29 de abr de 2016

Aeroscreen > Halo - ou - O lápis russo da Red Bull

Reza a lenda que na corrida espacial nos anos 60/70, a NASA gastou milhares de dólares e muito tempo tentando desenvolver uma caneta que escrevesse corretamente em um ambiente sem gravidade.
Os russos mandaram com seus astronautas para o espaço apenas simplórios lápis, que não tinham problema nenhum para funcionar no espaço.
Eis que a Red Bull aparece com uma solução tão prosaica quanto o lápis russo para a proteção da cabeça do piloto nos carros de F1: um para-brisas.

Aeroscreen (nome da bagaça) promete impedir que algo acerte a cabeça do motorista tal qual aconteceu com Felipe Massa e a mola do carro do Rubens Barrichello.
Já no caso de Henry Surtees a certeza de que funcionaria não é tanta já que o cocuruto do capacete ainda fica aparentemente bem vulnerável.
Daniel Ricciardo não teve problemas para entrar e – principalmente – para sair rapidinho do carro com o treco instalado.
Já não dá para dizer que pilotos mais rolicinhos como Bottas, por exemplo, tenha a mesma agilidade (fica na conta da piada...)

Lewis Hamilton disse que se parece com um escudo de polícia
Não deixa de ter lá sua razão.
Nico Hulkemberg achou esteticamente atraente. Também tem razão, afinal, a solução apresentada pela Ferrari e batizada de Halo era um treco feio que deixava o carro com aparência de chinelos havaianas e dava toda a impressão de que não protegia porcaria nenhuma.

Mas ficam dúvidas:
Vai diminuir a ventilação para o piloto?
Se sujar de óleo ou outra coisa, tem como arrancar película como no caso das sobre viseiras?
Se for colocar publicidade ali, vai atrapalhar o piloto?
Vão criar a posição de “flanelinha” nos pits para limpar o negócio toda vez que o piloto parar para trocar pneus?
Com as trocas cada vez mais rápidas, vai dar tempo de o “flanelinha” limpar o treco?
Vão colar ali os selos das revisões e trocas de óleo como nos carros de rua?

E está no ar o quinto programa Papo Motor, sempre com Rafael Schelb e eu.
Desta vez, um exercicio de futurologia do passado: Como teria sido se Senna tivesse sobrevivido àquele primeiro de Maio de 1994?
Também algumas notícias sobre o GP da Rússia, aquele que na reversal russa: Você entedia o GP.
Ouça, comente, conteste, compareça.

27 de abr de 2016

F1 2016: Perolas e porcos

Ultimamente a F1 anda meio chata em termos de aspas soltas pelos seus integrantes.
Sejam eles pilotos, dirigentes...  Apenas Lewis Hamilton tem disparado a metralhadora de besteiras e dado alguma alegria ao fã e àquele jornalista mais preguiçoso...
Pensando nisto, aqui estão reunidas algumas pérolas (para o bem e para o mal) ditas na atmosfera da categoria mais importante do automobilismo mundial.
E não me venha com nhenhenhém dizendo que não é porque você sabe que é.
Até porque, se não fosse, você não ficaria aí tentando justificar que a categoria que você gosta é melhor, fazendo comparação. Chato.


“-Se ele se tornasse um coveiro, as pessoas parariam de morrer. ”
Esta é de Mário Andretti sobre Chris Amon e seu azar crônico.
Talvez Mário também quisesse usá-la para ilustrar o azar aquele seu parente, o Michael, quando pilotou na F1 ao lado de Senna, mas assim... Não era azar que acometia o rapaz. Era ruindade mesmo.

"-Era um defeito intermitente, o câmbio era incongruente. ”
Rubens Barrichello chegou a ganharem seus tempos áureos a alcunha de Rubens Boquirroto de tantas frases suspeitas que soltou.
Aqui ele está tentando explicar o mal desempenho em uma corrida (Mônaco, se não me engano) em sua passagem pela Williams.
Certo... O carro não era grande coisa, mas câmbio incongruente? O que isto quer dizer?
E o defeito intermitente? Ah.... Aquele defeito que as vezes tem, as vezes não tem... Só pode.
Mas sua melhor frase, sem dúvida nenhuma, é: “-Não sou segundo piloto da Ferrari, sou o piloto 1B.”
Pode-se dizer que esta frase definiu sua passagem pela scuderia rossa e pela própria F1.
Não carece maiores explicações.

“-Temos um carro à prova de imbecis. ” – Teria dito Patrick Head pouco antes de Mansell desligar o carro na última volta dando tchauzinhos para a torcida e deixando a vitória do GP do Canadá de 1991.

“-Terminei a corrida apenas com a sexta marcha. ”
E isto em um circuito misto e seletivo como Interlagos que tem curvas de alta e curvas de baixíssima velocidade em sequência...
Nem é preciso citar o autor desta.

25 de abr de 2016

F1 2016 - Lewis Hamilton strikes again

Lewis Hamilton voltou a dar declarações e mais uma vez, infelizes.
Depois de dizer que piloto não tem que se meter com regulamento, ou deva se meter menos, o inglês defendeu mudanças radicais no formato da categoria.
“-Três corridas por fim de semana ou uma supercorrida. ”, -  disse.

O dublê de piloto e cone aparentemente vive desligado da realidade na categoria.
Quando todos (que comandam, claro) estão atrás de formas para diminuir os custos e gastos o sujeito sugere três corridas por fim de semana.
Sobre a supercorrida então... Dado o consumo de pneus, o tamanho dos tanques de gasolina dos carros as mudanças teriam de ser bem mais profundas que apenas adotar uma corrida com mais de duas horas (limite dos grandes prêmios hoje em dia) de duração.

Se por um lado ele vai pelo lado oposto do que querem os organizadores, pelo outro bate de frente com o fã da F1 que já deixou claro em enquete promovida pela própria categoria que é avesso a mudanças muito grandes ou que ferem demais a tradição sem um propósito bem definido (segurança que seja).

Outro detalhe importante da entrevista onde disparou as asneiras é a forma com que se refere a tentativa de mudança do sistema de classificação adotada nas duas primeiras corridas e defenestrada no GP chinês: “-Voltamos para o sistema antigo após duas provas, algo que já devíamos ter feito após o GP da Austrália, mas ainda assim decidimos manter para uma segunda prova. ”
Notou o pronome e a conjugação?
Nós decidimos...
Quem decidiu? Ele e quem? De que lado ele está já que pelos pilotos a “dança das cadeiras” já teria sido extirpada no Bahrein e pelos fãs nem teria sido implantada na Austrália.

Por outro lado, temos que concordar com a declaração do piloto/cone de que ele é um dos que mais agem na divulgação da F1. Só que falando e fazendo besteira.
Não agrega.

22 de abr de 2016

Monte sua banda (e morra de rir)

Para escolher o baterista.
-Eu mando o riff, o baixo entra pulsando, certo? – diz um dos guitarristas.
-Beleza... Posso slepar? – pergunta o baixista.
-Acho melhor não... – diz o outro guitarrista.
-Ok...  – concorda.
-E você, depois da pausa do riff faz “praco praco pum pish” e todo mundo entra junto.
-Mas eu não sei fazer “praco praco pum pish”... – diz o baterista.
-Faz qualquer merda então e não se preocupa. – sorri o baixista.

Escolha do cantor.
-Cara, canta mais baixo. – diz o guitarrista.
-Não consigo... – diz o vocalista.
-Tenta pelo menos... Canta mais baixo.
-Pô... Não dá. Abaixa ai no volume.
-Não cara... Canta um tom mais baixo.
-Um tom?
-É...
-Vai dar não... Não gosto.
-Você sabe o que é um tom?
-Sei...
-Então...
-Não gosto do Radiohead. Não vou imitar aquele cara...

Escolha do tecladista.
-Cara, quanto tempo faz que você toca teclado? – quis saber o baterista na audição.
-Faz muito tempo não... – responde.
-Quanto tempo? – insiste.
-Uns seis meses.
-Mas já gostava de teclado antes?
-Já, já...
-E quem é seu tecladista predileto?
-Hendrix.
-Mas ele é guitarrista.
-John Bonham.
-Baterista. Cê não conhece nenhum tecladista?
-Frank Aguiar...
-Cara, acho que você não vai ficar na banda não...

A escolha do guitarrista.

-Véi, é o seguinte. Eu faço a base. Você faz o solo, ok?
-Não cara, eu sei tocar guitarra, não sou agricultor...

Primeiro ensaio.
-Então... Na terceira vez que entrar o refrão, a gente para de tocar. Fica só a bateria. – diz o vocalista.
-E a gente faz o que? – questiona um dos guitarristas.
-Canta o refrão batendo palmas acima da cabeça. Fica bem legal. – devolve o cantor.
-Por mim, tudo bem! – concorda o segundo guitarrista.
-Curti! – diz o primeiro guitarrista.
-Beleza... Nesta hora eu não to tocando mesmo. – consente o tecladista.
-Cara... Eu não vou fazer esta parada não... – e todos se espantam com o baixista.
-Mas por quê? – querem saber todos quase ao mesmo tempo.
-Se eu tirar as mãos do baixo, nunca mais acerto a levada...


E está no ar a quarta edição do Papo Motor.
Desta vez com o GP da China, informação, humor e uma certa dificuldade com geografia.
Ouça, baixe, deixe seu comentário, sua pergunta seu xingamento... Estamos ai.

19 de abr de 2016

Crônica do GP: China mostra que estamos bem de pilotos

Há algum tempo atrás era voz corrente que o problema mais acentuado da F1 era a falta de material humano.
A discussão sobre o real valor dos pilotos pagantes, da qualidade mesmo destes era séria.
Tão séria a ponto de alguns nomes um pouco mais elevados os taxarem de “vilões”, de “perigo”.
Claro, havia os realmente grossos, mas quando não houve?
Esta discussão, ao menos este ano perdeu força e lugar.
Os nomes nesta temporada têm – em maior ou menor grau – peso, relevância e o mais importante: talento para estar onde estão.

Não se pode reclamar do que tem feito nas pistas pilotos como Pascal Werhlein ou mesmo seu companheiro de Manor Rio Haryanto.
O equipamento ruim (ainda que seja o melhor Manor já feito) não tem sido empecilho para grandes apresentações (dentro das possibilidades). Haryanto menos, mas perdoa-se.
O mesmo pode-se dizer de nomes já um pouco mais conhecidos e com (um pouco) mais de experiência.

Sainz Jr., o popular Sainzinho e Verstapinho e Magnussen filho trazem o peso dos sobrenomes dentro do cockpit.
O pai de Carlos Sainz Jr, por exemplo é consagrado em outra categoria e a cobrança seria inevitável. Está se saindo bem.
O mesmo pode-se dizer de Kevin que não faz feio frente a comparação com o pai.
Menos cobrança recebe Max Verstapen, até porque, quem conhece o pai não esperaria muito, mas ele tem correspondido (sei que ficou ambíguo, mas vale como elogio.)
O outro filho de (in)famoso é Jolyon Palmer, mas este... Bom.... Este é uma droga mesmo.

Até os pilotos vistos com alguma desconfiança este ano estão se mostrando corajosos e arrojados.
Daniil Kvyat, Esteban Gutierrez (apesar do azar que insiste em acompanha-lo), Ericson, Felipe Nasr e principalmente Romain Grosjean amadureceram e mostram trabalhos sólidos e até empolgantes.
Já merecem a mesma atenção que tiveram Nico Hulkemberg e Valteri Bottas ditos como “o futuro da F1”.
Nasr e Ericson além de brigar com os adversários na pista ainda tem o problema do carro ruim e do futuro incerto da equipe.
Some-se a Daniel Ricciardo, os já citados Bottas e Hulkenberg (que podem não ser o futuro, mas estão longe de serem ruins) e até Sérgio Perez e temos uma classe digna de respeito de pilotos na F1.
Obvio que nem todos serão campeões, mas podem – e vão – com certeza marcar seus nomes na categoria com pontos positivos.

E ainda tem o belga Stofell Vaandorne, que quando foi escalado pela McLaren fez um serviço de primeira qualidade e é o reserva imediato para o caso de Alonso se estabacar de novo ou Button ficar com o nervo ciático inflamado, sabe como é velho né?

17 de abr de 2016

F1 2016 - China: a liberdade para ser criativo pode salvar a F1

Gosto do GP chinês.
Acho que é por causa do retão.
Deve ser saudade de Hockenheim.
Também gosto de yaksoba.... Não gosto dos produtos xing ling assim como não gosto do horário da corrida.
De madrugada o mau humor faz a gente tender a achar a corrida ruim, quando nem sempre é assim. Desta vez então...
Hamilton largando em último, uma Red Bull na primeira fila, a expectativa quanto a corrida da Haas, as Ferrari andando bem (e com Kimi acordado!), ingrediente para ser bom tinha.
E a largada correspondeu.
Sem as ajudas eletrônicas de largada os cones da Mercedes não sabem pôr o carro em movimento.
Rosberg perdeu a posição para a Red Bull do Ricciardo na largada e só não perdeu mais porque as ferraris se acharam no meio da curva.
Aliás, toque foi o que não faltou.
Kimi, Vettel, Hamilton, Grosjean entre outros tiveram toques aqui e ali sujando a pista a ponto de ter um SC na pista.
Sem contar o furo no pneu da Red Bull do Daniel Ricciardo que tirou dele a chance de brigar por um pódio no fim da prova. Ele estava em primeiro.
Melhor ainda, pela quantidade de incidentes, o número de punições foi baixo. Apenas uma para Hulkemberg que andava devagar demais na entrada dos boxes.
Excetue-se a ponta depois que o cone#6 da Mercedes assumiu a ponta e tivemos uma prova muito boa, com várias ultrapassagens e mudanças de estratégia. Menos na Williams.
A corrida de recuperação do cone#44 (que não teve culta na quebra do próprio bico na largada) também ajudou.
O lap chart é a prova da movimentação da corrida. Foi ótimo.
A verdade é que a nova regra sobre uso de pneus, esta que diz que cada um pode usar o que quiser entre três opções (desde que use pelo menos duas configurações diferentes obrigatoriamente) ajudou muito a embaralhar as corridas.
Isto reforça a ideia que liberdade gera mais criatividade.
Criatividade é o que vai salvar a F1 endinheirada e politizada.
Depende de o mercado automobilístico deixar que os caras sejam criativos para gerar coisas e recursos que não precisam ser usados nos modelos de rua.
Tirem o gesso do esporte.

No fim acabou que quem venceu foi o pole position.
Independentemente de quem era, foi o único ponto baixo da corrida. Gostaríamos de ver umas brigas pela ponta.
Mas o que houve do segundo para trás - shows de Daniel Ricciardo, do Cone#44, a corrida defensiva de Massa muito boa, Kimi acordado -  fez valer o horário ruim, a baixa expectativa, a falta do yaksoba para acompanhar e até os produtos xing ling que nos perseguem.
Eu gosto do GP chinês, me julguem.

15 de abr de 2016

Pequenas tragédias humanas (4)

Há pouco instalaram semáforos na cidade. Já se fazia necessário.
Apenas em dois ou três pontos, é verdade, mas para um município que não tinha nenhum...
Acontece que choveu. E não foi pouco.
Acontece que a chuva fez com que o sistema de funcionamento dos semáforos fosse afetado. Pararam de funcionar totalmente.
Acontece também que a chuva, que não foi pouca criou uma poça de água diante de um destes semáforos.
Acontece que poça, que não é pequena – pelo contrário, se assemelha a um pequeno lago – teve lugar bem diante da faixa de pedestres por onde manda o bom senso que se atravesse na falta de sinais.

Observava a cena do lado contrário a ação.
Um trio de meninas esperando tranquilamente uma brecha para atravessar a rua.
Os carros, alguns por bom senso outros por medo da câmera fotográfica ser o único dispositivo do semáforo funcionando direito, passavam devagar.
Quando se deu um intervalo maior entre os carros, as meninas (e entre elas uma gordinha muito bonitinha) se colocaram em movimento.
Eis que surge em uma das pontas da rua um Celta prata, daqueles antigos, dos primeiros celtas produzidos. Um barulho horrível de carro velho em uma velocidade absurda.
A meninas, obviamente assustadas, estancam. Não vão nem para trás e nem para a frente.
O Celta passa pelo pequeno lago e o divide ao meio tal qual disseram que Moisés, aquele pilantra, fez com o Mar Vermelho.
Lama e água atingiram o trio.
Curiosamente, apenas a gordinha muito bonitinha se sujou de forma mais contundente. Daquela forma que te faz voltar para casa e tomar banho, trocar roupa e não querer sair mais de lá só de raiva.
As outras duas tiveram respingos.
Entre risadas abafadas e uma preocupação afetada, alguns populares tentavam consolar a menina que, entre gemidos de raiva e expressões de puro ódio gritava: “-Por que comigo? ”
Um bêbado – sempre tem um – com um sorriso simpático e afetuoso resolveu a questão: “-Deve ser pela quantidade de área construída lindinha...”.



E já está no ar o terceiro epsodio do Papo Motor, com Rafael Schelb, do Shelb F1 Team e comigo>
Desta vez o foco é o GP da China, mas sobrou porrada no Bernie também.
Curta ai. Visite a página  do Papo Motor. 

13 de abr de 2016

F1 2016: China - expectativa

-Cara, vou comprar um celular...
-O que aconteceu com aquele seu?
-Deu pau...
-Caramba! Mas não era novo?
-Era...
-Não era de última geração?
-Até era...
-E já deu pau?
-Acontece...
-Qual vai comprar?
-Tô pensando em não gastar muito, acho que vou comprar um xing ling, depois, mais pra frente troco.
-Mas...  Não acha que vai gastar dinheiro à toa? Jogar fora? Porque não compra um bom logo?
-Pode até ser, mas pro momento, é o que dá.
-Mas você acha que pode se virar bem com um xing ling? Sabe como é... Hoje em dia o celular, o smart fone é muito mais que só um telefone.
-Eu sei, mas assim: vou manter as expectativas baixas, daí o que vier é lucro. E se não vier nada de bom...  Bem.... Então a decepção não vai ser tão grande.

Pegue o dialogo acima, troque “celular” por “F1” ou por “GP da China”, “dinheiro jogado fora” por “sono perdido” e vai ter mais ou menos o mesmo sentido.
Quanto menos expectativa melhor.

11 de abr de 2016

Groo recomenda: Marvels (1994) de Robert Busiek e Alex Ross

Como seria a vida dos seres humanos comuns se os super-heróis realmente existissem?
Watchmen (lançada em capítulos entre 1986 e 1987) de Alan Moore e Dave Gibbons, uma das obras em quadrinhos mais importantes já feitas tenta responder à questão e – embora seja maravilhosa – falha quando apenas um dos personagens tem realmente superpoderes, sendo os outros apenas gente comum que se atira à vida de vigilantes.
Leitura altamente recomendada também.
Mas apenas em 1994 é que a questão foi abordada com base nos famosos heróis que povoam um dos universos mais fantásticos no que se refere à personagens com superpoderes: a Marvel.

Robert Busiek e o ilustrador Alex Ross tinham a proposta de recontar histórias conhecidas do fã de quadrinhos a partir do ponto de vista de gente comum. Porém, com o crescimento do projeto resolveram centrar a história em um personagem principal: o fotojornalista Phil Sheldon.
A história começa em 1939 com o recrudescimento do conflito na Europa.
Phil vivia o dilema de ir cobrir a guerra ou ficar nos EUA e se casar quando um cientista resolve mostrar algo impressionante que o faria mudar de ideia e de vida: uma criatura capaz de se incendiar que acabaria ganhando o nome de Tocha Humana.
Passagem conhecida pelos leitores de quadrinhos, Tocha Humana tem um conflito com Namor, o príncipe submarino pelos céus de Nova York e em um de seus combates, ao atingir uma parede de tijolos, acabam ferindo o fotografo fazendo com que ele perca a visão em um dos olhos.
Sheldon, diferente dos que o cercam não culpa o que ele chama de “Marvels” e a partir dali se dedica a cobrir tudo o que for relativo àqueles seres.
Na trama vão sendo inseridos outros heróis como o Capitão América, o Quarteto Fantástico, o Homem Aranha os X-Men sem nunca citar suas origens, apenas suas aparições e consequências. Boas e más.
A obra também discute temas mais próximos ao ser humano sem superpoderes, mas que são igualmente inquietantes como por exemplo o progresso cientifico por vezes sem qualquer ética, o medo do desconhecido, a impotência diante destes fatos, preconceitos e intolerância.

A arte é um show à parte com Alex Ross fazendo um trabalho sensacional nos traços e cores que vão ficando com iluminações diferentes com o passar dos anos na trama que começa nos anos 30 e vai até meados dos anos 70.
A cena do casamento de Richard Reed com Susan Storm tem tantos detalhes (até os Beatles estão lá) que é digna de um quadro

Lançada originalmente em quatro edições com sobrecapa de plástico, a série foi relançada pela editora Salvat em edição de luxo única e encadernada.
Eis uma história que gostaria – sem dúvida alguma – de nas telas dos cinemas.

8 de abr de 2016

The mimimi king

Imagine um cara negro.
Imagine que este cara pratica um dos esportes mais brancos do planeta desde os dez anos de idade.
Agora imagine que desde a entrada na brincadeira ele tem o apoio de um dos maiores e mais tradicionais times do topo deste esporte. Logístico, financeiro, técnico...
Não bastante, imagine também que junto neste apoio está também uma das montadoras de automóveis mais conhecidas no mundo.
Agora imagine que este cara, com tudo isto, chega ao topo do esporte ganhando pela tal equipe tradicional um campeonato mundial e pela montadora famosa mais dois.
Agora imagine que neste caminho este rapaz conseguiu fazer com que a equipe tradicional o preferisse à um bicampeão do mundo espanhol, portanto branco, rasgando o contrato deste.
E também que na montadora famosa conseguisse ficar muito mais em evidência, ter muito mais atenção em detrimento a um compatriota da empresa que para ilustrar um pouquinho mais deve-se deixar claro que é alemã.
Só não imagine que isto tudo foi de graça, por bondade...  Foi pelo talento deste cara.
Sim! Ele tem talento nato, o que – infelizmente – por si só neste esporte importa muito pouco: o que manda ali é a grana.  E não pouca, mas muita grana.

Ninguém com um mínimo de bom senso neste mundo vai negar que a condição do negro na sociedade ainda é ruim. Existe o preconceito e o racismo, mas aponte na trajetória deste cara aí em cima onde se encaixa qualquer um dos dois cânceres da sociedade citados neste parágrafo?
Aí o cara vai à público e manda em entrevista ao Daily Star que: “-I had to work twice as hard for success because I am black.”.
Porra Hamilton...

7 de abr de 2016

Mais americanos na F1?

O início arrasador do time de Gene Haas na F1 faz a cabeça da gente viajar por ideias.
Não sem fundamento, mas malucas...
Haas chegou com um trabalho sólido, bem direcionado e – principalmente – sério. Diferente dos tipos que aparecem com equipes novatas vindas dos espólios de times fracassados que se aventuram na categoria com equipes de “baixo custo” para tentar revender depois com algum lucro.
Então ficamos pensando como seria se Penske, Ganassi e algum outro lá dos EUA resolvessem também enfiar as caras na F1 com projetos semelhantes?
Provavelmente seria a salvação da lavoura.
Ou quase.
Pouco adiantaria também ter mais equipes competitivas se as regras continuassem estúpidas, mas veja bem...  Se com uma equipe nova fazendo este bom trabalho o interesse do fã da categoria já deu uma renascida, imagina com mais times surpreendendo (positivamente, claro) durante as corridas e campeonato?
Haveria desconfiança de início, claro... Além de se tratar de gente vinda de um outro universo do automobilismo, ainda há o mal que a entrada daqueles times mequetrefes fez à categoria.
Depois de Catherham, HRT e Lotus Malaia, todo mundo que ouviu falar em “nova equipe” já torceu o nariz (esqueça Brawn, aquilo foi uma abelha africana real em meio a um enxame de moscas varejeiras) e não sem razão.
Por conta daqueles projetos natimortos tudo que se discutiu após 2010 foi economia, modos de deixar a categoria mais barata para tentar atrair mais times e que estes pudessem sobreviver.

Por outro lado... Imagina se Ganassi, Penske, Andretti resolvem vir e trazer aqueles manetões taxistas braços duro que só sabem fazer curva para um lado (e ainda assim conseguem acertar o muro do lado oposto) para guiar na F1?
Seria melhor colocar um posto de atendimento médico fixo no alto da Eau Rouge, só para se precaver.

E está no ar o segundo episódio do Papo Motor com Rafael Schelb do blog Shelb F1 Team e eu.
Nesta semana o assunto é, e não poderia deixar de ser, o GP do Bahrein, mas tem outras coisas também.
Baixai ai, ouve ai, deixa suas impressões ai, faz pergunta ai... Participe.

5 de abr de 2016

F1 2016 - Crônica do GP: The eagle Haas landed

Gene Haas não é bobo.
Nunca foi.
É verdade que vem de um outro mundo do automobilismo: a Nascar. E nada pode ser mais diferente da F1 que a categoria de taxistas manetões americana, porém na essência está o automobilismo, que como canso de dizer é simples: alguns imbecis constroem carros e outros os guiam, o mais rápido ganha.
Haas sabe disto.
Ainda que muitos digam que seu princípio de sucesso na F1 se dá pela ajuda técnica e componentes da Ferrari.
O time tem motor e câmbio italiano debaixo da carroceria americana, mas creiam, não é só isto.
A Catherham também tinha (ok, era um motor defasado em relação aos carros rossos, mas...) e nunca deixou o fim do grid. Pelo contrário, passava vergonha.
Some o bom trabalho feito no carro com a ótima escolha de pilotos e temos o começo de uma novata mais impressionante em muito tempo.
A sexta posição na Austrália e o quinto lugar no Bahrein são a prova.
Romain Grosjean sempre foi bom piloto.
Claro, teve tempos ruins. Bem ruins. E que piloto não tem?
Já Gutierrez... Bom. É melhor dar tempo ao tempo.

Posto isto, a pergunta que não me deixa em paz: Por que caralhos Gene Haas quer (e vai) abandonar o desenvolvimento deste carro com apenas uma corrida disputada (ele anunciou antes da segunda) em detrimento do projeto para o ano que vem?
Não que haja alguma chance de vencer corridas, mas há a possibilidade real de o time seja o melhor estreante desde 1951 (esqueça a Brawn, lembre-se que antes de ser o time vencedor de 2009 eram apenas a Honda passando vergonha)
Isto em um cenário em que cada ponto vale muito, muito dinheiro mesmo além das comodidades e despesas de viagem pagas pela F1 caso consiga ficar no top 10.

De qualquer forma, Gene e sua equipe lá da terra das águias tem sido o motivo pelo qual ainda aguentamos firmes e fortes esta F1 artificial, politizada e altamente monetizada.
The eagle Haas landed, salve Gene.

3 de abr de 2016

F1 2016 - Bahrein: A noite dos gatos pardos

Uma curiosidade: Depois que passou a ser disputado a noite, o GP do Bahrein começou a mostrar um nível de emoção jamais visto quando era corrido com o sol a pino.
Nada que seja assim uma coisa que se diga: “Ual, que coisa mais emocionante do mundo! ”, mas tem sido bom.
A largada maluca desta edição ilustra bem isto.
Uma pena ter ficado fora a Ferrari de Sebastian Vettel com o motor estourado na volta de apresentação.
Isto sem falar em Fernando Alonso que estava de atestado médico.

Uma coisa que incomoda muito é a gana dos comissários de corrida, seja lá em qual etapa for, em estragar corridas com punições.
O acidente entre Bottas e Hamilton na largada foi – em minha ótica – coisa puramente de corrida. Sem contar – claro – a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.
A bem da verdade, o acidente, em termos, meio que salvou a corrida. Se as duas Mercedes pulassem na ponta e sumissem ficaria um tanto monótono.
Se o campeonato ainda tem a cara do ano passado com aquele domínio absurdo da Mercedes (este ano nem tão absurdo) deve-se ao acaso.
Rosberg ganhou as duas corridas em golpes monstruosos de azar.
Azar da Ferrari que teve um SC contra si e uma estratégia de pneus equivocada na Austrália e azar do Hamilton de ter encontrado Bottas no meio de uma curva.

Azar – no caso – não é uma palavra que se possa aplicar a Williams, por exemplo.
Triando a punição (tosca) ao Bottas, o time só fez caquinha nas estratégias de corrida.
Aparentemente a regra que liberou três tipos de pneus diferentes por corrida com a obrigação de usar apenas dois enrolou – ainda mais – a cabeça dos estrategistas do time.
Já não eram bons, agora então...

A escalada da McLaren para voltar a ser uma equipe relevante para a ponta continua.
O belga de nome complicado pontuou em sua primeira corrida, o que deixou aquela dúvida boa: e se fosse o Alonso?
Conselho: limem o outro cara do time e deixem o asturiano em companhia do Vandoorne.
E ainda teve a corridaça da Haas, mas é melhor falar da equipe separadamente depois.

No fim das contas, uma corrida divertida.
Não se pode dizer que foi ótima, mas foi uma etapa muito, muito boa mesmo.
Agradeçam ao Ryu pela regrinha dos três compostos e aproveitem e peçam para ele dar um hadouken no formato tosco da classificação.

1 de abr de 2016

Então o PMDB saiu do governo?

E naquela empresa de funcionamento vital um grupo de pesquisadores corre afobado para o décimo quarto andar.
Ao abrir as portas do elevador o grupo se atira à frente e ofegantes se amontoam à frente da mesa do presidente da empresa.
-Senhor... Conseguimos! Conseguimos!
-Calma, calma... O que foi que vocês conseguiram?
(Pausa para respirar)
-Conseguimos separar o elemento S4f4D0s da matéria B.
-Como? Devagar, explica devagar.
-Após quase treze anos de pesquisa e experimento, finalmente nossa equipe conseguiu separar o elemento S4f4D0s da matéria B. Foi a maior realização da empresa.
-Por favor, uma coisa de cada vez. O que é afinal esta matéria B e para que serve? E sem este tal elemento aí...
-S4f4D0s, senhor... – interrompe um dos pesquisadores.
-Isto.... Este negócio aí. Sem ele, esta tal matéria fica como?
-Bom... Isto não sabemos.
-O que vocês não sabem? O que é a matéria B, o elemento aí ou como fica tudo?
-Assim... Nós sabemos o que é a matéria B.
-O que é então?
-É a bosta senhor...
-O que?
-Bosta...  Nós conseguimos separar o elemento S4f4D0s da bosta.
-E o que faz este elemento?
-Acreditamos que é o que fazia a matéria ter mau cheiro.
-E tirando o mau cheiro...  Fica algo que preste? Tem alguma utilidade?
-Hum...  Não.
-Espera...  Vocês gastaram o tempo de vocês, o meu tempo, o tempo da empresa, dinheiro, paciência. Quebraram paus homéricos pelos corredores da empresa para me dizer que a pesquisa toda resultou em nada?
-Bom...
-Bom?
-É?
-Quer dizer então que vocês gastaram tudo isto que falei para me dizer que mesmo tirando o fedor da bosta, ela continua a ser bosta?
-Errrr... Sim.
-De boa...  Sério...  Vão à merda, todos vocês. Literalmente.
E olha ai, estamos de volta aos podcasts e radios.
Agora no Papo Motor, com meu brô mineiro Rafael Schelb.
Ouve ai, dá uma moral pros da antiga.