Para Pena Branca, que foi encontrar o Xavantinho...
A papeleta fixada no quadro de avisos do supermercado dizia: precisamos de um violonista.Muitos apareceram com seus instrumentos e uma fila se formou à frente da casa que o grupo usava para ensaiar.
Muitos foram testados.
-Quanto tempo cê toca? – perguntou um deles.
-Faz tempo... – respondeu o candidato.
-Toca ai pra gente então. – pediu o outro.
-Ce quer ouvir o que? – quis saber o violonista.
-Fica a vontade... – disseram os dois.
-Bom... Sendo esta uma audiência com dois jovens, vou tocar um rock...
E tocou bem – diga-se de passagem – mas os dois examinadores pareciam incomodados.
-Valeu... Seu nome é? – perguntou um deles.
E o candidato disse o nome ainda que ninguém prestasse atenção.
-Vamos testar mais alguns e decidir. A gente te liga... – disse o outro.
O rapaz pegou seu violão e saiu. Nem percebeu que nenhum dos dois havia lhe pedido um numero de telefone que fosse.
-Não é este... – disse um deles.
-Não emocionou, faltou algo. – disse o outro.
E assim foram sendo ouvidos, um a um, todos os vinte que apareceram.
Um melhor que outro. Cada qual mais técnico e preciso em seus estilos.
-Algo ainda não tá bom... Vamos tomar umas pingas no bar. – disse um deles.
-Para clarear as idéias e a urina... – disse o outro.
E foram os dois ao boteco mais próximo.
-Vai levar o violão? – perguntou um deles.
-Vou... Não existe companheiro melhor para uma pinga num boteco. – respondeu o outro.
Ao entrarem no bar, que todos ali conheciam como “venda”, o vendeiro logo destampou uma garrafa com ervas dentro e serviu dela para os dois, que tomaram suas doses em um só trago.
À porta da venda um senhor que estava sentado fumando um cigarro sossegadamente ergue os olhos.
-É uma viola isto que ocê tem ai? - perguntou.
-É um primo.... Um violão. – lhe sorriu um deles.
-Eu posso toca? – lhe sorriu de volta o homem que fumava. E o sorriso foi tão sincero e agradável que o outro lhe cedeu o violão.
Ao pegar sopesou o instrumento, pousou sobre o joelho e suavemente tangeu as cordas enchendo o ar, o ambiente de uma luz que não se vê sempre. Uma luz resplandecente que muitos chamam simplesmente de beleza.
E cantou:
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai
Ao terminar, após haver encantado todos em volta devolveu o violão ao outro.
-Viola boa... Brigado. – e levantou-se indo embora.
-Um destes não nos aparece. – disse um deles.
-Um destes não aparece sempre, um a cada cem anos se muito! – disse o outro.
Tomaram uma dose a mais cada e voltaram para a lida, que infelizmente prossegue.
Acho todas iguais, entra uma, sai outra e para mim é como se fosse a mesma.
Fossem estas equipes escolas de samba correríamos o risco de ter os seguintes enredos para este ano:
E os tais de pé sujos ficariam por conta da Nueva Lotus, Campos Meta (que nome horrível, assim não tem quem ponha grana no projeto mesmo) e Virgin.
“-Ah... Ainda!”

Eu sou a filha da Chiquita bacana Nunca entro em cana porque sou família demais... Puxei à mamãe, não caio em armadilha ... E distribuo banana com os animais Na minha ilha, iê, iê, iê que maravilha, iê, iê, iê Eu transo todas sem perder o tom
Há quem diga que eu dormi de touca/Que eu perdi a boca/ que eu fugi da briga/Que eu caí do galho e que não vi saída/Que eu morri de medo quando o pau quebrou/Há quem diga que eu não sei de nada/Que eu não sou de nada e não peço desculpas/Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira/E que Durango Kid quase me pegou/Eu quero é botar meu bloco na rua/Brincar, botar pra gemer/Eu quero é botar meu bloco na rua/Gingar, pra dar e vender.
Tomara que chova,Três dias sem parar,
Ah tá... É por conta da bebida energética... Aquela em que a propaganda diz que te dá asas...
Espectadores bocejando, assistindo voltas e mais voltas sem ação de verdade, mas basta as câmeras da transmissão oficial focar as arquibancadas pra nego pular e sorrir como se vissem uma nova batalha de Dijon.
Amanha vamos adaptar umas marchinhas antigas para o contexto da F1.
Sambas enredo que, aliás, geralmente tem nomes enormes com subtítulos que mais complicam que explicam:
Outra coisa muito comum são os bailes de salão com cobertura por alguma rede trash de TV.
Falando assim até parece que sou totalmente antipático aos folguedos de Momo. Não é bem assim... Eu gosto de algumas coisas como.... Como... O... E tem também....




-É este o carro, Rubinho?
-E no automobilismo? Não tem o Fangio, Reutemman...
-Fato. Não tem nada feio ali... Cores, bico, asa traseira... Até os macacões dos pilotos são bonitos... -Mas como assim Amaral? Não tem nada feio na Renault?
-Quem disse?
Anselmo já se irritando com a situação que acabara de entender pede cínicas desculpas e diz que não há como fechar, por que o carro está sem vidro daquele lado.
Ela arregala os olhos.
-Bom dia chefe, bom dia Ron....
-Ah tá... Já arrumou?
