21 de jul de 2017

F1 2017: Inimigo nas sombras?

Desde que assumiu o comando do show, a Liberty tem acertado a mão em algumas coisas que a antiga gestão não mexia e quando o fazia era um desastre total.
As transmissões televisavas estão melhores, com recortes bem feitos e tendo a preocupação de encontrar pontos humanos seja nos boxes ou nas arquibancadas.
Os carros estão mais bonitos e Ross Brawn já falou que isto é uma necessidade da categoria,
A inserção da categoria nas redes sociais tem sido feita de forma simpática e até o youtube já conta com um canal oficial da F1 com bons vídeos.
As corridas têm menos punições idiotas e a empresa dona da bagaça toda já sinalizou em relação a manutenção dos palcos mais tradicionais em detrimento a pistas novas e supervalorizadas (esportiva e financeiramente).
Mas parece que tem gente descontente com isto. E gente grande.
Obviamente aqui trata-se de especulação, mas as coisas que começaram a acontecer nos últimos tempos levam a pensar que há quem queira sabotar o jogo e o motivo não pode ser outro senão grana. Claro.
Alguns exemplos:

Após o episódio da briga na pista entre Hamilton e Vettel, a punição em pista foi dada e pensava-se que a vida seguiria, mas a FIA, comandada hoje pelo francês Jean Todt se meteu no meio, abriu uma nova investigação e pensava em punir o alemão (que disputa agora ponto a ponto o campeonato com Lewis) com uma ou mais provas de suspensão.
O que convenhamos, colocaria água no chope da disputa de forma quase que irreversível e atrasaria o lado da Liberty no que tange ao marketing que está conseguindo já no primeiro campeonato sob sua tutela.
Jean Todt era “camarada” da antiga gestão.

Mesmo dizendo que pretende manter os GP´s tradicionais no calendário (o que mostra que haverá flexibilidade nas negociações sobre taxas) os administradores do circuito de Silverstone (o mais tradicional de todos, já que foi lá que a coisa começou) fizeram valer uma clausula em seu contrato que permite quebra-lo e por conta de custos, deixar de sediar o GP da Grã-Bretanha já a partir de 2019.
Claramente uma pressão para forçar a renegociação das taxas.
Curiosamente é uma das estratégias mais usadas pela velha gestão quando queria arrancar mais dinheiro dos promotores das corridas: ameaçar retirar tal corrida do calendário.

Agora, a respeito da proteção à cabeça dos pilotos em que se estudava implantar algo para o propósito que não deixassem os bólidos descaracterizados ou muito feios, foram testados o Aeroscreen, pensado pela Red Bull e que tinha a aparência de um para-brisas  ou o Halo, uma solução que, aparentemente não protege grande coisa  e que se assemelha às correias de uma sandália do tipo havaianas.
Logo, a própria FIA daria sua sugestão, que no fundo não passava de um genérico da solução criada pela Red Bull e que, levada a pista por Sebastian Vettel em seu Ferrari, foi criticada pelo piloto dizendo que aquilo havia deixado desconfortável com a visão e algumas dúvidas a mais surgiram, como o que aconteceria se a peça se sujasse de óleo ou como aquilo funcionaria na chuva.
Foi informado pela Liberty que os estudos seguiriam e não havia uma data certa para a implementação da proteção, fosse qual fosse.
Do nada e em uma canetada, a FIA cravou que o que vai ser usado será mesmo o tal Halo (uma excrescência que não teria, por exemplo, ajudado Felipe Massa em seu acidente de 2009 em nada).

E que já entrará em uso em 2018, aparentemente sem consultar a GPDA (associação de pilotos), contrariando a Liberty e fazendo exatamente o que fazia a antiga gestão: não dando a menor pelota para os fãs ao redor do globo.

Pode parecer paranoia, teoria conspiratória, mas que tem gente melindrada com o sucesso rápido da coisa e doida para entornar o caldo da Liberty sabotando como der as ações, tem.
Tem um morcego na porta principal.

18 de jul de 2017

F1 2017 - Pós corrida: Os boatos inglêses

O fim de semana inglês teve alguns boatos interessantes a serem explorados nas férias que começarão após o próximo GP a ser disputado na Hungria.

O primeiro foi o rompimento do acordo entre a equipe Sauber e a Honda.
Sopra-se que os nicômicos (junção de nipônicos com cômicos) estariam putos da cara com a forma como foi tratada a questão Monisha Katelborn no time suíço.
Dizem também que os japoneses se recusam a conversar com o novo dono da equipe, Marcus Ericsson, e foram procurar outro time para estragar, digo, entregar seus motores.

Daí o segundo boato, ventilado pela turma que faz podcasting enquanto passa a corrida na TV, porque narrar e comentar mesmo, Reginaldo, Galvão e Luciano não fazem faz tempo...
Os boquirrotos deram conta de que após deixarem de lado a Sauber, os japoneses vão fechar acordo com a Toro Rosso, pré-primário da escola de pilotagem da Red Bull.
A creche rubro taurina já andou com motores de segunda linha da Renault e Ferrari, agora vai pode ser empurrada pelos motores de segunda linha da Honda.
E mesmo que a Honda deixe de lado a McLaren para ser fornecedora apenas da Toro, ainda assim estarão – por um bom tempo – com motores de segunda linha.
Ou como disse Alonso em outra temporada: GP2 engines.

Aliás, outro boato envolvendo a Toro é de que seu motorista Carlos Sainz Jr., que até agora não honrou o sobrenome famoso, estará já na corrida da Hungria vestindo o preto e amarelo da casa Lufa-lufa...
Ah não, desculpe, ele não está de partida para Hogwarts, mas para a Renault, substituir outro sobrenome famoso que não sabe pilotar, mas insiste, Jolyon Palmer.
Não dá nem para dizer que Sainz Jr. é uma tentativa da Toro de sabotar algo na Renault, já que o cara que ele vai substituir já é um tipo de sabotagem...
Também corre a boca pequena que Kvyat pode não ficar mais na equipe.
Ficamos aqui todos consternados e preocupados com o futuro da equipe B da Red Bull, já não basta estar ameaçada de ter motores horrorosos para 2018, ainda vai ter que contar com dois pilotos novatos do programa da equipe mãe.
A preocupação é pelo fato de os dois que estão pilotando os carros de latinha são considerados, no momento, os dois melhores do programa e visto isto, quão ruins não serão os outros que estão lá então?

16 de jul de 2017

F1 2017 - Grã Bretanha: um campeonato se faz com bons pilotos, bons carros e sorte, bastante sorte

Silverstone é tradicional, é histórico e bla bla bla...
A verdade é que depois que trocaram o local da largada da corrida, fiquei perdido.
Só não tenho pelo circuito o mesmo amor que tenho por Monza ou Spa, mas obviamente, gosto de ver as corridas disputadas lá.
Até porque, para se ter um campeonato de F1 minimamente decente, é preciso ter uma corrida na Inglaterra, e se for em Silverstone, melhor ainda.

A corrida deste ano trazia a sombra do domínio da Mercedes (como no ano passado), mas só contava com o molho (de hortelã, como nos pratos da culinária inglesa e que é horrível) de ter Bottas largando na nona colocação após ter que trocar câmbio.
Logo na volta de apresentação um inútil Jolyon Palmer teve problemas no carro e ficou pelo caminho.
Largada abortada.
Assim que alinharam novamente e as luzes se apagaram Lewis pulou na frente e deixou uma briga mais intensa para Vettel, Kimi e Max Verstappen.
Briga que durou pouco, já que outros dois inúteis que dirigem pela Toro Rosso se encontraram, se arrancaram da corrida e trouxeram o safety car para a pista.
Pensando em Kvyat e Sainz Jr. fico imaginando o nível dos pilotos da academia mantida pela Red Bull se estes dois tapados é que são os melhores do momento.

No quinto giro voltou a valer a aceleração e Hamilton se manteve na frente com a tranquilidade de ter atrás de si uma incógnita chamada Kimi Raikkonen.
Enquanto isto, na sequência de voltas entre a 13 e a quinze, Vettel e Verstappen travaram uma luta de gente grande pela terceira posição.
Max não é fácil de ser ultrapassado e Vettel não é de desistir. Ambos usaram a pista e mais um pouco.
Por sorte nossa, a Liberty é mais relaxada nestas questões. Se fosse a antiga gestão, a briga entraria sob investigação e era bem capaz de sobrar punição aos dois.
Na volta dezenove, Vettel foi aos boxes e encerrou por hora a questão.
Quieto, vindo de trás e com pneus mais duros, Bottas preparava ali o undercut para ganhar, nos boxes, a posição do ferrarista e do piloto da Red Bull.
Uma grande corrida também se faz com uma grande estratégia.

Hamilton foi aos boxes na volta vinte e seis, na volta, saiu atrás de Bottas, que foi o último dos ponteiros a parar.
Por mais que Bottas tivesse deixado Hamilton passar logo na sequência, Bottas já havia cumprido sua meta de estar ao menos na segunda posição à esta altura.
Eram os efeitos da briga entre Vettel e Max aparecendo.
Só não se contava com a demora do finlandês gordinho em ir para os boxes.
Com pneus mais macios, tanto Vettel quanto Kimi recuperaram suas posições.
A briga agora seria com Bottas de pneus mais novos (e carro melhor) encostando nas Ferrari para brigar na pista pelas posições.
O que aconteceu na volta 43 com Bottas colocando pressão em Vettel que não dava moleza.
Bottas por fora da pista, Vettel travando pneus, bonito de se ver, mas com um conjunto melhor calçado, Bottas passou na reta, aí sim, sem maiores esforços.
E a uma volta do fim, Kimi fica sem pneus e tem que ir aos boxes.
A dobradinha da Mercedes estava sacramentada.
E melhor, Vettel, que havia herdado a terceira posição também fica sem pneus e com um furo vai aos boxes na última volta chegando apenas na sétima posição.
A diferença na tabela caiu para apenas um ponto entre o ferrarista e o piloto da Mercedes.
Um campeonato, para ser realmente emocionante precisa de ao menos dois pilotos de equipes diferentes disputando e uma grande dose de sorte.
E claro, ao menos uma corrida na Inglaterra. Sendo em Silverstone, melhor ainda.

13 de jul de 2017

Dia mundial do Rock

Em 13 de julho 1985, Bob Geldof organizou um concerto que – segundo ele – chamaria a atenção para a fome na Etiópia.
Deste concerto, chamado apropriadamente de Live Aid, participaram monstros sagrados do rock:

Queen, Scorpions, David Bowie, Paul McCartney, The Who, Dire Straits, uma quase reencarnação do Led Zeppelin que contava com Phil Collins no posto que pertenceu a John Bonzo Bohan, o então emergente U2 entre outros.
As apresentações foram em dois palcos, um em Wembley, Londres e outro na Filadélfia, no estádio JKF.
Houve também artistas se apresentando em Tókio, Moscou e Sidney.
A esta data foi atribuído dia mundial do rock.

Provavelmente não foi o primeiro concerto coletivo com fins beneficentes, mas foi com certeza o mais famoso, o mais visto ao redor do mundo.
Segundo alguns historiadores e pesquisadores musicais, o evento serviu definitivamente, para alçar o gênero - já há muito consolidado - à condição de musica adulta, séria e não mais um arroubo de adolescentes e baderneiros.
Balela…
O rock sempre foi e sempre será música libertária/libertina, desencanada e descompromissada, mesmo servindo a fins humanitários.
Tanto que perguntado ao fim do evento se o concerto conseguiria mudar a atitude do mundo em relação à situação do país africano, Bob Geldof não titubeou ao responder:
“-Não!”.

Mas que foi divertido, ah isto foi…

12 de jul de 2017

O rock no Brasil não acabou, você que é preguiçoso 2: Besouro Rosa da Esquina.

Jackie Stewart, piloto tri campeão do mundo de F1, atribuiu uma vez à agua consumida por aqui o sucesso dos brasileiros na categoria.
Tendo em vista esta premissa, deve haver algo na água consumida em Minas para que tantos bons nomes surjam na música por lá.
Mas como músicos não são muito afeitos a consumir água, vamos dizer que é o ar das montanhas...
Do Clube da Esquina ao Sepultura passando por Skank e Pato Fu (J Quest não) os artistas vindos da terra do pão de queijo conseguem aliar – sempre! – boas letras com boas melodias e ótimos instrumentistas.
Não por acaso, também é assim com o Besouro Rosa da Esquina, banda formada em Muriaé, região da Zona da Mata mineira e que conta com Alessandro Supertramp (voz, guitarras) Rafael Schelb (bateria e percussão), Tyson Rodrigo (guitarra) e Leandro Oliveira (baixo)

O Início (2017, independente) produzido por Claudir Panda é o primeiro EP oficial da banda e tem, claro, todos os elementos que se encontra em primeiros trabalhos, para o bem e para o mal.
Não espere ouvir melodias intrincadas, cheia de notas e arranjos mirabolantes ou rocambolescos.
A simplicidade dá o tom. E importante, não confunda simplicidade com indigência. Tudo é muito bem composto e arranjado. Não há pontas soltas nas melodias e o disco é bem resolvido com o frescor de novidade sem invencionices. Sacou?

Começa com “Somos Todos Tolos” e uma slide guitar esperta sobre uma base sólida nos lembra country songs.
A harmônica tocada por Alessandro Supertramp remete aos anos sessenta, mas passa longe do sopra e chupa executado por Bob Dylan, por exemplo. Se for realmente necessário comparar, que seja à Lennon ou Jagger que impunham melodia ao instrumento.
Baixo e bateria dialogam enquanto um teclado (cortesia de Felipe Alves que foi convidado a gravar o instrumento) faz a cama para que Supertramp cante sobre a desesperança cínica que tomou conta do país e da falta de ações concretas para sair do buraco.

Tambores anunciam a chegada de “Deb Song”, uma canção de amor que consegue pôr no mesmo bar William Shakespeare e Napoleão Bonaparte e unir Don Quixote e o dragão de São Jorge.
O resultado final é uma canção que deixa o tema da separação amorosa leve e até engraçado, como aquelas histórias de que a gente ri depois de muito tempo que passou.

Já “Qualquer Lugar” conta uma letra bonita e melodia envolvente, Supertramp canta com emoção genuína e encontra soluções originais para a métrica da letra.
A banda toca de forma elegante e é possível, fechando os olhos, enxerga-los sobre o palco.

“Novembro de 2015” é um hard rock pesado, tanto na parte instrumental quanto na temática da letra.
A guitarra agressiva e as viradas da bateria conduzem a música até a entrada da parte recitada da letra que evoca o mega acidente ecológico em Mariana e cita também os atentados no Bataclan em Paris.
Mas quando o vocalista inicia um rap o show passa a ser do baixista Leandro Oliveira que conduz sob fio de navalha deixando espaço para as guitarras florearem em solos e bases iradas.
Vale a pena acompanhar a letra nervosa que mostra que a diversidade de temas é um caminho sólido para a banda.

O disco fecha com “A Força”, um rock com ares épicos e um solo de guitarra que gruda no hd do ouvinte e termina deixando um gosto bom de quero mais.

Depois de ouvir o disco algumas vezes passamos a duvidar tanto da máxima do piloto quanto da teoria do ar das montanhas.
A gente fica com o talento dos envolvidos e com uma pequena pulga atrás da orelha: será que não podia durar só mais um pouquinho?

Ouça aqui: