31 de jan de 2017

F1 2017: O que tem para agora - ou - as aspas de um tempo sem nada importante

A F1 deu uma parada. E não foi só nas corridas, também nas notícias importantes.
Como a silly season também não foi muito produtiva, restam as manchetezinhas.
Tirando o fato de que a Marussia, que respirava por aparelhos faz um tempo já, se foi, nada realmente profundo aconteceu nos últimos dias.
Algumas das notas que circularam pela imprensa chegam a ser simplórias, mas a elas...

Alonso prevê grid embaralhado.
Sim... Alonso e mais da metade dos fãs da categoria.
O problema é que Alonso não é um cara bom de previsões.
Previu que a McLaren seria o melhor caminho ao sair da Renault e se deu mal.
Daí apostou numa volta à Renault e de lá para a Ferrari.
Sua última aposta quase fez com que se tornasse uma piada...
Levar fé nas previsões de Alonso é uma das coisas mais temerárias da F1.

Monisha Kaltenborn, a manda chuva na Sauber espera uma revisão dos acordos comerciais para ter uma F1 mais justa.
Ela fala de dinheiro, claro.... De divisão de dinheiro, de grana, de Money, bufunfa...
Nas pistas? Se der, também, claro...

Daniel Ricciardo disse que se sentiu tentado a guiar uma Mercedes.
Mas não disse que foi convidado.
Aliás, disse que todo piloto se sentiu tentado a ligar para a equipe prateada e se oferecer o que leva a crer que ele também pensou no assunto.
Disse que está bem na Red Bull, claro: está empregado.
Arrematou que a dupla que forma com Max Verstappen é a melhor da F1.
Pensando bem, Ricciardo não disse nada além do óbvio.

Por fim, Toto Wolf, aquele, tem contrato até o fim de 2017, mas já sinalizou que pretende ficar.
Ele disse curtir demais seu trabalho.
Sorte do camarada que na F1 não é igual ao soccer.
Quando a maré baixa finalmente chegar ao time prateado, não tem que o segure no cargo.
Nem ele próprio.

26 de jan de 2017

F1 2017: Questões pertinentes ao discurso do novo rei

A nova chefia da F1 personificada em Ross Brawn, aquele, já chegou dizendo a que vem.
Ross condenou o DRS dizendo que a tal asa móvel é artificial.
De fato, é. Ponto para ele.
Por mim, esta coisa sequer deveria ter sido inventada, quanto mais regulamentada e colocada nos carros, mas Brawn vai ter que dar uma solução para a falta de ultrapassagens melhor que esta.
DRS é um remédio ruim que acaba com um sintoma, mas criava um efeito colateral que incomoda tanto quanto. Mas, corridas transformadas novamente em procissões é a última coisa que a categoria precisa num momento em que quer recuperar a audiência que perdeu.

Também disse que é necessário que a F1 possa ter um “Leicester City” de vez em quando em alusão ao time “cinderela” do campeonato de (que puta sono que dá!) futebol.
Brawn fez isto com o time que levava seu nome.
Ao meu ver, por uma grande ação do acaso, com a Honda fazendo um grande (e desacreditado a ponto de pular fora do jogo) chassi, um motor muito bom e um truque barato certeiro com o tal difusor triplo (ou duplo, ou soprado...).
A sorte foi tão grande que um tipo desacreditado, e convenhamos, limitado como Button acabou campeão.
Porém, nem tudo foram flores naquela temporada.
Ao fim dela, a Brawn já não era nem o terceiro melhor carro do grid, se valendo da gordura acumulada enquanto ainda não haviam descoberto (e liberado) o truque dos difusores.

Claro.... É necessário que de vez em quando um pequeno faça bonito e tenha chances de ganhar dos grandes. Os problemas são: como fazer isto sem que seja implementado teto de gastos para equilibrar as receitas; como fazer isto de forma que seja natural e não artificialmente (como o DRS) e claro, como convencer os grandes a isto tudo?

Por último, mas não menos importante, prometeu lutar para manter a “essência” da F1.
Isto em relação aos grandes prêmios tradicionais.
Bacana isto...  Apoio e penso que 99 por cento dos fãs também.
Mas ser tradicional garante boas corridas?
Inglaterra, Mônaco, Bélgica, Itália, Alemanha (que prometeram se esforçar para manter no calendário) e – vá lá que seja – a França podem ser consideradas tradicionais por terem feito parte dos primórdios (mesmo) da categoria. Mas, e o restante?
Quantas corridas boas tivemos na Alemanha? Se parar para pensar, só as corridas em Nurburgring, principalmente após a desfiguração de Hockenheim. A Inglaterra ainda rende bons espetáculos regularmente e Mônaco, bem.... É Mônaco, não precisa apresentar mais nada além do que apresenta.
E é triste demais a possibilidade de um campeonato sem Spa-Francorchamps e Monza.
E quantos anos precisa ter um GP para ser tradicional?
O Brasil está na brincadeira desde os anos 70, e sim, tem promovido ano após anos boas corridas. Coisa que nunca vi em GP´s franceses, diga-se. Vai haver esforço para manter Interlagos no calendário?
Mas, e a Espanha? Está oficialmente desde 1951 e mesmo tendo usado diversos traçados, nunca deu uma corrida inteira que prestasse...  Não me venha falar do pega Nigel/Senna saindo faíscas, só teve aquilo e olha lá...

A Hungria está no calendário desde 1986...  É tradicional? É legal?
O Bahrein desde 2004, Malásia desde 1999, Singapura desde 2008, é o bastante para serem consideradas tradicionais?
Como disse no texto anterior: o futuro à Liberty pertence, mas que tem um monte de questionamento no ar, ah tem.

25 de jan de 2017

F1 2017: Rei tombado, rei coroado

O rei foi demitido, viva o novo rei.
Aliás, o imperador caiu, viva o novo rei.
Bernie tinha mão de ferro na condução da categoria que ajudou a salvar de um desmantelamento inevitável nos anos 70/início dos 80 quando tudo era uma bagunça geral com a morte rondando as pistas, mas seu modo de gestão envelheceu, assim como ele próprio e passou a ser insuficiente para o tamanho do monstro que a F1 se tornou, e que, claro ele ajudou a se tornar.
Logo, uma mudança era realmente necessária e a empresa que é dona da categoria agora agiu rápido nesta questão. Rápido e certo.
Trouxe alguém que entende do riscado para a condução da coisa toda.
Ross Brawn tem o batismo dos pitwalls e experiência na administração.
Ajudou a montar e a conduzir um dos times mais vitoriosos da F1 moderna: a Ferrari da era Michael Schumacher.
Depois, como administrador, comprou por um punhado de dólares o espólio de um time desacreditado, que já tinha virado até piada no meio e fez dele um time surpreendentemente vencedor. E o mais importante: foi revendido – com muito lucro – à uma montadora e que domina a categoria já a alguns anos antes que começasse a dar prejuízo.

Com Ross, penso que fica afastado o perigo da “americanização” demasiada da F1. Bem como aquela conversa de duas corridas (uma curta e uma longa) por fim de semana ou a chegada do excesso de bandeiras amarelas...
Outra coisa que anima: Ross era perito em achar brechas no regulamento.
A sacada do difusor triplo soprado que deu a Brawn aquela vantagem toda no início do campeonato de 2009 é um exemplo completo.
Talvez, com ele no comando da categoria, a criatividade seja um pouco mais permitida, o que pode – por que não? – fazer com que os gastos diminuam um pouco em detrimento de soluções simples.
Sonhar não custa.
O grande incomodo em relação a figura de Ross é que ele, diferentemente de Bernie, é apenas um contratado da Liberty, ou seja: do mesmo jeito que foi colocado lá, pode ser tirado dependendo exclusivamente da vontade dos donos da brincadeira. Ou seja: se estiver agradando aos fãs mais do que aos patrões, corremos todos os riscos que pode estar afastando por enquanto.
Mas o futuro à Liberty pertence.... Aguardemos.

24 de jan de 2017

F1 2017: A F1 e os idiotas digitais

Há algum tempo atrás, Erasmo Carlos foi a um talk show e confessou sua frustração ao entrar finalmente para o mundo das redes sociais.
Disse ele, e com razão, que vindo do distante mundo dos anos sessenta, ainda imaginava que a relação do público com o artista ainda era de “puro amor”.
Era esta a impressão que tinha ao saber dos números de vendagem de discos, revistas em que fosse objeto de matéria e da idolatria ao aparecer em público naquela época.
A idolatria foi diminuindo ao passo que novos ídolos surgiam, mas mesmo num contexto muito menor, ainda era parado nas ruas, na porta dos shows, em supermercados e cercado de demonstrações respeitosas de carinho e afeto.
Ele era o artista e seu público gostava dele.
O respeitava.
Com a chegada e a popularização da internet, não teve outro caminho senão aderir as plataformas digitais e virtuais criando seu web site, perfis em redes sociais, aderindo a mídia eletrônica enfim...
Pensava ele que aquilo bastaria para manter minimamente seu público interessado em seu nome, sua carreira e sua obra.
Eis que algum gênio sugeriu que interagisse com os fãs e lá foi o Tremendão dar uma fiscalizada no que diziam sobre ele na grande rede.
“-Sou artista, ainda tenho meus fãs e apesar de já estar um tanto velho, não sou ultrapassado...” – disse ele ao entrevistador.
Mas quando abriu as caixas de comentários de seus perfis após uma aparição em um programa de TV (provavelmente o Altas Horas da rede Globo) quase teve uma sincope.
O nível de ódio, desinformação e maldade nas palavras que lia o surpreendiam muito e muito negativamente.
“-Bicho, aquilo foi me deixando mal, foi me deixando doente... Eu ainda tinha na mente que era um cara amado... Eu que nunca tinha aberto a boca para falar mal de ninguém, nem ofender. Até no meu livro eu tinha sido polido preocupado com isto...” – disse e completou – “-Teve um que escreveu: “”Rapaz, olha este Erasmo! Se ele erguer os braços Deus leva ele! Pqp como tá velho!””, me senti um intruso no mundo moderno...”.

Esta história é só para ilustrar que a aproximação da F1 com as plataformas e mídias digitais e sociais não é algo assim tão necessário.
Se hoje, quando esta inclusão ainda é restrita e até certo ponto pequena, já tem um monte de idiota falando e escrevendo besteira sem conhecimento de causa e com uma maldade quase absoluta, imagina quando entrar de solta neste mundo virtual.
Já imagino a quantidade absurdamente maior do que já temos de: “bom era no tempo do Senna”, “F1 é só carrinho dando volta”, “isto é coisa de playboy endinheirado”, “cadê os negros e as mulheres? ”, isto não é esporte” e outras pérolas que aparecerão.
E me preocupa mais ainda a importância que os novos gestores, tão preocupados em se aproximar disto tudo, darão a isto.

23 de jan de 2017

F1 2017: O fim de uma era (?)

A “grande” notícia do fim de semana foi o provável afastamento de Bernie Ecclestone do comando da F1.
Por que as aspas?
Imagine que você compra um empreendimento realmente grande, que você pensa que pode render muito mais do que já rende estando nas mãos certas (as suas) quem você deixaria comandando a bagaça? O antigo dono? Não parece lá muito coerente...
Mas o próprio Bernie já havia declarado que seu futuro na F1 era incerto e que tudo: “...Está nas mãos dos novos donos.”

A Liberty Media já sinalizou que deve pedir ao dino... digo... dirigente que se afaste (renuncie) da função de diretor executivo, que manda desmanda e manda para Baku quem não estiver contente desde o fim dos anos 1970.
Em contrapartida, devem oferecer um cargo de “presidente vitalício” para Ecclestone, seja lá o que isto queira dizer.
Deve ser algo como o Ronald McDonald, é a cara pública, mas não decide nem quanta cebola vai no sanduíche.

Algo que pode pesar nesta aceitação é a vontade da Liberty em aproximar a categoria das plataformas digitais incluindo redes sociais.
Claro, é necessário para termos de divulgação e modernização de imagem e tal, mas tem o outro lado: atrai imbecil que é uma beleza. O chamado “comentarista de portal” que solta a taramela falando sobre o que manja sem convicção e sobre o que não manja com uma voracidade que só imbecis costumam ter.
Mais sobre isto depois.

Só uma coisa: a Liberty poderia tomar um pouco mais de cuidado ao sair fazendo declarações.
Bernie é do tipo tinhoso, que claro, não rasga dinheiro, mas para se melindrar com algo e melar tudo...

20 de jan de 2017

Groo Recomenda: Sly and the Family Stone

Em 1970 um beatle (ex beatle não existe) pediu que todos imaginassem um mundo sem fronteiras, sem divisão por cor, raça, credo e arrematava: “-It´s easy if you try.”.
Não diminuindo a importância ou a beleza poética desta iniciativa convenhamos que a utopia sonhada por Lennon pudesse estar um tanto defasada...
Enquanto sugeria que tentássemos imaginar, um outro cidadão, de nome Sly, já havia posto em prática tudo isto.
Ao menos no que dizia respeito a sua banda, servindo como mensagem para o mundo todo: “-A butcher, a banker, a drummer and then. Makes no difference what a group I´m in”.

Silvester “Sly Stone” Stewart foi um prodígio musical. Aos sete anos de idade já era tecladista e ao chegar ao colegial já tocava vários outros instrumentos, entre eles a guitarra na qual viria a se destacar em bandas de garotos.
A mais importante delas talvez tenha sido a Vyscaines, onde tocou junto com um garoto filipino chamado Frank Arelano.  Eram os dois únicos membros não brancos do grupo e a reação do – minguado - público que os assistia fez com que Silvester começasse ter a ideia de um grupo multirracial e multi cultural.
Em meados dos anos 60 trabalhava como DJ em uma estação de rádio voltada para a música negra em todas as suas vertentes, do R&B ao jazz, passando por blues, soul e funk. Foi – provavelmente – o primeiro DJ a enxertar na programação negra, branquelos como os Beatles, Rolling Stones e os Animals.
Também atuou como produtor musical e foi responsável por discos dos Beau Brumels e Grace Slick, antes que ela se juntasse ao Jeferson Airplane.
Mas era pouco.
Formou então sua Famíly Stone, com a qual já vinha sonhando desde o fim dos Vyscaines.
Junta alguns familiares – de verdade, irmãos e irmãs – recruta alguns amigos brancos e até um indígena e faz da Sly and Family Stone provavelmente o primeiro e único caso de um grupo tão diversificado nos anos 60.
Sua apresentação no icônico Woodstock é lendária.
Seus primeiros álbuns celebram o otimismo e alegria que tomava conta do mundo nos anos sessenta, uma esperança que os 70 trataram de enterrar com toneladas de cinismo, ironia e violência...
E assim como o mundo, a Family Stone nunca mais foi a mesma, trocando as canções de sabor pop e alegres por citações cifradas dos confrontos raciais nos EUA em funks de grooves duros e pesados.
E da feliz primeira fase veio "Everyday People", uma "Imagine" com alegres tons coloridos. Uma ode a tolerância e a igualdade, que dizia que éramos todos pessoas comuns: “Different Strokes for different folks”.

19 de jan de 2017

F1 2017: Por que Massa?

A pergunta que não sai da cabeça nos últimos dias é: por que Massa?
O cara acabara de anunciar aposentadoria, havia passado por um ano dos menos produtivos, não aparentava nenhuma motivação para continuar.
E tudo isto na própria Williams.
Então: por que Felipe Massa?

A resposta pode ser simples: não havia ninguém melhor no mercado.
Também pode ser óbvia: ambos, equipe e piloto, já conhecem ritmo e método de trabalho um do outro.
Pode ser sem graça: pela experiência em contrapartida com o novato no outro carro.
E pode ser estranha: ser a super nanny do Lance Stroll.

Ou para alguns veículos aqui da terra brasilis, o professor Guimbinha, aquele cara que cuida das invenções de segurança do Riquinho Rico.
Até sei que a comparação não faz sentido, mas estes veículos aí só conseguem se referir a Lance Stroll lembrando que ele é rico.... Sabe como é: ter dinheiro é feio.

É meio romântico imaginar que seja apenas para tutelar o novato que Massa tenha voltado.
Lembra demais o enredo do (péssimo) filme do Stallone sobre a Indy Car, mas não é de todo descartável a ideia.
Massa poderia dar as informações para desenvolvimento do carro que, por acaso ou por falta de experiência, Stroll deixasse passar batido.
Isto também explicaria o convite ao brasileiro com um contrato de um ano e não a promoção do piloto reserva, o inglês Gary Paffet.

Mas com o contrato de apenas um ano, em 2018 forçadamente o time teria dois pilotos com pouca rodagem de qualquer forma, não?
Não necessariamente já que o contrato de Bottas com os alemães é de um ano também e o time de Toto Wolf já fala em Vettel ou Alonso para a temporada seguinte.
Pode ser até brincadeira, mas... Sabe como é: onde tem fumaça, geralmente está o Marcelo D2...

18 de jan de 2017

F1 2017: A luta contra a lata - ou - A falência do café

Massa e Bottas completaram um movimento de cadeiras da F1 iniciado com a ida de Nico Rosberg para o negócio de venda de ovos e leite de produção orgânica.
Com as vagas fechadas na Williams e na Mercedes sobraram apenas dois acentos na F1 2017 e creia...  Não são lá estas coisas...
Sabe quando você vai ver um espetáculo sold out e a única poltrona disponível é atrás de um pilar ou na lateral extrema do palco, de onde você só vê as coisas direito se esticar e entortar o pescoço?
Então...  Assim são os cockpit da Manor.
São bons para ver a corrida, afinal, estão dentro da pista e de tempos em tempos o líder da prova passa por eles. Bem rápido, mas os pilotos conseguem ver assim mesmo.
Já para disputar... São facas de dois gumes.
Se o cara conseguir ir bem, andar legal na corrida e – se der muita sorte – marcar uns pontos, pode cavar um contrato com algo melhor num futuro (ou não), porém, se ficar andando lá no fundão, fazendo número, a frigideira é certa.
E é para lá que Felipe Nasr pode rumar...

Mas para estar no grid neste ano a Manor enfrenta uma velha inimiga bem conhecida: quase intima eu diria: a falência.
Tirando o ano em que Richard Branson vendeu sua então Virgin Racing para investidores russos e o time passou a se chamar Marussia, o restante do tempo sempre foi de incerteza e prejuízo, com a equipe chegando ao fim das temporadas sem saber se alinhariam no grid na temporada seguinte.
Até um leilão em 2015 chegou a ser marcado para vender os carros e equipamentos do time, mas foi cancelado pelo aparecimento de investidores que, em 2016 resolveram chamar o time de Manor Racing e mantê-lo nas pistas a duras penas para tentar reaver o investimento.
A coisa parece não ter dado tão certo, já que de novo está na mesma situação dependendo do aparecimento de novos investidores para seguir viva.
As últimas notícias dão conta de que há gente interessada, mas o time precisa resolver tudo até o fim de janeiro para poder alinhar de forma minimamente decente na Austrália.

É certo que uma equipe a menos em um grid já tão magro faria muita falta, mas até que ponto é bom para a categoria ter uma equipe que só feche o grid sempre e sem brilhos maiores que largar mais à frente quando alguém é punido?
Uma equipe que – felizmente – nem tradicional é.
Pior, corre o risco de ao fim da temporada estar de novo com o chapéu nas mãos mendigando novos investimentos.
Vendo a situação da equipe dá para notar claramente o quanto um teto de investimentos e uma melhor distribuição do dinheiro da FOM/FIA/Liberty Media ou quem quer que seja entre as equipes se faz necessário.
E rápido, bem rápido, mais rápido que um F1.
Muito mais rápido que uma Manor.

17 de jan de 2017

F1 2017: Substitute

E o substituto do campeão foi escolhido.
Valteri Bottas vai ter a (in)grata missão de pilotar um dos carros mais desejados do grid nos últimos anos.
É certo que não se sabe se a supremacia vai continuar firme e forte como tem sido, mas apostar que ao menos será um dos carros protagonistas do ano não seria loucura.
Mas quem é o que esperar de Valteri Bottas e o porquê da Mercedes ter apostado nele?

O cara é finlandês. Portanto conterrâneo de Mika Hakkinen, Kimi Raikkonen e Heikki Kovalainen, mas por nunca ter vencido uma corrida na F1 não é possível dizer se também não deixa cair uma só gota do champanhe. O terceiro lugar é legal, mas não se compara a loucura de ganhar a corrida. Bebe-se bem mais no lugar mais alto do pódio.
Antes de chegar à F1, correu na GP3 séries e foi campeão pela Art Lotus.
Antes ainda, atuou em Charlie and the chocolate factory no papel de Augustus Gloop.

Em 2017 vai ser o companheiro de equipe do tetracampeão mundial Lewis Hamilton, aí está a dor e a delícia de ser piloto da Mercedes.
Se ao fim da temporada estiver à frente na classificação, terá se imposto com um piloto de ponta, se estiver atrás...
E Lewis é jogo duro, seja no braço, seja no jogo mental.
Sua briga com Nico foi tão intensa e tão ferrenha, que assim que ganhou um round, Nico pulou fora da categoria dizendo que: “...a vida é muito curta para ter que passar por tudo isto.’
Bottas não foi testado neste nível ainda.
Na F1 pilotou ao lado de Felipe Massa, que é bom piloto, mas é leal nas brigas. E sendo bem sincero, não lhe fez muita frente. E de Pastor Maldonado, que.... Que... Nada. Nada sobre Pastor Maldonado.
Nesta temporada corre sério risco de ser subjugado por Hamilton e acabar como a maioria aposta: um segundo piloto de luxo.
Um bom indício foi dado pela BBC quando informou – não oficialmente – que a duração de seu contrato é de um ano somente.
Mas este é um ano de incógnitas, logo, Valteri Bottas na Mercedes também é uma que só o decorrer do campeonato vai solucionar.
Particularmente, penso que é apenas um piloto limitado, nem tão bom e nem tão ruim, mas que com um carro de ponta, é sério candidato a vitórias.
Exatamente como a Mercedes gosta.

16 de jan de 2017

F1 2017: A volta de Massa

 A Williams deu a senha: a ida de Valteri Bottas para a Mercedes é iminente.
Se é assim, a volta de Felipe Massa para a F1 é certa.
Num esforço de pesquisa, o blog foi verificar como era o mundo na última vez em que o piloto brasileiro sentou num F1.

Foi no GP de Abu Dhabi no já distante ano de 2016.
GP este que foi vencido por Lewis Hamilton, mas que não foi suficiente para lhe dar o título daquele ano.
Com o segundo lugar, Nico Rosberg foi o grande campeão e alguns dias depois anunciou sua aposentadoria.
Jenson Button também havia anunciado sua aposentadoria, mas ninguém estava nem aí...
Alonso aínda tinha apenas dois títulos.

No Brasil, o Palmeiras corrida a passos largos para garantir o título do campeonato brasileiro de futebol.
Fora dos campos seguia a polêmica do título mundial de 1951, que o time garante ter recebido um fax da Fifa dizendo que é real.
O presidente da república era (infelizmente) Michel Temer, que volta e meia anunciava alguma coisa para logo voltar atrás. Ele havia pego a presidência em substituição a Dilma Rousseff que foi (felizmente) limada do cargo por ser incompetente, ter advogados incompetentes que mandavam abraços para o Thomaz Turbando.
Lula não estava preso ainda.
Não havia nenhuma música boa nas paradas de rádio do país.

O Metallica havia lançado seu décimo álbum de estúdio. Disco muito bom, mas não tanto quando o novo do Megadeth.
Donald Trump foi eleito presidente dos EUA. Um monte de artista americano reclamou, fez protesto, ficou de mimimi, mas não compareceu para votar.
No Brasil a eleição do Trump também encontrou um monte de opositores, gente que com certeza, no dia seguinte, encontrou o pãozinho pelo mesmo valor na padaria. Aparentemente, Trump não mandou subir preço...

Massa vai encontrar um cenário muito diferente.
Vai ser difícil saber se ele se adaptará a todas estas mudanças.

13 de jan de 2017

Hot 5 do Groo: As escondidinhas

Para quem tinha o habito de sentar e escutar discos (ou cd´s) um dos grandes baratos era se apaixonar por canções diferentes dos hits. Encontrar no meio daquelas onze, doze músicas uma que se identificasse de uma forma diferente. Ou apenas gostar da canção de uma forma diferente de outras pessoas, que afinal, encontrariam as prediletas delas também.
Este hot5 trata destas canções. Aquelas que não foram single, hit e nem tocaram insistentemente no rádio, mas eram boas o suficiente para isto.
Canções escondidinhas.

O Papa é Pop, disco dos Engenheiros do Hawaii de 1990 foi um arregaço de vendas.
O cover dos Incríveis (“Era um garoto que como eu...”) tocou no rádio até encher o saco.
Assim como “Pra Ser Sincero” e a faixa título.
Mas lá no meio, ou fechando o lado 1 para quem ouvia vinil, tinha uma canção fantástica que ficou meio que relegada: “Olhos Iguais aos Seus”.
Tem quem torça o nariz para as letras de Gessinger, mas de boa? Dane-se...
O que faz as pessoas parecerem tão iguais?
Por que razão essa igualdade se desfaz?
Qual é a razão desse disfarce no olhar?
O que faz as pessoas parecerem tão iguais?
O que fazem as pessoas para serem tão iguais?


Em 1991 o REM ganharia o mundo com seu aclamado álbum Out of Time.
Não é para menos... “Losing My Religion” tocou até em igrejas.
E ainda tinha “Shine Happy People”, “Radio Song” para ajudar a dominar as rádios.
Mas alí, escondidinha, estava uma canção pop perfeita. Fofinha e muito assobiável: “Near Wild Heaven” ainda tem a covardia de usar uns “pá pá pá pá” grudentos.

O Metallica nunca foi de lançar hits, seus fãs é que fazem as músicas serem clássicos e cá entre nós: tocar nas rádios nunca foi muito a praia da banda.
Em 1984 lançou seu Ride the Lighting, uma tijolada que ajudou a pavimentar o caminho para que fossem a maior banda de thash metal da história e lá havia uma faixa que não tem a agressividade característica dos caras, mas que é sensacional com suas quebradas vocais: “Escape” finge que é para o fã dar uma respirada, mas engana já que é uma porrada. Mais contida, mas uma porrada.

A Legião Urbana tinha um Q de Midas: transformava em hit quase tudo que colocava em seus discos.
O disco As Quatro Estações (1989), por exemplo, chegou a colocar todas as canções nas paradas das rádios. Óbvio que nem todas chegaram ao primeiro lugar, mas todas tocaram no rádio. TODAS.
Era de se esperar que o próximo disco não tivesse esta performance.
E não teve.... Por problemas com a economia do país (era a época em que o Collor pegou a grana da poupança de todo mundo) o disco seguinte teve vendas menores (não muito) e por ter músicas mais longas tocou menos no rádio. Mas ainda assim V (1991) mandou “Teatro do Vampiros”, “Sereníssima”, “Vento no Litoral”, “O Mundo Anda Tao Complicado” e a pesadíssima “A Montanha Mágica” para as cabeças das paradas.
Mas fechando o disco tem uma pérola menor, mas não menos valiosa: “L´age Dor”.
Com sua pegada bluseira, agitada e sua letra confessional fez muito fã voltar a agulha para o começo da canção e ouvir de novo.
Contra minha própria vontade
Sou teimoso, sincero
E insisto em ter vontade própria

O Creedence Clearwater Revival era o feudo de John Forgety.
O cara mandava e desmandava em arranjos, composições e ainda por cima cantava e tocava guitarra para caramba.
Sob seu domínio os discos e os hits se sucederam até 1972, quando melindrados com a atenção que o líder recebia, os outros integrantes resolveram que também queriam direitos e espaço igual na banda.
Cansado de brigar, John deu carta branca e o que se ouviu no disco Mardi Grass, de 1972 só não foi constrangedor porque até o pior disco do CCR é bom.
Os fãs abominam o disco e realmente é um dos que menos venderam e menos renderam músicas para o rádio.
Também foi o último de inéditas dos caras. Depois, John Fogerty sairia da banda para nunca mais voltar.
Mas nem tudo é ruim, neste disco ainda é possível ouvir o bom e velho CCR em “Someday Never Comes”, que não por acaso, é de autoria do John.

12 de jan de 2017

F1: Palcos que fazem falta e palcos que nem precisavam ter existido

Das pistas que se foram do calendário, algumas realmente deixaram saudades e outras só aquele sentimento de que seria bom se nunca tivessem sequer existido.
Não é por saudosismo, mas uma que gostaria de ver de volta era o antigo traçado de Hockenheim.
Com suas imensas retas cortando a Floresta Negra é o que se pode chamar de verdadeiro templo dos motores.

Uma das cenas mais divertidas da F1 se deu por lá quando Nelson Piquet tentou dar uns sopapos em Eliseo Salazar após o chileno manetão tirá-lo da corrida de 1982.
Depois ainda o impediu de entrar na Kombi que os levariam de volta aos boxes.
Soube-se depois que o motor de Piquet não aguentaria chegar ao fim da prova, mas até aí, o capacete de Salazar já tinha sentido o peso das luvas de guiar do tricampeão.

Outra pista que gostava muito e foi retirada (e também mutilada como Hockenheim) era Imola.
Após os acontecimentos de maio de 1994, decidiu-se que o traçado era inseguro.

Talvez até fosse mesmo, mas as fatalidades com Ratzemberger e Senna se deram muito mais por problemas em seus carros do que propriamente pela pista.
Se tivesse uma área de escape maior e etc... Mas não tinha.
Perder a curva Tamburello foi um grande golpe no traçado.
Ele está lá, mas assim como Hockenheim, também é meio abobalhado com suas novas chicanes e tudo o mais.

Dois mais recentes, o circuito da Turquia é um dos que deixou saudades.

Talvez o melhor trabalho do mago do paint brush Herman Tilke, o traçado seletivo agradava bastante.
Retas velozes, curvas de alta e baixa, subidas e descidas e o mais bacana: a curva oito.

Dos que foram tarde o que vem à cabeça com mais força é aquele arremedo de Mônaco que tentaram fazer na Espanha.
Não que haja alguma pista boa na terra do Alonso, mas Valência era a mais horrível das horríveis.
Kyalami é outra.
Um traçado chato e um entorno horroroso.
Coreia, Índia também já foram tarde.

Deixe aí seus circuitos preferidos e os mais detestáveis dos que estão fora do calendário.

11 de jan de 2017

F1 2017: E se você pudesse decidir? - ou - Bernie-se

Bernie Ecclestone, um dos velhinhos da fuzarca disse uma vez (ou teria sido Max Mosley?) que democracia em excesso também é ruim.
Como tudo que o cara fala, isto criou uma polêmica (vazia?) enorme à época e deixou muita gente com mais raiva ainda do cara.
Obviamente, o tio enriqueceu para caramba de formas não muito claras, mas também transformou uma coisa fadada ao desaparecimento (devido as mortes e a zorra que era sua organização) em um dos espetáculos esportivos mais admirados do planeta.
Se a F1 sobreviveu aos anos de massacre nas pistas e chegou ao que é hoje, deve-se muito mais a Bernie Ecclestone do que se pensa.
Obviamente também, o seu tempo e sua forma de administrar já não são o bastante para manter o interesse (comercial?) na categoria.
Mudanças são necessárias e a tal Liberty Media acena com elas.
Se vão acontecer de fato é outra história...

Mas dizia de Bernie e sua declaração sobre a democracia.
Se referia ao fato dos participantes, equipes mais notadamente, terem voz demais para aprovar regras para o campeonato. Cada qual com seus motivos puxando a brasa para seu lado.
Algumas ameaçam sair da brincadeira vez ou outra se o que querem não for aceito.
Engraçado que sendo esporte, as regras deveriam vir da FIA e quem quisesse brincar teria que aceitar e pronto. Mas vai colocar isto numa mesa para ver vermelhos, prateados, ingleses dando cria, batendo pezinhos e espumando pelo canto das bocas.
Porém... O exercício proposto aqui é exatamente este.
Se a bola estivesse com você, se o poder de decisão fosse seu, o que faria para tentar melhorar a categoria?
Se você fosse o Bernie (mais jovem, claro) ou o manda chuva da Liberty, o que faria?

Particularmente, mandaria e desmandaria. Meu campeonato, minhas regras.
Eu iria pelo lado do barateamento da categoria.
Menos taxas para sedes de GP.
De graça nem conselho, mas taxas mais justas cairiam bem e provavelmente traria de volta palcos mais tradicionais.
Com isto deixariam de correr nos modernosos tilkódrmos?
Não...
Veja bem.... Para quem reclama da pasmaceira e monotonia que são as corridas em Abu Dhabi ou Baku, por exemplo, é porque não se lembra de como eram as corridas em Magny Cours ou Kyalami. Tão modorrentas quanto.
E coloque de positivo na conta de Abu Dhabi e Baku que pelo menos o entorno é realmente interessante e bonito. A pista francesa no meio do nada e o horror infernalmente quente africano tinham paisagens horrorosas.
Ah, e estes lugares ainda pagam as taxas sem reclamar, mesmo estando altas como estão agora.
Stewart em Kyalami
Barateamento também das taxas para inclusão de novas equipes.
As exigências financeiras para se por um time novo no campeonato inibe demais.
De tempos em tempos anuncia-se que novos times serão aceitos.
Curiosamente, sempre os mesmos aparecem com projetos e alguns como David Richards e sua Prodrive são sempre preteridos, sabe-se lá porque...
E depois de aceitos, os times tem dificuldades enormes para se manter.
Da última leva de times “novos” que apareceram na F1, no distante 2010, nenhum está mais no grid e nenhum teve um fim lá muito bonito...  A Manor, que se não me engano vem de origem da Virgin de 2010 vive com o pires na mão e este ano já está ameaçada de não correr.
Além de baratear o custo de entrada e manutenção, há que se criar mecanismo de defesa para times menores. O teto orçamentário é uma puta ferramenta.

Pilotos pagantes?
Sim, claro! Por que não?
Nada contra quem compra assento em escuderia para tentar mostrar talento.
Lauda pagou para iniciar a vida na F1.
Ah... Mas eram outros tempos... Sim. Eram. Mas a figura do pagante ainda existe nestes tempos modernos, não? O talento deve existir também.

Nas regras, mais especificamente, não dá para voltar com caixas de brita.
Por segurança, o asfalto nas áreas de escape é fundamental.
Aí vem o chato: ah... mas a caixa de brita pune o piloto que erra.
Então.... Com o asfalto na área de escape, quem pune é o track limit. Mas toda veze que ele aparece numa transmissão os pavões nos sofás de casa eriçam as penas do rabo e dão chilique.
Ok, padronizar o trabalho dos comissários também é uma boa.
Assim como as regras de defesa de posição.
O cara de trás tem ERS, DRS, as vezes pneus mais novos e o da frente não pode sequer mexer na linha do carro para defender.
Aí fica fácil.
E ainda tem piloto que reclama quando o da frente endurece.
Liberar a criatividade de engenheiros. Dane-se se o carro tem oito rodas, seis asas, vinte motores. Quem puder mais (na criatividade, mas com a mesma grana) chora menos.
Liberar reabastecimento, descongelar aprimoramento de motores, liberar a entrada de mais fornecedores de pneus.... Enfim.

Ah, mas você não falou sobre uso de redes sociais e blá blá blá...
Pelo nível de muitos comentários vindos de lá, melhor nem dar ouvido mesmo.
Deixar caixa de comentários aberta em certos casos é pedir para ser invadido por um monte de gente besta sem o menor conhecimento falando um monte de besteira. Comentarista de portal exemplifica.
E quanto ao youtube: porra! Dar de graça o que se está fazendo para se vender?
Tem que ser bem burro né? Quer imagens, fotos, áudios, informações direto da fonte? Vamos abrir as carteiras. De graça, como disse, nem conselho.
Mas oferecer conteúdo que valha a pena ser pago para ser consumido.

Estas são as minhas. Se quem estiver lendo quiser fazer uma lista do que faria para tentar melhorar, vamos lá.
Seja o Bernie.

10 de jan de 2017

F1 2017: Oxímoros

Um jornalista que gosta de alardear furos que nem sempre se concretizam publicou duas notas que se contradizem.
Disse na primeira nota que a assessoria de Felipe Nasr jogou a toalha e que o piloto não estará no grid da F1 em 2017. Algo até esperado pelo andar das carruagens e movimentos referentes à dança de cadeiras.
Contradizendo uma outra nota dele mesmo, escreveu que não houve qualquer contado da diretoria do patrocinador principal de Felipe para uma renovação do contrato que poderia lhe garantir alguma chance de brigar por uma vaga.
Durante o fim de semana do GP do Brasil escreveu que os executivos responsáveis pelo patrocínio estavam em Interlagos durante todo o fim de semana conversando com Nasr e tudo estava praticamente encaminhado.
Num oxímoro digno de Luiz Melodia em “Pérola Negra”, música de seu primeiro disco homônimo de 1973, a nota do jornalista parecia dizer que o Banco do Brasil acenava para Felipe com um “...baby te amo, nem sei se te amo.”.
A nota mais recente, a que joga a toalha, terminava contando que não houve nenhum contato do piloto com a equipe Williams. Nem para ser terceiro piloto.


Já um site espanhol (reproduzido aqui pelo UOL) diz que Felipe Massa teria quebrado acordo com a categoria de carros elétricos para assinar com a Williams.
A nota diz que por conta de uma diminuição no grid da DTM, categoria com quem Massa mantinha contado, foi descartada a sua ida para o campeonato de marcas alemão e ainda que não houve nenhum interesse de times do WEC na contratação do brasileiro.
O oximoro aqui fica por conta dos maldosos de plantão que poderão (ou não) dizer que só ficou na F1 por falta de opção, mas tinham dito que ao ser anunciada sua saída foi dito que estava saindo por falta de opção para ficar...

De qualquer forma, o conjunto das notas deixam claro que não houve nenhuma interferência da decisão de um no desemprego iminente do outro.
O que já é uma pedra a menos para se atirar no veterano se este for muito mal ou for igual à 2016, que não foi lá grande coisa...
Mas poderão jogar em sua história que ele foi preterido pela categoria de endurance, o que, para mim, é vitória.
Se é para ficar numa categoria em que os carros se espalham e ficam dando voltas sozinhos, só ultrapassando retardatários e pensando em poupar o equipamento, melhor ficar na F1 mesmo.
Pelo menos as corridas mais chatinhas duram só duas horas e não seis...

9 de jan de 2017

Ame a F1 pelo que ela é, não pelo que te disseram que ela foi

Alonso disse que a F1 dos anos 80, começo dos noventa era chata, que se você assistir uma daquelas corridas hoje certamente dormiria.
Tem razão ele?
Sim e não.
Sim, eu dormiria.... Até porque provavelmente eu já saiba o resultado e, convenhamos, se você já era um expectador da F1 naqueles tempos, hoje você está com uma parcela maior de sono atrasado de sua vida toda querendo ser cobrada e paga agora.
Em outras palavras, você é velho.
E mesmo que você não soubesse o resultado, dormiria em algumas partes extremamente entediantes e durante até corridas inteiras.
Não há época perfeita na F1, não houve temporada extremamente empolgante do início ao fim. Corrida chata sempre houve e sempre haverá.
Quem se lembra da temporada completa de 1985? Será que se lembra do que aconteceu no GP da Holanda?
Havia o domínio de uma ou outra equipe, mas notadamente da McLaren e depois da Williams.
O diferencial, talvez, seja o imponderável da falta de confiabilidade dos equipamentos da época.
Diferencial este que o mantinha acordado ou o acordava no meio de uma soneca durante a corrida quando se ouvia Galvão gritar: “-Vai parando fulano, problemas no carro de cicrano...”
E me arrisco a dizer que se não fosse a participação de brasileiros protagonizando ações, nem haveria uma comoção tão grande com aqueles anos.
Só os realmente aficionados teriam lembranças.... Como aliás, é. Todos se lembram da disputa da freada no fim da reta na Espanha entre Senna e Mansell, ou do pega entre os dois pelas ruas de Mônaco e até mesmo das batidas pouco honestas entre Senna e Prost nas decisões no Japão, mas não lembra do meio da corrida austríaca, ou do GP da Europa em Brands Hatch de 1985.
Alonso só não tem razão em uma coisa: dizer que nos anos 2000 as coisas eram melhores.
Não eram.
Aliás, eram iguais, iguaizinhas.
Como foi dito no meio do texto: corrida chata sempre teve, tem e terá.
Como em todo esporte é. Ou alguém pode dizer sem medo de ser ridículo que em numa copa do mundo todos os jogos são excelentes?
E sobre este povo que foi às redes sociais reclamar do que disse o Alonso, bem... A maioria nem era nascida nos anos 80 e estão acostumados a ver aquelas temporadas pela ótica da literatura esportiva ou em highlights do youtube.
Ai amigo, até corrida em Abu Dhabi fica emocionante.

6 de jan de 2017

Lucifer Sam

Sid Barret, o guitarrista seminal do Pink Floyd participou (feliz ou infelizmente depende do ponto de vista do fã do grupo) apenas do primeiro disco da banda na integra: The Piper at the Gates of Dawn e de algumas canções do segundo: A Saucerful of Secrets (voz em “Jugband blues”, guitarra em “Set the controls for the heart of the sun” e violão em “Remeber a day”).

Costumava dizer que queria fazer das canções do grupo algo próximo de um conto de fadas lisérgico. E era mesmo assim que soava.
E tinha o desejo que também visualmente a coisa se assemelhasse a isto.
Tanto que em uma apresentação para duas mil e quinhentas pessoas em uma casa chamada Chalk Farm Roadhouse elaborou a ideia – de jerico – de jogar uma espécie de gelatina sobre a plateia.
Na hora “H” a coisa falhou e a geleca não desceu sobre o público.
Ao tentar “consertar” quebrou o container e acabou soterrado por quase cinco metros daquela coisa.
Neste mesmo show, para não dizer que tudo deu errado, durante a execução de “Interestellar overdrive” explorou os ruídos de sua guitarra esfregando seu isqueiro sobre as cordas da guitarra, antes de Hendrix.

Parece ou não um conto de fadas com tintas lisérgicas?

5 de jan de 2017

CRV na F1 #22: O realismo fantástico de Pastor Maldonado

Pastor Maldonado nunca foi unanimidade.
Alguns diziam que era um piloto horrível bancado com dinheiro da estatal venezuelana de petróleo.
Outros diziam que era apenas um piloto horrível.
E outra corrente ainda dizia que nem piloto era e estava na F1 apenas por conta do apoio da petrolífera da Venezuela.
Mas o fato é que ele estava na F1 já a um ano e chegava para a primeira corrida na Europa da temporada 2012 sem muita esperança de um resultado muito bom.
Até ali, seu melhor resultado tinha sido um oitavo lugar na corrida chinesa daquela mesma temporada. Brilho? Nenhum...
Sua equipe, a Williams, não passava por uma fase das melhores. Sua última vitória tinha sido no longínquo ano de 2004 com Juan Pablo Montoya e comemorava naquele fim de semana, sabe-se lá porque já que a corrida aconteceu pouco mais de um mês após o aniversário de setenta anos de seu fundador Frank Williams.
No sábado, surpreendentemente, a Williams de Maldonado fez uma classificação primorosa e acabou com a segunda posição no grid, logo atrás de Lewis Hamilton.
Mas Hamilton foi desclassificado por ter deixado seu carro no meio da pista e voltado para os boxes a pé. Em uma análise dos comissários, não foi encontrado nenhum problema com o carro de Lewis, só falta de gasolina mesmo, o que acarretou a punição.
Maldonado largaria da pole position pela primeira vez em sua carreira na F1.
O fim se semana ficaria ainda mais especial.
Após perder a primeira posição na largada para Alonso e a segunda para Raikkonen, fez uma corrida perfeita, recuperando as posições nos pitstops. Três no total.
Na última parte da corrida, duelou mentalmente com Alonso que tirava a diferença volta após volta chegando a ficar um segundo apenas atrás do venezuelano.
Mas era o dia de Maldonado e da Williams.
Pastor voltava a abrir diferença confortável e terminou a prova em primeiro lugar, três segundos à frente do espanhol.
A festa estava garantida.

O fim de semana foi tão surreal que horas após a vitória, mas convenientemente antes de qualquer vistoria em seus carros, os boxes da equipe de Frank Williams se incendiaram após uma explosão.
Tudo se explicaria mais facilmente se Pastor Maldonado, em vez de venezuelano, tivesse nascido na Colômbia. A pátria do realismo fantástico.

4 de jan de 2017

F1 2017: Para pensar um pouco

O que é a F1?
Na opinião de Adrian Newey, um dos grandes nomes da categoria nos últimos anos, ainda que fora das pistas deveria ser “-...uma batalha de pilotos combinada com a criatividade dos engenheiros. ”
Mais ou menos como era até meados dos anos 90 do século passado.
“-Deveria ser um espetáculo que envolve homens e maquinas e não apenas um espaço para fabricantes mostrarem suas tecnologias. ” – Completou.
Adrian é um crítico da implantação dos motores híbridos na categoria. Diz que não há sentido e que é apenas uma jogada de marketing e completa dizendo que se tivesse realmente algo a acrescentar aos carros de rua, as empresas que desenvolvem esta tecnologia deveriam estar na frente das outras no mercado automotivo.
Não sei se concordo ou não com esta afirmação, mas penso que é um caminho sem volta. E para o bem da F1, que se pare nos híbridos. Motores totalmente elétricos como na FE mataria a categoria em pouquíssimo tempo.


Mas a pergunta é: o que é a F1?
Antes se tratava de homens desafiando seus limites e o das maquinas frente à possibilidade gigantesca de morrer.
E como se morria.... Até o ano de 1994, quando Senna se foi, houveram poucas temporadas sem ao menos uma morte, fosse em corrida ou treinamentos.
Após aquele primeiro de maio em 94, apenas uma morte foi contabilizada, a do francês Jules Bianchi em um dos acidentes mais estúpidos que se tem notícia com um trator em lugar errado, na hora errada.

Neste meio tempo, a categoria se transformou em um grande balcão de negócios entre montadoras, pilotos e os promotores da festa toda. Sem contar a quantidade de regras e regulamentos complicados que afastam o entendimento do torcedor menos afeito a ficar pesquisando e analisando informações.
Muita grana para entrar na categoria, muita grana para se manter nela.
A chegada de novos palcos se dá mais por conta dos montantes pagos pelos organizadores do que pela necessidade – se é que há – de levar o esporte F1 a estes lugares.
Países sem história ou tradição no esporte, sem uma cultura do automóvel e sem ídolos locais. Recentes ou antigos.
Enquanto palcos históricos, ricos em tradição automobilística vão ficando de fora ou extremamente ameaçados.
A Alemanha chegou a ficar sem um GP em algumas temporadas, assim como Spa Francorchamps na Bélgica.
A França só volta em 2018.
Já se ameaçou N vezes tirar Monza do calendário bem como Interlagos.
Imola já foi cortada da lista e mutilada. Os EUA, com trocentas pistas, só voltou ao calendário por conta de uma pista nova (e chata) e vive na esperança de ter outro GP pelas ruas de Nova Jersey, que não atrai sequer patrocinadores para se realizar.
Do lado humano, idem.
O talento ficou relegado ao segundo plano.
Salvo raras exceções, chega-se a F1 mais por conta de uma carteira recheada com dinheiro de patrocinadores do que por ser uma promessa talentosa.
Não que não haja talento entre os pilotos que compõe o grid, há e até bastante.
Mas numa proporção porca, para cada Max Verstappen que aparece, três Rios Harianto assumem cockpit antes...

Parando para pensar: o que é a F1 hoje? Comente aí.

3 de jan de 2017

F1 2017: O primeiro drama

Valteri Bottas foi visitar a fábrica da Mercedes e, se não foi comprar um modelo exclusivo ou conhecer a linha de montagem dos ônibus para se tornar motorista de um, é sinal de que o gorducho realmente está de mudança para o time prateado do bocó Toto Wolf.
Se é uma boa para o garoto, não se sabe.
Ainda.
Seria bom saber o tempo de contrato, ao menos, do gordinho para começar algum tipo de especulação sobre seu papel dentro da equipe.
Particularmente, não penso que ele se preste ao papel de piloto tampão.
Ainda é jovem e tido como promessa por muita gente boa dentro do meio automobilístico. Não é dos mais brilhantes, mas também não é um zé mané qualquer. Não me parece afim só do dinheiro que poderia vir de um possível contrato tampão
Mas isto é para outra crônica, aqui o foco é Felipe Massa.


A especulação no fim de 2016 era de que Felipe havia aceitado continuar no cockpit da Williams tutelando o novato Lance Stroll se Bottas realmente fosse para a Mercedes. E como dito no parágrafo acima, parece que vai acontecer.
Se é uma boa para o veterano, não se sabe.
Ainda...
Felipe não parecia muito motivado durante a temporada passada e tinha N motivos para não estar.
Desde um carro muito meia boca, incapaz de lhe dar chances de brigar por lugares melhores no final de cada corrida, até o fato de ter que competir com um piloto mais novo e com um horizonte maior pela frente.
Cenário que, ao que parece, vai se repetir em 2017.
Felipe tem uma história na F1, não foi dos mais brilhantes, mas conseguiu muito mais que muita gente tida como melhor.
Seria bom poder acreditar que a volta não se daria apenas por um contrato com números bem elevados. Massa não precisa disto.
Mas é difícil encontrar uma outra justificativa.
A manutenção (nem dá para chamar de volta, já que não ficou fora das pistas mais tempo que as férias de todos os outros pilotos) da carreira de Felipe Massa em 2017 só tem duas possibilidades: total queima de filme andando do meio para trás no grid ou a redenção com um ano sensacional com resultados muito bons e quiçá, alguma vitória.
Brigar pelo título seria sonhar alto demais.
E sendo bem realista, a chance da segunda opção ocorrer é bem pequena mesmo tendo em mente a quantidade e o tamanho das mudanças que ocorrerão nos carros nesta temporada.

Uma possibilidade melhor, que agradaria pachecos, patrocinadores da emissora oficial no Brasil e a própria emissora, seria Massa ficar onde está (em casa, de boa) e a vaga na Williams ser oferecida ao outro Felipe, o Nasr, que tem uma vida útil maior pela frente e no momento nenhum horizonte na categoria.
Mas isto também é assunto para outro texto.
2017 nem começou direito e já tem seu primeiro drama.

2 de jan de 2017

F1 2017: Enter - Mudanças

A Liberty Media deu um passo em direção a modernização da gestão da F1, categoria que pretende ter o controle total em breve. Hoje, o grupo é dono apenas de aproximadamente 18% das ações, montante comprado junto à CVC no decorrer de 2016.
A empresa quer introduzir na categoria algo parecido com o salary cap, algo que funciona – e muito bem – na NFL.

O teto orçamentário seria para equilibrar os gastos das equipes grandes com o das pequenas e nanicas e claro, com a Ferrari, talvez a maior gastadora do grid e provável em entrave a introdução.
Segundo diretores da Liberty, “-Não faz sentido esquipes gastando mais de $400 milhões anuais se isto não traz nada de bom ao fã da categoria.”.
Segundo os mesmos, isto cria duas classes dentro do esporte e impede “os azarões de ter uma chance de vencer.”.
No que somos todos obrigados a concordar sem fazer nenhuma ressalva.
Enquanto times como Mercedes e Ferrari gastam montanhas de dinheiro, times pequenos lutam bravamente para sobreviver sem nenhuma perspectiva no horizonte de vir a ter êxito maior que andar no meio do pelotão. O que convenhamos, não vale muita coisa.
A medida, obviamente, tem que ser discutida com os times e a própria Liberty sabe que a batalha não vai ser nada simples.
Será difícil convencer os times grandes que, aos poucos, a falta de competição vai matar o esporte por monotonia. E se pensarmos que Mercedes, Renault, a própria Ferrari e em menor escala a McLaren, que não tem a F1 como principal atividade, a coisa pode ser mais complicada ainda.

Por outro lado, a Liberty também acenou com a ideia de usar outra característica vinda do football americano para melhorar a imagem da F1 junto aos fãs.
A empresa quer que cada corrida da F1 seja como um pequeno superbowl (a grande final da NFL) em termos de grandiosidade de evento.

O Superbowl vai bem além do jogo em si, levando à cidade que o sedia uma gama de eventos que visam aproximar o fã dos atletas com palestras, brincadeiras, ações de marketing localizados, feiras e shows de grande porte com nomes consagrados (locais e mundiais) durante o fim de semana.
Isto funciona perfeitamente para o football, tanto que o Superbowl é o maior evento esportivo anual, visto por milhões de pessoas ao redor do mundo e leva ao local do jogo uma quantidade de pessoas absurda e que nem sempre tem ingressos para o jogo em si. Sem contar os milhões em publicidade.

A ideia é boa, mas – ao meu ver – esbarra em duas coisas difíceis de serem contornadas.
São elas: a mentalidade tradicionalista europeia vigente na F1 que contrasta totalmente com a ideia de show business americana.
E mais, mesmo com toda a festa em torno do evento, com suas feiras, shows e tudo o mais, nada se sustentaria sem um ótimo jogo valendo taça dentro de campo.
E convenhamos, a F1 tem produzido bem poucas corridas dignas de se dizer que sustentariam o aparato todo. Sem contar a falta de tradição de muitos dos lugares onde tem corrido nas últimas décadas.

Mas enfim, o gigante parece que vai se mover.
Se para frente ou para trás, só o tempo vai dizer.