13 de abr de 2017

Alonso, Indy 500, Liberty e marketing

Dizer que Alonso chocou o mundo do automobilismo ao anunciar que vai correr a Indy 500 deste ano é um tanto de exagero.
Ele não é o primeiro e nem será o último, embora, com a gestão antiga da F1, dificilmente veríamos acontecer o que ele quer fazer este ano.

Duas vezes campeão mundial, Fernando Alonso é o campeão que ficou mais tempo na F1 após ganhar seu último título: lá se vão onze anos e contando.
Também é, sem dúvida, um dos mais talentosos pilotos que apareceram na F1 nos últimos vinte anos.
Só tem um dedo podre terrível para escolher a hora de trocar de equipe.
Saiu da Renault para uma McLaren onde não teve como combater o “inglesismo” do time que protegeu seu investimento prata da casa.
Voltou para uma Renault decadente e trambiqueira.
De lá para uma Ferrari desestruturada e à sombra de uma Red Bull imbatível.
A volta para a McLaren não poderia ter sido em pior hora...
Agora vai para a categoria de fórmula americana, que também não passa por grande momento.
Sendo bem sincero, nunca esteve tão varzeana com carro horríveis, pilotos horríveis e sem nenhuma expressão mundial. Correto?
Não...  Ao menos ainda.
Alonso vai correr uma prova envolta em mística e que ainda conserva parte de sua aura de grande evento, apesar de já ter sido vencida por lixos como o tal Rossi, tremendo refugo da F1.

A coisa é boa para Fernando, que ganha os holofotes sobre si e o torna ainda mais respeitável colocando-o no patamar de nomes lendários da categoria (F1), se ganhar então...
A coisa é boa para a Indy, que há anos não vê um piloto de tanta expressão guiando um de seus horrendos carros.
A coisa é boa para a F1 – entenda-se Liberty – que vai apresentar seu produto à um público que pouco se interessa por ele, mas que gosta de carros e corridas. E vai fazê-lo com um dos grandes nomes de sua história e ainda ligado a uma de suas principais equipes.
Aliás, diga-se, a McLaren tem um histórico com a categoria, o que ajuda e muito.

Fernando não correrá com um McLaren, é verdade.
Guiará um carro da Andretti provavelmente pintado nas cores do time de Woking.
O chassi, como de todo indy, é um Dallara e em comum com o time de F1 apenas o motor Honda, que se na F1 é uma porcaria sem tamanho, nos carros americanos ainda tem competitividade.
De qualquer forma, é necessário por os pés no chão e entender que Fernando, por melhor que seja (e perto daqueles toscos é um rei nato) muito provavelmente não vai ganhar a corrida.
Seja pela falta de experiencia em ovais (que pesa bastante) seja por outro motivo qualquer. Mas a torcida sempre vale, por que não?

Bom seria, de verdade, se isto significasse uma possível abertura de portas para futuros crossovers.
Times de F1 se integrando à indy para algumas corridas ou mesmo mantendo seus carros nas duas categorias. O que ajudaria muito o nível daquilo e promoveria a F1 no mercado americano, que é um sonho antigo. E claro, ajudar a encher o grid da F1, ainda que com aquelas trapizongas defasadas e guiadas por manetas atrapalhando a vida de todo mundo em Monza, Spa ou Silverstone...

Um comentário:

diogo felipe disse...

Trapizongas! Hahahaha
Fazia décadas q não ouvia ou lia esta palavra. Acordaste vontade hj, Ron?