22 de nov de 2017

F1: Agora é melhor não ter ninguém - ou - O legado brasileiro

Assim que Felipe Massa descer sair do carro em Abu Dhabi (seja após a corrida ou durante, vai saber...) uma era vai se encerrar.
Desde que Emerson estreou na F1, nunca deixamos de ter ao menos um piloto durante as temporadas seguintes.
Protagonistas, coadjuvantes ou simples figurantes, sempre havia um “candidato a próximo Senna” na pista.
Não para os amantes da categoria, que conhece os meandros da competição e disputa e não se engana com o ufanismo meio bobo que a emissora oficial imprimia às suas chamadas e transmissões. Mas enfim...

Provavelmente voltaremos a ter um representante no grid e já em 2019...
As apostas mais seguras seriam Sérgio Sette Câmara, que está na F2 e o neto de Emerson Fitipaldi, Pietro, que conta com o sobrenome poderoso.
Talento?
Ambos têm, mas se é para a F1 aí já é uma outra história...
Mas... Se chegarem até a F1 como se espera dos dois, valeria a pena?
Vale a pena ter pilotos no grid apenas para fazer número e não peso?
Vale a pena, para o torcedor, entenda, ter pilotos brasileiros apenas para fechar grid e andar em carros sem nenhuma esperança de sucesso a médio prazo? Contando com a sorte de fazer uma ou duas corridas excepcionais e chamar a atenção de times de meio de grid?
Já foi dito varias vezes que o torcedor comum (de padaria) não gosta de F1, mas de vitórias e isto é muito fácil de se constatar pela quantidade incrível de chorume postada nas redes sociais em dias de corrida.
Quando é a vez do GP do Brasil então, fica quase insuportável ler comentários nos portais de automobilismo e sites de notícia.
“-Bom era no tempo do Senna.”, ou, “-A F1 acabou quando Senna morreu.”.
E ainda a minha preferida: “-Como Senna não vai ter outro.”.
Ainda bem... Entendam como quiser.
Mas, ao menos por enquanto, é bom e vantajoso apenas para os pilotos estarem na F1, para a torcida nem tanto.
Para não ser radical logo e dizer que é até melhor não ter nome nenhum...
Isto pensando em nomes muito fortes como Charles Leclerc, que dominou com mão de ferro a F2 e vai correr 2018 pela cadeira elétrica da Sauber.
Ok, ele é piloto Ferrari e está no time suíço apenas para acumular rodagem, mas é muito mais fácil queimar uma imagem que construí-la.
É capaz de ser eclipsado por Pierre Gasly ou mesmo Antônio Giovinazi, que podem até não ter o mesmo talento nato, mas estarão em assentos bem mais competitivos.

Mas o Brasil não vai se despedir da F1 sem deixar um legado... Além dos três pilotos campeões mundiais há também gente da estirpe de Barrichello, apesar de toda a zoação, Felipe Massa, heróis como Roberto Puppo Moreno, José Carlos Pace, Wilson Fitipaldi...
Todos patrimônios da história da F1 como um todo.
Mas, de imediato, o legado mais visível será o aumento do preço dos seguros de vida para pilotos de F1, já que Massa sai das pistas para dar lugar à Robert Kubica.
Entenda, novamente, como quiser.

20 de nov de 2017

Brasileiros que poderiam estar na F1 em 2018

Reginaldo Troiano:
Nascido em Goiânia-GO, começou no automobilismo aos cinco anos pilotando um triciclo velotrol. Ousado, foi o primeiro a fazer curvas apenas em duas rodas.
As outras crianças de sua idade choravam ao vê-lo ganhando todas as corridas.
Pilotou bicicletas e fazia o menor tempo no circuito de entregas de jornal de seu bairro.
Aos quinze debutou no kart; fez carreira rapidamente sendo campeão já em seu primeiro ano.
Passou aos Fuscas e depois para os carros de formula.
Seu sonho? Claro... Um dia chegar a F1.
Em 2015, dias antes de embarcar para a Europa morreu em um acidente quando o Ford Belina que dirigia bateu na traseira de um caminhão com placas de João Pessoa - PB.

Luca Dabreu Cunha.
Este nasceu em Minas Gerais e não se sabe o que fazia em termos de pilotagem na infância.
Os primeiros registros datam de sua adolescência.
Campeão de “rachas” em torno da Lagoa da Pampulha e de tanto tomar multas com os carros do pai foi matriculado em uma escolinha de pilotagem em São Paulo.
Foi notado pelos pilotos professores que enxergaram nele um grande talento.
Levado a competir por todo o país logo foi contratado por uma equipe de carros de turismo européia.
Resolveu então voltar a Minas dirigindo seu VW Passat para dar aos parentes a boa noticia do contrato para correr no velho continente.
Infelizmente em 2015 colidiu seu carro com a traseira de um caminhão registrado com placas de João Pessoa – PB em plena rodovia Fernão Dias.

Leonardo Bulca Jr.
Vulgo “Bulcão”, oriundo do Rio de Janeiro.
Campeão em todas as categorias em que esteve inscrito despontou para o cenário nacional após vencer uma etapa do rali da Independência.
Levado para fazer testes em equipes da antiga categoria de Opalas Stock Car.
Tinha um estilo selvagem que muita gente chegou a comparar com Gilles Villeneuve. Com um tanto de exagero, obvio.
Convidado a participar de uma das etapas do campeonato da Le Mans Series por uma equipe satélite da Peugeot, comemorou fazendo o trajeto entre São Paulo e Rio de Janeiro em apenas quatro horas pela Via Dutra batendo assim dois recordes: de velocidade e de quantidade de multas por excesso de velocidade em rodovia.
Na volta foi impedido de dirigir – estava com a carteira apreendida – viajou o tempo todo dormindo no banco do carona de uma Mercedes 280 SL que infelizmente se acidentou com a traseira de um caminhão com placas de João Pessoa - PB.
Tinha vinte e oito anos em 2015...

João Jose Olivensa:
Conhecido como Jãosé.
Nunca aspirou ser piloto de competição e nem teve sua vida ligada aos carros.
Quando criança ajudava seu pai em uma oficina de marcenaria em Goiânia.
Com a crise mudou-se para Minas Gerais onde trabalhou como ofice boy por dois anos.
Em 2015, depois de casar-se foi tentar a sorte no Rio de Janeiro, desempregado aceitou a única oportunidade que lhe foi oferecida.
Tornou-se então motorista de caminhão de uma empresa sediada na Paraíba - mais precisamente em João Pessoa - e com escritório e representação carioca.

17 de nov de 2017

Combustível para o fogo

O ambiente pesado – como convém a um velório – só foi quebrado devido à chegada de amigos mais íntimos do morto.
-Cirrose? – perguntou um à viúva.
-Falência múltipla dos órgãos. – respondeu ela entre prantos.
-Cirrose... – vaticinaram os outros amigos.

Silveira era a alegria das festas. Com ele o riso era garantido não importando o que fizesse para extraí-lo das pessoas.
Cheio de surpresas e histórias costumava agregar os amigos a elas sem nenhum aviso.
Turbinava-se com litros e litros de destilados e fermentados.
-Era um cu de cana. – disse outro à viúva que corou.
-Bebia só um pouco.  – tentou consertar um parente não muito próximo.
-A cada dez minutos sim: ai bebia um pouco... – todos tentaram em vão segurar o riso.

-E naquela festa da firma? – alguém lembrou.
-Quando se fantasiou de Papai Noel, mas esqueceu de por as calças?
-Sim... – e os risos foram abafados, mas espontâneos.
-Quando foi alertado que estava sem as calças ele se saiu muito bem...
-Foi, foi... Disse: “-Acho então que ninguém vai querer pegar os presentes no saco!”.
-Coisas da bebida...
-Era um cu de cana...
E todos assentiram com a cabeça diante da viúva ainda mais corada.

-Aquele dia quando pulou o balcão da padaria para se servir, lembram?
-Claro... Um cliente chegou dizendo que queria comer um americano com coca-cola.
-É e o safado disse que o Almeida não era americano, mas sabia falar inglês muito bem...
-O Almeida não achou graça...
-Não. Mas curiosamente foi visto com o cara da padaria várias vezes depois...
-Mas o Silveira sempre que podia dizia que o Almeida não era viado.
-Verdade... Mas quando enchia a cara falava que o Almeida era uma lésbica vestida de homem full time.
-Era um cu de cana...

Enfim, o velório vai chegando ao fim e começam os procedimentos para a cremação.
Todos confortam a viúva que a estas horas já anseia pelo fim da cerimônia. Quanto antes se livrar dos amigos do marido, melhor.
-Bem... Lá se vai ele. Esta é a única festa em que ele não apresenta nenhuma surpresa ou brincadeira.
-Verdade, se bem que um velório não é uma festa propriamente dita.
-Com o Silveira era... Ô se era...
-Por que ele escolheu ser cremado? – alguém perguntou à viúva.
-Ele disse que era para que tudo fosse bem rápido. – respondeu.
Todos concordaram.
Porém quando o corpo foi colocado dentro da pira crematória, estranhamente uma bola de fogo surgiu como se algo muito inflamável fosse atirado às chamas de repente. Talvez alguém tenha se descuidado com algo ou deixado algum produto inflamável perto demais...
Para espanto geral, apenas a viúva se pronunciou: “-Era mesmo um cu de cana... Ai o resultado.”.
Todos concordaram.

14 de nov de 2017

Futuro do Brasil na F1: Vale a pena sonhar em chegar lá?

Pela primeira vez desde que Emerson Fitipaldi estreou na F1, o Brasil vai ficar sem um piloto que o represente no grid.
Pode-se falar que a “culpa” é da falta de categorias de base no país, que há um desinteresse geral pelo automobilismo de competição e outras mil coisas.
Sim! E estas mil coisas podem e devem estar certas.
Automobilismo é um esporte caro e extremamente injusto sobretudo a F1: melhores pilotos dificilmente, raramente, quase nunca vão ganhar dos melhores carros.
E melhores carros nem sempre vão ter os melhores pilotos ao volante.
Ainda assim vencerão provas e campeonatos, porque é assim que é e mais: isto explica Button, Rosberg (pai e filho), Damon Hill, Jaques Villeneuve, Scheckter e Alan Jones com títulos mundiais na F1.

O caminho para o piloto até a F1 é difícil (e caro).
E se for brasileiro a percorrer este caminho, vai ser muito mais difícil (e muito mais caro).
Sair dos karts (que já é caro), passar por competições nacionais sem grande visibilidade de público, (e caras), sem retorno financeiro. Só investimento.
Se não tiver um “paitrocinio” como tinha Senna (que tinha talento, não apedrejem) tem de correr atrás de patrocínio real e aí começa o suplício.
Para empresas privadas investir em algo que alcança apenas um público restrito aos autódromos e que não tem espaço na mídia é considerado (não sem razão) jogar dinheiro fora.
Se não for bem relacionado, fica difícil. Para não dizer impossível.
Só sendo um ‘lance Stroll” da vida...
Assim, conseguir assento nas categorias que podem dar acesso à F1, como os campeonatos de monopostos ingleses ou as fórmulas com chancela da FIA (F3, F2 e algumas outras) se torna quase inalcançável.
Outra forma é fazer parte dos programas de formação de pilotos como os da Ferrari ou da Red Bull.
Nestes, ou se tem bastante talento ou um “quem indica” com muito prestigio.

Mas digamos que o piloto consiga passar por tudo isto e andar bem, não ser um assombro como Charles Leclerc, mas disputar dignamente as categorias de entrada e se colocar em evidencia o suficiente para que um time da F1 o veja e se interesse.
Muito dificilmente será uma equipe de ponta e quase certeza, será um destes times fecha grid onde o cara vai ter que ralar muito, aparecer pouco (e trazer grana, não esqueça) e ainda correr o risco de virar piada para os “torcedores de padaria” para quem a F1 boa era “no tempo do Senna”.
Vale a pena?
Para ajudar a responder, pense no próprio Leclerc citado acima: Dominou a F2 de forma avassaladora, faz parte da academia da Ferrari, salvo engano, mas vai dirigir para a Sauber em 2018 e se não ocorrer um milagre com a equipe, vai amargar as últimas posições e acabar assim tendo mais chances de sucumbir do que de dominar o mundo.
Se pode ser difícil para ele, imagina para os próximos brasileiros...

12 de nov de 2017

F1 2017 - Brasil: palco para show que deveria encerrar o campeoanto

Não interessa se o campeonato já está decidido.
Nem se o vencedor é um cara que a gente não curte tanto...
Não importa que este seja – provavelmente – o último GP do Brasil com um brasileiro na pista.
E importa menos ainda que este único brasileiro disputando tenha chances de ter, no máximo, um sexto lugar como resultado final.
É o GP do Brasil.
É Interlagos e é F1.
Como dizia Fernando Pessoa, o rio que corta minha aldeia é mais bonito que o Tejo, logo, não há pista mais bacana que Interlagos no mundo.
Não é pachequismo e se for, dane-se...

Como grande atrativo, o campeão do mundo partindo da última posição e a tentativa de seu segundo piloto em garantir um vice-campeonato.
E o segundo piloto fez sua parte: um temporal que lhe garantiu a pole logo à frente de Vettel.
Bottas teve um ano decepcionante?
Não...  Ninguém que tem o mínimo conhecimento de como funcionam as coisas na F1, principalmente em times de ponta, apostaria um centavo furado em uma possível disputa dele com Hamilton.
Ainda mais depois que a Ferrari se mostrou uma rival preocupante.
Mas bastou apagarem as luzes para que Bottas sentisse o peso da disputa e perdesse a posição de honra para um Vettel corajoso e arrojado.
A tomada perfeita do S do Senna colocou o alemão da Ferrari na ponta enquanto lá atrás Magnussen, Ocon, Vandorne e até Ricciardo se envolvessem em uma lambança do qual apenas Ricciardo voltou à pista.

Coisas de corrida.
Com gente grossa (exceto Ricciardo) de volante, mas de corrida.
Safety car na pista e muita gente nos boxes trocar pneu e estratégia.
Relargada na volta cinco e Massa aparece em quinto e na décima volta Hamilton já estava nos pontos.

Na volta vinte e nove, rodada de troca de pneus e Vettel leva vantagem sobre Bottas, apesar do finlandês ter parado primeiro.
E Hamilton, veja só... virou líder.
Circunstancial? Era..., mas líder e vindo de último.
Isto, por si só, já deixa bem claro a superioridade do Mercedes que ele guia sobre os demais carros. Incluindo o de Valteri Bottas, que – em tese – é igual ao seu.
Claro que o braço e o momento da carreira contam, mas nem tanto assim.

Hamilton só foi aos boxes na volta 44, colocou pneus super macios e entrou de vez na briga pela vitória.
Tempo, talento e carro sobravam.
Ao mesmo tempo, Daniel Ricciardo, com um equipamento menos vistoso, também dava show.
Ricciardo e Verstappen são, sem dúvida, a melhor dupla de pilotos do grid. Mereciam um equipamento melhor.
Não ganhou a posição, mas pilotou como campeão mundial e deu o show que dele se esperava no início da prova. 

Lá na frente, Vettel vence, dando fim a uma fase de azar que o tirou cedo da briga pelo título.
Em segundo, o segundo da Mercedes.
E o último GP do Brasil para Felipe Massa terminou com ele na posição em que mais chegou: sétimo.
De boas? A despedida do ano passado foi mais digna, mesmo não terminando. 
Ainda assim: Valeu Felipe, mas por favor, não invente de voltar. 

10 de nov de 2017

Despedida em Interlagos

Coulthard nunca foi cotado a ser campeão desde que debutou na categoria substituindo Ayrton Senna após o fatídico fim de semana de Imola/94. Muito embora tenha sido vice-campeão em 2001 e por quatro vezes o terceiro colocado na classificação geral.
Carismático, subiu ao pódio em Mônaco com a capa do Superman e ganhou a simpatia de todos os fãs da F1.
Porém, em 2008 - seu último ano - se tornou uma piada, não muito engraçada e um tanto perigosa.
Provocava pequenos acidentes e batidas em quase todos os fins de semana de prova fosse nos treinos, classificação ou corridas.

Obteve a melhor colocação durante o ano (terceiro lugar no Canadá) e cinco abandonos por acidente.
Ainda assim – ou por isto mesmo – quando em junho anunciou que após a última corrida da temporada se aposentaria, ganhou homenagens de todos os pilotos e da FOM sendo autorizado a disputar a última corrida da carreira - exatamente no Brasil – com um carro de pintura diferente do companheiro de equipe.
O escocês alinhou sua Red Bull RB4 para o fim de semana com uma pintura branca que trazia, em vez de seus tradicionais patrocinadores, o símbolo e o endereço eletrônico da fundação Wings For Life, que atua na pesquisa para cura de lesões na medula.
Obviamente que tudo isto teve seu valor e teria obtido muito mais sucesso se a corrida de David tivesse durado mais que os menos de quatrocentos metros que durou abreviada por mais um acidente dos tantos e corriqueiros causados pelo escocês.
A piada da época era que David teria escolhido aquela fundação por ter grandes chances de, se não pessoalmente, enviar alguém para que se beneficiasse das pesquisas.
Maldade era pouco...

Que a (segunda) última de Felipe Massa não seja igual.

8 de nov de 2017

4 pela vaga

Uma prova foi marcada para o autódromo com pista pasteurizada de Abu Dhabi, local da última prova do ano.
A Williams estava lançando mão de um vestibular para encontrar o substituto de Felipe Massa para a temporada 2018 da F1 já que os testes em pista foram inconclusivos.

Os candidatos eram: Robert Kubica, o porrador apadrinhado por Nico Rosberg; Paul di Resta, o preferido do pai do Stroll; Danill Kvyat, bi demitido e Pascal Wehrlein, que deixará sua vaga na Sauber para Charles Leclerc como vingança não se sabe bem do que.
Todos chegaram cedo aos boxes e foram se ajeitando nos melhores lugares.
Logo em seguida chega a banca examinadora composta por Lawrence Stroll, pai de Lance, titular já confirmado, Claire Williams representando seu pai, o dono da porra toda. Paddy Lowe e Rob Smedley, que é quem ferra com a estratégia da equipe.

O nervosismo toma conta dos pilotos, todos transpiravam muito e Claire percebendo o fato (e o futum) abre uma janela para arejar o ambiente.
Paddy então pega um maço de folhas e faz com que sejam distribuídas entre os quatro e pede para que no momento apenas a assinem.
Depois olha no relógio e diz:
-Assim que soar o sinal começa o exame de avaliação. Vocês terão duas horas para responder todas as questões. Não será permitido cola. Alguma pergunta?
Ninguém se manifestou.
-Boa sorte a todos e que vença o melhor.  – disse tocando um sininho

Todos se empenham. Fazem cara de dúvida. Pensam muito, apagam várias vezes as respostas.
Kubica, mesmo experiente, chega até a furar seu gabarito. Erra várias questões e deve ser reprovado:  Não entende nada de física e quer sempre colocar dois corpos (o carro e os muros) no mesmo espaço.

Pascal Wehrlein também erra muito.
Perguntado quem era Blaise Pascal, o físico que criou o princípio de Pascal que é usado, por exemplo, na construção da prensa hidráulica, disse que não conhecia todos os seus parentes, mas se este aí tinha o mesmo nome dele, é porque era gente boa...

Danill Kvyat erra menos, até sabe quem foi Napoleão, mas o currículo não ajuda. Duas demissões por justa causa e a insistência em citar Putin nas respostas também foi malvista. Lawrence Stroll não quer ninguém por perto que possa querer dividir seu poder.

Duas horas depois, vencedor aparentemente será Paul Di Resta.
Aplicado, bom motorista e chapa do pai do primeiro piloto.
Errou tanto quanto os outros, mas levou a vaga por ser o único que sabia corretamente fazer contas de divisão em que restava um. (tudum psss), apesar de sua explicação pouco ortodoxa da operação que dizia que quando havia este tipo de divisão restando apenas um, este deveria ser o Lance...

O resultado oficial só deve sair após a corrida naquele autódromo.

6 de nov de 2017

Valeu, Massa! (de novo e com ressalvas)

Massa teve um ponto final digno em sua carreira.
Por mais que se possa fazer piada, sua passagem pela categoria mais importante do automobilismo foi sim vencedora.
11 vitórias (todas pela Ferrari)
16 poles positions
41 pódios
3 equipes (Sauber, Ferrari, Williams)
1 molada
1 vice-campeonato (chegou a ser campeão por alguns segundos...)
Pouca gente pode ostentar um currículo assim.
Uma pena que sua última corrida tenha terminado de forma melancólica com uma escapada na pista escorregadia em plena subida do Café.
Coisas de corrida em pista molhada.
O que se seguiu foram cenas inéditas para um piloto de F1 brasileiro.
Seja por forças maiores ou outras circunstancias, nenhum outro foi ovacionado e aplaudido em sua despedida.
Mais a fundo? Nenhum outro teve uma despedida oficial.
Felipe mereceu... Valeu Massa!

Este texto foi escrito para o GP do Brasil de 2016, e o cara resolveu algum tempo depois que voltaria e ainda que isto não invalidasse o que escrevi e senti vendo as cenas de seu emocionado adeus na TV, fiquei com uma pontinha de frustração.
Agora, que ele resolveu que vai se aposentar novamente eu resolvi apenas repostar o mesmo texto.
Mas assim: se não for de verdade desta vez e quando chegar na Austrália em 2018 e Felipe alinhar no grid, seja por qual equipe for, não escrevo mais porra nenhuma quando se aposentar outra vez... E mais: vou até torcer para que se ferre na fila no INPS...
Maledeto.

3 de nov de 2017

Hell

-Mas pastor...
-Nem “mas”, nem meio “mas”. Sinto muito.
-Por favor, o pessoal está animado em gravar com a gente, vão ficar frustrados.
-São jovens, vão superar.
-Mas que mal tem em tocar com a gente?
-Vocês não fazem música gospel. Não dá para misturar o sagrado e o profano.
-Poxa, é tudo música.
-Não, não é tudo música. A que meus meninos fazem agrada a Deus, é feita em seu nome e louvor. A de vocês não.
-Não faz sentido... O senhor já viu nosso contrabaixista tocar?
-Sim, vi...
-Então, o senhor é maestro, entende de música... Ele não é bom?
-Sim, não disse que ele ou mesmo vocês não são bons. São ótimos músicos. Mas não.
-Então... Se o senhor mesmo concorda que ele é bom e que nós tocamos bem, me diga: de onde o senhor acha que vem?
-Que vem o que?
-Nosso talento. Eu posso chamar de talento não posso?
-Pode... Claro que pode.
-Sabia que nenhum de nós estudou o instrumento a fundo?
-Ah não?
-Não...  Estudamos o básico.
-Onde você quer chegar?
-Simples: Nós fazemos música por dom e o senhor mesmo vive dizendo que isto é coisa de Deus. Tô errado?
-Bem... Não. Teoricamente não...
-Então, se nós temos o dom e se isto é coisa de Deus, logo a nossa música deve agradar a Ele, não? Afinal, fazemos aquilo que ele nos mandou fazer.
-Está bem... Tudo bem então... Eu libero o naipe de metal da igreja para gravar com vocês. Os dois trumpetistas, o saxofonista, os trombonistas... Pode avisar a eles que eu liberei para a gravação.
-Obrigado pastor!  Eu vou agora mesmo reunir todos eles e correr para o estúdio.
-Rapaz... Só por curiosidade: o que vocês irão gravar?
-Um cover de um tema de jazz dos Squirrel Nut Zippers.
-Ah... Não conheço. Qual o nome?
-Hell.

1 de nov de 2017

F1 2017: rebordosa da comida (corrida) mexicana

Emerson Fitipaldi declarou que considera Alonso candidato ao título da F1 em 2018.
Ninguém que conheça um pouquinho só de pilotagem ousaria desconsiderar a afirmação.
Tanto por ter sido feita por Emerson quanto por ser sobre Alonso.
Mas é preciso dizer que:
Os motores Renault não são esta tubaína toda e andam quebrando à rodo.
Alonso tem uma urucubaca incubada tão grande que é capaz dos Honda ano que vem equiparem a Toro Rosso e levar a equipe satélite da Red Bull à disputa do título de construtores...
E por último, Emerson também acreditou que era possível ter uma equipe de F1 a partir do Brasil.
Não por ser Emerson, mas por ser Brasil.

O novo chefão da F1, Chase Carey, o popular tiozinho do Monopoly, soltou que Hamilton é o melhor embaixador possível para a F1.
Ninguém que conheça um pouquinho de marketing ousaria desconsiderar a afirmação.
Mas assim... É porque está ganhando.
Se estivesse na mesma posição de Lewis hoje, até Jolyon Palmer iria ganhar este elogio.


Equipe grande segura seus pilotos, certo?
Quase...
A Red Bull pode perder Daniel Ricciardo, aí tanto faz se para a Ferrari ou para a Mercedes, mas pode.
Não seria então a Red Bull uma equipe grande?
É, claro.
Mas pilotar para a Ferrari é o sonho de 8 entre dez pilotos, no mínimo.
E pilotar para a Mercedes, no seu atual momento, equipara-se.
Mas aqui... Perder um nome de tanto peso quanto Daniel Ricciardo e colocar Carlos Sainz Jr. como primeiro da lista para substituição é para por em dúvida qualquer afirmação no sentido de ser grande.


De outro lado, a Sauber deve abrir mão de Pascal Wehrlein (que não paga as contas) e ficar com Marcus Ericsson (que paga as contas, dá gorjeta e ainda ajuda na limpeza) e trazer Charles Leclerc.
Pode não ser time grande, mas pensa grande.
Só fico com dó do Leclerc que dominou a F2 como gente grande e quando acha que vai dar um passo largo na carreira, vai para a F1 andar com carro de fim de grid... Da F2.

Para terminar, a F1 decidiu que os motores serão V6 turbo com recuperação de energia cinética, como era algum tempo atrás com o kers e que os pilotos terão controle de como usar esta energia durante a corrida.
Os motores serão mais barulhentos, terão mais Rpm (três mil, se não me engano) e serão mais baratos.
Darão adeus as atuais, complicados e caras unidades de potência, mas só em 2021.
Por que não já para 2019?
Se fosse algo ruim, já entraria em vigência nas duas corridas que faltam para acabar este ano..., mas como é coisa boa...

29 de out de 2017

F1 2017 - México: o vencedor chegou em nono

Uma das características mais marcantes do México é – além do mito da mulher bigoduda – a comida apimentada.
Chili, tacos, burritos... tudo vai uma pimenta lascada!
Tudo muito bom para acompanhar com a – também ótima – cerveja mexicana. Não importa a marca.
E foi com este paralelo que se deu a largada desta corrida mexicana.

Verstappen ardido de raiva por ter sido tirado do pódio na última corrida e não ter conseguido sua primeira pole no qualy, deu tudo que podia para tomar de Vettel, o pole, a ponta da corrida.
Hamilton, que faz seu melhor ano, sem dúvida, aproveitou a briga dos dois nas primeiras curvas para também mostrar que não está morto e que não iria correr “apenas” pelo quinto lugar para encerrar a disputa do campeonato.
Para azar do inglês, um toque do Vettel em seu pneu causou um furo e ele teve de se arrastar aos boxes caindo para último lugar.
Mas como sorte é artigo abundante, Vettel também quebrou o bico do carro ao se tocar com Verstappen no mesmo lance.
Em duas curvas, o alemão conseguiu tocar seu carro em dois adversários diferentes.

E com ambos caindo para as últimas posições a corrida começa a ganhar ares épicos.
Ao mesmo tempo que Max Verstappen corria livre, os dois vinham de trás passando um monte de gente, mas com metas diferentes.
Enquanto Vettel ardia para chegar ao menos em segundo, Hamilton demorava para começar a largar o fim da fila. Parecia que seu carro tinha algum problema maior que apenas aquele furo no pneu.
Tanto que, na volta 23, tomou uma inédita bandeira azul e teve de abrir passagem para Max Verstappen.
Hamilton também ardia.

Na volta 32 um safety car virtual fez com que muita gente fosse aos boxes.
Hamilton também foi aos boxes, mas continuava na penúltima posição, após contar com a boa vontade de Carlos Sainz Jr. para de deixar de ser o último.
Vettel ficou na pista até a volta 34, quando estava em sétimo e apostou em pneus ultra macios para ganhar o máximo de tempo e posições possível e tentar outra parada mais para o fim da prova.
Na metade da corrida, mesmo ardendo em antepenúltimo, Hamilton ainda estava ganhando o título.

A corrida então entra no modo xadrez.
Enquanto Vettel corria para tentar a segunda posição, Lewis vinha remando para chegar ao menos a décima posição.
Na volta cinquenta e oito, Vettel tinha a quarta posição com Kimi a sua frente, ou seja, tinha a terceira posição, porém, lá atrás, Hamilton ganhava a décima posição e ia sacramentando o título.
Era impensável que – mesmo passando por Kimi de forma fácil, com onze voltas restantes – conseguisse passar por Bottas, o segundo da Mercedes e adiasse a definição até o Brasil.
A vitória ficou com Max Verstappen, mas o grande vitorioso foi Lewis Hamilton.

Para coroar o título, Lewis ainda travou – e venceu – um duelo com Fernando Alonso pela nona posição.
No mesmo dia em que tomou – provavelmente – sua primeira bandeira azul, Lewis se colocou (com justiça) no seleto e apertado clube dos tetra campeões mundiais de F1.
A sua frente, apenas Fangio e Schumacher.
Se número frios enganam quando se fala em melhor, quando se fala em maior não há dúvidas.
E Hamilton se colocou, de vez, entre os maiores.

27 de out de 2017

F1 2017: Novela Mexicana

Fim de semana com corrida no México...  (desanimado) Que legal, uhú...
A pista que já teve lá seus desafios como a Peraltada e uma porrada de bumps, hoje é meio pastiche e um tantinho sem graça.
Desde sua volta em 2015, não rendeu grandes coisas em termos de emoção ou lances memoráveis. Foi apenas mais uma antes do fim.

Desta vez promete ser um tanto diferente já que Lewis pode fechar a tampa do caixão com apenas um quinto lugar.
Se vencer, Lewis se tornará o segundo maior vencedor do GP mexicano com duas vitórias, uma atrás do grande Jim Clark.

Uma curiosidade sobre o GP mexicano bem bacana é que foi nele que, pela última vez, a vitória pode ser creditada aos dois pilotos da mesma equipe, já que após ser desclassificado por ter sido empurrado por fiscais de pista e mecânicos, Clark assumiu a direção do Lotus de seu companheiro de equipe, Trevor Taylor, e recebeu a bandeirada em primeiro lugar.
A prova, que ainda não valia pelo campeonato mundial oficialmente, mas que foi disputada com o regulamento oficial da época tem também como – triste lembrança – a morte de Ricardo Rodriguez, promessa mexicana do automobilismo que junto com seu irmão Pedro, batizariam o mesmo autódromo alguns anos depois.

Outras curiosidades das corridas em Hermanos Rodriguez.


  • A Grã-Bretanha é o pais com maior número de pilotos vencedores: 8
  • Jim Clark com suas 3 ou duas e meia…
  • Trevor Taylor com a outra metade da vitória número 3 de Clark, Grahan Hill, John Surtees, Nigel Mansell e Hamilton completam a lista.
  • O Brasil venceu uma única vez com você sabe quem em 1989.
  • A corrida de 1965 foi retratada no filme Grand Prix, de John Frankenheimer, mas de uma forma sutil: imagens da corrida ganha por Richie Guinter com uma Honda  são mostradas em uma cena em que o personagem Izo Yamura (Toshiro Mifune) assiste o tape da corrida junto com Pete Aron (James Garner) para entender onde foi que ele errou perdendo a corrida para o colega de equipe. 


25 de out de 2017

A americanização que a gente quer

Que americano sabe fazer festa em praça esportiva ninguém dúvida...
O silêncio reverente ao hino, os caças, os paraquedistas... A chamada dos pilotos um por um... Start your engines.
A festa antes da corrida, os shows de música pop (Justin Timberlake e Stevie Wonder) e ninguém, mas absolutamente ninguém que estava no – lotado, sold out – autódromo Circuit of the Américas (COTA) tinha motivos para reclamar.
Aliado a um dia de céu extremamente azul no Texas, ainda que a corrida fosse uma grande chatice, o fim de semana estava ganho.

A F1 precisa deste show todo?
Sim, precisa...
Precisa fazer das corridas um show.
Precisa trazer os pilotos, a corrida, o espetáculo para mais perto do fã que paga – caro – para estar nos autódromos.
Precisa dar ao fã muito mais que a corrida em si, que aliás, às vezes, é bem decepcionante.
E ninguém melhor que os americanos da Liberty e nenhum lugar melhor que os EUA para que isto comece a acontecer.

Ponto para a Liberty, aliás: pontos.
E precisa urgentemente fazer o mesmo em sua perna europeia, tão sisuda quanto tradicional.
Levar este espirito estadunidense para pistas não tradicionais também para que soporíferos como Abu Dhabi, Baku e Sochi finalmente tenham atrativos para chamar o público.
Trazer este tipo de espetáculo para São Paulo, onde o fã paga muito caro e recebe bem pouco.

E para quem não vai aos autódromos, que a Liberty realmente consiga seu canal por streaming, seja a Netflix ou outro qualquer, quem sabe até o próprio youtube, para que não fiquemos reféns da falta de programação ou da boa vontade da transmissora oficial em mostrar tudo isto.
Que venha então a nova F1, que venha a F1 da Liberty.

22 de out de 2017

F1 2017 - EUA: corrida que não fez jus ao espetáculo

Corridas nos EUA costumam ser meio sem graça... Pelo menos ultimamente.
Pistas sem muita tradição ou inventadas em aeroportos e estacionamento de shoppings, traçados alternativos em ovais... E agora esta pista copy and paste...
Porém, quase todo ano, a edição norte-americana aparece com chances de decidir o campeonato.
Os que não tem assinatura de TV ficam sempre na torcida para que a corrida decida o campeão e a transmissora oficial brasileira (que nunca mostrou esta prova ao vivo no seu canal aberto) perca a decisão.

Este ano não é diferente.
Hamilton tinha chances de sair de Austin já com o tetracampeonato no bolso e para isto bastava ganhar a corrida e Vettel chegar em sexto ou mais e ai não importaria a posição de chegada de Bottas...
E sua parte ele já vinha fazendo: dominou os treinos livres, a qualificação e abocanhou mais uma pole em seu record.
E com sobras.
À Vettel só restava lutar para adiar um inevitável fim.

E começou partindo para cima e ganhando a ponta na largada.
Hamilton, evitando um choque era a imagem do esportista que está com o regulamento a seu lado.
Logo atrás, Daniel Ricciardo fazia questão de mostrar aos torcedores locais – e do mundo todo – o que é F1 e travava uma briga linda com Bottas.
E na volta seis, a briga é transferida para a ponta, com Hamilton passando por Vettel de forma até fácil, enquanto o alemão jogava o que tinha em mãos para tentar voltar ao primeiro lugar.
Não deu... Hamilton começa aí a abrir vantagem e só deixou de estar na ponta quando parou para trocar pneus.
Hamilton, tirando a largada, não foi incomodado sequer uma vez durante as cinquenta e seis voltas.

Como consolo, tem Max Verstappen, punido na largada, veio de trás passando quem quer que fosse e culminou levando a terceira posição em uma manobra espetacular sobre um sonolento e inocente Kimi que preferiu defender a posição prejudicando a tangencia da curva como se isto fosse impedir o holandês de passar...
Max Verstappen, mesmo tendo sido punido com cinco segundos e a perda do pódio, foi o sopro de emoção e alegria em um GP sonolento e previsível.

Com o resultado final, a decisão ficou mais próxima no México, outra corrida que a transmissora não mostra ao vivo e outra pista onde Hamilton e sua Mercedes prometem nadar de braçada.
Porém, como disse Fangio, aquele: “-Carreras son carreras.”, e como todo e qualquer evento esportivo, só acaba quando termina.
Há quem acredite em milagres.
Mas não eu.

20 de out de 2017

O GP dos EUA mais memorável da F1 contemporânea

Grande Prêmio dos EUA, ao menos para os brasileiros é sempre cercado de uma mística, de uma aura histórica.
Primeiras vitórias de Emerson e Piquet.
O primeiro título de Piquet.
Vitórias de Ayrton Senna e até de Rubens Barrichello, ainda que deste último pareça – até hoje – uma compensação pela patacoada ocorrida na Austria no mesmo ano em que a poucos metros da linha de chegada o brasileiro tenha cedido – ou sido obrigado a ceder – a posição ao alemão Schumacher.

Mas olhando atentamente também há passagens cômicas ou dramáticas.
Pista em estacionamento de shopping, corridas com calor infernal em que pilotos até desmaiavam e o mais curioso de todos os casos: a corrida de 2005.

Não que a crise dos pneus a aquela altura fosse uma comédia, longe disto.
O perigo de haver muitos acidentes por conta da falha nos Michelin realmente existia e não tinha nada de engraçado.
O protesto – inusitado, inédito e muito válido – na largada do GP dos EUA de 2005 trouxe outras nuances, estas sim cômicas (quase trágicas) da F1.

A elas:

  • Ralf Schumacher, o irmão esquisitão foi um dos pivôs da crise ao bater na curva 13 - única curva original do circuito oval do templo de Indianápolis – onde curiosamente no ano anterior, sem problema nenhum nos pneus, ele bateu no mesmo lugar e tão forte quanto.
  • Era a primeira pole position da equipe Toyota, e nem sequer largaram.
  • Foi a única corrida como titular de Ricardo Zonta naquela temporada.
  • Mesmo largando apenas na quinta posição Michael Schumacher ainda estava a frente do seu companheiro de equipe.
  • Mesmo com apenas seis carros na corrida, o piloto indiano Narain Kartiqualquercoisa não escapou de ser um dos últimos.
  • Esta corrida foi o ponto alto da carreira de Patrick Friesacher na F1, marcando três pontos para a Minardi, que fazia então aquela sua ultima temporada. Depois, por motivos financeiros foi trocado por Robert Doornbos, o que convenhamos, não foi bom negócio para ninguém...
  • Foi também a última corrida em que a Minardi marcou pontos: 7, depois virou Toro Rosso, venceu um GP e revelou um campeão mundial.
  • Este GP acabou com a idéia estapafúrdia que em uma corrida head to head com Schumacher, Rubinho venceria.
  • Raras vezes a F1 reuniu nos EUA mais de 100 mil pessoas para assistir um grande prêmio, e justo daquela vez viram apenas seis carros largando para as 76 voltas.
  • Provavelmente foi a maior vaia que a categoria já tomou em um autódromo. 



Os estadunidenses são acostumados com corridas com muitos pitstops, muitas interrupções por bandeira amarela, mas quando viram os carros se dirigirem aos boxes antes de completar a volta de apresentação devem ter pensado: “-Isto é ridículo...”.
E isto não deixa de ser engraçado...

18 de out de 2017

Nem só de pista em estacionamento e aeroporto vive os EUA na F1

Na Indy, ainda nos tempos da CART ele era o cara.
Agressivo, incisivo, campeão, duro na batalha... Um vencedor.
Ao se transferir para a F1, alguns chegaram a comentar (e acreditar) que Michael Andretti incomodaria e seria um companheiro de equipe e adversário à altura de Ayrton Senna.
Mas não foi bem o que se viu...

Durante os testes chegou a andar bem próximo ao brasileiro tri campeão.
As especulações cresciam e a ideia de ter novamente um norte americano em condições de vencer na F1 deixava os dirigentes da categoria sorrindo de orelha a orelha.
Os EUA sempre foram um mercado complicado...
Mas ai o campeonato começou efetivamente e... Um banho de água fria.
Das cinco primeiras provas terminou apenas uma: um quinto lugar na Espanha. (Pista ruim, piloto ruim, dirão alguns.).
Oitavo em Mônaco, décimo quarto no Canadá e sexto na França sinalizaram uma melhora, mas nas três provas seguintes não conseguiu terminar. (Grã-Bretanha, Alemanha e Hungria).
Oitavo na Bélgica e – finalmente – um pódio: terceiro lugar na Itália.
O irônico? Foi dispensado da equipe logo após seu melhor resultado.

Das sete corridas em que abandonou, seis foram por acidentes ou rodadas e apenas uma (Hungria) abandonou por falha do carro: um problema no regulador que, curiosamente, também foi o motivo do abandono de Ayrton Senna neste GP.
Ainda assim, o americano após ser fritado da McLaren (e da F1) saiu atirando para todo lado e dizendo que seu fracasso era parte de um plano sórdido da F1 para desqualificar a Indy e seus pilotos.
Se não é roteiro de comédia, nada mais é...

16 de out de 2017

F1 2017: EUA, a primeira da Liberty em casa

A F1 chega mais uma vez aos EUA.
Uma pena que para correr em um autódromo copy and paste, sem alma.
Muitos dirão que é implicância, mas pegar curvas e trechos de pistas bacanas e juntar é uma ideia tão estúpida quando desenhar um traçado no estacionamento de um shopping center.
Porém, salvo engano, é a primeira vez que a categoria – tipicamente europeia – vai correr nos Estados Unidos (no Texas!) com a nova gerência que é... Norte Americana.
Ou seja, é a primeira corrida da Liberty em casa.

A mão dos caras já pode ser sentida de alguma forma.
No começo do ano as punições por besteira eram mais raras e – aparentemente – melhor pensadas.
Havia – e ainda há – um clima mais descontraído nas transmissões com diversas piadas visuais, menos segmentos com “pilotos da casa” em detrimento à possíveis disputas que estejam ocorrendo em pista, uma valorização do torcedor com a abertura de algumas redes sociais como canal direto de comunicação e a busca por algumas histórias mais humanas, como aquela do torcedor mirim do Kimi Raikkonen.
Ainda é um tanto insipido.
O molequinho foi conhecer o finlandês e o torcedor/expectador pode votar no “importante” drive of the day.
Não é nada, mas é muito mais do que havia. E isto já é um bom começo.

O que mais pode fazer a Liberty?
Pode deixar a F1 com um aspecto mais americanizado?
Creia, isto pode ser bom.
A maioria dos esportes americanos tem regras que podem privilegiar a disputa em sua parte final, seja dos jogos ou dos campeonatos.
Um bom exemplo é NFL que tem sempre jogos com finais emocionantes em seu campeonato por conta de detalhes como o “two minute warning” que para o jogo quando faltam dois minutos para acabar e permite aos técnicos ajustar e planejar jogadas que possibilitem buscar resultados que de outra forma seriam impossíveis.
Também há o teto salarial, para que os times tenham um limite para se reforçar e não acumulem em poucas equipes jogadores muito superiores que desequilibrem a disputa, regras (apesar de complexas) bem definidas e explicadas de forma fácil para que tanto público quanto jogadores as entendam.
Opções podem ser estudadas no caso da F1 e não faltam formas...
Provas chave com pontuação diferenciada, tetos orçamentários e simplificação de regulamentos que possibilitem que a figura do “underdog” seja mais frequente e assim espalhar um pouco mais o leque de vitórias entre os participantes.
No fundo, todo mundo adora a figura do cara que tinha tudo para perder, mas surpreendentemente ganha.
Uma flexibilização e simplificação do regulamento técnico que possibilitasse o barateamento da construção e manutenção dos carros, o que – em tese – resolveria o problema das punições por troca de peças dos carros.
Porque convenhamos, não poder dar tudo o que tem nas algumas disputas para “poupar” equipamento e não sofrer punições de perda de posições de largada em corridas futuras é bizarro. Um tremendo anticlímax que no momento está ferrando o fim de um campeonato que poderia estar cabeça a cabeça até a última curva. E tudo por uma suposta economia.

Há também uma parte ruim desta americanização.
Um empastelamento como a Nascar e seu teatro com carros onde tudo (pode até não ser) mas parece artificial, desde seus heróis e vilões (novamente aparentemente) roteirizados ou o excesso de coisas extra pista/campo pode tirar o foco da coisa.
Mas é preferível se manter com viés otimista em relação a isto.

E claro, torcer para que o povo da Liberty, que certamente vai querer promover mais corridas “em casa” tenha bom senso na hora de escolher os palcos e evitem bizarrices como as pistas em aeroportos, traçado misto de Indianápolis, shopping centers e pistas de rua que, na maioria das vezes, é insossa e chata.
Pista boa por lá é o que não falta.
Só ter boa vontade e ouvir um pouquinho mais o público do que só escolher quem foi melhor na corrida.

13 de out de 2017

Feedback song for a dying friend

Nós não tínhamos lá grande talento, mas éramos esforçados.
Cada qual no seu instrumento escolhido mais por conveniência do que por talento.
Os ensaios no quarto azul, apertado pela cama e pelo kit de bateria eram mais hilários principalmente quando a tentativa de tocar algo próprio era levado a sério.
Nunca dava em nada.
Talvez pela qualidade das letras que rimavam “João” com “caminhão” e versavam sobre as utilidades da boralina no tratamento do chulé...
Hoje sei que não serve para isto e nem para o fígado, como dizia sua embalagem. Não serve para nada...

Quando resolvíamos tocar as músicas que nos inspiraram a montar nossa própria banda era sempre algo da Legião Urbana.
Tanto por ser uma música simples, de acordes fáceis e batidas quase sempre retas, o que no meu caso era fundamental já que era o baterista, quanto pelas letras de Renato que desde sempre foi tido como o melhor letrista de sua geração. O poeta.

Tocávamos “Eduardo e Mônica”, “Quase sem querer”, “Índios” sem a parte do teclado como se estivéssemos cantando sobre nossas próprias vidas.
Como se a tristeza de letras como “Há tempos”, “Andréa Dória”, “Quando o sol...” e tantas outras fizessem parte de nossas vidas, uma turma de adolescentes de classe média que não tinham (ainda) motivo nenhum para serem tristes.

Mais próximos da realidade talvez fossem as letras “ingênuas” – nas palavras do próprio Renato – do terceiro disco.
A raiva adolescente ainda que bem colocada de “Que país é este?”, a rebeldia juvenil e metida a intelectualóide de “Conexão Amazônica”.
Até hoje penso que na época, pouquíssimos fãs da Legião realmente soubessem quem era Freud, Jung, Engels e Marx, mas era mais legal cantar isto e posar de culto que ficar gritando: “Aa uu” como os fãs dos Titãs.

Assim cresci e até aprendi tocar um pouco melhor, mas o principal foi acumular um pouco mais de bagagem - tanto cultural quanto de vida – para compreender os temas mais elaborados e complexos da obra de Renato nos discos seguintes.
As broncas políticas, o envolvimento com drogas, o pessimismo disfarçado de raiva e por fim a descoberta do fato que teria de encarar seu próprio inevitável e precoce fim.
Tratou publicamente de sua doença, a AIDS, de uma forma polida, velada e elegante, não jogando a culpa por tê-la adquirida – como fez Cazuza – na sociedade.
Tanto que só compreendeu-se “A tempestade ou o Livro dos dias” que é triste desde a capa azul até a ultima frase de seu encarte  (“Um país se faz com livros e de gente dizendo adeus”) após sua morte.
Curiosamente, nunca quis tocar uma só faixa deste álbum nos ensaios que acabaram,  mais tarde, se tornando apenas diversão sem a pretensão de ser algo um dia.

Agora entendo que Renato era poeta de si mesmo e  grande parte das coisas que escreveu dizia sobre suas próprias condições, ainda que seus fãs conseguissem se enxergar e se encaixar em alguns aspectos de sua obra, o que não o desabona e em hipótese alguma empana seu brilho.
Vinte e um anos após sua morte conseguimos ver a real dimensão de seu trabalho, da beleza e força de seu legado que moldou toda uma geração de brasileiros, na qual, orgulhosamente me incluo.
Urbana legio omnia vincit!

10 de out de 2017

F1 2017: Já era? Ainda dá?

Então acabou?
Vettel ficando fora da corrida ainda nas primeiras voltas e com Lewis vencendo – apertado, mas vencendo – no Japão decreta o fim da disputa pelo título de pilotos deste ano?

A diferença é de cinquenta e nove pontos há quatro provas restando diz que não.
O próprio automobilismo diz que não quando nos lembramos que corridas (ainda) contam com o improvável em sua composição.
Se não é isto, como explicar que Vettel passe zerado em duas corridas em plena  fase aguda da disputa?
Simplificar em azar ou sorte não vale...
Não foi azar que ocasionou o acidente em Cingapura (pode ter sido para o Alonso...) e a vela que não funcionou no Japão muito menos foi questão de sorte.
Não é sorte que faz um carro funcionar e não é o azar que faz o contrário...

Por que estaria livre Hamilton da mesma coisa nas próximas quatro corridas?
Por que não crer que também a Mercedes passe por algum tipo de problema com seus componentes ou se envolva em algum tipo de acidente?
Mesmo que aparentemente Lewis esteja mais focado e concentrado, o fator externo (Verstappen?) está sempre presente.
Ou por acaso Vettel não estava focado suficientemente?

E quem perde mais com um fim antecipado do campeonato?
O fã perde, mas vai ver as corridas de qualquer forma, decidido ou não.
Os patrocinadores já pagaram, de qualquer forma...
A mídia já trabalha com este tipo de situação há anos. Foram poucos os campeonatos que terminaram de fato na última corrida...
Então quem?
A Liberty Media e sua “nova F1” talvez seja a maior perdedora.
Não adiantou carros mais bonitos, menos punições (que nem foram tão menos assim...), enquadramentos bacanas, histórias humanas, mais humor... O jeito estadunidense de promover esportes, com emoção até o ultimo segundo não deu jeito de ser implantado.
Não ao menos neste primeiro ano
Ou será que ainda dá tempo de usar o tal “improvável” para dar uma manipulada nas coisas e esticar a “emoção” até o circuito sem graça de Abu Dhabi?
Ai quem perderia – e muito – seria a própria F1...

8 de out de 2017

F1 2017 - Japão: previsível como um episódio de Ultramam

Quando as luzes vermelhas se apagaram, o monstro já estava cambaleando.
O herói já havia golpeado forte ficando com a pole, mas não só... Ficando com a pole com uma volta fantástica em uma classificação que sua equipe dominou.

Diferente dos seriados japoneses em que o herói primeiro apanhava até perder as forças e só virava o jogo com seu golpe mais poderoso nos últimos segundos da luta, Hamilton já largou com uma vantagem psicológica enorme sobre Vettel e – para ajudar – o Ferrarista ficou sem potência no meio da primeira volta.
Tomou ultrapassagem de Verstappen e de um surpreendente (ainda?) Esteban Ocon.
E teria perdido muito mais se Carlos Sainz Jr. não resolvesse mostrar para sua próxima equipe – a Renault – que eles não vão sentir nenhuma falta do braço duro Jolyon Palmer ao rodar sozinho e ir parar na área de escape de forma perigosa.
Safety car vem para a pista juntando todo mundo e quando sai, duas voltas depois, a Ferrari aciona o rádio de Vettel e avisa que é melhor vir para os boxes e abandonar.
Ali o herói Hamilton em um carro prateado como o Ultraman, solta seu raio com os braços cruzados e mata o monstro campeonato.
Sem marcar pontos, Vettel só pode esperar por um milagre para que seu prejuízo no campeonato não seja irreversível.

E este milagre poderia atender por dois nomes: abandono de Hamilton ou Red Bull.
O primeiro, dado a confiabilidade do carro, era difícil.
O segundo, por vir em uma curva ascendente, era mais provável.
Após a primeira rodada de pit stops, Max começa a tirar tempo em relação a Hamilton.
Papel importante tem Valteri Bottas à esta altura já que tem uma estratégia de pneus diferente e se posiciona entre Lewis e Max.
Quando o finlandês finalmente vai trocar seus pneus na volta 31, a diferença entre Hamilton que era o primeiro e Max que passava a ser o segundo já era superior a três segundos.
E então a corrida entra no modo “banho maria” ou modo de cruzeiro.

Infelizmente tem sido a tônica dos últimos anos.
A pista de Suzuka é maravilhosa e tudo o mais, mas só tem funcionado bem nas classificações.
Para as corridas em si, tem ficado bem aquém da esperança de emoção que se deposita nela.
Nem a tensão deu as caras na corrida.
Também, de nada adiantaria que Verstappen encostasse em Hamilton.
O inglês, já com o regulamento dentro do cockpit, dificilmente daria combate ao piloto da Red Bull.
E quem pode criticá-lo por isto?

E quando o holandês finalmente chegou no inglês, teve que lidar com um Alonso lento e ignorando bandeira azul.
Hamilton nem precisava, mas teve uma ajuda fundamental do espanhol para garantir mais uma vitória e colocar mais um prego no caixão do campeonato.

E ficou ecoando na cabeça as palavras de Vettel sobre Alonso na corrida da Malásia: “-Ah Alonso... Achei que você era melhor do que isto...”.

5 de out de 2017

Por que não perder o GP do Japão?

Ele era um robô criado por um mago alienígena.
É pouco?
Ele era feito de ouro.
Quer mais?
Tinha cabelo.

Só?
Podia ficar com trinta metros de altura
Absurdo?
Tinha mulher e filhos em tamanho normal e – segura essa – humanos.
Este era Goldar, da série “Vingadores do Espaço” criada em 1966 e que foi exibida aqui na terra brasilis nos anos 70 e 80.
Para finalizar, quando ia se locomover, o robô gigantão dourado e cabeludo se transformava em um foguete.

Spectreman era mais light...
Pero no mucho.
Também robô, mas que se ocultava entre a população disfarçado de humano (o que não chega a ser novidade, vide Ultraman e Ultraseven...)
Quando o bicho pegava, olhava para o céu e entrava em contato com uma espécie de nave -que ninguém mais via - e que ele chamava de “Os Dominantes”.
Então caia um raio e ele virava o Spectreman.
Seu arqui-inimigo era o Dr. Gori, um macaco cientista de cabeleira branca como a do Cid Moreira que tinha como ajudante um outro gorila meio aparvalhado chamado Karas.
Gori tinha um movimento característico de mãos e braços enquanto falava e transformava em monstros tudo que era relativo a poluição. Então era um tal de aparecer ratos de três cabeças, monstros fedorentos, seres com poderes de espirrar água de esgoto e, claro, gigantes...
Nesta hora o herói, que tinha tamanho de ser humano normal, se agigantava e ficava do tamanho do monstro para que o pau quebrasse e no meio da briga, destruíssem Tóquio sem dó e nem piedade do dinheiro do contribuinte japonês...
Era bem legal observar – e nem precisava ser tão atentamente – os zíperes nas fantasias dos monstros.

Agora pensa bem...
Se os japoneses são capazes de inventar estas coisas aí, imagina só com coisas mais simples como corridas de F1...
Imperdível.

3 de out de 2017

Hum?

Então o cara telefona no meio da tarde para dizer que comprou um cachorro.
-Legal! E que raça é?
-Bichon Friseé.

A banda vai tocar em um bar e o alemão com cara de Dolph Lundgren que os contratou os recebe na porta vestido de Marilyn Monroe.
-Vocês tocam sertanejo né?

Seis reais no bolso e o único lanche – além do churrasco grego – por este preço é um que parece ser um pão com um bife à milanesa besuntado com um polenguinho.
-Ah! Você quer o “criaturas da areia”...

Os dois se encontram após mais de sete meses sem se ver.
-Tudo em paz?
-Mais ou menos... Perdi minha mãe faz pouco.
-Eu vi no facebook. Até curti o post...

Depois de uma caminhada de sete quilômetros o cara para em um bar.
-Cara, que calor... Por favor, caminhei sete quilômetros e preciso reidratar.
-Quer um isotônico?
-Não... Dá uma coca cola gelada com limão e um prato de salame.
O atendente olha espantado.
-O que foi? Ah... Pesado né? Faz o seguinte então: trás uma cerveja bem gelada e mortadela cortada em cubinhos com limão...

1 de out de 2017

F1 2017 - Malásia: Um fim digno

A vida nunca pareceu tão fácil para Lewis Hamilton neste campeonato.
Liderando a tabela e largando na pole position ainda contava com a sorte de ter seu principal concorrente ao título largando na última posição.
Sem Vettel por perto para disputar a primeira curva, sua maior preocupação seria a outra Ferrari.
Mas eis que a sorte sorriu novamente e ao alinharem para a volta de instalação Kimi não está em seu lugar teria de largar dos boxes. Se largasse.
O último GP da Malásia parece não querer ver os carros vermelhos em boa posição.
Ao menos na largada.

Com isto tudo, Hamilton largou bem, manteve a ponta e ainda viu Daniel Riccardo escolher mal o traçado para a primeira curva e deixando que Bottas, que largou muito bem, lhe ganhasse a posição e de quebra segurasse um pouco o ímpeto de Max Verstappen.
Sem as Ferrari, as duas Red Bull eram os dois únicos carros com chance de melar o fim de semana da Mercedes. Mas com toda aquela sorte até ali, parecia que não aconteceria.
Mas aconteceu...
Na terceira volta Verstapinho atropela Hamilton e sua sorte e assume a ponta.
Na quinta é a vez de Ricciardo brigar de igual para igual com Bottas e assumir a terceira.

Lá atrás, Vettel escalou posições para já na terceira volta ser o decimo primeiro colocado, enquanto Kimi nem havia conseguido largar.
Com estratégia diferente, a Ferrari número cinco tentava diminuir o prejuízo em relação à corrida e ao campeonato. Mas para este a situação, que já era complicada, fica ainda pior sem chance de uma vitória.
Talvez por isto, Hamilton não tenha brigado de forma mais agressiva pela primeira posição com Max. E mais: tenha visto o holandês abrir oito segundos de vantagem até a volta quinze e a chegada gradual de Ricciardo.
A sorte inicial de Hamilton parecia ter sido trocada pelo bom senso de saber que não era necessário colocar a corrida em risco brigando com as Red Bull.

Vettel na volta 22 já era o quinto e teria pela frente a Mercedes de Bottas, que fora a bela largada, não havia tido motivos para comemorar no fim de semana.
Sem conseguir ultrapassar, a Ferrari mudou sua estratégia para os pneus e trouxe Vettel para os boxes antes de Bottas.
Funcionou.

Daí em diante a corrida fica modo de tensão e espera.
Com as diferenças entre os quatro primeiros se alterando, a ação em pista fica por conta só do pelotão intermediário.
Alonso brigando com Magnussen (e dando razão a Hulkemberg ao chamar Kevin de “idiota”) e Jolyon Palmer sendo apenas o que ele é: um motorista muito ruim que para a sorte do mundo, não dirige um Uber, ou um taxi...

Como ato final da prova, Vettel inicia a perseguição a Daniel Ricciardo para ganhar não somente a terceira posição e o direito de subir ao pódio na corrida mais complicada de seu ano, mas a manutenção de sua parte psicológica para manter a esperança de ainda brigar pelo título até o fim da temporada.
Chegar em terceiro daria o alento que o alemão precisa para continuar e ainda coloca alguma pressão sobre Hamilton que – provavelmente – não esperava ter Vettel ao seu lado no pódio tendo em vista tudo que aconteceu na classificação.
Só faltou combinar com Daniel Ricciardo.
Não é de hoje que digo que a Red Bull tem a melhor dupla de pilotos do grid.
Um, Max, agressivo, adepto do espetáculo e o outro, Daniel, cerebral, constante, seguro, mas não menos espetacular quando possível.
Por este motivo, a vitória de Max e o terceiro lugar de Riccardo é justo.
Se melhor fossem seus carros (e mais confiáveis, principalmente no caso de Max) a história do campeonato seria completamente outra.
O segundo lugar de Hamilton ficou de bom tamanho para a continuidade do campeonato, mas acende uma luz amarela sobre a dominância de seu time nas últimas provas do ano.
Se o azar abandonar a Ferrari, quem sabe não haverá emoção ainda?
Como último ato de um fim de semana com altos e baixos, na volta de retorno após a bandeirada, Vettel se enrosca com a Williams de Lance Stroll e tem a parte traseira de seu carro destruído, voltando para os boxes de carona na Sauber de Pascal Wehrlein.

E este foi o último GP da Malásia.
Vitória justa de Max, segundo lugar possível de Lewis e Ricciardo completando o pódio.
Ao menos eu sentirei saudades desta corrida.

29 de set de 2017

F1 2017: O adeus malaio

Eis que chega ao fim – ao menos por agora – o GP da Malásia.
Gosto do circuito. Gosto da pista...
Adoro as duas enormes retas, as curvas velozes e o fator clima.
Agora, que foi mudado para a parte final do campeonato nem tanto, mas quando fazia parte da sequência de abertura, a previsibilidade do clima era um charme só.

Previsibilidade sim... Porque era certo que em algum momento da prova as chuvas de monção desabariam com fúria.
Em 2009 a água foi tanta e por tanto tempo que a corrida foi interrompida por falta de iluminação natural na volta 31.

O circuito malaio tem como país mais vencedor a Alemanha, o que não chega a ser surpresa já que o autódromo passou pelos domínios de Michael Schumacher e logo depois de Sebastian Vettel.
São ao todo oito vitórias dos germânicos desde a primeira edição da corrida em 1999.
Divide-se em três vitórias para Michael Schumacher e quatro para Vettel.
A vitória alemã restante pertence a Ralf Schumacher, nem sei se deveria contar...
Mas como conta, também está no histórico desta corrida a última vitória de Eddie Irvine e esta foi na corrida inaugural e uma rara vitória de Gian Carlo Fisichella em 2006.
Embora neste ano, o show tenha sido do alemão sete estrelas em sua primeira corrida após quebrar a perna em um acidente em Silverstone no ano anterior.
A Grã-Bretanha tem três vitórias (Irvine 99, Jenson Button 2009 e Lewis Hamilton 2014).
Completam a lista de vencedores Kimi Raikkonen (2003, 2008), Fernando Alonso (2005, 2007 e 2012), e Daniel Ricciardo em 2016.
A volta mais rápida é do gordinho Juan Pablo Montoya em 2004 com impressionantes 1m34s223.
Esta marca será batida nesta edição, com certeza.

Assim como o próprio GP, também poderão não estar na F1 ano que vem Felipe Massa, que depende de N fatores para seguir na Williams, Fernando Alonso (embora particularmente pense que ele fica e ainda por cima anda bem no ano que vem...)
Mas nem tudo é gente dizendo adeus... O último GP da Malásia será o primeiro de Pierre Gasly, que deverá estrear pela Toro Rosso no lugar de Danil Kvyat, que em matéria de ser demitido já é PHD.

27 de set de 2017

Atendendo a UM pedido... A origem do truco

Este foi um dos primeiros textos que escrevi, ainda à mão em um caderno universitário lá pelos idos de 1996.
Não sonhava em ter site, página ou blogue sequer.
Publiquei pela primeira vez ainda no espaço disponibilizado pelo IG, há uns dez ou onze anos.
Também já apareceu neste espaço algumas vezes e hoje retorna por conta do pedido de um amigo querido: o quatrocordista do Valfúria Vander Romanini.
O texto tem piadas que podem ser consideradas homofóbicas, machistas, misóginas, xenofóbicas e politicamente incorretas.
Não mudo uma virgula. O escrevi em uma época em que não se apegava tanto à isto e havia muito menos chatos fazendo patrulha.
Obviamente, não sou homofóbico, tento ao máximo não ter atitudes machistas (infelizmente está arraigado na criação e algumas coisas demoram muito a mudar por completo), não sei o que é misógino (mentira, eu sei sim) e o politicamente correto que vá pra putaqueopariu.
Com vocês...

A origem do truco.

Truco: vem do latim e significa "tá roubando, seis, ladrão".
Um jogo com cartas de baralho que veio originalmente dos vikings noruegueses e que foi aperfeiçoado pelos terríveis franceses do século 17.

Na era viking foram criadas as regras básicas do truco, mas devido à selvageria viking era muito difícil encontrar jogadores para uma disputa. Pois como se sabe os vikings da Noruega eram bárbaros e ignorantes já que ignoravam para que serviam aqueles desenhos que ficam embaixo dos números nas cartas dos baralhos, e que os temidos e odiados franceses do século 17 vieram a chamar de 'naipes', assim mesmo, com direito a biquinho.
Também, reza a lenda que na antiga língua viking as referencias usadas para distinguir os jogadores entre si soavam muito agressivas e com a falta de esportividade dos mesmos, quase sempre o jogo acabava em brigas e mortes, diferentemente de hoje em dia em que só acaba em brigas.
Eles (os vikings) também foram responsáveis pela invenção dos sinais de comunicação, ainda que de maneira rústica e feitos com seus (deles) machados nas orelhas, narizes e cabeças de seus parceiros. Ato este que sempre interrompia o jogo para que se pudesse limpar o sangue que ficava sobre as mesas de jogo, mas isto também foi modificado pelos amedrontadores e violentos franceses do século 17.

O jogo em si tinha o propósito de divertir os guerreiros vikings quando não havia guerra.
Era jogado da seguinte forma: Pegava-se um baralho de cento e trinta cartas, o primeiro jogador do sentido horário embaralhava as cartas e distribuía quinze para cada jogador inclusive para ele mesmo, o segundo pegava o monte restante e jogava fora, o terceiro jogador, sempre no sentido horário, colocava uma carta sobre a mesa e assim se seguia com os demais até se completar uma rodada. Depois trocavam-se os sinais' e após limparem o sangue da troca de sinais alguém (sem ordem especifica) achava (não se sabe por que) que estava com a carta maior na mão gritava. Segue-se agora a transcrição de um trecho de uma partida da era viking que nos foi enviado por um descendente dos monstruosos franceses do século 17.
"-Trruca..."
"- Seis ladrron!"
". Ladrron non!!!!"
"- Ladrron zim, zafada”.
E ai o pau comia por mais ou menos umas duas horas no mínimo, nunca se soube ao certo se havia vencedores naquelas partidas, mas, de alguma forma estava plantada a semente do truco que hoje conhecemos.

Um pouco mais de historia: No século 17, um francês que estava a caminho da Itália entrou por uma estrada errada e foi parar na Noruega. Algum tempo depois, já familiarizado com o cheiro do bacalhau e não tendo nada melhor para fazer foi aprender os costumes locais tomando contato assim com o truco.
Durante muito tempo foi assíduo freqüentador dos ambulatórios noruegueses até que aprendeu o jogo e logo quis então voltar à França para divulga-lo (e claro fugir das surras). Já um tanto machucado pelas sucessivas partidas jogadas em solo norueguês ele tratou logo de ensinar um compatriota, que aprendeu e deu uma aperfeiçoada nas regras transformando-as no jogo de truco que hoje jogamos.
Este francês é o célebre BEGERRO LABUNDA. Begerro reduziu o baralho de truco de cento e trinta cartas para apenas quarenta, eliminando do jogo as cartas 8, 9 e 10. Passou a distribuir apenas três cartas por jogador e também a sinalizar com gestos discretos a fim de que não fossem percebidos pelos adversários e não mais com pancadas.
No começo os implacáveis franceses do século 17 estranharam, mas depois se acostumaram e foram espalhando o novo jogo por toda a Europa, com exceção feita à Noruega que continuava com as velhas regras e a Portugal, que achou as regras muito complicadas.

Dos primórdios aos dias de hoje o jogo pouco mudou, e até são organizados campeonatos mundiais de quatro em quatro anos, aonde vários países vem a participar, ficando de fora apenas a Noruega por motivos que se seguirão e Portugal que do século 18 até nossos dias ainda não conseguiu aprender as regras.
O motivo da ausência da Noruega nos campeonatos mundiais explica-se pela expulsão deste pais da F.I.TRU. (Federação Internacional de Truco) logo após o jogo inaugural do primeiro mundial em 1902, quando se enfrentavam com os intratáveis e sanguinolentos franceses. Assim que o primeiro grito afrancesado ecoou no salão de jogo, o norueguês EUMATOSSEM BICHENSEN sacou um machado e cortou o pescoço do francês LEVI ADO DEFRANCE.
Na França este jogo também é conhecido como "o jogo das galinhas" devido à gritaria com voz fina que se segue a cada trucada.
"-Trrruco..."
"-Seis, ladrrron!"
"-Nove, pederrastrrra!!!"
"- Enton deixa moa verr, eu terr uma zap!"
"- Moa Ter uma trres de pau."
"- De pau? Uh lalááááá!!!!"
Ainda hoje pode-se dizer que o truco é um jogo para bárbaros selvagens.
20/09/96

25 de set de 2017

O rock no Brasil não acabou 5: Maglore e a política de ser livre

Não.... O disco não é difícil.
Pelo contrário, é acessível.
É pop, no melhor sentido da palavra e é rock, no sentido que você quiser dar.
O quarto disco da Maglore não é o ápice do trabalho dos caras. A cada audição fica mais nítido a capacidade do grupo de fazer coisas maravilhosas.
Desde o romantismo indie do primeiro disco (Veroz, 2011), passando pela revisitada nas raízes baianas - e sensacionais - do segundo (Vamos pra Rua, 2013) e a viagem de autoconhecimento para a produção esmerada do terceiro (III, 2015) a evolução da banda é algo palpável.
Não é possível dizer qual é o melhor já que cada disco é único, diferente, envolvente e excitante.
Dito isto, a expectativa para a chegada de Todas as Bandeiras (2017) só poderia ser grande.
Se você chegou até aqui e está se perguntando “que diabos é Maglore”, não se assuste.
Como disse: é rock e o estilo não está em alta, apesar de viver sua melhor fase desde o meio dos anos 90 e se quer um conselho, vá para sua plataforma digital de música preferida e ouça os discos da banda para chegar neste novo e finalmente entender sobre o que ele trata: política.

Todas as Bandeiras é um disco político, mas não esta política polarizada bicolor em que os dois lados defendem seus bandidos de estimação, mas a política da liberdade.
A liberdade de se escolher o que fazer, onde ir, o que e como sentir.
A liberdade de pensar, de esquecer e de lembrar.

O disco abre com “Aquela Força” que foi também o primeiro single e já traz na letra um otimismo moderado, de quem sabe que a vida é uma batalha diária e que só pode ser vencida etapa por etapa.
A liberdade de tirar da dor a força necessária (...o grito do tigre quando corre perigo, a força é esta...) para seguir.

A faixa título também é otimista, mas com os dois pés no chão (“...o tempo passa e o herói fica sozinho, mas em qual herói devemos confiar?).
E que a dureza dos tempos é real, mas que sempre vai ter um amanhã (“...toda vez que a gente morre, a gente renasce e eles não vão impedir de colocarmos a cabeça do rei na bandeja do peão. ”) e termina fincando o pé na liberdade de acreditar nos dias melhores que virão. (“eu vou ficar... eu vou ficar... eu vou ficar aqui! ”)

O disco todo é embalado em melodias assobiáveis e tem ótimos refrãos.
A canábica “Você me deixa legal” tem grandes chances de ser cantada a plenos pulmões nos shows, assim como “Valeu, Valeu”.
Porém, nenhuma tem um refrão tão legal e tão grudento como “Jogue Tudo Fora” que versa sobre a liberdade que o fim de um relacionamento pode oferecer.
Desde sair para dançar e chegar tarde, quanto se mudar de casa para respirar novos ares: “Eu vou me mudar/estou indo embora/pode ficar com ‘as coisa’/ ou jogue tudo fora. ”

O lado introspectivo da banda também foi agraciado com novas páginas.
“Eu Consegui Perder” embala uma letra sobre perda em um samba e “Quando Chove no Varal” evoca uma tristeza bonita coberta com um manto de saudade profunda de quem foi embora ou morreu. (“...o seu rosto tá sumindo e eu preciso caminhar…/ Eu ainda tô
sofrendo. uma hora vai passar. algum dia até quem sabe vamos nos reencontrar. ”)
E como covardia final, a banda ainda perpetrou o que provavelmente é a melhor canção brasileira dos últimos tempos.
“Calma” cativa já a primeira audição e na citação há Beatles (Let it Be), mas pode muito bem ser revertida para Stones (Let it Bleed) que não vai estar fora do contexto.

Se é o melhor disco do ano?
A letra da faixa de abertura dá a dica: “Você só vai saber vivendo”.
E ouvindo.