30 de mai de 2016

F1 2016 - Crônica do GP: A outra corrida

Foi uma corrida típica do GP de Mônaco.
Nunca dá para esperar que lá no principado irá abundar ultrapassagens ou brigas emocionantes, mas uma corrida tensa sempre é possível.

Das boas coisas da corrida deste ano dá para destacar a briga entre as Saubers.
A equipe solicitou a inversão de posição entre Nasr e Ericsson.
O brasileiro deu de ombros e o companheiro de equipe forçou.
Forçou e fez caca.
Os dois acabaram saindo da prova logo adiante.
Ericsson pediu desculpas assumindo o erro.
Sinceridade é a única coisa que lhe resta já que talento...

A Red Bull também deveria pedir desculpas por fazer com que Daniel Ricciardo perdesse a corrida.
O pit stop ridículo parecia feito pela Williams de tão surreal.
Aventou-se a possibilidade de o australiano ter ido aos boxes sem avisar o time, mas logo depois a hipótese perdeu força.
Ainda na casa dos energéticos, Max Verstapen foi de bestial à besta em quinze dias.
Da vitória na Espanha aos muros de Mônaco.
Dá um desconto. É Mônaco.

E por falar em Williams.... Deixa para lá.
Vergonha define.

Aplausos para Sérgio Perez e sua Force Índia no pódio.
Consistente a corrida toda.
Dane-se que Rosberg fez corrida de miss com direito a aceno para a plateia e tudo.
Dane-se que Kimi bateu e que Verstapinho largou lá atrás.

A McLaren também tem de ser aplaudida e danem-se as mesmas coisas do tópico acima.
O quinto lugar de Alonso foi fantástico para o time que vem mostrando alguma reação em relação ao tétrico ano passado.
O outro cara chegou em nono, mas... E daí?

Grosjean e Gutierrez a bordo de suas Haas ficaram em último lugar.
Mas não acabou o encanto ainda, vamos ver como se comportam no Canadá.
Ah sim... Manor com seus dois manetas também terminaram a corrida, mas é um time com pilotos meio button.
Ninguém liga.

29 de mai de 2016

F1 2016 - Mônaco: o blefe da fabricante dos pneus

Mônaco é especial, todo mundo sabe.
Carros passando a centímetros – talvez milímetros – dos guard rails e muros de uma das cidades mais charmosas da Europa.
Com chuva, como foi o caso da largada desta vez é mais especial ainda, certo?
Errado.
O safety car à frente é garantia de que nada vá acontecer.
Se Daniel Ricciardo que garantiu sua primeira pole position  - logo onde? – já tinha um terço da vitória garantida, com a segurança da largada controlada então...
De emoção só Danil Kvyat trocando o volante já na segunda volta.

E o mercedão de segurança só saiu da pista no oitavo giro.
Até as piadas estavam acabando. Mas não durou nem uma volta direito já que o tratorzão da carterpillar do filho do Palmer se arregaçou todo na reta de largada.
é verdade que o cara aquaplanou, mas é ruim que dói o menininho.
Safety car de novo, só que agora o virtual até a décima.

O abandono de Kimi foi algo meio complicado de se explicar.
O finlandês dormiu? Passou do ponto? Aquaplanou? O fato é que quase leva junto Felipe Massa e Romain Grosjean.
Por mais que se goste do cara, deu mole.

E Sorrisão ia abrindo...
Dos ponteiros, Vettel foi o primeiro a trocar os pneus por um jogo de chuva intermediários.
E quando todos louvavam o “Champion mode” de Rosberg, eis que o alemãozinho Cone#6 entrega a paçoca para Hamilton na subida logo após a Saint Devote.
Sem briga, sem disputa, sem trauma.

E com sorte.
Cone#44 manobrou para fazer um pitstop a menos e quando tudo parecia encaminhado para  Ricciardo reassumir a ponta os mecânicos da Red Bull esqueceram que para se fazer um pit stop bom é necessário levar os pneus para a posição de troca.
Se Helmut tirou da Red Bull o russinho por ser barbeiro, vai mandar os trocadores de pneus para o inferno sem escalas.

Daí para a frente a coisa ficou em banho maria.
Tirando a jogada suja de Hamilton cortando a chicane na saída do túnel e depois mudando o traçado mais que uma vez para conter Ricciardo, nada mais houve.

Hamilton venceu na estratégia.
Escolheu o pneu ultra macio e com ele fez metade da corrida quando ninguém esperava que fosse possível.
Deveriam pedir explicações à Pirelli.
Ou algo deu muito errado com a construção dos pneus ou só pintaram os macios de rosa e blefaram bonito já que em tese o pneu deveria durar entre vinte e vinte e cinco voltas.

Mas também venceu na sorte por ter a Red Bull ter feito o erro mais bizarro em pit stop deste ano.
Enquanto isto, lá atrás Rosberg fazia corrida de miss com acenos e tudo.
O campeonato está aberto, eis o ponto mais positivo da corrida no principado.

23 de mai de 2016

F1 2016: A hora e a vez do principado

Há quem não goste do GP de Mônaco.
Não vamos julgar, afinal, tem gente que defende partido político.
Gosto é gosto e isto move o mundo.
O sujeito tem o direito de não gostar de Mônaco e de defender partido político.
O sujeito também tem o direito de ser burro.
Ninguém tem nada a ver com isto.
Mas se o GP de Mônaco fosse um partido político eu o defenderia.
Por que?
Porque além de meu direito, é também por ser parte da memória de um esporte fantástico em que gente de coragem (ou burrice) arrisca o pescoço a trezentos e lá vai pedrada passando a milímetros de paredes, cercas, calçadas... E hoje nem tanto, mas também tinham que enfrentar uma espécie de cegueira temporária ao conduzir por dentro do túnel.
Fangio (ou Clark, ou Brabhan ou qualquer outro destes heróis) contava que antes de entrar no túnel deixava apenas um olho aberto e lá dentro o fechava para abrir o outro e diminuir assim o efeito do lusco fusco causado pelo sol.

Há muitas histórias bacanas nas ruas do principado.
A corrida maluca que terminou com quatro carros e foi vencida pela Ligier de Olivier Panis (1996) é uma das prediletas da casa, assim como o pódio em que David Coulthard recebeu o troféu vestido com a capa do Superman.

Porém hoje a história é outra: é a vez de Michael Schumacher, o maior campeão que a F1 já viu.
Em 2006 a briga era com o então campeão mundial Fernando Alonso que rumava para o segundo título.
Após fazer sua volta e cravar o tempo de 1:13.898, o sete estrelas simplesmente estacionou seu carro na curva La Rascasse alegando um problema qualquer e assim trazendo uma bandeira amarela que impediu que o espanhol fizesse sua volta voadora e – talvez – lhe roubasse a pole position.
A direção da prova convencida de que fora ludibriada pelo alemão o puniu com a perda de todos os tempos marcados no fim de semana fazendo com que ele largasse da última posição do grid.

“-Safado, sem espirito esportivo, sem vergonha! ” – Bradaram então os mesmos que achavam que Ayrton Senna ficar dando volta lenta no circuito para atrapalhar os que ainda podiam lhe superar era um grande sinal de sua genialidade.
E para terminar bem a história, Michael ainda terminou em quinto lugar no domingo em uma corrida em que dos vinte e dois carros que largaram, apenas seis não terminaram a prova.
Ah, e lembre-se que o dito popular é de que não dá para ultrapassar nas ruas do principado.