26 de ago de 2015

O terrível lado B (Inevitável?)

o lado A do automobilismo de competição todos conhecem.
O glamour das corridas, a adrenalina, o dinheiro que corre solto, as festas, a promoção pessoal, a aventura de desafiar a morte.
 Os perigos envolvidos em cada corrida todos também conhecem bem.
É o lado B.
Mas por muitas vezes teimam em esquecer sua existência e ai o próprio automobilismo trata de lembrar a presença deste lado que ninguém quer ver.

Justin Wilson se foi após ter sido atingido na cabeça por pedaços do carro de Sage Karan que havia perdido o controle e batido no muro da pista de Pocono.
Tendo em vista a violência do acidente que vitimou Jules Bianchi, o ocorrido com Wilson parecia inofensivo.
Mas não foi.
Mais uma vez o lado indesejado deste esporte mostra sua face dura e deixa milhões de fãs e adeptos ao redor do mundo tristes.
O clichê “quando alguém que faz o que amamos se vai, também vamos um pouco” é real, e o outro clichê que diz “que ao menos ele se foi fazendo o que amava” consola cada vez menos.

Mas o automobilismo é um esporte de risco e sempre será.
Cobrir cockpit, fazer capacete ou macacão de material indestrutível ou coisa parecida pode ajudar, ou não... O que é frágil – de verdade - não é o equipamento, mas o corpo humano.
Se não for pancada, será o fogo, o choque elétrico, a asfixia, desaceleração ou outro efeito qualquer dos acidentes.

Obviamente não é por isto que se deixará de procurar melhores sistemas e acessórios para a segurança do praticante, mas radicalismos ou ideias imediatistas só farão mal ao esporte que já não vai bem das pernas e é mal visto por politicamente corretos, ecologistas e chatos em geral que estão sempre de plantão assistindo aos noticiários para assim que aparecerem notícias ruins, apontar os dedos e pedir remodelação de curvas, fechamento de pistas e até o fim das corridas.
E quando se voltarem para o motociclismo? O que vão fazer? Envolver as motos em bolhas de kevlar?
Não é uma questão de egoísmo, de não se importar que alguém morra em uma competição esportiva. Longe disto.
Vamos sempre nos lamentar por Justin, Jules, Ayrton, Roland, Henry Surtees, Sondermann, Sperafico, De Villota e tantos outros... E torcer para que num futuro sejam cada vez menos os motivos para ficar tristes.
Porém, enquanto forem seres humanos dentro dos carros de corrida (por mais seguros que sejam ou estejam) este lado B vai sempre assombrar quem pratica e quem ama este esporte.

3 comentários:

Marcelonso disse...

Groo,

O que esquecemos é que o automobilismo é um esporte de alto risco. Por mais segurança que tenhamos, o risco jamais deixará de existir.

abs

Rafael Schelb disse...

Sem mais, meu brother. Assino em baixo!

João Carlos Viana disse...

Triste esse momento em que em pouco mais de um mês, morrem dois pilotos...