24 de abr de 2015

Walk the line

No palco de um pequeno teatro, Jonnhy Cash e sua banda, o Tenesse Three junto com Jerry Lee Lewis e muito provavelmente Roy Orbson entornavam cervejas e uísque enquanto faziam jam sessions com alguns números de blues, rocks de sucesso radiofônico da época, alguns números gospel.
Após semanas na estrada em turnês feitas em ônibus e carros de passeio desconfortáveis, aquelas escapadas se faziam necessárias e eventualmente, junto com as bebidas também vinham anfetaminas e os barbitúricos que, mais tarde, quase arruinariam a carreira de Cash.
A cena é ao mesmo tempo engraçada e reveladora.
Juner Carter, que também acompanhava a trupe chega para o ensaio e os vê descontraídos e alguns completamente bêbados.
Ela esbraveja, xinga e desopila o fígado em um desabafo que diz mais sobre ela mesma do que sobre o que vê naquele palco. Irritada por já estar tantos dias longe dos filhos e pela própria dureza daquela vida errante,
E ainda diz que não tem que tomar conta daqueles marmanjos e que eles não tem o menor senso de profissionalismo.
Cash diz algo sobre estarem apenas se divertindo e diz que seria muito difícil “se não fosse este tempo mais livre” e todos convidam June a subir, tocar com eles e beber algumas cervejas.
June responde que são muitos “se” na mesma frase e sai pisando duro.
Cash responde dizendo que tem apenas um “se” na frase, no que é seguido por Lewis.
June então volta e transtornada de raiva, começa a atirar garrafas vazias de cerveja e o que mais encontra pela frente no grupo, que – obviamente – se esconde.
Ela diz que está fora da turnê e arremata: “-Vocês não sabem andar na linha”.

Algum tempo depois, I walk the line se torna um dos maiores sucessos de Jonnhy Cash, com seu tom de voz cavernosa e profunda...
O resto é história.

23 de abr de 2015

Dissecando manchetes

Niki Lauda, aquele das declarações controversas soltou aos repórteres que a Mercedes não se sentirá pressionada para fazer atualização de seus motores mesmo que a Ferrari o faça.
Pronto, achamos a comparação ideal: a Mercedes é a Samsung da F1.
Não atualiza porra nenhuma.

Já a Ferrari vai atualizar os seus e promete melhorias para o Canadá já no meio do ano.
A Ferrari é a Motorola da F1.
Atualiza, mas demora... E nem sempre fica lá estas coisas.

Bernie Ecclestone, o velhinho da fuzarca, disse que não há problemas com os direitos humanos no Azerbaijão, que pode ter corrida lá de boa.
Sério... Desta vez eu acredito no anãozinho.
Também não se viola direitos humanos na Rússia, nos EUA (e lá pode ter até duas provas no ano) e nem na China.
Por isto que tem corridas nestes lugares.
E nem foi citado o Bahrein, que uns anos atrás tinha até quebra pau contra a realização da prova...

Arrivabene, a maior surpresa da Ferrari em anos disse que pediu para que construíssem o carro para que fosse ao gosto de Kimi Raikkonen.
Traseiro? Neutro?
Nada, de vodka mesmo.
E ainda completou o italiano gente boa: “-E eu vou botar a mão na massa com vocês”.
O que explica muita coisa.
Só bêbado mesmo pra ser gente boa na F1 e na Ferrari...

Por último: estava no Grande Premio que os brasileiros da F1 chamam a atenção pela solidez e pelos poucos erros.
Tá... É verdade, mas espera... Espera até voltarem ao normal.

22 de abr de 2015

Crônica do GP: Artificialidades: até quando e quanto mais?

Há algum tempo vem se procurando o que pode ser a essência da F1, o que a deixava atraente para o público e telespectadores em outras eras.
O tédio de muitas provas com certeza afastou grande parte do público, os preços praticados nos ingressos, a aproximação da categoria com mercados sem tradição e sem interesse pela coisa também, mas vamos deixar isto para outra hora...

Fala-se agora em aumentar espetacularmente a potência dos motores (elevar a 1000 HP) e retirar a limitação de giros e/ou consumo e liberar a aerodinâmica para os projetistas.
Coisas que e aqui abro aspas “para o bem da categoria e do espetáculo” foram regulamentadas ou banidas há bem pouco tempo.
Mas seria esta a solução?
Duvido...

Houve a criação de um grupo para trazer de volta as ultrapassagens em uma época, não sei se ainda se reúnem... Suas grandes contribuições foram coisas artificiais mais voltadas para o mercado (Kers, ERS e afins) sobre alimentando o motor que para o espetáculo em si.
Para este último criou-se a asa móvel, que unidos ao Kers/ERS dá mais velocidade ao carro que ataca, desde que dentro do intervalo de um segundo entre um carro e outro.
Não há a possibilidade de defesa para o carro que vai à frente, mas as ultrapassagens apareceram, é bem verdade, só que de forma bem artificial e acaba que nem isto trouxe os espectadores, seja in loco, seja pela TV de volta.

Então algum maluco, alguém meio alienado da realidade deve ter dado a ideia de que o que atraia o público eram as faíscas que os carros – mais notadamente nos anos 80, começo dos 90 – soltavam quando batiam o fundo nas imperfeições do asfalto.
Era bonito, claro... Mas era isto?
Não, mas mesmo assim regulamentou-se o uso de uma placa de titânio debaixo do bólido para soltar as tais faíscas.
Mais artificialidade... E tem gente que adora!
Mas aposto e ganho que isto também não vai atrair ninguém de volta.
Se enfiar um bombril no cu, por fogo e peidar, também saí faísca...
Então fico esperando a próxima grande ideia ou sacada.
Será que dirão que o que atraia o povo eram as explosões de motor com muita fumaça?
Ou os acidentes espetaculares como aquele do Kubica no Canadá?
E se disserem que eram os acidentes fatais da década de 60 e 70?
Não quero nem imaginar como artificializarão estas coisas...

21 de abr de 2015

Lado B do GP: Fala Cumpadi...

Os lado B começam, para variar este ano, com a McLaren.
A aposta era: com quantas voltas o time tomaria volta dos lideres?
Alguns apostaram em um terço de prova, outros que com um pouco mais...
O time, contrariando as expectativas – ou a bolsa de apostas – tomou já na segunda volta já que o Button nem largou.
Tem que ver este tipo de manipulação ai nas casas de aposta.
Porém, no fundo – e no raso também – ninguém ligou do Button não estar lá.

Carlos Sainz, o popular Sainzinho, tomou uma punição antes da largada de cinco segundos por se atrasar para alinhar no grid.
Até para isto o rapaz é lento.

Felipe Massa estava com muitas expectativas boas para a corrida.
Traçou um plano de duas paradas.
Fez uma logo antes da largada... Não saiu para a volta de apresentação.
Uma das melhores brigas da prova foi entre Massa e Nasr, com este último tentando ultrapassar o Felipe mais felho de todas as formas...
Até que conseguiu com uma manobra bem arrumada e até bonita, porém os dois – que iam à frente do Maldonado – seguiram para os boxes na mesma volta seguidos de perto pelo venezuelano.
O que acontece? Os dois perdem a posição para o motorista da Lotus.

Enquanto isto, todo mundo ia passando Fernando Alonso e dando tchauzinho.
Ai foi um tal de:
“Passa negão, passa loirinha, todo mundo vai passando o espanhol malinha...”

19 de abr de 2015

F1 2015: Bahrein: por sorte aqui é ao meio dia...

Desde que foi criada, há tempo demais em minha opinião, a corrida bareinita teve umas duas ou três edições memoráveis e realmente emocionantes.
A do ano passado foi ótima.
Algo parecia destoar quando a corrida era disputada com a luz do sol.
A paisagem feia, algo entre lunar e terra arrasada não ajudava. Como também não ajudam as grandes retas unidas por hairpins.
Jogando videogames a impressão que se tem é de que é muito mais prazeroso pilotar lá do que assistir as corridas. Como a grande maioria de nós não pilota...

A corrida começou até bem.
Massa jogado para largar dos Boxes teve que escalar posições.
Nada difícil para quem tem o terceiro melhor carro do grid.
Interessante foi ver Rosberg voltando a ser o que sempre foi e perder posição para o Kimi.
Logo depois voltou ao seu lugar de direito passando as duas Ferrari o que prova de forma inconteste que o carro hoje em dia é infinitamente mais importante que o piloto.
O alemão não é sequer um terço de piloto que são Vettel e Kimi, mas...

E foi só o alemãozinho voltar ao seu lugar de direito, ou de direito do carro, e a corrida entrou em banho Maria à espera da bandeirada.
Algumas boas brigas isoladas no meio do pelotão e só.
As trocas de posição por conta de pist stops não conta.

Massa vivendo um dia horrível não tinha carro para sequer brigar pela décima posição.
Por sorte, não teve quem o atacasse ali.
Rosberg por sua vez, não tem ânimo ou talento para ir atrás da vitória ou segurar a segunda posição.
Mas nem isto interferiu na ordem natural das forças deste ano.
Mercedes, Ferrari e Williams seguem o seco da F1 sem graça.

Vamos esperar que a emoção apareça no próximo GP que... Não... Não... Deixa pra lá.
A próxima corrida é na Espanha, chance de emoção é o mesmo de uma vitória do Alonso ou do Button.