01/09/2014

E ainda mais silly season

A silly season continua – com a temporada em andamento – muito engraçada.
As duas molas mestras, ao contrário do que pode se pensar não são as prima donas da Mercedes.
Os dois mimizentos não estão no foco para a dança das cadeiras. E tão pouco a Mercedes o objeto de desejo da vez.
As duas grandes estrelas são Vettel e (de novo) Fernando Alonso e o cockpit dos sonhos (ao menos na teoria) é a Mclata.

E Ron Denis ajudou a colocar mais fogo na silly season.
Disse o chefão inglês: “-Vamos contratar os melhores pilotos disponíveis.”.
Entendedores entenderão ser Vettel ou Alonso.
Ou ambos.

Todos sabem da futura parceria com a Honda e do quanto o time de Woking é capaz de sair de atoleiros e (aparentemente) do nada criar carros vencedores.
Pela gana em achar um condutor de nível tão elevado, dá para arriscar que a Mclata não vai criar só um projeto vencedor, mas sim um projeto dominante.

Ou...
Vai ver que é só o jeito de Ron Dennis dizer, delicadamente, que já não aguenta mais o velho reclamão e a jovem “promessa” que não vai a lugar nenhum.
No lugar dele, mandava os dois embora e ia procura no kart, no autorama ou no videogame alguém que pudesse pilotar um carro vencedor.

Mas de boa?
Se o projeto for realmente vencedor ou dominante, pode trocar os dois por qualquer um ou mesmo deixá-los lá.
Carros vencedores ganham apesar dos pilotos.
Vide o caso da Mercedes.
Ou como disse Lauda: Até macacos pilotam estes F1...

29/08/2014

Bravo mundo novo

Em 1998 o Iron Maiden encerrava a turnê do disco Virtual XI tocando em algumas cidades brasileiras.
A banda sempre teve muitos e ardorosos fãs desde que veio para um único show no Rock in Rio de 1985 quando estava no auge de sua popularidade e cuspindo fogo pelas guitarras.
Porém o cenário agora era ligeiramente diferente.
Bruce Dickinson havia saído do grupo e o vocalista era Blaze Bailey, que já havia gravado dois discos - The X Factor e Virtual XI - e deixado descontentes (principalmente o segundo) os fãs da banda.
Ao vivo a situação era ainda pior: seu timbre mais grave não era adequado para as músicas que Bruce havia gravado.
A versão de The Evil That Man Do que se ouve no lado B do single de Futureal é quase constrangedora.
O ponto mais baixo são os shows no Rio de Janeiro, onde objetos são atirados no palco e um deles atinge o guitarrista Janick Jers.
Revoltados, deixam o palco e não retornam para o bis.
Diz a lenda que Jers teria, ainda nos bastidores daquele show, colocado Steve Harris contra a parede no melhor estilo “ele ou eu”.
A incerteza paira sobre a banda.

Eis que entra em cena Rod Smallwood, empresário da banda que, durante as férias ao fim da turnê, convoca Steve Harris para uma reunião e sem meias palavras diz que é necessário trazer de volta Bruce Dicknson ao grupo.
As vendagens estavam em queda, os shows não lotavam mais, as criticas eram em sua maioria esmagadora negativas e os próprios integrantes do Iron não estavam mais felizes.
Até Dave Murray, sempre discreto e gente boa, já havia manifestado sua insatisfação.
Como era de se esperar, a resposta de Harris é um sonoro não.
Rod não desiste e explica muito bem explicado o porquê da volta de Bruce ser absolutamente necessária e marca uma reunião com toda a banda em sua casa.
A reunião prometia ser longa, mas é rápida e rasteira: Bruce está de volta.

Todos se abraçam e trocam apertos de mãos e vão comemorar em um pub perto da casa de Rod onde – novamente diz a lenda – Harris teria dito com voz bêbada: “-Eu não concordo com a volta de Bruce ao Iron, mas esta é a coisa certa a ser feita.”.
Lá pelas tantas alguém tem a ideia de chamar de volta também o guitarrista Adrian Smith que havia saído logo após a turnê de Seventh Son of a Seventh Son.
Este prontamente aceita.
O comunicado oficial é feito em 11 de fevereiro de 1999 com Bruce alardeando aos quatro ventos que estavam de volta para por o Iron Maiden novamente no seu lugar de direito: o de maior banda de heavy metal da história.
Quem já ouviu Brave New World sabe que ele não mentiu.

 
Uma curiosidade sobre The Thin Line Between Love and Hate.
Fãs interpretam o título da canção como uma analogia da delicada relação entre Bruce e Steve.
Se é ou não, não importa, o fato é que a música é maravilhosa..

27/08/2014

A mentira de Lewis e a Mercedes totalmente perdida...

Assim que acabaram as comemorações pelo fim da corrida com a grande vitória de Daniel Ricciardo, incluindo a entrevista coletiva protocolar, a Mercedes convocou os dois pilotos para dar explicações pelo incidente ainda nas primeiras voltas, onde Lewis Hamilton saiu prejudicado por um toque com Nico Rosberg.
E Nico tem a pontaria de Guilherme Tell
Pano rápido: na entrevista coletiva Nico disse (e todos ouviram e viram) que o incidente foi toque de corrida.

Voltando ao pós-corrida.
Acaba a tal reunião e o primeiro a sair correndo para dar declarações é Lewis Hamilton.
Diz para a imprensa inglesa que Nico admitiu ter batido nele de propósito.
Está criada a celeuma.

Lewis vem reclamando continuamente de estar sendo desprestigiado no time e que Nico tem feito manobras desonestas (aquela escapada em Mônaco é um exemplo do chororô) para garantir suas vantagens.
Manobrou de forma espetacular ao manipular a opinião pública contra o alemão que todos ouviram dizer que foi coisa de corrida na coletiva, mas ninguém ouviu admitir nada sobre ter sido de propósito.
Uma declaração sob as luzes e outra nas sombras.

Por seu lado, o time (que deveria ter sido o primeiro a se pronunciar e não o fez) não teve outra opção senão calar sobre o assunto. O que até aquele momento valia como admitir que Lewis estava certo.
Dando razão a Lewis, afagava-se seu ego e sufocava – em primeira instância – a crise.
Hamilton posaria de vitima, ficaria com a “razão”.
Rosberg com os pontos da corrida e meia mão na taça.

Se naquele momento o time desse razão a Nico desmentindo Lewis, daria argumentos para que o inglês continuasse a choramingar pelas páginas e sites que estava sendo sacaneado.
Algumas horas mais tarde, Toto Wolf, em nome da equipe, disse publicamente que o toque não havia sido proposital, mas que isto não mudaria o cenário.
Rosberg também viria a desmentir que tivesse admitido algo e reafirmar que havia sido um incidente de corrida.
Ou seja, Hamilton mentiu.

E vale lembrar que não é a primeira vez que Hamilton se vale de uma mentira.
Na Austrália em 2009 foi excluído da corrida por mentir ao dizer que não havia recebido uma instrução e o rádio da equipe lhe entregou de bandeja para as ações da FIA.
O que lhe valeu uma reprimenda.

Em seu último ano de Mclaren, Hamilton divulgou no twiter os dados da telemetria de seu carro como forma de protestar pelos maus desempenhos, o que irritou o time.
Neste ano, já tentou desestabilizar Nico Rosberg acusando-o de ser desleal em disputas na pista, forçando uma bandeira amarela no Q3 em Mônaco quando estava em volta rápida pela pole position, dizendo que sempre tem problemas (como na classificação do GP belga) e até declarando que Nico nem é alemão, mas nascido em Mônaco.
Por estas é que Lewis também pode ser chamado de Pinóquio de Ébano.

Por outro lado, o imbróglio é bom para todos os expectadores que ainda vão se divertir muito com as cabeçadas da Mercedes que está perdidinha na guerra de vaidades.
E isto porque nem tem rivais pelo título, imagina se tivessem...

26/08/2014

Lado B do GP - Bélgica: Spa devia sediar umas três corridas por ano

E Alonso finalmente pode sentir na pele o que é pilotar pela Ferrari.
Logo na volta de apresentação ficou com um cavalete embaixo do carro.
Os últimos ajustes dos mecânicos lhe custaram um stop and go de cinco segundos.
Fica frio mala.
A primeira posição de zicados pela Máfia Rossa ainda é do 1B.
Ficou com dois cavaletes presos embaixo do carro.
Não consigo ver esta imagem sem gargalhar

O toque entre Nico e Lewis foi coisa de corrida, mas não custa nada fazer uma esforçozinho para imaginar o alemão soltando um “-Ops, pegou né?” e sorrindo com o canto dos lábios.
Se Lewis já chora normalmente, imagina depois desta.

E para completar, Nico usou um treco preso nas antenas de seu carro para provocar o negão.
-E ai Lewis, piloto com uma mão só enquanto empino uma pipa...”
Se foi avisado pelo rádio, ai sim o Lewis deve ter chorado.

E Jenson Button?
Tomava passão por fora na Bus Stop.

Esta foto está aqui apenas porque é linda

Massa teve problemas o fim de semana todo.
Problemas com a chuva na classificação, problemas com o carro na corrida.
Problemas com o macacão folgado, com a sapatilha apertada, com o Bottas guiando o fino, com os outros carros andando mais que o dele, com os outros pilotos sendo melhores que ele, com as curvas em subida, com as curvas em decida, com as retas, com as zebras, com o asfalto, com a borracha, com o templo de Salomão, com Marina Silva, com o helicóptero do Aécio, com a presença do Lula onipresentemente no programa da Dilma... etc, etc, etc...
Se bem que... O pedaço de kevlar preso em seu carro dá sustentação às reclamações do brasileiro, mas vai se perder uma piada? Não mesmo.

Alonso ficou preso atrás do entulho Magnussen durante muito tempo.
E claro: reclamou com gestos e provavelmente no rádio.
Pelo tanto que reclama, Alonso parece um motorista paulistano.
Só faltou reclamar que tinha ciclovias pintadas por ali.

Quase no fim da prova a Mercedes pediu ao Lewis que encostasse.
Acharam algo preso no carro do inglês: um sapo com a boca costurada.

E no fim, Alonso trava batalha épica pela quinta posição e... Perde.
Chegou em sétimo.
Porém a questão é: Ficou um tempão atrás do entulho Magnussen enquanto Vettel, quando chegou no cara, passou fácil.
Chupa Alonso.
Magnussen visto por Fernando Alonso em Spa.

E pelo amor de deus...
Não é má fase do Vettel somente.
É o talento do Ricciardo, sobretudo.

24/08/2014

F1 2014 - Bélgica: Spa coroando um grande piloto

Dizem que a pista é a preferida de dez entre dez pilotos, mas acho que correto mesmo seria dizer que é a preferida de onze entre dez fãs da F1.
A batelada de curvas de alta, as subidas e as decidas formam um conjunto desafiador e bonito.
Não há pista mais bonita que Spa-Francorchamps.
E para coroar, para por a cereja no bolo: Eau Rouge.
É de tirar o fôlego.

Depois de uma classificação com chuva onde a Mercedes detonou todo mundo mandando quase dois segundos de vantagem na orelha dos demais.
A largada foi no seco.
Ainda na saída para volta de apresentação a Ferrari mostrou porque é tão querida e deixou o cavalete embaixo do carro de Fernando Alonso.
O Asturiano se livrou do cavalete e saiu atrasado, mas passou todo mundo na volta de apresentação e largou da quarta posição.
Teria de ter largado dos boxes, mas pelas contas da equipe, uma punição durante a corrida em andamento seria mais vantajoso.
E a punição só veio na décima segunda volta, um stop and go de cinco segundos.

Na largada, Hamilton larga melhor e contorna as primeiras curvas na primeira posição, com Rosberg em segundo, mas um toque (totalmente normal em corrida) do alemãozinho em seu pneu traseiro lhe manda para a última posição.
Nico apenas quebrou um pedacinho da asa dianteira.
Se os boatos de que Hamilton poderia deixar o time alemão ao fim da temporada tinham algum fundo de verdade, é capaz de agora tomar um rumo definitivo.
Como vingança, um pouco da sujeira do estouro de pneu do negão ficou presa às antenas do Mercedes do filho do Keke.
 Mas a verdade, mesmo, é que o prejuízo do Hamilton foi enorme, passando mais da metade da corrida fora da zona de pontos, enquanto Nico voava baixo e recuperava posições aparentemente sem fazer esforço.

Tanto que a dez voltas do final tinha nove segundos de desvantagem para o fantástico Ricciardo e tirando três segundos por volta.
Nico estava com o diabo no carro, só não pergunte onde.

Enquanto isto lá atrás, Hamilton abandonava.
A torcida do Nico sorria de orelha a orelha.

E no fim, muito além da má fase, da falta de sorte ou do que quer que seja que acontece com o tetra campeão Vettel, o que sobressai é na verdade o grande talento de Daniel Ricciardo.
O cara é o nome do ano na F1.
Spa coroou um grande piloto.