29 de jan de 2010

Contos do Le Sanatéur - Teatro - Pt 1

-Eu não vou!
-Vai sim!
-Me recuso. Nem gosto de ópera... Se ainda fosse um show de Art Blakey ou Louis Armstrong eu iria feliz, mas ópera eu não vou.
-Mas Ron, eu preciso de você lá... Você tem de resenhar o espetáculo.
-L´Onça, você escreve tanto quanto eu... Faz você o texto. Ópera e com balé eu me recuso.
-Você vai...
-Não vou.

Neste momento entra na sala Anselmo, um pacote de fotos numa das mãos e um alicate na outra.-Bom dia chefe, bom dia Ron....
-Bom dia Anselmo, fala com o Ron aqui... Ele tá se recusando a ir cobrir a ópera para o Le Sanatéur hoje à noite....
-Não vou! – afirma Ron novamente.
-Ópera? – diz colocando as fotos na mesa e trocando o alicate de mão.
-É... Ópera. Vai dizer que não sabe o que é? – diz irônico o chefe.
-Sei sim.... É aquele tipo de espetáculo que sempre tem canto lírico...
-Isto... – Marcel interrompe.
-... Balé... – Anselmo tenta prosseguir.
-Isto! – Marcel interrompe de novo se entusiasmando com um possível aliado.
-... Um solista gritando em italiano , então vem um monte de caras suspeitos usando collant com enchimento nas partes, parecendo uma cambada de viadinhos e ficam dando saltinhos. Isto quando não vem um travesti e dá um tranco neles pos trás... Coisa esquisita aquilo... Não gosto não...
Ron não consegue esconder o riso.
-Bárbaros! Hunos! É isto que vocês são, uns bárbaros longe de ser civilizados... É só para você saber senhor Anselmo, o espetáculo de hoje é em alemão. Não em italiano.
-E desde quando você fala alemão para entender o espetáculo? Ou vai cair naquele lugar comum de que a linguagem da musica clássica é universal?
-Errr... Não... Claro que não!
-Mas você fala alemão? – quis saber Ron.
-Não... Mas você fala!
-Falo nada! Quem te disse?
-O Anselmo.
-Eu? -Anselmo deixa cair o alicate que estava segurando. – Como assim? - e ri.
-Grande camarada.... Mas ele fala. Leva ele.
-Fala Anselmo? Você fala alemão?
-Não... Alemão não...
-Quer saber? Vão os dois.... Vão os dois comigo, um deve falar. Talvez os dois! E não to aceitando desculpas. To falando como chefe. É uma ordem. – e deixa a sala batendo a porta.

-Por que você disse que eu sabia alemão? – quis saber Ron.
-Eu não falei. Ele jogou... Disseram que ele precisa de um tradutor para impressionar uma mulher ai... E você por que disse que eu sabia?
-Auto defesa e tava querendo solidariedade... Se eu me ferro cê vai junto. Somos uma dupla, né? Mas me diz... Por que você ta brincando com este alicate ai?
-O vidro do Studebacker quebrou e este foi o jeito que encontrei de tirar os cacos que ficaram presos na janela. -Ah tá... Já arrumou?
-Não. Não tive tempo. Amanhã arrumo.
O Editor então volta à sala e diz:
-Estejam os dois à frente de minha casa hoje as nove em ponto, e Anselmo... Limpe o carro.
-Ih... É agora que não arrumo este carro mesmo!
-Quer que eu quebre os outros vidros?
-Não precisa... Vou ferrar o carro apenas deixando que você dirija.
-Fato!

Continua amanhã...

5 comentários:

F-1 A.L.C. disse...

guatdefac! o arcel lónça é refinado mesmo! Ópera em alemão! e vai ter chucrute? ou vai ser ballé com fritas?

Marcelonso disse...

Groo,

Putz ópera em alemão,e com essa trinca ae não vai ser fácil não,e tem uma agravante conseguir chegar lá a bordo dessa maquina do Anselmo.

Como de hábito um conto interessante,nos transportando para o momento descrito.Parabéns!

abraço

Alysson Prado "Balo" disse...

OPERAÇÃO ÓPERA! (rs) ....
... to be continues...

Net Esportes disse...

haha só quero ver o que vai acontecer !!!!!!

Daniel Médici disse...

Ópera em alemão? Espero que seja A cavalgada das Valquírias.