31 de ago de 2015

Coisas que não são bem o que parecem...

Semana do GP da Itália começando, o que é sempre bom.
Quem não gosta de Monza?

E começa com a declaração de Niki Lauda, aquele dos macacos que pilotam F1, sobre o cone #44
“-Hamilton é imbatível e só erro tira o título dele este ano.”- disse o austríaco.
Pausa para rir.
Pausa para recuperar o fôlego depois de rir
Espera ai que vou rir mais um pouquinho.
Tá bom... Chega!
Niki Lauda, este piadista quis dizer o seguinte: "-O carro é imbatível e só Hamilton é capaz de tirar o título dele este ano."

Arrivabene, o novo homem-graça da Ferrari também deu sua declaração duvidosa.
Disse que a Ferrari está madura e que Vettel foi um leão em Spa.
Foi... Sempre é.
E aliás, usar o pneu até que ele exploda também era coisa do Leão.
Ah... Não estava comparando o alemãozinho ao Mansell?
Achei que estava.

Christian Horner não foi tão engraçado, mas também declarou algo.
“-Não pretendemos mudar a dupla de pilotos para 2016”.
Nas entrelinhas: “-De piloto a gente tá bem, o que não presta é o motor.”.

28 de ago de 2015

Cego de neve

O Black Sabbath carrega a fama de fazer musica ocultista, mexer com o Cramulhão, render homenagens ao Que-Diz; estar mancomunado com o Sete-Peles e coisas assim...
Não que o grupo tentasse se desvencilhar desta imagem nos anos de ouro (nos anos menos dourados tanto Dio quanto seu cover Tony Martin faziam questão de manter a mística. Já Ian Gillan ligou o foda-se e cantou sobre o que deu na telha durante a produção de seu disco com a banda que – diga-se de passagem – tem a capa mais nada haver com o conteúdo da história do rock), mas a verdade é que, segundo Ozzy e Iommi, a intenção era emular na música o sucesso que filmes de terror faziam à época.
Ozzy diz em seu livro de memórias Eu sou Ozzy (Ed. Benvirá – 2010 tradução de Marcelo Barbão) que após gravar o primeiro disco, mais notadamente a faixa título a banda desencanou de fazer músicas para “dar medo”, mas seus fãs achavam que ainda estavam fazendo isto em todas as coisas que lançavam.

Porém, se o capeta não era sempre o mote das canções, outro demônio era muito mais citado e homenageado pelos caras.
E não era de um tipo só não... Vários Pé-De-Bodes ganharam suas faixas “comemorativas” nos álbuns da banda: Sweet Leaf (maconha), Hand of Doom (heroína), Paranoid (cocaína) e assim por diante.
Uma das histórias mais fantásticas sobre o uso em larga escala de drogas da banda se passa nos EUA quando a banda estava reunida compondo aquele que seria o clássico Vol. 4.(1972)
Reunidos em uma mansão de Bel Air, a cocaína (“-Forte como um touro e pura como gelo.”, segundo Ozzy) corria solta em frascos enormes (vai saber o que é um frasco enorme na concepção dos caras) trazidos por um magrelo bem vestido e de óculos de fundo de garrafa que, algum tempo depois, vieram, a saber, que trabalhava para uma agência do governo americano.
A farra com o pó branco era tanta e tamanha que ninguém tinha o menor pudor em usar em qualquer lugar da casa e a qualquer momento que fosse (Ozzy conta havia tigelas com pó branco em cada quarto.).
Viviam tão malucos que um dia, procurando o botão regulador do ar condicionado, Bill Ward, o baterista, acionou por acidente o alarme direto policia.
Em pouquíssimo tempo se ouviu sirenes e se viu a chegada de carros da policia à mansão.
Enquanto todo mundo se mandava às pressas, Ozzy e outro maluco tentaram correr com a cocaína e cigarros de maconha para se livrarem do flagrante.
Por um erro de calculo – ou simples brisa das drogas – tentaram se livrar da maconha primeiro enfiando-a nos ralos das pias e privadas, o que, obviamente, entupiu os encanamentos.
Ainda de posse da cocaína o desespero aumentou e a única solução achada por Osbourne foi cheirar tudo que tinham para se livrar do flagrante.
Enquanto os dois davam cabo da operação a empregada da casa atendeu os policiais que explicaram o provável engano dos moradores ao tentar regular o ar condicionado e que aquilo era muito comum. Reiniciaram o sistema de alarme, sorriram e foram embora.
Não se sabe como Ozzy e seu amigo não tiveram uma overdose naquele dia.
De lembrança, ficou a “homenagem” ao pó gravado em Snowblind (que até seria o nome do disco, mas foi descartado para evitar problemas) em que após Ozzy cantar o primeiro verso ouve-se uma voz sussurrando: “Cocaine”.
E nem era preciso tocar o disco ao contrário para ouvir sobre este demônio.

26 de ago de 2015

O terrível lado B (Inevitável?)

o lado A do automobilismo de competição todos conhecem.
O glamour das corridas, a adrenalina, o dinheiro que corre solto, as festas, a promoção pessoal, a aventura de desafiar a morte.
 Os perigos envolvidos em cada corrida todos também conhecem bem.
É o lado B.
Mas por muitas vezes teimam em esquecer sua existência e ai o próprio automobilismo trata de lembrar a presença deste lado que ninguém quer ver.

Justin Wilson se foi após ter sido atingido na cabeça por pedaços do carro de Sage Karan que havia perdido o controle e batido no muro da pista de Pocono.
Tendo em vista a violência do acidente que vitimou Jules Bianchi, o ocorrido com Wilson parecia inofensivo.
Mas não foi.
Mais uma vez o lado indesejado deste esporte mostra sua face dura e deixa milhões de fãs e adeptos ao redor do mundo tristes.
O clichê “quando alguém que faz o que amamos se vai, também vamos um pouco” é real, e o outro clichê que diz “que ao menos ele se foi fazendo o que amava” consola cada vez menos.

Mas o automobilismo é um esporte de risco e sempre será.
Cobrir cockpit, fazer capacete ou macacão de material indestrutível ou coisa parecida pode ajudar, ou não... O que é frágil – de verdade - não é o equipamento, mas o corpo humano.
Se não for pancada, será o fogo, o choque elétrico, a asfixia, desaceleração ou outro efeito qualquer dos acidentes.

Obviamente não é por isto que se deixará de procurar melhores sistemas e acessórios para a segurança do praticante, mas radicalismos ou ideias imediatistas só farão mal ao esporte que já não vai bem das pernas e é mal visto por politicamente corretos, ecologistas e chatos em geral que estão sempre de plantão assistindo aos noticiários para assim que aparecerem notícias ruins, apontar os dedos e pedir remodelação de curvas, fechamento de pistas e até o fim das corridas.
E quando se voltarem para o motociclismo? O que vão fazer? Envolver as motos em bolhas de kevlar?
Não é uma questão de egoísmo, de não se importar que alguém morra em uma competição esportiva. Longe disto.
Vamos sempre nos lamentar por Justin, Jules, Ayrton, Roland, Henry Surtees, Sondermann, Sperafico, De Villota e tantos outros... E torcer para que num futuro sejam cada vez menos os motivos para ficar tristes.
Porém, enquanto forem seres humanos dentro dos carros de corrida (por mais seguros que sejam ou estejam) este lado B vai sempre assombrar quem pratica e quem ama este esporte.

25 de ago de 2015

Crônica do GP - Bélgica: até as melhores pistas rendem

Rádio da equipe Mercedes ainda na volta de apresentação: “-Não atrapalhem nossos carros”.
E tinha como endereço os cones #44 e #6.

Todos amam Spa, isto não há dúvida.
Sempre é bonito, sempre tem emoção...
Mas um sinal de alerta foi ligado: a monotonia poderia estar à espreita e um dos únicos que poderiam combatê-la saiu da pista cedo.
Porra Pastor Maldonado!

Com oito voltas de corrida, Jenson Button já havia reclamado das baterias, da falta de aderência, da tração e dos freios.
Button poderia poupar tempo e paciência da gente dizendo no rádio uma única vez: “-Este carro é uma merda”

Por isto que eu torço pela Williams.
Foi a equipe que trouxe a tecnologia embarcada pro grid com mais força, que criou melhor utilizou a suspensão ativa e agora inova de novo.
Mistura pneus macios e supermacios em um pitstop no carro do Bottas.
Ah! Não pode? Porra... Regra estúpida.
Convocado ainda durante a corrida para explicar o que havia feito, o gordinho da Williams que trouxe o pneu errado para a troca disse: “-Eu sou daltônico.”

E foi outro pneu que garantiu o último ponto de emoção da corrida.
O traseiro direito do Vettel se desintegrou e tirou dele o pódio na corrida novecentos da Ferrari.
Apurado após a prova descobriu-se que sua estratégia levava a assinatura do engenheiro de Felipe Massa.

E para terminar uma observação.
Antes os pilotos eram homens e os troféus da vitória serviam para que tomassem um porre na comemoração após as corridas.
Hoje, sintomaticamente, os guris ganham saladeiras ao vencer uma

23 de ago de 2015

F1 2015: Bélgica - Morno

O fim das férias da F1 não poderia ser em lugar melhor.
Um dos mais desafiadores e espetaculares circuitos da F1 é o preferido dos pilotos e dos fãs da categoria.
Incluso eu.

E para este ano um desafio a mais para a geração leite com pera: o fim da ajuda dos boxes na largada.
E começou que a primeira largada já foi abortada: um Force Índia não estava no local correto de largada.
A equipe sugeriu que Hulkemberg não completasse a volta de apresentação e fosse aos boxes, mas no meio do caminho trocou de ideia.
Acabou largando dos boxes mesmo.
Na segunda largada, Sainz Jr também foi para os boxes largar. Estava com problemas de potência.
Dois buracos na fila de largada.

Hamilton não zurrou na largada, mas o salto de Perez atrás foi impressionante, se tivesse contornado a Eau Rouge um pouco melhor, seria líder ao fim da Kemmel.
Em menos de cinco voltas, três motores abriram o bico: um Renault e dos Mercedes.
Alerta ligado.

Enquanto o cone #44 pulava na frente e desaparecia, carro bom é outra coisa e só deixa de funcionar quando seu motorista zurra, a corrida ia se desenrolado.
Os pits começaram na volta nove por conta do alto desgaste dos pneus.
Neste ponto as duas Mercedes já lideravam a corrida.
Daí para trás ao menos a coisa era divertida.
Algumas boas brigas, boas ultrapassagens e a Williams sendo Williams nos pits e misturando pneus macios e médios no carro do Valteri Bottas.
Resultado: um drive throug para o bichinho de goiaba finlandês.
Curiosamente, o desequilíbrio tão esperado do carro não apareceu.
Ao menos não tão evidentemente

Há um pequeno problema com o GP belga que poderia ser resolvido com a proibição do uso da asa móvel por lá.
Não há nenhuma chance de defesa de posição na reta Kemmel, o que acaba com toda e qualquer disputa por lá.
Quando o carro de trás vem, a única coisa que o da frente pode fazer é abrir como se faz em qualquer rodovia do mundo.

A corrida entrou em modo de espera para a bandeirada até o fim.
A única nota digna de citação foi o estouro do pneu de Sebastian Vettel uma volta antes do fim.
Vettel que tentou fazer a corrida toda apenas com uma troca de pneus acabou se dando mal na corrida número 900 da Ferrari.

E a vitória ficou com os carros da Mercedes já que nem seus cones onboard conseguiram atrapalhar desta vez.

21 de ago de 2015

Pré GP belga em gotas

Domingo tem corrida.
E não é qualquer corrida, é Spa!
Tem a Eau Rouge, tem o retão Kemmel, tem a Les Combes, tem a Malmedy, tem a Stavelot, tem a Bus Stop.
Mas a curva mais perigosa, sem duvida nenhuma é a primeira: La Source.
“-Mas ela não é travadíssima e feita em bem lentinha?”
É... Mas tem coisa mais perigosa pra cone do que curva lenta? E só na Mercedes tem dois.
Poxa Ferrari!
Quando a gente responde nos questionários da GPDA e diz que gosta da F1 antiga, da velha F1, não é do Kimi e nem do Button que a gente tá falando...
Mas é uma coisa boa que Kimi tenha renovado, afinal, quem mais dá esporro em engenheiro pelo rádio?
E foi bom também para a Williams, que com a renovação do finlandês vai contar com o Bottas por pelo menos mais um ano.
E bom também para o Vettel, que vai passar mais um ano sem ser incomodado em casa.

Hamilton adota discurso de humildade pelo título.
Foda-se.

Por falar em rádio, parece que saiu uma lista de frases que podem ser ditas no rádio das equipes durante a corrida.
São elas:
-Alonso tá na sua frente, pode passar que é retardatário.
-O outro cara da McLaren tá na sua frente, fique onde está. Idoso tem preferência.
-Perez, Maldonado, Grosjean à frente, cuidado, muito cuidado, cuidado pra caralho.
-Chupa Alonso.
-Zurra Hamilton.
-Think before you drive, menos os cones da Mercedes que não think e nem drive.

Esta é exclusiva para os carros da Manor, mas também servem para a McLaren.
-Mantenham-se a direita, carros velozes na pista.

E esta é para os futuros pilotos do time americano que vai entrar na F1.
-Quer andar de carro velho, que venha...

19 de ago de 2015

CVRnaF1 #20: Bélgica 1998, cinematográfica

No quesito: GP caótico, a corrida belga de 1998 só perde para o GP de Mônaco de 1996.
 Se no principado, é verdade, chegaram menos carros à bandeirada final, mas a corrida belga e seus acidentes e repercussões tiveram um Q de cinema.

A começar pelo grande crash da largada.
Logo após contornarem a La Source com o finlandês Mika Hakkinen mantendo a ponta, David Coulthard, que havia largado muito mal na segunda posição fica para trás, se enrola todo, o que era normal no escocês braço duro, perde o controle do carro e se cruza a pista se estabacando no muro: eis o ponta pé inicial para uma batida generalizada.
Atrás do maneta escocês batem também:  Eddie Irvine, Alexander Wurz, Rubens Barrichello, Jos Verstappen, Johnny Herbert, Olivier Panis, Jarno Trulli, Mika Salo, Pedro Paulo Diniz, Tora Takagi, e Shinji Nakano.
O brasileiro Ricardo Rosset, que pilotava uma Tyrrel e largava da vigésima posição veio fechando a fila da pancada fazendo strike em todos os que estavam à sua frente.
O cenário era inacreditável!
Pedaços de F1 espalhados por todos os lados sugeriam uma tragédia, porém por ainda ser uma parte onde os carros estavam apenas no começo de sua aceleração, não houve ferimentos graves.
Tanto que dentre todos os acidentados, apenas Barrichello, Olivier Panis, Mika Salo e Ricardo Rosset não participaram da segunda largada, mas apenas por não disporem de um carro reserva que à época fazia parte do regulamento.

   

Na segunda largada tudo foi mais tranquilo, mas não muito.
Mika Hakkinen, que era o líder do campeonato com sete pontos a frente de Michael Schumacher, foi tocado por Johnny Herbert e abandonou a prova.
Era tudo que o alemão precisava: Hakkinen fora e ele liderando a prova para ganhar.
Porém, na volta vinte a Ferrari do alemão encosta na McLaren do escocês (que era o oitavo) para por uma volta de vantagem quando começam o carrossel em decida de Spa Francorchamps quando, do nada, o carro de Coulthard fica tremendamente mais lento e faz com que a Ferrari o acerte por trás destruindo totalmente a suspensão dianteira.
A primeira vista, o carro vermelho teria aquaplanado, o que foi negado pelo alemão.

Com apenas três rodas, o alemão consegue ir até os boxes, salta furioso do carro e segue rodeado pela turma do deixa disto, até os boxes do time inglês, onde em alto e bom som acusa David Coulthard de ter tentado assassina-lo.
Por pouco o alemão não dá uns cascudos no escocês roda presa

   

 Para terminar a seção freak, na volta vinte e seis, Fisichella vem em alta velocidade e não percebe a Minardi do japonês Shinji Nakano rodando em baixa velocidade e o acerta em cheio. Nenhum dos dois se machucou, mas o carro de Fisichella tem um principio de incêndio.

A corrida marcou a primeira vitória da equipe Jordan e logo com uma dobradinha: Damon Hill em primeiro e Ralph Schumacher em segundo.
Também foi a última vitória de Damon na F1.

Um roteiro digno para a direção de John Frankenheimer ou até mesmo para Ron Howard realizar um filme de primeira grandeza.

18 de ago de 2015

Amizades...

-Alô?
-Alô... Posso falar com o Everton?
-Claro! Quem quer falar com ele?
-É o Groo.
-Ah, oi Groo... Espera ai que vou chamar.
-Tá.
(voz gritando fora do telefone) –Evinho! É o Groo no telefone.
-Fala ô mala! Gordinho...
-Fala cabeção!
-Tá tudo certo? Que manda?
-Lembra quando você falava que o Rick Wakeman tocava o piano pro Black Sabbath em Changes?
-Lembro...  Ele usou o nome “Spock Wall”
-Não foi...
-Foi pó... Pergunta pro Dão.
-Dãozão também tá errado, não foi. Spock era um roadie da banda.
-E foi quem que tocou?
-O Iommi mesmo. Tá no livro dele: “Iron Man, minha jornada com o Black Sabbath”.
-Cê leu?
-Li... Ele conta que o Wakeman até elogiou ele pela faixa e tal, mas não tocou.
-Hum...
-O Wakeman só tocou com o Sabbath em Sabra Cadabbra, e recebeu em cerveja porque não queria pagamento.
-Hum... E você ligou aqui em casa só pra isto?
-Não... Liguei também pra te chamar de trouxa...
-Vai se fu... Abraço.
-Abraço... Cerveja no bar do Tô no sabadão.
-Tá...

17 de ago de 2015

Corrida do Milhão 2015

E lá se foi mais uma edição da Corrida do Milhão, desta vez disputada em Goiânia.
Nada contra o Estado, a pista e seu traçado, que, aliás, são ótimos.
Mas trata-se – provavelmente – do evento mais importante do calendário de corridas do país ainda que relativamente novo e, claro, por conta da premiação.

Para o fortalecimento do esporte a motor nacional seria bom enfatizar sobre esta corrida uma aura de real importância levando em consideração a força do nome e claro: a premiação.
Faz falta ao automobilismo nacional uma prova como referencia para ser o ponto alto da temporada.
Para isto, a definição de um autódromo fixo para a realização da corrida (seja ele qual for, embora pense que a honra deveria caber a Interlagos) seria fundamental.
Uma configuração diferente da corrida substituindo o limite de tempo mais uma volta por um número X de giros.
A fixação de uma data (mês e semana) para sua realização também ajudaria.
Também seria legal criar um montante de eventos agregados como colocar provas de outras categorias nacionais como agregados na espera da corrida que seria o evento principal do dia.
Mas, principalmente, desligar a realização da prova – e da categoria, por que não? – de uma única emissora de TV.
Ser uma categoria independente e não apenas um produto da grade de uma emissora ajudaria, e muito, na consolidação de uma imagem de seriedade.

Infelizmente, não há nada semelhante no horizonte e a Corrida do Milhão segue sendo um evento mais curioso do que importante para as corridas no Brasil.
A deste ano foi vencida brilhantemente por Thiago Camilo que além de superar os competidores dentro da pista, também superou a dor das lesões no pé por conta do acidente fantástico e plasticamente terrível da ultima etapa.

Sem poder contar com o auxilio dos analgésicos que poderiam lhe dar sono, foi na raça vencer a prova e fazer jus ao milhão pela terceira vez.
Uma pena que apenas uma pequena parcela dos amantes do automobilismo nacional vai ficar sabendo da façanha já que como produto de grade e sem o status de evento importante nacional, fica restrito a guetos de informação ou relegado a matérias de pouquíssimos minutos na cobertura esportiva da emissora oficial.
Nas outras, nem isto...

13 de ago de 2015

Comédias da vida real na F1 #19: Michael Andretti, o injustiçado

Na Indy, ainda nos tempos da CART ele era o cara.
Agressivo, incisivo, campeão, duro na batalha... Um vencedor.
Ao se transferir para a F1, alguns chegaram a comentar (e acreditar) que Michael Andretti incomodaria e seria um companheiro de equipe e adversário à altura de Ayrton Senna.
Mas não foi bem o que se viu...

Durante os testes chegou a andar bem próximo ao brasileiro tri campeão.
As especulações cresciam e a ideia de ter novamente um norte americano em condições de vencer na F1 deixava os dirigentes da categoria sorrindo de orelha a orelha.
Os EUA sempre foram um mercado complicado...
Mas ai o campeonato começou efetivamente e... Um banho de água fria
.
Das cinco primeiras provas terminou apenas uma: um quinto lugar na Espanha. (Pista ruim, piloto ruim, dirão alguns.).
Oitavo em Mônaco, décimo quarto no Canadá e sexto na França sinalizaram uma melhora, mas nas três provas seguintes não conseguiu terminar. (Grã-Bretanha, Alemanha e Hungria).
Oitavo na Bélgica e – finalmente – um pódio: terceiro lugar na Itália.
O irônico? Foi dispensado da equipe logo após seu melhor resultado.

Das sete corridas em que abandonou, seis foram por acidentes ou rodadas e apenas uma (Hungria) abandonou por falha do carro: um problema no regulador que, curiosamente, também foi o motivo do abandono de Ayrton Senna neste GP.
Ainda assim, o americano após ser fritado da McLaren (e da F1) saiu atirando para todo lado e dizendo que seu fracasso era parte de um plano sórdido da F1 para desqualificar a Indy e seus pilotos.
Se não é roteiro de comédia, nada mais é...

12 de ago de 2015

Enquanto os carros ainda estão parados (mais um pouco)

Nada é tão ruim que não possa ser piorado.
Sorvete de jiló.
Sorvete de jiló com cobertura de creme de acelga.
Exame médico de rotina.
Exame médico de rotina com toque na próstata
Fórmula E.
Fórmula E. com Jaques Deus Me Livre pilotando.

Enquanto isto na sede do Império.
-Senhor Vader, precisamos escolher nossos melhores homens.
-Para que?
-Para tentar melhorar a imagem do império.
-Temos que escolher nossos melhores stormtroopers. 
-Mas há diferença entre eles? Não são todos obedientes ao império e portanto maus?
-Sim... Alguns são mais maus que outros, temos que valorizar.
-E eu que tenho que escolher?
-Sim senhor.
-Então diga que o dream team que escolhi tem Fernando Alonso e Flavio Briatore...
-Mas senhor! É muita maldade até para o Império!
-Então contrabalanceie completando o time com Jochen Rindt e o Brabhan BT49.
-Acho que alguns vão reclamar senhor.
-Sua falta de fé é perturbadora...

Alonso se pega pensando...
"-Este año no es ni siquiera mi mejor... Mi coche es una mierda, mi compañero de equipo es un anciano que no ayuda en nada. Para marcar más puntos dependerá de azar en el otro el de mi suerte o talento ...
Pero no es tan malo que no se puede mejorar , voy a leer los sitios de F1 para ver si hay algo bueno con mi nombre . Voy a empezar con este sitio brasileño."
E abrindo a página dá de cara com a manchete: “Ultrapassagem de Webber sobre Alonso na curva Eau Rouge é considerada em votação a mais bonita dos últimos cinco anos.”. 

10 de ago de 2015

Pequena maldade

-E ai cara!  Beleza?
-Sussa... E você?
-Cansado. Mas levando. O que está fazendo por aqui?
-Vim no cartório. A patroa está pressionando para casar.
-Achei que você já era casado.
-Não, não... Apesar do tempo que estamos juntos, dos filhos...
-E resolveu casar agora?
-É... A patroa andou falando, insistindo... Pressionando. Quer casar.
-Acho legal.
-Mesmo?
-Claro...  Sem duvida. Mostra compromisso e tal. É bacana.
-Não sei se vamos não... Fui ver o preço do casamento, uma facada.
-É. Barato não é não.
-Acho que é por isto que tem tanta gente na minha situação.
-Não é de se duvidar. Bom, vou indo.
-Tá... Foi bom te ver... Mas... Espera!
-Hum?
-Cara, quanto será que sobram por aquele casamento com um montão de gente?
-Comunitário?
-Deve ser... Não sei o nome. Aquele que ficam os noivos numa corda e tal.
-O conceito é de “casamento comunitário”, mas tem outro nome.
-Espera ai, me deixa pensar um pouco que eu lembro.
-Tá...
-Ah, lembrei! União homo afetiva.
-Sério?
-É.
-Vou voltar lá no cartório.
-Vai lá...
-Obrigado, viu.
-Não tem de que...

7 de ago de 2015

105 anos de João Rubinato

A maloca já não está mais lá... Já não estava mesmo, se lembrarmos que ela foi derrubada para a construção de um edifício arto.
Matogrosso até quis gritar, mas de pronto ele falou: “-Os homi tá com a razão, nóis arranja outro lugar.”.
Curiosamente algum tempo depois, ele mesmo havia prometido e realmente o fez! Trabalhando em uma cerâmica ganhou dinheiro e lá no Alto da Moóca - tradicional bairro paulistano - comprou um lindo lote. Dez de frente e dez de fundo e construiu sua maloca.
Naquela época ainda se podia contar com amizades desinteressadas. João Saracura, que é fiscar da prefeitura, se mostrou um grande amigo e arranjou tudo pra ele, porque naqueles tempos, sem planta não se podia construir.
Diferente de hoje, em que com ou sem planta constroem até onde não deveriam...

Mas isto faz tempo... Muito tempo...
Um tempo em que o Viaduto Santa Ifigênia não era passagem apenas de pedestres.
Um tempo em que a Praça da Sé não era uma madame com aquela estação de metrô e toda sua imponência.
Era apenas uma praça no centro onde circulava a vida da cidade.
Em suas imediações havia estações de rádio, bares onde os artistas se encontravam para tomar suas canas, seus cafés e fazer contatos.
Um tempo em que ainda havia a Luz da Light nos postes e nelas circundavam as mariposa.
Um tempo onde o empréstimo de um dinheirinho para a compra de uma cadeira de engraxate e assim arrumar a vida  podia ser paga com um samba.
E com um endereço no verso de um cartão, convidar o benfeitor a aparecer em sua casa para conhecer o tal samba.

Um tempo onde era possível ir a um samba em um bairro até então desconhecido e - se por acaso - estourasse uma briga era só se enfiar debaixo da mesa e ficar ali, de beleza, vendo os outros brigando.
E depois de tudo ainda saber que os que ficassem pior iriam apenas para as Crínica e não para o cemitério.
Era um tempo em que uma estátua posta em homenagem a ele no Bexiga poderia sumir e como em um passe de mágica aparecer nos jardins do Parque São Jorge, sede do clube que amava.

Adoniran se confunde com a cidade de São Paulo.
Cidade que definiu seus personagens, sua fala característica. Por sua vez, Adoniran destacou sua gente e seus costumes.
Ainda é possível sentir sua presença em alguns cantos.
No largo São Bento, na Praça da Sé...  Sentir sua presença junto aos engraxates do centro velho, nos bares e cantinas do Bixiga.
-Mas espera aí? Bixiga não é tradicional bairro da colônia italiana?
É sim... Até porque antes de ser Adoniran Barbosa, ele era João Rubinato, filho de italianos, daqueles que ajudaram a fazer a grandeza da cidade.
Ainda é possível ouvi-lo cantando a cidade que lhe deu teto e cartaz.
Canta... Pode cantar que a gente ouve e entende tudo que quiser falar... Mesmo errado, mesmo na língua dos teus pais... A gente entende.
E gosta.


No Morro da Casa Verde
 Vide Verso Meu Endereço 
Tocar na Banda
Malvina 
Não Quero Entrar
Samba Italiano
Triste Margarida (Samba do Metrô) 
Mulher, Patrão e Cachaça 
Pafunça 
Samba do Arnesto
Conselho de Mulher
Joga a Chave

6 de ago de 2015

Comédias da vida real na F1 #18: Mônaco 2006, o gol de mão que não valeu

“-Foi como o gol de mão do Maradona em 86.” – disse Eddie Jordan.
E foi quase isto mesmo...
A briga do ano era entre o alemão da Ferrari e Fernando Alonso, então piloto da Renault e que lutava pelo bi campeonato.
A vantagem dos franceses era evidente.
Línguas maldosas diziam e apostavam em irregularidades nos carros da equipe Renault dirigida por Flávio Briatore, o popular “Torresmo de Sunga”.
De fato, realmente, seja pelo talento de Fernando Alonso ou pelas falcatruas do vendedor de roupas carcamano, a Renault nunca mais fez um campeonato que prestasse, mas isto é assunto para outra crônica.

Aqui se trata da manobra de Michael Schumacher ao parar seu carro propositalmente na Rascasse alegando ter errado.
Não seria nada demais se não fosse a última parte da classificação e se a pole provisória não fosse dele.
Seria menos ainda se os tempos de Fernando Alonso em sua volta lançada não fossem suficientemente bons para catapultá-lo para a posição de honra do grid, deixando o alemão para trás em uma pista sabidamente complicada para se ultrapassar.

Com ajuda das imagens on board da Ferrari de Schumacher e mais da telemetria, os comissários de prova decidiram anular os tempos do alemão nas três fases da classificação fazendo com que tivesse de largar da última posição.
Curiosamente, Schumacher terminaria a prova em quinto lugar, herdando algumas posições, conseguindo algumas nos pit stops e fazendo também algumas ultrapassagens deixando a dúvida no ar: se não tivesse usado o artifício para se garantir e – muito provavelmente – perdendo a pole para Alonso e largado logo atrás dele, não teria tido chances reais de vitória?
Não vamos saber nunca...
Foi mesmo como o gol de mão do argentino contra a Inglaterra na copa de 86, só que não valeu.

5 de ago de 2015

Avacalhações cotidianas

Tem coisas que realmente não dá para entender, principalmente quando se trata da indústria de cosméticos e seus filmes comerciais.
Outro dia tinha um filmete onde a menina dizia que para ter seu primeiro hit musical bastava passar um creme nos cabelos que definia e sustentava os cachos.
Isto quando não vem com a história que o cabelo é feito em camadas, que é preciso selar os fios que sofrem descamação.
Mais?
Outro mais recente afirma que a água pode danificar o cabelo. (???)

Agora há um em que o produto promete um – pqp! – “desarrumado natural”.
A pessoa sai de casa, gasta de quinze a vinte reais em um frasco de um produto que vai fazer pelo seu cabelo o mesmo que uma noite dormida com ele molhado faz de graça...
Mais estranho que isto só o xampu contra caspa que contém octopirox.
Você põe em sua cabeça um treco com o poder de octo pirox?
Octo pirox! (vou desenhar não...) •.

E por falar em merda...
Tem ai uns estudos do COI sobre a poluição na Baía da Guanabara, onde serão disputadas algumas modalidades de esportes aquáticos nas olimpíadas do ano que vem.
As analises mostram que além do esgoto, do lixo, da poluição em geral, também há uma quantidade de vírus nas águas tornando-as impróprias para qualquer tipo de contato.
Muito mais ainda para o uso em competições de alto nível com atletas de alto rendimento.
Enquanto alguns pleiteiam a mudança do local das competições para águas mais limpas, outros movidos sabem-se lá por quais motivos preferem argumentar que a história se deve por conta da vantagem que os brasileiros teriam ao competir contra os estrangeiros por lá...
Óbvio, ao que parece, a merda é o handicap dos brasileiros.
Merece um pouco mais de atenção até mesmo em respeito aos atletas brasileiros que já não tem apoio, muitos são obrigados a ir treinar fora do país para obter melhores condições de preparação e ainda tem que ouvir e ler algo deste tipo.
Disto tudo fica a dúvida: será então a Baía da Guanabara uma espécie de rio Tietê com um entorno bonito?

4 de ago de 2015

Ironia: o adubo da vida

Carro se arrastando na pista porque regulamento manda levar de volta para o boxe.
Cachorros passeando no traçado
Falta de sinalização descente.
Acidente cinematográfico com consequências graves.
Crianças atravessando a pista com a corrida em andamento.
Mas a coisa mais grave e passível de punição são as declarações do Cacá Bueno...
Ai fica difícil dizer que gosta e defender Stock Car.
E não vale dizer que os pilotos não têm culpa, afinal, omissão também é pecado neste caso.

Nelsinho Piquet, aquele, vai testar um Indycar da Penske no bonito circuito de Sonoma.
Um teste pode não querer dizer muita coisa. Senna testou um indycar e nunca correu por lá, mas...
Pode ser que The Wall Boy já tenha se cansado de andar de carrinho de golfe em pistas de kart aumentadas.
E se for isto, ele está completamente certo na opção: lugar de maneta é lá mesmo.


José Dirceu foi preso de novo?
Uma vez na ditadura e duas em tempos de democracia... Alguém do Guinness Book deveria estudar este caso para ver se cabe nas páginas da publicação.
Mas a pergunta não quer calar: quantas vezes mais ele será preso?
Não vai ter meta... Vamos deixar a meta em aberto, ai quando a meta for atingida, dobraremos a meta.

E já que se falou de algo detestável (política) por que não falar de outra porcaria: UFC.
Não vi e não me importo com o que aconteceu antes, durante ou depois da rinha de briga de galo, mas dei muita risada quando soube que a brasileira foi nocauteada ainda no ritual do toque de luvas antes da briga efetivamente começar.

3 de ago de 2015

Manipulados?

E aqui do lado, no Bar Budos o zumzum ouvido era quase ensurdecedor: “-FHC mente, FHC mente, FHC mente...”.
De repente, surge de algum lugar a notícia: “FHC diz que Dilma é honrada e não está envolvida em corrupção”.
O som de erro do Windows e a tela azul nos olhos dos frequentadores do Bar Budos só não são mais evidentes que o silêncio que permeia o ambiente.

Ainda antes, no mesmo bar, a discussão era sobre Datena que confirmou ser pré candidato a prefeitura de São Paulo.
A choradeira – que deveria ser apenas por ter um candidato tão ruim – era centrada no fato do apresentador mundo-cão ter dito algum tempo atrás que nunca faria isto.
Estavam cobrando coerência...

Uber ou taxi?
A pergunta é pertinente... Você prefere um ou outro?
Que tal transporte público de qualidade? Tipo: metrô, ônibus mais eficientes, trens...
Enquanto isto vai rolando no congresso discussão sobre religiosos poderem questionar decisões do supremo, isenção para doações a candidatos pastores ou ligados às igrejas...
Mas você vai de taxi ou uber?

Em outro âmbito, o esportivo, um repórter evidentemente mal intencionado aproveitou um evento na Hungria em que Nelson Piquet estava sendo homenageado por conta daquela ultrapassagem mágica na primeira corrida realizada por lá e mandou uma pergunta sobre Ayrton Senna.
Nelsão, que não tem papas na língua soltou algo sobre Senna ter sido um piloto sujo durante sua carreira.
O escriba mal intencionado conseguiu suas aspas e detonou mais uma batalha entre as facções das viúvas e dos pensionistas.

Manipulados?
Imagina... Quem andou discutindo estes assuntos ai jura de pé junto que não lê a Folha e nem vê a Globo.