9 de set de 2016

A valise suspeita: um conto de Le Sanatéur

Na Rua 45 a excitação era palpável.
Nenhuma outra vez na história do periódico foram chamados até a sede da prefeitura.
Corria a boca pequena que o jornal era de oposição. Não interessava a quem.
Marcel L´Onça era adepto do dístico espanhol: “-Hay gobierno? Soy contra!”.
Talvez por isto nunca tenha lucrado vendendo espaço para campanhas políticas.

-Ron, Coyote, vocês dois vão até o palácio La Moeda e vão cobrir as agitações lá, diz que o prefeito recebeu uma ameaça. – conta o chefe.
-E só a melhor dupla que tem é capaz de cobrir né? – vangloria-se Coyote.
-Não...
-Não? – espantam-se os dois.
-Claro que não... Vão vocês porque é tudo que tenho aqui.

Os dois saem da redação no velho Studebacker em direção ao palácio de La Moeda.
Coyote limpa as lentes de sua Leica enquanto Ron dirige o carro de forma tensa.
-Você precisa superar isto.
-Tá falando do que?
-Deste trauma de dirigir. Não vai acontecer de novo.
-Pode acontecer sim. Atropelar uma pessoa é sempre possível.
-Quando digo que não vai acontecer, é porque a pessoa que você atropelou fugiu da cidade. Disse que não pode viver no mesmo lugar onde um louco como você tem carteira de habilitação.
-Se ferrou ela...
-Por quê?
-Não tenho habilitação.

Desembarcam em frente ao palácio e Ron joga a chave para um segurança que estava à porta.
O rapaz olha o velho Studebacker e entende exatamente o que fazer: chama o guincho e pede que recolham a lata velha.

Embarcam no velho elevador do prédio. Não há ascensorista.
Descem no décimo segundo andar. A confusão é grande.
Num canto está o prefeito. Ele está apavorado.
No outro, agentes da policia. A cidade não tinha pessoal antibomba. Nunca se soube de uma bomba por lá.
Ron tira umas palavras do prefeito.
-Tem inimigos?
-Todo político bem sucedido tem.
-Disse bem... Políticos bem sucedidos. Mas o que houve de verdade?
-Hoje quando cheguei, havia uma valise preta. Achei que eram documentos e tentei abrir, mas não consegui. Então dei uma chacoalhada e senti um volume se deslocando com um som pesado, grave... e finalmente ouvi um tique taque.
-Interessante... Quem acha que te mandaria uma bomba?
Ao ouvir a palavra bomba um silêncio sepulcral toma conta da sala. Até ali ninguém ousara sequer pensar na possibilidade.
Coyote que fotografava tudo em volta sentiu também o peso da situação.

Os agentes da policia que seguravam a valise a soltam e se afastam rapidamente.
Um deles realmente chegou a correr.
A secretária do prefeito desmaia e Coyote corre para ampará-la. Afinal, era boazuda.
O próprio prefeito dá três passos em direção à porta, mas esbarra em Ron que sorri.
-Tá com medo?
-Você não?
-Perguntei primeiro.
-Se eu disser a verdade você também diz?
-Digo.
-Tô sim.
-Bundão...
Ron vai até a valise e chama Coyote.
-Segura aqui que vou abrir.
-Tá...
Com um canivete suíço comprado de um contrabandista boliviano a tranca finalmente cede.
Os agentes da policia ao verem a valise aberta correm como loucos para o elevador.
A secretária tem outro desmaio. Desta vez Coyote não a ampara. Apenas contém o próprio riso. Ron também ri.
O prefeito se aproxima da valise e observa o conteúdo.
-Mas que raio é isto? – pergunta.
-Um relógio... Um despertador, para ser mais exato. – gargalha Coyote.
-Ao lado do relógio.
-Me parece um... Um... – e Ron não consegue dizer
-Mas... É um troço! É um cocô!  - espanta-se o mandatário.
-Pelo tamanho eu diria que é um cagalhão! Um enorme cagalhão! – e Ron gargalha mais.

No dia seguinte o Le Sanateur exibe fotos de toda situação avisa na manchete: Não leiam à mesa do café.
Nas ruas o burburinho era de que o povo entendera o lembrete de que a administração a toda hora só faz merda...

5 comentários:

Anônimo disse...

Cidade pequena, cidade pequena...

Oposição, de uns anos para cá, leva grana do Soros e companhia. Nova Ordem Mundial ! O Marcel L´Onça, dono do Diário, tá rico com o papo de ' por um mundo melhor '. Esse carro é demais. Feio prá caráio mas charmosíssimo ! Tudo de perigoso tem nele a começar pela porta arranca braço ! Ah, o La Moneda ! Sabem da história ? Do palácio de La Moneda(Santiago) e do Itamaraty(Rio) ?

http://www.nerdsviajantes.com/wp-content/uploads/2012/02/img_8617.jpg

http://www.funag.gov.br/chdd/images/stories/palacioo/1.2.1.JPG

O do Chile era para estar perto da Central do Brasil e em frente ao Campo de Santana( homenagem ao guitarrista...). O Zacarias, quer dizer, o segundão e último, deveria estar, lá, no Chile, em Santiago. O arquiteto trocou as plantas e só se deu conta da gacada quando o galeão já havia a muito virado o estreito de Magalhães. Voltou para a Europa pela rota do Fernão e foi comido pelos índios também. Bom, aí é mentira minha. Casou-se com uma índia bolivariana, quer dizer, boliviana. Ela, parecida como a dona dos peitões dos Simpsons film.
Mentira. Da Suéllen. Voltemos a estória do senhor Groo. Leica ? Leica ? Sou mais a minha Olimpus trip 35 ! Só não acho mais filme para ela...
Peraí, Itajaí. Fugiu da cidade, o atropelado ? Depois de quantos anos em coma ? Tá, sou um chato. Jogar a chave para o segurança... Onde estamos ? Não se faz mais isso nem na terra do Kimi Vodka ! Deve se passar em Havana. Só pode ser. Esquerdices. Eu chamaria o guincho e ligava prum americano restaurador de carros antigos. Um studibeiquer desse deve valer uma baba. Não, não é Havana. Lá, temos médicos, engenheiros, jornalistas, advoratos ascensoristas. Com jornada de trabalho de 6 horas. 20 dólares mensais. O salário. 12°andar. Só se fosse o prédio do Fiel e lá só entra a turma da criogenia. Quando vão tirar uma foto dele, ressuscitam o El Coma Andante. Não, não é Havana.
Pô, é Havana ! Lá não tem esquadrão antibomba. São todos preparados como o Zé Disseu e seu amigo ator canastrão o Zé de Abriu( o brioco). E sempre atuam no exterior e são conhecidos como esquadrão próbomba. Sabicumé. Tudo da esquerda é preciso ler com o sinal trocado. Mundo melhor, mundo pior. Amor, ódio. Liberdade, ditadura. Justiça, injustiça. Antibomba cubano é pró.
Até agora, o Lullalibabá é um polititico bem sucedido. Dilmanta, também.
Até o meu malvado favorito, o Cunhambebe, é bem sucedido.
Senhor Groo. Essa conversa fiada toda, com uma mala preta do lado e ainda com um tic-tac dentro dela ? Coyote não preza nem um pouco o apelido que tem. Já era para estar léguas do recinto. Bicho esperto, tirando o adversário do Papa-Léguas que é uma verdadeira vergonha para a raça coyotina. Ou coyotense. Meu Deus, eu já estaria longe do prédio ! Por isso vos digo ! Sou mais um Ratel. Huuuummmm... Aí, sim. Uma boazuda ! Um verdadeiro Coyote !
Loira, morena, mulata ou negra tipo a Majú ? O Bom Ner trocou aquela panela velha( que faz comida boa, muito boa... ) pela Majú. Vai por mim.
Senhor Groo. Esse "Ron" é o Clarqui Quente, não é ? Mas, sacanagi, chamou o pobre do Coyote para ajudar a abrir a valise ? Ele, se divertindo com a boazuda ? Uma mão boba ali, outra acolá... Chamasse o seu Camaro. Não está na história. O Schelb ! A HA ! Não é Havana. Próximo à La Paz está a cidade. Canivete suíço só se for em Cochabamba ! A história se passa em Cochabamba !
Final fantástico mas barbantinhos cheirosos fariam mais estrago a imagem do réufeito.
' Prefeitura cheirando a bosta ' ! No Chatto News sairia.
Pô, não é que me deu uma boa ideia ? Não morre ninguém, sai todo mundo correndo porque ninguém aguenta o fedor e o Nervosinho( ou o prefeito Suvinil, daí, de Sampa) vai explodir de raiva !


HA !


M.C.

Marcelonso disse...

Groo,


Esses contos de Le Sanatéur são excelentes, a periodicidade mensal deles por aqui não seria nada mal!

abs



José Coutinho disse...

Genial Ron. Parabéns.
Cadê a nota de rodapé dizendo se o coyote pegou o telefone da secretária pra depois?
Sobre a sugestão do amigo Marcelonso, EU VOTO SIM. #UmaCronicaPorMês

Anônimo disse...

Também acho muito bons mas tá meio panelinha demais ! Aliás, Marcel'Onça, tive no seu bloguinho e está mui paradão ! Se precisar estarei de volta num dedinho no mouse e um clic!.
Vamos revolucionar(êpa !) a área de comentários ! Senhor Groo, me permita, a cada semana, uma historinha com vilões e heróis do mundo rongrooniano e molequechatteano ! Para não ter briga, os do mundo rongrooniano serão os mocinhos. Adoro os vilões. Neguinho em Roliúdi sai na porrada para ser o vilão do Batman, do Superman ou do 007.
Sinceramente, o Johnny Cash tem maior cara de nerd...

' Em Franco da Rocha, o relógio da estação ferroviária bate 2 badaladas. O silêncio reina engolindo a madrugada. Só um gato preto, de olhos amarelos, bem amarelos, fixa o olhar num morro distante onde uma nuvem surge, naquela noite fria de lua nova. 12 graus. De lá, daquele morro e um monte de nuvens, sem barulho algum, sai uma nave escura, tão escura e silenciosa que o guarda pinguça dorminhoco da estação nem percebe a sua aproximação. 51 ao lado, playboy na mão, Lulin, o guarda, com um olho aberto, outro fechado, e babando, sonha com a sua paixão. Doce ilusão. Puana Liovani ! A nave avança, deixando a nuvem em direção à estação. O gato, que de bobo não é nada, se manda. A nave, tamanho de Learjet 45, só que redonda, ou não, diria, meio ovalada, formato de charuto, com aletas nas pontas do cilindro ovalado em forma de charuto, pára em frente da plataforma e a luz se vai. A luz da estação da Luz. Sobre os trilhos que estranhamente envergam-se na direção da nave que paira no ar. Uma espécie de porta se abre e nada de luz. Tudo escuro mas se vê algo se movendo saindo pela porta. Uma criatura desce por uma rampa, escura. Também. Barrigundinho, chifrudinho e de pé grande ! Não, era o seu cabelo. Um bi-toupete dando a impressão de chifres ! Johnny Cash, divida o toupete dele ao meio. Isso ! A estranha criatura vai até o Lulin. Mãos gordas, feias. Quando ia tocar no vigilante ferroviário, lembra:'Preciso esconder a nave '! Com um acionamento que parece aqueles de carros modernos, tipo canivete, escuta-se: 'pi-pi' ! Ou 'pló-pló', para carros europeus. Lulin toma um susto, e, de apu duro, levanta-se dando de cara com o ser. Puana vai ao chão ! ' Ô rapaz ! Vim di taum lonji, gajo, e preciso urgentimenti ire até o Sanatório Journal conversar com o seu distinto diretor, o senhore Onça. Ah, meo nomi é Portuga e vem go di uma galáxia... uma cidadi mui distanti. Se não mi mostrar o caminho, te transformarei em Puana e ti comerei ! Tem um Doióda qui possa me emprestare'?

Qual será o destino de Lulin e o senhor Onça ?



M.C.

Marcelonso disse...

M.C.
Ta me faltando tempo pra postar com mais frequencia
Abs