30 de set de 2015

Life on mars?

E de repente a maior notícia do século XXI é que há água em Marte.
Cura do câncer? Não...
Erradicação da AIDS? Não...
Fim dos problemas humanitários? Não...
A cura definitiva da gripe? Não...
Água em Marte.
Ali, logo ali... Depois da curva, poderia dizer Duca Leindecker.

Mas o pior é notar, sem fazer muito esforço, que a notícia nem é tão nova assim.
Lembrando que em 1976, para quem não tem memória para fatos jornalísticos, mas consegue se lembrar de letras de canções populares, Raul Seixas já cantava: “-Gelo em Marte, diz a Viking...”.
Onde há gelo...

Outra questão que veio atrelada a tal “descoberta” é que havendo água, as chances de que também haja vida – bacteriana, mas ainda assim vida – no planeta vermelho aumenta.
E ai, contrariando o senso comum e o hollywoodiano, não seriam os marcianos a estar nos invadindo, mas o contrário.
Já pararam para pensar que neste caso, nós é que somos os alienígenas?
E o mais curioso... Sempre se achou que os alienígenas seriam seres mais evoluídos, mais inteligentes, mas basta uma olhadinha em qualquer jornal para esta teoria cair por terra.
E para terminar: nem podemos pedir o telefone para ligar para casa. Corre-se o risco de não ter linha e se tiver, o minuto custa caro para caramba!

Pois é... Como na letra do Raul, continua não havendo galinhas em nossos quintais.
PS: A água é salgada, os sucos lá devem ficar uma porcaria. 

29 de set de 2015

Crônica do GP: Rebeldes com causa

Durante muito tempo tudo o que mais queríamos era que a rebeldia desse as caras na F1.
Não aquela rebeldia meio canalha de Didier Pironi para cima de Gilles Villeneuve, mas a rebeldia para libertação mesmo.
Principalmente de certo personagem brasileiro em relação a sua equipe e seu primeiro piloto.
Mas esta rebeldia tão desejada nunca veio... Enquanto correram sob as mesmas cores o alemão deu as cartas.
E assim o tempo passou e o conformismo seguia.
Alguns reclamavam, mas efetivamente não faziam nada.

Mas eis que os tempos mudam e aparentemente, do nada.
Avisado pelo rádio que Alonso estava mais rápido que ele, Kimi se limitou a responder: “-Bom pra ele...”.
Massa, que já havia se submetido a tal vergonha na Ferrari, descumpre ordens da Williams e não facilita a vida de Valteri Bottas.
Desceu do carro ao fim da prova, se reuniu com a equipe e descascou o pepino. O time não tentou mais inverter posição com ordens e sempre que pode reafirma que a disputa entre seus pilotos é livre.
Mais recentemente a Toro Rosso ouviu um sonoro “-No! Fuck and die all” vindo do carro de Max Verstappen ao sugerir que ele desse passagem ao companheiro de equipe.
No Japão, Alonso usa o rádio do carro para criticar fortemente o motorzinho de dentista que equipa seu cortador de grama na McLaren.
“-GP2 engine, GP2!” – disse e a transmissão de TV o dedurou.
Isto sem contar os diversos episódios envolvendo Vettel e Webber na Red Bull, mas estes a gente ignora, já que ninguém nunca respeitou e nem vai respeitar Christian Horner.

Mas é pouco...
Ainda esperamos a maior rebeldia de todas.

28 de set de 2015

Lado B do GP: ZZZZZZZZZZzzzzzzzzz

O Japão é um conjunto de ilhas que está muito propenso a sofrer com desastre naturais.
Tufões, furacões, terremotos, vulcões, tsunamis e corridas de F1 monótonas vez por outra dão suas caras na terra do sol nascente.
Por sorte é um povo que se prepara bem para estas coisas.
Menos para as corridas chatas... Não tem Dragon Ball que dê jeito.

Adianta muito fazer a pole e entregar de bandeja a posição na largada?
Avisa o cone#6 que ser o “operário padrão” não tem nada de grandioso.
Ter a foto na parede como funcionário do mês também não.

Foi interessante ver a briga entre Alonso e Verstapen com a ajuda do engenheiro ajudando o filho do Jos.
Engenheiro: -Max, ultrapasse o Alonso, o carro dele é muito ruim.
Max: -Não...Você não manda em mim.

Do outro lado desta mesma briga...
-Motor de GP2... – disse Fernando Alonso.
Isto no rádio que foi ao ar na transmissão, no que ficou oculto ele ainda disse: “-Carro de Super League Formula, carro de passeio da Renault”.

Não... A melhor briga da corrida não foi entre Ericsson, Perez, Kvyat e Ricciardo pelo décimo segundo lugar, mas sim a minha contra o sono.
E devo dizer que o sono foi bravo, lutou como pode, mas eu ganhei.
Mas se tivesse perdido o prêmio teria sido melhor.
Sono perdido não tem cura.

27 de set de 2015

F1 2015: Japão - A maior emoção foi segurar o sono

Suzuka trás em si a esperança de que a corrida seja boa.
Nos últimos anos o monstro da previsibilidade e da monotonia tem ganhado a briga contra o Ultraman de goleada, mas como a pista é boa...
E parecia até que desta vez seria diferente.

A largada pareceu animada, mas no fundo era só o velho azar de Felipe Massa dando seu alo.
O brasileiro largou muito mal e sofreu um furo de pneu em um toque com Daniel Ricciardo.
Lá na frente, cone#44 sem muito esforço toma o lugar de cone#6 e ainda por cima o joga para fora da pista e segue na ponta até a bandeirada quadriculada.
Se não fosse uma área de escape asfaltada, a corrida provavelmente teria acabado para o alemãozinho.
Que, aliás, perdeu posição para a Ferrari do Vettel e para a Williams do Bottas.
E foi só.

E assim começou a parte estratégica da corrida.
A procura por uma estratégia ideal para vencer o sono tomou conta.
Para animar só mesmo ver Alonso puto da vida com a carroça que a McLaren lhe deu aliado ao motor de cortador de grama que a Honda fez.
-GP2 engine, aaaaargh! – gritou o espanhol no rádio que foi ao ar.

Depois disto foi modo automático na espera pelo fim da prova.
Nem a briga pela décima segunda posição serviu para espantar a monotonia da corrida.
E mesmo sendo o Japão suscetível a grandes desastres naturais, eles nunca aparecem quando se precisa realmente deles.
Deste jeito fica difícil a cada ano acordar de madrugada para assistir a corrida nipônica.
Melhor iluminar logo a pista de Suzuka e fazer a corrida a noite lá.
Ao menos para nós aqui seria melhor.

25 de set de 2015

O último campeão de Suzuka

Durante alguns anos o GP do Japão era o fechamento do calendário e as corridas eram invariavelmente em Suzuka.
Depois passou a não ter mais esta função e houve uma alternância com Fuji, creio que para agradar a Toyota que também fazia parte do grid.
Durante os Suzuka years, uma geração maravilhosa se consagrou no traçado sinuoso em definições de campeonato espetaculares.
Prost e Senna.
Senna e Prost
Nelson Piquet também foi campeão por lá, embora a prova em que se sagrou tri não tivesse sido a última da temporada já que em 1987 a temporada se encerrou na Austrália.

A última vez que Suzuka fechou a tampa da competição foi em 2003 quando um certo Michael Schumacher finalmente alcançou o posto de maior campeão em número de títulos de todos os tempos ultrapassando o legendário Juan Manuel Fangio.
A vitória foi apertada. Apenas dois pontos de diferença para Kimi Raikkonen, então piloto da McLaren.
Schumacher terminou a prova em oitavo lugar - que à época dava apenas um ponto - o que era suficiente para levar o caneco mesmo se o finlandês ganhasse a prova.
Por uma ironia do destino, o vencedor foi Rubens Barrichello que largou na ponta e lá permaneceu até a bandeirada, imediatamente à frente de Kimi Raikkonen.
Involuntariamente (ou não) Rubens havia ajudado mais uma vez o alemão, que havia largado em décimo quarto.
O alemão ainda adicionaria mais um título ao currículo no ano seguinte, mas Suzuka não seria o palco.

A prova também seria a última nas carreiras de F1 de alguns pilotos, entre eles Justin Wilson falecido recentemente.
Também deixaram a categoria naquele ano Heinz Harald-Frentzen, que anos antes tinha sido cotado para ser o grande adversário de Schumacher, o que óbvio, nunca aconteceu, Nicolas Kiesa, Ralph Firman e do pai do Verstapinho, o velho Jos.
Também marcou o último pódio de David Coulthard (que já era velho pra caramba) pela McLaren.

Hoje a pista japonesa não fecha mais o campeonato e – já há alguns anos – não cedia corridas tão emocionantes como aquelas.
A pista – que não mudou em nada seu traçado, diga-se – continua ótima para se aferir quem é realmente rápido, qual carro está realmente bem acertado, mas só.
Tomara que este ano seja diferente e a emoção volte a aparecer de forma alegre até porque, na boa, todos nós queremos esquecer a corrida do ano passado.

23 de set de 2015

Crônica do GP: Ele disse não!

Não há nada mais irritante na F1 que as malditas ordens de equipe para troca de posição.
É ruim para o fã que está assistindo e vê uma ultrapassagem fake.
É ruim para o esporte porque – embora não seja ilegal – parece antiético e antidesportivo.
Mas, principalmente, é ruim para o piloto que é obrigado a ceder a posição.
Que o digam Rubens Barrichello, Felipe Massa e alguns outros.
Se não me engano, Massa também se rebelou em uma corrida neste mesmo ano.
Porém, Felipe é veterano, macaco velho, calejado e – até provem em contrário – o primeiro piloto da Williams.
Diferente de Max Verstapen, que é um novato (moleque?) em uma equipe média que, por vezes, não passa de time B da Red Bull.

Ao ser solicitado que trocasse de posição com o companheiro de equipe nas ruas de Singapura, soltou um sonoro “no” e alguns fuck isto e fuck aquilo...
Tudo devidamente divulgado pela TV.
Até por isto, a rebeldia de Max Verstapen é muito bem vinda.

Só uma coisa pega: foi na Toro Rosso, filial da Red Bull onde ninguém costuma respeitar muito chefes de equipe.
Na matriz, Mark Webber fazia o que queria sob as fuças de Horner.
Tanto que fez o que pode para atrapalhar o primeiro título de Vettel, inclusive dizendo para quem quisesse ouvir que estaria torcendo pelo Alonso.
Por sua vez, Vettel também aprontou das suas, tanto com o próprio Webber quanto com o sorrisão Ricciardo.
Então fica a pergunta: faz isto em outro time?


22 de set de 2015

Lado B do GP: Strangers in the night

É até curioso: após a corrida mais rápida - portanto curta - da temporada (Monza), vem a mais longa, mesmo sem ser lenta, Singapura.
Por mais que eu goste da pista, podia ser invertido: passar mais tempo em Monza e correr rapidinho em Singapura.

Vettel na pole, saltando na frente e abrindo vantagem.
Como é bom este carro do Newey que ele pilota heim?
Hã? Como? Não é do Newey? Rapaz... Nunca vi tanto hater com cara de tela azul do Windows...

Por falar em tela azul do Windows... Com carro com limitações, Vettel ainda ganha corridas, mas... E o cone#44? Porque não andou mais perto dos lideres se é o novo Senna?
Ah marketing safado!

Hulkemberg é um grande Mané...
Vai para a briga, dá o primeiro soco e é nocauteado.
Desta vez Massa teve sorte.
Quem teve azar foi o próprio Nico.
Tomou duas punições.
Saiu da prova e ainda perdeu três posições no grid para a próxima.
Punição na F1 é igual a imposto no Brasil: é um sobre o outro.

Um cidadão resolveu atravessar a pista e pular o muro.
Possíveis razões:
Tava chato então quis ir embora.
Banheiro só do outro lado da pista.
Fã do cone#44 desiludido
O próprio cone#44 tentando melar a brincadeira.
Era o Flávio Briattore matando saudades de zoar em Singapura.
Torcedor do Vasco procurando o respeito.

E na F1 é assim: não importa o que aconteça, no fim sempre tem hino da Alemanha.

20 de set de 2015

F1 2015: Singapura - A monotonia com traços de beleza em duas horas

Geralmente não é de se esperar nada muito bom vindo da pista de Singapura.
Apesar de gostar da pista e achar as corridas lá atraentes, não hesitaria em troca-la por qualquer outra pista europeia tradicional (França, Holanda) ou mesmo trazer a Turquia de volta.
Mas este ano, especialmente, a pista já trouxe surpresas – muito agradáveis – na classificação.
Pela primeira vez no ano não há Mercedes na primeira fila.
Cones #44 e #6  perderam para as Ferrari e as Red Bull.
Pode até ser pontual, mas a surra foi grande e muito bem vinda.

E na largada, sem surpresa alguma.
Fora Verstapen ter ficado parado, não houve mudanças significativas.
E dá-lhe Vettel abrindo vantagem.

O banho-maria da prova foi até a primeira sessão de pits.
Só então a primeira emoção real: Nico Hulkemberg sabe-se lá porque, foi para cima de Felipe Massa que estava em seu traçado de saída de boxes.
O toque foi inevitável e pior para o piloto da Force Índia, que foi parar no muro.

Virtual Safety Car na pista.
Massa aproveitou para voltar aos boxes e trocar de estratégia mudando o tipo de pneu.
Curiosamente, entra o safety car real.
E dá-lhe monotonia.

Para dar um sorrisinho, ainda que tímido, só quando cone#44 ficou com problemas e começou a perder posições.
Mas até ai... Já tava ferrado mesmo.
Terminou parado no boxes abandonando a corrida.
Pior foi o caso de Felipe Massa, que já não estava tão bem assim, ainda viu o carro entrar em ponto morto e voltar frouxo.
O azar voltou. Também abandonou.

Mais emoção?
Um cara atravessa a pista e pula o muro durante um safety car.
Ao menos isto.
E logo mais tarde, após o safety, o outro piloto da McLaren se enroscou com uma Lotus e perdeu uma parte da asa.

E volta o banho-maria com pequenas alterações de temperatura com as brigas entre as Toro Rosso e Grosjean.
Foi até bonito ver as ultrapassagens sem o DRS ajudando.

E a corrida foi até o limite de duas horas... Se não tiver passado,
A vitória de Vettel fez com que ultrapassasse Senna em número de vitórias.
Foi bom, não ótimo, mas foi bom.
Diz agora que é só com carro do Newey, diz...

18 de set de 2015

Rock in Rio 2015: faltou ousadia?

Hoje começa o Rock In Rio, edição comemorativa dos trinta anos do evento original.
Aqui não se trata de dizer que o bacana foi o de 1985 ou reclamar das escalações esdrúxulas (tipo colocar Erasmo Carlos antes das bandas de metal ou por Carlinhos Brown para tomar latada na jaca). Longe disto.
Muito menos reclamar por trazerem artistas de fora da cena “rock and roll”.
É algo muito necessário. Afinal, além de promover é necessário vender ingressos.
E o festival, meu caro roqueirinho de esquerda imbecializado, é para dar lucro.
Mas a turma desta vez é realmente fraca.

Uma olhadinha no noite a noite comprova a tese.
Tanto palco Sunset como palco mundo tem nomes sofríveis.
Já o palco Eletrônico... Que se foda! Quem liga pra tocadores de pen drive?

Vai ser interessante ver o Ira! dividindo o palco com Tony Tornado, claro, Rappin Hood estará lá, mas não é novidade ver a banda paulistana com um rapper. Edgard Scandurra é fã confesso do estilo e tudo o mais.
Também poderá ser bacana ver Ministry (embora por aqui sejam pouco conhecidos), assim como Lamb of God, Deftones, Erasmo e Ultraje e claro: Lenine que é sempre ótimo.
Já o restante...
Ou são desconhecidos crônicos ou coisas constrangedoras como a tal homenagem ao Rio de Janeiro.
Já a parada para Cássia Eller deve ser um enorme karaokê que deve funcionar, mas sério... É chato pra carai! Duvido que Cássia curtisse.

Já no palco principal, nenhuma novidade...
Apenas gente com as carreiras já estabelecidas e muitos até em franca decadência.
Rod Stewart e Elton John são os casos mais fortes da última afirmação.
Junte aos fracos Motley Crue (quem liga para hair metal hoje em dia?), Queens of the Stone Age e a palhaçada pouco ouvida do Slipknot (show ok, música nem tanto) e um monte de gente meio sem expressão e quase desconhecida por aqui.

Um capitulo a parte é a noite de abertura em que – em tese – reinaria soberano o Queen (que junto com Al Jarreu, Rod Stewart e os Paralamas do Sucesso participaram da primeira edição).
Por mais que a história do Queen seja bacana e seus hits sejam enfileirados, não é a banda original. Ok! Tem Brian e Roger, mas não tem Deacon e principalmente: não tem Mercury.
Vai ser ruim? Não, claro... Mas assim como foi com a formação com Paul Rodgers, o cheiro de cover de luxo vai sempre estar pairando no ar.
O que vem antes é simplesmente nulo.

A única coisa que pode se dizer ser uma injustiça é não por os Paralamas para encerrar ou, no mínimo, ser a penúltima atração de uma das noites.
Tanto pela importância da banda na história do rock brasileiro, quanto pelo fato de ser a última grande banda (com formação original) da época do primeiro festival.

A esperança é ver Mastodon e Faith no More que lançaram bons álbuns a bem pouco tempo. Já os outros, embora bons nomes, não lançam nada novo – ou bom - há muito tempo.
Metallica, Systen of a Down e A-Ha tem hits suficientes para vários shows, mas infelizmente, são sempre as mesmas canções. Rihana e Katy Perry, por mais que encham a cidade do rock também não são o que há de mais quente mesmo em seus estilos no momento, e pior: corre-se o risco de ver o playbacão comer solto no palco, assim como foi no superbowl do ano passado.
Pela grandiosidade do festival e pela efeméride redonda, é bem pouco.
Mas viva a festa e que comece a diversão para quem quiser se divertir.
Embora eu ache meio complicado com estes nomes, eu quero.

17 de set de 2015

Mas que Merhi heim, Roberto?

A história da F1 costuma tem passagens cruéis e injustas com alguns pilotos.
Grandes ou promissores nomes em outras categorias (de base ou não) que por um motivo ou outro chegaram à categoria máxima em times ruins ou mesmo times bons em momentos ruins
Vem à memória os nomes de Michael Andretti, Sebastian Bourdais entre outros...

Alguns, até bem empregados acabaram sofrendo com boicotes.
Passaram etapas e etapas sem receber atualizações nos carros enquanto os companheiros de equipe iam sempre recebendo em seus carros as melhores peças e novas soluções que podiam ajudar a melhorar o desempenho.
Não que ele seja grande coisa, mas Nelson Piquet Jr, o popular Singapura Wall Boy, vivia reclamando que o caminhão da Renault que ele pilotava não tinha metade do que era dado para Fernando Alonso.

Mas desta vez a coisa se superou.
Esta semana mesmo o piloto Roberto Merhi, que fazia jornada dupla pilotando na World Séries By Renault e na F1 (ok, era um Manor, mas no registro, pelo menos, é F1) anunciou que iria deixar a categoria monomarca para se dedicar mais a F1.
Louvável, já que a grande maioria que está naquela categoria anseia mesmo é uma vaguinha (ainda que na Manor) para andar na menina dos olhos das corridas.
Porém, nem bem divulgou sua decisão e a Manor também faz anuncio dizendo que a partir de Singapura e por cinco etapas, Merhi está fora do time para que Alexander Rossi seja o titular.
Não que alguém se importe ou que mude a cotação do dólar, mas... Vai que nesta corrida, finalmente, eles ultrapassam a McLaren?
As definições de maldade foram atualizadas. E com sucesso.

16 de set de 2015

Chuchu

-E então doutor? Tô muito estragado?
-É... – diz o médico olhando os resultados dos exames – Tá um pouco sim.
-Tem jeito de arrumar?
-Ter até tem... Vai precisar cortar algumas coisas e...
-Operação?
-Não... Cortar coisas da alimentação, e incluir algumas outras... Uns remédios.
-Cortar o que?
-Cortar gorduras, frituras, doces e álcool, claro.
-E incluir o que?
-Mais frutas, legumes, algumas vitaminas e fazer um tratamento com remédios controlados.
-Hum... E isto vai me fazer viver cem anos?
-Não, mas te garanto. Se não fizer isto, não vai viver nem até os cinquenta.
-Trocar, digamos: cerveja por suco de melão? Batata frita por cenoura?
-Ou chuchu... Para escolher tem de monte.
-Chuchu não! Chuchu é a vingança de Deus contra a humanidade.
-Como assim?
-Quando Adão e Eva morderam a maçã, Deus ficou muito puto com eles e os expulsou do Paraíso, não foi?
-Foi... E onde entra o chuchu nisto.
-O que foi que eles encontraram pra comer fora do Paraíso?
-Chuchu?

-Exato! E aí começaram os problemas... Adão comia chuchu e não se sentia satisfeito, tinha crises existenciais - já que não havia cerveja ainda – logo começou a dar umas broxadas... Daí Eva, que não se importava em comer aquele treco que é só água, bagaço e casca muito do sem gosto, entrava em crise porque seu marido não dava mais no couro. Arrumou um caso com aquela serpente que deu a maçã pra ela morder e também foi expulsa do Éden junto com eles...
-Impressionante seu argumento para não comer chuchu! Tem mais?
-Tem... Emputecido, Caim - que também não gostava de chuchu - matou seu irmão Abel, que estava escondido comendo uma picanha no alho e...
-Tá bom... Chega... Aonde quer chegar com isto tudo?
-Então... Se for para que viver só até os cinquenta e não se pode nem comemorar as (poucas) coisas boas da vida com uma porção monstro de batata frita e cerveja, pra que me cuidar?
-O chato é saber que no fundo você tem razão... – diz o médico após pensar um pouco.
-Então?
-Sei lá... – divaga o médico -  É um negócio complicado... Acho que daria uma boa base para discussão.
-Eu topo... Vamos pro Almeida´s tomar umas cervejas e falar sobre isto.
-Com batata frita?
-Não!
-Não?
-Com torresmo! Batata é para criança... Ou você prefere chuchu? Olha lá heim, vai que tua mulher conhece uma serpente qualquer ai....
-Fechado... Vou fechar o consultório então. Cerveja e uma porção monstro de torresmo.

15 de set de 2015

E começa a semana de Singapura

Claire Williams reforçou que a sua equipe trabalha pela redução de gastos na F1.
Puxou ao pai...
Em outras palavras, Claire gritou: “-Ajuda ai pô!”.

A dupla da McLaren disse que esperam um ritmo mais constante da McLaren em Cingapura.
-É que cansamos de em alguns momentos estar lentos e em outros parados. – disse Alonso.
-Espero que fiquemos mais tempo parados. Passamos menos vergonha assim. – reforçou o outro cara.

Mais McLaren.
Magnussen e Vandorme brigam por uma possível vaga de titular no time.
Eric Boullier, que é dublê de chefe de equipe e árbitro de MMA sente que há ligeira vantagem para o dinamarquês.
-A verdade é que não sabemos quem quer menos estar nesta bom... Digo... Neste carro.

Ainda McLaren.
Stoffel Vandoorme.
Stoffel...
Caralho... Stoffell!
E não bastasse, ainda por cima: Vandoorme.
Pqp!

E lá na Mercedes...
O chefe com pinta de mau caráter, safado e suspeito Toto Wolf (não parece coisa de cachorro? Assim: “-Toto, aqui!” e ele responde “Wolf Wolf, e aparece abanando o rabo”) declarou que eles não são imbatíveis.
-Nem poderíamos ser. Nossos motoristas são cone#6 e cone#44, é muita sorte não estarmos perdendo o campeonato para algum time com gente melhorzinha.

E ainda falou que Nico Rosberg agora corre sem nada a perder.
-Já perdeu tudo que tinha pra perder... Corridas, status na equipe, dignidade...

14 de set de 2015

O livro das almas

Para começar um recado para aqueles criticozinhos que nasceram nos anos 90, mas fizeram suas críticas baseados na premissa de que a banda dos anos 80 não existe mais: Estamos em pleno século XXI, no ano de 2015, os anos 80 são apenas uma lembrança, quem parou lá está enterrado ou cremado.
O mundo foi em frente e com ele o Iron Maiden.
Quer algo dos anos 80? Compre uma cópia do Piece of Mind ou do Powerslave, mas não encha o saco.
The Book of Souls é tão clássico quanto os melhores discos da banda e por méritos próprios, não por descendência.

Arrisco dizer que é o melhor álbum da banda desde Seventh Son of a Seventh Son.
Assim... Não é um grande disco porque é um disco do Iron, mas é um grande disco do Iron.
Dá para entender? Não?
Então ouça If Eternity Should Fail e entenda.
É provavelmente a melhor música da banda enquanto sexteto com seu refrão forte e levada cadenciada, pesada e densa.

A produção de Kevin Shirley não mexeu no som da banda.
A voz de Dickinson faz acrobacias com as letras; Os três guitarristas se completando um ao outro com seu timbre, sua assinatura pessoal sem exageros e Nicko McBrain conduzindo as canções sem preguiça se  utilizando de pratos china splash e cowbells que soam como novidades, embora não sejam.
O que se ouve é puro Iron Maiden, tanto que o single Speed of Light é inconfundível e segundo  o próprio Nicko é uma homenagem ao Deep Purple.

Um dos pontos em que os meninos que não viram os 80 estão se pegando é a repetição citando Shadows of The Valley como exemplo e dizem que há autoplágio no riff de abertura (Wasted Years, do Somewhere in Time) e na letra que tem um verso que termina em “Sea of Madness”.
Não é plágio, é autorreferência. Se o Ramones ainda estivesse na ativa, provavelmente eles diriam a mesma coisa dos novos discos.
Também reclamaram da duração das canções. Bobeira.
The Red and the Black - que leva a assinatura de Steve Harris - é puro Maiden.
The Book of Souls é uma das mais lindas músicas que a banda já compôs.
E que fique claro, não é porque é linda que é uma balada sentimental ou canção romântica.
Mas foi com a faixa final: Empire of the Clouds que a coisa ficou realmente séria
“-São dezoito minutos!” – estrilaram os meninos acostumados com músicas fáceis de quatro minutos.
Sim... São os dezoito minutos mais diferentes de um disco do Maiden jamais ouvidos.
A começar pela introdução com um inédito piano, passando pelas diversas partes da música que ilustram a história do acidente do dirigível britânico R101 em 1930.
Não há muitas palavras para descrever de forma exata.
Emocionante é pouco.

Não se sente que as músicas são longas. Não dá para se preocupar com a duração das faixas de tão agradáveis.
E para aquele zémané que nunca se deu ao trabalho de ler uma letra, mas insiste em dizer: “-Airo Meide é satanista!”, Tears of a Clown  é a madeira perfeita para arrebentar preconceituoso.
O disco prova que a banda não se acomodou e que respeita seus fãs se esmerando em lançar discos com novidades e boas doses de inventividade.
Quem é fã vai amar. Quem não é tem grandes chances de vir a ser e claro: haters gonna hate... Ever.
Problema deles.

11 de set de 2015

Um conto saudável

Ela é alta... Bem alta.
Ela é bonita...
E cubana. Me lembrou a primeira vista aquela jogadora de vôlei, a Mireya Luiz
E forte. Dá para ver sob o jaleco.
-Sua pressão arterial está alterada. – diz com forte sotaque, mas facilmente entendível.
-É que eu subi a rua do posto correndo e...
-O senhor está acima do peso.
-Confesso... Estou um pouco.
-Um pouco? Não... O senhor está muito acima do peso.
Sorrio sem graça.
-E é baixinho. O que piora tudo.
Já não sorrio mais.
O papel com as recomendações fica tomado daquela letra que a gente pouco entende, mas sabe que coisa boa não pode ser.
Cortar imediatamente: doces, refrigerantes, gorduras, frituras, açúcar...
Adicionar a rotina: exercícios físicos, caminhadas regulares, horários regrados de alimentação e sono.
-E cerveja? Pode tomar?
-O senhor toma muito?
-Não...
-Então corte...
E solicitou uma batelada de exames de todos os tipos...
Provavelmente não vá sorrir nunca mais.
-Mais uma coisa...
-Pois não?
-Leve isto a sério. Eu vou estar no seu pé. Se tomar refrigerante eu vou saber. Se comer doces eu vou saber, se ingerir gordura eu vou saber. Se sair da linha...
Voltei a pensar na jogadora de vôlei e no quão seria desagradável tomar uma cortada na orelha.
Levei a sério.

Tão a sério que duas semanas depois, aparentemente a via em todos os locais.
Na rua, no bar, nos mercados...
De frente a sorveteria, apenas pensando em entrar e ela passa na calçada do outro lado da rua. Desisto.
Ao parar para cumprimentar amigo em frente a uma barraquinha de churrasco grego, e ela passa. Faz questão de que a veja e ainda acenar.
Aos poucos fui ficando meio paranoico.
Já não conseguia nem pensar em algo da tal lista sem olhar em volta se ela estava por perto.
Curiosamente, nunca a via quando caminhava ou me exercitava. Se bem que isto, confesso, era bem pouco.
Em um dia qualquer, antes do retorno da consulta senti que tinha cumprido bem o recomendado.
Havia perdido peso com todos aqueles cortes, minha pressão arterial – que estava sendo monitorada – não havia mostrado mais nenhuma alteração e então resolvi comemorar comprando um pacotinho de bolinhos Ana Maria.
Parado em frente à gôndola escolho calmamente entre os sabores diferentes a disposição. Ignoro fortemente o de cenoura com chocolate... Escolho finalmente o de embalagem azul, bolinho branco com creme igualmente branco por dentro.
O sabor? Todos são iguais...
-Eu também prefiro este. – ela diz surgindo do nada.
-Não é pra mim... – sorrio amarelo, cumprimento e saio deixando o pacote na gôndola.
Ao chegar à ponta do corredor penso: “-Mas que catzo? Se eu quiser comer o bolinho, vou comer... Ela é médica, não da policia. Vou voltar lá e pegar o bolinho.”.
Me viro e olho pelo corredor procurando sua presença.
Tudo limpo.
Não que eu esteja com medo ou algo assim... Mas volto devagar e pensando em algo para dizer se ela voltar.
Quando pego o pacotinho, ela aparece: -Resolvi não levar, estou devolvendo. – digo com o mesmo sorriso amarelado.
Ela sorri de volta e caminha na direção oposta.
Observo para ver se ela não olha para trás. Nada, tudo limpo de novo.
Pego o pacote e jogo dentro da cesta, cubro com o pé de alface e corro para o caixa.
A atendente sorridente como sempre diz o bom dia mais longo da história e penso (mas não digo): “-Vai rápido, por favor!”.
Mas a menina não é telepata e nem a tecnologia quer ajudar: nenhum código de barra quer ser lido. Todos tem que ser digitados manualmente. E são enoooormes.

Eis que a doutora também se dirige ao caixa. Rezo para que entre em outra fila.
Ela vai. Algo resolveu dar certo. Já nem me preocupo em cobrir a Ana Maria com a alface. De onde ela está não vai ver.
Mas de repente...
 -Ih, não consigo ler o código desta embalagem, vou chamar o gerente...
-Não precisa... Olha, deixa pra lá...
-Não vai demorar, fique tranquilo... – ela sorri enquanto acende a luz e pega seu microfone. – Por favor, código para Ana Maria no caixa dois... Rápido que o cliente tem com pressa.
“-Fudeu!” – penso e já olho para a fila em que ela estava. Aparentemente não notou nada. Me tranquilizo e até consigo rir da minha paranoia boba.
Mesmo que ela tivesse visto, o que iria fazer? O que iria falar?
Saio do mercado e abro o pacote já sem culpa. Os bolinhos nunca tiveram um gosto tão doce.

Na manhã seguinte o retorno ao consultório.
Entro na sala. Pressão aferida: normal. Peso conferido: baixou.
-Está tudo bem? – pergunto.
-Está melhor... Bem ainda não. – responde enquanto enche outro papel com aquela letra...
-Mas... Todas as restrições estão aqui de novo!
-Sim... O senhor seguiu a risca tudo que recomendei da primeira vez?
-Claro... – minto.
-Ótimo... Então por que não continuar?
-Hum... – resmungo.
-Marque o retorno... – e antes que eu saia da sala – Dá próxima vez, ao menos escolha o de cenoura com chocolate...
Senti como se tivesse perdido o jogo com um ponto de ace sacado por ela.

10 de set de 2015

1%

O bom ano da Williams se deve sim ao bom trabalho na construção do carro, a potência do motor, a má fase da Red Bull também, claro... E, sobretudo ao trabalho de seus dois pilotos.
Bottas é ótimo. É o futuro. Talvez não da Williams, mas é.
E Felipe Massa... Bem... Se nunca foi genial, se nunca foi fora de série, ano menos por falta de empenho e trabalho ninguém vai poder criticá-lo.
E a renovação de seu contrato foi sim um grande acerto.
Já conhece o projeto, já está familiarizado com todos os que estão lá para tocar a equipe adiante.

Mas o que falta para finalmente os torcedores da casa de Grove comemorarem uma vitória?
Não... Não falta um azar da Mercedes.
Vencer assim não tem graça.
Segundo um de seus diretores, Pat Symonds, falta apenas 1% de empenho extra para que o time vença.
Mas de onde exatamente este um por cento tem que vir?
Desconfiamos...


9 de set de 2015

Crônica do GP - Itália: a vida imitando a arte

No fim do primeiro filme da franquia Cars (Pixar, 2006), o carro bigodudo Chick Hicks finalmente consegue vencer a Copa Pistão após ter provocado o acidente com o campeão das pistas, o Superbird Strip – the king – Wheaters.
Na cena, Relampago McQueen desiste de vencer a prova – e ser o campeão - para voltar e ajudar o Rei a, pelo menos, terminar dignamente aquela que seria sua última prova.
No pódio, Chick comemora muito pedindo que lhe deem logo a taça que lhe é atirada de forma agressiva em meio a olhares de reprovação e um silêncio constrangedor.
E então: dá-lhe vaia.
Todos estão mais interessados em louvar o espírito de esportividade do que o vencedor.

Em Monza no último domingo, o cone#44 não provocou acidente algum e – obviamente – não teve nada com o caso dos pneus com calibragem menor, mas ao subir ao pódio para receber sua buzina, digo, seu troféu de vencedor ouviu os apupos.

Arrisco dizer que a antipatia dos torcedores italianos pelo cone#44 tem menos a ver com o domínio dos carros Mercedes (e, portanto rival da Ferrari) que com as atitudes esquisitas. Principalmente a mania de querer se equiparar a Senna apenas por encontrar facilidade para igualar os números friamente falando.
Como se fosse possível comparar duas fases tão distintas tanto das corridas em si, quanto dos regulamentos.
E dá-lhe vaia.

Por sua vez – e por motivos óbvios – Sebastian Vettel foi aplaudido à exaustão.
Com ele, também Felipe Massa foi saudado de forma positiva. O brasileiro ainda é muito querido pelos tifosi mesmo não tendo sido campeão pela Scuderia.
Não bastasse, conseguiu fazer uma defesa de posição sensacional frente ao companheiro de equipe diante dos olhos da torcida mostrando uma esportividade que na equipe vencedora não há.
A vida imita ou não a arte?

8 de set de 2015

Lado B do GP - Vi mais a Mclaren na TV do que o vencedor...,

Monza também rende seus lado B, afinal é na Itália, o país mais lado B da Europa que existe.
Quase um Brasil europeu.

E começa com Kimi, se concentrou tanto para a largada que dormiu.
Ai tomou um susto, soltou o pedal da embreagem de uma vez e o carro engasgou.
Parecia motorista que faz estas cagadas nos semáforos.
Só faltou falar: “-Eita porra!” – ou em finlandês – “-Eiten porranun”.
Ou como disse o Anselmo Coiote: “-Caraliens dasen pohurren...”.

Para variar um pouco, a Williams fez pit stops lamentáveis.
Fez Massa e Bottas perder a posição para Nico Rosberg.
Isto porque Claire Williams declarou que a equipe tinha treinado muito.
Clássico caso em que treinar só aprimora a ruindade.
Ou, acho que treinaram os mecânicos para reconhecer cor.
Ao menos isto desta vez eles acertaram.

Os patrocinadores deveriam investir pesado na McLaren.
Não tem carro que apareça mais no vídeo que eles.
Toda hora estão tomando volta ou sendo ultrapassados por alguém.

Este blog não fará piadas com o fogo no rabo do Rosberg no fim da prova.
Tenho dito.

O mais emocionante de toda a prova não foi nem a defesa de posição de Felipe Massa na última volta, mas a espera sobre uma possível punição do cone#44 por problemas com a pressão dos pneus.

6 de set de 2015

F1 2015: Itália - É bom até quando é ruim

Monza é um deleite para os olhos.
Pista bonita, veloz, tradicional... E se por um destes desastres da natureza (e dos regulamentos da F1) a corrida for monótona, tem a vantagem de acabar rápido.
É a corrida mais rápida do calendário.

Muitos reclamam de que a área de escape da Parabólica, a curva mais emblemática do circuito (parece não acabar nunca!) foi asfaltada.
Ok! Entendo... Diminui o desafio, mas ainda assim: muito melhor isto que o que aconteceu com a Peraltada, no México, por exemplo. Ou mesmo com a Tamburello.
Vida que segue, tomara que GP que siga também, ad infitum.

A largada não foi totalmente limpa, mas não houve batida.
Apenas um toque do Maldonado, sempre ele.
Kimi ficou na largada, paradão, conseguiu fazer o carro se mover antes do pelotão sumir e saiu escalando a tabela.
É mais fácil quando se tem um carro razoável nas mãos, claro...
Ao fim da volta sete já era o nono.

Infelizmente, a corrida entrou em modo automático.
Nem o Cone#6 com equipamento melhor e tendo que voltar a, pelo menos, seu lugar de largada, não rendeu emoção.
Ficou preso atrás de Valteri Bottas.
Lá na frente o Cone#44 abria.
De cara para o vento e com todos as ajudas de videogames ligados fica muito fácil.
No rádio da equipe se ouvia: “-Não atrapalhe o carro, não atrapalhe o carro...”.

Sem contar a recuperação de Kimi Raikkonen, que também já era esperada, diga-se. Não houve novidades.
Nem os pitstops ridículos da Williams. Aliás, isto já virou tradição.

Nem a explosão do motor Mercedes de Nico Rosberg foi surpresa.
Trocou a unidade de força por uma usada em Spa...
Ai fica fácil para o cone#44 que, sem conseguir atrapalhar o próprio carro, não têm adversários.
Monza merecia um vencedor melhorzinho...

Mas o grande lance de toda a corrida foi a defesa de posição de Felipe Massa contra Valteri Bottas.
Ao fim da prova soltou a frase: “-Estou velho demais para aquilo...”.
Eis a prova de que Monza, até quando é meia boca, é sensacional.

Obs.
Ao terminar o texto ainda estava em curso uma investigação sobre possível punição ao cone#44 da Mercedes por conta de pressão errada nos pneus.
A se confirmar, o assunto será tratado em outro post.

4 de set de 2015

O melhor GP da Itália de todos os tempos

Este texto está sendo reeditado, portanto não estranhe os personagens. Valeu!

Muito se fala do fantástico GP da Itália de 1969, vencido por Jackie Stewart ou da corrida de 1971 em que a diferença de tempo entre o primeiro colocado Peter Gethin e o segundo Ronnie Peterson foi apontada como a menor da história da categoria: apenas um centésimo.
E mais: os cinco primeiro colocados terminaram a prova dentro do mesmo segundo.
Ambas foram disputadas em Monza, e só isto já é um handicap considerável, porém um dos mais emocionantes de todos os tempos não foi corrido no solo sagrado.
Nem em Brescia (1921) ou Livorno (1937), nem em Milão (1947) ou Parco Valentino (1948), muito menos em Imola (1980) que pela ordem foram os circuitos que também já foram palco da corrida italiana.
Mas sim em Roma (ano 1 DC) e teve lugar no Coliseum.

Alinharam para a largada as melhores bigas - como eram chamados os F1 da época. – e os melhores pilotos.
Por conta de um regulamento absurdo em que equipes que aceitavam algumas imposições da BIA (Bigas International Assossiation) tinham direito a algumas regalias, enquanto as equipes que gastavam o quanto queriam em seus orçamentos não.

Então equipes menores como a Toyotus que vinha do Oriente, a Torus Rossus que era de Roma mesmo e uma equipe vinda das Índias podiam usar mais cavalos do que as outras: quatro (Quadrigas).
Já MacLatun, de Londres; a Redburrus; a Ferrarus e uma equipe de bárbaros franceses: a Horrivelnault usavam apenas três cavalos, mas estes eram puro sangue, geralmente árabes.
Eram os chamados motores P12 (doze pernas)

As restantes não se enquadravam nas categorias acima citadas, usavam bigas de dois ou três cavalos, mas pangarés e geralmente eram apenas coadjuvantes nas corridas.
Eram: os bávaros da BMdablius e outros londrinos da Uiliams, que eram chefiados pelo lendário centurião Francus. Um sujeito teimoso que achava que conduzir uma de suas bigas era uma enorme honraria, e por isto geralmente não pagava bem seus legionários pilotos.
Às vezes Francus conseguia brigar até com seus cavalos... Era do contra ele.

A corrida em questão foi um sucesso de publico e até as autoridades mais importantes da época estiveram presentes: O imperador César Berlusconi e o governador francês Nicolaus Saicoizinha acompanhado de sua esposa, da qual o imperador não tirou os olhos durante toda a prova.
Na largada Kubicus da BMdablius se envolveu em um acidente bobo com Fisichelus que era romano, mas por laços financeiros e por ser também sua ultima chance no mundo das corridas aceitou conduzir pelo time Indiano.
Dizem que ao enroscarem as rodas das bigas, em uma tentativa patética e desesperada de soltar à base de força, Fisichellus gritava: “-Force Índia, force!”.

Na volta numero trinta, outro acidente: o segundo condutor da Horrivelnault perde o controle dos cavalos e estampa o muro sujando a pista com detritos de sua biga e cocô de cavalo...
Naquela altura da prova apenas seu companheiro de equipe, o centurião Alonsus havia feito a parada para reabastecimento (não me pergunte onde enfiavam a mangueira, ou se a mangueira já era do cavalo...) e assume a ponta da corrida provocando suspeitas em todo o bigódromo.
Só que mais a frente o centurião Alonsus é obrigado a abandonar a corrida por conta de um de seus cavalos estar com a pata frouxa e ameaçando se soltar, o que lhe valeu o apelido de “Alonsus pernun frouxus”

No fim a vitória coube a Buton Hur, que conduzia uma Braus com difusor duplo na saída do terceiro cavalo.
Em segundo ficou Messala Humbê, que reclamou que os melhores cavalos sempre estavam na outra biga e que ele era apenas um romaninho contra o império.
Em terceiro chegou Kimem Raikkonus, que evitou dar declarações, mas bebeu as três ânforas de vinho reservadas no pódio para a festa da vitória.

Outro dado curioso é que o comerciante de togas Flavius Safatorus, também chefe da Horrivelnaut, foi convidado a explicar o acidente com Piquetinhus, mas este se limitou a dizer: “-Questo era um piloto que non valia o que o cavalo fazia...”.
E perguntaram a ele: “-O que? Exatamente?”.
“-Correr, porca miséria, correr... Seus mente suja....”

3 de set de 2015

De vênus

-Marcelo por que o Camisa deu certo,como conseguiram furar os bloqueios de ser uma banda baiana, com letras explicitas e ter um nome tão forte para a época?
-Antes de tudo porque escapamos dos tubarões da indústria fonográfica. Em nosso começo trabalhamos com - tivemos a sorte de trabalhar - com André Midani, um cara corajoso, inventivo, criativo... Apostava em boas linguagens, em bons trabalhos e não suportava massificação.
-Como assim?
-Hoje em dia os produtores querem criar uma tendência para que isto se torne uma cena e que ninguém tenha de pensar se presta ou não. Afinal, é tudo igual e se é igual, se há imitadores é porque é bom. Ele não era assim.
-Ao menos na cabeça deles...
-Ao menos na cabeça deles e de quem faz as programações das rádios.
-Justo... E agora voltaram para comemorar os trinta e cinco anos da banda.
-Está perguntando ou afirmando?
-Afirmando.
-Também é isto, mas é mais porque um dia abri um jornal e tinha uma matéria dizendo que a maior banda de rock do Brasil era o Skank. A única coisa que consegui pensar foi: ai não dá, temos que voltar pra ensinar o que é rock...

Quem pode contestar?

2 de set de 2015

Duas novas de Monza

Force Índia renovou com Nico Hulkemberg.
Boa...
O time sempre aparece no noticiário por motivos menos nobres.
É falta de dinheiro, penhora de bens de Vjay Mallya, falta de pagamento de fornecedores. Vez por outra alguém dizia que o futuro da equipe estava com o futuro ameaçado e tudo...
Mas a vaca indiana continuava andando e agora renova com um dos melhores pilotos do grid.
Mas Vjay é indiano... Crê em karma, crê em equilíbrio e claro, deve repassar este tipo de filosofia para as empresas que gere.
Não sei se indianos usam o conceito do Yin/Yang, mas ao ter esperanças de que Sérgio Perez também esteja em um de seus carros na próxima temporada fica claro que Vjay Mallya o entende: une o bem e o mal sob o teto do mesmo boxe.

Segundo o outro piloto da McLaren, o ritmo de classificação deve ser a chave para se dar bem em Monza.
Deve ser mesmo.
Vale lembrar que é a corrida mais rápida do calendário.
Onde a média de velocidade é impressionante e se o ritmo de classificação não for bom corre-se o risco dos carros do time ficarem no fundo do grid e até de tomarem voltas dos competidores que largam mais à frente.
Mas do que o outro piloto da McLaren está falando? Já tem sido assim desde a Austrália...

1 de set de 2015

Histórias de Monza (não tem como não amar)

Não há como gostar de F1 e não amar Monza. Impossível.
Foi nesta pista que este escriba, em 1983 (!) assistiu seu primeiro GP na integra e por vontade própria, se apaixonou pelo esporte e ainda viu uma vitória de Nelson Piquet.
Fora isto, o circuito legendário também já proporcionou outros diversos tipos de emoção.
Além, claro, de ser parte importante na trama e no desfecho do filme Grand Prix, de John Frankenheimer com suas curvas inclinadas maravilhosas.

A pista também registra outras histórias muito boas. Algumas realmente fantásticas como a chegada do GP de 1971 vencida por um tal Peter Gethin por apenas um décimo de segundo de diferença do segundo colocado: Ronnie Peterson.

Lá em 2000, Michael Schumacher se igualou a Ayrton Senna em número de vitórias – 41 naquele dia – e se emocionou durante a entrevista coletiva chorando e fazendo com que outros pilotos (incluindo Mika Hakkinen, o homem de gelo original) chorassem também.
Foi lá que anos mais tarde o alemão também revelaria ao mundo sua (primeira) aposentadoria.

Também foi em Monza que Piquet disputou seu GP de número duzentos em 1991, seu último ano de F1.
Naquela corrida Nelsão chegou em sexto e marcou um ponto.

Outra história inesquecível envolvendo Monza se deu na chegada do GP de 1993.
Christian Fittipaldi, sobrinho do bi campeão mundial Emerson, então correndo pela nanica Minardi cruzou a linha de chegada numa honrosa oitava posição (tinha largado em vigésimo quarto).
Mas foi a forma com que cruzou a linha de chegada que eternizou o feito: após tocar rodas com a outra Minardi (de Pierluiggi Martini) o carro de Christian decolou e girou no ar – um looping - e pousou, inacreditavelmente, com as rodas no asfalto para completar se arrastando a prova.

 A última grande façanha em Monza – com certeza – foi a primeira vitória do então moleque alemão que era apenas uma promessa do automobilismo: Sebastian Em 2008 venceu a bordo de uma modesta Toro Rosso de forma surpreendente e incontestável a corrida italiana.
Detalhe: caia um dilúvio em boa parte da prova.
Coisa de quem não nasceu para ser cone na vida...

Alguma lembrança boa de Monza?