10/02/2010

A falta que a beleza faz...

Para Pena Branca, que foi encontrar o Xavantinho...
A papeleta fixada no quadro de avisos do supermercado dizia: precisamos de um violonista.
Muitos apareceram com seus instrumentos e uma fila se formou à frente da casa que o grupo usava para ensaiar.
Muitos foram testados.
-Quanto tempo cê toca? – perguntou um deles.
-Faz tempo... – respondeu o candidato.
-Toca ai pra gente então. – pediu o outro.
-Ce quer ouvir o que? – quis saber o violonista.
-Fica a vontade... – disseram os dois.
-Bom... Sendo esta uma audiência com dois jovens, vou tocar um rock...
E tocou bem – diga-se de passagem – mas os dois examinadores pareciam incomodados.
-Valeu... Seu nome é? – perguntou um deles.
E o candidato disse o nome ainda que ninguém prestasse atenção.
-Vamos testar mais alguns e decidir. A gente te liga... – disse o outro.
O rapaz pegou seu violão e saiu. Nem percebeu que nenhum dos dois havia lhe pedido um numero de telefone que fosse.
-Não é este... – disse um deles.
-Não emocionou, faltou algo. – disse o outro.
E assim foram sendo ouvidos, um a um, todos os vinte que apareceram.
Um melhor que outro. Cada qual mais técnico e preciso em seus estilos.
-Algo ainda não tá bom... Vamos tomar umas pingas no bar. – disse um deles.
-Para clarear as idéias e a urina... – disse o outro.
E foram os dois ao boteco mais próximo.
-Vai levar o violão? – perguntou um deles.
-Vou... Não existe companheiro melhor para uma pinga num boteco. – respondeu o outro.

Ao entrarem no bar, que todos ali conheciam como “venda”, o vendeiro logo destampou uma garrafa com ervas dentro e serviu dela para os dois, que tomaram suas doses em um só trago.
À porta da venda um senhor que estava sentado fumando um cigarro sossegadamente ergue os olhos.
-É uma viola isto que ocê tem ai? - perguntou.
-É um primo.... Um violão. – lhe sorriu um deles.
-Eu posso toca? – lhe sorriu de volta o homem que fumava. E o sorriso foi tão sincero e agradável que o outro lhe cedeu o violão.
Ao pegar sopesou o instrumento, pousou sobre o joelho e suavemente tangeu as cordas enchendo o ar, o ambiente de uma luz que não se vê sempre. Uma luz resplandecente que muitos chamam simplesmente de beleza.
E cantou:

A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai

Ao terminar, após haver encantado todos em volta devolveu o violão ao outro.
-Viola boa... Brigado. – e levantou-se indo embora.
-Um destes não nos aparece. – disse um deles.
-Um destes não aparece sempre, um a cada cem anos se muito! – disse o outro.
Tomaram uma dose a mais cada e voltaram para a lida, que infelizmente prossegue.

09/02/2010

Carnaval e F1 - pt 4

E voltando ao ritmo normal vamos continuar com a série sobre o carnaval.

Vamos tratar agora das agremiações carnavalescas.
Carnaval não é só escola de samba paulista ou as ainda mais badaladas escolas cariocas.
Assim como a F1 não tem só equipe tradicional.
Tem outras estrelas na festa.
Existem também os blocos, os cordões e os "pé sujo"...
Vê como não há diferença para a categoria máxima do automobilismo?

Na categoria de Escolas de Samba temos a divisão entre paulistas e cariocas, que dizem há uma diferença gritante... Só não sei onde e nem em que...
Estação Primeira de Mangueira, Salgueiro, Beija Flor de Nilópolis ou as co-irmãs de São Paulo, Rosas de Ouro, Vai-Vai... Acho todas iguais, entra uma, sai outra e para mim é como se fosse a mesma.
Não vejo diferença nem nas tais “passarelas do samba” de cada estado.
É o mesmo ticabumticabumticabum, pracapracapraca, ticabumpracabum...
Mas os especialistas - e creia, existem - enxergam diferenças abissais e esperam destas grandes shows, inovações, emoção.

Assim também é com a Mclaren, Ferrari, Mercedes e até bem pouco tempo atrás a Williams.
Até na igualdade entre os carros, pode procurar as fotos dos carros deste ano...
Se não fossem as cores diferentes era capaz de estarmos vendo sempre o mesmo carro.
E no caso da Mclata e da Mercedes ainda podemos ter esta sensação, que será ampliada quando certo locutor gritar: “-E lá vem o Schumacher!”.
E o comentarista concertar: “-Não... Este ai é o Button...”. Fossem estas equipes escolas de samba correríamos o risco de ter os seguintes enredos para este ano:
Ferrari: Cornucópia: Se fizeram bem, a gente faz igual. A importância da cópia no ato da criação.
McLaren: 2010: Quando o numero dois andou na frente do um.
Williams: Um só coração, uma só emoção. Um piloto só para a temporada.

Já equipes como Red Bull, a Renault, Sauber, são blocos.
É certo que alguns blocos têm mais história que muita escola de samba do grupo 1, mas aqui a comparação é pertinente.
A Renault inclusive poderia fazer um carnaval com o tema:
Operação plástica: Do passado para o presente. Nossa cara mudou, mas a ruindade é a mesma.

Force Índia, Toro Rosso são os cordões... Tipo “Bacalhau do Batata”, “Vai quem quer”, “Nóis num liga” e outras coisas do gênero. E os tais de pé sujos ficariam por conta da Nueva Lotus, Campos Meta (que nome horrível, assim não tem quem ponha grana no projeto mesmo) e Virgin.
Algumas até tem um pouco de seriedade, mas as outras...

Faltou a UsF1 né?
Mas esta equipe é igualzinha aos trios elétricos na Bahia, aparecendo ou não tem festa do mesmo jeito...

08/02/2010

F1Champion - O jogo, por Ciro Bottini

Então você ainda usa um PC com monitor de tubo? “-Ah... Ainda!”
Ou é em um PC moderno, mas de uso coletivo em casa?
Daqueles que a gente tem que marcar horário pra poder democratizar o uso?
“-É destes mesmos, com tela flatron, mas todo mundo em casa usa...”.
Chato é que depois vem sempre um ver no histórico se além de ler paginas sobre F1 você também vai assistir Red Tube e afins...
“-Verdade... O PC acaba tendo um montão de donos nestas horas...”.

E se não bastasse ainda pegam vírus no PC e quando você passa o antivírus e acha uns trojans provenientes de sites especializados em travestis.
Ai então não tem dono nenhum já que ninguém se responsabiliza. Nem pelo trojan e nem pelo conteúdo da pagina de onde ele veio...

Que tal então ter o seu próprio netbook? Um Accer Aspire One?
“-Seria bom, mas é caro!”
Claro, o preço ainda é uma barreira a se considerar, porém é possível ter um por apenas vinte reais. Me pergunte como!
“-Como?”
Trata-se do jogo que deu um upgrade no tradicional bolão: F1Champion.

Neste endereço você vai encontrar todas as informações e a ficha de inscrição e também a lista de blogs e pessoas que estão apoiando a idéia. E também os patrocinadores! Como a Acerte Informática que cedeu o pequeno computador.
“-Mas é claro que o netbook é só pro vencedor né?”
É... Mas os melhores colocados também ganharão prêmios que vão desde Mp4 players até livros sobre F1.
Vale a pena participar, visite a página, faça sua inscrição e bom jogo!
“-Eu vou ganhar!”
Vai sim... Esta promoção tem o dedão Bottini de qualidade!

Agora sério, O Blog do Groo não abriria este espaço s não fosse algo realmente sério e com uma retaguarda tão boa quanto a que faz parte deste jogo: Blogf-1; Continental Circus; Guard Rail; Sávio Machado; TargetHD; Velocidade da Babi Frazin; GP Expert,; Corrida F1 e a Rádio Onboard!.

Participe!

05/02/2010

Carnaval e F1 - pt 3

Ta aí um negócio bom do carnaval que eu tinha me esquecido: as antigas marchinhas.
Musiquinhas feitas apenas a visita da corte da Momolândia com letras ingênuas, bobinhas, mas feitas desta forma de propósito. Sem intenção alguma de ser considerada como musica séria.
Tanto que logo após o carnaval elas sumiam das rádios, só reaparecendo no ano seguinte, isto se não aparecesse uma melhor.
Geralmente aparecia.
Hoje nos bailes ditos “da saudade” as marchinhas são obrigatórias.
Dizem que fazem parte da memória de um carnaval dos bons tempos.
Então vamos associar algumas delas com a F1.

Nico Rosberg: Eu sou a filha da Chiquita bacana Nunca entro em cana porque sou família demais... Puxei à mamãe, não caio em armadilha ... E distribuo banana com os animais Na minha ilha, iê, iê, iê que maravilha, iê, iê, iê Eu transo todas sem perder o tom
E a quadrilha toda grita iê, iê, iê Viva a filha da Chiquita iê,iê, iê Entrei pra "Women’s Liberation Front"

Kimi Raikkonen:Há quem diga que eu dormi de touca/Que eu perdi a boca/ que eu fugi da briga/Que eu caí do galho e que não vi saída/Que eu morri de medo quando o pau quebrou/Há quem diga que eu não sei de nada/Que eu não sou de nada e não peço desculpas/Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira/E que Durango Kid quase me pegou/Eu quero é botar meu bloco na rua/Brincar, botar pra gemer/Eu quero é botar meu bloco na rua/Gingar, pra dar e vender.

Pilotos finlandeses em geral:
Chegou a turma do funil/Todo mundo bebe/Mas ninguém dorme no ponto/Aí, aí, ninguém dorme no ponto/Nós é que bebemos e eles que ficam tontos

Sebasitian Vettel: Tomara que chova,Três dias sem parar,
De promessa eu ando cheio,/Quando eu conto/A minha vida/Ninguém quer acreditar.

Aliás, em matéria de marchinha o 1B é o que mais se assemelha: a uma marchinha lenta.
Quem souber mais marchinhas que possam ser identificadas com a F1 deixe ai nos coments.

04/02/2010

Carnaval e F1 - pt 2

Então vamos tentar ver semelhanças nos folguedos do reinado de sua excelência Momo com o universo dinâmico da F1.

No carnaval temos - como já disse - os bailes de nomes esdrúxulos...
Também temos na F1 coisas sem sentido, ou alguém ainda acha que por o nome em uma equipe de Toro Rosso, ou Red Bull é normal?
Por acaso existem touros vermelhos? O Alonso com uniforme da Ferrari não vale...
E por acaso, os bois chifrudos que existem são animais rápidos o suficiente para que sejam associados com carros de corrida? Ah tá... É por conta da bebida energética... Aquela em que a propaganda diz que te dá asas...
Sendo o boi um bicho que não voa, fica no mínimo estranho dizer que aquela porcaria dá asas a alguém.
Se for pra associar então que fosse: “... te dá chifres!”.
Hum... Pensando bem esta estratégia faria as latinhas encalharem nos mercados...

E a alegria pasteurizada do carnaval na televisão?
Já viram que quando as câmeras focalizam um grupo de foliões, integrantes de alas de alguma escola de samba eles estão sempre sorrindo como se fossem naquele momento as pessoas mais felizes do mundo?
Pois é... Mas segundos antes da câmera ser ligada todo mundo está com cara de desanimo e chateado.
Então a luz vermelha do equipamento de gravação acende e como em um passe de mágica pipocam sorrisos, nego cantando, dançando... Homem levando passadas de mão na bunda e achando ótimo. Sem contar os travestis...
Na F1 por vezes é igualzinho...
Preste atenção em corridas como a da Malásia, Valência, Bahrein, China ou em qualquer outro tilkódromo que vai ver cenas iguaizinhas.
E tem Abumdabe, o circuito travesti, que a gente pensa que é legal mas no fim... Espectadores bocejando, assistindo voltas e mais voltas sem ação de verdade, mas basta as câmeras da transmissão oficial focar as arquibancadas pra nego pular e sorrir como se vissem uma nova batalha de Dijon.

E folião sem noção?
Como tem nego que se excede na babaquice...
Cara que se fantasia das coisas mais estúpidas do mundo. De lixeiras a páginas de computador.. Já vi um maluco com uma fantasia de página do orkut em cima de um carro alegórico.
O bom é que democratiza o sonho... Camelô se fantasia de médico, engenheiro fantasiado de jogador de futebol... Homem fantasiado de mulher... Ou de homem mesmo...
Na F1 é igual... Tem uns caras que se fantasiam de piloto e até entram em carros...
Ou alguém acha realmente que Jaques Deusmelivre, Jaime Alguersuari, Kovalainen, Luca Badoer, Pedro De La Rosca entre outros são pilotos de verdade? Amanha vamos adaptar umas marchinhas antigas para o contexto da F1.

03/02/2010

Carnaval e F1 - pt 1

Vai chegando o carnaval e quem, como eu, não curte muito o período do reinado de Momo vai ficando de saco cheio de ver e ouvir coisas relacionadas.
Aquelas letras rocambolescas, cheia de palavras que a maioria dos foliões nem sabem que existe até serem grafadas em um samba enredo. Sambas enredo que, aliás, geralmente tem nomes enormes com subtítulos que mais complicam que explicam: “Antares: quando o reinado de Ulu Bunga decretou que a excrementização do povo se daria por vias duvidosas da ufanização do lugarejo ugandês de Umbongo!”.

E se achou que o nome é longo é porque ainda não viu a lista de compositores que vem logo abaixo do titulo: composto por Mano Deca/ Pedro Preto/ Zico da Colina/ Beto sem Braço/ Tucão das Candongas/ Fábio Campos/ Juvenal Tico Tico/ Pedro Branco e Marquinhos PQP.
Com tanta gente assim é de se imaginar que cada um escreveu uma palavra da letra... Sem contar as que se repetem, claro.

Quem liga a TV nesta época geralmente se depara com cenas mais comuns que enchente em São Paulo, Rubinho reclamando.
Mulheres pulando como se o chão estivesse quente e afetando um sorriso tão verdadeiro como notas de três reais.
Aquele cara de camisa listrada na horizontal, um chapéu palhinha na cabeça, calça e sapato branco roda um pandeiro na ponta dos dedos com a boca aberta.
Então vem uma passista, aquela do chão quente, e rebola abaixando até quase encostar o traseiro no chão.
Não sem antes quase acerta-lo na cara do infeliz do pandeiro. Outra coisa muito comum são os bailes de salão com cobertura por alguma rede trash de TV.
É uma fauna diversa em bailes com nomes sugestivos como: “noite no Havaí”, “festa do Caribe”, “folia em Buenos Aires”...
Pqp! Quem em sã consciência acha que uma noite no Havaí ou Caribe com aquelas praias paradisíacas e elegantes festas a luz da Lua, com frutas tropicais e temperatura agradável é igual a ficar em um salão quente pra caramba, sem ar condicionado, com um barulho dos infernos nos ouvidos e correndo o risco de levar uma mão na bunda a qualquer momento?
Faltou falar do “folia em Buenos Aires”, mas esta deixa... Afinal é pra lá que a gente queria mandar toda esta palhaçada mesmo.

Ah... E tem também o baile do “Gala Gay”... É... Mas este ai não tem nada de fantasia não... Nego vai lá é pra se soltar mesmo.
Vem com esta de que é folia, é festa e coloca um vestido, uma peruca...
Passa um batom, põe um sutiã com enchimento, uma meia calça, arruma um negão pra arrochar e... Deixa pra lá... Falando assim até parece que sou totalmente antipático aos folguedos de Momo. Não é bem assim... Eu gosto de algumas coisas como.... Como... O... E tem também....
É. Não tem nada mesmo.
Mas a gente pode - já que pra fugir destas visões do inferno teríamos que sair do país - tentar adaptar para algo que a gente goste.
Amanhã vamos tentar colocar estas aberrações no contexto da F1, quem sabe fica um pouco mais simpático.

02/02/2010

Ava(ca)liações de pré temporada

-Bonito carro heim Rubinho?
-Lindo... Pena que não é o meu...
-E cadê o seu?
-Lá em baixo, na ultima foto.

-Sai daí Jenson...
-Você não mandou sorrir?
-Tava falando com o carro, ele é mais espontâneo que você...

-Seu Alonso, pra que servem estes furos aqui no alto do capacete?
-Não enche moleque...

-Ai eu disse pra ele... Ce entra na curva acelerando... E continua. É muro na certa.
-Ele fez direitinho... Hahahaha.
-E prejudicou um monte de trouxa, hahahaha.
-Ai, já não achei graça.
-Que ce achou do casco Bernie?
-É bonito, mas para que são estes dois furos em cima....

-É este o carro, Rubinho?
-No começo não, mas no fim do ano eu vou dizer que era...

01/02/2010

Notinha do busão - F1

-E ai Groo! Faz tempo que não pega meu ônibus... Tá tudo bem?
-Fala Amaral! Beleza? Ce tinha mudado de linha.
-É, tinha... Mas e ai? Como estão as coisas? Animado pro começo do mundial?
-Até to... Apesar de algumas coisas que ainda não ficaram bem resolvidas...
-Tipo o que?
-Ah, muita coisa... Algumas equipes ainda nem tem carro... A equipe dos americanos, por exemplo, é uma interrogação.
-Não foram eles que apresentaram um argentino como piloto?
-É... Foram eles mesmos. Daí cê já começa a ver o nível dos caras...
-Larga de ser preconceituoso Groo... Tem muita coisa boa na Argentina.
-Tem sim... Bife de chorizzo com cerveja... -E no automobilismo? Não tem o Fangio, Reutemman...
-Pqp, Amaral! Quanto tempo faz isto?
-É... Faz tempo mesmo... Vamos ficar com o bife e com a cerveja mesmo... -E cê viu os carros que já foram lançados?

-Vi sim... Gostei da Renault...
-Sério Groo? Passou dois anos falando que o carro era horrível e agora elogia?
-Ah... Mas este ano acertaram ao menos na combinação de cores, né?-Fato. Não tem nada feio ali... Cores, bico, asa traseira... Até os macacões dos pilotos são bonitos... -Mas como assim Amaral? Não tem nada feio na Renault?
-Não vem não... Você mesmo falou que achou o carro bonito...
-O carro, as cores... Mas daí a dizer que tudo é bonito vai distância, heim?
-E o que tem feio lá?
-O Kubica o Petrov....

-E a Ferrari? Gostou?
-Não... Copiar uma Red Bull e pintar de vermelho eu acho muito pouco para uma equipe com o histórico da Ferrari. E tem mais, quem garante que o que funcionou bem ano passado vai ser bom este ano?
-É pode ser... Mas dizem que o Alonso gostou...
-Mas é claro... Tudo que lembrar Toro, e ainda por cima vermelho ele vai gostar.
-E o Rubinho na Williams em Groo? Quebrou tuas pernas...-Quem disse?
-Ué... Cê vive atazanando o cara, nem o nome dele você escreve, fica pondo “1B” toda vez...
-Se ele ganhar, mérito do carro. Se perder, culpa dele...
-E se o companheiro dele o... O... Como é o nome do cara?
-Hulkenberg, o melhor Nico da F1..
-Isto! E se ele ganhar?
-Aí tá tudo normal... Alemão na frente do “1B” é sinal de normalidade...

30/01/2010

Contos do Le Sanatéur - Teatro - final

À noite o velho Studebacker - com Ron e Anselmo nos banco dianteiros - encosta em frente ao luxuoso prédio em que morava Marcel L´Onça, na Park Avenue, onde o carro mais simples estacionado era um Rolls Royce Silver Ghost. Até o Studebacker estava envergonhado...
O chefe então surge ao lado de uma mulher loira usando um vestido de gala vermelho e adornada com jóias que pagariam o salário dos dois por alguns anos.
-Senhores, perdoem a demora, mas o elevador demora muito para vir da cobertura até o térreo. – e com um aceno de cabeça indica a Ron que desça do carro e abra a porta.
Visivelmente contrariado Ron faz às vezes de ajudante de chofer.
-Anselmo, meu caro! Por que veio com este velho carro? Onde está a Packard do jornal?
-Packard? – estranha Anselmo.
-Do jornal? – completa Ron.
-Realmente Marcel... Este velho automóvel não condiz com a magnitude de um jornalista de renome como você... Peça ao motorista que ao menos feche a janela. O vento está desarrumando meu cabelo. Anselmo já se irritando com a situação que acabara de entender pede cínicas desculpas e diz que não há como fechar, por que o carro está sem vidro daquele lado.
Ron que também se sentiu traído sugere - com um sorriso ainda mais cínico que as desculpas de Anselmo - pare o carro e que os ilustres passageiros do banco traseiro troquem de lugar, afinal L´Onça é careca mesmo e o vento não lhe fará mal...
O chefe – que usa peruca - tosse em seco, mas se mantém calado. Sabe onde amarrou seu burro, agora é agüentar.

Já dentro do teatro o casal se senta obviamente um ao lado do outro, ficando Anselmo ao lado da mulher e tendo Ron imediatamente a seu lado.
A todo o momento ela pergunta a um dos dois o que está sendo dito. Pede que traduzam.
Marcel L´Onça transpira litros, preocupado com o que os dois vão dizer.

Em uma cena entra uma atriz vestida de rainha, a mulher pergunta à Ron:
-O que esta acontecendo?
-A rainha disse que vai mandar matar o rei... Que ele é chifrudo. Ela arregala os olhos.
Agora a rainha fala baixinho, com a boca quase colada ao ouvido de outro ator e a mulher faz a mesma pergunta para Anselmo que lhe responde:
-Agora ela esta falando que o rei é broxa... Não dá no couro... E vai transar com o primeiro ministro.
Fica mais espantada ainda...
Então aparece um exército enquanto a rainha canta... Ela apenas olha para Ron que traduz:
-Agora a rainha vai se divertir sexualmente com todo o exército.
Ela leva as mãos à boca: “Mas isto é uma obscenidade!”.
Então aparecem em cena uns cavalos e Anselmo completa a informação.
-Agora ela vai se divertir também com os cavalos...
A mulher se levanta e sai correndo em direção à porta gritando: “-Isto é uma pornografia! Não me procure mais Marcel...”.
Os dois sacanas não conseguem segurar o riso, enquanto o chefe não segura o choro e a raiva.

Na manhã seguinte os dois são comunicados pela secretária de L´Onça de que – por vingança - terão de fazer obituários por um bom tempo e ainda ouvem da boca da funcionária: “-Ele disse que só assim vocês dois não arrumam confusão!”.
Ainda lhes diz que é um desperdício, mas fazer o que?

Só que para azar do editor no mesmo dia há a confirmação de que o Papa Pio XI está com um dos pés gangrenado, por conta da diabete.
No dia seguinte o Le Sanatéur vai às bancas com a manchete de Ron na capa em oito colunas e com três pontos de exclamação e uma foto feita por Anselmo de um pé todo machucado.
PODRE O PÉ DO PAPA!!!

Em sua sala, Marcel, sem namorada, sem os melhores repórteres na ativa e com uma notificação do órgão que regula o jornalismo no país dando-lhe uma sonora bronca pelo mau gosto da manchete leva as mãos à cabeça, se arrependendo profundamente de ter acordado naqueles dias...
A primeira foto deste post é de autoria de Anselmo Coyote, o grande. Pena que não dá pra eu ampliar pra vocês verem como é linda.

29/01/2010

Contos do Le Sanatéur - Teatro - Pt 1

-Eu não vou!
-Vai sim!
-Me recuso. Nem gosto de ópera... Se ainda fosse um show de Art Blakey ou Louis Armstrong eu iria feliz, mas ópera eu não vou.
-Mas Ron, eu preciso de você lá... Você tem de resenhar o espetáculo.
-L´Onça, você escreve tanto quanto eu... Faz você o texto. Ópera e com balé eu me recuso.
-Você vai...
-Não vou.

Neste momento entra na sala Anselmo, um pacote de fotos numa das mãos e um alicate na outra.-Bom dia chefe, bom dia Ron....
-Bom dia Anselmo, fala com o Ron aqui... Ele tá se recusando a ir cobrir a ópera para o Le Sanatéur hoje à noite....
-Não vou! – afirma Ron novamente.
-Ópera? – diz colocando as fotos na mesa e trocando o alicate de mão.
-É... Ópera. Vai dizer que não sabe o que é? – diz irônico o chefe.
-Sei sim.... É aquele tipo de espetáculo que sempre tem canto lírico...
-Isto... – Marcel interrompe.
-... Balé... – Anselmo tenta prosseguir.
-Isto! – Marcel interrompe de novo se entusiasmando com um possível aliado.
-... Um solista gritando em italiano , então vem um monte de caras suspeitos usando collant com enchimento nas partes, parecendo uma cambada de viadinhos e ficam dando saltinhos. Isto quando não vem um travesti e dá um tranco neles pos trás... Coisa esquisita aquilo... Não gosto não...
Ron não consegue esconder o riso.
-Bárbaros! Hunos! É isto que vocês são, uns bárbaros longe de ser civilizados... É só para você saber senhor Anselmo, o espetáculo de hoje é em alemão. Não em italiano.
-E desde quando você fala alemão para entender o espetáculo? Ou vai cair naquele lugar comum de que a linguagem da musica clássica é universal?
-Errr... Não... Claro que não!
-Mas você fala alemão? – quis saber Ron.
-Não... Mas você fala!
-Falo nada! Quem te disse?
-O Anselmo.
-Eu? -Anselmo deixa cair o alicate que estava segurando. – Como assim? - e ri.
-Grande camarada.... Mas ele fala. Leva ele.
-Fala Anselmo? Você fala alemão?
-Não... Alemão não...
-Quer saber? Vão os dois.... Vão os dois comigo, um deve falar. Talvez os dois! E não to aceitando desculpas. To falando como chefe. É uma ordem. – e deixa a sala batendo a porta.

-Por que você disse que eu sabia alemão? – quis saber Ron.
-Eu não falei. Ele jogou... Disseram que ele precisa de um tradutor para impressionar uma mulher ai... E você por que disse que eu sabia?
-Auto defesa e tava querendo solidariedade... Se eu me ferro cê vai junto. Somos uma dupla, né? Mas me diz... Por que você ta brincando com este alicate ai?
-O vidro do Studebacker quebrou e este foi o jeito que encontrei de tirar os cacos que ficaram presos na janela. -Ah tá... Já arrumou?
-Não. Não tive tempo. Amanhã arrumo.
O Editor então volta à sala e diz:
-Estejam os dois à frente de minha casa hoje as nove em ponto, e Anselmo... Limpe o carro.
-Ih... É agora que não arrumo este carro mesmo!
-Quer que eu quebre os outros vidros?
-Não precisa... Vou ferrar o carro apenas deixando que você dirija.
-Fato!

Continua amanhã...