18 de set de 2014

Sentado (eternamente) nas docas da baía

Brian Jones, guitarrista e um dos fundadores dos Rolling Stones, declarou que nem por um milhão de libras aceitaria subir ao palco após uma apresentação de Ottis Redding.
Brian sabia o que estava dizendo.
De trás do palco viu Ottis abrir seu show no festival Pop de Monterrey com “Shake” de outro monstro sagrado do soul: Sam Cooke. Emendar a sua “Respect” que Aretha Franklin elevou ao status de clássico, “Satisfaction” original da banda de Brian entre outras e finalizar com “Try a little tenderness” que levou a platéia às lagrimas.
Entre as canções que apresentou naquele show estava a primeira versão de um soul sensacional no qual Ottis vinha trabalhando já há alguns anos: (Sittin´ on the) Dock of the bay.
A introdução com o baixo parecia vir em ondas, como as águas do mar batendo na praia. A batida do violão - nada simples - era sinuosa, sensual... E a letra autobiográfica.
O Stone, que não chorou, ficou bastante impressionado e ainda viu e ouviu Ottis dizer – emocionado - que não queria ir embora.
Depois daquele show, Redding mexeu algumas vezes no arranjo da música e fez sua gravação definitiva em 22 de Novembro de 1967, dezoito dias antes de falecer.
A canção só foi lançada em um disco póstumo, uma compilação do que havia de melhor em sua obra e mais algumas canções inéditas um ano após o acidente e foi direto para o primeiro lugar das paradas.
 
Diz a história que o parceiro e co-autor da canção, Steve Crooper, ficou impressionado por ser aquela a primeira vez que Ottis teria escrito uma letra sobre si mesmo e acabou achando o verso “I left my home in Georgia, headed for Frisco bay” (deixei minha casa na Georgia em direção à baía de Frisco) meio que premonitório.
Curiosamente, a introdução foi acrescida de sons de ondas quebrando e gaivotas, num simulacro sinistro do cenário do acidente.
O avião em que viajava caiu dentro das águas geladas da baía de Monoma, no Wiscosin. Com ele também morreram parte da sua banda, os Bar Keys, seu empresário e uma das mais promissoras carreiras de um cantor de soul tem todos os tempos.

Um comentário:

Vander Romanini disse...

Linda canção!!
História, sensacional!