7 de ago de 2015

105 anos de João Rubinato

A maloca já não está mais lá... Já não estava mesmo, se lembrarmos que ela foi derrubada para a construção de um edifício arto.
Matogrosso até quis gritar, mas de pronto ele falou: “-Os homi tá com a razão, nóis arranja outro lugar.”.
Curiosamente algum tempo depois, ele mesmo havia prometido e realmente o fez! Trabalhando em uma cerâmica ganhou dinheiro e lá no Alto da Moóca - tradicional bairro paulistano - comprou um lindo lote. Dez de frente e dez de fundo e construiu sua maloca.
Naquela época ainda se podia contar com amizades desinteressadas. João Saracura, que é fiscar da prefeitura, se mostrou um grande amigo e arranjou tudo pra ele, porque naqueles tempos, sem planta não se podia construir.
Diferente de hoje, em que com ou sem planta constroem até onde não deveriam...

Mas isto faz tempo... Muito tempo...
Um tempo em que o Viaduto Santa Ifigênia não era passagem apenas de pedestres.
Um tempo em que a Praça da Sé não era uma madame com aquela estação de metrô e toda sua imponência.
Era apenas uma praça no centro onde circulava a vida da cidade.
Em suas imediações havia estações de rádio, bares onde os artistas se encontravam para tomar suas canas, seus cafés e fazer contatos.
Um tempo em que ainda havia a Luz da Light nos postes e nelas circundavam as mariposa.
Um tempo onde o empréstimo de um dinheirinho para a compra de uma cadeira de engraxate e assim arrumar a vida  podia ser paga com um samba.
E com um endereço no verso de um cartão, convidar o benfeitor a aparecer em sua casa para conhecer o tal samba.

Um tempo onde era possível ir a um samba em um bairro até então desconhecido e - se por acaso - estourasse uma briga era só se enfiar debaixo da mesa e ficar ali, de beleza, vendo os outros brigando.
E depois de tudo ainda saber que os que ficassem pior iriam apenas para as Crínica e não para o cemitério.
Era um tempo em que uma estátua posta em homenagem a ele no Bexiga poderia sumir e como em um passe de mágica aparecer nos jardins do Parque São Jorge, sede do clube que amava.

Adoniran se confunde com a cidade de São Paulo.
Cidade que definiu seus personagens, sua fala característica. Por sua vez, Adoniran destacou sua gente e seus costumes.
Ainda é possível sentir sua presença em alguns cantos.
No largo São Bento, na Praça da Sé...  Sentir sua presença junto aos engraxates do centro velho, nos bares e cantinas do Bixiga.
-Mas espera aí? Bixiga não é tradicional bairro da colônia italiana?
É sim... Até porque antes de ser Adoniran Barbosa, ele era João Rubinato, filho de italianos, daqueles que ajudaram a fazer a grandeza da cidade.
Ainda é possível ouvi-lo cantando a cidade que lhe deu teto e cartaz.
Canta... Pode cantar que a gente ouve e entende tudo que quiser falar... Mesmo errado, mesmo na língua dos teus pais... A gente entende.
E gosta.


No Morro da Casa Verde
 Vide Verso Meu Endereço 
Tocar na Banda
Malvina 
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Samba Italiano
Triste Margarida (Samba do Metrô) 
Mulher, Patrão e Cachaça 
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Conselho de Mulher
Joga a Chave

3 comentários:

Anônimo disse...

Poxa... Cento e cinco anos.
Sabia que ele morou aqui em Jundiaí?

Sidnei

Magnum disse...

Esse sabia tudo! Não precisa nem gostar de samba pra viajar nas músicas dele!

(Eu é que não sabia que o nome dele era João Rubinato... Hoje é até engraçado saber que alguém trocou o nome "João" por "Adoniran" para ficar mais artístico)

Magnum disse...

Esse sabia tudo! Não precisa nem gostar de samba pra viajar nas músicas dele!

(Eu é que não sabia que o nome dele era João Rubinato... Hoje é até engraçado saber que alguém trocou o nome "João" por "Adoniran" para ficar mais artístico)