24 de dez de 2015

Conto de natal: Santa Claus is smoking reefer

Sempre que ia passear na região do Parque Dom Pedro, em São Paulo, ficava encantado com os armazéns importadores de secos e molhados. Desde muito pequeno.
Os aromas, a variedade de produtos como azeitonas, azeites, vinhos, vinagres, queijos e principalmente: mortadelas.
Mas não de uma forma comum, encantavam mais pelo fato de estarem dependuradas no teto.
Passava por baixo das “bexigas” de mortadelas e peças de queijo provolone enormes sustentadas apenas por um cordãozinho.
Porém o sentimento que tinha não era de medo. Não temia que uma das peças despencasse lá de cima e acertasse sua cabeça, mas um troço confuso. Queria agarrar uma das peças e arrancá-la. Sair correndo do armazém com a mortadela nas costas.
Óbvio que não precisava disto, nunca precisou.
Se pedisse quando criança, provavelmente, seu pai teria comprado uma delas e lhe daria de presente. Um presente não convencional, mas um presente.
E agora, depois de crescido, já formado e muito bem empregado, uma peça de mortadela que custa noventa reais não lhe seria problema comprar. O que queria era realizar aquele sonho louco de infância que nunca contou a ninguém.

Naquele natal teve a idéia que alguns chamarão de brilhante, outros de “coisa de jerico”: iria até um dos armazéns que costumava visitar quando criança e colocaria seu plano em prática.
-Boa tarde, posso ajudar?
-Pode sim, eu quero mortadela...

-Senhor, desculpe... Não vendemos fatiados.
-Não, não... Eu quero uma peça inteira.
-Ah sim... E qual?
-Pode ser desta aqui... – aponta com os dedos.
-Bologna ouro defumada... É uma ótima escolha... Vou pegar a faca para tirar ela daí.
-Olha não...  Desculpa, mas eu quero arranca do cordãozinho, e sair da loja com ela sem embrulhar.
-O senhor quer roubar a mortadela? É isto?
-Não... Eu vou pagar... Aliás, quanto custa?
-A peça toda? Noventa e seis reais... É um produto importado da Itália.
-Que bom... Que bom... Então... Eu vou pagar, mas quero eu mesmo arrancar ela daí e sair com a peça sem embrulhar.
-O freguês é quem manda.
-Aceita cartão?
-Claro, claro... Crédito ou débito?
-Débito. Aqui está.

O funcionário do armazém faz a operação e com um sorriso lhe aponta a peça de mortadela que agora pertence ao freguês.
-Só mais uma coisa... O senhor pode fingir que está distraído?
-Como?
-Fingir que está distraído... Assim, sei lá... De costas, olhando para a janela...
-Bem... Tá certo. Já começamos com a loucura, vamos até o final, não é?
Vira e se ocupa com a limpeza das garrafas de azeite extra virgem em uma bancada mais afastada, mas não sem, de vez em quando, dar uma olhada no maluco.
Maluco, aliás, que tentava de todas as formas arrancar a mortadela de seu cordão sem sucesso. Puxava com calma, depois nervosamente, com fortes trancos e chegou até mesmo a se dependurar nela.
Mas nada... Continuava presa a seu forte barbante e pendurada ao teto.

-O senhor quer uma ajuda?
-Acho que vou precisar. Do que são feitos estes cordões? Aço?
-Não, não... Acho que é de algodão cru, mas não sei...
O homem estava abraçado à mortadela como um goleiro que encaixa uma bola.
-O que pode fazer?
-Bom, posso pegar uma faca e dar um talho no cordão. Não cortar ele todo, mas dar um trisco nele, assim acho que fica mais fácil de sair se o senhor puxar com força.
-Tá! Eu aceito.
E o funcionário pega sua faca e dá um pequeno corte no fio. O homem então põe as mãos na mortadela e ameaça puxar, mas se detém.
-O que foi? Tem que cortar mais?
-Não, acho que não... Mas... Queira se distrair por favor? – diz ele com um sorriso.
-Ah... Tá... Tá... Tenha um feliz natal e um próspero ano novo. – e se vira para continuar limpando as garrafas.
O homem se agarra à peça e força com seu peso todo para baixo, chegando mesmo a tirar os pés do chão e ficar dependurado junto com a mortadela até que por fim o cordão cede e o homem cai sentado no chão. Mas com a mortadela junto ao peito.
Então se levanta, desajeitado e dolorido, abraçado à peça e sai da loja como se fugisse.
Do outro lado do balcão o atendente sorri pensando que um dia morre, mas não vê tudo.

Ao chegar a seu carro, um bonito sedan importado, abre o porta malas e joga lá dentro sua aquisição. Seu presente de natal para si próprio.
Entra no carro onde lhe espera sua esposa e lha dá um grande abraço e um beijo.
-Amor, cê demorou... Todo este tempo para escolher uma mortadela?
-É que são tantas! – e sorri satisfeito.
-E que horror... Você esta cheirando a mortadela! Como foi que escolheu? Abraçando?
Ele não responde.
Apenas sorri enquanto vai acelerando o carro pela Avenida. Senador Queiroz enfeitada para homenagear o bom velhinho.

16 de dez de 2015

Pegue o pombo

Num domingo qualquer destes, creio eu, em sua coluna na Folha de São Paulo o poeta Ferreira Gullar escreveu em defesa dos pombos. Aqueles ratinhos de asa que empesteiam as grandes cidades.
Pois eu vou à contramão do poeta.
Lá ele dizia que era contra que se caçassem os bichinhos.
Eu sou a favor.
Sim eu sou a favor da cassação em massa deles. O que, convenhamos é um negócio difícil para caramba!
Cassar pombos... Humpft!

Primeiro. Sabe-se que estes bichos voam por ai em bando.
Da ultima vez que fiz uma contagem de um bando deles voando tinha para mais de quarenta!
É! Quarenta e são uns bichinhos corporativistas que nem comento...
Para se cassá-los é preciso aprovação da maioria. E como disse são uns bichos corporativistas. Ficam naquela encolha:
“-Cassar, sei não. De outra vez quando precisei dele, não me faltou...”.
“-Hum... Cassar, não a gente pode no máximo dar uma reprimenda... Tive negócios com ele e cassar eu nem cogito”.
E assim eles vão se defendendo.

É sabido também que eles têm o desprezível hábito de sair por aí fazendo ‘caca’ em nossas cabeças. Mas vá acusar algum deles disto, vá!
“-Eu repilo. Veemente eu repilo... E repilarei (sic) sempre!”
E tem também a porcaria do voto secreto.
É eles se escondem atrás de uma prerrogativa constitucional que lhes permitem decidir em voto secreto o que fazer com aquele que por acaso falte com o decoro.
Decoro, aliás, é coisa que parece cada vez mais surreal.
Pombo que se presta a receber milho na praça, da mão de velhinho suspeito de ser bicheiro? Que nada isto não fere decoro nenhum.
“-Decoro... Decoro! Pra que decoro? É só um milhozinho, e era pra alimentar meus pombinhos”.  
E são caras-de-pau estes bichos. Negam e juram inocência...
E não adianta gritar espernear. Pombo definitivamente não entende voz humana.
E se esta voz humana vier do povo então.
Pombo não acredita na velha frase ‘vox populi, vox Dei’.

No que acreditariam os pombos?
É certo que existem bons pombos. Já tivemos pombos heróis.
Pombos correio, que prestaram serviços de grande relevância para a humanidade. Agora e aqui é que estes bichos se mostraram uma praga.
É por isto que desta vez me permito ser contrário à opinião de Ferreira Gullar.
Mestre, com estes bichos não podemos dar muito mole não. O melhor era nem deixar nascer. Abater ainda na urna.
Depois só a tiros.
É por isto que sou a favor de se cassar pombos.

14 de dez de 2015

2mil e tantos anos e tudo continua igual

E parece que aquele fragmento de papiro encontrado em 2012  sobre Jesus é real.
Vindo provavelmente do Egito, traduziu-se que – dentre outras coisas – versa sobre uma provável esposa de Jesus.
A descoberta – e a tradução – vai de encontro à tradição cristã de que Cristo não era casado e atiçou novamente o debate sobre celibato e o papel da mulher na igreja.
Mas este não é o assunto.
O papiro encontrado está escrito em língua copta e, penso eu, deva haver bem pouca gente
apta na gramática desta língua..
Assim sendo, as traduções feitas podem estar erradas.
Num esforço fenomenal o BligGroo conseguiu traduções alternativas para o texto contido no papiro.
E adianto: deu trabalho pacas já que o Google não disponibiliza o tal copta no Google translate.
Segue as traduções:

“-Jesus, quando sair pra ir para o Monte das Oliveiras, leva o lixo pra fora...”.

“-Assim não dá... Todo dia vai trazer estes doze pra jantar aqui?”

“-Não precisa trazer vinho, tem muita água ai... Se vira.”. 

“-Demorou isto tudo no deserto? Por que não veio sobre as águas em vez de contornar o Jordão?”

“-Como assim não vai pintar a casa? Está esperando o milagre dela se pintar sozinha?”

“-Sermão na montanha? Sei, sei... Tava discutindo futebol de novo.”

“-Vê se fala mais de mim nos teus sermões ou no futuro vão dizer que você nunca foi casado.”

“-Você não me ama... Nunca fez uma parábola que me incluísse.”

Quem tiver mais alguma, pode ajudar deixando ai nos comentários.

11 de dez de 2015

Capeta´s business

Nos anos setenta todo mundo era “ocultista”.
Encontravam mensagens subliminares nas letras, nas músicas... E em alguns casos, se rodassem os discos para trás as mensagens eram diretas.
Veio o Black Sabbath e escancarou a coisa.
De ocultistas, passaram a satanistas.
Segundo Ozzy em seu livro I`m Ozzy (Eu sou Ozzy, Ed, Benvirá/2010) a intenção era levar para a música o clima dos filmes de terror que tanto faziam sucesso na época, e como no primeiro disco a coisa deu certo, continuaram a fazer “música de terror”.
E Tony Iommi no seu Iron Man (Iron Man, minha jornada com o Black Sabbath, Ed, Planeta do Brasil/2013) quando foi necessária a troca do letrista principal (Geezer Butler) os novos parceiros nas composições já chegavam com a ideia de que sendo o Black Sabbath, fazer as letras era só sair falando do cramulhão e pronto.
Outros vieram na esteira e muitos pegaram a fama sem merecer, caso do Kiss.
Chegou-se a dizer que o nome da banda era uma abreviação para Kids in Service of Satan.
Pura besteira.

Mais a frente o tal rock capetista veio a ter outros representantes que usavam o teatrinho para causar espantos, chocar bobinhos, impressionar fãs e, claro, vender discos.
O Venom com suas letras explicitas e o Slayer encabeçam a lista.
O primeiro era realmente difícil levar a sério, mas uma olhada no visual dos caras do Slayer e as pessoas realmente ficavam com dúvidas.

Mas elas logo acabavam quando se lia alguma entrevista da banda e seu cantor Tom Araya se dizia católico praticante e tudo o mais.
Para os que duvidavam das palavras escritas, o documentário Metal, uma jornada pelo mundo do heavy metal (Metal, headbanger´s journey de Sam Dumm e Scott McFayden/2005) disponível no Netflix, joga a pá de cal no assunto quando o entrevistador pergunta a Araya sobre a letra de (Deus odeia todos nós) e pergunta se ele realmente pensa daquela forma.
A resposta? “-Não! Deus não nos odeia, ele nos ama, mas convenhamos... Este é um grande título não?”.

Agora, já em 2015, o artifício continua sendo usado por N grupos de rock.
Uns mais pesados, outros mais leves... Uns de caras limpas, outros mascarados...
Mas se fosse para escolher um nome que estivesse levando o “modus operandi” do Black Sabbath ao status de arte e dar um troféu, este seria o Ghost.
Tão satânico e perturbador quando o romantismo alemão do início do século XIX na literatura, mas embalados em peso e melodias.
E vendendo muito, o que prova que o capeta nunca sai de moda.

9 de dez de 2015

Art Blakey (porque eu tô afim...)

Não sabia nada da mãe, nunca viu sequer uma foto.
O pai os abandonara antes mesmo do nascimento do garoto.
Na verdade o casamento só aconteceu por que ela engravidou, mas ainda no dia da cerimônia ele achou um jeito de pular fora da vida de casado.
Algumas quadras depois de sair da igreja disse que iria comprar charutos, fugiu pela porta dos fundos da mercearia que tinha entrado.
Cinco meses depois do parto ela faleceu, muito provavelmente de tristeza.
O menino foi criado pelo melhor amigo da mãe, já que o pai – um mulato – o rejeitara com o incrível argumento de que a pele do filho era mais escura que a sua própria...
Na casa onde foi criado havia um piano onde o menino aprendeu a dedilhar sozinho, de ouvido.

Casou-se aos quatorze anos e aos quinze já era pai.
Para sustentar a família em plena crise econômica de 1929 teve de arranjar um segundo emprego – o primeiro era em uma mineradora de carvão – e então formou uma big band para tocar em um clube local em Pittsbugh, o Ritz.
Durante dois anos encarou uma jornada dupla: até as dezessete na mina de carvão e das vinte e três até o amanhecer tocava piano.

Porém quando a direção da casa resolveu trazer um show de Nova York, cujas partituras seriam executadas pela banda e o já então rapaz teve de admitir que não sabia ler música.
Nem teve tempo de argumentar que poderia aprender em pouco tempo, um pianista bem mais novo ocupou o lugar.
O moleque já tinha ouvido uma gravação com as músicas do show e graças a uma memória fantástica tocou as partes de piano tão bem que ninguém notou que ele também não sabia ler as tais partituras.
Seu nome? Erroll Garner, que pouco tempo depois veio a ser conhecido como um dos mais originais pianistas de jazz.

Irritado por ver seu emprego indo para o ralo, o nosso personagem reclamou, afinal vinha dirigindo aquela banda havia dois anos!
E então o dono do clube – que vivia com um trinta e oito enfiado na cintura – o colocou contra a parede:
-Cê vai continuar trabalhando aqui? – disse enquanto rolava o charuto de um canto à outro da boca.
-Eu quero... – disse o nosso herói.
-Então vai tocar bateria! – disparou.
O rapaz ainda tentou reclamar, mas ao ver a expressão no rosto do patrão entendeu que se quisesse manter o emprego – e os dentes – era melhor ir se sentar à banqueta e tocar da melhor maneira possível àqueles tambores.
E assim Art Blakey, durante as seis décadas seguintes de sua vida, fez com que os fãs jamais lamentassem o fato dele nunca mais ter voltado ao piano.

7 de dez de 2015

Estou de folga, quero coisas leves...

Johnny soube que Bob estaria em sua cidade e quis conversar com ele.
Mandou-lhe uma carta por meio de sua gravadora e pediu que se encontrassem.
Pensou em duas ou três coisas que gostaria de lhe dizer.
Talvez dissesse mais algumas.
Estava empolgado com a música que Bob vinha fazendo. Via nele a alma da canção americana, assim como haviam visto nele próprio alguns anos atrás.
Queria lhe alertar dos perigos do caminho, embora tivesse quase certeza que ele já os conhecesse.
Infelizmente Bob não ficou por muito tempo, e acabou nem respondendo a carta.

Alguns anos depois, em seu apartamento, recebe uma ligação inesperada.
Do outro lado da linha um tímido Bob se convida a ir ao apartamento de Johnny, que claro, aceita.
Já frente a frente conversam por horas e o dono da casa convida o visitante a participar de seu programa na TV.
O visitante aceita, agradece e convida o dono da casa a gravar um disco junto com ele.
Convite mais do que aceito, até pensam em algumas canções para o repertório.

Ao se despedir, Johnny pergunta na lata:
-Por que não se encontrou comigo daquela vez?
- Tive medo.
-Medo do que? Você é Bob Dylan!
-Sim, mas você é Johnny Cash...

4 de dez de 2015

Viva lá revolución!

Houve movimentação nas correntes do poder.
Finalmente!
Não... Não é sobre o canalha do Cunha ou a incompetência dos petistas e sua  Dilma amestrada, mas sobre F1.
Os anões Bernie Ecclestone (1.59m) e Jean Todt (não sei a altura do Topo Gigio) conseguiram carta branca da FIA para mandar e desmandar na gestão da categoria mais famosa do automobilismo mundial.
A partir de agora, as equipes não mandam mais porcaria nenhuma e estarão sujeitas as regras “vindas de cima”.
Ecclestone – ou o amigo Max Mosley – já tinha dito que “democracia demais atrapalha o esporte”.
Nada mais correto.
Enquanto o tal Grupo Estratégico esteve no comando qualquer discussão demorava meses para ter algum efeito e bastava uma choradeirazinha para conseguir impor suas vontades e decisões.
Foi assim com a Mercedes que após ameaçar sair da categoria desandou a ganhar corridas e títulos.
No embalo, a Red Bull fez o mesmo, embora sem o mesmo sucesso (ninguém caiu no blefe do surgimento de uma nova categoria).

Agora, efetivamente, o regulamento da categoria não terá que passar pelo crivo dos times e como disseram os dois personagens nanicos: “Quer vir, venha. Não quer, não venha.”.
Regras sobre motores, regulamento aerodinâmico, aparência dos carros, pneus deverão ser decididas com mais rapidez e menos favorecimentos.
No campo dos motores (apenas quatro empurram as equipes hoje) fica mais fácil a aprovação de um motor alternativo.
Também se espera que o fornecimento de pneus (seja maior número de fabricantes ou pelo menos maior número e liberdade de uso de compostos) também seja repensado.

Na prática a coisa será: “-Querem brincar de F1? Ótimo, mas as regras são nossas.”.
Correto ou não, pode-se até se discutir, mas que o modelo de gestão era falho e equivocado e precisava ser mudado, é fato.
Já começo a pensar mais em 2017 que no ano que vem...

1 de dez de 2015

Lado B do GP: Abu Dhabi sem graça

Um casal de abumdabenses (cidadão natural de Abu Dhabi) resolveram que seu único filho teria uma educação totalmente ocidental.
Que não seria criado sob as leis islâmicas e muito menos seria atrasado das ideias, apesar da quantidade de dinheiro absurda que os cidadãos abastados daquele lugar são capazes de gerar e ganhar.
Resolvem então que, ao completar quatro anos de idade, mandariam o pimpolho estudar na Europa.
Vinte anos se passaram e a família, que mantinha contato por carta, e-mail, e mais tarde por vídeo conferencia decide que já era hora de se juntarem novamente, que o menino, já então um homem feito, deveria voltar para casa.

Contrafeito, o rapaz aceita, mas apenas se puder voltar para casa em um navio de cruzeiro, com festas, luxo e toda a mordomia que o dinheiro (farto) pudesse pagar.
Assim, segundo ele e com o consentimento dos pais, iria se despedindo da vida boa que levara até ali e se prepararia psicologicamente para as dificuldades vindouras.
Assim embarcou em um navio em um porto inglês e alguns dias depois viria a atracar no porto de Yas Marina.

A família foi toda ao cais para receber o filho pródigo e com muita alegria e festa esperavam que aparecesse no convés.
Assim que o navio atracou a expectativa aumentou.
Cinco, dez, quinze, vinte minutos.
Uma hora e nada do rapaz aparecer e todos já estavam preocupados quando ouviram um assobio e se puseram a procurar de onde havia vindo.
-Aqui! Aqui em cima! – gritou o rapaz que colocava a cabeça por uma das escotilhas nas cabines de passageiros.
Houve mais festa, mais sorrisos, lágrimas de contentamento.
Porém, os pais do rapaz ficaram intrigados de uma maneira insólita: após anos pagando para que o filho tivesse uma educação ocidental de primeira, para que não precisasse nunca mais fazer serviços braçais ou que envolvessem algum tipo de esforço físico e quando o menino volta para casa trazendo o navio em volta do pescoço?

29 de nov de 2015

F1 2015: a pista boneca inflável e sua monotonia sem fim

Assisto corridas de F1 desde 1983, desde o grande prêmio de Monza daquele ano e nunca perdi uma corrida de madrugada sequer.
Acordo as duas, as três, a uma... Mas estou lá, firme e forte vendo os carros girando nas pistas do mundo.
Abumdabe é às onze da manhã aqui no Brasil... Tempo suficiente para acordar, tomar café, jogar videogame, ver um desenho e ainda assistir a corrida sem trauma.
E quase esqueço.
Não me atrai.
Tempos atrás disse que era uma corrida travesti.
Lembra algo que a gente gosta, é bem bonita em algumas vezes, mas não é o que a gente pensa.
Retiro o que disse.
É uma corrida boneca inflável.
É feito para parecer algo que se gosta, mas não é de forma alguma.

Mas vicio é vicio e a gente se senta para assistir.
E já começa a bocejar.
Retinha, retão, curvinha cotovelo. Só isto.
Tudo grandioso, “ostentativo”, megalômano e... Sem graça.
Algumas ultrapassagens forçadas nas primeiras voltas enquanto todos estão muito próximos e só. Falso.
Tão falso que o espumante espocado no pódio não tem álcool.
Mais bocejo.
Para não dizer que não teve nada, Alonso e Maldonado - sempre ele - se enroscaram na primeira volta.

Mais do mesmo, a Williams fez um trabalho de pit digno de nota zero e liberou Bottas sem olhar quem vinha no pitlane e fez o finlandês perder o bico do carro.
Depois, uma procissão daquelas.
E dá-lhe ver por do sol, acender de luzes do prestobarba gigante, falar que não tinha nada lá antes do autódromo... Sobre a pista, a única informação que precisamos é: quando vai ser definitivamente abandonada pela categoria?

E nesta toada, não aconteceu nada.
Rosberg largou e chegou em primeiro na corrida mais sem graça do século.
Abumdabe fechar calendário é o maior anticlímax possível para a F1.
Quem vê esta corrida não tem a menor sensação de “quero mais”. Se boiar, acha que não deveria ter corridas de carros nunca mais na história.
Vai pro inferno, Abumdabe.

27 de nov de 2015

Etiqueta

-Véi, vou mandar um e-mail pra uma fábrica reclamando de um produto ai...
-Sério? Celular? Televisão?
-Nada... Cueca!
-Ih, que foi? Alergia? Se for isto nem adianta reclamar. Tem nas etiquetas
-Não é alergia não... É sobre as próprias etiquetas.
-Como assim?
-Porra! Os caras colocam umas etiquetas enormes, de um material duro em partes sensíveis da nossa anatomia. Tá certo não.
-Como assim? (já rindo) Que tipo de cueca cê anda usando?
-Tô falando sério pô! Aquelas cuecas box, boxer... sei lá o nome.
-Sei... Aquelas que parecem um shortinho. Acho confortável.
-Até é... Mas a porcaria da etiqueta fica lá... Incomodando.
-Geralmente fica do lado, na costura lateral.
-Pois é, mas nestas que comprei fica bem no rego.
-Onde?
-No rego pô!
-Ai é foda! Material duro no rego deve ser desconfortável mesmo.
-Cê ri porque não é contigo. Mas eu vou reclamar mesmo. Tem que trocar o lugar desta etiqueta, ou o material... Mas tem que dar um jeito.
-E se eles não derem ouvido pra suas reclamações?
-Não compro mais desta marca e ainda mando enfiar a etiqueta no cu...
-Bom, acho que isto eles já fizeram... E com você. (e cai na risada)

26 de nov de 2015

Terceira parte do balanço da temporada: a figura do ano

Se os fãs da F1 tivessem criado um drinking game para a atual temporada teriam que usar as seguintes frases como gatilho para virar suas bebidas:
“-Qual a possibilidade de chuva durante a corrida?”  - Bebe.
“-Tomara que as Mercedes se enrosquem uma na outra.” – Bebe.
“-Rosberg vai entregar a paçoca.” – Bebe.
“-Alá o Alonso sendo ultrapassado de novo.” – Bebe.
“-McLarens fora do Q2.” – Bebe.

Mas as frases mais ouvidas, as que mais produziriam bêbados durante o ano sem dúvida alguma foram:
“-Ih rapaz... Vai largar do lado do Maldonado, maior perigo isto.”
“-Maldonado maldonadeando”. (ou sendo Maldonado).
Pastor Maldonado foi o – pouco – sal da temporada.
Em todas as etapas, os melhores momentos foram quando ele estava em alguma disputa por posição.
Um monte de gente muito boa prendia a respiração a espera de algo bom (sem ironias).
Uma grande ultrapassagem, ou uma pancada qualquer.
E não foram poucas as vezes que o venezuelano entregou o que dele se esperava.
Bastava isto para fazer dele a figura benéfica do ano.
Pau a pau com Alonso fanfarrão.

Mas ele não é dos que se contentam facilmente.
Para coroar seu ano ainda deu a seguinte declaração: “-Se estivesse na Mercedes, eu poderia bater Lewis Hamilton.”.
Bem... Se Toto Wolf e Niki Lauda deixassem...

O blog aqui sabe, com certeza absoluta que com uma Mercedes, neste ano, Pastor Maldonado bateria sim no Lewis Hamilton.
E também bateria no Vettel, no Kimi, no Massa, no Bottas, no Ricciardo, no Kvyat e quando fosse colocar uma ou mais voltas de vantagem sobre eles, também bateria no Alonso e no Button...

24 de nov de 2015

Segunda parte do balanço da temporada

A segunda parte do balanço do ano trata das equipes.
Novamente um banho da Mercedes sobre as concorrentes, como no mundial de pilotos, mas com atenuantes.

A inversão de posição entre Ferrari e Williams nem é o ponto.
Como manda a lei da competitividade, desta vez a Ferrari fez um carro melhor – além de contar com pilotos melhores – e nem o motor bi campeão mundial conseguiu fazer o time de Frank Williams ficar na segunda colocação.
Não se trata de cornetagem, mas uma dupla campeã do mundo – sendo apenas Vettel quatro vezes – não dá para comparar com um bom piloto (Massa) e uma promessa que pode nem vingar (Bottas).

Aliás, por falar em motor, a cantilena de que o Mercedes é o melhor motor não é tão verdadeira assim. Apenas o time oficial é que se deu bem.
Williams ficou atrás da Ferrari, o que pode ser visto como a maior derrota dos propulsores de cortador de grama alemães.
Force Índia e Lotus, que também usam o motor bi campeão do mundo, conseguiram a proeza de ficar atrás da Red Bull que é empurrada pelo contestado motor francês da Renault.

Só que neste quesito, ninguém foi mais derrotado que a McLaren com seu motor Honda.
Só conseguiram ganhar em 2015 as risadas dos adversários, o sarcasmo dos detratores e decepção dos fãs.
E se não arrumar um jeito de melhorar para 2016 pode perder também o penúltimo lugar para a Manor, que já anunciou que vai de motor Mercedes na próxima temporada.

Analisando o campeonato pela perspectiva de times (parte humana) a grande evolução – e, portanto grande vencedora – foi a Ferrari que deu mostras da melhora do ambiente com a chegada de Sebastian Vettel.
Muito diferente da tensão palpável de quando Alonso guiava os carros rossos.

A Williams manteve-se no mesmo patamar, com um bom ambiente entre pilotos, mecânicos, engenheiros e dirigentes, embora o trabalho de pitstop e do setor de estratégia de corridas tenham sido frustrantes e (por que não dizer?) irritantes durante o ano.

Na Mercedes as relações entre Cone#6 e Cone#44 foram para o vinagre de vez. Com direito a bonezinho voando e tomada de posição favorável ao #Cone#44 por parte da direção do time.
Toto e Lauda caem de amores pelo campeão enquanto demonstram pouca paciência – ou muita má vontade – com o filho do Keke.

Mas na boa?
A Mercedes que se dane.

23 de nov de 2015

Primeira parte do balanço da temporada

O ano da F1 acabou, esqueça Abu Dhabi.
Já dá até para fazer um pequeno balanço da temporada sem cometer erros (muito graves) e injustiças (não planejadas).

Foi uma temporada monótona e monocromática, principalmente no que tange a vitórias.
Foram todas de apenas duas cores.
O prateado da Mercedes e seus cones supervalorizados e o vermelho da Ferrari.
Na Ferrari a coisa ainda é mais aprofundada: apenas Sebastian Vettel viu o mundo do alto do pódio. E três vezes!

Grandes domínios sempre existiram, não dá para dizer que a temporada foi chata apenas porque foi dominada pela Mercedes.
Há quem goste dos pilotos deles e até quem ache que são fora de série.
Não são.
Nico, quando muito, é um piloto regular.
Lewis é o cara que sabe aproveitar o que o carro tem. Se o carro não tiver nada, ele também não.
Na primeira queda de performance realmente séria da Mercedes, o rapaz volta a vazar telemetria no twiter, fazer caquinhas a rodo e por ai vai.
Mas... Foi o campeão do ano.
Só não foi o grande vencedor.
Calma, explico.
Lewis ganhou mais corridas, liderou mais voltas, fez mais poles, levou o título, mas não conseguiu o que Fernando Alonso, que não fez tantos pontos, não liderou nenhuma volta, e nem passou perto de ganhar nenhuma corrida durante o ano.
Mas conseguiu algo que até bem pouco tempo atrás parecia ser impossível de acontecer.
Terminou a temporada como um dos caras que mais atraíram simpatia.
Falou besteira no rádio, reclamou da equipe, foi irônico com seu engenheiro e ainda protagonizou a cena mais engraçada do ano.
Parece pouco, mas sendo Alonso, não é mesmo.
Arrumem um troféu para este cara.

19 de nov de 2015

Swing

Denner é cego.
Não é politicamente correto dizer “cego”, mas ele é.
Diz a todos que “deficiente visual” é besteira e se sente diminuído com o termo “deficiente”.
”-Não tenho deficiência, só não enxergo.” – diz ele.
Mas tem um ouvido primoroso! Capaz de distinguir notas, tempos... E uma memória ainda mais impressionante.
Tinha um arquivo mental de nomes de músicas, datas de lançamento, fichas técnicas.
Conhecia diversos estilos, mas era apaixonado por jazz.
As subdivisões do gênero não lhe assustavam: conhecia todos. Do dixieland ao cajun, que mistura as influências creole (mistura das culturas francesas e africanas).
-Jazz é jazz, não é étnico... Não é world music. Aliás, que termo mais idiota. – dizia.

Dos outros gêneros musicais gostava. Pero não tanto.
Ouvia blues, claro.
-Derivação do jazz. – ensinava.
Ouvia rock.
-Derivação do blues. – explicava
E destes, ouvia tudo o que vinha atrelado.
Gostava de country e sua versão nacional, o sertanejo.
-Universitário também, Denner?
-Não... Só dos já formados e com livre docência. – dizia e explicava – Tião Carreiro, Pena Branca, entre outros.

Só tinha algo que abominava, definitivamente: música gospel.
Não gostava da forma com que os cantores se portavam, ficando acima do bem e do mal como se portassem eles a palavra divina e assim sendo, eram melhores que todos.
A hipocrisia de dizer que eram contra idolatria, mas se sentirem bem com o fato de ser idolatrados.
E musicalmente?
-Este pessoal - mas não só eles - adoram mostrar potência onde não é preciso. Adoram imprimir carga emocional onde o sentimento devia brotar naturalmente. Sem contar que nem é um estilo... Usam tudo, do rock ao samba. Acham que não é o meio, mas a mensagem. Besteira. A mensagem é o meio. Dizem que “limpam” tudo com a “palavra” e que os “estilos” deixam de ser musica impura, ou do mal...  Mais besteira.

Faz este discurso para quem quiser ouvir, mas geralmente, o único que ouve é um amigo que está sempre por perto: Gildo.
Gildo, ou Gildão - como era mais conhecido – tinha como nome de batismo Adegildo. Era um negrão na acepção da palavra e tinha como maiores características - além do tamanho, claro (ou escuro...) – a ingenuidade e a sinceridade - mandava para a boca tudo o que o coração e a mente conjuram - e a fixação por sexo.

Uma das histórias mais conhecidas da dupla se passou na mesa do bar do Canário.
Denner e Gildão tomavam sua cerveja acompanhada de um prato de torresmos quando o celular do cego tocou. O ringtone era simplesmente “Take the A train” com Duke Ellington.
Denner atendeu e ouviu calado por alguns minutos. A forma com que prestava atenção, o assunto não poderia ser outro senão música.
Desligou após dizer que desconhecia. Que provavelmente deveria até existir, mas que mais provavelmente ainda: ruim. Insosso, como uma comida que sabemos que é boa, mas que pela falta de um sal, um tempero, ficasse intragável.

-Era o Ari. – disse ele para Gildo, assim que desligou.
-Ah, e o que ele queria? – quis saber o negrão.
-Me perguntou sobre swing... Queria saber se existe swing evangélico.
Gildão ouve e por um período fica em silêncio.
Silêncio, aliás, acompanhado por todo o bar assim que Denner falou sobre o estilo jazzístico. Esperavam que ele engatasse alguma explicação sobre.
-Olha cego... Na boa. Não sei para que o Ari quer saber uma coisa destas.
-Como assim?
-É que você não pode ver, mas aquela mulher dele... Cara...  Não adianta nem ele querer ir num lugar destes... Ninguém vai querer pegar aquele bagulho.
Denner deu mais um gole na cerveja e empurrou o prato de torresmos para perto do negrão.
-Come ai vai... Come.

18 de nov de 2015

A F1 pós Brasil

O GP do Brasil marcou o fim da temporada.
Foi o churrascão da firma em grande estilo.
“-Cê é besta? Ainda tem Abu Dhabi!”.
Tem é? E quem liga praquela bosta em forma de pista?
Aquilo é um lixo e a gente só vai assistir pra adiar um pouquinho o começo da TPP (Tensão pós-temporada).


E sendo assim, com o fim da temporada na corrida brasileira começa a silly season.
E bota silly nisto, mas muito silly mesmo... Silly pracaraio!
O diretor técnico da Mercedes, um tal Paddy Lowe deu a seguinte declaração: “-A rivalidade entre Rosberg e Hamilton já está no mesmo nível daquela entre Senna e Prost.”.
Aha... Aha... Ahahahahaha. Ahahahahahahaha. Ahahahah. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.
Depois desta o Prost se revirou no túmulo.
Heim? Não foi ele que morreu?
Tanto faz... A comparação é estúpida por demais.

E esta é para você que prega aos quatro ventos que a F1 está em cheque no Brasil, que a população não se importa mais com a categoria, que o fã daqui, mesmo com todo este tempo já passado, ainda pensa em Ayrton Senna.
Então... A F1 mudou, aliás, mudou o mundo todo.
As equipes não são mais daqueles garagistas ingênuos.
Os pilotos não são mais homens românticos e idealistas.
Problemas? Há sim, claro... E de monte.
Mas ajuda bem pouco ficar com esta mentalidade tacanha.
Quer ver F1 das antigas? Procura no youtube.
E vai encher o saco de outro.

17 de nov de 2015

Lado B do GP: Brasil monótono

O lado B não podia começar com outro que não fosse Fernando Alonso.
A pose “turista desencanado” depois de mais uma quebra e a pequena zueira no pódio com Jenson Button foi coisa de brasileiro huehue.
Sensacional.
Agora um aviso: cuidado!
A vingança do Alonso quando recomeçar a vencer – e não duvidem que isto aconteça – v ai ser maligna, devastadora... Cruel!
Até eu já to com medo.

Poucos lados B de verdade.
Só Maldonado salvou dando uma tradicional maldonadeada e acertando Ericson Celulari.
A ação despertou do sono os comissários de prova que prontamente comissionaram e colocaram o lance sob investigação.
E como não aconteceu mais nada na corrida, também não deu em nada a investigação.

E no rádio:
Piloto: -Vai chovê?
Equipe: -Não caraio, corre ai e não enche mais o saco.

A corrida acabou sendo tão monótona que poderíamos trocar o nome para Grande Prêmio Rodada do Brasileirão de F1.
Porém, num universo paralelo o pódio foi este da foto.

15 de nov de 2015

F1 2015 - Brasil: A monotonia que superou a beleza

Interlagos não fecha mais o campeonato e este ano também não decide o campeão.
E daí?
É a nossa corrida, é no quintal da nossa casa, nossa pista, que, aliás, dá de mil a zero em cerca de noventa por cento das pistas do atual calendário.
É sempre emocionante do principio ao fim?
Obviamente que não, mas pouco importa.
Quando os carros alinham para a largada e ronco do motor (até mesmo estes asmáticos deste ano) sobe, os pelos se eriçam. É único, é fantástico, é Interlagos.

O nome dos treinos não foi o pole. Aliás, este ano o pole nunca foi o nome de treino algum, mas desta vez em especial o nome foi o cara que larga na última vaga da última fila do grid: Fernando Alonso.
Após mais um inicio de fim de semana lamentável, o asturiano definitivamente ligou o “foda-se”.
O carro quebrou?  Arruma um banquinho ai que eu vou sentar aqui e aproveitar o solzinho paulistano.
O pódio tá livre? Vem cá Jenson, vamos tirar uma foto aqui já que pelos nossos carros a gente não vai chegar nem perto de subir nele depois da corrida.
E assim se fez mais simpático um piloto visto como “mau caráter” e até mesmo “meio safado”.
Ganhou pontos o cara. Não em como negar.

A largada foi extremamente limpa, o que nunca deixa de ser decepcionante, mas perdoável.
Apenas Bottas fez um esforço para se diferenciar.
Daí em diante a briga mais “contundente” foi entre o Cone#44 e seu companheiro.
Aparentemente a vontade do inglês era igual a do Marquez em ultrapassar o Lorenzo, mas era o que tínhamos.
Nem a primeira parada nos boxes deu muito sal. Os trabalhos nos dois carros foram medianos e não ajudaram nem um e nem outro.

Antes da segunda rodada de pits, a melhor ultrapassagem foi do Verstapinho sobre Sérgio Perez, na marra, na força na saída do S do Senna.
Se todos tivessem a mesma coragem em situações parecidas seria um paraíso.
Ai veio a rodada de pits e continuou cone#6 na frente do cone#44.
A impressão que dava é que o inglês estava pouco se lixando para a vitória.
Talvez seja engano do ponto de vista e o alemãozinho estivesse realmente andando o melhor que podia.  Mas até ai...
Chegaram a terceira parada e nada mudou.

Sim, a corrida foi um tanto monótona, mas até uma corrida assim, no sobe e desce insano de Interlagos, é mil vezes melhor que corridas produzidas em tilkodromos.
Vitória ninguém liga do cone#6, escoltado pelo cone#44.
Se Interlagos, que é fantástico foi assim, preparem seus travesseiros para Abundabi.

13 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2011, o troféu salgado

A organização do Grande Prêmio do Brasil por vezes cria troféus originais para entregar a seus vencedores.
Em 2008 o troféu tinha sido desenhado por Oscar Niemayer e confeccionado com um polímero vegetal obtido através de reciclagem que ficou conhecido como “plástico verde” e lembrava as colunas do Palácio da Alvorada misturado a um volante de F1. Pesava quatro quilos e era muito bonito.
Troféu do Niemayer

Em 2011 o trabalho coube a Paulo Solariz e ele não poupou criatividade.
Pioneiro ao trabalhar com o automobilismo, o artista plástico já havia retratado em suas obras, entre outros, Jim Clark, Michael Schumacher, Emerson, Senna, Barrichello e Massa.
O troféu tinha como atrativo principal, pedras retiradas do pré-sal - então a grande descoberta da Petrobrás que prometia a autossuficiência de petróleo ao país – incrustadas.

Pois bem... À época ainda estava no ar um site sobre automobilismo feito de forma cooperativo por entusiastas e alguns estudantes de jornalismo chamado de Pódium GP.
A publicação na internet durou cerca de dois anos era feita com muito esforço e carinho.
Das fileiras faziam parte nomes como Felipe Maciel, Paulo Alexandre - conhecido como Speeder_76 -, Renan do Couto (que depois trabalhou no site Grande Prêmio e agora está na ESPN), eu próprio entre outros não menos importantes.
Paulo Solariz e sua obra
Quando a história do troféu de Paulo Solariz começou a ser veiculada, a cúpula do site achou que seria legal uma matéria sobre o assunto e designou um de seus membros para criar o texto.
Durante o processo de pesquisa sobre o artista e seu trabalho, o rapaz encarregado (do qual não direi o meu nome) encontrou no site do ateliê um telefone para contato.
Teve a grande ideia de ligar e tentar fazer algumas perguntas e assim agiu.
Tudo correndo muito bem. O artista foi muito simpático e solícito oferecendo até algumas fotos para ilustrar a matéria. Porém, ao fim da pequena entrevista, o candidato a repórter ouviu do entrevistado a seguinte pergunta: “-Posso ajudar em algo mais?” e após pensar um pouco (ou não pensar nada, o que é mais provável) perguntou de forma um pouco hesitante: “-As pedras que estão incrustadas nos troféus e são do pré sal... Elas são salgadas?”.
Um silêncio que pareceu eterno fez com que o perguntador se desse conta do absurdo perguntado, mas o espírito do entrevistado salvou a situação. “-Então... Eu pessoalmente não lambi, mas... Talvez alguém aqui tenha feito esta besteira. Se quiser eu...”.
Foi cortado de imediato com um pedido de desculpas agradecimentos mil e som do telefone sendo desligado.
Claro, esta parte não saiu no texto final no site... Ainda bem.

12 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2008, o churrasco da Honda

O ano de 2008 havia sido terrível.
O aproveitamento da Honda só não foi pior que o ano anterior em que os carros disputaram o campeonato com uma pintura esverdeada do mapa mundi.

A piada corrente era que tinha o mapa mundi por que demorava 365 dias para dar uma volta em qualquer circuito de tão lento.
E a incerteza campeava os lados da escuderia japonesa. Ninguém sabia se continuaria na categoria ou não em 2009 e o que seria de seus dois pilotos: o ninguém liga Jenson Button e Rubens Barrichello que havia se mandado da Ferrari para ajudar o projeto da Honda F1 a deslanchar.
Evidentemente, não deu muito certo para nenhum dos dois (equipe e brasileiro).

Chegaram ao Brasil em uma posição ridícula para um nome de tradição como a Honda: 14 pontos.
Sendo onze de Barrichello e apenas três do outro cara.
Na classificação, Rubens leva a melhor – se é que isto pode ser bom – e consegue largar em décimo quinto, duas posições a frente do companheiro de equipe.
Fazem uma corrida extremamente discreta, para não dizer decepcionante chegando uma volta atrás dos lideres.

Mas qual a grande coisa sobre esta corrida para a Honda e seus pilotos?
Após a prova, ao encostar nos boxes, o carro número 16 pilotado por Jenson Button se incendeia. Sozinho, como se fosse uma reles Ferrari e, enquanto os mecânicos corriam para tentar apagar o fogo e salvar o carro, John Button, pai de Jenson observa a cena e põe a pedra lapidar sobre aquele ano miserável: “-Deixa queimar esta merda...”.

Quem diria que no ano seguinte, após a montadora nipônica deixar o barco nas mãos de Ross Brawn, o inglês dominaria mais da metade do campeonato de forma absoluta e garantiria o título com um projeto em que os próprios japoneses não acreditaram.
Coisas do automobilismo.

10 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2006, o último show de Schumacher

Dois mil e Seis...
O ano do segundo título de Fernando Alonso e da primeira vitória de Felipe Massa em Interlagos.
Também foi o último grande prêmio do Brasil disputado por Michael Schumacher pela Ferrari, quando o alemão se aposentou pela primeira vez.
Foi seu último grande ato na categoria.

Havia chances matemáticas de que o alemão hepta campeão conseguisse sua oitava estrela no topo de seu capacete.
Eram pequenas, sim... O adversário era jovem, ambicioso, contava com uma equipe que trabalhava totalmente para si e era apadrinhado pela encarnação do capeta em pessoa, mas até o desfecho da corrida ninguém ousava dizer que era impossível.
Michael dependia de uma composição de resultados que consistia em ter que vencer a corrida e que o asturiano não marcasse pontos.
A coisa ficou ainda mais complicada quando no Q3 dos treinos de classificação o alemão ficou sem tempo.
Aparentemente nem ele e nem sua torcida pareceu se preocupar já que no Q2 o alemão havia marcado um tempo melhor até que o tempo oficial da pole posítion de seu companheiro de equipe, Felipe Massa.
Nem mesmo com Fernando Alonso largando na quarta posição e já na décima volta ser o terceiro colocado.

Michael que havia largado em décimo e no fim da primeira passagem pela reta oposta já havia feito duas ultrapassagens.
Mais algumas voltas e o alemão já era o quinto, mas um pneu furado o mandou para a última posição.
Fim das esperanças de título, mas começo do show.
Schumacher pilotou como um alucinado tirando de sua Ferrari tudo que poderia dar e um algo a mais.
Ultrapassou gente em todos os pontos da pista (lembrando que ainda não existia DRS) incluindo seu sucessor no time vermelho, Kimi Raikkonen, no fim da reta de largada de forma espetacular e – até certo ponto – humilhante assumindo a quarta posição nas ultimas voltas da prova.

Para coroar a apresentação, ainda fez a volta mais rápida da corrida. (1.12:162 no giro de número setenta)

O alemão se aposentou das pistas (esqueça seu comeback pela Mercedes, não conta) deixando nos fãs – dele e da categoria – um gosto de quero mais e a certeza de que aquele piloto contestado por muitos era um dos personagens mais importantes da F1 em sua era pós-romântica.
Todo o resto sobre ele é dor de cotovelo.
E deste mal não sofremos.

9 de nov de 2015

Histórias do GP do Brasil: 2008, a última pancada de David Coulthard

Quando se fala em semana do Grande Prêmio do Brasil em Interlagos automaticamente se pensa em Senna, certo?
Em termos...
Sim, é emocionante lembrar de Senna saindo do McLaren nos braços da torcida, no “drible do carro” aplicado em Damon Hill, na vitória com marchas faltando (que até hoje Piquet contesta e tendo a concordar com ele), mas há vida sem Ayrton na corrida brasileira.
A última corrida de Schumacher na parceria mais que vitoriosa com a Ferrari (2006), a primeira vitória de Massa (2005), os títulos de Kimi Raikkonen (2007/único) e de Hamilton (2008/primeiro), mas nenhuma destas – que serão crônicadas durante a semana – é tão engraçada, icônica e tão representativa do fim de Carrera de um piloto quanto a última corrida de David Coulthard na categoria.

Coulthard nunca foi cotado a ser campeão desde que debutou na categoria substituindo Ayrton Senna após o fatídico fim de semana de Imola/94. Muito embora tenha sido vice-campeão em 2001 e por quatro vezes o terceiro colocado na classificação geral.
Carismático, subiu ao pódio em Mônaco com a capa do Superman e ganhou a simpatia de todos os fãs da F1.

Porém, em 2008 - seu último ano - se tornou uma piada, não muito engraçada e um tanto perigosa.
Provocava pequenos acidentes e batidas em quase todos os fins de semana de prova fosse nos treinos, classificação ou corridas.
Obteve a melhor colocação durante o ano (terceiro lugar no Canadá) e cinco abandonos por acidente.
Ainda assim – ou por isto mesmo – quando em junho anunciou que após a última corrida da temporada se aposentaria, ganhou homenagens de todos os pilotos e da FOM sendo autorizado a disputar a última corrida da carreira - exatamente no Brasil – com um carro de pintura diferente do companheiro de equipe.
O escocês alinhou sua Red Bull RB4 para o fim de semana com uma pintura branca que trazia, em vez de seus tradicionais patrocinadores, o símbolo e o endereço eletrônico da fundação Wings For Life, que atua na pesquisa para cura de lesões na medula.

Obviamente que tudo isto teve seu valor e teria obtido muito mais sucesso se a corrida de David tivesse durado mais que os menos de quatrocentos metros que durou abreviada por mais um acidente dos tantos e corriqueiros causados pelo escocês.
A piada da época era que David teria escolhido aquela fundação por ter grandes chances de, se não pessoalmente, enviar alguém para que se beneficiasse das pesquisas.
Maldade era pouco...

5 de nov de 2015

O poço não é tão fundo que não possa ter um subsolo

Uma figura estranha, com jeitão de gringo, subia a ladeira do Pelourinho vestida de agasalho esportivo – apesar do calor de Novembro – com capuz e tudo.
Desconfiado, olhava de um lado para o outro, aparentemente preocupado se alguém o reconheceria ou não.
Em um sobrado na ladeira histórica, mal conservado como só os prédios históricos brasileiros costumam ser, atravessou o umbral sem hesitar, subiu as escadas de forma decidida. Lance por lance.
Passou sem olhar para os lados e nem prestou atenção à fauna exuberante que habitava e frequentava o casarão.
Punguistas, prostitutas, cafetões, travestis, populares, políticos, artistas famosos e infames...
No sétimo andar, chegou à porta que o indicaram.
A cortina de bilros e rendas imaculadamente brancas, a mesa coberta por uma fina toalha de seda com um jogo de búzios ao centro, o forte cheiro de incenso e som de tambores ao fundo... Tudo como haviam dito que encontraria.
-Não posso estar errado. Este é o lugar.

Esperou pacientemente por dez minutos até que outra figura, vestida com um longo abada branco entrou no recinto.
Sentou-se sobre um amontoado de almofadas e acendeu um charuto.
Embora não tivesse aparência de importado, o aroma mostrava que era um bom charuto.
-Então suncê chegou! – disse a figura dando uma baforada no charuto. Sabia que viria desde o momento em que a ximbica te deixou na mão. Duas voltas? Aquilo foi a gota d´água.
O gringo nada disse, apenas assentiu com a cabeça.
-Mas eu tenho boas notícias pra suncê.
-Os olhos do gringo brilharam.
-Eu não vou pedir nada... Nem oferenda, nem despacho... Aliás, vou pedir sim... Vou pedir para suncê ter paciência.
A expressão no rosto do gringo era de questionamento.
-Paciência sim... A vida é uma grande roda, uma hora a gente está em cima, na outra a gente está embaixo. E se às vezes parece que estamos em baixo por tempo demais é que a nossa roda é maior que as outras. E se move mais lenta. Não tão lento quanto sua ximbica, mas lento.
-Só tenha paciência, você vai voltar a andar na frente, a vencer... E pode até ser com uma ximbica destes teus parceiros de agora mesmo, que nada é impossível.
Quando o gringo fez menção em se levantar e pegar a carteira foi contido.
-Não precisa. Só me prometa que quando suncê voltar a estar entre os gigantes, não vai ser trouxa e nem ser tão pequeno e babaca quanto um serzinho desprezível que se acha grande agora e fica fazendo declaração “polemiquinha” com pessoas que não podem se defender no momento... Tenho sua palavra?
-Por supuesto!

E o gringo sai do prédio em direção ao aeroporto, onde pegará um voo para S. Paulo, onde espera ter apenas mais um capítulo ruim na história deste ano tão difícil.

3 de nov de 2015

Lado B do GP: México engraçado

México não tem lado B, tem lado mariacchi.

E os mariacchis já tocaram logo na largada quando o pneu do Vettel furou.
Para quem estava esperando um problema entre os cones da Mercedes... Deu ruim.
E não era o dia do Vettel.
Os mariacchis voltaram a tocar quando rodou sozinho.
Voltou. É verdade, mas a porcaria já estava feita.
E mais, na briga com Pastor Maldonado conseguiu passar reto em pelo menos umas três curvas.
Não contente tomou bandeira azul. Virou retardatário no meio da prova.
Coroou a péssima corrida porrando o carro no muro.
É que Vettel é alemão, se fosse finlandês diríamos que já tinha consumido tequila José Cuervo e Cerveza Corona antes da largada.
Ou, quem sabe, por ser alemão e ter tomado é que fez tanta besteira.
Se fosse finlandês guiaria até melhor.
Haja mariacchis.

Alonso abandonou na segunda volta.
Mas até ai tudo bem.
Do carro do Alonso - como já disse - não se espera nada além de vergonha mesmo.
Difícil foi entender a declaração do asturiano de que a única equipe que pode alcançar a Mercedes é a McLaren.

E Kimi tomou o troco.
O toque com Bottas desta vez só acabou com a corrida do finlandês mais velho.
Aquela máxima de que Deus protege crianças e bêbados teve sua falha.
Ou será que desta vez o Bottas tinha bebido mais que o Kimi?

E o lado mais B da corrida foi o pódio, obviamente.
Cone#6 ganhando quando não vale mais nada.
Cone#44 com aquela cara de “tanto faz”.
Bottas feliz não com o terceiro lugar, mas por ter ferrado com Kimi.
E todos com aqueles sombreiros horríveis.
Era melhor ter colocado o boné do Chaves.

1 de nov de 2015

F1 2015: México sonolento

O México passou muito tempo fora do calendário e isto é lamentável do ponto de vista histórico.
Melhor o autódromo mexicano que qualquer pista feita no paint brush do Tilke. Mesmo com o assassinato da Peraltada, ainda assim é melhor que Abumdabi, Russia, COTA e afins.
Ah, e some-se o assassinato da Peraltada à pena final do alemão em seu julgamento.
Que queime no inferno do Bahrein.

A largada foi limpa demais onde se esperava alguma confusão na freada forte da primeira curva.
Confesso que decepcionou.
Apenas um pneu furado (do Vettel) e o Alonso abandonando na segunda volta é pouco.
Principalmente por ser o Alonso que tem um carro do qual não se espera nada além de vergonha mesmo.

E então começou o mode automatic da corrida.
Ninguém atacava ninguém, as paradas de boxes não surtiam lá grandes efeitos e o miolo travado do circuito dava a falsa impressão de falta de velocidade.
Algumas ultrapassagens no pelotão intermediário e só.
Pouco, mas na média de pistas com esta configuração e detonadas por vocês sabem quem.

O campeão deste ano, Cone#44 acompanhava de perto a liderança de seu companheiro de equipe, o Cone#6.
Comboiando aparentemente sem nenhuma vontade de ir à luta.
Tipo: “-Corre trouxa, ganha ai... Não vale mais nada mesmo...”.

O acidente entre Kimi e Bottas teve o gosto de revanche.
Se na Rússia Kimi ferrou a corrida do Bottas, no México foi o contrário.
Total culpa do finlandês da Ferrari.
Guerra civil na Finlândia empatada pelo placar de um a um.

Vettel fez caca a prova toda.
Terminou com a Ferrari porrada em um muro do autódromo.
Estamos acostumados a ver Maldonado ou Perez com corridas tão ruins...
Do Vettel é surpresa.
Safety na pista era a esperança de um pouco mais de ação, mas também falhou miseravelmente na intenção.

Seguiu a monotonia até a bandeirada final quando Cone#6 passou na mesma posição em que largou.
Agora que não valia mais nada (e não me venham com vice-campeonato) o cara ganha.
Mas posso apostar: o dedo de mandar inverter posição do Toto Wolf coçou no bolso... Ah coçou.

A pista é bonita, o traçado é legal, mas se for para proporcionar corridas como esta, o México pode ficar mais alguns anos fora do calendário que ninguém vai ligar.

30 de out de 2015

Combustível para o fogo

O ambiente pesado – como convém a um velório – só foi quebrado devido à chegada de amigos mais íntimos do morto.
-Cirrose? – perguntou um à viúva.
-Falência múltipla dos órgãos. – respondeu ela entre prantos.
-Cirrose... – vaticinaram os outros amigos.

Silveira era a alegria das festas. Com ele o riso era garantido não importando o que fizesse para extraí-lo das pessoas.
Cheio de surpresas e histórias costumava agregar os amigos a elas sem nenhum aviso.
Turbinava-se com litros e litros de destilados e fermentados.
-Era um cu de cana. – disse outro à viúva que corou.
-Bebia só um pouco.  – tentou consertar um parente não muito próximo.
-A cada dez minutos sim: ai bebia um pouco... – todos tentaram em vão segurar o riso.

-E naquela festa da firma? – alguém lembrou.
-Quando se fantasiou de Papai Noel, mas esqueceu de por as calças?
-Sim... – e os risos foram abafados, mas espontâneos.
-Quando foi alertado que estava sem as calças ele se saiu muito bem...
-Foi, foi... Disse: “-Acho então que ninguém vai querer pegar os presentes no saco!”.
-Coisas da bebida...
-Era um cu de cana...
E todos assentiram com a cabeça diante da viúva ainda mais corada.

-Aquele dia quando pulou o balcão da padaria para se servir, lembram?
-Claro... Um cliente chegou dizendo que queria comer um americano com coca-cola.
-É e o safado disse que o Almeida não era americano, mas sabia falar inglês muito bem...
-O Almeida não achou graça...
-Não. Mas curiosamente foi visto com o cara da padaria várias vezes depois...
-Mas o Silveira sempre que podia dizia que o Almeida não era viado.
-Verdade... Mas quando enchia a cara falava que o Almeida era uma lésbica vestida de homem full time.
-Era um cu de cana...

Enfim, o velório vai chegando ao fim e começam os procedimentos para a cremação.
Todos confortam a viúva que a estas horas já anseia pelo fim da cerimônia. Quanto antes se livrar dos amigos do marido, melhor.
-Bem... Lá se vai ele. Esta é a única festa em que ele não apresenta nenhuma surpresa ou brincadeira.
-Verdade, se bem que um velório não é uma festa propriamente dita.
-Com o Silveira era... Ô se era...
-Por que ele escolheu ser cremado? – alguém perguntou à viúva.
-Ele disse que era para que tudo fosse bem rápido. – respondeu.
Todos concordaram.
Porém quando o corpo foi colocado dentro da pira crematória, estranhamente uma bola de fogo surgiu como se algo muito inflamável fosse atirado às chamas de repente. Talvez alguém tenha se descuidado com algo ou deixado algum produto inflamável perto demais...
Para espanto geral, apenas a viúva se pronunciou: “-Era mesmo um cu de cana... Ai o resultado.”.
Todos concordaram.


29 de out de 2015

Sem motores para a Red Bull

Outra fornecedora de motores se negou a ceder motores para o time dos enlatadores de xixi de boi: a Honda seguiu o veto da equipe parceira oficial, a McLata e disse não.
A justificativa de Eric Boullier é que foi hilária.
 “-Negando motores a eles é a nossa única chance de sermos campeões.”.
(gargalhadas insanas antes de continuar)

(recuperando o fôlego)
 A Mercedes – que também já havia se negado a fornecer motores para os tetra campeões mundiais - disse recentemente que só havia duas condições a ser seguidas para que fornecesse seus motores.
Que eles não fizessem nada contra a vontade da Renault.
O que não é nada impossível...
Não fazer nada contra a vontade da Renault é fichinha, a montadora francesa não tem vontade nenhuma. Anda na categoria ao sabor do mercado.
Vende carros, fica, dá vexame e tudo.
A crise aperta e as vendas caem, sai fora e diz que não tem como sustentar time na F1.
Já que eles não fossem melhores que o time oficial alemão não ia ser tão simples.
Não ser melhor que a Mercedes é jogo duro.
Basta lembrar os carros comedores de pneu e bebedores de gasolina que serviam a Schumacher e ao cone#6 antes do chilique dos alemães contra a FIA e a FOM ameaçando ir embora da categoria se não começassem a ganhar logo.
Depois os pilotos...
Com carros minimamente iguais, os dois cones prateados seriam engolidos por sorrisão e russo de uma forma vertiginosa.

Será então por isto que a Williams não ganhou provas este ano?
Será que é por este motivo que os pitstops do time do Sir Frank são tão ruins?
Será que a Williams também teve que engolir esta clausula para receber os motores?

28 de out de 2015

México lindo (?)

O México não sedia um GP de F1 desde 1992, ocasião em que foi vencida pelo bigodudo – meio trouxa – mor da categoria: Nigel Mansell.
De lá para cá, ao que parece, o próprio autódromo Hermanos Rodrigues também não recebeu mais nenhum tipo de competição.
E como diz o ditado adaptado: autódromo vazio, oficina do diabo.
E lá veio o capeta mexer no traçado da pista.
A curva mais desafiadora e perigosa do lugar foi substituída por uma – adivinha? – chicane. E com um ângulo reto de noventa graus que é pra ficar mais lento ainda.
E ironia das ironias: batizou a bizarrice de Nigel Mansell, que pode até ter sido bem burro, mas nunca foi lento.
Mas fora isto, há outras coisas sobre o México que são bacanas de se citar numa semana pré-corrida.
Alguns bons pilotos mexicanos existiram claro... Os tais hermanos: Pedro e Ricardo Rodriguez que dão nome ao autódromo.
Também teve Héctor Rabaque e Moises Solana.
Como nenhum país é perfeito, também teve Esteban Gutierrez e atualmente Sérgio Perez.
O México tem apenas duas vitórias na F1, ambas com Pedro Rodriguez.
1967 em Kayalami na África do Sul pilotando um Cooper com motor Masserati e em 1970 na Bélgica com um BRM.

Mas bom mesmo, vindo do México são outras coisas.
O chilli,os tacos, os burritos.
Speedy Gonzales; a comemoração maluca do Dia dos Muertos.
Se a corrida de reinauguração do país no calendário da F1 for algo parecido com qualquer destes itens a diversão está garantida.
Embora, se bem conhecemos qualquer coisa mexida pelo cramulhão alemão, periga a corrida ser tão chata quanto um concerto de mariachis.
Ô coisa chata do caramba.

27 de out de 2015

Lado B do GP: EUA

Paçoca não é impermeável.
Logo, assim que largou, antes da primeira curva, cone#6 entrega a dele para o cone#44.
Toto Wolf ri sozinho nestas horas.
Kimi foi passear na brita.
Curiosamente, Raikkonen gosta de molhado...
Ah, mas é de outro tipo. Desculpa aê.
Mas conseguiu voltar, o que prova a máxima que Deus protege crianças e bêbados.

Massa rodou sozinho.
Nasr tocou com o companheiro de equipe.
Tarde nada boa para os brasileiros.
Porém... Quando foi boa nos últimos tempos?
Fim de semana para se esquecer na Williams.
Um duplo abandono fazia tempo que não rolava.
Mas ainda assim melhor que o Kimi.

O futuro da F1 é Hulkemberg.
Prevejo dias bem difíceis para a categoria.
Ricciardo que o diga...

Mas a maior das ironias foi a confirmação de que uma chuva deixa tudo muito louco foi o fato das duas McLatas estarem dentro da zona de pontos.
O que nos deixa triste já que perdemos os rádios com as tiradas do Alonso Sincerão.

25 de out de 2015

F1 2015: EUA - Por um furacão em cada pista do Tilke.

A F1 sempre quis os EUA.
Já os EUA nem tanto...
Aos americanos a F1 parece coisa de europeu afetado. Para não dizer afeminado.
Alguns dos vexames mais bacanas da categoria foram em solo americano tendo como suprassumo a corrida de seis carros.
Do outro lado também tem piada: A USF1 que foi sem nunca ter sido; Michael Andretti, Scott Speed; grande prêmio de New Jersey...
Agora, ainda que por motivos de força maior, uma classificação no dia da corrida e sem Q3.
Fora a grande probabilidade de uma corrida insossa como sempre acontece no autódromo “copy and paste” do COTA.
É muito idiota a ideia de pegar boas partes de outros circuitos (S de Suzuka, subidão da Áustria e afins) e colocar tudo num terreno só.
Só poderia funcionar na cabeça esquisita de um alemão que não têm concorrentes e de uma categoria que aceita qualquer porcaria como pista.
Ou com a rebarba de um furacão pairando sobre o lugar...

E foi assim a prova em Austin: com a rebarba do furacão.
Na largada - como previsto - cone#6 não suporta pressão e entrega a paçoca com menos de quinhentos metros de pista.
Toma uma espalhada do cone#44 e perde cinco posições.
Ainda na largada os dois Williams se dão mal. Também os dois Sauber e a sujeira destes últimos trás para a pista um safety car, mas virtual Daqueles que não aproximam os carros e não servem pra nada.

Quando a água começou a sumir do asfalto, os pneus de chuva se esfarelando a corrida ganhou mais ânimo.
Troca de posições entre os cones da Mercedes com especial atenção do Daniel Ricciardo logo atrás só esperando um enrosco qualquer. Que não veio e não viria nunca.
Não na administração do Toto Wolf.
E uma providencial travada de motor da Sauber de Sony Ericsson trouxe o safety car – o real – para a pista e embolar todo mundo de novo.
Não há corrida de carros nos EUA sem bandeiras amarelas e safety car.

Na relargada Vettel continua voando
Já vinha dando show desde a largada e foi sem dúvida o nome da corrida.
A batalha com Ricciardo foi a melhor da prova.
Pena não tivesse nem pneu e nem carro para se manter competitivo quando as Mercedes precisaram parar para trocar pneus.
E dá-lhe safety car. Kvyat rodou sozinho e quebrou o nariz do carro.

Quando a corrida maluca se estabilizou (só um pouco, foi doida até o fim) o cone#44 estava na frente do cone#6, o que era suficiente para ser o campeão na pista americana. Vettel era o terceiro e ameaçava o título, mas o cone#6 protegeu o patrão direitinho.
Foi justo?
Pelo carro sim, pelo piloto nem tanto.
De qualquer forma, é sempre bom ver um cara comemorar com o gosto, com a vontade e a emoção que Hamilton comemorou ao fim da prova.

Ps.: Por um furacão em cada corrida em pista do Tilke
Ps 2: Chupa Globo.

22 de out de 2015

E se Marty McFly gostasse de F1?

Ontem foi a icônica data em que – no filme dois – Marty McFly chegaria do passado.
Todo mundo brincou, todo mundo fez piada e muita gente (nerds, gente bacana que eu gosto muito) comemorou de verdade.
Mas e se McFly fosse fã de F1?
O que será que ele ia pensar quando desse uma olhada nas noticias da categoria?

Para começar, das 17 equipes que disputavam o mundial em 1985, hoje só existem três: McLaren, Williams e Ferrari.
Não... Não vamos contar a Lotus de hoje como se fosse aquela Lotus de 85. Não tem nem cabimento.

Em 1985 o pior traçado era em Detroit e aquela corrida atendia pelo título de GP dos EUA Leste.
Holanda, África do Sul, Portugal, San Marino e França hoje nem fazem mais parte do calendário.

Certamente seria fã de Senna, quem não é?
Certamente seria fã de Prost...
Certamente seria fã de Vettel.
Mas na boa? Será que seria fã de Button? De Jaques Deusmelivre?
Será que ao ver como e com que carro o Cone#44 ganhou cada um de seus títulos ele entraria no oba oba de “afro Senna”?

Em 1985 o maior vencedor ainda era Juan Manuel Fangio com seus cinco títulos.
Quando lesse que o maior vencedor era Michael Schumacher com sete estrelas se espantaria, com certeza.
E ainda mais espantado ficaria quando soubesse que um grupo (muito especial) de pessoas consegue pensar que três é melhor que sete.
E que este mesmo grupo passa a odiar metodicamente qualquer piloto que ultrapasse o número três em conquistas de mundial.

E os motores de cortador de grama misturado com aparelho de dentista?
E as traquitanas eletrônicas e as asas móveis.
E os traçados do Tilke?
 Mas Marty McFly era americano e aparentemente dos mais tradicionais.
Sorte dele.

21 de out de 2015

Apanhadinho antes dos EUA

Maldonado disse que a diferença entre a Ferrari e a Lotus é meramente financeira.
Então, se colar alguns milhares de dólares na carroceria da futura equipe Renault a coisa se equilibra.
Motor, aerodinâmica... Pra que?

Aliás, a diferença entre Maldonado e Vettel é meramente o cabelo.

Diretor da Mercedes declarou que o Cone#44 sempre foi um piloto especial.
A diferença entre esta versão que se senta no cockpit da Mercedes e o que dirigia pela McLata é o tratamento.
Na Mercedes sempre tem alguém para limpar a baba, ajeitar o bonezinho... Estas coisas.

Bernie Ecclestone, aquele, disse que se depender dele, rasga a regra de motores e que as equipes teriam de adotar os V8 já em 2016.
Nestas horas eu queria ver a cara daqueles tipos que vivem dizendo que Bernie é um tirano, um ditador...
E queria também que ele fosse mesmo.

PNC destes motorezinhos de dentista com eletricidade

E mais uma vez a transmissora oficial da F1 no Brasil não vai apresentar ao vivo o GP dos EUA em Austin.
Faz falta?
Pela comodidade até faz... Ver na TV é melhor que ver na tela do computador, mas... Foda-se.
Temos internet, temos bons streamings da Sky F1 e ainda transmissões de rádio pela internet das Rádios Bandeirantes e Bradesco FM.
PNC da Globo.