30 de jan de 2015

Para pensar (ou não...)

Manchete lida no site do Estadão: crânio de 55 mil anos sugere que primeiros humanos europeus viveram em Israel.
Interessante.
Conclusão óbvia: Encontraram a caveira usando um quipá...

Na Carta Capital um editorial o suporte de saco do Lula dizia que: “Adesão imediata aos protestos em Paris mostra como é fácil manipular o público.”.
Oras! Deveras! É só entrar em uma redação disparando metralhadoras em jornalistas!
Conclusão: Terroristas manipulam a opinião pública melhor que jornalistas e marqueteiros...

Na Folha, se não me engano o hit foi: “Casal que se conheceu no Tinder tatua logo do aplicativo nos braços para comemorar”.
Singelo.
Conclusão: Se houvessem se conhecido em sessão de cinema pornô teriam tatuado a piroca do Kid Bengala...

Colunista da Veja tuitou em relação à repercussão das imagens da bunda de Paolla Oliveira em minissérie de TV: “Mulheres, não é a bunda em si que chama a atenção, mas a atitude. Contentem-se com o que vocês têm.”.
Será?
Conclusão: nos masturbamos na adolescência pelos motivos errados...
Outra conclusão? A tia que tuitou tem bunda de tábua de passar.

Estranhou não ter nada do IG ou do Terra?
Conclusão: são uns lixos na totalidade.

29 de jan de 2015

Noel

Dele pode se contar varias histórias.
Desde a famosa bronca na mãe em “Com que Roupa” até a polêmica com Wilson Batista que rendeu entre outras “Feitiço da Vila”.
Boêmio inveterado gastava tudo que ganhava com bebida e mulher, por isto vivia sempre a nenhum, como se dizia na época.
Com os poucos e minguados trocados que vinham das composições e da mãe, porém um dia lhe apareceu a chance de ganhar um dinheiro um tantinho melhor: uma excursão com Francisco Alves, Mario Reis e outros grandes nomes do samba pela Argentina e Uruguai.

Chico Alves - zeloso e perfeccionista - exige que a trupe toda se apresente pelos teatros afora com smoking completo, novo e principalmente: limpo.
Noel, que pouco ligava com a própria aparência apareceu ao primeiro show com um terno tipo Summer, mas todo amarrotado e sujo.
Chico então lhe deu um dinheiro e pediu para que comprasse um smoking.
Noel gastou a grana com suas ocupações prediletas, mas não se esqueceu das ordens disfarçadas de conselho do Rei da Voz...
Pegou um garçom compatriota que trabalhava por lá e lhe passou uma lábia, Conseguiu dele uma farda completa, mas como convém a um garçom: branca.
Como era de se esperar Francisco Alves estrilou, e por pouco não partiu para cima de Noel.

Convencido pelos amigos presentes que o fato poderia até ser bom para a imagem do grupo – três de preto e um de branco – deixou o fato passar, mas fez uma ressalva: “-Pelo menos mande engraxar estes sapatos, estão horríveis!”. - e lhe deu mais algum dinheiro para que fosse feito.
Novamente Noel gasta o dinheiro, mas usa de sua lábia para convencer o engraxate a lhe lustrar ao menos um dos pés.
Naquela noite sobe ao palco para um numero solo e se senta com violão em punho e pernas devidamente cruzadas.
Sob a luz do palco Francisco Alves vê o cantor e compositor impecável com seu terno branco e seu sapato brilhando.
Quando desce do palco Chico vê que apenas um dos sapatos está engraxado.
Cansado ele apenas pergunta: “-Mas porque não lustrou os dois?”.
E a surpreendente resposta o desconcertou a ponto de deixar o Rei da Voz sem ação.
“-Mas para que se o pé artista é só um...”.
A benção Noel!

27 de jan de 2015

Enquanto isto em Enstone...

-Boa tarde! Somos da seguradora, viemos fazer a vistoria nos carros.
-Ah, pois não... Podem entrar.
Os dois vistoriadores foram cumprir o último estágio antes da liberação das apólices do seguro.
-Nós vamos ver algumas poucas coisas. Só burocracia, fique tranquilo.
-Sem problemas... Fiquem à vontade.
-Muito bem então.
O vistoriador mais alto procura por alguns números em baixo relevo na carroceria, no acento do motorista e finalmente no motor e câmbio enquanto o menor observa as instalações.
-Hum... Parece-me um local seguro. – pergunta o baixinho.
-Sim, aqui é. – sorri o responsável pelo local.
-Tem alarmes aqui?
-Vários.
-Como são as fechaduras do portão?
-Eletrônicas.
-Câmeras?
-Muitas. Não há pontos cegos.
-Os carros não ficarão guardados apenas aqui não é?
-Não... Também ficarão guardados em pelo menos outros dezenove endereços.
-Próximos?
-Não... Espalhados pelo mundo, mas não se preocupe: todos já com seguro também.
-Ok... Por mim está liberado. Vamos aguardar o parecer do meu colega de trabalho.

O vistoriador alto terminara seu exame minucioso sobre os carros.
-Muito bem, não há nada errado com os veículos. Pelo meu check up, as coisas estão em ordem:  extintores, cintos de segurança... Permita-me dizer: são carros lindos.
-Muito obrigado.

-Precisamos agora só de algumas informações dos condutores.
-Pois não, podem perguntar.
-São maiores de idade?
-Sim.
-Habilitados?
-Sim...
-Histórico de acidentes?
-Bem... Sim... Alguns.
-Hum... Isto pode complicar, mas vamos em frente.
-Sexo dos condutores?
-Isto faz diferença?
-Faz... Em alguns casos, quando o condutor é mulher, o perfil sugere um seguro mais barato. Pesquisas mostram que são mais cuidadosas.
-Ah... Tá. Mas até o presente momento só sabemos de condutores do sexo masculino.
-Ok... Só falta anexar cópias das CNH´s dos condutores ao processo.
-Sem problemas, estão dentro do envelope.
-Muito obrigado, agora é só aguardar a liberação da seguradora que virá por e-mail. Até mais.

Alguns dias depois, Gérard Lopez ao verificar sua caixa de e-mails nota que havia recebido um da seguradora, ao abrir se depara com o seguinte texto:
“De acordo com nossos vistoriadores, tanto veículos quanto as instalações da Lotus F1 Team estão de acordo com as exigências para efetuarmos o seguro para o ano 2015, porém, ao chegar os documentos de habilitação dos condutores nos vimos na obrigação de indeferir o mesmo. Com as qualificações deles, muito provavelmente estaríamos tão falidos quanto a Sauber bem antes do meio da temporada. Sem mais, obrigado: 
A seguradora.”. 

26 de jan de 2015

CSI Buenos Aires

Cena de abertura: (“Who are you? U u u u.)

O corpo está jogado no chão do banheiro quando a equipe no CSI Buenos Aires chega.
-O que temos? – pergunta o investigador ao policial militar que atendeu a ocorrência.
-Homem, branco, 51 anos. – responde o policial.
-Aparente causa da morte?
-Tiros... Dois.
-Alguém mais no apartamento?
-Só o secretário de segurança do país.
-E quando ele chegou?
-Não sabemos...
-Obrigado assumimos daqui...
A equipe entra e começa a coletar material para investigação.

Alguns minutos depois deixam o local do crime e partem para as declarações esperadas para a imprensa.

-Muito bem... As investigações vão continuar, mas até o presente momento o que encontramos foi: um corpo com duas perfurações por projeteis disparados por arma de fogo. Também encontramos as portas destrancadas, portanto: nenhum sinal de arrombamento, uma pegada e uma digital que não combinam com as da vitima. Ninguém suspeito foi visto no local, apenas o secretário de segurança do país, que num ato patriótico e de desprendimento e apesar das denuncias que a vítima tinha a fazer sobre sua superior, acionou a policia após encontrar o corpo.

-E o que apontam os exames do material recolhido na cena? – perguntou um repórter.
-Bem... Não havia resíduo de pólvora nas mãos da vítima.
-Alguma coisa mais? – quis saber outro repórter.
-Encontramos uma lista de compras de supermercado a se fazer na próxima segunda.
-Quantos tiros foram mesmo? – ainda outro repórter.
-Dois.
-Dois tiros, sem vestígios de pólvora nas mãos, lista de compra futura, pegada e digital, nenhum arrombamento, mas as portas estavam destrancadas... O que dá para concluir?
-Que foi suicídio.
-Suicídio?
-Sim... Alguém suicidou ele.

Cena congelada sobem os créditos e entra a trilha final: (“We don´t get fooled again...”)

23 de jan de 2015

Aniversário de S.P. :O Amor em São Paulo

A estátua equestre de Duque de Caxias iniciou sua cavalgada naquela tarde de calor insuportável saltando de seu monumento para dentro da avenida que leva seu nome no cruzamento com a Avenida Rio Branco, no centro da cidade de São Paulo.
Empinando seu cavalo negro feito de bronze e brandindo a espada por sobre sua cabeça num gesto imperioso de 'avançar', cavalgou sobre carros e ônibus que eram abandonados por motoristas e passageiros situados entre atônitos, maravilhados e abismados com a cena. Crianças olhavam o espetáculo esperando que a qualquer momento, vindo dos céus surgisse um desses heróis japoneses da moda e desse um jeito no monstro de bronze. Sorriam e pulavam enquanto eram arrastadas por pais apavorados em fuga.
Em uma das alamedas paralelas à avenida, do alto da torre da igreja do "Sagrado Coração de Jesus", outra estátua - esta do Cristo - observava serenamente os movimentos do cavaleiro e, como aquele outro Cristo que abre os braços sobre o Rio de Janeiro sem proteger ninguém, nada faz.
Por que será que também ele não desce lá do alto da igreja e caminha sobre a cidade com seu 'Sagrado Coração' à mostra endireitando os errados e eliminando os que não têm conserto?
 Bom era que ele tivesse um cajado para passar nesta corja de descerebrados inimigos do povo humilde, dos que exploram os mais fracos, dos que oprimem sem dó nem piedade os que não têm como se defender, amparar os que se sujeitam por necessidade. Seria ótimo ver que o Cristo também fica "retado" e que está do nosso lado.
Mas como ele não desce mesmo, cavalo e cavaleiro de bronze seguem pela avenida afora
sem encontrar maiores obstáculos que os carros e ônibus do caminho.
Em uma das calçadas, bem defronte a um teatro de espetáculos pornográficos, um cantador cego ouve os estrondos dos passos gigantes e de sanfona ao peito, num canto gritado entoa uma quadra de sua terra: "Lá vai, lá vai/ a turma pesada que o adversário há de ser... / Eu quero saber o que em mim odeia/ eu sou coluna de aço se tu quer passar/"arrudeia".

A cavalgada se interrompe em frente à estação Júlio Prestes. O Duque de bronze fica imóvel por alguns instantes. Ouve-se um suspiro de alivio da multidão, que mesmo de longe e amedrontada acompanhava a cena toda.
-Acho que parou...
- Parece que voltou ao normal!
- Deve estar com medo do Jaspion...
Ouviu-se sirenes dos carros do corpo de bombeiros que fica ali bem perto, enxergaram-se helicópteros no céu azul, até alguns rostos voltaram a exibir tímidos sorrisos.
Durou pouco, o gigante negro ergueu o braço direito, que segurava a espada, e vibrou um golpe poderoso contra a base da torre do relógio da estação decepando assim o carrilhão como se fosse uma simples flor de jardim.
Soltou as rédeas do cavalo, que segurava com a mão esquerda, e aparou a queda da torre guardando-a no alforje sob a sela.
Agora não havia mais pânico, só espanto. A área fora toda isolada pela policia, que demorou, mas apareceu distribuindo seu costumeiro mau-humor e alguns cascudos nos curiosos.
E quem não ficaria curioso com uma situação destas?

Cavalo e cavaleiro apontam agora o focinho e nariz para a construção centenária da Estação da Luz.
Já não pisoteava veículos, apenas arrancava fios de energia, telefone e fazia buracos no asfalto, mas estes já eram tantos que ninguém notou.
Desceu a Rua Mauá, cruzou o viaduto Couto Magalhães e chegou a Estação da Luz pelo lado do Jardim, de onde as putas, os gigolôs, alguns desocupados, aposentados e uma leva de coreanos puseram-se em fuga alucinada. Não se sabe se da estátua ou da polícia que estava "gentil" como nunca, distribuindo sua "simpatia" sem fazer distinção alguma. Impossibilitados que estavam de fazer algo realmente útil apenas cumpriam a função de afastar os passantes e abrir caminho para a passagem do herói da guerra do Paraguai de bronze.
Na Estação da Luz a parada e o suspiro se repetem, mas desta vez não houve alívio nem comentários, só apreensão.
Repetiu-se também o gesto do braço levantado e o  golpe contra a torre do relógio. Recolheu-a também com a mão esquerda guardando-a no alforje junto à outra.
A estação já centenária, por onde o cantor e poeta Alceu Valença disse que chegaria o verão, ficou sem o relógio. Oferta dos ingleses que a construíram semelhante ao Big Ben londrino, perdendo assim o seu charme e fazendo com que o bairro do Bom Retiro já tão desfigurado pelas lojas de moda e prédios ‘padrão’ erguidos pelos imigrantes coreanos para que o bairro tomasse ares de uma Seul tropical e ficasse ainda mais feio.

A estátua cruzou a Rua Mauá e cavalgou na Avenida Cásper Libero observada por rostos pálidos nas janelas do casario antigo e mal conservados onde funcionam bordéis e hotéis sem classificação.
Seguia sem danificar sequer um prédio destes e, não ser pelo corte das torres pode-se dizer que não causou grande prejuízo à arquitetura do bairro da Luz, que por baixo de toda a poluição visual e dos maus tratos das reformas de urgência é muito bela.
Passou pela Praça Alfredo Issa, cruzou a Avenida Senador Queiroz, atravessou o Vale do Anhangabaú pelo viaduto Santa Ifigênia, estrutura antiga e segura que nem balançou á passagem de tamanho peso.
Ganhou o centro velho de São Paulo ao atravessar o Largo São Bento e entrar na Rua Boa Vista com suas dezenas de agências bancarias até desembocar no Pátio do Colégio, onde a Cidade de São Paulo começou e que agora abriga o Museu Anchieta que possui o ultimo pedaço de uma São Paulo do século XVII: uma parede erguida com barro e sangue de boi.
Na frente do Museu de Anchieta há uma estátua sem nome, feita do mesmo bronze negro da estátua de Duque de Caxias, no alto de uma pilastra altíssima de cimento, com os braços elevados à altura do rosto e estirados a frente do corpo, trajando um vestido longo que deixa à mostra apenas os pés descalços e que esvoaça ao sabor dos ventos. Ventos estes que também agitam sua cabeleira numa visão que emana liberdade e uma felicidade contagiante.

As suas costas: o colégio que dá nome ao pátio, seu museu e sua igreja servem-lhe de proteção contra a cidade imensa e hostil que cresceu a partir dali a mais de quatrocentos e cinquenta anos.
Duque de Caxias apeou de seu cavalo amarrando-o as grades do Viaduto Boa Vista e aproximou-se da estátua sem nome.
Trazia nas mãos o alforje que antes estava sob a sela e pela primeira vez notou-se em seu rosto alguma expressão que parecia ser de tristeza.
Tentou em vão chamar-lhe a atenção com gestos de cortesia, mas não obteve êxito. Ofertou-Ihe então as torres cortadas junto às estações de trens, a estátua sem nome não lhe deu novamente atenção e ainda por cima virou-lhe as costas.
Uma lágrima negra rolou pela face de bronze de Duque de Caxias caindo ao chão e produzindo um som estranho atraindo a atenção da estátua sem nome.
Ela olhou pelo canto dos olhos e enternecida tomou para si as torres prendendo-as junto ao peito.
Um sorriso aflorou aos lábios do gigante de bronze que estendeu a mão e num gesto delicado ajudou a estátua sem nome a descer de sua pilastra conduzindo-a até seu cavalo ajudando-a a montar.
Desamarrou o cavalo e puxando-o pelas rédeas desceu a ladeira General Carneiro em direção a R. 25 de Março, sumindo por entre as ruelas e becos do bairro da comunidade árabe.

Ali perto, no largo São Bento, um casal de velhinhos ainda comentavam o que haviam visto.
Vasculharam a memória procurando algo semelhante ao acontecido naquela tarde e nada. Deram-se as mãos e com ternura trocaram um rápido beijo nos lábios. Sorriam um para o outro com uma jovialidade terna, felizes por terem visto e vivido tantas coisas juntos e assim foram celebrar o amor num dos bares da Rua Libero Badaró, por que no fim das contas, isto é só o que importa mesmo.

21 de jan de 2015

Crônica de outro dia muito quente

-A reunião mais uma vez foi muito proveitosa, parabéns a todos. – diz o chefe.
-Foi perda do meu tempo! – grita alguém que não pode ser identificado.
-A propósito, chefe, que tal uma pequena comemoração? – diz o japonês do TI.
-Claro, claro... O que sugere?
-Neste calor? Refrigerante e sorvete! – sorri a gordinha do DP.
-Uma ótima pedida! Mais sugestões?
-A gente queria cerveja, óbvio... – o ruivo da contabilidade opina.
-Mas estamos em horário de trabalho, não dá né?
-Qualquer coisa, mas longe daqui! – a voz misteriosa novamente.
-Ah, poxa... Abre uma exceção! A gente compra cerveja sem álcool. – sugere o japa.
-Ok então... Sorvete, refrigerante e cerveja sem álcool.
-E para comer? – novamente a gordinha do DP.
-Caramba, é mesmo... Passa das três da tarde, precisamos comer. – repara o chefe.
-Ah, tá muito quente,... Nem dá vontade de comer. – diz o office-boy.
-Só se for você, magrelo, eu tenho fome com qualquer clima. – indigna-se a gordinha.
-Dá pra notar... – ri o office-boy no que é acompanhado por todos discretamente.
-Vamos parar com este negócio ai... Já falei que não quero bulling na empresa.
-Mas vocês não estão na empresa, cambada... – a voz misteriosa ganha mais altura.
-Então tá... Japa, você vai atrás da cerveja sem álcool; fofa, pega o sorvete, o boy vai buscar refri pra todo mundo... Eu pago.
-Mas... Mas... Vamos comer aqui mesmo? – quis saber o ruivo da contabilidade.
-E por que não?
-Melhor ir a um bar, restaurante, padaria... Vamos lá... – incentivou o japonês.
-Tá bom...  Vamos nessa! – disse o chefe após pensar um pouco.
-Eeeeeee!  - todos comemoraram enquanto saiam deixando o lugar desarrumado.

Enquanto todos saiam o dono da voz misteriosa finalmente aparecia e começava a arrumar toda a bagunça.
-Cambada do cacete... Vão fazer festinha com sorvete, refri e cerveja quase toda semana, mas não tem dinheiro pra por uma droga de ar condicionado no escritório deles.
-Com quem cê tá falando ai? – quis saber outra pessoa que agora chegava ao local.
-Tô resmungando sozinho...
-Tá ficando velho.
-Não... Tô é cansado! Desde que começou esta onda de calor que estes idiotas vêm fazer reunião aqui no setor de frios e congelados do mercado, tiram tudo do lugar e nunca arrumam.
-É complicado...
-Muito, agora, por favor, joga os frangos de volta na gôndola resfriada onde estava sentada a gorda, me ajuda a por as carnes de volta no freezer onde o japa tava encostado e fecha a porta das geladeiras todas, por favor...

20 de jan de 2015

O pior pesadelo

-Então é pra cá que a gente vem quando morre?
-Não, na verdade não... Você não morreu ainda, o paramédico está tentando te reanimar.
-Então?
-Bem... Deixa eu explicar...

Gildo tinha acordado pela manhã e como sempre nas Segundas-feiras estava atrasado.
Pegou a roupa em cima de uma pilha que estava dobrada, se vestiu às pressas e saiu correndo.
Ao chegar ao ponto de ônibus lembrou-se de checar algo que lhe amedrontava: que roupa íntima estava vestindo.
Em seus piores pesadelos era atropelado e quando chegava ao hospital, para que lhe fizessem curativos lhe tiravam as roupas e descobriam que ele estava de calcinha e não de cueca.
Geralmente acordava aos berros, transpirando litros e tinha de ser acalmado por sua esposa.
A paranoia era tanta que sua gaveta de cuecas ficava em uma cômoda separada do guarda roupas do casal.
Naquele dia, estava tudo em ordem. Até freada tinha.

-Quando se morre sem resolver algum assunto na Terra, vem para cá: o limbo.
-E como sai daqui?
-De duas, uma. Volta e resolve lá ou fica aqui pra sempre. Mas tem que decidir logo, se não o médico lá desiste e te dão por perdido.
-Então tem como voltar?
-Tem, mas esbarra nesta burocracia.
-Burocracia... Pensei que isso era coisa do inferno.
-Não pô... Pra ir pro inferno é direto. Sem escalas.
-Mas eu não tinha nada pra resolver.
-Tinha sim... Tinha que enfrentar seu medo.
-O que? Ser atropelado? Eu fui, oras...
-Mas não estava de calcinha. – e contém o riso.
-Mas nem! Eu sou muito macho.
-Bom... É o seguinte...
-Diz.
-Tem que decidir agora. Vai...
-Eu fico aqui.
- Pensa bem... Não vai ver ninguém, não vai falar com ninguém depois de eu sumir. Aqui não tem cerveja, não tem futebol, não tem mulher, não tem rock, não tem nada...
 -Hum... É. Bem chato.
-Pois é. Então volta e...
-Não.
-Deixa eu terminar... Você volta até a manhã antes do fato... Vai ser atropelado, tudo de novo, mas vai resistir e viver por mais algum tempo.
-E você pode fazer isto? Você é Deus?
-Chame como quiser... E então? O que decide?
-Quanto tempo?
-Se interessou heim? Mas o tempo eu não vou dizer.
-Hum... Não... Nem ferrando. Já disse, sou macho.
-Eu já te disse que todas as suas vontades e angustias vão continuar com você aqui?
-Ah é?
-É... Isto aqui pode ser pior que o inferno viu...
-Bem... Eu vou pensar e...
-Pensar nada... Tem que resolver agora, to vendo na tela do computador aqui que o paramédico ta quase desistindo.
-Tá bom, eu volto.
-Ok... Vai, vai, vai...

E então Gildo acorda. Como sempre nas segundas está atrasado.
Levanta-se às pressas, pega sua roupa em uma pilha que estava dobrada, para em frente à gaveta de roupas de sua esposa e sente uma vontade enorme de vestir uma de suas calcinhas.
Olha para os lados como se verificando se não há ninguém vendo e escolhe uma preta. Na verdade apenas dois fiozinhos. Um na cintura segurando o tapa-esfiha e outro atrás.
Veste e logo coloca a calça jeans por cima. Coloca a camisa, os sapatos e corre para o ponto de ônibus.
Nem sequer chega a atravessar a rua. Um Corcel amarelo o atinge e o arrasta por um bom trecho da rua.
Alguns minutos depois chega a ambulância e a primeira providencia do paramédico e lhe tirar os frangalhos de roupa que lhe cobriam os machucados e dificultava o atendimento.
Profissional, não comenta e nem sequer internamente ri, mas infelizmente, não consegue reanimar Gildo.
No velório não havia outra conversa que não fosse a calcinha. Se estivesse vivo, morreria de vergonha.

Então chega ao limbo e encontra o mesmo ser que lhe havia feito a proposta de volta e este, com um sorriso mofino e sacana diz:
-Com tanta calcinha enorme na gaveta você tinha que pegar logo aquela?
-Não vem não, você me enganou, disse que eu resistiria. Me enganou...
-Mas você também não foi sincero. Por isto está aqui.
-Como não? Sempre disse que morria de medo, tinha pesadelos até, de morrer e estar com uma calcinha.
-Disto eu não duvidei, nunca, mas ficou aqui se dizendo machão e tal... Fio dental Gildo? Logo fio dental?

19 de jan de 2015

Hashtags relevantes para a F1

E finalmente um sopro de bom senso prático: liberaram a Honda para desenvolver seu motor livremente como todas as outras fabricantes em 2015.
Bom para a categoria, que pode contar com mais um motor forte e – talvez - fazer sombra aos Mercedes.
Bom para a McLata que agora sabe que deve trabalhar bem em seu chassi, porque os nipônicos vão trabalhar, e muito, em seu produto.
Bom para o Alonso, que sabe que vai contar com gente competente trampando duro para que ele vença.
E bom para os fãs, que vão poder gritar: “chupa Alonso, chupa Mclata” a cada mico que eles pagarem neste ano.
Se eles vão pagar mico?
Sinceramente não sei, mas sou torcedor da Williams logo vamos mandar: “Chuuuuuupa Mclata, chuuuupa Alonso.” E vamos complementar com a hashtag: #ComAHondaETudo .

E a tal “tabela Verstapen” para obtenção da superlicença parece ter feito sua primeira vítima: Susie Wolf, piloto de testes da Williams.
A mulher não pode mais ser piloto de testes por não reunir as condições impostas pela FIA para tanto.
Ela não tem os pontos suficientes por não ter feito corridas na categoria, não ter passado os três anos em categorias de acesso e, principalmente, não ter dezoito anos completos.
Ah! Tá duvidando? Então tá... Pergunte a ela - ou qualquer outra mulher - a idade verdadeira e receba a resposta: “-Não te interessa, indelicado...”
Mas os fãs dela devem relaxar...
Ela é esposa do Toto Wolf, e caso não deem a ela o documento, logo aparece uma choradeira e boatos de que a Mercedes vai embora...
É capaz dela não só receber a superlicença, mas também a titularidade na Williams e o título mundial no fim da temporada.
Hum... Pensando bem, acho que vou criar a hashtag: #ChoraAiToto.

A Marussia ainda pode competir em 2015.
Segundo um diretor executivo do time, nada essencial foi vendido nos leilões.
Vamos consertar a noticia.
Nada foi vendido nos leilões: ninguém quer lixo.
E o essencial para correr eles não poderiam leiloar porque não tinham: dinheiro.
Outra hash? #Foda-seMarussia

16 de jan de 2015

Rock in Rio 30 anos: o legado

Lá se vão trinta anos da primeira edição do Rock in Rio...
E provavelmente muita gente vai dar aqueles chiliques com voz esganiçada: “Aquele foi com rock mesmo!”.
Será?
Claro, teve Queen, Iron, Yes, Ac/Dc, Scorpions entre outros nomes.
O rock era a música da moda na época, mas nem tudo tinha qualidade...
Go go´s, Nina Hagen, B52´s além de serem ruins para caramba ao vivo, tinham um repertório totalmente pop. Ou como era rotulado: new wave.
Há de se lembrar também da grade nacional do festival.
Moraes Moreira e Alceu Valença tenham um pé no estilo (ouvir obrigatoriamente Novos Baianos ou o disco Vivo de Alceu Valença).

Mas e Elba Ramalho, Ivan Lins e Eduardo Dusek?
A cena rock no Brasil estava nascendo e levou ao palco nomes - hoje icônicos - como Barão e Paralamas.

Mas o que aqueles dez dias de paz e rock, como dizia o slogan, deixaram como legado?

O debut dos grandes eventos de música no pais mostrou aos grandes nomes da música o potencial comercial do país, apesar dos riscos de calote, roubo de equipamentos (o roadie chefe do Queen disse que a equipe dormiu em cima das caixas para se precaver).
Após o primeiro Rock in Rio, grandes nomes do momento passaram a incluir Brasil – e América do Sul – no itinerário de suas turnês.

Depois do festival aconteceu também o grande boom do BRock revelando uma cena muito boa e com nomes que até hoje são cultuados.
Se outra edição tivesse sido feita imediatamente ou no máximo dois anos após, provavelmente teríamos todos os grandes nomes no palco: Titãs, Legião, Engenheiros, Camisa de Vênus além dos já citados Barão, Paralamas...

E talvez o mais importante: lembrar pela ultima vez o porque do rock ser temido e visto como algo subversivo.
O então governador do Rio de Janeiro, o gaúcho Leonel Brizola, homem da esquerda, populista e um tanto hipócrita (para caramba!) com medo do que o festival pudesse ter rendido politicamente junto à juventude par a seus idealizadores, os irmãos Medina, logo após o fim do festival, mandou por abaixo toda a estrutura construída na então longínqua e deserta Barra da Tijuca.

Não foi pouca coisa não...

15 de jan de 2015

F1: Muito desserviço

Felipe Nasr disse em entrevista que a expectativa aumenta por ele ser um piloto brasileiro.
Onde?
Entre os fãs da categoria que só veem a transmissão oficial do Brasil?
Pode ser... Inflam a expectativa por algo que certamente não é tão importante e muito menos tem chances de ser um “sucesso” nos padrões dos seus próprios expectadores.
Mas para quem assiste e procura se informar minimamente possível a pressão da expectativa é zero.
É zero por ele ser um novato e é menos zero por estar em um time que não terminou o ano em um bom momento – pelo contrário - e não apresenta perspectiva de melhora para a temporada que se aproxima.
“Ah! Mas é por ser brasileiro, sabe como é, tem o fator Senna e ai...”.
Poxa gente... Depois do Senna já teve Rubinho, Massa, Nelsinho, Bruno...
Se ninguém aprendeu a baixar a bola após estes nomes, não vai ser agora, mas assim, já tá na hora de ser honesto e dizer: nunca mais teremos um campeão a não ser, claro, se ele se sentar no carro do ano e não tiver um companheiro de equipe minimamente melhor.
Ok! A forma de venda do produto pela sua retransmissora oficial no país é calcada na presença de um brasileiro com condições (reais ou imaginárias) de vitória, mas não precisa tratar o mundo todo, o tempo todo como imbecis funcionais.
No fim das contas esta estratégia acaba depondo contra o produto e o próprio esporte.
Ninguém vai mais assistir o treco porque vai se sentir enganado pela propaganda de que um patrício pode vencer, e se um patrício não pode vencer para que assistir?
E se ninguém assiste, para que exibir?
Não é um desserviço?


Este espaço não cansa nunca de criticar Hermann Tilke.
Desde chamar de construtor de cartódromos até acusa-lo de usuário de paint brush contumaz passando por useiro e vezeiro de crtl C/Crtl V nas suas “obras”.
Às vezes fica até chato falar algo, mas o alemão dá motivo.
Agora disse que tentou manter as características do circuito Hermanos Rodriguez no México.
Claro, claro... Ele manteve a característica original de ter asfalto na pista.
E a despeito de não ter mexido totalmente no traçado, matou tão somente a curva mais característica do traçado, pela qual, aliás, era apreciado e temido.
A descaracterização dos principais traçados mundo afora e a construção de pistas cada vez mais insossas também não deixa de ser um desserviço.
Na linha escura o traçado original 

14 de jan de 2015

Crônica de um dia quente (em que a cabeça não funciona direito)

-Pô, que bicho feio é este ai? – perguntou o Baixinho.
-Sei lá... Só sei que é um pássaro. – respondeu Dinei.
-E como sabe que é pássaro?
-Tem pena, passa a mão nele...
-Eu heim... Vai que este bicho morde.
-Não morde não...
-Como cê sabe?
-Pássaro não morde.. No máximo pode bicar... E olha eu to segurando ele e não me bicou ainda...
-Vamos levar ele pro professor de biologia pra ele dizer que pássaro é este.
-Acho que é um pombo... Olha as cores do bicho: branco e preto. É pombo.
-Muito grande pra ser pombo.

No caminho até a escola onde estudavam as duas antas levavam o pássaro debaixo do braço e ouviam gracejos dos mais velhos.
-Vai por em cima da geladeira?
-Cadê o outro pra formar o logo da Antarctica?
E os dois – obviamente - não entendiam.
 Ao chegar à escola encontram o professor de biologia já de saída.
-Fessor.. Pera ai... Diz pra gente que tipo de pássaro é este aqui.
E mostram para o professor.
-Putz... Onde cês acharam ele? – perguntou o professor.
-Tava perdido na avenida da praia... – respondeu o Baixinho com o pássaro ainda debaixo do sovaco.
-Deve ter chegado aqui perdido em uma corrente marítima... Você deu alguma coisa para ele comer?
-Dei sim...  Salsicha.
-Cê é burro heim, Baixinho? Onde já se viu pombo comer salsicha? – tirou uma onda Dinei.
-Não é pombo sua besta... Já falei é muito grande pra ser pombo.
-Ele tem razão, Dinei. Não é pombo. É um pinguim.
- Que isto fessor... Pinguim tem um bicão – retrucou.
-Pqp! Às vezes me pergunto em que vocês estão prestando atenção quando estou dando aula... Este ai é o tucano Dinei!
-Tucano fessor? Gosto deste bicho não... É símbolo do Palmeiras... – Dinei era corintiano.
-Depois eu é que sou burro! – se indigna Baixinho – Aquilo é um porco, porra!
-E desde quando porco tem pena sua anta!
-Molecada... Deixa esta conversa de doido pra lá e me dêem o pinguim aqui pra eu levar pra onde possam cuidar dele.
O corintiano entrega o pássaro ao professor sob o olhar desconfiado do Baixinho.
-Vou levar para uma clinica veterinária... Salsicha, onde já se viu...

O professor põe o carro em movimento pensando onde é que estavam errando com a educação desta molecada. Liga o ar condicionado e coloca na potência máxima para que o pinguim se sinta ao menos um pouco melhor.
Na porta da escola as acusações de burrice mutua continuam.
De repente um pavão aparece caminhando pela rua e Dinei ao avistar este novo bicho se assusta
O pavão, impassível e tranqüilo abre a penagem da cauda em leque, exuberante.
-Pqp Baixinho! Olha aquilo!
-Carai! Que porra de galinha grande é aquela?

12 de jan de 2015

FIA: dois tópicos

F-E não é categoria de acesso, disse a FIA.
Discordo!
É categoria de acesso se pensar que é possível sim sair daqueles carros feios e tristes para coisas mais potentes e velozes.
O que?
Pô... É só dar uma passada nos sites da Eletrolux, da Arno, da Brauwn e ver quantos aspiradores de pó, lavadoras de pressão, enceradeiras de piso são mais rápidas e potentes que aqueles trecos.

Só que isto gera outro problema: o de não ser categoria de acesso e por isto não servir às exigências novas para a obtenção de superlicença.
Como é que um Zé Mané daqueles que pilotam lá na categoria de carrinhos de bate-bate vai poder fazer o upgrade para um possante Ultra Asper One 56000 da Brauwn, daqueles que sugam até pensamento?

Se bem que... Aquilo vai acabar virando um limbo mesmo.
Reservado ao filho deste, sobrinho daquele, primo do outro e demais rejeitos que não se adaptaram a outras categorias mundo afora.
E – bate na madeira – se aquilo for o futuro do automobilismo, meus caros... Vamos perder algo que nos divertia muito.

Outro ponto.
Agora é necessário ter no mínimo dezoito anos e uma carteira de motorista para se pleitear a superlicença e correr na F1.
Com isto e se não mudarem as regras logo mais, Max Verstapen será ad eternum o mais jovem piloto a alinhar para uma largada em uma prova de F1 na história.
Os novos critérios incluem – além da idade e da CNH – a necessidade do piloto aspirante ter disputado ao menos três anos em categorias de base e ter marcado ao menos quarenta pontos, o que se consegue sendo campeão – por exemplo – da F3 europeia.
A medida, que está bem longe de ser ruim, vai dificultar que coisas como Devagarde, Chilton e companhia bela apareçam no grid apenas por ter uma carteira mais gorda que os outros.
E a palavra usada foi correta: “dificultar” em vez de “impedir” porque com três anos de F3 europeia conseguindo como melhores resultados a terceira colocação no campeonato, o piloto tem direito a pleitear a superlicença, não sendo, portanto necessário ter sido o campeão em ano nenhum, logo, se a equipe que vier a buscar seu piloto nesta categoria quiser optar pelo mais rico ao invés do melhor colocado, tudo bem...

Ia fazer uma piada, mas... Deixa para lá. A FIA, em minha opinião, acertou esta.
Principalmente na regra da idade.
Fico de cabelos em pé em pensar o que aconteceria com a categoria se algo ruim acontecesse nas pistas á um menor de idade, um adolescente...

9 de jan de 2015

Música de sexta: Freedom (#JeSuisCharlie)

Em 2001, logo após os ataques às torres gêmeas do WTC, Paul McCartney se fez ouvir com o que melhor sabe fazer: uma canção.
Nela ele diz que a liberdade é dada por Deus e que ele iria usa la da forma que melhor lhe prouvesse.
Esta liberdade inclui acreditar no deus que achar melhor, ou mesmo em nenhum se for o caso.
Mas a canção não era sobre religião e sim sobre liberdade.
A liberdade de poder viver, agir, falar, pensar, produzir sem ser incomodado por patrulhas emburrecidas.
Sem correr o risco de ser atacado por criminosos travestidos em artífices de alguma causa à qual não concordamos.
É nosso direito não concordar, é nosso direito expressar esta não concordância, é nosso direito até incorrer ao mau gosto.
Mas não é direito de ninguém nos matar por isto.
Em tempo: toda a renda gerada pelo single foi revertida para as famílias dos policiais/bombeiros mortos nos ataques.

8 de jan de 2015

Je suis Charlie

Muito me enjoa saber que ainda há gente que contemporize. Que tente justificar sob qualquer que seja o ponto de vista a barbárie cometida contra a Charlie Hebdo em Paris.
É desprezível.
Será que este povo também acha que a sentença de morte de Salman Rushdie deveria ter sido cumprida?
Até quando teremos que suportar este tipo de coisas?

Se o humor não fosse importante, os olhos dos homens grandes (não confundir com grandes homens) não estariam tão voltados à sua vigilância; os lápis vermelhos da censura seriam engavetados ou desapontados, ou melhor, ainda: os dedos já não apontariam cortes e proibições e muitas bocas deixariam de ser caladas.” 
Chico Anizio - 1931/2012

Porque palavras e desenhos não se equivalem a rifles e fuzis... 
E eu estarei sempre ao lado das primeiras.

7 de jan de 2015

F1: O mais interessante para esta temporada

A equipe é inglesa. E uma das mais tradicionais.
O piloto é espanhol, o melhor de F1 vindo daquelas plagas.
O motor é japonês, até há outros, mas nenhum tão vencedor como este.
A equação é simples tendo em mente as partes.
Um time tradicional + um piloto fora de série + um motor sempre muito bom = equipe muito forte e favorita.
Claro, talvez não na primeira temporada nem na segunda...
Tudo depende.

Depende do quanto a McLaren acerte em seu chassi, depende do quanto a Honda possa trabalhar em seu motor e principalmente: da paciência de Fernando Alonso que vê á cada ano a idade apertar (e aumentar) e nada de um terceiro título mundial pingar em seu currículo.
O tempo útil de sua carreira vai se esvaindo, quanto mais velho, mais complicado de manter o alto nível de pilotagem.
O fato é que esta temporada, tanto para o piloto, quanto para a equipe e o motor é de transição.
E são os únicos para quem a temporada será assim.
Todos os outros trarão experiências e upgrades do ano anterior, ou seja, para a McLaren vai ser mais difícil e desafiador.
O que também quer dizer que é um ano sujeito a muitos “chupa Alonso”, ou não...
Tudo é suposição ainda, enquanto os carros não forem para a pista à vera.

De verdade, o que temos é que esta associação de equipe, piloto e motor é a coisa mais interessante de se acompanhar neste ano.
E eles sabem.
O cartaz que criaram dá o tamanho da expectativa.

Mas... Nisto tudo, onde é que fica o Button que nem é citado?
Ai nego fica bravo quando escrevo que ninguém liga para ele.

6 de jan de 2015

Enter 2015: a imbecilidade com poder nas mãos (lá fora)

Definitivamente, ter imbecis no poder não é exclusividade nossa.
Na Argentina, país aqui do lado, alguns devem conhecer, também há idiotas mandando.

Há quem defenda, e eu creio nisto também, que a guerra das Malvinas, ou Ilhas Falklands foi uma peneira posta a frente do sol pelo general Galtieri que substituíra Viola, que por sua vez tinha entrado no lugar de Videla, para tentar mascarar a derrocada da desastrosa ditadura militar que governava (?) o pais no inicio dos anos 80.
Aparentemente deu certo, pois mexeu com os brios do povo argentino que – sabe-se lá por que caralho – apoiou uma guerra contra os ingleses (superiores em número, armas e treinamento) por um pedaço de terra que já na época não queria pertencer à Argentina.

Agora, mesmo depois de um referendo em que o povo de lá reafirmou querer pertencer à Inglaterra, o governo resolveu reabrir a ferida e tentar incutir o mesmo espírito “patriota” na cabeça dos argentinos.
Para tal a arma da vez é a velha propaganda.
Por conta de uma lei, todos os meios de transportes públicos deverão estampar a frase: “Las islas Malvinas son argentinas mesmo com noventa e oito por cento da população local não concordando com a colocação.
Próximo passo?
Quem sabe declarar guerra novamente contra os ingleses? Afinal a situação é quase a mesma: país quase falido e imbecis tentando se manter no poder a todo custo.
Resta saber se a população vai cair no conto do vigário de novo.

Mas para não dizerem que aqui só tem gente insensível e que não consegue respeitar as imbeci... Digo... As decisões alheias (mesmo quando elas são idiotas) vão algumas sugestões para frases para estampar nos busão, nos trenzão, e nos avião argentinos e assim levantar a moral dos sugestionáveis e irritar os ingleses. Ainda que lá do outro lado do Atlântico não estejam nem ai para isto.

 “Islas Malvinas son argentinas, pero non contem para elas...”.
 Dio salve La Reina és mejor que Queen”
“Chorizo > que fish and chips”
“Bamos tomar las Malvinas e tambíem Wembley”
“A Dilma ajuda nosostros”
“Islas Malvinas son nuestras e Beckhan é viadon”

Embora pense que deveriam - uma vez só na vida - ter algum tipo de humildade e estampar a frase: “Malvinas só non son argentinas porque em 82 tomamos en el culo”
 Ou quem sabe em um raro momento de lucidez ainda poderiam acrescentar: “E se levarmos adiante esta nova idiotice, tomaremos de novo!”.

5 de jan de 2015

2015 enter: F1

A F1 não vai passar por um ano de grandes revoluções.
Não há nada de novo nos regulamentos (por enquanto) que indique isto.
Os motores, até onde se sabe, continuarão os mesmos V6 turbo sem som.
É ruim?
Até que não... Para quem assiste pela TV a diferença é realmente pouca e acredite, poderia ser pior.
Poderiam ser elétricos.
Os bicos horríveis talvez mudem, talvez não... Quem se importa? O expectador?
Pode ser, mas quem na F1 se importa com o expectador?
E como dizia Collin Chapman: carro bonito é o que ganha.

A pergunta mais frequente e mais clichê é: quem vai desafiar/derrotar a Mercedes?
Williams? McLaren Honda? Red Bull Renault? Ninguém?
Apostaria na última opção.
Não por desconfiar da capacidade dos outros, ou enxergar algum ingrediente político de teoria de conspiração, mas por não ver no horizonte alguma mudança.

Na Williams o progresso foi visível, mas não chegou a realmente incomodar os alemães. Tudo foi progressivo, lento e gradual. Conta com dois pilotos bons, mas um aparentemente não é talhado para ser campeão (Massa) e o outro até é, mas não ainda.
Bottas não foi testado suficientemente ainda, não andou na frente, não sofreu pressão, não teve um carro realmente em condições de vencer corridas (no plural) ainda.

O projeto dos ingleses da McLaren com os nipônicos da Honda é promissor, mas não em curto prazo. Há de se ter paciência, e convenhamos, nisto os japoneses são mestres.
Alonso é que não é.
Para sorte dos torcedores desta equipe, o espanhol é a parte mais fácil de ser trocada na equação toda.
Por outro lado, se funcionar, ele é o cara certo para conduzir tudo na pista.

Os malucos das latinhas de energético, segundo gente bem confiável, tinham um chassi ótimo (cortesia de Adrian Newey) que não tinha um motor que prestasse.
E continua sem.
Ainda assim ganharam três corridas e com o segundo piloto, ou seja, material humano ainda há, mesmo sem Vettel.

O que pode parar a Mercedes então?
Os próprios.
Enroscados nos louros da vitória, subindo no salto alto, na instabilidade do piloto campeão deste ano (maturidade é o cacete, é muito fácil ser tranquilo e focado quando se está ganhando e protegido) e a mediocridade do piloto vice-campeão.

Mas e a Ferrari?
Eles contrataram Vettel, reestruturaram um monte de coisas e departamentos, mas... É a Ferrari, não dá para levar muito a sério não.
São 8 ou 80, ou ganham tudo e dominam ou é a piada do grid.