31 de out de 2013

Galo

No carro, pela manhã
-Pô cara, eu tô criando um galo...
-Galo? Em apartamento?
-É... Que é que tem? O bicho é legal.
-Legal?
-É... Nem late... – e sorri.
-Cê tá brincando, né? – preocupado.
O dono do galo não responde...

Mais tarde.
-Cara, o Julio disse que você cria um galo no apê... É verdade?
-É sim... Um carijó.
-É daqueles grandes?
-Não, não... Carijó é pequeno.
-Canta?
-Não sei... Ele fica lá andando pela sala, olhando a estante.
-Olhando para a estante?
-É... Acho que quando eu não tô olhando ele até dá uma folheada em algum livro... Sabe como é, pode ser que não cante, mas provavelmente compõe...

Durante o almoço.
-Ô Jurandir! Que história é esta de galo?
-O azeite?
-Não Jurandir... O que você tá criando no seu apartamento.
-Ah... O Aristeu.
-Aristeu?
-É... O nome do carijó é Aristeu.
-Ah... E ele vem quando você chama?
-Não, não vem... Mas acho que isto é influência do gato do vizinho.
-Os dois andam juntos?
-Nunca vi, mas o gato também não vem quando o dono chama... Daí...

No fim do expediente.
-Jura, vamos tomar um chope no happy hour?
-Desculpa Lourdes, mas não vai dar não... Preciso ir para casa.
-Ah! Vamos? Eu queria tanto tomar um chope com você.
-Não posso mesmo, o Aristeu tá lá sozinho, e nem sei se ele comeu...
-Aristeu? Esta história de criar um galo no apartamento então é verdade?
-É sim...
-Interessante Jurandir... E o que ele come?
-Ah... Come os restos de comida... Hoje mesmo, deixei frango que sobrou da janta do lado do poleiro dele...

30 de out de 2013

Se houver próxima vez, use o google

Atendo o telefone e uma voz do outro lado pergunta:
-Ron, diz pra mim o nome daquele maestro...
-Qual maestro? Tem um monte.
-Um que... Ah! O primeiro nome dele é Isaac.

Obviamente ele falava de Isaac Karabtchevysck.

-Ah... Claro. O segundo nome é Rabin. – troco pelo nome do ex primeiro ministro de Israel: Yitzhak Rabin.

-Isaac Rabin? Isso?
-É.
-Como se escreve?
-Do jeito que se fala, mas com dois “a” em Isaac.
-Valeu Ron, brigado!
E desliga o telefone.
Sinceramente, tomara que o revisor dele seja bom e paciente.

Duas horas depois o cara liga novamente.
-Ô Ron, o nome do maluco lá não era Rabin não.
-Ah não?
-Não... Este Rabin ai era outro.
-Hum...
-O Isaac que eu queria era o Karabtchevysck.
-Ah tá...
-Mas mudando de assunto, cê lembra o nome completo do Pelé?
-Edson.
-Edson o que?
-Alva.
-Sério?
-É... Thomas Alva Edson.
-Putz, que nome pomposo... Nem parece nome de jogador de futebol.
-Pois é. Por isto o apelido, mais fácil de narrar.
-Principalmente no rádio né?
-Claro, claro...

Até agora não ligou mais.

29 de out de 2013

Lado B do GP: o último (na Índia)

E lá se foi o GP da Índia... Tchau... Precisa voltar não.
Aliás, poderia levar junto também o Jenson Button.
Está velho e reclamão.
Já pensando nos “comes” que pode tomar ano que vem de um russinho de 18 anos pilotando uma Toro Rosso, disse que não acredita no sucesso de Danil Kvyat.
Hu-hum... Claro.
Mas o que o traz a esta seção de lados B foi o fato de ter tomado um senhor cacete de Sérgio Perez.
Até ai tudo bem, se não fosse o fato de Sérgio Perez ter batido o velho inglês dentro da estratégia que o consagrou: poupar pneus e adiar ao máximo sua parada de boxes mesmo que com isto pilote igual àquela avó de 90 anos que – para mostrar que ainda é jovial – dirige seu fusca pelas ruas das cidades.
Já deu Button. Pode usar a estampa e sua imagem para ir fazer comercial de TV.


Grande Felipe Massa.
Uma largada sensacional e uma corrida tão dentro do previsível que chegou apenas uma posição à frente da sua cativa.
Desobedeceu de novo uma orientação da equipe ao não aceitar uma mudança de sua estratégia.
Deu certo? Em parte.
Chegou ao menos à frente do Alonso, que... Que nada. Vamos chutar cachorro morto não.
Mas assim, se for mesmo para a Williams, tudo será perdoado e uma borracha apagará tudo de besteira que já fez e tudo começará novamente.
Err, não... Melhor escrever uma história nova e não recomeçar nada. Vai que... Deixa pra lá.


Penso eu que esta seja a última vez que Romain Grosjean participa desta seção.
Podem me julgar, mas começo a achar o rapaz simpático.
Pena que vai liderar um time que não promete muita coisa.
E veja bem: o que aconteceu na corrida da Índia não foi estratégia errada de pneus para Kimi Raikkonen, eles não trocaram pneus não foi por opção, mas sim por falta de grana para comprar uns novos. Ainda faltam três corridas para o fim do ano e a ordem na equipe fanfarrona é poupar.
E ainda dizem que o time é o mais simpático do grid, que tem um twiter muito engraçado e tal...
Para mim, se assemelha muito àquele comediante da Praça é Nossa, o Paulinho Gogó que tem como bordão a frase: “-Quem não tem dinheiro, conta história!”.


E para não deixar passar em branco: Fernando Alonso pode repetir o capacete na corrida que vem já que não somou nenhum ponto ao “1571” que lá estava estampado.
Mas se quiser mudar, pode só tirar o “5” de lá que o número que sobra vai expressar mais a sua personalidade: “171” talvez o defina melhor.

28 de out de 2013

Cinema para os ouvidos - ou - Valeu Lou

A RCA estava exultante com os resultados de Transformer e não via a hora de poder colocar nas lojas um novo trabalho de Lou Reed.
Para Lou, o sucesso comercial era algo quase inédito, já que sua banda original – Velvet Underground – influenciara muita gente, mas vendera bem pouco.
Só que Reed era inquieto demais para se acomodar com o sucesso e com o estrelato e a obra que engendrou depois de Transformer era algo perturbador: Berlin.

Denso, brutal, difícil de digerir e definido tanto por Lou quando pelo produtor Bob Erzin como “cinema para os ouvidos”, o disco era a crônica do fim do relacionamento de um casal americano, Caroline e Jim, que vive na cidade alemã dividida.
As canções – todas interligadas - falam de infidelidade, drogas, violência e por fim o suicídio de Caroline que Jim, indiferente, se recusa a chorar na última faixa, a sombria, triste e bela Sad Song.

Bob, que logo após terminar o disco viajou para o Canadá para – segundo ele – “exorcizar o peso triste do disco”, montou um roteiro para as faixas com orquestrações a fim de que se assemelhassem a movimentos sinfônicos.
Porém o publico, principalmente o que havia consumido Transformers, não estava preparado para tudo aquilo que Berlin trazia e representava.
O disco foi um retumbante fracasso, mas assim como a banda seminal de Lou, influenciou um tempo depois toda uma cena de bandas com trabalhos depressivos que tem como expoente máximo o Joy Division de Ian Curtis.

Só por este trabalho, Lou já merece seu lugar no panteão dos grandes do rock, mas há muito mais. Quem procurar e ouvir com atenção, vai se apaixonar.
Lou Reed se foi, mas fica sua obra, o que não é pouco: New York; Songs For Drella feito em homenagem a Andy Warhol; o também sombrio Magic and Loss; Coney Island Baby e os discos com o Velvet são só uma amostra.
Valeu Lou, valeu.

27 de out de 2013

F1 2013: Índia - a casa de Sebastian Vettel

A corrida na Índia subiu no telhado e se jogou.
Ainda bem.
Porém, vai ter em sua curta história o asterisco que indica uma curiosidade: lá só Vettel se deu bem.
Ganhou três dos três GP´s disputados, liderou mais voltas que todo mundo e em sua edição final, ainda levou o título do campeonato.

Ninguém liderou mais voltas que ele.
Ninguém fez mais bonito que ele na terra da gente mais feia do mundo.
Não seria exagero chamar a corrida na pista de Buddh de Grande Prêmio do Vettel de F1.

E o resto?
Foi só o resto...
Alonso apagadão entregando os pontos.
Webber sendo mais Webber que nunca numa largada horrível (e prejudicando Alonso, chupa).
Massa fazendo um brilhareco no inicio para no fim chegar uma posição a frente de sua posição cativa.

Então a corrida foi chata?
Não, foi movimentada.
Pode não ter sido emocionante, dinâmica, tensa, mas foi legal dentro de suas possibilidades.
Não esqueçamos que é um Tilke track.

Enfim, habemus campeão, de fato, de direito e com justiça.
Habemus nova legenda neste esporte de tantas legendas e lendas.
Habemus Sebastian Vettel, ou como dizia a camisa de Helmut Marko: IVettel, quatro vezes campeão.
Chupa concorrência.

25 de out de 2013

O apagar da luz que nunca se apagaria

Ponto alto da carreira dos Smiths, The Queen is Dead traz a maior obra prima da banda: There is a light that never goes out.

Liricamente talvez só Cemetry Gates (do mesmo disco), onde Morrissey disputa de forma surreal com um amigo de qual dos lados do cemitério em que estão enterrados é que tem os melhores poetas/escritores (Keats and Yeats are on your side/ but you loose/´cause Wilde is on mine.) tenha uma carga tão intensa quando There is a light...

A letra versa sobre um passeio de carro na noite de Londres ao lado de alguém que se ama após algum contratempo familiar. Um momento que nem a morte poderia estragar.
E é ai que Morrisey se supera.
Imagina a morte chegando por via de um caminhão de dez toneladas ou um ônibus de dois andares em cenas que talvez embrulhassem o estomago de um ouvinte mais sensível ou menos familiarizado com o estilo Morrissey de fazer graça.

O sarcasmo da letra em contraponto com a delicadeza da melodia é de encher os ouvidos.
A orquestração que dá leveza ao tema aponta uma direção que, infelizmente, a banda não seguiu, porque não quis ou não teve tempo já que após este álbum lançou apenas mais um, que apesar de bom, não chega nem aos pés de The Queen is Dead.
Infelizmente a luz que nunca se apaga era apenas um brilho rápido, um lampejo...

24 de out de 2013

Dois tópicos F1: O novato e o velhaco

Nunca vi tanta gente reclamando de uma contratação como no caso do russo Daniil Kvyat.
Parecia comentário tosco nas redes sociais sobre o tempo. Toda hora tinha alguém postando algo sobre. (tá quente, tá frio, tá chovendo...).
A grande maioria com comentários sobre o moleque – ou quem quer que esteja por trás dele – ter comprado a vaga na Toro Rosso.
Será?
Só porque Luiz Razia disse isto em outra rede social tem peso de verdade?
A mim pareceu despeito do baiano.
Alguns disseram que ele queimou etapas para chegar às F1 porque não veio nem da WSR (World Series by Renault) e nem da feira livre que é a GP2.

Se fez mesmo é porque deve ter talento. Não?
Não acompanho a WSR, não sei o que rola por la, mas o que rola na GP2 é público e notório: Pilotos que compram caríssimas vagas em um campeonato que promete mandar seu vencedor à F1, porém ultimamente só consegue mesmo é ir para equipes pagantes com nível de GP2 que alinham na F1.

Se foi contratado para uma equipe que visa preparar novos talentos para o time principal, algo de bom deve ter.
Melhor dar tempo ao tempo e ver o moleque pilotando antes de fazer algum juízo sobre.
Aposto que muitos, assim como eu, nada sabem do garoto.
Eu, em particular, não sei nem pronunciar seu nome.


Ruim dirigindo a equipe no pit wall, pior dando declarações.
Stefano Domenicalli abriu o bocão para dizer coisas do tipo: “-A Ferrari não acompanha o talento de Alonso.”.
Hum...
E isto só algum tempo depois de Luca Di Montezemolo, o mauricinho que é o capi di tuti capi da máfia rossa ter colocado o espanhol marrento em seu lugar dizendo que: “-Primeiro a Ferrari, pilotos vem e passam.”.

Disse ainda que o acidente e a mudança de regulamento foram a causa do baixo rendimento de Felipe Massa e que só o manteve na equipe por respeito.
O mesmo respeito que ele não teve ao mandar Kimi Raikkonen embora (rasgar contrato é mandar embora, não) pelo mesmo baixo rendimento.
Se eu fosse Kimi, triplicaria o valor da multa rescisória depois desta.

Prevejo para logo mais no Corriere della Sera, na página de classificados algo do tipo: Tradizionale Scuderia F1 offre posto vacante per capo di stato maggiore. (Tradicional escuderia da F1 oferece vaga para chefe de equipe),

22 de out de 2013

O pior pesadelo

-Então é pra cá que a gente vem quando morre?
-Não, na verdade não... Você não morreu ainda, o paramédico está tentando te reanimar.
-Então?
-Bem... Deixa eu explicar...

(fumaça de flashback)

Gildo tinha acordado pela manhã e como sempre nas Segundas-feiras estava atrasado.
Pegou a roupa em cima de uma pilha que estava dobrada, se vestiu às pressas e saiu correndo.
Ao chegar ao ponto de ônibus lembrou-se de checar algo que lhe amedrontava: que roupa íntima estava vestindo.
Em seus piores pesadelos era atropelado e quando chegava ao hospital, para que lhe fizessem curativos lhe tiravam as roupas e descobriam que ele estava de calcinha e não de cueca.
Geralmente acordava aos berros, transpirando litros e tinha de ser acalmado por sua esposa.
A paranoia era tanta que sua gaveta de cuecas ficava em uma cômoda separada do guarda roupas do casal.
Naquele dia, estava tudo em ordem. Até freada tinha.

(fim do flashback)

-Quando se morre sem resolver algum assunto na Terra, vem para cá: o limbo.
-E como sai daqui?
-De duas, uma. Volta e resolve lá ou fica aqui pra sempre. Mas tem que decidir logo, se não o médico lá desiste e te dão por perdido.
-Então tem como voltar?
-Tem, mas esbarra nesta burocracia.
-Burocracia... Pensei que isso era coisa do inferno.
-Não pô... Pra ir pro inferno é direto. Sem escalas.
-Mas eu não tinha nada pra resolver.
-Tinha sim... Tinha que enfrentar seu medo.
-O que? Ser atropelado? Eu fui, oras...
-Mas não estava de calcinha. – e contém o riso.
-Mas nem! Eu sou muito macho.
-Bom... É o seguinte...
-Diz.
-Tem que decidir agora. Vai...
-Eu fico aqui.
- Pensa bem... Não vai ver ninguém, não vai falar com ninguém depois de eu sumir. Aqui não tem cerveja, não tem futebol, não tem mulher, não tem rock, não tem nada...
 -Hum... É. Bem chato.
-Pois é. Então volta e...
-Não.
-Deixa eu terminar... Você volta até a manhã antes do fato... Vai ser atropelado, tudo de novo, mas vai resistir e viver por mais algum tempo.
-E você pode fazer isto? Você é Deus?
-Chame como quiser... E então? O que decide?
-Quanto tempo?
-Se interessou heim? Mas o tempo eu não vou dizer.
-Hum... Não... Nem ferrando. Já disse, sou macho.
-Eu já te disse que todas as suas vontades e angustias vão continuar com você aqui?
-Ah é?
-É... Isto aqui pode ser pior que o inferno viu...
-Bem... Eu vou pensar e...
-Pensar nada... Tem que resolver agora, to vendo na tela do computador aqui que o paramédico ta quase desistindo.
-Tá bom, eu volto.
-Ok... Vai, vai, vai...

E então Gildo acorda. Como sempre nas segundas está atrasado.
Levanta-se às pressas, pega sua roupa em uma pilha que estava dobrada, para em frente à gaveta de roupas de sua esposa e sente uma vontade enorme de vestir uma de suas calcinhas.
Olha para os lados como se verificando se não há ninguém vendo e escolhe uma preta. Na verdade apenas dois fiozinhos. Um na cintura segurando o tapa-esfiha na frente e outro atrás.
Veste e logo coloca a calça jeans por cima. Coloca a camisa, os sapatos e corre para o ponto de ônibus.
Nem sequer chega a atravessar a rua.
Um Corcel amarelo o atinge e o arrasta por um bom trecho da rua.
Alguns minutos depois chega a ambulância e a primeira providencia do paramédico e lhe tirar os frangalhos de roupa que lhe cobriam os machucados e dificultava o atendimento.
Profissional, não comenta e nem sequer internamente ri, mas infelizmente, não consegue reanimar Gildo.
No velório não havia outra conversa que não fosse a calcinha. Se estivesse vivo, morreria de vergonha.

Então chega ao limbo e encontra o mesmo ser que lhe havia feito a proposta de volta e este, com um sorriso mofino e sacana diz:
-Com tanta calcinha enorme na gaveta você tinha que pegar logo aquela?
-Não vem não, você me enganou, disse que eu resistiria. Me enganou...
-Mas você também não foi sincero. Por isto está aqui.
-Como não? Sempre disse que morria de medo, tinha pesadelos até, de morrer e estar com uma calcinha.
-Disto eu não duvidei, nunca, mas ficou aqui se dizendo machão e tal... Fio dental Gildo? Logo fio dental?

21 de out de 2013

O fim de feira e o prejuízo previsto do feirante dançarino

E acabou a temporada da Indy.
Como previsto nos programas da Rádio Onboard, Castronneves não foi campeão.
Maldade?  Não.
Apenas constatação.
Visão de um dos circuitos da categoria

Como dissemos na rádio por várias vezes, Helio fez de tudo para perder o campeonato durante a temporada.
Mesmo abrindo uma vantagem considerável, parece ter se apoiado mais em uma regularidade (que não teve) e no comodismo de não se arriscar e viu Scott Dixon diminuir a diferença prova a prova.

Chegou para a última corrida precisando vencer e que Dixon não fosse sequer oitavo.
Até se esforçou, chegou a liderar, ganhou um ponto a mais por estar ao menos uma volta na frente de todos, coisas da Indy...
Mas ao final, Dixon chegou em terceiro e Castronneves apenas em sexo.
Dançou, e não foi com as estrelas.

As arquibancadas quase vazias deram o tom melancólico do fim de temporada em uma categoria que não é – nem de longe – das mais populares dentro de seu próprio país.
Mas também, o que se esperar?
Um campeonato que – mesmo entrando e saindo piloto das equipes durante a temporada – sempre tem vinte e cinco Jensons Buttons?
É para ninguém dar a mínima mesmo.

18 de out de 2013

A voz como se fosse apenas mais um instrumento

Rick Wright brincava em seu piano com uma progressão de acordes que ele chamava ora de “Mortality sequence”, ora de “Religion song”, porém não conseguia ficar satisfeito de forma alguma com as experimentações feitas pela banda.
Os efeitos usados iam desde trechos da bíblia e citações de Malcolm Muggeridge (seja ele quem for) até gravações de astronautas se comunicando durante missões espaciais.
Pouco tempo antes de Dark Side of the Moon ser finalizado, a banda decidiu por uma voz feminina.
-Em vez de cantar, que tal se ela lamentasse a música? – sugeriu Wright.

Alan Parsons, o engenheiro de som do disco então sugeriu um nome que ele havia ouvido em algumas seções que trabalhara: Clare Torry.
A dona da voz
De primeira, ela não ficou empolgada. Nem gostava muito do Pink Floyd e acabou dando a desculpa de que tinha ingresso para assistir Chuck Berry.
Parsons insistiu e remarcou a seção para a semana seguinte.

Cantora e compositora com então vinte e dois anos, Clare chegou aos estúdios e encontrou o Pink Floyd reunido com Parsons.
Ouviu a música, ajudou o engenheiro a equalizar seu microfone e só então perguntou:
-E então? Cadê a letra?
-Tem letra não... A gente pensou em uma mulher cantando como se estivesse tendo um orgasmo...
Então Clare colocou os fones, ouviu a música e começou a soltar a voz em alguns “oh, baby, yeah!” que – obviamente – não agradou ninguém.
Roger Waters e David Gilmour começaram a dar as dicas do que queriam: duração das notas, intensidade, altura e volume e em dois takes e meio reuniram material para a finalização da faixa.
-Tentei cantar me imaginando como apenas mais um instrumento da música. – disse ela.

Pela participação, Clare ganhou o cachê padrão de trinta libras e se deu por contente.
Anos depois, moveu um processo contra a banda pedindo participação como co-compositora da faixa.
Ganhou e hoje seu nome aparece nos créditos da canção ao lado do nome de Wright.

Para nossa sorte, "The great Gig in the Sky" não é das faixas mais populares do Pink Floyd, seria uma tortura sem tamanho ouvir os pseudo cantores de programas modernosos da televisão “assassinando” o trabalho feito por Clare Torry.

17 de out de 2013

O telefonema do além

O dia tinha começado muito bem, já eram dez da manhã e nada errado tinha acontecido e vale lembrar que o dia começa efetivamente às oito horas.
Cada qual cuidava de seus afazeres e todos estavam muito ocupados.
Para situar, o escritório é dividido em três ambientes: o balcão que fica de frente a porta de entrada onde trabalham sempre dois atendentes.
A área de trabalho efetivo, separada do balcão por uma divisória de vidros canelados e tem a aparência de um ‘aquário’. É onde ficam as mesas, os computadores.
E o mezanino onde funciona uma corretora de seguros.

Acabavam de chegar os primeiro clientes do dia: um casal que desembarcara de um fusca verde água e um senhor que viera a pé mesmo.
Dentro do aquário toca um dos telefones e um dos chefes que estava desocupado atende.
-Alô? Sim é daqui sim... – atende ao telefone sem usar o texto padrão: o nome do estabelecimento e a saudação que melhor cabe àquela parte do dia.
- Azul? Fusca? Sim... Tem sim quem quer falar com ele? (...) Um só minuto que vou levar o telefone até ele.

Ao que parecia uma mulher ligara para tentar falar com alguém - seu marido provavelmente - que estaria por lá naquela hora.
E tinha dado a sorte.

Ao chegar à porta do ‘aquário’ lembrou-se que tinha algo a fazer na capital, avisou que estava indo naquela hora e que não demoraria a voltar.
De passagem pelo balcão olhou para os clientes e como o casal estava de mãos dadas deduziu que seria então o outro senhor.
Nem perguntou, apenas virou-se para o cliente e disse: “-Sua esposa esta ao telefone e quer falar com o senhor.” - e para o funcionário que estava atendendo: “-Vou até o bairro da Lapa, não demoro.”.
Entrou em seu carro, manobrou e sumiu em poucos segundos.

O atendente então notou que o senhor que recebera o telefone sem fio ainda não tinha atendido, nem dito um simples alô. Estava pálido e com a respiração ofegante.
-O senhor está bem?  - perguntou de forma retórica já que visivelmente ele não estava. Pega o telefone das mãos do cliente ao mesmo tempo em que o ajuda a se sentar.
O ocorrido chamou a atenção de todo mundo.
Correram para lhe pegar um copo com água, outro trouxe o ventilador para perto e a mulher que havia descido do fusca quis saber o que acontecera.

O funcionário que ainda estava com o aparelho nas mãos, ouvindo os chamados insistentes da pessoa do outro lado resolveu atender:
-Alô? Quem fala? – disse a voz ao telefone - Meu marido está ai ainda? Disseram que ele ia atender ao telefone e ta demorando, vai acabar os créditos...
-Mas senhora quem é seu marido? – pergunta ele.
-É Joaquim. Deve estar ai já, foi num fusca azul bem clarinho...
Então ele olhou para fora e viu que o fusca era verde e não azul e que o seu chefe havia se confundido.
-Olha, sinto muito, mas seu esposo ainda não chegou aqui não... Foi engano da parte do outro rapaz, desculpe.
-Tudo bem... Se ele chegar, é Joaquim o nome, pede pra ele ligar pra mulher dele, no celular. Tá bom?
-Peço sim... - e desliga o telefone voltando sua atenção para o senhor que já se recuperava.
-Menino! Fiquei realmente assustado agora... – diz ele - Minha esposa faleceu já pra mais de cinco anos. Que brincadeira mais sem graça.

Depois, bem mais tarde todos ficaram pensando em uma forma de sacanear o chefe.
Rir um pouco dele quando soubesse da situação que causou.
Eis que ele chega cansado e com cara de poucos amigos.
- Estes trens estão cada dia piores. Atrasados e sempre cheios!
- Ué, mas porque você voltou de trem? Quebrou o carro?
-Carro? Como assim? Eu fui de carro?
-Foi...
-Vixe... Danou-se! Deixei o carro no estacionamento e esqueci dele... Voltei de trem.
Todos acharam melhor nem tocar no outro assunto.
Agora era melhor rir deste novo...

16 de out de 2013

Tamo junto Sérgio Mauricio (campanha "chupa Alonso"

No sábado, dia 12 de outubro, a Sportv mandou ao ar a reprise da classificação oficial para o grande prêmio do Japão.
Até ai nada demais.
Porém, lá pelas tantas, Sérgio Mauricio soltou um sonoro “chupa Alonso”.
Foi o que bastou para começar o bla bla bla.

-Onde já se viu um jornalista profissional falar uma coisa destas no ar? – perguntaram.
-Que patriotada besta! Só porque o Massa ficou na frente? – disseram outros.

Pode ser...
Aliás, é bem provável, já que a transmissão do canal segue a linha “pacheco” do canal aberto da emissora.
Louvável?
Pelo motivo? Não...
Tanto não era louvável que no dia seguinte Massa colocou a faca entre os dentes numa atitude do tipo: “-Tão pensando que eu sou tonto? Vou mostrar o quanto eu sou!”.
E mostrou mesmo... Largou em quinto e chegou em décimo.

Porém, há outro motivo pelo qual a atitude de Sérgio Mauricio pode ser considerada válida e muito louvável.
É o seguinte: É DEVER DE TODO SER HUMANO PENSANTE SOB A FACE DA TERRA EM ALGUM PONTO DE SUA VIDA SOLTAR UM ENORME, IMENSO, GIGANTESCO, EM ALTO E BOM SOM: “CHUPA ALONSO”.
Nem importa o motivo.

Aliás, o “chupa alonso” deveria ser obrigatório em ambientes corporativos, religiosos, comerciais...
Veja quem já aderiu e junte-se a nós.




15 de out de 2013

Lado B do GP: Os lados B´s que decidiram.

O maior lado B desta corrida foi Felipe Massa, com certeza.
Primeiro ignorou – por duas ou três vezes – as recomendações do time para abrir passagem para Alonso.
Depois segurou no braço uma tentativa do espanhol mala de ultrapassá-lo na zona do DRS.
E nem na parada de boxes o Teflonso conseguiu a posição do gnomo.

Mesmo sendo alta madrugada, ouvi (ou melhor, li no twiter) pessoas tecendo loas à atitude do brasileiro.
Também curti.

Porém, pouco antes de começar a pensar em um texto para grafar em caixa alta e negrito um poderoso “chupa Alonso”, o espanhol passou por Massa.
Com DRS, KERS e sem defesa.
Pelo que pilotava naquele momento, Alonso passaria de toda a forma. Até sem os artifícios.

Tenho certeza que muitos começaram a pensar em frases ou textos para espinafrar ou defender o piloto brasileiro.
Pensava eu que não era para tanto.
Foi ultrapassagem de corrida, feita por um cara determinado que tentava adiar um pouco mais o inevitável título de Vettel e sua Red Bull.
Mas quando no fim, vi Massa tomando passão do ignorado Button...
Apaputaqueopariu Massa.

O outro lado B importante teve atuação fundamental na vitória do alemãozinho.
Webber foi o coelho da prova.
Não no sentido normal da coisa.
Não saiu em disparada para abandonar no meio e dar a vitória ao companheiro, mas ao ir para a estratégia de três paradas, forçou Grosjean, o cabaço, a ir mais cedo para a sua segunda deixar o caminho aberto para Vettel - com duas paradas, mas mais tarde - ganhar fácil a prova.
Para os que insistem em dizer que é só o carro, tá ai...
Vitória no braço, na estratégia e nos jogos mentais.
Se bem que confundir a mente do Grosjean não deve ser algo difícil de fazer...

13 de out de 2013

F1 2013: Japão: Suzuka e suas verdades

Suzuka é uma pista para profissionais.
Veloz, seletiva, traiçoeira...
Tão seletiva que tem uma parte em sentido anti-horário.
Diz-se que separa o joio do trigo em relação aos pilotos e é verdade.
Suzuka não admite falsidade.

Este ano a corrida foi melhor que nos dois últimos, pelo menos.
Bastante ultrapassagem, boas brigas, alguns acidentes e punições. Muitas punições.
Teve gente (Charles Pic) que já começou a prova punido com um “dirija dentro”.
Depois até o Massa teve a sua punição.

E teve a estratégia vitoriosa da Red Bull que – vou repetir – se não fosse a pilotagem, PILOTAGEM, de Vettel, não adiantaria.
Mas ainda vai ter nego falando do Newey, dos pneus, da falta de vontade do Alonso, da velhice do Webber, da inexperiência ou ruindade do Grosjean...
A quantidade de bengalas é grande para estes cegos.

Outro tipo que também vai aparecer após a corrida é o torcedor do Alonso.
Largando em oitavo, chegou ao quarto lugar.
Ai os deslumbrados vão ficar histéricos: “-Anda mais que o carro!”.
Aham... Claro.
E a Ferrari ser o segundo melhor carro do ano – e é o que mostram os números – não quer dizer nada né?

Hulkemberg também anda tirando suspiros da rapaziada.
Quando todo mundo já parou de atualizar o carro a Sauber, espertamente, continuou atualizando o seu.
Afinal, uns pontos a mais, uma posição a mais na tabela rende uma grana boa.
E grana é tudo que precisam.
É ruim o cara? Não, óbvio.
Mas se olhar bem, até a besta do Gutierrez passou a andar bem de umas corridas para cá.

E assim o campeonato vai chegando a sua conclusão.
Melhor piloto com melhor carro na frente, bem na frente. E o resto vindo atrás, bem atrás.
Há quem não goste, mas corrida de carro é isto ai.
Tudo que for diferente desta máxima é falso.
Tão falso quanto um circuito Tilke em comparação à Suzuka.
E como disse lá em cima: Suzuka não admite falsidade.

11 de out de 2013

Imortal?

Rolling Stone: -Para vocês, qual o futuro da música pesada daqui há, digamos... Quarenta anos? (Mais ou menos o tempo de carreira da banda.)

Ozzy Osbourne: -Há anos o pessoal vem dizendo que a música pesada vai morrer ou já está morta... E estamos ai. 13, nosso novo álbum, foi o mais vendido e chegou ao primeiro lugar nas paradas em cinquenta e um países.  Penso que isto acabe com o mito de que o rock já era.

Geezer Butler: -Há quarenta anos vivíamos o estilo “sexo, drogas e rock and roll”. Hoje tomamos xícaras de chá. Em quarenta anos estaremos todos mortos, Então...

Nesta hora, Ozzy olha para o baixista e com os olhos arregalados como se estivesse surpreso diz: -Você vai estar morto. Eu não!

Olhando bem para o passado de Ozzy e tudo pelo que já passou, eu não duvidaria.
Nem um pouco.

9 de out de 2013

Pensando com meus botões

Alguém ainda liga para a GP2?
Qual foi a última vez que um campeão da GP2 veio para a F1 se sentar em um carro de ponta? Lewis?
Mas este iria para a McLaren de um jeito ou de outro, ganhando ou ficando no último lugar.
Ah... Tem o Grosjean que voltou de lá para a Lotus, mas sinceramente? What the fuck is Grosjean? What a hell is Lotus?

Vale a pena ser campeão da GP2 ultimamente?
De que adianta ficar uns tempos pagando para correr na GP2, ser campeão e ainda assim só ter vaga na Caterhan ou Marussia?
Se tiver, claro.
E também, levando um generoso pacote financeiro para que o time não “passe fome” durante o ano.
Com muita sorte - mas muita sorte mesmo - Force Índia, que, aliás, sobrevive sabe-se lá como.

Quer mais?
Sam Bird, aquele que pode este ano ser o campeão da bagaça parece que vai correr na Indy no ano que vem.
É... A Indy, aquela categoria que tem pistas com trilho de trem no meio, corrida em Houston, outras porcarias e vários manetões guiando.
Se tiver o mesmo nível do Grosjean, vai estar em casa.

O que é uma pena, a ideia da GP2 é muito boa: um vestibular para a F1.
Pena que foi transformada em um poço para prospecção não de bons pilotos, mas de pacotes financeiros para picaretas e suas cadeiras elétricas.

E uma última pergunta: não foi desta forma que foram aos poucos matando as categorias de base para formulas no Brasil?

8 de out de 2013

Lado B do GP - Coréia - Um GP estranho

O GP da Coréia nos mostrou coisas que há tempos não víamos.
Claro, também mostrou mais do mesmo, afinal, Vettel passeou em cima da concorrência e só não chegou dois dias na frente de todo mundo por conta de algumas passagens sui generis... Estranhas mesmo.
Os caras dançando e limpando... dançando e limpando!
Há quanto tempo não víamos o Massa tentar ultrapassar o Alonso?
Faz tempo... Tanto que ele nem sabe mais como fazer.
Além de ser perder e rodar, quase tirou o asturiano da prova.

Há quanto tempo não víamos quatro carros disputando ao mesmo tempo?
Não me lembro.
Foi legal ver Maldonado, Massa, Perez e Gutierrez travando uma dura batalha.
Mais legal seria se fossem pilotos de verdade...

Há quanto tempo não víamos as fagulhas na pista?
Ok! Não eram fagulhas ditas naturais, como nos anos 80, mas foram fagulhas.
Houve quem dissesse que era um artifício pedido por Nico Rosberg para comemorar suas ultrapassagens.
Teria dito ele: “-Meus meninos colocaram uma bomba de gliter debaixo do carro, quando eu passar alguém vai ser só purpurina no ar.”. – e riu como uma diva.

E há quanto tempo não víamos um carro pegando fogo daquela forma?
Bem... Pelo menos na F1 faz tempo. Nos GT´s da vida as Ferraris vivem em combustão espontânea.
Agora confessa: você queria ver pelo menos uma labareda lamber a bunda do canguru né? Maldoso.

Confesse também que torceu para que o Nico Hulkenberg chegasse ao pódio.
Só para poder dizer que gordo também pode vencer na F1.
Mas refreie seu entusiasmo: Nico Hulkenberg será o novo Nick Heidfeld.
Todo mundo acha bom, todo mundo pensa que logo chegará sua vez de vencer, mas ele não chegará lá nunca... Só vai faltar a barba.

E por último, qual foi a ultima vez que você viu um piloto contestado no pódio?
Ah... Nem faz muito tempo, mas que não é comum ver o Grosjean chegar ao pódio, não é?
Como também não é comum ter uma corrida num tilkódromo tão animada.
Deve ser mesmo a visita da saúde e para o ano que vem... Bye bye Coréia.
Em tempo... Nunca entendi o primeiro verso desta canção.
O que ele pensa a respeito dos homens é estranho... Huuuuuummmmm! Então tá.

6 de out de 2013

F1 2013 - Coréia: O último flango? (trocadilho besta este, perdoa ai Marlon Brando)

Corrida na Coréia nunca é para se esperar grande coisa.
Traçado chato e tal, como quase todo Tilke é...
Mas há sempre a possibilidade do inesperado e este ano veio com força.
Asas que caem ao chão, pneu que estourou, carros que pegam fogo, jipe na pista.

Algumas boas brigas, como Alonso e Hamilton já perto do fim, um pega maluco entre Maldonado, Gutierrez, Massa e Perez.
Porém, nada disso foi realmente relevante para o final da prova.
Vettel passeou como quis na pista coreana.
Não deu chances nem quando o safety car deu o ar da graça.
A Coréia é dele. E do Psy, claro...
Uma situação extremamente surpreendente a queda da asa do carro do Nico Rosberg.
Ok! Não caiu, apenas baixou após sair de trás do carro de seu companheiro de equipe.
As faíscas geradas lembraram a F1 de outros tempos.
Chegou a dar saudades...

O pneu estourado do carro de Sérgio Perez foi mais pontual que qualquer coisa.
Pneus desgastados, como, aliás, foi a tônica da prova em um asfalto que consome muito, e agravado por uma forte travada pouco antes do estouro.
Serviu para duas coisas.
Animar um pouquinho a prova dando alguma esperança para quem queria ver Vettel se ferrar e iniciar uma gritaria contra os pneus.
Os catastrofistas esperavam por uma nova onde de estouros.

Engraçado foi mesmo quando uma Force Índia acertou o carro de Mark Webber.
Poucos metros depois o carro pegou fogo.
Aparentemente calmo, o canguru mostrou que não corre nem para fugir do fogo.
A repórter depois disse que ele passou por ela cheirando a fumaça.
Nem com fogo no rabo o canguru correu.
Este fato gerou outra cena engraçada. A entrada de uma SUV na pista.
Como de fato não era o carro de segurança e sim o que levava o pessoal que iria apagar o fogo do carro do canguru, pode-se dizer que pela primeira vez um Utilitário Esportivo liderou uma corrida de F1.

E assim pode ter sido escrita a última página das corridas na Coréia.
Deixando como maior vencedor o Vettel, que foi ao alto do pódio pela terceira vez contra uma do espanhol chiliquento.
Se acabar mesmo, esta etapa não vai deixar saudades, mas ao menos vai ter algumas histórias engraçadas.

Nesta semana, quando foi ao bar do China, que na verdade é coreano, vou pedir um pastel de “flango com catupili” para comemorar.
E vou tomar coca cola, mas no canudo, porque como me disse o próprio china, que na verdade é coreano – dá ultima vez que fui lá: “-Copo não, canudo. Copo sujo né?”.
Flango com catupili, coca cola só com canudo...

4 de out de 2013

Notinha do Busão: Milhão de dólars (sic)

Já estava com saudades de soltar uma nota do busão, nem sempre elas são possíveis, já que não utilizo mais os coletivos, e – claro – nem toda vez que utilizo ocorre algo digno de nota, mas desta vez achei interessante.

-O que você faria se tivesse um milhão de “dólars”?
-Não sei... Não sei nem quanto vale um milhão de “dólars”.
-É muita grana, isto eu sei.
-Isto eu também sei. Mas não sei o que faria não...
-Eu deixaria de trabalhar, de boa.
-Sério? Vida sem trabalho é sem graça, eu acho.
-Ah... Mas pensa! Só de não ter que acordar as quatro da madrugada e pegar um trem lotado todos os dias. Não seria bom?
-É... Deixar de pegar trem lotado seria legal. Mas deixar de trabalhar, de produzir... Acho que não queria não. Ia me sentir inútil. Sem contar que o dinheiro acaba né?
-Se não souber usar, acaba, mas diz ai: o que faria, mesmo continuando a trabalhar?

Acredite, este dialogo estava acontecendo bem a minha frente.
O cara que foi desafiado a dizer o que faria pensou por uns três minutos aproximadamente e, quando eu mesmo já não esperava nenhuma resposta ele mandou:

-Cara, eu não ia parar de trabalhar né? Então... Com um milhão eu compraria um vagão do trem só pra mim. Nunca mais ia andar apertado...

E você? O que faria?

3 de out de 2013

Onde foi que o trem saiu dos trilhos?


Primeiro foi um piloto bundudo.
Daniel Ricciardo foi avisado que poderia ter problemas ao ser promovido para a Red Bull por ter os quadris largos demais.
Agora o peso de Nico Hulkemberg pode ser entrave para que ele pilote um McLaren no ano que vem.
Daqui pouco tempo o pré-requisito para ser piloto de F1 vai ser, um dia, ter sido garoto colírio de alguma revista teenager qualquer...
Pensando nisto, da até vontade de saber se o Montoya ainda cabe num cockpit de F1.

Alie isto ao fato de agora quem tem que trazer vantagens é o piloto para a equipe.
Pacotes de patrocínio, dinheiro vivo, exposição em sua terra natal...
Antes o piloto é que estudava o que cada equipe podia lhe oferecer.
Mudou muito.

Tentar ultrapassar pode custar punição.
Defender também.
Não se pode mais mostrar do dedo do meio para um Zé roda presa que te atrapalhe.
E Bernie Ecclestone vive pedindo para os pilotos pensarem muito antes de falar qualquer coisa em entrevistas...
Espontaneidade?  Para que?
Só Kimi salva?

Fico imaginando se daqui a algum tempo também não vão proibir os caras de acelerar, contornar a Eau Rouge de pé em baixo.
Subir em zebras também vai ser considerado falta de educação...
Onde será que a coisa toda perdeu o rumo?

Não demora e a visão americana sobre o circo da F1 – de que não passa de uns afeminados pilotando carros – acaba por se tornar real.
Que quadro sinistro...

2 de out de 2013

Vitória da Williams (já estou com saudades...)

A última tinha sido em 2004, Juan Pablo Montoya vencia o GP do Brasil a bordo do FW26 e era iniciado então um período de vacas magérrimas na equipe de Frank Williams.
Um ou outro bom resultado, mas vitória nada...
A seca era terrível.

Mas naquele domingo, 13 de Maio de 2012 seca acabou.
E em grande estilo!
Nos boxes em Barcelona, Frank Williams ainda comemorava os seus setenta anos completados no último16 de Abril.
Na pista, Pastor Maldonado, tão sul americano quanto Montoya - graças a uma punição imposta ao piloto da Mclata, Lewis Hamilton - largou na pole postition.
Só que diferente do que se pensava, não tinha nada de sorte ali...
Na classificação a Williams de Maldonado foi sempre constante e com um desempenho sólido.
Arrisco dizer que se Lewis não houvesse tentado o golpe do tanque vazio, Pastor poderia ter sido pole da mesma forma.

Tudo bem que na largada perdeu a posição para o xiliquento Alonso, mas o espanhol não conseguiu abrir o suficiente para parar nos boxes e ficar na liderança.
Até tentou, mas na segunda parada perdeu muito tempo atrás de Charles Pic e assim abriu caminho para Maldonado.
Mais do que isto... Abriu caminho para uma vitória da Williams!

Pela primeira vez em alguns anos não assisti a corrida na sala, mas sim no quarto.
Uma gripe miserável me colocou lá ainda na sexta feira.
Ao dar conta de que Maldonado poderia realmente vencer, sugeri que medissem minha temperatura. Achava que poderia ser febre ou algo parecido.
Não era.
Quanto mais se aproximava da bandeirada subia a tensão.
Nada poderia dar errado. Nada poderia sair do rumo.
Mesmo com Alonso vindo babando atrás... Chupa Alonso.

Eis que então vem o anuncio: última volta.
Fiquei de pé na cama e só não digo que pulei porque teria quebrado o estrado.
Acompanhei quase sem respirar as ultimas curvas e após a bandeirada soltei o grito de vitória preso desde 2004.
Não contente, junto saíram vários palavrões e uma bica em uma caixa de pizza que espalhou cebolas e caroços de azeitona pelo quarto.
Uma última fatia de uma pizza portuguesa acertou a tela da TV.
Nem liguei.
Só senti mesmo quando tomei uma senhora bronca da patroa.
“-Não me interessa se foi pastor ou padre que ganhou e nem se você está doente, vai limpar tudo isto ai...”.

Foi redentor.