13 de dez de 2017

CRV na F1 #23: o rei japonês coroado por Fitipaldi

Ontem, 12/12 foi aniversário de Emerson Fitipaldi.
Homenagens se prestaram e mais que justas, afinal, o homem enfiou o pé na porta do automobilismo internacional e colocou o Brasil (vá lá que seja, pode chamar de pacheco que desta vez eu não ligo...) no mapa deste esporte.
E por mais que já tivéssemos tido pilotos na F1 ou outras categorias, foi a partir do primeiro título de Emerson que se começou a prestar atenção nos pilotos daqui.
Emerson foi o primeiro brasileiro a vencer o campeonato mundial de F1 e o que veio depois é história e todo mundo sabe...
Emerson protagonizou histórias maravilhosas de coragem, arrojo, humanismo e outras coisas enquanto piloto.
Também teve peito e coragem para enfrentar a desconfiança e a inveja (sim, inveja) tão recorrente aos brasileiros para por nas pistas a primeira (e única) equipe de F1 cem por cento brasileira nas pistas: a Escuderia Fitipaldi, que também ficou conhecida como Coopersucar.

Mas uma história, muito singela por sinal, é das minhas prediletas.
Não envolve vitórias, nem heroísmo...
E nem se passa na F1, mas na Indy, outra conquista (de título e espaço) de Emerson.
Em uma corrida num daqueles ovais tão comuns na terra do tio Sam, vinha Emerson Fitipaldi brigando pela primeira posição – ou para chegar a ela – quando se depara com um retardatário. Era o japonês Hiro Matsushita, bastante famoso em seu país por ser o primeiro nipônico a ter uma carreira longeva no automobilismo mundial e por não ser grande coisa.
Na verdade, era mais um destes roda presa que permeiam as categorias norte americanas deste sempre.
No mergulho para tomada de uma das curvas, Fitipaldi pensava ser uma ultrapassagem simples por outro retardatário que não lhe atrapalharia a corrida.
Porém, Hiro inexplicavelmente resolveu jogar duro e espremeu o carro do brasileiro contra o muro que, com muita habilidade e sorte, conseguiu aliviar o acelerador e dosar o freio sem perder a estabilidade e assim ir parar no muro, o que acabaria com sua corrida inevitavelmente.
De dentro do cockpit, pelo rádio, Emerson esbraveja: “-Fucking Hiro, God damn´it! Fuking Hiro!.
Porém, para poder pôr no ar aquele desabafo, a ESPN, que transmitia a corrida, caprichou no “beep” e então só se ouvia o “-(beep)king Hiro...”
E a partir dali, jornalistas e alguns outros pilotos só se referiam ao japonês como King Hiro.
Até hoje não consigo não ir ao lembrar, ler ou ouvir esta história.

11 de dez de 2017

F1 2018: 3 pontos

Vettel disse que na F1 sempre existiram corridas chatas.
Ele descobriu a pólvora?
Obviamente que não... Aqui mesmo já se tratou disto e como dito: ninguém lembra do GP da Suécia de 78 com tanto entusiasmo..., mas bastou que o alemão 4 estrelas soltasse o verbo para ser qualificado como “chorão”.
Eis um problema de se superar certo piloto que não fez a curva neste país: qualquer coisa que se faça ou fale é vista de forma deturpada, esquisita.
Nesta parte, competente foi Hamilton que (verdadeiramente ou não, creio que sim...) reverencia a imagem do cara sempre que pode, assim, superou seus números e não atraiu a inveja (ódio) de parte da torcida ao redor do mundo e mais especificamente aqui.
Ao assunto da notinha: sim, Sempre houve corridas chatas.
Torcedores mais ainda.

A McLaren lançou um novo superesportivo e o batizou em homenagem à Senna.
O McLaren Senna vem equipado com um motor 4.0 V8 turbo que gera 790cv e 80mkgf.
Para ajudar no desempenho, só tem 1198 quilos.
Serão inicialmente só 500 unidades ao preço de R$ 3.4 milhões.
Bastante grana para um carro que periga não fazer curva.

A FIA (Ferrari International Aid) tem um novo velho presidente.
Jean Todt, o popular Topo Gigio foi reeleito sem nenhuma oposição para seu terceiro mandato.
Isto quer dizer que os comissários punidores seguirão na F1, que o halo vai ficar por lá entre outras coisas que vão de forma contrária a coisas que a Liberty deseja (carros mais bonitos e corridas com um pouco mais de liberdade de ação) e gostaria de implantar.
Como se quisessem marcar território, os europeus que mandam na entidade fazem uma discreta oposição e coloca pequenos entraves na vida dos americanos.
Não me surpreenderia se nas próximas eleições surgisse um candidato alinhado com os americanos e com fortes chances de vencer.

6 de dez de 2017

F1 2018: o cíclico choro que impulsiona mudanças

“-Se a política para os motores for mudada, podemos repensar nossa participação na F1”.
“-A relação financeira entre as equipes e a gestão precisa mudar, ou podemos sair.”
- “Chega-se a um ponto em que os investimentos têm que dar retorno, se eles não acontecem, é preciso repensá-los e até – por que não – abandoná-los.”.
“-Hegemonias e longos domínios deixam a categoria desinteressante, monótona. Isto afasta os torcedores e os investidores...”
“Não se percebe uma visão. Ninguém sabe em que direção se está indo. Tudo o que sabemos é que as receitas caíram, então é possível que tenhamos que sair...”

As frases acima não têm um único autor – embora tenham vindo do mesmo meio – e nem todas são de Sergio Marchionne, o atual todo poderoso da Ferrari.
Mas poderiam ser...
Não há dia que não se leia nos sites especializados que a Ferrari, enquanto equipe de F1 esteja ameaçando se retirar do campeonato mundial de F1 em 2020 ou 2021, quando se encerra sua parceria com a Sauber. Já houve boatos de que poderia até apresentar proposta para uma nova categoria.
Não se pode duvidar, afinal, são apenas negócios e deixar a F1 é uma coisa simples... Saem e pronto.
Assim como fez a Honda quando começou a perder terreno com seus motores, depois voltou como equipe própria e fez a mesma coisa e pode fazer novamente diante do imenso fracasso da recente parceria com a McLaren e se não render frutos com a Toro Rosso.
Também a Renault e a Toyota já agiram assim faltando apenas a montadora japonesa retornar.
A favor destas duas últimas é que ao menos não houve ameaças... Apenas saíram e não fizeram novelas.
Criar outra categoria nova?
Sozinha talvez seja impossível, mas um consórcio é bem possível sim...
E agora com as falas de Toto Wolf sinalizando sobre uma possível retirada da Mercedes, mais ou menos à mesma época em que a Ferrari sinalizou que pode sair... Por que não?
Negócios são negócios e este esporte só existe entre o apagar das luzes vermelhas e o agitar da bandeira quadriculada.

Mas voltando as frases lá de cima, depois de publicadas e repetidas à exaustão pela mídia, os autores quase apareceram com um carro imbatível (suspeito?) e ganharam um campeonato com o pé nas costas e outras vezes se encaminham para um segundo e terceiro... Até que os que não estão ganhando comecem novamente as ameaças... Faz parte do jogo de equilíbrio da F1 há anos.
Logo, não me espantaria se já em 2018, no máximo 2019 a Ferrari voltasse a dar as cartas na categoria.
O choro que, aliás, é livre, é a maior ferramenta de mudança que a categoria tem.
E sempre funciona.

4 de dez de 2017

F1 2018 - Alfa Romeo Sauber F1 Team: a equipe beta da Ferrari

É oficial: a Sauber fecha parceria com a Ferrari e trás de volta uma das marcas tradicionais da F1, a Alfa Romeo.
Junto, oficializou Charles Leclerc e Marcus Ericsson como seus pilotos para a temporada de 2018.
Uma pergunta que pode ficar é: se agora é parceira da Ferrari, se vai ostentar em sua carenagem Alfa Romeo, porque é que tem que ficar com Ericsson no time?
Ficou bem claro nestes anos que ele só estava por lá por conta do aporte financeiro que trazia...
A resposta pode até ser bem mais simplória do que se imagina: dinheiro nunca é demais.
Principalmente na F1.

Mas há prós e contras no retorno da icônica marca.
O retorno de um nome tão tradicional, ainda mais agora neste momento de transição de gestão é um dos prós. Assim como também a estabilização da combalida situação financeira da Sauber, que querendo alguns ou não, é dos últimos times “garagistas” do circo e é das mais simpáticas.
Outro ponto positivo seria um acréscimo de beleza ao grid já que a Alfa ostenta cores muito bonitas, como é possível ver na foto do carro de 2016 com o que pode ser o esquema de pintura para 2018.
Mas o mais importante é que construam carros confiáveis e minimamente competitivos para que promessas como Leclerc, Giovinazzi e mais tarde – quem sabe – Pietro Fittipaldi possam mostrar serviço de forma decente e com mais facilidade.

De pontos negativos tem o fato de que a Sauber passaria a ser uma equipe B da Ferrari, logo, não disputaria vitórias com o time principal em condições normais. A Ferrari provavelmente testaria soluções novas nos carros da equipe B antes de usa-las.
Algo que já acontece com a Toro Rosso em relação a Red Bull atualmente.
Claro, que nas atuais condições da equipe, ninguém esperava ver uma Sauber disputando posições com a Ferrari, logo, mesmo com o aporte da Alfa e o carro ficando minimamente competitivo, dificilmente isto vai acontecer.
Isto só é um problema mesmo para a Liberty, que perde dois times candidatos a “underdog” nos campeonatos já que tanto a Toro quanto a Sauber, mesmo melhorando muito, não farão frente aos times ditos “A”.
E todos sabem o quanto os norte americanos de automobilismo amam a figura do time modesto que incomoda os grandes e – em algumas vezes – beliscam vitórias e disputam pau a pau os títulos.
Na F1, a última vez que se viu isto foi com a Brawn GP de Ross Brawn, Button e Barrichello.

Só é necessário ao fã da categoria (e da Sauber) frear um pouco o entusiasmo.
Se lembrar direitinho, a última vez que a Alfa esteve na F1 com uma equipe própria foi um desastre.
Não marcaram nenhum ponto na temporada de 1985 e amargavam um fim de grid tão constrangedor que pularam fora.
Alfa Romeo 184 TB
E como fornecedora de motores, empurrava de forma precária as Osellas, fracassando miseravelmente em 1988 com apenas três corridas terminadas na temporada, abandonando sete vezes e nem conseguindo se classificar para a largada em mais quatro.
Aos que disserem que os tempos eram outros e que agora é tudo diferente, vale lembrar o recente retorno da Honda na McLaren... Não é tão diferente assim.
Osella Alfa Romeo FA1I

1 de dez de 2017

Perfeitos estranhos

O ano era 1976 e da formação matadora apenas Jon Lord e Ian Paice ainda estavam lá, David Coverdale e Glen Hughes eram os cantores e baixista respectivamente.
No lugar de Richie Blackmore, o intratável e genial guitarrista estava  o ótimoTommy Bolin, que viria a falecer no mesmo ano em decorrência de uma overdose.
Com esta formação haviam lançado seu último disco - Come Taste the Band – em 1975 e resolveram se separar.
 Para todos os efeitos, a banda que lançara In Rock, Fireball e Machine Head não existia mais.
Mas a gravadora e alguns empresários ávidos por alguns trocos a mais não entenderam bem do que se tratava aquela pausa.
Engendraram então um plano diabólico para remontar um grupo em torno no mítico nome.
Juridicamente, para não dar problemas - já que o nome da banda era obviamente registrado – adicionariam “new”, assim como já haviam feito com o Steppenwolf.
Para dar alguma verdade à formação procuraram por algum integrante original.
Porém quase todos os integrantes que já tinham tocado oficialmente estavam em outras bandas ou tratando de suas carreiras solo restando apenas Nick Simper e Rod Evans, baixista e vocalista respectivamente em 1968.
Sentindo o cheiro de armação no ar, Simper pulou fora.
Evans que provavelmente precisando de uma grana, topou.
Da esquerda para a direita: Dick Juergens, Tony Flynn, Tom De Rivera, Geoff Emery e Rod Evans
Então com Rod Evans no vocal, Tom DeRivera no baixo, Dick Jurgens na bateria, Tony Flynn na guitarra e Geoff Emery nos teclados começaram os ensaios.
Nos cartazes, por audácia ou por descuido, o nome da banda aparecia sem o “new” e mesmo avisados que aquilo poderia terminar em confusão, foram em frente.

Tudo parecia bem planejado e até mesmo bem executado, o único problema foi que todos esqueceram um detalhe: o público.
Ao executar algumas músicas como Child in Time, Burn ou This Time Around o público incauto que havia engolido a isca achando que veria e ouviria mesmo o Deep Purple sacava que tinha sido largamente enganado e estavam assistindo um punhado de ilustres desconhecidos e que ainda por cima tocavam mal para caramba.
Por sorte, não duraram mais que alguns meses.
O Deep Purple de verdade, tal qual deu ao mundo Made in Japan reapareceria apenas em 1984 e em grande estilo, mas não... Perfect Strangers, primeiro single (e nome do disco) da reunião não trata desta história.