29 de nov de 2015

F1 2015: a pista boneca inflável e sua monotonia sem fim

Assisto corridas de F1 desde 1983, desde o grande prêmio de Monza daquele ano e nunca perdi uma corrida de madrugada sequer.
Acordo as duas, as três, a uma... Mas estou lá, firme e forte vendo os carros girando nas pistas do mundo.
Abumdabe é às onze da manhã aqui no Brasil... Tempo suficiente para acordar, tomar café, jogar videogame, ver um desenho e ainda assistir a corrida sem trauma.
E quase esqueço.
Não me atrai.
Tempos atrás disse que era uma corrida travesti.
Lembra algo que a gente gosta, é bem bonita em algumas vezes, mas não é o que a gente pensa.
Retiro o que disse.
É uma corrida boneca inflável.
É feito para parecer algo que se gosta, mas não é de forma alguma.

Mas vicio é vicio e a gente se senta para assistir.
E já começa a bocejar.
Retinha, retão, curvinha cotovelo. Só isto.
Tudo grandioso, “ostentativo”, megalômano e... Sem graça.
Algumas ultrapassagens forçadas nas primeiras voltas enquanto todos estão muito próximos e só. Falso.
Tão falso que o espumante espocado no pódio não tem álcool.
Mais bocejo.
Para não dizer que não teve nada, Alonso e Maldonado - sempre ele - se enroscaram na primeira volta.

Mais do mesmo, a Williams fez um trabalho de pit digno de nota zero e liberou Bottas sem olhar quem vinha no pitlane e fez o finlandês perder o bico do carro.
Depois, uma procissão daquelas.
E dá-lhe ver por do sol, acender de luzes do prestobarba gigante, falar que não tinha nada lá antes do autódromo... Sobre a pista, a única informação que precisamos é: quando vai ser definitivamente abandonada pela categoria?

E nesta toada, não aconteceu nada.
Rosberg largou e chegou em primeiro na corrida mais sem graça do século.
Abumdabe fechar calendário é o maior anticlímax possível para a F1.
Quem vê esta corrida não tem a menor sensação de “quero mais”. Se boiar, acha que não deveria ter corridas de carros nunca mais na história.
Vai pro inferno, Abumdabe.

27 de nov de 2015

Etiqueta

-Véi, vou mandar um e-mail pra uma fábrica reclamando de um produto ai...
-Sério? Celular? Televisão?
-Nada... Cueca!
-Ih, que foi? Alergia? Se for isto nem adianta reclamar. Tem nas etiquetas
-Não é alergia não... É sobre as próprias etiquetas.
-Como assim?
-Porra! Os caras colocam umas etiquetas enormes, de um material duro em partes sensíveis da nossa anatomia. Tá certo não.
-Como assim? (já rindo) Que tipo de cueca cê anda usando?
-Tô falando sério pô! Aquelas cuecas box, boxer... sei lá o nome.
-Sei... Aquelas que parecem um shortinho. Acho confortável.
-Até é... Mas a porcaria da etiqueta fica lá... Incomodando.
-Geralmente fica do lado, na costura lateral.
-Pois é, mas nestas que comprei fica bem no rego.
-Onde?
-No rego pô!
-Ai é foda! Material duro no rego deve ser desconfortável mesmo.
-Cê ri porque não é contigo. Mas eu vou reclamar mesmo. Tem que trocar o lugar desta etiqueta, ou o material... Mas tem que dar um jeito.
-E se eles não derem ouvido pra suas reclamações?
-Não compro mais desta marca e ainda mando enfiar a etiqueta no cu...
-Bom, acho que isto eles já fizeram... E com você. (e cai na risada)

26 de nov de 2015

Terceira parte do balanço da temporada: a figura do ano

Se os fãs da F1 tivessem criado um drinking game para a atual temporada teriam que usar as seguintes frases como gatilho para virar suas bebidas:
“-Qual a possibilidade de chuva durante a corrida?”  - Bebe.
“-Tomara que as Mercedes se enrosquem uma na outra.” – Bebe.
“-Rosberg vai entregar a paçoca.” – Bebe.
“-Alá o Alonso sendo ultrapassado de novo.” – Bebe.
“-McLarens fora do Q2.” – Bebe.

Mas as frases mais ouvidas, as que mais produziriam bêbados durante o ano sem dúvida alguma foram:
“-Ih rapaz... Vai largar do lado do Maldonado, maior perigo isto.”
“-Maldonado maldonadeando”. (ou sendo Maldonado).
Pastor Maldonado foi o – pouco – sal da temporada.
Em todas as etapas, os melhores momentos foram quando ele estava em alguma disputa por posição.
Um monte de gente muito boa prendia a respiração a espera de algo bom (sem ironias).
Uma grande ultrapassagem, ou uma pancada qualquer.
E não foram poucas as vezes que o venezuelano entregou o que dele se esperava.
Bastava isto para fazer dele a figura benéfica do ano.
Pau a pau com Alonso fanfarrão.

Mas ele não é dos que se contentam facilmente.
Para coroar seu ano ainda deu a seguinte declaração: “-Se estivesse na Mercedes, eu poderia bater Lewis Hamilton.”.
Bem... Se Toto Wolf e Niki Lauda deixassem...

O blog aqui sabe, com certeza absoluta que com uma Mercedes, neste ano, Pastor Maldonado bateria sim no Lewis Hamilton.
E também bateria no Vettel, no Kimi, no Massa, no Bottas, no Ricciardo, no Kvyat e quando fosse colocar uma ou mais voltas de vantagem sobre eles, também bateria no Alonso e no Button...

24 de nov de 2015

Segunda parte do balanço da temporada

A segunda parte do balanço do ano trata das equipes.
Novamente um banho da Mercedes sobre as concorrentes, como no mundial de pilotos, mas com atenuantes.

A inversão de posição entre Ferrari e Williams nem é o ponto.
Como manda a lei da competitividade, desta vez a Ferrari fez um carro melhor – além de contar com pilotos melhores – e nem o motor bi campeão mundial conseguiu fazer o time de Frank Williams ficar na segunda colocação.
Não se trata de cornetagem, mas uma dupla campeã do mundo – sendo apenas Vettel quatro vezes – não dá para comparar com um bom piloto (Massa) e uma promessa que pode nem vingar (Bottas).

Aliás, por falar em motor, a cantilena de que o Mercedes é o melhor motor não é tão verdadeira assim. Apenas o time oficial é que se deu bem.
Williams ficou atrás da Ferrari, o que pode ser visto como a maior derrota dos propulsores de cortador de grama alemães.
Force Índia e Lotus, que também usam o motor bi campeão do mundo, conseguiram a proeza de ficar atrás da Red Bull que é empurrada pelo contestado motor francês da Renault.

Só que neste quesito, ninguém foi mais derrotado que a McLaren com seu motor Honda.
Só conseguiram ganhar em 2015 as risadas dos adversários, o sarcasmo dos detratores e decepção dos fãs.
E se não arrumar um jeito de melhorar para 2016 pode perder também o penúltimo lugar para a Manor, que já anunciou que vai de motor Mercedes na próxima temporada.

Analisando o campeonato pela perspectiva de times (parte humana) a grande evolução – e, portanto grande vencedora – foi a Ferrari que deu mostras da melhora do ambiente com a chegada de Sebastian Vettel.
Muito diferente da tensão palpável de quando Alonso guiava os carros rossos.

A Williams manteve-se no mesmo patamar, com um bom ambiente entre pilotos, mecânicos, engenheiros e dirigentes, embora o trabalho de pitstop e do setor de estratégia de corridas tenham sido frustrantes e (por que não dizer?) irritantes durante o ano.

Na Mercedes as relações entre Cone#6 e Cone#44 foram para o vinagre de vez. Com direito a bonezinho voando e tomada de posição favorável ao #Cone#44 por parte da direção do time.
Toto e Lauda caem de amores pelo campeão enquanto demonstram pouca paciência – ou muita má vontade – com o filho do Keke.

Mas na boa?
A Mercedes que se dane.

23 de nov de 2015

Primeira parte do balanço da temporada

O ano da F1 acabou, esqueça Abu Dhabi.
Já dá até para fazer um pequeno balanço da temporada sem cometer erros (muito graves) e injustiças (não planejadas).

Foi uma temporada monótona e monocromática, principalmente no que tange a vitórias.
Foram todas de apenas duas cores.
O prateado da Mercedes e seus cones supervalorizados e o vermelho da Ferrari.
Na Ferrari a coisa ainda é mais aprofundada: apenas Sebastian Vettel viu o mundo do alto do pódio. E três vezes!

Grandes domínios sempre existiram, não dá para dizer que a temporada foi chata apenas porque foi dominada pela Mercedes.
Há quem goste dos pilotos deles e até quem ache que são fora de série.
Não são.
Nico, quando muito, é um piloto regular.
Lewis é o cara que sabe aproveitar o que o carro tem. Se o carro não tiver nada, ele também não.
Na primeira queda de performance realmente séria da Mercedes, o rapaz volta a vazar telemetria no twiter, fazer caquinhas a rodo e por ai vai.
Mas... Foi o campeão do ano.
Só não foi o grande vencedor.
Calma, explico.
Lewis ganhou mais corridas, liderou mais voltas, fez mais poles, levou o título, mas não conseguiu o que Fernando Alonso, que não fez tantos pontos, não liderou nenhuma volta, e nem passou perto de ganhar nenhuma corrida durante o ano.
Mas conseguiu algo que até bem pouco tempo atrás parecia ser impossível de acontecer.
Terminou a temporada como um dos caras que mais atraíram simpatia.
Falou besteira no rádio, reclamou da equipe, foi irônico com seu engenheiro e ainda protagonizou a cena mais engraçada do ano.
Parece pouco, mas sendo Alonso, não é mesmo.
Arrumem um troféu para este cara.

19 de nov de 2015

Swing

Denner é cego.
Não é politicamente correto dizer “cego”, mas ele é.
Diz a todos que “deficiente visual” é besteira e se sente diminuído com o termo “deficiente”.
”-Não tenho deficiência, só não enxergo.” – diz ele.
Mas tem um ouvido primoroso! Capaz de distinguir notas, tempos... E uma memória ainda mais impressionante.
Tinha um arquivo mental de nomes de músicas, datas de lançamento, fichas técnicas.
Conhecia diversos estilos, mas era apaixonado por jazz.
As subdivisões do gênero não lhe assustavam: conhecia todos. Do dixieland ao cajun, que mistura as influências creole (mistura das culturas francesas e africanas).
-Jazz é jazz, não é étnico... Não é world music. Aliás, que termo mais idiota. – dizia.

Dos outros gêneros musicais gostava. Pero não tanto.
Ouvia blues, claro.
-Derivação do jazz. – ensinava.
Ouvia rock.
-Derivação do blues. – explicava
E destes, ouvia tudo o que vinha atrelado.
Gostava de country e sua versão nacional, o sertanejo.
-Universitário também, Denner?
-Não... Só dos já formados e com livre docência. – dizia e explicava – Tião Carreiro, Pena Branca, entre outros.

Só tinha algo que abominava, definitivamente: música gospel.
Não gostava da forma com que os cantores se portavam, ficando acima do bem e do mal como se portassem eles a palavra divina e assim sendo, eram melhores que todos.
A hipocrisia de dizer que eram contra idolatria, mas se sentirem bem com o fato de ser idolatrados.
E musicalmente?
-Este pessoal - mas não só eles - adoram mostrar potência onde não é preciso. Adoram imprimir carga emocional onde o sentimento devia brotar naturalmente. Sem contar que nem é um estilo... Usam tudo, do rock ao samba. Acham que não é o meio, mas a mensagem. Besteira. A mensagem é o meio. Dizem que “limpam” tudo com a “palavra” e que os “estilos” deixam de ser musica impura, ou do mal...  Mais besteira.

Faz este discurso para quem quiser ouvir, mas geralmente, o único que ouve é um amigo que está sempre por perto: Gildo.
Gildo, ou Gildão - como era mais conhecido – tinha como nome de batismo Adegildo. Era um negrão na acepção da palavra e tinha como maiores características - além do tamanho, claro (ou escuro...) – a ingenuidade e a sinceridade - mandava para a boca tudo o que o coração e a mente conjuram - e a fixação por sexo.

Uma das histórias mais conhecidas da dupla se passou na mesa do bar do Canário.
Denner e Gildão tomavam sua cerveja acompanhada de um prato de torresmos quando o celular do cego tocou. O ringtone era simplesmente “Take the A train” com Duke Ellington.
Denner atendeu e ouviu calado por alguns minutos. A forma com que prestava atenção, o assunto não poderia ser outro senão música.
Desligou após dizer que desconhecia. Que provavelmente deveria até existir, mas que mais provavelmente ainda: ruim. Insosso, como uma comida que sabemos que é boa, mas que pela falta de um sal, um tempero, ficasse intragável.

-Era o Ari. – disse ele para Gildo, assim que desligou.
-Ah, e o que ele queria? – quis saber o negrão.
-Me perguntou sobre swing... Queria saber se existe swing evangélico.
Gildão ouve e por um período fica em silêncio.
Silêncio, aliás, acompanhado por todo o bar assim que Denner falou sobre o estilo jazzístico. Esperavam que ele engatasse alguma explicação sobre.
-Olha cego... Na boa. Não sei para que o Ari quer saber uma coisa destas.
-Como assim?
-É que você não pode ver, mas aquela mulher dele... Cara...  Não adianta nem ele querer ir num lugar destes... Ninguém vai querer pegar aquele bagulho.
Denner deu mais um gole na cerveja e empurrou o prato de torresmos para perto do negrão.
-Come ai vai... Come.

18 de nov de 2015

A F1 pós Brasil

O GP do Brasil marcou o fim da temporada.
Foi o churrascão da firma em grande estilo.
“-Cê é besta? Ainda tem Abu Dhabi!”.
Tem é? E quem liga praquela bosta em forma de pista?
Aquilo é um lixo e a gente só vai assistir pra adiar um pouquinho o começo da TPP (Tensão pós-temporada).


E sendo assim, com o fim da temporada na corrida brasileira começa a silly season.
E bota silly nisto, mas muito silly mesmo... Silly pracaraio!
O diretor técnico da Mercedes, um tal Paddy Lowe deu a seguinte declaração: “-A rivalidade entre Rosberg e Hamilton já está no mesmo nível daquela entre Senna e Prost.”.
Aha... Aha... Ahahahahaha. Ahahahahahahaha. Ahahahah. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.
Depois desta o Prost se revirou no túmulo.
Heim? Não foi ele que morreu?
Tanto faz... A comparação é estúpida por demais.

E esta é para você que prega aos quatro ventos que a F1 está em cheque no Brasil, que a população não se importa mais com a categoria, que o fã daqui, mesmo com todo este tempo já passado, ainda pensa em Ayrton Senna.
Então... A F1 mudou, aliás, mudou o mundo todo.
As equipes não são mais daqueles garagistas ingênuos.
Os pilotos não são mais homens românticos e idealistas.
Problemas? Há sim, claro... E de monte.
Mas ajuda bem pouco ficar com esta mentalidade tacanha.
Quer ver F1 das antigas? Procura no youtube.
E vai encher o saco de outro.

17 de nov de 2015

Lado B do GP: Brasil monótono

O lado B não podia começar com outro que não fosse Fernando Alonso.
A pose “turista desencanado” depois de mais uma quebra e a pequena zueira no pódio com Jenson Button foi coisa de brasileiro huehue.
Sensacional.
Agora um aviso: cuidado!
A vingança do Alonso quando recomeçar a vencer – e não duvidem que isto aconteça – v ai ser maligna, devastadora... Cruel!
Até eu já to com medo.

Poucos lados B de verdade.
Só Maldonado salvou dando uma tradicional maldonadeada e acertando Ericson Celulari.
A ação despertou do sono os comissários de prova que prontamente comissionaram e colocaram o lance sob investigação.
E como não aconteceu mais nada na corrida, também não deu em nada a investigação.

E no rádio:
Piloto: -Vai chovê?
Equipe: -Não caraio, corre ai e não enche mais o saco.

A corrida acabou sendo tão monótona que poderíamos trocar o nome para Grande Prêmio Rodada do Brasileirão de F1.
Porém, num universo paralelo o pódio foi este da foto.

15 de nov de 2015

F1 2015 - Brasil: A monotonia que superou a beleza

Interlagos não fecha mais o campeonato e este ano também não decide o campeão.
E daí?
É a nossa corrida, é no quintal da nossa casa, nossa pista, que, aliás, dá de mil a zero em cerca de noventa por cento das pistas do atual calendário.
É sempre emocionante do principio ao fim?
Obviamente que não, mas pouco importa.
Quando os carros alinham para a largada e ronco do motor (até mesmo estes asmáticos deste ano) sobe, os pelos se eriçam. É único, é fantástico, é Interlagos.

O nome dos treinos não foi o pole. Aliás, este ano o pole nunca foi o nome de treino algum, mas desta vez em especial o nome foi o cara que larga na última vaga da última fila do grid: Fernando Alonso.
Após mais um inicio de fim de semana lamentável, o asturiano definitivamente ligou o “foda-se”.
O carro quebrou?  Arruma um banquinho ai que eu vou sentar aqui e aproveitar o solzinho paulistano.
O pódio tá livre? Vem cá Jenson, vamos tirar uma foto aqui já que pelos nossos carros a gente não vai chegar nem perto de subir nele depois da corrida.
E assim se fez mais simpático um piloto visto como “mau caráter” e até mesmo “meio safado”.
Ganhou pontos o cara. Não em como negar.

A largada foi extremamente limpa, o que nunca deixa de ser decepcionante, mas perdoável.
Apenas Bottas fez um esforço para se diferenciar.
Daí em diante a briga mais “contundente” foi entre o Cone#44 e seu companheiro.
Aparentemente a vontade do inglês era igual a do Marquez em ultrapassar o Lorenzo, mas era o que tínhamos.
Nem a primeira parada nos boxes deu muito sal. Os trabalhos nos dois carros foram medianos e não ajudaram nem um e nem outro.

Antes da segunda rodada de pits, a melhor ultrapassagem foi do Verstapinho sobre Sérgio Perez, na marra, na força na saída do S do Senna.
Se todos tivessem a mesma coragem em situações parecidas seria um paraíso.
Ai veio a rodada de pits e continuou cone#6 na frente do cone#44.
A impressão que dava é que o inglês estava pouco se lixando para a vitória.
Talvez seja engano do ponto de vista e o alemãozinho estivesse realmente andando o melhor que podia.  Mas até ai...
Chegaram a terceira parada e nada mudou.

Sim, a corrida foi um tanto monótona, mas até uma corrida assim, no sobe e desce insano de Interlagos, é mil vezes melhor que corridas produzidas em tilkodromos.
Vitória ninguém liga do cone#6, escoltado pelo cone#44.
Se Interlagos, que é fantástico foi assim, preparem seus travesseiros para Abundabi.

13 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2011, o troféu salgado

A organização do Grande Prêmio do Brasil por vezes cria troféus originais para entregar a seus vencedores.
Em 2008 o troféu tinha sido desenhado por Oscar Niemayer e confeccionado com um polímero vegetal obtido através de reciclagem que ficou conhecido como “plástico verde” e lembrava as colunas do Palácio da Alvorada misturado a um volante de F1. Pesava quatro quilos e era muito bonito.
Troféu do Niemayer

Em 2011 o trabalho coube a Paulo Solariz e ele não poupou criatividade.
Pioneiro ao trabalhar com o automobilismo, o artista plástico já havia retratado em suas obras, entre outros, Jim Clark, Michael Schumacher, Emerson, Senna, Barrichello e Massa.
O troféu tinha como atrativo principal, pedras retiradas do pré-sal - então a grande descoberta da Petrobrás que prometia a autossuficiência de petróleo ao país – incrustadas.

Pois bem... À época ainda estava no ar um site sobre automobilismo feito de forma cooperativo por entusiastas e alguns estudantes de jornalismo chamado de Pódium GP.
A publicação na internet durou cerca de dois anos era feita com muito esforço e carinho.
Das fileiras faziam parte nomes como Felipe Maciel, Paulo Alexandre - conhecido como Speeder_76 -, Renan do Couto (que depois trabalhou no site Grande Prêmio e agora está na ESPN), eu próprio entre outros não menos importantes.
Paulo Solariz e sua obra
Quando a história do troféu de Paulo Solariz começou a ser veiculada, a cúpula do site achou que seria legal uma matéria sobre o assunto e designou um de seus membros para criar o texto.
Durante o processo de pesquisa sobre o artista e seu trabalho, o rapaz encarregado (do qual não direi o meu nome) encontrou no site do ateliê um telefone para contato.
Teve a grande ideia de ligar e tentar fazer algumas perguntas e assim agiu.
Tudo correndo muito bem. O artista foi muito simpático e solícito oferecendo até algumas fotos para ilustrar a matéria. Porém, ao fim da pequena entrevista, o candidato a repórter ouviu do entrevistado a seguinte pergunta: “-Posso ajudar em algo mais?” e após pensar um pouco (ou não pensar nada, o que é mais provável) perguntou de forma um pouco hesitante: “-As pedras que estão incrustadas nos troféus e são do pré sal... Elas são salgadas?”.
Um silêncio que pareceu eterno fez com que o perguntador se desse conta do absurdo perguntado, mas o espírito do entrevistado salvou a situação. “-Então... Eu pessoalmente não lambi, mas... Talvez alguém aqui tenha feito esta besteira. Se quiser eu...”.
Foi cortado de imediato com um pedido de desculpas agradecimentos mil e som do telefone sendo desligado.
Claro, esta parte não saiu no texto final no site... Ainda bem.

12 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2008, o churrasco da Honda

O ano de 2008 havia sido terrível.
O aproveitamento da Honda só não foi pior que o ano anterior em que os carros disputaram o campeonato com uma pintura esverdeada do mapa mundi.

A piada corrente era que tinha o mapa mundi por que demorava 365 dias para dar uma volta em qualquer circuito de tão lento.
E a incerteza campeava os lados da escuderia japonesa. Ninguém sabia se continuaria na categoria ou não em 2009 e o que seria de seus dois pilotos: o ninguém liga Jenson Button e Rubens Barrichello que havia se mandado da Ferrari para ajudar o projeto da Honda F1 a deslanchar.
Evidentemente, não deu muito certo para nenhum dos dois (equipe e brasileiro).

Chegaram ao Brasil em uma posição ridícula para um nome de tradição como a Honda: 14 pontos.
Sendo onze de Barrichello e apenas três do outro cara.
Na classificação, Rubens leva a melhor – se é que isto pode ser bom – e consegue largar em décimo quinto, duas posições a frente do companheiro de equipe.
Fazem uma corrida extremamente discreta, para não dizer decepcionante chegando uma volta atrás dos lideres.

Mas qual a grande coisa sobre esta corrida para a Honda e seus pilotos?
Após a prova, ao encostar nos boxes, o carro número 16 pilotado por Jenson Button se incendeia. Sozinho, como se fosse uma reles Ferrari e, enquanto os mecânicos corriam para tentar apagar o fogo e salvar o carro, John Button, pai de Jenson observa a cena e põe a pedra lapidar sobre aquele ano miserável: “-Deixa queimar esta merda...”.

Quem diria que no ano seguinte, após a montadora nipônica deixar o barco nas mãos de Ross Brawn, o inglês dominaria mais da metade do campeonato de forma absoluta e garantiria o título com um projeto em que os próprios japoneses não acreditaram.
Coisas do automobilismo.

10 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2006, o último show de Schumacher

Dois mil e Seis...
O ano do segundo título de Fernando Alonso e da primeira vitória de Felipe Massa em Interlagos.
Também foi o último grande prêmio do Brasil disputado por Michael Schumacher pela Ferrari, quando o alemão se aposentou pela primeira vez.
Foi seu último grande ato na categoria.

Havia chances matemáticas de que o alemão hepta campeão conseguisse sua oitava estrela no topo de seu capacete.
Eram pequenas, sim... O adversário era jovem, ambicioso, contava com uma equipe que trabalhava totalmente para si e era apadrinhado pela encarnação do capeta em pessoa, mas até o desfecho da corrida ninguém ousava dizer que era impossível.
Michael dependia de uma composição de resultados que consistia em ter que vencer a corrida e que o asturiano não marcasse pontos.
A coisa ficou ainda mais complicada quando no Q3 dos treinos de classificação o alemão ficou sem tempo.
Aparentemente nem ele e nem sua torcida pareceu se preocupar já que no Q2 o alemão havia marcado um tempo melhor até que o tempo oficial da pole posítion de seu companheiro de equipe, Felipe Massa.
Nem mesmo com Fernando Alonso largando na quarta posição e já na décima volta ser o terceiro colocado.

Michael que havia largado em décimo e no fim da primeira passagem pela reta oposta já havia feito duas ultrapassagens.
Mais algumas voltas e o alemão já era o quinto, mas um pneu furado o mandou para a última posição.
Fim das esperanças de título, mas começo do show.
Schumacher pilotou como um alucinado tirando de sua Ferrari tudo que poderia dar e um algo a mais.
Ultrapassou gente em todos os pontos da pista (lembrando que ainda não existia DRS) incluindo seu sucessor no time vermelho, Kimi Raikkonen, no fim da reta de largada de forma espetacular e – até certo ponto – humilhante assumindo a quarta posição nas ultimas voltas da prova.

Para coroar a apresentação, ainda fez a volta mais rápida da corrida. (1.12:162 no giro de número setenta)

O alemão se aposentou das pistas (esqueça seu comeback pela Mercedes, não conta) deixando nos fãs – dele e da categoria – um gosto de quero mais e a certeza de que aquele piloto contestado por muitos era um dos personagens mais importantes da F1 em sua era pós-romântica.
Todo o resto sobre ele é dor de cotovelo.
E deste mal não sofremos.

9 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2008, a última pancada de David Coulthard

Quando se fala em semana do Grande Prêmio do Brasil em Interlagos automaticamente se pensa em Senna, certo?
Em termos...
Sim, é emocionante lembrar de Senna saindo do McLaren nos braços da torcida, no “drible do carro” aplicado em Damon Hill, na vitória com marchas faltando (que até hoje Piquet contesta e tendo a concordar com ele), mas há vida sem Ayrton na corrida brasileira.
A última corrida de Schumacher na parceria mais que vitoriosa com a Ferrari (2006), a primeira vitória de Massa (2005), os títulos de Kimi Raikkonen (2007/único) e de Hamilton (2008/primeiro), mas nenhuma destas – que serão crônicadas durante a semana – é tão engraçada, icônica e tão representativa do fim de Carrera de um piloto quanto a última corrida de David Coulthard na categoria.

Coulthard nunca foi cotado a ser campeão desde que debutou na categoria substituindo Ayrton Senna após o fatídico fim de semana de Imola/94. Muito embora tenha sido vice-campeão em 2001 e por quatro vezes o terceiro colocado na classificação geral.
Carismático, subiu ao pódio em Mônaco com a capa do Superman e ganhou a simpatia de todos os fãs da F1.

Porém, em 2008 - seu último ano - se tornou uma piada, não muito engraçada e um tanto perigosa.
Provocava pequenos acidentes e batidas em quase todos os fins de semana de prova fosse nos treinos, classificação ou corridas.
Obteve a melhor colocação durante o ano (terceiro lugar no Canadá) e cinco abandonos por acidente.
Ainda assim – ou por isto mesmo – quando em junho anunciou que após a última corrida da temporada se aposentaria, ganhou homenagens de todos os pilotos e da FOM sendo autorizado a disputar a última corrida da carreira - exatamente no Brasil – com um carro de pintura diferente do companheiro de equipe.
O escocês alinhou sua Red Bull RB4 para o fim de semana com uma pintura branca que trazia, em vez de seus tradicionais patrocinadores, o símbolo e o endereço eletrônico da fundação Wings For Life, que atua na pesquisa para cura de lesões na medula.

Obviamente que tudo isto teve seu valor e teria obtido muito mais sucesso se a corrida de David tivesse durado mais que os menos de quatrocentos metros que durou abreviada por mais um acidente dos tantos e corriqueiros causados pelo escocês.
A piada da época era que David teria escolhido aquela fundação por ter grandes chances de, se não pessoalmente, enviar alguém para que se beneficiasse das pesquisas.
Maldade era pouco...

5 de nov de 2015

O poço não é tão fundo que não possa ter um subsolo

Uma figura estranha, com jeitão de gringo, subia a ladeira do Pelourinho vestida de agasalho esportivo – apesar do calor de Novembro – com capuz e tudo.
Desconfiado, olhava de um lado para o outro, aparentemente preocupado se alguém o reconheceria ou não.
Em um sobrado na ladeira histórica, mal conservado como só os prédios históricos brasileiros costumam ser, atravessou o umbral sem hesitar, subiu as escadas de forma decidida. Lance por lance.
Passou sem olhar para os lados e nem prestou atenção à fauna exuberante que habitava e frequentava o casarão.
Punguistas, prostitutas, cafetões, travestis, populares, políticos, artistas famosos e infames...
No sétimo andar, chegou à porta que o indicaram.
A cortina de bilros e rendas imaculadamente brancas, a mesa coberta por uma fina toalha de seda com um jogo de búzios ao centro, o forte cheiro de incenso e som de tambores ao fundo... Tudo como haviam dito que encontraria.
-Não posso estar errado. Este é o lugar.

Esperou pacientemente por dez minutos até que outra figura, vestida com um longo abada branco entrou no recinto.
Sentou-se sobre um amontoado de almofadas e acendeu um charuto.
Embora não tivesse aparência de importado, o aroma mostrava que era um bom charuto.
-Então suncê chegou! – disse a figura dando uma baforada no charuto. Sabia que viria desde o momento em que a ximbica te deixou na mão. Duas voltas? Aquilo foi a gota d´água.
O gringo nada disse, apenas assentiu com a cabeça.
-Mas eu tenho boas notícias pra suncê.
-Os olhos do gringo brilharam.
-Eu não vou pedir nada... Nem oferenda, nem despacho... Aliás, vou pedir sim... Vou pedir para suncê ter paciência.
A expressão no rosto do gringo era de questionamento.
-Paciência sim... A vida é uma grande roda, uma hora a gente está em cima, na outra a gente está embaixo. E se às vezes parece que estamos em baixo por tempo demais é que a nossa roda é maior que as outras. E se move mais lenta. Não tão lento quanto sua ximbica, mas lento.
-Só tenha paciência, você vai voltar a andar na frente, a vencer... E pode até ser com uma ximbica destes teus parceiros de agora mesmo, que nada é impossível.
Quando o gringo fez menção em se levantar e pegar a carteira foi contido.
-Não precisa. Só me prometa que quando suncê voltar a estar entre os gigantes, não vai ser trouxa e nem ser tão pequeno e babaca quanto um serzinho desprezível que se acha grande agora e fica fazendo declaração “polemiquinha” com pessoas que não podem se defender no momento... Tenho sua palavra?
-Por supuesto!

E o gringo sai do prédio em direção ao aeroporto, onde pegará um voo para S. Paulo, onde espera ter apenas mais um capítulo ruim na história deste ano tão difícil.

3 de nov de 2015

Lado B do GP: México engraçado

México não tem lado B, tem lado mariacchi.

E os mariacchis já tocaram logo na largada quando o pneu do Vettel furou.
Para quem estava esperando um problema entre os cones da Mercedes... Deu ruim.
E não era o dia do Vettel.
Os mariacchis voltaram a tocar quando rodou sozinho.
Voltou. É verdade, mas a porcaria já estava feita.
E mais, na briga com Pastor Maldonado conseguiu passar reto em pelo menos umas três curvas.
Não contente tomou bandeira azul. Virou retardatário no meio da prova.
Coroou a péssima corrida porrando o carro no muro.
É que Vettel é alemão, se fosse finlandês diríamos que já tinha consumido tequila José Cuervo e Cerveza Corona antes da largada.
Ou, quem sabe, por ser alemão e ter tomado é que fez tanta besteira.
Se fosse finlandês guiaria até melhor.
Haja mariacchis.

Alonso abandonou na segunda volta.
Mas até ai tudo bem.
Do carro do Alonso - como já disse - não se espera nada além de vergonha mesmo.
Difícil foi entender a declaração do asturiano de que a única equipe que pode alcançar a Mercedes é a McLaren.

E Kimi tomou o troco.
O toque com Bottas desta vez só acabou com a corrida do finlandês mais velho.
Aquela máxima de que Deus protege crianças e bêbados teve sua falha.
Ou será que desta vez o Bottas tinha bebido mais que o Kimi?

E o lado mais B da corrida foi o pódio, obviamente.
Cone#6 ganhando quando não vale mais nada.
Cone#44 com aquela cara de “tanto faz”.
Bottas feliz não com o terceiro lugar, mas por ter ferrado com Kimi.
E todos com aqueles sombreiros horríveis.
Era melhor ter colocado o boné do Chaves.

1 de nov de 2015

F1 2015: México sonolento

O México passou muito tempo fora do calendário e isto é lamentável do ponto de vista histórico.
Melhor o autódromo mexicano que qualquer pista feita no paint brush do Tilke. Mesmo com o assassinato da Peraltada, ainda assim é melhor que Abumdabi, Russia, COTA e afins.
Ah, e some-se o assassinato da Peraltada à pena final do alemão em seu julgamento.
Que queime no inferno do Bahrein.

A largada foi limpa demais onde se esperava alguma confusão na freada forte da primeira curva.
Confesso que decepcionou.
Apenas um pneu furado (do Vettel) e o Alonso abandonando na segunda volta é pouco.
Principalmente por ser o Alonso que tem um carro do qual não se espera nada além de vergonha mesmo.

E então começou o mode automatic da corrida.
Ninguém atacava ninguém, as paradas de boxes não surtiam lá grandes efeitos e o miolo travado do circuito dava a falsa impressão de falta de velocidade.
Algumas ultrapassagens no pelotão intermediário e só.
Pouco, mas na média de pistas com esta configuração e detonadas por vocês sabem quem.

O campeão deste ano, Cone#44 acompanhava de perto a liderança de seu companheiro de equipe, o Cone#6.
Comboiando aparentemente sem nenhuma vontade de ir à luta.
Tipo: “-Corre trouxa, ganha ai... Não vale mais nada mesmo...”.

O acidente entre Kimi e Bottas teve o gosto de revanche.
Se na Rússia Kimi ferrou a corrida do Bottas, no México foi o contrário.
Total culpa do finlandês da Ferrari.
Guerra civil na Finlândia empatada pelo placar de um a um.

Vettel fez caca a prova toda.
Terminou com a Ferrari porrada em um muro do autódromo.
Estamos acostumados a ver Maldonado ou Perez com corridas tão ruins...
Do Vettel é surpresa.
Safety na pista era a esperança de um pouco mais de ação, mas também falhou miseravelmente na intenção.

Seguiu a monotonia até a bandeirada final quando Cone#6 passou na mesma posição em que largou.
Agora que não valia mais nada (e não me venham com vice-campeonato) o cara ganha.
Mas posso apostar: o dedo de mandar inverter posição do Toto Wolf coçou no bolso... Ah coçou.

A pista é bonita, o traçado é legal, mas se for para proporcionar corridas como esta, o México pode ficar mais alguns anos fora do calendário que ninguém vai ligar.