31 de jul de 2016

F1 2016: Alemanha no atual Hockenheim é como clássico em campo de várzea

É impossível não gostar de ver corridas na Alemanha?
Agora é... Este traçado mutilado de Hockenheim é chato, besta, bobo... O antigo apesar da simplicidade era fabuloso. Templo dos motores de verdade, charmoso, veloz, gigante.
Nurburgring era sensacional quando era imenso e se manteve muito bacana quando migrou para seu irmão bem menor.
Poderiam manter só Nurburgring como sede da corrida chucrute e deixar Hockenheim apenas na lembrança boa de quem viu corridas no antigo traçado por dentro da Floresta Negra.

Para este ano a grande muleta - do fim de semana - era o “correr em casa” de Nico Rosberg como vantagem.
Convenhamos: correr no autódromo em seu país é tão relevante que um monte de americano venceu o GP dos EUA, os maiores vencedores de GP no México são os irmãos Rodrigues e é muito raro encontrar um vencedor da corrida italiana que não seja italiano...
Fez até a pole, o paçoqueiro mor da F1 atual, por um décimo de diferença, mas já na largada mostrou como é que a banda toca.
Caiu para quarto colocado e ainda tomou um suadouro miserável da Red Bull de Riccardo. Não conseguiu passar.
Rosberg não nasceu para ser campeão.
Enquanto isto o #cone44 pulou na frente e se mandou.
E não mudou nada depois da primeira rodada de pit stops.

La atrás Felipe Massa fazia a vez de corre mãos da corrida.
Tomou passão do Alonso andando com aquela McLata horrorosa.
Para coroar, pouco depois tomou passão do Jolyon Palmer, que não tem um carro bom e nem piloto é.
Fase ruim? Imagina.... Tomara que depois das férias melhore, se não...
Justiça seja feita, havia um problema com o carro da Williams.
Talvez fossem os pneus, a carenagem, as asas dianteiras e traseiras, o assoalho, a suspensão, os freios...  Ou tudo junto.

Só para constar: a Red Bull tem a melhor dupla de pilotos do grid.

E Rosberg só conseguiu ultrapassar um deles (Verstappen) com uma manobra um tanto suja.
A manobra foi colocada sob investigação e o alemão foi penalizado com o acréscimo de cinco segundos nos boxes.
Além de ruim, Nico é burro. Muito burro.

A corrida seguiu em banho maria até faltar cinco voltas para o final quando começou a especulação sobre chuva.
Algumas gotas caíram e a turma toda ameaçou um sorriso.
Mas já era meio tarde para alguma coisa a mais com uma chuva tão fraca.
E mesmo que chovesse mais forte, a possibilidade de terminar sob safety car ou bandeira vermelha era grande.
A F1 atual não é a prova de água.
Vitória fácil de Lewis que cada vez mais mostra que seu carro não tem adversário.
Nem o carro do companheiro de equipe.

A F1 agora para com as férias e abre espaço para a gincana do Rio e só volta no fim do mês no templo belga de Spa-Francorchamps.
Uma pista de verdade que proporciona corridas de verdade.
Amém!

28 de jul de 2016

Notinha do busão: as causas

Faz um tempo, longo mesmo, que não tem notinha do busão.
Morar perto (quase dentro?) do emprego tem destas coisas.
Mas vez por outra é necessário fazer uso do coletivo, nem que seja por meros dois ou três pontos por causa de sacolas ou chuva.
E creia, ainda assim é possível ouvir destas coisas.
Segue.

-Cara, não vejo a hora de descer, preciso fumar.
-Você ainda fuma?
-Fumo...  Não consigo parar.
-Poxa, você não é burro, é bem informado sabe o mal que isto faz.
-Sei, eu até sei de tudo isto, mas não consigo.
-Cara, cigarro “dá” câncer, uma pá de doença respiratória. Câncer mano!
-Eu já tentei, não tem jeito. Não consigo parar.
-Véi... Cigarro causa até impotência sexual...
-Mas este ai da impotência eu não compro não.... Os outros até arrisco, mas o que tem este na embalagem eu não compro.

Então tá tranquilo ele. Né?

26 de jul de 2016

F1 2016: Regras confusas para fãs e jornalistas esquisofrênicos

Quando a equipe Mercedes avisou Nico Rosberg para que pulasse a sexta marcha no GP inglês entrou em cena pela primeira vez a regra da ajuda ao piloto pelo rádio.
A punição ao alemãozinho gerou um fenômeno curioso entre os fãs: a conversão ao espanholismo político.
Durante um bom tempo quase a totalidade dos torcedores e fãs da categoria era completamente contra as ajudas dadas aos pilotos pelo rádio.
Fossem as dicas de como configurar o carro visando economia de combustível, problemas eletrônicos, fossem as famigeradas ajudas com ordens de equipe mandando inverter posição.
Mas bastou que fosse implantada uma regra e que ela fosse posta em prática (ainda que de forma um tanto confusa e demorada) para que os mesmos que eram a favor de punições nestes casos ficassem totalmente contra.
Lembrou muito a piada sobre os espanhóis que dizem: Hay gobierno? Soy contra.

Do nada os pilotos que eram garotos mimados e incapazes de entender a dinâmica de uma corrida ou o comportamento dos carros durante a prova passaram a ser os “coitados” que tem a obrigação árdua e injusta de conhecer o equipamento que usam e tirar deles a melhor performance ou estragar o carro tentando.
Os mesmos fãs que choravam pelo fim da imprevisibilidade nas corridas (quebras mais notadamente) passaram a bradar que - sem as ajudas - os carros poderiam quebrar e isto prejudicaria a corrida.
Sério.
Dizia-se que os carros eram pilotados por meros apertadores de botão, agora dizem que é extremamente complicado apertar estes botões e virar o volante sem a ajuda dos zelosos engenheiros nos pitwalls.
A regra é confusa? Sim...É.
Carece de uma melhor forma de interpretação e utilização, bem como punição definida e imposta com mais rapidez. Claro.
Mas deixar sem uma regra que regulamente isto é que não pode.
Deixar com que o piloto não tenha nenhuma preocupação com o próprio equipamento durante o trem de corrida, recebendo dicas até sobre qual marcha usar em determinado ponto da pista é ridículo.
E neste balaio encaixa-se também a regra dos track limits.
Quando havia grama e brita a punição era natural e imediata, sem elas, tem que haver observação se o carro passa com mais da metade de seu corpo fora da pista. Demanda tempo e cuidado. Com os sensores usados na Hungria a coisa fica um pouco menos difícil e justa, mas já estavam lá os cagadores de regra de plantão para detonar.
Este povo anseia por uma F1 que não existe mais, que ficou nos anos 70 e 80 como tudo que era daqueles tempos também ficou.
A F1 de agora, século XXI é esta e para que fique um pouco mais justa é necessário se fazer restrições seja com sensores de track limits ou com proibição de ajuda pelo rádio.
O desafio é ser arrojado, rápido e corajoso dentro do limite das regras.
Ou a cosia vai ficar tão asséptica que dentro em breve não será necessário sequer piloto dentro do carro. Os nerds que criam e constroem os carros os pilotarão de entro dos boxes sentados em suas confortáveis cadeiras estofadas.

P.S. Puniram o outro piloto da McLaren no GP da Hungria com um drive through, logo depois, piloto e equipe voltaram a incorrer no mesmo ponto (pedal indo fundo demais e equipe dizendo o que deveria ser feito) e não houve mais nenhum tipo de punição e sequer o assunto foi ao ar nas transmissões.
Prova cabal de que ninguém, mas ninguém mesmo, nem a direção de prova liga para o Button.

24 de jul de 2016

F1 2016: Hungria - The tetra has been planted

A corrida húngara tem fama de ser chata, modorrenta, travada, procissão...  Mas tem lá suas histórias boas.
Foi lá que Piquet mandou um fuck off para o Senna; foi lá que Michael Schumacher espremeu Rubinho no muro, mas não ficou com a posição. Que Massa tomou a molada...  Enfim: achar tudo chato é só uma forma limitada de ver o grande prêmio da Hungria.
A leitura, se feita com atenção, pode render parágrafos ótimos e muito divertidos.
Este ano, nem lendo bem devagar como se a vida dependesse disto para ser salva no planeta.

Choveu nos treinos.
Poderia ter embaralhado tudo, mas não.
A quantidade de bandeiras vermelhas no Q1 acabou limando apenas os pilotos que normalmente ficariam por ali ou no máximo no Q2.
Não mexeu na pole, que aliás, esteve ameaçada apenas pelo episódio das bandeiras amarelas agitadas após uma roda de Alonso (no Q3!) onde Nico deveria ter tirado um pouco o pé.
Se a telemetria disse que tirou e os comissários aceitaram, porque nós não?
Nico pole e Hamilton em segundo. Eis a grande expectativa para a largada.
Assim que as luzes se apagaram, Rosberg perdeu a posição para Hamilton sem susto e Ricciardo que fez uma largada ótima e só não contava com a coragem e oportunismo de Nico passando lindamente por fora na curva dois.
A tensão da largada ficou guardada mais para a frente, ou não...

Kimi Raikkonen deu uma animada em uma briga com Max Verstappen.  Kimi defendendo de forma limpa (e facilitada pelo traçado) e Max colocando o carro de lado para forçar um erro qualquer.
Tirando a diferença dos pneus, os carros se equivaliam. Os braços também.
Depois das paradas de boxe as posições se inverteram e foi a vez de Kimi tentar passar Max.
Sem sucesso e com muita, mas muita reclamação.
Porra Kimi! Quer moleza? Vai brigar com o Rosberg...
Depois da bandeirada finalmente o finlandês passou o moleque abusado.

Enquanto na frente (e em boa parte do meio) as coisas pareciam engessadas.
Apenas Vettel reclamando de bandeiras azuis no rádio, Jolyon Palmer fazer porcarias na pista (o que convenhamos é natural) davam algum movimento.
Hamilton venceu provando que a paçocaria Rosberg não falha nunca.
Ganhou a corrida e pegou a ponta do campeonato.
E o tetra surge no horizonte;

22 de jul de 2016

F1 2016 - Hungria: A kind of magic

O sol sempre escaldante do mês de agosto fustiga a cabeça do jovem Mika.
Sentado em uma arquibancada bem no fim da reta de largada, já quase dentro da curva ‘um’,  vai assistir o GP da Hungria de formula um acompanhado de seu indefectível walkman e uma fita cassete do último álbum do seu grupo preferido  A kind of magic, do Queen.

Será o primeiro GP de fórmula um daquele país.
A pista é estreita, as freadas são fortes e a única reta do circuito - onde Mika está sentado - não é grande o suficiente para que um motor se sobressaia à outro pela força de seus cavalos.
Poucos teriam coragem – ou loucura - suficiente para tentar, em condições normais, uma ultrapassagem.
Mika, entediado, já ouviu a fita cassete inteira ao menos umas três vezes. Não se preocupa muito com a corrida. Não há ídolos locais neste esporte, e ainda por cima a primeira fila é formada por dois representantes de um longínquo país: o Brasil.
Mika entende pouco, quase nada de Fórmula um, está ali por ser exatamente o primeiro grande prêmio em seu país que aos poucos vai saindo de trás da cortina de ferro e isto já garante que será histórico.
Os personagens – para Mika – são: Um carro preto com piloto de capacete amarelo na pole position e um carro de bico azul com um “6” pintado nele na segunda posição do grid.
Mika assiste a largada e vê o carro preto manter a ponta enquanto o de bico azul perde a posição para outro carro de bico azul, este, porém enfeitado com um “5” vermelho..
O “5” vermelho não resiste às estocadas do numero “6”, e poucas voltas depois devolve a segunda posição e o que se segue é uma perseguição monstruosa ao carro preto com piloto de capacete amarelo.

Mika procura em seu programa da corrida onde estão os nomes e os números dos carros e identifica: Preto, capacete amarelo: Senna.
Amarelo com bico azul e numero 6”branco: Piquet.
Amarelo com bico azul e numero 5 vermelho: Mansell.
Estes três e mais um francês narigudo de nome Alain Prost que pilotava um carro pintado em vermelho e branco são - segundo o programa da corrida - os quatro principais pilotos em atividade neste ano e tudo indica que o título de 1986 não escapará a um deles.
Voltando a corrida que já vai pela décima terceira volta, o carro numero 6 ultrapassa o carro preto e abre uma pequena vantagem. Não suficiente para que continue em primeiro depois da parada para troca de pneus que todos são obrigados a fazer.
Logo o carro do piloto de capacete amarelo volta à primeira posição tendo em seu encalço novamente o bico azul numero 6.
Já na volta cinqüenta e quatro, meio que sem querer Mika levanta a cabeça e olha para a pista.
Vê o carro de bico azul numero 6 ultrapassando de forma forçada o carro preto. O piloto pega o traçado de dentro, entre o carro a ser ultrapassado e o muro.
Ele - Mika - se levanta na arquibancada e prende a respiração por alguns instantes.
O carro numero 6 ultrapassa o carro preto, mas não consegue fazer a curva da forma correta.
Perde o ponto de tangência e, completamente desequilibrado, perde novamente a posição para o piloto de capacete amarelo.

Dentro do carro de bico azul numero 6 o piloto pensa: “-Pqp! Ele deve estar rindo muito de mim agora. Arrisquei à toa. Não vai ficar assim!”.
Já de dentro do carro preto o piloto (que realmente ria) diz para si mesmo: “Aqui não farroupilha! Que não nasci para ser ultrapassado sem lutar... Vem de novo se for homem!”.
Mika do alto da arquibancada pensa: ”-São loucos estes homens!”.
Duas voltas se seguem sem que o piloto do carro número 6 tente passar.
Mika já se sente frustrado.
O piloto de capacete amarelo já se sente confiante o bastante para achar que não será mais incomodado.
Já o piloto do carro 6 já não pensa mais. Age.
Na mesma reta, no mesmo ponto ele investe. Mas desta vez põe o carro no lugar menos provável: O lado de fora. Entre o carro preto e a grama encaixotando o piloto do carro preto entre ele e o muro.
Mika vê aquilo sem acreditar, sem respirar. O momento parecia suspenso.
O carro numero 6 completa a ultrapassagem no último milímetro da pequena reta. Não tem como sustentar a posição. Não tem espaço para contornar a curva de maneira correta.
O carro preto certamente vai tomar a posição novamente.
Só que desta vez é diferente...

No walkman, Freddie Mercury canta com sua voz inconfundível... “It’s a kind of magic, magic... MAGIC “...
O carro de bico azul e numero 6 retarda a freada até o limite do suportável, pra lá do “Deus me livre” e com um golpe no volante e extremo controle do carro ele desliza. Derrapa nas quatro rodas. Milímetros à frente do carro preto, que freia e se recolhe, humildemente...

“ -It’s a king of magic”. - Pensa Mika.
“-Oh! Meu Deus...” – Pensa Senna.
”-Sifú! Te peguei, ri agora!”. – Grita de dentro carro Nelson Piquet.
Um silencio monstruoso no autódromo, coisa rara. Só se ouve os motores dos carros.
Tudo parecia nem existir, só a imagem dos dois carros no fim da reta.
“-It’s a kind of magic...” Continua cantando Freddie Mercury.
Mika se levanta e vai rumo à saída do autódromo. Já não importa quem vai ganhar a corrida. Seja qual for o resultado ao fim das 76 voltas, o grande vencedor daquela tarde foi o piloto do carro amarelo de bico azul e com um numero 6.
Foi uma espécie de magia...

20 de jul de 2016

F1 2016 - Hungria: Para consertar o erro do texto anterior sobre o GP do fim de semana

-Cara, eu adoro a Hungria.... Que lugar mágico!
-Eu nem sabia que você gostava de F1, e se for por isto eu acho estranho. A corrida lá costuma ser meio monótona...
-Não.... Eu não gosto de F1, to falando de outras coisas legais que vem da terra dos magiares...
-Puxa.... Então devo ser um grande ignorante mesmo... Além do GP deles eu só consigo me lembrar das coisas que li sobre a seleção húngara de futebol. Sabe... Aquela de 1954 que tinha o Puskas...
-É eu li também sobre esta seleção. Dizem que eram mágicos mesmo... Mas não tem só isto.
- Que eu me lembre não tem nada mais que eu goste na própria Hungria. Pode listar algumas coisas?
-Basicamente, claro... Veja bem.... Nas artes: A companhia de cinema Paramount foi fundada por Adolf Cukor.
-E daí?
-Era húngaro ele!
-Opa! Mas o Paramount não fica nos Estados Unidos?
-Fica... Mas o que tem isto?
-Nada, não.... Continua...
-Olha só.... Nos esportes, lembra da Mônica Seles?

-Lembro... Mas não era húngara, era?
-Era sim... Boa tenista.
-Eu prefiro a Sabatini, em todos os sentidos.... Mas vai aí, que mais?
-Zsá Gabor, atriz.

-Aquela que esbofeteou um guarda americano?
-É... E mais! Joseph Pulitzer. O cara era tão bom que virou prêmio jornalístico.
-Nos EUA...
-Tá bom.... Você tem lá alguma razão, mas vai vendo.... Os húngaros inventaram o cubo mágico; descobriram a vitamina C; a esferográfica Bic e um húngaro é considerado o pai da bomba de hidrogênio.... Que você pode dizer disto?
-Não consigo montar o tal cubo; sou alérgico a vitamina C; as Bic sempre falham comigo e da bomba nem preciso falar né?
-Poxa que resistência com a Hungria heim? Budapeste é linda, não tem nada que a desabone.
-E o nome?
-Que tem o nome?
-Poxa.... É horrível!
-Ta bom.... Vou falar uma coisa então que você vai gostar: foi lá que o Piquet jantou o Senna com garfo, faca e guardanapo em 1986.... Agora gostou né?
-Não.... Eu sou sennista.
-Pqp, assim não tem jeito.... Não dá para agradar você quando o assunto é a Hungria né.... Não tem nada de lá que você conheça e goste?
-Tem sim... O Paulo Miklos, aquele cantor...

18 de jul de 2016

F1 2016: A Alemanha e seu GP

No futebol, aquele esporte de bárbaros em que se chutam bolas e canelas, o time que joga “em casa”, ou seja, no seu próprio estádio leva vantagem.
Seja por estar ao lado de sua torcida ou por conhecer melhor o campo de jogo, mas leva.
No automobilismo isto é um tantinho irrelevante.
Um tantinho...
Felipe Massa por exemplo, fez e faz suas melhores corridas em Interlagos.
Segundo alguns especialistas, a forma com que ele contorna o miolo travado do circuito faz a diferença e ele próprio já disse que cresceu treinando por ali...
Por outro lado, o semi aposentado companheiro de equipe de Fernando Alonso na McLaren nem quando teve o melhor carro do planeta em suas mãos andou bem em casa.
Posto isto, chegamos ao ponto de que no fim de semana haverá o grande prêmio da Alemanha, “casa” de Nico Rosberg, que pilota um dos foguetes da vez e é postulante (ha ha ha) ao título da temporada.
Nico já ganhou a corrida em casa, o que diminui um pouco a pressão por um bom resultado no mutilado Hockenheimring.
Só um pouco.
A vitória – em casa – de Lewis Hamilton na etapa passada e a punição imposta pela ajuda da equipe no rádio derrubou a diferença que já esteve em mais de uma vitória de distância para um ponto. Um misero ponto.
O problema em “jogar” em casa desta vez para alemãozinho é que o mano inglês também curte fazer boas corridas na terra do bratwurst com cerveja.

O cara já ganhou duas vezes por lá sendo uma em cada pista do revezamento alemão.

Algumas curiosidades sobre a corrida alemã.
Além de Hockenheimring e Nurburgring (o grandão e o pequeno) só o circuito de Avus (1959 vencido pelo inglês Tony Brooks pilotando uma Ferrari) recebeu corridas da F1.

Disputado desde 1926, é um dos mais cancelados da história.
Não houve corrida lá nos anos de 1930, 1933, de 1940 até 1949 por conta da segunda grande guerra, 1955, 2007 e 2015.

Apesar de estar na F1 desde a criação da categoria em 1950, poucos alemães conseguiram vencer “em casa”. Apenas quatro: Michael e Ralf Schumacher, Sebastian Vettel e Nico Rosberg.
Apenas dois foram campeões do mundo e pelo andar da carruagem, ao fim deste ano continuarão sendo apenas eles.

O alemão que mais venceu corridas “em casa” foi Schumacher, com quatro.
Mas antes de 1950, a honra cabe a Rudolf Caracciola que entre 1926 e 1939 venceu por seis vezes.

(Nurburgring/Nordschleife, o grandão, foi usado pela última vez na F1 em 1976, quando Lauda se estabacou todo.

Nunca serviram salsichão, chucrute e joelho de porco aos vencedores no pódio.

14 de jul de 2016

Groo recomenda: Porno For Pyros: a estréia

Quando o Jane´s Addicton resolveu dar um tempo, o vocalista da banda Perry Farrel (não confundir com aquele maluco que gravou Happy) voltou sua atenção para outros dois projetos: o Lollapalooza um megafestival com nomes “alternativos” e uma outra banda, o Porno For Pyros.
Formado por Martin LeNoble (baixo), Peter Distefano (guitarra), Stephen Perkins (bateria) e claro, Farrel, o grupo lançou seu debut (chique esta palavra) em 1993.
As guitarras ardidas servem como um belo acompanhamento para o show da cozinha perfeita:baixo musculoso e a bateria inquieta somada às percussões amalucadas executadas por Skatemaster Tate e Matt Hyde completando o caldeirão sonoro frenético que nos esfrega no rosto beleza, melodia e urgência.

Logo de cara, o petardo Sadness.
“I got the devil in me” vocifera Farrel logo no primeiro verso e é exatamente o capeta da criatividade que permeia o disco todo a partir daí.
Atento observador do cotidiano, Perry escreve três letras sobre os distúrbios raciais que ocorreram em Los Angeles em 1992, a primeira delas é a faixa título que também dá nome à banda e em que ele vê pela TV a fumaça e o fogo da bagunça toda nas ruas de L.A.
O disco segue com Meija em que Farrel diz que todo mundo está contando seu dinheiro enquanto a personagem faz suas correrias para conseguir algum e sair da miséria.
Cursed Female é um contundente libelo feminista (sim, na visão de um homem, durmam com esta...) onde nascer em um mundo dominado pela “men´s etic” é uma maldição.
Ele canta: Cursed to be born, beautiful, poor and female, theres´s none that suffer more.
Para logo em seguida em Cursed Male dizer que caras que realmente tem dinheiro são velhos demais para aproveitá-lo dirigindo carros velozes, indo a festas ou conseguindo que as mulheres se apaixonem por eles de verdade. Ou seja, problemas pequenos e sem nenhuma importância.
Pets, o grande single do disco é genial com sua levada tranquila em uma bateria de lata e sua letra que diz que a humanidade daria bons animais de estimação para os alienígenas.

O lado dois abre com Bad Shit, que narra uma balada em Veneza, Itália, numa biboca pra lá de suspeita e ruim.
Pack .25 é a segunda música sobre os distúrbios e aqui ele já não vê apenas pela TV a bagunça toda em Los Angeles. Saca sua pistola .45 e vai para as ruas ser parte daquela história toda: “The law, is the law” – ele grita.
A próxima é Black Girfriend, a terceira música sobre os distúrbios raciais de Los Angeles e soca os dedos no nariz dos intolerantes dizendo que desde o início da bagunça toda tudo que ele queria era ter uma namorada negra
Bloody Rag fala de violência doméstica e tem o instrumental mais hipnotizante do disco que fecha com Orgasm que já foi descrita como a melhor trilha sonora para se ter um...
O disco chegou ao terceiro lugar na parada 200 da Bilboard.

A banda ainda lançaria um segundo disco já sem Martin LeNoble no baixo. Muito mais tranquilo, Good God´s Urge trás o clima bacana da temporada que Perry Farrel morou na Indonésia.
Muito bom, mas sem a visceralidade e a urgência fotográfica do primeiro disco.
Recomendadíssimos.

Também recomendado é o episódio do Papo Motor sobre a corrida na Inglaterra.
Rafael Shelb e eu fingimos que entendemos alguma coisa em um programa divertido e cheio de confusões para sua seção da tar... Ah. Ouve ai.

12 de jul de 2016

F1 2016 - Crônica do GP - O rádio, o motivo, a punição e os passos para trás

Rosberg travou uma luta digna contra Max Verstappen pela segunda posição na corrida britânica.
Venceu.
Ainda que Max tenha dito no rádio que havia um problema com o equilíbrio traseiro do carro (e só depois disto que Nico passou), devemos louvar o esforço e insistência do alemãozinho em brigar para ultrapassar.
Vá lá que toda vez que tirou o carro de trás da Red Bull fez pelo lado errado e era facilmente bloqueado, mas brigou. Tentou e acabou premiado.
Só que sorte é que nem grana alta: não é para todos.
Logo Nico começava a perder velocidade quando alcançava a sétima marcha.
Foi avisado pelo rádio para que não usasse aquela marcha, que a pulasse rápido e assim conseguiria manter o ritmo e a posição.
Eis seu azar.... Foi avisado.

Antes da prova Charlie Whiting havia deixado claro que nenhuma, NENHUMA, ajuda aos pilotos pelo rádio seria aceita.
A Mercedes aparentemente faltou ao briefing ou ignorou-o por completo acreditando na máxima de que equipe dominante nunca é punida.
A atitude foi colocada sob investigação para depois da prova e resultou em uma punição de dez segundos acrescida ao tempo final do cone#6. Assim, Max recuperou os pontos pela segunda posição.
Justo?
Sim e não.
Justo pelo aviso e pela cagada deliberada.
Aparentemente a Mercedes pensou-se em salvar alguns pontos para o alemão mesmo sabendo de uma provável punição em detrimento de um enrosco definitivo na sétima marcha em provável abandono que geraria um prejuízo ainda maior.
Se foi isto, foi um prejuízo estimado genial do time.

Mas injusto com os fãs da categoria que esperaram por quatro horas e meia para saber a classificação final da corrida.
Injusto com Max que fez o melhor trabalho do fim de semana e merecia o segundo lugar mais alto do pódio como prêmio após a infração do time alemão.
Injusto com um monte de gente que teve de fazer adendo a seus textos por conta de uma demora sem sentido – já que o aviso da punição foi dado antes da largada caso ocorresse a infração – na divulgação do resultado.

É por estes detalhes tacanhos e modorrentos que a audiência vai caindo, que os autódromos vão ficando ano a ano mais vazios.
Regras mais simples e de efeito mais rápido ajudariam no entendimento e na leitura das provas. Também atrairia mais gente para ver.
Depois de uma corrida tão boa, não era necessário este anticlímax.
É a F1 dando um passo para a frente e dois para trás.
De novo

10 de jul de 2016

F1 2016: Grã Bretanha: atravessando a Abbey

Depois que trocaram o lugar da largada do GP em Silverstone, a coisa ficou meio chata, mas largar atrás de safety car é ainda mais chato.
Mas são coisas de uma país em que o sol geralmente aparece um dia inteiro apenas uma vez por ano e quase sempre é em uma terça feira.
Outra coisa que ficou no desejo foi ver uma largada fratricida entre os cones da Mercedes.
A largada do Hamilton ficou facilitada pela impossibilidade de um ataque (histérico?) de Nico Rosberg.
De emocionante na fila indiana só o Hamilton quase batendo no SC e passando na grama.
Ficou tudo para quando o SC saísse da pista e os pilotos pudessem começar a traçar suas estratégias (livres da amarra da obrigatoriedade de dois compostos) com pneus de pista seca.

E o mercedão do Maylander só saiu da pista na sexta volta e causou um congestionamento monstro com trânsito de Marginal Tietê as seis da tarde nos boxes.
E logo tivemos Max Verstapinho dando trabalho para Nico, que nem sequer incomodou Hamilton.
O ruim é saber que a falta de combatividade entre os cones prata era esperado. E mais, era ordem de cima para não brigarem por ali.
No momento em que poderia haver alguma tensão entre os mercedicos (a parada para troca de pneus de chuva extrema pra intermediário) os dois cones entraram juntos nos boxes.
Trabalho rápido e limpo e nenhum perdeu tempo.
Chato isto.
Com a parada quase coletiva, o lap chart mostrou um incrível Felipe Nasr em quinto lugar.
Nem tanto pelo cara, mas pelo carro ridículo que ele pilota e por ter largado em último.

O primeirão a colocar pneus de pista seca foi Vettel, que ultimamente não tem tido sorte (e nem competência) com estratégia de pneus.
Trocou andou um pouco e já rodou sozinho. Continua a saga.
Ao mesmo tempo, Max Verstappen dava um show em cima do cone#6 na Beckett... Menino de futuro contra menino paçoqueiro.

E na hora de trocar para intermediário? Os dois Mercedes vêm ao mesmo tempo de novo.
Briga? O que é isto?
A resposta estava no meio do pelotão.
Massa, Alonso, Bottas, Vettel, Kimi e outros caras fazendo uma prova emocionante (vá lá que mais pelos erros do que pelos acertos) e muito divertida.
Não gosto de pedir chuva em GP, mas desta vez foi providencial.
A curva Abbey virou um desafio e tanto.
Rápida, ensaboada, lisa, escorregadia. Pouquíssimos não fizeram algum tipo de besteira ali.
Incluindo os ponteiros.
E a gente rindo que se acabava.

A cereja do bolo foi a briga entre Rosberg e Verstappen.
Por voltas e voltas o cone#6 tentou passar o Verstapinho que lhe fechava a porta brilhantemente até perder a posição na volta trinta e seis, quando já reclamava do equilíbrio na parte traseira do carro.
Lá na frente quem ria agora era Hamilton fazendo volta mais rápida em cima de volta mais rápida.
Sobrou para o fim a desconfiança da direção de prova de que a Mercedes ajudou Rosberg com mensagens no rádio por avisar para não usar a sétima marcha.
Era tarde para a recuperação de posição para Verstappen.... Ficou como estava.
Vitória de Lewis, agora, o maior vencedor em Silverstone.
Corridaça divertidíssima.

8 de jul de 2016

Hot 5 do Groo: cine biografias de músicos

Diferente dos filmes sobre música do outro hot 5, estes aqui têm personagens bem definidos historicamente. Os filmes são sobre eles.
Vários tem muitas falhas, informações desencontradas e até falsas.
O filme sobre Tim Maia por exemplo, condensou suas esposas em uma personagem só.
Cazuza teve diálogos tão ruins que o personagem passou de poeta a cagador de regras com frases pseudos geniais o tempo todo.
Great Balls of Fire, sobre Jerry Lee Lewis até começa bem, mas se perde na interpretação exagerada de Dennis Quaid...
Posto isto temos

5 – Doors – de Oliver Stone. (1991)
O filme é bacana, tem uma fotografia ok e atuações convincentes.
A trilha sonora é ponto alto da coisa toda e é um dos primeiros filmes biográficos que me lembro de ter visto.
A única coisa difícil de engolir é o tratamento dado pelo diretor à Jim Morrison.
Se o cara tivesse bebido e se drogado a quantidade mostrada lá, não ia existir um só disco do Doors.

4 – Somos tão jovens. – de Antônio Carlos Fontoura (2013)
O jovem Renato Russo é o foco deste filme.
Correto até o ponto em que a família Manfredini deixou, a fita mostra a formação musical (e de caráter) de Renato passando pela formação do Aborto Elétrico, fase Trovador Solitário e finalmente desembarcando na Legião Urbana.
Ponto baixo é a representação caricata de Herbert Vianna posta no filme.

3 – Cadillac Records – de Darnel Martin (2008)
Bio de Leonard Chees centrado na fase em que comandou a Chees Records.
A gravadora contou em seu casting com lendas do blues como Howlin Wolf, Muddy Waters, Little Walter, Etta James (todos retratados no filme).
A interpretação de Beyoncé como Etta James é um dos pontos altos. Impossível não se emocionar com ela cantando All I Could Do is Cry.


2 – Ray – de Taylor Hackford (2004)
É sobre a infância trágica de Ray Charles. Mostra como o músico perdeu a visão e de como isto ajudou a mudar sua percepção sobre a música e a vida.
Mas só o fato de ser sobre um dos maiores gênios musicais do século XX já valeria a pena.

1 – Walk the Line – de James Mangold (2005)
A vida de Jonnhy Cash retratada de forma crua.
As histórias sobre envolvimento com as drogas, a paixão (e o casamento) com June Carter, a grande sacada de tocar em presídios e música lindamente soturna do Man in Black compensam as atuações as vezes exageradas de Joaquin Phenix e Reese Whiterspoon.

Se lembrar mais, coloca aí nos coments.

7 de jul de 2016

F1 2016: Inglaterra - ainda bem que não é preciso comer no pódio

Semana de GP da Inglaterra, semana festiva
Deveria ser... Afinal, foi lá que surgiu a F1.
Mas não é mais.
Silverstone, apesar de ainda ser rapidão, não é mais o mesmo Silverstone.
Ainda gostamos, mas...
Já não se larga nem mais no mesmo lugar.
Confesso que me perco na contagem das voltas de vez em quando.

E por falar em se perder.... Ainda são europeus? São, eu sei, mas não me furtaria a brincadeira, já que tem gente em outros blogs que achou ruim por ter uma corrida no Azerbaijão. Gostariam de ter mais corridas na Europa... Azerbaijão fica onde mesmo?

Fora a F1, de lá também veio muita coisa legal.
O rock (que é americano) se deu bem por lá e encontrou terreno fértil.
Led, Queen, Purple, Sabbath, Stones e até a maior boy band da história vieram de lá: os Bitus.

Na área gastronômica a coisa pega um pouco.
Torta de rins, sanduiches de pepino, peixe frito com batatas (também fritas).

Uma das melhores piadas contidas no universo de Asterix, o gaulês sobre os ingleses é exatamente sobre sua comida.
Asterix e Obelix estão em Londinium e vão à um pub.
Obelix pede um Javali e o dono do pub diz que é uma ótima pedida, que a iguaria vem cozida com molho de hortelã.
Obelix não pensa duas vezes antes de dizer: “-Com molho de hortelã? Coitado do bichinho...”.

Voltando a F1, além de sediar quase todas as equipes do mundial, a Inglaterra também deu dois campeões mundiais de respeito: Graham Hill e John Surtees.
Também ganharam o James Hunt, Damon Hill, Nigel Mansell e Lewis Hamilton, mas note que está escrito: “de respeito”.

Para a corrida deste ano é aguardar para ver como a competição entre os dois pilotos da Mercedes será monitorada, controlada, vigiada e podada.
Que vai, é fato.
Uma pena, já que seria muito legal ver qual cone derrubaria o outro.

5 de jul de 2016

F1 2016 - Crônica do GP: Faltou talento para ser malandro

Não há nada de errado em ser sacana em disputa esportiva.
A tal malandragem também faz parte da coisa.
Se é legal do ponto de vista das regras é outra coisa...
Mas não há ser vivente (torcedor) que não passe um pano quando a sacanagem é feita pelo seu protegido.
Já quando é contra...

Tom Brady murchou bolas.  Foi pego, mas e daí?
Zico sempre foi bonzinho.... Se fu.
Paolo Rossi era safado e se não me engano foi até condenado por conta: foi campeão mundial.
Prost bate em Senna: se dá bem.
Senna bateu em Prost: se dá bem.
O francês teve proteção vinda de cima (Ballestre né?).
O brasileiro teve absolvição histórica, mas não deixou de ser sacanagem da parte dele.
Piquet azucrinava Mansell tanto que o inglês, que já não era grande coisa psicologicamente, saia do prumo com a facilidade de manteiga derretendo em pão quente.
Schumacher jogou Hill para fora: ganhou.
Schumacher jogou Jacques Deusmelivre para fora: perdeu.
Senna dava voltas lentas para atrapalhar pilotos rápidos na qualificação.
Nunca deu nada.
Schumacher parou de propósito na Saint Devote e atrapalhou Alonso.
Foi punido.
Alonso nunca foi pego. Mestre.

Tudo fez parte do jogo.
Os bons, os maus, os feios...
A diferença é que souberam fazer.
Muito bem ou muito mal.
De forma discreta ou escancarada, sendo pegos ou não.
Tiveram talento até para ser desonestos.
E com Nico na Áustria é bom dizer: fez feio, deu fail e saiu por baixo. Foi pego, punido em dez segundos, o que não muda seu quarto lugar, mas o deixa na posição de vilão.
Faltou talento até para ser desonesto.
crédito imagem: Go Gp Séries, do Marcão.

3 de jul de 2016

F1 2016 - Áustria: o melhor final em muito tempo

Áustria é uma daquelas corridas que a turma da velha guarda adora cultuar.
De fato, os traçados mais antigos em que se correu por lá eram rápidos e desafiadores
Hoje é meio insosso, mas ainda assim é melhor que muita pista nova.
É gostoso ver um autódromo europeu com cara de autódromo europeu: no meio do nada e rodeado de árvores.
Vintage.

A largada, muito limpa soou frouxa.
Hamilton sozinho na primeira fila (sem Vettel ou Nico por perto) não precisava se preocupar com a vizinhança: Nico Hulkemberg e sua Force Índia com pressão de coca cola e gás de suco de saquinho junto aos dois idosos do grid (Button e Kimi) não eram ameaça suficiente.
Largou e foi embora.

Button e sua McLaren foram os elefantes no telhado.
Andaram em segundo por umas nove voltas e começou a esperada queda.
Ninguém faz mágica com carro ruim.  Principalmente piloto ruim...
Kimi ficou um tempo atrás de Jenson protagonizando o duelo da terceira idade que acabou como acaba fila preferencial de banco: lenta e naturalmente.
Os punidos Vettel e Rosberg começaram as suas corridas de recuperação.
Vettel com estratégia diferente de Nico, que foi aos boxes na volta dez e começou a voar baixo.
Só a chuva para embaralhar tudo e dar emoção.
Ou não.

E ela, a chuva, não veio.
O embaralhamento se deu por conta de falha em pits do cone#44 e de (aparentemente) uma péssima escolha de estratégia da Ferrari com os pneus.
Só que desta vez a culpa (aparentemente novamente) foi toda do Vettel.
O estouro do pneu traseiro em plena reta de chegada tirou o alemão da corrida.
Safety car na pista para juntar os cones, pena que não deu em nada ao menos para a relargada que foi tão frouxa quanto a primeira.

Daí para a frente a discussão ficou por conta de se e quando os Mercedes parariam novamente para trocar pneus.
Pararam a menos de dez voltas para o fim e Nico se deu bem melhor.
Não bastasse, ainda foi perfeito ao colocar Verstapen entre ele e Hamilton e depois outro carro que era retardatário.
Mas foi insuficiente.
Hamilton com pneus um pouco melhores foi para cima na última volta determinado a passar.
Em uma das tentativas, Nico deixou o carro espalhar de propósito e tocou o carro do cone#44.
Só que se deu mal.
Quebrou apenas o próprio carro e além de perder a primeira posição ainda caiu para a quarto. Risos foram ouvidos à quilômetros de distância.
Vitória quase inacreditável (mas bem justa até) de Lewis Hamilton.
Ver o Toto Wolf bravinho socando a mesa de controle foi sensacional.
Nunca pensei que ia me divertir com uma vitória do Lewis.
Melhor última volta em muitos, muitos anos.

1 de jul de 2016

Groo recomenda: Made in Japan, do Deep Purple

A formação mais emblemática do Deep Purple havia lançado seu disco mais festejado: Machine Head e foi fazer a sua primeira tour no Japão, onde já era visto como uma superbanda.
Se parar para pensar, todo mundo que gravou seu disco “made in Japan” era visto como uma superbanda por lá... Mas de qualquer forma, segue a história.
A banda não tinha vontade alguma registrar seus shows em disco apesar da reputação de ser um dos melhores grupos ao vivo em todos os tempos.
Porém, os executivos da filial japonesa de sua gravadora – EMI – pensavam o contrário e diziam que seria um mimo e tanto aos fãs.
Na verdade, queriam uma fatia do mercado que as gravações piratas dos shows da banda estavam abocanhando.
Com este argumento sólido, os músicos foram convencidos solicitando apenas que a gravação e produção ficasse por conta de Martin Birch, então engenheiro de som que já havia trabalhado com eles. Também pediram que todos os três shows daquela turnê fossem gravados na integra, para que depois eles escolhessem o melhor material a ser lançado e claro, não queriam overdubs.
Assim, nas tardes de 15, 16 (Osaka) e 17 de agosto (Tókyo) de 1972 a banda subiu ao palco e simplesmente arrasou.
Com um set list curto (dez músicas, sendo que “Lucille” só foi tocada em um dos shows em Osaka) o material ficou muito mais fácil de ser garimpado.
No disco original (vinil duplo) havia músicas das três noites dividas em duas canções por lado do álbum e uma versão monstruosa (literalmente) de “Space Truckin” ocupando todo o lado quatro.
O álbum foi escolhido como um dos dez melhores discos ao vivo de todos os tempos pela revista Rolling Stones e ganhou disco de ouro e platina em diversos países da Europa, EUA e, claro, Japão.
No aniversário de vinte e cinco anos de lançamento, a EMI colocou no mercado uma caixa contendo as três apresentações na integra e mais um cd apenas com os “bis”.

Curiosidades
Gillan era o membro da banda com posição mais radical contra a gravação e o lançamento do material já que por conta da extensa turnê (e da viagem até o Japão) estava com problemas para cantar, com uma inflamação na garganta e muita má vontade.
Pouco antes do primeiro show em Osaka, um dos tambores da bateria de Ian Paice foi atropelado por um caminhão e o baterista se recusava a tocar sem a peça ou com outra comprada no mercado japonês.
A Ludwig foi acionada e mandou em tempo recorde um tambor idêntico ao que havia sido destruído garantindo assim os shows.
Jon Lord disse que todos ficaram chateados após terem sido convencidos a gravar e lançar os shows, mas ninguém ficou nem um pouco constrangido em receber sua parte das vendagens do disco.