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Mostrando postagens de Novembro, 2015

F1 2015: a pista boneca inflável e sua monotonia sem fim

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Assisto corridas de F1 desde 1983, desde o grande prêmio de Monza daquele ano e nunca perdi uma corrida de madrugada sequer.
Acordo as duas, as três, a uma... Mas estou lá, firme e forte vendo os carros girando nas pistas do mundo.
Abumdabe é às onze da manhã aqui no Brasil... Tempo suficiente para acordar, tomar café, jogar videogame, ver um desenho e ainda assistir a corrida sem trauma.
E quase esqueço.
Não me atrai.
Tempos atrás disse que era uma corrida travesti.
Lembra algo que a gente gosta, é bem bonita em algumas vezes, mas não é o que a gente pensa.
Retiro o que disse.
É uma corrida boneca inflável.
É feito para parecer algo que se gosta, mas não é de forma alguma.

Mas vicio é vicio e a gente se senta para assistir.
E já começa a bocejar.
Retinha, retão, curvinha cotovelo. Só isto.
Tudo grandioso, “ostentativo”, megalômano e... Sem graça.
Algumas ultrapassagens forçadas nas primeiras voltas enquanto todos estão muito próximos e só. Falso.
Tão falso que o espumante espocado no…

Etiqueta

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-Véi, vou mandar um e-mail pra uma fábrica reclamando de um produto ai...
-Sério? Celular? Televisão?
-Nada... Cueca!
-Ih, que foi? Alergia? Se for isto nem adianta reclamar. Tem nas etiquetas
-Não é alergia não... É sobre as próprias etiquetas.
-Como assim?
-Porra! Os caras colocam umas etiquetas enormes, de um material duro em partes sensíveis da nossa anatomia. Tá certo não.
-Como assim? (já rindo) Que tipo de cueca cê anda usando?
-Tô falando sério pô! Aquelas cuecas box, boxer... sei lá o nome.
-Sei... Aquelas que parecem um shortinho. Acho confortável.
-Até é... Mas a porcaria da etiqueta fica lá... Incomodando.
-Geralmente fica do lado, na costura lateral.
-Pois é, mas nestas que comprei fica bem no rego.
-Onde?
-No rego pô!
-Ai é foda! Material duro no rego deve ser desconfortável mesmo.
-Cê ri porque não é contigo. Mas eu vou reclamar mesmo. Tem que trocar o lugar desta etiqueta, ou o material... Mas tem que dar um jeito.
-E se eles não derem ouvido pra suas reclamações?
-Não…

Terceira parte do balanço da temporada: a figura do ano

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Se os fãs da F1 tivessem criado um drinking game para a atual temporada teriam que usar as seguintes frases como gatilho para virar suas bebidas:
“-Qual a possibilidade de chuva durante a corrida?”  - Bebe.
“-Tomara que as Mercedes se enrosquem uma na outra.” – Bebe.
“-Rosberg vai entregar a paçoca.” – Bebe.
“-Alá o Alonso sendo ultrapassado de novo.” – Bebe.
“-McLarens fora do Q2.” – Bebe.

Mas as frases mais ouvidas, as que mais produziriam bêbados durante o ano sem dúvida alguma foram:
“-Ih rapaz... Vai largar do lado do Maldonado, maior perigo isto.”
“-Maldonado maldonadeando”. (ou sendo Maldonado).
Pastor Maldonado foi o – pouco – sal da temporada.
Em todas as etapas, os melhores momentos foram quando ele estava em alguma disputa por posição.
Um monte de gente muito boa prendia a respiração a espera de algo bom (sem ironias).
Uma grande ultrapassagem, ou uma pancada qualquer.
E não foram poucas as vezes que o venezuelano entregou o que dele se esperava.
Bastava isto para fazer del…

Segunda parte do balanço da temporada

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A segunda parte do balanço do ano trata das equipes.
Novamente um banho da Mercedes sobre as concorrentes, como no mundial de pilotos, mas com atenuantes.

A inversão de posição entre Ferrari e Williams nem é o ponto.
Como manda a lei da competitividade, desta vez a Ferrari fez um carro melhor – além de contar com pilotos melhores – e nem o motor bi campeão mundial conseguiu fazer o time de Frank Williams ficar na segunda colocação.
Não se trata de cornetagem, mas uma dupla campeã do mundo – sendo apenas Vettel quatro vezes – não dá para comparar com um bom piloto (Massa) e uma promessa que pode nem vingar (Bottas).

Aliás, por falar em motor, a cantilena de que o Mercedes é o melhor motor não é tão verdadeira assim. Apenas o time oficial é que se deu bem.
Williams ficou atrás da Ferrari, o que pode ser visto como a maior derrota dos propulsores de cortador de grama alemães.
Force Índia e Lotus, que também usam o motor bi campeão do mundo, conseguiram a proeza de ficar atrás da Red Bull…

Primeira parte do balanço da temporada

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O ano da F1 acabou, esqueça Abu Dhabi.
Já dá até para fazer um pequeno balanço da temporada sem cometer erros (muito graves) e injustiças (não planejadas).

Foi uma temporada monótona e monocromática, principalmente no que tange a vitórias.
Foram todas de apenas duas cores.
O prateado da Mercedes e seus cones supervalorizados e o vermelho da Ferrari.
Na Ferrari a coisa ainda é mais aprofundada: apenas Sebastian Vettel viu o mundo do alto do pódio. E três vezes!

Grandes domínios sempre existiram, não dá para dizer que a temporada foi chata apenas porque foi dominada pela Mercedes.
Há quem goste dos pilotos deles e até quem ache que são fora de série.
Não são.
Nico, quando muito, é um piloto regular.
Lewis é o cara que sabe aproveitar o que o carro tem. Se o carro não tiver nada, ele também não.
Na primeira queda de performance realmente séria da Mercedes, o rapaz volta a vazar telemetria no twiter, fazer caquinhas a rodo e por ai vai.
Mas... Foi o campeão do ano.
Só não foi o grande ven…

Swing

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Denner é cego.
Não é politicamente correto dizer “cego”, mas ele é.
Diz a todos que “deficiente visual” é besteira e se sente diminuído com o termo “deficiente”.
”-Não tenho deficiência, só não enxergo.” – diz ele.
Mas tem um ouvido primoroso! Capaz de distinguir notas, tempos... E uma memória ainda mais impressionante.
Tinha um arquivo mental de nomes de músicas, datas de lançamento, fichas técnicas.
Conhecia diversos estilos, mas era apaixonado por jazz.
As subdivisões do gênero não lhe assustavam: conhecia todos. Do dixieland ao cajun, que mistura as influências creole (mistura das culturas francesas e africanas).
-Jazz é jazz, não é étnico... Não é world music. Aliás, que termo mais idiota. – dizia.

Dos outros gêneros musicais gostava. Pero não tanto.
Ouvia blues, claro.
-Derivação do jazz. – ensinava.
Ouvia rock.
-Derivação do blues. – explicava
E destes, ouvia tudo o que vinha atrelado.
Gostava de country e sua versão nacional, o sertanejo.
-Universitário também, Denner?
-Não...…

A F1 pós Brasil

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O GP do Brasil marcou o fim da temporada.
Foi o churrascão da firma em grande estilo.
“-Cê é besta? Ainda tem Abu Dhabi!”.
Tem é? E quem liga praquela bosta em forma de pista?
Aquilo é um lixo e a gente só vai assistir pra adiar um pouquinho o começo da TPP (Tensão pós-temporada).


E sendo assim, com o fim da temporada na corrida brasileira começa a silly season.
E bota silly nisto, mas muito silly mesmo... Silly pracaraio!
O diretor técnico da Mercedes, um tal Paddy Lowe deu a seguinte declaração: “-A rivalidade entre Rosberg e Hamilton já está no mesmo nível daquela entre Senna e Prost.”.
Aha... Aha... Ahahahahaha. Ahahahahahahaha. Ahahahah. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.
Depois desta o Prost se revirou no túmulo.
Heim? Não foi ele que morreu?
Tanto faz... A comparação é estúpida por demais.

E esta é para você que prega aos quatro ventos que a F1 está em cheque no Brasil, que a população não se importa mais com a categoria, que o fã daqui, mesmo com to…

Lado B do GP: Brasil monótono

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O lado B não podia começar com outro que não fosse Fernando Alonso.
A pose “turista desencanado” depois de mais uma quebra e a pequena zueira no pódio com Jenson Button foi coisa de brasileiro huehue.
Sensacional.
Agora um aviso: cuidado!
A vingança do Alonso quando recomeçar a vencer – e não duvidem que isto aconteça – v ai ser maligna, devastadora... Cruel!
Até eu já to com medo.

Poucos lados B de verdade.
Só Maldonado salvou dando uma tradicional maldonadeada e acertando Ericson Celulari.
A ação despertou do sono os comissários de prova que prontamente comissionaram e colocaram o lance sob investigação.
E como não aconteceu mais nada na corrida, também não deu em nada a investigação.

E no rádio:
Piloto: -Vai chovê?
Equipe: -Não caraio, corre ai e não enche mais o saco.

A corrida acabou sendo tão monótona que poderíamos trocar o nome para Grande Prêmio Rodada do Brasileirão de F1.
Porém, num universo paralelo o pódio foi este da foto.

F1 2015 - Brasil: A monotonia que superou a beleza

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Interlagos não fecha mais o campeonato e este ano também não decide o campeão.
E daí?
É a nossa corrida, é no quintal da nossa casa, nossa pista, que, aliás, dá de mil a zero em cerca de noventa por cento das pistas do atual calendário.
É sempre emocionante do principio ao fim?
Obviamente que não, mas pouco importa.
Quando os carros alinham para a largada e ronco do motor (até mesmo estes asmáticos deste ano) sobe, os pelos se eriçam. É único, é fantástico, é Interlagos.

O nome dos treinos não foi o pole. Aliás, este ano o pole nunca foi o nome de treino algum, mas desta vez em especial o nome foi o cara que larga na última vaga da última fila do grid: Fernando Alonso.
Após mais um inicio de fim de semana lamentável, o asturiano definitivamente ligou o “foda-se”.
O carro quebrou?  Arruma um banquinho ai que eu vou sentar aqui e aproveitar o solzinho paulistano.
O pódio tá livre? Vem cá Jenson, vamos tirar uma foto aqui já que pelos nossos carros a gente não vai chegar nem perto de sub…

Histórias do GP do Brasil: 2011, o troféu salgado

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A organização do Grande Prêmio do Brasil por vezes cria troféus originais para entregar a seus vencedores.
Em 2008 o troféu tinha sido desenhado por Oscar Niemayer e confeccionado com um polímero vegetal obtido através de reciclagem que ficou conhecido como “plástico verde” e lembrava as colunas do Palácio da Alvorada misturado a um volante de F1. Pesava quatro quilos e era muito bonito.

Em 2011 o trabalho coube a Paulo Solariz e ele não poupou criatividade.
Pioneiro ao trabalhar com o automobilismo, o artista plástico já havia retratado em suas obras, entre outros, Jim Clark, Michael Schumacher, Emerson, Senna, Barrichello e Massa.
O troféu tinha como atrativo principal, pedras retiradas do pré-sal - então a grande descoberta da Petrobrás que prometia a autossuficiência de petróleo ao país – incrustadas.

Pois bem... À época ainda estava no ar um site sobre automobilismo feito de forma cooperativo por entusiastas e alguns estudantes de jornalismo chamado de Pódium GP.
A publicação na …

Histórias do GP do Brasil: 2008, o churrasco da Honda

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O ano de 2008 havia sido terrível.
O aproveitamento da Honda só não foi pior que o ano anterior em que os carros disputaram o campeonato com uma pintura esverdeada do mapa mundi.

A piada corrente era que tinha o mapa mundi por que demorava 365 dias para dar uma volta em qualquer circuito de tão lento.
E a incerteza campeava os lados da escuderia japonesa. Ninguém sabia se continuaria na categoria ou não em 2009 e o que seria de seus dois pilotos: o ninguém liga Jenson Button e Rubens Barrichello que havia se mandado da Ferrari para ajudar o projeto da Honda F1 a deslanchar.
Evidentemente, não deu muito certo para nenhum dos dois (equipe e brasileiro).

Chegaram ao Brasil em uma posição ridícula para um nome de tradição como a Honda: 14 pontos.
Sendo onze de Barrichello e apenas três do outro cara.
Na classificação, Rubens leva a melhor – se é que isto pode ser bom – e consegue largar em décimo quinto, duas posições a frente do companheiro de equipe.
Fazem uma corrida extremamente discr…

Histórias do GP do Brasil: 2006, o último show de Schumacher

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Dois mil e Seis...
O ano do segundo título de Fernando Alonso e da primeira vitória de Felipe Massa em Interlagos.
Também foi o último grande prêmio do Brasil disputado por Michael Schumacher pela Ferrari, quando o alemão se aposentou pela primeira vez.
Foi seu último grande ato na categoria.

Havia chances matemáticas de que o alemão hepta campeão conseguisse sua oitava estrela no topo de seu capacete.
Eram pequenas, sim... O adversário era jovem, ambicioso, contava com uma equipe que trabalhava totalmente para si e era apadrinhado pela encarnação do capeta em pessoa, mas até o desfecho da corrida ninguém ousava dizer que era impossível.
Michael dependia de uma composição de resultados que consistia em ter que vencer a corrida e que o asturiano não marcasse pontos.
A coisa ficou ainda mais complicada quando no Q3 dos treinos de classificação o alemão ficou sem tempo.
Aparentemente nem ele e nem sua torcida pareceu se preocupar já que no Q2 o alemão havia marcado um tempo melhor até qu…

Histórias do GP do Brasil: 2008, a última pancada de David Coulthard

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Quando se fala em semana do Grande Prêmio do Brasil em Interlagos automaticamente se pensa em Senna, certo?
Em termos...
Sim, é emocionante lembrar de Senna saindo do McLaren nos braços da torcida, no “drible do carro” aplicado em Damon Hill, na vitória com marchas faltando (que até hoje Piquet contesta e tendo a concordar com ele), mas há vida sem Ayrton na corrida brasileira.
A última corrida de Schumacher na parceria mais que vitoriosa com a Ferrari (2006), a primeira vitória de Massa (2005), os títulos de Kimi Raikkonen (2007/único) e de Hamilton (2008/primeiro), mas nenhuma destas – que serão crônicadas durante a semana – é tão engraçada, icônica e tão representativa do fim de Carrera de um piloto quanto a última corrida de David Coulthard na categoria.

Coulthard nunca foi cotado a ser campeão desde que debutou na categoria substituindo Ayrton Senna após o fatídico fim de semana de Imola/94. Muito embora tenha sido vice-campeão em 2001 e por quatro vezes o terceiro colocado na cl…

O poço não é tão fundo que não possa ter um subsolo

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Uma figura estranha, com jeitão de gringo, subia a ladeira do Pelourinho vestida de agasalho esportivo – apesar do calor de Novembro – com capuz e tudo.
Desconfiado, olhava de um lado para o outro, aparentemente preocupado se alguém o reconheceria ou não.
Em um sobrado na ladeira histórica, mal conservado como só os prédios históricos brasileiros costumam ser, atravessou o umbral sem hesitar, subiu as escadas de forma decidida. Lance por lance.
Passou sem olhar para os lados e nem prestou atenção à fauna exuberante que habitava e frequentava o casarão.
Punguistas, prostitutas, cafetões, travestis, populares, políticos, artistas famosos e infames...
No sétimo andar, chegou à porta que o indicaram.
A cortina de bilros e rendas imaculadamente brancas, a mesa coberta por uma fina toalha de seda com um jogo de búzios ao centro, o forte cheiro de incenso e som de tambores ao fundo... Tudo como haviam dito que encontraria.
-Não posso estar errado. Este é o lugar.

Esperou pacientemente por d…

Lado B do GP: México engraçado

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México não tem lado B, tem lado mariacchi.

E os mariacchis já tocaram logo na largada quando o pneu do Vettel furou.
Para quem estava esperando um problema entre os cones da Mercedes... Deu ruim.
E não era o dia do Vettel.
Os mariacchis voltaram a tocar quando rodou sozinho.
Voltou. É verdade, mas a porcaria já estava feita.
E mais, na briga com Pastor Maldonado conseguiu passar reto em pelo menos umas três curvas.
Não contente tomou bandeira azul. Virou retardatário no meio da prova.
Coroou a péssima corrida porrando o carro no muro.
É que Vettel é alemão, se fosse finlandês diríamos que já tinha consumido tequila José Cuervo e Cerveza Corona antes da largada.
Ou, quem sabe, por ser alemão e ter tomado é que fez tanta besteira.
Se fosse finlandês guiaria até melhor.
Haja mariacchis.

Alonso abandonou na segunda volta.
Mas até ai tudo bem.
Do carro do Alonso - como já disse - não se espera nada além de vergonha mesmo.
Difícil foi entender a declaração do asturiano de que a única equipe…

F1 2015: México sonolento

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O México passou muito tempo fora do calendário e isto é lamentável do ponto de vista histórico.
Melhor o autódromo mexicano que qualquer pista feita no paint brush do Tilke. Mesmo com o assassinato da Peraltada, ainda assim é melhor que Abumdabi, Russia, COTA e afins.
Ah, e some-se o assassinato da Peraltada à pena final do alemão em seu julgamento.
Que queime no inferno do Bahrein.

A largada foi limpa demais onde se esperava alguma confusão na freada forte da primeira curva.
Confesso que decepcionou.
Apenas um pneu furado (do Vettel) e o Alonso abandonando na segunda volta é pouco.
Principalmente por ser o Alonso que tem um carro do qual não se espera nada além de vergonha mesmo.

E então começou o mode automatic da corrida.
Ninguém atacava ninguém, as paradas de boxes não surtiam lá grandes efeitos e o miolo travado do circuito dava a falsa impressão de falta de velocidade.
Algumas ultrapassagens no pelotão intermediário e só.
Pouco, mas na média de pistas com esta configuração e det…