21 de fev de 2017

F1 2017 - lançamentos: C36, o tratorzinho da Sauber

Não é feio, mas está longe de ser bonito.
Assim é o carro da Sauber, o C36, que se não surpreender de forma muito positiva, é sério candidato a fechar os grids durante o ano.
Esteticamente falando (assim como no caso da Williams, é só o que dá para analisar) o carro parece meio “gordinho”.
A faixa dourada na lateral do bico deixa a impressão que a peça é quadrada, achatada ou algo assim.
A curva descendente do bico é acentuada e tem um início bem abrupto e – infelizmente – também termina em um pequeno pingulim (ou piroquinha, se desejarem).
Com a saída de Felipe Nasr do time, a cor amarela foi devidamente limada já que se referia ao patrocinador máster do piloto brasileiro.
Em seu lugar, o branco e detalhes dourados.
A pequena asa traseira, muito elegante, parece dívida em duas peças e o carro traz de volta o famigerado (e feio) acessório aerodinâmico “barbatana de tubarão”.
O carro vai ser equipado com uma versão mais barata do motor Ferrari, que já não é lá estas coisas nem no carro da própria scuderia.

Os motoristas do pequeno tratorzinho da Sauber serão o bom Pascal Wehrlein e pelo nem fede e nem cheira Marcus Ericson. Porém, por melhores que fossem os pilotos, se o carro não corresponder de nada vai adiantar.
O carro vai à pista logo no primeiro treino coletivo em Barcelona ainda neste mês de fevereiro, mas contará com o italiano Antonio Giovinazzi (quem?) já que Pascal está lesionado.
Particularmente, não acredito em uma recuperação total do time, mas pior que ano passado é muito difícil que seja.
A aposta fica por conta da embaralhada que o novo regulamento para construção dos carros deu.
Neste caso, a incógnita é a melhor aliada da Sauber.

20 de fev de 2017

F1 2017 - Lançamentos: Williams, the first

A Williams foi a primeira equipe a mostrar (ainda que não oficialmente) seu carro para a temporada de 2017.
Obviamente não dá para dizer nada além da estética. Nem o ronco do motor Mercedes que vai empurrar o carro.
Aliás, do motor, só se sabe ser novo e alinhado com o que vai equipar o carro do time titular da montadora alemã. O que já é muito bom e garante que se o time tiver feito um bom trabalho no chassi, o ano pode ser bom.
Mas este é um ano de transição e é melhor que as expectativas estejam baixas. A decepção pode ser bem menos dolorida.

Das fotos divulgadas, talvez pelo ângulo, não deu para ter grandes impressões e nem fez tanta diferença o largo pneu traseiro adotado para esta temporada.

Com novas fotos em novos ângulos talvez fique melhor, mas o aerofólio traseiro, mais baixo e menor deixou o carro muito elegante.
Assim como o bico mais baixo e sem degrau.
Desapontou ainda ter aquela piroquinha na ponta.
A pintura, que aparentemente pouco mudou, continua o ponto alto.
Porém, é uma Williams, e se é assim: é linda.

O time, como todos sabem, vai com um novato (Lance Stroll) que só é citado por aqui por ter pai rico (acham que ter grana é feio, é errado.... Vai entender?) e um aposentado em atividade (gosto do Massa, mas não ia perder a piada).
Lance promete, pelo que fez nas categorias de base, ser um dos bons nomes da categoria nos próximos anos.
Já Felipe disse que começa a repensar se fica ou não na categoria ao final desta temporada. A própria equipe já disse estar confiando nele para reerguer o time.
Porém, enquanto Stroll tem um futuro pela frente, Massa tem um passado e é este que pode detona-lo. Se for pior do que foi ano passado, cairão em sua alma dizendo que foi um desserviço voltar. Por outro lado, se for bem e resolver ficar, as cobranças ficarão mais fortes. E todos sabem como são as cobranças de uma torcida que teve Emerson, Piquet e Senna.
Barrichello deve ter pesadelos até hoje com isto.

Em simulador, Massa disse ter sentido que o FW40 (nome oficial do carro) é muito rápido nas curvas.
Treino é treino e jogo é jogo.
Particularmente, penso que se conseguir ser terceira ou quarta força do ano, já estará em um lucro muito grande.

16 de fev de 2017

Futuro do Passado

Havia publicado este conto no antigo blog do IG, mas, sei lá porque,  nunca o coloquei neste... foi um dos meus primeiros textos. Espero que apreciem.
Naquele dia dez de outubro de 2006, Ayrton acordou mais cedo do que costumava acordar aos domingos. Afinal era dia de Gp Brasil de F1!
Acompanhava sempre.
Estava aposentado desde 1995 quando, desiludido com a fragilidade dos carros Williams, resolveu que era hora de parar.
Havia perdido dois campeonatos, 94 e 95 para um alemão até então desconhecido que pilotava um carro com nome de grife de roupas, mas que se revelara um excepcional piloto ganhando o mundial sete vezes, sendo cinco seguidas.
Na verdade, já se sentia deslocado no circo...
Os rivais já não eram tão desafiantes. Já não havia mais Prost ou Mansell, e pior: Piquet já havia parado, o que o impossibilitava de dar o troco daquela ultrapassagem humilhante que tomara na Hungria em,1986.
Em suma já não tinha tanta graça.

Mas acompanhava a F1 de sua casa em Tatuí onde também ficava a sede de suas auto-escolas que se espalhavam em filiais e franquias por quase todo o estado de São Paulo.
Dos antigos amigos mantinha contato com Berger e Barrichello.
Atendia sempre que podia ao Reginaldo Leme e até quando não podia a Luiz Fernando Ramos, o Ico.
Respondia aos e-mails de Eduardo Correa e vez por outra mandava suas colaborações ao site GPtotal.
Só guiar é que não fazia mais.
Escapara ileso do acidente na Tamburello em 94 e continuou o campeonato com garra e coragem e até ouviu de Prost um sincero: “-Se fosse comigo eu parava no dia seguinte e nunca mais entrava num carro na minha vida...”.
E de Piquet um irônico:
“-Porra.… tinha de ser na mesma curva que eu? ”.

Naquela manhã sentou-se em frente ao enorme aparelho de TV de sua sala de estar e se abasteceu de muitos quilos de salgadinhos, batatas fritas e outros venenos comestíveis; um punhado de latas de cerveja, afinal ele também era filho de Deus - e não o próprio como queriam crer alguns fãs - e gritou para sua esposa que estava por perto.
“–Benhê, não me incomoda agora não que vai começar a transmissão da corrida...! ”
E ela respondeu meio que alienadamente:
“-Mas de novo Ayrton.... Você vê corrida todos os fins de semana.... É formula 1, é stock, é formula Indy; é Nascar.... Até kart você assiste! Assim não aguento...”.
“-Mas amor, a velocidade está no sangue...”.
“-Ayrton.... Você vive chamando os pilotos da Nascar de taxistas...
“-Benzinho... mas tem uns acidentes tão bacanas...”.
“-Desisto, fica aí com este ronco de motor na orelha, vai...”.
E ele assiste tudo...
Desde os boletins antes da prova, matérias especiais que não acrescentam nada no programa de esportes da transmissora oficial até que finalmente vem a largada.

Então vê Felipe Massa disparar na frente tomando a ponta e não mais perdendo até a bandeirada final, como ele mesmo cansou de fazer quando corria pelo mundo afora.
A briga principal era entre o alemão que o derrotara e um espanhol que era então atual campeão mundial que lutava pelo bi.
O alemão vencera em Monza e lá mesmo anunciara sua aposentadoria e agora precisava vencer o GP Brasil e torcer para que o espanhol não pontuasse para garantir o que seria seu oitavo título
O carro do espanhol era um foguete!
Mas, o alemão era o alemão. Então...
 Largou em décimo, em poucas voltas o germânico já era o quinto quando furou um pneu durante uma ultrapassagem sobre um italiano que era companheiro de equipe do espanhol. Caiu para último, mas veio se recuperando.... Passando um por um.
Ayrton não piscava quando o alemão passou por Barrichello.
Mais um pouco e já não mais mastigava.
Mais uma ultrapassagem e Ayrton dava outro gole na cerveja com os olhos arregalados.
No fim da reta de largada na entrada do ‘s’ que leva seu nome, vê o alemão encostar no muro e também se espreme todo.
O come que o alemão deu em um finlandês fez Ayrton jogar salgadinhos e cerveja para o alto e gritar. “-É gênio, troca o nome deste ‘s’ pra “S de Schumacher! ”.

Quando acabou corrida e o hino nacional foi ouvido pela vitória de Felipe Massa, o alemão não estava no pódio.
Mas nem precisava estar.
Chegou em quarto, ofuscando o inevitável título do espanhol.
No sofá, emocionado, ainda ouviu o alemão dizer que estava feliz por ter sido Felipe Massa o primeiro brasileiro a vencer no Brasil depois dele.
Então Senna ergueu sua lata de cerveja em tom solene e saudou o alemão:

 “-Este é do caralho! ”

13 de fev de 2017

F1 2017: Talvez o início de um novo reinado

Em 1984, na quinta feira anterior ao GP de Mônaco que daria o pontapé inicial ao mito Ayrton Senna, um caso chamou a atenção.
O jovem Senna havia atrapalhado uma volta rápida do campeão mundial Niki Lauda e este foi tomar satisfações.
Além da mais olímpica indiferença, Lauda recebeu também um dedo do meio em riste.
Mais do que uma mostra de má educação desportiva, o episódio pode ser encarado – muito – tempo depois como uma espécie de passagem do bastão, entrega de faixas ou que quiserem para ilustrar a queda de um rei para o coroamento de outro.
A história com Lauda ainda teve um desdobramento naquele mesmo ano em Nurburgring.
Lauda deu passagem a dois carros, mas fez questão de travar Senna não o deixando passar de forma alguma.
Nos boxes, o brasileiro veio louco da vida tomar satisfação e ouviu do austríaco: “-Isto é para você ver o que me fez (em Mônaco), e vê se aprende.”.
O que veio depois é história e até onde se sabe, se tornaram bons amigos e Lauda sempre se referiu a Senna como um dos melhores da história.

Ok, Senna não foi o piloto dominante nos moldes como nos acostumaríamos a ver.
Durante seu “reinado” que vai de 1985 até 1993 (em 1984 o rei Lauda manteve sua coroa e 1994 não pode ser contado) foi contestado por postulantes ao trono como Prost, Piquet e até pelo bufão Mansell. Mas durante sua passagem pela categoria, ninguém chamou mais a atenção ou encantou tanto até torcedores de outros países como ele.
Anos depois, a passagem do bastão – ou coroa – começou a se dar com o mesmo Ayrton indo aos boxes cobrar de Michael Schumacher por uma atitude em pista.
Durante um teste em Hockenheim em 1992, após um acidente, Senna chegou mesmo a pegar o então moleque Michael pelos colarinhos e só não lhe deu uns tapas porque a turma do “deixa disso” agiu rapidamente.

Schumacher, assim como Ayrton, acumulou reclamações pela forma agressiva com que se portava em seus primeiros anos na categoria e ambos fizeram a história da F1.
Curiosamente, só falta alguém que tente bater em Max Verstappen dentro de algum paddock em algum lugar do mundo para que possamos ver a roda da história em movimento mais uma vez.
Ao menos é esta a minha aposta para os próximos anos...

10 de fev de 2017

Just keeps walking spreading his magic

No fim de semana passado, o grupo seminal do heavy metal fez o seu último show.
O Black Sabbath se aposentou dos palcos (até que Tony Iommi resolva voltar) com três quartos de sua formação original já que Bill Ward não estava no palco e nem participou do que eram então os últimos discos de estúdio da banda, o álbum 13 (2013) e o EP The End (2016).
A aposentadoria é algo bom.
Tony vai cuidar da saúde, Geezer Butler vai continuar compondo suas trilhas e Ozzy seguirá sendo Ozzy.
Aliás, o fim dos shows poupará bastante a imagem do Madman, porque, apesar da potência técnica da banda e de uma qualidade de performance absurda como instrumentistas, Ozzy era uma caricatura do vocalista que já foi.
Para se ter uma ideia, a apresentação de uma de suas mais icônicas canções, “Snowblind”, do disco Paranoid (1970), chegava a constranger com os berros apatetados de “cocaine” quando na gravação original a palavra não passava de um sussurro soterrado pela mixagem.
Além de, claro, não ter mais o mesmo folego e já não alcançar as notas necessárias à uma penca de clássicos, forçando a banda tocar mais lento ou mais baixo.
Mas era Ozzy, o cara que criava um clima de terror apenas abrindo a boca e erguendo os braços e é muito difícil pensar em Black Sabbath sem ele.
Dio até foi legal, mas...

Falar da importância dos caras é chover no molhado.
Se hoje existe N bandas com temáticas soturnas, guitarras ultra pesadas e riffs poderosos, deve-se tudo aos quatro cavaleiros do apocalipse de Birmingham.
Se há Slayer, Ghost, as bandas de black metal (fakes e trues), a culpa é daquele disco com uma figura sinistra em frente a uma casa não menos sinistra na capa.
Mas na modesta opinião deste escriba, a maior contribuição da banda ao gênero que criou nem foram as inúmeras bandas que influenciou, mas a injeção de humor.
Basta ler as biografias de Tony e Ozzy para se ter a exata noção de que tudo não passava de uma grande piada.
E se tiver preguiça de ler, preste atenção nos detalhes.
Mesmo cantando coisas como: “My name is Lucifer, please take my hand.” (“N.I.B”, do primeiro disco, 1970), sempre terminava os shows com: “-God bless you! ”.
E como os compositores de música clássica que já não estão mais por aqui há séculos, mas todos conhecem e sua obra ainda é tocada, assim será o Black Sabbath.
Exatamente como na letra da música que é o ring tone do meu celular (“The Wizard” Black Sabbath, 1970): Never talking, just keeps walking, spreading his magic...