23 de dez de 2016

O conto de natal 2016

A história que vou contar pode ter sido verdade ou não.
Depende do quanto você acredita que o ser humano pode ser sacana...
Os nomes foram trocados por alcunhas convenientes para, obviamente, proteger as identidades dos envolvidos.
Pode ser visto como um conto de natal já que estamos na época e que contém muito do que este tempo desperta nas pessoas...  Mas veja bem: nem sempre é algo bom.

Ao chegar no trabalho para o último dia do ano, a única certeza é de que a confraternização teria ao menos alguma história constrangedora.
Sempre tem.
Uma reunião de pessoas diferentes que aturam suas diferenças o ano inteiro tentando manter um mínimo de civilidade e aparência amistosa é sempre tensa.
Apesar das inúmeras tentativas de dissipar a tensão com brincadeiras e piadinhas que nem sempre funcionam.
Claro, existem os que se gostam de verdade e conseguem um nível de coleguismo bem próximo a amizade, mas não chegam a ser maioria.
A programação daquele dia incluía, além dos comes e bebes (guaraná e salgados da padaria) uma variação da brincadeira “amigo secreto” feita com chocolates.

A coisa parecia não fluir direito já que ninguém confraternizava.
Todos olhavam fixos para a tela de seus celulares ou tablets. Às vezes riam e mostravam algo nas telas uns para os outros.
Cansado, um dos participantes que chamaremos de Narrador, resolveu fazer algum tipo de ação para tentar melhorar aquilo. Ou só sacanear mesmo...
Foi para a sala da secretaria com a intenção de trocar a senha do wifi sem que ninguém soubesse.
Desligar o aparelho, além de muito óbvio, seria algo facilmente revertido.
Sentou-se em frente ao PC e começou a digitar o endereço do roteador quando um dos colegas entrou na sala com uma sacola de supermercado.
Vamos chama-lo de Fiduma.
-Você tem, ou sabe se aqui na secretaria tem, um daqueles saquinho de embalar presentes? – Perguntou Fiduma.
-Não.... Não tenho. Mas acho que no armário deve ter algo que sirva.
-Preciso embrulhar o presente do amigo chocolate.
-Quem você tirou?
-Deise Lumbrada. E você?
-Não estou na brincadeira...
-Hum... E o que cê tá fazendo aqui na secretaria?
-Nada, nada... – e voltou a se concentrar no computador enquanto Fiduma encontrava o que queria no armário.
Então, Fiduma abriu a sacola do supermercado e retirou de dentro uma lata de quatrocentos gramas de achocolatado em pó colocando-a sobre a mesa.
A cena despertou a curiosidade de Narrador que ficou observando Fiduma abrir o saquinho para presentes e colocar dentro a lata de achocolatado e depois fechar com um belo laço feito com fitilhos verdes e vermelhos.
-Obrigado pela dica. – Disse Fiduma ao se retirar da secretaria.
-Por nada...  – Devolveu Narrador não querendo crer no que tinha visto.

Alguns minutos depois entra pela mesma porta Deise Lumbrada apenas para desejar um bom dia.
Narrador notou que em suas mãos, como não poderia deixar de ser, havia uma sacola de uma loja de chocolates com duas caixas dentro. Loja com preços altos e chocolates obviamente caros. Este era o jeito de ser de Deise: ostentava para si e para os outros deslumbradamente.
-Tem dois amigos chocolate? – Perguntou Narrador.
-Não.... Um só. Mas achei que apenas uma caixinha seria pouco.  – Sorriu Deise.
-Claro, claro... – concordou narrador segurando a expressão facial, mas se matando de rir por dentro.

Ao sair, Deise ainda disse que ele se apressasse, já estavam começando as entregas dos presentes e seria legal que ele estivesse lá, ainda que não participasse da brincadeira.
Ele concordou e assim que trocou a senha no roteador, derrubando a internet de todo mundo no recinto, finalizou a ação, desligou o computador e saiu para assistir ao espetáculo.
Sentou-se ao lado de um dos bons camaradas do trabalho e ria baixinho de vez em quando. Controlava-se a cada vez que alguém o encarava de modo curioso.
-Cara, não tá conectando na rede.... Tá pedindo senha... – reclamou o camarada.
-Pode ser problema de rede.... Coloque a senha.
-Já coloquei, diz que está errada.
-Tente alguma variação, sei lá... Letras maiúsculas.
-Será?
-Às vezes acontece...  – E riu quase sem controle.
-Não vai...
-Troque a senha.
-Mas para qual senha?
-Tenta: Nescau. – E riu mais ainda. Agora realmente sem controle algum...

Feliz natal!

21 de dez de 2016

Uma do busão...

-O cachorro não pode embarcar não! – Disse Zé Pequeno ao ver aquele homem de óculos escuros e um cachorro parado em frente à porta dianteira de seu ônibus.

O homem sequer esboçou protesto, ficou impassível e calado diante da porta. O cachorro idem.
Alguém lá do fundo do ônibus, uma mulher provavelmente, observava a situação pela janela levantou a voz em auxilio ao homem:
-Não ta vendo que é cego? Olha o cachorro!
Zé então olhou para seu cobrador, um moleque novo e com cara de estúpido, como quem procura consentimento.
O moleque dá de ombros. O problema não era dele.
Então Zé pede para que o homem embarque e ainda o ajuda a sentar-se naquele banco de um só assento que fica quase ao lado da cadeira do motorista.
O cão se deita aos pés do cidadão e ali permanece.
Zé vai devagar, tomando excessivo cuidado. Não deixa que o coletivo balance muito nas curvas, reduzindo além do normal.
Alguém lá do fundo então grita:
-Ô Zé, p*rr*, é cego, mas não ta grávido não, c*ralh*! Acelera esta estrovenga ai!
Zé então volta a andar perto da velocidade normal.
Alguns minutos depois o homem se levanta e vai até ele, gesticula um pouco e Zé entende. Para o ônibus no próximo ponto, defronte a uma banca de jornal.
O homem desce e Zé fica esperando que outros passageiros embarquem.
Curiosamente o homem de óculos escuros fica diante da banca de jornal como quem olha manchetes. De repente tira os óculos e chega mais perto de um exemplar da Folha que estava exposta. Saca o dinheiro e compra o jornal.
Zé indignado levanta-se, vai até a porta e grita com o homem:
-Ô... Que isto? Não é cego?
E o homem responde:
-O cachorro é!
Um silêncio sepulcral, quebrado apenas pelo ronco do motor que domina o coletivo até o ponto final.
Alguns juram que ouviram Zé Pequeno rosnar varias vezes...

19 de dez de 2016

F1 2016: prorrogação

Eis que, quando todos se emocionaram e alguns até choraram ao fim da corrida em Interlagos com a despedida de Felipe Massa, correm boatos de que ele possa estar voltando da aposentadoria.
Voltando?
Sim...  Voltando sem nem ter ido propriamente dito.
Com a aposentadoria – esta real – de Nico Rosberg, as cadeiras iniciaram uma dança e as chances de Valteri Bottas ir parar no time alemão do bocó do Toto Wolf parecem reais e grandes.
A Williams deu declaração no sentido de que se Bottas for para o time prateado do bocó para ser companheiro do cone, vai procurar um piloto experiente “como Felipe Massa” para ser companheiro do novato Lance Stroll.
Aí começou a boataria (já que nem o próprio Massa ou a Williams falaram nada às claras) de que seria Felipe mesmo a assumir o cockpit que nem esfriou direito.

Mas...  É um bom negócio para Felipe ficar na F1 e – principalmente – na Williams?
Talvez...
Como a temporada que vem é esperada como uma incógnita pela quantidade mudanças nos carros, vai que a Williams acerta a mão...
Ai a pergunta seria: Massa estaria realmente disposto para mais um ano? Nesta temporada já não parecia. Tanto que anunciou aposentadoria.

E se voltar mesmo, o que poderia perder Felipe Massa?
A chance de ir se divertir em outra categoria qualquer, fosse de turismo ou mesmo nos EUA e suas categorias ou mandraques ou cheia de manetas.
Também perderia a chance de ficar de boas, só levando o Felipinho para pescar.
Sem contar que ficaria longe da babação de ovo do Galvão já que seria o único brasileiro nas pistas da F1 na próxima temporada. Perderia um bom bocado de paz de espirito.
Mas principalmente.... Perderia a aposentadoria, já que o STF decidiu que todo aquele que estiver aposentado e continuar trabalhando para complementar o benefício no futuro perde a aposentadoria
E todo mundo sabe, se não se aposentar agora, vai trabalhar até os noventa anos...
Abre o olho, Massa.

16 de dez de 2016

Nem triste e muito menos sozinho, Stones e sua paixão pelos blues

Blue and Lonesome.
Mais do que um disco de covers de blues é a profissão de fé de um grupo que se intitula a maior banda de bar de todos os tempos.
Sim... E nos bares do tempo em que os Stones foram criados se tocava o bom e velho blues.
Lembre-se de John Mayall and the Bluesbrakers, Yardbirds e sua continuidade (?) Led Zeppelin, a criação do heavy metal pelo Black Sabbath... Todos tem o blues como semente.
E os Stones sempre pagaram tributo ao estilo em seus discos.
Já no primeiro Willie Dixon era homenageado com uma versão (meio bagaceira, é verdade) de I Just Wanna Make Love To You. Depois vieram Love in Vain e Stop Break Down, de Robert Johnson, You Gotta Move, de Mississippi Fred McDowell entre outras. Sem contar as composições próprias.
Daí até chegar neste disco inteiro só de blues era questão de tempo. E diga-se que este tempo até que demorou um bocado para chegar.

O disco vai agradar quem é fã do grupo e quem gosta de blues, mas tem grandes chances de também cair no gosto de quem não é um Stone maníaco.
A começar pela sua duração.
Não é um disco arrastado.... Com pouco mais de quarenta minutos, Blue and Lonesome dá seu recado, faz suas homenagens e mostram que os Stones, enquanto instrumentistas, ainda tem muita lenha para queimar.
Richards e Ronnie Wood se revezam em solos e bases inspirados, enquanto Jagger canta com emoção e volta a tocar sua gaita harmônica como nos primeiros tempos.
Charlie Watts está seguro como sempre e muito entrosado com o baixista Daryl Jones.
Como convidados estão lá o grande amigo da banda Eric Clapton, os tecladistas Chuck Leavell e Matt Clifford e o percussionista Jim Keltner.

Por falar em Clapton, ao ouvir o disco fica impossível não traçar um paralelo com o seu álbum "From The Craddle". Não pelo repertório já que as músicas não se repetem, mas pela forma com que foram gravados (ao vivo no estúdio com pouquíssimos overdubs e em poucos dias). Até o timbre da bateria de Charlie Watts lembra pelo frescor àquela gravada por (olha só...) Jim Keltner no disco de Clapton.

Por fim, indicar uma canção como destaque fica difícil, tanto pela qualidade quanto pela duração enxuta. Ouça a tantas vezes regravada I Can’t Quit You Baby, de Willie Dixon e brinque de comparar as versões. Particularmente, prefiro – hoje – a dos Stones.

14 de dez de 2016

F1 2016: pequeno balanço (quase) isento

Hora de fechar o ano da F1 e claro, nada melhor que um balanço isento (rá rá) de uma temporada que, se não foi fantástica, foi (ao menos) divertida.

O título de construtores ficou com quem sabíamos que ficaria desde os primeiros treinos livres na Austrália.
Ninguém sequer ameaçou a hegemonia da Mercedes.

Red Bull fez uma graça, mas esbarrou no motor ainda mais fraco que o restante.
A Ferrari fez um carro que não agradou sequer seu primeiro piloto. Curiosamente, Kimi Raikonnen se deu muito bem com a carroça.

O campeão de pilotos primou pela constância e regularidade.
Acabou o ano sem ter mais vitórias que o vice, seu companheiro de equipe, mas ficou menos vezes fora dos pontos.
Seu título tem (eu afirmo) mais peso que os três de Hamilton. Não que isto importe alguma coisa no frio dos números, mas só o fato de ter vencido na pista um tri campeão mundial já atesta isto.
Hamilton, em seus três títulos venceu pilotos promissores ou em grande fase que não chegaram ou não tinham ao título mundial em suas carreiras: Massa e o próprio Rosberg.
Felipe se aposentou sem um título e Nico era visto com grandes dúvidas se um dia conseguiria o seu.

O piloto do ano foi sem dúvida Max Verstappen.
Sua ascensão tipo vídeo game do filho de Jos (no videogame você troca de equipe no meio da temporada se tiver bons resultados) e a vitória já na primeira corrida pelo time novo já seriam motivo suficiente para a afirmação, mas suas apresentações arrojadas, corajosas e tidas muitas vezes como irresponsáveis (mimimi de velho conservador bobão ou de vencido) dão o molho necessário.
Ultrapassagens, defesas de posição, boca dura e falta de respeito esportivo com os adversários (no que está certo, bom é quem ganha, não quem distribui sorrisinhos) fez com que reunisse uma grande gama de fãs e um quase proporcional de desafetos.
A sorte de Max é não ser brasileiro, se não já seria o próximo Senna e aí: babau carreira.

A equipe com a melhor dupla de pilotos foi sem dúvida nenhuma a Red Bull.
Com o já citado Max Verstappen e Daniel Ricciardo, não teve nenhum time com mais talento segurando seus volantes nesta temporada.
Nem a campeã mundial, nem a Ferrari com Vettel e Kimi, nem a McLaren com Alonso e o outro cara.
Com esta dupla e um carro melhor na temporada que vem, a briga com a Mercedes promete e, dependendo de quem assumir a vaga de Nico) periga o time dos bois vermelhos levar vantagem.

A McLaren não foi tão ruim quanto nos anos passados, mas não foi um mar de rosas.
Se não foi competitiva teve ao menos duas boas notícias: revelou ao mundo o Alonso divertido com suas declarações, e memes espalhados pela rede. Grande piloto sempre foi e – ao que parece – continuará sendo.

A outra boa notícia foi a aposentadoria do outro cara. Esperamos sinceramente que com que ele também se aposente o estilo que ele criou, o de piloto burocrático que pensa mais em poupar o equipamento do que competir propriamente. Chaaaaaato.

Das coisas ruins do ano, como sempre, os traçados sem graça desenhados pelo alemão. Alguns já estão lá há alguns anos e nem incomodam tanto. Mas fica o registro.
A estreia sonolenta de Baku e sua pista com um dos entornos mais bonitos de todos os tempos e a decisão em Abu Dhabi. Nenhum título, nem mesmo entre Hamilton e Nico, merece ser decidido em um lugar tão artificial e monótono.

A briga pelo posto de pior piloto do ano foi vencida com folga por Jolion Palmer, embora tenha sido por vezes incomodado por Rio Haryanto, mas de boa: o cara pilotava uma Manor que só era um pouco melhor que a McLaren do ano passado...

O fim da carreira na F1 de Felipe Massa foi outro momento importante da temporada.
Massa escolheu uma boa hora para parar e foi o único piloto brasileiro com uma despedida digna.
Teve outro cara que também se aposentou, mas.... Quem liga?

No mais. A temporada foi divertida. Diferente do ano passado, acabou com gosto de quero mais e uma certa ansiedade pelo próximo ano.
Que venha.

12 de dez de 2016

F1 2016: segue o seco

Quem disse que só há notícias ruins para o fã de F1 na pós temporada?
Há notícias boas, curiosas e possibilidades engraçadas. Por que não?
Tudo bem... Rosberg se foi. Vai curtir a vida em família e – quem sabe – fazer um filme.
Marcos Antônio, do GP Séries e também do Surto Olímpico disse que aposta em uma sequência de Crepúsculo.

Há quem diga que será um filme de espionagem, no estilo 007 e que se chamará: “Com Rosberg só se vence uma vez. ” e que será um épico mostrando como Keke e Nico se tornaram campeão da F1 uma vez e só.
Só um filme foi descartado e foi uma continuação dos “Mercenários”.
Não se pode acusar nenhum dos dois disso.

As especulações sobre o substituto do ator na Mercedes seguem firme.
Alonso é um dos nomes mais falados.
Seu empresário, o torresmo de sunga Flávio Briattore negou e citou o contrato com a McLaren.
Eis uma boa indicação de que pode ser o asturiano mesmo.... Nunca confie num torresmo de sunga.
Poderia ser a redenção do asturiano frente à um desafeto (que nem está mais lá...) na McLaren.
Na sua primeira passagem foi preterido à Lewis Hamilton, mesmo sendo bicampeão mundial e tido como um dos melhores pilotos do grid e acabou tendo de voltar para uma Renault decadente.
Agora, mandaria a bota na bunda da equipe de Woking e ainda por cima iria se sentar num dos cockpit mais desejados do momento.
Ao pensar nisto consigo ouvir as risadas maquiavélicas do povo da imprensa espanhola. Aquele povo que se houvesse uma vaga sobrando em um hipotético lançamento de um ônibus espacial para Marte, não hesitaria em dizer que a vaga era de Fernando Alonso.

Por outro lado.... Com a bunda podre de dom Fernando para escolher assentos, é capaz de que se ele for o escolhido para a vaga de Rosberg, a Mercedes (com todas as mudanças que ocorrerão em 2017) comece a andar no meio do pelotão quase que impotente diante de uma nova equipe dominante para a temporada. Seja ela a carroça vermelha de Maranello ou os carros da engarrafadora de xixi de boi.
Poderia dizer que fosse a McLaren, mas eu não acredito em milagres...

Por último, a melhor notícia até agora: o retorno da França ao calendário da F1 e em Paul Ricard! Mas só em 2018.
Ainda brinquei com a possibilidade de Tilke usar o ano de 2017 para colocar duas chicanes na reta Mistral, uns cotovelos e harpins, um caracol antes da linha de chegada e um elevador panorâmico na saída dos boxes.

Ainda bem que era só brincadeira.... Vai ter apenas uma chicane no meio do retão.
Mas tudo bem.... Isto não vai deixar as corridas lá mais chatas do que já eram.
Mesmo sendo um recanto tradicional, um dos berços da F1 e do automobilismo (ainda que só tenha dado um piloto que apesar dos 4 títulos mundiais, é meia boca) sempre patrocinou corridas muito chatas. Fosse em Paul Ricard, Magny Cours ou onde quer que fosse. Faça um exame nas lembranças aí...
A França, para a F1, é como se fosse outra Espanha: importante, mas chaaaaata.

7 de dez de 2016

F1 2016: Especulações (tamo de volta)

A temporada terminou.... Nas pistas.
Graças a uma decisão corajosa de Nico Rosberg, teremos uma silly season bem agitada.
Como o blog esteve parado por conta da falta de um computador (fiquei sem, acontece!) o assunto só pipoca por aqui agora, então: esmiucemos.

Nico fez uma última corrida impecável em Abu Dhabi.
Lutou contra uma possível ansiedade de terminar tudo logo (o ano foi desgastante, sim), contra um Hamilton astuto e por vezes até meio mau caráter (não se preocupem, aqui não é pejorativo não...) contra a ascensão dos pilotos da Red Bull e de Vettel (nesta corrida, pontualmente) e contra a própria conisse. 
Mas venceu. Sagrou-se campeão tal qual o pai, mas com mais vitórias.
E aqui entre nós, o título de Rosberg pode ser descrito como mais importante que os três de Hamilton, já que o alemãozinho venceu na pista um (tri) campeão mundial e não uns garotos brigando pela primeira glória.
Só para lembrar, Hamilton ganhou diretamente de Felipe Massa e duas vezes do próprio Rosberg, o que convenhamos: nas circunstâncias.... Deixa para lá.
Mas eis que, uma semana após ganhar a porra toda, Nico faz um vídeo ao vivo no Facebook direto de Viena (alô Billie Joel!) e anuncia que está se aposentando não só da F1, mas do automobilismo (-Isto aqui não é para mim, precisa ter sangue muito frio e algum talento...).

Foi-se o campeão e iniciou-se a possibilidade de uma grande dança de cadeiras.
Quem substituirá o campeão em uma das mais desejadas vagas da F1?
A especulações correram soltas já nos primeiros instantes após a declaração.
Seria Pascal Wehrlein? Ele é da escolinha de cones da Mercedes e isto deve contar algo.... Ou seria outro.
Se for outro, quem? Nada de Barrichello, Massa, Nasr.... Muito fácil.
Vettel, Ricciardo ou Verstapinho, as estas alturas já foram descartados por Toto Wolf, então: fora.
Aqui algumas sugestões do blog.

Pastor Maldonado.

Causaria três bugs: Na cabeça do Hamilton, pela imprevisibilidade de sua direção; no uniforme da esquipe com a petroleira venezuelana e a Petronas e na economia do país dele que já anda uma merda federal...

Sério Perez.

O Maldonado mexicano.
Este é para o caso da Mercedes vir forte também na temporada que vem. Todos sabem o que ele é capaz de fazer com carro de ponta. Seu tempo na McLaren não deixa dúvidas.

Robert Kubica.

Rápido, ousado e porrador.
Mais porrador que as outras duas qualidades.
Para animar um pouco algumas corridas monótonas com suas incríveis porradas.

Jolion Palmer.

Este é para provar que quem diz que qualquer cone pilota um Mercedes e pode até ganhar.

Valdeno Britto.

Não...  Não há nenhuma especulação sobre o assunto, mas vem cá... Seria do caramba ouvir um narrador qualquer, nem precisa ser o Galvão, gritar: “-Lá vem Valdeno Britto para ganhar a corrida... Vaaaaaaaldeno Brito, o expresso da Paraíba! ”.
Daria uma credibilidade insuspeita à montadora alemã...

27 de nov de 2016

F1 2016: Abu Dhabi. O fim (texto digitado no celular)

Button se foi, ninguém ligou.
Massa terminou sua última prova na F1, parabéns e merecido.
Hamilton fez o que pode, mas foi pouco.
Nico roubou dois títulos de pilotos ingleses no mesmo dia: campeão mundial de F1 em cima de Lewis Hamilton e de esposa mais feia em cima de Nigell Mansell.
E os dois são merecidos.

25 de nov de 2016

Hot 5 do Groo: As saideiras

É dia de outro Hot 5 e hoje é dia das saideiras.
As músicas que terminam discos e deixam aquela sensação de quero mais, mas a gente sabe que depois daquela canção, qualquer coisa que viesse estragaria a obra.

When the Levee Breaks – Led Zeppelin (IV, 1971)
O disco não precisa de apresentação, a banda idem.
Bonham desce a porrada em seu kit Ludwig somado à guitarra e baixo numa levada quase hipnotizante. Para completar, uma gaita harmônica tocada por Robert Plant.


“Índios” – Legião Urbana (Dois, 1986)
O teclado repetitivo e a levada do baixo fazem contraponto à batida simples (quase indigente) de Bonfá.
A letra, que até Renato Russo dizia ser difícil de decorar é complexa e requer um tempo analisando para se entender. E mesmo tendo todo o tempo do mundo, é difícil dizer que entendeu de verdade.
A performance vocal é outro ponto alto, mas é quando termina, com alguns acordes de violão (não há guitarras na música) que se tem a exata noção do clássico que é e de como teria de ser ela a findar o álbum.
No cassete (mídia antiga e ruim que, ainda bem, já acabou), havia uma versão de Química. Por sorte, nas reedições em CD, permaneceu como no lançamento em vinil


  The Thin Line Between Love & Hate – Iron Maiden (Brave New World, 2000)
O disco que marca a volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith para o Iron Maiden é sensacional como nos bons tempos.
Pesado, rápido, mas com um pé (mais tarde seriam os dois) no prog rock poderia terminar na penúltima faixa (Out of the Silent Planet), mas a Steve Harris queria massacrar a concorrência e ganhar de volta os fãs que fugiram para as montanhas quando Blaze Bayley assumiu o microfone. Então enfiou ouvido adentro um clássico não instantâneo.
The Thin line.... Tem peso, tem velocidade e uma linha melódica matadora.
E quando Dickinson faz dueto com a guitarra de Adrian na parte final da canção já estamos todos conquistados.
O Iron é mestre em fazer arrasa quarteirões para terminar seus álbuns, mas está em particular tem um valor um tanto maior por ser o retorno.


  Bali Eyes – Porno for Pyros (Good God´s Urge, 1999)
O segundo disco da segunda banda de Perry Farrel é uma viagem e tanto.
Lindas melodias, solos inspirados e um clima que não pode ser encontrado em outra obra de qualquer outra banda.
A música que fecha o disco lembra um fim de tarde com um pôr do sol dourado com algumas daquelas pingas coloridas.


My Melancholy Blues – Queen (News of the World, 1977)
No disco de 1977 o Queen enfrentava, além das críticas de sempre, a ascensão do punk rock.
Qualquer banda teria se adaptado ao momento, mas não May, Mercury, Taylor e Deacon.
Fizeram um disco com todos os elementos que levaram a ser o que era: rocks pesados, baladas comoventes, grandiosidade, uma certa arrogância, esquisitices... Mas o fim do disco era surpreendente até para o padrão Queen.
Um clima de cabaré dos anos vinte, um piano sensual e a voz de Mercury preenchendo todos os espaços possíveis.
Taylor e Deacon completam o clima com elegância e discrição. Nem se sente falta de Brian May.

23 de nov de 2016

F1 2016: Quem merece o título?

Quem merece ser o campeão? Hamilton ou Rosberg?
Na modesta opinião do blog, nenhum.
Hamilton nunca sentou a bunda em um carro realmente ruim.
Houve anos em que sua McLaren não era a melhor do grid, mas estava longe de ser uma carroça.
Já Rosberg andou pela Williams, que convenhamos, não tem um ano bom desde 1997, quando fez o campeão mundial de pilotos com Jaques Deusmelivre e levou o campeonato de Construtores.
Excetue-se a terceira posição no ano de 2015, até porque, Nico já não estava mais lá.
Então, se o merecimento fosse pela carreira pregressa, Nico mereceria mais.

Mas o que conta é a temporada atual.
O empate no número de vitórias, até mesmo pelo que foi posto, é enganoso.
Nico andou mais, guiou mais e aparentemente, sentiu menos a pressão. Foi mais regular e por isto está na frente nos pontos.
A pior posição de chegada de Nico foi um sétimo lugar em Mônaco e só esteve fora do pódio por quatro vezes.
Já Lewis teve como pior posição também um sétimo, na China.
Porém, só esteve fora do pódio em mais uma corrida além desta.
Foram nos abandonos que a diferença se fez.
Enquanto Nico abandonou a prova apenas uma vez (Espanha), Lewis abandonou por duas vezes (Espanha e Malásia)
Outro quesito esquisito (mas que para o blog faz sentido) seriam as vitórias em palcos tradicionais também tem empate técnico e enganoso.
Nico venceu em Spa-Francorchamps, Monza e Suzuka.
Lewis venceu em Mônaco, Silverstone e Interlagos.
A vantagem seria de novo de Nico, já que venceu na Bélgica e na Itália, que são o suprassumo das pistas do calendário.

Se Hamilton ganhar, vai ser apenas mais um título conseguido em luta direta contra um piloto que não tem títulos. Massa em 2008 e o próprio Nico nos dois seguintes.
Já para Nico, o título teria um peso um pouco maior, já que teria derrotado – na pista – o atual bicampeão na sequência e detentor de três títulos no total.
No fundo, o título da temporada atual não faz de nenhum dos dois menos cones.
Com este carro da Mercedes, Vettel, Alonso ou mesmo Kimi Raikkonen já teriam garantido o título há várias etapas.
Mas enfim, é o que tem para este ano.
Qual seu preferido? Quem merece mais?

21 de nov de 2016

F1 2016: Começa a semana da decisão, mas logo em Abu Dhabi?

Semana de decisão na F1.
Seria motivo suficiente para sorrir se por acaso a corrida fosse nos anos 90 e fossem Suzuka, ou Interlagos.
Mas em plena segunda década dos anos 2000 e em Yas Marina, não quer dizer muita coisa.

Para começar apenas dois pilotos na briga pelo título. Os outros nem matematicamente e desde há muito...
Mais? Os dois são da mesma equipe.
E para finalizar, a corrida é em Abu Dhabi, que apesar de bonito, é sem graça.
De atenuante, o time ao menos deixa os dois livres na pista para disputar o caneco mesmo deixando transparecer que o cone#44 é o preferido da casa.
Mas será que deixariam se o campeonato de construtores não estivesse definido ou se houvesse outros pilotos com chances reais de ganhar a temporada?
Vai saber...

Da corrida em si é difícil falar alguma coisa já que a única boa lembrança em pista é o russo doido Vitaly Petrov bloqueando o Alonso para que Vettel fosse campeão em 2010.
Mais simples é lembrar que a corrida começa com luz do sol e termina já de noite. O que, se plasticamente é bem interessante até por conta das luzes do hotel prestobarba, esportivamente é pouco relevante já que a variação na temperatura de pista não chega a influir no rendimento dos carros.

Mas uma coisa é fato: a melhor coisa que poderia acontecer ao insosso traçado de Abu Dhabi foi a decisão ser adiada até a última prova, pois se já estivesse decidida em favor de um dos dois, o interesse em ver a prova seria quase nulo.

Aqui fica difícil concluir o texto.
Se de um lado os envolvidos na briga pelo título de pilotos não são lá estas coisas e assim qualquer Yas Marina da vida para decidir qual dos dois fica com o título está bom, por outro a disputa foi animada com lances de arrojo, de perícia e alguma (muitas até) manetices por parte dos dois e talvez merecesse mesmo uma pista mais bacana para a decisão.
Se pudesse optar, escolheria Interlagos sempre.
Seja pelo traçado, pelo imponderável do clima nesta época do ano, qualquer coisa...

18 de nov de 2016

Fuá na casa de Cabral

“-Eu sou Ambrósio, eu vivo no mundo comprando vendendo e trocando figura! ”

Formado em Pernambuco no ano de 1992 por: Siba: guitarra e rabeca, Eder "O" Rocha na percussão, Helder Vasconcelos nas guitarras, teclados, percussão e fole de oito baixos, Mazinho Lima no baixo e triângulo, Sérgio Cassiano na percussão e vocal e Mauricio Alves, percussão, foram associados a então nascente cena do mangue beat de Chico Science e Nação Zumbi ou Mundo Livre S/A.
Porém o grupo oferecia mais que o batuque do maracatu misturado a rock, funk e beats psicodélicos.
 As levadas do Mestre Ambrósio, embora tenham também exibam intervenções elegantes de guitarras e algumas cores modernosas, são do mais puro cancioneiro regional: forró, maracatu, coco, baião, caboclinho e ciranda com letras inspiradas na melhor tradição da poesia popular e do cordel.
O primeiro disco homônimo saiu em 1996 de forma independente produzido por Lenine e Marcos Suzano e vendeu vinte mil copias. De pronto chamaram a atenção da gigante Sony Music que lança em 1998 aquele que seria seu grande trabalho: "Fuá na casa de Cabral" é uma obra atemporal e inclassificável.
Não cabe em rótulos.
É um disco, mas poderia ser um livro, um filme ou um tratado de sociologia.

Abre com uma vinheta. Trupé (queimar carvão) que é de domínio publico e funciona como aquecimento e logo após a frase que abre este texto a festa explode e cores e sons.
Os cabôco nos transporta a terreiros de dança com poeira subindo e narra como foi batizada a cidade de Olinda.
A canção que da titulo ao álbum é sensacional!
Começa com Cabral chegando a nado no Brasil e já mandando abrir um forró para se divertir. Com direito a muita cachaça e no fim, a tradicional ressaca bate e o descobridor se diz arrependido do seu feito.
Sêmen tem andamento épico e letra longa traduz à linguagem popular mestre Gilberto Freyre e seu Casa grande & Senzala:


Tantos povos se cruzam nessa terra/ Que o mais puro padrão é o mestiço/Deixe o mundo rodar que dá é nisso/A roleta dos genes nunca erra/Nasce tanto galego em pé-de-serra/E por isso eu jamais estranharei/Sertanejo com olhos de nissei/Cantador com suingue caribenho/Como posso saber de onde venho/Se a semente profunda eu não toquei?
O canto indígena Pareia dá mais uma pista das origens e faz a ponte para o maracatu nação de Esperança (na mata eu tenho) escrita quase em dialeto e pontuada por um grito de guerra em coro: Arreiamá! Guerreia Aruba!
Chama Maria e Pé de Calçada estão mais para o forró tradicional levadas na rabeca e não na sanfona. Esta ultima consegue a proeza de trazer gênero para um contexto mais urbano:
Hoje eu faço forró em pé-de-calçada/No meio da zuada, pela contramão/Eu fui lá na mata e voltei pra cidade/De caboclo eu sei minha situação.
Luiz Gonzaga sorriria ao ouvir.
Usina (Tango no mango) traz uma gostosa brincadeira de versos de subtração com os filhos que o personagem principal teve em um casamento com uma “véia”.
Se seu Zé Limeira Sambasse Maracatu homenageia com justiça o repentista/cordelista numa letra que o próprio assinaria.
Pedra de Fogo fecha a festa sob as bênçãos de Ariano Suassuna.
Ainda há a vinheta Maria Clara que remete as musicas dos antigos parques de diversão mambembes.
Ainda haveria um outro álbum de nome: "O Terceiro Samba", menos radical nas experimentações, mas muito agradável.
Infelizmente a onda do famigerado “forró universitário” – rotulo mais idiota este – não fez marola suficiente para por a nau de Mestre Ambrosio de novo no mar. Apenas para jogar dejetos na areia da musica nordestina com calypsos e outras coisas indignas de citação.
Salve Mestre Ambrósio.

16 de nov de 2016

F1: Barrichello X Massa

Não se trata de debater ou de demonstrar quem foi melhor ou pior. Até porque seguindo a máxima desde espaço de que números não se contestam (por isto Schumacher é maior que Senna, por exemplo) os dois vice-campeonatos no bolso de Rubens Barrichello o fariam ficar à frente de Felipe Massa.
Mesmo com o equilíbrio no número de vitórias – ambos com onze - se contássemos o tempo de carreira de cada um, Felipe (2002, 2004 até 2016) teria uma média proporcional de vitórias maior que Rubens (1993 até 2011).
Massa levaria pequena vantagem com uma média de 0,79 vitórias por ano enquanto Barrichello teria 0,58.

Trata-se aqui de tentar saber quem se divertiu mais durante sua passagem pelas pistas da na categoria máxima do automobilismo.
Mas não consegui concluir muita coisa...

Rubens surgiu como promessa pilotando uma Jordan antes da morte de Ayrton Senna, evento este que culminou em transformar a palavra “promessa”  em um fardo pesado que atrapalhou carreiras promissoras como lastro nos carros.
Rubens fez grandes corridas pelo time de Eddie Jordan com um segundo lugar como melhor resultado (Canadá 1995) e chegando até a ombrear com Senna em seu momento mais brilhante, aquela primeira volta em Donington Park, 1993 quando saiu de décimo segundo e ao fim da primeira volta já era o quarto colocado tendo ultrapassado (nas mesmas condições horrorosas de tempo e pista) oito carros.
Vale lembrar que era apenas a terceira largada de Rubens na F1.

Felipe chegou à F1 em 2002 como piloto da Sauber e teve como melhor resultado em seu ano de estreia um quinto lugar no Japão.
Ao fim do ano se retirou para ser – posto então relevante – piloto de testes da Ferrari.
Retornaria à pista pela mesma Sauber em 2004 onde ficaria até o fim da temporada de 2005 obtendo dois quartos lugares (Bélgica 2004 e Canadá 2005) como melhores resultados seguindo assim para a Ferrari para substituir exatamente Rubens Barrichello.

Rubens, que após sair da Jordan em 1996 ainda pilotaria pela simpática equipe de Jack Stewart onde fez ótimas corridas e chegou a beliscar um pódio (segundo lugar em Mônaco, 1997) após duelar com Michael Schumacher, que já pilotava uma Ferrari.
São desta época as melhores histórias de Rubens na F1, como aquela em que ganhou um relógio de Jack Stewart após uma aposta sobre resultados.
Quando a pequena Stewart se tornou Jaguar, Rubens seguiu para a sua grande chance de pilotar para um time grande.
Barrichello se uniu à Ferrari no ano 2000 para ser o companheiro de equipe de uma lenda deste esporte Michael Schumacher que estava em pleno processo de dominação da categoria que culminaria com sete títulos mundiais (cinco com o carro italiano) e não deixaria muita coisa sobrando para ninguém no circo, muito menos para seu companheiro de equipe que por várias vezes foi acusado de ser apenas capacho do alemão.
Convenhamos, pouquíssimos pilotos na história fariam frente ao sete estrelas em seu auge e menos pilotos ainda suportariam a enorme pressão por resultados após a morte de Senna.
Rubens aguentou e ainda levantou dois vice-campeonatos (2002 e 2004) com nove vitórias

E aguentou também ser motivo de piada quando o grande culpado de suas mazelas eram as carroças da equipe oficial da Honda, principalmente em 2007 e 2008.
A redenção viria em 2009 quando Ross Brawn assumiu a Honda e a transformou em Brawn GP, assombrando o mundo na primeira metade do campeonato com as vitórias do sem sal Jenson Button e dando a Rubens mais duas vitórias (GP da Europa em Valência e na Itália).

Neste mesmo tempo, Felipe só havia pilotado pela Ferrari e levado um vice-campeonato (2008) quando perdeu o título para Lewis Hamilton por apenas um ponto.
Também ficou marcada em sua passagem pela Scuderia o acidente em 2009 na pista da Hungria quando foi acertado por uma mola que – ironia do destino – havia se soltado do carro exatamente de Rubens Barrichello.
Saiu da Ferrari direto para a Williams, onde teve passagem apagada e bastante questionada até sua aposentadoria.

Barrichello venceu em lugares com mais tradição que Felipe
Rubens levou a melhor em templos como o velho Hockenheim, Monza por três vezes sendo que duas pela Ferrari, o que é muito relevante, Indianápolis (circuito misto), Suzuka e Silverstone.
Felipe, por sua vez teve como resultados mais expressivos em pistas tradicionais suas duas vitórias em Interlagos. Não se leva em conta a “vitória” em Spa-Francorchamps por ter sido herdada após a desclassificação e punição de Hamilton e Raikkonen.

Apesar ser uma comparação com muitos pontos de equilíbrio entre as duas carreiras, tendo até pilotado pelos mesmos times (Ferrari e Williams) não dá para cravar que 1B passou pela categoria se divertindo mais que Felipe, até levaria pequena vantagem já que conseguiu resultados melhores com carros piores.
Por outro lado, Massa teve (ou ainda está tendo) uma festa de despedida, coisa única entre pilotos brasileiros na F1 e venceu por duas vezes a corrida no quintal de casa (Interlagos) algo que aparentemente Rubens se recente um pouco por não ter obtido.
De qualquer forma, resta aos dois a honra de terem sido os melhores brasileiros a pilotar carros de F1 após Senna.
O que pode até parecer bem pouco aos olhos mais exigentes, mas quem viu Ayrton e não é idiota pachequista/ufanista sabe o quanto isto vale.
Pena que – aparentemente – serão os dois últimos também a ter uma história com vitórias.

13 de nov de 2016

F1 2016 - Brasil - O show de Max, o show na chuva.

Fernando Pessoa na pele de seu heterônimo Alberto Caeiro disse que não era o Tejo, o mais belo rio de Portugal, mas sim o rio que cortava a sua aldeia. Ou quase isto...
Interlagos, o atual, não é mais belo que o Interlagos que ainda teima em habitar nosso imaginário.  Aquele de quase oito quilômetros... Mas é mais belo que Abu Dhabis, Bakus e Bahreins com todas suas tecnologias e oscambau. Ouso dizer que é mais belo que Monza, que Spa também.
Por que? Porque está aqui no quintal de casa, praticamente...
Interlagos é maravilhoso.

A chuva, que é sempre uma variável possível em São Paulo, apareceu com força antes da largada. Molhou tanto que, meia hora antes do início, já tinha piloto fora da prova por ter batido o carro.
Grosjean fez o primeiro mico do domingo.
A expectativa era de largada com safety car, o que é sempre um desserviço à emoção.
Principalmente porque fechando a terceira fila e abrindo a quarta estavam pela ordem, Max Verstappen e Sebastian Vettel, os dois protagonistas das únicas emoções existentes na etapa mexicana.
A primeira fila ocupada pelos cones prateados não gerava expectativa nenhuma já que Nico tem o regulamento embaixo do braço não iria colocar nada em risco disputando curva com Hamilton.
Outra coisa a se prestar atenção, não só na largada, mas durante toda a prova era o comportamento de Felipe Massa em seu último grande prêmio do Brasil de F1 como piloto.
A largada chegou a ser atrasada em dez minutos para tentar evitar o safety, mas o tempo não ajudou e não teve jeito: largada tipo ferrorama, vagão atrás de vagão. Total anticlímax.

A tortura durou até a volta oito, quando o safety foi recolhido e tudo começou a valer de verdade.
E foi só valer que Verstapinho já mandou Kimi Raikkonen para o retiro dos pilotos idosos.
Antes da entrada do S do Senna já tinha despachado o velhinho.
Começava o show de Max.

Pena que pouco tempo depois, Ericsson rodou e bateu no mesmo ponto onde tinha batido Grosjean ates da largada. E pior: seu carro parou bem no acesso aos boxes e trouxe o safety car outra vez para a pista.
Quando finalmente saiu, Raikkonen rodou sozinho na reta de largada e se foi.... Talvez um pouco de preocupação de tomar outro passão do Verstapinho? Vai saber.
Safety de volta e junto, bandeira vermelha.
Alguns minutos depois a corrida voltou com o safety à frente, mas não durou sequer seis voltas. Bandeira vermelha novamente.
A situação de momento era Hamilton, Rosberg, Verstappen.
Para Felipe Nasr, que estava em sétimo estava sensacional.
Depois de mais um tempão, voltaram à pista com o safety... E só haviam sido corridas até ali vinte e nove voltas e já tínhamos duas horas desde a largada.
E na abertura da volta trinta e dois, valeu. E como em uma das largadas anteriores, Verstapinho jantou outro piloto, desta vez Nico Rosberg.
Verstappen é o piloto do dia, com certeza.
Na volta 44 o lance que poderia definir a corrida: Verstapinho, dos ponteiros é o primeiro a pôr pneus intermediários. Por conta de outra bandeira amarela, não rendeu nada.... Com outra troca – para voltar aos pneus de chuva forte – caiu para décimo sexto E aí começou o show.
Passando todo mundo de forma absolutamente fácil. Até Vettel sofreu nas mãos do moleque.
Com toda a má vontade em cima dele e ainda assim é possível dizer que é o piloto do ano. O melhor surgido nestes tempos tão bicudos para a categoria que anda tão engessada.
Viva Max.

Na volta 49 uma das histórias do GP teve fim com a batida de Felipe Massa na curva do Café.
Uma pena. Mas são coisas de corridas em piso molhado e o que se seguiu foi das cenas mais emocionantes da F1 nos últimos anos: Felipe foi ovacionado por todas as pessoas dentro do paddock em todas as equipes. Por força maior ou outras circunstâncias, nenhum outro piloto brasileiro teve tal despedida.  Valeu Felipe.

E por fim, venceu Lewis, mas com o segundo lugar, Nico colocou mais alguns dedos no título.
Segue para Abumdabe podendo ser terceiro colocado em caso de vitória de Lewis.
Não dá para não dizer: o GP do Brasil redimiu a categoria em emoção depois de pelo menos três GP´s de pura pasmaceira.
Interlagos é mais bonito mesmo que Monza, Spa... Interlagos é rio que corta nossa aldeia.
Interlagos é indispensável.

11 de nov de 2016

Hey, that's no time to say goodbye, Leonard

Tem horas que a vida realmente não faz sentido algum.
A presença de Leonard Cohen se vai, mas ao menos temos sua obra.
Esta sim, eterna.
Goodbye, master.

9 de nov de 2016

F1 2016: Quem venceu a Corrida Maluca?

Fã de corridas, seja de qual categoria for, gosta de ver retratado nas artes o seu gosto.
Seja em fotos, pinturas, filmes (quem não curte Grand Prix de John Frankenheimer?) Músicas (aquela do bitu George, Faster, que se fosse do Keith era um bluesão, mas que é legal também...) e por que não, desenhos animados.
Me lembro de Speed Racer (que a versão live action para cinema ficou uma bosta); Carango e Motoca (lá fora Wheellie and the Chopper Bunch) que trazia as aventuras de um simpático fusca que só fazia “beep beep” e namorava uma conversível, tinha como vilões umas motos esquisitas e uma motoneta que vivia dizendo “eu te disse...” quando os planos davam errado.

Mas o mais famoso e provavelmente mais querido pela rapaziada fã de corrida é sem dúvida a Corrida Maluca (Wacky Races) em que uma turma muito distinta e maluca disputa corridas ponto a ponto (quando se sai de um local para o outro e não em um circuito) pelo mundo todo.
A série teve apenas uma temporada, de 1968 até 1969 e apresentou trinta e quatro episódios com trinta e quatro corridas diferentes.
Todo mundo sabe, mas nunca é demais relembrar quem eram os competidores e seus números.
Os Irmãos Rocha e seu carro de pedra com o número 1
A Família Surto com O Cupê Mal-Assombrado de número 2.
O Professor Aéreo e seu Carro Cheio de Truques, 3.
O Barão Vermelho e sua Lata Voadora, 4.
Penélope Charmosa e seu Carrinho Pra Frente, 5.
Sargento Bombarda, e o Carro Tanque, 6.
Quadrilha de Morte e Chugabung, o carro a prova de balas, 7.
Tio Tomaz e a Carroça à Vapor, 8.
Peter Perfeito e seu Carrão Aerodinâmico, 9.
Rufos Lenhador e o Carro Tronco, 10.
E por último e não menos importante, Dick Vigarista com sua Máquina do Mal, 00.

Mas quem teria sido o campeão daquele campeonato?
Quem mais venceu?
A resposta nos foi dada pelo site da revista Mundo Estranho, da Editora Abril que fez um levantamento sobre a série e publicou tirando assim as dúvidas dos fãs.
Os maiores vencedores são: a Quadrilha de Morte, Penélope Charmosa, Tio Tomaz e Pete Perfeito com quatro vezes cada, mas nenhum destes foi o campeão ao fim da temporada.
A honra coube aos Irmãos Rocha e seu carro de Pedra que apesar de ter vencido apenas três provas, chegou em segundo lugar por oito vezes e em terceiro mais três.

Este resultado foi conseguindo com a atribuição da atual pontuação da F1 aos carrinhos do desenho, sendo vinte e cinco ao vencedor, dezoito ao segundo e quinze ao terceiro colocado.
Na última posição da tabela de classificação está Dick Vigarista, claro, que não venceu nenhuma prova e chegou em último em todas, não porque seu carro não fosse bom, mas porque era um safado sem vergonha... mas pode fazer piada com a Sauber que também cola.
Qual era o seu predileto e qual o correspondente dele na F1 contemporânea? Só não vale ficar linkando o Nico Rosberg com a Penélope, que além de sem graça, já está batida a piada.

7 de nov de 2016

F1 2016: O último GP do Brasil com brasileiros na pista?

Entre as discussões sobre privatização do autódromo e o risco que a corrida sofre de não acontecer mais por estas bandas, vem aí mais uma edição do já tradicional Grande
Prêmio do Brasil de Fórmula 1.
Sobre a privatização, gente melhor e mais informada já escreveu mais e melhor.
Creio, porém, que não seja porque a pista pode passar para as mãos da iniciativa privada que a corrida deixe de acontecer.
O mercado brasileiro é até bom para a categoria é meio difícil que queiram deixar de vir para cá levantar uma grana. Seja do governo ou de um grupo privado.
E convenhamos, tem de ser em Interlagos.
Qual a outra opção?
Curitiba e sua pista de cinquenta segundos por volta?
A sucateada pista de Brasília e seu custo astronômico para restauração?
Uma pista nova em Goiás?
Um traçado de rua no Rio? Porque Jacarepaguá já é história e – de boa – a cidade não tem hospitais que prestem e vai gastar grana fazendo outro autódromo para em no máximo três anos estar tão malcuidado quando o velho Jaca?
Já não chega a quantidade de dívidas deixada pelos jogos Olímpicos, conta esta que os servidores públicos e população vão pagando.
E o primeiro fiadaputa que aventar um traçado de rua - que sempre, não importa onde, por mais bonito que seja (Mônaco, Baku, aquele na Espanha...) não foge à regra de ser uma merda – sofrerá com câimbras anais durante a corrida de domingo.

Se algo pode realmente tirar o GP do Brasil é a ausência a longo prazo de um representante nacional em alguma equipe.
Não importa se o cara está em um time grande com chances de vitória (se estiver, muito melhor!) ou se está num time de merda que não marca pontos e ainda faz estratégias esquisitas toda corrida (oi Sauber!), mas a falta de um patrício faz cair consideravelmente o interesse no evento.
E é este cenário que parece o mais próximo.
Massa vai se aposentar e respirar outros ares em outras competições (Valeu, Felipe!) e o outro Felipe, o Nasr, vulgo Senna ao contrário (uma idiotice da transmissora oficial no país) parece não ter um futuro assegurado, ao menos até agora.
As opções em aberto são:
Ficar na Sauber com motores defasados e pouca grana para melhorar a situação ou...
Segundo Reginaldo Leme, rumar para a Force Índia e se sentar em um cockpit promissor.
Obviamente a segunda opção é infinitamente melhor, mas depende de alguns pontos (entre eles dinheiro, muito dinheiro) para se concretizar.

Enquanto nada oficial é divulgado, a pedida é curtir este que pode ser o último, ao menos por enquanto, grande prêmio no Brasil com brasileiros na pista e que pode decidir o campeonato em favor de um dos cones da Mercedes. Nico Rosberg, mais objetivamente.
E além destes motivos ainda tem o drink game do Vettel em que a gente toma um gole de cachaça toda vez que ele reclamar no rádio (nego vai terminar a corrida em coma alcoólico), a expectativa de mais uma corrida polêmica e por isto mesmo, divertida de Vertapinho ou outro meme de Fernando Alonso.
De qualquer forma é bom manter os sentidos alertas: GP do Brasil sempre é divertido, seja por um motivo ou por outro.

4 de nov de 2016

F1 2016 + Hot 5: Outras vozes

Então a Williams anunciou a sua dupla de pilotos para o ano de 2017, quando completa redondos quarenta anos de existência.
O companheiro de Valteri Bottas é um moleque recém-chegado a maioridade, filho de milionário (o que quer dizer bem pouco...) que é sósia do cara que vira lobo na saga crepúsculo (obrigado Manu, do blog I Love It Loud por corrigir a informação e ao Victor, por ser fã dos filminhos...) e atende pelo nome de Lance Stroll.

A chegada do rapaz vem sem maiores traumas: a equipe o queria, e queria sua grana, e ele queria um cockpit.
Juntando isto com a aposentadoria voluntária de Felipe Massa e todos estão felizes.
Até este que escreve, notório torcedor do time de Grove.
Para comemorar a mudança por lá e também para suprir uma pequena falta de assunto melhor, o blog resolveu fazer um hot 5 com músicas de bandas que trocaram o vocalista e ainda fizeram trabalhos legais.
Considerando, claro, que o vocalista da Williams era o Massa (ajuda ai pô!).
Com vocês o hot 5: outras vozes.
E que a Williams volte a ser legal com seus fãs no ano que vem.

Iron Maiden – The Clansman (Virtual Eleven, 1998)
Dickinson tinha pulado fora e em seu lugar Blaze Bayley segurava o microfone.
O primeiro disco com ele (The X Factor, 1995), dizem que já estava pronto quando chegou, só tendo que pôr as vozes e sugerir pequenas mudanças, e o álbum é – no fim das contas – até legal.
Mas com o segundo o bicho pega...
Não que seja ruim, mas não é um disco digno de ter o Eddie na capa.
Repetitivo, cansativo e outros ivos, a honrosa exceção é “The Clansman”.
Uma faixa tão forte e tão bem estruturada que, quando voltou, Dickinson fez questão de registrar ao vivo no álbum duplo Rock In Rio, 2002).



Queen – C-lebrity (Cosmo Rocks, 2008)
Depois da morte de Freddie Mercury a banda ficou inativa por um bom tempo, mas o bicho carpinteiro do músico não deixou que Brian e Roger ficassem inativos com o nome e a obra do Queen.
Convidaram então Paul Rodgers, cantor do Free e do Bad Company (de quem Mercury era genuinamente fã) para uma série de shows que acabaram culminando no duplo ao vivo Return of the Champions, 2005. 
A brincadeira deu tão certo que resolveram, por que não? Gravar um álbum de inéditas que veria a luz como Queen + Paul Rodgers e se chamaria Cosmo Rocks.
Não dá para esperar o Queen grandioso, pomposo, teatral dos tempos de Mercury, mas é um disco para lá de divertido e com a competência que só os nomes envolvidos tem.

Black Sabbath – Trashed (Born Again, 1983)
Ok… Ian Gilllan só gravou este disco com o Sabbath e a bolacha nem foi tão bem assim nas paradas, mas citar o Dio é covardia...  Sem contar que ele é meio chatão.
O disco, que tem a pior capa de todos os tempos, é bem bacana e traz uma peculiaridade na forma como foram compostas as letras.
Gillan se interessava por um assunto aleatório qualquer e saia escrevendo.
Foi assim com “Disturbing the Priest” em que narra de forma não linear uma discussão com um padre sobre um assunto que eu não me lembro qual é.
A escolhida foi “Trashed” porque simboliza o álbum, mas podia ter sido “Zero, The Hero” ou qualquer outra.
O disco é muito bom.



Van Hallen – Dreams (5150, 1986).
Dave Lee Roth é o vocalista do VH por excelência.... Tanto que quando deixou o barco dizendo estar cansado do som que a banda fazia, gravou um disco solo com o mesmo produtor que tirou o mesmo som...
Mas a entrada de Sammy Haggar deu vida nova ao grupo. Tão nova que parece ser outra banda!
“Dreams” desta nova fase é sensacional. Ainda que lembre música de propaganda de cigarro dos anos 80/90.


Barão Vermelho, Beijos de Arame Farpado (Na Calada da Noite, 1990)
Já fazia um tempo que Cazuza havia saído da banda para uma carreira solo, Frejat tinha assumido o posto de cantor e não decepcionara ninguém.
Disco após disco, não dava para sentir falta do antigo vocalista.
O Barão começou a soar mais rock and roll e até a experimentar bastante com outros estilos.
Esta música só foi a escolhida porque eu gosto muito, muito mesmo de sua estrutura (e letra, e melodia, e ritmo e execução...), mas podia ser mais de uma centena de outras.

2 de nov de 2016

F1 2016: Que bicho mordeu Vettel?

Com o campeonato chegando ao fim e tendo como certeza a vitória de um dos cones da Mercedes, resta muito pouca coisa a se especular neste fim de temporada.
Uma das mais inquietantes perguntas é: Que catzo aconteceu com Sebastian Vettel?

A resposta simplista: “Só é gente boa quando está ganhando” deve ser descartada por motivos de... Foda-se... Não queremos respostas simplistas.
Mas o que teria acontecido com o moleque que dava nomes legais a seus carros, mudava de capacete todo fim de semana e dava entrevistas engraçadas?
Ok! Uma coisa é pilotar pela Red Bull sendo o queridinho da casa (até tomando cacete do Ricciardo...) e outra é pilotar por um time que é sinônimo da F1 em tempos de vacas magérrimas e tomar pau do Raikkonen.
Nada contra Raikkonen que – quando acordado, e não é sempre – é um grande piloto.

A temporada 2016 do moleque tetra campeão alemão tem sido marcada muito mais pelas reclamações (babacas) no rádio, que por boas corridas.
Aliás, qual foi a última boa corrida do cara?
Difícil lembrar? Pode ser... Mas fresco na memória ainda estão os lances de pura babaquice como ignorar aos chamados dos boxes que acabaram em pneus estourados e abandono; reclamações sobre bandeiras azuis à retardatários que nem sempre estavam em local propício para abrir passagem, ou, estavam em disputa de posições quando o piloto ferrarista chegou; reclamações sobre o ritmo de corrida do piloto imediatamente à sua frente que dificulta ultrapassagem (como se fosse obrigado a abrir...) e por último um esporro federal no engenheiro com direito a mandar Charlie Whiting praquele lugar.

Seriam os motivos:
Inveja da boa fase da Mercedes?
Dor de cotovelo de ver dois cones ocupando um lugar que pensa ser seu?
Despeito por ver alguém que promete ser muito melhor que ele ocupando um carro que foi seu?
Frescura no rabo?
Saco cheio de ouvir que o parmera não tem mundial?
Maldição jogada por Alonso ao sair da Ferrari? (“-Que ninguém que sente neste carro seja simpático nunca mais na vida!”)
Ok, se houvesse maldição deveria ter pego em Kimi também, mas convenhamos: Raikkonen é tão "whatever" que nem maldição alonsiana pega nele.

Não se sabe de verdade, mas seja qual for o motivo, é bom o alemãozinho rever suas posições porque quando voltar a vencer – se voltar, claro – está cotado para ser o novo vilão da categoria ocupando o posto que Alonso envergava antes de se tornar o velhinho engraçado de agora.

30 de out de 2016

F1 2016 - México: final agitado pelos motivos errados.

Louvam-se pistas pelos motivos errados.  Esta pista é bacana, tem trechos bonitos e este novo Estádio...  Este é o ponto baixo.
Bonito esteticamente e inútil efetivamente.
Trecho de baixa velocidade, sem ponto de ultrapassagem e o espectador que vê dali só vê poucos segundos da prova. Quase nada.
E o pior: para construir esta besteira matou-se a Peraltada.
Enfim...  Tem quem goste dos olhos e quem prefira a ramela.

Esta segunda corrida no México após a volta da categoria ao país tinha alguns pontos interessantes à serem observados logo na largada.
Com Lewis na ponta e uma reta gigantesca à frente, a dúvida de qual seria o comportamento de Nico Rosberg era tão grande quanto a própria reta.
Mas não tem muito o que fazer... pode pensar alguém, mas tem sim.
Nico não precisa mais vencer corridas para ser campeão este ano, basta não ficar muito longe do companheiro de equipe ao fim das provas.
Mas e a questão de orgulho? – Podem inquirir.
O orgulho de ser campeão é provavelmente maior que o no de vencer uma corrida no país do Speedy Gonzales.
Restava saber se a cabeça (fraca) dos dois cones da Mercedes tinham esta noção.
Talvez não, já que na largada, com pneus e freios frios, Lewis freou tarde e teve que cortar toda a primeira chicane.
Nico, com um toque foi jogado para fora e cortou apenas a segunda perna.
Se não fosse um acidente lá atrás com uma Sauber, certamente alguma investigação viria, mas um safety car juntou todo mundo e ninguém reclamou de nada.

Como era de se esperar, depois da tensão da largada, a corrida entrou em banho Maria e como na maioria das pistas mexidas pelo Tilke, a coisa ficou morna demais.
Vettel não parou para trocar pneus e assumiu a ponta.... Ignorou um pedido de parada e fez todo mundo lembrar que da última vez que fez isto teve um pneu estourado e não terminou a prova. Mas o ritmo do tetra campeão era bom e ele seguia monotonamente na ponta até a volta trinta e dois.
Hamilton voltou à liderança e Rosberg com o regulamento embaixo do braço não se preocupou em segui-lo. Também não foi atacado por ninguém.
De legal, apenas um rádio do Alonso mandando o engenheiro parar de encher o saco: “-Faça seu trabalho que eu faço o meu. ” – Disse.

No fim, uma briga entre Verstappen, Vettel e Ricciardo deu alguma graça à prova.
Vettel não conseguiu passar e iniciou um mimimi forte pelo corte de da chicane no fim da reta. Xingou muito, falou um monte de besteira, como aliás, vem fazendo na temporada e ficou com o terceiro lugar no grito.
Vettel no pódio
A manobra do Verstappen, aliás, foi igual a de Lewis Hamilton no início da corrida com a diferença que Verstappen foi punido ainda na sala de espera para ir ao pódio. Hamilton não.

Vitória do Hamilton e campeonato segue sem definição.
Corrida chata.

26 de out de 2016

Hot 5 do Groo: Pontos fora da curva

E mais um Hot 5 sem noção.
Desta vez com um tema esquisito, mas de fácil explicação: Músicas que são ponto fora da curva na carreira e no estilo do autor.
Ponto fora da curva neste caso especifico são aquelas obras que causam estranheza dentro da carreira da banda ou do artista.
Como se Tonico e Tinoco gravassem algo parecido com Igreja, dos Titãs.
Não covers, mas algo diferente do que se espera.
Para começar:

Pink Floyd tocando reggae.
No segundo disco sem Roger Waters, The Division Bell (1994) (o primeiro foi o tecnológico e meio gelado A Momentary Lapse of Reason, 1987) a banda criou um disco conceitual sobre a falta de comunicação.
As canções lembram o clima da banda em meados dos anos 70, mas com a pegada limpa os últimos anos da gestão Waters.
No meio do disco aparece “Come Back To Life”, canção que até começa viajante mas, antes da metade dá uma guinada e se transforma em algo parecido com um reggae. Mas um reggae mastodôntico, que se movimenta lentamente e que tem um (mais um, diga-se) solo maravilhoso.

Motorhead tocando valsa (!)
Quando se fala em Motorhead, o que vem à cabeça é uma música pesada, alta, suja e rápida, mas em 1991 a banda lançou o disco batizado de 1916.
Como sempre, todos os elementos característicos do som de Lemmy e companhia estavam lá, mas a última faixa...
“1916”, a faixa título, é uma valsa com letra tocante sobre a primeira guerra mundial, assunto que Lemmy gostava muito (as duas grandes guerras na verdade) e conhecia muito bem.

Ira! tocando samba.
O Ira! nasceu do amor de Edgard Scandurra ao pós punk, ao mood inglês e ao The Who.
Os primeiros discos da banda rezam por esta cartilha e tem como profissão de fé o rock and roll apesar da letra e dos scratches em Farto do Rock and Roll, do álbum Psicoacústica (1988).
Para o álbum seguinte, o ótimo Clandestino (1989) a receita era quase a mesma: guitarras em profusão, peso, blues, baladas, só que havia uma faixa estranha no ninho: “Cabeças Quentes” é um samba! Ainda que termine com um solo infernal de Edgard, transformando a música em um quase heavy metal.

 

Rolling Stones tocando funk.
A banda já estava estabelecida com a maior de todos os tempos (chupa bitus) e lançado seus discos mais importantes quando em 1974 pariu o disco It´s Only Rock and Roll, com a faixa título que iria figurar entre os maiores clássicos.
O disco também marca a estreia (de forma não oficial) de Ronnie Wood na banda.
Algum tempo depois seria oficializado no lugar do demissionário e magnifico Mick Taylor.
O disco é bom e vai muito bem até começar a última faixa: “Fingerprint File”
Não que a faixa seja ruim, só não está à altura do restante do disco (e muito menos das obras anteriores).
Não é das minhas favoritas, aliás, passa longe disto.

Genesis fazendo música boa.
Há quem goste... Claro, mas aqui para a casa, a única música boa dos caras é “The Carpet Crawlers”, do álbum clássico (hehehehe) The Lamb Lies Down on Broadway (1974)
Pode discordar, mas a piada ficou boa...

23 de out de 2016

F1 2016: EUA: chato como a pista que o sedia

Definitivamente não gosto desta pista americana.
O excesso de “citações” na obra do alemão do paintbrush chega a irritar: ali parece o S do Senna, aqui a Becket/Magots, outro lugar lembra Suzuka... Enche o saco.
Sem contar que estas curvas só funcionam em suas pistas originais porque estão dentro de um contexto e não aleatoriamente colocadas num plano qualquer.
E corre-se o risco de que se continuarem a elogiar este Frankenstein, logo o Tilke faz uma pista com onze curvas Parabólica, seis grampos, e uma reta aleatória.

Certo que o que importa é a corrida, mas dentro do contexto da pista (que dizem ser ótima para se pilotar, mas até aí, ter corrida e disputa é outra coisa) não dava para esperar grandes coisas.
A primeira fila formada (oh, que novidade!) pelos dois cones da Mercedes trazia, pelo menos, a inversão em relação as últimas etapas: Lewis era o pole.
A tensão pela tomada da primeira curva no alto do morro do alemão era esperada e bem-vinda.
Mas não veio...
Largada burocrática do Rosberg, com o regulamento debaixo do braço e fingindo que entende a máxima de que corridas não se ganham na largada, mas pode-se perde-las.
Ainda perdeu a segunda posição para Ricciardo, que largou (de novo) muito bem.
A posição durou até a primeira rodada de paradas, que para quem estava de pneu macio (vermelho) começou na volta nove.
Nico assumiu a segunda, mas não a manteve após a sua parada.
Na volta doze, Lewis fez a sua parada e voltou com os mesmos pneus médios (amarelos) com que largou. Sinal de distinção entre as duas estratégias dentro da Mercedes.

Neste meio tempo tivemos Vettel liderando a prova e curiosamente, não reclamou de ninguém na frente dele ou pediu bandeira azul...
Porém, daí em diante a corrida entrou em banho maria, morna até doer os ossos e dar sono.
Consequência desta mista medley supervalorizada.
O lance mais emocionante da prova acabou sendo o Kimi saindo precocemente dos pits e ficando com roda frouxa.
Parou na saída dos boxes e voltou de ré para deixar o carro em um lugar mais seguro.
A quinta série delirou falando sobre ejaculação precoce e roda frouxa...
Para não dizer que não houve lance emocionante na pista, Alonso forçou para cima de Felipe Massa e jogou duro para tomar a sexta posição no alto de morro do Alemão.
Para Massa, restou ir aos boxes trocar o pneu furado na disputa.
Alonso foi o piloto do dia em um GP sem brilho nenhum e para coroar comemorou no rádio com um grito típico dos cowboys estadunidenses: “Yyyyyhaaaa”
I´m old, but still a child
O vencedor acabou sendo Lewis, de ponta a ponta, mas seguido de pertinho por Nico Rosberg que com isto colocou mais um dedão na taça.
Grande prêmio monótono como a pista que o sedia.

21 de out de 2016

F1: 25 anos do último título brasileiro na F1

E lá se vão vinte e cinco anos do último título de um brasileiro na F1.
Um quarto de século que não há um conterrâneo no topo da tabela de pontos ao fim de uma temporada.... Se pensar bem, foi ontem se pensarmos no último argentino – nosso parâmetro na América do Sul -  que teve a honra.
Foi Fangio e também faz uma caralhada de tempo.

Só que Brasil e Argentina estão igualados em um ponto deste jejum de títulos.
Explico.
Fangio, assim como Ayrton, são as expressões máximas dos dois países quando se fala em F1.
Ainda que apareçam piquetistas (como eu sou) por aqui para contestar, a verdade é que o personagem criado pelo (genial) piloto Ayrton Senna transcende o esporte.
As histórias de Senna na pista ou com algum envolvimento com a categoria, são simplesmente fantásticas e inigualáveis.
Não que os títulos de Emerson ou Nelson não sejam, mas os de Ayrton são incontestáveis no que tange à emoção durante a disputa.
E alguns campeonatos que ele não ganhou foram tão épicos quanto!
Fangio também.

O azar dos fãs de F1, tanto brasileiros quanto argentinos, é tamanho que, infelizmente, nunca mais haverá ninguém nem parecido com os dois.
Foram os dois últimos da espécie nos dois países.
Após Senna, bons pilotos apareceram, sem dúvidas.
Rubens e Felipe não são gênios, mas foram ótimos.
Barrichello tem dois vice-campeonatos e Massa tem um, o que é muito mais que muito piloto dito melhor jamais teve ou terá e, desculpe Nelsão, mas o vice não é o primeiro dos últimos.... Em automobilismo, nunca vai ser.
E neste ponto levamos vantagem sobre os hermanos, já que após o auge ainda tivemos dois nomes de bom tamanho, eles tiveram Reutemman (pif!) e só.
Quem falar Gastón Mazzacane ganha uma gargalhada.

Outro país de tradição na F1 e que tem um jejum tão grande é a Itália, mas os italianos estão se lixando para pilotos, eles têm a Ferrari e isto é o máximo que um pais pode almejar na categoria.
Afinal, a Ferrari É a F1.
Mal comparando, Fangio e Ayrton são para brasileiros e argentinos o mesmo que a Ferrari é para os italianos.
Com a óbvia diferença da finitude dos dois e da – aparente – eternidade da scuderia.

Um dado curioso: em vinte e cinco anos de jejum, apenas seis países produziram campeões mundiais de F1 (Inglaterra, Canadá, Finlândia, Espanha, Alemanha e França).
É certo que a dificuldade em termos outro campeão é imensa por N fatores, mas não estamos tão ruins assim... E ainda temos a história para nos gabar.
Chupa mundo.

19 de out de 2016

F1 2016: Semana de GP dos EUA (e lá vem mau humor)

Semana de GP dos EUA em Austin e penso duas coisas distintas.
Primeiro: Circuit of the Américas já é feio para caramba, a abreviação COTA então fica mais feio ainda.
Mas está bom para um imenso crtl C crtl V daqueles.

Volto a repetir: com tanta pista boa nos EUA foram inventar de fazer uma copiando trechos bacanas de pistas legais se esquecendo que nos originais só funciona porque estão inseridas em um contexto. É para mim o traçado mais monótono e forçado de todo o calendário.
Segundo: É uma corrida que a Globo não transmite ao vivo por conta do futebol desde que foi criada.
O que me leva a pensar uma terceira coisa: foda-se, agora tenho Sportv em casa.

Nasr, o Felipe que restou, se disse a favor do uso de motores defasados pela Sauber no ano que vem.

Nasr ainda não renovou o contrato para o ano que vem, o que nos leva a entender porque disse isto.
E ainda que já tivesse renovado, bem... manda quem pode, obedece quem quer ficar no time.

E mais uma vez surge o papo da F1 sair de Interlagos.

Agora rumo à Brasília.
Tudo decorrente de uma consulta de um grupo financeiro disposto à tomar conta da gestão do autódromo por lá.
Vale lembrar que a pista está um lixo, o traçado é ultrapassado, o governo do DF está fodido desde a última gestão do PT etc., etc...
Ah, mas é iniciativa privada...
Claro, e já viu estes caras investirem dinheiro deles em algo que precise de reforma estrutural tão grande quanto a pista candanga?
Aí recomeça a choradeira:  se Jacarepaguá estivesse ativo...
Mas não está...
Se o Rio tivesse um autódromo.
Mas não tem...
Se...
Se o caralho, dane-se o Rio e sua falta de autódromo.
Deixa onde está que está dando lucro e está bom demais.
Mas o Dória...
Pau no cu do Dória, se está dando lucro, duvido que queria abrir mão.

Ah... E foi aniversário do Raikkonen. Uhú.

17 de out de 2016

Feliz foi Adão

-Despachante e corretora bom dia.
-Alô...  Cês já estão trabalhando?
-Bem... atendi ao telefone, então quer dizer que já estou aqui né?
-Não sei...
-Bom... Pois não?
Não eram nem nove horas da manhã ainda e o dia prometia. Já haviam sido feitos oito processos para transferência de propriedade de veiculo e nada mais, nada menos que sete estavam errados. Dois telefonemas haviam sido enganos. Um foi trote e outro era cobrança da telefônica por uma conta paga de seis meses atrás.
A luz dentro do aquário onde trabalhávamos - quem leu as outras crônicas sabe – é bem pouca, o que nos ajudava era um pouco da luz solar refletida no vidro canelado.  Não que trabalhássemos nas trevas, mas se procurássemos bem nos cantos do imóvel acharíamos alguns morcegos parentes do Batman.
De repente a luz solar se foi. Não era eclipse, nem tampouco o céu escurecendo para uma tempestade.
O cheiro da fumaça de diesel impregna o ar e as roupas.
Na porta surge um sujeito baixinho, forte para caramba. Chapéu de boiadeiro, botas de cano longuíssimo, as mãos sujas de graxa ou algo que o valha.
Sua voz encheu o escritório como água, sem deixar espaço. Alta, grossa e aparentemente feliz:
-Feliz foi Adão, que não teve sogra e nem caminhão! Bom dia aí gente que trabalha...
-Bom dia... – Respondem todos entendendo agora o sumiço da luz do sol.
O caminhão tapara sua entrada ao bloquear nossa porta. Completamente.
-Eu trouxe o bruto aí para fazer a vistoria, vou passar ele pro nome da minha menina. Legado pra ela, não é? É tudo que tenho, e vai ser dela. Pra morrer, basta está vivo, não é?
-Quantos anos têm sua filha? Ela dirige caminhão? – Quis saber o chefe.
-Não... ela é uma flor de delicadeza. Não conseguiria nem virar o volante do bruto, mas se eu morrer (já disse que pra morrer basta estar vivo) ela pode vender o caminhão mais facilmente.
O caminhão em questão era um Mercedes Benz L1313, azul, ano 1973, mas muito bem conservado.

A tarefa seria decalcar o numero do chassi para que fosse feita uma vistoria regular sobre ele. Saber se a numeração tinha ou não sido alterada.
Para quem não sabe, ou não conhece, a numeração de chassi neste modelo de caminhão fica na longarina, mas na ponta dela quase na junção com o para choque dianteiro. Embaixo do feixe de molas, com o acesso um tanto difícil.
É necessário abrir a tampa do motor e se esticar para dentro do cofre para alcançar a numeração, tarefa esta que coube ao menor de todos os funcionários. O único que estava desocupado.
Pela via normal ele não alcançou. Quase cai dentro do capô com os pés balançando para fora, mas percebe nesta manobra que se esterçassem as rodas dianteiras inteiramente para a esquerda seria possível alcançar a numeração entrando por baixo. Pelo vão da roda.
O local era apertado, mas era possível fazer.
O dono do caminhão se oferece para entrar naquele espaço dizendo que ali havia graxa e que o funcionário baixinho poderia se sujar.
Sugestão aceita.
O funcionário então dá a ele o bastão de grafite e um pedaço de fita adesiva tipo etiqueta para que ele faça o decalque e sobe até a cabine para esterçar as rodas.
Lá de baixo o caminhoneiro verifica que há pouca luz e que daquela forma não consegue encontrar a numeração gravada. Pede então para que mais uma vez se abra o capô do caminhão.
-Mas como abre?
-Tem uma correntinha aí em cima não tem?
Ele procurou e procurou. Olhou para todos os lados e só havia uma corrente que pendia do teto: “-Deve ser esta! ” – Pensou.
Puxou a corda com toda a força, afinal a tampa do motor de um caminhão deve ser pesada, ou não?
FUUUUÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!
O violento esporro da buzina atrai todos para fora do escritório a tempo de ver o dono do caminhão sair de baixo dele atordoado, com um corte no supercílio. Provavelmente por ter batido a cabeça no chassi.
-Desculpa aê! Foi sem querer, mas não tem outra cordinha...
-O que? Embaixo do painel...
-Eu puxei aquela que pende do teto, desculpa...
-Ahã? Debaixo do painel... Tá embaixo do painel...
-O que tá embaixo do painel?
O caminhoneiro não responde. Não ouvia mais nada. Se bobear nem sabia mais onde estava.
Feliz foi Adão, não teve sogra nem caminhão. E nem precisou decalcar o chassi...