26 de set de 2016

F1 2016: Malásia vem aí

Nunca tive problemas em gostar da corrida na Malásia.
Um circuito moderno, largo, rápido e que tem as intempéries do clima sempre muito presentes. Quando está quente, está quente para caramba e quando chove...
Em 2009 o pé d´agua foi tão intenso que a prova teve apenas trinta e uma voltas, ficando praticamente impossível correr após a chuva que inundou algumas partes da pista por conta da falta de iluminação natural.
A prova foi mudada de posição no calendário, deixando de ser na primeira parte do calendário (geralmente a segunda ou terceira prova do ano) para a parte final do calendário exatamente para fugir das chuvas torrenciais que assolam a região no mês de abril.

O traçado é bem interessante: duas longas retas paralelas iniciam e terminam a volta.
Entre elas, curvas de alta, curvas de baixa e muito espaço para ultrapassagens.
O asfalto abrasivo e as altas temperaturas judiam e desgastam pneus e freios.

Algumas curiosidades sobre a etapa:
Entre os vencedores da corrida, que é disputada desde 1999, estão alguns dos vencedores mais sem graça de toda a categoria;
São eles: Eddie Irvine (Ferrari) em 1999; Ralf Schumacher (Williams/BMW) em 2002; Giancarlo Fisichella (Renault) em 2006 e Jenson Button com uma Brawn em 2009.

O país que mais venceu as corridas malaias foram a Alemanha com oito vitórias (Michael (2000,2001), Ralf (2002) e Vettel (2010, 2011,2913, 2915) seguido pelo Reino Unido com três (Irvine, Butts e Hamilton em 2014) e Finlândia e Espanha com duas vitórias cada, sempre com Kimi Raikkonen (2003, 2008) e Fernando Alonso (2005, 2012).

A melhor posição de largada de um brasileiro foi de Felipe Massa em 2007, porém chegou na quinta colocação na corrida.
A melhor posição de chegada pertence a Rubens Barrichello com um segundo lugar em 2001. Lugar onde, aliás, havia largado.

A Finlândia tem outro número importante nos GP´s da Malásia: é o país que tem mais pilotos que consumiram  Magnum com coca cola na história desta corrida com Kimi Raikkonen em 2009.
A gente lembra de cada besteira...

22 de set de 2016

Teatro, mais um conto de Le Sanatéur

-Eu não vou!
-Vai sim!
-Me recuso. Nem gosto de ópera.... Se ainda fosse um show de Art Blakey ou Louis Armstrong eu iria feliz, mas ópera eu não vou.
-Mas Ron, eu preciso de você lá.... Você tem de resenhar o espetáculo.
-L´Onça, você escreve tanto quanto eu.... Faz você o texto. Ópera e com balé eu me recuso.
-Você vai...
-Não vou.
Neste momento entra na sala Anselmo, um pacote de fotos numa das mãos e um alicate na outra.
-Bom dia chefe, bom dia Ron...
-Bom dia Anselmo, fala com o Ron aqui... Ele tá se recusando a ir cobrir a ópera para o Le Sanatéur hoje à noite...
-Não vou! – Afirma Ron novamente.
-Ópera? – Diz colocando as fotos na mesa e trocando o alicate de mão.
-É... Ópera. Vai dizer que não sabe o que é? – Diz irônico o chefe.
-Sei sim.... É aquele tipo de espetáculo que sempre tem canto lírico...
-Isto... – Marcel interrompe.
-... Balé... – Anselmo tenta prosseguir.
-Isto! – Marcel interrompe de novo se entusiasmando com um possível aliado.
-.... Um solista gritando em italiano, então vem um monte de caras suspeitos usando collant com enchimento nas partes, parecendo uma cambada de viadinhos e ficam dando saltinhos. Isto quando não vem um travesti e dá um tranco neles pos trás... Coisa esquisita aquilo.... Não gosto não...
Ron não consegue esconder o riso.
-Bárbaros! Hunos! É isto que vocês são, uns bárbaros longe de ser civilizados.... É só para você saber senhor Anselmo, o espetáculo de hoje é em alemão. Não em italiano.
-E desde quando você fala alemão para entender o espetáculo? Ou vai cair naquele lugar comum de que a linguagem da musica clássica é universal?
-Errr... Não... Claro que não!
-Mas você fala alemão? – Quis saber Ron.
-Não..., Mas você fala!
-Falo nada!  Quem te disse?
-O Anselmo.
-Eu? -Anselmo deixa cair o alicate que estava segurando. – Como assim?  - E ri.
-Grande camarada... Mas ele fala. Leva ele.
-Fala Anselmo? Você fala alemão?
-Não... Alemão não...
-Quer saber? Vão os dois.... Vão os dois comigo, um deve falar. Talvez os dois! E não to aceitando desculpas. To falando como chefe. É uma ordem. – E deixa a sala batendo a porta.
-Por que você disse que eu sabia alemão? – Quis saber Ron.
-Eu não falei. Ele jogou.... Disseram que ele precisa de um tradutor para impressionar uma mulher aí... E você por que disse que eu sabia?
-Autodefesa e tava querendo solidariedade.... Se eu me ferro cê vai junto. Somos uma dupla, né? Mas me diz.... Por que você está brincando com este alicate aí?
-O vidro do Studebacker quebrou e este foi o jeito que encontrei de tirar os cacos que ficaram presos na janela.
-Ah tá.... Já arrumou?
-Não.  Não tive tempo. Amanhã arrumo.
O Editor então volta à sala e diz:
-Estejam os dois à frente de minha casa hoje as nove em ponto, e Anselmo.... Limpe o carro.
-Ih.... É agora que não arrumo este carro mesmo!
-Quer que eu quebre os outros vidros?
-Não precisa.... Vou ferrar o carro apenas deixando que você dirija.
-Fato!

À noite o velho Studebacker - com Ron e Anselmo nos bancos dianteiros - encosta em frente ao luxuoso prédio em que morava Marcel L´Onça, na Park Avenue, onde o carro mais simples estacionado era um Rolls Royce Silver Ghost. Até o Studebacker estava envergonhado...
O chefe então surge ao lado de uma mulher loira usando um vestido de gala vermelho e adornada com jóias que pagariam o salário dos dois por alguns anos.
-Senhores, perdoem a demora, mas o elevador demora muito para vir da cobertura até o térreo. – E com um aceno de cabeça indica a Ron que desça do carro e abra a porta.
Visivelmente contrariado Ron faz às vezes de ajudante de chofer.
-Anselmo, meu caro! Por que veio com este velho carro? Onde está a Packard do jornal?
-Packard? – Estranha Anselmo.
-Do jornal? – Completa Ron.
-Realmente Marcel.... Este velho automóvel não condiz com a magnitude de um jornalista de renome como você...  Peça ao motorista que ao menos feche a janela. O vento está desarrumando meu cabelo.
Anselmo já se irritando com a situação que acabara de entender pede cínicas desculpas e diz que não há como fechar, por que o carro está sem vidro daquele lado.
Ron que também se sentiu traído sugere - com um sorriso ainda mais cínico que as desculpas de Anselmo - pare o carro e que os ilustres passageiros do banco traseiro troquem de lugar, afinal L´Onça é careca mesmo e o vento não lhe fará mal...
O chefe – que usa peruca - tosse em seco, mas se mantém calado. Sabe onde amarrou seu burro, agora é agüentar.
Já dentro do teatro o casal se senta obviamente um ao lado do outro, ficando Anselmo ao lado da mulher e tendo Ron imediatamente a seu lado.
A todo o momento ela pergunta a um dos dois o que está sendo dito. Pede que traduzam.
Marcel L´Onça transpira litros, preocupado com o que os dois vão dizer.

Em uma cena entra uma atriz vestida de rainha, a mulher pergunta à Ron:
-O que esta acontecendo?
-A rainha disse que vai mandar matar o rei.... Que ele é chifrudo.
Ela arregala os olhos.
Agora a rainha fala baixinho, com a boca quase colada ao ouvido de outro ator e a mulher faz a mesma pergunta para Anselmo que lhe responde:
-Agora ela esta falando que o rei é broxa.... Não dá no couro... E vai transar com o primeiro ministro.
Fica mais espantada ainda...
Então aparece um exército enquanto a rainha canta.... Ela apenas olha para Ron que traduz:
-Agora a rainha vai se divertir sexualmente com todo o exército.
Ela leva as mãos à boca: “Mas isto é uma obscenidade! ”.
Então aparecem em cena uns cavalos e Anselmo completa a informação.
-Agora ela vai se divertir também com os cavalos...
A mulher se levanta e sai correndo em direção à porta gritando: “-Isto é uma pornografia! Não me procure mais Marcel...”.
Os dois sacanas não conseguem segurar o riso, enquanto o chefe não segura o choro e a raiva.
Na manhã seguinte os dois são comunicados pela secretária de L´Onça de que – por vingança - terão de fazer obituários por um bom tempo e ainda ouvem da boca da funcionária: “-Ele disse que só assim vocês dois não arrumam confusão! ”.
Ainda lhes diz que é um desperdício, mas fazer o que?
Só que para azar do editor no mesmo dia há a confirmação de que o Papa Pio XI está com um dos pés gangrenado, por conta da diabete.
No dia seguinte o Le Sanatéur vai às bancas com a manchete de Ron na capa em oito colunas e com três pontos de exclamação e uma foto feita por Anselmo de um pé todo machucado.
PODRE O PÉ DO PAPA!!!

Em sua sala, Marcel, sem namorada, sem os melhores repórteres na ativa e com uma notificação do órgão que regula o jornalismo no país dando-lhe uma sonora bronca pelo mau gosto da manchete leva as mãos à cabeça, se arrependendo profundamente de ter acordado naqueles dias...

20 de set de 2016

F1 2016: Max Verstappen: o mal necessário

Não consigo entender quem critica Max Verstappen.
O cara tem algum tipo de ação em uma F1 cada vez mais bovina em direção ao abatedouro.
As disputas por posição foram praticamente suprimidas quando a regra começou a dizer que era desleal fechar o cara de trás.
Piorou quando deu ao cara de trás a vantagem de usar o DRS, o KERS, o ERS e uma muleta.
E ficou ainda mais engessada no passado quando os track limits começaram a ser cobrados efetivamente.
Curiosamente, os mesmos que criticam as atitudes do Verstapinho são os mesmos que babam de amores por disputas como as de Arnoux e Villeneuve.

O grande argumento é a “falta de lealdade”, ou mal caratismo e a insegurança que ele causa.
Sério?
Então tem que ser todo mundo bonzinho, bom moço, corretinho e sorridente?
E a segurança que a categoria persegue (com um êxito enorme) desde 1994? Não serve para nada?
Vimos coisas horríveis acontecer em pista desde aquele ano esquisito e (ainda bem!) Ninguém sofreu grandes coisas.
Exclua-se a morte em Suzuka porque, poxa, não se pode dizer que um trator na pista seja algo normal. Pode-se?

A dicotomia “bem e mal” é da vida, é necessária.
Não pode existir bem se não houver mal e a escolha de quem é o bem e quem é o mal nas histórias pode ser bastante subjetiva. Ainda mais em se tratando de disputa esportiva.

E se conseguirem fazer com que o moleque seja enquadrado e fique bundamolizado como diversos outros pilotos que já estão do meio para o fim da carreira será a vitória da buttonização: pilotos burocráticos e sem graças disputando corridas de autorama em escala real.
Lemmy nos livre disto.
Que venham mais Verstapinhos.