28 de ago de 2015

Cego de neve

O Black Sabbath carrega a fama de fazer musica ocultista, mexer com o Cramulhão, render homenagens ao Que-Diz; estar mancomunado com o Sete-Peles e coisas assim...
Não que o grupo tentasse se desvencilhar desta imagem nos anos de ouro (nos anos menos dourados tanto Dio quanto seu cover Tony Martin faziam questão de manter a mística. Já Ian Gillan ligou o foda-se e cantou sobre o que deu na telha durante a produção de seu disco com a banda que – diga-se de passagem – tem a capa mais nada haver com o conteúdo da história do rock), mas a verdade é que, segundo Ozzy e Iommi, a intenção era emular na música o sucesso que filmes de terror faziam à época.
Ozzy diz em seu livro de memórias Eu sou Ozzy (Ed. Benvirá – 2010 tradução de Marcelo Barbão) que após gravar o primeiro disco, mais notadamente a faixa título a banda desencanou de fazer músicas para “dar medo”, mas seus fãs achavam que ainda estavam fazendo isto em todas as coisas que lançavam.

Porém, se o capeta não era sempre o mote das canções, outro demônio era muito mais citado e homenageado pelos caras.
E não era de um tipo só não... Vários Pé-De-Bodes ganharam suas faixas “comemorativas” nos álbuns da banda: Sweet Leaf (maconha), Hand of Doom (heroína), Paranoid (cocaína) e assim por diante.
Uma das histórias mais fantásticas sobre o uso em larga escala de drogas da banda se passa nos EUA quando a banda estava reunida compondo aquele que seria o clássico Vol. 4.(1972)
Reunidos em uma mansão de Bel Air, a cocaína (“-Forte como um touro e pura como gelo.”, segundo Ozzy) corria solta em frascos enormes (vai saber o que é um frasco enorme na concepção dos caras) trazidos por um magrelo bem vestido e de óculos de fundo de garrafa que, algum tempo depois, vieram, a saber, que trabalhava para uma agência do governo americano.
A farra com o pó branco era tanta e tamanha que ninguém tinha o menor pudor em usar em qualquer lugar da casa e a qualquer momento que fosse (Ozzy conta havia tigelas com pó branco em cada quarto.).
Viviam tão malucos que um dia, procurando o botão regulador do ar condicionado, Bill Ward, o baterista, acionou por acidente o alarme direto policia.
Em pouquíssimo tempo se ouviu sirenes e se viu a chegada de carros da policia à mansão.
Enquanto todo mundo se mandava às pressas, Ozzy e outro maluco tentaram correr com a cocaína e cigarros de maconha para se livrarem do flagrante.
Por um erro de calculo – ou simples brisa das drogas – tentaram se livrar da maconha primeiro enfiando-a nos ralos das pias e privadas, o que, obviamente, entupiu os encanamentos.
Ainda de posse da cocaína o desespero aumentou e a única solução achada por Osbourne foi cheirar tudo que tinham para se livrar do flagrante.
Enquanto os dois davam cabo da operação a empregada da casa atendeu os policiais que explicaram o provável engano dos moradores ao tentar regular o ar condicionado e que aquilo era muito comum. Reiniciaram o sistema de alarme, sorriram e foram embora.
Não se sabe como Ozzy e seu amigo não tiveram uma overdose naquele dia.
De lembrança, ficou a “homenagem” ao pó gravado em Snowblind (que até seria o nome do disco, mas foi descartado para evitar problemas) em que após Ozzy cantar o primeiro verso ouve-se uma voz sussurrando: “Cocaine”.
E nem era preciso tocar o disco ao contrário para ouvir sobre este demônio.

Um comentário:

Everton disse...

O Black Sabbath é tão satanista quanto o Mano Brown é vida loca.