os outros freqüentadores presentes também se espantam. Nunca souberam que o botequeiro soubesse fazer sashimi.
-Mas, ô Canário! Desde quando cê sabe fazer sashimi? Até teu miojo é ruim...
-Andrade, meu velho, me admira você... Homem estudado, mestre do idioma, conhecedor das culturas... Dizer uma besteira destas?
-Que besteira? Que as coxinhas que você serve aqui são ruins?
-Não... Que eu não sei fazer sashimi.
-E sabe?
-E quem não sabe? Rapaz... Sashimi é peixe cru, já vem pronto da água.
O silêncio traduz bem o constrangimento do velho mestre e até do ex-prefeito.

-Mas, ô Canário! Onde foi que cê arrumou o salmão? – pergunta Dito.
-Salmão? Que salmão?
-O salmão pra fazer o sashimi, ora....
-Tem salmão não... Vou usar bagre mesmo... O Geraldo trouxe. Ele foi pescar ontem.
-O Geraldo foi pescar? – o espanto dos dois foi maior ainda.
-E por que o espanto?
-O Geraldo não sabe pescar não... – diz Dito.
-Como não? Eu fui com ele até... No Ribeirão Euzébio. E ele manja tudo da arte, até me explicou que o melhor seria pescar embarcado, mas como não tinha barco, disse que ia entrar na água... Até a altura do peito e de lá lançava a linhada com o anzol...
-Pescar embarcado? – pergunta Andrade.
-É... – diz Canário balançando a cabeça afirmativamente.
-No Ribeirão Euzébio? – completa Dito.
-É! Ué? O que tem? Hein, Andrade?
-Mas aquele rio é um córrego, raso e ainda por cima recebe esgoto, ele só pode ter entrado na água até a altura do peito porque tem menos de um metro e sessenta! Que eu saiba, nem peixe tem lá...
-Mas tem... E ele pescou. Eu vi.
-Viu? – duvida Dito.
-Vi... Vi quando ele entrou na água com a linhada e eu até gritei pra ele que ele não tinha levado minhoca... E ele virou pra mim e apontava o canto da boca, mas eu estava longe e não entendi direito.
-Ah! Não entendeu? – pergunta Andrade com ironia.
-Não... Por quê?
-Ele apontava para a boca? E não dizia nada?
-É... Ele fazia uns sons... Com se apertasse os lábios segurando alguma coisa entre os lábios. Mas responde... Por quê?
-Nada... Nada... O Geraldo ainda sai com sua irmã?
-Sai sim Andrade, mas por quê?
-Nada não... Nada...   Tadinha dela... Faz o seguinte... Suspende a cerveja também... Perdemos a fome.