24 de dez de 2015

Conto de natal: Santa Claus is smoking reefer

Sempre que ia passear na região do Parque Dom Pedro, em São Paulo, ficava encantado com os armazéns importadores de secos e molhados. Desde muito pequeno.
Os aromas, a variedade de produtos como azeitonas, azeites, vinhos, vinagres, queijos e principalmente: mortadelas.
Mas não de uma forma comum, encantavam mais pelo fato de estarem dependuradas no teto.
Passava por baixo das “bexigas” de mortadelas e peças de queijo provolone enormes sustentadas apenas por um cordãozinho.
Porém o sentimento que tinha não era de medo. Não temia que uma das peças despencasse lá de cima e acertasse sua cabeça, mas um troço confuso. Queria agarrar uma das peças e arrancá-la. Sair correndo do armazém com a mortadela nas costas.
Óbvio que não precisava disto, nunca precisou.
Se pedisse quando criança, provavelmente, seu pai teria comprado uma delas e lhe daria de presente. Um presente não convencional, mas um presente.
E agora, depois de crescido, já formado e muito bem empregado, uma peça de mortadela que custa noventa reais não lhe seria problema comprar. O que queria era realizar aquele sonho louco de infância que nunca contou a ninguém.

Naquele natal teve a idéia que alguns chamarão de brilhante, outros de “coisa de jerico”: iria até um dos armazéns que costumava visitar quando criança e colocaria seu plano em prática.
-Boa tarde, posso ajudar?
-Pode sim, eu quero mortadela...

-Senhor, desculpe... Não vendemos fatiados.
-Não, não... Eu quero uma peça inteira.
-Ah sim... E qual?
-Pode ser desta aqui... – aponta com os dedos.
-Bologna ouro defumada... É uma ótima escolha... Vou pegar a faca para tirar ela daí.
-Olha não...  Desculpa, mas eu quero arranca do cordãozinho, e sair da loja com ela sem embrulhar.
-O senhor quer roubar a mortadela? É isto?
-Não... Eu vou pagar... Aliás, quanto custa?
-A peça toda? Noventa e seis reais... É um produto importado da Itália.
-Que bom... Que bom... Então... Eu vou pagar, mas quero eu mesmo arrancar ela daí e sair com a peça sem embrulhar.
-O freguês é quem manda.
-Aceita cartão?
-Claro, claro... Crédito ou débito?
-Débito. Aqui está.

O funcionário do armazém faz a operação e com um sorriso lhe aponta a peça de mortadela que agora pertence ao freguês.
-Só mais uma coisa... O senhor pode fingir que está distraído?
-Como?
-Fingir que está distraído... Assim, sei lá... De costas, olhando para a janela...
-Bem... Tá certo. Já começamos com a loucura, vamos até o final, não é?
Vira e se ocupa com a limpeza das garrafas de azeite extra virgem em uma bancada mais afastada, mas não sem, de vez em quando, dar uma olhada no maluco.
Maluco, aliás, que tentava de todas as formas arrancar a mortadela de seu cordão sem sucesso. Puxava com calma, depois nervosamente, com fortes trancos e chegou até mesmo a se dependurar nela.
Mas nada... Continuava presa a seu forte barbante e pendurada ao teto.

-O senhor quer uma ajuda?
-Acho que vou precisar. Do que são feitos estes cordões? Aço?
-Não, não... Acho que é de algodão cru, mas não sei...
O homem estava abraçado à mortadela como um goleiro que encaixa uma bola.
-O que pode fazer?
-Bom, posso pegar uma faca e dar um talho no cordão. Não cortar ele todo, mas dar um trisco nele, assim acho que fica mais fácil de sair se o senhor puxar com força.
-Tá! Eu aceito.
E o funcionário pega sua faca e dá um pequeno corte no fio. O homem então põe as mãos na mortadela e ameaça puxar, mas se detém.
-O que foi? Tem que cortar mais?
-Não, acho que não... Mas... Queira se distrair por favor? – diz ele com um sorriso.
-Ah... Tá... Tá... Tenha um feliz natal e um próspero ano novo. – e se vira para continuar limpando as garrafas.
O homem se agarra à peça e força com seu peso todo para baixo, chegando mesmo a tirar os pés do chão e ficar dependurado junto com a mortadela até que por fim o cordão cede e o homem cai sentado no chão. Mas com a mortadela junto ao peito.
Então se levanta, desajeitado e dolorido, abraçado à peça e sai da loja como se fugisse.
Do outro lado do balcão o atendente sorri pensando que um dia morre, mas não vê tudo.

Ao chegar a seu carro, um bonito sedan importado, abre o porta malas e joga lá dentro sua aquisição. Seu presente de natal para si próprio.
Entra no carro onde lhe espera sua esposa e lha dá um grande abraço e um beijo.
-Amor, cê demorou... Todo este tempo para escolher uma mortadela?
-É que são tantas! – e sorri satisfeito.
-E que horror... Você esta cheirando a mortadela! Como foi que escolheu? Abraçando?
Ele não responde.
Apenas sorri enquanto vai acelerando o carro pela Avenida. Senador Queiroz enfeitada para homenagear o bom velhinho.

16 de dez de 2015

Pegue o pombo

Num domingo qualquer destes, creio eu, em sua coluna na Folha de São Paulo o poeta Ferreira Gullar escreveu em defesa dos pombos. Aqueles ratinhos de asa que empesteiam as grandes cidades.
Pois eu vou à contramão do poeta.
Lá ele dizia que era contra que se caçassem os bichinhos.
Eu sou a favor.
Sim eu sou a favor da cassação em massa deles. O que, convenhamos é um negócio difícil para caramba!
Cassar pombos... Humpft!

Primeiro. Sabe-se que estes bichos voam por ai em bando.
Da ultima vez que fiz uma contagem de um bando deles voando tinha para mais de quarenta!
É! Quarenta e são uns bichinhos corporativistas que nem comento...
Para se cassá-los é preciso aprovação da maioria. E como disse são uns bichos corporativistas. Ficam naquela encolha:
“-Cassar, sei não. De outra vez quando precisei dele, não me faltou...”.
“-Hum... Cassar, não a gente pode no máximo dar uma reprimenda... Tive negócios com ele e cassar eu nem cogito”.
E assim eles vão se defendendo.

É sabido também que eles têm o desprezível hábito de sair por aí fazendo ‘caca’ em nossas cabeças. Mas vá acusar algum deles disto, vá!
“-Eu repilo. Veemente eu repilo... E repilarei (sic) sempre!”
E tem também a porcaria do voto secreto.
É eles se escondem atrás de uma prerrogativa constitucional que lhes permitem decidir em voto secreto o que fazer com aquele que por acaso falte com o decoro.
Decoro, aliás, é coisa que parece cada vez mais surreal.
Pombo que se presta a receber milho na praça, da mão de velhinho suspeito de ser bicheiro? Que nada isto não fere decoro nenhum.
“-Decoro... Decoro! Pra que decoro? É só um milhozinho, e era pra alimentar meus pombinhos”.  
E são caras-de-pau estes bichos. Negam e juram inocência...
E não adianta gritar espernear. Pombo definitivamente não entende voz humana.
E se esta voz humana vier do povo então.
Pombo não acredita na velha frase ‘vox populi, vox Dei’.

No que acreditariam os pombos?
É certo que existem bons pombos. Já tivemos pombos heróis.
Pombos correio, que prestaram serviços de grande relevância para a humanidade. Agora e aqui é que estes bichos se mostraram uma praga.
É por isto que desta vez me permito ser contrário à opinião de Ferreira Gullar.
Mestre, com estes bichos não podemos dar muito mole não. O melhor era nem deixar nascer. Abater ainda na urna.
Depois só a tiros.
É por isto que sou a favor de se cassar pombos.

14 de dez de 2015

2mil e tantos anos e tudo continua igual

E parece que aquele fragmento de papiro encontrado em 2012  sobre Jesus é real.
Vindo provavelmente do Egito, traduziu-se que – dentre outras coisas – versa sobre uma provável esposa de Jesus.
A descoberta – e a tradução – vai de encontro à tradição cristã de que Cristo não era casado e atiçou novamente o debate sobre celibato e o papel da mulher na igreja.
Mas este não é o assunto.
O papiro encontrado está escrito em língua copta e, penso eu, deva haver bem pouca gente
apta na gramática desta língua..
Assim sendo, as traduções feitas podem estar erradas.
Num esforço fenomenal o BligGroo conseguiu traduções alternativas para o texto contido no papiro.
E adianto: deu trabalho pacas já que o Google não disponibiliza o tal copta no Google translate.
Segue as traduções:

“-Jesus, quando sair pra ir para o Monte das Oliveiras, leva o lixo pra fora...”.

“-Assim não dá... Todo dia vai trazer estes doze pra jantar aqui?”

“-Não precisa trazer vinho, tem muita água ai... Se vira.”. 

“-Demorou isto tudo no deserto? Por que não veio sobre as águas em vez de contornar o Jordão?”

“-Como assim não vai pintar a casa? Está esperando o milagre dela se pintar sozinha?”

“-Sermão na montanha? Sei, sei... Tava discutindo futebol de novo.”

“-Vê se fala mais de mim nos teus sermões ou no futuro vão dizer que você nunca foi casado.”

“-Você não me ama... Nunca fez uma parábola que me incluísse.”

Quem tiver mais alguma, pode ajudar deixando ai nos comentários.

11 de dez de 2015

Capeta´s business

Nos anos setenta todo mundo era “ocultista”.
Encontravam mensagens subliminares nas letras, nas músicas... E em alguns casos, se rodassem os discos para trás as mensagens eram diretas.
Veio o Black Sabbath e escancarou a coisa.
De ocultistas, passaram a satanistas.
Segundo Ozzy em seu livro I`m Ozzy (Eu sou Ozzy, Ed, Benvirá/2010) a intenção era levar para a música o clima dos filmes de terror que tanto faziam sucesso na época, e como no primeiro disco a coisa deu certo, continuaram a fazer “música de terror”.
E Tony Iommi no seu Iron Man (Iron Man, minha jornada com o Black Sabbath, Ed, Planeta do Brasil/2013) quando foi necessária a troca do letrista principal (Geezer Butler) os novos parceiros nas composições já chegavam com a ideia de que sendo o Black Sabbath, fazer as letras era só sair falando do cramulhão e pronto.
Outros vieram na esteira e muitos pegaram a fama sem merecer, caso do Kiss.
Chegou-se a dizer que o nome da banda era uma abreviação para Kids in Service of Satan.
Pura besteira.

Mais a frente o tal rock capetista veio a ter outros representantes que usavam o teatrinho para causar espantos, chocar bobinhos, impressionar fãs e, claro, vender discos.
O Venom com suas letras explicitas e o Slayer encabeçam a lista.
O primeiro era realmente difícil levar a sério, mas uma olhada no visual dos caras do Slayer e as pessoas realmente ficavam com dúvidas.

Mas elas logo acabavam quando se lia alguma entrevista da banda e seu cantor Tom Araya se dizia católico praticante e tudo o mais.
Para os que duvidavam das palavras escritas, o documentário Metal, uma jornada pelo mundo do heavy metal (Metal, headbanger´s journey de Sam Dumm e Scott McFayden/2005) disponível no Netflix, joga a pá de cal no assunto quando o entrevistador pergunta a Araya sobre a letra de (Deus odeia todos nós) e pergunta se ele realmente pensa daquela forma.
A resposta? “-Não! Deus não nos odeia, ele nos ama, mas convenhamos... Este é um grande título não?”.

Agora, já em 2015, o artifício continua sendo usado por N grupos de rock.
Uns mais pesados, outros mais leves... Uns de caras limpas, outros mascarados...
Mas se fosse para escolher um nome que estivesse levando o “modus operandi” do Black Sabbath ao status de arte e dar um troféu, este seria o Ghost.
Tão satânico e perturbador quando o romantismo alemão do início do século XIX na literatura, mas embalados em peso e melodias.
E vendendo muito, o que prova que o capeta nunca sai de moda.

9 de dez de 2015

Art Blakey (porque eu tô afim...)

Não sabia nada da mãe, nunca viu sequer uma foto.
O pai os abandonara antes mesmo do nascimento do garoto.
Na verdade o casamento só aconteceu por que ela engravidou, mas ainda no dia da cerimônia ele achou um jeito de pular fora da vida de casado.
Algumas quadras depois de sair da igreja disse que iria comprar charutos, fugiu pela porta dos fundos da mercearia que tinha entrado.
Cinco meses depois do parto ela faleceu, muito provavelmente de tristeza.
O menino foi criado pelo melhor amigo da mãe, já que o pai – um mulato – o rejeitara com o incrível argumento de que a pele do filho era mais escura que a sua própria...
Na casa onde foi criado havia um piano onde o menino aprendeu a dedilhar sozinho, de ouvido.

Casou-se aos quatorze anos e aos quinze já era pai.
Para sustentar a família em plena crise econômica de 1929 teve de arranjar um segundo emprego – o primeiro era em uma mineradora de carvão – e então formou uma big band para tocar em um clube local em Pittsbugh, o Ritz.
Durante dois anos encarou uma jornada dupla: até as dezessete na mina de carvão e das vinte e três até o amanhecer tocava piano.

Porém quando a direção da casa resolveu trazer um show de Nova York, cujas partituras seriam executadas pela banda e o já então rapaz teve de admitir que não sabia ler música.
Nem teve tempo de argumentar que poderia aprender em pouco tempo, um pianista bem mais novo ocupou o lugar.
O moleque já tinha ouvido uma gravação com as músicas do show e graças a uma memória fantástica tocou as partes de piano tão bem que ninguém notou que ele também não sabia ler as tais partituras.
Seu nome? Erroll Garner, que pouco tempo depois veio a ser conhecido como um dos mais originais pianistas de jazz.

Irritado por ver seu emprego indo para o ralo, o nosso personagem reclamou, afinal vinha dirigindo aquela banda havia dois anos!
E então o dono do clube – que vivia com um trinta e oito enfiado na cintura – o colocou contra a parede:
-Cê vai continuar trabalhando aqui? – disse enquanto rolava o charuto de um canto à outro da boca.
-Eu quero... – disse o nosso herói.
-Então vai tocar bateria! – disparou.
O rapaz ainda tentou reclamar, mas ao ver a expressão no rosto do patrão entendeu que se quisesse manter o emprego – e os dentes – era melhor ir se sentar à banqueta e tocar da melhor maneira possível àqueles tambores.
E assim Art Blakey, durante as seis décadas seguintes de sua vida, fez com que os fãs jamais lamentassem o fato dele nunca mais ter voltado ao piano.

7 de dez de 2015

Estou de folga, quero coisas leves...

Johnny soube que Bob estaria em sua cidade e quis conversar com ele.
Mandou-lhe uma carta por meio de sua gravadora e pediu que se encontrassem.
Pensou em duas ou três coisas que gostaria de lhe dizer.
Talvez dissesse mais algumas.
Estava empolgado com a música que Bob vinha fazendo. Via nele a alma da canção americana, assim como haviam visto nele próprio alguns anos atrás.
Queria lhe alertar dos perigos do caminho, embora tivesse quase certeza que ele já os conhecesse.
Infelizmente Bob não ficou por muito tempo, e acabou nem respondendo a carta.

Alguns anos depois, em seu apartamento, recebe uma ligação inesperada.
Do outro lado da linha um tímido Bob se convida a ir ao apartamento de Johnny, que claro, aceita.
Já frente a frente conversam por horas e o dono da casa convida o visitante a participar de seu programa na TV.
O visitante aceita, agradece e convida o dono da casa a gravar um disco junto com ele.
Convite mais do que aceito, até pensam em algumas canções para o repertório.

Ao se despedir, Johnny pergunta na lata:
-Por que não se encontrou comigo daquela vez?
- Tive medo.
-Medo do que? Você é Bob Dylan!
-Sim, mas você é Johnny Cash...

4 de dez de 2015

Viva lá revolución!

Houve movimentação nas correntes do poder.
Finalmente!
Não... Não é sobre o canalha do Cunha ou a incompetência dos petistas e sua  Dilma amestrada, mas sobre F1.
Os anões Bernie Ecclestone (1.59m) e Jean Todt (não sei a altura do Topo Gigio) conseguiram carta branca da FIA para mandar e desmandar na gestão da categoria mais famosa do automobilismo mundial.
A partir de agora, as equipes não mandam mais porcaria nenhuma e estarão sujeitas as regras “vindas de cima”.
Ecclestone – ou o amigo Max Mosley – já tinha dito que “democracia demais atrapalha o esporte”.
Nada mais correto.
Enquanto o tal Grupo Estratégico esteve no comando qualquer discussão demorava meses para ter algum efeito e bastava uma choradeirazinha para conseguir impor suas vontades e decisões.
Foi assim com a Mercedes que após ameaçar sair da categoria desandou a ganhar corridas e títulos.
No embalo, a Red Bull fez o mesmo, embora sem o mesmo sucesso (ninguém caiu no blefe do surgimento de uma nova categoria).

Agora, efetivamente, o regulamento da categoria não terá que passar pelo crivo dos times e como disseram os dois personagens nanicos: “Quer vir, venha. Não quer, não venha.”.
Regras sobre motores, regulamento aerodinâmico, aparência dos carros, pneus deverão ser decididas com mais rapidez e menos favorecimentos.
No campo dos motores (apenas quatro empurram as equipes hoje) fica mais fácil a aprovação de um motor alternativo.
Também se espera que o fornecimento de pneus (seja maior número de fabricantes ou pelo menos maior número e liberdade de uso de compostos) também seja repensado.

Na prática a coisa será: “-Querem brincar de F1? Ótimo, mas as regras são nossas.”.
Correto ou não, pode-se até se discutir, mas que o modelo de gestão era falho e equivocado e precisava ser mudado, é fato.
Já começo a pensar mais em 2017 que no ano que vem...

1 de dez de 2015

Lado B do GP: Abu Dhabi sem graça

Um casal de abumdabenses (cidadão natural de Abu Dhabi) resolveram que seu único filho teria uma educação totalmente ocidental.
Que não seria criado sob as leis islâmicas e muito menos seria atrasado das ideias, apesar da quantidade de dinheiro absurda que os cidadãos abastados daquele lugar são capazes de gerar e ganhar.
Resolvem então que, ao completar quatro anos de idade, mandariam o pimpolho estudar na Europa.
Vinte anos se passaram e a família, que mantinha contato por carta, e-mail, e mais tarde por vídeo conferencia decide que já era hora de se juntarem novamente, que o menino, já então um homem feito, deveria voltar para casa.

Contrafeito, o rapaz aceita, mas apenas se puder voltar para casa em um navio de cruzeiro, com festas, luxo e toda a mordomia que o dinheiro (farto) pudesse pagar.
Assim, segundo ele e com o consentimento dos pais, iria se despedindo da vida boa que levara até ali e se prepararia psicologicamente para as dificuldades vindouras.
Assim embarcou em um navio em um porto inglês e alguns dias depois viria a atracar no porto de Yas Marina.

A família foi toda ao cais para receber o filho pródigo e com muita alegria e festa esperavam que aparecesse no convés.
Assim que o navio atracou a expectativa aumentou.
Cinco, dez, quinze, vinte minutos.
Uma hora e nada do rapaz aparecer e todos já estavam preocupados quando ouviram um assobio e se puseram a procurar de onde havia vindo.
-Aqui! Aqui em cima! – gritou o rapaz que colocava a cabeça por uma das escotilhas nas cabines de passageiros.
Houve mais festa, mais sorrisos, lágrimas de contentamento.
Porém, os pais do rapaz ficaram intrigados de uma maneira insólita: após anos pagando para que o filho tivesse uma educação ocidental de primeira, para que não precisasse nunca mais fazer serviços braçais ou que envolvessem algum tipo de esforço físico e quando o menino volta para casa trazendo o navio em volta do pescoço?