23 de jan de 2017

F1 2017: O fim de uma era (?)

A “grande” notícia do fim de semana foi o provável afastamento de Bernie Ecclestone do comando da F1.
Por que as aspas?
Imagine que você compra um empreendimento realmente grande, que você pensa que pode render muito mais do que já rende estando nas mãos certas (as suas) quem você deixaria comandando a bagaça? O antigo dono? Não parece lá muito coerente...
Mas o próprio Bernie já havia declarado que seu futuro na F1 era incerto e que tudo: “...Está nas mãos dos novos donos.”

A Liberty Media já sinalizou que deve pedir ao dino... digo... dirigente que se afaste (renuncie) da função de diretor executivo, que manda desmanda e manda para Baku quem não estiver contente desde o fim dos anos 1970.
Em contrapartida, devem oferecer um cargo de “presidente vitalício” para Ecclestone, seja lá o que isto queira dizer.
Deve ser algo como o Ronald McDonald, é a cara pública, mas não decide nem quanta cebola vai no sanduíche.

Algo que pode pesar nesta aceitação é a vontade da Liberty em aproximar a categoria das plataformas digitais incluindo redes sociais.
Claro, é necessário para termos de divulgação e modernização de imagem e tal, mas tem o outro lado: atrai imbecil que é uma beleza. O chamado “comentarista de portal” que solta a taramela falando sobre o que manja sem convicção e sobre o que não manja com uma voracidade que só imbecis costumam ter.
Mais sobre isto depois.

Só uma coisa: a Liberty poderia tomar um pouco mais de cuidado ao sair fazendo declarações.
Bernie é do tipo tinhoso, que claro, não rasga dinheiro, mas para se melindrar com algo e melar tudo...

20 de jan de 2017

Groo Recomenda: Sly and the Family Stone

Em 1970 um beatle (ex beatle não existe) pediu que todos imaginassem um mundo sem fronteiras, sem divisão por cor, raça, credo e arrematava: “-It´s easy if you try.”.
Não diminuindo a importância ou a beleza poética desta iniciativa convenhamos que a utopia sonhada por Lennon pudesse estar um tanto defasada...
Enquanto sugeria que tentássemos imaginar, um outro cidadão, de nome Sly, já havia posto em prática tudo isto.
Ao menos no que dizia respeito a sua banda, servindo como mensagem para o mundo todo: “-A butcher, a banker, a drummer and then. Makes no difference what a group I´m in”.

Silvester “Sly Stone” Stewart foi um prodígio musical. Aos sete anos de idade já era tecladista e ao chegar ao colegial já tocava vários outros instrumentos, entre eles a guitarra na qual viria a se destacar em bandas de garotos.
A mais importante delas talvez tenha sido a Vyscaines, onde tocou junto com um garoto filipino chamado Frank Arelano.  Eram os dois únicos membros não brancos do grupo e a reação do – minguado - público que os assistia fez com que Silvester começasse ter a ideia de um grupo multirracial e multi cultural.
Em meados dos anos 60 trabalhava como DJ em uma estação de rádio voltada para a música negra em todas as suas vertentes, do R&B ao jazz, passando por blues, soul e funk. Foi – provavelmente – o primeiro DJ a enxertar na programação negra, branquelos como os Beatles, Rolling Stones e os Animals.
Também atuou como produtor musical e foi responsável por discos dos Beau Brumels e Grace Slick, antes que ela se juntasse ao Jeferson Airplane.
Mas era pouco.
Formou então sua Famíly Stone, com a qual já vinha sonhando desde o fim dos Vyscaines.
Junta alguns familiares – de verdade, irmãos e irmãs – recruta alguns amigos brancos e até um indígena e faz da Sly and Family Stone provavelmente o primeiro e único caso de um grupo tão diversificado nos anos 60.
Sua apresentação no icônico Woodstock é lendária.
Seus primeiros álbuns celebram o otimismo e alegria que tomava conta do mundo nos anos sessenta, uma esperança que os 70 trataram de enterrar com toneladas de cinismo, ironia e violência...
E assim como o mundo, a Family Stone nunca mais foi a mesma, trocando as canções de sabor pop e alegres por citações cifradas dos confrontos raciais nos EUA em funks de grooves duros e pesados.
E da feliz primeira fase veio "Everyday People", uma "Imagine" com alegres tons coloridos. Uma ode a tolerância e a igualdade, que dizia que éramos todos pessoas comuns: “Different Strokes for different folks”.

19 de jan de 2017

F1 2017: Por que Massa?

A pergunta que não sai da cabeça nos últimos dias é: por que Massa?
O cara acabara de anunciar aposentadoria, havia passado por um ano dos menos produtivos, não aparentava nenhuma motivação para continuar.
E tudo isto na própria Williams.
Então: por que Felipe Massa?

A resposta pode ser simples: não havia ninguém melhor no mercado.
Também pode ser óbvia: ambos, equipe e piloto, já conhecem ritmo e método de trabalho um do outro.
Pode ser sem graça: pela experiência em contrapartida com o novato no outro carro.
E pode ser estranha: ser a super nanny do Lance Stroll.

Ou para alguns veículos aqui da terra brasilis, o professor Guimbinha, aquele cara que cuida das invenções de segurança do Riquinho Rico.
Até sei que a comparação não faz sentido, mas estes veículos aí só conseguem se referir a Lance Stroll lembrando que ele é rico.... Sabe como é: ter dinheiro é feio.

É meio romântico imaginar que seja apenas para tutelar o novato que Massa tenha voltado.
Lembra demais o enredo do (péssimo) filme do Stallone sobre a Indy Car, mas não é de todo descartável a ideia.
Massa poderia dar as informações para desenvolvimento do carro que, por acaso ou por falta de experiência, Stroll deixasse passar batido.
Isto também explicaria o convite ao brasileiro com um contrato de um ano e não a promoção do piloto reserva, o inglês Gary Paffet.

Mas com o contrato de apenas um ano, em 2018 forçadamente o time teria dois pilotos com pouca rodagem de qualquer forma, não?
Não necessariamente já que o contrato de Bottas com os alemães é de um ano também e o time de Toto Wolf já fala em Vettel ou Alonso para a temporada seguinte.
Pode ser até brincadeira, mas... Sabe como é: onde tem fumaça, geralmente está o Marcelo D2...

18 de jan de 2017

F1 2017: A luta contra a lata - ou - A falência do café

Massa e Bottas completaram um movimento de cadeiras da F1 iniciado com a ida de Nico Rosberg para o negócio de venda de ovos e leite de produção orgânica.
Com as vagas fechadas na Williams e na Mercedes sobraram apenas dois acentos na F1 2017 e creia...  Não são lá estas coisas...
Sabe quando você vai ver um espetáculo sold out e a única poltrona disponível é atrás de um pilar ou na lateral extrema do palco, de onde você só vê as coisas direito se esticar e entortar o pescoço?
Então...  Assim são os cockpit da Manor.
São bons para ver a corrida, afinal, estão dentro da pista e de tempos em tempos o líder da prova passa por eles. Bem rápido, mas os pilotos conseguem ver assim mesmo.
Já para disputar... São facas de dois gumes.
Se o cara conseguir ir bem, andar legal na corrida e – se der muita sorte – marcar uns pontos, pode cavar um contrato com algo melhor num futuro (ou não), porém, se ficar andando lá no fundão, fazendo número, a frigideira é certa.
E é para lá que Felipe Nasr pode rumar...

Mas para estar no grid neste ano a Manor enfrenta uma velha inimiga bem conhecida: quase intima eu diria: a falência.
Tirando o ano em que Richard Branson vendeu sua então Virgin Racing para investidores russos e o time passou a se chamar Marussia, o restante do tempo sempre foi de incerteza e prejuízo, com a equipe chegando ao fim das temporadas sem saber se alinhariam no grid na temporada seguinte.
Até um leilão em 2015 chegou a ser marcado para vender os carros e equipamentos do time, mas foi cancelado pelo aparecimento de investidores que, em 2016 resolveram chamar o time de Manor Racing e mantê-lo nas pistas a duras penas para tentar reaver o investimento.
A coisa parece não ter dado tão certo, já que de novo está na mesma situação dependendo do aparecimento de novos investidores para seguir viva.
As últimas notícias dão conta de que há gente interessada, mas o time precisa resolver tudo até o fim de janeiro para poder alinhar de forma minimamente decente na Austrália.

É certo que uma equipe a menos em um grid já tão magro faria muita falta, mas até que ponto é bom para a categoria ter uma equipe que só feche o grid sempre e sem brilhos maiores que largar mais à frente quando alguém é punido?
Uma equipe que – felizmente – nem tradicional é.
Pior, corre o risco de ao fim da temporada estar de novo com o chapéu nas mãos mendigando novos investimentos.
Vendo a situação da equipe dá para notar claramente o quanto um teto de investimentos e uma melhor distribuição do dinheiro da FOM/FIA/Liberty Media ou quem quer que seja entre as equipes se faz necessário.
E rápido, bem rápido, mais rápido que um F1.
Muito mais rápido que uma Manor.

17 de jan de 2017

F1 2017: Substitute

E o substituto do campeão foi escolhido.
Valteri Bottas vai ter a (in)grata missão de pilotar um dos carros mais desejados do grid nos últimos anos.
É certo que não se sabe se a supremacia vai continuar firme e forte como tem sido, mas apostar que ao menos será um dos carros protagonistas do ano não seria loucura.
Mas quem é o que esperar de Valteri Bottas e o porquê da Mercedes ter apostado nele?

O cara é finlandês. Portanto conterrâneo de Mika Hakkinen, Kimi Raikkonen e Heikki Kovalainen, mas por nunca ter vencido uma corrida na F1 não é possível dizer se também não deixa cair uma só gota do champanhe. O terceiro lugar é legal, mas não se compara a loucura de ganhar a corrida. Bebe-se bem mais no lugar mais alto do pódio.
Antes de chegar à F1, correu na GP3 séries e foi campeão pela Art Lotus.
Antes ainda, atuou em Charlie and the chocolate factory no papel de Augustus Gloop.

Em 2017 vai ser o companheiro de equipe do tetracampeão mundial Lewis Hamilton, aí está a dor e a delícia de ser piloto da Mercedes.
Se ao fim da temporada estiver à frente na classificação, terá se imposto com um piloto de ponta, se estiver atrás...
E Lewis é jogo duro, seja no braço, seja no jogo mental.
Sua briga com Nico foi tão intensa e tão ferrenha, que assim que ganhou um round, Nico pulou fora da categoria dizendo que: “...a vida é muito curta para ter que passar por tudo isto.’
Bottas não foi testado neste nível ainda.
Na F1 pilotou ao lado de Felipe Massa, que é bom piloto, mas é leal nas brigas. E sendo bem sincero, não lhe fez muita frente. E de Pastor Maldonado, que.... Que... Nada. Nada sobre Pastor Maldonado.
Nesta temporada corre sério risco de ser subjugado por Hamilton e acabar como a maioria aposta: um segundo piloto de luxo.
Um bom indício foi dado pela BBC quando informou – não oficialmente – que a duração de seu contrato é de um ano somente.
Mas este é um ano de incógnitas, logo, Valteri Bottas na Mercedes também é uma que só o decorrer do campeonato vai solucionar.
Particularmente, penso que é apenas um piloto limitado, nem tão bom e nem tão ruim, mas que com um carro de ponta, é sério candidato a vitórias.
Exatamente como a Mercedes gosta.