30 de mar de 2017

O rock no Brasil não acabou, você que é preguiçoso e acomodado

Uma das falas mais irritantes sobre o rock no Brasil é de que não há nada novo que preste.
Alguns ficaram presos na geração dos anos 80 (Titãs, Paralamas, Legião, Engenheiros, Barão...) e dizem que apenas naquele período houve bons letristas. Balela.
Outros estão ainda na geração 90/2000, provavelmente a última que contou com apoio maciço de gravadoras e divulgação. Sem contar os produtos lapidados e bem-acabados saídos da linha de montagem de Rick Bonadio.
O fato é que – ao menos na grande mídia – a música rock foi minguando a ponto de quase desaparecer.
Nas listas de músicas mais tocadas de 2015/2016 não havia um só artista do gênero.
Por sorte, as mídias consultadas (rádio e televisão) hoje em dia tem tanta expressão e peso quanto as gravadoras.
Ao menos para a música rock.

Mas aqui não se trata de tentar entender o porquê de o rock ter sumido das paradas (exceto nas emissoras direcionadas ao estilo, o que não conta...), mas de mostrar que fora da casca fina que recobre o cenário musical nacional e que mantém no topo estilos e gêneros de gosto duvidoso ou de apelo essencialmente popular, há sim música boa. Rock ortodoxo (puro) ou não.
A grande maioria é independente e rala muito para divulgar seu trabalho.
Os discos (com raras exceções) são distribuídos de graça nos sites das bandas, mas nem por isto são mal produzidos ou gravados como as antigas demos. São produtos bem-acabados estética, sonora e graficamente. Coisas que só a tecnologia avançada e bem mais barata ao alcance é capaz de proporcionar.
Para quem não tem preconceitos e nem preguiça de procurar, a variedade é enorme, os sabores diversos. Há progressivo, indie, heavy, hard... E claro, as misturas que fizeram da música por aqui algo único. E todos com excelentes instrumentistas.

Vindos da Bahia, o Maglore é um dos prediletos da casa.
Com três discos lançados, a banda passou por algumas modificações até chegar ao disco III (2015), uma obra prima com um pop perfeito privilegiando a canção. E o disco foi gravado de forma analógica, só para contrariar...

O Apanhador Só é do Rio Grande do Sul e já obteve mais espaço de mídia que seus contemporâneos.
O primeiro e homônimo disco é uma aula de peso, técnica, feeling e experimentação com o peculiar sotaque do sul.
Mas é no segundo disco, Antes Que Tu Conte Outra (2013), é que o bicho pega.
As experimentações atingem um nível absurdo, mas sem comprometer o gosto pop e a diversão.

Dingo Bells é outra banda vinda do RS, mas passa longe de ter a mesma pegada do Apanhador.
Com um direcionamento muito diferente, a banda é influenciada por coisas como Steely Dan, músicos mineiros do Clube da Esquina.
Seu único disco até agora é o maravilhoso Maravilhas da Vida Moderna (2015) que é aquele tipo de disco que termina com um gosto de quero mais.

Brutown (2016) dos sergipanos do The Baggios traz um blues rock inventivo, pesado e com um sotaque nordestino que há muito não se ouvia e com apenas bateria e guitarra. Os outros instrumentos sendo tocados por convidados ou por eles mesmos dependendo da gravação.
É provavelmente o melhor exemplo de rock pesado desta geração.

Dônica é carioca, mas tirando o sotaque que vez por outra se manifesta em seu vocalista (que também é o tecladista) nada tem com o rock feito por lá. Não espere letras engraçadolas sobre batatas fritas, chopp ou baratas anãs. E no som, nada parecido com os Los Hermanos (que não, não é uma banda ruim, aceite.)
O som lembra o que foi feito pelo Clube da Esquina, tanto que andaram recebendo elogios de Lô Borges e tem um dueto com Milton Nascimento no primeiro disco, Comunidade dos Parques (2015).

Há também algumas que já estão mais estabelecidas como as Vespas Mandarinas e O Terno, ambas de São Paulo.
O Scalene (DF) e o Suricato (RJ)  passaram pelo programinha da rede globo e acabaram gravando segundos discos mais leves e um tanto fora da proposta feita em seus primeiros discos, mas ainda assim bem bons.
Os Boogarins (GO), que fazem rock progressivo/psicodélico, mas na opinião da casa, peca pela semelhança exagerada com o Pink Floyd de Syd Barret.

Faça um favor a si mesmo e pesquise, visite os sites, ouça pelo streaming... Vale a pena uma audição mais apurada e detalhada dos trabalhos deste pessoal
E faça um favor a todos: pare de reclamar que só tem música ruim.
Afinal, a culpa é toda da sua preguiça.

28 de mar de 2017

F1 2017 - Os que estão de volta

Além da F1, obviamente, mais coisas voltaram este fim de semana na Austrália.
Uma delas foi a alegria e a simpatia de Vettel.
Quem não se lembra que em 2016 o rapaz, que enquanto ganhava suas corridas e enfileirava títulos mundiais era todo sorrisos e quando começou a tomar pau do companheiro de equipe (Ricciardo) e depois ser engolido (por Kimi em 2016) ficou num azedume de dar inveja em limão.
Reclamava de retardatários, de pilotos que mesmo disputando posição não lhe davam mole, das bandeiras azuis, das amarelas, das regras de track limit, da brita, dos pneus, das estratégias de equipe e até da agua gelada no padock...
Foi só voltar a ser competitivo e vencer uma corrida – com propriedade – sobre Lewis e sua Mercedes e pronto: nem reclamações pela dificuldade absurda de se ultrapassar uma fila de retardatários na parte final da corrida, quando defendia sua posição (ma non tropo) teve.
E ao sair do carro ainda cumprimentou efusivamente os mecânicos, o público e até os adversários.
Vitória é mesmo o elixir da felicidade.

Outra volta que foi bacana é a dos pneus traseiros largões...
É esteticamente fantástico!
Os carros ficaram brutais, invocados... Mas algo deu meio que errado.
Os pneus são quase eternos, gastam pouquíssimo e se não fosse a obrigatoriedade de ao menos uma troca era bem possível que alguém conseguisse chegar ao fim da prova com o mesmo pneu da largada.
Também voltaram as dificuldades enormes em se conseguir uma ultrapassagem.
Até mesmo sobre retardatários a dificuldade aparecia.
Talvez seja um problema mais grava na Austrália, talvez não... A pressão aerodinâmica e a turbulência gerada sobre o carro de trás realmente atrapalha e não houve aproximação suficiente (em momento algum, em briga alguma) para que a solução do DRS fizesse efeito como nos anos anteriores e facilitasse os passões.

E com a dificuldade e rareamento das ultrapassagens voltaram também os chatos que querem ficar comparando F1 com tosquices como Indy, Nascar e outras...
Curiosamente são os mesmos que adoram dizer que gostam de corridas de endurance que não tem ultrapassagem valendo posição de verdade em quase vinte e duas horas de corrida...

Ah! E a volta principal (ou a volta do que não foi...) foi de Felipe Massa que mesmo estando motivado para caramba e confiante na evolução que o carro da Williams já teve e terá, voltou a seu lugar cativo e terminou a prova em sexto lugar.
Se continuar assim, melhor trocar o nome da posição.
Primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, Massa (independente de quem ocupar), sétimo, oitavo e assim por diante...

26 de mar de 2017

F1 2017: corrida - A F1 voltou, diferente, mas voltou

A ansiedade para o início de uma temporada é sempre grande.
Tão grande que adoramos a pista do parque de Melbourne que nem é tudo isto.
Pista lisa demais, traçado único.... Não dá para ter muita ideia sobre o que o campeonato nos reserva.
Obviamente que seu vencedor pode - e vai -  vencer novamente durante o ano, mas se há um lugar onde uma zebra pode pintar, este lugar é a Austrália.
Dito isto, não esperemos ver todas as mudanças de regra, de construção de carro, a dança das cadeiras surtindo efeito.
Esperava-se carros até cinco segundos mais rápidos e esta velocidade não apareceu.
Sem problema: é só a abertura.
A única coisa que se é capaz de afirmar é que a Williams acertou em chamar de volta Felipe Massa para conduzir a evolução do carro. Lance, por melhor que possa ser, ainda é verde (cor dos dólares que trouxe).
O resto, só a sequência da competição vai mostrar.

Na classificação deu Hamilton, mas não com tanta folga e com um Vettel motivadão logo atrás.
Bottas terceiro e Kimi na cola.
A largada prometia.
Tanto que foi abortada.
Uma volta a menos, outro giro de instalação e desta vez foi para valer.
E quando valeu, as quatro primeiras posições permaneceram inalteradas.
E assim seguiu até a parada de boxes.
Igual? Não... Vettel comboiou de forma até fácil o carro de Hamilton que não conseguiu abrir o oceano de vantagem que tinha no ano passado.
Emoção? Uma Haas pegou fogo. Logo com Grosjean...

E Hamilton veio aos boxes enquanto Vettel ficou nas pistas sentando a bota e baixando o tempo de volta.
Desenhava-se ali o “undercut”, algo que outro alemão fazia com maestria com este mesmo carro vermelho.
E para ajudar, Hamilton ficou atrás de Verstappen, que já é naturalmente difícil de ser ultrapassado, com esta configuração de carro deste ano então, pior.
Na volta vinte e quatro Vettel foi aos boxes e voltou a frente de Verstappen que segurava Hamilton: undercut efetuado com sucesso.
A vitória sorria para Vettel e Hamilton só diminuía a distância entre eles quando havia retardatários à frente.

Vettel esteve perfeito o tempo todo enquanto Hamilton por várias vezes tomava tempo de Bottas.
E assim, venceu fácil.
Se é a tônica da temporada não se sabe, como disse: Austrália não mostra tanto assim.
Mas que foi divertido ver uma Mercedes tomar dez segundos no fim da prova, isto foi.
A F1 voltou.

23 de mar de 2017

F1 2017: A paixão que se renova

A cada fim de temporada pensamos que já deu...  Equipes dominantes, pilotos que ganham sempre, algumas corridas maçantes... Mas é só se aproximar a primeira corrida do ano e a paixão se renova como fogo alimentado com gasolina.
F1 é pra quem ama, não pra quem quer emoção a qualquer custo.
Por isto escrevi este texto, por isto o republico: porque a paixão se renovou.
Vem temporada, estamos prontos.

Quando inventaram as corridas.

-Quando foi mesmo que inventaram as corridas de carro?

-Foi quando terminaram de construir o segundo carro.
Deve ter sido isto mesmo.
Assim que o segundo carro ficou pronto, que foi apertado seu ultimo parafuso alguém deve ter tido a brilhante idéia: “-Vamos ver qual dos dois anda mais rápido? ”.
E o cara que estava dando uma limpadela no primeiro carro construído pensou: “-Ora! Porque não? ”.
Alinharam as carroças sem cavalo, pediram para que alguém, muito provavelmente um garoto que frequentava a oficina, avisar quando eles poderiam começar.
O moleque então pega um pano sujo de graxa, se posta entre os dois bólidos e avisa:
“-Quando o pano aqui cair no chão vocês saem, ok? ”.
Os dois concordam.
Arrumam-se nos bancos com os motores devidamente ligados. Lembre-se que pra dar a partida nos primeiros carros era preciso girar uma manivela que ficava embaixo do pára-choque.
O menino então solta o pano, que pesado de graxa cai rapidamente.
Dirão os maldosos que o pano caiu muito mais rápido do que os carros conseguiram largar. Maldade sim, mas não exagero.
Na verdade, o guri ainda teve tempo de abaixar e pegar de volta o paninho antes que os carros se movessem.
Mas se moveram e alcançaram a velocidade máxima de exorbitantes 28 quilômetros por hora!
Então o piloto do primeiro carro chega à frente para contornar a primeira curva, por questão de segurança diminui o ritmo.
Por loucura ou por descuido, o piloto do segundo carro não diminui. Faz a curva com o carro de lado, nos mesmo vinte e oito quilômetros por hora que vinha.
A poeira sobe e encobre os dois. Quando desce a nuvem de pó já estão de novo em linha reta e o segundo carro agora lidera e vai aumentar a diferença de espaço a cada curva.
Eis o primeiro piloto, em contraste com o primeiro motorista.
Só que aquele garoto que deu a partida para a primeira corrida e assistiu tudo prendendo a respiração a cada curva do primeiro piloto começou a pensar que aquilo sim era diversão.
E que ele poderia fazer melhor.
Quando não estava trabalhando na limpeza das ferramentas ou da própria oficina sentava-se no banco de um dos carros e fantasiava estar pilotando, mas não aos prosaicos vinte e oito quilômetros.
Em sua fantasia ele ia a cem, duzentos, quem sabe trezentos quilômetros por hora...
“-Não.... Trezentos não...”. - ele pensa. – “-Nunca uma maquina vai se mover a trezentos quilômetros por hora. Mas e se existir uma maquina que chegue a isto? Como doma-la? Até onde pisar no pedal do acelerador? Por quanto tempo segurar o pedal sem aliviar? Quando aliviar? E o quanto aliviar? Pisar no freio?”.
Mas ele tem de esperar por sua vez de comandar uma maquina daquelas.
Alguns anos depois a chance aparece.
Ele está mais velho e o carro agora é muito mais veloz. Já alcança os cento e cinqüenta quilômetros por hora em curvas. Na reta com um pouco de coragem chega aos duzentos.
Então ele se senta. Esperou muito por isto, não vai perder a chance.
Liga a maquina e sai. Não são os trezentos quilômetros por hora de seus devaneios, mas que diabos, quem liga?
 Ele a doma com a ponta dos dedos. Pisa no acelerador até encostá-lo no assoalho do carro, segura o pé no fundo até se aproximar o máximo e o mais rápido possível da curva e só então alivia. Pouco.
Apenas toca no freio, o suficiente para que o carro contorne a curva no trajeto e com segurança.
E pensa nisto tudo enquanto o carro se movimenta. Tudo ao mesmo tempo.
Eis o primeiro fora de série.
Logo aparecem mais construtores de carro, mais pilotos.
Só alguns são fora de série. Muitos são apenas motoristas. Todos querem correr. Todos querem ser os melhores.
Eis o primeiro campeonato.
E é assim até hoje.
Que venham as emoções desta temporada. Que apareçam mais moleques de oficina.
Estamos prontos.

20 de mar de 2017

F1 2017: Enquanto isto em Pyongyang

Neste domingo (19/03/2017) a Coreia do Norte fez mais um teste com motores de foguete de alta potência.
O líder daquele pais, Kin Jong-un diz que os testes são um avanço para o programa espacial coreano.
O resto do mundo (com exceção da Rússia) enxerga os testes como pressão e ostentação de equipamento para montagem de um arsenal atômico de longo alcance.
Pelas notícias – nada manipuladas... – vindas de Pyongyang, os testes foram um sucesso.
Enquanto comemorava junto com seu alto escalão, o baixinho invocado sente tocar no seu bolso seu telefone celular modelo sangsunga galaxie nota7 red edition, que é a versão coreana do norte para o explosivo modelo da gigante do país vizinho.

-Arô!
-Quien habla?
-Pala onde você ligou?
-Quiero hablar con el Kin Jong
-Da parte de quem?
-Un amigo….
-Que amigo?
-No importa, mas és lo seguinte: Yo sei una forma para que usted tenha um pouco mais de boa vontade da parte de la ONU e sus aliados.
-Non me intelessa...
-Escucha.... No custa nada.
-Ok, fala.
-No hay nada que el Pueblo del ocidente goste más que uno governo que apoia e ayuda el desporto. 
-Sou todo ouvido, em flente...
-Las personas tiene tendências a esquecer muita coisa quando vê que alguén odiado está mexendo com desportos... Mira em Brazil... Uno futebolista de lá cometeu uno crime bárbaro, hediondo, nojento e foi só ser posto em lá rua que já tiene clube para jugar e de novo tem até fãs... Entendes?
-Hum... E o que sugele?
-Yo li el periódico que hablava que usteds haceram unos testes com motores de alta potência... És verdad?
-Sim, um sucesso!
-Que tal enton fornecer unas unidades de estos propulsores à una cierta equipa de coches desportivos? Una que tiene como su principal conductor uno piloto duas veces campeón del mundo e que és muy guapo...
-Hum... Sei qual é! É uma ideia bem plomissola... Vamos falar com nosso fornecedor e entlamos em contato com eles.
-Isto! Só por curiosidad: quien são tus fornecedores?
-Honda, né!
-Ah és? Enton não precisa mandar nada não... Esquiece. E vê se para de mentir... Sucesso, sei...
E desliga o telefone.

17 de mar de 2017

Um dia quente

Desde que a companhia ferroviária resolveu trocar a estação da cidade de lugar (coisa de cem metros) – construindo uma novinha com modernas instalações - a vida na cidade tinha se tornado um inferno.
Não bastasse o transtorno, o pó da demolição do casario que estava no lugar da nova estação, ainda tinha o barulho da obra e claro, os peões.

Sentados à hora do almoço por todos os cantos da nova estação, faziam às vezes de olhos, ouvidos e boca da obra.
Nada acontecia pelas imediações sem que eles soubessem e pior: comentassem.
A menina que é gerente da loja tomando um esculacho do namorado foi hit entre eles semanas atrás.
Hoje ela passa pela obra e não ouve os tradicionais assobios, mas um insistente e jocoso “cocóricó”.

Ao ouvir o sapateiro da rua reclamando que odiava o próprio apelido (o nome do homem é Baltazar, mas pelas costas todos o chamam de “cobra” que na verdade é uma simplificação para “engole cobra”) fizeram um simpático sambinha que é cantado toda vez que o indigitado aponta no inicio do quarteirão e só para quando dobra a última esquina: “-Cobra... Seu Baltazar cobra... Cobra o serviço que eu pedi/ Não é porque somos amigos que o senhor vai ter que engolir... Cobra, seu Baltazar cobra...”.

Nesta última semana o calor infernal que se abate sobre a cidade parece ter acirrado os ânimos. Houve até barraco.
O caso é que Batistão (que é prejudicado verticalmente) é casado com uma tremenda gostosona, - e por ser anão todos ficam melindrados ao dizer qualquer coisa à ele, o que não impede os comentários maldosos pelas costas.
O mais comum é quando passa o cotoco de gente de mãos dadas com o avião (abraçado não dá, a mulher teria dor nas costas) é: “-Macumba... Só pode ter sido macumba.”.
Outro comentário - que foi recebido com certa desconfiança pela comunidade local - foi exatamente do sapateiro Baltazar: “-Anão costuma ter bilau grande.”.
E quando os olhares se voltaram para o sapateiro: “-E o que dizem... Eu nunca vi... É o que dizem.” – tentava explicar ou consertar.
Mas o certo é que apesar das piadas ninguém podia dizer nada de concreto de Dinorah, a esposa do toco de amarrar jegue. Havia desconfianças, mas todos guardavam apenas para si. Alguns acreditavam sinceramente na devoção da gostosa pelo tampa de caçulinha.
 -É amor!– diziam – Só pode ser... O cara é feio, anão, pobre... Só pode ser amor. – diziam.

Mas quando Dinorah passava pela obra da estação os comentários não eram velados e cochichados, mas escancaradamente gritados.
“-Ô mulher econômica, até homem ela escolhe pela metade...” – ou – “-Vem ni mim (sic) que aqui não tem economia não...”.
Ela sorria... Talvez aquilo aumentasse sua autoestima ou... Vai saber?

Quando descobriu os gracejos, Batistão foi até o portão da obra e sem medir consequências chamou todo mundo pro pau.
“-Podem vir todos ai... Dou rabo de arraia em todo mundo!” – gritou.
Obviamente não desceu ninguém. Uma briga com alguém do local poderia despertar a ira em todos da comunidade e até acabar em demissão por justa causa. Além de – claro -saber que estavam errados.
“-Não vai descer ninguém é? Cambada de frouxo!” – disse vitorioso o piloto de autorama que girou nas solas dos sapatos e se encaminhou triunfante para o bar. Havia vencido a parada contra os maledicentes.
Pega então uma meia cerveja e volta para a porta do bar, com ares de superior.
Olha firmemente para o alto da futura nova estação e dá goles vigorosos em sua cerveja.
-Aê cambada de peão! Tão vendo esta cerveja aqui? É minha... Grita ai que é gostosa, que é econômica... Ainda assim vou tomar sozinho. Entenderam?
-É que é meia... – diz alguém em cima da obra sem se deixar identificar.
-Não entendi... – diz o anão.
-Você toma sozinho porque é meia cerveja.
-Não faz sentido. Cê acha que se fosse uma cerveja grande eu não tomaria sozinho?
-Não... Vai vendo. É como sua mulher.
-O que tem ela?
-Se fosse uma meia mulher, que nem você que é só meio homem, seria só tua...
Batistão até queria continuar a discussão, mas por azar (ou sorte) no começo do quarteirão aparece Baltazar e logo se ouve apenas o sambinha... “-Cobra... Seu Baltazar cobra... Cobra o serviço que eu pedi/ Não é porque somos amigos que o senhor vai ter que engolir... Cobra, seu Baltazar cobra...”

15 de mar de 2017

F1 2017: Enquanto a Austrália não vem

A Force Índia mostrou a nova pintura do carro de acordo com a nova patrocinadora: uma empresa especializada em tratamento de água, a BWT.
O carro continua plasticamente feio com o degrau e o bico terminando de forma bastante esquisita, mas a nova pintura rosa do carro ajudou a dar a ele um charme novo.
Sim, o carro é rosa e ficou muito, mas muito interessante.
Piadas idiotas machistas, misóginas e homofóbicas são dispensáveis.
Esperando para ver o resultado à luz do sol nas corridas e – principalmente – nas corridas noturnas, onde as pinturas parecem ganhar outra vida.
Esta é a mudança de layout mais radical da equipe desde que foi criada e, com certeza, é a primeira vez que o carro é pintado com algum bom gosto.
Já dá até para torcer para o time continuar sua ascendente na tabela de classificação.
Não seria nem um pouco ruim ver no fim do ano que o time rosa conseguiu ficar entre os três primeiros colocados.
Doa a quem doer.

Dias atrás o novo manda chuva da F1, Ross Brawn, disse que era contra o uso das barbatanas e as novas asas “T” nos F1.
Sim são feios, e como mostrou a Mercedes, nem são tão funcionais assim.
A questão é: Ross está realmente querendo que a F1 seja atraente também pelo visual.
O fim dos trecos feios nas tampas do motor seria um primeiro passo.
Depois pretende atacar os penduricalhos aerodinâmicos.
Curioso é que enquanto chefe de equipe, adorava um penduricalho. A grande diferença é que colocava os “bagulhos” debaixo dos carros.
É só se lembrar dos difusores duplos, triplos e soprados...
Mas força ao Brawn...
Greg Maffey, outro mandachuva deu declarações sobre um esforço da Liberty Media em manter no calendário corridas em sítios históricos para a F1 na Europa.
Disse que a manutenção de corridas na Inglaterra, França, Alemanha e Itália são fundamentais para recuperar a identidade e criar uma nova base para a F1.
Embora não tenha entendido o que quer dizer com “nova base”, concordo.
Podiam também voltar a largada em Silverstone para seu local original, tirar a chicane do meio da reta em Paul Ricard e oficializar Nurburgring como único palco do GP da Alemanha.
E se puderem, também façam algum tipo de evento no velho Nordschleif.
A velha guarda pira.

E para terminar, três dados que não tem nenhum pingo de relevância.
A Ferrari não crê em favoritismo (italianos modestos? Tá bom...)
McLaren não vê situação de crise no time (até porque quando se vive na crise a tantos anos o cenário parece normal mesmo.)
Grosjean não descarta sonho do título apesar de já estar com 31 anos de idade (a esperança é a última que morre.)

13 de mar de 2017

F1 2017: Bye Barcelona, próxima parada, Austrália

Com o fim dos testes livres e coletivos em Barcelona pudemos observar e constatar algumas pequenas coisas além da brutal diferença na plasticidade dos carros em relação aos anos anteriores.
Sim, os carros estão mais bonitos apesar das barbatanas.
E sim, também estão mais brutais.

A diferença na pegada é notória.
O vídeo comparativo entre a melhor volta dos treinos e a pole position de 2016 chega a assombrar: Kimi Raikkonen foi quase três segundos e meio mais rápido que Lewis Hamilton.

Mas o que mais assombra é que quando Lewis conseguiu aquela pole com aquela volta, já se havia passado quase um terço do campeonato e era a primeira prova da “fase europeia” do campeonato.
O que isto quer dizer? Que, além de já conhecer bem os limites – com defeitos e virtudes – de seu carro, Hamilton também tinha a disposição melhorias desenvolvidas com a observação do comportamento do carro nas etapas anteriores. Os upgrades.
Kimi, pelo contrário e como todos os outros pilotos, ainda busca o melhor desempenho e equilíbrio de um carro totalmente novo e (guardando proporções de piloto para piloto) imprevisível.
Não foi por acaso ou ruindade que Lance Stroll bateu seu Williams tantas vezes. E não foi só ele.

Caso a caso é possível dizer que o maior salto foi da Williams e não é por pachequismo ou por ser torcedor do time de Sir. Frank, mas o desemprenho do carro no ano passado era decepcionante.
Nestes testes chegou a liderar em algumas seções.

Não que seja indicio de algo surpreendentemente ótimo, não se espera vitórias do time com facilidade ou mesmo frequência. Até porque na lista de top speed o time foi apenas o sexto.
E isto quer dizer muito? Sim e não.... Em algumas pistas no ano passado, carroças como a Sauber e a Manor chegaram a liderar estas listas o que mostra que para frente eram uma beleza, mas quando se tratava de equilibrar para as curvas, umas dragas.
Mas animou pela confiabilidade. Andou o equivalente a seis GP´s completos e teve pouquíssimos problemas.

A Mercedes pareceu a mais confiável e mesmo não tendo a volta mais rápida dos testes, não pareceu carecer de nada.
Se a performance da Ferrari não for um blefe pré campeonato, será outro ano de passeio prateado.

Não considero a Ferrari como uma surpresa por particularidades...
Nunca se duvida de um time como este dos mafiosos. Não se duvida de pilotos como Kimi e Vettel. Não se dúvida times que tenham muito dinheiro para investir e, principalmente, não se duvida de times que contem com a simpatia da entidade que regula a competição.
Como os problemas da Red Bull eram os motores (os quais eles não fazem e a Ferrari sim) era mais provável uma melhora sensível dos italianos para uma briga direta com a Mercedes do que os rubros taurinos. Ainda que estes tenham os melhores pilotos da categoria no momento.

A Red Bull não apresentou nada digno de nota. Não foi a mais rápida, nem a mais confiável e nem a mais regular (distância percorrida).
Aparentemente brigará para ser terceira força com a Williams.
Aparentemente...

Mas existem duas certezas absolutas que puderam ser concluídas por estes testes.
A – McLaren é realmente uma porcaria que fará sofrer Alonso e seus fãs.
B – Como é feio este carro da Force Índia

Mais que isto, só na Austrália.

10 de mar de 2017

Um Who que não é nem sombra...

Se há uma coisa que ninguém pode negar é que Keith Moon é um cara legal.
O baterista do The Who não só influenciou um zilhão de outros operadores de baqueta, amassadores de aro e espancadores de prato ao redor do mundo, como também deu nome ao Led Zeppelin. (-Vocês fazem um som pesado como chumbo, mas voa... Que tal se...).
Na folha corrida de seu folclore também consta banheiros de hotel explodidos (Não podia se hospedar no Sheraton, no Hollyday Inn, no Waldorf Astoria e em nenhum da cadeia Hilton de hotéis...), objetos incendiados atirados de janelas (moveis, TV´s etc) e até dirigir um Lincoln Continental para dentro de uma piscina em sua festa de vinte e um anos.

Keith até deu a chance a um fã de tocar no seu lugar com o The Who em um show nos EUA em 1974.
Depois de chapar o coco com muita vodka e – acredite ou não – tranquilizantes para cavalos, desabou sobre os tambores de sua bateria.
Ao notar que o baterista havia dado PT (perda total) Pete Towshend foi ao microfone e meio sem jeito disse: “-Tem algum baterista na plateia?”.
Ainda mais sem jeito, Scott Halpin se apresentou e acabou ganhando seus quinze minutos de fama ao tocando três músicas com seu grupo predileto.
Tem como negar que Keith Moon é um cara legal?

E é por estas e muitas outras que este The Who que foi confirmado para a edição (mais fraca de todos os tempos) do Rock in Rio não me empolga.
Não tem – já há tempos – Moon e nem John Entwistle, já falecidos....
Uma multidão de músicos convidados em seu line up e nada de relevante há anos. São só e apenas, uma banda cover.
Não é que não goste da banda, mas irrita este oba oba dos “novos” fãs que só sabem quem são por conta das aberturas das diversas séries CSI ou no máximo, pela “música do moleque cego que joga fliperama”.

9 de mar de 2017

F1 2017 - Zorra Total

Alonso deu a letra: “-Estamos prontos! ”
 E todos os fãs da McLaren se regozijaram.
Mas logo em seguida o asturiano mandou: “-Menos a Honda...”
“-Não esperaram eu molhar o bico! ” – Disse o piloto dando uma piscadinha para a câmera.

 Sério Marchionne, presidente da Ferrari e do grupo Fiat/Chrysler disse que está gostando muito do desempenho do carro deste ano e não poupou otimismo dizendo que espera vitórias para este ano.
Mais ainda: “-Eu quero uma Ferrari imbatível. ” – Disse.
No mesmo momento, na pista, Raikkonen batia o carro...
“-Comigo é assim, pedido imbecil é tolerância zero! ” -  Falou o finlandês cofiando os bigodes que não tem...

Jean Todt, o popular Topo Gigio saiu em defesa dos motores híbridos dizendo que a sociedade não tolera mais motores barulhentos.
Com isto, fica enterrada a esperança da volta aos motores V10 ou V12.
Não que eles façam falta no que tange a velocidade. Só ao barulho mesmo, que afinal, quem assiste corridas pela TV nem nota direito...
Ainda assim houve quem ficasse muito bravo com o francês com cara de rato italiano.
“-Que presidente bom.... Queria tanto ter um assim! ” – Disseram arregalando os olhos.
Todt quase teve um enfarte.

7 de mar de 2017

F1 2017: Haas, os americanos certos na F1

Há alguns anos atrás, se fosse dito que uma equipe de F1 viria dos Estados Unidos muita gente riria.
Se fosse dito então que fariam um trabalho sério e que os resultados seriam vistos já em seu primeiro ano, as gargalhadas seriam inevitáveis.
Um tanto pelo desinteresse do torcedor de lá pela F1, outro tanto pelas passagens desastrosas de alguns pilotos de bom nome por lá (Michael Andretti) e algumas promessas que não deram em nada (Scott Speed, Alexander Rossi).
Somado a alguns fiascos como o GP dos EUA de 2005, lembrado como o GP de seis carros, ou a vitória de Rubens Barrichello em 2002 conseguida como forma de compensação após ter cedido (a contragosto) a vitória na corrida austríaca no mesmo ano para Michael Schumacher e vista pelos torcedores locais como uma “enorme marmelada”.
Passando ainda pelo episódio da equipe USF1, que fez barulho conseguindo uma das cobiçadas vagas para equipes novas no grid, mas nunca sequer construiu um carro, e pelo GP de New Jersey que nunca aconteceu e muito provavelmente nunca vá acontecer, apesar dos investimentos e da palavra empenhada ao (ainda) dono da bagaça toda Bernie Ecclestone.

Mas, fora os gestores e a parte comercial (porque os EUA é um dos, se não for o maior, mercados do mundo e a F1 vende muita coisa além de carros) nenhum fã parecia sentir muita falta dos americanos na categoria também.
O preconceito com a cena de competição automobilística de lá era e ainda é bem grande. Convenhamos... A IndyCar tem apresentado espetáculos medíocres com pilotos contestáveis e a Nascar, bem.... Aquilo parece o WWE dos carros.
Apesar de terem ótimas pistas nos EUA, a F1 só ia para lá correr em traçados horrendos de rua (e até um estacionamento de hotel) e traçados mistos dentro do oval de Indianápolis em que parecia que os carros estavam sempre devagar (impressão errada, diga-se) vistos pela TV.
Quando resolveram criar uma pista nova fizeram um tremendo copy and paste no Texas.
Muito pouco...

Porém, eis que um grupo liderado por Gene Hass compra a sede da falida Marússia e desenvolve lá um trabalho honesto, com um carro saído do zero conseguindo em seu primeiro ano de competição, 2016, marcar vinte e nove pontos.
E deixando a impressão de que só não foram melhores porque ainda no começo da temporada anunciaram que estavam desistindo do desenvolvimento do carro para focar no projeto para 2017.
A Haas tem mudado a visão que muito fã da F1 tem dos americanos quando se aventuram pelos lados da categoria.
Por este motivo, quando dizem que apesar de saberem da dureza da competição para esta temporada, acreditam ser possível pensarem em um primeiro pódio, é melhor não duvidar.
E para ser bem sincero: eu acredito.

6 de mar de 2017

F1 2017: Desconstruindo manchetes

Lance Stroll havia dito que Felipe Massa seria seu mentor dentro da Williams.
Havia sido sensato... Massa é dos pilotos mais experientes do grid e isto não é coisa que se jogue fora, afinal, são onze vitórias e um vice-campeonato.
Mas depois da primeira semana de treinos livres em Barcelona, o menino mudou de ideia.
Não se sabe se pelo fato de Felipe ter andado muito bem enquanto pode (enquanto Stroll não destruiu o carro) ou se pelo fato do companheiro de equipe ser sempre o primeiro rival a ser batido, mas mudou.
A partir de agora, no fundo do box destinado a Lance Stroll em todos os autódromos por onde passarem vai estar lá uma bela e nítida foto de Pastor Maldonado...

A McLaren foi questionada sobre a permanência de Fernando Alonso para 2018.
A princípio parece um despropósito perguntar pela temporada seguinte quando a atual sequer começou para valer.... Mas entendemos.
A situação no time de Woking parece tão caótica que a fornecedora de motor já pediu desculpas...
Se Alonso continua, ninguém sabe, mas a Honda – particularmente – dificilmente fica.
E se o vexame for grande demais, quem sabe não chamam de volta o tio Ron?

Valteri Bottas parece confuso na Mercedes.
Chegou como um claro segundo piloto (tampão?) e andou tão bem (quem não anda bem com o melhor carro, não anda bem com nada...) que já começou a falar em vitórias e brigar pelo título.
Logo depois disse que espera aprender muito com Lewis Hamilton.
Aí voltou a falar em fome de vitórias.
Depois pregou humildade de novo...
Tem que deixar claro: ou quer aprender com o Hamilton ou quer vitórias.
Se aprender com o Lewis só vai ganhar se o carro for dos muito bons; se quer vitórias acho melhor se virar sozinho ou ir trocar muitas ideias com o Niki Lauda.

Um adendo pessoal aqui: ninguém está falando nada sobre o carro da Force Índia, além de ter dito, claro, que ele é feio.
O time esteve no top 5 do ano passado e por pouco não foi a terceira força.
Mas é bom que seja assim... Depois não vai ter aquela turma do “eu disse” ou do “como adiantamos” falando sobre a ruindade do veículo.

3 de mar de 2017

Micro contos

Entrou sorrateiramente.
Pé ante pé quase, quase imperceptível.
Parou.
E colocando as costas em uma coluna, com o revolver em punho encenou a mais clichê das posições dos filmes de mocinhos e bandidos.
Queria aproveitar um momento de descuido, mas não teve paciência.
Ao saltar no meio dos mal feitores não matou apenas o personagem, assassinou também a bilheteria.

O sinal ficou verde.
Pos o carro em movimento trocando marchas e acelerando.
Pensou que algo estava errado já que o carro não deslanchava.
Subiu o viaduto a pulso e quando atingiu a parte mais alta do elevado um caminhão emparelhou.
O moleque que ocupava o banco do passageiro, provavelmente o ajudante colocou a cabeça pela janela e gritou: “-Solta o freio de mão, seu burro!”.
E olha que pela cara do moleque nem idade para dirigir tinha.

Ela: Viveu até os oitenta anos com saúde invejável. Comia alga.
Ele: Morreu aos trinta e cinco. Comia Olga
É que ela, que se chamava Helga descobriu.
E Olga? Nunca mais foi vista.

No ultra-som era menino.
Nasceu e era menina.
Cresceu na duvida.
Hoje sabe que é mulher, foi sua namorada quem a convenceu.

A musica sempre fez parte de sua vida. Durante toda ela tocara trombone.
Até casou com uma musicista.
É verdade que depois de alguns anos de casados começaram a não se dar muito bem
Ao morrer deixou em testamento que tocassem em seu velório “When the saints go marching in”, mas com ressalvas:
“-Oboé não, oboé não é instrumento musical e sim de tortura.”.
Sua esposa não compareceu ao funeral.

Desde criança adorava animais.
Estudou zoologia. Também se formou biólogo.
Prestou concurso para trabalhar no Zoológico Nacional.
Aprovado em segundo lugar, nunca foi chamado.
Hoje é bicheiro no bairro da Lapa.

2 de mar de 2017

F1 2017: Os primeiros treinos livres

E depois das apresentações dos carros todos, os treinos livres em Barcelona.
A pista é chata, mas ajuda a entender o comportamento dos carros já que tem de tudo: curva de alta, curva de baixa, grampo, reta, freadas fortes, subidas e descidas.
Mas o que podemos perceber destes treinos?
Dá para confiar nos tempos?

No primeiro dia os carros vão à pista com tinta, cola, geleia ou algo assim... Sensores esquisitos que parecem grelhas de churrasqueira e outras coisas.

Querem saber os resultados aerodinâmicos antes de saber da velocidade.
E antes disso, querem saber se o carro anda! Se ao bater na ignição o motor vai responder e empurrar o trambolho.

Depois testam confiabilidade.
Os carros andam por longos períodos de tempo simulando uma corrida.
Ai a Mercedes parece ter dado outro show.

Andou o equivalente a três ou quatro grandes prêmios e só apresentou um problema.
A Ferrari idem.
A McLaren apresentou um único problema: o carro.
O resto aparentemente estava dentro do esperado...

Aí começam realmente a andar um pouco mais rápido.
Enquanto Lewis esteve com o carro, terminou os treinos na frente.
Não por muito, mas na frente, ou seja, além de confiável, aparentemente ainda é rápido.
Na cola, Vettel e Massa.

Bottas assumiu a Mercedes e pareceu não estar intimidado. Cravou o melhor tempo do dia também e já desandou a falar em brigar pelo campeonato. Nada de ser coadjuvante.
Um bom trabalho de um segundo piloto que quer surpreender tem que começar com a boca fechada, penso eu. Então, começou mal. Que se redima surpreendendo.
Kimi também mandou bem com a Ferrari, o que denota que o carro realmente é bem-nascido e parece prometer.

Mas tudo é conjectura, até começar para valer na Austrália...
Tem gente andando com pouca gasolina para aparecer melhor para os patrocinadores, tem gente escondendo o jogo, tem quem tenha realmente problemas.... Os treinos livres, para o espectador, servem para matar saudade.
Quem der uma de gato mestre e sair vaticinando qualquer coisa corre o sério risco de passar vergonha pelo resto da temporada.
A única certeza que se pode ter até agora é que Lance Stroll bateu nas vezes em que pegou o carro.
Se é a inexperiência cobrando seu preço, se é o braço que é duro, o tempo também vai mostrar.
Mas que parece estar fazendo vestibular para ser o novo Michael Andretti, parece.
A sorte dele é que o brasileiro que é seu companheiro de equipe está muito longe de ser um Senna.