21/08/2014

Ainda sobre o Verstappinho

O assunto da hora é Max Verstappen.
Não poderia ser diferente...  Afinal é um moleque de dezesseis anos que vai guiar um carro de uma equipe média com potencial na F1: a Toro Rosso.
Algumas considerações sobre:

A Toro deu sorte com Vettel, agora acha que tem a formula: juventude is all.
Apostou em Danil Kyviat que é sim um talento, mas...
Onde vai chegar? Quem sabe?
Não duvido que o sósia do Renan do Couto um dia, antes de vencer uma corrida – sim, acredito que ele vencerá várias - pare o carro na linha de chegada para tirar uma selfie.
Ou sei lá... Corra com uma GoPro no bico do carro apenas para tentar registrar o maior numero de acidentes possíveis e depois postar no Youtube.
Essas coisas que russos fazem...

Max Verstappen chega a F1 com relatos de que tem talento, mas tem a maldição do sobrenome.
Nelson Ângelo Piquet, David Brabhan, Christian Fittipaldi, Bruno Senna, Kevin Magnussen também traziam sobrenomes de peso (menos o Jan Magnussen, que era ruim pracarai) e naufragaram na F1.
Tá certo... O Kevin ainda corre, mas... Corre mesmo? Sério?
Ah, tem Damon Hill e Jacques Villeneuve (vou escrever o nome correto só para citar o pai), que venceram corridas e até foram campeões do mundo.
Mas poxa... Damon até que era bonzinho, mas o Jacques...
O Jacques, catzo, só ganhou por conta da Williams. E olha que quase perdeu!
E voltando aos quatro primeiros: os sobrenomes eram nada mais, nada menos que Piquet, Brabhan, Fittipaldi e Senna.
Se não fizeram sucesso com isto, que dirá um Verstappen da vida...

Agora: Triste mesmo deve estar Jean Eric Vergne.
Perdeu emprego para uma criança e nem pode contar com o E.C.A. (Estatuto da Criança e do Adolescente) para denunciar o trabalho infantil...

Um pouco mais sério...
É bom que este menino Verstappen não quebre sequer uma unha durante um GP, do contrário, a caça às bruxas no automobilismo voltará com força total e é bem capaz de lermos e ouvirmos coisas do tipo: “-Selvageria... Por uns pontos de audiência e uma grana a mais, colocam crianças para fazer este esporte estúpido e desnecessário...”.
Que ele tenha mais sorte que o personagem da canção da Legião Urbana, ou então vamos ouvir os diretores de escola dizer: “-Ele só tinha dezesseis. Que isto sirva de aviso pra vocês.”.

20/08/2014

E na casa de Jean Eric Vergne...

E pela manhã, quando liga seu ultrabook para conferir noticias e responder e-mails, Jean Eric Vergne se depara com um raro correio eletrônico vindo da equipe pela qual disputa a temporada de F1, a Toro Rosso.


To: Jean Eric Vergne (Prostismygod@gmail.com.fr)
From: Toro Rosso (pilots_fryer@ToroRosso.com)
Subject: Your job.

Cordiais saudações, Jean Eric, como vai a gloriosa França?
Muitos perfumes fedidos e queijos cheirosos? Ou será o contrário?
Tanto faz...
O motivo deste e-mail é para lhe comunicar que a Toro Rosso não contará mais com seus serviços como piloto para a temporada 2015.
Nada pessoal.
Bem sabemos que você está à frente de Danill Kyviat na tábua de classificação e possivelmente se mantenha até o fim da temporada, mas cá entre nós: ele é russo. Logo... Bem... Quem tem c* tem medo.
Em seu lugar, guiará Max Verstappen, um jovem promissor, filho de um antigo piloto da categoria, Jos, já deve ter ouvido falar nele.
É certo que o rapaz só tem dezesseis anos, mas tem grande talento e apostamos em seu futuro.
Mas, queremos deixar bem claro que este não é o fim de nossas relações e nem significa que esteja demitido. Pelo contrário, por ser o novo piloto da equipe ainda um menino, precisamos que você continue conosco para que possamos dar suporte ao jovem Verstappen nos momentos difíceis que acreditamos que passará...
Por isto, aguarde em sua casa as novas instruções e novas ferramentas para que possa continuar conosco.
Por hora é só.
Nos vemos em Spa-Francorchamps.

Duas horas depois de ler o e-mail, uma camionete do Fedex encosta frente ao seu portão e lhe entrega uma caixa vinda diretamente da Áustria, da sede da equipe.
Ao abri-la, entendeu perfeitamente o que Franz queria dizer com “dar suporte aos momentos difíceis que o jovem Verstappen” passaria.
Dentro havia alguns pacotes de fraldas, lenços umedecidos, talcos e pomadas para assaduras.

19/08/2014

O companheiro de equipe que poderia ter vencido Alonso

Fernando Alonso é osso duro de roer.
Pega um, pega geral, ainda vai pegar você.
Assim os fãs de Alonso (com voz esganiçada, claro) dizem para todo e qualquer piloto que ouse querer ou ter sido companheiro de equipe do asturiano.
Mas ele próprio também não alivia.
Na última semana, Fernando Alonso deu uma entrevista e disse que seu companheiro de equipe mais duro foi Jarno Trulli e ainda justificou: "-Ele era realmente rápido em uma volta.”.
Mas não é que tenha menosprezado este ou aquele piloto, ou que seja uma simples questão de marra.
Se na opinião do cara, Jarno Trulli foi mais duro de bater – e ainda assim ele bateu - que os campeões mundiais com quem correu. (A saber: Jacques Deusmelivre em 2004 na Renault e Kimi Raikkonen este ano.).
É porque o último italiano vivo da F1 tinha lá suas qualidades.

Mas é curioso que ele tenha deixado de citar um piloto que – muito mais que Trulli – foi uma real ameaça a sua carreira.
E não estou falando de Tarso Marques que em 2001 conseguiu dois nonos lugares como seus melhores resultados contra um único décimo lugar de Fernando;
Nenhum marcou ponto, mas tecnicamente Marques ficou a frente do espanhol e se fosse hoje seria considerada uma surra e poderia ter feito com que os donos da equipe fossem atrás de alguém com mais talento, se é que entendem... ($$$$). Mas eram outros tempos...
Também não é sobre Hamilton que em 2007, apesar do empate em pontos (109 para cada) as quatro vitórias do inglês contra duas do espanhol garantiram-lhe o vice-campeonato.
Uma posição a frente do marrento.

É sobre Nelson Ângelo Piquet, vulgo Nelsinho ou Piquetzinho...
Ok, o moleque terminou o campeonato doze posições atrás do asturiano, mas, naquele episódio do Crashgate em que abriu a boca para denunciar as safadezas de Pat Simonds e do torresmo de sunga Briattore, se tivesse sido mesmo macho e contado que Alonso sabia de tudo... Ah se tivesse contado.

18/08/2014

O presente do Nelsão

Neste domingo (17/08) foi aniversário de Nelson Piquet, um dos gênios deste assunto de acelerar e fazer curva.
Obviamente, pulularam homenagens e homenagens por todos os cantos.
Merecidamente, diga-se.
Mas o maior presente foi o próprio que nos deu há muitos anos atrás.
Já tratei desta manobra por aqui um tempo atrás sob o título de A Kind of Magic, onde um moleque húngaro que vai à primeira corrida em Hungaroring – mesmo sem conhecer muito – vê a batalha e ultrapassagem em Ayrton Senna (outro gigante) e vai embora julgando que não haveria mais nada tão bonito assim até o fim da corrida.
Ouso dizer que não haverá até o fim dos tempos...
Mas qual o sentimento, naquele momento, foi despertado em cada pessoa?

Jack Stewart disse que foi como ver um looping com um Boeing, ou quase isto.
Aliás, esta frase e aquela do próprio Piquet sobre correr em Mônaco (“Andar de bicicleta na sala”) são duas das melhores definições sobre um assunto já feitas.

Piquet disse que após concluir a manobra, mandou o dedo médio para Ayrton e soltou um palavrão.
Não há como comprovar nem o dedo e nem o palavrão. Unicamente se acredita em Nelson ou não.
Sobre o palavrão, acredito firmemente.

Senna disse ter recolhido o equipamento para evitar um choque, também não duvido, mas a impressão foi que recolheu respeitosamente e até um pouco humilhado.

Particularmente, foi um turbilhão de sentimentos.
Ao mesmo tempo em que torcia para que Nelson fizesse a ultrapassagem, também torcia para que fosse de forma segura, sem risco de abandono para qualquer um dos dois pilotos brasileiros.
Pachecagem? Talvez, mas eram outros tempos e havia ali tanto talento junto que era impossível não torcer a favor.
De fato mesmo só a lembrança de ter ficado de pé no sofá e gritado um libertador: “-Putaqueopariucaralho!” a plenos pulmões e ter recebido no peito um chinelo voador vindo diretamente da cozinha, atirado por minha mãe, que, aliás, até hoje não gosta do Piquet por aquele palavrão... Vai entender.

E você? Como recebeu o presente do Nelsão naquele 10 de agosto de 1986?

15/08/2014

Doce

Armação na música pop sempre existiu.
Os Monkeys, diversos grupos vocais e as boy bands de hoje em dia estão ai para provar cabalmente.
Óbvio que os Monkeys acabaram mostrando algum talento anos mais tarde, mas a principio eram uns caras “bonitos” juntados por um empresário “esperto” para colar na beatlemania.
Aliás, até os Beatles apareceram de forma meio fake com aqueles terninhos, cabelinhos de tigela e musiquinhas falando de pegar na mão e tal.
No mesmo período os Stones já queriam outras coisas...
Ainda bem que os “garotos” de Liverpool tinham talento de sobra para evoluir e merecer a fama que os acompanha até hoje.

Uma das melhores histórias de armação/redenção é a do pessoal cheio de glitter do Sweet.
A gravadora RCA/Capitol tinha visto e gostado de um grupo obscuro chamado Sweetshop onde tocavam Brian Cannolly (vocais), Steve Priest (baixo) e Mick Tucker (bateria) e apostou neles.
Após alguns singles fracassados, Andy Scott (guitarra) entra no grupo e a gravadora resolve colocá-los sob a direção de dois produtores hitmakers: Nicky Chinn e Mike Chapman. Além de trocar o nome para apenas Sweet.
´A dupla Chinn e Chapman escreve a maioria absoluta das músicas no primeiro disco, que faz algum sucesso, porém estar sob o controle de produtores e suas fórmulas não era bem o que os caras imaginavam fazer na carreira.

Pediram e a gravadora diminuiu a influência dos dois.
O resultado não poderia ser melhor musicalmente: Sweet Fanny Adans viu a luz do dia em 1974 e chegou até a respeitável posição número 27 dos álbuns mais vendidos do Reino Unido naquele ano com apenas duas músicas de Chinn e Chapman, porém, não tinha hits.

Para sanar este problema e catapultar a popularidade do grupo foram lançadas como singles canções da dupla de compositores: Blockbuster, Hellraiser e The Ballroon Blitz, (possivelmente seu maior sucesso até hoje). Todas adicionadas ao disco original nas reedições em CD.
Porém, com aquele vinil de nove canções a semente já estava plantada.
O som pesado, rápido, contagiante e poderoso do disco apontou os novos rumos para o Sweet, indo na direção do glitter rock feito por gente do calibre do T-Rex, David Bowie e Lou Reed (em Transformer).

Curiosidades sobre o disco.
O título faz alusão a um assassino do ano de 1867 e que tinha o nome Fanny Adams. Detalhe, o moleque tinha apenas oito anos de idade.
Outra curiosidade é que o título da canção incluída no disco: Sweet F.A. não é sobre o pivete, mas uma abreviação eufemística para Fuck all.
A canção Set me Free foi regravada pela banda de heavy metal Saxon em seu disco mais famoso, Crusader, de 1984.