27 de nov de 2016

F1 2016: Abu Dhabi. O fim (texto digitado no celular)

Button se foi, ninguém ligou.
Massa terminou sua última prova na F1, parabéns e merecido.
Hamilton fez o que pode, mas foi pouco.
Nico roubou dois títulos de pilotos ingleses no mesmo dia: campeão mundial de F1 em cima de Lewis Hamilton e de esposa mais feia em cima de Nigell Mansell.
E os dois são merecidos.

25 de nov de 2016

Hot 5 do Groo: As saideiras

É dia de outro Hot 5 e hoje é dia das saideiras.
As músicas que terminam discos e deixam aquela sensação de quero mais, mas a gente sabe que depois daquela canção, qualquer coisa que viesse estragaria a obra.

When the Levee Breaks – Led Zeppelin (IV, 1971)
O disco não precisa de apresentação, a banda idem.
Bonham desce a porrada em seu kit Ludwig somado à guitarra e baixo numa levada quase hipnotizante. Para completar, uma gaita harmônica tocada por Robert Plant.


“Índios” – Legião Urbana (Dois, 1986)
O teclado repetitivo e a levada do baixo fazem contraponto à batida simples (quase indigente) de Bonfá.
A letra, que até Renato Russo dizia ser difícil de decorar é complexa e requer um tempo analisando para se entender. E mesmo tendo todo o tempo do mundo, é difícil dizer que entendeu de verdade.
A performance vocal é outro ponto alto, mas é quando termina, com alguns acordes de violão (não há guitarras na música) que se tem a exata noção do clássico que é e de como teria de ser ela a findar o álbum.
No cassete (mídia antiga e ruim que, ainda bem, já acabou), havia uma versão de Química. Por sorte, nas reedições em CD, permaneceu como no lançamento em vinil


  The Thin Line Between Love & Hate – Iron Maiden (Brave New World, 2000)
O disco que marca a volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith para o Iron Maiden é sensacional como nos bons tempos.
Pesado, rápido, mas com um pé (mais tarde seriam os dois) no prog rock poderia terminar na penúltima faixa (Out of the Silent Planet), mas a Steve Harris queria massacrar a concorrência e ganhar de volta os fãs que fugiram para as montanhas quando Blaze Bayley assumiu o microfone. Então enfiou ouvido adentro um clássico não instantâneo.
The Thin line.... Tem peso, tem velocidade e uma linha melódica matadora.
E quando Dickinson faz dueto com a guitarra de Adrian na parte final da canção já estamos todos conquistados.
O Iron é mestre em fazer arrasa quarteirões para terminar seus álbuns, mas está em particular tem um valor um tanto maior por ser o retorno.


  Bali Eyes – Porno for Pyros (Good God´s Urge, 1999)
O segundo disco da segunda banda de Perry Farrel é uma viagem e tanto.
Lindas melodias, solos inspirados e um clima que não pode ser encontrado em outra obra de qualquer outra banda.
A música que fecha o disco lembra um fim de tarde com um pôr do sol dourado com algumas daquelas pingas coloridas.


My Melancholy Blues – Queen (News of the World, 1977)
No disco de 1977 o Queen enfrentava, além das críticas de sempre, a ascensão do punk rock.
Qualquer banda teria se adaptado ao momento, mas não May, Mercury, Taylor e Deacon.
Fizeram um disco com todos os elementos que levaram a ser o que era: rocks pesados, baladas comoventes, grandiosidade, uma certa arrogância, esquisitices... Mas o fim do disco era surpreendente até para o padrão Queen.
Um clima de cabaré dos anos vinte, um piano sensual e a voz de Mercury preenchendo todos os espaços possíveis.
Taylor e Deacon completam o clima com elegância e discrição. Nem se sente falta de Brian May.

23 de nov de 2016

F1 2016: Quem merece o título?

Quem merece ser o campeão? Hamilton ou Rosberg?
Na modesta opinião do blog, nenhum.
Hamilton nunca sentou a bunda em um carro realmente ruim.
Houve anos em que sua McLaren não era a melhor do grid, mas estava longe de ser uma carroça.
Já Rosberg andou pela Williams, que convenhamos, não tem um ano bom desde 1997, quando fez o campeão mundial de pilotos com Jaques Deusmelivre e levou o campeonato de Construtores.
Excetue-se a terceira posição no ano de 2015, até porque, Nico já não estava mais lá.
Então, se o merecimento fosse pela carreira pregressa, Nico mereceria mais.

Mas o que conta é a temporada atual.
O empate no número de vitórias, até mesmo pelo que foi posto, é enganoso.
Nico andou mais, guiou mais e aparentemente, sentiu menos a pressão. Foi mais regular e por isto está na frente nos pontos.
A pior posição de chegada de Nico foi um sétimo lugar em Mônaco e só esteve fora do pódio por quatro vezes.
Já Lewis teve como pior posição também um sétimo, na China.
Porém, só esteve fora do pódio em mais uma corrida além desta.
Foram nos abandonos que a diferença se fez.
Enquanto Nico abandonou a prova apenas uma vez (Espanha), Lewis abandonou por duas vezes (Espanha e Malásia)
Outro quesito esquisito (mas que para o blog faz sentido) seriam as vitórias em palcos tradicionais também tem empate técnico e enganoso.
Nico venceu em Spa-Francorchamps, Monza e Suzuka.
Lewis venceu em Mônaco, Silverstone e Interlagos.
A vantagem seria de novo de Nico, já que venceu na Bélgica e na Itália, que são o suprassumo das pistas do calendário.

Se Hamilton ganhar, vai ser apenas mais um título conseguido em luta direta contra um piloto que não tem títulos. Massa em 2008 e o próprio Nico nos dois seguintes.
Já para Nico, o título teria um peso um pouco maior, já que teria derrotado – na pista – o atual bicampeão na sequência e detentor de três títulos no total.
No fundo, o título da temporada atual não faz de nenhum dos dois menos cones.
Com este carro da Mercedes, Vettel, Alonso ou mesmo Kimi Raikkonen já teriam garantido o título há várias etapas.
Mas enfim, é o que tem para este ano.
Qual seu preferido? Quem merece mais?

21 de nov de 2016

F1 2016: Começa a semana da decisão, mas logo em Abu Dhabi?

Semana de decisão na F1.
Seria motivo suficiente para sorrir se por acaso a corrida fosse nos anos 90 e fossem Suzuka, ou Interlagos.
Mas em plena segunda década dos anos 2000 e em Yas Marina, não quer dizer muita coisa.

Para começar apenas dois pilotos na briga pelo título. Os outros nem matematicamente e desde há muito...
Mais? Os dois são da mesma equipe.
E para finalizar, a corrida é em Abu Dhabi, que apesar de bonito, é sem graça.
De atenuante, o time ao menos deixa os dois livres na pista para disputar o caneco mesmo deixando transparecer que o cone#44 é o preferido da casa.
Mas será que deixariam se o campeonato de construtores não estivesse definido ou se houvesse outros pilotos com chances reais de ganhar a temporada?
Vai saber...

Da corrida em si é difícil falar alguma coisa já que a única boa lembrança em pista é o russo doido Vitaly Petrov bloqueando o Alonso para que Vettel fosse campeão em 2010.
Mais simples é lembrar que a corrida começa com luz do sol e termina já de noite. O que, se plasticamente é bem interessante até por conta das luzes do hotel prestobarba, esportivamente é pouco relevante já que a variação na temperatura de pista não chega a influir no rendimento dos carros.

Mas uma coisa é fato: a melhor coisa que poderia acontecer ao insosso traçado de Abu Dhabi foi a decisão ser adiada até a última prova, pois se já estivesse decidida em favor de um dos dois, o interesse em ver a prova seria quase nulo.

Aqui fica difícil concluir o texto.
Se de um lado os envolvidos na briga pelo título de pilotos não são lá estas coisas e assim qualquer Yas Marina da vida para decidir qual dos dois fica com o título está bom, por outro a disputa foi animada com lances de arrojo, de perícia e alguma (muitas até) manetices por parte dos dois e talvez merecesse mesmo uma pista mais bacana para a decisão.
Se pudesse optar, escolheria Interlagos sempre.
Seja pelo traçado, pelo imponderável do clima nesta época do ano, qualquer coisa...

18 de nov de 2016

Fuá na casa de Cabral

“-Eu sou Ambrósio, eu vivo no mundo comprando vendendo e trocando figura! ”

Formado em Pernambuco no ano de 1992 por: Siba: guitarra e rabeca, Eder "O" Rocha na percussão, Helder Vasconcelos nas guitarras, teclados, percussão e fole de oito baixos, Mazinho Lima no baixo e triângulo, Sérgio Cassiano na percussão e vocal e Mauricio Alves, percussão, foram associados a então nascente cena do mangue beat de Chico Science e Nação Zumbi ou Mundo Livre S/A.
Porém o grupo oferecia mais que o batuque do maracatu misturado a rock, funk e beats psicodélicos.
 As levadas do Mestre Ambrósio, embora tenham também exibam intervenções elegantes de guitarras e algumas cores modernosas, são do mais puro cancioneiro regional: forró, maracatu, coco, baião, caboclinho e ciranda com letras inspiradas na melhor tradição da poesia popular e do cordel.
O primeiro disco homônimo saiu em 1996 de forma independente produzido por Lenine e Marcos Suzano e vendeu vinte mil copias. De pronto chamaram a atenção da gigante Sony Music que lança em 1998 aquele que seria seu grande trabalho: "Fuá na casa de Cabral" é uma obra atemporal e inclassificável.
Não cabe em rótulos.
É um disco, mas poderia ser um livro, um filme ou um tratado de sociologia.

Abre com uma vinheta. Trupé (queimar carvão) que é de domínio publico e funciona como aquecimento e logo após a frase que abre este texto a festa explode e cores e sons.
Os cabôco nos transporta a terreiros de dança com poeira subindo e narra como foi batizada a cidade de Olinda.
A canção que da titulo ao álbum é sensacional!
Começa com Cabral chegando a nado no Brasil e já mandando abrir um forró para se divertir. Com direito a muita cachaça e no fim, a tradicional ressaca bate e o descobridor se diz arrependido do seu feito.
Sêmen tem andamento épico e letra longa traduz à linguagem popular mestre Gilberto Freyre e seu Casa grande & Senzala:


Tantos povos se cruzam nessa terra/ Que o mais puro padrão é o mestiço/Deixe o mundo rodar que dá é nisso/A roleta dos genes nunca erra/Nasce tanto galego em pé-de-serra/E por isso eu jamais estranharei/Sertanejo com olhos de nissei/Cantador com suingue caribenho/Como posso saber de onde venho/Se a semente profunda eu não toquei?
O canto indígena Pareia dá mais uma pista das origens e faz a ponte para o maracatu nação de Esperança (na mata eu tenho) escrita quase em dialeto e pontuada por um grito de guerra em coro: Arreiamá! Guerreia Aruba!
Chama Maria e Pé de Calçada estão mais para o forró tradicional levadas na rabeca e não na sanfona. Esta ultima consegue a proeza de trazer gênero para um contexto mais urbano:
Hoje eu faço forró em pé-de-calçada/No meio da zuada, pela contramão/Eu fui lá na mata e voltei pra cidade/De caboclo eu sei minha situação.
Luiz Gonzaga sorriria ao ouvir.
Usina (Tango no mango) traz uma gostosa brincadeira de versos de subtração com os filhos que o personagem principal teve em um casamento com uma “véia”.
Se seu Zé Limeira Sambasse Maracatu homenageia com justiça o repentista/cordelista numa letra que o próprio assinaria.
Pedra de Fogo fecha a festa sob as bênçãos de Ariano Suassuna.
Ainda há a vinheta Maria Clara que remete as musicas dos antigos parques de diversão mambembes.
Ainda haveria um outro álbum de nome: "O Terceiro Samba", menos radical nas experimentações, mas muito agradável.
Infelizmente a onda do famigerado “forró universitário” – rotulo mais idiota este – não fez marola suficiente para por a nau de Mestre Ambrosio de novo no mar. Apenas para jogar dejetos na areia da musica nordestina com calypsos e outras coisas indignas de citação.
Salve Mestre Ambrósio.

16 de nov de 2016

F1: Barrichello X Massa

Não se trata de debater ou de demonstrar quem foi melhor ou pior. Até porque seguindo a máxima desde espaço de que números não se contestam (por isto Schumacher é maior que Senna, por exemplo) os dois vice-campeonatos no bolso de Rubens Barrichello o fariam ficar à frente de Felipe Massa.
Mesmo com o equilíbrio no número de vitórias – ambos com onze - se contássemos o tempo de carreira de cada um, Felipe (2002, 2004 até 2016) teria uma média proporcional de vitórias maior que Rubens (1993 até 2011).
Massa levaria pequena vantagem com uma média de 0,79 vitórias por ano enquanto Barrichello teria 0,58.

Trata-se aqui de tentar saber quem se divertiu mais durante sua passagem pelas pistas da na categoria máxima do automobilismo.
Mas não consegui concluir muita coisa...

Rubens surgiu como promessa pilotando uma Jordan antes da morte de Ayrton Senna, evento este que culminou em transformar a palavra “promessa”  em um fardo pesado que atrapalhou carreiras promissoras como lastro nos carros.
Rubens fez grandes corridas pelo time de Eddie Jordan com um segundo lugar como melhor resultado (Canadá 1995) e chegando até a ombrear com Senna em seu momento mais brilhante, aquela primeira volta em Donington Park, 1993 quando saiu de décimo segundo e ao fim da primeira volta já era o quarto colocado tendo ultrapassado (nas mesmas condições horrorosas de tempo e pista) oito carros.
Vale lembrar que era apenas a terceira largada de Rubens na F1.

Felipe chegou à F1 em 2002 como piloto da Sauber e teve como melhor resultado em seu ano de estreia um quinto lugar no Japão.
Ao fim do ano se retirou para ser – posto então relevante – piloto de testes da Ferrari.
Retornaria à pista pela mesma Sauber em 2004 onde ficaria até o fim da temporada de 2005 obtendo dois quartos lugares (Bélgica 2004 e Canadá 2005) como melhores resultados seguindo assim para a Ferrari para substituir exatamente Rubens Barrichello.

Rubens, que após sair da Jordan em 1996 ainda pilotaria pela simpática equipe de Jack Stewart onde fez ótimas corridas e chegou a beliscar um pódio (segundo lugar em Mônaco, 1997) após duelar com Michael Schumacher, que já pilotava uma Ferrari.
São desta época as melhores histórias de Rubens na F1, como aquela em que ganhou um relógio de Jack Stewart após uma aposta sobre resultados.
Quando a pequena Stewart se tornou Jaguar, Rubens seguiu para a sua grande chance de pilotar para um time grande.
Barrichello se uniu à Ferrari no ano 2000 para ser o companheiro de equipe de uma lenda deste esporte Michael Schumacher que estava em pleno processo de dominação da categoria que culminaria com sete títulos mundiais (cinco com o carro italiano) e não deixaria muita coisa sobrando para ninguém no circo, muito menos para seu companheiro de equipe que por várias vezes foi acusado de ser apenas capacho do alemão.
Convenhamos, pouquíssimos pilotos na história fariam frente ao sete estrelas em seu auge e menos pilotos ainda suportariam a enorme pressão por resultados após a morte de Senna.
Rubens aguentou e ainda levantou dois vice-campeonatos (2002 e 2004) com nove vitórias

E aguentou também ser motivo de piada quando o grande culpado de suas mazelas eram as carroças da equipe oficial da Honda, principalmente em 2007 e 2008.
A redenção viria em 2009 quando Ross Brawn assumiu a Honda e a transformou em Brawn GP, assombrando o mundo na primeira metade do campeonato com as vitórias do sem sal Jenson Button e dando a Rubens mais duas vitórias (GP da Europa em Valência e na Itália).

Neste mesmo tempo, Felipe só havia pilotado pela Ferrari e levado um vice-campeonato (2008) quando perdeu o título para Lewis Hamilton por apenas um ponto.
Também ficou marcada em sua passagem pela Scuderia o acidente em 2009 na pista da Hungria quando foi acertado por uma mola que – ironia do destino – havia se soltado do carro exatamente de Rubens Barrichello.
Saiu da Ferrari direto para a Williams, onde teve passagem apagada e bastante questionada até sua aposentadoria.

Barrichello venceu em lugares com mais tradição que Felipe
Rubens levou a melhor em templos como o velho Hockenheim, Monza por três vezes sendo que duas pela Ferrari, o que é muito relevante, Indianápolis (circuito misto), Suzuka e Silverstone.
Felipe, por sua vez teve como resultados mais expressivos em pistas tradicionais suas duas vitórias em Interlagos. Não se leva em conta a “vitória” em Spa-Francorchamps por ter sido herdada após a desclassificação e punição de Hamilton e Raikkonen.

Apesar ser uma comparação com muitos pontos de equilíbrio entre as duas carreiras, tendo até pilotado pelos mesmos times (Ferrari e Williams) não dá para cravar que 1B passou pela categoria se divertindo mais que Felipe, até levaria pequena vantagem já que conseguiu resultados melhores com carros piores.
Por outro lado, Massa teve (ou ainda está tendo) uma festa de despedida, coisa única entre pilotos brasileiros na F1 e venceu por duas vezes a corrida no quintal de casa (Interlagos) algo que aparentemente Rubens se recente um pouco por não ter obtido.
De qualquer forma, resta aos dois a honra de terem sido os melhores brasileiros a pilotar carros de F1 após Senna.
O que pode até parecer bem pouco aos olhos mais exigentes, mas quem viu Ayrton e não é idiota pachequista/ufanista sabe o quanto isto vale.
Pena que – aparentemente – serão os dois últimos também a ter uma história com vitórias.

13 de nov de 2016

F1 2016 - Brasil - O show de Max, o show na chuva.

Fernando Pessoa na pele de seu heterônimo Alberto Caeiro disse que não era o Tejo, o mais belo rio de Portugal, mas sim o rio que cortava a sua aldeia. Ou quase isto...
Interlagos, o atual, não é mais belo que o Interlagos que ainda teima em habitar nosso imaginário.  Aquele de quase oito quilômetros... Mas é mais belo que Abu Dhabis, Bakus e Bahreins com todas suas tecnologias e oscambau. Ouso dizer que é mais belo que Monza, que Spa também.
Por que? Porque está aqui no quintal de casa, praticamente...
Interlagos é maravilhoso.

A chuva, que é sempre uma variável possível em São Paulo, apareceu com força antes da largada. Molhou tanto que, meia hora antes do início, já tinha piloto fora da prova por ter batido o carro.
Grosjean fez o primeiro mico do domingo.
A expectativa era de largada com safety car, o que é sempre um desserviço à emoção.
Principalmente porque fechando a terceira fila e abrindo a quarta estavam pela ordem, Max Verstappen e Sebastian Vettel, os dois protagonistas das únicas emoções existentes na etapa mexicana.
A primeira fila ocupada pelos cones prateados não gerava expectativa nenhuma já que Nico tem o regulamento embaixo do braço não iria colocar nada em risco disputando curva com Hamilton.
Outra coisa a se prestar atenção, não só na largada, mas durante toda a prova era o comportamento de Felipe Massa em seu último grande prêmio do Brasil de F1 como piloto.
A largada chegou a ser atrasada em dez minutos para tentar evitar o safety, mas o tempo não ajudou e não teve jeito: largada tipo ferrorama, vagão atrás de vagão. Total anticlímax.

A tortura durou até a volta oito, quando o safety foi recolhido e tudo começou a valer de verdade.
E foi só valer que Verstapinho já mandou Kimi Raikkonen para o retiro dos pilotos idosos.
Antes da entrada do S do Senna já tinha despachado o velhinho.
Começava o show de Max.

Pena que pouco tempo depois, Ericsson rodou e bateu no mesmo ponto onde tinha batido Grosjean ates da largada. E pior: seu carro parou bem no acesso aos boxes e trouxe o safety car outra vez para a pista.
Quando finalmente saiu, Raikkonen rodou sozinho na reta de largada e se foi.... Talvez um pouco de preocupação de tomar outro passão do Verstapinho? Vai saber.
Safety de volta e junto, bandeira vermelha.
Alguns minutos depois a corrida voltou com o safety à frente, mas não durou sequer seis voltas. Bandeira vermelha novamente.
A situação de momento era Hamilton, Rosberg, Verstappen.
Para Felipe Nasr, que estava em sétimo estava sensacional.
Depois de mais um tempão, voltaram à pista com o safety... E só haviam sido corridas até ali vinte e nove voltas e já tínhamos duas horas desde a largada.
E na abertura da volta trinta e dois, valeu. E como em uma das largadas anteriores, Verstapinho jantou outro piloto, desta vez Nico Rosberg.
Verstappen é o piloto do dia, com certeza.
Na volta 44 o lance que poderia definir a corrida: Verstapinho, dos ponteiros é o primeiro a pôr pneus intermediários. Por conta de outra bandeira amarela, não rendeu nada.... Com outra troca – para voltar aos pneus de chuva forte – caiu para décimo sexto E aí começou o show.
Passando todo mundo de forma absolutamente fácil. Até Vettel sofreu nas mãos do moleque.
Com toda a má vontade em cima dele e ainda assim é possível dizer que é o piloto do ano. O melhor surgido nestes tempos tão bicudos para a categoria que anda tão engessada.
Viva Max.

Na volta 49 uma das histórias do GP teve fim com a batida de Felipe Massa na curva do Café.
Uma pena. Mas são coisas de corridas em piso molhado e o que se seguiu foi das cenas mais emocionantes da F1 nos últimos anos: Felipe foi ovacionado por todas as pessoas dentro do paddock em todas as equipes. Por força maior ou outras circunstâncias, nenhum outro piloto brasileiro teve tal despedida.  Valeu Felipe.

E por fim, venceu Lewis, mas com o segundo lugar, Nico colocou mais alguns dedos no título.
Segue para Abumdabe podendo ser terceiro colocado em caso de vitória de Lewis.
Não dá para não dizer: o GP do Brasil redimiu a categoria em emoção depois de pelo menos três GP´s de pura pasmaceira.
Interlagos é mais bonito mesmo que Monza, Spa... Interlagos é rio que corta nossa aldeia.
Interlagos é indispensável.

11 de nov de 2016

Hey, that's no time to say goodbye, Leonard

Tem horas que a vida realmente não faz sentido algum.
A presença de Leonard Cohen se vai, mas ao menos temos sua obra.
Esta sim, eterna.
Goodbye, master.

9 de nov de 2016

F1 2016: Quem venceu a Corrida Maluca?

Fã de corridas, seja de qual categoria for, gosta de ver retratado nas artes o seu gosto.
Seja em fotos, pinturas, filmes (quem não curte Grand Prix de John Frankenheimer?) Músicas (aquela do bitu George, Faster, que se fosse do Keith era um bluesão, mas que é legal também...) e por que não, desenhos animados.
Me lembro de Speed Racer (que a versão live action para cinema ficou uma bosta); Carango e Motoca (lá fora Wheellie and the Chopper Bunch) que trazia as aventuras de um simpático fusca que só fazia “beep beep” e namorava uma conversível, tinha como vilões umas motos esquisitas e uma motoneta que vivia dizendo “eu te disse...” quando os planos davam errado.

Mas o mais famoso e provavelmente mais querido pela rapaziada fã de corrida é sem dúvida a Corrida Maluca (Wacky Races) em que uma turma muito distinta e maluca disputa corridas ponto a ponto (quando se sai de um local para o outro e não em um circuito) pelo mundo todo.
A série teve apenas uma temporada, de 1968 até 1969 e apresentou trinta e quatro episódios com trinta e quatro corridas diferentes.
Todo mundo sabe, mas nunca é demais relembrar quem eram os competidores e seus números.
Os Irmãos Rocha e seu carro de pedra com o número 1
A Família Surto com O Cupê Mal-Assombrado de número 2.
O Professor Aéreo e seu Carro Cheio de Truques, 3.
O Barão Vermelho e sua Lata Voadora, 4.
Penélope Charmosa e seu Carrinho Pra Frente, 5.
Sargento Bombarda, e o Carro Tanque, 6.
Quadrilha de Morte e Chugabung, o carro a prova de balas, 7.
Tio Tomaz e a Carroça à Vapor, 8.
Peter Perfeito e seu Carrão Aerodinâmico, 9.
Rufos Lenhador e o Carro Tronco, 10.
E por último e não menos importante, Dick Vigarista com sua Máquina do Mal, 00.

Mas quem teria sido o campeão daquele campeonato?
Quem mais venceu?
A resposta nos foi dada pelo site da revista Mundo Estranho, da Editora Abril que fez um levantamento sobre a série e publicou tirando assim as dúvidas dos fãs.
Os maiores vencedores são: a Quadrilha de Morte, Penélope Charmosa, Tio Tomaz e Pete Perfeito com quatro vezes cada, mas nenhum destes foi o campeão ao fim da temporada.
A honra coube aos Irmãos Rocha e seu carro de Pedra que apesar de ter vencido apenas três provas, chegou em segundo lugar por oito vezes e em terceiro mais três.

Este resultado foi conseguindo com a atribuição da atual pontuação da F1 aos carrinhos do desenho, sendo vinte e cinco ao vencedor, dezoito ao segundo e quinze ao terceiro colocado.
Na última posição da tabela de classificação está Dick Vigarista, claro, que não venceu nenhuma prova e chegou em último em todas, não porque seu carro não fosse bom, mas porque era um safado sem vergonha... mas pode fazer piada com a Sauber que também cola.
Qual era o seu predileto e qual o correspondente dele na F1 contemporânea? Só não vale ficar linkando o Nico Rosberg com a Penélope, que além de sem graça, já está batida a piada.

7 de nov de 2016

F1 2016: O último GP do Brasil com brasileiros na pista?

Entre as discussões sobre privatização do autódromo e o risco que a corrida sofre de não acontecer mais por estas bandas, vem aí mais uma edição do já tradicional Grande
Prêmio do Brasil de Fórmula 1.
Sobre a privatização, gente melhor e mais informada já escreveu mais e melhor.
Creio, porém, que não seja porque a pista pode passar para as mãos da iniciativa privada que a corrida deixe de acontecer.
O mercado brasileiro é até bom para a categoria é meio difícil que queiram deixar de vir para cá levantar uma grana. Seja do governo ou de um grupo privado.
E convenhamos, tem de ser em Interlagos.
Qual a outra opção?
Curitiba e sua pista de cinquenta segundos por volta?
A sucateada pista de Brasília e seu custo astronômico para restauração?
Uma pista nova em Goiás?
Um traçado de rua no Rio? Porque Jacarepaguá já é história e – de boa – a cidade não tem hospitais que prestem e vai gastar grana fazendo outro autódromo para em no máximo três anos estar tão malcuidado quando o velho Jaca?
Já não chega a quantidade de dívidas deixada pelos jogos Olímpicos, conta esta que os servidores públicos e população vão pagando.
E o primeiro fiadaputa que aventar um traçado de rua - que sempre, não importa onde, por mais bonito que seja (Mônaco, Baku, aquele na Espanha...) não foge à regra de ser uma merda – sofrerá com câimbras anais durante a corrida de domingo.

Se algo pode realmente tirar o GP do Brasil é a ausência a longo prazo de um representante nacional em alguma equipe.
Não importa se o cara está em um time grande com chances de vitória (se estiver, muito melhor!) ou se está num time de merda que não marca pontos e ainda faz estratégias esquisitas toda corrida (oi Sauber!), mas a falta de um patrício faz cair consideravelmente o interesse no evento.
E é este cenário que parece o mais próximo.
Massa vai se aposentar e respirar outros ares em outras competições (Valeu, Felipe!) e o outro Felipe, o Nasr, vulgo Senna ao contrário (uma idiotice da transmissora oficial no país) parece não ter um futuro assegurado, ao menos até agora.
As opções em aberto são:
Ficar na Sauber com motores defasados e pouca grana para melhorar a situação ou...
Segundo Reginaldo Leme, rumar para a Force Índia e se sentar em um cockpit promissor.
Obviamente a segunda opção é infinitamente melhor, mas depende de alguns pontos (entre eles dinheiro, muito dinheiro) para se concretizar.

Enquanto nada oficial é divulgado, a pedida é curtir este que pode ser o último, ao menos por enquanto, grande prêmio no Brasil com brasileiros na pista e que pode decidir o campeonato em favor de um dos cones da Mercedes. Nico Rosberg, mais objetivamente.
E além destes motivos ainda tem o drink game do Vettel em que a gente toma um gole de cachaça toda vez que ele reclamar no rádio (nego vai terminar a corrida em coma alcoólico), a expectativa de mais uma corrida polêmica e por isto mesmo, divertida de Vertapinho ou outro meme de Fernando Alonso.
De qualquer forma é bom manter os sentidos alertas: GP do Brasil sempre é divertido, seja por um motivo ou por outro.

4 de nov de 2016

F1 2016 + Hot 5: Outras vozes

Então a Williams anunciou a sua dupla de pilotos para o ano de 2017, quando completa redondos quarenta anos de existência.
O companheiro de Valteri Bottas é um moleque recém-chegado a maioridade, filho de milionário (o que quer dizer bem pouco...) que é sósia do cara que vira lobo na saga crepúsculo (obrigado Manu, do blog I Love It Loud por corrigir a informação e ao Victor, por ser fã dos filminhos...) e atende pelo nome de Lance Stroll.

A chegada do rapaz vem sem maiores traumas: a equipe o queria, e queria sua grana, e ele queria um cockpit.
Juntando isto com a aposentadoria voluntária de Felipe Massa e todos estão felizes.
Até este que escreve, notório torcedor do time de Grove.
Para comemorar a mudança por lá e também para suprir uma pequena falta de assunto melhor, o blog resolveu fazer um hot 5 com músicas de bandas que trocaram o vocalista e ainda fizeram trabalhos legais.
Considerando, claro, que o vocalista da Williams era o Massa (ajuda ai pô!).
Com vocês o hot 5: outras vozes.
E que a Williams volte a ser legal com seus fãs no ano que vem.

Iron Maiden – The Clansman (Virtual Eleven, 1998)
Dickinson tinha pulado fora e em seu lugar Blaze Bayley segurava o microfone.
O primeiro disco com ele (The X Factor, 1995), dizem que já estava pronto quando chegou, só tendo que pôr as vozes e sugerir pequenas mudanças, e o álbum é – no fim das contas – até legal.
Mas com o segundo o bicho pega...
Não que seja ruim, mas não é um disco digno de ter o Eddie na capa.
Repetitivo, cansativo e outros ivos, a honrosa exceção é “The Clansman”.
Uma faixa tão forte e tão bem estruturada que, quando voltou, Dickinson fez questão de registrar ao vivo no álbum duplo Rock In Rio, 2002).



Queen – C-lebrity (Cosmo Rocks, 2008)
Depois da morte de Freddie Mercury a banda ficou inativa por um bom tempo, mas o bicho carpinteiro do músico não deixou que Brian e Roger ficassem inativos com o nome e a obra do Queen.
Convidaram então Paul Rodgers, cantor do Free e do Bad Company (de quem Mercury era genuinamente fã) para uma série de shows que acabaram culminando no duplo ao vivo Return of the Champions, 2005. 
A brincadeira deu tão certo que resolveram, por que não? Gravar um álbum de inéditas que veria a luz como Queen + Paul Rodgers e se chamaria Cosmo Rocks.
Não dá para esperar o Queen grandioso, pomposo, teatral dos tempos de Mercury, mas é um disco para lá de divertido e com a competência que só os nomes envolvidos tem.

Black Sabbath – Trashed (Born Again, 1983)
Ok… Ian Gilllan só gravou este disco com o Sabbath e a bolacha nem foi tão bem assim nas paradas, mas citar o Dio é covardia...  Sem contar que ele é meio chatão.
O disco, que tem a pior capa de todos os tempos, é bem bacana e traz uma peculiaridade na forma como foram compostas as letras.
Gillan se interessava por um assunto aleatório qualquer e saia escrevendo.
Foi assim com “Disturbing the Priest” em que narra de forma não linear uma discussão com um padre sobre um assunto que eu não me lembro qual é.
A escolhida foi “Trashed” porque simboliza o álbum, mas podia ter sido “Zero, The Hero” ou qualquer outra.
O disco é muito bom.



Van Hallen – Dreams (5150, 1986).
Dave Lee Roth é o vocalista do VH por excelência.... Tanto que quando deixou o barco dizendo estar cansado do som que a banda fazia, gravou um disco solo com o mesmo produtor que tirou o mesmo som...
Mas a entrada de Sammy Haggar deu vida nova ao grupo. Tão nova que parece ser outra banda!
“Dreams” desta nova fase é sensacional. Ainda que lembre música de propaganda de cigarro dos anos 80/90.


Barão Vermelho, Beijos de Arame Farpado (Na Calada da Noite, 1990)
Já fazia um tempo que Cazuza havia saído da banda para uma carreira solo, Frejat tinha assumido o posto de cantor e não decepcionara ninguém.
Disco após disco, não dava para sentir falta do antigo vocalista.
O Barão começou a soar mais rock and roll e até a experimentar bastante com outros estilos.
Esta música só foi a escolhida porque eu gosto muito, muito mesmo de sua estrutura (e letra, e melodia, e ritmo e execução...), mas podia ser mais de uma centena de outras.

2 de nov de 2016

F1 2016: Que bicho mordeu Vettel?

Com o campeonato chegando ao fim e tendo como certeza a vitória de um dos cones da Mercedes, resta muito pouca coisa a se especular neste fim de temporada.
Uma das mais inquietantes perguntas é: Que catzo aconteceu com Sebastian Vettel?

A resposta simplista: “Só é gente boa quando está ganhando” deve ser descartada por motivos de... Foda-se... Não queremos respostas simplistas.
Mas o que teria acontecido com o moleque que dava nomes legais a seus carros, mudava de capacete todo fim de semana e dava entrevistas engraçadas?
Ok! Uma coisa é pilotar pela Red Bull sendo o queridinho da casa (até tomando cacete do Ricciardo...) e outra é pilotar por um time que é sinônimo da F1 em tempos de vacas magérrimas e tomar pau do Raikkonen.
Nada contra Raikkonen que – quando acordado, e não é sempre – é um grande piloto.

A temporada 2016 do moleque tetra campeão alemão tem sido marcada muito mais pelas reclamações (babacas) no rádio, que por boas corridas.
Aliás, qual foi a última boa corrida do cara?
Difícil lembrar? Pode ser... Mas fresco na memória ainda estão os lances de pura babaquice como ignorar aos chamados dos boxes que acabaram em pneus estourados e abandono; reclamações sobre bandeiras azuis à retardatários que nem sempre estavam em local propício para abrir passagem, ou, estavam em disputa de posições quando o piloto ferrarista chegou; reclamações sobre o ritmo de corrida do piloto imediatamente à sua frente que dificulta ultrapassagem (como se fosse obrigado a abrir...) e por último um esporro federal no engenheiro com direito a mandar Charlie Whiting praquele lugar.

Seriam os motivos:
Inveja da boa fase da Mercedes?
Dor de cotovelo de ver dois cones ocupando um lugar que pensa ser seu?
Despeito por ver alguém que promete ser muito melhor que ele ocupando um carro que foi seu?
Frescura no rabo?
Saco cheio de ouvir que o parmera não tem mundial?
Maldição jogada por Alonso ao sair da Ferrari? (“-Que ninguém que sente neste carro seja simpático nunca mais na vida!”)
Ok, se houvesse maldição deveria ter pego em Kimi também, mas convenhamos: Raikkonen é tão "whatever" que nem maldição alonsiana pega nele.

Não se sabe de verdade, mas seja qual for o motivo, é bom o alemãozinho rever suas posições porque quando voltar a vencer – se voltar, claro – está cotado para ser o novo vilão da categoria ocupando o posto que Alonso envergava antes de se tornar o velhinho engraçado de agora.