27 de fev de 2015

Salve Ismael Silva! (só porque deu vontade de escrever)

A história do samba é recheada de personagens fascinantes.
Noel Rosa, Cartola, João Nogueira e suas poesias, Adoniran, o melhor retratista que a cidade de São Paulo já teve. Paulinho da Viola, talvez o mais elegante de todos. O aristocrático Mário Lago, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara entre outros...
Porém há um que transcende o fascínio e se torna, além de personagem histórico, exemplar: Ismael Silva. Negro, pobre, sambista e gay.

Nascido em Niterói em 1905, era filho de um cozinheiro e de uma lavadeira, mudou-se de Niterói para o bairro do Estácio de Sá logo após a morte do pai.
Até ai nada demais, vários sambistas (quase sua totalidade) vem de famílias humildes e ou desfalcada.
Escreveu seu primeiro samba aos quinze anos e não parou mais.
Para sobreviver vendia suas composições a pessoas que não escreviam uma só palavra nas letras ou melodias, mas eram preferidas pelos donos de gravadoras e editoras musicais por terem melhor posição social.
Seu mais famoso “comprador” talvez tenha sido Francisco Alves, o rei da voz, o que o ajudou a se tornar conhecido no meio. Uma mão acabou lavando a outra.
Ajudou a fundar o bloco precursor das escolas de samba modernas, o Deixa Falar que desfilou pelas ruas do Rio entre 1929 e 1931 ajudando a definir o que acabou sendo conhecido como: Samba do Estácio.

Também foi preso e condenado a cinco anos de prisão no fim da década de 30 por ter atirado em outro frequentador da boêmia carioca.
Libertado após dois anos por bom comportamento se tornou recluso e só retornou à cena em meados dos anos cinquenta após ter seu “Antônico” gravado com grande sucesso.

Parceiro de, entre outros, Noel Rosa, Ismael foi descrito por Chico Buarque como a maior inspiração para sua obra, seu verdadeiro “pai musical”.
Ismael ganhou busto de bronze e virou nome de praça no Rio, o que é pouco em comparação ao tanto que deu a cidade e ao samba.

26 de fev de 2015

Utilidades

Visitando o espaço do amigo Paulo Alexandre Teixeira, o Speeder 76, dou de cara com uma noticia bacana: Há uma Simtek de 1995 a venda.
O modelo é um S951 que foi dirigido (pilotado não dá...) por Jos Verstapen, pai do Verstapinho.
Preço? Módicas cento e quinze mil libras.

Mas para que ter um F1 antigo?
Primeiro: porque se é muito rico.
Só sendo muito rico mesmo para por tanta grana em um carro em que não se pode nem dar umas voltinhas no Ibirapuera nos fins das tardes dos domingos e tal...
Segundo: porque é legal.
A grande maioria dos fãs da F1, diferentemente dos fãs de futebol, não podem simplesmente comprar um carro e ir disputar rachas no fim de semana com outros sujeitos.
Até porque a FIA, FOM, FOCA, FUCK ou qualquer outra entidade não deixa.
Mas ter um carro de F1 na garagem ou na parede como o Otávio Mesquita é bem legal.

E também não há tantos carros de F1 a venda assim e nem tantos endinheirados dispostos.
Nós, pobres mortais, nos contentamos com miniaturas colecionáveis.

E se você não for muito rico, mas quiser encarar e comprar o bólido como investimento?
Bom... Ai você é louco, xarope...
Porém, uma boa ideia seria comprar o Simtek, fazer algumas modificações - não na estética do carro, que é perfeita, mas - na motorização mesmo. Trocar o motor Ford HB por um motor qualquer de cortador de grama, liquidificador, juicer ou de dentista, encontrar um filho/sobrinho/enteado de piloto famoso (bem sucedido ou não) e inscrever o carro naquele treco da Formula Elétrica.
Ganhar corrida vai ser realmente difícil, mas com certeza quem o fizer vai ter o carro mais lindo do grid.
Descolar um dinheiro com patrocínio vai ficar até fácil...

25 de fev de 2015

A aposentadoria

Ia se aproximando do prédio onde trabalha e pensando: “-Vou fingir espanto!”
A cada passo ia se lembrando das coisas que fez, das presepadas que aprontou com o povo da repartição e se forçava a conter o riso, não fica bem entrar em uma festa surpresa gargalhando...
“-Melhor mesmo é fingir que não sabia de nada.” - pensa mais uma vez.
Também lhe passa pela cabeça que todos sabem que ele sabe. Afinal, são mais de trinta anos de repartição e quantos ele não viu se aposentar neste período? E com todos foi a mesma coisa: festa surpresa, homenagem , bombons, arranjo de flores abraço... Tudo absolutamente igual! Desde a floricultura de onde vem o arranjo até a bomboniere... Até as piadas são as mesmas.
Até os casos engraçados, afinal, todos estavam juntos quando cada um aconteceu.
“-Mesmo assim vou fingir espanto...” – decide.

Entra no prédio e cumprimenta o ascensorista. O mesmo há muito tempo e que certa vez reclamou de ter sido chamado de “anacrônico”.
“-Pô doutor... Eu nem sei o que é isto ai... Mas com este jeitão de xingamento, coisa boa não é...” -disse Jordão, o piloto do elevador.
E não era mesmo. Pensava que em pleno século vinte e um, com a modernidade atropelando pessoas a rodo, um cara dentro de um elevador apenas para apertar um botão e dizer: “sobe” ou “desce” juntamente com um “cuidado com o degrau” era coisa do passado.
“-Será que ele guarda mágoa?” – pensou .
Desceu no seu andar de trabalho com sérias duvidas sobre o sorriso do Jordão: “-Ou não guardou mágoa e é um grande profissional, ou é um enorme de um filhadaputa”!

No corredor, ao passar pela mesa com as garrafas de café e chá lembrou das vezes ficou ali matando o tempo, conversando com todo mundo que aparecesse e segurando um copinho descartável sempre cheio.
Não tomava o café da repartição. “-Isto é uma tinta miserável. Deve fazer mal até pra alma.”
Mas ainda assim elogiava a tia copeira.

Ao entrar na sala onde trabalhava não viu um só dos companheiros. Ninguém havia chegado ainda. Atrasariam no seu ultimo dia de expediente?
“-Porque não? Sempre me atrasei...”.
Lembrou da vez em que ficou dez dias fora em pleno janeiro e quando voltou inventou uma desculpa esfarrapada sobre uma inundação em sua cidade que lhe fez perder todos os móveis de sua casa.
Comovidos, todos os funcionários da repartição engendraram uma vaquinha e – em uma loja de moveis de preço popular – lhe compraram todo o básico de uma casa inteira.
Comovido aceitou o presente, chorou abraçado a todos.
Só nunca contou que em sua cidade não tem nem rio.
“-Será que eles desconfiam?”

Aos poucos os colegas de trabalho chegam e é quase tudo da mesma forma de sempre.
As risadas, os “causos”, os bombons, a festa de despedida enfim... Só sentiu falta do arranjo de flores. “-Quiseram mudar alguma coisa, que seja....”
Ao fim do expediente, limpou suas gavetas, deu uma ultima olhada para sua mesa e se foi.
Ao chegar em casa, se depara em sua varanda com uma enorme coroa de flores daquelas que se coloca em jazigos: “Descanse em paz!”
Parece que não desconfiam não... Eles têm certeza.

24 de fev de 2015

O vento... Ah o vento

A McLaren disse oficialmente que o acidente envolvendo Fernando Alonso foi causado por uma rajada de vento.
Ok! Todos sabem que é realmente possível que isto ocorra por conta dos infinitos detalhes de aerodinâmica dos carros.
Mas mais que isto, a equipe não falou.
Não explicou o porquê da internação para observação do piloto, já que a batida foi a “modestos” cento e cinquenta quilômetros por hora.
Também não comentou a suposta perda de consciência do piloto antes da batida e nem o tão propalado choque que ele teria tomado.
Segundo alguns, a internação faz parte do protocolo de concussão, mas para tal só se houvesse o espanhol batido a cabeça.
O que também não foi confirmado.
De qualquer forma a noticia boa é que Alonso está bem.

Mas e se fosse com qualquer outro piloto? Com seus estereótipos dados pelos fãs como seria as reações a explicação da “rajada de vento”?

Kimi Raikkonen.
“-Pingaiado...”

Nico Rosberg.
“-Fresco... E foi pro hospital só por isto?”

Hamilton.
“Fingimento: já mentiu pra FIA, já mentiu pra equipe...”.

Maldonado ou Perez.
“Ruindade agora mudou de nome? Tão chamando de vento?”

1B
“-Vento: Sei, sei... Mas era intermitente ou incongruente como daquela vez que achou um defeito no câmbio da Williams?”

Kvyat, Magnusenzinho ou Verstapinho.
“-Dar carro na mão de adolescente dá nisto ai...”.

23 de fev de 2015

O inferno astral da McLaren e Fernando Alonso

E segue feia a coisa na McLaren: Button dando poucas voltas e Alonso batendo o carro.
Quanto ao Jenson dar poucas voltas, tudo dentro da normalidade.
O cara só anda bastante quando chove...
Mas o acidente de Fernando Alonso chama a atenção.
Nem tanto pelo fato de ter batido, mas a forma como bateu. Alguns relatos dão conta de que teria perdido a consciência antes da batida por conta do mau funcionamento do ERS.
Em outras palavras: tomou um choque e apagou.
Obviamente que isto será investigado e reparado, mas a situação é de um perigo enorme.
A torcida é para que o problema seja logo solucionado e que o apelido “cadeira elétrica” não seja mais que uma maldade com carros ruins.

Mas uma pequena investigação grooniana para apurar o porquê do choque se fez necessária.
Principalmente a pedido de Jenson Button, que como sabemos, só gosta de dirigir na chuva e, logo, ficou apavorado com a possibilidade de tomar choques e não guiar bem nas – poucas – vezes em que encontra condição ideal para seu brilhareco.
Então aqui vão alguns – possíveis – motivos para o suposto choque em Alonso.

Fios desencapados em contado com a carroceria.
Na pressa de tentar consertar algo que aparentemente era simples, desencaparam os fios (que não são Amanco) e emendados apenas na “torcidinha”.


Falha no isolamento.
Uso de materiais de isolamento não aconselhados: durex, fita crepe, veda rosca...
Projeto novo, McLaren sem patrocínio... Gambiarra come solta.

Cockpit molhado.
Com a choradeira de Fernando Alonso se lamentando de sempre escolher a equipe no momento errado, a falta de sorte, a evolução dos adversários, a zueira dos torcedores de outros times e pilotos... O cockpit pode ter ficado muito molhado e – na falta de um fio terra – começado a distribuir choques.

Se fosse Jenson Button certamente o cockpit molhado teria se dado por algum tipo de falha... Na vedação da fralda geriátrica.