24 de jul de 2017

F1 2017 - Hungria: a última antes das férias

Quando surgiu para a F1, lá no longínquo 1986, a ideia era de que o circuito de Hungaroring era travado demais.
Com apenas uma reta digna do nome e que era posta entre duas curvas quase intermináveis e cegas.
Não havia pontos de ultrapassagem aparentes.
Dizia-se que era extremamente cansativo física e mentalmente para os pilotos por ser de média/baixa velocidade, com muitas curvas e que exigia um nível de atenção muito grande.
À época, não foram poucas as críticas e xingamentos que o traçado recebeu.
O bode foi aliviado (por algum tempo) por conta da batalha épica e histórica entre Nelson Piquet e o outro brasileiro, que ao fim da batalha se recolheu humildemente após ter tomado, provavelmente, a ultrapassagem mais sensacional da história da F1 moderna.
Mas não aliviou tanto...
Todo ano as reclamações voltavam sobre o circuito ser travado demais, sem pontos e blá blá blá...
Se estes reclamões soubessem o que viria pela frente em termos de pistas ruins em lugares sem tradição sempre desenhadas por um certo alemão...

Para tentar melhorar a coisa, a curva 1 foi modificada e a reta de largada alongada para exigir uma frenagem mais forte e tentar estabelecer um ponto mais visível para uma ultrapassagem. Uma das variantes também foi retirada.

Deu e não deu certo.... Não há tantas manobras por ali, mas parte da culpa cabe aos carros que, ano após ano, pareciam correr em cima de trilhos.

Mas nestes trinta e um anos de corridas na Hungria, a história foi sendo escrita.
Além da ultrapassagem de Piquet em Senna, outros momentos importantes (e tensos) da corrida húngara. Vários envolvendo brasileiros que durante os primeiros anos da corrida, venceram bastante por lá
Piquet em 1986 e em 1987, quando uma porca se soltou da roda da Williams de Mansell quando o inglês liderava a corrida.
Em 1988 foi a vez de Senna, que voltaria a vencer em 1991 e 1992.
Barrichello venceria em 2002.

O incidente de Felipe Massa com a mola saída do carro de Rubens Barrichello em 2009 no qual o brasileiro então na Ferrari escapou bem por muita sorte.
Rubens Barrichello, pilotando uma Williams e sendo espremido por Michael Schumacher de Mercedes em 2010 onde, por pouco, não houve nada mais grave que um susto.

Apesar de ser um circuito que historicamente tem poucas ultrapassagens, Nigel Mansell partiu de décimo segundo para vencer com uma Ferrari em 1989.
Já Jenson Button, o motorista, venceu sua primeira corrida na F1 em 2006 largando de décimo quarto.
Alonso também teve sua primeira vitória em Hungaroring, assim como Kovalainen, e Damon Hill.

Alguns quase também foram memoráveis como o ano em que Damon Hill, pilotando uma modesta Arrows, teve problemas hidráulicos nas últimas voltas e acabou cedendo a vitória para Jaques Deusmelivre em uma Williams.
À três voltas da bandeirada, o motor de Felipe Massa explodiu e impediu que ele também ganhasse aquela prova.

E em trinta e um anos de corridas na Hungria, se não me falha a memória só choveu uma vez durante o GP de 2006, logo, é inútil pedir por chuva.

21 de jul de 2017

F1 2017: Inimigo nas sombras?

Desde que assumiu o comando do show, a Liberty tem acertado a mão em algumas coisas que a antiga gestão não mexia e quando o fazia era um desastre total.
As transmissões televisavas estão melhores, com recortes bem feitos e tendo a preocupação de encontrar pontos humanos seja nos boxes ou nas arquibancadas.
Os carros estão mais bonitos e Ross Brawn já falou que isto é uma necessidade da categoria,
A inserção da categoria nas redes sociais tem sido feita de forma simpática e até o youtube já conta com um canal oficial da F1 com bons vídeos.
As corridas têm menos punições idiotas e a empresa dona da bagaça toda já sinalizou em relação a manutenção dos palcos mais tradicionais em detrimento a pistas novas e supervalorizadas (esportiva e financeiramente).
Mas parece que tem gente descontente com isto. E gente grande.
Obviamente aqui trata-se de especulação, mas as coisas que começaram a acontecer nos últimos tempos levam a pensar que há quem queira sabotar o jogo e o motivo não pode ser outro senão grana. Claro.
Alguns exemplos:

Após o episódio da briga na pista entre Hamilton e Vettel, a punição em pista foi dada e pensava-se que a vida seguiria, mas a FIA, comandada hoje pelo francês Jean Todt se meteu no meio, abriu uma nova investigação e pensava em punir o alemão (que disputa agora ponto a ponto o campeonato com Lewis) com uma ou mais provas de suspensão.
O que convenhamos, colocaria água no chope da disputa de forma quase que irreversível e atrasaria o lado da Liberty no que tange ao marketing que está conseguindo já no primeiro campeonato sob sua tutela.
Jean Todt era “camarada” da antiga gestão.

Mesmo dizendo que pretende manter os GP´s tradicionais no calendário (o que mostra que haverá flexibilidade nas negociações sobre taxas) os administradores do circuito de Silverstone (o mais tradicional de todos, já que foi lá que a coisa começou) fizeram valer uma clausula em seu contrato que permite quebra-lo e por conta de custos, deixar de sediar o GP da Grã-Bretanha já a partir de 2019.
Claramente uma pressão para forçar a renegociação das taxas.
Curiosamente é uma das estratégias mais usadas pela velha gestão quando queria arrancar mais dinheiro dos promotores das corridas: ameaçar retirar tal corrida do calendário.

Agora, a respeito da proteção à cabeça dos pilotos em que se estudava implantar algo para o propósito que não deixassem os bólidos descaracterizados ou muito feios, foram testados o Aeroscreen, pensado pela Red Bull e que tinha a aparência de um para-brisas  ou o Halo, uma solução que, aparentemente não protege grande coisa  e que se assemelha às correias de uma sandália do tipo havaianas.
Logo, a própria FIA daria sua sugestão, que no fundo não passava de um genérico da solução criada pela Red Bull e que, levada a pista por Sebastian Vettel em seu Ferrari, foi criticada pelo piloto dizendo que aquilo havia deixado desconfortável com a visão e algumas dúvidas a mais surgiram, como o que aconteceria se a peça se sujasse de óleo ou como aquilo funcionaria na chuva.
Foi informado pela Liberty que os estudos seguiriam e não havia uma data certa para a implementação da proteção, fosse qual fosse.
Do nada e em uma canetada, a FIA cravou que o que vai ser usado será mesmo o tal Halo (uma excrescência que não teria, por exemplo, ajudado Felipe Massa em seu acidente de 2009 em nada).

E que já entrará em uso em 2018, aparentemente sem consultar a GPDA (associação de pilotos), contrariando a Liberty e fazendo exatamente o que fazia a antiga gestão: não dando a menor pelota para os fãs ao redor do globo.

Pode parecer paranoia, teoria conspiratória, mas que tem gente melindrada com o sucesso rápido da coisa e doida para entornar o caldo da Liberty sabotando como der as ações, tem.
Tem um morcego na porta principal.

18 de jul de 2017

F1 2017 - Pós corrida: Os boatos ingleses

O fim de semana inglês teve alguns boatos interessantes a serem explorados nas férias que começarão após o próximo GP a ser disputado na Hungria.

O primeiro foi o rompimento do acordo entre a equipe Sauber e a Honda.
Sopra-se que os nicômicos (junção de nipônicos com cômicos) estariam putos da cara com a forma como foi tratada a questão Monisha Katelborn no time suíço.
Dizem também que os japoneses se recusam a conversar com o novo dono da equipe, Marcus Ericsson, e foram procurar outro time para estragar, digo, entregar seus motores.

Daí o segundo boato, ventilado pela turma que faz podcasting enquanto passa a corrida na TV, porque narrar e comentar mesmo, Reginaldo, Galvão e Luciano não fazem faz tempo...
Os boquirrotos deram conta de que após deixarem de lado a Sauber, os japoneses vão fechar acordo com a Toro Rosso, pré-primário da escola de pilotagem da Red Bull.
A creche rubro taurina já andou com motores de segunda linha da Renault e Ferrari, agora vai pode ser empurrada pelos motores de segunda linha da Honda.
E mesmo que a Honda deixe de lado a McLaren para ser fornecedora apenas da Toro, ainda assim estarão – por um bom tempo – com motores de segunda linha.
Ou como disse Alonso em outra temporada: GP2 engines.

Aliás, outro boato envolvendo a Toro é de que seu motorista Carlos Sainz Jr., que até agora não honrou o sobrenome famoso, estará já na corrida da Hungria vestindo o preto e amarelo da casa Lufa-lufa...
Ah não, desculpe, ele não está de partida para Hogwarts, mas para a Renault, substituir outro sobrenome famoso que não sabe pilotar, mas insiste, Jolyon Palmer.
Não dá nem para dizer que Sainz Jr. é uma tentativa da Toro de sabotar algo na Renault, já que o cara que ele vai substituir já é um tipo de sabotagem...
Também corre a boca pequena que Kvyat pode não ficar mais na equipe.
Ficamos aqui todos consternados e preocupados com o futuro da equipe B da Red Bull, já não basta estar ameaçada de ter motores horrorosos para 2018, ainda vai ter que contar com dois pilotos novatos do programa da equipe mãe.
A preocupação é pelo fato de os dois que estão pilotando os carros de latinha são considerados, no momento, os dois melhores do programa e visto isto, quão ruins não serão os outros que estão lá então?

16 de jul de 2017

F1 2017 - Grã Bretanha: um campeonato se faz com bons pilotos, bons carros e sorte, bastante sorte

Silverstone é tradicional, é histórico e bla bla bla...
A verdade é que depois que trocaram o local da largada da corrida, fiquei perdido.
Só não tenho pelo circuito o mesmo amor que tenho por Monza ou Spa, mas obviamente, gosto de ver as corridas disputadas lá.
Até porque, para se ter um campeonato de F1 minimamente decente, é preciso ter uma corrida na Inglaterra, e se for em Silverstone, melhor ainda.

A corrida deste ano trazia a sombra do domínio da Mercedes (como no ano passado), mas só contava com o molho (de hortelã, como nos pratos da culinária inglesa e que é horrível) de ter Bottas largando na nona colocação após ter que trocar câmbio.
Logo na volta de apresentação um inútil Jolyon Palmer teve problemas no carro e ficou pelo caminho.
Largada abortada.
Assim que alinharam novamente e as luzes se apagaram Lewis pulou na frente e deixou uma briga mais intensa para Vettel, Kimi e Max Verstappen.
Briga que durou pouco, já que outros dois inúteis que dirigem pela Toro Rosso se encontraram, se arrancaram da corrida e trouxeram o safety car para a pista.
Pensando em Kvyat e Sainz Jr. fico imaginando o nível dos pilotos da academia mantida pela Red Bull se estes dois tapados é que são os melhores do momento.

No quinto giro voltou a valer a aceleração e Hamilton se manteve na frente com a tranquilidade de ter atrás de si uma incógnita chamada Kimi Raikkonen.
Enquanto isto, na sequência de voltas entre a 13 e a quinze, Vettel e Verstappen travaram uma luta de gente grande pela terceira posição.
Max não é fácil de ser ultrapassado e Vettel não é de desistir. Ambos usaram a pista e mais um pouco.
Por sorte nossa, a Liberty é mais relaxada nestas questões. Se fosse a antiga gestão, a briga entraria sob investigação e era bem capaz de sobrar punição aos dois.
Na volta dezenove, Vettel foi aos boxes e encerrou por hora a questão.
Quieto, vindo de trás e com pneus mais duros, Bottas preparava ali o undercut para ganhar, nos boxes, a posição do ferrarista e do piloto da Red Bull.
Uma grande corrida também se faz com uma grande estratégia.

Hamilton foi aos boxes na volta vinte e seis, na volta, saiu atrás de Bottas, que foi o último dos ponteiros a parar.
Por mais que Bottas tivesse deixado Hamilton passar logo na sequência, Bottas já havia cumprido sua meta de estar ao menos na segunda posição à esta altura.
Eram os efeitos da briga entre Vettel e Max aparecendo.
Só não se contava com a demora do finlandês gordinho em ir para os boxes.
Com pneus mais macios, tanto Vettel quanto Kimi recuperaram suas posições.
A briga agora seria com Bottas de pneus mais novos (e carro melhor) encostando nas Ferrari para brigar na pista pelas posições.
O que aconteceu na volta 43 com Bottas colocando pressão em Vettel que não dava moleza.
Bottas por fora da pista, Vettel travando pneus, bonito de se ver, mas com um conjunto melhor calçado, Bottas passou na reta, aí sim, sem maiores esforços.
E a uma volta do fim, Kimi fica sem pneus e tem que ir aos boxes.
A dobradinha da Mercedes estava sacramentada.
E melhor, Vettel, que havia herdado a terceira posição também fica sem pneus e com um furo vai aos boxes na última volta chegando apenas na sétima posição.
A diferença na tabela caiu para apenas um ponto entre o ferrarista e o piloto da Mercedes.
Um campeonato, para ser realmente emocionante precisa de ao menos dois pilotos de equipes diferentes disputando e uma grande dose de sorte.
E claro, ao menos uma corrida na Inglaterra. Sendo em Silverstone, melhor ainda.

13 de jul de 2017

Dia mundial do Rock

Em 13 de julho 1985, Bob Geldof organizou um concerto que – segundo ele – chamaria a atenção para a fome na Etiópia.
Deste concerto, chamado apropriadamente de Live Aid, participaram monstros sagrados do rock:

Queen, Scorpions, David Bowie, Paul McCartney, The Who, Dire Straits, uma quase reencarnação do Led Zeppelin que contava com Phil Collins no posto que pertenceu a John Bonzo Bohan, o então emergente U2 entre outros.
As apresentações foram em dois palcos, um em Wembley, Londres e outro na Filadélfia, no estádio JKF.
Houve também artistas se apresentando em Tókio, Moscou e Sidney.
A esta data foi atribuído dia mundial do rock.

Provavelmente não foi o primeiro concerto coletivo com fins beneficentes, mas foi com certeza o mais famoso, o mais visto ao redor do mundo.
Segundo alguns historiadores e pesquisadores musicais, o evento serviu definitivamente, para alçar o gênero - já há muito consolidado - à condição de musica adulta, séria e não mais um arroubo de adolescentes e baderneiros.
Balela…
O rock sempre foi e sempre será música libertária/libertina, desencanada e descompromissada, mesmo servindo a fins humanitários.
Tanto que perguntado ao fim do evento se o concerto conseguiria mudar a atitude do mundo em relação à situação do país africano, Bob Geldof não titubeou ao responder:
“-Não!”.

Mas que foi divertido, ah isto foi…

12 de jul de 2017

O rock no Brasil não acabou, você que é preguiçoso 2: Besouro Rosa da Esquina.

Jackie Stewart, piloto tri campeão do mundo de F1, atribuiu uma vez à agua consumida por aqui o sucesso dos brasileiros na categoria.
Tendo em vista esta premissa, deve haver algo na água consumida em Minas para que tantos bons nomes surjam na música por lá.
Mas como músicos não são muito afeitos a consumir água, vamos dizer que é o ar das montanhas...
Do Clube da Esquina ao Sepultura passando por Skank e Pato Fu (J Quest não) os artistas vindos da terra do pão de queijo conseguem aliar – sempre! – boas letras com boas melodias e ótimos instrumentistas.
Não por acaso, também é assim com o Besouro Rosa da Esquina, banda formada em Muriaé, região da Zona da Mata mineira e que conta com Alessandro Supertramp (voz, guitarras) Rafael Schelb (bateria e percussão), Tyson Rodrigo (guitarra) e Leandro Oliveira (baixo)

O Início (2017, independente) produzido por Claudir Panda é o primeiro EP oficial da banda e tem, claro, todos os elementos que se encontra em primeiros trabalhos, para o bem e para o mal.
Não espere ouvir melodias intrincadas, cheia de notas e arranjos mirabolantes ou rocambolescos.
A simplicidade dá o tom. E importante, não confunda simplicidade com indigência. Tudo é muito bem composto e arranjado. Não há pontas soltas nas melodias e o disco é bem resolvido com o frescor de novidade sem invencionices. Sacou?

Começa com “Somos Todos Tolos” e uma slide guitar esperta sobre uma base sólida nos lembra country songs.
A harmônica tocada por Alessandro Supertramp remete aos anos sessenta, mas passa longe do sopra e chupa executado por Bob Dylan, por exemplo. Se for realmente necessário comparar, que seja à Lennon ou Jagger que impunham melodia ao instrumento.
Baixo e bateria dialogam enquanto um teclado (cortesia de Felipe Alves que foi convidado a gravar o instrumento) faz a cama para que Supertramp cante sobre a desesperança cínica que tomou conta do país e da falta de ações concretas para sair do buraco.

Tambores anunciam a chegada de “Deb Song”, uma canção de amor que consegue pôr no mesmo bar William Shakespeare e Napoleão Bonaparte e unir Don Quixote e o dragão de São Jorge.
O resultado final é uma canção que deixa o tema da separação amorosa leve e até engraçado, como aquelas histórias de que a gente ri depois de muito tempo que passou.

Já “Qualquer Lugar” conta uma letra bonita e melodia envolvente, Supertramp canta com emoção genuína e encontra soluções originais para a métrica da letra.
A banda toca de forma elegante e é possível, fechando os olhos, enxerga-los sobre o palco.

“Novembro de 2015” é um hard rock pesado, tanto na parte instrumental quanto na temática da letra.
A guitarra agressiva e as viradas da bateria conduzem a música até a entrada da parte recitada da letra que evoca o mega acidente ecológico em Mariana e cita também os atentados no Bataclan em Paris.
Mas quando o vocalista inicia um rap o show passa a ser do baixista Leandro Oliveira que conduz sob fio de navalha deixando espaço para as guitarras florearem em solos e bases iradas.
Vale a pena acompanhar a letra nervosa que mostra que a diversidade de temas é um caminho sólido para a banda.

O disco fecha com “A Força”, um rock com ares épicos e um solo de guitarra que gruda no hd do ouvinte e termina deixando um gosto bom de quero mais.

Depois de ouvir o disco algumas vezes passamos a duvidar tanto da máxima do piloto quanto da teoria do ar das montanhas.
A gente fica com o talento dos envolvidos e com uma pequena pulga atrás da orelha: será que não podia durar só mais um pouquinho?

Ouça aqui: 

9 de jul de 2017

F1 2017 - Áustria: O GP do quase

As corridas na Áustria costumam ser boa naturalmente.
O traçado ajuda, o clima também.
Fatos memoráveis em corridas passadas trazem a lembrança corridas divertidas (triste para alguns, mas é a vida hehehehe)

O deste ano tem um tempero especial.
Os acontecimentos em Baku, ainda que devidamente apurados, investigados, punidos e ameaçados de novas punições, ainda são frescos na memória e podem (ou não) ter algum desdobramento. Nem que seja uma passividade sem graça na pista.
A perda de cinco posições, aliada à classificação não tão boa faz com que um dos protagonistas, Hamilton, largue na oitava posição, enquanto Vettel é o segundo na fila de saída.
A princípio esperava-se que Bottas, o pole, segurasse Vettel para que Hamilton chegasse, só não contavam com os problemas de pneus que todos acabariam enfrentando e, claro, com o fato de Bottas também querer vencer.

As perguntas começaram a ser respondidas quando as luzes se apagaram.
Bottas partiu limpo e foi abrindo, trazendo atrás de si Vettel escorado na máxima de que seu carro tem ritmo de corrida melhor.

Azar de Verstapinho que foi tocado, saiu da pista e teve de abandonar.
Não é bem uma novidade, mas Alonso também abandonou.
O espanhol teve que desviar de Sainz Jr, que largou muito mal e foi acertado por trás pelo russo Kvyat no alto da ladeira.
Há tempos a Toro Rosso não tinha uma dupla de pilotos tão ruim.

Enquanto se especulava (sem razão) que a ótima largada de Bottas era fruto de uma queimada de largada, a outra Mercedes vinha ganhando posições.
Na nona volta, Hamilton já era o quinto e assim foi até a troca de pneus que começaram na volta 32.
Mesmo apresentando bolhas, ninguém foi antes aos boxes.
O líder, Bottas, só foi aos boxes na volta 42, Kimi, que com a parada de Vettel herdou a segunda posição, ainda demorou a fazer sua parada, talvez para ajudar a segurar o ritmo de Bottas, mas uma Mercedes com pneus novos é difícil de segurar e na volta 44 Bottas passou e foi embora. Só aí Kimi foi para os boxes.
Se a Ferrari não tem mais o melhor ritmo de corrida em relação aos Mercedes, ao menos ainda parecem tratar melhor o desgaste de pneus.
Após a rodada de pits, a maior novidade era Hamilton ter ganho a posição de Kimi e ocupar o quarto lugar, como desvantagem, os pneus do inglês se desgastavam rapidamente sendo possível ver nos closes e câmeras onboard o estrago.
E ainda assim, na volta sessenta, fez a volta mais rápida da corrida.

Apenas nas duas últimas voltas a emoção apareceu em duas brigas simultâneas: Hamilton tentando passar Ricciardo pelo terceiro lugar e Vettel brigando com Bottas pela ponta.
Mas nada feito.
Segunda vitória de Bottas e Vettel em segundo para ter vinte pontos de vantagem sobre Hamilton no campeonato.

7 de jul de 2017

F1 2017: Uma sexta que precede o GP

Arrependido, Vettel disse ter tomado decisão errada em relação a Lewis em Baku.
Na verdade, ele até tomou a decisão certa, mas errou na execução.
Nem conseguiu tirar o cara da pista! Bateu do lado e nem foi com força pra quebrar uma suspensão ou jogar o cara no muro...
Deviam dar mais dez segundos só por não ter feito nada no carro da Mercedes.

Vettel também justificou a demora em pedir desculpas a Hamilton.
Ele não tem twiter, não tem Instagram, não usa facebook e nem uátizape.
“-Eu poderia ter telefonado, mas como a maioria destes jovens do novo milênio, Lewis também não sabe atender telefone. Ah, e claro.... Eu poderia ter dado uma declaração à imprensa com uma nota oficial pedindo desculpas, mas não sei se ele sabe ler. ” – Disse o alemão.

Já Hamilton disse que após bate papo com Vettel, os acontecimentos no Azerbaijão são “aguas passadas”.
E aguas passadas não movem moinhos e nem geram punições, mas deixam a porta aberta para dar outro brake test nele e ele não poder dizer mais nada.... Ficar pianinho, se não vai ter punição muito mais nível hard que apenas dez segundos.

E Lewis disse também que aceitou as desculpas de Vettel, mas ainda está esperando uma resposta mais dura da FIA.
Tipo: “-Te perdoei, mas quero ver você queimar no inferno! ”.

E Daniel Ricciardo, que não tem quase nada a ver com isto disse que a punição ao Vettel foi mais que justa.
O problema com o encosto de cabeça do Lewis também foi justo.
Os problemas no carro de Felipe Massa também foram justos.
Tudo isto para não admitir que a vitória caiu em seu colo e dizer que não esperem nada parecido na corrida no autódromo que pertence à equipe que ele corre.

Para fechar...
A Liberty acertou em modificar os carros da F1 e deixá-los mais bonitos.
Acertou em flexibilizar os julgamentos de disputas conseguindo assim ter menos punições por questões de pista.
Acertou em colocar a entrevista pós classificação direto da pista logo após terminar.
Acertou em deixar os pilotos mais livres para falar e fazer o que quiserem no pódio. Ricciardo tomando champanhe na sapatilha é impagável.
Acertou até em colocar diretores de imagens mais “engraçadinhos”...
Mas a Liberty acertou mesmo foi em mandar mala direta para quem assina o site da F1 divulgando o GP da Áustria com o título: Run to the hills.
Yeah!
Run for your liiiiiiiiiiiiives!.

5 de jul de 2017

F1 2017: 2 toques (na verdade um toque e uma pancada)

A F1 chegará a Áustria, um lugar tradicional e com uma pista bem boa, ainda sob o impacto da “investigação” que a FIA promoveu sobre o acidente/incidente/rixa de Baku.
Vettel pediu desculpas, prometeu se comportar e não teve mais nenhum tipo de punição além dos dez segundos que tomou na pista do Azerbaijão.
Para quem achou que os dez segundos foram pouco, foda-se.
O mais engraçado é que não houve sequer, por um momento apenas, uma possibilidade de punição a Hamilton.
A história que ele conta sobre ter diminuído gradualmente a velocidade é risível.
Quem não é burro ou desonesto e viu o vídeo sacou sem maiores traumas que foi uma desaceleração grande e abrupta.
E não é a primeira vez do cara, como andaram dizendo.
O rapaz já mentiu, já forçou situação de falta de combustível, já jogou o carro para cima de Nico Rosberg e por aí vai...
Mas tudo bem.
A disputa chega limpa ao circuito de Spielberg e vamos poder assistir, se tudo der certo para os dois, a briga se desenrolar na pista.
E que saia faíscas.

A nova F1 está fantástica.
Carros mais bonitos.
Mais rápidos.
Dois pilotos de duas equipes diferentes disputando o campeonato prova a prova.
Uma rivalidade nascente entre eles com direito a brigas na pista e intervenção da FIA.
Até alguns acidentes bacanas como aquele em que o Button colocou outro carro de cabeça para baixo em Mônaco já tivemos.
Mas falta algo...
Porém, a Renault parece estar trabalhando para fazer com que este algo que falta seja suprido nesta temporada ou na próxima.
Após ter feito testes em Valência com um carro de 2012 e uma exibição em Goodwood, o polonês batedor Robert Kubica está cotado para andar no carro deste ano da Renault na sexta feira anterior ao GP da Itália.
A princípio, pode ser apenas uma forma de pressionar o motorista Jolyon Palmer a fazer um trabalho minimamente decente com o carro do time francês e ainda dar um golpe promocional.
E o que isto tem a ver com o que falta na F1?
Kubica é o mais cotado no mundo para dar a F1 da Liberty seu primeiro acidente fatal.
Até porque, sorte também acaba e este cidadão que, na minha opinião, não passa de um braço duro/eterna promessa, porrou de forma espetacular e quase morre em todas as categorias que passou.

Fica a pergunta: É assim que a Renault quer voltar a ser grande?

3 de jul de 2017

Bye bye Dennis, Dennis bye bye

Quando se fala em McLaren duas coisas imediatamente vêm à cabeça, uma delas, claro não poderia deixar de Ayrton Senna.
Não por ser “o brasileirinho que conquistou o mundo e blá blá blá...”, longe disto.
Estando envolvido – como espectador – desde 83, provavelmente foi o time que mais vi ganhar corridas.
Senna, Prost, Mika, Hamilton e perdoe se estiver esquecendo alguém.
Aliás, quando comecei neste treco, um dos pilotos da equipe era ninguém menos que Niki Lauda.... Mas penso que não o vi ganhar uma prova. Se vi, não me lembro.
A outra é coisa que vem à mente é Ron Dennis.

Do antigo chefe/dono da equipe de Woking pode-se dizer de tudo.
Desde que era duro, competitivo in extremis, mão de vaca, arrogante, mas não pode dizer de forma nenhuma que não foi um vencedor.
Desde que pegou uma equipe com sérios problemas de orçamento e fundiu com sua Project Four (daí os nomes dos carros do time começarem com MP4: McLaren Project Four) foram dez mundiais de pilotos e sete de construtores.
Há a exclusão do campeonato de construtores de 2007, mas no mundo a parte que é a F1 em que não há santos, ninguém pode acusar pecado de ninguém.

Agora, após ter se afastado (ou ter sido afastado) do comando do time de F1 (dizem que por vingança de Bernie Ecclestone, que condicionou isto à uma pena mais leve no caso da espionagem em 2007), agora o ex chefão vende o que restava de suas ações e se afasta definitivamente da empresa que agora estará nas mãos de (atenção para piada preconceituosa e de cunho estereotipador) alguns ricaços do oriente médio, o que explica – em parte – as bombas que vem colocando nas pistas nos últimos anos e explodido carreiras promissoras e até um campeão do mundo.

Dennis também carregava a imagem de homem inflexível e duro, mas uma cena vista algumas vezes em um documentário sobre Senna joga isto por terra.
Após uma vitória particularmente difícil ou importante – perdoem os lapsos de memória – Ayrton sai do pódio e passa por um corredor apertado em direção à sala onde terá lugar a entrevista coletiva pós corrida.
Escondido atrás de um tapume, Dennis salta e com um balde de água encharca o piloto e sai pulando e rindo como um moleque que acabou de fazer uma grande traquinagem.
Dennis pode até não fazer falta.... Certamente não fará, mas é inegável que a história da F1 deve lhe dedicar um capítulo especial, detalhado e bem longo.
Como poucas pessoas merecem.

30 de jun de 2017

Ron Groo orgulhosamente apresenta: O cu do cavalo (um conto original, pero no mucho)

Na região da Praça Princesa Isabel, no centro velho de São Paulo há uma estatua equestre de Duque de Caxias.
Garboso, o herói da guerra do Paraguai está montado em seu vistoso cavalo em pose de vitória: o cavalo trota enquanto o cavaleiro brande ao ar a espada.
A obra é do nobre artista italiano Victor Brecheret e foi inaugurada em Vinte e Cinco de Agosto de Mil Novecentos e Sessenta. Tem a altura de um prédio de dez andares, contando claro, com o pedestal feito em granito.
Como todo monumento em toda metrópole, após um tempo ninguém dá a mínima importância. Passa-se por ele e nem se da conta de que está lá.
Se não estiver, muita gente nem vai notar.
Porém há um detalhe na estátua, que se diga, sempre esteve lá, mas que nestes tempos de “politicamente correto” começou a incomodar um tipo de gente muito especial que, só com muito tempo ocioso - e pago com dinheiro público – se incomodaria: os nobres vereadores.

-O nobre colega há de convir que é uma indecência! – diz um situacionista.
-Até é, mas não é tanto assim... Afinal todo mundo tem um daqueles... – retruca um da oposição e assim vai adiante a discussão.
-Alto lá, senhor vereador! Todo mundo necas! Lembre-se o senhor que se trata de um cavalo de quase onze metros, logo o tamanho da indecência é muito maior que a que nós todos temos... A não ser que o nobre colega da oposição... Não é?
-O senhor está insinuando o que? Que eu tenho um daquele tamanho? Eu vou lhe dizer o que é que eu tenho que é daquele tamanho...
-Ordem... Ordem – pede o presidente da casa – Não é brigando aqui que os nobres senhores vão arrumar uma solução para o caso... Vamos dar a palavra ao nobre colega que trouxe o problema a esta casa. Com a palavra o nobre vereador Nico Cajaz...
-Bem, eu... Eu fico até com vergonha de dizer isto..., Mas aquele enorme cu equino lá tem que sair... Eu fico imaginando minha mãe passando pela Avenida Rio Branco e olhando para cima... O quanto a minha mãezinha, dona Rosa Cajaz não ficaria chocada...
-Mas o nobre colega tem a mesma opinião de sua mãe? Ou acha que toda a população tem a mesma opinião? Eu particularmente não tenho uma formada.
-O senhor já passou por lá?
-Não...
-Então nunca olhou debaixo da cauda erguida do cavalo do Caxias?
-Sinceramente não. O que tem demais lá?
-Uma protuberância saltada, como se o pobre do animal sofresse de hemorroidas!
-Olha..., Mas é possível sim, viu – interrompe novamente o presidente da câmara, e prossegue – Diz aqui no livro dos monumentos que para a inauguração da estatua foi servido um lanche para os que trabalharam em sua confecção, lá no Liceu de Artes...
-Mas, meu presidente? O que tem isto com o que estamos discutindo?
-Meu caro colega... Vai que neste lanche se serviu calabresa, vatapás ou outras comidas apimentadas quaisquer?
-Mas... Nobre presidente? O cavalo é de bronze! Dificilmente comeu um destes lanches?
-Dificilmente? – gritam todos os presentes em uníssono. – Mas tu é burro hein?
-Não o cavalo, sua cavalgadura, mas um dos operários que ajudaram a fazê-lo... Aí sentiu os resultados e resolveu expressar no cavalo...
-Mas o artista ia permitir isto? Vamos lembrar que é de Victor Brecheret!
-E por acaso, por ser artista, ele estava isento?
-De impostos?
-Não... De hemorroidas...

O fato é que não chegaram a nenhuma conclusão sobre o que fazer com a parte saltada da anatomia anal do cavalo. E como toda vez que isto acontece a voz popular é chamada a opinar e um plebiscito é convocado.
Sem maiores explicações a cédula de votação traz as seguintes opções:
1 – deixar lá como está.
2 – tirar a base de lima, já que é de bronze.
3 – trocar o rabo do cavalo, para que ele fique abaixado e assim encubra a vergonha.

Nas ruas, um jornalista que sem mais o que fazer se ocupou da história e entrevistava pessoas na rua.
-O que a senhora acha deste plebiscito?
-Uma besteira... Imagino que o imbecil que primeiro se ocupou desta coisa deva ser um desocupado... Acha que um cu de cavalo vai aborrecer quem vê um monumento destes?
-Muito obrigado... Qual seu nome, por favor?
-Rosa... Rosa Cajaz. Com “z” meu filho...

29 de jun de 2017

F1 2017: Let the children play

A FIA confirmou que abriu uma nova investigação sobre o acidente/incidente/quebra pau entre Vettel e Hamilton no GP da Europa disputado em Baku.
A entidade máxima do automobilismo estuda até nova punição ao piloto alemão que pode ir de uma simples desclassificação daquela corrida até a suspensão de uma prova. Qualquer das punições beneficiaria Hamilton de forma fantástica, já que a punição durante a corrida, apesar de dura, acabou não surtindo efeito algum já que Lewis também teve de ir aos boxes para consertar o problema com seu encosto de cabeça.

A regra já é um bocado estúpida: deixar que o ponteiro controle a relargada em movimento é dar poder demais ao piloto em algo que ele não deveria ter.
Mais correto seria como em outras categorias onde a corrida só volta a valer após a passagem pela linha de chegada com bandeira verde sinalizando que está valendo.
Dá forma que é hoje, coisas escrotas como a frenagem exagerada e fora de local aplicada por Hamilton podem se repetir sem que nada lhe aconteça e quem vem atrás (sem ter muito o que fazer como no caso de Vettel), bater.

A reação do alemão foi exagerada sim.... Jogar um carro em cima de outro deliberadamente ainda que em baixa velocidade não é seguro e nem esportivo, mas qualquer um com sangue nas veias e apetite por vitórias teria a mesma reação no momento.

Uma nova investigação e possível punição sem que nem se avalie a conduta de Hamilton no episódio acaba ficando algo desproporcional e aparentemente tendencioso.
Acabaria colocando novamente a categoria sob suspeita de favorecimento e manipulação já que Vettel é o líder por uma margem não tão confortável, mas boa o suficiente se analisarmos as performances nas corridas até aqui.
E, assim como lembrou o jornalista Rafael Lopes da página Voando Baixo, é hora de se pensar também no torcedor ocasional, aquele que se interessou pela F1 (agora ou novamente...) em razão da briga/rivalidade entre Sebastian e Lewis.
Uma intervenção com mão pesada agora com certeza iria esfriar o interesse de muita gente.

Agora é hora de ver até onde a Liberty está disposta a dar uma nova cara à F1.
Saber se vai proteger seus interesses, protegendo também os dos fãs ou se vai ficar apenas na perfumaria com questões satélites à disputa.
Por que se for para ficar promovendo sentimentalismos baratos ou propondo que todas as equipes – pelo bem do show – façam a apresentação de seus carros em um único evento, melhor devolver tudo para o Bernie e deixar que ele faça o enterro da categoria quando se for.

27 de jun de 2017

F1 2017: Coming Soon

A rivalidade entre Senna e Prost não rendeu um filme hollywoodiano, mas um documentário (chapa branca pra caramba) em que o francês é pintado como um vilão maligno mancomunado com uma direção tendenciosa e má intencionada apenas para ferrar com o brasileiro.
Ainda assim é muito bom.
Já a rivalidade entre Lauda e Hunt rendeu um filme contestado em que não há vilões, mas fatos circunstanciais que identificam cada qual com a vilania em seu tempo.
A arrogância de Hunt, Lauda dedurando o carro do inglês por estar com pneus fora da especificação (no filme, no filme...) até a redenção da recuperação milagrosa de Niki e o título mundial de Hunt.
O filme também é bom.

Grand Prix é ficcional, mas contém elementos de diversas brigas e rivalidades da F1 nos anos 60 e até antes.
Não é preciso falar do quanto este filme é bom.

Que tipo de filme, daqui há dez ou vinte anos, teremos sobre a F1?
Nico, a vitória do segundo!
Talvez não tenha tanto apelo dramático para vender ingressos ao redor do mundo. Mas a temporada 2017...
Eis os argumentos para o roteiro.
No início eram amigos e dava entrevista juntos dizendo o quanto ter dois pilotos de equipes diferentes disputando o título mundial corrida a corrida, vitória a vitória era importante para a categoria.
Ai, após igualar o número de poles de um certo piloto, Hamilton ganha um capacete pertencente a ele e coisas estranhas começam a acontecer.
De repente, em uma corrida sem grandes perspectivas de emoção, uma ordem da direção faz com que Hamilton freie inesperadamente e aplique um break test em Vettel, que fulo da vida, coloca seu Ferrari ao lado do Mercedes do inglês e lhe dá um chega pra lá jogando seu carro contra o carro do inglês
Olhares duros durante uma parada de bandeira vermelha, mas nenhuma declaração, nenhum movimento só aumentam o clima de tensão.
Após a prova, que nenhum dos dois venceu, mas que apesar de punido, o alemão se deu melhor, começam as animosidades.
“-Se quer provar que é mais macho, que faça isto fora do carro. ”  - Diz um Hamilton marrento.

Um desdobramento razoável seria Vettel entrando no paddock da Mercedes e plantando a mão na orelha de Hamilton mostrando ali que a paz acabou de vez e que o jogo duro, por vezes sujo está declaradamente valendo.
Um diretor bacana para este filme não poderia ser Ron Howard, nem Spielberg ou Coppola, mas o grande Quentin Tarantino...
Hamilton seria Jamie Foxx.
Vettel teria que ser Leo DiCaprio.
Toto Wolf seria Christoph Waltz com o cabelo pintado.
Bottas e Kimi seriam qualquer ator, não importa.
E no meio do filme, em uma cena na sala de reunião da direção de prova em um autódromo qualquer, haveria um impasse com uns apontando armas para os outros e uma tensão no ar à espera de quem puxaria o gatilho primeiro.

Título do filme?

25 de jun de 2017

F1 2017: Azerbaijão - Baku tem que ficar (pra sempre!)

O entorno é fantástico!
A mistura do moderno e do antigo é a própria cara da F1 que alia o que há de mais moderno com a tradição de ser disputada há mais de cinquenta anos.
Porém, tem ainda que se provar como um lugar que pode receber boas corridas.
A prova do ano passado, por ser a primeira, foi de morna para fria.
Todos procurando os limites e os melhores caminhos dentro da pista e a disputa ficou bem engessada.
Para este ano o panorama não era muito melhor e nem mais animador, afinal, tudo mudou: carros, aerodinâmica, grip.... É como se fosse a primeira vez de novo.

Na pole Lewis Hamilton (agora o segundo maior neste quesito) marcou um tempo extremamente baixo. Ao seu lado o companheiro de equipe e logo atrás as duas Ferrari.
A largada prometia e cumpriu: Bottas briga com Kimi, perde o bico e fura um pneu.
Vai os boxes e volta com pneus diferentes. Tinha que mudar a estratégia mesmo.
Kimi caiu para sexto, mas continuou. Mesmo sendo acertado por pedaços de carro antes de fazer a chicane do Castelo.
Lá atrás, Danill Kvyat vai parar na área de escape e quando retorna dá um susto em seu próprio companheiro de equipe que, sozinho, roda na pista.
E é este cidadão, Sainz Jr, que andou declarando que ano que vem disputa o título guiando um Red Bull. Eita nome forte este do pai que ele tem...

Na décima volta, Kvyat tem um problema de motor e para na pista.
Curiosamente fica por lá por três voltas até que a direção resolva pôr o SC na pista e retirar o carro de lá.
Neste meio tempo, uma briga que se mostrava empolgante acaba com o motor de Max Verstappen quebrando.
A confiabilidade é maior problema neste ano para a Red Bull.
O SC ficou várias voltas na pista e quando saiu, Massa fez uma ultrapassagem maravilhosa em Kimi Raikkonen pela quarta posição e Sérgio Perez, este sim, fazendo um ano maravilhoso, pressionou Vettel até o limite do possível pela segunda posição. Em vão, mas foi bonito.
Antes do fim da volta o SC já estava de volta para que se retirasse da pista pedaços da Ferrari de Kimi que se soltaram.
Antes do SC sair da pista, Hamilton faz um break test em Vettel e os dois se batem. |
Vettel, irritado, coloca o carro ao lado de Hamilton e gesticula com as duas mãos. Novo toque e desta vez proposital do Vettel para cima de Hamilton.

Sem nada com isto, Felipe ataca e quase assume a segunda posição.
Já as duas Force Índia se acham na briga e mais uma vez os companheiros de equipe acabam com a corrida um do outro.
O golpe de marketing que a Force Índia programou com a cor do carro ganhou um upgrade no fato dele ser muito bom.
Mas precisa administrar os pilotos ou não vai a lugar nenhum.

A quantidade de pedaços de carros era tão grande (Ferrari, Force Índia, Red Bull...) que a bandeira vermelha foi acionada.
Todo mundo no pit lane esperando a limpeza da pista para uma nova relargada.
Então o show da vez foi de Daniel Ricciardo que passou as duas Williams: Massa que tinha problemas e Stroll que fazia sua melhor corrida.
Massa vai aos boxes e por lá fica.
Sua melhor corrida na temporada estragada por um problema do carro.
Lá na frente, o protetor de cabeça de Lewis Hamilton se solta e fica no limite de sair do carro.
A cena com Lewis segurando a peça enquanto dirige com uma mão só na imensa reta é daquelas que merecem ser revistas.
Hamilton é chamado pela direção da corrida aos boxes para arrumar a peça e perde a chance da vitória, mas no mesmo momento sai a punição para Sebastian Vettel pelo chilique voltas atrás.
A prova fica mais aberta que nunca.
Na volta trinta e quatro, Vettel cumpre seus dez segundos de punição e Daniel Ricciardo assume a ponta com – acredite – Lance Stroll em segundo.
Ao voltar para a pista, Vettel ainda sai a frente de Hamilton, ganhando de fato, a posição.
A corrida até aqui estava sensacional!

E para finalizar, além da vitória imprevista de Daniel Ricciardo, Valteri Bottas consegue o segundo lugar em cima de Lance Stroll nos últimos metros de prova.
Últimos metros! Quase em cima da linha de chegada.
O que não tira o mérito do menino canadense, mas entristece um pouco a torcida.


Agora é oficial: Baku não pode ser modificada e nem sair do calendário jamais.

23 de jun de 2017

F1 2017: A corrida em Baku e a etiqueta que ficava no...

Este fim de semana tem F1! (Chico sorrindo)
É no Azerbaijão... (Chico chateado.)

A pista é bonita, rápida, o entorno é maravilhoso e tudo... E ainda é apenas a segunda vez que se corre por lá. Logo, há de se ter boa vontade com o lugar (ao menos por enquanto) e esperar que todas as mudanças feitas nos carros e que os tornam totalmente diferentes dos que disputaram a primeira prova naquele país deixem as coisas mais interessantes.
Por enquanto duvido, mas...
Melhor mesmo é contar uma histórinha ocorrida dentro daqueles coletivos marotos...
Basta subir em um coletivo e apurar os ouvidos e as coisas acontecem.
Esta foi assim, segue a transcrição da conversa.

-Véi, vou mandar um email pra uma fábrica reclamando de um produto ai...
-Sério? Celular? Televisão?
-Nada... Cueca!
-Ih, que foi? Alergia? Se for isto nem adianta reclamar. Tem nas etiquetas
-Não é alergia não... É das etiquetas mesmo.
-Como assim?
-Porra! Os caras colocam umas etiquetas enormes, de um material duro em partes sensíveis do nosso corpo. Tá certo não.
-Como assim? (já rindo) Que tipo de cueca cê anda usando?
-Tô falando sério pô! Aquelas cuecas box, boxer... sei lá o nome.
-Sei! Aquelas que parecem um shortinho apertado. Acho confortável.
-Até é... Mas a porcaria da etiqueta fica lá incomodando.
-Geralmente fica do lado, na costura lateral.
-Pois é, mas nestas que comprei fica bem no rego.
(Ai já não seguro o riso e o interlocutor ainda contaria mais o que eu precisava saber)
-Ai é foda! Material duro no rego deve ser desconfortável mesmo.
-Cê ri porque não é contigo. Mas eu vou reclamar mesmo. Tem que trocar o lugar destas etiquetas ou o material... Mas tem que dar um jeito.
-E se eles não derem ouvido pra suas reclamações?
-Não compro mais desta marca e ainda mando enfiar a etiqueta no cu...
-Bom, acho que isto eles já fizeram... E com você. (e cai na risada)

Puxo a cordinha da solicitação de parada, desço um ponto antes só para poder rir enquanto ia andando.

21 de jun de 2017

Gaiatos

O sabonete já fazia sucesso no mercado.
Não era caro como o concorrente Phebo e nem era tão barato quanto o popular quanto o Eucalol, mas vendia bem.
Tinha um perfume suave e durava o mesmo que os outros, mas dizia em sua embalagem que conseguia chegar a “cinquenta banhos ou mais! ”.
Seu nome? Sabilo. Pronunciava-se “sablo”, ignorando totalmente a vogal.
De olho em uma fatia maior do mercado, porque não? A pequena empresa paulistana que o produzia resolveu apostar na publicidade para aumentar um pouco mais as vendas e, quem sabe, fazer de seu produto um sucesso nacional.
Contratou uma agência ainda em crescimento para a empreitada e esta não decepcionou.
Espalhou pelos bondes da capital paulista cartazes com a marca “Sabilo” com os dizeres: “mais banhos, menos preço! ” e aguardou a resposta popular.
E quando esta veio, foi na forma mais saudável para uma empresa: as vendar subiram em uma percentagem considerável.
A popularidade do sabonete foi às alturas e com ela também veio a onda de gaiatos que sempre acompanha algo que faça sucesso.
Não se sabe de onde exatamente veio um jingle não oficial e não solicitado que grudou na cabeça e principalmente, nas vozes da população: “-Sablo, Sablo, sabonete pra cavablo...”
Após isto o sabonete perdeu vendas e sumiu do mercado sem nunca ter sido comercializado além das fronteiras do estado de São Paulo.

Outro caso curioso se deu com a Volkswagen que em 1965 resolveu apostar em um modelo novo para o então já consagrado VW 1200, o popular Fusca em terras brasileiras.
Certa de que com o calor feito por estas bandas, uma janela panorâmica no teto do carro seria algo, além de apreciado, muito desejado pelos compradores.
O popular teto solar foi implantado na produção e no final de 1965 chegava as concessionárias um dos primeiros, se não o primeiro, carro produzido no Brasil com a característica.
Porém, bastou o primeiro gaiato dizer que aquilo era para acomodar os apêndices da traição conjugal do motorista do veículo que as vendas despencaram para perto do zero absoluto até o fim de sua produção em meados de 1966.

Apelidado de “cornowagen”, os simpáticos carrinhos que já haviam sido vendidos começaram a receber chapas soldadas em seus tetos e cirurgia plástica completa para troca do forro interno.
O que não resolvia totalmente o problema daqueles que haviam comprado o veículo já que quando da revenda do carro, o possível comprador ao inspecionar achava os sinais da operação de tapagem do teto solar olhava desconfiado para o vendedor como quem inquiria: “-Perdoou a mulher, mas vai vender o carro né? Chifrudo...”


Por último, na cidade de Franco da Rocha, apostando em um mercado pouco explorado na região, um cidadão chamado Santiago Keller resolve fundar uma pequena metalúrgica especializada em parafusos, porcas, pregos e afins.
Batiza sua fábrica com seu pomposo nome e se põe a trabalhar incansavelmente para consolidar e expandir sua empresa.
Porém, os gaiatos locais nunca chamaram a fábrica pelo nome que seu fundador lhe deu e referiam-se a ela apenas como a “fábrica do zé ruelas”.
A empresa ainda existe e funciona, mas se alguém fora da região conhece-la pode-se considerar um pequeno milagre...

19 de jun de 2017

Antes era pior... 17: Imparcialidade e isenção

Jornalista isento, imparcial...
O que hoje é um mito e uma grande mentira, já teve lugar na vasta história do jornalismo feito no Brasil.
Mas, segundo Nelson Rodrigues, foi um só.
E olha que o próprio Nelson é oriundo de uma família de jornalistas. Do pai a irmã mais nova.
A história é a seguinte: em 1949 o Diário Carioca promoveu na linguagem jornalística brasileira uma verdadeira revolução adotando uma técnica americana que uniformizava os textos (como se todos fossem escritos por uma única pessoa, ou melhor, como se aquela sintaxe representasse a voz do jornal e não dos diversos jornalistas envolvidos em sua feitura) e implantava nas redações a figura do “copy desk”  que nada mais era do que um redator encarregado de enxugar as matérias de verbos demasiados e literatices em geral.
As primeiras linhas das matérias teriam obrigatoriamente de ser objetivas. O nome disto era “lead” e ali deveriam ser respondidas as perguntas: “quem? ”, “quando? ”, “onde? ”, “por que? ”  e “como? ”
Esta revolução foi implantada pelo jornalista Danton Jobim, que era diretor do jornal e por Pompeu de Souza, seu redator chefe, e logo se espalhou por outros periódicos.
A ideia era limar das manchetes (e do corpo da notícia) qualquer resquício de paixão que pudesse dar a entender que aquilo era algo parcial.
Nelson, literato por natureza, achou aquilo um empobrecimento da notícia e logo apelidou os tais “copy desks” e seus “leads” de: “os idiotas da objetividade”.
Ele sabia que aquele papo de “isenção” e “imparcialidade” era uma grande patacoada, que com “lead”, “copy desck” ou sem nada disto, os jornais eram e seriam para sempre, em suas palavras “-...imparciais de araque! ”.

Cobrado sobre esta posição, Nelson disse que nem todos os jornalistas eram parciais.
E disse mais... Falou também que havia um único jornalista que ele conhecia muito bem e que este sim era totalmente isento e imparcial.
Seu nome era Otto Lara Resende.
Chamado a explicar o porquê pensava assim, Nelson mandou na lata: “-Otto é o único capaz de ver os dois lados de uma questão.”.
O que nunca explicou era o porquê de pensar assim.
Durante uma disputa entre os jornais O Globo e o Diário de Notícias por conta de algumas histórias em quadrinhos, Otto, que trabalhava para os dois periódicos, chegava pela manhã na redação do jornal dos Marinhos e escrevia um editorial (com lead e passando pelos copy desck) desancando o Diário violentamente.
Saia da redação ao meio dia, almoçava em um pé sujo próximo e seguia para o jornal de propriedade de Assis Chateaubriand, onde redigia uma ainda mais violenta resposta ao Globo.
Inquirido se aquilo era verdade, Otto sempre negava, mas Nelson atribuía a negativa à uma “-...gigantesca e mineira modéstia! ”.

16 de jun de 2017

Groo Recomenda: Anvil! The Story of Anvil (2008)

Em 2009 Steve “Lips” Kudlow e Rob Reiner estavam no evento de premiação do People´s Choice Awards concorrendo ao prêmio de melhor documentário com “Anvil! The Story of Anvil” quando o vocalista reconheceu (e como não reconhecer?) Paul McCartney sentado em uma das mesas à pouco mais de vinte metros de onde estava.
Lips se conteve até ser anunciado o vencedor de sua categoria e assim que o resultado foi divulgado -  e eles não venceram, cabendo à um documentário sobre golfinhos o prêmio – ligou o “foda-se” e se levantou para se dirigir à mesa do beatle para pedir um autógrafo quando foi agarrado (literalmente) por Quentin Tarantino:
“-Estes bastardos deram o prêmio para alguns peixes, cara! ” – Gritou o diretor.
Lips, agradeceu o apoio, balbuciou algo sobre ser muito bom encontrar com Tarantino, pediu desculpas e disse que queria muito falar era com Paul.
Ao chegar à mesa de McCartney, que estava cercado por amigos e sua equipe, viu um assustado Paul olhar em direção a eles e reconhecer o baterista Rob Reiner sem fazer esforço.
“-Oh meu Deus! São os caras do Anvil! Será que teremos algum rock esta noite? ” – Gritou Paul e desmontou qualquer ação de fã que Lips e Rob pudessem ter naquele momento.
Algum tempo depois, em uma entrevista para o Chicago Tribune, Lips disse que saber que Paul McCartney os conhecia foi a coisa mais legal que aconteceu desde a formação da banda em 1973.
Exageros à parte, quando se assiste o documentário que concorria ao prêmio do People´s Choice Awards é quase possível acreditar que aquelas palavras ditas ao jornal eram verdade.
A história do Anvil a principio é igual a de muitas bandas surgidas durante o boom do BNWOHM (British New Wave Of Heavy Metal), movimento que deu ao mundo, entre outros, Iron Maiden, Saxon, Manowar...
Logo na abertura, uma sequência de all stars do rock tece tantos elogios ao grupo que um desavisado acaba pensando que se trata de mais um filme sobre rock stars milionários e famosos, mas assim que Lemmy, Lars UIrich, Slash, Tom Araya e alguns outros somem da tela o que se vê é apenas a história de dois caras que conseguiram projeção durante um período de uma cena iniciante e depois (por problemas de crise criativa ou apenas saturação do mercado) caíram em certo nível de ostracismo que não raramente implode carreiras, destrói pessoas e leva a depressão.
Lips trabalha em uma espécie de empresa que fornece comida à escolas e fábricas enquanto Rob Reiner defende uns trocados reformando casas em Ontário, no Canadá.
Amigos desde sempre, o documentário mostra um pouco da origem do grupo, quando os dois se conheceram, e passa rapidamente pela discografia da banda, retornando ao ponto em que tocam nos fins de semanas em bares canadenses para não mais que vinte ou trinta fãs.
Alguns, como Mad Dog (apelido, claro...) os acompanham desde o primeiro disco e diz com orgulho que além de fã, também é agora amigo dos caras, já tendo recebido em sua casa e das mãos de Lips, discos, camisetas, vídeos e até convites para festas.

Histórias como as de uma turnê/roubada pelo leste europeu e terminando na Itália seriam deprimentes, se não acabassem tão engraçadas.
A agente, uma italiana de meia idade que também é fã do grupo, fecha shows em bares com a promessa de receberem algo em torno de mil e quinhentos euros por show e muita divulgação, mas na maioria dos lugares por onde passam acabam não recebendo um centavo sequer e a divulgação não passa de folhas de sulfite escritas com pincel atômico.
No show com maior público, vinte testemunhas aparecem para ver Lips e Reiner quase irem as vias de fato com o dono do bar que alega atraso na chegada da banda ao local para não pagar após o show.
Chega a ser cômico um dos espectadores se apresentar como advogado e aconselhar os dois a não só processar o contratante como também trocar de agente: “-Seu agente é uma bosta! ” – Diz ele para o cantor.
De volta ao Canadá, seguem-se discussões sobre o futuro da banda, depoimentos de parentes (mães, pais, esposas, amigos) sobre a dedicação cega dos dois sem nunca desistir mesmo estando quase esquecidos.

A redenção começa quando o antigo e famoso produtor musical Chris Tsangarides os contata para saber se eles têm material suficiente para fazer um novo álbum e os convida à sua casa na Inglaterra e – claro – diz o quanto terão que gastar.
Rob, Lips, Tsangarides e o baixista Glen Five
Sem o dinheiro necessário, se aventuram por diversos empregos e Lips chega até a trabalhar em uma empresa de telemarketing indicado pelo fã (e amigo) Mad Dog, mas por não conseguir mentir sobre a qualidade dos produtos que vende (óculos de sol) se demite sem conseguir um só dólar.
A situação se resolve de uma forma muito comum.... Para bandas iniciantes.
A irmã mais velha de Lips acaba lhe dando o dinheiro e um depoimento comovente sobre como quer que o irmão seja feliz correndo atrás de seus sonhos, mesmo que ele já esteja com mais de cinquenta anos de idade.
Tanto sofrimento contrasta com a felicidade de terem sido convidados a participar de um festival no Japão, onde a banda viveu alguns dos melhores momentos de sua carreira e ao chegar por lá, inseguros com o medo de não haver mais do que dez fãs à sua espera no local do show, se surpreendem com o quanto ainda são populares e queridos.

Filme mais que indicado para fãs de rock, heavy e afins e para quem acha que o fato de gravar (bons) discos (no caso do Anvil, mais de quinze) garante um “para sempre” no auge. E claro, para quem não gosta de rock, heavy e afins, mas gosta de boas histórias.

Disponível no Netflix.

13 de jun de 2017

O capacete do segundo colocado

Que Lewis é fã confesso de Ayrton não é segredo e nem detalhe escondido, logo, para ele, poderia fazer mais sentido festejar ultrapassar seu ídolo do que o recordista real, mas... Hamilton é o tipo de cara que briga sempre pelos melhores e maiores números e não pelos mais significativos. Até por isto a surpresa ao receber o mimo.
Já para o IAS...
Por que catzo o Instituto Ayrton Senna foi até o Canadá festejar o fato de Hamilton ter igualado em número de poles o seu representado?

Ayrton foi o grande nome em sua geração. É e será sempre um dos maiores deste esporte.
Prost ganhou mais títulos, mas não foi tão icônico para o esporte quanto Senna por tudo que aconteceu e blá blá blá...
Nem vou citar o sete estrelas Schumacher para não atrair haters, ufanistas e pachecos em geral.
Mas o tempo é implacável e com sua chegada os nomes vão sendo colocados em posições relativizadas por quem viu e quem não viu correr.
É normal ocorrer discussões sobre quem foi melhor: Fangio, Ascari, Emerson, Clark, Graham Hill etc... Mas hoje em dia são muito poucos os que viram algum destes correr e por mais que haja vídeos de Senna rodando o mundo intenético, sabe-se que em highlights até Takuma Sato pode ser sensacional.
Comparação injusta, óbvio.
O número dos que viram Senna correr vai diminuindo pouco a pouco e logo as novas gerações de fãs só terão a literatura, os highlights e algumas testemunhas oculares já sob forte influência da nostalgia para alimentar as discussões.
Entre os pilotos idem. Para ter uma pequena noção, dos atuais pilotos do grid, apenas Hamilton cita Senna como seu ídolo. (Massa não conta...)
Logo, restarão os números frios.
E com a novos ídolos e seus novos números se dará a tal da relativização comentada acima.

Só assim se explica o porquê do IAS aparecer no episódio de Hamilton e os números de Senna e não quando este atingir o recorde de poles (hoje pertencentes a Michael Schumacher) que fatalmente acontecerá.
Uma forma (esperta) e simpática aos olhos do público geral de promover a memória de Ayrton.
Claro que não há nada de errado e nem é crime fazer este tipo de marketing, mas alguém viu o IAS fazer a mesma coisa quando Schumacher estabeleceu seu número? E olha que o alemão também chorou e disse ter se inspirado no brasileiro em diversas vezes.
E ninguém verá acontecer se Vettel, por exemplo, que já citou outros pilotos e não Senna –  e hipoteticamente ainda tem chances -  também igualar e ultrapassar o número.

Não há porque criticar a emoção genuína de Hamilton ao receber logo após cravar a pole position com que igualou seu ídolo o capacete de Ayrton Senna.
Mas é impossível não enxergar oportunismo do IAS (com as bênçãos da Liberty) em promover um pouco mais a imagem (já bastante promovida e nem sempre pelos motivos certos, vide o apoio ao prefeito da capital paulistana bem pouco tempo atrás) de seu representado.


Nada errado e tudo até bem bonito, mas serviu mais para atrair um “owwwnnn” de brasileiros saudosos e favorecer um pouco mais a imagem da “nova F1 da Liberty” do que marcar um evento realmente importante.
Afinal, ultrapassar o segundo colocado não dá o lugar mais alto do pódio.

11 de jun de 2017

F1 2017: Canadá - Sweet (maple) Leaf

Uma semana com o windows10 totalmente bugado, mas por sorte (e competência do técnico de informática, obrigado Leandro!) vai ter texto para o GP do Canadá.
Diferente da corrida australiana, o GP canadense não é um “tudo pode acontecer”.
Os carros já chegam testados (alguns aprovados) e com as atualizações que geralmente chegam na primeira corrida da fase europeia.
É neste contexto que temos uma pole position que não surpreende mais ninguém há muito tempo: Lewis Hamilton com direito a novo recorde de velocidade da pista, a igualar seu ídolo Senna em quantidade de pole positions e tudo o mais.
Porém, colado em sua Mercedes vem Vettel e sua Ferrari, não por acaso, o líder da coisa toda.
Sobre a festa pela igualdade no número do brasileiro a gente comenta em outro texto.

A largada por lá é sempre tensa. A segunda curva é um aperto só e a velocidade é bem pequena, mas até chegar lá é um crescendo doido de marchas e aceleração.
Hamilton larga bem, mas é completamente ofuscado pela largada de Max Verstappen.
E por sorte do inglês, lá atrás Carlos Sainz Jr. fez das suas e (após ser tocado também, mas tô nem ai) tirou Felipe Massa (que está fazendo uma temporada maravilhosa!) da corrida com uma porrada por trás, e evitou que Verstapinho fungasse em seu traseiro ao fim da primeira volta.
Bandeira amarela e safety car.
Na relargada Bottas faz as vezes do companheiro de equipe tradicional e pressiona o Red Bull de Verstappen para que ele não incomode o chefe no carro 44.
Notinha sobre a largada de Max: Passou tão lotado por todo mundo que acabou levando um pedaço da asa de Sebastian Vettel.
Desdobramento: Vettel acabou indo aos boxes trocar a peça logo após o safety car sair da pista e – naquele momento – dava adeus a possibilidade de vitória.
Pouco tempo depois foi a vez de Max também abandonar a briga pela vitória, mas definitivamente.
Hamilton sorria de orelha a orelha com seu fim de semana.

E com as duas Mercedes nas duas primeiras posições, restava assistir à corrida surpreendente das duas Force Índia.
Esteban Ocon chegou a andar por várias voltas em segundo e só não liderou uma prova de F1 na carreira porque resolveu trocar seus pneus na mesma volta em que Hamilton trocou os seus.
Também Sérgio Perez fazia corrida muito consistente e não dava chances para as Ferrari de Raikkonen e Vettel e mais: discutiam via rádio quem era o mais apropriado dos dois pilotos para ultrapassar a Red Bull de Daniel Ricciardo pela terceira posição. Confiança era o que não faltava naquele momento.

Outro que surpreendia era Lance Stroll, que – além de não bater – ainda arriscou algumas brigas e ultrapassagens. Foi premiado com um inédito nono posto e seus primeiros pontos.
Bom para o povo entendido parar de escrever “rico” ao invés de “rookie” em suas resenhas sobre as corridas.

E quando faltavam sete voltas para o final. Quando tudo parecia resolvido a polêmica vazia chega de vez: Kimi erra e perde a posição para Vettel que está à sua frente na tabela do campeonato.
Aparentemente Kimi tinha realmente problemas, mas em se tratando de Ferrari...
Que comece o chororô.
E Vettel ainda aproveitou a briga interna da Force Índia para passar os dois e diminuir o prejuízo em relação a vitória de Lewis Hamilton com direito a volta da vitória com bandeira do Reino Unido, exatamente como fazia o cara de quem ele ganhou o capacete.
Imagem da corrida?
Nem por um Windows 10 bugado... Alonso que havia abandonado a prova com mais uma quebra de seu frágil carrinho de golfe, subiu as arquibancadas indo literalmente para a galera e distribuindo suas luvas aos torcedores.

A liberdade que a Liberty dá aos pilotos é a novidade mais empolgante desta temporada.
Mais até que o ressurgimento da Ferrari como protagonista do campeonato, até porque todos sabiam que hora ou outra isto iria acontecer.

1 de jun de 2017

Queremos é treta!

Que Hamilton é um falastrão não é novidade.
Quando perdia corridas na McLaren e mesmo na Mercedes, adorava um mimimi e chegou até mesmo a postar a telemetria de um de seus carros no twiter.
Depois de ver Fernando Alonso abrir mão do GP de Mônaco deste ano para disputar (com sucesso) as 500 Milhas de Indianápolis, falou algumas groselhas desdenhando do quinto lugar do espanhol na classificação e do estouro de seu motor (há-há) no fim da corrida no oval.
Tony Kanaan resolveu dar uma resposta engraçadinha ao bocudo da F1.

“-Do que ele está falando? No ano passado disputou um campeonato com apenas dois carros e ficou em segundo. ” – Disse o simpático narigudo.

Tony pode falar desta forma?
Pode...
Tony já ganhou o campeonato e também já faturou a Indy 500 entre outras provas importantes como as 24 horas de Daytona e ainda vai participar este ano das 24 horas de Le Mans com boas chances de levar e isto já o credenciaria, enquanto Hamilton ganhou 3 vezes o campeonato de F1, mas nunca andou na Indy e nem em outras provas tradicionais e importantes, logo, o silêncio era a melhor opção, mas como ele resolveu não ficar quieto.... Tomou.

Mas aqui é F1! Porra...
Tá pensando que vai sair falando verdades para a rapaziada e ficar de boa? Não!
Vou ajudar Lewis a dar respostas à altura e quem quiser ajudar, fique à vontade.
E se quiser ficar do lado do Tony também... O problema é de vocês.

“-Qual é? Ele disputou uma corrida com um piloto só e nem conseguiu ficar em segundo. ”

“-Qual foi? Tinha um piloto só na prova que ele tava correndo, o cara saiu da disputa e ele ainda não ficou nem em terceiro. ”

“-Ficar em segundo de dois não é vergonha... Vergonha é tomar pau do Sato! ”

“-Eu perdi para o Rosberg e ele que além do Sato tomou pau do Alexander Rossi? ”

“-Pelo menos eu sei fazer curva para os dois lados. ”

“-Quando ele for campeão andando só em carros de equipes de ponta sem nunca ter posto a bunda em um carro inferior a gente conversa...” (acho que esta não é bem uma resposta adequada...)

30 de mai de 2017

O jeito americano - ou - As lebres e as tartarugas

Entenda: As 500 milhas de Indianápolis são um evento puramente americano.
Tem até piloto de outra nacionalidade, mas é uma festa estadunidense nata.
Tanto que é disputada no dia dedicado aos veteranos de guerra e as ligações com coisas militares (desde o hino até a passagem dos aviões) são pontos altos da festa.
Se acha aquilo chato ou brega, pense bem... A Liberty tem a intenção de fazer a F1 ser algo bem parecido...

A corrida em si, neste ano, teve a adição de Fernando Alonso, bicampeão mundial de F1 e quase tudo foi focado nele.
Desde a abertura das transmissões com takes inteiros de sua corrida lá no pelotão intermediário onde foi parar após sua primeira experiência com largadas em movimento.
Quando assumiu a ponta, logo após os primeiros pits, a transmissão foi à loucura.
Mas com uma corrida longa como são as 500 milhas é normal não se sustentar por lá muito tempo.
Até para poupar o equipamento.
E ficou por ali, hora na ponta, hora um pouco mais atrás.... Sobrevivendo.

O interessante desta corrida é que são duzentas voltas e como se sabe desde sempre, não se ganha corridas na largada.
As cinco primeiras voltas é só para não passar vergonha.
As 145 seguintes são para filtrar os mais manetoes que vão ficando pelo caminho junto com os que tem problemas no equipamento.
As cinquenta finais é que valem como corrida.
Isto se não inventarem aquelas estratégias esquisitas de economia de combustível ou fazer splash and go nas últimas voltas e ficar sem chances nenhuma após liderar por um tempo considerável.
E ainda assim é possível um zé mané qualquer (como o Alex Rossi no ano passado) vencer por conta de coisas extra pista.
Deviam cortar a corrida apenas para cinquenta voltas e chamar de Indy 50 laps.

E nas cinquenta voltas finais desta edição aconteceu o que sempre acontece.
Alonso, independente da categoria que estiver, se estiver de Honda, vai se decepcionar.
Motor estourado.
Um monte de manetão batendo e prova parada.
Outro F1 reject lidera: Max Chilton...
A corrida mais importante do automobilismo mundial acaba sendo uma prova de mais sorte do que talento.
E no fim, ganha um japonês que não esteve na ponta por nenhuma volta antes das 4 finais.
Takuma Sato ganha a “prova mais importante do mundo”.
E a gente acredita.

28 de mai de 2017

F1 2017 - Mônaco: onde os fortes não bebem leite

Corridas em Mônaco não são apenas as procissões intermináveis que muitos dizem ser.
A cada passagem pela Saint Devote, pela La Rascasse ou os S da piscina os carros raspam os guardrails. Um vacilo e adeus corrida.
De quem bateu e de quem estiver por perto.
E é uma corrida para homens de verdade. Depois da prova, ninguém toma leite.

Depois de mais de cem grandes prêmios, Kimi Raikkonen conseguiu a pole position novamente.
As brincadeiras sobre estar aposentado ficam por terra. Nenhum aposentado faz a pole em Mônaco.
Vettel ao seu lado era a esperança de uma briga ao menos na largada.
Não houve.
Como tem sido comum, a primeira passagem pela Saint Devote foi limpa: nenhum toque.
Com isto, a atenção se volta para as paradas para troca de pneus.
A estratégia esperada era a de apenas uma parada, a dúvida seria: quando?

Vettel seguia firme na cola de Kimi enquanto lá atrás uma Renault, a de Hulkemberg, soltava óleo em metade da pista até parar e abandonar com problemas no câmbio.
Outra coisa curiosa foi a reclamação de Button, corredor convidado, sobre a saída dos boxes de Pascal Wehrlein que resultou em cinco segundos de punição ao piloto da Sauber.
Jenson se comportou como os aposentados que vão ao banco bater papo e aumentam as filas...
Particularmente achei que soltaram o inglês quando Pascal já estava passando.... Vai entender.

E na volta 40, o pulo do gato
Kimi já havia ido aos boxes algumas voltas antes e Vettel assumiu a ponta de cara para o vento baixando ao menos duas vezes o tempo da melhor volta.
Resultado: voltou à pista com folga suficiente para contornar a Saint Devote e o Cassino sem problemas.
Sem conspiração e sem o dedo da equipe.
E com a mesma estratégia, Daniel Ricciardo também ultrapassou Bottas e assumiu a terceira posição.

Um dos lances mais surreais dos últimos tempos teve lugar na volta sessenta e um.
Na entrada dos boxes a Sauber de Pascal Wehrlein ficou parada no muro.... De lado.
Se não houvesse a proteção ali, o carro teria parado com o assoalho para cima.
Isto após se achar novamente com Jenson Button e tocar roda com roda...
Button que é um aposentado convidado só fez vergonha durante a corrida toda.
Andando em último, reclamando.... Não faz falta nenhuma e quando volta só faz porcaria.
Que fique onde está agora.

Safety car na pista juntando todo mundo.
Chance para Kimi passar Vettel?
Não... O finlandês protegeu Vettel enquanto Bottas encaixotado entre as Red Bull tentava algo mais.
Sem nenhum sucesso, diga-se.

Vettel ganhou a corrida com Kimi em segundo, mas o vencedor do fim de semana pode-se dizer que foi Hamilton largando em décimo terceiro e chegando em sétimo, colado ao sexto colocado. Primeira vitória da Ferrari em Mônaco desde 2001.
Fosse em outra pista, facilmente iria ao pódio.
Isto é Mônaco, o resto é corrida para quem bebe leite...

24 de mai de 2017

Natal em Maio para o fã de corrida

No fim de semana duas das três corridas mais tradicionais do automobilismo mundial serão disputadas. A outra são as 24 horas de Le Mans, mas esta não é bem uma corrida já que o maior mérito dos carros nem é ser o mais rápido, mas durar mais tempo na pista. Pode-se ganhar a corrida sem sequer ter feito uma das voltas mais rápidas... Mas isto é para outro dia...
Aqui o assunto são as 500 milhas de Indianápolis e o Grande Prêmio de Mônaco.

Uma é velocidade em estado bruto.
Quatro curvas para a esquerda, duas imensas retas e – infelizmente – ultimamente um monte de manetas, velhos ou rejeitos de outras categorias.
A ação de marketing (não se engane achando que não é, por mais bacana que seja) de trazer Fernando Alonso para a disputa trouxe uma nova luz e um interesse que fora dos meios automobilísticos mais apaixonados, já ia se esvanecendo.
Prova maior foi a vitória de um piloto horroroso como Alexander Rossi na edição de 2016.
Para este ano, enquanto o bicampeão de F1 ainda estiver na disputa, o interesse será enorme, mas arrisco dizer que assim que ele sair da prova (se sair, minha torcida é até para que ganhe!) os televisores fora dos EUA vão ser desligados ou a atenção à prova vai ser substituída pela rodada do brasileiro, um filme na Netflix ou a limpeza da caixa de areia dos gatos...
Não que a prova seja ruim, mas seus períodos de emoção são concentrados nas cinco primeiras voltas e nas cinco finais.
O meio é esfarrapado e enfadonho e depende de um acidente ou uma manetada para gerar algum interesse maior.

A outra é tensão.
Mesmo sem disputas diretas por posição e com a dificuldade quase intransponível das ultrapassagens a coisa é tensa. Muito tensa.
Os carros passam a duzentos por hora a milímetros dos muros e guardrails da cidade.
Em geral, não se perdoa o menor dos erros e até gente tida como “dos melhores” já sentiram na pele o que é ficar desatento por um milésimo que for por lá.
É difícil não manter a atenção na corrida, por isto é a minha preferida.

Na dúvida, assista as duas já que os horários não se atropelam.
A diversão é garantida.