11 de dez de 2015

Capeta´s business

Nos anos setenta todo mundo era “ocultista”.
Encontravam mensagens subliminares nas letras, nas músicas... E em alguns casos, se rodassem os discos para trás as mensagens eram diretas.
Veio o Black Sabbath e escancarou a coisa.
De ocultistas, passaram a satanistas.
Segundo Ozzy em seu livro I`m Ozzy (Eu sou Ozzy, Ed, Benvirá/2010) a intenção era levar para a música o clima dos filmes de terror que tanto faziam sucesso na época, e como no primeiro disco a coisa deu certo, continuaram a fazer “música de terror”.
E Tony Iommi no seu Iron Man (Iron Man, minha jornada com o Black Sabbath, Ed, Planeta do Brasil/2013) quando foi necessária a troca do letrista principal (Geezer Butler) os novos parceiros nas composições já chegavam com a ideia de que sendo o Black Sabbath, fazer as letras era só sair falando do cramulhão e pronto.
Outros vieram na esteira e muitos pegaram a fama sem merecer, caso do Kiss.
Chegou-se a dizer que o nome da banda era uma abreviação para Kids in Service of Satan.
Pura besteira.

Mais a frente o tal rock capetista veio a ter outros representantes que usavam o teatrinho para causar espantos, chocar bobinhos, impressionar fãs e, claro, vender discos.
O Venom com suas letras explicitas e o Slayer encabeçam a lista.
O primeiro era realmente difícil levar a sério, mas uma olhada no visual dos caras do Slayer e as pessoas realmente ficavam com dúvidas.

Mas elas logo acabavam quando se lia alguma entrevista da banda e seu cantor Tom Araya se dizia católico praticante e tudo o mais.
Para os que duvidavam das palavras escritas, o documentário Metal, uma jornada pelo mundo do heavy metal (Metal, headbanger´s journey de Sam Dumm e Scott McFayden/2005) disponível no Netflix, joga a pá de cal no assunto quando o entrevistador pergunta a Araya sobre a letra de (Deus odeia todos nós) e pergunta se ele realmente pensa daquela forma.
A resposta? “-Não! Deus não nos odeia, ele nos ama, mas convenhamos... Este é um grande título não?”.

Agora, já em 2015, o artifício continua sendo usado por N grupos de rock.
Uns mais pesados, outros mais leves... Uns de caras limpas, outros mascarados...
Mas se fosse para escolher um nome que estivesse levando o “modus operandi” do Black Sabbath ao status de arte e dar um troféu, este seria o Ghost.
Tão satânico e perturbador quando o romantismo alemão do início do século XIX na literatura, mas embalados em peso e melodias.
E vendendo muito, o que prova que o capeta nunca sai de moda.

Um comentário:

Marcelonso disse...

Groo,

Como alguem já disse: "nada se perde, nada se cria, tudo se copia"

abs