1 de mai de 2016

F1 2016: Rússia, a corrida da reversal (onde o campeonato chateia a corrida)

Primeiro de Maio... A primeira corrida em vinte e dois anos nesta data e o sentimento é nulo.
Se é para celebrar algo que seja a vida e obra do cara. Deixemos sua morte para os livros de história.

Mas o alvo aqui é o GP da Rússia, aquele que sob a ótica da reversal daquele país tão peculiar: você entedia a corrida.
De bom? O horário da corrida. Pode ser chato, mas as nove da manhã o estrago não é tão grande.
Remédio? Baixar as expectativas. Quanto mais melhor. Quem sabe não se é surpreso por uma prova animada?
A pole de Nico vem comprovar duas coisas: ele está em boa forma e com uma sorte miserável.
De todas as vitórias que conseguiu nesta sequência histórica, todas tem seu asterisco.
Seja o fato de Lewis já ter se sagrado campeão e estar no modo “foda-se” nas últimas do ano passado ou os azares dos adversários nas primeiras deste ano. Lewis, Vettel, Ricciardo, todos em maior ou menor grau se ferraram nas corridas deste ano quando eram candidatos seríssimos à vitória.
Mais uma prova disto foi o acidente do Vettel na primeira curva quando este tinha ação o suficiente para atacar o cone#6 e brigar na estratégia pela vitória.
Acidente é modo de falar, Vettel foi tirado da corrida de forma proposital pelo russo da Red Bull com dois – dois! –  toques cheios na traseira.
Se Vettel já tinha reclamado na China, nesta corrida deveria ter ido ao box da equipe de energéticos e deitado porrada no russinho.

Depois a corrida entrou em velocidade de cruzeiro, sem sustos, sem muita emoção, como é de se esperar de um GP russo.
Foi a hora em que o que predominou foi o voo solo do cone#44 na caçada ao companheiro de equipe cone#6.
E pudemos ver também o quanto as investigações/punições não aplicadas na corrida da China não fizeram falta.
Na Rússia tudo era motivo para investigação e tirando a punição ao russo doido, o resto era extremamente desnecessário.
Punir Hamilton que ganhou cinco posições cortando a terceira curva da corrida ninguém fez.
E ao contrário do que possam dizer, o ponto alto da corrida não foi a vitória (quarta seguida nesta temporada) de Cone#6, mas a chegada do Puttin ao autódromo.
Todas as câmeras focaram o cara e até Bernie Ecclestone fez questão de abrir pessoalmente a porta para o homem.
Como disse: na Rússia você entedia o GP.
Grid girls lindas: pode chamar de machista, mas quem gosta de feiura é sociólogo e cirurgião plástico

29 de abr de 2016

Aeroscreen > Halo - ou - O lápis russo da Red Bull

Reza a lenda que na corrida espacial nos anos 60/70, a NASA gastou milhares de dólares e muito tempo tentando desenvolver uma caneta que escrevesse corretamente em um ambiente sem gravidade.
Os russos mandaram com seus astronautas para o espaço apenas simplórios lápis, que não tinham problema nenhum para funcionar no espaço.
Eis que a Red Bull aparece com uma solução tão prosaica quanto o lápis russo para a proteção da cabeça do piloto nos carros de F1: um para-brisas.

Aeroscreen (nome da bagaça) promete impedir que algo acerte a cabeça do motorista tal qual aconteceu com Felipe Massa e a mola do carro do Rubens Barrichello.
Já no caso de Henry Surtees a certeza de que funcionaria não é tanta já que o cocuruto do capacete ainda fica aparentemente bem vulnerável.
Daniel Ricciardo não teve problemas para entrar e – principalmente – para sair rapidinho do carro com o treco instalado.
Já não dá para dizer que pilotos mais rolicinhos como Bottas, por exemplo, tenha a mesma agilidade (fica na conta da piada...)

Lewis Hamilton disse que se parece com um escudo de polícia
Não deixa de ter lá sua razão.
Nico Hulkemberg achou esteticamente atraente. Também tem razão, afinal, a solução apresentada pela Ferrari e batizada de Halo era um treco feio que deixava o carro com aparência de chinelos havaianas e dava toda a impressão de que não protegia porcaria nenhuma.

Mas ficam dúvidas:
Vai diminuir a ventilação para o piloto?
Se sujar de óleo ou outra coisa, tem como arrancar película como no caso das sobre viseiras?
Se for colocar publicidade ali, vai atrapalhar o piloto?
Vão criar a posição de “flanelinha” nos pits para limpar o negócio toda vez que o piloto parar para trocar pneus?
Com as trocas cada vez mais rápidas, vai dar tempo de o “flanelinha” limpar o treco?
Vão colar ali os selos das revisões e trocas de óleo como nos carros de rua?

E está no ar o quinto programa Papo Motor, sempre com Rafael Schelb e eu.
Desta vez, um exercicio de futurologia do passado: Como teria sido se Senna tivesse sobrevivido àquele primeiro de Maio de 1994?
Também algumas notícias sobre o GP da Rússia, aquele que na reversal russa: Você entedia o GP.
Ouça, comente, conteste, compareça.

27 de abr de 2016

F1 2016: Perolas e porcos

Ultimamente a F1 anda meio chata em termos de aspas soltas pelos seus integrantes.
Sejam eles pilotos, dirigentes...  Apenas Lewis Hamilton tem disparado a metralhadora de besteiras e dado alguma alegria ao fã e àquele jornalista mais preguiçoso...
Pensando nisto, aqui estão reunidas algumas pérolas (para o bem e para o mal) ditas na atmosfera da categoria mais importante do automobilismo mundial.
E não me venha com nhenhenhém dizendo que não é porque você sabe que é.
Até porque, se não fosse, você não ficaria aí tentando justificar que a categoria que você gosta é melhor, fazendo comparação. Chato.


“-Se ele se tornasse um coveiro, as pessoas parariam de morrer. ”
Esta é de Mário Andretti sobre Chris Amon e seu azar crônico.
Talvez Mário também quisesse usá-la para ilustrar o azar aquele seu parente, o Michael, quando pilotou na F1 ao lado de Senna, mas assim... Não era azar que acometia o rapaz. Era ruindade mesmo.

"-Era um defeito intermitente, o câmbio era incongruente. ”
Rubens Barrichello chegou a ganharem seus tempos áureos a alcunha de Rubens Boquirroto de tantas frases suspeitas que soltou.
Aqui ele está tentando explicar o mal desempenho em uma corrida (Mônaco, se não me engano) em sua passagem pela Williams.
Certo... O carro não era grande coisa, mas câmbio incongruente? O que isto quer dizer?
E o defeito intermitente? Ah.... Aquele defeito que as vezes tem, as vezes não tem... Só pode.
Mas sua melhor frase, sem dúvida nenhuma, é: “-Não sou segundo piloto da Ferrari, sou o piloto 1B.”
Pode-se dizer que esta frase definiu sua passagem pela scuderia rossa e pela própria F1.
Não carece maiores explicações.

“-Temos um carro à prova de imbecis. ” – Teria dito Patrick Head pouco antes de Mansell desligar o carro na última volta dando tchauzinhos para a torcida e deixando a vitória do GP do Canadá de 1991.

“-Terminei a corrida apenas com a sexta marcha. ”
E isto em um circuito misto e seletivo como Interlagos que tem curvas de alta e curvas de baixíssima velocidade em sequência...
Nem é preciso citar o autor desta.