26 de abr de 2017

Notinhas irônicas

Toto Wolf, aquele, disse que enxerga a briga entre sua equipe, a Mercedes, contra a Ferrari, muito boa para a F1.
Desde que, claro, a Mercedes vença.

Max Verstappen declarou que as ultrapassagens na F1 agora estão mais difíceis, porém, muito mais divertidas.
Para ele que ultrapassa e para a gente que assiste é divertido, para os caras que ele anda ultrapassando deve ser uma tortura.

Notícias dão conta que, para 2018, estarão banidas as horrendas “barbatanas” nas tampas dos motores dos F1 e também a anteninha que muitos dizem ser a tal asa em T.
É a categoria primando pela beleza estética dos carros.
O chato é que na mesma nota diz que vão adotar o tal “Shield”...

O poço não tem fundo...
A Sauber, pior equipe deste ano e uma das piores do ano passado anunciou que em 2018 será parceira da Honda.
A dúvida é: será que não estão acompanhando o drama da McLaren?
Ou...
Será que estão de mudança para a Indy também para ter um motor mais forte?
Se for isto, estão no caminho, o time é tão ruim quanto qualquer um lá na terra do Tio Sam.

Novos gestores, velhos sonhos.
Conversas adiantadas sobre um GP noturno em Nova York em 2019.
Dependendo do que fizer Alonso nas 500 milhas, a coisa sai.
E você aí pensando: que desvelo da McLaren.... Que coragem do Alonso...
Almoço grátis né? Vai vendo...
Entende agora porque a palavra “mercado” apareceu tanto nas falas do Alonso quando revelou que ia correr a prova de 500 milhas?

Por falar em Alonso, ele usou o simulador da Indy e teve seu primeiro contato com Indianápolis.
A notícia não disse se foi com um Playstation 2 ou Xbox...
Ao menos tiveram a dignidade de colocar um volante dual shock Racing de 89 reaus comprado no mercado livre.

Por último, a diferença de nível...
Quando um piloto da Indy é contratado por um time da F1 é: “-Eita! Lá vem outro manetão...” e a repercussão é zero.
Já quando vai um da F1 para lá, como no caso do Alonso, até ele brincar de videogame é notícia cercada de cobertura por todos os lados...

24 de abr de 2017

O calendário ideal

O site Projeto Motor fez em 2015, por conta do retorno do México e seu Hermanos Rodrigues à F1 uma matéria interessante: O calendário Ideal para a F1.
Nela listava-se as etapas com autódromos “clássicos” que deveriam compor o campeonato ideal para a categoria.
Muito bem escrita, pecava (ao meu ver) em listar pistas que notoriamente promovem corridas sonolentas e aborrecidas.
A lista do site era:
Austrália (Melbourne)
Malásia (Sepang)
África do Sul (Kyalami)
Espanha (Barcelona)
Canadá (Montreal)
América do Norte (Long Beach)
França (Paul Ricard)
Inglaterra (Silverstone)
Alemanha (Hockenheim)
Hungria (Hungaroring)
Bélgica (Spa-Francorchamps)
Itália (Monza)
Portugal (Algarve)
Cingapura (Marina Bay)
Japão (Suzuka)
Estados Unidos (Austin)
México (Hermanos Rodríguez)
Brasil (Interlagos) 
Hoje, sabemos que Malásia dará adeus ao campeonato neste ano, o que é uma pena e que a pista à qual se celebrava a volta, sem sua principal curva (Peraltada) é um porre, então, qual seria a lista ideal? E com quantas corridas?
Numa análise rápida, seria possível riscar da lista original ao menos seis etapas: África do Sul, que tinha corridas bem chatas e apenas saudosistas gostam; Espanha, que nunca, em pista alguma, deu boas corridas, apenas bons lances em anos isolados; Austin e sua pista Crtl C Crtl V sem alma e sem graça; o próprio México, a França que, ao menos em Magny Cours e Paul Ricard sempre foram um porre e esta última, com a reta cortada pelas regras da FIA, fica ainda mais chata e Long Beach (que pela experiência com os Indy é possível cravar que teríamos procissão).
Algumas, como Hungria, Cingapura, ficariam em stand by para compor tabela e sobrariam apenas: Austrália, Canadá, Alemanha (desde que não em Hockenheim), Inglaterra, Bélgica, Itália, Japão, e Brasil.
Portugal é que é uma incógnita, já que o Algarve, que é um circuito belíssimo, nunca viu uma corrida de F1 oficial e tem como sombra o ótimo Estoril.
Portimão/Algarve
Minha lista ficaria com:
Da original do site.
Austrália
Canadá
Portugal (Algarve ou Estoril)
Mônaco (intocável quando se toca no tema “tradição”)
Inglaterra
Alemanha (Nurburgring)
Itália
Bélgica
Japão
Brasil
E adicionaria:
Bahrein, que com suas corridas noturnas melhorou muito.
Estados Unidos desde que em Watkins Glen ou outra que não fossem as duas da lista original.
Malásia (com sua pista larga, retas enormes e clima maluco) deveria ficar.
Turquia, que era sem dúvida, dos novos portos onde atracou a F1, o que era o melhor com sua pista desafiadora.
Áustria, que mesmo com a nova configuração ainda é muito interessante.
Hungria, que mesmo sendo um circuito de média velocidade desafia os bons pilotos a se sobressaírem.
Sepang/Malásia
Há também espaço para a China e Imola, desde que se acabasse com algumas chicanes construídas após 1994.
Fica aberto o espaço para as listas de quem quiser fazer, com justificativas ou não.

21 de abr de 2017

Sobradinho

Sá havia sido levado por Gutemberg Guarabyra para conhecer o sertão do São Francisco entre as gravações e shows no ano de 1977.
Sá, segundo o próprio, era um “bicho completamente urbano” que só saia da cidade do Rio de Janeiro para – no máximo – ir até Teresópolis.
Lá, nas barrancas do rio São Francisco, maravilhado pelo que chamou de “um outro mundo” resolveu que iria se integrar ao lugar comendo um prato típico da região.
Guarabyra, já mais acostumado com o tempero do lugar pediu um pirão de peixe no que foi acompanhado pelo parceiro.
Sá ainda lembra o perrengue passado no dia seguinte, na casa dos pais de Guarabyra, para dar passagem pelo organismo a toda àquela pimenta malagueta que acompanhava o prato.

Entre uma urgência e outra, ouviu o pai de Guarabyra dizer que há poucos quilômetros dali havia caminhões de um tamanho que ele nunca pensou que existissem trabalhando.
Gutemberg Guarabyra, curioso se abalou até lá e descobriu que, de forma sigilosa, o governo militar estava construindo uma represa que reteria um volume de água seis vezes maior que o da Baía de Guanabara no Rio.
A represa colocaria debaixo d´água ao menos seis cidades da região.
Escreveu a letra de Sobradinho á qual apresentou ao parceiro que ajudou a musicar e na volta ao Rio, como todo artista da época, apresentou a canção aos censores da ditadura militar.
O assunto da represa era tão sigiloso, tão secreto que os censores não tinham a menor ideia do que a letra estava dizendo e a aprovaram de primeira, sem pedir a mudança de um verso sequer.
Depois de gravada e lançada, a canção fez um sucesso tremendo e acabou fazendo com que o governo tivesse de abrir para o país a história da represa e da inundação das cidades...
Foi assim que dois músicos intitulados de compositores de “rock rural” passaram a perna no governo militar.

18 de abr de 2017

F1 2017 - pós corrida: O que aprendemos no Bahrein

Que neste ano em especial, classificação é uma coisa, corrida é outra.
Obviamente que vão haver exceções como Mônaco, Hungria... Mas a princípio, ser o mais rápido na classificação já não é o mais importante.
Lewis está aprendendo isto na prática.

Há divisão clara nas equipes de ponta.
Vettel é o primeiro piloto, Kimi o segundo.
Hamilton é o primeiro piloto, Bottas o segundo.
Se a Red Bull mantiver a crescente vai ser complicado escolher um primeiro piloto já que tanto Daniel quanto Max são extraordinários.

A galera do BR é inflamadinha...
Vettel era o queridinho, bastou bater um certo piloto que não fez a curva em números de vitórias e títulos que virou “farsa”.
Hamilton ainda não caiu em desgraça porque vira e mexe dá uma galvanada e cita o cara.
Max não superou (e ninguém sabe se superará) nenhum número do citado, mas bastou fazer uma volta (fantástica) no GP chinês, sob piso molhado e ser comparado ao cidadão que já se tornou objeto de estudo para ódio.
Aí o menino ainda vai e dá uma declaração sobre Felipe Massa ter sido lento em uma passagem de pista, que aliás, foi mal traduzida, e pronto: já é alvo das macumbas online.
Houve quem comemorasse sua saída de pista com problemas nos freios.
Mas estes torceram pelo Massa?
Não.
Ainda tiraram o sarro de seu eterno sexto ou sétimo lugar nas corridas.
Galera BR é a maior padaria para F1 do mundo.... Olha a corrida em alguns momentos enquanto toma um café e come um pastel e desata a falar besteira.

Correr a noite foi a melhor coisa que fizeram pelo GP do Bahrein.
Dica: coloquem refletores em Baku, nos EUA, na Espanha e na Rússia para ver se melhora a qualidade dos espetáculos por lá.
Já Abu Dhabi não tem jeito.... Coloquem minas terrestres na pista e detonem.
Aquilo não tem salvação.

A McLaren é a equipe que mais se preocupa com seus pilotos.
Não deixa o carro ser muito rápido para não correrem riscos...
E assim que Alonso declarou que vai correr a lendária Indy 500 já tratou de ir ambientando o cara com a várzea que é aquela categoria fazendo com que seu carro sequer completasse a corrida no deserto.
É muito desvelo.

Eu ia zoar Carlos Sainz Jr., mas deixa pra lá.
O cara é tão ruim, mas tão ruim que conseguiu tirar Lance Stroll da corrida, coisa que o moleque sabe fazer muito bem sozinho.
Sobrenome não garante nada, e no caso dele está fazendo um mal danado.

16 de abr de 2017

F1 2017 - Corrida Bahrein: Because the night belongs to lovers. Because the night belongs to us

Um fato curioso: depois que passou a ser disputado a noite (lá) as corridas no Bahrein ficaram mais atraentes.
Seja pela temperatura diferente da pista (no deserto a variação dia/noite é bem grande) seja pelo espetáculo das luzes brilhando nas carenagens que dão um colorido diferente ou pelo que for, está menos torturante e até prazeroso assistir.

Esta edição, impulsionado pela nova velha rivalidade Vettel/Hamilton que estão rigorosamente empatados na ponta da tábua de classificação, ainda há outros motivos para ficar atento.
São eles: Bottas em sua primeira pole, Vettel pulando logo atrás (em terceiro, mas na parte emborrachada da pista), o fator Verstappen nas largadas e uma onda crescente de melhora dos carros da Red Bull. Nunca subestime Adrian Newey.

Antes, na preliminar da corrida, a F2 mostrou um show.
Um dos novatos, Charles Leclerc, piloto de Mônaco e membro da academia da Ferrari liderava, foi aos boxes caindo para a décima quarta posição e ultrapassou (de verdade) um por um dos adversários até chegar – na última volta – ao primeiro posto e vencer a prova.
A torcida era para que aquilo fosse um bom prenuncio da prova principal.
E ao menos na largada, as coisas caminharam bem.
Vettel pulou de terceiro para segundo utilizando o lado mais emborrachado.

Massa ganhou uma posição para ficar na sua zona de sempre (sexto/sétimo).
Já pensando no ritmo de corrida, que na Ferrari é melhor que o de classificação, Vettel foi aos boxes tramando um undercut nas Mercedes.
Foi seguido por Max Verstappen que pensou a mesma coisa.
Verstapinho, o mais novo objeto de ódio dos torcedores de padaria do Brasil, só não contava com uma falha em seus freios que o colocou para fora da prova.
Na sequência Carlos Sainz Jr. tirou da prova por pura manetice Lance Stroll, que não tem tido sorte (nem mostrado muito talento) em sua estreia.
Safety car na pista e Vettel na frente.

Na saída do SC da pista, Bottas e Vettel protagonizaram uma briga digna de gente grande enquanto Hamilton não dava bola para Daniel Ricciardo.
Se a Ferrari tivesse peito para dar dois carros iguais para seus pilotos, o campeonato estaria muito mais interessante.
Não culpem Kimi, ele não tem culpa nenhuma.
Vettel resiste as investidas de Bottas e embarca em uma tática muito parecida com a que outro alemão, o Sete Estrelas, usava: voltas voadoras de cara para o vento para garantir uma segunda parada tranquila e – se não conseguisse voltar ainda a frente – numa posição que lhe permitisse usar seu jogo de pneus mais novo para ultrapassar quem estivesse com pneus gastos.
E iria contar com a punição de cinco segundos acrescida ao tempo final por atraso na entrada de boxes dada a Hamilton.
A Mercedes, em uma tática um tanto antipática, solicitou inversão de posição entre seus pilotos para proteger a posição final de Hamilton e, claro, seus pontos no mundial de construtores. É do jogo.
Um pouco mais atrás, Massa brigava com o carro e com Kimi para manter a quarta posição.
Durou pouco, Kimi passou até com certa facilidade.
Mais atrás ainda, dava dó ver Fernando Alonso brigando com Ericsson, Kyviat, Palmer.... Um piloto entre tantos motoristas.
Culpe a McLaren e sua parceria com os nicômicos (contração de nipônico com cômico).

Na volta 34 o movimento que em tese decidiria a corrida: Vettel foi aos boxes para uma segunda parada, enquanto não se esperava mais nenhuma de Hamilton. Exatamente como na F2, guardando as devidas proporções.
A diferença de pneus gastos era de mais de vinte voltas e já se fez sentir imediatamente com Vettel virando em média um segundo mais rápido que Lewis.
E Hamilton contrariou – ou não – as expectativas e foi aos boxes, cumpriu sua punição e voltou em terceiro invertendo a vantagem dos pneus novos e andando muito. Fim das semelhanças com o show da F2, mas a corrida ainda estava aberta mesmo com a distância entre os carros e com Bottas entre eles.
Por mais rápido que fosse, e foi muito, o ritmo de corrida (quase um relógio) da Ferrari de Vettel determinou sua vitória.
A Lewis sobrou a honra de ter feito uma de suas melhores corridas ajudando a termos mais uma corrida memorável na noite do Bahrein.
A noite pertence a nós, ao menos na F1...

E fica a lição: o que acontece na classificação não define mais o que será a corrida no domingo.
É melhor assistir e prestar atenção.