31 de mai de 2016

Indy 500 centésima edição: Bernie says: Suck!

Trezentas e cinquenta mil pessoas no autódromo para assistir um espetáculo de pouco mais de duas horas de duração.
Um cerimonial considerado kitsch por quem não é estadunidense.
Muita paixão envolvida.
Isto são as 500 milhas de Indianapolis.
Esta é a centésima edição da corrida, embora já tenha mais de cem anos de criada.
Coisas dos intervalos durante as guerras, infelizmente.

A categoria já não é o que foi um dia.
Não tem mais a mesma relevância e importância.
Dois ou três pilotos realmente bons em meio a tantos manetas refugos de categorias europeias, carros feios e tal, mas a corrida em Indianapolis é sempre especial.
Afinal, tem tradição.

Mas algo incomoda.
A corrida tem duzentas voltas e as cento e cinquenta primeiras não servem para muita coisa.
Pode-se perder a vitória nesta parte, mas ganhar a corrida não. Não importa o que se faça: ultrapassar, fazer volta mais rápida, bater recorde.... Nada.
A coisa começa a ficar realmente emocionante quando faltam cinquenta voltas para acabar.
E então começa a parte meio idiota da coisa toda.
Nunca há uma estratégia que leve o piloto que está na frente até o fim da prova.
Sempre há a possibilidade – para não dizer necessidade – de fazer um ridículo “splash and go” nas últimas voltas quando se está liderando.
Por que? Que catzo de estratégia derrotista é esta?
Este ano, para piorar – além dos splashs – um sujeito refugo da F1 que passou a corrida inteira sem ser notado, sem fazer volta mais rápida, sem ultrapassagem relevante sem ter andado sequer na terceira posição ganha a corrida.
Em questão de segundos vira gênio da raça.
A comparação mais simples é com aquele cara que passa o tempo todo em campo na pelada de dez minutos ou dois gols sem sequer participar de nada relevante, mas no fim dos dez minutos alguém chuta uma bola que bate em suas costas e entra no gol.
Fica o gosto meio amargo de pensar que em uma corrida centenária, com tanta tradição e história, qualquer um pode ganhar.
Mesmo sem merecer.

30 de mai de 2016

F1 2016 - Crônica do GP: A outra corrida

Foi uma corrida típica do GP de Mônaco.
Nunca dá para esperar que lá no principado irá abundar ultrapassagens ou brigas emocionantes, mas uma corrida tensa sempre é possível.

Das boas coisas da corrida deste ano dá para destacar a briga entre as Saubers.
A equipe solicitou a inversão de posição entre Nasr e Ericsson.
O brasileiro deu de ombros e o companheiro de equipe forçou.
Forçou e fez caca.
Os dois acabaram saindo da prova logo adiante.
Ericsson pediu desculpas assumindo o erro.
Sinceridade é a única coisa que lhe resta já que talento...

A Red Bull também deveria pedir desculpas por fazer com que Daniel Ricciardo perdesse a corrida.
O pit stop ridículo parecia feito pela Williams de tão surreal.
Aventou-se a possibilidade de o australiano ter ido aos boxes sem avisar o time, mas logo depois a hipótese perdeu força.
Ainda na casa dos energéticos, Max Verstapen foi de bestial à besta em quinze dias.
Da vitória na Espanha aos muros de Mônaco.
Dá um desconto. É Mônaco.

E por falar em Williams.... Deixa para lá.
Vergonha define.

Aplausos para Sérgio Perez e sua Force Índia no pódio.
Consistente a corrida toda.
Dane-se que Rosberg fez corrida de miss com direito a aceno para a plateia e tudo.
Dane-se que Kimi bateu e que Verstapinho largou lá atrás.

A McLaren também tem de ser aplaudida e danem-se as mesmas coisas do tópico acima.
O quinto lugar de Alonso foi fantástico para o time que vem mostrando alguma reação em relação ao tétrico ano passado.
O outro cara chegou em nono, mas... E daí?

Grosjean e Gutierrez a bordo de suas Haas ficaram em último lugar.
Mas não acabou o encanto ainda, vamos ver como se comportam no Canadá.
Ah sim... Manor com seus dois manetas também terminaram a corrida, mas é um time com pilotos meio button.
Ninguém liga.

29 de mai de 2016

F1 2016 - Mônaco: o blefe da fabricante dos pneus

Mônaco é especial, todo mundo sabe.
Carros passando a centímetros – talvez milímetros – dos guard rails e muros de uma das cidades mais charmosas da Europa.
Com chuva, como foi o caso da largada desta vez é mais especial ainda, certo?
Errado.
O safety car à frente é garantia de que nada vá acontecer.
Se Daniel Ricciardo que garantiu sua primeira pole position  - logo onde? – já tinha um terço da vitória garantida, com a segurança da largada controlada então...
De emoção só Danil Kvyat trocando o volante já na segunda volta.

E o mercedão de segurança só saiu da pista no oitavo giro.
Até as piadas estavam acabando. Mas não durou nem uma volta direito já que o tratorzão da carterpillar do filho do Palmer se arregaçou todo na reta de largada.
é verdade que o cara aquaplanou, mas é ruim que dói o menininho.
Safety car de novo, só que agora o virtual até a décima.

O abandono de Kimi foi algo meio complicado de se explicar.
O finlandês dormiu? Passou do ponto? Aquaplanou? O fato é que quase leva junto Felipe Massa e Romain Grosjean.
Por mais que se goste do cara, deu mole.

E Sorrisão ia abrindo...
Dos ponteiros, Vettel foi o primeiro a trocar os pneus por um jogo de chuva intermediários.
E quando todos louvavam o “Champion mode” de Rosberg, eis que o alemãozinho Cone#6 entrega a paçoca para Hamilton na subida logo após a Saint Devote.
Sem briga, sem disputa, sem trauma.

E com sorte.
Cone#44 manobrou para fazer um pitstop a menos e quando tudo parecia encaminhado para  Ricciardo reassumir a ponta os mecânicos da Red Bull esqueceram que para se fazer um pit stop bom é necessário levar os pneus para a posição de troca.
Se Helmut tirou da Red Bull o russinho por ser barbeiro, vai mandar os trocadores de pneus para o inferno sem escalas.

Daí para a frente a coisa ficou em banho maria.
Tirando a jogada suja de Hamilton cortando a chicane na saída do túnel e depois mudando o traçado mais que uma vez para conter Ricciardo, nada mais houve.

Hamilton venceu na estratégia.
Escolheu o pneu ultra macio e com ele fez metade da corrida quando ninguém esperava que fosse possível.
Deveriam pedir explicações à Pirelli.
Ou algo deu muito errado com a construção dos pneus ou só pintaram os macios de rosa e blefaram bonito já que em tese o pneu deveria durar entre vinte e vinte e cinco voltas.

Mas também venceu na sorte por ter a Red Bull ter feito o erro mais bizarro em pit stop deste ano.
Enquanto isto, lá atrás Rosberg fazia corrida de miss com acenos e tudo.
O campeonato está aberto, eis o ponto mais positivo da corrida no principado.

23 de mai de 2016

F1 2016: A hora e a vez do principado

Há quem não goste do GP de Mônaco.
Não vamos julgar, afinal, tem gente que defende partido político.
Gosto é gosto e isto move o mundo.
O sujeito tem o direito de não gostar de Mônaco e de defender partido político.
O sujeito também tem o direito de ser burro.
Ninguém tem nada a ver com isto.
Mas se o GP de Mônaco fosse um partido político eu o defenderia.
Por que?
Porque além de meu direito, é também por ser parte da memória de um esporte fantástico em que gente de coragem (ou burrice) arrisca o pescoço a trezentos e lá vai pedrada passando a milímetros de paredes, cercas, calçadas... E hoje nem tanto, mas também tinham que enfrentar uma espécie de cegueira temporária ao conduzir por dentro do túnel.
Fangio (ou Clark, ou Brabhan ou qualquer outro destes heróis) contava que antes de entrar no túnel deixava apenas um olho aberto e lá dentro o fechava para abrir o outro e diminuir assim o efeito do lusco fusco causado pelo sol.

Há muitas histórias bacanas nas ruas do principado.
A corrida maluca que terminou com quatro carros e foi vencida pela Ligier de Olivier Panis (1996) é uma das prediletas da casa, assim como o pódio em que David Coulthard recebeu o troféu vestido com a capa do Superman.

Porém hoje a história é outra: é a vez de Michael Schumacher, o maior campeão que a F1 já viu.
Em 2006 a briga era com o então campeão mundial Fernando Alonso que rumava para o segundo título.
Após fazer sua volta e cravar o tempo de 1:13.898, o sete estrelas simplesmente estacionou seu carro na curva La Rascasse alegando um problema qualquer e assim trazendo uma bandeira amarela que impediu que o espanhol fizesse sua volta voadora e – talvez – lhe roubasse a pole position.
A direção da prova convencida de que fora ludibriada pelo alemão o puniu com a perda de todos os tempos marcados no fim de semana fazendo com que ele largasse da última posição do grid.

“-Safado, sem espirito esportivo, sem vergonha! ” – Bradaram então os mesmos que achavam que Ayrton Senna ficar dando volta lenta no circuito para atrapalhar os que ainda podiam lhe superar era um grande sinal de sua genialidade.
E para terminar bem a história, Michael ainda terminou em quinto lugar no domingo em uma corrida em que dos vinte e dois carros que largaram, apenas seis não terminaram a prova.
Ah, e lembre-se que o dito popular é de que não dá para ultrapassar nas ruas do principado.

20 de mai de 2016

Hot 5 do Groo: Acústicos nacionais

Houve um tempo em que a MTV no Brasil era algo realmente relevante.
Apesar de um monte de VJ “carinha bonita/conteúdo zero” a programação tinha coisas que deixaram saudades.
Caso dos programas da série Acústico.

Ok, o formato era chupado da MTV gringa, mas aqui, virado para a música brasileira tudo ficou diferente, rico e brilhante. E melhor: alguns ficaram registrados em discos muito bons onde o artista assumia corajosamente a tarefa de se reinventar em outro formato ou dividindo as luzes com convidados.
Aqui um hot five pessoal destes disquinhos.

5 – Titãs.
Provavelmente o primeiro a contar com convidados especiais.
Em um momento em que a banda estava especialmente pesada e raivosa (logo após o lançamento de Titanomaquia e Domingo) o registro corajoso de seus maiores sucessos de forma acústica ainda mostrou uma faceta nova do grupo. Canções como “Nem Cinco Minutos Guardados” e  “Os Cegos do Castelo” mostraram um novo direcionamento para os discos seguintes: a delicadeza.
A banda só voltou a ser pesada e raivosa com seu último disco de inéditas: Nheengatu.

4 – Gilberto Gil.
Gilberto Gil desfila grandes sucessos com a elegância de sempre e uma banda fantástica. Músicas como “Drão”, “A Paz”, “Tempo Rei” e “Esotérico” ficam ainda mais impressionantes com arranjos intimistas.  E quando Gil toca "Expresso 2222" é uma verdadeira aula de violão.

3 – Legião Urbana
Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá aceitam fazer o acústico na intenção de não ter de fazer clipes e acertam.
Talvez o disco mais corajoso de todos os acústicos em que a banda (reconhecidamente fraca tecnicamente falando) se expõe de forma crua com todas as duas deficiências transformadas em virtudes.
De quebra traz um atestado do DNA rock and roll dos caras com as influências mostradas nas covers escolhidas para o show: Neil Young, Jesus anda Mary Chain, Pil e Pat Smith ("On the way home", "Headon", "Rise", "The last time I saw Richard" respectivamente).
Destaque para a canção dos Menudos que Renato tocou pensando que não estava sendo gravado.

2 – Luiz Melodia.
O Perola Negra simplesmente detona ao fazer o seu acústico com sambas de compositores históricos da raiz do gênero.
Aqui se ouve Ismael Silva, Cartola, Zé Ketti, Wilson Batista, Geraldo Pereira entre outros. E claro, o próprio Melô que canta como nunca em interpretações cheias de sentimento e beleza.
Dica: Ouça “Contrastes” (de Ismael Silva) que abre o disco e tente não se emocionar.

1 – Moraes Moreira.
Moraes revisita clássicos dos Novos Baianos e de sua carreira solo de uma forma impressionante.
Começa poeticamente com “Meninas do Brasil” e vai assim até a sexta faixa: “Mistério do Planeta”.
Aí então o carnaval é transportado para dentro do estúdio da MTV movido a forró e frevo.
A sequência: “Forró do ABC/Forró de Zé Tatu”, “Pernambuco é Brasil” “Cidadão” (com direito a show do percussionista Carlinhos Ogã), “De noite e de dia”, “Lá Vem o Brasil descendo a Ladeira”, “Coisa Acesa” “Pombo Correio/Festa do Interior” e “Vassourinha Elétrica” é capaz de pôr pedras para dançar
Além da banda Moraes conta também com uma seção de cordas elegantes usada sem exageros. Além do naipe de metais que fazem justiça ao verso de “Vassourinha Elétrica” (...metais em brasa que ardia...). Uma pena que passou batido tanto pelos fãs do compositor quanto pela molecada a quem a série se dedicava.

Há também ótimos discos como o do Paralamas do Sucesso, Lobão (que ganhou até Grammy), Jorge Ben, Lenine..., mas como eram apenas cinco, ficam para uma próxima.

19 de mai de 2016

Pequenas tragédias humanas (6)

Dormiu sem jantar porque não queria comer um ovo frito às duas da manhã.
“-Quando acordar, tomo um café da manhã um pouco mais reforçado. ” – pensou.
Acordou atrasado e na correria só notou que a camiseta estava pelo avesso (e com a parte da frente para trás) quando entrou no ônibus.
“-Como algo no refeitório da empresa. ” – disse a si mesmo.
Para piorar, o trânsito estava um caos, chegou atrasado ao trabalho, mas nem por isto ia ficar com fome.
Correu ao refeitório para ver o que havia sobrado do café da manhã dos funcionários.
-Omelete? – perguntou com o cenho franzido – É com queijo pele menos?
-Não... Só com cebola. – respondeu “dona” Silvia, a copeira, que aliás disse “cibola” – Ordens da nutricionista.
Declinou. Melhor esperar o almoço: “-Tô de saco cheio de ovo...”
As nove e meia da manhã o estomago já estava nas costas de tanta fome, não conseguia se concentrar em nada.
Seu chefe percebendo algo diferente perguntou qual era o problema.
Ciente, liberou-o para correr ao boteco a poucos metros da empresa para comer nem que fosse um pão com manteiga.
Quando se sentou diante do balcão estufa já não raciocinava direito.
Entre coxinhas, quibes, esfirras e risoles acabou por crescer os olhos em um bolinho aparentemente muito maior que os outros.
Pediu um café e: “-Aquele bolão ali, por favor. ”
Ao receber, nem sequer pegou um guardanapo de papel. Com as mãos mesmo segurou o bolinho e tascou-lhe uma mordida das grandes.
Surpreso descobriu que era um bolovo.
Massa de coxinha envolvendo um belo ovo cozido.

17 de mai de 2016

F1 2016 - Crônica do GP - É preciso reaprender a ler a categoria

A F1 acabou.
O culto ao carro acabou.
Viva a F1 e o culto ao carro.
Não há mais pilotos, só meninos mimados.
Viva os meninos mimados que pilotam.

Apesar de todas as idiossincrasias cometidas neste espaço a verdade é que o escritor não é burro.
É teimoso, o que é diferente de ser burro.
A prova espanhola da F1 mostrou o quanto meninos mimados e seus carros “fáceis de guiar” ainda são espetaculares e espetaculosos.
Aqui não se curte muito os pilotos da Mercedes, é verdade, mas para além da burrice de ter saído da prova em um acidente bobo na terceira curva da corrida fica a leitura mais aprofundada de que:

Sim, eles disputam entre si.
Não, eles não aliviam um para o outro.
Sim, Lewis errou, mas estava tentando passar, o que é louvável.
Não, não se ganha corrida nas primeiras curvas (talvez só em Mônaco), mas se pode perde-las.
E sim, Nico pode ter errado na força da defesa, mas quem não faria?
Absolvição aos dois e que a Mercedes não interfira na briga com regras (veladas ou explicitas) bobas de legitimidade de posição após primeira curva ou N voltas.

Ricciardo foi sensacional na briga com Vettel.
Vettel foi reclamão porém tão sensacional quanto.
Resultado justo no embate dos dois.

E Max Verstapen.

Mais jovem piloto a vencer uma prova de F1.
Não bastasse isto, venceu a prova na primeira corrida em que disputou pela nova equipe.
Ainda mais? Chegou imediatamente à frente de nada mais, nada menos que Kimi Raikkonen e de quebra Vettel.

Se a F1 acabou, gostei bastante deste negócio que ficou em seu lugar com seus carros “fáceis de guiar” e seus meninos mimados.

15 de mai de 2016

F1 2016: Espanha - Finalmente alguma emoção em uma corrida na Espanha (E que emoção!)

Depois de um GP da Rússia lamentável o máximo que o fã de F1 pode fazer em relação a uma corrida na Espanha (seja lá qual for o circuito) é baixar ainda mais as expectativas.
Baixar mesmo, para menos de zero. Porque amigo... Corrida na Espanha é um soporífero poderoso. Remédio para insônia mais forte que show do cudiprei e do dream theater.
Mas eis que os deuses do automobilismo resolvem brincar com o fã que se senta pronto para dar uma criticadazinha na pasmaceira e bum! Acontece na largada a coisa mais insólita, porém mais esperada em termos de largada entre dois caras que já não estão se bicando há muito tempo: um enrosco.
E não foi na curva um, foi lá na três! Depois do Cone#6 dar um drible de gente grande em cima do Cone#44 que, desesperado, socou o carro na grama e se perdeu todo, rodou e levou  consigo o carro do companheiro de equipe. Fim da corrida para a Mercedes.
De minha parte: Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah. Ai ai...
Depois o Fábio Campos me pergunta porque eu chamo os dois pilotos do time alemão de cones.

A coisa ruim disto tudo é que a Mercedes é bem capaz de soltar a ordem (velada ou não) de que quem fizer a primeira curva na frente deve permanecer lá sem ser atacado para não acontecer de novo de ficarem sem pontos na etapa.
Não seria novidade na categoria.
Depois do momento comédia as Red Bull de Ricciardo e Verstapen ganharam a frente e com a chatice do traçado que não promove corrida boa nem a pé foram mantendo vantagem suficiente para não ser atacado nem com a asa móvel pela Ferrari de Vettel.

Parênteses para falar de Max Verstapen: O maior acerto da Red Bull desde Vettel/Ricciardo. Os chefes da Red Bull/Toro Rosso não são bobos. Os melhores para os carros principais.

E voltando a corrida a estratégia de pneus funcionou para Vettel que ganhou a posição de Verstapen, mas por um problema de pressão voltou oito voltas depois aos boxes e ficou sem chances de vencer em briga direta.
Estratégias: é só o que permite esta pista espanhola.
Não para Vettel e Ricciardo.
O australiano jogou o carro para cima do alemão e tentou uma ultrapassagem suicida.
Vettel reclamou, mas, do que não tem reclamado ultimamente?
Foram lances lindos até acabarem os pneus de Daniel Ricciardo que teve o pneu traseiro estourado e ficou sem pontos. Coisas de quem se empenha em fazer o melhor que pode.

Lá na frente, Max Verstapen (chupa Kvyat) resolveu não parar e seguiu com pneus velhos para a vitória seguido de perto por Kimi que tinha pneus tão velhos quanto.
Foi o cala a boca dado pela Red Bull a todo mundo e que ninguém duvide das razões de Helmut Marko para tomar decisões.
Que lindo ver a primeira vitória de um piloto. Principalmente quando se sabe que ele tem talento, que a vitória não é aleatória.
Viva Verstapinho, o homem (menino?) que conseguiu dar graça à um GP da Espanha.

13 de mai de 2016

O diabo na sé

Se para alguém que vem de outro município a cidade de São Paulo já assusta imagine então...
Natan então perdeu-se com a altura dos prédios, que de tão altos arranhavam o céu fazendo-o pensar que Deus era ali bastante adorado com todas aquelas construções tentando chegar perto de sua morada.
E mais, ele não vira nem um que crescesse para dentro da terra e que pudesse se chamado de 'arranha-inferno'.
Constatou que aqui tudo é muito rápido. As pessoas nas ruas, os carros e até as informações parecem conter uma pressa infinita. Ele passa despercebido de todos que correm sem prestar atenção em nada.

O que há para se ver? Por onde começar?
Andando em passos lentos pela Rua Quinze de Novembro, Natan vê uma aglomeração em forma de roda que tem em seu centro uma dupla de artistas.
A platéia recém formada ria com as brincadeiras dos "cantadores de coco".
Chega então mais perto e põe-se a prestar atenção.

 Os dois artistas/cantadores são nordestinos que apoiados em seus pandeiros cantam rimas improvisadas sobre qualquer assunto que lhes ocorrer no momento, incluindo ai uma dose cavalar de esculhambação sobre a audiência que na maioria das vezes aceita tudo com muito bom humor.
"- Olhe Puéta, vamo cantá agora, mas nós num vai cantá de graça, que nem relógio trabalha de graça. E nós só vai pedir um Real de cada um, que não vai deixá ninguém mais pobre”.
"-É verdade Cantadô, e só quem for um corno é que vai embora por causa de um Real..." – e virando-se para Natan - "-O senhor ai tá indo pra onde, hein? Vá embora não”.
Todos riem menos Natan que fica vermelho, envergonhado, mas como a maioria das 'vitimas' destas brincadeiras não responde.
"-Se preocupe não cidadão, ser corno não é desvantagem não homem, podia ser pior, né Puéta?" "-E não é Cantadô. Ele além de ser corno podia ainda ser viado, ai não tinha jeito”.
Os dois artistas concordam balançando negativamente a cabeça enquanto mais risos ecoam:
"-Pois então vamo cantá, pra quem deu e pra quem não deu também, né?"
"- Deu o que????" - Pergunta afetando cara de assustado.
"-Dinheiro, homem, rapaz! Mas quem quiser dar outra coisa né? Esteja à vontade”.
Agora até Natan ri, e os dois começam a tocar os pandeiros e cantar uma rima de embolada combinando que um irá dizer o nome de uma fruta e o outro dirá em resposta 'eu tava comendo ela'.
"-Tudo certo??”
 “-Certo!”.
"-Então lá vai”.
Natan observa tudo espantado, o ritmo ditado pelos pandeiros é frenético, as vozes carregadas do sotaque nordestino exalam um aroma de safadeza e a cantoria prossegue hipnotizando o publico.
"-Uma fruta de caju...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Uma fruta de abacate...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Uma fruta de caqui...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Uma fruta de jaca...”.
"-Eu tava comendo ela”.
"-Eu vi sua irmã pelada...”.
"-Eu tava comendo... êêêêêhhhh! Isso não seu pilantra..."
A cantoria para e muitos risos explodem no ar.
"-Eu? Pilantra? Eu sô é Cantadô!”.
“-É Cantadô? Mas já vem com putaria...”
 “-Putaria não sinhô!”
 “-Vem falar de minha irmã, vá falar de sua família, aquela mundiça”.
"-De minha família também não, oxe, falo então desse cidadão aqui”. - e aponta o pandeiro para Natan, que neste momento para de rir.
"-Mas ele de novo?”
 “-É... É gente boa, gente fina e educada, e ainda vai me dar um Real”.
Mesmo tendo chegado a pouco nesta terra, entende que 'Real' é a moeda corrente e num passe de magia - ou ato de bruxaria - enfiando a mão no bolso, tira uma nota e põe no pandeiro do artista que agradeceu.
"-Visse Puéta, esse cidadão aqui com cara de bode...”.
"-Corno?”
 “-Corno! Mas me deu um Real não vai lhe fazê falta”. - e virando-se para Natan - "-Vai?”.
Este confirma com um gesto negativo de cabeça e o artista então devolve:
“-Então me dê outro ai, que é pr'eu dar pro Puéta ali, meu parceiro”.

Os risos tomam conta de novo da cena e Natan vê uma chance de ir embora e deixar de ser motivo de riso, afinal chegou neste lugar a pouco e já foi transformado em palhaço.
Por precaução nem olha para traz enquanto os pandeiros recomeçam a batucada.
Ele sobe a Rua Quinze de Novembro em direção a Praça da Sé pensando que ele até pode ter vindo do inferno, mas chegou num lugar quase tão caótico.

11 de mai de 2016

Ah a vida real... Melhor que ficção

Havia um baiano deitado em uma rede.
De lá ele solta um grito. Não tão alto para ser ouvido como desesperado e nem tão baixo à ponto de ser ignorado.
Da cozinha, sua mãe o interpela:
-Oxê! Que diabos é isto?
-É que tô aqui vendo uma tartaruga.
-I é?
-É... E acho que ela vai me morder.
-E tá perto, tá?
-Uns vinte metros...
Qualquer semelhança entre esta história estúpida e a choradeira dos simpatizantes do governo com a história do “golpe” que tramitou e tramita por duas casas da república e é assistido de perto pelo poder judiciário com amplo direito de defesa e com diversos recursos contra impetrados é mera coincidência.

Roberto Carlos está processando Roberto Carlos.
Não... O dito “rei” da música romântica no Brasil não ficou doidão e está processando a si mesmo por criar coisas horrorosas como “Mulher Gordinha”, “Mulher Baixinha”, “O Furdunço” entre outras.
O cantor cheio de manias – ou sua assessoria já que aparentemente o Brasa não está mais neste mundo (conscientemente) está processando um homônimo por usar em seu estabelecimento comercial o próprio nome. A saber, uma corretora de imóveis.
Imagino quantas pizzarias Brasil a fora não fechariam se por acaso o nome do “rei” fosse “Bate Papo”.

Sabe o que é pior?
Nada disto é ficção.

9 de mai de 2016

F1 2016: Espanha, Lauda e os cockpits fechados

Semana do GP da Espanha.
A primeira corrida do “bloco europeu” da F1.
Alguns dizem que é quando a categoria volta para casa, para sua origem.
Não deixam de ter certa razão: a F1 é uma categoria europeia por excelência, e se – de alguma forma – esta F1 de hoje tem uma casa, esta é a Espanha.
Nunca vi promover tanta corrida chata como o país da península.
E isto independentemente de onde; Barcelona, Jerez, Valência...  Talvez Montjuich fosse bom, não vi, mas talvez não também...  Ao menos era bonito.
Aos mais novos que ainda não tem a dimensão da chatice que é uma corrida na terra da paella, imagine que vai ser como se o GP da Rússia ainda não tivesse acabado.
Achou ruim o GP russo, então assista a corrida espanhola e descubra porque a Rússia é a nova Espanha da F1.

Sobre a ideia de se cobrir (total ou parcialmente) os cockpits da F1, uma opinião que deve ser levada em consideração ganhou os noticiários.
Niki Lauda se disse contra o recurso, mas alegou um motivo que talvez deva ser deixado de lado em definitivo: o “DNA” da categoria.
Sim, afronta um pouco a história dos carros de F1, mas protege o que de mais precioso a categoria tem: seus pilotos.
Imagino que seja melhor mudar (evoluir?) um pouquinho o DNA da F1 cobrindo (total ou parcialmente) seus cockpits para a proteção do piloto do que retirar o piloto de dentro do carro e deixar que ele seja pilotado a partir dos boxes.
“-Ah, mas isto está longe de acontecer! ” – Poderão dizer.
Nem tanto... Google, Apple e outras empresas já trabalham em modelos de carros autômatos (sem motorista) e para isto chegar às competições pode ser um pulo.
É só lembrar que empresas trabalhavam em carros elétricos e diziam que aquilo não teria futuro e hoje tem até campeonato mundial com carros elétricos. Uma merda, mas tem.
Quando ao que foi dito sobre levar em consideração a opinião de Lauda, justifico: se o acidente em que o austríaco quase perdeu a vida e ficou todo queimado tivesse ocorrido com um modelo de cockpit fechado, muito provavelmente ele não estaria aí hoje em dia dizendo (e pagando mico) que até macacos pilotariam os F1.

5 de mai de 2016

Pequenas tragédias humanas (5)

-E então doutor? Tô muito estragado?
-É... – diz o médico olhando os resultados dos exames – Tá um pouco sim.
-Tem jeito de arrumar?
-Ter até tem.... Vai precisar cortar algumas coisas e...
-Operação?
-Não.... Cortar coisas da alimentação, e incluir algumas outras.... Uns remédios.
-Cortar o que?
-Cortar gorduras, frituras, doces e álcool, claro.
-E incluir o que?
-Mais frutas, legumes, algumas vitaminas e fazer um tratamento com remédios controlados.
-Hum... E isto vai me fazer viver cem anos?
-Não, mas te garanto. Se não fizer isto, não vai viver nem até os cinquenta.
-Trocar, digamos: cerveja por suco de melão? Batata frita por cenoura?
-Ou chuchu.... Para escolher tem de monte.
-Chuchu não! Chuchu é a vingança de Deus contra a humanidade.
-Como assim?
-Quando Adão e Eva morderam a maçã, Deus ficou muito puto com eles e os expulsou do Paraíso, não foi?
-Foi... E onde entra o chuchu nisto.
-O que foi que eles encontraram pra comer fora do Paraíso?
-Chuchu?
-Exato! E aí começaram os problemas... Adão comia chuchu e não se sentia satisfeito, tinha crises existenciais - já que não havia cerveja ainda – logo começou a dar umas broxadas... Daí Eva, que não se importava em comer aquele treco que é só água, bagaço e casca muito do sem gosto, entrava em crise porque seu marido não dava mais no couro. Arrumou um caso com aquela serpente que deu a maçã pra ela morder e também foi expulsa do Éden junto com eles...
-Impressionante seu argumento para não comer chuchu! Tem mais?
-Tem... Emputecido, Caim - que também não gostava de chuchu - matou seu irmão Abel, que estava escondido comendo uma picanha no alho e...
-Tá bom.... Chega... Aonde quer chegar com isto tudo?
-Então.... Se for para que viver só até os cinquenta e não se pode nem comemorar as (poucas) coisas boas da vida com uma porção monstro de batata frita e cerveja, pra que me cuidar?
-O chato é saber que no fundo você tem razão... – diz o médico após pensar um pouco.
-Então?
-Sei lá... – divaga o médico -  É um negócio complicado.... Acho que daria uma boa base para discussão.
-Eu topo.... Vamos pro Almeida´s tomar umas cervejas e falar sobre isto.
-Com batata frita?
-Não!
-Não?
-Com torresmo! Batata é para criança.... Ou você prefere chuchu? Olha lá heim, vai que tua mulher conhece uma serpente qualquer aí....
-Fechado.... Vou fechar o consultório então. Cerveja e uma porção monstro de torresmo.

3 de mai de 2016

F1 2016: A ressaca do GP da vodca.

A McLaren reclamou publicamente dos motores.
Disse que perdeu quase cinquenta segundos durante o fim de semana por conta do motor beberrão.
Disse também que para evitar pane seca pediu para seu piloto Fernando Alonso e o outro cara lá aliviarem o pé do acelerador.
Imagino o suplício que foi para o espanhol. Já o outro lá...

Mas cá entre nós: é muito mimimi do time de Ron Dennis.
Motor beberrão? Grandes coisas.
A Ferrari tem um piloto beberrão que foi super bem na corrida.

Em certa altura da prova do rádio de Lewis Hamilton surgiu a seguinte mensagem: cuidado com a pressão da água no motor.
Foi a senha para que Lewis encerrasse a perseguição ao ponteiro da prova Nico Rosberg.
Curiosamente, ano passado mensagens como: “cuide dos freios”, “há um problema com a pressão dos pneus” vinham do rádio de Nico Rosberg quando este engendrava suas perseguições a Lewis Hamilton.
Bem original a Mercedes.

E por falar em Mercedes, Cone#44 começou a choradeira.
Disse que acha estranho que alguns mecânicos que agora estão no time do Cone#6 estavam no seu ano passado e foram trocados sem maiores explicações.
Típico Hamilton.
Mais uma derrota para Nico e ele vaza a telemetria no twiter de novo.

Por outro lado, o tão falado “Champion mode” que faz com que cone#6 fique tão centrado e de cabeça tão boa na briga pelo título dura até sua primeira derrota.
Seja para o companheiro ou para alguém da Ferrari e ele volta a ser o cara que erra, que passa da conta, que fica estressadinho...
Só esperar.

1 de mai de 2016

F1 2016: Rússia, a corrida da reversal (onde o campeonato chateia a corrida)

Primeiro de Maio... A primeira corrida em vinte e dois anos nesta data e o sentimento é nulo.
Se é para celebrar algo que seja a vida e obra do cara. Deixemos sua morte para os livros de história.

Mas o alvo aqui é o GP da Rússia, aquele que sob a ótica da reversal daquele país tão peculiar: você entedia a corrida.
De bom? O horário da corrida. Pode ser chato, mas as nove da manhã o estrago não é tão grande.
Remédio? Baixar as expectativas. Quanto mais melhor. Quem sabe não se é surpreso por uma prova animada?
A pole de Nico vem comprovar duas coisas: ele está em boa forma e com uma sorte miserável.
De todas as vitórias que conseguiu nesta sequência histórica, todas tem seu asterisco.
Seja o fato de Lewis já ter se sagrado campeão e estar no modo “foda-se” nas últimas do ano passado ou os azares dos adversários nas primeiras deste ano. Lewis, Vettel, Ricciardo, todos em maior ou menor grau se ferraram nas corridas deste ano quando eram candidatos seríssimos à vitória.
Mais uma prova disto foi o acidente do Vettel na primeira curva quando este tinha ação o suficiente para atacar o cone#6 e brigar na estratégia pela vitória.
Acidente é modo de falar, Vettel foi tirado da corrida de forma proposital pelo russo da Red Bull com dois – dois! –  toques cheios na traseira.
Se Vettel já tinha reclamado na China, nesta corrida deveria ter ido ao box da equipe de energéticos e deitado porrada no russinho.

Depois a corrida entrou em velocidade de cruzeiro, sem sustos, sem muita emoção, como é de se esperar de um GP russo.
Foi a hora em que o que predominou foi o voo solo do cone#44 na caçada ao companheiro de equipe cone#6.
E pudemos ver também o quanto as investigações/punições não aplicadas na corrida da China não fizeram falta.
Na Rússia tudo era motivo para investigação e tirando a punição ao russo doido, o resto era extremamente desnecessário.
Punir Hamilton que ganhou cinco posições cortando a terceira curva da corrida ninguém fez.
E ao contrário do que possam dizer, o ponto alto da corrida não foi a vitória (quarta seguida nesta temporada) de Cone#6, mas a chegada do Puttin ao autódromo.
Todas as câmeras focaram o cara e até Bernie Ecclestone fez questão de abrir pessoalmente a porta para o homem.
Como disse: na Rússia você entedia o GP.
Grid girls lindas: pode chamar de machista, mas quem gosta de feiura é sociólogo e cirurgião plástico