30 de set de 2013

Sonho número 9

Deitados na cama e olhando para o teto, cansados, ela puxa assunto...
 -Cê já pensou na morte?
-Não... Foi ruim assim? Para você emendar um assunto tão... Tão... Funesto?
-Não... É que eu quis fugir do: “foi bom pra você?”.
-Tá legal... Mas quando quiser fugir, fala de algo mais alegre.
-Como o que?
-Sei lá... Futebol... Mas: “cê já pensou na morte”? Ai não dá... Se fosse ter um segundo tempo, sinceramente já estaria comprometido o desempenho...
-Cê tem medo da morte?
-Não... Quer dizer, tenho... Ah sei lá... Devo ter. Muda de assunto.
-Tá... (silencio) Mas como você acha que é a morte? Tipo assim se fosse uma pessoa? Como cê acha?
-Ah quer saber?... Boa noite! – vira na cama e em poucos segundos já está dormindo. Tão pesado que ronca e pouco depois, já sonha.

-Boa noite!
-Boa noite? Mas você... Você é o...
-Meu “boa noite” não foi de início de conversa. Foi de fim.
-Cid Moreira! Você é o Cid Moreira! E me deu um "boa noite" igual àquele que você dá no fim do JN.
-Exatamente.
-Que legal... Quer dizer... Que lugar é este? E o que eu tô fazendo aqui?
-Aqui é o limbo... Você vai chegar ao céu em instantes.
-Limbo? Eu morri? Por isto o “boa noite”?
-U-hum.
-Então você é a morte?
-Não. Eu sou só o Cid Moreira... Agora entra. Boa noite.

Então ele ultrapassa um portão em forma de arco e se vê em um lugar muito azul...
-Ai mané? Cadê suas asas? – pergunta alguém.
-Asas? Eu vou ter asas?
-Vai... Ai você vira anjo. Ou uma galinha. Vai saber... (ouvem-se risos)
-É que eu ainda to meio assustado com tudo isto...
-A gente tá ligado. É a primeira vez que cê morre né? (mais risos)
-Como assim... Então é verdade que a gente reencarna?
-Ó o cara... A gente não sabe não. Só estamos te zoando.
-Ah tá... Eu pensei que só tinha gente boa no céu.
-Magina... Espírito de porco é o que mais tem aqui... Nego é bonzinho o tempo todo lá embaixo, ai quando sobe mermão... Quer mais é zoar!

-Entendi... Aqui é o prêmio né? Por ter uma vida regrada e correta...
-Nada! Isto aqui é castigo. A gente se priva de coisas boas e acaba aqui onde tudo é azul, tudo é tranqüilo, não tem futebol, nem mulher pelada... Não tem cerveja cara! É um absurdo! Pra que ser bom se não tem nada pra se divertir depois de um período de, às vezes, mais de oitenta anos de virtude? Nem uma cervejinha? Isto não é o paraíso... Isto tá mais para Barra Funda.
-Ah, saquei... Fez trocadilho com dois bairros paulistanos né?
-Aê rapaziada... Burro o cara não é... (risos) O que não adianta muito... Tá aqui! (mais risos)
-Mas ai... O cara que me trouxe até aqui era o Cid Moreira. E ele disse que não era a morte... Como é a morte?
-Te lembra ai de algo ruim da tua vida... A pior coisa da tua vida.
-Pô... Sei lá... Falta de grana? O gerente do meu banco me cobrando os empréstimos.
-Ai... Então esta é a cara da morte pra você.
-Hum... E Jesus? Ele aparece aqui?
-Todo ano. Em junho, aparece sim.
-Porque só em junho?
-Ele vem mostrar o que aconteceu... Reclamar que todo ano Deus o faz nascer em Dezembro e morrer por volta de Março ou Abril... Que nem pode ver a copa do mundo, quando tem...
-Sério? E vocês? Dizem o que?
-De proveitoso nada. Mas a gente aperreia ele também, cantando.
-O que? O que vocês cantam?
-“Luiz! Respeita Januário! Luiz... Respeita Januário! Tudo pode ser famoso mais teu pai é mais tinhoso e com ele ninguém vai... Luiz, Luiz... Olha respeita os oito baixos do teu pai.”.
-Hahahaha... Muito bom... Eu quero fazer parte desta turma. Cês são legais...
-Ih cara... Aqui não dá... Cê tem que morrer para entrar aqui. Tem que ter asas.
-Mas eu morri... Eu ouvi o “o boa noite” do Cid Moreira!
-Mas não viu a cara do gerente do banco te cobrando.
-Do gerente? Não vi... Até porque eu sempre pago os empréstimos. E... Ei? Aonde cês vão? Ei? Ei? (eco).

-Acorda... Acorda!
-O que foi? Cadê os anjos sacanas?
-Anjos... Cê tava tendo um pesadelo. Relaxa... Relaxa... Dorme.
-Tá... Tá... (e dorme de novo)

-Boa noite!
-Fátima Bernardes? Cadê o Cid Moreira?
-Ei mané... Cadê teu tridente?
-Uh! (...)

27 de set de 2013

Satanista é o capeta...

Nos anos 70, Ozzy e sua trupe cantavam sobre bruxas negras, paranoias, cornucópias e sem a necessidade de máscaras ou roupas sinistras (apenas com a feiura) assustavam criancinhas e incautos com o seu “satanismo”.
Não sei se foram os pioneiros na temática, mas com certeza são emblemáticos quando se toca no tema.
Hoje são amados até por quem não gosta muito de rock.
Culpem o cinema por isto.

Nos anos 80 o Kiss e sua maquiagem “assustadora” de gatinhos, homens do espaço e afins pisoteavam pintinhos no palco (segundo os detratores) e eram os satânicos da vez.
Tudo isto enquanto o baterista Peter Chriss fazia beicinho para cantarolar Beth, ou então a banda, que realmente era pesada, mandava ver em Hard Luck Woman.



Assustador mesmo era o estrondo do canhão em God of Thunder ou o coro em I Love it loud.
Também caiam na mesma panela Iron Maiden e outras menos cotadas.
Hoje tocam até em rádio católica.

Nos 90 a vez foi cedida a Glen Danzig ou Marilyn Manson.
Tudo satanista...
Marylin ainda fazia o tipo: maquiagem branca e físico esquálido com atitudes idiotas nos palcos.
Tão esquálido e idiota quanto sua música.
Danzig nem isto.
Tocou poucas vezes maquiado e era fortão. Lembrava mais os boiolas típicos de San Francisco.
Engolidos pelo mainstream, tem suas músicas como trilha de seriados bobos americanos.

Depois veio Slipknot, também mascarados e as mesmas ladainhas de satanismo foram ouvidas e lidas.
Agora a vez é do Ghost BC e suas fantasias, seu papa cadavérico.
De novo, a mesma coisa...

Quando é que este pessoal vai entender que por mais que seja estranho - para alguns de péssimo gosto - é tudo entretenimento? Tudo acaba uma hora ou outra no mainstream...
A ignorância é o maior dos demônios, mas tem gente que nunca vai perceber.

26 de set de 2013

Concorrência desleal 2

E continua difícil para sacanear alguma coisa relativa a F1.
Como concorrer?
Veja só...

Diretor executivo da Mercedes, Toto Wolff,  diz que espera confirmar título até 2016.
Não tem aquela cara de ultimato?
-Ou ganha, ou vendo minhas ações e o time que se f...
Sorte ou azar de Ross Brawn que ao que dizem, está balançando no cargo que tem na equipe.
Sorte porque recebe carta branca pra burlar o regulamento. Por outro lado deve ser horrível procurar brecha em regulamento sendo pressionado.

Bernie disse que o domínio de Vettel acaba ano que vem.
Discordo.
O domínio acaba no fim deste campeonato.
Mas no que depender da competência das outras equipes, recomeça no inicio do campeonato do ano que vem...

Hamilton mandou na lata: Mercedes tem potencial para acabar com o domínio do Vettel e eu posso ser o campeão deste ano ainda.
Pode! Claro! Numa situação de total tragédia como a queda do avião do Vettel no oceano, incêndio na fábrica da Red Bull com perda total.
Mas de boa? Alguém verifica o fornecedor do repolho do capeta que o rapaz anda usando.

Já Felipe Massa está curtindo sua nova fase na F1, o aviso prévio.
Disse que está feliz por correr sem pressão.
-Agora posso chegar em quinto, sexto ou sétimo sem ficar dando explicação. – disse.

E eu me matando para tentar criar conteúdo...

25 de set de 2013

Faça a coisa certa

Curioso...
Fernando Alonso é um piloto acima da média e não só na pista.
Não foi uma e nem duas vezes que os rádios das transmissões flagraram o asturiano arguindo sua equipe sobre trechos do regulamento que – provavelmente – seus adversários estavam infringindo.

Uma das vezes que mais me surpreendeu foi quando o espanhol marrento reclamou no rádio da equipe que a distância de Vettel para o safety car em uma relargada do GP da Hungria de 2010 era superior a dez carros.
Se foi responsabilidade ou não dele o drive throug do piloto da Red Bull é discutível, mas que ele citou uma parte do regulamento que – aposto – pouca gente sabia, citou.

No mesmo ano só que em Valência dedurou Lewis Hamilton por ter ultrapassado o safety car sem ter sido autorizado.
Novamente, citou o regulamento.

Ainda no mesmo ano, o espanhol xiliquento e dedo duro tomou um passão humilhante de Michael Schumacher na ultima curva da ultima volta do GP de Mônaco que se encaminhava para a bandeirada.
Como a regra não permite que a bandeirada seja dada com o carro de segurança na pista, o mesmo foi para os boxes na ultima passagem, os carros deveriam seguir na ordem em que estavam para finalizar a prova e Schumacher, que na escola de safadeza que Alonso estudou foi mestre, aproveitou o vacilo do espanhol para assumir sua posição.

Tudo flagrado pelas câmeras da transmissão que, claro, não perderiam a ultima volta da corrida, porém, o berreiro de Alonso ao rádio foi tão grande que deu a impressão de que foi ele quem dedurou.
Durante a choradeira, o chorão mor novamente citou o regulamento.

Ai vem a pergunta: Se sabe tanto assim do regulamento, por que catzo o imbecil parou o carro para dar carona ao outro tonto no GP de Singapura deste ano?
Afinal, está lá – bem claro – que é proibida a carona.

E depois ainda ficam postando em rede social brincadeirinhas ironizando suas punições.
Só ignoraram que além de por em risco sua própria vida, que vale muito pouco mesmo, ainda colocaram dos outros pilotos.
Mas enfim... O que esperar de um aposentado e de um imbecil?

24 de set de 2013

Lado B do GP: Os rádios na noite da cidade estado

Os grandes lados B desta corrida foram sem dúvida os rádios das equipes durante a prova.
Claro, mudados ao bel prazer da cabeça do escriba.
Este é o engenheiro do Hulkemberg
Nico Hulkenberg foi avisado que deveria devolver a posição para Perez.
“-What?” – mandou o piloto.
Endenda-se: -Por quê? Pqp! VTNC. VSF... FIA do car#@!

O engenheiro do Hamilton perguntou umas três vezes se ele tinha bebido água.
Engenheiro: -Tá com sede?
Lewis: -Tô.
Engenheiro: -Bebeu água?
Lewis: -Não.
Engenheiro: -Água, água, água mineral... Água mineral...

Kimi também foi um show a parte.
Correu com dores nas costas, o que explica o baixo rendimento.
Ai parou nos boxes para trocar o emplastro sabiá.
Se caísse uma chuva forte, ao invés de pegar um magnun e uma coca cola, deitaria na maca e pediria uma massagista escandinava peituda.
Engenheiro do Kimi: Cara, você tomou o dorflex?
Kimi: Sim, tomei... Com vodca.

Daniel Ricciardo mostrou que é da escola australiana de pilotagem.
Nem bem assinou com a Red Bull e já pegou a mania do Webber de tentar ferrar com a corrida do Vettel.
Bateu e chamou o safety car para a pista quando o alemãozinho já estava quase chegando na Coréia...
Por sorte, Vettel é vacinado contra pragas australianas.

Rádio do Webber: -Você tem problemas.
Webber: -Sim, de câmbio.
Rádio: Não perguntei, eu afirmei, e não é de câmbio, é de profissão, já pensou em ser bancário?

22 de set de 2013

F1 2013 - Singapura: O mundo é teu Sebastião

O espetáculo do GP de Singapura geralmente não está na pista, fato.
Mas nas luzes da cidade, no espetáculo noturno.
As corridas geralmente monótonas.
Monotonia quebrada vez por outra por acidentes – forjados ou não – que trazem os carros de segurança à pista e embolam tudo, já que na maioria das corridas lá, o melhor carro sai na frente e – se não disparam – nunca são incomodados.

E não foi muito diferente este ano.
Vettel fez a pole, a melhor volta, liderou todas as sessenta e uma voltas da prova e (claro) venceu.

Então a corrida foi uma procissão?
Não.
Teve boas brigas, grandes ultrapassagens, uma largada fantástica do Alonso.
Também teve um Kimi Raikkonen com dores nas costas e tudo, largando de décimo terceiro para chegar ao pódio no final.
Acidentes - ainda que com dois pilotos meia boca - e pela primeira vez no ano, um ato de coragem dos comissários da FIA que, ainda bem, não atrapalharam o belo fim de prova mandando o safety car à pista após a Force Índia do Paul Di Resta passar reto em uma curva.

Teve também a ratificação da ideia de que Button é um piloto vaga lume.
Piscou na noite da cidade estado aparecendo, sabe-se lá como, na terceira posição.
Aliás, sabe-se sim, com a sua manjada manobra de poupar pneus e atrasar parada de boxes.
Porém, como não choveu, o obvio aconteceu: virou corre mão e todos passaram por ele.
Terminou em sétimo.

Felipe Massa mostrou honestidade e não ajudou Fernando Alonso.
Chegou em sua posição cativa: sexto lugar.•.
A parte ruim desta prova vai acontecer a partir do seu final.
Um monte de gente falando que Vettel é apenas o carro do Newey, que piloto é só Alonso que dirige a “carroça” da Ferrari ou Kimi com o carro dos fanfarrões da Lotus que mesmo com dor nas costas ganha dez posições numa corrida.
Sinto muito rapazes, mas carros não se guiam sozinhos.
Vettel não encolhe as pernas para não pisar nos pedais e nem tira as mãos do volante durante a corrida.
Bons pilotos ganham com ótimos carros, pilotos excepcionais levam os ótimos carros muito além do que podem fazer.
E haters, bem... haters gonna hate.

20 de set de 2013

Claramente mal intencionado...

O repórter da Rolling Stone perguntou a James Hetfield sobre como tinha sido tocar com a orquestra sinfônica de San Francisco.
-Foi tranquilo... Eles são grandes músicos.
Então insistiu: “-Mas vocês fizeram os caras tocar rock...”.
-Não, não... Nós tocamos rock, eles tocaram partes sinfônicas.
-Vocês não ficaram impressionados com a qualidade, a técnica, o virtuosismo dos caras? – provocou o escriba.
-Não, mas eles ficaram com a gente, disseram que nunca conseguiriam tocar músicas com tantas partes sem ler a partitura...
-Então foi tenso? – quis saber.
-Mais tenso foi tocar em alguns países da Ásia... Vinham listas com coisas que não podíamos fazer tipo: não falar palavrão, tocar sem camisa e nem cuspir...
-E acataram?
-Claro... Tocamos sem camisa, falamos um monte de palavrões e cuspimos feito doidos.

19 de set de 2013

Palavreado

Ando com problemas com a língua portuguesa.
Não toda, mas algumas palavras.
Nada que tire o sono, mas aparece toda vez que me sento para começar a compor um texto.
A ideia vem e geralmente formato o texto na cabeça antes de passar para o computador, só que algumas palavras travam e começo a rir.
Geralmente jogo o texto fora.

Outro dia estava de boa escrevendo e me deparei na frase com a palavra: “afrodisíaco”.
Ok, eu sei que é substância capaz de despertar ou estimular apetite sexual e tal, mas... Porra!
Afrodisíaco tá uma bruta impressão de querer dizer: cidadão africano excitado.
Não me julgue e não me chame de burro, mas observe a palavra.
Afro Disíaco...  Sei lá.
Agora, de boa... Sendo um cidadão usando substância que estimula ou desperta o apetite sexual, e sendo afro...
É bom não ficar de costas.

Outra que me fez parar a frase e repensar o texto foi: “enfezado”.
Caraca! Um cara enfezado?
Jogaram fezes no cara? Por quê?

“Coitado”, esta foi de doer...
Chamaram um sujeito de coitado em algum lugar e eu fui fazer um texto sobre o assunto... Não prestou.
Logo me veio à cabeça o cara sendo realmente coitado. No sentido bíblico da coisa...
E um coito com o Afro Disiaco, ai não tem jeito, o cara iria acabar mesmo ficando todo enfezado.
Melhor voltar aos textos de F1 mesmo

18 de set de 2013

Concorrência desleal

Estava procurando alguma noticia, alguma nota ou boato da F1 para fazer uma crônica nova.
Pensava em escrever algo com um tom irônico, engraçado.
Dar uma sacaneada em algo...  Em vão.
Não porque não houvesse material, era até abundante, mas... Já vinham ironizados e sacaneados.
Concorrência desleal, eu diria.

O que se pode escrever, por exemplo, uma chamada assim: Vettel elogia Webber e diz que: “sentirá falta disso”.
Poxa... O Vettel já sacaneou.
Vai sentir falta do Webber ou de sacanear o Webber?

E esta?
Button diz que renovação é questão de tempo e que McLaren sentiria falta dele.
Pausa para grandes risadas.
Ok... A renovação pode até estar próxima, ou nem sair. Tanto faz...
Mas a McLaren sentir falta? Tá de brincadeira ele né?
Se não sentiu falta nem do Senna quando este foi para a Williams, vai sentir falta do piloto pisca-pisca?
E na boa? Se ninguém liga para o Button, que dirá sentir sua falta.
Aliás... Só por curiosidade: ele esta no campeonato este ano?

Duas do Luca Di Montezemolo, o capi di tuti capi da Casa Mafiosa.
Primeira: disse que vê Raikkonen como Lauda.
Diz o homem que Kimi também passou um tempo fora da F1 e voltou competitivo.
Claro, claro... Voltou sendo campeão mundial, não? E sem orelhas também.
Depois falou que Massa deverá sim ajudar Alonso até o fim do ano fazendo o seu melhor.
Se chegar em quinto, sexto lugar for ajuda, vai mesmo.

Mas a coisa estava ruim também fora da F1.

Primeiro foi a bombástica noticia que o desbloqueio por impressão digital do novo telefone caro pra caramba da Apple não funciona com dedo amputado.
Logo, pode jogar fora estes dedos que você leva no bolso... Não tem utilidade.

E então? Me diz: como posso concorrer com isto?

17 de set de 2013

Desculpas? Quem?

O ar pesado na sala era quase palpável.
O mobiliário lúgubre fazia do ambiente, embora amplo, claustrofóbico.
A presença daqueles homens vestidos de terno preto e óculos escuros atrás da caldeira com espaldar alto, provavelmente do século XIX, cumpria fielmente seu papel: amedrontar.
Os quadros eram o que menos metiam medo, porem, havia um só rosto retratado em meio a centenas de pinturas com carros vermelhos.
Mas aquele único quadro tinha olhos penetrantes, como se vivos fossem: Il Comendatore.

Mas ele viera até ali com o firme propósito de exigir que lhe pedissem desculpas.
Sentado em um banco de simplicidade espartana (nem apoio para os braços tinha), já estava ali há boas duas horas desconfortavelmente observado pelos homens de terno.
Vez por outra procurava – discretamente – com os olhos algum volume suspeito sob os paletós.

Então, as portas da sala se abrem e um sujeito bem vestido, perfumado e com ar levemente aparvalhado entra por ela.
Ele senta-se à cadeira guardada pelos homens de terno e mira por longos minutos o homem sentado no banquinho.
Então começa a falar.

-Então você vem até a minha casa me pedir um favor?
-Não eu vim... Começa ele a falar, mas é interrompido pelo olhar ríspido dos homens de termo.
-Vem até aqui, não me traz um presente... E quer me pedir um favor? Não é uma ideia inteligente... Lembra-se de Guido?

O homem no banco se move para falar algo e novamente se cala ante os olhares.

-Guido era um bom homem. Pai de família... Mas não apertou um parafuso devidamente. A roda escapou e nosso bambino foi prejudicado. Logo após veio me pedir um favor... Guido não está mais entre nós... E Piero? Lembra-se de Piero? Torcedor do Napoli, homem orgulhoso, mas ousou me pedir um favor após apertar um botão que apagava umas luzinhas em um pirulito eletrônico. Liberou o carro antes da hora no pit e outro bambino nosso saiu levando uma mangueira em seu carro... Piero não está mais entre nós... Mas aposto que se lembra de Gilardino. Ah! O velho Gilardino... Estava conosco desde o tempo do Comendatore... (e todos olham para o quadro que parece sorrir ao ouvir-se citado) Seu único defeito era ser esquecido... Correu para um pitstop sem um dos pneus e deixou outro bambino nosso com apenas três rodas... Na semana seguinte veio me pedir um favor também e, curiosamente, não está mais entre nós...

O silêncio não era cortado nem pelas respirações.

-Mas o que você veio me pedir mesmo?

-Desculpas... EU vim pedir desculpas por ter recebido o dinheiro do contrato que o senhor tão generosamente quebrou alguns anos atrás. Desculpa. E se quiser quebrar de novo, juro que não vou receber um só centavo... Juro.

16 de set de 2013

Dois assuntos legais do fim de semana (que começar só com lixo não dá)

Em entrevista dada à Galvão Bueno, Felipe Massa disse estar confiante em encontrar um lugar em uma equipe competitiva.
Falou em Lotus e suas conversas adiantadas, mas o falastrão mor entregou que também há conversas com a McLata.
Ok...  Até ai tudo bem.
Na Lotus, claro, na vaga deixada por Kimi Raikkonen, nenhuma surpresa, mas e no time de Woking?
No Lugar de Perez, que ainda não teve o contrato renovado e vem sido criticado?
Por que não?
Ou no lugar de Button que anda reclamão, rabugento e apagado?

Se sair Sérgio Perez a Maclata perde por um lado e ganha por outro.
Massa não tem o histórico de burradas do mexicano, mas também não tem a juventude.
Perez ainda pode – embora seja difícil – evoluir.

Já no caso da saída de Button não haveria desvantagem nenhuma.
Afinal, chove em poucas corridas durante o ano.

Perguntado se vai ou não ajudar Alonso nas últimas corridas do ano, Felipe foi categórico em dizer não.
Tá certo.
No momento tem mais é que SE ajudar.
Mas para minha decepção, também não vai atrapalhar o asturiano marrento... A Ferrari vai deixar o carro dele tão potente e atualizado quanto um Fiat Mille.
Esta massa é pelo fim de semana. Comida oficial do domingo. Não sou tão óbvio...

Mudando de assunto.
O primeiro fim de semana do Rock in Rio trouxe duas constatações bacanas.
O rock teve lugar sim.
Autoramas, Mark Ramone e o Offspring trouxeram as guitarras, o bom humor, o peso, a contestação e a critica para o palco. Ainda que o Sunset.
E cabe a reflexão: Aqueles caras que fizeram roda de pogo e pularam uns nas costas dos outros, cantaram juntos e tudo o mais, são os mesmos que se encontram nos estádios de futebol e saem na porrada só de se olharem. Vai entender...
Por isto eu sempre digo: mais rock, menos futebol.

Ah... Eu não tenho nada contra a presença de tipos com a Berenice no palco Mundo do evento.
Pelo contrário. É a presença deste tipo de artista que atrai gente, vende ingresso e proporciona a chance de termos coisas muito boas como Mark Ramone, Sepultura, Autoramas, Living Colour, Rob Zombie... Que por mais legais que sejam – e são muito – não rendem a grana que a organização espera.
Mas na boa? A Berenice não passa de uma versão americana da Anita.
Ou seria o contrário?
Tanto faz... É tudo ruim.

13 de set de 2013

Rock in Rio, eu gosto (não de tudo, claro...)

Hoje começa o Rock In Rio e muita gente vai falar: “E daí?”.
Eu curto.
Sem ressalvas.
Ainda que as últimas edições tenham sido muito criticadas principalmente pelas escalações, que no fundo é o que interessa.
Sempre no sentido que não são bem de rock.
Também adoraria um festival só com bandas de metal, indie, punk... Mas festivais da magnitude destes não podem se dar ao luxo de segmentar em um estilo único.
Ruim?
Para quem é radical sim, claro, mas para quem curte uma festa – das boas – não.

As criticas geralmente são baseadas na primeira edição e vem quase sempre acompanhada da frase (com voz esganiçada): “Aquele foi com rock mesmo!”.
Será?
Claro, teve Queen, Iron, Yes, Ac/Dc, Scorpions e outros nomes.
O rock era a música da moda na época.
Mas nem tudo tinha qualidade...  Go go´s, Nina Hagen, B52´s além de serem ruins para caramba ao vivo, tinham um repertório totalmente pop. Ainda que o pop dá época fosse algo bem parecido com o rock. Coisas do mercado musical.

Também criticam a grade nacional do festival. E pelo mesmo motivo.
Ok, até entendo que Claudia Leite, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown são um pé no saco.
Mas não diferem em nada no fato de não serem rock do povo que tocou na primeira edição.
Em que pese que Moraes Moreira e Alceu Valença tenham um pé no estilo (ouvir obrigatoriamente Novos Baianos e o disco Vivo de Alceu Valença).
Mas e Elba Ramalho, Ivan Lins e Eduardo Dusek?

Claro, a cena rock no Brasil estava nascendo e ainda assim levou ao palco nomes - hoje icônicos - como Barão e Paralamas.
Depois do festival foi o grande boom e se outra edição fosse feita um ou dois anos depois provavelmente teríamos todos os grandes nomes no palco (Titãs, Legião, Engenheiros, Barão, Paralamas...).
Hoje não tem nada e nem há uma cena rock forte que justifique a presença obrigatória na grade do festival.
Que me desculpem os fãs, mas tirando alguns discos o Skank não é bem uma banda de rock.
J Quest então nem isto...
Já o Capital Inicial, bem... É uma merda.

Para esta edição vou pular muito com o Metallica, Bruce Springsteen, Sepultura e claro, Iron Maiden.
O que não gosto, nem ouço. Ignoro totalmente...
Se não ouço fora do festival, vou ouvir dentro por quê?
Deixa para quem gosta e vida que segue.
Que venham mais Rock in Rio, todos os anos se possível.

12 de set de 2013

Que Kimi é teu?

A volta de Kimi Raikkonen para o time que o mandou embora em 2009 pode ter várias leituras:
Uma forma de pressionar Alonso a trabalhar sem abrir a boca desastradamente.
A vontade de ter dois pilotos de primeira linha.
O marketing (desnecessário para o time) de ter dois campeões mundiais juntos.
A reparação de uma cagada histórica ao dispensar Kimi em 2009.
A parte financeira extremamente vantajosa.
Claro, em todas elas a parte financeira pesou, porém – particularmente – não creio que tenha sido o fator preponderante.

De todas as leituras a que menos parece ter algum fundo é a da reparação da Ferrari.
O mafioso mor Luca di Montezemolo já declarou para quem quisesse ler, mas principalmente para Fernando Alonso, que o que importa é a Ferrari, logo...

Mas qual vai ser o Kimi que vai guiar pela casa mafiosa ano que vem?
Aquele arrojado, veloz e ambicioso que pilotou para a Mclata?
O Kimi que pilotou pela própria Ferrari e em seus últimos dois anos era apático e burocrático.
Ou ainda este fanfarrão que faz o que quer do jeito que quer na Lotus?
Alguém imagina Kimi falando no rádio para o engenheiro ou chefe de equipe mafiosa para deixá-lo em paz já que ele sabe o que faz?

Há quem ache que o ambiente vai azedar.
Que Alonso não sabe lidar com companheiro de equipe que o incomode ou que possa
pilotar no mesmo nível dele. Provavelmente tendo em mente a passagem pela McLaren.
Que em caso de Raikkonen pular na frente em uma briga interna, Alonso comece com suas declarações infelizes.

Mas e se fosse Alonso a pular na frente?
Como reagiria o finlandês bebedor? Iria voltar a ser o Kimi que teve o contrato quebrado?

Óbvio que não falta quem aposte no sucesso da dupla. Não é impossível, claro.
Porém, eu adoraria ver o que ocorreria numa situação do tipo “faster than you”, fosse qual fosse o piloto que estivesse na frente.
Seria, no mínimo, muito engraçado.

11 de set de 2013

Seconds out! Felipe Massa fora da Ferrari (e por enquanto o Brasil fora da F1)

Então Felipe Massa anunciou que está fora da Ferrari para 2014.
Da Ferrari e – por enquanto – da própria F1.
Disse em seu twiter que vai com tudo para as ultimas corridas e que vai buscar até o fim um carro competitivo para (palavras dele): “-Brigar por mais vitórias e um título que é meu sonho.”.
Detectou?
Não?
Algo que pode comparado ao umbenismo?
Eu diria que não... Não prometeu nada em sua fala.
1B só tem um e uma cópia daquilo lá seria muito, mas muito cruel com a gente.
Para onde poderia ir Felipe Massa?
Para Lotus? Talvez...
Para brigar por vitórias como disse, seria a única chance e ainda assim, não seria nada fácil.

Cenário ideal?
Ross Brawn toma um pé na bunda da Mercedes.
Compra um time que esteja caindo pelas tabelas, na falta de um para fazer o tal management buyout.
Descola uns motores top de linha, e já que não pode ser Mercedes, que sejam uns Renault, Audi, VW sei lá... Qualquer um.
Então atrasa um tempo considerável para apresentar o carro e faz chover piadas na comunidade automobilística do tipo: “A equipe vai se chamar Turtle Racing”.
Convida Felipe Massa para um dos postos e o Webber para o outro.
Surpreende o mundo com um carro vencedor, ainda que suspeito.
Como o Webber é o 1B australiano por excelência, dando tudo certo, Massa ganha algumas corridas a mais, o tão sonhado título e quando Brawn, que é um tipo de especulador imobiliário na F1 vender a equipe para a fornecedora de motores, ele cava um lugar em outro time que use os mesmos motores e consegue ficar mais um tempo na categoria.
O triste com este cenário é que além de umbenizar, o rapaz ainda vai ficar buttonizado.
Ai vai aparecer um maluco qualquer e dizer: “-Porra! Ninguém liga pro Massa...”.

Agora, enquanto o automobilismo for visto pelas entidades que o regem e gerem aqui no Brasil da forma que é, vamos ficar sem representantes na categoria máxima por muito tempo.
Não temos base, nem categorias escola, muito menos campeonatos de peso fora a – exaurida – stock car.
Os que chegarem até lá, vão chegar pelo caminho da grana, que nunca vai render um lugar num carro vencedor.
E pior! Capaz de cavar um lugar em uma destas cadeiras elétricas que não serve nem para mostrar serviço, apenas para se queimar mais feio do que o Niki Lauda.

Para terminar, um último desejo em relação ao Felipe Massa.
Que ele aproveite as últimas corridas pela Ferrari e jogue o Alonso para fora das pistas tantas quantas vezes for possível.
Nem que seja quando o espanhol estiver lhe aplicando mais uma volta de vantagem...

Nas fotos, Vips comentam.

10 de set de 2013

Lado B do GP: Monza para calar maledicentes

Monza não deu muitos lados B, mas deu ao menos um grande lado L.
L de lixo.
Mark Webber está indo embora da F1 e já vai tarde.
Não ofereceu resistência a Alonso quando este veio para ultrapassar e sonhar em pressionar Vettel.
Depois não pressionou em nada para tirar a posição do asturiano.
E não importa se estava ou não com problemas no câmbio.
Com kers e DRS na reta de Monza, ultrapassar era mais fácil do que segurar o carro para não encostar no da frente.
E ainda há quem diga que ele foi sacaneado na equipe durante muito tempo. Vai vendo.
Helmut Marko sempre esteve coberto de razão enquanto quis limar este tipo da equipe.
Como disse: já vai tarde.


Agora sério.
A birra de muita gente com Vettel já é o lado B do ano.
Argumentos do tipo: (com voz esganiçada) “Só ganha porque o carro é do Newey” – ou – “A Red Bull comprou o campeonato, a prova é que ganhou uma corrida na Áustria ano que vem”.
Ou ainda: “-Mudaram as regras no meio do campeonato pra favorecer a Red Bull” são ridículas, estapafúrdias, burras mesmo.
É a última vez que vou tocar neste assunto.
Primeiro: Newey não pilota.
Não adiantaria ele fazer um carro perfeito se o principal piloto da equipe fosse Mark Webber, só para ficar em casa.
O carro também não anda sozinho. Pode por ele na reta de largada de Monza e ficar esperando.
Ele não vai sair do lugar, pode ter certeza.
Segundo: a Red Bull pode até lavar dinheiro com os esportes que patrocina. E são muitos! Também não acredito que todo este investimento possa ser retirado apenas da venda das latinhas de xixi com açúcar. Mas daí a dizer que eles compraram o campeonato e uma etapa só pra si é muita, mas muita, mas muita birra.
Terceiro: mudaram as regras?
Por acaso tem algo no regulamento que proíba a Ferrari, a Maclata, a Lotus ou a Mercedes de usar pneu?
Então quando o pneu durava seis voltas e não favorecia o carro mais rápido estava tudo bem? Ai quando a fabricante dos pneus capítula e assume ter feito um trabalho ridículo, conserta a cagada e a verdade aparece está errado?
Parabéns, sua visão sobre corridas é realmente uma maravilha.
Então, se você é do tipo que prefere um resultado artificial a ver o melhor piloto ganhando com o melhor carro fica a dica: vá ver Nascar. Aquilo é o WWE do automobilismo.

Mais uma coisa...
Onde terminou Kimi e a Lotus mesmo?
Kimi é um cara legal, dá respostas legais, pilota de forma legal, mas é só.
Quanto a Lotus: também é legalzinha e divertida, porém... Mais duas temporadas no máximo e devolvem o nome para a história. De onde não deviam ter tirado.

8 de set de 2013

F1 2013 - Itália: Monza é para quem corre. Quer poupar? Procure um banco

Todos sabem, porém nunca é demais lembrar: o DNA da F1 – talvez de todo o automobilismo – está contido em uma corrida em Monza.
Pé no fundo em setenta por cento da volta, o que demanda técnica ousadia, ousadia e coragem. E tudo isto disputando posição, tentando ultrapassar andando em média a 234 km/h.

Tento tudo isto em vista, nada mais normal, lógico e justo que vença o melhor piloto a bordo do melhor carro.
E que ninguém venha dizer que foi só o carro. Este argumento já está devidamente sepultado. Creditar as performances de Vettel apenas ao fato dele guiar um carro de Adrian Newey é assinar atestado de caturrice, de ranhetice e – por que não dizer – de burrice.
Simples assim.

Vettel largou na frente, foi na frente até a primeira – e única – parada, deixou Alonso ter o gostinho de liderar por algum tempo e retomou a ponta enfiando dez segundos no espanhol.

Atrás do chato ferrarista veio o Canguru que deve ter um pôster do Alonso pelado no quarto. Nunca vi abrir passagem tão fácil sem ser companheiro de equipe.
E quando era hora de pressionar, ficou reverentemente atrás, escoltando.
Vai tarde este mequetrefe, vai tarde.

E para aqueles que acreditam na xaropada de que a Ferrari espera um grande resultado de Massa para renovar, ai está: ajudou Alonso a não ficar mais para trás do que já está e ainda marcou pontos.
Como se o time que o acolhe há tantos anos não soubesse se ele é ou não capaz de fazer o que fez hoje.
Tem que ter paciência para aguentar a gato-mestrice deste povo todo viu...

Pode não ter sido um GP dos sonhos, cheio de ultrapassagens, acidentes espetaculares, mas foi o GP mais honesto da temporada.
Ganhou quem correu, acelerou de verdade.
Se você é daqueles que prefere ver gente poupando equipamento ao invés de acelerando um conselho: estude economia e tente ser ministro da fazenda ou presidente do banco central. Ai você faz medidas valorizando a poupança e – por favor – deixe as corridas para quem gosta de ver aceleração.

Que pena que só tem uma etapa em Monza por ano. Que pena!

5 de set de 2013

Contos do Le Sanatéur - A valise suspeita

Na Rua 45 a excitação era palpável.
Nenhuma outra vez na história do periódico foram chamados até a sede da prefeitura.
Corria a boca pequena que o jornal era de oposição. Não interessava a quem.
Marcel L´Onça era adepto do dístico espanhol: “-Hay gobierno? Soy contra!”.
Talvez por isto nunca tenha lucrado vendendo espaço para campanhas políticas.

-Ron, Coyote, vocês dois vão até o palácio La Moeda e vão cobrir as agitações lá, diz que o prefeito recebeu uma ameaça. – conta o chefe.
-E só a melhor dupla que tem é capaz de cobrir né? – vangloria-se Coyote.
-Não...
-Não? – espantam-se os dois.
-Claro que não... Vão vocês porque é tudo que tenho aqui.

Os dois saem da redação no velho Studebacker em direção ao palácio de La Moeda.
Coyote limpa as lentes de sua Leica enquanto Ron dirige o carro de forma tensa.
-Você precisa superar isto.
-Tá falando do que?
-Deste trauma de dirigir. Não vai acontecer de novo.
-Pode acontecer sim. Atropelar uma pessoa é sempre possível.
-Quando digo que não vai acontecer, é porque a pessoa que você atropelou fugiu da cidade. Disse que não pode viver no mesmo lugar onde um louco como você tem carteira de habilitação.
-Se ferrou ela...
-Por quê?
-Não tenho habilitação.

Desembarcam em frente ao palácio e Ron joga a chave para um segurança que estava à porta.
O rapaz olha o velho Studebacker e entende exatamente o que fazer: chama o guincho e pede que recolham a lata velha.

Embarcam no velho elevador do prédio. Não há ascensorista.
Descem no décimo segundo andar. A confusão é grande.
Num canto está o prefeito. Ele está apavorado.
No outro, agentes da policia. A cidade não tinha pessoal antibomba. Nunca se soube de uma bomba por lá.
Ron tira umas palavras do prefeito.
-Tem inimigos?
-Todo político bem sucedido tem.
-Disse bem... Políticos bem sucedidos. Mas o que houve de verdade?
-Hoje quando cheguei, havia uma valise preta. Achei que eram documentos e tentei abrir, mas não consegui. Então dei uma chacoalhada e senti um volume se deslocando com um som pesado, grave... e finalmente ouvi um tique taque.
-Interessante... Quem acha que te mandaria uma bomba?
Ao ouvir a palavra bomba um silêncio sepulcral toma conta da sala. Até ali ninguém ousara sequer pensar na possibilidade.
Coyote que fotografava tudo em volta sentiu também o peso da situação.

Os agentes da policia que seguravam a valise a soltam e se afastam rapidamente.
Um deles realmente chegou a correr.
A secretária do prefeito desmaia e Coyote corre para ampará-la. Afinal, era boazuda.
O próprio prefeito dá três passos em direção à porta, mas esbarra em Ron que sorri.
-Tá com medo?
-Você não?
-Perguntei primeiro.
-Se eu disser a verdade você também diz?
-Digo.
-Tô sim.
-Bundão...

Ron vai até a valise e chama Coyote.
-Segura aqui que vou abrir.
-Tá...
Com um canivete suíço comprado de um contrabandista boliviano a tranca finalmente cede.
Os agentes da policia ao verem a valise aberta correm como loucos para o elevador.
A secretária tem outro desmaio. Desta vez Coyote não a ampara. Apenas contém o próprio riso. Ron também ri.

O prefeito se aproxima da valise e observa o conteúdo.
-Mas que raio é isto? – pergunta.
-Um relógio... Um despertador, para ser mais exato. – gargalha Coyote.
-Ao lado do relógio.
-Me parece um... Um... – e Ron não consegue dizer
-Mas... É um troço! É um cocô!  - espanta-se o mandatário.
-Pelo tamanho eu diria que é um cagalhão! Um enorme cagalhão! – e Ron gargalha mais.

No dia seguinte o Le Sanateur exibe fotos de toda situação avisa na manchete: Não leiam à mesa do café.
Nas ruas o burburinho era de que o povo entendera o lembrete de que a administração a toda hora só faz merda...

Mais uma parceria com Anselmo Coiote, o fotografo das estrelas.

4 de set de 2013

A banda do meio do mato

Critica musical é uma coisa bacana.
Geralmente os críticos são um grupo bem intencionado e nenhum pouco frustrado com suas carreiras.
Sobre o Led Zeppellin e seu primeiro disco, o New Musical Express mandou na lata: “bombástico, vazio, pretensioso e arrogante. Nunca emplacará.”.
Não é necessário dizer quem sifú neste caso.

O Queen foi eternamente perseguido pelos especializados tanto do NME, quanto dos outros tabloides.
“Bravata do Led Zeppelin, que já era ruim” - sobre o primeiro disco.
“De imitadores de Led Zeppelin a imitadores de opera.” – sobre o quarto disco.
 “Eram pretensiosos e arrogantes, agora tocam música de baile” - sobre o sexto disco.
“Ouvir este disco é como receber um balde de urina” – sobre o nono disco.
Só foram receber criticas mais “simpáticas” após a morte de Mercury.
A atitude da banda em razão das criticas foram anos de silêncio com a imprensa britânica especializada e – também – algum bom humor como reproduzir na contracapa de A Day At the Races uma frase do Times sobre o single Tie Your Mother Down: “Sheer Bloody Poetry”, algo como “pura poesia da moléstia”.

Aqui no Brasil também...
Principalmente nos cadernos “culturais” dos jornalões.
Pedra Letícia, uma banda vinda de Goiás recebeu de O Globo a seguinte critica: “Mais uns caras ai que vem do meio do mato querer fazer rock.”.
Fabiano Cambota, cantor e principal compositor, óbvio, detestou a critica e – segundo o próprio – desejou que o cara se fodesse de verde, amarelo e azul.
Mas curtiu o lance da “banda do meio do mato”, e quase nos mesmos moldes do Queen (guardadas as devidas proporções, claro) criou em cima da critica e mandou uma canção bacana.
Segundo os caras, a letra é o que é mesmo, sem nenhuma mensagem oculta e nem suscetível a interpretações mirabolantes.
E para o critico? 
O dedo pai de todos em riste.

3 de set de 2013

Nada de novo debaixo do sol

A arrumação dos armários vai começando a se estabelecer.
Cuecas na gaveta de cuecas, meias na de meias e por ai vai.
Sem alarde e – pelo menos para mim – sem surpresa nenhuma a Red Bull anunciou que Daniel Ricciardo vai pilotar pelo time A da empresa.

Sai fortalecido disto tudo - além do próprio Ricciardo - Helmut Marko, que sempre quis que o piloto que substituísse o Canguru Que Dirige viesse do programa de jovens talentos.
Uma vitória sobre Christian Horner que adoraria colocar no outro carro da Red Bull um piloto de renome.
Sem acusar o golpe, Horner disse que este era o caminho mais lógico.
Sifu.

Restou apenas uma dúvida: teria a Red Bull desistido de encontrar entre os pilotos que passam pelo time B um novo Vettel?
Na boa? Promover Ricciardo é o mesmo que dizer: já que não aparece nada que preste, vai este ai mesmo.
Se bem que o outro nome era o Vergne e ai, bom...
Dos males, o australiano.

Agora falta a definição da cadeira hoje ocupada por Felipe Massa.
Claro, ninguém pode dizer que ele vá ficar ou sair com cem por cento de certeza, afinal a casa Mafiosa de Maranello já mandou embora Prost (campeão mundial por duas equipes diferentes) e Kimi (campeão pela própria Ferrari), porque não iria deixar de renovar o contrato de Felipe Massa?
Mas veja bem: não renovar não é mandar embora. Não é demitir.
Faz toda a diferença.

Aposta da casa?
Kimi fica na Lotus.
Massa na Ferrari junto com Alonso e nada mais acontece.

2 de set de 2013

Estudos apontam que: pesquisadores apontam o que lhes convém

Estudos feitos por pesquisadoras gordinhas apontam que: gordinhas são o ideal secreto de todos os homens.

Estudos feitos por pesquisadores gordos apontam que: gordos são melhores na cama, são mais felizes e nunca criam problemas sociais.
Um parêntese: verdade. Você nunca viu um gordo serial killer. O gordo só fica lá da dele. Comendo sem encher o saco de ninguém.

Estudos feitos por pesquisadores que são irmãos mais velhos apontam que: irmãos mais velhos são mais bonitos.
Tendo a concordar. Não tenho irmãos.

Estudos feitos por pesquisadores que são irmãos mais novos dizem que estes são mais inteligentes.
Concordaria pelo mesmo motivo explicado acima, porém fico pensando o quanto de inteligência e o quanto de velocidade é necessário dosar para se ganhar a corrida em direção ao óvulo.
Se o outro chegou à frente... Deixa para lá.

Estudos feitos por pesquisadores diabéticos apontam o açúcar como veneno letal.
Já nos estudos feitos por pesquisadores hipertensos o veneno é o sal.

Pesquisas encomendadas por vinicultores dizem que o vinho é benéfico para o coração.

Pesquisas encomendadas por cervejeiros mostram que a cerveja, além de benéfica para a saúde do sistema urinário, é capaz de produzir serotonina, o neurotransmissor da alegria.

Pesquisas encomendadas por produtores de carne apontam que o consumo de churrasco aumenta a felicidade.
Já os pesquisadores vegetarianos dizem que a mesma coisa causa câncer no colón, seja lá onde fique isto.

Estudos feitos por pesquisadores religiosos apontam a existência de Deus.
Por ateus apontam o nada.

Cientistas dizem que o universo é cíclico.
Rafael Schelb queria que ele fosse randômico ou que existissem vários deles. Todos paralelos e com a possibilidade de em algum deles a gente fosse um sucesso.

Estudos feitos por minha esposa dizem que eu não tinha o que escrever quando montei este texto.
Já estudos feitos por pesquisadores roqueiros dizem que roqueiros e metaleiros são mais inteligentes.
Não há controvérsias neste ponto.