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For the Dead Travel Fast, a nova pancada do Kadavar

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Uma das bandas mais interessantes da cena pesada atual, os alemães do Kadavar acabam de lançar seu mais novo álbum: For the Dead Travel Fast (Nuclear Blast).
É o quinto disco de estúdio da banda que volta mais hard (doom metal, dizem os fãs) com uma rifferama infernal, mas com o nariz apontado para o pop.
Pop? Sim... Na mesma pegada em que o Ghost aponta seu futuro.
Basta ouvir a grudenta “Children of the Night” para constatar.
E isso não é ruim.

Os barbudos não lançavam nada novo desde Rough Times (2017. Nuclear Blast) em que, pessoalmente, senti que uma produção um tanto modernosa demais, o que deixou o disco um pouco abaixo dos anteriores.
Não que o disco fosse ruim, mas não ombreava com os dois primeiros, Kadavar e Abra Kadavar, 2012 e 2013 respectivamente e ambos pela Nuclear Blast, que sempre que ouço abro um sorriso de orelha a orelha e, mesmo com a idade, ainda dou umas bangeadas.

Em For the Dead Travel Fast o grupo liderado por Christoph “Lupus” Lindemann (guitarra e vocal) i…

O Amor no Caos, volume 2: um disco bonito para tempos feios

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A estratégia de lançamento não é novidade para Zeca Baleiro já que o disco O Coração do Homem Bomba (2008 / MZA) já havia sido lançado em duas partes com diferença de meses uma da outra.
A primeira parte, segundo o próprio Zeca era “a festa”, enquanto o volume dois trazia canções mais introspectivas.
Agora, em 2019, repetiu o feito com O Amor No Caos (Saravá Discos) lançando a primeira parte em 3 de Maio e a segunda parte agora em 11 de Outubro.
Se não dá para afirmar que o primeiro e ótimo volume tem a “festa”, por não haver canções dançantes e mesmo temas mais leves soarem um tanto angustiantes (grande destaque ficava por conta da preocupada e preocupante “O Linchador”.) é perfeitamente aceitável e até natural dizer que este segundo volume traz o lado introspectivo, romântico e poético do Baleiro de 2019.
O Amor No Caos, volume 2 soa delicado e contemplativo.
Zeca, acompanhado de seus instrumentistas favoritos de sempre (Tuco Marcondes, guitarras; Fernando Nunes, baixo; Kuki Stolars…

Urgente e delicado: Boa Sorte, a estreia solo de Teago Oliveira

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Ok, o rock brasileiro pós Los Hermanos não vive sua melhor fase midiática e não traz consigo mais aquele público apaixonado e consumidor ávido. E não. Não é culpa dos cariocas...
O rock nacional passou a ser, sem honrosas exceções, coisa de nicho e mesmo medalhões como Titãs ou Barão Vermelho, tem muito menos espaço nas rádios e emissoras de televisão do que costumava ter. Passaram a ser mais cult que populares.
Os nomes que ainda se mantém com alguma popularidade mais visível, como Nando Reis (que acaba de gravar um disco de covers do Roberto Carlos), por exemplo, não querem mais estar ligados ao rock. Agora com certa razão até, são MPB no sentido mais separatista da sigla. Apesar do passado...
Neste contexto temos no baiano Teago Oliveira uma das caras novas do rock brasileiro.

Nova?
Sim e não.
Não. Por conta de sua banda, a Maglore, onde canta, compõe e toca guitarra.
O grupo já comemorou dez anos de atividades que incluem quatro discos de estúdio e um ao vivo, mas pelos motivos lá…

Scalene e seu Respiro: nunca um nome foi tão apropriado

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AScalene está de volta com uma nova coleção de canções inéditas agrupadas sob o sintomático nome Respiro (Slap, 2019).
Produzido por Diego Marx sob a direção musical de Marcus Preto (Gal Costa, Nando Reis, Silva, Tom Zé) o disco é exatamente o que promete o título.

Leve, sem as guitarras saturadas e vocais gritados de seus dois primeiros discos e que depura ainda mais a vertente melódica de seu último disco, Magnetite (Slap, 2017)

Para se ter ideia do tamanho da mudança de rumos a que a banda se propôs, as duas primeiras faixas de Respiro são... sambas!
Ainda que tocados com baixo guitarras, baterias e violão, a pegada leve surpreende quem esperava uma volta ao stoner rock de Real/Surreal (2013) ou Éter (2015).
Segundo o guitarrista Tomás Bertoni, o disco é um: “resgate de diversas coisas que a banda ouvia antes de mergulhar nas raízes roqueiras”.
Um bom e bonito exemplo é a faixa que fecha o disco “O Que É Será” levada apenas no piano e de onde sai o título do disco.
O guitarrista ai…

The Allman Betts Band, sourthen rock de pais para filhos

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No verão de 2018, Duanne Betts, filho de Dickey Betts se juntou a Devon Allman, filho de Gregg Allman em um projeto em que tocavam covers da Allman Brothers Band e antes mesmo do fim da turnê começaram a escrever material próprio.
Com a confecção das canções em andamento, telefonaram para Berry Oakley Jr. (também filho de um dos músicos dos Allman Brothers, o baixista Berry Oakley) e formaram a base da The Allman Betts Band finalizando os trabalhos que acabaram por se tornar um álbum de sourthen rock de respeito.
Espere sim, claro, um disco fortemente influenciado pela banda dos pais, não poderia ser diferente. Vide o nome que escolheram.
Mas não vá achando que é pura e simplesmente uma cópia. Todos os envolvidos têm personalidade (e talento) o suficiente para dar a cara a tapa e lançar um disco como esse Down To The River. (BMG, 2019)
Confesso que peguei apenas por curiosidade, mas acaba que me surpreendeu demais.

A banda conta com, além do trio nas guitarras, baixo e vocais, um time…

Maglore ao vivo: o rock brasileiro está vivo e passa bem; Só não mora mais no mesmo lugar

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Comemorando os dez anos de banda, a Maglore gravou e lançou seu disco/dvd celebração ao vivo.
São vinte e quatro faixas registradas em janeiro deste ano no Cine Joia, em São Paulo onde a banda passeia por toda sua discografia e ainda manda uma quase inédita (“Não Existe Saudade no Cosmo”, já gravada por Erasmo Carlos) na companhia de seu convidado Hélio Flanders, do Vanguart, que toca violão, teclado e divide alguns vocais com Teago Oliveira durante o disco.
A banda também conta com o auxílio bem luxuoso de um naipe de metais muito bem encaixado, fazendo parecer que já estavam inseridos nos arranjos originais.

Durante todo o show a banda mostra porque é considerada MPB demais para uma banda de rock e rock demais para um grupo de MPB.
Felipe Dieder não tem dó nenhuma das peles de seu kit e junto com o baixista Lucas Gonçalves dão a base para que as guitarras de Teago e Lelo Brandão brinquem com timbres, texturas em acordes e solos hora pesados, hora dançantes.
As canções do disco mais …

Ocean Rain, 35 anos da obra prima do Echo & The Bunnymen

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Em minha modesta opinião, um disco tem que ganhar você na primeira audição.
Sim, você precisa ouvir um álbum mais vezes para entender as nuances, as texturas que fazem dele uma obra diferenciada, mas, se na primeira audição você não ficar com vontade de colocar para tocar novamente ao menos uma das faixas, é o fim da linha. O disco já te perdeu.
Um que me ganhou na primeira audição e ainda detonou um caso de amor à primeira vista (ou audição, contextualizando melhor) foi Ocean Rain, álbum de 1984 do Echo & the Bunnymen.

Só tomei conhecimento da banda em 1988.
Até então, meu gosto sonoro recém adquirido era formado apenas por Queen, Beatles e o nascente BRock capitaneado - para mim - pela Legião Urbana.
Alguns indícios de que me apaixonaria por música pesada também rondavam meu toca discos com Somewhere in Time do Iron Maiden e isso era tudo.
Mas aquele disco de capa melancólica em tons azulados mostrando a banda em um barquinho solitário dentro de uma caverna me chamou a atenção. …