29 de mai de 2015

Man on war

Alguns anos atrás o Manowar se apresentou em São Paulo e o crítico musical Regis Tadeu resolveu motivado sei lá porque, ir à porta do show provocar os fãs da banda com a seguinte pergunta: “-Por que o Manowar consegue arregimentar tantos fãs tão fiéis?”.
Deve-se colocar aqui que antes de fazer tal pergunta, na cabeça da matéria o crítico chamou a banda de “ridícula” e “patética em termos de som e imagem”.
Ao saber disto, os fãs, que não são lá as pessoas de mente mais aberta neste mundo, além de não conseguirem dar uma resposta lá muito satisfatória, ainda se enfureceram e passaram a atacar o critico de uma forma mais agressiva.
O famoso “diga o que quer, ouça o que provavelmente não queira...”.

Mas o Manowar é ridículo?
É sim... Uns caras marombados, fortões, vestidos em roupas de couro embaladas a vácuo cantando canções com temática medieval com gestos grandiosos.
Mas até ai também são ridículos os rappers com suas caras de mau, os sertanejos com suas calças apertadas e chapéus descomunais, os funky boys com suas cuecas aparecendo... O que os faz também patéticos em termos de imagem, não?

Então porque os caras fazem tanto a cabeça dos fãs a ponto de deles quase embolacharem o fanfarrão dublê de jurado do Raul Gil?
Porque são divertidos, catzo! E rock, música no geral é para ser divertido.
Se fosse para levar a sério, melhor ir ouvir orquestras sinfônicas tocando peças eruditas.
Viva o ridículo e patético.
Manowar!

28 de mai de 2015

Grite gol

Não há outro assunto... Talvez até haja, mas...
Curiosamente o que foi escancarado pelos malditos imperialistas ianques, reis do capitalismo era sabido por toda a gente do “bem” que nunca fez esforço algum, sabe-se lá porque – em levar á luz ao assunto.
Incluem-se jornalistas. Quando muito três ou quatro falavam sobre o assunto e eram desacreditados e ridicularizados.
Foi preciso que o estouro da represa da FIFA fosse feito por autoridades de um país que sequer tem tradição no esporte (creio eu que ainda nem goste muito da coisa) enquanto os países em que “o futebol é a coisa mais importante dentre as não importantes” não viam, ou fingiam não ver, nada de errado apesar de tudo.

O que é o tudo?
Clubes que ficam devendo ao fisco, aos atletas, aos funcionários mais humildes e nem eram incomodados, pelo contrário... Mesmo devendo os tubos ainda contratavam outros atletas a peso de ouro, fechavam contratos de patrocínio com os mesmos a quem deviam.
Clubes que vendem os jogadores mais badalados do país em anos, por um dinheiro antes nunca visto numa transação no país e ainda assim não conseguir saldar divida trabalhista e nem davam conta do dinheiro depois.
 E não foi uma vez só que aconteceu com o mesmo clube e nem foi com um clube só no país todo.
Clubes que vivem na corda bamba financeira e ainda ganham (com ajuda da federação e governo) estádios modernos e caríssimos sem coçar o bolso.
Onde contratos de patrocínio são assinados sem nenhum tipo de transparência entre clubes e empresas estatais, bancos públicos etc.
Sem contar a farra com grana pública para a realização do principal evento do esporte.
E isto só por aqui...

Mas só para constar e finalizar.
Prenderam alguns, começaram a pregar a moralização e tudo o mais.
Porém não vai mudar nada.
Grite gol.

27 de mai de 2015

Crônica do GP: Um fim de semana memorável

Esta “Crônica do GP” não é sobre a F1... E nem podia.
Poucas horas depois do final surpreendente da corrida no principado teve inicio a mítica corrida no Indianápolis Motor Speedway: As 500 milhas de Indianápolis.
O evento é algo que vai além da baqueada, enfadonha e esvaziada Formula Indy.
Apesar de contar com os mesmo pilotos e equipes, a corrida tem alma própria... Uma vida que não há no restante daquele campeonato.
A atmosfera é outra.

Tem lá algumas coisas que não se entende, como o pessoal que deixar pra fazer splash and go na última volta e tal, mas quando a coisa é decidida na pista, à vera mesmo é algo inigualável.
É uma corrida longa e que em algumas edições pode ser realmente entediante a sua parte central.
Mas quando os manetas de lá estão inspirados e fazem das suas provocando acidentes espetaculares a coisa engrena de tal forma que é difícil ficar indiferente.

Este ano foi assim: disputas durante toda a prova, muitos lideres em diversas circunstancias.
Gente com mais gasolina, com pneu mais novo, mais velho, estratégias... Ninguém ficava muito tempo à frente.
Dixon, Tony, Pagenaud, Power... E por fim Montoya.
O colombiano fez tudo certo, ficando à frente e defendendo a posição nas ultimas curvas como gente grande (e gorda) e levou sua segunda vitória no templo da velocidade em três participações.

Bom seria que a categoria visse isto como uma necessidade de voltar às raízes e colocar mais ovais no calendário.
Desde que aumentou o número de mistos em relação aos ovais a categoria só decaiu, mas enfim...
As corridas deste ano lembrou o porquê ainda amamos tanto este negócio louco de acelerar e fazer curva a trezentos por hora.

Sobre a F1...
Melhor deixar de mimimi com a idade do Verstapinho quando se fala do acidente com Romain Grosjean e ajudou a definir a prova dos lideres.
Poderia ter acontecido com qualquer um...
É só lembrar que o Maldonado é bem mais velho e faz daquelas quase toda corrida.
Óbvio que ninguém quer ver ninguém morrendo nas pistas, mas – além das ultrapassagens, claro, - o público ainda vê corridas para ver acidentes.
Se eles ajudam a definir corridas, tanto melhor...
Deixem o aprendizado do moleque em paz.

26 de mai de 2015

Lado B do GP: Os burros de Mõnaco

Maldonado... Ah! Maldonado...
Consegue acabar com freios em oito voltas.
Consegue nestas oito voltas quebrar o bico de pelo menos um carro.
Consegue estar na F1 desde 2011 e nunca terminar um GP de Mônaco.
Bem que podiam colocar ele em um avião e dar um carro pra ele disputar as 500 milhas de Indianápolis... É bom ver um ser humano - e por tanto falho pra caramba - pilotando um carro de corrida de vez em quando.

Alonso fez caquinha na largada e foi punido com cinco segundos.
Se não tinha se arrependido até agora de ter trocado de equipe por conta do carro ruim, certamente se arrependeu agora.
Quando estava na Ferrari não era punido, foi só ir pra McLaren para perder imunidade.


Vertapinho é malandro.
Usou o carro do Vettel que ultrapassava um retardatário para fazer a sua.
Só que ai achou pela frente o Grosjean, que não é flor que se cheire.
Acabou a malandragem quando os dois foram para fora da prova.
E neste ponto a discussão sobre diminuição da maioridade penal ganhou mais um defensor: Grosjean quer ver Verstapinho sendo punido.


Mas malandro mesmo é o Rosberg que usa para ganhar a corrida a burrice dos outros.
Não... Não foi na pancada do Verstapinho, mas na burrice do Hamilton entrar nos boxes para trocar pneu faltando tão pouco para o fim da prova.
Ah... Mas foi a equipe que chamou para os boxes...
Claro, mas o “melhor piloto”, “homem da F1 atual”, o “cara” não sabe nada do próprio carro para dizer pelo rádio que não precisava trocar nada naquela hora?
Burro, burro. BURRO!
Jogo dos 7 erros

24 de mai de 2015

F1 2015: Mônaco - O instante que precede o esporro

Mônaco pode ser – e às vezes é – monótono.
Pontos de ultrapassagem só para corajosos e/ou loucos.
Também tem as ultrapassagens feitas em cima de erros...
A pista apertada, estreita, sinuosa, travada etc. É a grande causa.
Mas é natural... Afinal, aquilo tudo não é um circuito de corrida construído por um desenhista, mas feita de acordo com as possibilidades e topografia do lugar.
Diferente de lixos como Abu Dhabi e outros circuitos de autorama.
Sem contar o visual que é naturalmente incrível e não precisa de jogos de luzes, lusco fusco, hotel que muda de cor e outras besteiras que ajudam a distrair o fã da chatice de fila indiana da corrida.

Outro ponto positivo de Mônaco é a falta de áreas de escape.
Erros no principado são punidos de verdade.
Fez merdinha, vai ficar fora da corrida, não há aquelas áreas de escape de um quilometro que ajudam os mais manetas a não ficar fora da prova.
E fazer merdinha em Mônaco é coisa muito fácil já que em pelo menos 95 por cento da prova se passa a milímetros dos muros e guard rails.
E é isto que dá emoção a prova.
A possibilidade de um gênio como era Ayrton Senna bater na entrada dos boxes por ter se desconcentrado estando quase um minuto à frente do segundo colocado.
Se aconteceu com ele, imagina com tipos limitados e superestimados como os pilotos da atual equipe dominante?

Um ponto negativo é que se não há algo diferente na largada, como uma grande confusão na Saint Devote, por exemplo, as chances de não acontecer mais nada durante as setenta e oito voltas também é bem grande.
Salvo uma ou outra coisinha.
E este ano foi assim: tudo muito normal.
Largada limpa, time dominante pulando na frente e abrindo.
Nenhuma ultrapassagem dos ponteiros e protagonistas. Apenas algumas no meio do pelotão, que não deixam de ser bacanas devido à dificuldade natural.
Nada demais nas paradas de box e por fim, o Alonso fora da prova, o que também tem se tornado coisa comum no ano.

Mas o marasmo é apenas um despiste, um disfarce, num instante tudo pode mudar...
Do nada, Verstapinho fazendo uso de sua adolescência e por consequência a falta de noção, tenta ultrapassar Grosjean na base da força.
Romain também não é flor que se cheire... E em um instante os dois fora!
E Hamilton - lá na frente – foi convencido pela equipe de que poderia ir para os boxes e voltar na frente ainda.
Se ferrou! Perdeu a posição para os dois alemães. O da própria casa e o da Ferrari.
E a vitória acabou caindo no colo de Nico Rosberg que, de quebra, ainda ganhou com segunda posição de Vettel um upgrade na briga pelo campeonato.
Assim é Mônaco: pode passar do silencio, do marasmo total a explosão da emoção em questão de instantes.
Só reclama de corrida no principado quem não gosta mesmo do esporte.
Para estes: vão dormir, vão...

22 de mai de 2015

Notícias do Principado

Sauber criticou a volta do reabastecimento, mas não foi pelo gasto com o combustível:
“-Vamos ter que contratar um frentista e se vierem com aquela ideia de cobrir cockpit ainda teremos que gastar com flanelinha...”
Mas não vejo muita razão de reclamar sobre a volta do reabastecimento.
Além de abrir um leque grande de estratégia para a corrida, os times deveriam ficar contentes, afinal, a gasolina que vão comprar não é daqui do Brasil...
Se fosse, até a Ferrari ia à falência.

Jenson Button, e eu li isto no site Grande Prêmio, disse que exagerou nas declarações após a corrida de Barcelona.
Como sempre, ninguém ligou para o que ele disse. Ninguém repercutiu, ninguém deu à mínima.
Ninguém ligaria nem se ele tivesse gritado a declaração na entrada do túnel de Mônaco só de cueca.

Lewis Hamilton disse que até pensou na Ferrari, mas o coração é da Mercedes...
“-Se eu fosse pra Ferrari continuaria sendo um Zé Mané de meio de grid...” – completou.

Já Alonso disse que a Honda está focada em melhorar a dirigibilidade em Mônaco.
Ué? Vai ter mais de uma corrida lá este ano?
Por que não melhorar logo para o restante da temporada?

Vettel, mesmo tomando 1,1s da Mercedes disse que acha a Ferrari se aproximou.
“-Eles pararam nos boxes, ai eu cheguei perto, mas eles aceleraram e saíram logo...”

20 de mai de 2015

Mônaco = tradição

Não existe F1 sem o GP de Mônaco.
Não há pontos (fáceis) de ultrapassagens, não há áreas de escape... Nem retas decentes.
Aquela que passa diante dos boxes, onde se dá a largada até é chamada de reta, mas só com muito boa vontade.
Mas não é um lugar onde não acha emoção como muitos dizem.
A emoção em Mônaco vem na forma de tensão. Porque não há outra definição cabível para se andar a duzentos quilômetros por hora a milímetros dos muros, guardrails e cercas.
Nem todos gostam.
Senna pelo visto adorava. Venceu lá seis vezes.
Schumacher outras cinco.
Emerson e Piquet nunca venceram.
Piquet, aliás, não gostava nem um pouco de lá: “-É como andar de bicicleta na sala de casa”. – dizia.

Dois GP´s de Mônaco vêm imediatamente à cabeça: 1988 e 1996.
No primeiro, Senna folgadão lá na frente com quase um minuto de vantagem sobre Alain Prost quando, (segundo Ernesto Rodrigues e seu livro “O herói revelado”) pelo rádio, recebeu dos boxes a recomendação de diminuir o ritmo. Senna perdeu a concentração e bateu no guardrail na entrada do túnel.
Para muitos, incluindo eu, foi o ponto de viragem da carreira de Ayrton.
Um outro piloto, muito mais concentrado e muito mais dedicado surgiu dali.
Foram cinco vitórias seguidas nas ruas do principado

Em 1996 a corrida foi tão amalucada que o vencedor foi um improvável Olivier Panis pilotando uma Ligier com motor Mugen-Honda.
O chove e para daquele ano fez com que apenas quatro carros cruzassem a linha de chegada na última volta, que, aliás, foi a de número 75 e não na tradicional 78.
Mais bizarrice?
David Coulthard - o único piloto de equipe grande a terminar a prova a bordo de sua McLaren – correu com um capacete emprestado por Michael Schumacher.

19 de mai de 2015

BB King: um sinônimo de blues

BB King foi descansar, finalmente...
O homem estava com 89 anos de idade e ainda trabalhava. Houve tempos em que fez 350 shows em um ano! E ano passado foi obrigado a cancelar uma turnê por conta de estafa.
Fará falta?
Sim, para os filhos, para os amigos mais próximos e tal.
Os fãs têm os discos, os filmes, os vídeos...
E por falar em disco, este nem é dos mais cultuados, mas é fundamental para quem quer ouvir um blues de primeira grandeza: Live in Cook County Jail.

As vaias e apupos que abrem o disco não são – e nem poderiam ser – endereçadas a Riley B, King, a.k.a., B.B. King e sim para o diretor do presídio que havia sido apresentado instantes antes junto do pedido de que o “seleto público” se comportasse bem durante o show.
Eram dois mil detentos na penitenciária de Chicago que respondiam as solicitações de King de forma até tocante quando este pede no batido esquema “repeat with me” que a ala masculina do presídio faça uma homenagem ao setor feminino.
BB King toca algumas notas em sua guitarra, solta a frase e a bandidagem em uníssono se derrama toda em um enorme “I Love you”.
Com uma malícia que só tem quem está cansado de apanhar da vida, King filosofa: “-As mulheres gostam de saber que são amadas, por isto digam a elas que as amam!” – e depois de uma matreira pausa – “-... mesmo que seja mentira.”.

O registro original lançado em 1971 tem apenas oito faixas.
Começa com o petardo “Everyday I have the blues” em uma versão faiscante e passa por “Worry, worry, worry”, “Sweet little sixteen” até desembocar em “Please, accept my Love”.
No meio de tudo isto, uma versão sentimental ao extremo de “The thrill is gone” que de tão sentida, dá a impressão de o mestre vai sair do palco em prantos, mas o pequeno funk em que a música se transforma em seus minutos finais trazem de volta a alegria que os presos estavam sentindo em ter BB King ali com eles àquela tarde.
Tanto que ao fim aplaudem até os funcionários da cadeia.

Mas... Por que este texto só hoje, se BB King morreu na sexta feira passada?
Para que pressa em celebrar sua vida? Temos a nossa inteira pela frente para ouvir e lembrar o quanto King era sensacional.
E como disse lá em cima, na abertura do texto, BB King foi descansar, não precisávamos incomodá-lo logo no primeiro dia deste descanso.
BB King vive, e viverá para sempre.

18 de mai de 2015

O começo da reação?

A carroça estagnou no alto do morro.
Esta é a imagem mais apropriada à F1 ultimamente.
Mas parece que o movimento vai retornar, ainda que descendo.
Um grupo denominado “Estratégia da F1” se reuniu para discutir medidas para “reanimar” a atual procissão sem derrubar o santo de cima do andor.
Estiveram junto, além do anão da fuzarca onipresente Bernie Ecclestone, o presidente da FIA e dublê de Topo Gigio, Jean Todt e representantes dos principais times da categoria atualmente.

As propostas postas à mesa – para implementação em 2017 – mexem com motores, pneus e a volta do reabastecimento e ajustes aerodinâmicos.
A ideia é deixar os bólidos até cinco segundos mais rápidos.
Mais ou menos seria o seguinte:
Motores mais barulhentos e mais potentes. Até 1000HP embora ainda sejam os V6 híbridos.
Ajustes aerodinâmicos para – além da parte técnica - uma aparência mais agressiva dos carros.
A volta do reabastecimento, que amplia o leque de estratégias possíveis a cada prova.
E o mais importante, por enquanto, é a liberdade de escolha de tipos de pneus -  que aliás, serão mais largos - por parte das equipes a cada fim de semana.
Isto permite que cada time explore o melhor de seu carro em cem por cento e não de forma nivelada como acontece agora.

Também foi discutido o retorno dos “carros clientes” o que além de ser uma fonte de renda para as equipes, também barateia o custo de entrada na categoria de uma equipe pequena.
Também se falou em restringir ajudas eletrônicas ao menos nas largadas, deixando a coisa mais na mão dos pilotos, bem como uma nova formatação para o fim de semana de corrida. Detalhes não foram divulgados.
Única proposta rejeitada de fato, ao menos por enquanto, foi a adição de um quinto motor para as equipes por temporada.

É animador.
Só espera-se que na próxima reunião do grupo marcada para julho no México, as coisas não regridam e sejam apresentadas no lugar mais artificialidades e perfumaria como “asas móveis” e “placas de titânio para fazer faísca”.

15 de mai de 2015

Wilburys

Quando se juntaram pela primeira vez foi para gravar uma canção “lado B” em um compacto extraído de seu álbum Cloud Nine” no estúdio particular de Bob Dylan em Santa Mônica, mas os momentos passados junto de Roy Orbison, Tom Petty e o próprio Bob Dylan foram tão bons que fez com que George Harrison tivesse a idéia de tocar mais vezes com aqueles caras.
E foi o que fizeram.

Só que a idéia original era não ter que encarar o peso de levar a pecha de “supergrupo” que invariavelmente seria aplicada a esta reunião. Afinal, era um encontro de amigos querendo se divertir.
Entram em cena os pseudônimos e então George seria Nelson; Roy seria Lefty; Tom seria Charlie; Bob seria Lucky e para completar o time convidaram Jeff Lynne que adotou o nome Otis.
Como sobrenomes escolheram Wilbury que era uma expressão usada por George e Jeff na gravação do “Cloud Nine” em relação aos erros: “we’ll bury them in the mix” (nós os enterraremos na mixagem”).
Todos ajudaram na composição das canções e acabaram escolhendo o nome Travelling Wilburys para batizar o grupo e ainda em 1988 lançaram o primeiro disco homônimo.

O disco ganhou um Grammy e figura no posto 79 na lista dos melhores discos dos anos 80 da revista Rolling Stone.
“End of the line” que mesmo não sendo uma canção sobre despedida, o clipe acaba fazendo sendo uma homenagem a Roy Orbison que havia falecido poucos dias antes.
Sua presença no vídeo é marcada por sua guitarra que é colocada sob uma cadeira de balanço enquanto os outros tocam as suas e cantam a canção dentro de um vagão de trem.
Quando sua voz é ouvida as expressões nos rostos do restante do grupo ficam visivelmente emocionadas.

A morte de Orbison desestimulou temporariamente a continuidade do grupo que só voltaria em 1990 no segundo disco: Volume 3 (ironicamente, nunca houve um Volume 2) onde mantiveram os sobrenomes, mas adotaram outros nomes para cada um.
A ausência de Orbison também faz com que a grande maioria das musicas do segundo disco sejam de Bob Dylan e isto acaba fazendo com que o grupo acabe se dissolvendo, mas mantendo as amizades originais.
Com a morte de Harrison em novembro de 2001, acabam também as chances de que os Wilburys pudessem voltar a se reunir, mas a beleza desta reunião ficaria para sempre.

14 de mai de 2015

65 anos de F1 (13/05)

O que mais irrita na F1 atual não são nem as corridas ruins.
Nem as vitórias de pilotos meia boca incensados como “geniais” por terem carros muito superiores à concorrência. (Não estou falando do Vettel)
Também não são os circuitos pasteurizados e padronizados (curvinha, retinha, grampo, curvinha, retinha, grampo) do alemão Tilke.
Muito menos a dependência de pequenas falsidades tipo asa móvel para que haja ultrapassagens.
Nem a porcaria dos motores híbridos com som de liquidificador...
Tudo isto ajuda a irritar, mas o que mais pega são pessoas que vivem insistindo que o fã de F1 tem que ir assistir outras categorias. Que a salvação do automobilismo está fora da F1

Não. Não está.
Aliás, o automobilismo não precisa ser salvo, ele vai muito bem, obrigado.
Há sim um monte de categorias com corridas bacanas dentro de suas propostas, incluindo aquele treco horroroso da FE e seus carros equipados com motores de dentista, mas quem gosta de F1, gosta de e pronto.
A categoria completou sessenta e cinco anos de existência e por lá passaram gênios como Fangio, Clark, Senna, Schumacher e muitos outros.
Viu brigas na pista de tirar o fôlego e até fora dela.
Tirando Salazar, duvido que alguém tenha ficado impassível ao ver Nelson Piquet soltar os socos do tipo “lango-lango” no capacete do chileno.

Obviamente o fã de F1 também pode – e deve – gostar das outras categorias, mas quando fala sobre F1 até mesmo reclamando, não está querendo que a solução para a categoria seja pura e simplesmente ir assistir outro tipo de corrida apenas por “ser de carro”.
Quando se reclama das corridas ruins é porque se quer apenas que sejam corridas melhores na F1.
Não é para ter indicação de melhores corridas com os hotweels das categorias de protótipos, nem das aberrações da Indy, nem dos taxis e seus manetas da Nascar... Enfim.
Que venham mais sessenta e cinco anos pela frente... Mas com melhores corridas, porque as outras categorias podem até ser bem boas, mas não são a F1.
Até sonham em ser, em ocupar o lugar de destaque que a F1 ocupa, mas...
Gosta-se da F1 por sua história e seu potencial.
Precisa de alguns ajustes (muitos), mas ainda é a joia da coroa das corridas, ainda é a categoria máxima.
Durmam com isto.

13 de mai de 2015

Crônica do GP: Para tentar melhorar as corridas em Barcelona

A Espanha está na F1 há muitos anos.
Tem um campeão mundial – Fernando Alonso – com justiça e mérito.
Mas nunca teve um circuito que prestasse neste tempo todo.
Talvez Montjuich, mas...
Atualmente a corrida espanhola é disputada (rárárá) em Barcelona e tem sido desde sempre um tédio.
De vez em quando surge uma imagem bacana como aquela disputa entre Senna e Mansell soltando faíscas...
Será que foi só esta?

Algumas mudanças, como o corte da última curva e a criação de uma chicane procurando dar mais proximidade ou deixar que os carros entrassem mais colados na grande reta pareceu um grande tiro no pé.
Além de não ter dado certo em sua intenção, ainda colocou mais uma medonha chicane na F1. Todas deveriam ser banidas.
Se a ideia é não deixar a península ibérica sem uma corrida de F1, que tal mandar o evento para Portugal?
Portimão tem uma pista e um traçado bem bacana.
Mas como não há no horizonte a mais pálida esperança de que a Espanha e suas pistas chatas deixem o calendário da F1 nos próximos anos, que tal pensar em alguma forma de deixar o traçado de Montmeló mais interessante, menos monótono?

A retirada das chicanes?
O alongamento da reta?
Cortar algumas curvas de baixa?
Talvez, mas o melhor seria mesmo fazer lá um grande shopping center... Casas populares... Uma prisão.
Um cemitério!
Talvez fosse mais animado que as corridas que acontecem lá.

12 de mai de 2015

Lado B da porcaria da corrida na Espanha (me recuso a chamar de gp)

A corrida espanhola poderia ser que nem os vinhos de lá.
Tradicionais e deliciosos.
Podia ser igual a seus presuntos...
Podia até ser igual à lenda de suas mulheres quentes e decididas.
Ou apaixonadas e apaixonantes como sua literatura...
Mas não...
Tinha que ser igual aos moinhos de vento que Quixote enfrentava: de ilusão.
Tem lá seus momentos de razão, como o personagem de Cervantes, mas na maioria do tempo é só ilusão.
Ou a música espanhola, uma choradeira arrastada...

Maldonado fez uma largada, ok.
Fez uma pressão, ok.
Começou a se desintegrar na pista, ok.
Tocou em alguns carros no caminho, ok.
Quanto falta para alguém reparar que Maldonado é o Gilles Villeneuve no século XXI?

Maior diversão durante a transmissão da corrida?
Ver a assessora de imprensa da McLaren junto do Alonso, ver a namorada loirinha do Bottas, tirar meleca do nariz...

Romain Grosjean, ao entrar para fazer um pitstop errou no calculo e acabou derrubando o mecânico responsável por erguer o carro.
Ai você nota o quanto o automobilismo ainda é um esporte perigoso.
No futebol, no vôlei, no basquete o atleta pode tomar uma bolada no saco, um chute na pior das hipóteses, mas imagina você estar lá disputando seu esporte e ser acertado no saco por um carro de corrida?
Mas o mecânico tem que dar graças a deus que não eram os carros do ano passado, porque aqueles bicos fálicos poderiam fazer um estrago grande ali bem perto.

Por último: Dizem que a pista espanhola dá a noção exata da verdade dentro das equipes.
Quem tem carro bom, quem tem potencial de melhorar, quem vai continuar o lixo das primeiras corridas.
Daí que você olha o resultado final e vê a McLaren com um carro fora da corrida (sem freios) e outro em último lugar. (não conte os carros da Manor, não são de F1).
Sorte não ter rebaixamento no automobilismo...

10 de mai de 2015

F1 2015: Espanha - Mais eficiente que sonífero

Corridas na Espanha costumam ser como um dos principais pratos de lá: a paella.
Feio, com aspecto meio nojento e no fim... Ruim pra caramba.
Pensou que ia elogiar né?

É uma pista de testes promovida a pista de corridas e não passa disto.
Se bem que não me recordo de um bom traçado espanhol que passou pela F1...
Talvez Montjuich, mas este não vi ao vivo.

Depois das largadas que - se não forem atrás de safety car – são ultimamente a melhor parte das corridas as coisas se ajeitam e se acomodam.
Não fosse Hamilton ter sido vítima do lado sujo da largada e caído para terceiro, não teria acontecido nada.
Nada?
Kimi passou as duas Red Bull ainda na primeira volta. E ai foi só.
Como explicar o belo inicio de Pastor Maldonado?
Simples...
A pista espanhola é tão ruim e chata que só um piloto ruim e chato pode ser dar bem por lá.

Ver Alonso ficar sem freios depois de andar em sétimo e parar nos boxes quase fazendo strike de mecânicos é quase sempre algo prazeroso.
Não desta vez.
Nada de simpatia por Alonso, mas, poxa... Azucrinar quem não tem nada para ser exaltado no ano é muito chato.

Sugestão: Se é para mostrar algo em fila indiana andando rápido, ano que vem transmitam imagens do trem bala japonês.

Mas assim: foi um final de semana dos mais horríveis para o fã de corrida.
Teve F1, mas no lixo da pista da Espanha.
A GP2 também correu lá e foi uma merda.
Teve corrida em Mônaco, mas era a porcaria da FE.
Para terminar, a Indy correu em Indianápolis, mas no misto e ai já viu...

No fim venceu Nico, com o Hamilton em segundo e o Vettel em terceiro.
Surpresa?
Não dormir durante a corrida.

5 de mai de 2015

#estudosapontam

Estudos feitos por pesquisadoras gordinhas apontam que: gordinhas são o ideal secreto de todos os homens.

Estudos feitos por pesquisadores gordos apontam que: gordos são melhores na cama, são mais felizes e nunca criam problemas sociais.
Um parêntese: verdade. Você nunca viu um gordo serial killer. O gordo só fica lá da dele. Comendo sem encher o saco de ninguém.

Estudos feitos por pesquisadores que são irmãos mais velhos apontam que: irmãos mais velhos são mais bonitos.
Tendo a concordar. Não tenho irmãos.

Estudos feitos por pesquisadores que são irmãos mais novos dizem que estes são mais inteligentes.
Concordaria pelo mesmo motivo explicado acima, porém fico pensando o quanto de inteligência e o quanto de velocidade é necessário dosar para se ganhar a corrida em direção ao óvulo.
Se o outro chegou à frente... Deixa para lá.

Estudos feitos por pesquisadores diabéticos apontam o açúcar como veneno letal.
Já nos estudos feitos por pesquisadores hipertensos o veneno é o sal.

Pesquisas encomendadas por vinicultores dizem que o vinho é benéfico para o coração.

Pesquisas encomendadas por cervejeiros mostram que a cerveja, além de benéfica para a saúde do sistema urinário, é capaz de produzir serotonina, o neurotransmissor da alegria.

Pesquisas encomendadas por produtores de carne apontam que o consumo de churrasco aumenta a felicidade.
Já os pesquisadores vegetarianos dizem que a mesma coisa causa câncer no colón, seja lá onde fique isto.

Estudos feitos por pesquisadores religiosos apontam a existência de Deus.
Por ateus apontam o nada.

Cientistas dizem que o universo é cíclico.
Rafael Schelb queria que ele fosse randômico ou que existissem vários deles. Todos paralelos e com a possibilidade de em algum deles a gente fosse um sucesso.

Estudos feitos por minha esposa dizem que eu não tinha o que escrever quando montei este texto.

Já estudos feitos por pesquisadores roqueiros dizem que roqueiros e metaleiros são mais inteligentes.
Não há controvérsias neste ponto.

4 de mai de 2015

McLaren: Um ano de mudanças

O jornalista Adam Cooper deu a dica: McLata vai apresentar sua nova identidade visual no GP da Espanha.
Legal!
Mas completou: “Não será nada radical, apenas o prateado sendo substituído por tons de cinza.”.
Há quantos anos este horrível prata está dominando a cena no time de Woking?
Hora combinado com preto, depois com vermelho... Mas sempre a mesma cara de carro da GM brasileira.
Mas já está bom, para um time que não faz grandes mudanças de uma vez até que o ano está agitado.

Primeiro trocou os motores campeões da Mercedes pela incógnita com viés de esperança dos japoneses da Honda.
 Depois: trouxe Fernando Alonso trocando a cara do time de “promissor + aposentado em atividade” para um “aposentado que ninguém liga + chorão vitorioso”.
Então trocou as intermediárias pelo fundo do grid.
Pouco antes tinha trocado as primeiras posições pelas posições intermediárias.

Já é bastante mudança por uma temporada não?
Só não me espantaria mesmo, de verdade, se trocassem a F1 pela GP2.
Com o nível atual de competitividade dos seus carros...

Mas a escolha do cinza para substituir o prata é realmente pertinente.
Vai estampar na carroceria o momento atual do time e para, além disto, até economicamente vai ser significativo já que, se a coisa piorar, ir acrescentando mais cinza até ficar preto fica mais barato que trocar direto do prata...

1 de mai de 2015

Criatividade: a melhor forma de se apresentar um trabalho autoral

Em 1992 o cenário musical brasileiro já acenava com mais uma mudança de direção. O rock cantado em português ia discretamente saindo da cena mainstream e já dividia – pau a pau – a programação das rádios com o samba de novos grupos como Exaltassamba, Katinguelê e Negritude Jr. que acabavam trazendo para as luzes grupos mais veteranos (Raça Negra, Fundo de Quintal entre outros) formando uma nova onda do gênero e criando uma cena muito forte.
O nome escolhido para batizar esta nova geração de sambistas foi “pagode”, que mesmo sendo um termo antigo e repleto de significados desde os tempos de “Pelo Telefone” de Donga, acabou pegando como novidade.

O estilo que dominaria o cenário musical nas rádios e programas de TV muito em breve e como com qualquer outro movimento musical despertaria a vontade de ser músico em milhares de jovens por todo o país.
Fosse pela glamorização da imagem do “sambista profissional" aparentemente bem sucedido (ainda não eram os “sambistas ostentação” com jatinhos, carrões e ternos italianos), seja pelo desejo real de se expressar usando como linguagem algo que fala mais próximo aos próprios sentidos e sentimentos.
E foi neste contexto que quatro amigos, Jorge Martins, Lucivan Medeiros, Joel Conceição, Everaldo Gomes, também conhecido como: “Jão Diabo” ou simplesmente “Jão” tiveram a ideia de também montar seu grupo de pagode só para “ver no que dava”.
Os dois últimos eram amigos desde a infância e trabalhavam juntos como pedreiros em uma obra no centro da cidade de Franco da Rocha à qual algum tempo depois viria a ser uma farmácia de manipulação.
Jão e Joel convidaram os dois primeiros para ensaiar nos fins de semana e depois de algumas reuniões decidiram que o melhor seria investir em canções próprias se quisessem ter alguma relevância no cenário já que em qualquer esquina era possível ouvir um “ajuntamento de batuqueiros” tocando os grandes sucessos de todo mundo.

Com a recusa dos diversos bares da cidade que tinham música ao vivo em aceitar grupos que tocassem músicas próprias (a onda cover também ganhava corpo em 92) a solução encontrada pelo grupo foi montar seu próprio estabelecimento e ser assim o grupo da casa.
A ideia que não era de todo mal esbarrava em um pequeno detalhe: “a gente não tinha grana nem para comprar instrumentos decentes, quanto mais para montar um bar”.
E foi quando Jão sugeriu que tocassem na obra da farmácia que já estava na fase do acabamento.
 “-Acabamento bem dizer não... Mas estava rebocada, pintada e com o piso colocado” – disse.
Os outros três, apesar da desconfiança que podia acabar dando problema aceitaram.
Joel convenceu os patrões de que era necessário ter uma geladeira por lá, para que eles tivessem água gelada para consumir nas tardes quentes de trabalho e trouxe de casa uma bem antiga que sequer ficava de porta fechada, sendo preciso escorá-la com um bloco.
Nas sextas feiras, após as cinco da tarde – que era quando os patrões geralmente sumiam do mapa indo para o litoral ou para chácaras no interior – a “gelada” como chamavam a geladeira era abastecida com cerveja, a “de qualidade, mas bem barata” que seria vendida durante a apresentação.
Às nove da noite, a porta de aço era aberta e o grupo começava a tocar suas músicas em uma roda no meio do salão.
O público ia aparecendo aos poucos e a eles era oferecida a cerveja da geladeira a um preço “ligeiramente menor” que os dos bares no entorno.
Em pouco tempo as noticias correram e o espaço se tornou bastante concorrido, mesmo não havendo por lá sequer cadeiras e mesas para que o público consumisse a cerveja e o samba.

Aos poucos também apareceram outros grupos que, assim como eles, não tinham onde apresentar o trabalho que vinham desenvolvendo e “por uma pequena quantia” tinham o direito de formar sua roda de samba no centro do salão da futura farmácia.
O empreendimento só terminou quando a obra ficou finalmente pronta para que fosse mobiliada e começasse a funcionar para os fins a que se destinava.
“-A gente devia ter atrasado um pouquinho o trabalho lá.” - diz hoje um divertido Jão que diz não sentir saudades.
Hoje, formado em administração de empresas cuida do próprio negócio onde agencia pedreiros por empreitada.
Hoje não tem contato com os amigos da época que restaram da ideia original.
Joel foi morar em Bragança, onde era dono de um mercadinho de bairro; Lucivan sumiu sem deixar rastros e Jorge foi assassinado em 1998 em situação até hoje obscura.
Perguntado se acha que em outras condições  a arte deles poderia tê-los levado a um lugar diferente, Jão sorri e responde: “-Rapaz... A gente era bem ruim! Éramos melhores como pedreiros mesmo.”.